09 janeiro, 2009

Um Bastonário incómodo

Até prova* em contrário, considero o actual bastonário da Ordem dos Advogados o mais honesto que até ao momento conheci. Ninguém pode conhecer totalmente uma pessoa, sobretudo quando não privamos com ela. Contudo, como qualquer cidadão, tenho toda a legitimidade para dar a minha opinião (boa ou má) sobre aquilo que penso das figuras que, por vontade própria, um dia se sentiram aptas para desempenhar cargos de responsabilidade pública.
Sempre tive uma certa simpatia pelas pessoas rebeldes, não pela rebeldia em si, nem pelo espírito de contradição que aparentemente comportam, mas tão só pela coragem de afrontar os poderes obscuramente instituídos, pela ousadia em boicotar regimes caducos e pela marginalização a que estão sujeitos face aos inconfessáveis interesses corporativos que combatem.
Marinho Pinto, não foi eleito Bastonário da Ordem dos Advogados pelos seus pares mais poderosos, ricos e bem instalados na vida (nem sempre em razão da defesa de causas nobres). Marinho Pinto, deve a sua eleição aos jovens advogados que vêem o seu futuro comprometido por interesses instalados, compadrios de toda a sorte, e de esquemas sinuosos que lhes impedem o acesso a uma carreira profissional condigna. No lado oposto da barreira, coloca-se o conjunto de advogados tacitamente comprometidos, conscientes dos condicionalismos que uma nova reestruturação da Ordem pode colocar à ascensão rápida à fortuna. Daí, o incómodo indisfarçável, os ataques que a classe acomodada lhe continua a mover.
A intenção de reduzir o acesso indiscriminado à profissão, para a optimizar, bem como a proposta de alternativa aos que não a possam vir a exercer, é altamente louvável. As denúncias que faz, a recusa em cooperar com o actual status quo, de continuarmos a ter advogados a exercerem paralelamente a advocacia com actividades políticas, é, a todos os níveis, digna de registo. Nós, não estamos habituados a isto, estamos habituados ao silêncio da cumplicidade, aos yes man, a credibilizar quem menos merece.
Por tudo isto, digo: força Marinho Pinto, não esmoreças!

*Por prova, considero, exclusivamente, as genuínas, não as forjadas, como acontece muitas vezes. Não sei por quê, lembrei-me agora de uma prova"arranjada" à pressão por Inês Serra Lopes (filha do "ilustre" advogado de Carlos Cruz, Serra Lopes) com o sósia do ex-locutor para tentar ilibar o amiguinho e cliente do papá...

3 comentários:

dragao vila pouca disse...

Também gosto do Marinho Pinto, mas quero lá saber do currículo do senhor de baixo.
Um abraço

Rui Valente disse...

Não, não interprete mal a exposição do currículo.

Não o fiz para envaidecer o personagem, fi-lo para dar conhecimento das suas origens (você, por ex. não sabia que ele era do Porto)e para termos conhecimento dos «cargos que ocupa» e disso eu quero saber. Ele é um político, e eu não concordo de todo que os políticos acumulem outros cargos enquanto tal.

Rui Valente disse...

Do Portal do Governo

Cargos que desempenha

Presidente da Mesa da Assembleia Geral de várias sociedades, nomeadamente, do Banco de Investimento Global, S.A., da Victoria-Seguros, S.A., da Victoria-Seguros de Vida, S.A., da Sofinloc, Sociedade Financeira de Locação, S.A., da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, S.A., da Produções Fictícias, S.A., da Vicra Desportiva, S.A..

Foi administrador não executivo de várias sociedades, nomeadamente da Portucel, SGPS, S.A., entre 1997 e 2005.

Foi actualmente Administrador da PT Multimédia, S.A. e da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea-Colecção Berardo.