21 agosto, 2014

A justiça popular versus quaresmismo

É um facto que nem sempre se confirma a tão afamada sabedoria popular. Só de vez em quando mesmo.  Talvez por isso, nunca fui grande simpatizante de grandes concentrações de massas. A única que tolero é no futebol para ver o FCPorto jogar, e no Dragão, por amor ao clube. 

Ainda ontem fiquei completamente siderado com a reacção do povo de Carrazeda de Anciães à detenção de um pastor por suspeita de esfaquear duas mulheres provocando a morte a uma delas. Declarações do género: "ele não fez mal a ninguém e tem muita gente aqui a apoiá-lo". Ou, "ele não se metia com ninguém, era muito calmo", como se só as pessoas nervosas fossem capazes de um acto de loucura ou as calmas tivessem, à priori, um lugar reservado no céu.

A subjectividade a que as emoções muitas vezes conduzem justificariam a frieza da Justiça se ela fosse, como diz o ditado, cega. O drama é que a Justiça vê e olha demais para o estatuto dos julgados, e é a partir daí que muitos preferem fazê-la pelas próprias mãos. Não sei se terá sido o caso. Seja como for, ninguém de bom senso devia apoiar um assassino excepto possuindo provas claras da sua inocência, e por aquilo que ouvi do povo ninguém parecia saber ao certo o que terá gerado a tragédia.

Tenho portanto dificuldade em entender tanto a atitude do criminoso como a do povo que o apoia. Não creio que o que aquelas duas vítimas fizeram ao pastor (se é que fizeram), tenha sido mais grave que os crimes colossais e recorrentes que os governantes do passado recente e da actualidade têm cometido com os portugueses, jovens e reformados, retirando-lhes o direito ao emprego (não disse trabalho propositadamente, porque aqui trabalha-se práticamente de borla) e saquendo-lhes as reformas, e contudo ainda ninguém se lembrou de lhes dar um tiro... (merecido, acharia eu). A "coragem" do povo apenas se faz notar nas causas "domésticas", de proximidade, mas encolhe-se nas verdadeiramente importantes.

Não posso deixar de fazer uma analogia entre estas reacções emocionais com a postura de certos jornalistas e de alguns adeptos portistas, com o estatuto de intocável de Ricardo Quaresma no plantel do FCPorto. Tal como querer o sol na eira e a chuva no nabal são uma utopia, há quem acredite na possibilidade de existir um treinador líder abdicando da sua autoridade em prol de um jogador "intocável" e ao mesmo tempo controlar toda uma equipa. Impossível. Um líder não pode ser pressionável. Se o fôr, é porque não é líder.

Se Ricardo Quaresma for inteligente, se souber aproveitar a oportunidade que o FCPorto lhe deu para se impor como jogador e sobretudo como homem, o benefício será de todos. Em primeiro lugar dele próprio que se revalorizará  se jogar mais para equipa, e depois para o clube e os adeptos. Agora, se não o fizer, se entender continuar no caminho caprichoso do individualismo inconsequente e se deixar fintar pelas perguntas armadilhadas dos pasquineiros, estará a dar um tiro nos pés e a deixar a imagem de um jogador eternamente inacabado. Por sua culpa exclusiva.

Por todas estas razões, espero que o actual treinador Julen Lopetegui não abdique nunca de lierar. É ele o treinador, quem não estiver disposto a aceitar as suas decisões, só tem um caminho: a porta de saída. Mas não é isso que eu desejo. Quero um Quaresma que entenda que o futebol não é o ténis, o futebol é jogado com 11 jogadores contra outros 11 adversários, por isso se chamam equipas. Se assim fôr todos terão a ganhar, inclusivé o Quaresma. Além de que aceitar os factos pela ordem correcta da hierarquia é também um sinal de inteligência...
    

L. F. Menezes, mais um regionalista de oposição...

"O Porto, o Norte e o país estão sedentos de encontrar quem os conduza com tranquilidade e firmeza nesse caminho. A coragem de ressuscitar com elevação o debate sobre a regionalização poderá vir a ser um bom recomeço.

Desse modo, com a consciência que tal não é o mais importante, talvez venhamos a ter um dia destes um primeiro-ministro ou um presidente da República nascido nas Fontainhas ou na Ribeira."

(Luís Filipe Menezes, no JN)

O ex-autarca de Vila Nova de Gaia e candidato derrotado à Câmara do Porto, a quem reconheci o trabalho produzido enquanto autarca sem imaginar que deixasse um buraco tão grande nas finanças da Câmara, não pára de me decpcionar.

Sugiro a quem ainda não o tenha feito, a leitura completa da sua crónica para avaliar até onde chega o desplante da maioria dos políticos quando vão para a oposição, ou para a reforma.

No mais absoluto desdém e desrespeito pela memória do povo, assumem-se defensores indefectíveis da regionalização com o mesmo à vontade com que ignoram o tema quando atingem os seus principais objectivos pessoais, ou seja, o topo do poder. Aliás, foi por essa reviravolta circense e traiçoeira que coloquei uma cruz sobre a índole do personagem. Para mim morreu. 

Só o incompetente e desleixado Júlio Magalhães é que não percebeu isso, e continua a convidá-lo (agora não, porque o Porto Canal parece ter fechado para férias prolongadas...), como se não soubesse o que ele vale como político. 

Se o FCPorto não arrepiar caminho e acompanhar com atenção redobrada o que se está a passar no Porto Canal, corre o risco de viver outra vez um despertar tardio, à imagem do que aconteceu a época passada no futebol e perder também esta aposta...  


20 agosto, 2014

Info FM : Aboubakar proche du FC Porto ! Será?

Alors qu'il était annoncé proche de Benfica puis du Sporting Portugal, c'est vers le FC Porto que Vincent Aboubakar se dirige. Les Dragões se sont mis d'accord avec Lorient sur le montant du transfert selon nos informations.


Aboubakar vers un avenir au Portugal
Aboubakar vers un avenir au Portugal
©Maxppp

Les supporters de Lorient ont peut-être eu l’espoir de voir Vincent Aboubakar rester la saison entière en Bretagne, mais après deux matches disputés, l’international camerounais va bel et bien quitter les Merlus. Selon une source proche du joueur, Lorient a trouvé un accord financier avec le FC Porto, aux alentours de 10 M€, soit le plus grand transfert jamais réalisé par le club breton !
D’abord annoncé à Benfica, puis tout proche du Sporting, c’est bien au Portugal que l’attaquant de 22 ans va filer, mais du côté du FC Porto. Les Dragões ont négocié discrètement avec les dirigeants lorientais et ont accepté de payer la somme réclamée pour Aboubakar, auteur de 16 buts la saison passée en Ligue 1. Ce dernier se serait déjà mis d’accord avec Porto au sujet d’un contrat.
Le Camerounais devrait donc découvrir la Liga ZON Sagres au sein d’une équipe particulièrement compétitive, qui a beaucoup recruté cet été après la déconvenue de la saison précédente (3e du championnat derrière Benfica et le Sporting). Avec Aboubakar, Porto dispose d’une alternative crédible à Jackson Martinez, qui pourrait bien partir dans les derniers instants du mercato, malgré sa récente prolongation de contrat (Valence garde un œil sur lui). Ajoutons à cela l’Espagnol Adrian Lopez et Porto peut s’appuyer sur un beau secteur offensif.
(Fonte: Foot Mercato)

Nota de RoP:
Parece que já estou a ver a capa de amanhã dos pasquins lisbonários (Bola e Record):

"FCPorto ROUBA Aboubakar ao Benfica!"

Sérios, eles nunca foram, mas originais podiam ser de vez em quando. Quanto mais não seja para disfarçar a azia, não é... Isto, saliente-se, a confirmar-se esta notícia.

17 agosto, 2014

Lopetegui e Rúben Neves, o duo de trunfos

Li hoje, no JN, uma notícia - com a qual estou completamente de acordo -, o anúncio da contratação de um espanhol (de nome, Pablo), para coordenar o sector de formação do FCPorto. Segundo a mesma notícia a contratação teve o dedo de Lopetegui, que tem acompanhado o trabalho da formação...

Apesar da minha concordância não ter nada a ver com o conhecimento específico das qualidades técnicas e humanas do treinador em apreço, tenho como um facto adquirido que, salvo raríssimas excepções, falta aos treinadores nacionais aquela ponta de objectividade que pode tornar o talento dos nossos jovens jogadores em atletas de alto gabarito com capacidade para ultrapassar defesas fechadas e para marcar golos com rapidez e eficácia. Que me desculpem os treinadores que porventura me estejam a ler, mas se a minha avaliação não é tão habilitada como devia, é porque não posso orientar-me melhor devido a ser-me vedada a mim, como ao público em geral, a observação dos treinos de rotina. Por isso, só posso valer-me pelo que me é dado observar nos jogos.

Embora o louvável 2º lugar na 2ª Liga, obtido pelo FCPorto B  na época passada o possa contrariar, a verdade é que, pelos jogos que pude acompanhar no Porto Canal, foram visíveis essas referidas dificuldades e este ano voltam a notar-se. No Campeonato Europeu de juniores, baqueamos frente aos alemães pelas mesmíssimas razões...

Grosso modo, aquilo que mais me impressionou pela negativa, foi a incapacidade da equipa B do FCPorto em ultrapassar adversários que se fechavam muito na defesa quando vinham jogar ao Olival. Este ano o filme é o mesmo e já vamos com 2 derrotas seguidas... O que me parece, na minha qualidade de leigo, mas que sabe minimamente o que é dar uns pontapés numa bola, é que na situações que acabei de citar os treinadores portugueses preferem instruir os jogadores para passarem a bola para trás e para o lado, para a guardar, à espera de uma aberta  para atacar, do que desafiá-los a explorar as suas capacidades técnicas individuais para quebrarem essas barreiras de forma racional. Aliás, pessoalmente, não vejo em que outras situações podem ser úteis as fintas, senão quando elas são necessárias, ou seja, quando há pela frente obstáculos. Fintar, não é simular uma intenção inconsequente, fintar é usar a habilidade e a técnica para enganar o adversário retirando objectivamente daí dividendos. Se há lances que nunca aplaudo num jogador são as habilidades fiteiras daqueles jogadores que fingem que sabem fintar mas não fintam nada que seja verdadeiramente útil para o grupo. 
















É por essa razão que sou a favor da ideia de incluir treinadores espanhóis na formação, desde que sejam credenciados, porque têm uma garra, um sentido pragmático do jogo mais desenvolvido que os nossos. Senão, é só memorizar o que tem acontecido nas finais em conseguimos participar em todas as modalidades para perceber quem realmente tem mostrado capacidade para as ganhar, se nós, ou eles...

No Hokey em patins, por exemplo, o problema é o mesmo. Nos últimos anos sempre que deparámos com espanhóis ou italianos quase sempre falhámos, e não é por termos jogadores de qualidade inferior, é porque não lhes sabemos "extrair" todas as suas potencialidades nem incutir-lhes uma mentalidade vencedora nos momentos decisivos.

Talvez tenham sido estas debilidades que Lopetegui viu nos nossos juniores que explicam a aposta em técnicos espanhóis. Oxalá tenha acertado na escolha...

De resto, como explicar que um jogador com o potencial de Rúben Neves só agora esteja a ser falado e especialmente, a ser lançado na equipa principal? Afinal, ele "já" tem 17 anos, e está no FCPorto há 10... Agora, não falta gente a reconhecer-lhe a maturidade e o talento. Então, porque será que só um treinador espanhol teve coragem para o lançar logo no jogo inaugural na equipa principal? E por que será que a aposta de Lopetegui em Rúben Neves valeu um golo do mesmo como prémio logo no primeiro jogo? Terá sido o acaso? Não, não foi. Como reza o ditado, a sorte protege os audazes. Benvindos ao FCPorto meus senhores! Precisam-se de jogadores e treinadores assim, com as vossas características. De resto (leiam-me bem por favor), o futuro ainda é uma incógnita, mas que isto transmite uma grande confiança, isso transmite.

De lamentar, que o princípio, a linha de rumo escolhida agora pelo FCPorto, não se estenda ao Porto Canal de Júlio Magalhães. Aí, o sentido é completamente oposto ao de Lopetegui, a coragem e a criatividade não moram por ali. É uma parolice pregada.

PS-Se a leitura deste post não for desvirtuada, a minha ideia pode passar, mas para que não haja equívocos, declaro que ainda não ganhámos nada, que só estou é cheio de confiança.

15 agosto, 2014

FCPorto, 2 - Marítimo, 0

Bom jogo do FCPorto para início de época. De positivo a qualidade do passe e a circulação de bola. Para uma equipa praticamente renovada, já se viram boas movimentações, embora ainda sem a correspondente objectividade. A nível particular o destaque vai todo para o jovem Ruben Neves, não só pela maturidade revelada dentro do campo como pelo golo que marcou (à germânico). 

Quaresma agradou-me na primeira parte por ter jogado mais para a equipa que para ele. Aborreceu-me na segunda,justamente por se ter esquecido do que fez bem na primeira. Brahimi foi o jogador que mais me agradou, a par de Oliver pela soberba visão de jogo, e finalmente pela classe denunciada por Tello. 

Na defesa, nada de significativo a observar. Bom começo, portanto.


14 agosto, 2014

Cuidado com os simplórios



Experimente o leitor dar uma espreitadela no Google Earth no modo vista de pássaro  e compare o ordenamento territorial do nosso país com o da França ou da Alemanha, por exemplo. O que irá ver, é o mais sério e conclusivo testemunho do nosso constante atraso em relação a todos os outros países da União Europeia comunitária, e mesmo de muitos da Europa extra-comunitária. 

Contrariando de modo arrasador a tese dos nossos optimistas de serviço, em Portugal as zonas insdustriais invadiram um pouco por todo o lado as zonas urbanas e rurais, provando ad aeternum a nossa atracção pela bagunça. Para os portugueses, a Lei só é respeitável se for para nos beneficiar, se a mesma Lei beneficiar outrem, é porque não presta. E porque haviam de ser os portugueses diferentes se são os próprios governantes quem lhes ensina a missa? Quantas vezes, desde o 25 de Abril, quiseram os governos sucessivos alterar a Constituição de1976? Inúmeras! Desde então, já conseguiram alterá-la sete vezes, e não foi - como se vai confirmando - para melhor.

Em teoria, rever 7 vezes em 40 anos a Constituição, não é muito, até porque a Assembleia da República foi constitucionalmente dotada de poderes para o fazer, o que se torna chocante, é vermos o caminho que lhe querem dar, ou seja, o regresso ao passado, à lei do mais "forte" (traduza-se: endinheirado). E o certo é que vão-no conseguindo...

Por ser assim, é que não sou muito adepto dos unanimismos, porque pensar como a maioria, num país como o nosso, pode querer significar pensar errado, pensar de forma a deixar tudo como está. Pensar para trás.

11 agosto, 2014

De volta ao país do faz de conta

De volta à realidade nacional, onde os poderosos e gangsters da banca e da política, continuam a ser tratados pela Justiça como se fossem pessoas altamente respeitáveis, confesso que já me cansa esta inutilidade que é ser "livre" e dizer o que penso, só para fingir que vivo numa democracia.  A verdade é que há muito que percebi que esta "liberdade" é a única maneira confortável de exercer a ditadura na Europa comunitária do século XXI, até porque de comunitária já tem pouco... Se a isto juntarmos a vergonha genocida de dois países recém libertos da cortina de ferro, entre a Ucrânia e os separatistas pró Moscovo, é caso para mandarmos definitivamente à merda todos os optimistas do planeta e perguntarmos se não serão eles também um pouco responsáveis pelo que de pior está a acontecer à humanidade. 

Então, o que nos resta dizer? Se tudo isto ao menos servisse para despertar os portugueses da longa letargia de maturidade cívica em que mergulharam, do mal o menos. Mas não. Apesar de continuar a ser enganado, a ser despojado dos seus bens mais básicos, este povo continua pateticamente a manifestar-se orgulhoso com a vida cor de rosa de Ronaldo e Mourinho, como se incorporasse em si o cérebro de uma criança de 5 anos de baixo coeficiente intelectual.

Como dar a volta a isto, se nem o futebol, ou melhor, o amor ao clube, os ajuda a perceber a discriminação com que a sua região ou cidade é tratada em relação aos clubes da capital? Como é possível transmitir "miolo" a um cérebro que abdica de o usar para seu próprio bem?  Alguém duvida que se perguntássemos agora a alguns portuenses portistas, que dos clubes grandes, são seguramente os adeptos que mais razão de queixa têm para se sentirem discriminados, se eram a favor da regionalização ainda havíamos de ver muitos a repetir - tais papagaios desmiolados - a lengalenga dos centralistas, que eram contra por não querem "dividir" o país?  E outros, nem sequer respondiam, por desprezível ignorância. 

Um país onde prevalecem os gostos por programas do tipo "Portugal no coração",  por Gouchas e Teresas Guilhermes, um país que não "dá" tempo ao povo para se divertir pensando, é um país formatado para gerar a imbecilidade. E desengane-se quem pensa que isso é por acaso. Não é.

19 julho, 2014

Porto Canal vazio de liderança. Ó Júlio, desampara-nos a loja!


Não vale a pena tentar transformar as críticas que venho fazendo à gestão do Porto Canal numa obsessão pessoal, porque não é. Quando as faço costumo logo a seguir explicar porquê. Apesar disso, considero que se queremos o melhor para nós, a pior coisa que podemos fazer é fechar os olhos ao que está mal, sobretudo quanto constatámos que o que está mal tem mais a ver com erros grosseiros de gestão do que com a optimização dos conteúdos.

Tenho consciência dos elevados custos inerentes à implantação e afirmação de um projecto de TV, mas tal não impede, pelo contrário, exige, que os custos sejam compensados com uma maior imaginação e mais criatividade. Ora, no Porto Canal criatividade é coisa que não abunda, e rigor nem vê-lo. Consultem a TV Guia do JN e vejam se conseguem lá detectar a grelha de programas do Porto Canal.


Não me canso de apresentar casos porque eles sucedem-se a uma velocidade vertiginosa. Ontem, por exemplo, no telejornal da noite a apresentadora anunciou o resultado do jogo da véspera de Hóquei em Patins entre Portugal e a Alemanha (13-3), quando tinha terminado alguns minutos antes o jogo da noite entre Portugal e a Itália (2-3). Mas o que é isto, senão incompetência? Como é possível que a administração do FC Porto continue a ignorar o que se está a passar?

18 julho, 2014

Deve tê-lo confundido com o Carlos Daniel...

O homem de blusão escuro é um jornalista inglês.


Casimiro no FCPorto?


foton

El centrocampista brasileño del Real Madrid Casemiroserá cedido por el Real Madrid al Oporto por una temporada. Las negociaciones están muy avanzadas y la operación podría cerrarse en las próximas horas. El Madrid pretende que el jugador, de 22 años y que llegó en enero de 2013 al club, tenga muchos minutos y el nuevo técnico del Oporto, Julen Lopetegui, parece dispuesto a dárselos.
En principio, en el contrato de cesión se incluirá una opción de compra en favor del Oporto y otra de recompra en favor del Real Madrid. La idea es que el futbolista se incorpore al club portugués antes de la gira americana del equipo de Ancelotti.
El Madrid, que en principio obtuvo la cesión por parte del Sao Paulo en enero de 2013, hizo efectiva la opción de compra el verano siguiente por seis millones de eurosy firmó con el jugador un contrato por cuatro temporadas. La pasada campaña, con Ancelotti, participó en doce partidos de Liga, siete de Copa del Rey un seis de la Champions League.

17 julho, 2014

Repleto de razão caro arquitecto


Porto Canal, uma vergonha


Ontem, para não variar, o Porto Canal brindou os espectadores com umas gravações do jogador Tello completamente deterioradas. E transmitiu-as duas vezes! Mais tarde, num programa desportivo, com Bernardino Barros, José Fernando Rio e Tiago Girão, voltaram a apresentar as mesmas imagens nas mesmas condições, sem que nenhum dos intervenientes se lembrasse de apresentar um simples pedido de desculpas...

A mim, isto já não me surpreende, pois é o resultado de ter ao leme um homem sem unhas para o cargo. De seu nome, Júlio Magalhães. Ele acha que não tem de pedir desculpas aos espectadores... 

Se não o soubéssemos, alguém acreditaria que o FCPorto é co-proprietário do Porto Canal? Senhor Pinto da Costa, V. Exa. por acaso não vê o Porto Canal? Se não vê, faz mal!

PS:
Querem mais? Pois aqui vai: hoje, no jornal da uma, voltaram a passar a cassete atrás referida com os mesmos problemas. Desculpas, nem vê-las.
Tudo isto pode ter sido um mero incidente, problema técnico alheio ao canal, mas o facto de estas situações serem recorrentes e de nunca ter assistido a um pedido de desculpas, faz-me pensar que se trata apenas de um caso de incompetência da parte da Direcção e de uma total desconsideração pelo público.

16 julho, 2014

Não me conformo com este Porto Canal

Porto Canal - HomepagePergunto-me até quando irá durar o enigma Porto Canal, versus Câmara Municipal do Porto, versus FCPorto.  

Neste folhetim de silencio ruidoso e de telenovela mexicana, o que me incomoda é a confusão que esta situação poderá gerar não apenas nos portuenses como no resto do país, nomeadamente da capital. Mais me espanta a aparente indiferença, ou porventura a distração dos órgãos de comunicação social lisboetas, normalmente tão diligentes a denunciar as guerrinhas dos "provincianos" lá do Norte. 

Sabemos bem como o Terreiro do Paço e seu corpo fiel de colaboradores olha para os nossos problemas quando se trata da distribuição de fundos comunitários ou investimentos que visem o desenvolvimento regional. Ignoram-nos simplesmente, ou então desviam os fundos para a capital e arredores, a coberto do maior embuste legislativo que é o efeito difusor aprovado ainda na campanha eleitoral de 2009 pelo governo PS, com o aval de Durão Barroso. Saliente-se que Portugal foi o único país da UE a aceitar este negócio do spill-over... Adiante.

Como bem sabem, os centralistas não costumam ignorar-nos quando se trata de nos ridicularizar com a pronúncia, ou com os "sistemas" nebulosos de Pinto da Costa. Então, o que se estará a passar com eles para ainda não terem explorado, como tanto gostam, a paz pôdre existente entre as 3 entidades da nossa cidade (Câmara/FCPorto/Porto Canal). Andarão distraídos?

Os portuenses investem quase tudo no futebol, pouco tempo dedicam a outras temáticas. O clube parece mais importante que a cidade (para mim, são almas gémeas, não sei separá-las). Não admira portanto que ninguém pareça querer saber por que é que o Porto Canal tem convidado frequentemente todos os presidentes da Câmara nortenhos e ainda não o tenha feito com Rui Moreira (será isto portocentrismo?). Será normal este comportamento? Será deontologicamente aceitável para o prestígio de um órgão de comunicação social como é a televisão que a Direcção do Porto Canal não dê nenhuma explicação aos portuenses para este lamentável procedimento?  E o FCPorto o que terá a dizer?Ninguém quererá saber exactamente o que se passou para isto estar a acontecer, ou preferem lançar para o ar pareceres pessoais inspirados na clubite aguda que nada esclarece?

Só espero é que o FCPorto não faça com o Porto Canal de Júlio Magalhães o que fez com Paulo Fonseca no futebol... É que, hipotecar um campeonato por excesso de confiança proveniente do hábito de ganhar pode não ser grave e resolver-se na época seguinte, mas deixar um canal entregue a um amador como Júlio Magalhães que afugenta em vez de atrair os espectadores pode ser o fim de um projecto muito caro e muito importante para o Norte.

15 julho, 2014

Há sinais no FCPorto que me agradam



Tudo leva a crer que a Direcção do FCPorto não quis remediar a meio da época finda aquilo que não tinha remédio e preferiu implicitamente, embora sem o admitir, "abdicar" do sucesso desportivo. Lá terá considerado que não havia muito mais a fazer com um treinador como o Paulo Fonseca. Foi uma opção, mas pôs-se a jeito para levar em cima com toda a sorte de especulações. Se os nossos rivais nem sequer precisam de pretextos para especular, oferecendo-os desta maneira, contribuiram para credibilizar a boataria de que se alimentam e para contagiar uma grande franja dos adeptos portistas. Eu próprio tive dificuldade em compreender determinadas decisões e a falta de outras... Este problema estendeu-se (e mantém-se) na gestão do Porto Canal, onde a organização não é o ponto forte.

Mas, por aquilo que está a ser feito a poucos dias da abertura da época 2014/2015, há sinais evidentes de mudança. O FCPorto parece ter finalmente percebido que os adversários mais fortes se organizaram e fortaleceram e que para os vencer confortavelmente já não funcionava a antiga política de contratações. Além disso, o mercado de transferencias também é mais agressivo e exigente. Por isso, vai ter de mudar igualmente o modo como negociava, ou seja, não pode ficar condicionado pela simples compra de jogadores baratos e com potencial, mas terá também de aceitar empréstimos de atletas caros mas de qualidade comprovada. Terá de fazer uma gestão mista, constituída por jogadores já feitos emprestados, por outros mais baratos com futuro para postriores transacções vantajosas. É a mudança dos tempos.

Concluindo: tudo aponta para que o ciclo vitorioso do FCPorto vá continuar e que a época finda não tenha passado de algum perigoso (mas tolerável) excesso de confiança.

14 julho, 2014

E os arrogantes são os alemães?

Se para evitar confusões fôr preciso discutir o regime sócio-político do mundo ocidental, o mercado livre ou simplesmente o liberalismo, estou totalmente disponível, até porque sou totalmente contra... Agora, se me perguntarem quem dentro desse regime tem sabido tirar mais proveitos, quem tem governado melhor os respectivos países, terei de reconhecer que na Europa, são sem dúvida os alemães a par dos países escandinavos (para mim os mais civilizados).  

Este preliminar visa sossegar os espíritos ultra-sensíveis de certos leitores que têm algumas dificuldades de interpretação e que são incapazes de reconhecer o mérito a quem o tem, quando este choca com as suas simpatias pessoais. Por outras palavras e para falar claro diria que, se pudesse escolher entre o orgulho de ser português, assente nos méritos do Ronaldo e do Mourinho [e de 40 anos de democracia adulterada], e o orgulho de ser alemão por pertencer ao país mais poderoso da Europa, eu escolheria este último. Sei que isto não é politicamente correcto para os patriotas do fado mas não me preocupo com isso. Antes de mais, porque ser politicamente correcto é ser igual àquilo que condeno, ou seja: a valorização do fútil.  E segundo, porque quem manda na minha cabeça sou eu.    

Posto isto, só quero dizer é que a Alemanha foi uma justíssima vencedora do Mundial de Futebol no Brasil, porque, de todos os países foi sem dúvida a selecção mais organizada, mais sóbria e também a mais humilde. Sim, humilde. Eles preocuparam-se com o essencial: jogar melhor que os adversários, e vencê-los.

Nós, os portugas, falsos humildes, vimos os nossos jogadores exclusivamente concentrados nos penteados. Detesto este Portugal.   

10 julho, 2014

Portismo de Sara Sampaio


A modelo portuguesa Sara Sampaio partilhou nas redes sociais esta bela imagem, selecionada entre as fotos de uma produção que protagonizou para o último número da revista francesa

Disse no Twitter que é portuense e portista, e que lhe faltava uma camisola do FCPorto personalizada, ao que o FCPorto respondeu afirmativamente satisfazendo-lhe logo o pedido.

Mas para quê uma camisola personalizada se este equipamento lhe fica tão bem? Até porque o portismo é mais que tudo uma questão de coração, não é... 

09 julho, 2014

Galardoado recusa medalha em solidariedade com Pinto da Costa

O presidente da Beneficência Familiar recusou receber da Câmara do Porto uma medalha de mérito em solidariedade com o presidente do F.C. Porto, Pinto da Costa, considerando "descortês e desconfortável a confraternização" com ex-autarca Rui Rio.


"Partilhando eu idêntica posição do presidente do F.C. Porto em relação a Rui Rio [...], considero igualmente descortês e desconfortável a minha confraternização na minha cerimónia com Rui Rio", explicou António dos Santos Reis, o primeiro presidente eleito da junta de freguesia de Ramalde, numa carta a que a Lusa teve acesso.

Na missiva "entregue em mãos" ao presidente da autarquia, Rui Moreira, na segunda-feira, Santos Reis esclarece estar em causa o esclarecimento "em reunião do executivo", a propósito "da não-inclusão de Pinto da Costa entre as personalidades que receberão medalha municipal", de que "não seria cortês homenagear Pinto da Costa e Rui Rio na mesma cerimónia".

"Os altos valores, princípios morais e ideológicos que me são inatos não me permitem aceitá-la [...] É que, para além do mais, Jorge Nuno Pinto da Costa e o signatário desta [carta] presidem a duas das mais prestigiadas e centenárias instituições da cidade do Porto", destaca o também presidente da Cooperativa de Ramalde.

António dos Santos Reis manifesta ainda a "mágoa" pelo "Grau Prata" do galardão que a Câmara do Porto aprovou atribuir-lhe na reunião do executivo de 17 de junho.

"Apesar da honra de tal distinção, a exclusividade desse grau na lista de personalidades a homenagear não pode deixar de provocar em mim profunda tristeza por verificar que uma longa vida dedicada ao bem comum [...] seja considerada apoucada em relação às demais atividades representadas pelos ilustres homenageados", acrescenta.

[do JN]

O futebol da Alemanha venceu-me a simpatia

Gosto do Brasil e do seu povo. Ao contrário do português europeu, tristonho, pesado  e fatalista (do fado), o Brasil teve o condão de tornar a língua portuguesa numa língua bonita, leve, alegre, ritmada e musical (do samba). Além disso, é mais que um país, é um continente dentro do próprio continente, exuberante de vida e beleza. Só não gosto das favelas e de tudo o que elas significam... O optimismo dos brasileiros é o único genuíno, porque é impossível sorrir como sorri aquele povo com uma vida tão difícil e assimétrica como é a deles.

Mas ontem gostei dos alemães. Gostei do fantástico espírito colectivo, assente no rigor, na disciplina e na sobriedade que fez dos 7 golos marcados à selecção do Brasil parecer uma coisa simples. É isto que faz falta à Europa do Sul, e é a falta disto que faz a Europa do Sul continuar nas bocas do mundo com a reputação dos malandros mais corruptos do continente. E não me estou a referir apenas ao futebol...

Mas o futebol tem destas coisas, porque é um desporto iminentemente colectivo, de operários tecnicistas, provocou em mim o milagre de ter gostado da victória da equipa que não apoiava.

Porque foi melhor, porque me soube conquistar pela qualidade do seu futebol. Sem mariquices nem ronaldices. Viva o futebol!  


08 julho, 2014

O senhor promete, promete mesmo?


Sem liderança, nem uma grande união dos nortenhos, será muito difícil, senão impossível, derrubar esse monstro de muitas cabeças chamado centralismo. O Porto, todas as cidades e localidades nortenhas, queixam-se dele, com toda a razão, mas é preciso fazer muito mais que "chorar". E quando falo em chorar estou a referir-me a todos, muito em particular aos responsáveis políticos locais e a todo o universo do empresariado nortenho.

Quando aderi ao malogrado Movimento Pró Partido do Norte, não foi por ambições de ordem pessoal, foi por vontade de dar o meu modesto contributo e apoio a algo que os partidos - como agora se diz - do arco da governabilidade e da oposição, se têm recusado a encarar com seriedade, que é lutar e defender a causa da regionalização. Apenas isso. De resto, não tinha (nem tenho) ambições por cargos políticos.

Foi uma pena que ninguém tivesse querido levar avante aquele projecto, embora compreenda que quando faltam lideranças fortes e apoios financeiros é muito difícil levar a cabo uma empreitada desta natureza. E se juntarmos a isso o facto de uma grande parte dos nortenhos e dos portugueses em geral não terem grande vocação para se envolverem na luta política de forma desinteressada, então a tarefa fica quase impossível de realizar. A militância partidária normalmente "paga" de alguma forma aos seus discípulos, e é também isso que explica a pouca adesão que continuam a ter nas eleições, apesar do aumento crescente da abstenção.

Mesmo assim, continuo sem perceber muito bem o que distingue os partidos do poder e os da oposição, de todos os outros, para merecerem mais atenção e suposta credibilidade. Devia ser o contrário. A mim, faz-me confusão porque é que, depois de ser sistematicamente enganado, o povo reincide no "crime" de repetir o mesmo erro que originou a bandalheira que hoje vivemos.

Aqui vai um exemplo: o líder da distrital do Porto do PS José Luís Carneiro disse esperar que tanto António J. Seguro e António Costa discutam a reforma do Estado e que se comprometam em particular com a criação de regiões administrativas (ler artigo JN acima). Muito bem. E o que será para Luís Carneiro e outros militantes um compromisso? Uma promessa? Bem. Ainda que não me surpreenda que qualquer um dos putativos candidatos ás primárias do PS de Setembro faça a referida promessa, por naturalmente se sentirem confortáveis para não a cumprir agora, por mais uma vez "não ser oportuno", é expectável que continuem a assobiar para o lado e a ignorar outra vez o desafio, mesmo que algum ou ambos aceitem o repto e "prometam" tratar da regionalização.

Haverá alguém que esteja disposto a apostar comigo  como nenhum dos candidatos vai cumprir a promessa? E se ninguém quiser apostar por ter os mesmas suspeitas que eu, como explicar o fenómeno de haver ainda quem vote nestas miseráveis condições? Serão de facto essas pessoas que votam nestas condições, um exemplo de boa cidadania?

06 julho, 2014

Sinais do centralismo, mesmo no JN

Pouco tempo depois de ler o artigo interessantíssimo de José Mendes que colei mais abaixo, o qual subscrevo integralmente, quando folheava a revista Notícias Magazine que vem anexa com o JN aos domingos, logo na 1ª. página li o seguinte:

«Não querendo ceder a estereótipos, posso dizer que estes são os tempos em que o futebol deixa de ser um assunto iminentemente de homens, para se democratizar junto das fãs femininas que se tornam fanáticas das suas selecções nacionais. Elas que muitas vezes nem um jogo viram do campeonato nacional, que nem conseguem dizer de cor mais de quatro nomes que alinham pelo Benfica ou pelo Sporting, já para não falar dos treinadores, ei-las, chegado um campeonato como o Mundial, a discutir os efeitos da humidade nas pernas dos jogadores».

Por razões óbvias, compreendo que o teor do texto seja o que menos interessará ao leitor, até porque nem está completo (é só um parágrafo). Mas, acredito que já não lhe escapará a marca visível do centralismo que a autora (Catarina Carvalho) deixou bem patente no mesmo. Ora aí está, Benfica e Sporting, o resto é paisagem...

PS-Catarina Carvalho é "só" a Directora executiva da Notícias Magazine, mas, como todos os centralistas, é uma enorme ignorante sobre a realidade do país, que é...o resto.

A Controlinveste é o Grupo onde se inclui o JN, o DN, o Jogo, a TSF. Joaquim Oliveira já só detém 27,5% do capital da holding.

Capital e paisagem





Esta foi uma semana agitada. Política e futebol, sempre. As lutas intestinais no Partido Socialista, que parecem empastelar mais do que esclarecer.

O Conselho de Estado do presidente da República, que se começa a assemelhar a uma reunião de escuteiros, onde no final todos concordam com a necessidade de um Mundo melhor. A coligação do Governo, que tendo perdido o referencial da Oposição, começa de novo a sentir réplicas do terramoto de há um ano. No futebol, regressada a casa a excursão aos EUA (com extensão ao Brasil) dos 23 de Paulo Bento, que aquilo não era para rapazes, os homens tomaram conta das operações no Mundial. E tenho gostado sobretudo das equipas que respeitam os princípios de jogo: constituídas por 11 em campo (e não apenas pelo número 7), que mantêm presente que o futebol não se joga de muletas (como alguns tentaram).

Havia aqui matéria-prima mais do que suficiente para uma crónica de domingo. Mas já tantos e tão bons escreveram sobre política e futebol, pelo que opto hoje por olhar a "restante" atualidade com o filtro do território.

As capas dos jornais foram esta semana preenchidas por manchetes que refletem bem a geografia das preocupações e do valor que circula em Portugal. O paradigma de funcionamento deste país aí está, preto no branco, numa dicotomia que expõe, sem confrontar, a capital lisboeta rica e pujante, onde a crise não mora, ao lado da província (todo o resto do país), que é uma espécie de palco de telenovela com todos os ingredientes clássicos, do trágico acidente à luta pela sobrevivência.

Vamos aos detalhes. Fiquei a saber que em Lisboa o mercado imobiliário está ao rubro, com a procura a puxar pela oferta e pelos preços. Que os comerciantes das lojas de luxo da Avenida da Liberdade estão indignados com as iniciativas populares à sua porta, cheias de gente e animais sem poder de compra, que lhes prejudicam o acesso e toldam as montras. E que na capital há agora mordomos de luxo, cujo trabalho é acompanhar os visitantes ricos de Angola, Brasil e outras latitudes, levá-los às compras, ao hotéis e aos restaurantes em vistosos carros. Um oásis, mais ou menos o negativo do resto do país.

Soubemos também que o antigo presidente da Metro de Lisboa e da Carris, demitido há um ano devido aos swaps, exige em tribunal uma indemnização de 270 mil euros por não ter sido reintegrado no lugar de origem, como consultor da Refer. Gente que circula de lugar em lugar, no universo das empresas públicas, que gasta e exige dinheiro (público). E onde acontece tudo isto, sempre? Em Lisboa, claro, que é onde se coletam os impostos de todos os tugas.

Assistimos também à crise do BES. Família, gestão, capital e Estado, todo um ecossistema em revolução, onde circulam muito dinheiro, muito poder e muitos lugares. Na capital, pois claro. Ou melhor, exclusivamente na capital. É curioso alinhar os nomes dos putativos sucessores de Ricardo Salgado e perceber que fora de Lisboa nada existe, é o deserto. Vítor Bento, na minha opinião uma grande escolha, é ele próprio um talento "made in Estremoz" que, uma vez detetado pelo íman lisboeta, foi sugado pela força centrípeta do ecossistema lisboeta.

Agora a província, que é mais ou menos tudo o que está para lá de Vila Franca de Xira, a norte, ou de Almada, a sul. Soubemos que um jovem estudante de Artes Visuais do Algarve foi a tribunal acusado de ter cometido um crime de ultraje à bandeira nacional, naquilo que era afinal uma obra artística. Soubemos também que na província morrem jovens a conduzir ou transportados em veículos moto-quatro. E que na Linha da Beira continuam a descarrilar comboios de mercadorias com uma regularidade quase exemplar.

Percebemos ainda que a justiça, leia-se os tribunais, vai levantar âncora em boa parte do país e que faltam 900 funcionários para a reforma do mapa judiciário. E que mais umas quantas aldeias vão morrer porque as escolas vão fechar e a meia dúzia de rebentos que ainda corporizavam a esperança terão necessariamente de partir.
E vamos tendo o caso Maddie. Uma novela luso-britânica que já bateu, em extensão e argumento, todos os grandes êxitos da Globo. Mantêm-se assim entretidas as "gentes dos algarves".

Mapear o valor das temáticas refletidas na atualidade é um exercício que, neste país, converge sempre para a mesma máxima: Portugal é Lisboa, o resto é paisagem. É o terceiro-mundismo em formato europeu.

[do JN]

03 julho, 2014

ANONIMATO

Foi em 03 de Julho do ano passado que publiquei este post. Hoje, decidi voltar a publicá-lo para refrescar a memória dessa espécie abjecta de gente que se identifica como "Anónimo", mas que gosta de ser tratado como gente, na esperança que compreenda de uma vez que o insulto furtivo é o auto-reconhecimento da própria cobardia. E, não vale a pena, porque vão directamente para o lixo. 

30 junho, 2014

Norte cada vez mais a sul

Aqui atrasado escrevi que Portugal devia talvez chamar-se Entroncamento pela facilidade de gerar fenómenos à moda da cidade com o mesmo nome e de criar situações revestidas de mistérios absolutamente incompreensíveis. Hoje, volto a reafirmá-lo porque, como reza o ditado, o que é de mais, é moléstia.

Conhecido o faro dos media pelas notícias bombásticas, pelos chamados casos de faca e alguidar que os leva amiúde a forjá-los ou inventá-los para aumentarem as receitas de tesouraria, não deixa de ser estranha a aparente indiferença como têm lidado com essa espécie de paz pôdre instalada entre a Câmara do Porto e de Gaia, o Porto Canal, e o FCPorto. Mais  se estranha ainda, quando sabemos não ser preciso muito para os mass media centralistas aproveitarem o mínimo franzir de olho para desencadearem guerras entre instituições e pessoas a elas associadas, mais que não seja para mostrarem ao país profundo quão intenso é o provincianismo dos gajos do Norte, essa sub-raça, que, segundo a evidência dos critérios lisbonários só servem para estorvar o todo do país, que para eles, é obviamente Lisboa.  

O certo é que, desde que a Troika chegou a Portugal para credibilizar a austeridade e nos fazer assumir responsabilidades alheias, a comunicação social está concentrada na intriga partidária do arco do poder e o resto é irrelevante. Não que a Troika seja responsável pela indiferença dos media pelo resto do país, porque essa sempre existiu, agora o que era inimaginável é que o Porto Canal alinhasse pela mesma bitola e tenha praticamente desistido de enfatizar o tema da Regionalização.

Sendo, como consta,  o Porto Canal propriedade do FCPorto (detém a maioria do capital) não se entende como é que Pinto da Costa que foi um dos principais alvos e vítima do centralismo, sendo conhecido o seu inconformismo contra o mesmo, como é que ainda não apostou no reforço editorial do canal na componente regional e determinou outra dinâmica de forma a criar uma espécie de barreira ao crescimento incontrolável desse centralismo. Eu, não sou capaz de compreender tal postura, e até a acho um tanto contraditória.

Não basta à direcção do Porto Canal dizer que é pelo Norte, é preciso dar provas que está a trabalhar nesse sentido. A  sério. Terminar com um dos melhores programas sobre questões regionais (Pólo Norte), prova o contrário. E o que tem feito nos últimos tempos em matéria de informação, programação e criatividade tem sido regressivo e indigno para o público alvo. Se consultarmos o guia programático  do JN de televisão das 6ªs. feiras chegámos cedo á conclusão que o Porto Canal é dirigido em cima do joelho pois nem sequer fornece ao referido jornal a grelha semanal de programação. Custa portanto a acreditar que o FCPorto faça parte desta anarquia programática, porque não é a isso que estamos habituados, ou então não surpervisiona o Porto Canal, ou confia demais em Júlio Magalhães. E se confia, das duas, uma: ou sabe o que se está a passar e consente, ou não sabe e pactua com a situação.

Outro erro crasso da direcção do Porto Canal, quiçá o mais grave, é fazer dos espectadores um bando de idiotas a quem tudo é possível omitir e transmitir. Imaginar que os espectadores não se estão a aperceber das guerrinhas silenciosas entre Pinto da Costa e Rui Moreira, quando toda a gente reparou que Rui Moreira desde que foi eleito, não foi uma única vez aos estúdios do Porto Canal é fazer deles burros. A história recente com a atribuição da medalha de honra da cidade a Rui Rio não explica tudo, porque este clima de silêncio barulhento já se "respira" há uns mêses, não é de agora. Na noite de S. João os portuenses (e os lisboetas também), puderam constatar que Pinto da Costa se juntou ao presidente da C. M. de Gaia, Eduardo Victor e A. José Seguro em Gaia, enquanto do lado de cá, no Porto, Rui Moreira festejava acompanhado de António Costa... Resultado: aquilo que aparentemente o S. João "uniu" (os presidentes das duas cidades) a polítiquice e o futebol separou.

Repito, se isto é Porto, eu não sou de cá, nem me revejo nestes portuenses. E lamento-o. Por isso, me parece que, ou os gajos de Lisboa andam a dormir - o que me custa a admitir - ou aqui há gato escondido com rabo de fora e existe uma explicação, por hora bem escondida, para tudo isto .

Não tarda, haveremos de descobrí-la. Só não consigo é levar a sério toda esta gente que passa o tempo a falar do centralismo e lhe entrega de bandeja aquilo que ele mais quer, ou seja:  guerrinhas divisionistas para melhor reinar e dormir descansado.

Afinal, o Norte, os tais gajos do Norte, não passam de uma fábula.