19 fevereiro, 2008

A poucas horas da Liga dos Campeões, são assim os jornais desportivos




Não nos iludamos com a capa do jornal o "O JOGO", porque é apenas a chupetinha para os 'parolos' da edição Norte.

A edição Sul já não é assim como aqui está estampada, a côr promovida continua a ser o vermelho. Se alguém quiser tirar dúvidas, é só ver a revista de imprensa matinal das televisões e a opção continua a ser o Benfica.

Nos outros jornais da capital, é o que se vê: a "imparcialidade" do costume...

18 fevereiro, 2008

O lado dos "Apitos" de que as TV's não gostam de falar...


"Nos sucessivos depoimentos de Ana Maria, foram relatados factos susceptíveis de descredibilizar a versão de Carolina, ligando-a ao líder do Benfica, Luís Filipe Vieira, e denunciando uma suposta ligação próxima com Maria José Morgado e um inspector da PJ, que a teria enduzido a moldar os seus depoimentos contra o dirigente do F.C.P."


Irmã gémea queixa-se de ter sido pressionada por Carolina

Entre as declarações de uma mulher que se prostituiu, que "apunhalou" o seu antigo companheiro, que o traiu, roubou, que se passou para o lado daqueles que outrora odiou e insultou, e as declarações de uma mulher (sua irmã) aparentemente honesta e com uma vida pacata, é no mínimo suspeita a preferência testemunhal e o notório "carinho" dedicado pela dra. Maria J. Morgado, à primeira.

"Variedade" de tons




É assim que os valores centralistas manifestam a sua seriedade informativa. Muito vermelho, algum verde e muito pouco, ou nenhum, azul e branco...

Amanhã, o F. Clube do Porto joga mais uma jornada para a Liga dos Campeões Europeus. Talvez quem sabe, abram uma excepção e sejamos brindados com uma 1ª paginazita azulada... Coitados de nós, também merecemos, não é? Vamos lá ver.

17 fevereiro, 2008

"MEMORANDUM CASA PIA-VERSÃO 2008"

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem.

Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi. A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusou formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia): Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.

Além desses suspeitos, foram constituídos arguidos, o arqueólogo Francisco Alves, o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz, o ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres, actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso e também o embaixador Jorge Ritto.

O julgamento iniciou-se em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrasta-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em Fevereiro de 2008 o caso ainda decorre, e é tempo de mais.

Nota: Este caso (até ver), não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Periodicamente, faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade

Antes do "glorioso" jogar...




Centralismo desportivo exemplar. Querem ver que o "mafioso" do Pinto da Costa se passou para o Benfica e não nos disse nada???!!!



16 fevereiro, 2008

Continuamos paroquianos, apesar da Bial...

Deste artigo de opinião da autoria de Luís Costa, um dos jornalistas nortenhos que mais têm remado contra a maré centralista, sobre o debate realizado pela UC e jornal 'Público' e cujo tema visava a "Comunicação Social do Porto", destaco estes parágrafos por me parecerem bastante elucidativos:

"Mas o que me parece mais relevante é, que nenhum deles pôs em causa, mesmo quando torneavam o assunto, a importância fulcral e decisiva da autonomia política, da existência de um eventual poder regional, da futura criação de novos centros de decisão - desejavelmente numa lógica multipolar - como elemento catalisador fundamental de um novo caminho que tarda em ser trilhado".

"E anda-se nisto há 25 anos, pelo menos."

"É por isso que discutir estas matérias sem consequências práticas já cansa. E escrever sobre tudo isto, confesso-vos, também já começa a cansar."

Noutra página do JN, e ainda relativamente ao mesmo tema, Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, "explica-nos" por que é que as coisas não saem dos processos de intenção:

"Não existe nenhuma contradição entre um órgão ter sede no Porto e ter dimensão e vocação nacional".

"Os media do Porto só são regionais se esse for o seu âmbito de actuação, a sua vocação".

"Isto implica abandonar a lógica dicotonómica Norte contra Sul ou Porto contra Lisboa. Esse olhar próprio deve ser cosmopolita e moderno".

"a opção é entre ser paroquial ou cosmopolita"

"o Porto tem todas as condições para ter um olhar cosmopolita e moderno e que esse olhar seja a sua forma de ver e interpretar o país e o Mundo".

Sobre estas declarações do Sr. Ministro, quero dizer algumas coisas. A primeira, é que, é errado pôr-se o problema em termos de 'contradição entre sedes dos orgãos de comunicação e as suas vocações ou dimensões', quando devia ser colocado em termos de poder executivo e de liberdade editorial.

A segunda questão, é que o Porto nunca quis ser regional, pelo contrário, o que acontece é que a televisão, sendo o mais poderoso de todos os media, encarregou-se de drenar sistematicamente para Lisboa todo o seu poder, influenciando assim implicitamente toda a difusão dos diferentes orgãos de comunicação (Jornais, rádios, etc.).

Quanto à chamada lógica dictonómica "Norte contra Sul", à vulgaridade da qual também o sr. Ministro não conseguiu fugir, cá temos outra vez a demagogia a funcionar, e repare-se, que não é por inocente acaso que estes senhores dizem sempre "norte-sul" e nunca "sul-norte". Isto, suponho, já deve explicar tudo. O mesmo se aplica à conversa enjoativa dos dogmas paroquiais versus cosmopolitas. Já cansa.

O que realmente acontece, é que são sobretudo políticos iluminados como este que emperram a ruptura do estatuto minoritário que eles, mais do que a sociedade civil (como chega a admitir Rui Moreira) nos traçaram.
Bastará olharmos para o exemplo da RNTV e perceber que ali não há dinheiro para avançar melhor e mais depressa.
Bastará particularmente, olhar para as reticências que este mesmo senhor ministro tem colocado para dar mais autonomia a RTPN, que para além de mais é propriedade do Estado.

Enfim, 'novamente' mais do mesmo.

1º.EXEMPLO DE "SERIEDADE"



Ontem fiz aqui um comentário ao Centralismo e aos "atalhos" da vida entre Sul e Norte. Estes casos do futebol, podem servir de paradigma ambivalente para melhor apreciar os sucessos de Pinto da Costa e do F.Clube do Porto. Se por um lado prova que apesar do Centralismo é possível ao Norte ultrapassar barreiras e vencer, por outro lado retrata que as dificuldades para o conseguir são infinitamente maiores e que isso, é fazer batota.

Ontem também, o F. Clube do Porto foi a única a equipa a jogar na 1ª. Liga. Um jogo importante, dadas as habituais dificuldades que o Marítimo da Madeira costuma colocar ao clube da nossa cidade.

Observem-se bem as primeiras páginas dos 3 diários desportivos. Só o jornal "O JOGO" (o menos mau dos três) é que dá à vitória do Futebol Clube do Porto o destaque merecido.

Os outros dois de Lisboa, da capital da 'coesão nacional', da 'seriedade', da 'isenção', do 'respeito pelas práticas democráticas', votam ao F. C. do Porto o desprezo habitual. Como se vê.

Presumo que no desporto, serão estes os exemplos a seguir para dissuadir eventuais guerrras do tipo "Norte-Sul", que para nosso espanto e como a própria definição sugere, devem ter sido despoletadas pelos energúmenos do Norte.


PS
Apesar desta desonestidade deontológica e cívica, será curioso atentar a um pormenor de refinado cinismo: a espaços (muito espaçados mesmo) estes exemplos de 'fair play' patente nas capas dos referidos jornais mudam de tom, apresentando as camisolas listadas de azul-e-branco, que é para servirem de "prova", para a eventualidade de terem de nos contradizer...

15 fevereiro, 2008

A sociedade civil e o Estado

Há quem veja o Centralismo e as profundas mazelas que ele comporta, como uma espécie de pai irresponsável que os 'filhos' têm o dever de tolerar para não se incomodarem demais. Defendem que, se o 'pai' é mau pai, então os 'filhos' só têm é que arrepiar caminho, fazerem-se à vida, na conquista de um lugar ao Sol na sociedade e esquecer sequer que o 'pai' existe.

Em teoria, o princípio até contém algum realismo porque, na verdade, é um pouco assim que deveríamos todos pensar para ultrapassarmos os múltiplos problemas que a vida sempre nos reserva, para atalhar caminhos, e estabelecermos objectivos, sem desperdício de energias.

Mas, afinal de contas não será isso, que cada um a seu jeito, procura fazer? Como noutras situações, há uns que descobrem esses atalhos mais depressa e melhor que outros, e outros há que, por variadíssimas razões, levam mais tempo ou até nunca chegam a encontrá-los. É a vida.

Mas muita calma, não confundamos a história do pai apadastrado com a história de um país orfão de quem o governe, porque isso é o mesmo que passarmos um salvo-conduto de irresponsabilidade a quem tem a obrigação de o administrar a contento de todos. Não é tarefa simples, sabemos, mas também ninguém é forçado a desempenhá-la. Só para lá vai quem quer. A partir do momento que alguém se disponibiliza para o fazer, deve estar ciente da enorme responsabilidade que a decisão acarreta porque é apenas para isso e só para isso que lhe entregamos o Poder. Para o bem e para o mal.

Numa época em que a corrupção invadiu todas as áreas da sociedade, incluindo a política e judicial, não faz muito sentido deixarmos o país entregue a si mesmo, sem uma permanente exigência de optimização das instituições públicas, sem reclamarmos igualdade de tratamento e de oportunidades.

Num país moderno e democrático, não é recomendável nem justo que a Sul os atalhos pareçam auto-estradas e que a Norte se assemelhem a caminhos de cabras e que tenhamos de fazer muito mais esforço para ter muito menos. Desistir de reclamar seriedade à governação nacional, é sermos co-responsáveis pela proliferação da mediocridade.

Os governantes têm de uma vez por todas de estar à altura do cargo que assumem. Se não estão (como é o caso em Portugal), devemos arranjar forma de os afastar do Poder. O que não podemos, é continuar a aceitar nos govêrnos, reguilas e miúdos com tantas (ir)responsabilidades. É uma insconsciência suícida!

Ora aí está!



Esta é a "ordem normal" das coisas, em termos de jornalismo desportivo. Ontem, como ante-ontem, houve jogos para a Taça UEFA e não serve de exemplo. Mas não deixa de servir como aperitivo. Quando tudo voltar à pasmaceira nacional é que conta.



Duas notícias positivas para o Porto

BIAL duplica a área dedicada à investigação

E pronto. Apesar de estar de costas voltadas para o Porto e para as dificuldades da região, concentrando poderes e compadrios em Lisboa, lá vem o oportunismo do costume: imediata colagem a quem pode projectar a imagem do Govêrno e do 1º . Ministro, com palavras de circunstância onde a bajulação supera o apoio sincero.


F. Clube do Porto lidera ranking de desempenho desportivo

Neste caso, não se pode dizer que seja uma novidade. É por demais inquestionável que Pinto da Costa é o grande obreiro deste palmarés de êxitos, sobretudo quanto tem todas as garras do centralismo em cima dele.

14 fevereiro, 2008

Os jornais desportivos e as vendas...


Ontem houve competições europeias, por isso aceita-se perfeitamente o tom "esverdeado" dos três díarios desportivos mais conhecidos, embora o Braga também tenha jogado...e nada.
A partir de hoje, tentarei publicar aqui todos os dias as primeiras páginas dos referidos jornais, para podermos comprovar que não inventamos nem temos a mania da perseguição quando afirmámos que no futebol também se produz centralismo q.b., e se infringe (impunemente) as mais básicas regras democráticas que noutros contextos servem, entre outras coisas, para colocar partidos políticos e pessoas na cadeira do Poder.
Por outras palavras, princípios elementares que concedem prioridade aos vencedores de todo o tipo de contendas.

O que iremos seguramente constatar, não é mais do que a realidade nua e crua, e tem efeitos retroactivos, porque acontece há longos anos, sem incomodar minimamente os defensores das regras deontológicas profissionais, nomeadamente, as de alguns jornalistas.

É o mercado, dizem eles. Portanto, é assim: Mercado = 1.000.000.000.000 - Democracia = 0
O Futebol Clube do Porto é bi-campeão nacional e está no bom caminho para repetir o Tri.
Estejemos atentos aos próximos tempos e anotemos o número de edições que cada um dos mencionados diários destaca com a primeira página o clube azul e branco.
NOTA:
O Jornal "O JOGO", único sedeado no Porto, tem duas edições, Norte e Sul. Na do Norte, ainda manifesta alguma consideração pelo F. Clube do Porto e concede-lhe alguma atenção, mas na
edição Sul, digamos que consome toneladas de tinta vermelha em homenagens a glórias pré-históricas e ... ao vil metal.

Cem anos depois

"Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter (...). Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo (...). Dois partidos (...) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...), análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos de uma vez na mesma sala de jantar (...)".

Isto foi escrito há 100 anos por Guerra Junqueiro, estrebuchava a Monarquia (que, a pretexto do regicídio, alguns patuscos de "blaser" e emblema da Causa Monárquica na lapela nos têm recentemente tentado vender como um eldorado perdido) nos últimos estertores.

Porque o chapéu assenta singularmente no clima social e político finissecular que de novo vivemos, "Pátria" deve ser hoje o livro mais citado na blogosfera portuguesa, onde, expulsa dos media tradicionais, se exila grande parte da massa crítica que, entre nós, ainda mexe. É um sinal, o sintoma de uma doença. Até generais já andam por aí a assumir-se publicamente como "reservas morais" da nação.

Quando a "reserva moral" já está na tropa, há boas razões de sobressalto cívico.

Manuel António Pina
(do JN)

13 fevereiro, 2008

A Democracia no futebol é um embuste



A IMPERIAL
ÁGUIA
DO
IMPERIAL
CENTRALISMO


Tenham paciência, hoje é inevitável, sou mesmo obrigado a falar de "futebol".

Contrariamente ao que pensam os avessos às baixezas do mundo futebol - que se obstinam a branquear outros mundos, bem mais obscuros - sempre aprenderiam alguma coisa se estivessem atentos ao trabalho sujo de autêntica promoção clubística, levado a cabo pelas televisões do centralismo, pouco antes da última eliminatória da Taça de Portugal.

A esses intelectuais do regime, que do alto da sua sapiência anódina garantem nada ter a aprender com o futebol, far-lhes-ia bem observarem algumas cenas ligadas a esse mundo para, pelo menos, não fazerem figura de patetas quando desatam a dissertar sobre a ordem cívica e a democracia.

A SIC (e não só), que em matéria de futebol anda, nas barbas do país, anos a fio a borrifar-se para os valores da democracia , quase transformou um simples jogo da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Paços de Ferreira, numa final da Liga dos Campeões...

Embora possamos compreender a ansiedade dos apaniguados do clube símbolo do Centralismo que não consegue traduzir os mitos de que se alimenta em realidades, é inadmissível que se deixe passar impune a pressão a que os jornalistas da SIC sujeitaram o árbitro da partida, de mais a mais, por se tratar de alguém que está envolvido no processo Apito Dourado, acusado de ter prejudicado o Benfica.

O resultado foi o que se viu, porque a televisão mostrou, o árbitro favoreceu descaradamente a equipa de Lisboa e deu-lhe de bandeja, a passagem à próxima eliminatória!

Então, e os senhores procuradores, não vêem estas coisas? De que estão à espera para abrir um processo? Se é de uma queixa, eu próprio a faço, estejam à vontade, é só dizê-lo.

E então o que anda a Dra. Maria José Morgado a fazer que ainda não decidiu abrir um processo a Luís Filipe Vieira, a quem tivemos oportunidade de ouvir negociar um árbitro com Valentim Loureiro? Mas, andam a fazer de nós parvos, procurando convencer-nos que toda esta roda-viva à volta de Pinto da Costa é apenas uma questão de Justiça? Querem mesmo que acreditemos nisso?

E então, que dizer da tão badalada promiscuidade entre política e futebol, quando ainda ontem as televisões não tiveram qualquer tipo de pudor em filmar uma homenagem em Bruxelas os comovidos políticos da família benfiquista (como se isso fosse uma honra) se deleitavam a tecer loas ao Benfica com lágrimas, suspiros e abraços como se estivessem a praticar o acto mais inocente do Mundo?

Imaginam por um momento, se esta propaganda nojenta fosse feita ao F.Clube do Porto? Imaginam mesmo? Apesar de a merecer muito mais, seria um escândalo nacional e às tantas, razão suficiente para abrir um outro processo.

E o doutor Rui Rio, não se pronuncia em relação a esta promiscuidade? Ó pronuncias, isso, só se fosse com o F. Clube do Porto. Que rico líder. Votem outra vez nele meus senhores, e chamem-lhe honesto...

12 fevereiro, 2008

A Democracia e os homens

Entre o cepticismo daqueles que conseguem ver o país para lá do seu umbigo e o optimismo dos que fazem do seu umbigo o estado da nação, existe um fosso tão grande, que é quase criminoso procurar misturá-los.

Confesso, que não consigo ser muito tolerante para com os empatas. Não é pelo gosto mesquinho de estar (como alguns), sistematicamente no contra, mas prefiro as pessoas que não temem fazer a diferença, que assumem a coragem de passar pela "tesoura" dos compadres da paz pôdre e do laissez faire , laissez passer.

Por isso, admiro António Marinho Pinto, pela forma desassombrada e despretensiosa como assumiu o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados. Posso estar enganado, mas este homem inspira-me confiança. Fala simples e com a persuasão que só a sinceridade empresta às palavras. Depois, é realmente honesto. Não há nada que diga que nos faça desconfiar, tal é o desprendimento que revela para com os interesses e as tradicionais cumplicidades corporativas da classe profissional a que pertence.

Como não é um homem comum, e como estamos num país que tem por mau costume premiar os medíocres, não sei se terá grandes hipóteses de sobrevivência. O poder económico não se compadece com questões de carácter e quando incomodado, não perde muito tempo até demolir quem ousa fazê-lo. Depois, lá se encarrega de contratar sem dificuldade os videirinhos da ordem devidamente treinados na arte de simular respeitabilidade para "provarem" à população que o "outro" é que não prestava. Era populista e demagogo...Eles, não.

Começo a ter sérias reservas em relação a qualquer mudança política. Sem gente séria e intelectualmente qualificada, não dou grande interesse ao género de regime.

A democracia para valer como ideal, tem de arranjar sistemas capazes de se auto-purgar com eficácia dos oportunistas e parasitas. Sem isso, os regimes podem mudar, mas as môscas continuarão a gravitar sempre à volta do seu habitat natural.

11 fevereiro, 2008

Timor e as lágrimas de crocodilo

A Suprema hipocrisia deste país, retrata-se em pleno sempre que acontece uma desgraça em Timor.

Entrevistas, debates, fóruns de todos os tipos feitios, fazem as caixas registadoras das audiências subir para patamares invejáveis. Vamos ter de aturar outra vez as opiniões dos estrategas do regime.

Nos próximos tempos não vamos ouvir falar de outra coisa. Os nossos governantes, que na nossa cara, têm desprezado os interesses regionais e engordado com desprezível egoísmo a região do vale do Tejo, vão mais uma vez começar a dar chow com a hipocrisia do costume para com o povo de Timor. O useiro fado da falsidade.

"Simetrias"económicas e sociais...

'Abonos podem duplicar vencimento mensal'

Comparadas todas as benesses de que gozam os nossos deputados (vencimentos incluídos), com os resultados práticos da sua actividade na vida dos cidadãos, compreende-se melhor o por quê da nossa estagnação.

Para funcionarem como todos desejaríamos, os deputados precisavam de sentir na pele algumas das muitas dificuldades que a população atravessa. Não é com estas mordomias sem retorno para o povo que as coisas vão mudar. Demagogia - dirão os atingidos. Pudera. Que razões objectivas têm eles para se queixarem, se não as de contrariarem quem já lhes viu o ......?

Não resisto a dizê-lo, mas perante estas 'aberrações-escândaleiras-provocações' morais e económicas, sempre que um destes meninos abrisse a boca para nos acusar de demagogos ou populistas - como agora gostam de argumentar - Nossa Senhora de Fátima (ou outra santa qualquer) devia mostrar aos crentes que afinal existe, que de facto sabe fazer milagres. Milagres com sabor a Justiça, capazes de fazer recair sobre estes pardais e respectivas famílias, a realidade vivida por reformados e sobreviventes do Rendimento Social de Inserção, para aprenderem a ser gente. Por fora, mas sobretudo, por dentro.

Assim, parecem-se mais com aquela pequena mistura de café com leite a que em Lisboa chamam estupidamente "garôtos", mas que neste caso concreto encaixa na perfeição...

08 fevereiro, 2008

Para alguns barões, isto é demagogia

Há certos melros portuenses, muito soft, muito optimistas, muito pacientes, muito muito, que ainda assim têm lata para dizer que isto, é demagogia...

Que bom seria, se zarpassem da cidade e fossem pregar para outras freguesias.

QUANDO MAOMÉ NÃO VAI À MONTANHA...

...HÁ QUE RECORRER A TODOS OS EXPEDIENTES. A BEM DA NAÇÃO...

Porto, esse covil de malfeitores...

A senhora procuradora Maria José Morgado, responsável pela investigação do processo "Apito Dourado", considerou vergonhoso o trabalho do DIAP/Porto e acusou a equipa da Polícia Judiciária local, de não ter tomado as medidas adequadas para a descoberta de provas, relativamente à agressão do ex-vereador da Câmara de Gondomar, Ricardo Bexiga.

Estas afirmações, não seriam tão preocupantes, se a mediática magistrada não tivesse por hábito enfatizar as supostas incompetências, tanto da procuradoria como da PJ do Porto, que lhe antecederam nas investigações, de forma a levar-nos a deduzir que se o processo tivesse sido orientado de início pela sua equipa, não teria sido arquivado.

Modéstia e contenção - tão reclamadas nestas situações - é coisa com a qual a senhora procuradora convive mal, o que lhe confere exagerada presunção quanto às suas próprias capacidades. Nem a recente "escorregadela" do actual Director Nacional da Polícia Judiciária (também ele do Porto) por ter admitido alguma precipitação no caso "Maddie" bastou para a senhora procuradora se conter e resistir à tentação de se pronunciar sobre um processo, do qual, ao que parece, esperaria um outro desfecho.

Agora, vamos lá ver se neste caso as donzelas do costume saem a terreiro a exigir a demissão desta idolatrada (pelas famílias de cores garridas) "dama de ferro", porque estas declarações, na minha opinião, são bem mais insinuantes do que as de Alípio Ribeiro.

O que começa a tornar-se grave, nas declarações públicas de M. José Morgado, é a imagem de menoridade que implicitamente vem dando da Instituições do Porto (Procuradoria e PJ), o que não deixa de se estranhar, tanto mais que em matéria de celeridade e eficácia de investigação criminal as equipas que acompanharam os processos "Casa Pia" e "Maddie" não foram propriamente um exemplo e, que conste, não são do Porto...

Senhora Procuradora: nós queremos que se faça Justiça, mas fale-nos um pouco mais dos casos "Casa Pia" e "Maddie". Ambos continuam em branco. Ambos, contribuiram para a destruição da vida de crianças e ainda não há julgamento, nem castigo.

07 fevereiro, 2008

Mas que Júdic(e)oso...

Esta crítica do antigo bastonário da OA, José Miguel Júdice, ao actual, A. Marinho Pinto, apesar de politica e corporativamente (in)correcta, tem duas grandes virtudes:

1º. mostra-nos um dos (muitos) rostos de quem odeia a mudança, e de quem quer - à custa de lugares comuns, opacos e bolorentos - manter tudo como está (e está péssimo).

2º. indentifica-nos com mais clareza, um dos "alvos" da nossa desconfiança...

A falta de vergonha


O general que dirige o Observatório de Segurança alerta para a chegada de uma explosão social e para a ocorrência de movimentos de cidadãos insatisfeitos

O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.

É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).

Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.

O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.

Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor.

Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.

Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em D.R.

Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.

Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.

Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.

É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.

Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.

É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!

Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos.

Garcia Leandro

Com estes portuenses o Porto é Porto, o resto, é "espionagem"

O meio ministério da Inovação (a outra metade é da Economia), inventor desse incomparável provincianismo consubstanciado no Allgarve, brindou-nos com nova campanha de promoção turística.
Segundo li, o objectivo é "vender Portugal como a Costa Oeste da Europa". Ou, traduzindo "The West Coast of Europe". A ideia, produzida pelas mentalidades típicas da capital que há um século e meio nos coloca na cauda da Europa, é sofisticada o país da modernidade e da mudança até é capaz de alterar a geografia. Redesenhar os mapas. Basta de sermos um país do Sul. Daí são a Espanha, a Itália e o Chipre (e por que não a Croácia, Malta, a Albânia?).

Sendo maus alunos de Geografia, estão obviamente confundidos: querendo, porventura, significar mediterrânico, esqueceram-se do Sul de França. Abaixo, pois, o Sul! Os países do Sul são atrasados, digo eu. "Temos de sair do Sul", escrevia o responsável pela Campanha, acrescentando que o Oeste, onde o país foi geoestratégica e turisticamente reposicionado, é o "símbolo do desenvolvimento e da democracia". Além de mudarem a geografia, os transformadores da realidade alteraram a História.

O símbolo da Democracia de que falam não é a civilização grega, porque do Sul, e o desenvolvimento não são os países do Norte da Europa, o Canadá ou os States. Nada disso. A Oeste. Reformule-se, portanto, tudo quanto pensávamos.

Mas o mais espampanante é a escolha dos novos símbolos da portugalidade. Os nossos ícones. As imagens de marca que nos representam Cristiano Ronaldo, Mourinho, Mariza, acompanhados de et ceteras que, salvo a Vanessa Fernandes, ninguém conhece. Nem de vista nem de ouvido - gente certamente escolhida pela proximidade da capital.

Para aumentar o pendão internacionalista, as fotografias - como nesta Costa Oeste não há fotógrafos - são de um estrangeiro (by Nick Night, dizem os enormes painéis ou outdoors com que o Terreiro do Paço inundou as capitais europeias, levando-lhes a luz da sua Civilização - novo farol do Ocidente, perdão, da West Coast).Como temos de sair do Sul, custe o que custar, nem que seja desmantelando o espírito do país, alteraram também as cores que o representavam. Portugal já não é verde, vermelho, ocre, rosa (havia um chamado "rosa Portugal", para esta gente parolo e reaccionário), amarelo, castanho. Já não é sol, nem luz, nem Sul. Agora é azul (desmaiado) e branco. É nórdico. Além da Califórnia (The West Coast, mas com dois milhões de pobres), os transformadores querem-nos da Finlândia, dos gelos e neves. Desmaiados.

Somos portanto nórdicos, mas sem a Nokia ou a Ikea e apenas com os despojos de um país que substitui Camões, Garrett, António Vieira, Verney, Gama, Cabral, Ribeiro Sanches, Magalhães, Eça, Pessoa, Vieira da Silva, Saramago e muitas mais inutilidades. Um país que está a ser transformado em sucedâneo de si próprio, representado por futebolistas, fadistas e etc..

À cultura e à História sucede o pontapé, a corrida, a estratégia da bola e o gorgeio plangente. Decididamente, a capital do centralismo só nos dá anedotas depois de, através do mais monumental tiro no pé da incompetência mediática, ter feito eleger como o grande, o maior português, um ditador que compôs as finanças, mas nos fez atrasar décadas em relação ao Mundo, lança agora, como estratégia de afirmação, um país virtual, estranho a tudo quanto somos.

O pior é que, além de utilizar os outdoors para poluir a paisagem e a Imprensa lá de fora, dando de nós a imagem de um Sul parolo a fingir que não é, esta campanha cobriu, de alto a baixo, um dos mais belos edifícios do Porto o Paço Episcopal. A nobreza barroca, a elegância talvez nasoniana daquele magnífico monumento, viu-se travestida com os retratos do Cristiano Ronaldo e da Mariza (sem menosprezo por eles, que não têm culpa destas mirabolâncias de quem tem posses para comer sardinha e quer passar por comer lagosta).

Lá do céu, onde paira, o notável bispo D. João Rafael de Mendonça, cujo amor à arte impulsionou a construção do Paço, a estas horas, deve estar a comentar aturdido para os anjos que o rodeiam: "Meu Deus! No que este país está a transformar-se!"

Quanto ao resto, por mim, que sou nortenho e, para o que vejo, conservador e nunca me senti inferiorizado no Atlântico Sul, prefiro Camões e um outro Portugal a este que nos tentam impingir.

PROCURADORIA CENTRALISTA

Pinto da Costa, foi ontem primeira página do JN (cuja informação vem revelando perigosos sintomas centralistas) com o anúncio "folcolórico" de mais 3 anos de "animada" investigação.

Hoje, é isto que "anima" o JN, sem preocupações aparentes com acontecimentos bem mais graves, ocorridos com adeptos de clubes de Lisboa, como foi o caso da navalhada benfiquista a um adepto do Vitória de Guimarães, ou com os incidentes no estádio da Luz provocados pelas claques benfiquistas que atiraram novamente tochas para o relvado onde permaneciam crianças.

Parece que a procuradoria descobriu no Porto um tónico para se recompor das suas próprias asneirolas, ciente que está do lado onde está a força (e o poder), que continua a ser a capital. Mas, se for assim, não está a mostrar a imparcialidade exigível às suas funções, acabando por ser cumplíce pelo estado pré-caótico que o país atravessa.

06 fevereiro, 2008

Será para aumentar o ordenado de Constâncio?

Os bancos preparam-se para nos cobrarem 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM .

Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta .. Este "imposto" (é mesmo uma imposição,e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.

Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.

Já vai para cima de 100 000 !!!

http://www.PetitionOnline.com/bancatms/

04 fevereiro, 2008

"Porto Cidade Região”. E a informação?

Segui com natural interesse e razoável expectativa o 3º Encontro Porto Cidade Região, uma muito louvável iniciativa da Universidade do Porto que assim assume o seu insubstituível papel de catalizador de reflexão e de procura de novos caminhos para o desenvolvimento regional.

Teremos naturalmente que esperar pela redacção das suas conclusões para uma percepção clara do peso que algumas extracções entretanto feitas pelos órgãos de comunicação social terão no relatório final, desde logo o relatado consenso à volta da necessidade da Regionalização que, com a completa conversão de sectores anteriormente renitentes, como é o exemplo de Rui Rio, daqui só pode sair reforçada.

O que motiva este meu impulso para intervir no espaço público é a ausência deste encontro de um tema que penso incontornável, quer pensando no desenvolvimento económico e social strictu sensus da região quer na Regionalização: o da informação/comunicação social.

Tenho a certeza de que é um sector absolutamente estratégico, custa-me perceber que ele não tenha estado no centro das reflexões deste considerável conjunto de “massa crítica” reunido para debater o futuro regional, o nosso futuro.

Dois vectores, entre outros, possíveis de avocar para perceber a importância da informação/comunicação para o desenvolvimento regional.
A identidade. A comunhão de interesses, a proximidade social e uma definição cultural mínima são pontos centrais para se ganhar a opinião pública para um projecto tão estrutural e ao mesmo tempo polémico como é a Regionalização. Explicar as vantagens económicas e sociais da constituição em Região, relevar o conjunto de características e de costumes que unem as populações e aprofundar a cultura que faz a diferença com outras regiões não podem deixar de ser objectivos dos defensores do processo político que levará até à Regionalização (com ou sem referendo).

A propriedade e os conteúdos: Em que terreno se fará esta autêntica batalha ideológica em prol da Região Norte? Claramente na comunicação social. E quem domina a comunicação social, na sua propriedade na opinião publicada? Não são claramente adeptos da Regionalização ou sequer de uma descentralização políticio-administrativa minimamente séria.

Este tem sido um terreno (a par do sector bancário) em que o centralismo nunca facilitou.

Desde a atribuição das rádios regionais, com a derrota da Rádio Nova em favor de uma Rádio Press que não passou de um instrumento para chegar ao que é hoje a cadeia TSF, que nunca cumpriu o espírito de uma Lei que na sua origem apontava para a existência de uma emissora regional (onde está ela?); passando pela privatização do “Jornal de Notícias”, primeiro negado ao comendador Gonçalves Gomes que quis comprá-lo e de pois literalmente “roubado” à cooperativa dos seus jornalistas que tinha o apoio do Grupo Amorim; pela atribuição das licenças de TV privadas, com a Sonae a ser preterida em favor da Igreja, que depois, como era previsível, não aguentou o projecto e passou-o a terceiros; o fecho da NTV, em que a opção política se sobrepôs claramente ao interesse regional; com a recente venda do conjunto de publicações do grupo Lusomundo em que uma vez mais a Sonae ficou para trás…

E se formos aos conteúdos, onde está a expressão regionalista nas colunas ou nos espaços opinativos das rádios e das televisões? Contam-se pelos dedos os colunistas claramente comprometidos com opções regionalistas e a muitas vezes acantonados em edições locais… Passemos mentalmente em revista jornais, rádios e televisões nacionais (é claro que o conceito “nacional” se confunde com sede em Lisboa) e é fácil concluir que o Porto e Norte estão esmagadoramente arredados desses espaços e as poucas excepções a este 3º Encontro Porto Cidade Região,ostracismo estão confinadas ao futebol ou a programas de entretenimento fora dos horários nobres.

E lembremos o que foi acontecendo com as em tempos poderosas delegações do “Expresso” ou do “DN”, ou das hoje inexistentes representações institucionais do “Semanário” ou do “Sol”; da não surpreendente falta de peso nos noticiários nacionais das delegações da SIC ou da TVI e mesmo da incerteza do que será a produção informativa da RTP (seja para a “N” ou para os jornais nacionais)… O “Público” é um jornal com natural vocação nacional com espaço reduzido para a informação local ou regional e o “JN”, com o respeito devido ao seu êxito comercial, perde-se entre o seu mercado natural (regional) e uma ambição nacional que o próprio mercado se vai encarregando de negar todos os dias (já agora, será natural que o actual paradigma do jornal do Norte esteja em simultâneo desavindo com o presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto e tenha tão “má consciência” em relação ao FC Porto?).

E a questão que fica para os intervenientes no 3º Encontro Porto Cidade Região é simples: em que meios vão ter espaço para explanar e expor consistentemente as suas ideias? Não foi o Norte pujante quando tinha o “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” interventivos, sem complexos e claramente ao serviço da população do Porto e da Região? No preâmbulo da República, durante o Estado Novo ou no “Verão Quente” foi nas suas páginas que as principais figuras portuenses encontraram espaço para a sua opinião e para as sementes da mudança ou da resistência.

Em que jornal, rádio ou televisão não é preciso mendigar espaço para defender a Regionalização ou ser “politicamente incorrecto” para com o centralismo? E as autarquias? As suas iniciativas, o seu dia a dia, que é o do cidadão comum, não merecem espaço digno, mais do que as parcas colunas das “Regiões” ou da “Província” onde sai arrumadas para não parecer mal?
O exemplo da comunicação social regional por toda a Espanha devia ser um exemplo e uma prova da vitalidade de projectos absolutamente viáveis e, repito, indispensáveis à afirmação regionalista.
Rogério Gomes
(texto publicado no Local/Porto do "PÚBLICO" de 01.02.2008

NOTA:
considero este tema da "Comunicação Social/Informação" sempre actual e pertinente. É, um dos principais responsáveis pela perda de protagonismo do Norte do país e do Porto, a nível nacional e internacional.

Em todos os espaços de debate público em que participei, nunca deixei de enfatizar este problema, por ter estado sempre seguro do pêso e da influência que teve na decadência social e económica da região.

Por isso, não me entusiasmo por aí além, com as benfeitorias empresariais dos Belmiros e dos Amorins, que descuraram completamente este "furo" na economia local e não lhe souberam dar o "combustível" (capital /autonomia) e o apoio exigíveis...

Joaquim Oliveira, um "homem do Norte", fê-lo, mas para seu próprio proveito na direcção errada, com a maioria das sedes e dos centros de decisão das suas empresas de comunicação reforçados em Lisboa. Por aqui se comprova, que a iniciativa privada não é de todo remédio garantido, quando o Estado é doente.

Ontem, como hoje, o carácter dos homens é a melhor garantia de sucesso para as grandes causas , a única que realmente conta. Nem a iniciativa privada, nem o Estado contam para grande coisa se despojados de ideais.

Rui Valente