25 janeiro, 2012

Eusébio...e os oportunistas da capital do império

Eusébio
Para quem, como eu, teve oportunidade de ver Eusébio jogar e até congratular-se com os dois únicos êxitos europeus do clube que representou, por nessa altura me encontrar fora do país, não precisa - como tentam fazer certos fundamentalistas benfiquistas que nem sequer o viram dar um chuto -, de o meter à força pelos olhos e ouvidos do povo.

Eusébio não carece da hiper-propaganda centralista para ver reconhecido o seu valor, porque ela já foi sobejamente vendida. Nem tão pouco de enaltecer a sua qualidade enquanto futebolista, ou a sua dignidade, enquanto Homem. Bem pelo contrário. Ao querer impingir Eusébio ao país, de forma sensacionalista, como se fosse um ícone nacional, o centralismo mediático pode até estar a manchar a imagem do jogador. Sendo eu portista, como é público, digo aqui, sem sofismas, que admiro e gosto de Eusébio, sobretudo pela sua simplicidade, tão diferente do clube que representou, arrogante e desrespeitador...

Por isso, gostar e admirar Eusébio, não deve, nem pode ser confundido com o clube onde jogou e mostrou a sua grande qualidade. É que o centralismo, ao pretender elevar Eusébio à condição divina de património nacional, está a aproveitar o seu 70º aniversário para, através do homem glorificar o Benfica, tentando ofuscar o valor de jogadores igualmente talentosos de outros clubes.

Enquanto português, endereço os meus parabéns pessoais sinceros a Eusébio, porque não sendo ele português de origem [é Moçambicano], à época era cidadão do império colonial, podendo assim representar o país na selecção nacional.

Parabéns pessoais, foi o que atrás escrevi... Porque, ao Benfica e àquilo que esse clube representa, antes e depois do 25 Abril/74, não desejo nada de bom. Goste-se ou não, o Benfica como clube, simboliza o centralismo crónico e discriminatório de que o resto do país e o Norte em particular, tem vindo a ser vítima. A esse símbolo, desejo justamente o mesmo que o doente deseja ao mal de que padece: que morra no inferno. E se for no da Luz, tanto melhor.

Agora, leiam isto:

Já imaginaram a quantidade de programas ditos desportivos e de "verdade desportiva" se produziam nos vários canais das televisões e dos jornais centralistas, se em vez do Eusébio, fosse um jogador do FCPorto a fazer as mesmas declarações? Já? Vá lá, não é preciso queimar os neurónios...Você já sabe.

Não, não serei eu quem vai seguir o exemplo da má-língua e da sacanice lisbonária e começar a malhar nas palavras que Eusébio, na sua ingenuidade característica de homem simples proferiu há muito tempo. Mas, só de imaginar a bagunça, os processos e as ameaças que por aí andariam se o mesmo se passasse com alguém ligado ao FCPorto, dá-me vontade de os esganar...

"Coragem", dizem eles

 


Se há palavra hoje abastardada é a palavra "coragem". De um eleito que faz o contrário do que prometeu dizem os apaniguados que é "corajoso", apesar de um dos sinónimos mais nobres de "coragem" ser "constância"; o mesmo ou outro eleito conformam servilmente e obedientemente as suas politicas a ditames externos, e isso é "coragem" e não cobardia; medidas de austeridade impostas aos mais pobres e vulneráveis são "corajosas"; o destempero de uma velha política, agora dita "senadora", contra o direito à saúde dos mais idosos é um "acto de coragem"; um presidente titubeante que assina, sem pestanejar, o que lhe põem à frente e tolera a subversão de valores e direitos que jurou defender é, também ele, "corajoso".

"Coragem" chegou ao português vindo do francês"courage" que, por sua vez, deriva de "coeur", "coração", em cujas cavernas habitam, na generalidade das culturas, não só a inteligência e a sabedoria como a própria divindade, além de "disposições interiores" como a constância, o ânimo ou a rectidão, em oposição ao que é traição, pusilanimidade e fraqueza e pequenez de carácter .

Assim, "corajosos" são hoje os que, humilhados e ofendidos, sobrevivem sem ceder à tentação da servidão; os que não traem por um prato de lentilhas ou uma assessoria; e todos aqueles (jornalistas, magistrados, funcionários, cidadãos em geral) que, em tempos de debandada moral, teimam, apesar de tudo, em manter-se inteiros.

Nota de RoP: 
Se o leitor é pessoa bem formada, e livre de amarras partidárias, diga lá se o que Manuel António Pina aqui escreve sobre a ideia que os políticos hoje têm da "coragem", não é exactamente assim. Eles invertem e pervertem tudo, o carácter dos Homens e das palavras! Como é  possível haver quem vote nesta gente e queira com ela mudar o país? Como?

24 janeiro, 2012

Resposta de Renovar o Porto à Santa Casa da Misericórdia

Cara Stephanie Martins,

Retribuindo os agradecimentos que me dirigiu, passo a responder ao seu e-mail.

O facto de me informar que «todos os jogos sociais do Estado são submetidos a estudos de viabilidade e de mercado», não me dá garantias, enquanto eventual jogador, de valer a pena jogar no Totoloto. O que quero dizer simplesmente, é que, pesado o lado aleatório, e as dificuldades próprias dos jogos de sorte, este novo sistema de 49 algarismos do Totoloto [5 algarismos + 1(da sorte), para o 1º.], reduz drasticamente as possibilidades de acerto no 1º. prémio, e até no 2º., como é patente dos resultados de sucessivos concursos [33 concursos consecutivos com Jackpot, e 13 sem 2ºs prémios!]. O que é estranho, dado que quando os números iam de 1 a 45, era frequente haver totalistas, e mais do que um, muitas vezes. O que significa que a alteração só veio prejudicar os apostadores. Comparativamente com o Euromilhões, e apesar do universo de apostadores ser maior que o do Totoloto, é mais "frequente" encontrar totalistas no Euromilhões. Acresce, que os prémios do Totoloto não são atractivos na relação «probabilidade /preço/valor do prémio», pelo menos é essa a minha conclusão.

Poderá também confirmar - relendo o meu mail anterior -, a sugestão que fiz não reclamava a identificação dos premiados, como se infere da sua resposta, mas sim a localização e divulgação dos futuros premiados. Como concordará, isso é feito frequentemente com o Euromilhões quando há apostadores premiados em Portugal e até no estrangeiro. Daí, continuar a estranhar que a Santa Casa da Misericórdia não se disponibilize naturalmente a fazer o mesmo. Isso, não só teria o efeito de consolidar a confiança dos apostadores, como também poderia aumentar o seu número.

Pela minha parte, enquanto a frequência de premiados for a que se tem verificado,  não volto a jogar no Totoloto. Mas, claro, a decisão de manter, ou não, as coisas neste pé, é vossa.

Com os melhores cumprimentos,
Rui Valente 

----- Original Message -----

Totoloto . A resposta é ambígua,não convence...

Da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa, e a propósito do deserto de primeiros prémios  do Totoloto, recebi hoje resposta ao e-mail que tinha enviado e aqui publiquei. Leiam e tirem as vossas próprias conclusões.
RV


Caro Apostador,
Agradecemos desde já o seu contacto, o qual mereceu a nossa melhor atenção.

Relativamente às considerações que nos transmitiu sobre as alterações ao Totoloto, em vigor desde 13 de Março de 2011, informamos que todos os jogos sociais do Estado são submetidos a estudos de viabilidade e de mercado cujos indicadores servem de base à sua definição. Neles constam as probabilidades associadas às diferentes categorias de prémios, no entanto, e serem apenas probabilidades, não garantem níveis de frequência e valor dos prémios atribuídos; consequência da dinâmica e imprevisibilidade que revestem este tipo de jogo.

Quanto às restantes recomendações que apresenta, o DJSCML tem o dever de proteger a identidade dos premiados, não fornecendo quaisquer informações que contribuam para os identificar/localizar, exceto quando exista uma autorização expressa dos mesmos ou quando o teor da informação veiculada não ponha em causa o seu anonimato.

Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento adicional através da Linha Direta Jogos, 808 20 33 77 das 8h às 24h todos os dias da semana.

Boa sorte onde quer que esteja.

Stephanie Martins



Links





23 janeiro, 2012

O provedor da mediocridade

Cavaco Silva
Cada vez que abre a boca, Cavaco destrói por completo o ar altivo de falsa elevação que tantas horas de treino lhe custou. 

Cavaco é o espelho do país, decadente e desequilibrado. Um Presidente casual, como casuais são a maioria dos políticos do nosso país. Mas ele lá está, na Presidência da República. Que desgosto...

Mas, tal como com Sócrates e Passos Coelho, tenho muita honra em nunca ter votado nele. Ao contrário de Cavaco, que raramente se engana, eu procuro não me enganar, e engano-me às vezes. Nunca me enganei foi em relação a Cavaco.

22 janeiro, 2012

Pinto da Costa no Conselho Editorial do JN

Entre outras figuras públicas do Norte, como Rui Moreira e Manuel Serrão, Pinto da Costa foi convidado pelo Jornal de Notícias. Ver vídeo, aqui.

Totoloto, e a aldrabice continua...


 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 006/2012 - Sábado Data do sorteio: 21/01/2012
Chave:1723242747+10Ordem Saída:2317242747+10
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números0(2)
3.º Prémio4 Números225€ 356,99 
4.º Prémio3 Números13.105€ 3,40 
5.º Prémio2 Números160.625€ 1,66 
Nº da SorteNº da Sorte117.208Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes675.467
Nº de Apostas2.003.359
Receita ilíquida apostas€ 1.803.023,10
Montante para prémios€ 892.496,43

19 janeiro, 2012

Que queridos que são os nossos deputados...


Maioria parlamentar manifesta-se contra o fim das touradas


A maioria parlamentar manifestou-se, esta quinta-feira, contra o fim das corridas de touros, pedido por uma petição, tendo o BE apoiado esta intenção e "Os Verdes" defendido uma reflexão sobre a caracterização das touradas como um espectáculo violento.
 
Maioria parlamentar manifesta-se contra o fim das touradas
Maioria parlamentar defende tourada
 
A petição pelo fim das corridas de touros reuniu cerca de sete mil assinaturas, mais três mil do que as necessárias para levar a sua discussão a plenário da Assembleia da República.

A deputada Isilda Aguincha, do PSD, defendeu que esta é "uma matéria que respeita à liberdade individual de cada um", sendo as corridas de touros "historicamente reconhecidas como arte, com elevado número de espectadores".

No mesmo sentido, a deputada socialista e ex-ministra da Cultura Gabriela Canavilhas sublinhou a "manifestação inequivocamente cultural" da tauromaquia, que leva anualmente 900 mil pessoas às praças e mais de três milhões a festas taurinas e que, tal como não foi introduzida por decreto, não poderá ser abolida dessa forma.

A democrata-cristã Teresa Anjinho lembrou a "relevante actividade económica" da tauromaquia, situando-a simultaneamente no domínio dos "direitos culturais" que "são centrais à vida contemporânea", cabendo ao Estado "preservar a vida cultural que existe, não criar uma".

O deputado comunista Paulo Sá disse não entender ser "acertado" qualquer "tipo de proibição por via legal", mas manifestou a disponibilidade do PCP à "reflexão" sobre uma matéria que, disse, divide a sociedade portuguesa, garantindo ainda o empenhamento dos comunistas na "protecção dos animais".
[Fonte: JN]
 
 

Totoloto - Já vai no 3º. e... nada!

 
 

 Totoloto

Sorteio: 005/2012 - Quarta-Feira  Data do sorteio: 18/01/2012
Chave: 18 26 35 36 49 + 4
Ordem Saída: 49 18 26 35 36 + 4
Prémio Acertos Número de vencedores Valor
1.º Prémio 5 Números + Nº da Sorte 0 (1)
2.º Prémio 5 Números 1 € 26.889,23 
3.º Prémio 4 Números 112 € 300,10 
4.º Prémio 3 Números 5.561 € 6,04 
5.º Prémio 2 Números 86.937 € 2,31 
Nº da Sorte Nº da Sorte 98.343 Reembolso do valor da aposta de Totoloto

Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes 540.719
Nº de Apostas 1.508.936
Receita ilíquida apostas € 1.358.042,40
Montante para prémios € 672.230,99
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot € 2.000.000,00

TGV, Porto-Vigo, é o desvio que se segue ...

Com a população nortenha completamente abúlica, mais interessada em seguir o clube de futebol e os reality shows ordinários que Lisboa lhes impinge, do que em se livrar da canga que o centralismo lhe está a colocar, o futuro do Norte e de Portugal, não pode ser risonho.

Mas, o povo, não está só nesta pasmaceira. Tem a companhia de umas "elites" baças  e comprometidas com os todo-poderosos do Terreiro do Paço, cuja única preocupação é preservar o património pessoal e estatutário. A partir daí, preferem não ouvir, não ver, nem reagir. O lema é: "o melhor, é o calado"... Paralelamente, contam com a "solidariedade" imbecilóide da comunicação social que, ao mesmo tempo que paga alguma irreverência intelectual a alguns cronistas, partilha a bovinidade geral com a publicação de revistas côr-de-rosa, onde divulgam a futilidade da vida de jogadores de futebol, de actores mais ou menos talentosos, e de participantes em programas decadentes. É este o país de contradições de que não queremos abdicar. Reclamamos a excelência e os bons costumes, mas de mãos dadas com a corrupção e a ordinarice. Povo reles este, que passa a vida a queixar-se do lixo mas não se quer livrar dele.

Ontem, foi sobre o porto de Leixões que recaiu a gula centralista. Hoje - com a descontracção  própria dos cobardes, de quem sente a fraqueza da vítima -, o (des)governo prepara-se tranquilamente para cancelar o TGV Porto/Vigo e encaminhar, sob efeito de um spillover  invertido, os respectivos fundos [244 milhões!], para a ligação ferroviária Lisboa-Madrid.

E Salazar, é que era o Ditador? Nunca imaginei que atrás de um alíbi chamado Democracia se escondesse tanto banditismo. Muito menos imaginava que, decorridos 37 anos, a população fosse incapaz de reagir a tanta desconsideração e irresponsabilidade.Os governos são maus? São! E o povo? Tem o que merece!

18 janeiro, 2012

Links & Media

Utentes partiram a pontapé divisórias de loja da Segurança Social

Duarte Lima recusa recreio para evitar presos

IHRU procura reunir condições para pagar dívida à Porto Vivo

 

Gostava de ser espanhol...


Espanha  perseguirá penalmente  políticos  que não  cumpram  orçamentos

Publicado em 2012-01-18


O ministro da Fazenda espanhol, Cristóbal Montoro, afirmou, esta quarta-feira, que o Governo avançará com mudanças na lei para exigir responsabilidades penais a gestores públicos, políticos ou não, que não cumpram os orçamentos.

"Vamos fazer uma mudança que chamamos Lei de Transparência de Governo. Vamos exigir responsabilidades penais para os gestores públicos", sejam políticos ou pessoas nomeadas por políticos, afirmou em declarações à Cadena SER.

Um gestor público, insistiu Montoro, "não pode gastar além dos limites que tenha no seu orçamento" porque se o fizer estará a "falsificar a contabilidade pública e a guardar facturas numa gaveta que depois se tornam impagáveis".

O anúncio foi feito pelo governante espanhol depois de na terça-feira se ter reunido com os responsáveis de fazenda e economia dos Governos regionais, no âmbito do Conselho de Política Fiscal e Financeira (CPFF) para analisar a futura lei de estabilidade orçamenta.

Segundo explicou o próprio Montoro depois dessa reunião, os Governos central e regionais alcançaram um "compromisso de Estado" pelo equilíbrio orçamental, acordando medidas para garantir a liquidez e cumprir os pagamentos a fornecedores.

Os representantes dos Governos regionais deram o seu apoio à futura lei de estabilidade orçamental que está a ser finalizada pelo Governo nacional e que, entre outros aspectos, prevê sanções para as regiões espanholas que não cumpram os objectivos de défice.


[Fonte: JN]


Totoloto - Novo, e longo ciclo de jackpots, se avizinha...




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 Totoloto
Sorteio: 004/2012 - Sábado Data do sorteio: 14/01/2012
Chave:1014374149+3Ordem Saída:1449374110+3
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 18.058,65 
3.º Prémio4 Números217€ 208,04 
4.º Prémio3 Números8.791€ 5,13 
5.º Prémio2 Números131.174€ 2,06 
Nº da SorteNº da Sorte151.469Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes682.480
Nº de Apostas2.026.785
Receita ilíquida apostas€ 1.824.106,50
Montante para prémios€ 902.932,72
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 1.600.000,00



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 Totoloto
Sorteio: 003/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 11/01/2012
Chave:817334549+1Ordem Saída:498451733+1
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 13.688,85 
3.º Prémio4 Números204€ 167,75 
4.º Prémio3 Números7.290€ 4,69 
5.º Prémio2 Números102.452€ 2,00 
Nº da SorteNº da Sorte59.206Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes548.186
Nº de Apostas1.536.347
Receita ilíquida apostas€ 1.382.712,30
Montante para prémios€ 684.442,59

17 janeiro, 2012

Processo "Pinto Monteiro & Companhia"... Para quando?

Pinto Monteiro
Ponderando as declarações proferidas pela juíza do Tribunal Criminal de Lisboa que absolveu Pinto da Costa do processo que lhe foi movido pelo Ministério Público por suposta difamação, que diziam: "o ilícito de ofensa a pessoa colectiva só prevê punição para quem propalar factos inverídicos, capazes de ofender a credibilidade, o prestígio ou a confiança que sejam devidos a organismo ou serviço que exerçam autoridade pública" (sic), penso não incorrer em risco de ilícito se disser que Pinto Monteiro Pinto e a sua colaboradora Maria José Morgado foram incompetentes, ou agiram de má fé, por terem avançado com este e outros processos, sem previamente cuidarem de pesar bem os pressupostos legais que o justificaram.

Salvo melhor opinião, a acção pública de um Procurador Geral deve pautar-se pela rigor e pela sobriedade, de modo a evitar que a Justiça e a investigação criminal se conduzam com os típicos traços de sensacionalismo muito a gosto da comunicação social. Ora, particularmente em relação ao processo Apito Dourado, a sobriedade no Ministério Público foi coisa que não existiu. Antes pelo contrário, Pinto Monteiro, a dada altura, mais parecia o  Scolari, a deixar-se levar [ou a tirar proveito] na onda populista do anti-portismo muito característica do centralismo. Mais:  mandando recorrer de tudo sobre este processo, e rodeando-se de pessoas com a credibilidade de uma jornalista benfiquista fanática e pouco séria, como é comprovadamente, Leonor Pinhão, Pinto Monteiro deu fortes indícios de arbitrariedade, coisa que num país democraticamente evoluído, lhe custaria, por certo, a exoneração do cargo. 

Comparativamente, não vimos o Procurador da República e a sua "equipa especial"* a ter a mesma postura e o mesmo dinamismo com outros casos bem mais graves, como a incapacidade para deter o falsário fugitivo Vale e Azevedo, ou a aceleração do(s) caso(s)/processo(s) Duarte Lima, entre muitos outros.

O processo [Apito Dourado] que tanta polémica gerou afinal, não era caso, e, ou a Justiça está completamente falida, ou o caso [a pedir apurada e urgente investigação], é mesmo Pinto Monteiro.


* Curiosamente [ou, previsivelmente,já não sei], o senhor Procurador só se dá à tarefa de nomear equipas de investigação "especiais" quando o local do "crime" é o Porto, o FCPorto, ou o Norte. Será apenas coincidência, ou o Sr.Procurador é mesmo um péssimo gestor de conflitos?

16 janeiro, 2012

Link e crónicas do JN

Pinto da Costa absolvido do crime de ofensa de pessoa colectiva




Corrupção (II)

Na crónica que aqui escrevi em 22 de Maio do ano passado abordei o problema da corrupção em Portugal. Analisei então as suas nefastas consequências para a economia e para o desenvolvimento, já que ela distorce as regras da concorrência, promovendo não as melhores empresas mas sim as que proporcionam vantagens aos decisores públicos. A aquisição de bens e serviços pelo estado (em sentido amplo) bem como a adjudicação de obras públicas são os sectores onde a corrupção mais se entranhou sem que se tenha logrado combatê-la com sucesso.

Há, porém, um domínio da soberania nacional em que a corrupção se instalou de forma quase endémica mas da qual poucos falam. Refiro-me aos tribunais, onde o problema atingiu proporções devastadoras para a credibilidade da justiça e do estado de direito democrático. Não se trata de um fenómeno igual ao que ocorre na administração pública (central e local), na instância política ou nas empresas ou institutos públicos, onde a corrupção se deve sobretudo às vantagens patrimoniais directas que proporciona aos decisores ou a terceiros, como familiares, partidos políticos ou clubes de futebol. A corrupção que se instalou nos nossos tribunais é sobretudo uma corrupção moral resultante do facto de a justiça ter sido apropriada pelos magistrados e ser usada ao sabor dos seus interesses corporativos ou mesmo dos seus caprichos pessoais.

Nem só o dinheiro corrompe. O poder também corrompe, por vezes, muito mais do que o dinheiro. E - como é, desde há muito, consabido - o poder absoluto corrompe absolutamente. Ora, o que se passa nos nossos tribunais é, precisamente, isso - a corrupção das consciências de muitos magistrados devido ao poder ilimitado que detêm e que exercem sem qualquer escrutínio democrático ou cívico. Eles escolhem-se uns aos outros, avaliam-se uns aos outros (quase sempre com a nota máxima), julgam-se uns aos outros e absolvem-se (ou exculpam-se) uns aos outros com uma impunidade que choca flagrantemente com o fundamentalismo justiceiro com que julgam os restantes cidadãos. E, quase sempre, com ostensiva pesporrência perante o escândalo causado na sociedade.

É claro que também há casos de magistrados apanhados nas teias da corrupção típica, ou seja, por dinheiro em troca de decisões. Mas esses casos são pontuais e não fazem a primavera nem se devem confundir com a floresta. Já a forma como foram absolvidos ou exculpados é um sintoma escandaloso da referida corrupção moral. Senão, o que devemos pensar quando uma pessoa é condenada num processo porque se provou que entregou dinheiro a um juiz em troca de uma decisão e o juiz em causa é absolvido porque noutro processo não se provou que (ou se provou que não) recebera o dinheiro? Das duas uma: ou nenhum era condenado ou eram ambos. E o que pensar quando magistrados, contra as leis e pareceres dos maiores mestres de direito, decidem isentar de impostos parte significativa das suas próprias remunerações? E o que pensar também quando familiares de magistrados assassinam a sangue frio pessoas indefesas e não vão para a cadeia como iria qualquer outro criminoso? E o que pensar ainda quando tribunais superiores rejeitam recursos bem feitos com a justificação de que têm conclusões a mais e - escreveram-no - conclusões a mais equivalem à ausência de conclusões?

Quer a corrupção propriamente dita quer a corrupção moral derivam da mesma degenerescência do estado de direito e medram devido à mesma anomia da sociedade democrática. As pessoas têm medo de denunciar publicamente o que se passa nos tribunais, porque sabem que sofrerão retaliações, como já aconteceu, inclusive, com magistrados que tiveram a audácia de falar em corrupção na justiça. Em Portugal, qualquer pessoa que se queixe de um juiz ao Conselho Superior da Magistratura corre sérios riscos de vir a ser perseguido criminalmente pelo visado e condenado pelos seus colegas. É (também) por isso que é tão difícil combater a corrupção.
NOTA: Dedico esta crónica aos magistrados incorruptíveis, sobretudo aos juízes honestos, que, anonimamente, um pouco por todo o país, contra ventos e marés, persistem em administrar a justiça vinculados apenas ao Direito.



A honra perdida da política


Que pensaria um cidadão comum se alguém em quem tivesse confiado e com quem tivesse feito um acordo, apanhando-se com o acordo na mão, violasse todos os compromissos assumidos fazendo exactamente o contrário daquilo a que se comprometera?

Imagine agora o leitor que esse alguém é um político que obteve o seu voto jurando-lhe repetidamente que faria determinadas coisas e nunca, nunca!, faria outras ("Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"; "Do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir").

Um político que lhe jurou que "ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam" e que fez o que a própria CE já reconheceu, que em Portugal as medidas de austeridade estão a exigir aos pobres um esforço financeiro (6%) superior ao que é pedido aos ricos (3%, metade).

Um político que lhe garantiu que "não quero ser eleito para dar emprego aos amigos; quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários" e cujos amigos aparecem, como que por milagre, com empregos de dezenas e centenas de milhares de euros na EDP, na CGD, na Águas de Portugal, nas direcções hospitalares e em tudo o que é empresa ou instituto público.

Quando os eleitos actuam impunemente à margem de valores elementares da sociedade como o da honra e o do respeito pela palavra dada não é só o seu carácter moral que está em causa mas a própria credibilidade do sistema democrático.


Nota do RoP :

Resolvi juntar no mesmo post estas duas crónicas por duas distintas razões. Uma, é porque ambos os artigos denunciam, sem rodeios, o estado putrefacto, hipócrita e altamente perigoso da sociedade portuguesa política e judicial da actualidade. A outra, porque parecendo ter tanta coisa em comum, me causa estranheza ver estes dois cronistas crispados um com o outro, por qualquer coisa que ainda não consegui perceber, mas que me parece não ter passado de um momento infeliz ou de uma interpretação exacerbada de algo que um escreveu sobre o outro. 

Não sei porquê, mas eram mais úteis e ficavam melhor do mesmo lado da barreira... É por estas e outras, que os políticos fazem o que querem. Temos mais prazer em nos abespinharmos com futilidades, do que vontade de nos unirmos em torno de causas sérias. 


13 janeiro, 2012

Do centralismo ao separatismo a distância é curta


É uma maçada, mas lá vou eu ser outra vez politicamente incorrecto. Por precaução, embora não tencione difamar ninguém, o melhor é pedir antecipadamente desculpas públicas por me recusar a seguir a cartilha da hipocrisia institucional, não vá por acaso algum sacana mais sensível querer processar-me...

Afinal, o que tenho para dizer nada tem de transcendente e resume-se ao seguinte: se o 1º.Ministro, este, ou qualquer outro, ou o Presidente da República, este, ou qualquer outro, me forem ao bolso, sem minha autorização, e levarem a carteira [mesmo que vazia], tenho toda a legitimidade para os acusar de ladrões. Não deixarão nunca de ser gatunos por terem chegado a cargos para os quais não têm a exigível estrutura moral. Isso pode estar a acontecer, não de forma tão óbvia, mas por outras mais sofisticadas. Duarte Lima, que o diga. Foi Presidente do Grupo Parlamentar do PSD por decisão do actual Presidente da República, e no entanto, está a ser procurado pela justiça brasileira por suspeita de homicídio e detido pela portuguesa por branqueamento de capitais. Portanto, nada de melindres...

E por que é que coloco assim as coisas? Talvez para ajudar o próximo a passar a avaliar as pessoas por aquilo que elas realmente são, e não pelo estatuto que alcançaram. E muito menos pelo dinheiro que possuem. As pessoas, não são mais pessoas, pelo estatuto. Pelo contrário, o estatuto é precisamente a "arma" mais utilizada por certas indivíduos para passarem uma imagem de integridade que efectivamente não têm. Cito novamente, a título de exemplo, Duarte Lima, porque utilizou a sua condição de político e influência, para enriquecer, e para tudo o resto que mais tarde haveremos de saber. Mas haverá mais, e alguns deles, se calhar, até estão outra vez no Governo.

Estas conclusões, nada têm de inédito e abusivo, mas é importante transferí-las para escândalos aparentemente menos espectaculares, mas nem por isso menos graves. Refiro-me ao centralismo e à prepotência que lhe está colada.

Hoje, lendo o Gande Porto, fiquei a saber que o Governo se prepara para alterar o modelo de administração do sector portuário, no qual se inclui o porto de Leixões, que como é do conhecimento geral tem recebido toda a espécie de elogios à sua qualidade de gestão. A intenção, mais uma vez, é retirar ao Norte a autonomia administrativa da APDL para a concentrar em Lisboa. Tudo, com o sempre-eterno pretexto de reduzir custos.

Rui Moreira já se insurgiu contra esta nova ofensiva do centralismo, prometendo tudo fazer para impedir [cito] "a lisbonização do poder local", usando para tal a influência da Associação Comercial do Porto, mas duvido sinceramente que, se a intenção do Governo for para a frente, isso seja suficiente. Os governos centralistas há muito que perceberam o isolamento e a fragilidade reinvindicativa dos nortenhos, por isso, se decidirem avançar com a ideia, ninguém os deterá, e o Norte ficará mais uma vez a falar sozinho.

Apatias e oportunismos à parte - nomeadamente das suas vergonhosas elites -, os nortenhos estão a ser nitidamente gozados e desprezados pelo poder central, com a agravante de alguns deles se prestarem ao vil papel de serventuários do regime. Apesar disso, eu continuo a ter orgulho na minha condição de portuense e nortenho, não me revendo em nada nos exemplos miseráveis de alguns conterrâneos, que mal chegados ao poder, se vendem como putas.

E é chegados aqui, que chamo à colação a caricatura do início do post. O que os governantes estão a fazer, exacerbando irresponsavelmente o centralismo, é a fabricar um monstro. Estão a destruir e a dividir o país e, fanaticamente, a colocar nas mãos de cada nortenho que ainda mantém a dignidade intacta, um revólver que, mais cedo ou mais tarde se há-de voltar contra eles e, quem sabe, talvez matá-los.

É com estes actos irresponsáveis que nascem muitos movimentos separatistas, e não vale a pena depois chamarem-lhes terroristas, porque o mal estará feito, e a paz será então debitada, com toda a Justiça aos colaboracionistas do centralismo, de cá, e de lá. E pela minha parte, nessa altura, não verterei uma lágrima pelo que lhes possa acontecer.



 

12 janeiro, 2012

Deusdado pensa bem, mas pluraliza mal, as culpas*


Muita garganta


As derrapagens do défice são uma brincadeira de crianças quando comparadas às catástrofes que se abatem sobre o território. É nisto que o Governo devia ter pensado antes de entregar o que resta da EDP aos senhores das Três Gargantas, uma empresa detentora da maior barragem do mundo na China. Valeu só o encaixe imediato. A conta pagaremos nós a seguir.

Quanto mais o tempo passa, mais claro fica que o território e a língua são as únicas coisas portuguesas que parecem resistir ao tempo. Da língua valerá a pena falar noutra ocasião. Quanto ao território, ele vai-se desfazendo à medida que a nossa geração o hipoteca com a mesma ganância com que absorveu a dívida e agora se queixa da conta. Obviamente esta venda levanta perguntas como: os chineses vão querer saber do Douro Património Mundial? Das espécies ameaçadas? Do equilíbrio da biodiversidade nos territórios do mastodôntico plano nacional de Barragens? Das campanhas de eficiência energética? E não ficarão zangados se forem reequacionados os contratos "SCUT" das barragens que impõem milhões por décadas e décadas em cima dos consumidores?

Vejamos a barragem das Três Gargantas na China. Obrigou à retirada de 1,3 milhões de pessoas do local onde viviam e deixou debaixo de água milhares de locais de interesse arqueológico. Os geólogos assinalam que Xangai é uma cidade na rota de uma tragédia se um dia um sismo acontecer nas Três Gargantas. Num país democrático esta obra teria sido feita? Muito dificilmente. Excepto se for um país despovoado, gerido de forma autista a partir de uma capital distante e com uma opinião pública indiferente...

Esta é uma questão central do nosso tempo: quem anda a falar de crescimento económico no Ocidente pensa imenso na energia e esquece a água. A população mundial crescerá até aos nove mil milhões de pessoas e os bebés nascerão sobretudo na Ásia e América Latina. No recente relatório das Nações Unidas sobre a água e recursos do solo, a equação é clara: até 2050 vai ser necessário aumentar a produção de alimentos em 70%. O consumo de água será brutal porque a agricultura é responsável por mais de dois terços do consumo global. Ora, embora se pense que as barragens podem dar um contributo positivo para isto, a realidade é a inversa. Como dizia ao "Público" a directora da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline McGlade, "vimos muitas barragens na Europa a falhar rapidamente porque se encheram com sedimentos, ou ficaram secas, ou não funcionaram como se esperava". Junte-se a isto a impactante produção agrícola de biocombustíveis nos férteis solos do Leste da Europa, as perdas arrasadoras na Amazónia ou das florestas da Ásia, a seca em África, a ameaça sobre os insectos polinizadores (abelhas, borboletas, etc...) e percebe-se como vai ser difícil alimentar tanta gente e manter a qualidade de vida que o ser humano alcançou.

Quando o Governo português escolhe quase por unanimidade a proposta chinesa está a dar um sinal também ambiental. Para as pequenas e grandes coisas. A luta para travar a barragem do Tua (e a do Sabor) é um delas e torna-se ainda mais quimérica quando o poder na EDP é agora chinês. Para os que acreditam na "arquitectura naturalista" com que Souto Moura vai 'salvar o Douro', devíamos fazer um desafio: caso a UNESCO retire o estatuto de Património Mundial ao Douro, Mexia (e Catroga) deviam demitir-se. E no Governo, os responsáveis da Economia, Ambiente e Cultura também. Aceitam o desafio ou são todos inimputáveis? E a EDP, pode ir pondo um dinheirinho de parte para pagar as indemnizações ao sector do turismo ao longo de anos?

A venda do poder de decisão na EDP a chineses, e o que se pode seguir na REN, GALP, Águas de Portugal (com potenciais angolanos, chineses ou árabes) é assustador. Os compradores chegam com dinheiro mas não trazem no currículo respeito pela democracia. Condenam-nos depois à mais vil pobreza: a de não termos sequer opinião sobre todo o lixo que nos quiserem pôr em cima. Ora, lá por não termos dinheiro, não temos que alienar o direito a viver com o mínimo de saúde e memória. A nossa terra vale zero em bolsa. Mas é tudo o que temos.
[Fonte: JN]

*O grande mal dos jornalistas, é o medo crónico de apontar o nome aos responsáveis. Não havendo quem reaja às generalizações de responsabilidades, seguramente  para evitarem citar os nomes de quem realmente as tem e de sofrerem eventuais represálias, o grande público permitiu que elas se tornassem moda, uma espécie de mentira repetida que acaba por se transformar em "verdade". 

Eu não tenho exercido, conscientemente, o meu direito de voto,  simplesmente porque perdi a confiança nos políticos, e tenho sobejas razões para o fazer.  Por isso, sinto-me ofendido quando oiço ou leio alguém dizer, quando as coisas não correm bem [e terão alguma vez corrido?], que a culpa é de todos. Quem generaliza culpas, não pondera, deliberadamente, a hipótese da abstenção poder também traduzir uma forma de rejeição à eficácia do acto eleitoral, o que explica, em parte, o esforço dos políticos tentarem, sistematicamente, diabolizar os abstencionistas. 

Os media, ao fim e ao cabo, pouco mais fazem do que imitar os vícios da política. Só dizem meias verdades e convivem com os infractores. É preciso deixar de ter medo. Afinal, o tempo da censura e da perseguição política já acabou, ou não? Se não acabou, por que não a denunciam? Fazer o diagnóstico sem revelar o nome da doença, é só meio trabalho.

Não queria falar do exemplo deste blogue, porque pode transmitir a ideia de fanfarronice, que desprezo, mas não me incomoda nada que me colem rótulos de populista, ou até de fundamentalista pela forma directa como escrevo, porque sei o que digo, e a consciência não me pesa. 

Pensem antes o que temem, ou os rabos de palha que escondem, aqueles que usam o verbo (populista) com reaccionária regularidade. Desconfiem deles, e observem-lhes os procedimentos. Verificarão que por de trás de um anti-populista se esconde quase sempre um grande traste.

Portugal é quase um asilo de alienados a céu aberto, é verdade. Mas ainda tem gente boa e competente. Neste grupo, não se incluem, como a História dita, os políticos. Contudo, os governos têm sido submetidos, em teoria, a escrutínios populares. Conhecem-se portanto os nomes de quem fez parte dos governos. São esses os responsáveis da nossa desgraça. 

Na falta de castigo mais adequado, por que não começar por dar ouvidos a quem não tem culpa nenhuma do que nos está a acontecer, e esquecem a opinião dos políticos? 

É um pedido modesto, reconheço, mas é um começo. Discutir o sexo dos anjos não é bom jornalismo.

11 janeiro, 2012

A propósito dos raros prémios do Totoloto...


...enviei para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o e-mail/sugestão abaixo colado:

Exmos Senhores,


Há uns mêses a esta parte que acompanho os sorteios do Totoloto e constato, com alguma apreensão, que raramente foi contemplado o 1º.prémio.  A última vez que isso aconteceu foi em Agosto de 2011, do 56º. sorteio até ao 89º (33) do mesmo ano, mais o 1º.(+1)de 2012. O Jackpot apenas saiu ao fim 35ºs. concursos, ou seja, ao 2º.sorteio de 2012! No total, foram 34 sorteios [seis mêses] sem premiar um único totalista! Além disso, durante o mesmo período de tempo, houve cerca de 13 sorteios sem premiar os 2ºs. prémios! Não será tempo demais?


Tudo isto pode ser muito sério, mas com estes resultados, mesmo tendo em conta a componente aleatória do próprio jogo, a verdade é que não o parece. 


Por estas razões, seria recomendável que V. Exas tornassem público nos jornais diários, não o nome do premiado [como é lógico], mas, no mínimo, o local/região do balcão onde se  registam os prémios mais importantes. 


Assim, se dissipariam as eventuais suspeições que podem pôr em causa o prestígio e honaribilidade dessa Instituição.


Com os melhores cumprimentos,
Rui Valente



Maçons. Só se for para partir pedra, mas com o ordenado mínimo...

Símbolo Maçónico
Desde há umas três dezenas de anos que tenho comigo o livro "A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo", de Oliveira Marques, cujo prefácio começa por dizer que o objectivo é esclarecer todos os leitores sobre factos e ideias da matéria.

Devo dizer, que não consegui lê-lo até ao fim, tal foi o sentimento de desconfiança que me deixou. Por princípio, suspeito das intenções de qualquer sociedade secreta [embora haja quem diga que o não é], e quando admitem políticos no seu seio, ainda suspeito mais.

A Maçonaria possui normas nalguns aspectos semelhantes às da Constituição da República, mas ao contrário desta, não as altera, porque não precisa de as pôr em prática. A Maçonaria defende a Justiça Social, o aclassismo, a fraternidade, a igualdade e...a democracia. Num país integrado numa Europa desigual e profundamente desgovernada, o espírito da Maçonaria seria  menos ridículo e mais aceitável se servisse de reforço aos valores democráticos. Mas quando estes valores andam pelas ruas da amargura, e o número de pessoas sem emprego sobe assustadoramente, a coisa muda de figura. 

Não gosto de perseguições e defendo fortemente o direito à privacidade individual dos cidadãos, mas a Maçonaria nada tem a ver com a privacidade comum, a Maçonaria é uma sociedade ritualista, fechada e elitista. Quando os governantes se revelam incapazes de administrar com talento e saber os países, com consequências gravíssimas para a vida dos povos, sou a favor da proibição total da participação de políticos em qualquer tipo de sociedades, sobretudo de cariz hermética.

Vou mais longe, ainda. Considero que os políticos também não deviam imiscuir-se no futebol. Ao fazerem-no, perdem o perfil de independência exigível a quem tem de decidir com isenção.  Os políticos, sendo pessoas como as outras, não deviam assumir as liberdades mundanas do cidadão comum. As suas responsabilidades não deviam ter a elasticidade das de um jogador de futebol, requerem outra austeridade, outra elevação, mais próprias de um missionário.

Ao contrário do que alguns defendem, essa irracional "colagem" às bases que permite a uma figura do Estado ir ao futebol com o cachecol do clube ao pescoço, é o princípio da sua desautorização moral e pessoal, enquanto figura pública.

Só isso explica essa aberração da "democracia" moderna que permite vê-los a consumir o tempo - que deviam dedicar à resolução dos problemas do país -, em programas de rivalidade clubísta. Tal costume não pode ser compatível com a grande política, e grande política no sentido nobre do termo, é tudo o que nunca tivemos, antes, e depois de Salazar.


10 janeiro, 2012

10 anos de um Rio sem vida nem alma


Ontem, houve quem não resistisse ao beija-mão a Rui Rio, sob pretexto dos 10 anos à frente da CMPorto. 

Supostamente, consta que a seriedade é a sua maior virtude. Eu, não iria tão longe, até porque as pessoas sérias abdicam naturalmente da auto-promoção e do auto-elogio, coisa que o actual Presidente da Câmara é incapaz de fazer.

Até porque não tem muito de que se elogiar. Se o turismo aumentou no Porto não foi seguramente por intervenção directa ou indirecta de Rui Rio. Os vôos low cost, o Metro do Porto e o Aeroporto Sá Carneiro - que não são obra da sua lavra - foram os impulsionadores principais. Se algumas [poucas] casas foram recuperadas, não é motivo para grandes manifestações de orgulho, porque o Porto ainda precisa de reabilitar centenas delas e com rendas suficientemente atractivas para repovoar a cidade, coisa que a "movida",  por si só, não resolve.

Para terminar, a seriedade, apesar de andar efectivamente arredia da classe política, é um dever cívico do bom cidadão, mas não chega para se ser competente.

Portanto, numa nota de 1 a 10, eu dou um 5 a Rui Rio. Pela seriedade...