30 novembro, 2013

A bola queima!

Contrariando aquilo a que me tinha proposto há uma semana, que era não voltar a assistir aos jogos do FCPorto enquanto não tivesse sinais de melhoras, acabei por ver  o jogo de hoje com a Académica que mais pareceu um  filme de terror.  Fiz muito mal, permitir que a curiosidade cedesse lugar à razão, porque o que é facto, é que não se vislumbra qualquer evolução na liderança de Paulo Fonseca, nem na qualidade de jogo da equipa. 

O que começa verdadeiramente a surpreender-me não se limita a isto, mas mais à capacidade e rapidez com que Paulo Fonseca está  a destruir uma equipa que apesar de não estar a jogar bem, ainda é constituída em parte por alguns dos jogadores que já foram campeões nacionais e que ganharam há bem poucos anos troféus internacionais. Esse é o meu maior espanto.

Nem o penalti falhado de Danilo, e a angustiante repetição de maus passes, da falta de fio de jogo, da perda de capacidade de drible, dos maus cruzamentos, da deficiente pressão e a atrapalhação geral, me faz colocar nas costas dos jogadores a responsabilidade por tanta incompetência. Neste contexto específico, a responsabilidade pertence exclusivamente ao treinador, agora no da contratação do treinador, a culpa vai toda para a SAD e para o Presidente Pinto da Costa. Foi um flop e dos grandes!

Com esta derrota, se o treinador não se demitir ou não for demitido em tempo útil, o FCPorto arrisca-se a fazer a pior época dos últimos anos e a deixar de receber as preciosas verbas da Champions com que costuma financiar-se. Mesmo porque quem vier a seguir [se vier] para ocupar o lugar do actual treinador, terá uma tarefa muito ingrata para resolver, que consiste na dupla responsabilidade de recuperar a equipa técnica, táctica. e principalmente, psicologicamente!

Agora é a valer, enquanto Paulo Fonseca for treinador do FCPorto não vejo mais futebol.



Porto Canal - Homepage

OUTRA DECEPÇÃO!

Bem podem os dirigentes portistas reclamar das reacções de desagrado dos adeptos que ninguém lhes dará razão, exceptuando talvez o pessoal assalariado que vive à custa do clube e não quer desagradar à entidade patronal que lhes paga. Aliás, creio que tirando uns quantos energúmenos que nunca estão bem com a vida que têm, os adeptos, incluídas as claques, são quem mais tem apoiado o clube em todas as modalidades, mesmo quando as coisas não correm bem.

Por falar em pessoal assalariado, confrange ouvir os comentários posteriores aos jogos no Porto Canal. Então, José Fernando Rio, o comentadorde serviço, usa e abusa na forma como branqueia as últimas exibições do FCPorto. Para ele o FCPorto nunca merece perder e tem sempre azar. É impressionante como este canal se está a parecer com os canais lisboetas! Ontem, por exemplo, no mesmo momento que a equipa exibia uma das piores exibições de sempre, o Porto Canal mostrava pela enésima vez o golo do Kelvin que deu a victória sobre os vermelhos e o campeonato sobre a linha ao sortudo do Victor Pereira, o que em vez de animar os adeptos, ainda os irrita mais.

Lamento ter de dizê-lo, porque respeito o trabalho de Pinto da Costa como poucos, mas considero que, a par do futebol, os erros de casting estendem-se à escolha de Júlio Magalhães para director geral do Porto Canal. Sugiro àqueles que já desistiram de sintonizar o canal que lá voltem para verem a seca que oferecem aos espectadores com gravações constantemente repetidas, sem apresentarem um simples pedido de desculpas. Mas o pior, é que, enquanto nos impingem gravações, falham redondamente na informação sobre a transmissão dos jogos das modalidades.

Se cada vez que sintonizo o canal me impingem imagens de programas repetidos à náusea, por outro lado quase omitem o que mais interessa aos espectadores, como por exemplo o horário dos jogos das modalidades, que esses sim, deviam ser mais divulgados. Por essa razão vi-me privado de assistir ao fantástico jogo de andebol e à consequente victória sobre os dinamarqueses do Kolding.

A direcção do canal anda alheada destes problemas e parece estar mais interessada em chamar ao canal políticos fracassados [quererá regenerá-los?], ou os betinhos da socialite lisbonense, do que informar os portuenses e os nortenhos em geral dos temas que lhes interessam. Sobre questões relacionadas com a regionalização, já não se fala mais...

Eu que tanta esperança tinha, e que até elogiei inicialmente este projecto, apesar de mal o conhecer, sinto-me completamente defraudado. À imagem da actual equipa de futebol, o Porto Canal é um canal de televisão sem vida [apesar da alegre Maria!], sem alma, nem conteúdo. Pobre, paupérrimo!

Afinal, quanto estará a ganhar Júlio Magalhães no Porto Canal para não se envergonhar de escrever para um pasquim que odeia o FCPorto, como é o Record?

28 novembro, 2013

Criticar o FCP construtivamente

Opostamente ao que se diz, o FCPorto da era Pinto da Costa não habitou mal os adeptos, habituou-os até muito bem, isto é, a ganhar. Sempre gostava de saber se haverá clube ou dirigente que não queira criar esse "vício" nos seus adeptos...

Quando digo ganhar, não estou só a falar de jogos, falo de ganhar troféus, campeonatos, dentro, e fora de portas. Ah, e contra vários adversários, além dos tradicionais que jogam futebol, também contra uma comunicação social sectária  e manipuladora, com epicentro em Lisboa e várias sedes no resto do país. Se lutar contra todos estes adversários com armas tão desiguais e mesmo assim vencê-los não é tarefa árdua, e por isso louvável, então o que será?

É deste lado complementar do problema que muitos adeptos portistas se esquecem quando as coisas começam a correr contra o que vem sendo habitual, que  é ganhar e jogar bem, e desatam a bater em tudo e a duvidar de todos, incluindo do melhor [e menos rico] presidente de clubes de futebol que há no mundo. Sem se darem conta, criticando destrutivamente o clube, não estão mais que fazer o jogo dos nossos adversários, para não dizer talvez de forma mais apropriada, inimigos.

Basta ler o que venho escrevendo ultimamente sobre o FCPorto para se ver que, como adepto portista também não estou a gostar do futebol actual do clube, que também faço as minhas críticas. Afinal, mais não é do que a expressão sincera do que penso da situação, que consiste, resumidamente, em responsabilizar as partes por ordem hierárquica. Agora, mesmo discordando de uma ou outra má decisão, a gratidão pelo que já fez Pinto da Costa pelo clube, manda que o bota-abaixismo fanático não faça parte do "cardápio"...

Mais do que no futebol, é na comunicação - agora, que o clube dispõe de um canal de televisão -, que a estrutura directiva está a falhar. É uma ferramenta preciosa que não está a ser devidamente aproveitada para fazer mais e melhor, mesmo no âmbito dos conteúdos desportivos. Diria mesmo que o Porto Canal de Júlio Magalhães está em certos aspectos, pior do que quando era dirigido por Bruno de Carvalho, que ainda por cima é benfiquista... Falta um contraditório saudável, faltam novos programas, criatividade em full-time.
                                                                                                                                    

26 novembro, 2013

Um FCPorto irreconhecível

Não é esta a imagem de marca do FCPorto
Uma vez mais ficou provado que o FCPorto de Paulo Fonseca está totalmente descaracterizado dos aspectos principais do seu ADN: não tem confiança, não joga, não controla, não marca, nem impõe respeito ao mais débil dos adversários. Os eternos "optimistas" dirão que não é bem assim, que estarei a exagerar, mas eu que sou realista digo as vezes que forem precisas, este Porto pertence ao passado, ao tempo  anterior a Pinto da Costa.

Não posso aceitar que um treinador diga publicamente que os jogadores pecaram na finalização sem perceber que é da sua responsabilidade a resolução desse problema como de todos os outros, sejam eles de ordem técnica, táctica como psicológica.

Mais uma vez, os jogadores entraram completamente nervosos, temerosos, o que significa que P. Fonseca também não sabe prepará-los psicologicamente, nem motivá-los mesmo para os jogos de menor importância. Agora, a Champions é quase uma miragem, só um milagre tornará a manutenção uma realidade.

Sendo eu um grande admirador de Pinto da Costa por tudo o que de bom trouxe ao clube, tenho de admitir que a aposta neste treinador, de recurso ou não, está comprometida. Talvez tenha chegado a hora de mudar o paradigma dos treinadores baratinhos do tipo aposta de totoloto, porque os tempos são outros e não se compadecem com riscos desta natureza.

Estamos ainda na frente no Campeonato Nacional, é verdade, mas já tivemos os adversários principais mais distanciados e as últimas exibições são tudo menos promissoras para o futuro. Temos a Taça de Portugal e a "Lata" da Liga, portanto, ainda não está tudo perdido. Agora, resta-nos aguardar pela metamorfose milagreira de acabar com o futebol feio e medroso da actualidade, para passarmos a jogar com inteligência e sangue na guelra. Não sei é se o conseguiremos com este treinador.


PS-[longo...]

Há uma onda de comentadores da blogosfera portista que sustentam a opinião de que esta época o plantel do FCPorto é inferior em qualidade ao da época transacta. Pessoalmente não tenho essa opinião. Salvo um ou outro caso, o problema não está no valor do plantel, está nas competências do treinador.

Penso que o "fenómeno" Mourinho gerou uma onda exacerbada de fanfarronice sobre a qualidade dos técnicos nacionais que contagiou a maioria dos clubes, inclusivé, o FCPorto, sobretudo desde que venceu a Taça UEFA, e a Champions, ao serviço do nosso clube. A partir daí, a comunicação social tratou de endeusar aquele que antes odiava, acrescentando ao conto demasiados pontos à qualidade dos técnicos portugueses. Tipicamente portuga...

Se me disserem que o recurso à "prata da casa" na contratação de treinadores nacionais se deve exclusivamente a factores de ordem económica, compreendo, agora se não fôr esse o caso, não penso que os treinadores portugueses sejam melhores que os demais. 

Claro que o Mourinho é um excelente treinador, que o Vilas Boas também o é, e que o Fernando Santos chegou a seleccionador da Grécia. Mas outros há tão bons ou melhores que eles. Aliás, na minha opinião, o melhor que os treinadores portugueses têm [não todos, como é óbvio], está na vertente táctica e estratégica. Tecnicamente, não acredito que tenham grande capacidade para "trabalhar" os jogadores. 

Além dos passes errados, das desmarcações imperfeitas,no FCPorto actual, há uma pecha antiga nos jogadores portugueses que nenhum técnico nacional foi capaz de resolver até hoje, que é ensiná-los e mentalizá-los a chutar sem preparação, como se vê em Espanha, na Alemanha e na Inglaterra. Este aspecto técnico é muito importante porque em certos jogos em que as equipas se fecham sem conceder tempo e espaço para preparar o remate, como se viu no jogo de ontem, saber rematar de primeira pode resolver jogos.

Não gosto de contrariar por contrariar, mas sou avesso a unanimismos e a verdades imutáveis. Quase tudo pode ser melhorado e reinventado. O futebol não é uma ciência exacta, por isso só vencem os mais criativos, os mais ousados. Ora, não me parece que 5 mêses seja tempo insuficiente para testar as qualidades como treinador de Paulo Fonseca. 

Já alguém referiu, plagiando Camões, um mau treinador pode fazer má uma boa equipa. Parece-me ser o caso. É impossível dissociar o trabalho dos jogadores das (in)competências do técnico, quando sabemos que os mesmos jogadores que ainda há poucos meses eram muito elogiados, agora passaram a ser contestados por alguns adeptos. Se as chicotadas psicológicas não são solução, também não o é deixar um cadáver espernear até à morte, para depois o tentar salvar.  
 

Ramalho Eanes, o Presidente respeitável

Gen. Ramalho Eanes
Li, no JN de hoje uma declaração de Pinto da Costa em que dizia que o antigo Presidente da República, General Ramalho Eanes: "é o português vivo que mais admiro. Será sempre o meu presidente".

Nem sempre entendo os padrões de Pinto da Costa para alguém poder merecer a sua consideração, mas desta vez percebo e concordo inteiramente com ele. Realmente, Ramalho Eanes é o que resta da dignidade exigível a cargos de tão alta responsabilidade como a de Chefe de Estado. Perto dele, só o Marechal Costa Gomes. 

Nem mesmo Spínola, com as manobras conspirativas da direita mais reaccionária e o seu MDLP [Movimento Democrático de Libertação de Portugal], se lhe compara. Eanes foi sem dúvida o mais respeitável, o mais valente e o mais democrata de todos os Presidentes da República, do pós 25 de Abril. Os outros, foram o que sabemos, simples mas vaidosos funcionários... Pouco mais do que isso.

Mas, nem o vazio de competência e de dignidade que se instalou nos mais altos cargos da nação fez mudar as coisas ou ressurgirem candidaturas promissoras. Basta darmos uma vista de olhos aos potenciais concorrentes a Presidentes da República para perdermos a esperança. Ei-los, ansiosos por imitarem o Cavaco:

Marcelo Rebelo de Sousa,  António Costa, Durão Barroso, António Guterres, Luis Marques Mendes. 

Já agora, por que não Sócrates?  Ou, Relvas? E por que não, Duarte Lima?  O povo é sereno, o povo é porreiro, o povo esquece...


24 novembro, 2013

Mais do mesmo, 5º. episódio

Fiquei com a premonição que o FCPorto ia iniciar mal a 10ª. jornada da Liga, a partir do momento em que ouvi Paulo Fonseca a sobrevalorizar mais o adversário que a moralizar a sua própria equipa. Foi no mínimo infeliz, para não dizer, um tremendo sinal de imaturidade, considerar o modesto Nacional da Madeira "a besta negra do FCPorto", como se fosse habitual o FCPorto perder ou empatar mais frequentemente com esta equipa do que vencê-la. Mas felizmente, ainda não é. Que raio, nem oito, nem oitenta! Se é contraproducente e deselegante desprezar o valor dos adversários, antecipando grandes victórias apenas por os considerar teoricamente inferiores, fazer deles uns bicho-papões, como fez Paulo Fonseca, é aumentar a insegurança da própria equipa.  Não terá sido por acaso que Otamendi que até estava a jogar bem, borrou a escrita por causa do medo que Paulo Fonseca tem instalado na equipa.

Estes episódios de mau futebol e insegurança estão a ser de tal modo repetitivos que, agora, quando o FCPorto marca o 1º. golo começa o sofrimento dos portistas, porque é sempre quando consegue a vantagem mínima que o FCPorto começa a jogar a favor do adversário até sofrer o golo do empate. E, claro, quando os adversários estão ao nível da equipa, o risco é maior, sujeitando-se mesmo a sofrer o segundo golo e a perder, como aconteceu com o Atlético de Madrid, também no Dragão.

Curiosamente, ou talvez não, a equipa B do FCPorto padece do mesmo mal, parecendo assimilar os maus desempenhos [e resultados] da equipa principal. Aliás, isto não é de agora, acontecia também no tempo de Victor Pereira quase não se notando qualquer diferença nos métodos de jogo de um e outro escalão . Convém lembrar que Victor Pereira teve a sorte de salvar o Campeonato quase em cima do seu terminus, no célebre golo  de Kelvin aos 92', no jogo com o Benfica e posteriormente com a victória em Paços de Ferreira, vencendo a Liga, mais por incompetência do adversário directo do que por indiscutível mérito.  Estaremos nós dispostos a arriscar e a cometer os mesmos erros ainda antes da primeira metade do campeonato?

Outra coisa me irrita no discurso do treinador e de muita outra gente, que é a conversa traiçoeira do chamado controle do jogo. Mas, do que é que estaremos a falar, afinal? Que controlar um jogo é ter mais tempo a bola nos pés sem tirar disso benefício, como está a acontecer ao FCPorto, ou será ter mais tempo de bola consequente, que mais não é do que a fazer entrar na baliza adversária? E esse suposto controle do jogo, é para acabar depois do 1º. golo, passando a defendê-lo miseravelmente, sem ambicionar marcar o 2º., e até o 3º.? Francamente, não entendo a pobreza deste discurso num clube como o FCPorto da era Pinto da Costa. O que se passa? Estaremos a copiar os maus hábitos da concorrência?

Resumindo: gosto muito do FCPorto, mas gosto mais da minha saúde, e como não sou masoquista, tenciono não ver os próximos jogos até ter sinais de que algo começa a mudar para melhor, e que estamos a recuperar a ambição do passado recente e o gosto de jogar bom futebol. Tudo o que o FCPorto de agora não nos está a dar.

22 novembro, 2013

Acudam que é fogo!



Às vezes tenho a imensa vontade de voltar atrás e viver num sítio onde se pudesse tocar o sino a rebate e, por urgência, juntar todos os que se interessam pelo sítio onde vivem para pensar alto e não perder o futuro. Se pudesse, tocava-o hoje.

Por mais calmas que pareçam as marés e por mais razoável que seja o tempo em que, por exemplo, os novos eleitos autárquicos tenham de dispor para se adaptar, temos de ter na ponta dos dedos a rapidez que a ação política, mesmo que no sentido lato de governo da polis, exige.

Quem de nós nortenhos está a seguir de perto as congeminações sobre a reforma da RTP? O que vai, afinal, acontecer ao Monte da Virgem? Irão conseguir esvaziá-lo até ao ponto de todos acharmos que já não é preciso? Há pouco tempo, ouvi de profissionais da Casa que "em Lisboa nem sabem o meu nome", ou "fazemos uma produção nos limites mínimos porque não podemos gastar dinheiro em aluguer de equipamentos e pedir equipamentos a Lisboa é muito complicado"!

Primeiro vinha o jornal da noite, depois a RTP internacional, agora nem o único programa de análise política que era feito no Norte do país sobreviveu. Atenção, sr. presidente da Câmara, sr. presidente da Área Metropolitana, sr. diretor do JN, sr. presidente da AEP, sr. presidente do FCP, srs. reitores, srs. presidentes de Câmara. Atenção, porque é preciso ter uma opinião e lutar por ela, em conjunto, enquanto é tempo.

Tal como todos devíamos tocar a rebate para fazer ouvir ao sr. ministro Nuno Crato que não se trata assim as universidades e não se desconsideram assim os srs. reitores. Infligir um corte cego médio aplicado à massa salarial de toda a Função Pública às universidades sem perceber que estas instituições já fizeram metade desse ajustamento é no mínimo negligente (por desconhecimento) e no máximo ação de má-fé. isto quando a performance das universidades portuguesas, e desde logo as do Norte, é dos poucos desempenhos que nos orgulham a nível internacional.

O que se passa, afinal, com o terminal da Trafaria e que relação existe entre este investimento e o correlacionado desinvestimento nas infraestruturas nortenhas? Houve notícias inquietantes a respeito. A reunião prevista entre o sr. presidente da Câmara do Porto e o sr. presidente da CCDR-N já aconteceu? Foi esclarecedora? Uma das vantagens do toque a reunir era a da moderna "accountability", ou seja, a de sabermos de forma transparente e em tempo útil como vão os processos. Neste caso e quanto mais não seja para ficarmos todos descansados sobre a defesa desta Região no que respeita à única alavanca ao investimento de que vamos dispor.

E a propósito também seria muito útil perceber que contornos terá o banco de fomento que será sediado no Porto. Quando se diz que desempenhará um papel importante na gestão dos incentivos comunitários às empresas isso quer dizer que a dotação preliminar alocada ao Programa Operacional do Norte será expurgada de uma parte substancial cuja gestão é entregue ao banco? Não virá daí grande mal se o banco for gerido por uma equipa equilibrada, desde logo no conhecimento das várias zonas industriais do país (e Lisboa não é exatamente uma delas). No entanto, tarda em saber-se com quanto podem afinal os municípios e outros beneficiários contar no que respeita ao envelope que virá para o Norte.

E o aeroporto? Li que a Irlanda cobra "zero" à Ryanair (presumo que também as outras companhias low-cost, mesmo não sendo irlandesas) pelas suas operações aeroportuárias. Não li, mas já ouvi dizer que talvez Lisboa faça o mesmo. E o Porto? Será abrangido ou agora que a ANA é privada a discriminação é possível? Têm noção de qual será o impacto de um desinteresse ou mesmo abandono da Ryanair no turismo do Porto? Não é de tocar a rebate?

E mesmo no que diz respeito à atuação de instituições privadas de interesse público como é o caso da Fundação de Serralves. Partindo do princípio de que serão sem dúvida convocados fundos comunitários para o novo projeto da Casa do Cinema de Manoel de Oliveira, não seria de explicar melhor por que é que a que já foi feita no tempo do Porto 2001 afinal já não serve?

Mas a perguntar era agora. Em casa roubada...

[do JN]

19 novembro, 2013

Rui Moreira reclama justiça para o Norte nos fundos comunitários

Rui Moreira
Foto: Arq/Cláudia Silva



O presidente da Câmara do Porto reclamou esta segunda-feira justiça para o Norte na distribuição dos fundos de coesão, afirmando que estes só vêm para Portugal “porque há regiões que estão abaixo da média europeia”.

No jantar-debate sobre o tema “O Porto que queremos”, organizado pela Associação Portuguesa de Gestão e Engenharia Industrial (APGEI), Rui Moreira endureceu o discurso relativamente ao próximo Quadro Comunitário de Apoio, começando por dizer que “se Portugal tem hoje ainda condições para recolher fundos de coesão é exactamente porque tem regiões como o Norte, que está abaixo da média europeia”.

“Temos todo o direito, acima de tudo de reclamar uma coisa: não queiram por favor manter a nossa região como uma região pobre apenas para que Portugal possa continuar durante muitos anos a receber fundos de coesão”, criticou.

O presidente independente da Câmara do Porto condenou ainda o facto de estes fundos de coesão serem depois aplicados não no Porto, “mas noutro lado para que o círculo nunca se inverta, para que se mantenha sempre o mesmo”.

“Para que depois digam: não, são precisos fundos de coesão porque, coitadinhos, os do Norte são muito fracos, são muito pobres. Esta não é uma batalha por razões bairristas, é uma razão de justiça”, enfatizou.

Rui Moreira reiterou que os fundos de coesão só vinham para Portugal porque havia “regiões que estão abaixo da média europeia”.

“Mas não tentem perpetuar isso. Não tentem fazer de nós os desgraçados apenas para virem fundos europeus que depois são desviados”, sublinhou.

18 novembro, 2013

Os melindres de um canal com pouco PORTO

Se há forma de contribuirmos para a manutenção da degradação do património urbanístico da cidade do Porto e para a perda de qualidade de vida dos seus habitantes, é sonegarmos o reconhecimento de tudo o que está mal e que urge mudar, e sentirmo-nos ofendidos quando alguém, portuense ou não, nos alerta para essa realidade.

Vem isto a propósito de uma notícia veículada na 6a feira passada pelo Porto Canal pela voz da apresentadora Claudia Fonseca, segundo a qual, um jornalista da BBC teria ficado chocado com o número elevado de casas degradadas no centro da cidade e com o facto de ainda se verem pessoas a lavar roupa na rua em tanques públicos. Com maior ou menor sarcasmo, o facto, é que infelizmente para nós, as declarações do jornalista inglês não são nenhuma deturpação da realidade. Por isso, não posso compreender o excesso de melindre manifestado pela apresentadora quando comunicava a notícia mais se parecendo com as virgens ofendidas dos canais lisboetas que relevam o irrelevante e omitem a substância. Para dourar a pílula, de quem é que os repórteres do Porto Canal se lembraram de entrevistar para falar da heresia? Adivinham quem? As lavadeiras das Fontaínhas, que com a vida já desgraçada pelas asneiras da garotada que (des)comanda o país, desataram a desancar no tipo da BBC com medo que lhes fossem roubar o tanque e a contradizer o que está à vista de toda a gente, ou seja, a degradação urbana e social do Porto. 

Contudo, o que é realmente reprovável, é o alarido gerado pela repórter do Porto Canal e o melindre empolado por uma notícia que esteve longe de ser excessiva. Se houvera necessidade de provar o estado lastimável em que (ainda) se encontram inúmeros edifícios do Porto [e não apenas do centro histórico], bastaria clicar no blogue As Casas do Porto   , que as dúvidas ficavam logo desfeitas. Não creio é que alguma jornalista do Porto Canal esteja interessada em trocar a máquina de lavar roupa por um tanque público, apenas para dar um ar mais bucólico ao Porto ou para seduzir turistas...

A direcção do Porto Canal parece partilhar a ideia daqueles imbecis de Lisboa que só sentem motivação para apelar ao orgulho pátrio beliscado quando lhes falam mal de Mourinho ou do Ronaldo, ou quando alguém lhes aponta os erros que cometem, como por exemplo, o de andarem há mêses com uma programação baseada em gravações repetidas, sem dar uma simples explicação aos espectadores. Nem sequer se dignaram informar em 1ª. mão os espectadores sobre o recente internamento hospitalar de Pinto da Costa, deixando o campo vazio às especulações de Correios das Manhãs e quejandos. É assim que pensam levantar o Norte? Se é, ficam sabendo que só estão é a contribuir para o afundar ainda mais.

15 novembro, 2013

O desafio à Liga das Cidades

 

A criação de uma Liga das Cidades, "que vá do Porto a Bragança, passando, entre outras, por Viana do Castelo, por Braga e Guimarães, por Chaves e Vila Real, num traço contínuo" que una o Norte é um dos desejos do novo presidente da Câmara do Porto. Na tomada de posse, Rui Moreira explicou que só assim "a Região Norte, que indiscutivelmente partilha interesses, problemas e um destino comum, poderá ter hipótese de reivindicar com eficiência e de forma consistente aqueles que são os seus direitos e aspirações legítimas". Neste ponto, é impossível estar em desacordo com Moreira.

Pois aí está o primeiro grande desafio à Liga das Cidades, que, não existindo no papel, pode muito bem começar a forjar-se a partir do combate que tem pela frente. O facto de a peleja tocar a Região Centro torna o tema ainda mais atrativo.

Resumidamente, a matéria é esta: o Governo criou um grupo de trabalho para estudar que grandes projetos na área da mobilidade (portos, ferrovias, rodovias, aeroportos) devem ser abraçados nos próximos anos. Deste grupo não fazem parte as comissões de coordenação regional, por acaso as entidades que mais e melhor conhecimento e ligações têm ao território.

A explicação para esta ausência é muito simples: o que está em cima da mesa é a discussão sobre a distribuição dos milhões e milhões de euros de fundos comunitários que o país vai receber nos próximos anos, pelo que não dá jeito ter cadeiras para sentar os chatos que querem ir ao bolo cortar uma fatia para as regiões longe da capital.

Descontentes, as comissões de coordenação e as associações empresariais do Norte e Centro uniram-se e elaboraram um documento para entrar na discussão. Bastou, contudo, um telefonema de um governante a mandar parar o baile para que os comissões baixassem a crista, para dizer o mínimo. Quem pensou que, dobrando agora a espinha, dava um passo atrás para a seguir dar dois em frente, à moda de Lenine, enganou-se redondamente. É verdade que os presidentes das comissões regionais são indicados pelo Governo. Mas, uma de duas: ou se sentem capazes de defender os interesses do território em que trabalham - e aí batem o pé, independentemente das consequências; ou vergam ao primeiro ralhete - e aí perdem a face perante os atores do território, restando-lhes uma saída honrada e honrosa do cargo.

O Governo faz aqui o papel de Kit Carson, o temível caçador que, a mando do exército dos EUA, quis exterminar os índios Navajos. Já que os líderes das comissões regionais se escondem atrás das árvores à espera que Kit não os veja, cabe aos municípios do Norte e Centro (à proto Liga das Cidades) recorrer ao lema que serviu de escudo aos Navajos: se avançarmos, lutamos; se recuarmos, morremos. A tribo sabia que não tinha outra hipótese senão batalhar. Era uma questão de vida ou morte. Sobreviveu.
(do JN)


Nota de RoP:

É impressionante a rapidez com que determinados regionalistas "convictos" [adoro o qualificativo], mudam de agulhas, quando vão para o Governo. Não são capazes de opinar, sugerir, contrariar, aconselhar. Limitam-se, como dóceis cordeiros, a obedecer, sem se importarem de comprometer publicamente as suas firmes "convicções". Depois, à guisa da cereja no alto do bolo, queixam-se que no Norte há falta de líderes. Lá isso há. A começar por eles próprios. 

14 novembro, 2013

Governo esmaga Norte e Centro





1. Em pleno agosto o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, consegue oficializar em "Diário da República" a criação de um "Grupo de Trabalho para as Infraestruturas de Valor Acrescentado" (GTIVA) com o objetivo de estudar os novos projetos na área da mobilidade do país - investimentos no porto de Sines e outros ao longo do país, a nova ferrovia de bitola europeia, políticas aeroportuárias, rodovias, etc..

2. Sérgio Monteiro escolhe para presidir ao grupo José Eduardo Carvalho, um empresário e ex-mandatário de Miguel Relvas pelo PSD de Santarém em 2009 que é, simultaneamente, o presidente da Associação Industrial Portuguesa (com sede em Lisboa). Não é convidada a Associação Empresarial de Portugal (AEP), nem a Associação Industrial do Minho, nem o Conselho Empresarial do Centro (CEC). Só há um lugar para os empresários - a Confederação da Indústria Portuguesa. O GTIVA inclui o próprio Estado (LNEC, AICEP, Instituto Mobilidade Terrestre, CP, REFER) e as associações setoriais: Logística, Carregadores, Transportes Rodoviários, Mercadorias, além do operador privado de ferrovia, Takargo. Está também a Associação de Municípios, mas não estão as comissões de Coordenação Regionais (sobretudo Norte e Centro, com trabalho feito nestes dossiers).
Questão: o GTIVA (as tais 16 entidades) têm alguma capacidade de dizer "não" aos investimentos mais vultuosos que o Governo queira apresentar-lhes como cenoura apetitosa à frente do nariz? Não é crível. Os milhões são bons para todos os que lá estão sentados. Investimentos novos!, sejam eles quais forem.

3. Várias fontes afirmam que o principal objetivo do Governo é o de fazer um novo porto na outra margem de Lisboa (Trafaria) a todo o custo. O tal porto, supostamente privado, que precisa de quase mil milhões de investimento em infraestruturas ferroviárias, pagas por dinheiro comunitário e público. Algo para mostrar e criar emprego rapidamente.

4. O que fizeram as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento do Norte e Centro, juntamente com a AEP, AI Minho e CEC? Criaram um grupo de trabalho para mostrar que os empresários (os tais, exportadores, de que o Governo não para de elogiar) têm de ter uma palavra a dizer sobre como precisam de exportar. Esse trabalho ficou pronto há mais de uma semana e uma conferência de Imprensa esteve marcada para terça-feira.

5. A conferência de Imprensa foi desmarcada no próprio dia. Razões para a desmarcação? A oficial: o empresário líder do CEC, José Couto, verificou na noite anterior que, afinal, o documento não tinha a anuência da sua instituição. Uma desculpa tardia que só poderia envergonhar o Conselho Empresarial do Centro - caso fosse verdadeira.

Há outra versão, mais consistente: o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, o nortenho Castro Almeida, pede em desespero de causa ao presidente da CCDRN, Emídio Gomes, que cancele a conferência de Imprensa porque o Governo não quer ter os "exportadores" contra uma estratégia do Governo que já está a avançar a grande velocidade. Em consequência desta pressão, a CCDRN comunica unilateralmente aos outros parceiros a impossibilidade de se fazer a conferência de Imprensa. Tudo isto num contexto em que Castro Almeida e as Comissões de Coordenação estão impotentes para conseguir que os fundos comunitários 2014-2020 sejam atribuídos - mas também selecionados e geridos tecnicamente - nas regiões fora de Lisboa. Uma guerra quase perdida, diz-se.

A máquina do Estado está ao rubro. Quem fica com os fundos? E quem assegura os milhões com que se remunera os batalhões administrativos de aprovação de candidaturas europeias, advogados, consultores próximos do poder, etc., no formato "business as usual"? Lisboa não quer abrir mão desses empregos altamente remunerados.

Ninguém sabe como isto vai acabar - de que lado está Poiares Maduro ou Pires de Lima, Passos ou Portas. Quem é a voz do resto do país nisto. Enquanto isso, os números revelados há dias pelo JN mostram a acentuação das assimetrias Lisboa/resto do país na distribuição per capita do rendimento.

Enquanto isso, e debaixo do manto hipnótico das discussões troikianas, ficam duas perguntas concretas: a Trafaria é a nova Ota? E o farisaísmo centralista permanece para sempre?

11 novembro, 2013

FCPorto joga sobre brasas

Paulo Fonseca:  "Provámos que estamos fortes"! Estamos?
Como se pode constatar alguns posts mais abaixo, preferi não comentar o jogo do FCPorto com o Zenit para a Champions, tendo-me limitado a escrever um elucidativo "mais do mesmo", para dizer o que me ia na alma. 

Ontem, o jogo para a Taça de Portugal, com o Vitória de Guimarães, não veio alterar grandemente o meu estado de espírito em relação ao jogo das Champions e de Belém. A diferença esteve apenas no resultado. Passámos para a próxima eliminatória, e pronto.

Se quisesse ser fiel à tese que reparte em doses iguais as responsabilidades pelos sucessos e fracassos por toda a estrutura do FCPorto [Presidente, direcção, treinador e jogadores] seria politicamente correcto e não acrescentava nada ao assunto. Sendo ainda cedo para tirar conclusões, a ideia com que fico é que, se a SAD portista falhou ao contratar Paulo Fonseca, este também parece estar a falhar na organização técnica, táctica e psicológica do plantel.

Enquanto certos adeptos, começam a lançar culpas sobre as prestações, e até a duvidar da qualidade dos jogadores - e nalguns casos, com razão -, eu continuo a pensar que existe da parte deles empenho, vontade de mudar, mas falta discernimento e calma para o conseguir. O modo como a equipa joga é notoriamente anárquico porque a inteligência deu  lugar à ansiedade. Se o leitor bem reparou, ontem, voltamos a ver certos movimentos de ataque [e contra-ataque] interrompidos porque o jogador que transportava a bola não tinha jogadores a acompanhá-los nas alas, a desmarcarem-se com rapidez, obrigando-o a parar, para passar para atrás, permitindo assim que a equipa adversária se reorganizasse. Se isto é recorrente, é porque isto o treinador não tem sabido corrigir... 

Custa-me argumentar com a falta de jogadores que já não estão no clube, como Moutinho, por exemplo. Mas a verdade é que, embora Fernando continue a fazer [e bem] o seu trabalho à frente da defesa, falta mais à frente um Moutinho não só a servir de primeiro tampão como a distribuir jogo para as linhas da frente. O que noto, é que o Fernando tem estado a fazer os dois papéis [ o dele e o de Moutinho], o que lhe provoca enorme desgaste e desestabiliza o sector defensivo.

Também não concordo totalmente com aqueles que dizem que Jackson Martinez não marca porque as bolas não lhe chegam. Se me disserem que as bolas que lhe servem não são em qualidade e quantidade suficiente, posso aceitar, agora, ele também tem falhado muitos remates. Ainda ontem aos 21' da 2ª. parte [creio], Defour colocou-lhe na perfeição uma bola longa, mas Jackson é que não teve talento para rematar espontaneamente. E isso aconteceu pelo menos, outras duas vezes... Ora, a conclusão que daqui se retira, é que quanto mais tempo a equipa tardar a reorganizar-se, mais tempo perdem os jogadores a recuperar a eficiência. E estas questões, é ao treinador, e só ao treinador, que compete rectificar. Não chega dizer que é preciso fazer isto ou aquilo, o importante é mostrar aos jogadores como se faz. Corrigir-lhes as posições, os movimentos errados, e reensiná-los [se souber] a atacar a bola e reaprender a contornar os adversários que têm pela frente com determinação e confiança. Embora isto possa parecer contraditório, a verdade é que não jogando tudo o que sabem, têm sido os jogadores, em lances individuais, que têm evitado dissabores maiores à equipa! Ora, não é isto que se pretende, os jogos têm de ser resolvidos pelo trabalho coordenado da equipa.

Portanto, não tendo um plantel de luxo, o FCPorto tem um plantel mais equilibrado que o ano passado, agora, falta é colocar as "peças" nos respectivos lugares para a equipa funcionar como uma máquina [afinada] e produzir um futebol atractivo e eficaz.

Porque se Paulo Fonseca não percebe a ansiedade que se instalou há já demasiado tempo nos jogadores e não faz o que é preciso para lhes restaurar a confiança, então, repito, apesar de ainda nada estar perdido, os portistas, tal como o ano passado, vão ter ainda muito que sofrer, e pior do que isso, vão ter de deixar de ver os jogos para não morrerem de tédio ou de um problema cardíaco. O amor ao clube não justifica tão alto sacrifício.


08 novembro, 2013

"Imperdoável





"Imperdoável" é o nome de um belo "western" de Clint Eastwood, ator e realizador premiado com vários "prémios" por este filme extraordinário de 1992, que conta a história da indignação de uma prostituta desfigurada cobardemente por um "cowboy" que consegue escapar à justiça graças a um xerife que o protege em retribuição de uma velha amizade. Escandalizadas, as prostitutas resolvem quotizar-se para oferecer uma valiosa recompensa pela captura do desprezível bandido, que de outra forma ficaria impune. Toda a mitologia fabricada em Hollywood de "cowboys" indómitos e de heroicos "justiceiros" é "desmontada" ao longo deste filme cujo revisitação não poderia ser mais oportuna! Imperdoável é o comportamento de um grupo de personalidades públicas que persistem na tentativa de pressionar as decisões do Tribunal Constitucional, grupo a que recentemente se vieram somar as figuras de José Manuel Durão Barroso e de José Pedro Aguiar-Branco.

O primeiro é ainda presidente da Comissão Europeia, cargo a que acedeu quando "saltou" da chefia do Governo português para o governo da União, depois de ter feito declarações bombásticas sobre o estado do país cujo governo se preparava para abandonar. Ficou célebre a sua proclamação, já lá vão mais de dez anos, de que Portugal estava "de tanga". Disse, e foi-se embora. Mas esta semana, em Bruxelas, segundo a edição de ontem do "Jornal de Notícias", "durante uma conferência de imprensa, ao lado do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final de um encontro entre o Governo português e o colégio de comissários", Durão Barroso anunciou que a eventual inconstitucionalidade do Orçamento de Estado para 2014 "pode pôr em risco o regresso de Portugal aos mercados" e obrigar à substituição das medidas ali previstas pelo Governo, por outras ainda mais penosas para os portugueses e mais prejudiciais para o crescimento da economia. Claro que o presidente da Comissão logo se apressou a desmentir a menor intenção de interferir com a independência dos tribunais...

O outro é o atual ministro da Defesa que, dois anos e meio depois de ter iniciado as suas lides governamentais, descobriu a urgência da reforma do Estado e da revisão da Constituição, como remédio contra a "tentação de um Estado totalitário"! Para o ministro da Defesa, o "que cria as promiscuidades (...), as clientelas (...) e as dependências" que enfraquecem a sociedade e dão corpo à ameaça totalitária não é a impunidade daqueles que obtiveram ganhos absurdos e se aproveitaram da Sociedade Lusa de Negócios, do BPN e mil e um outros estratagemas para lançar mão de isenções, subvenções estatais, cargos públicos, funções privadas e acessos privilegiados aos "fundos europeus"! Nem sequer a circunstância de permanecerem impunes e de continuarem a ocupar relevantes posições na República. Nada disso! A "ameaça totalitária", segundo José Pedro Aguiar-Branco, esconde-se na ideia do chamado "Estado social" - ou seja, no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, na segurança social, na proibição do despedimento sem justa causa, na saúde, na educação, no abono de família... Infelizmente, o ministro não teve oportunidade de nos esclarecer com algum rigor sobre quais os aspetos da Lei Fundamental que gostaria de ver revistos e abandonou a sessão "sem prestar declarações aos jornalistas".

É claro que estes comportamentos subversivos do Estado de direito e do princípio constitucional da separação dos poderes - gravemente atentatórios da independência do poder judicial e do exercício imparcial da missão específica do Tribunal Constitucional de "fiscalização da constitucionalidade das leis" - eram facilmente prevenidos se o Presidente da República requeresse o controlo preventivo da constitucionalidade deste Orçamento. Não resistimos, enfim, a evocar "Kid", o terrível bandido que se associa a Clint Eastwood na caça ao "prémio" oferecido pelas prostitutas, e que por fim confessa que é míope e que nunca matou ninguém...

[do JN]

06 novembro, 2013

Sobre o Zenit 1/ FCPorto1 ...

..mais do mesmo. E fico-me por aqui.

Exemplo a seguir

Executivo da Câmara de Braga

É ainda cedo para retirar ilações destes actos simbólicos, mas podem significar que alguma coisa estará a mudar  no modo como em Portugal se olha para a política . 

Rui Moreira e Manuel Pizarro deram o mote na Câmara do Porto, ao priorizarem os interesses da cidade aos interesses mesquinhos dos partidos, unindo-se e cooperando [espera-se]. Ricardo Rio em Braga parece querer seguir-lhes o exemplo, e faz aquilo que o governo central, depois de impor tanta austeridade ao país, não teve a dignidade [simbólica ou não] de fazer.

Os mais cépticos dirão que estas acções não passam de populismo. Até pode ser, mas ninguém pode negar que estes pequenos exemplos transmitem dignidade a quem os dá, contrariamente àqueles que se limitam a seguir a norma "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço". 

Pessoalmente, valorizo estes actos, desde que, claro, não sirvam para encobrir futuras manobras politiqueiras. O tempo o dirá.

04 novembro, 2013

O crime de corrupção jornalística (1)




A corrupção é a chaga das modernas democracias, é o verdadeiro cancro do nosso Estado de direito. Ela distorce o funcionamento das instituições democráticas e, no plano da economia, subverte as regras da concorrência, pois num mercado onde impera a corrupção as empresas que mais prosperam não são as melhores (que produzem melhor e mais barato), mas sim aquelas que pagam maiores subornos aos decisores públicos.
No seu sentido estritamente jurídico, a corrupção é um crime próprio ou específico; isto é, um delito que só pode ser cometido por quem é agente do Estado, embora, em caso de comparticipação criminal, essa qualidade pode ser estendida a outras pessoas. Tecnicamente, a corrupção consiste em usar o poder ou as funções públicas para obter benefícios pessoais indevidos. A sua forma mais grave verifica-se quando um agente do Estado (político, administrativo ou magistrado) pratica um ato contrário aos seus deveres funcionais (ou omite um ato que devia praticar) em troca de vantagens que não lhe são devidas.

Normalmente, a vantagem é concedida ao próprio funcionário, mas também o pode ser a terceiros (familiares, partidos políticos, clubes desportivos) e pode ser atual (contemporânea do ato ou omissão) ou futura (um bom emprego quando se sai do Governo, por exemplo), bem como patrimonial (normalmente dinheiro) ou não patrimonial (um apoio político em troca de uma decisão favorável, por exemplo).
A corrupção pode ser ativa (aquele que corrompe) ou passiva (aquele que é corrompido) e para ato ilícito (prática ou omissão de um ato em violação dos seus deveres) ou para ato lícito (o ato não é, em si mesmo, ilícito mas o funcionário recebe vantagens que lhe são oferecidas ou que ele propiciou para o praticar ou omitir). Esta última hipótese (popularmente designada como "olear a máquina") distorce o funcionamento das instituições públicas, levando alguns agentes do Estado a "criar dificuldades para depois vender facilidades".

Modernamente, os estados democráticos têm vindo a tipificar como crimes de corrupção condutas idênticas em domínios não especificamente públicos. Um exemplo é a designada corrupção desportiva, que pune os atos daqueles que, em troca de vantagens indevidas, falseiam os resultados das competições desportivas. Não estamos aí numa área da esfera pública, mas sim num domínio onde existem interesses públicos relevantes que reclamam uma proteção reforçada do Estado. Aqui, os valores são a verdade e a lealdade desportivas, que sairão mais protegidas se se prever a punição daqueles que atentem contra elas, nomeadamente dos que têm o dever de as defender, como os árbitros, os atletas, os médicos e os dirigentes desportivos. A melhor forma de proteger bens ou valores de interesse público é criminalizar as condutas que atentem contra eles.

Ora, um dos domínios onde existe um grande interesse público é o da informação nas sociedades democráticas. Não há democracia nem Estado de direito sem uma efetiva liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não existe como um fim em si mesmo, mas antes como um meio para se procurar e publicar a verdade, esta, sim, um bem jurídico, político e social absolutamente necessário à vitalidade da comunidade e ao seu desenvolvimento harmonioso.

Infelizmente, em Portugal, a verdade informativa não teve ainda do Estado a proteção que merece e que já foi dispensada, por exemplo, à verdade desportiva, sendo certo que há indícios chocantes do seu aviltamento (em troca de vantagens ilícitas) por parte de quem tem o dever legal e deontológico de a defender. Torna-se, pois, necessária uma proteção qualificada da verdade jornalística, através da criação do crime de corrupção informativa, ou seja, de uma tipificação criminal dos comportamentos ativos e passivos que atentem contra a verdade jornalística em troca de vantagens indevidas para o jornalista ou para o órgão de informação. Aqueles a quem compete a denúncia pública das condutas delituosas devem, também eles, ser objeto de um escrutínio mais intenso da sociedade e dos órgãos públicos que combatem a criminalidade. Também aqui é preciso alguém que guarde a guarda.

03 novembro, 2013

Nem Porto, nem FCPorto, nem Porto Canal

No seguimento do post anterior quero acrescentar o seguinte. O FCPorto e toda a sua estrutura directiva, parecem estar a ser ultrapassados pelos acontecimentos, sem o perceber. O que é mau sinal.

Compreende-se que devido à falta de seriedade de uma parte significativa da nossa comunicação social - senão mesmo toda -, o clube teve de adoptar uma estratégia de defesa durante muitos anos, obrigando-o a fechar-se para conseguir alguma tranquilidade com os diferentes grupos de trabalho, e isso deu resultado. 

A verdade, é que os tempos hoje, são outros. As coisas mudaram, e em certo sentido para melhor. O FCPorto adquiriu a gestão [e a propriedade?!] de um canal de televisão, mas o facto é que não tem sabido aproveitar essa grande ferramenta, tanto para se defender das acusações mais graves de que continua a ser alvo, como para promover o clube pro-activamente com a imensa comunidade de adeptos de todo o mundo, e para defender os interesses políticos e económicas da região Norte. Quando um canal precisa de repetir 2, 3 e 4 vezes a mesma programação, é porque está a produzir pouco e ainda há muito para fazer. Pois é isso que está a acontecer. E não vale a pena fazerem auto-elogios com indíces crescentes de audiências, porque ninguém acredita. As audiências podem não ter voz, mas não são parvas.

Apesar da competência com que tem liderado o futebol nacional, Pinto da Costa não pode alhear-se da realidade actual. No futebol as coisas não estão propriamente bem. O FCPorto ainda está no comando do campeonato, mas não produz um futebol suficientemente atractivo e estável para convencer. Teve duas derrotas em casa, na Champions, e não parece realista acreditar numa reviravolta em campo alheio nas condições actuais. Se quiserem chamar a isto derrotismo, façam favor, mas é o que eu penso.

Em termos de televisão, não existe, pura e simplesmente. A reformulação das novas grelhas programáticas não se vislumbra, e em relação aos espectadores, continua a não haver uma palavra, uma simples explicação. Se estes procedimentos forem o reflexo de uma estratégia, só posso dizer isto: é inaceitável!

O meu maior desejo, como é óbvio, é falhar redondamente  todas as premonições que aqui acabo de exprimir.

02 novembro, 2013

Belenenses 1 - FCPorto 1.Temos jogadores, não temos equipa

Escrevo este post imediatamente a seguir ao fim da 1ª. parte do jogo entre o FCorto e o Belenenses, no terreno deste último, e persistem os erros do costume. Pressão fraca e atabalhoada, passes errados, movimentos de ataque mal definidos, controle de bola deficiente e sistema de jogo ineficaz. O que pode significar que a equipa que devia valer pelo seu colectivo, tanto decide os jogos por iniciativas individuais, como os complica, pelos mesmos meios. A somar a isto, continua sem retirar grande partido das vantagens no marcador quando a consegue, e a consentir golos pouco tempo depois [neste caso Mangala marca, Mangala dá a marcar ao adversário], em vez de procurar ampliá-la.

Primeira conclusão a retirar ao intervalo:

qualquer equipa mediana cria dificuldades ao FCPorto, porque o sistema de jogo usado por Paulo Fonseca é lento, demasiado previsível e não está trabalhado para proporcionar muitos golos, mesmo contra adversários de categoria inferior, o que não dá grande confiança para competições de outra categoria...  Aguardemos pela 2ª. parte...

E a segunda parte acabou sem grandes diferenças da 1ª.

Conclusão final: outro mau jogo, outro mau resultado, e dois pontos oferecidos aos adversários. Continua sem se notar grande evolução técnica, e sobretudo anímica, no grupo de jogadores formado pelo FCPorto, que ainda anda longe de ser uma equipa. Se não gostava do futebol de Victor Pereira, começo a ficar decepcionado com o de Paulo Fonseca e do seu discurso sem alma nem determinação. Vamos lá ver o que nos reserva o futuro próximo...

PS-As condições do terreno de jogo não podem nunca servir de desculpa, porque os melhores têm de ser melhores em todas as condições.


31 outubro, 2013

Descubra as diferenças

Presidente de Portugal
Se Joseph Blatter caiu no ridículo pelas declarações públicas que fez sobre Cristiano Ronaldo, Cavaco Silva não lhe ficou atrás, quando disse também publicamente que a sua reforma não lhe chegava para as despesas...

Diria mesmo, que em matéria de ridículo, Cavaco ultrapassa e muito, o líder da FIFA. Com uma atenuante para o suiço. É que, enquanto Blatter é apenas responsável por um organismo que superintende o futebol internacional, Cavaco é o representante máximo de um país.

Não estou a imaginar um Presidente da República mediano, de um país mediano, orgulhar-se das comunidades emigrantes sem perceber que as causas do fenómeno são uma implícita vergonha para si, e para quem governou esse pais. Mas os líderes em Portugal não só ultrapassam a imaginação do ridículo, como parecem apostados em ganhar esse troféu.

Presidente da FIFA
Por isso, dá-me uma imensa vontade de rir,  assistir agora ao coro de vozes indignadas  de membros do governo, presidentes federativos, jornalistas e comentadores, com a "afronta" feita a Ronaldo, quando, cá dentro não fazem outra coisa aos próprios compatriotas. Passam a vida a dizer [e a cometer] barbaridades semelhantes, e bem piores, com o resto do país, a quem tratam "carinhosamente" de província.

Ainda a semana passada as hostes lisbonárias [comunicação social incluída] acharam muita graça, não se incomodaram mesmo nada, quando ouviram gente responsável do Sporting dizer que "vinham jogar à aldeia" , quando vinham "só" à 2ª cidade do país. Nem lhes beliscou a consciência quando, sem o menor pudor, eles próprios desataram a branquear e inverter a responsabilidade pelas barbaridades geradas por um bando de energúmenos identificados pela polícia como adeptos daquele clube lisboeta.

Esta gente é mesmo um nojo!

Mas, quando o Presidente da República tem uma visão tão redutora das exigências do seu próprio cargo, que outra coisa podemos esperar, senão o ridículo?

29 outubro, 2013

Militantes da vergonha

Este gajo, além de ser uma figura nojenta, é parte integrante do recheio carunchoso e desavergonhado que invadiu a política partidária. Tal como Orlando Gaspar [do PS], revela uma profunda ignorância do que é ter espírito democrático. 

Fosse eu líder de um partido político promovia imediatamente a demissão de militantes desta natureza. Era uma viagem sem regresso.

28 outubro, 2013

FCPorto, venceu, mereceu, mas [outra vez],não convenceu

 

Para uma apreciação mais generalizada do jogo de ontem contra o Sporting existem  os blogues (des)portistas, por isso vou-me limitar a dizer o que me preocupa particularmente no actual FCPorto, que é o que mais me interessa.

Comecemos então pelos aspectos positivos: primeiro, o resultado, depois, o oportuníssimo golo de Danilo e algumas excelentes defesas de Helton em momentos cruciais do encontro, que evitaram mais uma grande decepção aos adeptos portistas. Em segundo lugar, o modo civilizado como os espectadores da casa reagiram às provocações do presidente sportinguista, que optando pela táctica gasta e populista de diabolizar e provocar o FCPorto, pouco mais conseguiu que exibir publicamente a sua boçalidade intelectual. Além, claro, de levar para casa a derrota da ordem [e da praxe], costumeira em estratégias semelhantes...

Passando ao lado menos positivo, devo dizer o seguinte: não gosto mesmo nada de jogadores bipolares, por uma razão muito simples, é que tão depressa marcam golos decisivos, como de repente os oferecem aos adversários tornando-os assim irrelevantes. Tenho nesta ordem classificativa Varela. Por isso me custa concordar com a nomeação para melhor jogador em campo. É que, ao contrário de alguns que condicionam a crítica construtiva ao resultado dos jogos, ou à autoria de um golo, não sou capaz de esquecer a quantidade de passes errados de Varela, de autênticos brindes aos adversários que só não deram em golo por mera sorte.

Seria injusto se dissesse que Varela foi o único a falhar passes e desvalorizasse o que de bom fez, mas é ele que reincide mais nesse tipo de falhas que costumam ser fatais noutro patamar competitivo. Por isso considero inadequado o prémio, que devia ser sempre balizado pelo percentual comparativo entre as boas e as más decisões. De resto, só houve uma época em que gostei mesmo do rendimento de Varela onde conseguiu mostrar-se mais consistente, que foi a primeira ao serviço do FCPorto, em 2009/2010. Era raçudo, jogava simples, cobria bem a bola, descia os flancos e cruzava com muita regularidade, marcando e dando a marcar [que foi aliás o que fez de melhor ontem].

Mais injusto seria se continuasse a falar de Varela sem falar de toda a equipa, e do próprio treinador. Aliás, acho que este tipo de problemas podiam ser sanados se os treinadores, além do ramerrão dos treinos se empenhassem em disciplinar tecnicamente os jogadores com potencial, como é o caso. Custa-me acreditar que o treino se limite aos aspectos físicos, ou às tácticas do 4x3x3, ou do 4x4x2, e aos meínhos sem oportunas interrupções para corrigir movimentos específicos, coordenações entre sectores, desmarcações,  etc.

A questão que coloco é a seguinte: terão os treinadores portugueses competências pedagógicas para o fazer? Saberão ensinar os jogadores a controlar uma bola corrida, a chutar sem preparação, a fazer rolar a bola [no passe] em vez de a chutar para não ganhar muita velocidade, a colocarem a bola no solo rapidamente nos lances aéreos com ressaltos para a tornarem jogável, e evitarem puxar o tronco para trás quando rematam para a bola não levantar?

A minha preocupação releva daquilo que tenho observado inclusivé na equipa B, e nos juniores. Tenho muita dificuldade em compreender a lentidão evolutiva destes jogadores porque lhes revejo esses "defeitos". Fraca qualidade de remate, movimentações oscilantes e baixos indíces de concentração. Contudo, o talento está lá, percebe-se. Então o que poderá explicar tanta inconsistência, tanta insegurança contagiante? Será que a resposta se poderá resumir a um simplista e cómodo "o futebol é mesmo assim!"? É que eu não acredito nisso. Há mais futebol e treinadores para além do que se faz em Portugal. E nem o facto de haver treinadores portugueses reputados a treinar em grandes clubes da Europa muda a minha opinião.

Se o FCPorto teve a desdita de nascer num país que adoptou o fado como símbolo nacional, não pode nem deve enveredar pelo fatalismo que lhe é peculiar, até porque isso é antagónico à sua génese, à sua maneira diferente de funcionar. Algo está a falhar na evolução dos escalões mais jovens. Não tenho na memória de Portugal produzir muitos jogadores tecnicamente evoluídos e desportivamente agressivos. E se esta tese pode ser contraditada com o argumento da pequena dimensão do nosso país, e se pode aceitar para jogadores com ADN de craques de nascimento, como Messis e Ronaldos, já não funciona para aqueles que não sendo génios de berço, possuem condições para serem jogadores de top, desde que devidamente ajudados. É isso que penso não estar a ser feito no FCPorto. Já nem falo dos outros clubes portugueses, porque são todos piores.

A propósito, quando ouvia chamar génio ao João Pinto [ex-Boavista e ex-Benfica], fazia-me sempre confusão, porque ele só conseguia rematar em preparação, não era capaz de ser espontâneo e perdia muitos golos por causa disso. Não é desses jogadores que nós precisamos, porque cada vez estão mais fora de moda. Será que os nossos treinadores estão preparados para ajudar a formar e completar jogadores com essas características? Sinceramente, eu penso que não.  Este raciocínio até pode estar errado, admito-o. Apenas direi que ao ver, como tenho visto, os jogadores do FCPorto a errarem passes, a conformarem-se com um simples golo de vantagem, e logo a recuarem, oferecendo o jogo aos adversários e na sequência perderem a vantagem, é porque nada está a ser feito em contrário, ou se está, não funciona. Quando um simples adepto como eu prevê com precisão o que vai acontecer [o golo do adversário] e o treinador não faz nada, não interfere, algo de preocupante permanecerá na cabeça dos portistas. Será que o treinador é medroso, ou será outra coisa? Às vezes, fica a ideia que são os jogos que preparam os treinos e não o contrário.

O ano passado a coisa não foi muito diferente, mas ainda assim tudo acabou em bem. E lá está, os adeptos esqueceram as asneiras, os momentos de sofrimento e de mau futebol. Mas, e quando o final não fôr feliz, despeja-se a bílis em cima do(s) mesmo(s)?..

Estará Paulo Fonseca apostado em copiar [mal] Victor Pereira? Veremos.
  

25 outubro, 2013

Boa sorte Sr. Presidente!





O novo presidente da Câmara do Porto pediu que lhe desejássemos boa sorte. Sem duvidar que trabalhará muito para a ter, não deixaremos todos de lha desejar. Enquanto tripeiros e enquanto nortenhos. Vi a transmissão parcial da cerimónia na TV, ouvi e li com muita atenção o discurso de tomada de posse do sr. presidente.

Pareceu-me uma tentativa muito honesta de manter um discurso mais fresco e uma direção de governo menos tradicional.

Com a elegância e o saber estar que lhe são inatos, o dr. Rui Moreira foi agradecido, inclusivo e esclarecido.
Agradeceu a herança imaterial da governação do dr. Rui Rio sem se escusar a mudar "o necessário".

Incluiu o PS com à-vontade na sua nuclear independência para tornar o governo municipal mais fácil mas sem se escusar à dificuldade de tentar integrar os contributos mais válidos. Mas incluiu igualmente os que não se aliaram porque, diz, na "Câmara do Porto cabem todos". É difícil mas pode fazer a diferença.

Esclareceu que valoriza o poder local e o seu saber fazer e, por isso, reclama descentralização acrescida desde que acompanhada dos respetivos recursos.
Que não acredita na capitalidade do Porto, decretada por direito divino mas que, ao contrário, valoriza o desenho de círculos próximos ou afastados que conjuguem territórios e interesses. Sem vértice.

Que reconhece a importância do trabalho da Junta Metropolitana do Porto e da construção de uma agenda supramunicipal "sem complexos".

Mas que lhe parece que a evolução europeia aponta para a cidade como unidade administrativa, social e económica mais relevante e que por isso, à escala do Norte, estimulará a criação de uma Liga de Cidades que, deduzo, como a Hanseática possa ser uma verdadeira aliança económica e política.
Esclareceu ainda a sua firme vinculação aos princípios norteadores da sua proposta. A saber, mais coesão, mais economia e mais cultura que, conjugados ou per se, trarão sempre mais liberdade.

Podemos ficar com dúvidas ou mesmo não perceber bem o alcance exato de algumas ideias mas a verdade é que, desta vez, o sr. presidente da Câmara do Porto se pareceu mais com um de nós.
A coerência e a consistência serão a prova de fogo.

É que o poder local e a valorização das suas competências devem ser defendidos.
No entanto, talvez não seja Lisboa o melhor parceiro. A Câmara de Lisboa, pela dimensão, pela tradição e pela localização (tão perto do Terreiro do Paço) não depende tão fortemente como todas as outras de competências próprias para poder prestar um bom serviço aos seus munícipes. Não precisa de competências acrescidas na saúde ou na economia. Basta-lhe organizar umas quantas reuniões e fazer uns telefonemas. Tem uma vocação de estrito governo de cidade muito assente na imagem externa e na conveniência de serviços.


A presença do dr. António Costa não fez por isso grande sentido a este propósito. Fez o sentido que o dr. António Costa faz: um homem com poder próprio e com influência em toda a Administração Central, seja ou não presidente de Câmara!

O discurso sobre a supramunicipalidade transposta ou sobreposta a uma Liga de Cidades tem de ser muito bem estudado. A política de cidades europeias assenta sobretudo na procura de solução para os problemas causados pela concentração de mais de 2/3 da população europeia em cidades. A dimensão, a saturação das infraestruturas, as exigências de mobilidade e o submergir das identidades são questões absolutamente vitais, mas não sei se serão as que unem o Porto, Bragança, Viana, Braga, Chaves ou Vila Real.

Talvez valesse a pena perceber o que se quer afinal da Área Metropolitana do Porto antes de ensaiarmos novas hipóteses de representação. Mesmo que não se saiba bem qual é o papel destinado a um presidente independente.

Por outro lado, será muito importante perceber que papel executivo é reservado ao PS. A frescura e a eficácia da independência serão afetadas por decisões que o dr. Manuel Pizarro terá forçosamente de fazer passar junto do seu partido, pouco dado a consensos.

Já agora, e apenas como cidadã (ainda que adepta incondicional), registar que não é possível, sob qualquer pretexto, deixar de fora de uma cerimónia destas o Futebol Clube do Porto, provavelmente a mais importante instituição na internacionalização do Porto. E a internacionalização é, afinal, um dos mais importantes instrumentos da moderna política de cidades.

24 outubro, 2013

O Porto, sempre o Porto



Vídeo e crónica extraídos do jornal Libération, aqui
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