| Pinhão [Alto Douro] |
10 setembro, 2011
09 setembro, 2011
Duarte Lima diz que "provas arrasadoras" são "pura especulação"
A herança trágica de Feteira
O advogado no Brasil de Duarte Lima diz que as alegadas "provas arrasadoras" no caso da morte de Rosalina Ribeiro divulgadas, esta sexta-feira, pelo semanário Sol, "não têm nada de novo" e "são pura especulação".
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| Duarte Lima |
O advogado no Brasil de Duarte Lima diz que as alegadas "provas arrasadoras" no caso da morte de Rosalina Ribeiro divulgadas, esta sexta-feira, pelo semanário Sol, "não têm nada de novo" e "são pura especulação".
O semanário "Sol" noticia que a polícia brasileira afirmou ser detentora de "fortes indícios do envolvimento de Duarte Lima no assassínio de Rosalina Ribeiro, em Dezembro de 2009, com base, entre outros elementos, nas multas por excesso de velocidade do carro que o ex-deputado do PSD terá alugado para transportar a vítima no dia em que foi morta".
Titula na primeira página "provas são arrasadoras" e enumera vários factos: "carro de Duarte Lima esteve no local do crime na véspera do assassínio", "primeiro tiro foi disparado ainda dentro do automóvel", "carro foi entregue lavado e sem o tapete do lado do 'pendura' e "ex-deputado disse não saber onde alugou o carro - mas escreveu à empresa a pedir a factura".
Numa nota enviada à Agência Lusa, João Costa Ribeiro Filho, advogado brasileiro de Duarte Lima, diz que a "pseudo investigação não tem nada de novo em relação às notícias sobre este tema, que já foram divulgadas no passado, e não passa de pura especulação".
O advogado salienta que ao contrário do que tem sido anunciado, a "prova existente nos autos inocenta" Duarte Lima.
João Costa Ribeiro Filho escreve ainda que até ao momento "não houve qualquer pronunciamento sobre esta matéria nem por parte da justiça nem do Ministério Público brasileiro".
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Palácio de Cristal: Movimento pede anulação do chumbo ao referendo local
O Movimento de Defesa dos Jardins do Palácio de Cristal já pôs um acção junto do Tribunal Constitucional a “pedir a anulação da sessão da Assembleia Municipal do Porto”, em que foi chumbada a realização do referendo local.
O porta-voz do movimento, Soares da Luz, adiantou que a acção em causa “seguiu pelo correio na terça-feira”.
O movimento contesta a decisão da Assembleia Municipal do Porto de rejeitar a realização de um referendo local sobre a construção de um centro de congressos naquele espaço do Palácio de Cristal.
“Achámos que a reunião da Assembleia Municipal não decorreu em conformidade com a lei”, disse, justificando-se com o facto de não ter sido apresentada “qualquer moção de rejeição do referendo”.
Na documentação enviada ao TC seguiu “uma cópia da ata daquela sessão”, concluiu.
O referendo local foi chumbado, a 18 de , graças aos votos combinados da coligação PSD-CDS/PP e do PS, partido que o movimento criticou com alguma dureza, por considerar que “não é oposição nenhuma a esta maioria”.
Uma dos argumentos utilizados então pelo PS para justificar a sua oposição ao referendo foi a existência de um contra-programa sobre a intervenção planeada para o Palácio de Cristal/Pavilhão Rosa Mota, cujo conteúdo, para os socialistas, está fora do âmbito de uma consulta como a que era preconizada.
O movimento responde, alegando que a primeira versão do contrato-programa, de 2007, previa “a reabilitação do Rosa Mota”, mas não contemplava “uma construção nova”. Esta, referiu Soares da Luz, surgiu mais tarde.
O movimento entende que o centro de congressos vai destruir os jardins do Palácio, por causa dos vários impactos associados à sua utilização.
Bloco exorta câmara a repensar projecto
Entretanto, esta quinta-feira, o Bloco de Esquerda defendeu que a Câmara do Porto “repense” o projecto de requalificação do Palácio de Cristal, tendo em conta que o Governo determinou a extinção da Parque Expo, SA, uma das promotoras da obra.
Em conferência de imprensa, José Castro, deputado do BE na Assembleia Municipal do Porto, afirmou que com o recente anúncio governamental da extinção da Parque Expo e da privatização da empresa Atlântico – Pavilhão Multiusos de Lisboa, “abriu-se uma oportunidade para repensar” todo o projecto de requalificação do Palácio de Cristal.
“Esse é o desafio que fazemos” ao executivo da Câmara do Porto, liderado pela coligação PSD-CDS/PP, frisou.
A requalificação do Pavilhão Rosa Mota resulta de uma parceria público-privada entre a Câmara do Porto, a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Parque Expo, o Pavilhão Atlântico e o Coliseu do Porto.
José Castro reafirmou que o BE considera que o projecto em causa “não tem qualquer racionalidade urbanística, económica, social, cultural ou ambiental”.
O BE entende que “não faltam espaços na cidade a sugerir requalificação” e, por isso, “não é aceitável uma nova construção num dos espaços mais emblemáticos da cidade”.
José Castro lembrou que os jardins do Palácio de Cristal, “o único jardim ainda existente de autoria do arquitecto paisagista alemão Émile David”, constam no Plano Diretor Municipal (PDM) como “área verde de utilização pública”.
Os bloquistas consideraram ainda que “os jardins do Palácio de Cristal ainda podem ser salvos da ganância dos senhores que se julgam donos da cidade” e garantiram que “continuarão a apoiar a corajosa luta de cidadãos pela realização de um referendo local sobre a construção do centro de congressos”.
[Porto24]
08 setembro, 2011
Jobs for de boys and anarchy
Novas barragens = crimes
O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país?
As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura...
Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto?
Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...
Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.
Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal.
Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.
Daniel Deusdado [o JN]
Daniel Deusdado [o JN]
Nota de RoP
Quando digo que estamos nas mãos de oportunistas, que não acredito neste padrão de democracia [tem de haver outros mais fiáveis], não estou a ser populista nem radical, estou talvez, é a arriscar-me a que um dia, algum destes senhores use dos poderes que tem para me instaurar um processo judicial. Mas, não me importa. Sei [e eles também], que me limito a descrever a realidade. Se eles não gostam, então que desamparem a loja e que vão gozar os rendimentos para Cavo Verde, junto de um Loureiro qualquer.
07 setembro, 2011
ÚLTIMA HORA!
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| Lula da Silva, a nova contratação do SLB |
SEGUNDO FONTES FIDEDIGNAS DA RTP1, RTP2, SIC, SIC NOTÍCIAS, SIC RADICAL, SIC MULHER, TVI, TVI24, LUSA, PLAY BOY, PIDE/DGS, BENFICA TV, E...POR AÍ FORA, O PRÓXIMO CANDIDATO Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL, SERÁ LUÍS FILIPE VIEIRA, VULGO O ORELHAS, OU PARA OS BEM INFORMADOS, O MOÇO DOS "PNEUS"!
A BOA NOVA, EXPLICA A VISITA INESPERADA DO EX-PRESIDENTE LULA DA SILVA AO PALÁCIO DE BELÉM - QUEREMOS DIZER -, AO ESTÁDIO DA LUZ, QUE LULA DA SILVA APROVEITOU PARA LOUVAR EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, POR TODOS OS SERVIÇOS PRESTADOS À CAUSA COLONIAL, E CONVIDÁ-LO PARA MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO BRASIL.
EM CONTRAPARTIDA, CAVACO SILVA ACEITOU SEM DEMORA A PROPOSTA DE SUA EXA. O ORELHAS, PARA DIRIGIR, A PARTIR DE AMANHÃ O CLUBE DOS 6 MILHÕES.
TEMENDO AS CONSEQUÊNCIAS DE UM VAZIO DE LIDERANÇA QUE A SAÍDA DO HOMEM DOS PNEUS PODIA CRIAR NAS PERFORMANCES DESPORTIVAS DO GLORIOSO, CAVACO, JÁ CONTRATOU LULA PARA PONTA DE LANÇA DO BENFICA [VER FOTO DE VIEIRA A ENTREGAR-LHE A CAMISOLA].
TEMENDO AS CONSEQUÊNCIAS DE UM VAZIO DE LIDERANÇA QUE A SAÍDA DO HOMEM DOS PNEUS PODIA CRIAR NAS PERFORMANCES DESPORTIVAS DO GLORIOSO, CAVACO, JÁ CONTRATOU LULA PARA PONTA DE LANÇA DO BENFICA [VER FOTO DE VIEIRA A ENTREGAR-LHE A CAMISOLA].
A BEM DA NAÇÃO
RUI GOMES DA SILVA
Descrença
Quem costume visitar este blogue, terá talvez reparado que são cada vez mais espaçadas as minhas intervenções. Há razões, de ordem pessoal e familiar, impeditivas de maior assiduidade, mas estas não são as únicas, nem talvez mesmo as principais.
O que se passa é que cada vez estou mais descrente no futuro deste país. Portugal caminha aceleradamente para se transformar na Albânia do oeste europeu. Um país que actualmente vê os seus indicadores de riqueza material em contínua degradação, aumentando deste modo o fosso que o separa dos valores médios dos seus parceiros europeus. Durante alguns anos julgámo-nos europeus de pleno direito e euforicamente fomos induzidos a viver acima das nossas possibilidades, tanto individualmente como a nível do Estado. Afinal de contas, vemos agora, foi um doping, mas como todo o doping resultou durante uns tempos e depois veio a factura para pagar : a ressaca! Dizem que a procissão ainda vai no adro, e que o pior está para vir. Se já está mau como está, como virá a ser?
Moralmente também nunca estivemos tão baixos. Tudo o que é ética, códigos de conduta, princípios morais, foi lançado às urtigas, juntamente com um dos pilares da Democracia, a Justiça. Vale tudo, desde que se "tire vantagem". Por outro lado a nossa sociedade civil vive um sistema de castas não declarado, em que há brâmanes e há párias, um pouco como na Índia. Para complicar a situação, começam a aparecer sinais de que a Maçonaria, essa entidade difusa e misteriosa que se julgava adormecida, está afinal bem viva e condiciona a vida pública de uma forma que não se julgaria possível. Como se não bastasse o regime tipo mafioso dos nossos partidos políticos, surge agora um novo factor perturbador!
Os governos há muito que dão sinais da sua incapacidade de lidar com a complexidade da situação, até porque a maioria dos seus elementos vêm demonstrado não estar à altura das necessidades, notando-se uma patente deterioração no decorrer das últimas dezenas de anos.
O Povo, esse continua a fazer jus ao seu epíteto de " povo de brandos costumes" e continua apaticamente como se não fosse nada com ele!
O PR é um mero jarrão decorativo. Pode não gostar-se de Mário Soares, mas há alguma comparação entre a sua combatividade e o consulado abúlico do actual presidente?
Qual a solução para esta situação, que implica que muita gente comece a aceitar soluções políticas que teria repudiado há algum tempo atrás? Haverá possivelmente respostas não convencionais, difíceis, dolorosas, mas não impossíveis. Talvez volte ao tema.
O "crime" de Ricardo Carvalho e os media
Habituados que estamos a ver altas figuras da nação a assumir ciosamente as suas responsabilidades, entre as quais pontuam o desapego pelo poder, a fobia às offshores, e o regular cumprimento de promessas, compreendem-se as declarações de Paulo Bento dirigidas a Ricardo Carvalho, aconselhando-o a pedir desculpas aos portugueses. Sim, porque o que Ricardo Carvalho fez, foi gravíssimo, é imperdoável, e os portugueses não estão habituados a tamanhas traições...
Se Ricardo Carvalho tivesse imitado o Sá Pinto, pregando um murro na cara ao Artur Jorge [então seleccionador], ou o seu colega de equipa Pepe, que pontapeou como um doido um adversário na cabeça quando este ainda se encontrava no chão, ou então o genial João Pinto [do Benfica], que ao serviço da selecção encostou docemente o punho no estômago de um árbitro, isso sim, seria irrelevante. Agora, bater com a porta, com ou sem razão, e abdicar da selecção, isso é crime, é um verdadeiro acto de deserção. Não se faz, repito. Nós não estamos habituados a essas poucas vergonhas.
Justificam-se portanto, aquelas maratonas de debates, as aberturas e fechos de telejornais, até altas horas da madrugada na RTPN [N de nazi], esmiuçando o acto tresloucado do jogador, na patriótica tentativa de encontrar pena ajustável a tamanha barbárie. Irradicado da selecção, já está. Agora, é preciso fazer tudo para impedir R.Carvalho de jogar no seu clube para que a Justiça seja feita. Eu acho que não chega, R. Carvalho merece a forca [sem cedilha]...
Justificam-se portanto, aquelas maratonas de debates, as aberturas e fechos de telejornais, até altas horas da madrugada na RTPN [N de nazi], esmiuçando o acto tresloucado do jogador, na patriótica tentativa de encontrar pena ajustável a tamanha barbárie. Irradicado da selecção, já está. Agora, é preciso fazer tudo para impedir R.Carvalho de jogar no seu clube para que a Justiça seja feita. Eu acho que não chega, R. Carvalho merece a forca [sem cedilha]...
Muito patriótico, por exemplo, foi o nome que hoje o JN entendeu dar a uma conspiração. Chamou-lhe estratégia. O JN não podia encontrar melhor eufemismo para a reunião que os Presidentes do Benfica e do Sporting tiveram ontem num hotel de Lisboa para cozinharem o apoio à candidatura do insuspeito Fernando Seara à Federação Portuguesa de Futebol. É do Benfica, como se sabe, fanático e intriguista, possui portanto o perfil indicado para o cargo. Mas, haverá algum mal em apoiar um suspeito candidato a um lugar que devia ser só para gente insuspeita? Não, claro. Isso, era se a reunião tivesse sido convocada com o FCPorto e o Braga, e o candidato à Federação se chamasse, por exemplo Victor Baía. Nessa altura, tal Fénix renascida das cinzas, caía o Carmo e a Trindade, e lá tínhamos nós de aturar umas doses maciças de fóruns sobre promiscuidades e transparências "sistemáticas", nos canais centralistas. Exactamente como acontece com os árbitros. Se é de Lisboa e benfiquista, ou sportinguista, pode apitar os jogos do seu clube contra o FCPorto, logo é sério. Se o árbitro é do Porto e é portista, nem pensar! É garantido que é gatuno.
É assim, nestes charcos de imoralidade institucional, que os media sobrevivem, com truques de linguagem, procurando transferir seriedade para coisas que não são para levar a sério.
Prova-se assim, claramente, que os media há muito deixaram de prestar serviço público para antes se prestarem a enganar o público. O que, vendo a coisa pelo lado optimista, podia constituir uma grande oportunidade para a blogosfera do Norte se unir e organizar e roubar-lhes o lugar. Nós, fazemos melhor.
06 setembro, 2011
Faça feliz o seu médico
Joana Lopes dá, em entreasbrumasdamemoria.blogspot.com, uma boa ideia, inspirada na sempre inspiradora dra. Manuela Ferreira Leite que, no "Expresso", viu o óbvio ululante que só o esforçado (e "competente", dizem eles) ministro das Finanças não viu: com o fim das deduções de despesas de saúde no IRS, para que é que havemos de pedir recibos?, e, visto que, não exigindo nós recibo de, por exemplo, uma consulta médica, o médico poderá poupar em IRS e IVA mais de 50%, porque não pedir-lhe um desconto?, ou, no caso de pessoas tímidas como eu, ficar-se apenas por uma gentileza no momento do pagamento: "Não, Sr. Dr., não passe recibo, para que quero eu o recibo?".
Não sou dado a assinar petições mas assinaria uma apelando à desobediência civil (já que há muito perdi também o hábito dos "tumultos" de rua, como Passos Coelho diz) intitulada: "Não peça recibo ao seu querido médico. Você não ganha nada com isso, e ele ficará mais feliz".
Talvez, quem sabe?, quando chegar ao Ministério das Finanças a conta da receita fiscal, o dr. Vítor Gaspar descubra (ele e o primeiro-ministro, que já consegue vislumbrar o "princípio do fim da crise" em 2012 mas não vê o que tem debaixo dos olhos) que o que entrou pela porta do fim das deduções de despesas de saúde saiu, multiplicado, pela janela da evasão fiscal.
(Agora, antes que ler poesia seja tributado, vou continuar a ler "Punto cero", de José Ángel Valente).
Manuel António Pina [JN]
05 setembro, 2011
Haverá bons ditadores?
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| Foi Conselheiro de Estado, hoje tem um resort de luxo em Cabo Verde |
Cada vez me convenço mais que é por causa do nosso conformismo ancestral, pela passividade com que aceitámos as coisas mais abjectas, que continuamos a ser desrespeitados e a ser tratados como gado.
Se cada um de nós fizesse uma retrospectiva cuidada do que têm sido as prestações dos vários governos ao longo destes 37 anos de democracia [já só faltam poucos mais para ultrapassar os de ditadura], compilando as promessas não cumpridas e as mentiras praticadas, teríamos vergonha de votar e de continuar a dar ouvidos aos rapazes da política. Nesse capítulo, e no que me diz respeito, não me pesa a consciência, pois desde que Mário Soares me ensinou que os políticos não são para levar a sério, deixei de entrar nessas brincadeiras. O tempo tem-me dado razão.
Passado todos estes anos, o balanço do regime democrático é simples de fazer: incapazes de produzir a nossa própria riqueza e de a distribuir, só tivemos arte para modernizar o país com os fundos da União Europeia em auto-estradas, e pouco mais. Paralelamente, assistimos ao enriquecimento súbito de muitos políticos e ao empobrecimento galopante da população. Demos conta que a Justiça não castiga quem merece mais castigo, como sejam, governantes e seus cumplíces. Entre a ditadura e este modelo pífio de democracia, houve quem conseguisse transformar uma revolução que se queria séria, numa fraude, através de uma estratégia tão simples quanto hábil, que consistiu apenas em deixar o povo falar.
Os políticos do pós 25 de Abril, alguns dos quais fizeram oposição ao regime de Salazar e Caetano, perceberam que na Europa já não era possível continuar a governar-se com ditaduras musculadas, e por isso, espreitaram a oportunidade para lhes ocuparem o lugar. Foi o que acabou por acontecer. A repressão do regime anterior, entrara em desuso, e era condenada praticamente pelos países mais avançados do Mundo, e Portugal tinha obrigatoriamente que se "democratizar".
Decorrido todo este tempo, podemos resumir a mudança de regime, ao seguinte: permitiu-se a organização e a constituição de partidos políticos, a seguir, seduziu-se o povo dizendo-lhe o que ele precisava de ouvir, depois, chegou-se "democraticamente" ao poder, e finalmente... reinou-se. Uma vez ocupado o 'poleiro', terminaram-se as promessas, e tratou-se rapidamente da vidinha [deles]...
Efectivamente, tem sido isto que os políticos de hoje têm feito, e continuam a fazer com a política. Não esperemos que sejam eles a admití-lo, não sejamos ingénuos... A verdade, é que as únicas coisas que mudaram em relação ao regime do passado, foram o nome e a ferramenta. De resto, estamos praticamente na mesma, ou talvez pior.
Hoje, cairia muito mal à Europa, que o governo de um país não concedesse ao povo o direito de votar livremente. Então estabeleceu-se que isso seria suficiente para lhe transmitir a convicção de viver em democracia. A ferramenta então usada foi o voto, o voto que domou a voz do povo sem a calar. Um paradoxo, isto? Talvez. Mas então, alguém será capaz de explicar por que é que este novo Governo, empossado ainda há 3 mêses, renunciou a todas as promessas que fez? A resposta lógica é fácil. Exceptuando a hipótese remota [até ver], de entretanto o povo se revoltar, os governantes do pós 25 Abril assimilaram cedo [e irresponsavelmente], ser possível trair o povo e aguentar o impacto, pelo menos um mandato, sem correrem o risco de serem destituídos. Para o segundo, logo se verá, será apenas uma questão de talento oratório... O povo, merece-os, tem-se mantido ao seu nível. Permissivo e apático.
Efectivamente, tem sido isto que os políticos de hoje têm feito, e continuam a fazer com a política. Não esperemos que sejam eles a admití-lo, não sejamos ingénuos... A verdade, é que as únicas coisas que mudaram em relação ao regime do passado, foram o nome e a ferramenta. De resto, estamos praticamente na mesma, ou talvez pior.
Hoje, cairia muito mal à Europa, que o governo de um país não concedesse ao povo o direito de votar livremente. Então estabeleceu-se que isso seria suficiente para lhe transmitir a convicção de viver em democracia. A ferramenta então usada foi o voto, o voto que domou a voz do povo sem a calar. Um paradoxo, isto? Talvez. Mas então, alguém será capaz de explicar por que é que este novo Governo, empossado ainda há 3 mêses, renunciou a todas as promessas que fez? A resposta lógica é fácil. Exceptuando a hipótese remota [até ver], de entretanto o povo se revoltar, os governantes do pós 25 Abril assimilaram cedo [e irresponsavelmente], ser possível trair o povo e aguentar o impacto, pelo menos um mandato, sem correrem o risco de serem destituídos. Para o segundo, logo se verá, será apenas uma questão de talento oratório... O povo, merece-os, tem-se mantido ao seu nível. Permissivo e apático.
Ainda esta manhã sorri para o jornal, quando "democraticamente" me informava que um Chefe de Divisão da Direcção Geral de Veterinária foi condenado por subornos de empresários, mas... ficou em liberdade. Isto, repete-se, e repete-se.
Perante estes cenários, às vezes, gostava de acreditar na existência de bons ditadores, mas não acredito. O problema, é que, o que vemos, leva-nos quase ao desespero e à suspeita de que aquilo que este exército de irresponsáveis estão a fomentar é um perigoso caldo de cultura para o despertar de um ditador. E eu, que considero fundamental a Autoridade com Justiça, temo os bons ditadores.
04 setembro, 2011
03 setembro, 2011
Os colunistas portistas de A Bola e similares
Há muito que ando para falar no assunto, e vai ser hoje mesmo. Antes porém, devo reconhecer não ser a pessoa indicada para falar dos meus incontornáveis defeitos, mas acredito não ser do tipo de homem facilmente consensuável, embora, quando tal é possível, e dependendo do quê, procure consensos.
Não sou consensuável* pela resistência que ofereço às 'moralidades' impostas pela comunicação social, e à sua irresistível tentação para manipular a opinião pública. Este caso muito recente do atleta e grande profissional Ricardo Carvalho, que até já foi tratado pelo seleccionador por desertor, é paradigmático, mas é apenas mais um, entre centenas deles, com critérios de avaliação diferentes, consoante o nome, ou as origens do "réu". Não confundam, porque não se trata de tribunais, com juízes, togas e tudo, trata-se de justiceirismo, feito a partir de estúdios de rádio e televisão, com o apoio editorial dos jornais.
Não queria perder muito tempo a especular sobre conceitos de "deserção", porque às tantas ainda vou magoar certa gente graúda que desertou efectivamente do país, e fugiu a uma guerra, a que chamaram colonial, mas que outros [a grande parte], acreditavam travar contra o terrorismo e com elevado sentido pátrio... Decorridos 37 anos, receio ser necessária mover outra "guerra", agora dentro de portas, para apurar as verdadeiras razões de muitas deserções, cinicamente baptizadas de políticas, para pôr a casa em ordem. Mas isso, é apenas um cenário hipotético. Pelo menos, por enquanto.
Voltando a Ricardo Carvalho, que continuo a estimar e respeitar como nunca na vida respeitarei determinados jornalistas, com nome e rosto bem conhecidos, não ouso sequer julgá-lo pelo que fez de errado, num momento de algum descontrole emocional [mas se calhar justificado], pelo peso preponderante de grande profissionalismo e carácter que exibiu na sua honrada carreira. Coisa que, muitos dos que agora o querem queimar na fogueira da Inquisição Centralista, já deram provas sobejas de não possuir.
E é, baseado no histórico já antigo de justiceiros como estes, que sou absolutamente contra a colaboração em jornais como A Bola, ou o Record, de figuras públicas adeptas do FCPorto, mesmo que em teoria seja para o defender. Sem ofensa para a mais antiga profissão do mundo, ninguém que frequente os espaços onde ela acontece se livra de passar por 'colega' de ofício da dita cuja se a assiduidade for muita.
O eufemismo aplica-se perfeitamente a quem se arrisca a navegar nesse tipo de águas fétidas, a troco de umas democráticas avenças. Não me estou a ver a colaborar num jornal cuja direcção desde há muito escolheu o Futebol Clube do Porto como alvo a abater e tudo tem feito para denegrir a sua imagem. Esses ambientes, dos jornais e estúdios de tv, há muito que ultrapassaram a sadia rivalidade clubista, transformaram-se numa nova moda de caça ao homem. O processo Apito Dourado prova-o, e apesar de já ter sido julgado, a saga continua, como se pode constatar no Trio de Ataque e noutros programas do género. Portanto, quem entende que, nestas condições manifestamente discriminatórias para o FCP, está a defender o clube, engana-se, e engana todos os portistas.
O eufemismo aplica-se perfeitamente a quem se arrisca a navegar nesse tipo de águas fétidas, a troco de umas democráticas avenças. Não me estou a ver a colaborar num jornal cuja direcção desde há muito escolheu o Futebol Clube do Porto como alvo a abater e tudo tem feito para denegrir a sua imagem. Esses ambientes, dos jornais e estúdios de tv, há muito que ultrapassaram a sadia rivalidade clubista, transformaram-se numa nova moda de caça ao homem. O processo Apito Dourado prova-o, e apesar de já ter sido julgado, a saga continua, como se pode constatar no Trio de Ataque e noutros programas do género. Portanto, quem entende que, nestas condições manifestamente discriminatórias para o FCP, está a defender o clube, engana-se, e engana todos os portistas.
Da participação de Rui Moreira num desses programas inquisitórios contra o FCP, a que mais apreciei e o honrou, foi justamente a daquela noite em que se levantou para abandonar o estúdio. Em vão, esperei que Miguel Guedes lhe seguisse o exemplo, ou que a aceitar substituir Rui Moreira, o fizesse sob determinadas condicões, como seja, a garantia da parte da direcção da RTP de que não se repetiria a linha programática antiga.
O que vemos agora, dá-me razão. Nada mudou. Os ataques e as acusações continuam.
O que vemos agora, dá-me razão. Nada mudou. Os ataques e as acusações continuam.
Só me espanta,é Rui Moreira ter escapado ao estigma de desertor. Teve sorte...
*Não faço ideia se o termo consensuável existe, sei que o que existe é: consensual. Mas, o que pretendo aqui significar com consensuável é algo como isto: alguém vulnerável a falsos consensos.
*Não faço ideia se o termo consensuável existe, sei que o que existe é: consensual. Mas, o que pretendo aqui significar com consensuável é algo como isto: alguém vulnerável a falsos consensos.
02 setembro, 2011
Ricardo Carvalho, esquece este país
Embora não vomite com muita facilidade, enoja-me nauseabundamente a patriotice de ocasião dos assalariados de todas as rádios e televisões do país.
Quem são afinal estes jornalistas de meia-tigela, cheios de rabos de palha, paus mandados, lambe-botas miseráveis e desonestos para criticar Ricardo Carvalho? Haverá porventura algum que se lhe possa comparar, em carácter e hombridade, para andarem agora a diabolizar a decisão do rapaz de sair extemporaneamente da selecção?
É preciso ter lata. E isso, é talvez a única coisa que não falta aos jornalistas. Raios os partam, vermes!
Um abraço para ti, grande Ricardo Carvalho, eu estou contigo!
PS-Lamento o carácter radicalista do meu comentário, até porque há jornalistas por quem tenho apreço, como é explícito e implícito do post anterior. Mas a verdade, é que os bons jornalistas nada têm feito para se livrarem do contágio epidémico daqueles que andam a queimar a reputação da classe. Lá diz o ditado: quem cala, consente.
PS-Lamento o carácter radicalista do meu comentário, até porque há jornalistas por quem tenho apreço, como é explícito e implícito do post anterior. Mas a verdade, é que os bons jornalistas nada têm feito para se livrarem do contágio epidémico daqueles que andam a queimar a reputação da classe. Lá diz o ditado: quem cala, consente.
01 setembro, 2011
Está quase? Só pecará por tardio
A guerra cidadãos-Estado
Infelizmente já é tarde. Mesmo que o Governo prometa que vai cortar cegamente em tudo e mais alguma coisa, algo se quebrou de forma muito séria na relação entre os cidadãos e o Estado. Não há uma moral de Estado, não há um bem comum evidente para os sacrifícios. Esta decadência já vem de longe e atingiu o zénite com Sócrates. Depois, a famosa frase com que Passos Coelho derrubou o anterior Governo - "há limite para os sacrifícios" -, por antítese a todas as medidas que vem tomando, fez emergir uma falta de confiança e um desespero que leva as pessoas a interiorizaram a sensação de que os políticos estão a arruinar-lhes a vida. Sem que compreendam verdadeiramente como isso sucede. Ouvem falar de défice, de dívida, de milhões e milhões, mas interrogam-se - porquê? O resultado está aí: uma guerra subterrânea entre os cidadãos e o poder. Uma sensação de que o país não vai ajudar a cumprir os objectivos do plano da troika. Porque não consegue. E talvez já não queira. O tempo é outro: salve-se quem puder.
Isto traduz-se em coisas muito concretas: são os multibancos que 'não funcionam', são as facturas que estão cada vez mais difíceis de emitir, os "ricos" que pela calada já perceberam que têm de ir para outras paragens, ou as empresas que lentamente deslocalizam os lucros. A guerra fiscal traduz-se em pequenos-grandes gestos. Perdeu-se o respeito pelo Estado a partir do momento em que este usa o seu poder para esmagar o cidadão - rico ou pobre. Sem aviso. Sem moral.
Vale tudo. Aumentos de impostos em cima de aumentos. Transportes mais caros, novas portagens, taxas moderadoras, menos medicamentos, mais IVA, IMI... Despedimentos com indemnizações reduzidas de forma retroactiva. Fim de isenções fiscais - educação, saúde, habitação. Redução de deduções das empresas... Um clima de terror fiscal, que promete piorar - basta ser preciso mais. E vai ser, porque as pessoas vão fugir da falência pessoal e o país não vai arrecadar em impostos o que as projecções macroeconómicas prometem. Um parêntesis: o que dirá a troika dos desvios? E os mercados, os ratings? Portugal não cresce? O défice não diminui? Apertem: mais medidas, mais repressão fiscal. Em termos macroeconómicos, sempre o mesmo movimento: transferir dinheiro da economia privada para o Estado.
Dois argumentos legitimam, na perspectiva do Governo, este extenso caderno de maldades em tempo recorde: o Executivo vai realmente endireitar o Estado e, além disso, os impostos extras servem para socorrer os mais necessitados. Mas há dois grandes problemas nesta equação. Primeiro, toda a gente sabe que não é possível endireitar radicalmente as contas públicas sem que o Estado diminua funções e despeça massivamente funcionários. Como não o pode fazer, vai simulando. Uma reestruturação à superfície, que nunca chega ao fundo do problema. Até hoje sempre foi assim.
Segundo problema: não faz sentido confiar apenas no Estado para o socorro dos mais pobres. Sem se "privatizar" o combate à pobreza - ou seja, colocar a sociedade civil a tratar dos seus próprios problemas, através de dinheiro dos impostos entregue ao Banco Alimentar, AMI, Cáritas, etc. - ninguém acredita que estes impostos extras cheguem realmente onde deviam. Mais: o dinheiro que entra no fisco para combate à pobreza é em boa parte engolido pela máquina que tem como emprego combatê-la...
Os números da execução orçamental dos próximos meses vão dar ideia que país Pedro Passos Coelho tem pela frente. Se a confiança e o consumo continuarem a cair (como se começa a confirmar mês após mês) e o desemprego subir mais do que o ministro das Finanças previu ontem, os portugueses vão fazer-lhe sentir da pior maneira que há mesmo limites para os sacrifícios. É imperioso dar um pouco mais de tempo na concretização do ajustamento para que as empresas não fechem e a conflitualidade não rebente com a paz social do país. Isto não se mede em números mas é essencial. Se o Governo perder o equilíbrio dos portugueses, perde tudo. E está quase
[JN]Nota de RoP
Absolutamente de acordo com o teor deste artigo.
Caricaturando os governantes do país, vejo um mastodonte com forma de homem [o Governo] a tentar asfixiar o zé-povo, e este a espernear quase a sufocar, e o mastodonte, bruto e insensível, a insistir a apertar-lhe a garganta, convencido, apenas porque o zé ainda não morreu, que lhe vai salvar a vida. Isto, é de loucos. Mas é a real politique.
31 agosto, 2011
Douro negativo...
Três detenções em manifestação de vitivinicultores na Régua
Patrícia Posse/JN
Alguns
vitivinicultores da Região Demarcada do Douro tentaram, esta
quarta-feira, forçar a entrada no edifício sede do Instituto dos Vinhos
do Douro e Porto, no Peso da Régua, na sequência de uma manifestação
contra os limites impostos à produção de Vinho do Porto. Três
indivíduos, do sexo masculino, foram identificados pela GNR.
Ler mais aqui.
O serviço "público" da RTP...
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| Isto, alguma vez foi serviço público? |
Podia falar-vos do coração partido de Rui Rio pelo tratamento discriminatório ao Norte, agora com os passes sociais, ou da audição que os deputados tencionam fazer ao antigo director do SIED [Serviço de Informações Estratégicas e Defesa], mas como já todos sabemos no que isto vai dar, poupo-vos a mais uma mesmíce e passo. Porque é na informação, na sua qualidade e seriedade, que assenta a raiz de grande parte dos nossos problemas, prefiro abordar esta temática.
Há quem esteja preocupado com a anunciada privatização de um dos canais da RTP, e estoicamente se esforce por justificá-la, com a inexorável "perda" do esmerado serviço público que nos tem sido prestado, se tal vier a acontecer. Pois eu, não estou nada preocupado. Bem pelo contrário. Até acho que a RTP devia ser toda privatizada. Talvez até seja essa a melhor forma de acabar com muitos anos de proxenetismo* e sectarismo jornalístico, contra o próprio público. Porque, se há coisa que me indigna e faz trepar pelas paredes, é o trabalho sujo e sectário que anda a ser desenvolvido há demasiado tempo, por directores e jornalistas da RTP contra os interesses do Norte [e do próprio país], a todos os níveis. Não serei eu, pois, quem se comoverá, se muita desta gente desqualificada ficar sem emprego. Terão apenas um pouco daquilo que merecem!
É preciso descaramento para invocar o serviço público como argumento, quando ninguém ajuizado é capaz de vislumbrar diferenças profundas entre o que faz a RTP e o que faz a SIC ou a TVI. Tem dias que até os noticiários são exactamente iguais na forma e no tempo, e quanto à programação, são cópias uns dos outros. Não será pois o canal 1 da RTP que poderá vangloriar-se de prestar serviço público. Se algum canal da RTP tem de continuar a servir o Estado, então o Governo só poderá eleger o canal 2, nenhum outro. E, se quiser economizar como anda a apregoar, que acabe imediatamente com programas como o Trio de Ataque e com a colaboração sectária de determinadas figuras que só têm contribuído para denegrir a imagem do próprio Estado.
No que respeita às estações privadas, estamos conversados. O estatuto de privado, em vez de refinar a qualidade, serve-lhes de pára-quedas à irresponsabilidade, por isso, nada de dignificante daí poderemos expectar. Em contra-ponto, é uma oportunidade de oiro para o Porto Canal marcar a diferença, que, obviamente, só pode ser para melhor. Que a saibam agarrar, de uma vez por todas!
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| Pode fazer a diferença |
* O Estado vai pagar em 2012 à RTP [do Estado] 225 milhões de euros de dívida. Se isto não é proxenetismo, o que é?
30 agosto, 2011
"O Porto pode tornar-se uma das cidades mais excitantes da Europa”
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| Por Pedro Rios/Porto24 |
A quem devemos agradecer a existência deste guia?
Sou o autor do guia. Formei-me como um arquitecto e trabalho como designer freelancer e investigador. Para além dos editores na Wallpaper*, também contribuíram para o livro Cristina Monteiro, Paulo Moreira e Helena Reis. Eu e Cristina [arquitecta portuguesa a trabalhar em Londres] trabalhamos juntos há 11 anos. O Paulo é um arquitecto que está investigar em Londres e Angola, no âmbito de um doutoramento, e a Helena é uma artista que vive no Porto.
Quem teve a ideia de fazer o livro?
Os próximos guias são sempre anunciados nas últimas páginas dos guias já lançados. Vimos o Porto na lista e a conversa começou a partir daí.
Como foi o processo de produção?
A parte que deu mais trabalho – mas foi divertida – foi escolher o que incluir, em colaboração com os editores. Depois disso, a escrita propriamente dita foi muito rápida. A melhor coisa dos guias Wallpaper* é não terem publicidade ou patrocínios, por isso são livros com uma selecção cuidada e sem concessões. Isso é muito raro. Não há nada que não tenha sido meticulosamente considerado e reconsiderado.
Como vê o momento que o Porto atravessa?
O Porto está num momento verdadeiramente crucial da sua história porque manteve, de certa forma, muitas coisas que outras cidades destruíram. Não está cheio de centros comerciais e estradas; os pequenos negócios e a pequena indústria ainda estão presentes.
O aumento do turismo arrisca estragar isso tudo. Por exemplo, conheço designers gráficos que visitam a cidade pelos sinais incríveis que se encontram nas ruas. Não a vão visitar se o sítio se tornar asséptico, igual a todos os outros. Ambicionámos incluir no guia sítios que não só são óptimos espaços para comer, socializar, dormir, mas também que revelem um olhar positivo sobre a cidade – que aproveitem ao máximo os edifícios comerciais e residenciais extraordinários que o Porto tem, em vez de os descaracterizarem.
Arquitectos como Fernando Távora deram ao Porto um legado arquitectónico incrível, porque estavam empenhados socialmente, para além de serem óptimos arquitectos. O Porto pode tornar-se uma das cidades mais excitantes da Europa se continuar esse legado.
O evento de lançamento está marcado para 23 de Setembro. O que podemos esperar?
Estamos a planear uma festa muito grande, num sítio inesperado do centro da cidade. Queremos que as pessoas e as organizações que estão no livro se envolvam para que o evento, tal como o livro, celebre o melhor do Porto em 2011. A data de 23 de Setembro está fixa, mas estamos agora a pedir ideias e apoios. A melhor maneira para alguém se envolver é juntando-se ao nosso grupo no Facebook.
Nota de RoP
Imagine-se o que seria hoje o Porto se não tivesse desperdiçado 15 anos da sua vida num pouco higiénico e imprestável Presidente de Câmara...
Nota de RoP
Imagine-se o que seria hoje o Porto se não tivesse desperdiçado 15 anos da sua vida num pouco higiénico e imprestável Presidente de Câmara...
29 agosto, 2011
País positivo. Sorria, por favor...
- "País muito desigual nas águas"
- "Pais vão pagar totalidade dos livros escolares"
- "Português morre em mais um acidente em Burgos"
- "Século XXI foi tempo mais negro da sinistralidade"
- "Dono de restaurante agredido fica sem 4000 euros"
- "Ladrões deixam taxista sem carro"
- "Saúde em dívida com as misericórdias"
- "Mata mulher a seguir ao casamento do filho"
- "Assassinada com oito tiros por querer trabalhar"
- "Duo destrói janela para assaltar casa"
- Gás-pimenta causa pânico em restaurante"
- "Renault investiga furtos dos Mégane"
- "Morte acidental anulou a prova desportiva"
- "Polícia sem lugar no novo mercado"
- "Caçador morto pela própria arma com um tiro acidental"
- "Estaleiros precisam de investimento estrangeiro"
- "Praia em alvoroço para encontrar criança"
- "IP4 de Amarante a Mirandela sem posto de abastecimento"
- "Foguetes de aniversário provocam 3 feridos"
- "Portugal vai importar mais alimentos este ano"
- "Porto, Aveiro e Braga com 45% das falências totais do ano"
Nota de RoP
O JN de hoje, enchia as suas páginas com estas notícias. E, das duas, uma: Ou, as Directorias dos jornais odeiam, de facto, as boas-novas, ou elas não existem, e se existem ficam inapelavelmente esmagadas pelas más.
Em que ficamos? São os portugueses que são pessimistas, ou são os nossos governantes que os tornam assim?
27 agosto, 2011
Falta tão pouco ao FCPorto para ser o Barcelona do futuro
Como qualquer portista que se preza, não fiquei a dar pinchos de alegria pela derrota do FCPorto com o Barcelona; fiquei chateado, sim. Mas, longe de mim pretender voltar por isso ao revivalismo fadista das victórias morais, ou de querer justificar a derrota com o choradinho dos clubes da capital do império com os erros [que aconteceram de facto] dos árbitros.
A verdade, é que este troféu disputado, não [com alguns dizem], com uma das melhores equipas da Europa, mas sem exagero, e de facto, com a melhor equipa do Mundo de sempre, o FCPorto soube estar à altura do estatuto que com toda a justiça já conquistou, literalmente, contra tudo e contra todos, como um dos melhores clubes de futebol do Mundo da actualidade.
Considerando as condicionantes impostas por um mercado de transferências com prazos estupidamente largos e desajustados, lesivos para clubes como o FCPorto, que não têm capital bastante para manter os seus melhores atletas a salvo dos grandes predadores, Victor Pereira soube gizar uma estratégia quase perfeita para, durante meia-hora neutralizar completamente o tricotado futebol catalão, mantendo abertas as expectativas dos portistas. Só aquele erro infantil de Guarín conseguiu reduzí-las, e apenas as expulsões de Rolando e depois Guarín, acabaram com elas de vez.
Erros e resultados à parte, não pude deixar de pensar até onde poderia chegar este FCPorto, soberbamente pilotado pelo Comandante Pinto da Costa e respectiva tripulação, se dispusesse dos petrodólares do Chelsea, ou do Manchester City, para, com tempo e dinheiro, poder criar e maturar uma equipa de futebol como só alguns clubes ingleses e espanhóis [e agora também alguns russos] se podem dar ao luxo de fazer.
Curiosamente, são também estas colossais assimetrias de recursos que tornam hoje Pinto da Costa o dirigente de clubes mais astuto e prestigiado do futebol mundial. Tenho sérias razões para duvidar que outros dirigentes desses tais clubes bilionários soubessem fazer desportivamente melhor que PdC, se vivessem num pobre país como Portugal, e com os mesmos meios.
Por isso, pus-me a pensar se - depois de arrumada a "casa", ou seja, depois de sabermos quem são os jogadores que ficam no plantel e os que vão sair -, no que Victor Pereira poderá fazer de jogadores com as capacidades de James Rodriguez, Iturbe, Danilo, Alex Sandro, Defour, Mangala e Kelvin, só para falar nos mais promissores. Conjuntamente com os mais antigos, e o tal ponta de lança maduro que falta, e com tempo suficiente, não será possível criar uma equipa tecnicamente mais próxima do Barcelona? Estrategicamente, nada temos a recear, mas em termos técnicos, não será possível extrair destes jovens jogadores com tanto potencial a mesma perfeição dos jogadores do Barcelona?
Apetece-me adiantar a resposta: ser possível, é, mas sem dinheiro [e muito] para conservar os melhores jogadores e lhes saciar a conta bancária, não! A "perfeição" do Barcelona, consegue-se com muito trabalho, talento, e principalmente com muito tempo! E tempo sem dinheiro, no futebol, não faz milagres. E é pena, porque o FCPorto tinha tudo, para ultrapassar o Barcelona e muitos outros grandes clubes europeus de top. Mesmo assim, com a bolsa mais pobre, conseguimos pela segunda vez, ser considerados o 3º. melhor clube do Mundo pela IFFHS [Federação Internacional de História e Estatística de Futebol].
É por estas e por outras, que me custa aceitar, sobretudo num país onde abundam mais oportunistas do que líderes ou grandes governantes, apareçam por aí certos vaidosos a criticar as decisões do Presidente PdC extemporaneamente e por dá cá aquela palha. Raramente acertam no prognóstico, mas não desistem. A vaidade é superior ao realismo e à capacidade de análise. Mas, que havemos de fazer? Os pavões, serão sempre pavões.
26 agosto, 2011
FCPorto, mais que um clube
Não há como fugir à factualidade, desvalorizando a argumentação de quem é contra... "porque sim": o futebol está na primeira linha das raras áreas nas quais Portugal dispõe de reconhecimento no plano internacional.
José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Figo e Eusébio são ícones incontornáveis da identificação portuguesa no Mundo. E outro tanto se passa por via do Benfica nos anos 60 do século passado ou do F.C. Porto nas décadas mais recentes. O futebol não é apenas área através da qual se satisfazem egos; obtém mesmo sucessos, sejam eles decorrentes das astronómicas transferências que é capaz de produzir e que o confirmam como um "cluster", seja pelos resultados puramente desportivos.
O mérito deve, pois, dar-se a quem efectivamente o tem. E o futebol português regista êxitos assinaláveis, não obstante as guerras de alecrim e manjerona em que paroquialmente se envolve.
Tanto quanto as participações asseguradas na Liga Europa e na Liga milionária desta época, o calendário é marcado hoje por mais um cenário de mediatização: a Supertaça Europeia.
A disparidade de receitas (e despesas) entre F.C. Porto e Barcelona são um excelente indicador de como um emblema português teve (uma vez mais) a arte e o engenho para dar cartas junto da elite, furando a malha da vivência do dia-a-dia num inexorável segundo mercado do futebol europeu - a escala do país em todos os índices para a rentabilização económica é o que é.
Se ninguém de boa-fé pode descartar o mérito, o F.C. Porto-Barcelona da Supertaça europeia não se confina a essa vertente de disparidade de meios para atingir um fim.
Há, na verdade, um factor identitário comum, muito bem expresso, aliás, no lema subjacente aos catalães. Como o Barcelona, também o F.C. Porto é "mais do que um clube".
Ambos os emblemas são, de facto, expoentes de afirmação de regiões e os seus dirigentes não abdicam dessa posição de porta-bandeira contra a tendência centralista de Lisboa ou Madrid. Só que, também aqui, há diferenças.
Enquanto a imagem do Barcelona é alavancada pelo efectivo poder autonómico da Catalunha, a do F.C. Porto reflecte-se na base de uma orfandade de intérpretes com influência e capacidade de afirmação do Norte de Portugal no todo nacional. E esse é mais um ponto a seu favor. Afinal o F.C. Porto dá prestígio ao país e simultaneamente mantém-se, quase solitário, como marca de água de uma Região. É o que se pode considerar um perfeito dois em um.
[Fernando Santos/JN]
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