18 dezembro, 2010

Tiros nos pés

Como nota prévia, declaro que não faço parte daqueles que embirram com a PSP e com todo e qualquer elemento dessa força policial. Eu, pelo contrário,genericamente penso bem dessa corporação, reconheço a sua utilidade, a dificuldade da sua missão, os perigos que frequentemente correm os seus agentes, e o quanto são mal pagos. Olhando umas dezenas de anos para trás, vejo como mudou a imagem física do polícia. Nesse tempo eram normalmente uns "tacos de pia", barrigudos, de bigode façanhudo, boçais e incultos. Hoje são a antítese desta descrição, mas curiosamente a mentalidade dos seus dirigentes parece não ter acompanhado a transformação física, mantendo-se numa espécie de escuridão medieval.

Vem isto a propósito da anunciada intenção de os municípios do Porto e de Lisboa transferirem para as respectivas polícias municipais a responsabilidade da fiscalização do trânsito nas suas áreas.

Não sei o que se passa em Lisboa, mas conhecendo a realidade do Porto só posso aplaudir esta intenção, e a razão é simples, pois a acção da PSP neste campo, define-se por uma única palavra: VERGONHOSA. E vergonhosa sobretudo pela sua ausência, reveladora de incúria e desinteresse totais, propiciando o caos vergonhoso em que se transformou o estacionamento, selvagem e abusivo, em todos os locais e a todas as horas.

Este é um mal geral mas permito-me destacar, como mero exemplo, o que se passa à volta do hospital de Sto. António. Estaciona-se abusivamente em frente à escadaria da entrada principal, dificultando a movimentação daqueles que pretendem aceder ao hospital, e quantas vezes também impedindo a passagem dos eléctricos. Estaciona-se em tudo que é passagem para peões, incluindo nos passeios do jardim do Carregal. Estaciona-se até no espaço reservado às ambulâncias, obrigando-as a esperar os seus doentes na via pública. Este é um espectáculo que tenho observado diariamente durante semanas e meses, e que continua e continuará perante o desinteresse da secção de trânsito da PSP.

Os exemplos da permissividade duma autoridade que é suposta fazer cumprir a lei mas que tem uma interpretação sui generis desta obrigação,estendem-se por todo o Grande Porto, mas gostaria no entanto de eleger, como símbolo da inércia policial, o que se passa junto à esquadra da PSP instalada no edifício do Norteshoping. Aí, bem em frente da entrada da esquadra e a uns 20 ou 30 metros de distância, diariamente estacionam carros irregularmente, incluindo em cima das "zebras" pintadas no chão ( serão carros dos próprios agentes?) na maior impunidade. Parece que não é somente nos desenhos animados que os ratos vêm comer o queijo nas barbas dos gatos!

Em face do deprimente espectáculo levado à cena diariamente perante os habitantes desta desgraçada cidade e seus visitantes, penso que não pode senão aplaudir-se a anunciada intenção do Porto e de Lisboa, e por uma simples razão: pior do que está, não pode ficar, e alguma coisa tem de ser feita.

Em consequência penso que é necessária uma grande lata e uma enorme dose de má-fé para um sindicato dos oficiais da polícia, corroborado posteriormente por uma individualidade da direcção nacional da PSP, vir afirmar publicamente a sua oposição, com a alegação de que os municípios apenas pretendem ficar com o dinheiro das multas!

Penso que declarações deste jaez só descredibilizam quem as profere. Lamentável que a PSP, que precisa de credibilizar-se, acabe por dar tiros nos próprios pés.

17 dezembro, 2010

Que reste-t-il de nous amours - Nolwenn Leroy & Patrick Bruel




Versão original: Charles Trenet

Carlos Pinto Coelho, o senhor "Acontece"

CARLOS PINTO COELHO
Sou pouco dado a unanimismos, sobretudo quando promovidos pela máquina de propaganda centralista. Um dos inumeráveis defeitos do regime centralista é o de alienar muito mais e por motivos  óbvios, os poucos que dele beneficiam, do que a imensa maioria a quem prejudica.

Se a fonte do mal centralista vem de Lisboa, a tendência natural dos habitantes das regiões afectadas pelo seu sorvedouro, é criarem anti-corpos contra os lisboetas. Dirão que é uma reacção injusta. Talvez, mas é natural. Tão natural, como o conformismo dos lisboetas em relação às injustiças do centralismo para com o resto do país. Conformismo, e uma crónica falta de solidariedade, ensurdecedoramente silênciosa...

Feita esta pequena introdução, gostaria de manifestar publicamente os meus sentidos pêsames pela morte [ontem] de Carlos Pinto Coelho por duas singelas razões. A primeira, por ter conhecido e privado com a sua mãe D. Sara, nos tempos em que vivi em Lisboa. A D. Sara era uma fantástica comunicadora, uma mulher de ideias arejadas muito avançadas para a sua idade. Era uma apaixonada pelo teatro e, como atrás escrevi, uma pessoa com quem dava gosto conversar horas a fio.

A segunda razão, é por considerar Carlos Pinto Coelho um jornalista de uma classe invulgar, completamente descontextualizada do jornalismo voyer e intriguista que agora se faz.

O Mundo não é perfeito, apesar disso, custa-me saber que à sua volta gravitavam "amigos" que nada tinham a ver com ele. Mas, a vida também é feita destes desencontros...

16 dezembro, 2010

À atenção da nossa classe política e empresarial...

Na sétima greve geral da Grécia este ano, a violência tomou conta das ruas de Atenas quando os manifestantes entraram em confrontos com a polícia. Carros incendiados e até um hotel em chamas e vários feridos é o balanço da violência que se prolongou por mais de uma hora na capital grega.



Alguns manifestantes arremessaram cocktails molotov e pedras e paus contra a polícia, que respondeu com gás lacrimogéneo e bastonadas contam os relatos das agências de notícias.

O número de manifestantes, que gritavam por revolta nas ruas contra as medidas de austeridade do Governo, não é certo. A BBC News cita uma fonte policial que indica 15 mil pessoas. A agência Reuters avança com 40 mil manifestantes. Isto no dia em que o parlamento aprovou mais medidas de contenção e cortes de despesa para conseguir uma ajuda estimada em 110 mil milhões de euros do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia.

Cerca de 200 manifestantes à porta do parlamento grego chegaram mesmo a agredir um antigo ministro conservador Kostis Hatzidakis que, segundo relato da Reuters, teve de se refugiar num edifício nas imediações.

Voos cancelados, escolas, portos, ministérios e portos fechados e a rede pública de transportes paralisada foram outras consequências desta greve. Os jornalistas também se juntaram impedidno muitos órgãos de comunicação social de funcionar.

“A ira é tão grande que ninguém a pode parar. Isto é só uma amostra do que poderá acontecer depois da época de festas”, disse à Reuters Ilias Iliopoulos da associação ADEDY, grupo que luta contra formas de exploração no trabalho. Segundo a ADEDY a marcha de protesto de hoje foi maior que uma outra em Maio que juntou 50 mil pessoas.

Anastasia Antonopoulou, 50 anos, é professor e juntou-se à marcha: “Sou professora e a maioria dos pais dos meus alunos estão desempregados”, disse.

[Fonte: Público]



15 dezembro, 2010

O rosto do centralismo travestido de cineasta/comentador desportivo

António Pedro Vasconcelos [vestido à PIDE]
A foto ao lado é uma imitação ridícula do Hercule Poirot lisboeta, patético e complexado. Como sabem, Poirot foi um detective privado, criado pela talentosa escritora britânica Agatha Christie que se tornou conhecida na  produção de novelas policiais.

Ao contrário da escritora, cuja fama atingiu níveis de popularidade internacionais, esta criatura esguia e de aspecto cadavérico, só conseguiu ter alguma visibilidade em Portugal como cineasta porque o Estado centralista tudo fez, e continua a fazer, para lhe dar algum protagonismo com subsídios e apoios de toda a espécie. 

Curioso, é reparar que António Pedro Vasconcelos, apesar de ser um ilustre desconhecido em termos internacionais, se sente muito confortável a criticar o vetusto cineasta Manoel de Oliveira, como se ele próprio estivesse a um nível superior, desprezando o reconhecimento internacional e os inúmeros prémios recebidos pelo realizador portuense em vários festivais de cinema. Mas, agora que o Estado, através da RTP, nos deu a oportunidade de o conhecer melhor em sectários  Trios de Ataque,  será caso para nos admirarmos?  Não, não é, mas o que é demais é moléstia.

António P. Vasconcelos exibe perante as câmaras da televisão tudo aquilo que há de pior na sociedade portuguesa: a inveja e a falta de carácter. De facto, basta consumir alguns minutos para apreciar o seu comportamento no referido programa e perceber que ali não se discute, exactamente e só, futebol, dita-se o centralismo, com capital em Benfica. E para isso, vale tudo, até queimar autocarros!

Quem, por presunção intelectual, ou simples vaidade, continuar agarrado à ideia de que o futebol é um mundo menor, distinto do resto da sociedade, fará mal se não dedicar algum tempo a observar este tipo de programas pois isso poderá ajudar a compreender outros fenómenos de prepotência e discriminação que a política ainda consegue mascarar. Na RTP, como noutros canais sediados em Lisboa, aqueles programas onde seria suposto debater-se o futebol - o desporto dilecto dos portugueses -, o que se discute resume-se a um assunto:  arbitragens.

O espectador incauto [ingénuo, ou futebolisticamente inculto] poderá até admitir que esses desvios programáticos em que subitamente  a nomenclatura se desajusta do conteúdo, deixando portanto de fazer sentido , se devem apenas à incompetência de quem os concebe e dirige, mas é aí que está o engano. Os crónicos desvios temáticos destes programas [Trio de Ataque, na RTPN, Dia Seguinte, na SIC e Prolongamento, na TVI24], são intencionais de acordo com as circunstâncias, isto é, afastam-se sistematicamente da componente técnico-desportiva, para a componente das arbitragens, quando o centralismo representado pelo Benfica começa a perder terreno [pontos] em relação ao seu inimigo visceral da  "província", o Futebol Clube do Porto. O fenómeno é recorrente e tem a cobertura activa do regime.

Só que, este miserável cenário é suficientemente sofisticado, porque na aparência é democrático... De facto, cada clube, dos três mais populares, tem o seu representante que teoricamente dispõem de "toda" a liberdade para o defenderem, só que as coisas não são exactamente assim. No programa Trio de Ataque [e nos outros é a mesma coisa], o pivôt está nitidamente instruído para dar mais protagonismo ao representante do Benfica que ultrapassa sempre o tempo de antena que é concedido aos outros dois participantes. Além de que, interrompe constantemente os seus interlocutores vitimizando-se exactamente para disfarçar os excessos e poder voltar a falar logo a seguir. Nisto, o detective/cineasta falhado, é exímio. Mas é exímio porque tem a conivência do pivôt, que por sua vez está mandatado pelo seu director para dar lastro a esta discriminação em nome do glorioso clube do absolutismo!

Por isso, o cineasta subsídio-dependente faz o que lhe dá na gana. Insinua, difama, provoca, mente, envenena, contradiz e insulta impunemente. Enfim, tem as costas quentes, porque  sabe que lá no fundo, o Estado com todos os seus representantes incluídos,  é o seu grande mestre e protector.

13 dezembro, 2010

Separar o trigo do joio na política

Ao contrário do que poderá parecer, não olho para a Regionalização com os mesmos olhos que o doente olha para o remédio, apenas a defendo convictamente por me parecer que a proximidade do cidadão com o poder simplifica não só o seu controlo, como permite melhores desempenhos a quem governa. O centralismo, isso sim,  será sempre o problema, nunca a solução. S e g u r a m e n t e. Só o senhor  1º. Ministro e o respectivo Governo é que ainda "não perceberam" o que se está a passar, porque embora em teoria "defendam" a Regionalização, na realidade, não a querem, como aliás se pode facilmente comprovar pelas decisões que vão tomando.

A minha preocupação em relação ao futuro político do país já se libertou dos dogmas que nos andaram a impingir durante anos,  que afinal de contas só serviram para nos estupidificar e para facilitar a vida a todos aqueles que, à sua sombra, se governaram melhor a si mesmos que governaram o país. Palavras como Democracia, Justiça, Humanismo, na prática, não correspondem em nada ao que os dicionários traduzem, visto que suas excelências os senhores políticos trataram de as desvirtuar sempre a pretexto de qualquer interesse "superior".

Por essa razão - que não me parece fútil - é que, independentemente de qualquer programa político, ou ideologia - como agora alguns gostam de dizer -, a minha primeira preocupação enquanto cidadão, é saber como, e com que solidez os futuros governos [regionalistas ou outos] estão dispostos a olhar para a autoridade, assim como para o oportunismo que tanto tem minado a credibilidade da política e da sociedade! A meu ver, é esse o maior obstáculo ao progresso da boa governação. A autoridade tornou-se escrava do autoritarismo, por isso é frágil.

Qualquer partido, novo ou antigo, que continue a assobiar para o lado face a este cancro terrível que consiste em não querer perceber que a autoridade e a Lei são imprescindíveis a uma sociedade futurista, que não devem ser manipuladas ao menor obstáculo, não terá sucesso. Se quisermos  devolver o devido significado às palavras e dar-lhes o sentido correcto, só há um caminho a seguir: é respeitá-las e não brincar demais com elas.

Um país que muda de Leis como quem muda fraldas de criança, não é um país para levar a sério e os seus defensores devem ser olhados com desconfiança pelos cidadãos. Só mexe frequentemente na Lei quem não tenciona respeitá-la. As pessoas já se habituaram [mal, quanto a mim] a conviver com os escândalos dos políticos, de os ver saltar da política para a administração de bancos privados e de grandes empresas, e esse é um hábito que é preciso perder. A política deve ser para os políticos, o empreendedorismo para os privados. Essa teria de passar a ser a ordem natural das coisas. Mas não esperemos que sejam eles próprios, os que já estão a gozar dessa privilegiada flexibilização a inverter esses hábitos porque como diz o ditado "as ovelhas não se tosquiam a si mesmas"! Pergunte-se, por exemplo [só dois,  mas há centenas deles], ao Jorge Coelho, ou ao Dias Loureiro, se concordam com estas ideias e podem ter a certeza que dizem que não. Como não, se elas colidem com a forma enviesada como eles decidiram singrar na vida? Foram para a política, não por uma opção determinada de servir o país, mas apenas para encurtarem o caminho que os pode conduzir à riqueza. Estes paradigmas não devem mais continuar a ser avaliados pelos cidadãos eleitores como normais, porque fazê-lo, é contribuir para a subversão das responsabilidades e dos próprios valores.

Estou por isso curioso de saber o que é que nesta matéria - que para  mim é fundamental -, vamos ouvir nos próximos jogos eleitorais. Pressinto que lhes vai passar ao lado, porque os bufos da antiga PIDE ainda não morreram. Servem também hoje de rótulo àqueles que não convivem bem com a corrupção e a querem denunciar...mas não é bem a mesma coisa. Ou será?

Carta aberta à ministra da Cultura

No dia 29 de Novembro, uma segunda--feira, tive a oportunidade de reunir com a Administração e Direcção Artística do Teatro Nacional de S. João (TNSJ), em conjunto com vários deputados do PSD eleitos pelo distrito do Porto. O objectivo desta reunião era tentar perceber a razão de ser da fusão do TNSJ no Organismo de Produção Artística (Opart).

Como preparação para a reunião que íamos ter, fui tentar perceber o que era o Opart. Percebi que gere o Teatro Nacional São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, em Lisboa. Percebi que tem um orçamento a rondar os 19 milhões de euros. E por fim percebi que dava prejuízos sucessivos há mais de três anos, tendo o prejuízo de 2009 sido de mais de 700 mil euros de resultado líquido negativo.

Este é o retrato, ainda que simplista, do Opart.

Já olhando para o TNSJ, a Administração tem sob a sua alçada, para além do TNSJ, mais dois equipamentos: o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de S. Bento da Vitória, em Santo Tirso. O TNSJ tem um orçamento a rondar os 4,9 milhões de euros anuais, 25% do orçamento do Opart, para gerir três equipamentos culturais. O TNSJ cumpre os seus orçamentos à risca. E não dá prejuízo.

Este é o retrato, em termos comparativos com o anterior, do "nosso" TNSJ.

Mas o TNSJ é muito mais que mera aritmética.

Tem uma taxa de ocupação média dos seus espectáculos acima dos 70%, tendo um crescimento sustentado de espectadores todos os anos. Tem vários projectos em comum com grupos de teatro do Porto e do Norte. Tem encetado projectos comuns com a Orquestra Sinfónica do Porto, entrando em simbiose com outro grande equipamento cultural do Porto e do Norte do país, que é a Casa da Música.

Em suma, o TNSJ, é um dos grandes esteios da política cultural de toda a Região Norte, extravasando em muito a delimitação geográfica da cidade do Porto.

A sua integração numa macroestrutura centralizada em Lisboa, com vícios despesistas comprovados por anos de prejuízos sucessivos, como é o caso do Opart, nada mais fará que deitar por terra mais de 15 anos de trabalho da instituição TNSJ, arrojada na promoção cultural, e rigorosa na gestão da coisa pública.

A ministra da Cultura argumentou com poupanças que rondam os dois milhões de euros, resultantes da integração do TNSJ e do TN D. Maria II no Opart. Ora, ninguém consegue explicar de onde nasceram estes números. Tanto quanto nos foi até agora dado a entender, nascem da imaginação, fértil e generosa, de alguém no Ministério da Cultura, não tendo qualquer aderência à realidade.

No fim do dia, números à parte, e de forma objectiva, o que temos aqui é mais um exemplo da conhecida, e indisfarçável, tentação centralista deste governo socialista.

Sr.ª Ministra da Cultura, se quiser, reduza a modesta dotação orçamental que atribui todos os anos, que nós por cá nos arranjamos. A isso, infelizmente, já estamos habituados. Mas não destrua 15 anos de trabalho de promoção cultural, numa cidade e numa região, tão carentes de oferta pública e privada nesta área.

Por isso, peço-lhe humildemente, mas sem rodeios: deixe o Teatro Nacional de São João em paz!

[Luís Menezes, JN]

O Porto não vive sem reabilitação

O Porto só se manterá vivo se conseguir preencher o espaço vazio desse grande donut em que a cidade se transformou com a progressiva mudança de habitantes para uma periferia mais económica e pintada de fresco. Rui Moreira sabe que o repovoamento da cidade é uma causa política, imprescindível para que o centro histórico deixe de ser o que é: um monumento decrépito e, ainda por cima, oco. Espera-se, e acredita-se, que a escolha de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto há quase dez anos, para a presidência da Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana, em substituição de Arlindo Cunha, se traduza em maior dinamismo numa tarefa absolutamente crucial para o futuro da cidade.

A SRU tem entre mãos a recuperação de 32 quarteirões, a maior parte dos quais, como não poderia deixar de ser, na zona histórica do Porto, aquela que mais importa reabilitar, e cuja conclusão mudará a fisionomia da cidade. Mas o lento trabalho de reabilitação da SRU, quarteirão a quarteirão, está particularmente vocacionado para responder à procura de investimento de grandes empresas, interessadas na compra e recuperação de grandes áreas. O cidadão que individualmente recorra à SRU na tentativa de encontrar ajuda na procura de uma casa da zona histórica para recuperar é recambiado para as mesmíssimas imobiliárias às quais é possível aceder através de um anúncio num jornal ou de um classificado na Internet. E corre igualmente o risco de não ser informado sobre algumas das regalias que existem para quem adquira casa no perímetro de intervenção prioritária da cidade, que tanto podem implicar a devolução ou o reembolso do IMI ou do IMT, pela simples razão de que é insuficiente a articulação entre os serviços camarários e a SRU. E a reabilitação urbana mais visível na cidade foi a que resultou da intervenção da Porto 2001 ou da reabilitação individual, casa a casa, que acabou por ter um efeito mimético em algumas ruas, como aconteceu, quando os terrenos eram bem mais acessíveis, na Rua do Bonjardim, junto ao Marquês.

Como PSD e FCP não têm falta de interessados nas candidaturas à presidência da câmara e do clube, Rui Moreira pode ser bem mais útil à cidade. Se há algo de verdadeiramente estratégico para o Porto, aparentemente na moda, ao ponto de figurar como sugestão de luxuoso fim-de-semana na superexclusiva How to spendt it do Finantial Times, é a sua reabilitação urbana, histórica e cívica.

[Amílcar Correia, Público]

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Quem tomar conta do lugar agora deixado vago na Porto Vivo, seja Rui Moreira ou outra pessoa qualquer, terá incontornavelmente de se convencer que acima de todos os projectos de reabilitação urbana, tem de estar o cidadão residente.

É só com a sua inclusão massiva, mas criteriosa, que a cidade pode sair do estado comatoso a que chegou. Desiluda-se quem se contentar com as galerias e movidas nocturnas. A cidade tem que pulsar de vida também durante o dia, e é da mais imperiosa urgência acabar com o aspecto ruinoso e desolador que muitas casas ainda apresentam.

É triste percorrer as ruas do centro do Porto em pleno dia. As poucas e avulsas casas recuperadas passam despercebidas. 

Rui Valente 

10 dezembro, 2010

Neil Young - Heart Of Gold

Rui Moreira desejado para a "Porto Vivo"


RUI MOREIRA
 Arlindo Cunha pede demissão da sociedade de reabilitação urbana do Porto para gerir ComissãoVitivinícola do Dão

Arlindo Cunha deverá ser substituído por Rui Moreira na presidência da sociedade de reabilitação urbana "Porto Vivo". Esse foi o nome indicado ao Governo pela Câmara do Porto, na sequência da saída do ex-ministro para dirigir a Comissão Vitivinícola do Dão.

O pedido de demissão de Arlindo Cunha foi formalizado ao presidente da Câmara do Porto, após ter tomado posse, a 4 de Novembro passado, como sucessor de Valdemar de Freitas na gestão da Comissão Vitivinícola do Dão, com sede em Viseu.

Mas há muito mais tempo que o ex-ministro da Agricultura e das Cidades, que dirigia a sociedade de reabilitação urbana "Porto Vivo" desde 2004, andava a avisar Rui Rio sobre a eventualidade da sua saída.

"Já quando assumi o segundo mandato, disse ao presidente da Câmara do Porto que não me podia comprometer em ficar até ao fim, pois tinha outras actividades em mente", adianta, ao JN, Arlindo Cunha, garantindo que, no ano passado, tinha manifestado a Rui Rio o desejo de dirigir a Comissão Vitivinícola do Dão. Intenção reafirmada há cerca de meio ano, quando foi a única personalidade a candidatar-se às eleições disputadas a 30 de Setembro.

Assim que tomou posse, Arlindo Cunha formalizou o pedido de demissão da presidência da "Porto Vivo", assim o garante. "A minha demissão foi apenas decorrente desse compromisso já assumido com o presidente da Câmara do Porto", assegura, logo de seguida, o também ex-coordenador da região Norte, afastando qualquer polémica em torno da sua saída de uma entidade que dirigiu durante seis anos. Uma saída que só foi tornada pública, no início do mês, num seminário sobre sustentabilidade das operações de reabilitação urbana, realizado no edifício da Alfândega.

Perante a demissão de Arlindo Cunha, a Câmara do Porto já apresentou ao Governo uma proposta de substituição. Trata-se de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto. Contactado pelo JN, o empresário preferiu, para já, não fazer qualquer comentário sobre o assunto.

Arlindo Cunha, por sua vez, assegura que saiu, há um mês, com a convicção de que a "Porto Vivo", criada a 27 de Novembro de 2004, conseguiu criar na cidade "uma dinâmica irreversível" em termos de reabilitação urbana.

"Apesar da conjuntura económica dos últimos dois anos, conseguimos lançar uma dinâmica de reabilitação urbana. Se olharmos para a cidade, vemos que a reabilitação urbana é uma realidade incontornável", acredita o ex-ministro social-democrata, reforçando: "Essa dinâmica é irreversível".

Agora, Arlindo Cunha apenas pede que a "Porto Vivo", que tem uma área de actuação de mil hectares (equivalente a um quarto do concelho do Porto), continue as políticas de incentivo à reabilitação, tais como benefícios fiscais, apoios financeiros e iniciativas como a bolsa de imóveis ou a bolsa de projectistas e empreiteiros. "É importante que haja uma continuidade dessas políticas", diz.

Recorde-se que a sociedade de reabilitação urbana "Porto Vivo" foi criada, há seis anos, com o objectivo de "elaborar a estratégia de intervenção, actuar como mediador entre proprietários e investidores e, em caso de necessidade, tomar a seu cargo a operação de reabilitação". Tem nas suas mãos a reabilitação de 32 quarteirões da baixa do Porto, a maior parte dos quais situados na zona histórica.
[Fonte: JN]

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RoP

Caso Rui Moreira considere que tem condições para aceitar o cargo, acho que deve aceitar. Isso pressuporá avaliar os meios de que passará a dispor para fazer melhor do que o seu antecessor, que ao contrário do que afirma, fez muito pouco. O cargo tem tanto de excitante como de responsabilizante.

De Rui Moreira espera-se muito mais, porque tem uma imagem de credibilidade que não deve hipotecar. No caso de não lhe não lhe serem dadas as condições mínimas para realizar um trabalho sério e produtivo, então é preferível recusar o convite, porque pode ser um presente envenenado...

09 dezembro, 2010

Luís Filipe Menezes


Luís Filipe Menezes atingiu o princípio de Peter quando ascendeu a líder do PSD e cometeu a ingenuidade de silenciar a Regionalização,  metendo-a no baú das velharias, mal aterrou em Lisboa. Pagou assim, de forma inglória, a factura de não ousar continuar o rumo regionalista que até esse momento vinha mantendo, embora - como vem sendo comum a muitos "regionalistas" -, timidamente assumido. É no que dá o abuso da malabarice. As voltas de 180º na política nem sempre acabam bem, não é...

Apesar desta decepção, será justo reconhecer que Luís Filipe Menezes tem feito um trabalho notável à frente da Câmara Municipal de Gaia. Comparativamente com Rui Rio, tem competências que estão a anos luz  do autarca do Porto.

Luís Filipe Menezes é dinâmico e ambicioso. A sua ambição não parece condicionada por caprichos megalómanos de índole exclusivamente pessoal [como Rui Rio, por exemplo], e a prova disso é vê-lo empenhado em bulir com Vila Nova de Gaia. Ainda há poucos meses pudemos assistir à inauguração de um novo grande-hotel junto à marginal encravado no meio das velhas caves de vinho do Porto e agora, prepara-se para requalificar o centro histórico numa área de 20 mil metros quadrados!

Para além da diferença de personalidades, que é enorme, estranha é sabermos que ambos pertencem ao mesmo partido, facto que exclui à partida qualquer desculpa para Rui Rio de perseguição política pela parte do Governo Central[ista].

Rui Rio é notícia, quase sempre pelas piores razões. Entra em conflito com tudo e com todos, litiga, gasta os já parcos recursos financeiros camarários em processos jurídicos e - o que é significativo -, perde-os quase todos. Entretanto, a cidade definha, não renova, apesar dos esforços da sociedade civil. Não são [apenas] as galerias de arte de Miguel Bombarda, os bares, ou as movidas de fim de semana que vão resolver os problemas básicos da baixa portuense. A Baixa precisa, antes de tudo, de casas reabilitadas, de rendas acessíveis, para ter lá gente, que é o que lhe pode dar vida. E dinheiro.

O Rui Rio não votou sozinho em si mesmo. Todos os outros votos que o guindaram em má hora por 3 vezes consecutivas ao ponto mais alto do executivo camarário foram de portuenses e de pessoas que vivem no Porto.

Meus senhores, todos cometemos erros, mas por favor,  ponham a mão na consciência e vejam quantos anos a cidade do Porto teria progredido se lá tívessemos um Luís Filipe Menezes em vez de um contabilista conflituoso com mentalidade de merceeiro. Por favor, amem o Porto.  Se lhe querem mal, deixem-no!

08 dezembro, 2010

O último crédulo

Luiz Fernando Veríssimo, filho do grande escritor Érico Veríssimo, é provavelmente o maior humorista brasileiro vivo, por muito que não seja largamente conhecido em Portugal. Entre os personagens que criou, conta-se a velhinha de Taubaté, cidade do Estado de S. Paulo. Estava-se no tempo da ditadura militar - aliás no seu ocaso - e o " ditador de serviço" era o general Figueiredo, o tal que dizia "eu prendo e arrebento" em relação aos adversários de que não gostava.

A velhinha era uma senhora idosa, crédula, que vivia nessa cidade do interior paulista, sozinha com os seus gatos, e que tinha uma característica única : era o último brasileiro que acreditava nas afirmações do governo . Em consequência, ela era cuidadosamente monitorizada pelos Serviços Secretos, que transmitiam ao governo as reacções da velhinha. Por sua vez o governo, antes de qualquer dos seus membros fazer declarações públicas, tentava responder à pergunta " será que a velhinha vai acreditar nesta?". É que no dia em que a velhinha deixasse de acreditar no governo, era o fim!

Imagina-se a minha comoção quando por mero acaso descobri a existência de uma equivalente portuguesa da velhinha de Taubaté. Não consegui os detalhes da sua localização, apenas sei que vive algures na região saloia de Lisboa. Julgo até saber que a recente demissão do responsável pelos Serviços de Informação da República, se ficou a dever a divergências com o governo quanto à melhor forma de gerir o relacionamento com a velhinha.

Seja como for,o certo é que os Serviços de Informação verificaram que quando Sócrates explicou que tinha tirado o curso de engenheiro na Independente da maneira mais normal possivel, a velhinha nem por um instante duvidou. Quando afirmou que não estava envolvido no licenciamento do Freeport, a velhinha achou que só podia ser verdade, tal como no caso da Cova da Beira. Quando Sócrates disse que nada tinha a ver com as escutas da Face Oculta, a velhinha nem sequer pestanejou. Do mesmo modo quando Sócrates anunciou que a crise tinha terminado e que Portugal tinha sido o primeiro país a sair dela, a velhinha esfregou as mãos de satisfação. Idêntica alegria manifestou quando o governo lhe garantiu que não aumentaria os impostos.

Mas o problema surgiu agora, quando Sócrates anunciou que a política de educação que o seu governo vem implementando, é um êxito reconhecido em toda a Europa, que os nossos alunos "sabem mais", sendo que uma das provas é que a percentagem de reprovação (oops, perdão, de retenção) tem diminuido.

Aí, nem a velhinha acreditou, e todas as campainhas de alarme começaram a tocar em S. Bento. Reuniões de emergência do Conselho de Ministros vão realizar-se, para estudar como restabelecer a a confiança da velhinha e permitir a continuação de declarações oficiais que mostrem ao país que que tudo está sob controle.

O nervosismo reina nos gabinetes ministeriais. Se a velhinha voltar a acreditar, o país está salvo!

Promiscuidade lusa


Um indivíduo pode sorrir, sorrir, e ser um vilão

William Shakespeare




Um pouco de desprezo economiza
bastanta ódio
Jules Renard


O espírito de intriga inculca demérito nos intrigantes

Marquês de Maricá



A inveja é mais irreconciliável do que o ódio

François La Rochefoucauld 

LIPDUB - INDEPENDÈNCIA - CATALUNHA

07 dezembro, 2010

Há algo de podre no vale do Tua [in DN]

Há algo de podre no vale do Tua, e não é o fantasma do futuro a trazer um travo a esgoto das águas eutrofizadas da albufeira do Tua.

Há algo de errado quando um Estudo de Impacto Ambiental e um Relatório de Conformidade Ambiental de Projecto de Execução (RECAPE) afirmam numa base científica que a barragem vai ser desastrosa a nível regional e insignificante a nível nacional, mas a barragem avança.

Há algo de errado quando a Linha do Tua tem vindo a ser abandonada ou mesmo mencionada no caso Face Oculta, mas a culpa da má manutenção da via e estações é atirada como que para os próprios utentes que a utilizam. Há algo de muito errado quando um consultor da UNESCO afirma deslumbrado que a Linha do Tua tem todas as condições para ser considerada Património da Humanidade, reiterando o que disse o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Ifespar) sobre o seu valor patrimonial único, mas depois os ministérios do ambiente e da cultura (e depois o próprio Igespar) concluem que nem o vale nem a Linha do Tua têm valor patrimonial ou ambiental algum, arquivando com uma celeridade desconcertante o processo de classificação desta como Património Nacional.

Algo não está bem quando os comboios da Linha do Tua ficam sobrelotados de turistas, quando o Plano Estratégico Nacional de Turismo e o Plano Regional de Ordenamento do Território do Norte prevêem maravilhas turísticas para esta região, e quando um projecto de turismo ferroviário para a Linha do Tua fica em terceiro lugar num concurso nacional de empreendedorismo, e a CP e a Refer fecham as portas à sua exploração turística.

Algo de muito errado se passa quando com um projecto ferroviário de baixo custo se poria um madrileno em Bragança em duas horas, e nos debates havidos em Trás-os-Montes sobre desenvolvimento ninguém diz uma palavra sobre caminhos-de-ferro.

Muito mal vai o estado da Democracia quando a voz de 18 mil peticionantes contra a construção da barragem do Tua e a favor da reabertura, modernização e prolongamento da Linha do Tua, defendendo inclusivamente métodos alternativos mais baratos e mais eficientes de produção e poupança de energia, não é ouvida ou não é suficiente para calar a de meia dúzia de indivíduos mal intencionados e de carácter duvidoso.

A lista de incongruências, atropelos, e laivos de actividades amplamente contempladas no Código Penal avoluma-se. Vagas de estudos científicos e pareceres de especialistas de entre os quais UNESCO e Comis- são Europeia que apontam um severo dedo à barragem do Tua e coroam de louros o vale e a Linha do Tua, esboroam-se com um rumor de espuma do mar contra sabe-se lá que perigosos rochedos e contracorrentes.

Chegados a este ponto é lícito perguntar: em que mundos vive o Ministério Público e a PJ, ou será que o vale e a Linha do Tua é que já não pertencem a este mundo? Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto fede...

Daniel Conde [DN]

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...tudo isto é fado, remato eu.

Sr. Presidente da República:

Prove-me que a sua existência é mais do que uma figura decorativa e interesse-se por esta causa!

Prove-me que está atento ao pais!

Prove-me que tem alguma utilidade e salve a Linha do Tua! Em nome de Portugal, que - não sei se tem ideia disso -, dispõe de mais território, para além do Terreiro do Paço.

Vamos ao trabalho.  Prometo que até votarei em si se for capaz de impedir que um outro monstro como a Barragem do Tua nasça da terra.

Vá, prove-me que estou enganado sobre a sua inutilidade.

Surpreenda-me, senhor Presidente!

Rui Valente

Recado amigo aos jogadores do FCPorto



FCPorto, o Invicto da Invicta

Para variar um bocadinho, hoje vou falar um pouco da instituição que mais tem honrado a cidade do Porto: o Futebol Clube do Porto. Ou melhor,  falarei sobre as últimas declarações de alguns jogadores do Futebol Clube do Porto. Antes disso, vem a propósito lembrar que a versão antagónica do FCPorto versus, Jorge Nuno Pinto da Costa, é hoje em dia [para desgosto meu] precisamente a Câmara Municipal do Porto, versus Rui Rio [o desenraízado].

Agora, falando mais a sério, inaptos pareciam estar também a maioria dos jogadores do FCPorto no encontro realizado contra o Victória de Setúbal no magnífico Estádio do Dragão [que hoje não existiria se tal dependesse da vontade de Rui Rio, recorde-se...]. Há sempre forma de arranjar explicações para as más exibições, e ontem, com muita chuva,  um Estádio abaixo da média de espectadores,  um adversário teoricamente pouco apelativo, a ressaca de um desgastante jogo em Viena num campo onde em lugar da relva havia neve, argumentos é coisa que não faltaria. E até podíamos aceitá-los a todos.

O que já não se aceita - porque no FCPorto isso não é habitual nem costuma falhar -, é que haja jogadores que ainda não tenham absorvido, como convém, a "filososfia" portista e venham fazer declarações para a comunicação-social como se trabalhassem para ela e não para o clube. São disso exemplo, as palavras de Belluschi e de Ruben Micael que, a pretexto das exuberantes exibições do colega de equipa Hulk, disseram, em momentos diferentes, que seria muito difícil ao FCPorto mantê-lo por muito mais tempo no clube. 

É provável que a intenção destes dois jogadores até tenha sido apenas elogiar as qualidades do colega, mas se foi, a verdade é que não o conseguiram. Primeiro, porque os adeptos não gostaram, e depois porque, coincidência ou não, daí para cá Hulk parece ter-se deslumbrado com os pirôpos dos colegas e tem vindo a decrescer de produção. Por isso, será necessário e urgente explicar a todos os jogadores que antes da liberdade de pensamento, existe uma coisa chamada espírito de equipa à Porto que, se traduz em separar as águas, e saber distinguir o falar enquanto atleta profissional, do falar enquanto simples cidadão. A pior coisa que podia acontecer ao FCPorto era copiar os maus exemplos do principal adversário, ou seja, ceder às pressões dos media e das revistas côr-de-rosa vindo cá para fora posar para fotografias e dizer aquilo que os nossos adversários querem que seja dito... Esses, não são hábitos portistas!

Além de mais, parece-me inadequado e contraproducente que um jogador perca o sentido emocional do grupo [clube], esquecendo que para os adeptos do FCPorto, este é o melhor clube do mundo, é o topo de gama da ambição clubística. Logo, os jogadores, sem prejuízo das suas legítimas ambições financeiras, têm o dever de sentirem esse mesmo sentimento de "adepto", pelo menos, enquanto continuarem a trabalhar para o clube que lhes paga [e não costuma ser pouco] os vencimentos. E isso mostra-se no campo, com abnegação e espírito de victória. Radamel Falcao, ao contrário dos seus colegas, soube fazê-lo, tanto fora do campo, dizendo que agora é só FCPorto que lhe interessa, como dentro dele, correndo, jogando e marcando.

Depois, convenhámos, é muito pouco inteligente e até desagregador, ouvir um atleta ainda a meio do percurso competitivo do clube que lhe paga, exteriorizar - ou dar a entender -, publicamente que há clubes, por mais ricos que sejam, "melhores" que o FCPorto. Porque isso,  é simplesmente uma alucinação. Uma heresia imperdoável.

06 dezembro, 2010

Gente submissa pede maus governantes

No post anterior, o Rui Farinas disse que é impossível recuperar um país sem a colaboração activa da sua população e que tal só acontecerá quando esta recuperar a confiança na classe política. Não posso estar mais de acordo. Hoje mesmo passei por uma situação que justifica plenamente as suas preocupações e que valerá a pena divulgar.   

Esta manhã, dirigi-me à estação dos CTT's da Avenida dos Aliados para pagar uma simples factura. Era meio-dia. Retirei o meu ticket de atendimento, calhou-me um com a letra A e o nº 170, que dizia "atendimentos rápidos" e fiquei a aguardar pela minha vez. Reparei, através dos 6 [seis] minúsculos monitores de 17"  que havia sobre o balcão corrido [precisamente iguais aos do meu computador que é para usar a uma distância de 50 cms], que apenas uma funcionária ocupava uma das 6 cadeiras correspondentes aos 6 postos de atendimento. Cinco, estavam vazias e assim se mantiveram até abandonar o local. O placard informava o nº 125 como sendo o utente a ser atendido naquele momento.

Percebi que ia ter de ser paciente e esperar, mas nunca pensei que fosse tanto. Entretanto, como tinha tempo, decidi espiar mais além para me inteirar como as coisas funcionavam e dei-me conta que havia outros dois balcões de atendimento com diferentes serviços, um com 9 postos de atendimento, só com 2 funcionários e um mais pequeno, com 4 e um funcionário. Estes indícios foram suficientes para retirar logo a conclusão que algo de errado tinha aquela loja. Uma delas, foi constatar que havia equipamento a mais para pessoal a menos, o que se traduziu numa sobrecarga para o que estava de serviço e num sádico teste à tolerância dos utentes. Além do mais, havia muitos idosos, mães com crianças ao colo e aquela resignação de carneiro típica dos portugueses...

Com imensa dificuldade em conter-me, regressei à minha "área de serviço" e continuei a esperar. Faltavam 5 minutos para as 13 horas, quando fui atendido! É verdade, uma hora! Paguei a factura e perguntei à funcionária se o chefe de posto estava presente ao que me respondeu afirmativamente informando-me do local do respectivo gabinete. Antes porém, sugeri à funcionária, que até foi educada e diligente, para de futuro não pactuar passivamente com aquela desorganização visto ser ela quem "dá a cara" junto dos clientes.

Depois de dar o devido puxão de orelhas ao chefe de posto, que só não ouviu mais porque teve o bom senso de me entregar em tempo útil o livro de reclamações [que preenchi], saí furioso e indignado dos Correios com mais este triste testemunho de bagunça nacional.

Mas, mais do que a incompetência do chefe de posto, o que me entristeceu, foi a passividade dos clientes. Só sabiam protestar entre si, baixinho, e alguns até pareciam estar a divertir-se com aquela seca. Só tive pena, foi dos velhos, coitados. Esses, até têm alguma desculpa pelos resquícios que trazem colados à alma  [e se calhar ao corpo] dos muitos anos de ditadura. Mas que diabo, será que ainda não perceberam que a única coisa que ainda têm de democrático é a liberdade de se indignarem?

Ps-Para que conste, eis o rosto e o nome dos meretíssimos angariadores de ordenados porno, administradores dos CTT-Correios de Portugal, S.A. [menos Estado, melhor Estado! Estão a topar?]


05 dezembro, 2010

Os inteligentes e os outros

É impossivel recuperar um país sem a colaboração activa da sua população, e esta colaboração não existirá se não houver confiança na classe política que terá obrigatoriamente de dirigir o movimento recuperador.

Em Portugal nunca o prestígio dos políticos esteve tão em baixo, e verdade se diga que essa condenação é merecida. O nivel dos políticos tem baixado assustadoramente ao longo dos últimos 25 ou 30 anos. Fica-se com a impressão que as pessoas com capacidade governativa, cada vez mais têm relutância em misturar-se com essa gentinha que nos tem governado, e deste modo cada vez mais oportunistas e aventureiros se sentem atraídos pela política, que vêem como um campo com futuro para satisfazer as suas ambições económicas, pois propicia as mais variadas situações de compadrio e corrupção, todas elas altamente rentáveis. Basta olhar para as notícias e fait-divers do dia a dia para verificar que assim é.

Por isso creio firmemente que a recuperação de Portugal passa por outros factores muito para além da questão de saber se o FMI vem ou não vem. Passa, para principiar, por uma profunda reforma do sistema político, da qual fará parte a elaboração de uma nova Constituição, reforma essa que provavelmente trará consigo, para a política, gente mais séria e melhor preparada, e com mais vontade de " servir "do que de " servir-se".

Tudo indica que esta autêntica revolução não se gerará no interior do sistema, isto é , nos partidos existentes. Muito ingenuamente ainda pensei, há uns anos atraz, que Cavaco Silva poderia - e quereria - dar a volta à situação. Enganei-me. A mudança terá então de originar-se no exterior do sistema. Como e por quem, em face do estado de apatia bovina dos portugueses, confesso que não sei. Penso apenas que acredito (ou deveria antes dizer "acreditei"?) que o Partido do Norte tinha aqui uma óptima oportunidade para mostrar que é diferente e que se propõe ser uma lufada de ar fresco neste ambiente político altamente tóxico em que vivemos. Neste aspecto, a leitura das suas Linhas Programáticas, desiludiu-me.

É minha profunda convicção que ou tudo isto leva rapidamente uma grande volta, ou então continuamos a cair no enorme buraco negro que já começou a engolir-nos e do qual, em qualquer caso, só sairemos após grande sofrimento e muitos sacrifícios. Mas isto deve ser pessimismo meu, pois os nossos clarividentes políticos continuam a discutir o sexo dos anjos, e eles é que são os inteligentes...

03 dezembro, 2010

Fly Away/JOHN DENVER

Rogério Gomes, um jornalista que faz a diferença


Quem me lê com regularidade sabe muito bem que não tenho dos jornalistas a melhor das opiniões. Não são todos iguais - dir-me-ão os mais susceptíveis -, e eu contraponho: sim, sim, são quase todos, mas desgraçadamente mais os todos, do que os quase... Nada me move contra a profissão em si, que é nobre e fantástica se desempenhada com respeito pela verdade e pelos cidadãos, que são a fonte do seu sustento. O que me impressiona pela negativa nas pessoas em geral  e nos jornalistas em particular, é o oportunismo e a cobardia.

Felizmente, não é esse o caso de Rogério Gomes, director interino do semanário Grande Porto. Venho acompanhando o seu trabalho desde o jornal O Jogo, passando pelo Comércio do Porto e agora com mais regularidade no Grande Porto, e reconheço-lhe uma grande coerência assim como uma incansável combatividade na defesa do Porto e do Norte, não vacilando nem se inibindo perante os lobbys ou os corporativismos da classe.

Citarei apenas alguns trechos do sua crónica editorial de hoje para perceberem porque penso assim. Diz o seguinte:

"No início desta semana, o presidente da CCDR-N, Carlos Lage, promoveu uma reunião de reflexão sobre a Regionalização entre os mais altos quadros da instituição e responsáveis editoriais de jornais com sede ou delegações no Porto. Compareceram directores ou representantes dos órgãos de comunicação Grande Porto, Jornal "i", JN, Público, Lusa, DN e ainda alguns jornalistas a título pessoal.

Nenhum dos presentes se pronunciou contra a reforma e todos os presentes estiveram de acordo sobre a sua necessidade e urgência, em especial para que a Região Norte possa cumprir o seu potencial no contributo para o desenvolvimento do País. Também todos apontaram alguns obstáculos à sua concretização nesta legislatura, desde a crise até à má vontade que os directórios partidários mostram para com a Regionalização, especialmente fora das campanhas eleitorais. A CCDR-N---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------tarefa.

Na sequência do encontro, a questão que se põe é a seguinte: tendo estado presentes os responsáveis editoriais dos jornais mais influentes da Região e tendo todos eles manifestado a sua "militância" regionalista, porque é que isto não se reproduz nas páginas dos órgãos que dirigem?

Rogério Gomes prossegue depois referindo casos concretos como o do Porto de Leixões/Rui Moreira, a Regionalização na Grécia sem referendo, e interroga-se por que é que de todos os media só a Lusa lhes deu relevo. E concluiu desta maneira:

"Uma vez mais o silêncio imperou em toda a Comunicação Social portuguesa. Percebe-se que os anti-regionalistas escondam o facto. Mas é muito estranho que os seus adeptos, os que por exemplo na reunião com a CCDR-N se declararam seus defensores, o permitam e não levantem o exemplo como bandeira."

Por incrível que pareça, é a primeira vez que vejo um jornalista a colocar o dedo na ferida, sem receio de ferir susceptibilidades corporativistas e de sofrer retaliações. Só por isso, dou-lhe nota 20 e sugiro aos leitores do Renovar o Porto que lhe remetam um e-mail para rogerio.gomes@grandeportoonline.com com um abraço de solidariedade.

Por fim, darei a minha resposta às dúvidas de Rogério Gomes que só pode ser esta:
medo do patrão, egocentrismo e muita hipocrisia.