01 fevereiro, 2019

RUI PINTO quebra o silêncio


Rui Pinto quebrou o silêncio pela primeira vez desde a detenção em Budapeste, assumindo a identidade de John, o whistleblower por detrás do Football Leaks. A entrevista, conduzida pela revista alemã Der Spiegel, cobre vários temas, entre os quais o envolvimento com a Doyen, as acusações de chantagem e ainda o Benfica.


Como conseguiu obter mais de 70 milhões de documentos confidenciais sobre a indústria do futebol? "Iniciei um movimento espontâneo de revelações sobre a indústria do futebol. Não sou o único envolvido. Ao longo do tempo, mais e novas fontes de informação foram aparecendo e partilhando material comigo e a base de dados foi crescendo. Isto mostra que há muita gente preocupada com este assunto",

Acusações de chantagem por parte da Doyen: "A única razão pela qual contactei a Doyen foi para confirmar a ilegalidade das suas ações, com base na quantidade de dinheiro que estivessem dispostos a pagar para que os documentos não fossem divulgados. Queria perceber o quão valiosos e o quão importantes eram os documentos para a Doyen. Achei que conseguia descobrir isso se soubesse o quanto a Doyen estava disposta a pagar pelo meu silêncio. Nunca foi minha intenção aceitar o dinheiro. Só queria expor a Doyen. Quis perceber quanto lhe ofereciam. Enquanto ele negociava, eu continuei a ler os documentos. Enquanto o fazia, dizia para mim mesmo: se os deixo comprarem-me agora, não valho mais que todos estes esquemas. Por isso escrevi à Doyen e disse-lhes para ficarem com o dinheiro. Não me pagaram um único cêntimo. O que fiz foi muito ingénuo. Olhando para trás, arrependo-me. Mas repito, nego ter cometido qualquer crime".
Suspeitas de que forneceu ao FC Porto emails incriminatórios do Benfica: "Não li nenhuma declaração das autoridades sobre uma relação entre mim e o escândalo do Benfica. Uma revista publicou a história do Benfica no outono passado. Isso mudou a minha vida. A minha fotografia estava nas primeiras páginas dos jornais por todo o país. A minha conta de Facebook e o meu e-mail foram inundados com ameaças de morte".
Como e porque lançou o site Football Leaks? "Sou fanático por futebol desde criança e já tinha percebido, desde o Caso Bosman, que o futebol estava a caminhar na direção errada. Os melhores dos jogadores jovens estavam a ir para as melhores equipas; toda a competição estava a dar vantagem aos clubes de topo. O grande impulsionador para mim foi o escândalo da FIFA em 2015. Além de todas as detenções que foram feitas na FIFA, vi que havia irregularidades em muitas transferências dentro de Portugal. Que mais e mais investidores invadiam o mercado. Comecei a recolher dados".
Porque está a resistir à extradição para Portugal? "Tenho quase a certeza que não terei um julgamento justo em Portugal. O sistema judicial português não é inteiramente independente; existem muitos interesses escondidos. Claro que há procuradores e juízes que levam o seu trabalho a sério. Mas a máfia do futebol está em todo o lado. Querem passar a mensagem que ninguém se deve meter com eles".
(Fonte: jornal O Jogo)

30 janeiro, 2019

Universo Porto da Bancada ainda é muito crente


Tenho especial simpatia pelo jovem Pedro Bragança, comentador do Universo Porto da Bancada. Goza de grande eloquência e de um raro sentido de urbanidade. Pelo menos, é essa a impressão que me deixa. Já não vou muito à bola do José Cruz. Tanto está a dizer coisas acertadas, como logo a seguir as estraga com adjectivações de louvor, quando deviam ser de repúdio. Talvez seja uma consequência de ter trabalhado muitos anos na RTP...  Adiante.

Ontem, ficamos a saber (de voz própria) que Pedro Bragança apresentou uma queixa à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) por esta não se ter pronunciado sobre o comportamento execrável de Valdemar Duarte e as palavras repugnantes que proferiu na BTV contra toda a comunidade portista. Foi uma decisão louvável e de grande determinação, considerando a passividade de muitos jovens que em vez de agirem, se contentam com queixumes e críticas a quem faz o que pode.  

Esta atitude serviu de mote a um debate inspirado na ERC contra à qual Francisco J. Marques se manifestou com toda a razão e objectividade. O resultado era expectável (pelo menos para mim), chegou-se à conclusão que a ERC fugiu às suas responsabilidades poupando Valdemar Duarte de qualquer acusação com o tão usado, gasto e  maltratado "direito à liberdade de expressão", terminando a resposta responsabilizando o FCPorto, como não podia deixar de ser,  bem à laia de bom cartilheiro.   

Ora, esta reacção é legítima, mas tardia, porque não é apenas a ERC um organismo inútil e irresponsável, são todos os organismos ligados ao desporto. Estão todos contaminados pelo vírus Benfica. E não deviam. Portanto, a responsabilidade é sobretudo do(s) Governo(s), e da Assembleia da República, que sabendo o que está a acontecer, nunca tiveram a dignidade de se pronunciarem sobre a realidade actual desportiva em toda a sua dimensão, e não apenas no futebol. O Polvo tem como sede o Benfica, mas estende tentáculos em diferentes áreas. A Banca está também comprometida, a política e a comunicação social, idem aspas.

Considero portanto que ainda há demasiada ingenuidade da parte dos comentadores do Porto Canal. É tempo de perguntar ao sr. 1º. Ministro por que é que não demite o Secretário de Estado do Desporto e as próprias instituições do futebol. Por que é que ainda não falaram criticamente da FPF e da Liga.

Acham que são instituições competentes? Que não têm nenhuma responsabilidade nas decisões polémicas dos Conselhos de Disciplina e de Arbitragem? Não terão nada a ver com o assunto? Por que é que tardam tanto a concluir que o país está contaminado pela irresponsabilidade ao mais alto nível? 

Que raio, não são precisas lupas gigantes para topar vigaristas tão transparentes. Se acham que o Governo ainda merece respeito, então andam cegos, ou demasiado crentes, e então só daqui a uns mêses vão denunciar o que aqui já estou farto de escrever. 

É complicada a tarefa, porque é colossal, mas o ataque tem ser feito ao ponto mais alto do poder e não aos subalternos, porque esses continuam a sentir-se confortáveis com o silêncio dos mandantes e vão fazendo pela vida, nem que seja continuar a corromper.

De qualquer modo continuo a apoiar o programa Universo Porto da Bancada, mas penso que estão a ser demasiado pacientes com o regime. É o regime o principal responsável, é por aí que têm que caçar a presa, porque se assim não fora nem sequer seria necessário chegarmos a esta situação vergonhosa.    

PS-Para que não haja interpretações distorcidas repito o que sempre venho enfatizando: o senhor Presidente do FCPorto e respectiva SAD deviam encabeçar com outra frontalidade esta luta desigual contra o sistema, mais que não fosse para transmitirem aos adeptos e associados outra segurança. Assim, comportando-se como corta-fitas lembrando Américo Tomás, cai mal. Muito mal.  


29 janeiro, 2019

Só por estas singelas e corajosas afirmações, merecias uma estátua, Ana!

ANA GOMES

Ana Gomes voltou a abordar a detenção de Rui Pinto, o alegado hacker dos emails do Benfica, realçando a importância de averiguar o "interesse público" do conteúdo divulgado pelo suposto pirata informático. No espaço de comentário de que dispõe na SIC, a deputada do Parlamento Europeu disse estar à espera de ver a justiça portuguesa solicitar a colaboração de Rui Pinto.


"Quem tem que analisar o caso é a justiça portuguesa e as de outros países eventualmente envolvidos. Está em causa apurar a ilicitude de determinadas práticas e, depois, o interesse público da informação divulgda. Não tenho dúvida nenhuma de que há gente interessada em dar essa imagem e até mais interessada em pôr as mãos naquilo que ele [Rui Pinto] ainda possa ter para revelar. O advogado diz que ele tem colaborado com a justiça francesa, com a alemã... Espero é que seja solicitado pela justiça portuguesa a colaborar", assinalou a eurodeputada, prosseguindo:
"Ainda na semana passada, em Espanha, o Cristiano Ronaldo chegou a acordo e foi obrigado a pagar 19 milhões de euros. E graças ao Football Leaks o Estado espanhol está a recuperar milhões de euros de alguns jogadores. Em Portugal o que aconteceu? Estranho, não é? Não tenho notícia de que tenha acontecido alguma coisa... Ouvi dizer que, eventualmente, o processo E-Toupeira resulte de informação do Football Leaks, não necessariamente da informação trazida a público pelo Rui Pinto. O caso E-Toupeira é um daqueles casos que põe toda a gente intrigada. Como é que é possível levar o assessor jurídico e um funcionário conivente com ele a julgamento e não levar a entidade para quem trabalhava o dito assessor jurídico, que era a SAD do Benfica? Isto tem de ser visto à luz da apreciação que os tribunais façam", atirou Ana Gomes.
Nota de RoP: O título que escolhi para este post é tão eloquente quanto  dramático para o nosso país, por apenas esta mulher, esta política, ter tido a dignidade (e coragem) que mais NENHUM outro, de qualquer partido, ousou mostrar. 
Conclusão: temos uns políticos de merda (é a palavra certa). 

28 janeiro, 2019

Taça da Liga, uma Taça amaldiçoada por Pinto da Costa


O modo como o FCPorto deixou escapar o troféu da Taça da Liga foi mais uma vez penoso. Um momento de desconcentração de Oliver foi fatal, quando pouco faltava para terminar o jogo e trazer a taça para casa. Assim, arrastou a decisão para a marcação de penalties, processo azarado para grande parte dos nossos jogadores.  

Sabemos que os penalties fazem parte do jogo, que é preciso treiná-los com regularidade, como quaisquer outros aspectos técnicos, mas justamente por termos assistido nos últimos anos a alguma má sorte na hora de decidir, impunha-se preparar também o lado psicológico da coisa. Isto acontece a todos, mas já tínhamos vivido esta amarga experiência, e uma vez mais não tivemos força mental para meter a bola na baliza. 

Há, no entanto um por(menor) ou (maior) que não esqueço, com o qual nunca concordei e que poucos ousam falar (para não beliscarem o nome do Sr. Pinto da Costa), que é da responsabilidade exclusiva do Presidente. É que foi ele o primeiro a desvalorizar a importância da Taça da Liga! A causa factual foi ter sido criada para favorecer o Benfica, o que é a mais pura verdade. Como Presidente, e para evitar problemas, penso que o senhor Pinto da Costa só tinha duas alternativas sensatas antes de tornar pública a sua opinião: ou recusava participar na competição alegando desinteresse pelo mesmo - caso fosse legalmente permitido -, e nesse caso assumia-o coerentemente, ou então, calava-se. Assim, não deixava nenhum pretexto para influenciar os jogadores. 

Falando como falou, pense-se o que se pensar, não pode garantir que com a atitude negativa que tomou não ter transmitido aos jogadores pouco entusiasmo pela disputa do troféu! Pelo contrário, Sérgio Conceição nunca alinhou pelo mesmo diapasão, e quis ganhar. Não o conseguiu, é certo, mas ninguém pode dizer que foi durante o seu tempo de treinador do FCPorto que os jogadores ouviram falar desse desprezo pela Taça da Liga. Foi muito antes. E vários jogadores do plantel actual já jogavam no FCPorto com o "vírus" anti-Taça da Liga na cabeça. Se foi, ou não, essa a causa, ninguém pode garantir. Agora, por mais razões que possamos ter, não é só o Sérgio Conceição que tem de levar com o pesadelo dos pénalties da Liga... Pinto da Costa nunca devia ter menosprezado uma prova que sabia não poder recusar de participar.

Haja paciência, mas o nosso Presidente já foi um grande líder. Errava, mas errava pouco. Mas nos últimos anos só fala quando não deve, e mantém-se calado com assuntos mais sérios.    


27 janeiro, 2019

A bosta da corja

Domingos Andrade
(Director JN))


De repente, o país onde não se passa nada, onde se vive por ver viver os outros, o país da anomia coletiva e da normopatia individual, do zé-povinho, do fiado, do comer e calar, do respeitinho é muito bonito, do silêncio agastado da escravidão face às elites, no interior ou no litoral, de repente, escrevíamos, o país perde o filtro e parece entrar numa espiral de loucura coletiva, confundindo intervenção cívica com falta de civismo.

Não pode ser normal achar que se pode tudo, sem consequências. Mas aparentemente pode. Dos casos de polícia à polícia dos casos. Bombeiros que tentam em fúria invadir o Ministério. Um assessor do Bloco de Esquerda achar que pode falar da "bosta da bófia", mesmo que seja só um assessor, sem responsabilidades políticas, certo, mas ainda assim um assessor de um partido, no calor dos distúrbios no bairro do Jamaica, em Lisboa, sobre cujos verdadeiros problemas de pobreza e de abandono ninguém parece estar interessado em discutir. Um comentador desportivo de um clube com carteira profissional de jornalista, ambos pessoa singular e pessoa coletiva, responsável e responsabilizáveis, tecer os insultos que lhe apetece sem que ninguém intervenha e sem que ninguém, também aqui, queira discutir políticas de exemplo transversais que de uma vez por todas comecem a resolver o maior rastilho de violência subterrânea que atravessa a sociedade portuguesa.

O corolário da demagogia é Assunção Cristas ter de perguntar ao primeiro-ministro se condena ou não a violência em Lisboa. E o primeiro-ministro responder à pergunta com a afirmação interrogativa sobre a cor da sua própria pele. É a casa da democracia no seu melhor de alheamento face aos problemas que o país enfrenta.
Não pode ser normal. Mas o caminho que começamos a trilhar de perda de referências comporta maiores riscos do que aqueles que aparentemente vemos. E não pode ser normal que o país dos brandos costumes vire as costas a comportamentos que geram comportamentos, que geram outros comportamentos, numa espiral de violência suicida.
A prazo, seremos todos a bosta da corja.


25 janeiro, 2019

Paulinho, com que então estão a matar o futebol! Ainda não percebeste que são gajos como tu que o matam?


Ó pá, a ti trato-te por tu, não por amizade de amigo antigo, mas sim pelo desprezo que te dedico por defenderes o indefensável. Devias ter vergonha se um dia fores pai (se é que já não és) e transmitires aos teus filhos o teu exemplo de vida. Processa-me e vais ver se me calo
no tribunal. Experimenta.  

23 janeiro, 2019

Do futebol à política, a distância é curta

O ex-presidiário e vigarista Luís Filipe Vieira, cujo brilhante cadastro parece agradar aos benfiquistas - a avaliar pela forma resignada e obediente com que o toleram como presidente do seu estratoesférico clube -, não consegue abrir a boca sem se denunciar. É o comportamento típico dos chicos-espertos, ou dos chalartães, se preferirem. Este denuncia-se porque a inteligência foi logo toldada à nasçença pela veia criminosa. 

Estava para dizer que é preciso ter lata, mas isso era ser  demasiado  condescente com alguém que já nasceu com a lata toda no sangue. Então não é que este energúmeno está a virar-se contra os árbitros só porque agora estão afrouchar-lhe o colo? Será que há juízes com coragem para deixar em liberdade um tipo com este currículo e que ainda por cima se auto-incrimina por sofrer de estupidez crónica?

Bem, não podemos isolá-lo deste mundo imenso de gente "recomendável". A Caixa Geral dos Depósitos  foi uma grande escola de gente de contas. Vejam quem por lá passou:

Tudo gente impecável, eternamente inocentes


Diz o JN de hoje que a CGD (Banco Público) teve um nível de imparidades acima de outros bancos portugueses e
todos estes lordes por lá passaram... Como não acontecer competências destas no futebol?

Há uma solução óptima para abafar tudo isto: é lançar sobre o PIRATA RUI PINTO (com letras grandes) a culpa
de tudo! A RTP e Cª. e praticamente todos os media já passaram ao ataque. É o Rui Pinto, foi ele que inventou o crime
em Portugal.

21 janeiro, 2019

Vá lá, ainda há polític(a)s com a coluna vertebral no seu lugar. Parabéns Ana Gomes!

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ANA GOMES
"Rui Pinto pode ter feito um tremendo serviço à comunidade", diz eurodeputada Ana Gomes
Este domingo à noite, a eurodeputada insistiu: "Ele [Rui Pinto] é uma das fontes do Football Leaks, um dos maiores atos de denúncia pública e de corrupção no mundo do futebol. Estamos perante um pirata informático, que eu gosto de chamar 'lançador de alertas', que conseguiu acesso a informação grave sobre esquemas de corrupção e que comprometem o futebol e o crime organizado ligado ao futebol. O Rui Pinto correu tremendos riscos, sofreu ameaças de morte porque há interesses poderosos", disse.
Ana Gomes acrescentou ainda o que considera ser o papel primordial que espera da Justiça: ""A justiça tem de perceber que é da sua responsabilidade proteger a pessoa investigada. O Rui Pinto pode ter feito um tremendo serviço à comunidade. O processo e-Toupeira também resultou da denúncia que a justiça portuguesa encontrou no 'Football Leaks'", finalizou. "A justiça terá que apurar o que se passou, mas não aceito que taxem o rapaz de criminoso sem que a justiça faça o seu trabalho", afirmou este domingo, ma SIC, a eurodeputada Ana Gomes. Recorde-se que ainda esta semana,através de uma partilha na rede social Twitter, defendera que Rui Pinto, o alegado hacker dos emails do Benfica, "expôs corrupção bem entricheirada.
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TRISTE PAÍS O NOSSO

TRISTE PAÍS O NOSSO

"O interior está a morrer." Esta é uma frase que ouvimos há décadas. Há décadas que nos queixamos do centralismo bacoco, trucidante e exacerbado deste pequeno país, em que temos uma Capital que absorve tudo, alimenta todos e trucida tudo o resto. 


Agora, através de um relevante e pragmático estudo, podemos constatar com realismo as diferenças abismais entre Lisboa e o resto do país. Com esta diferença abismal de tratamento, quais são os jovens loucos que se atrevem a ficar no Interior? Muito poucos. Só mesmo os loucos. Infelizmente.

Lisboa é a capital e o resto continua a ser paisagem. Este estudo apresenta provas.

“Portugal é um dos países mais centralizados da OCDE”, diz um estudo da Associação Comercial do Porto. E apresenta números para provar a “tragédia do centralismo”. Sabia que o Estado entrega à administração local apenas 10% da despesa pública total? E que metade das compras públicas são feitas por entidades localizadas na Área Metropolitana de Lisboa? Para resolver isto, uma das propostas é criar na AICEP um “Conselho das Regiões”

Associação Comercial do Porto (ACP) quis ir ao país real ver como está o Estado da Nação. Concluiu que a descentralização continua a ser uma miragem e apresenta todas as provas das desigualdades regionais num estudo com o selo da Universidade do Minho. Afinal, parece que continua a ser válido dizer que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem.

Feito o diagnóstico da “tragédia do centralismo”, esta estrutura que reúne 2 mil associados, entre privados e empresas, representando 80% do PIB da Região, também aponta soluções para Portugal encontrar “um modelo de organização do Estado que seja justo, equilibrado e moderno”. 

Um exemplo? “Devem ser avaliadas as barreiras à entrada de PMEs no mercado da contratação pública, nomeadamente no acesso às plataformas de contratação. Para a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, a proposta é criar um “Conselho das Regiões”.

O estudo “Assimetrias e Convergência Regional: Implicações para a Descentralização e Desconcentração do Estado em Portugal”, realizado por uma equipa da Universidade do Minho liderada por Fernando Alexandre, só será apresentado ao público terça-feira, mas o Expresso, antecipa já 10 conclusões sobre a distribuição regional dos serviços do Estado e da despesa em bens e serviços e sobre a descentralização orçamental. E também avança 7 propostas da mais antiga associação empresarial portuguesa para o país.


CONCLUSÕES

1) Portugal é um dos países mais centralizados da OCDE, tendo alocado à Administração Local apenas 10% da despesa pública total, o que compara com percentagens superiores a 30% em países como a Alemanha ou a vizinha Espanha;

2) Com a crise financeira internacional de 2008, o peso da Administração Local na despesa pública voltou aos mínimos dos anos 90 (11%);

3) As receitas da Administração Local mantiveram-se praticamente inalteradas desde 2004, tendo até sofrido uma quebra de 4%;

4) Entre 2010 e 2016, as transferências do Estado para os municípios diminuíram 23%, com destaque para a redução de 34% no Algarve;

5) Desde 2010, os municípios tentaram compensar a quebra nas transferências do Estado com um aumento das receitas próprias (+11%). E em 2016, as despesas correntes foram quase 2,5 vezes as despesas de capital dos municípios;

6) Entre 2004 e 2016, o peso das receitas fiscais aumentou de 33% para 38%, e o peso das transferências diminuiu de 45%, para 38%;

7) 49% do valor das compras das administrações públicas (central e local) é realizado por entidades localizadas na Área Metropolitana de Lisboa;

8) As entidades da Administração Central localizadas na AM Lisboa representam 64% das compras públicas;

9) As empresas localizadas na AM Lisboa representam 77% das vendas totais a entidades da Administração Central, 62% das vendas ao Estado e 40% das vendas a entidades da Administração Local;

10) As entidades da Administração Local mostram ser mais eficientes na contratação pública relativamente às da Administração Central, quando se medem os desvios do preço pago em relação ao preço contratado.

PROPOSTAS:

1) Promover uma distribuição geográfica mais equilibrada das empresas fornecedoras do Estado. Dada a importância dos serviços públicos nas economias locais, nomeadamente através das compras públicas, é essencial deslocalizar e/ou desconcentrar serviços da Administração Central que são responsáveis pela maior fatia da despesa em bens e serviços;

2) É também essencial rever o modelo de compras públicas, de forma a garantir maior igualdade entre empresas nacionais no fornecimento de bens e serviços do ao Estado;

3) Devem ser avaliadas as barreiras à entrada de PMEs no mercado da contratação pública, nomeadamente no acesso às plataformas de contratação pública;

4) Aumentar as receitas próprias dos municípios, de forma a aumentar a resiliência das regiões a choques externos e a implementar estratégias regionais de desenvolvimento. Como? com mecanismos como a transferência da responsabilidade de receitas do Governo Central para a Administração Local, designadamente através do aumento das percentagens do imposto sobre o rendimento (IRC E IRS);

5) No âmbito deste reforço das receitas próprias dos municípios, atribuir a derrama municipal aos municípios que contribuem com os seus recursos para as atividades de empresas com sede noutros concelhos, em particular Lisboa;

6) Criar um “Conselho das Regiões”, da AICEP, de forma a garantir uma maior transparência e mais informação sobre as condições de competitividade da economia, a par de uma maior concorrência entre regiões por esse tipo de investimento. Depois, nos projetos que procuram Portugal como destino, seria preciso definir valores mínimos para o investimento e postos de trabalho que passariam a ser analisados por este novo órgão, de forma a garantir que os investimentos possam localizar-se nas regiões que oferecem melhores condições de competitividade;

7) Reforçar a articulação entre a AICEP e as agências de investimento local como a InvestPorto e a InvestBraga.

A Confraria das Aldeias e Aldeões de Portugal está a preparar também um dossier para apresentar ao Governo com dados e propostas para alterar a realidade existente.

Sentimos que estamos a morrer, com tanto valor existente, com tanto para potenciar, com tanta paixão para amar, mas este centralismo criminoso, que nos obrigam a alimentar, é verdadeiramente desolador.


Fonte:
Associação Comercial do Porto

20 janeiro, 2019

W. Bourdon entrevistado pelo DN

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William Bourdon


"Consideramos que existem razões fortes para que o pedido de extradição seja rejeitado. É um mandado europeu, e sabemos que as margens de manobra não são muitas. Mas há a jurisprudência. Há outras decisões anteriores. Por exemplo, Hervé Falciani, que eu defendi nos Swiss Leaks - ele foi ilibado de todas as acusações incluindo a intrusão em computadores alheios. E ele não foi extraditado de Espanha para a Suíça", diz William Bourdon. Entrevistado pelo Diário de Notícias , o advogado - estrela dos casos de denunciantes - que está a defender Rui Pinto fala do risco da uma extradição para Portugal do alegado hacker dos emails do Benfica. "Será extremamente paradoxal enviar Rui Pinto para Portugal ao mesmo tempo que ele está em ativa cooperação com o procurador financeiro de França, e em perspetiva de trabalhar com o procurador suíço. Rui Pinto concordou em colaborar. Extraditá-lo seria impedir esta colaboração", afirmou ao jornal.

"Todos consideram que o denunciante, se ele providencia serviços que são do interesse público, os seus interesses devem ser protegidos. E há um equilíbrio que é preciso fazer entre a importância judicial e os seus benefícios para o consumidor europeu, para o pagante de impostos. Este equilíbrio tem de ser considerado, tendo em conta a realidade das ofensas criminais. O facto de a ofensa ser menor - hacking - e eu repito que a ofensa de extorsão é firmemente negada pelo meu cliente, e será demonstrada sem dificuldades a sua inocência", disse também Bourdon.

"Esses documentos só podem ser usados por Portugal se são precisamente, e sem sombra de dúvida, ligados a queixas que estão na base do mandado. [O caso Doyen?] Isso mesmo"

Colocado perante o desejo da Polícia Judiciária pretender recuperar os computadores com todo o material de Rui Pinto para ser investigado em Portugal, o advogado foi peremtório na resposta: "É absolutamente impossível. Há um princípio judicial que é muito importante: o da especialidade. Quer dizer que as provas só podem ser recolhidas por Portugal se tiverem ligação com a queixa que levou à detenção". Perante a insistência do DN - "Isso quer dizer que a polícia não pode recolher mais provas do que as que dizem respeito ao caso Doyen?", William Bourdon concluiu: "Este não é um inquérito português. É um pedido de extradição - e isso pode implicar alguma recolha de provas. Mas por isso esses documentos só podem ser usados por Portugal se são precisamente, e sem sombra de dúvida, ligados a queixas que estão na base do mandado. [O caso Doyen?] Isso mesmo..."
"Eu não tenho acesso ao caso em Portugal, mas parece que há dois casos ligados ao Doyen. E isto não se pode espalhar a outras histórias. Senão será ilegal", esclareceu o conhecido advogado ligado à defesa de denunciantes famosos como, por exemplo, Julian Assange e Eduard Snowden.
Na mesma entrevista ao DN, Bourdon refere-se ainda a ameaças de morte: "Ele tem provas de que tem recebido ameaças de morte. E muitas pessoas do undergound tentaram identificá-lo. E capturá-lo e atentar contra a sua integridade. Ele tem noção disso, sim", disse sobre Rui Pinto que define como "um rapaz esperto, gentil. Muito humanista e simples. Ele era apoiante do FC Porto. E ficou enojado e revoltado com o que foi descobrindo."
Explicando que a defesa do alegado hacker está a ser paga pela "The Signal Network" - "a mim não, porque sou membro da administração" -, William Bourdon explicou ainda que a atitude de Rui Pinto "foi a consequência da arrogância que existe neste mundo do futebol, que sente que pode continuar a atuar em completa impunidade."
(Fonte:DN)

16 janeiro, 2019

Qual é a diferença...

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Carlos Janela é nome de cartilheiro
espécie abundante no Benfiquistão


...entre alguém que é vítima de um assalto, a quem é furtado parte substancial do património, do qual faz parte uma empresa com vários trabalhadores assalariados, e que pensando viver num país civilizado decide dirigir-se a uma esquadra da polícia para apresentar queixa, descobre que lá dentro não se encontra ninguém? Alguém que, pensando tratar-se apenas de uma casualidade, regressa de novo à esquadra no dia seguinte, no outro, e mais outro, até chegar à conclusão que não se tratou de um incidente? Em que raio de país pensará estar?

Que lhe resta fazer? Ir para a rua, ou para o café da esquina lamentar-se da sua desgraça? Conhecendo o autor do crime, a vítima pede-lhe encarecidamente para não voltar a roubá-lo, chamando-o à atenção para a malvadez que é o acto de roubar, sem que o criminoso se impressione minimamente com a sorte da vítima, e não satisfeito com isso,  lhe promete que vai repetir a gracinha, ou seja, voltar a assaltá-lo.

Perdido, como se sentisse no deserto, o desgraçado resignou-se com a má sorte decidindo queixar-se ao primeiro vulto que encontrasse, na esperança que este se transformasse numa "esquadra" de polícia, o que não veio a acontecer. A polícia devia existir, constava que sim, mas nunca apareceu. 



Qual será a diferença entre a história atrás contada e a que está a acontecer com o FCPorto? O FCPorto não é pessoa singular, é verdade, mas é colectiva. Não importa o género, o que interessa é a comparação. O colectivo tem dirigentes, património, assalariados pagos. Tem associados, atletas remunerados. Todos, de uma ou outra maneira, são prejudicados por meio mundo. Por um clube de futebol corrupto, pela comunicação social, e pelo próprio governo.  Quem se salva desta matilha de humanoides?

Quereremos nós imitar o desgraçado assaltado indefeso desta historinha? 

Eu sei que o FCPorto teve a sorte de encontrar um homem com coragem para denunciar o delito de que continua (continua, repito) a ser vítima, mas só saberemos se isso chegará para o libertar definitivamente do mesmo quando fôr a julgamento. Como Francisco J. Marques disse, e com carradas de razão, o autor do crime tem tentáculos, e por isso lhe chamou polvo. Só o Ministério Público poderá saber como tudo irá terminar. Até lá os escândalos vão continuar. Escândalos talvez menos insolentes, mas obcecados. E a violência não vai abrandar, até porque  quem possui a tutela do Governo no desporto continua a dar carta branca às claques do Benfica, como é sabido. Só de falar nisto passo-me!    

O que não imaginaria, caso tudo isto tivesse acontecido há uns anos atrás, é que fossemos tão passivos, como estamos a ser. Continuamos a ser discriminados pelos próprios governantes, e não  temos a coragem para lhe fazer sentir frontalmente a dimensão do nosso repúdio e revolta!  O meu, pelo menos, é total.     

15 janeiro, 2019

Cuidado, a Justiça em Portugal é lenta e imprevisível


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Por mais que me habitue ao modo politicamente correcto de protestar dos comentadores do Universo Porto transmitido pelo Porto Canal contra as tropelias que o sistema continua a fazer contra o FCPorto, retirando daí dividendos, não consigo conformar-me.

Não é uma questão de estilo, e muito menos pessoal. Estou com o FCPorto! Isto, é uma questão de objectividade.

Fala-se, denuncia-se (e bem) o que está a acontecer de errado e suspeito com as arbitragens, com os consequentes danos para o FCPorto e o desbocado benefício para o Benfica, mas ficamo-nos sempre por aqui, pelo lamento! Assim, não vamos lá.

António Perdigão, ex-árbitro e actual comentador do Porto Canal de arbitragens, procura opinar com seriedade e a isenção possível, mas não vai mais longe. E não vai mais longe por quê? Porque não é a ele que isso compete. Tal como não compete ao Francisco J. Marques, mesmo sendo Director de Comunicação do FCPorto. Até aqui, compreendo. Os leitores já sabem o que penso sobre isto e a quem atribuo a responsabilidade para tanta permissividade. Mesmo assim, continuo sem perceber por que é que há tanta parcimónia com a incompetência e sobretudo com a irresponsabilidade. Não percebo, sinceramente, n ã o   p e r c e b o !

Os árbitros continuam a asneirar? A prejudicar o FCPorto, e a levar ao colinho o Benfica? Continuam, sim senhor! O vídeo-árbitro não está a resultar? Não está, não senhor, ou só funciona quando convém a alguns! As comissões de Disciplina da FPF, e de Arbitragem da Liga   são um flop? São com certeza! São um embuste descarado! E que dizer da comunicação social? Nada a dizer? Temos de aceitar pacificamente a discriminação que nos fazem? É isso democrático na óptica dos dirigentes portistas? Mesmo tratando-se de órgãos do Estado, como a RTP? Os dirigentes portistas consideram normal a discriminação? E já agora pergunto: será também normal calarmo-nos? Que garantias temos que vamos ser ressarcidos pelos danos consequentes?   

E será que os comentadores desses programas, como o Universo Porto de Bancada e outros do género, não sabem quem superintende no desporto, seja no futebol ou de qualquer outra actividade desportiva? É claro que sabem, são as Federações respectivas, e no caso do futebol, também a Liga, e a nível político a Secretaria de Estado e Desporto. Então, por que é que em vez de continuarmos a lançar "gritos" de socorro para o vácuo onde não está ninguém para nos socorrer ou sequer ouvir (porque não quer), não os obrigamos a responder? Sim, obrigamos! É um dever que assumiram, e se assumiram são obrigados a cumprir! Ponto. Para isso são pagos, e a peso de ouro! Refiro-me obviamente aos dirigentes das referidas instituições.

Então porque é que não obrigamos esses dirigentes a responder aos nossos protestos? Porque não os obrigamos a respeitar os nossos legítimos direitos, se estamos a ser discriminados e prejudicados? Então, vivemos em democracia, ou não? Reparem no paradoxo: eu, que ando há já uns anitos a dizer que não acredito na saúde da nossa democracia, não tenho pejo em escrevê-lo aqui e dizê-lo à frente de qualquer pessoa, e no FCPorto não ousam chamar à responsabilidade quem anda provocantemente a fugir dela? Haverá provocação maior que sermos desrespeitados por quem tem obrigações de impôr o respeito pelos regulamentos, obrigando quem não os cumpre a fazê-lo?

Insisto: não se fiem demais na Justiça! Ainda há poucos dias Duarte Lima, um ex-político acusado do homicídio de Rosalinda Ribeiro e de desvios do seu património, foi agora ilibado após ter estado em "prisão domiciliária" alguns anos. Acreditam nesta justiça? Eu não! Porque se fosse um desgraçado qualquer ele já teria sido enviado para o Brasil há muito tempo! Mas, é isto a Justiça portuguesa. Queremos mantê-la neste estado? O FCPorto tenciona pactuar com esta bagunça e arriscar perder outro campeonato com a continuidade do proteccionismo do regime ao Benfica, que continua a pontuar com a ajuda obstinada das arbitragens? 

Bem, se assim fôr, só temos de pedir a Deus (se houver fé para tanto) se o Ministério Público recorrer e decidir castigar o Benfica com uma merecida despromoção à 2ª divisão, caso contrário ainda podemos correr o risco de ser ultrapassados e perder mansamente outro campeonato. Seria um crime, pagar dessa maneira os esforço tenaz de Sérgio Conceição, para fazer o que fez com jogadores outrora indesejados.        

09 janeiro, 2019

O silêncio do Porto Canal é perigoso


http://www.portocanal.pt/


Qualquer espectador atento  já se terá apercebido que algo vai mal no Porto Canal. 

O verão passado foi o espelho fiel dessa suspeita. De Julho a Setembro (e até Outubro) não se notou grande diferença com os mêses de trabalho. As repetições, que já eram excessivas, aumentaram, e a dinâmica era fraca, parecendo que lá dentro não havia ninguém, que continuavam todos de férias. Só lá para fins de Outubro começou a mostrar algum regresso à normalidade, e mesmo assim pouco convincente. Para quem poucos dias antes se gabava da subida de audiências, e dizia que o Porto Canal era o canal mais atento à descentralização, com delegações em todas as regiões do país (incluindo Lisboa), devíamos esperar outros sinais. Júlio Magalhães parece uma pessoa simples mas essa simplicidade às vezes engana, 

Há muitas coisas no Porto Canal que podia aqui apontar, que nunca foram resolvidas e que continuam a chamar a atenção pela negativa. Trata-se da supervisão, que parece não existir. Não quero ser desagradável e por isso vou-me limitar apenas a uma ocorrência recente. Foi no dia da transmissão do jogo de basket entre o FCPorto e o Ovarense, jogo esse que coincidiu à mesma hora do  hóquei em patins entre o Riba D'Ave e o FCPorto. Sucede que quando tudo indicava que o jogo de basquete disputado no Dragãozinho ia ser alternado com o de hóquei jogado em Riba D'Ave, como aliás aconteceu cerca de 5 minutos, de repente as imagens desapareceram para regressar ao basquete para nunca mais voltarem.

Enfim, estas coisas podem acontecer, agora o que não se tolera é que não tenha havido uma simples notinha em rodapé a informar, e pedir desculpa aos espectadores caso tenha havido uma avaria técnica. Isto é recorrente. Ninguém merece explicações, aquilo parece uma casa particular, não parece uma estação de televisão gerida por um clube de futebol como o FCPorto! Por ironia, é justamente o sector desportivo, o maior gerador de audiências, o que devia exigir outro empenho é o mesmo que sofre estas desconsiderações, sem qualquer pedido de desculpas! Haverá ali alguém no comando?

Adiante. Não quero denegrir o Porto Canal nem quem lá trabalha, pelo contrário. O que quero é que o Canal do FCPorto não faça figuras tristes de amadores. Isto é crítica construtiva, não é maldizer. E se houver alguém melindrado por não admitir que também comete erros, então é porque se acha mais importante do que a empresa (clube) que lhe paga o salário.

Já agora aproveito para dar uma sugestão ao Sr. Júlio Magalhães, deixando-lhe aqui algumas questões: o que é que está a faltar ao Porto Canal?  Dinheiro, ou ideias? Se for dinheiro, então terá de resolver o problema com os proprietários (FCPortoMedia e MediaPro Portugal). Mas se se tratar apenas de falta de audiências, talvez não seja má ideia começar a pensar noutro tipo de programas. Aconselhava manter os melhores e preencher os mais básicos com assuntos de importância superior para a cidade do Porto e para o FCPorto. Receio que o que vou propôr não encaixe nas suas ideias, mas não me importo de arriscar.

Vejamos. Uma vez que ainda não ouvi ninguém do Porto Canal, ou do FCPorto duvidar da consistência da soberania nacional, e do próprio regime, talvez tenhamos de admitir que todos acreditam na genuidade da nossa democracia.  Nesse caso, por que não realizar um grande programa constituído por personagens que não temam desafiar o status quo nacional, corrupto e salazarento, para darem algum apoio ao Francisco J. Marques que mais não faz que suplicar justiça? Atenção, eu compreendo FJ Marques e admiro-o por ter feito o que fez, só que acho um abuso do FCPorto deixarem-no sempre a falar sozinho! Não haverá gente com coragem para dizer que maior vergonha que a corrupção é respeitá-la, é dar-lhe trunfos, abdicando do cumprimento da Justiça? A que temos, não se chama assim, é uma opositora feroz, chama-se farsa. Essa sim, é uma justiça vergonhosa! 

Temeria porventura Júlio Magalhães discutir frontalmente sobre que mistério  explica o silêncio sobre a corrupção de figuras como o  Presidente da República (seu amigo), sempre muito disponível para beijinhos populares, mas muito cego e ausente com temas de lesa pátria, como é o da corrupção? A magistratura de influência é isso? Por que será que não temo falar destas poucas vergonhas, sem terem de me pagar, e vossas excelências que são pagos para informar e esclarecer, fecham-se como se vivessem na Coreia do Norte? 

Não estou a ironizar. O assunto é sério. Seria muito oportuno e útil que o Porto Canal em vez de se entreter com entrevistas a vedetas lisboetas se dedicasse mais a produzir programas verdadeiramente honrosos. O resto, não passa de repetições fúteis e gastas.

Vamos lá, deixemo-nos de cópiar banalidades. Se estivéssemos nas escola primária (antiga) a professora chamava-nos à palmatória. E era justo. 
    

07 janeiro, 2019

A benfiquisação do país está activa, e os portuenses deixam andar (contra tudo e contra todos?!'?!)

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Porto adormecido não é Porto vivo

Salvo raras excepções, é fácil concluir que os portistas parecem interessar-se mais pelo sucesso do FC Porto do que com a autonomia política e económica da cidade do Porto e da região norte. É relevante lembrar que, felizmente para o nosso clube, cada vez há mais portistas por esse país fora, inclusive pelo mundo inteiro. Mas, se pelo norte inteiro não podem ser apenas os portistas os únicos responsáveis - mal grado pertencerem à cidade mais importante da Região -, o mesmo não podemos dizer quando se trata do próprio Porto, até por sabermos que não podemos contar com os políticos para nada.

Temos consciência que não é simples mobilizarmo-nos espontaneamente para lutas de cariz político. A verdade é que elas cada vez são mais urgentes e necessárias. E não são necessariamente lutas partidárias, por quanto sejam os políticos os primeiros a defender a treta de que sem partidos não há democracia, o certo é que com eles, também nunca haverá democracias sólidas se as deixarem à mercê de políticas anarquistas, esvaziando-as de normas moderadoras, como sempre fizeram. Persistir na ideia de que disciplinar a Democracia é um erro, é tão perigoso como desregrar a Liberdade. O nosso país é a prova mais cabal.

Suponho que é aqui que reside o problema principal. Há quem defenda que ambas (Liberdade e Democracia) só são genuínas se forem absolutas, e está provado que essa visão é errada. Foi à sombra  dessa "liberdade democrática" que os sucessivos governos escancararam as portas à bagunça, à calúnia, ao vil insulto, à intriga, às falsas verdades, e que conduziram (por exemplo) ao processo Apito Dourado, e a outras indecências. Resultado: os Presidentes do Benfica interpretaram isso como uma autêntica passadeira para fazerem o que queriam. Como eles pisaram essa passadeira e para quê, todos nós sabemos. Foi Vale e Azevedo, e agora o Vieira (só para falar nos mais descarados). 

Actualmente os partidos políticos perderam credibilidade, e no Porto em particular chegaram ao ponto de inspirar desconfiança. Os partidos e os políticos que os encorpam deixaram-se desvirtuar pelo corporativismo de classe e banalizaram-se. Com um pouco de coragem e vontade os portuenses podiam substituir a inoperacionalidade da política partidária pela acção cívica, com empresários, reitores universitários, figuras locais mais relevantes da região. Nada disso acontece agora no PORTO, todos parecem ter perdido a fibra de outros tempos, que não sendo os melhores, não os impediu de abrirem sedes de bancos, de jornais, de companhias de seguros. E, vejam o paradoxo, vivíamos numa ditadura, mas agora as práticas destes pseudo democratas são ainda mais mesquinhas. São estas ambiguidades irresponsáveis que confundem o povo, que alimentam o oportunismo dos saudosistas do passado e que por aí andam a apelar ao regresso de Salazar... Estão a ver como é fácil misturar o sal com açucar sem distinguir paladares? 

Por tudo isto me entristece ver uma "ferramenta" importante como podia ser, mas ainda não é, o Porto Canal, sem rumo nem ambição. A programação empobreceu, a informação também. Aquilo só funciona e vive à custa do FCPorto. Júlio Magalhães continua fascinado pelos lisboetas. É sempre uma "honra" para ele (menos o Tino de Rãs) receber qualquer badameco(a) de uma terra que tão mal nos tem tratado ... A Maria, a quem louvei pela saudável irreverência, quando chegou ao Porto Canal, desiludiu-me ao aceitar o convite para trabalhar com o Goucha na TVI, um canal vulgaríssimo, igual ou pior a qualquer outro de Lisboa, onde o principal objectivo é denegrir o FCPorto!

O dinheiro tem destas coisas, suborna a fibra das pessoas, e torna-as dele reféns. Boa sorte Maria, mas não ouses dizer publicamente que amas o Porto, porque tu só amas o capital da capital, passe a redundância. Deixa-te de tangas e pede ao Júlio Magalhães para te fazer companhia, que ele não faz falta nenhuma nem ao Porto, nem ao Porto Canal. Como deves saber, aquilo por cá está cada vez pior. Às tantas até já sabias que o Porto Canal estava a despedir pessoal... Já agora, vê se convences também a Carina Caldeira a ficar por Lisboa onde parece ter muitas amigas... Fazem-me lembrar o Jornal de Notícias que, como previ, foi-se colorindo de vermelho e de Lisboa desde que o Proença de Carvalho chegou a Presidente do Conselho de Administração. A fibra dos portuenses agora não passa disto: bajulação a Lisboa, rumo à fama e ao money! Nada mais.

Vamos fazer votos para que os portistas não venham a pagar cara a condescendência do Presidente Pinto da Costa para com as vigarices do Benfica e do próprio Governo. Será tarde esgrimir culpas, porque esse será o custo de querer perenizar competências pretéritas.

Deste Porto combativo, só vejo passado.

PS-Sem vaidades espúrias, por que será que poucos ligam a política às descriminações e perseguições que o regime tem movido ao Porto, e ao FCPorto? Será que no íntimo, no íntimo, há certos portistas a apoiar o comportamento dos governos, mesmo sabendo que prejudicam o nosso clube?  Por que raio serei eu quase um exclusivo a "bater" em quem nos desgoverna tão bem?

Tirando alguns comentadores que conheço, e aqui me acompanham assiduamente, não vejo que esteja a exagerar. Será que esperam um D. Sebastião que salve o FCPorto, sem beliscar a sua estabilidade pessoal? Se assim fôr, posso compreender, mas não aprecio a filosofia.


PS2-Peço desculpa aos leitores que não reparem num ou outro lapso de ortografia, mas às vezes acontece. Costumo fazer uma revisão ortográfica mais do que uma vez e mesmo assim escampam-me certas palavras.