07 fevereiro, 2009

Os árbitros

Parece que os principais árbitros portugueses de futebol se inclinam para o seu profissionalismo, e alegam que só melhorarão se forem profissionais. Compreende-se, terão uma vida mais descansada. A questão é que já são quase profissionais, e dizer que em full-time melhoravam a sua actuação, é uma falácia. Eu penso que o principal problema com as arbitragens se chama "seriedade", por muito que ninguém o queira reconhecer publicamente. " Ninguém o queira reconhecer", é uma maneira incompleta de o dizer. O facto é que durante os anos em que o FCPorto começou a sua vitoriosa carreira, nacional e internacionalmente, o árbitros eram considerados desonestos por uma certa crítica, porque favoreceriam sistematicamente o FCP. Isso explicaria, segundo esses "imparciais" comentadores, os sucessivos exitos do clube de Pinto da Costa. Vieram os "apitos" e deixou-lhes de ser possível sustentarem essa tese, mas o FCP continuou a patentear a sua superioridade apesar de frequentemente prejudicado (a célebre arbitragem de Bruno Paixão em Campo Maior é um monumento à falsificação desportiva, tendo custado mais um campeonato aos portistas). Os comentadores do regime acham no entanto que o FCP continua a ser favorecido. Não sendo possível persistir em utilizar o "sistema" como "explicação", tiveram de arranjar outro mote: a culpa é da falta de profissionalização dos árbitros.

Pessoalmente acho que, futebolísticamente falando, não sou fundamentalista, tendendo mesmo a desculpabilizar alguns dos erros dos árbitros. Aceito que em muitos lances dúbios a decisão do árbitro não se possa chamar de erro. Trata-se apenas de decisão tomada por alguém que tem de o fazer no momento, quase instintivamente, acontecendo que por vezes a sua opinião não é coincidente com a minha, sem que isso queira significar que eu estou certo e ele é que está errado. Vêm-se todavia erros tão grosseiros que nem mesmo um bem intencionado aceita que sejam um mero engano do juiz, tendo todo aspecto de um favorecimento a um dos contendores, com a particularidade de normalmente favorecerem os clubes da segunda circular. Isto não acabará com a profissionalização, nem esta conseguirá melhorar os que, mesmo sendo sérios, não têm a menor vocação para ser árbitros.

Resumindo, penso que o problema da arbitragem não se chama "profissionalização". Chama-se honestidade - acompanhada de bom senso - a todos os niveis da estrutura da Liga, a começar no presidente a acabar no edifício da arbitragem ( e já agora, incluindo também a Comissão de Disciplina, um triste exemplo do que é a justiça em Portugal).

Pelo andar da carruagem, e pela nomeação do árbitro para o FCP-Benfica, sinto muito receio pela verdade do resultado final do jogo, receio que é ainda acentuado por causas endógenas ao próprio FCP. Espero estar totalmente errado em ambas as suposições, desejando vir a sentir uma alegria eufórica no domingo à noite perante um vitória categórica ( e se possível esmagadora!) dos dragões.

2 comentários:

Anónimo disse...

Estmos num mundo aberto.
Há jogadores, treinadores, médicos etc, estrangeiros, em concorrencia com os portugueses,deve acontecer a mesma coisa com os arbitros.
Só havia vantagens, nesta concorrencia.Estamos num mundo aberto.
E podiamos sempre ter uma equipa de arbitragem estrangeira a arbitrar o FCP/Benfica, em lugar de um Benfiquista, socio,ex/atleta e lisboeta!!!!!!!

dragao vila pouca disse...

Meu caro Farinas, o problema não está nos erros dos árbitros, está na forma como os erros são tratados pela C.Social.
Se erram a favor do F.C.Porto, fazem parte do sistema, estão comprados, não servem, etc.
Se erram contra o F.C.Porto ou a favor do Benfica e do Sporting, por exemplo, errar é humano, estavam mal colocados, era difícil analisar, etc.

Este é que é o verdadeiro problema: uma C.Social anti-portista, que não perdoa e nunca perdoará, que o F.C.Porto, o tal clube da província, seja hegemónico e os impeça de fazer as grandes festas do passado.

Um abraço