23 fevereiro, 2015

Norte e Galiza juntos

A Junta da Galiza, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e organizações sindicais de Portugal e Espanha assinaram, na última sexta-feira, um protocolo de cooperação que visa melhorar as condições sociolaborais e de mobilidade dos trabalhadores transfronteiriços.
“Este protocolo (…) basicamente tem 2 grandes objetivos, promover e melhorar a mobilidade de trabalhadores nestas 2 regiões”, explicou o presidente da CCDR-N para quem o acordo reafirma a intenção daquela entidade em “promover o emprego mas em condições de sustentabilidade”.
Emídio Gomes destacou que os envolvidos estão “muito empenhados em aumentar” a mobilidade dos trabalhadores entre as regiões do Norte de Portugal e a Galiza “mas não a qualquer custo”.
“Para nós o trabalho com dignidade é uma condição essencial da sua promoção”, frisou o responsável segundo o qual a assinatura deste protocolo, com o apoio de confederações dos 2 lados, transmite uma mensagem de “mais trabalho dos 2 lados, mais facilidade nesse trabalho, condições rápidas e flexíveis na obtenção de emprego”.
Na prática o protocolo prevê que as partes colaborem “em tudo o que contribua para o aprofundamento do diálogo social e o reforço da cidadania da euro região, nomeadamente no que respeita aos temas que envolvem a melhoria das condições sociolaborais dos trabalhadores transfronteiriços galegos e portugueses, promovendo, em consequência, por solicitação de qualquer das partes, reuniões conjuntas entre os técnicos e dirigentes representantes das entidades”, pode ler-se no documento.
“Não é um processo de fiscalização mas de atuação conjunta”, frisou Emídio Gomes acrescentando que às confederações sindicais caberá observar as condições de trabalho na eurorregião e pressionar quer a CCDR-N quer a Junta da Galiza a “estimular o emprego”.
Também o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, assinalou que com este convénio se pretende reforçar o empenhamento das centrais sindicais portuguesas e congéneres espanholas a “verificar no terreno” os direitos dos trabalhadores, quais as suas condições de trabalho” e se “estão em cumprimento das normas gerais do trabalho nos 2 lados da fronteira”.
Já o vice-presidente da Junta de Galiza, Alfonso Rueda, realçou as fronteiras são uma “vantagem” para os trabalhadores transfronteiriços sendo necessário que a qualificação de base seja igual nas duas regiões para os títulos profissionais correspondam às mesmas condições salariais.
No protocolo, válido por tempo indeterminado, as partes acordaram ainda em colaborar para a eliminação de barreiras à mobilidade transfronteiriça, desenvolvendo políticas ativas de emprego e realizar ações de mobilidade transfronteiriça na formação profissional através de trocas de experiências destinadas à aquisição de novos conhecimentos e práticas, à qualificação dos recursos humanos e ao favorecimento da inserção profissional dos jovens na eurorregião.
[do jornal online Porto24]

22 fevereiro, 2015

Senhores associados portistas, não será altura duma Assembleia Geral para saber o que se passa?

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O Renovar o Porto não foi criado somente a pensar no FCPorto, mas também no FCPorto, como grande instituição a nível nacional e internacional, que é. Como espaço de cidadania livre, aberto e sem garrote temático, tem dedicado a maior parte do tempo à causa da regionalização, o grande tumor do país, principalmente do Norte profundo e da cidade do Porto.

Os tempos que correm não são famosos, e não só para Portugal, como também para a Europa e para o Mundo, o que não é nada animador para quem está a sofrer as consequências dessa situação. Não faltam portanto assuntos para abordar. 

Portugal, e aquele grupo de incompetentes que desonram a arte de governar, continuam a ser o espelho da mediocridade na União Europeia, e cada vez que o 1º.Ministro abre a boca para falar, mais essa mediocridade se revela. Tesos, bajuladores e maus pagadores, em vez de aguardarmos serenamente pelo que vai sair das negociações com a Grécia, preferimos optar pela arrogância, de complexados com a mania da superioridade, de queremos dar lições de bom aluno, posando para a fotografia com o patrão alemão.

E no entanto, basta olhar para o que se passa no futebol sem a camisola vestida, para perceber o alcance da falta de credibilidade das mais altas instituições do país. Acompanhar o futebol, é talvez o modo mais simples para aqueles intelectuais que (inacreditavelmente) ainda não sabem o que é o centralismo e que talvez por essa razão, desprezam a regionalização, para aprenderem alguma coisa. Se não aprenderem com o futebol, nem com as fraudes dos debates televisivos, ridiculamente ditos desportivos, e made in Lisbon, então nunca vão aprender. Esta última referência destina-se em especial aos que olham o futebol como um fenómeno alienante que embrutece e tolhe a noção de cidadania, mas que continuam a ter da regionalização uma visão muito distante, como coisa de provincianos...

Mas, o contrário do que acima escrevi também é verdade.  E agora, vou reportar-me concretamente aos portistas, porque neste momento são sem dúvida aqueles que mais motivos de queixa têm da pouca vergonha instalada nas instituições do futebol português (FPF e LIGA), e que não podem estar à espera que seja o clube a resolver problemas que lhes dizem respeito. Ultimamente é consensual que algo de estranho se passa com Pinto da Costa. O silêncio a que se tem remetido está a servir como combustível para as piores especulações. A mais provável, ainda que lamentável, talvez se possa atribuir a uma rendição do clube ao poder esmagador do centralismo. Negociada, ou não, a rendição, será sempre abdicar de lutar honradamente pelos legítimos direitos do FCPorto a ser tratado com o respeito que lhe é devido.

Se assim fôr, caberá aos adeptos perceberem as suas responsabilidades enquanto cidadãos eleitores e tratarem de lutar nesse sentido para lutarem contra o centralismo. É sempre uma ajuda quando os dirigentes do clube se mostram incapazes de lutar como faziam no passado.

Por último, resta aos associados do FCPorto convocar reuniões especiais em Assembleia no sentido de obter respostas dos dirigentes sobre o que se está a passar. Se não o fizerem em tempo útil, então é porque adoptam a mesma subserviência da Direcção, e perdem o direito de a criticar.     

       

21 fevereiro, 2015

Um enigma chamado Pinto da Costa

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O Senhor Enigma

Ainda ontem ficamos agradados com a homenagem que a Casa de Espanha dedicou a Pinto da Costa, mas uma vez mais o presidente portista limitou-se a lançar umas inofensivas bicadas ao rival de Lisboa, sem qualquer objectividade. O que se passa? Que metamorfose é esta que transformou Pinto da Costa numa espécie de corta-fitas do tempo da outra senhora?

Estranha-se mais, sabendo que agora a organização do FCPorto é constituída pela SAD, um grupo de pessoas que podiam muito bem alertá-lo para os prejuízos que a sua nova conduta podem trazer para o bom funcionamento do clube. Que influência, ou grau de amizade, terão Fernando Gomes e Adelino Caldeira para aconselhar o presidente a tomar uma atitude face ao que se está a passar com a pouca vergonha das arbitragens?  Terão alguma influência, e não estão interessados em usá-la, ou será o contrário, sabem o que se está a passar e decidiram unanimamente não reagir?  Com que fim? Estarão todos doidos? Terão todos MEDO? Estarão comprometidos com algo obscuro, ou viverão noutro planeta? Mas, o que é isto?  Que modo é este de mostrar respeito e consideração pelos sócios e a grande massa de adeptos que noutras ocasiões tanto gosta de evocar? Será senilidade, ou soberba?

Sinceramente, já não sei o que dizer. O que sei, é que não foi assim que o FCPorto de Pinto da Costa se desenvolveu e bateu o pé aos clubes de Lisboa que agora tudo corrompem e manipulam na cara de todos.

Não auguro nada de bom para o FCPorto. Veremos no que isto vai dar. 

18 fevereiro, 2015

Carta aberta ao director do Jornal de Notícias



Exmo. Sr. Afonso Camões
Director do Jornal de Notícias
                                                                                                                                  
                                                                                                                                
                                                                                                                                  Porto, 18 de Fevereiro de 2015


É com um sentimento, misto de revolta e ingenuidade, que lhe dirijo esta carta. De revolta, por  verificar há já algum tempo que o Jornal de Notícias, do qual V. Exa. é Director, vem optando por uma política de comunicação de duas caras, ou seja, democrática à semana, e centralista ao sábado e domingo. E de ingenuidade, por recear que da vossa parte haja humildade para reconhecer que o JN está ainda longe de ser o jornal que os nortenhos precisam. Peço-lhe que não veja nisto nada de pessoal, porque não o conheço, mas o que conheço, são as vossas limitações para se imporem no mercado nacional sem o recurso à publicação de edições para o Sul, e outras para o Norte do país.  Mesmo admitindo que tal opção seja determinada pelo mercado (sempre ele), é no mínimo preocupante para o futuro do JN, saber que este jornal sobreviveu durante décadas à humilhação de publicar edições especiais para o Sul, no tempo de Salazar e Caetano, e abdicou dessa liberdade agora, em democracia... O mesmo se aplica ao jornal O Jogo. De mais a mais, quando nenhum jornal de Lisboa  tem esse tipo de "atenções" editoriais com os nortenhos. A Global Notícias, grupo a que esses dois jornais pertencem já tem o Diário de Notícias para cobrir a zona de Lisboa e de todo o país, por que razão só o JN tomou essa opção?

Se lhe disser que o Jornal de Notícias é o único jornal que leio há muitos anos, não pela Net, mas em papel, e pago, e que o faço pela platónica razão de se tratar do único jornal ainda sediado no Porto, corro o risco que interprete isso como uma forma subtil de apelar à sua consideração, como se lhe quisesse pedir um grande favor. A intenção não é essa. Pretendo apenas ser uma pequena luz que ousa intrometer-se num mundo reservado a iluminados [os media] , onde a liberdade, as ideias e o serviço público claudicaram às regras do materialismo, para sugerir um outro caminho. Só isso.

Se continuo a ler o Jornal de Notícias não é, como atrás referi,  pela razão de ainda ser o único diário sediado no Porto, detalhe tanto menos relevante, quanto decisiva e elucidativa  é a constituição do respectivo Conselho de Administração, presidido pelo famoso advogado (beirão) de Lisboa Proença de Carvalho, sem afinidades ao Norte ou, que se saiba, à causa da regionalização, contra a qual espero que o senhor Director  nada tenha a opôr.  

Sou um leitor esquisito, sabe. Rabujento, não alinhado. Uma espécie de ovelha negra no imenso universo de leitores do JN. E foi por ser ovelha negra que suprimi dos meus hábitos de leitura o jornal desportivo O JOGO, já lá vão alguns anos, desde que, num assomo de "notável" altruísmo, a administração de então decidiu publicar uma edição para o Sul, para agradar a essa clientela, notoriamente, abdicando da sua independência para se juntar ao côro dos dois pasquins de Lisboa, facciosos e indiscutivelmente desonestos. Resultado: o jornal O JOGO perdeu leitores, credibilidade e identidade. 

Vale isto para dizer o seguinte, senhor Director: que, não sendo o JN o jornal que pessoalmente ambicionava para o Norte, mas que a nível regional vai satisfazendo [é sempre uma alternativa menor ao desdém da imprensa centralista], continuo assim mesmo a comprá-lo, por conseguinte a contribuir modestamenta para a sua sobrevivência. Mas, já não estou disponível para continuar a pagar 0,40 cêntimos a mais pela revista Notícias Magazine, que sai aos domingos com o jornal, cujo conteúdo habitual é 99,9% de promoção ao que acontece em Lisboa. 

E, antes que pondere replicar (se decidir responder-me) o aqui exposto com o discurso do provincianismo [uma manifestação bairrista e divisionista que só favorece os centralistas”], o que se me oferece dizer é isto: estou-me nas tintas para respostas esteriotipadas, com coesões e nacionalismos velhacos, que em nada me impressionam. Porque foi com essa mesma conversa que muitos regionalistas "assumidos", aniquilaram a regionalização, excluindo os nortenhos da lista cidadãos de direito deste miserável país. E isso, é despudoradamente perceptível nos media da capital. Como tal, não é pelo que se faz no Terreiro do Paço, ou pelo que se diz, que me sinto mais português. Bem pelo contrário, a minha pátria é cada vez mais o Porto e o Norte de Portugal.


Como referi inicialmente, duvido que as minhas inquietações o comovam - não por razões pessoais -, que não as tenho como já expliquei, mas porque sei que as orientações dos media são ditadas por interesses superiores ao interesse público, e o senhor sabe muito bem quais são. Mas como parte integrante desse público, ainda me cabe a mim decidir se devo continuar a comprar o JN ao domingo, durante a semana, ou mesmo nunca. É pouco, mas só depende de mim. E não necessito de apregoar  solidariedade ao Charlie Hebdo para provar que amo a Liberdade.


Com os melhores cumprimentos, 

Rui Valente

Obs.:
Remeti hoje mesmo para o Director do JN, Sr. Afonso Camões, por correio azul,  esta carta. Aguentei quanto a minha paciência o permitiu (e foi muita) a imposição de pagar mais 0,40 cêntimos por uma revista de propaganda a Lisboa que nada me diz, chamada Notícias Magazine, só para ler o jornal que custa um euro... 
Como se trata de um caso de interesse público, principalmente para os regionalistas, entendi publicar esta carta. Se houver resposta do director (o que não é impossível, mas duvido), publicá-la-ei igualmente. Quem não deve, não teme.   



14 fevereiro, 2015

FCPorto. Temos soldados, temos capitão, não temos general

Já tudo foi dito na blogosfera e na imprensa, sobre o jogo de ontem entre o FCPorto e V. Guimarâes. Grande exibição do nosso clube na 1ª.parte, com bom futebol mas pouca produtividade, e um jogo arriscado. de menor pressão na segunda metade, felizmente sem influência no resultado final. De destacar pela positiva  a postura de Lopetegui, quer no aspecto técnico-táctico, quer na reacção inconformista ao comportamento da equipa na 2ª parte prontamente corrigido com a saída de uns jogadores e a entrada de outros que para o caso não interessa agora identificar.

O que me parece importante repetir. se preciso fôr até à exaustão porque poucos parecem interessados em fazê-lo,  é falar da aposta suicida na política de meninos bem comportados encetada pela directoria do FCPorto, mormente do seu presidente. Suicida porque, mais que ninguém,  Pinto da Costa sabe perfeitamente em que país vive.  Portugal,  é conhecido como um país de brandos costumes, mas Pinto da Costa sabe que essa fama não é propriamente elogiosa, nem quer dizer país de bons costumes habituado a privilegiar quem se porta bem. E a prova que assim é, são as arbitragens tendenciosas - não apenas, mas particularmente - deste campeonato, visando favorecer o Benfica e dificultar o mais possível a vida ao FCPorto no sentido de lhe fazer concorrência. Isto, não é maniqueísmo de adepto frustrado, é por demais evidente e passível de provar, como aliás o próprio presidente e respectiva equipa directiva já terão percebido.

Por mais rebuscada que se possa imaginar uma estratégia para justificar o comportamento dos dirigentes portistas [pessoalmente ainda não consegui descobrir uma que seja], ela só faria sentido se pudéssemos descortinar alguma vantagem. Ora, como não consigo descortiná-la, e como pelo contrário, verifico que quem vem tirando vantagens do silêncio do FCPorto é o nosso principal adversário, apesar de jogar mal, só posso descortinar um final feliz para esta história se estivermos à espera, não de um, mas de dois milagres: um, da rendição súbita dos árbitros portugueses à causa da isenção e da seriedade e o outro o despertar tardio de Pinto da Costa para o combate fora do campo. 

Com esta postura de menino bem comportado, tímido, quase submisso, Pinto da Costa [já o disse, mas porque o considero, não me canso de repetir], arrisca-se a perder parte do capital de confiança da massa adepta portista. Ele tem obrigação de saber que a estrada que desce para a obscuridade é mais célere e cruel que a que conduz ao sucesso, por isso receio essa possibilidade. Lopetegui está pouco a pouco a provar que tem qualidades de capitão mas pouco poderá fazer se não puder contar com o apoio dentro e fora do campo do General. 

Esta cultura do medo, ou de algo parecido com isso, está instalada no país, mas custa muito admitir que seja irreversível. No Norte, ela é mais visível e prejudicial, porque tem sido também sem dúvida alguma a região mais discriminada pelos governos e o futebol come por tabela.  Por isso, podia e devia ser a região cívica e politicamente mais combativa. Mas não é. Hoje, os nortenhos poderosos perderam a noção de identidade com as origens e vivem mais preocupados com a globalização dos seus investimentos do que no desenvolvimento das suas terras. Conseguiram um feito inacreditável e paradoxal, que foi provar que os empresários eram mais empreendedores e livres nas suas regiões antes do 25 de Abril, portanto na ditadura, que agora, supostamente num regime democrático. E digo supostamente porque não acho que esta palhaçada em que se transformou a sociedade tenha qualquer semelhança com aquilo que entendo ser uma democracia. Quem reduz a democracia à liberdade de votar, sem se interessar em credibilizá-la, ou é louco ou infantil.

Muito do êxito de Pinto da Costa deveu-se à sua combatividade, ao seu inconformismo com o nacional-benfiquismo, que alguns [como eu] interpretaram, se calhar erradamente, como uma expressão descentralizadora, clubista mas ao mesmo tempo política. Para muitos nortenhos, sobretudo portistas, foi o líder que nunca tiveram na política, depositando nele e na bandeira do FCPorto a representatividade de uma pequena nação.  Mas receio que essa ideia não corresponda à realidade. Se assim fosse, o Porto Canal não era o que é, tinha há muito implantada uma linha editorial bem definida, corajosa, assumidamente regionalista. Os protagonistas teriam de ser seleccionados a dedo, empenhados, criativos e lutadores pela abolição do centralismo. Pura fantasia. O Porto Canal, é um projecto de televisão sem projecto, nem ideias, nem líderes que as tenham. É este o panorama da actualidade do clube, do Porto e da região.

Pensar que o que acabo de escrever é um simples estado de ânimo, é negar a realidade que se desnuda. Sem uma forte contestação popular ao centralismo, e sem um Pinto da Costa regenerado, será muito difícil ao clube competir em circunstâncias iguais com os rivais de Lisboa. É lá que tudo se decide, e é para lá que os governantes do passado e do futuro continuarão a concentrar as prioridades em todas as áreas, inclusivé a desportiva.

Pensar que alguma vez esta situação se alterará por si mesma, é renunciar à mudança, é abdicar do direito a ser tratado como português  e implicitamente aceitar a condição de colonizado. Tudo o resto é história aldrabada. 


12 fevereiro, 2015

Porto sempre

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Museu, piscinas e espaços comerciais do Benfica estão ilegais. E agora Sr. Rui Rio, não há promiscuidade?

Inaugurado em meados de 2013 numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares e do presidente da Câmara de Lisboa, que se referiu a ele como “um equipamento cultural de referência da cidade”, o Museu Benfica Cosme Damião está em situação ilegal. O mesmo acontece com vários outros equipamentos existentes no complexo do Estádio da Luz, incluindo espaços comerciais, piscinas e um pavilhão.
Em causa está o facto de essas construções não cumprirem com aquilo que estava estabelecido no alvará de loteamento que foi emitido pela câmara em 2004. A “alteração da licença de operação de loteamento” que vai permitir a regularização desta situação só foi aprovada em reunião camarária esta quarta-feira, com a oposição do PCP e os votos favoráveis dos restantes eleitos.
De acordo com informações constantes deste processo, estão em situação irregular dois espaços comerciais, um equipamento desportivo, um balneário e duas bilheteiras, bem como o edifício, com uma superfície de pavimento superior a 18 mil m2, que alberga o museu, as piscinas e um pavilhão. O Estádio da Luz é a excepção, sendo a única construção que se encontra licenciada.   
O museu, que foi distinguido com o Prémio Museu Português 2014, atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia, abriu as portas em Julho de 2013. Na altura, segundo se diz numa notícia publicada no site da autarquia, António Costa agradeceu ao Sport Lisboa e Benfica aquilo que considerou ser “uma dádiva à cidade” e realçou “o trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal no âmbito dos Planos Directores Municipais e nos Planos de Pormenor, para ‘permitir que este museu aqui esteja’”.    
Certo é que só em Abril de 2014 é que a Benfica Estádio, a proprietária do lote em questão, submeteu ao município o “pedido de alteração da licença da operação de loteamento”. Com ele, além da regularização das construções já mencionadas, aquela entidade pretendia obter luz verde do município para fazer um dos edifícios existentes crescer dois pisos e acrescentar um piso a um balneário. Tudo somado está em causa um aumento da superfície de pavimento de mais de 38 mil m2.
“Como é que é possível que se tenha construído aqueles edifícios sem qualquer licenciamento e que a câmara o tenha permitido”, pergunta o vereador Carlos Moura, sublinhando que as obras não foram feitas “secretamente”. “Anos depois apresenta-se uma proposta de resolução, que além disso permite aumentar a construção”, condena o autarca comunista, lembrando que esta questão atravessou “várias gestões camarárias”.
E as críticas não ficam por aqui, já que a proposta aprovada esta quarta-feira prevê também “a submissão à Assembleia Municipal de Lisboa da aceitação da isenção do pagamento da taxa TRIU [Taxa pela realização, manutenção e reforço de infraestruturas urbanísticas] e da compensação urbanística (...) respeitante unicamente ao uso de equipamento e serviços complementares à actividade desportiva, que corresponde a 95% da superfície de pavimento”. A oposição a esta proposta, que segundo disseram ao PÚBLICO vários eleitos envolve um montante de cerca de 1,8 milhões de euros, foi alargada: PSD, PCP, CDS e a vereadora Paula Marques (dos Cidadãos por Lisboa) votaram contra, e o vereador João Afonso (do mesmo movimento) absteve-se.  
“É completamente inaceitável”, diz Carlos Moura. “Os portugueses, os lisboetas não conseguem já aceitar este tipo de tratamento diferenciado”, afirma por sua vez o vereador social-democrata António Prôa, que não hesita em falar num “tratamento de favor” ao Sport Lisboa e Benfica. Também o vereador centrista João Gonçalves Pereira se mostra contra uma isenção de taxas a esse clube, sublinhando que teria a mesma posição para qualquer outro.
Já Paula Marques explica que votou contra por entender que “não é correcto” isentar do pagamento de taxas um clube de futebol, entidade que, frisou, “não é uma associação sem fins lucrativos”. Especialmente, acrescentou, “na situação em que estamos a viver, na situação que o país está a atravessar”.
Tanto a vereadora dos Cidadãos por Lisboa, eleita na lista do PS, como António Prôa e João Gonçalves Pereira frisam que a sua posição poderia ter sido outra se a isenção se aplicasse exclusivamente a equipamentos para a prática desportiva.  
[do Público]

10 fevereiro, 2015

Globalização e mística

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, diz o refrão, e é verdade. Podemos mesmo acrescentar, que não raro os hábitos e as normas comportamentais, também têm de mudar e se adaptar aos novos tempos.

Pensava no FCPorto,  no  presidente, e no seu modo muito peculiar de gerir o clube, quando escrevi o parágrafo anterior. Presumo não espantar ninguém se disser que, tanto o FCPorto, como o modo como o presidente Pinto da Costa vem gerindo o clube nos últimos anos, também mudaram. Ainda está por saber, é se a mudança foi a correcta.

Nem será preciso evocar o tempo em que Pinto da Costa se sentava no banco, ao lado dos jogadores e treinadores, nem recordar as suas intervenções oportunas quando percebia que estavam a prejudicar o clube. O facto, é que a idade sempre pesa, e os tempos mudam efectivamente.  O que não pode nunca mudar no FCPorto, é a ambição de vencer. Mas houve uma condição, sem a qual seria impossível o sucesso de Pinto da Costa, foi a estabilidade que a sua liderança firme e pro-activa conseguiu implantar no clube. Sem querer relacionar estes factos com a realidade actual do FCPorto, e a do próprio presidente, a verdade é que a globalização a par das redes sociais, geraram mudanças de toda a ordem, algumas delas impostas do exterior, mas que não podem passar sem uma adaptação aos novos tempos.

Felizmente que, modo geral, o FCPorto tem tido o mérito e a sorte de contratar atletas de boa formação, de carácter, como costuma dizer-se. Mas, de vez em quando, surgem excepções que já têm trazido alguns dissabores. O mais recente foi o caso do defesa Rolando que, talvez por se convencer possuir um valor de mercado superior ao que na realidade tem, começou a ceder às pressões da imprensa que o davam como certo em vários clubes oferecendo-lhes mundos e fundos, criando problemas à direcção que duraram até há poucos dias e que só terminaram (espero) com a recente transferência para o Anderlecht. Resultado: nem o atleta (por teimosia própria) esteve ao serviço do clube, nem o clube o rentabilizou desportiva e financeiramente.

Jackson Martinez deu recentemente uma entrevista a um jornal do seu país onde dava como certa a sua saída do FCPorto no próximo verão. Segundo consta essas declarações cairam mal na SAD portista, embora já não seja a primeira vez que o faz.

Jackson é um excelente atleta, quase exemplar em campo, e por isso é que foi nomeado (e bem) para capitão da equipa. Mas é também por isso que o colombiano devia saber quando deve ou não falar para a imprensa, e neste contexto, mais uma vez, não soube gerir o silêncio. A globalização tem vantagens mas também inconveniências. Uma, é fazer com que as notícias corram à velocidade da luz, a outra, é poder criar problemas ao próprio jogador e ao clube que lhe paga quando se diz aquilo que não deve.

É aqui que entra o FCPorto e a tal adaptação aos novos tempos de que falei mais acima. Hoje entram mais jogadores estrangeiros que antigamente, a maioria deles de outros continentes, sem grandes conhecimentos sobre a realidade do FCPorto, o que dificulta a sua integração. A SAD portista parece ainda não ter percebido essa realidade, pois ainda não foi capaz de resolver o problema que as redes sociais, a imprensa e os atletas imprudentes podem criar quando ainda estão ao serviço do clube. Para tanto, bastava delegar em alguém da casa, carismático, que soubesse transmitir aos que chegam a famosa mística do jogador à Porto, as dificuldades, as injustiças sofridas, as invejas suscitadas, bem como o tratamento arbitrário dos media, devidamente precedida de uma visita ao museu... Tudo isto me parece possível e fácil de concretizar, basta fazê-lo.

Mas o caso de Jackson deve ser analisado mais pelas consequências do que pelo conteúdo das suas declarações. Afinal de contas todos sabemos que em princípio não continuará no clube na próxima época, mas o problema não é esse, é sim o impacto que a decisão de falar de questões profissionais pode ter no grupo de trabalho, bem como a influência que elas podem gerar nas competições em que participam. É também uma questão de disciplina que não pode ser negligenciada.  O impacto pode ser negativo e a influência de contágio à equipa também. Quem pode garantir que outros jogadores, depois da entrevista de Jackson não se sintam tentados a imitá-lo? Não estamos a falar de futebol amador, falamos de profissionais que só tiveram visibilidade porque o FCPorto os procurou e contratou, e lhes paga muito mais do que os clubes de origem. Depois, há o mais importante: o contrato de trabalho. Contrato que deve ser respeitado até ao último dia do seu término. E respeitar, implica também zelar pelos interesses do clube que lhe paga, não para se recrearem com a bola, mas para atingirem determinados objectivos, obstando que clube e jogador sirvam de alvo para a especulação dos tablóides, pondo em causa as negociações de interesse para ambas as partes. A questão de fundo é esta.

A SAD do FCPorto tem cometido outro erro, talvez dos mais graves, que é ignorar a blogosfera portista. Mais que a presença do público nos jogos, a blogosfera devia ser hoje uma visita de rotina obrigatória para os responsáveis portistas, incluindo para o próprio presidente. Hoje os blogues são o pulsar mais fiável dos adeptos, onde se pode colher o retorno das suas alegrias e preocupações. Nos blogues portistas há gostos para todos, mas uma única corrente a ligá-los, talvez a mais importante: o portismo. Ignorá-los, é tão grave, como grave e hipócrita é o afastamento dos políticos do povo após as eleições. É grave, hipócrita, e igualmente vulgar.  
   

09 fevereiro, 2015

Politólogos futuristas do caos

Tantos debates, tantos comentadores, tantos politólogos, tantos peritos para tudo, e mais alguma coisa, e no entanto o mais importante fica sempre por fazer. 

As reacções à situação da Grécia, de gente como a que acima aludi, sintomaticamente ligada à direita, são tudo menos surpreendentes. Só quem andar distraído e ignorar o que a direita mais soft (PS), e sobretudo a mais despudorada (PSD e CDS) fizeram do país, desde que há eleições livres em Portugal, é que pode levar a sério as suas preocupações. Tecem os cenários mais catastróficos para o futuro da Europa, arvorados em grandes estadistas, em grandes amigos do povo, sem que haja alguém capaz de refrear-lhes a soberba. Tão sábios que são a adivinhar o futuro, quase sempre tenebroso, não há quem lhes recorde o óbvio: as densas trevas do presente, das quais são os primeiros responsáveis. 

Esta, é uma estratégia muito parecida com a da Regionalização. É um perigo para a coesão nacional e um oásis para a corrupção, dizem. Perdão, diziam (com as eleições à porta os ventos regionalistas sopram fortes e "convictos")... Igualmente visionários com o futuro, e igualmente cegos com o presente. O BPN, o BPP, BES,  e o obscuro negócio dos submarinos passa-lhes ao lado. Talvez por ter um cariz centralista, quero crer...





A estes, os outros chamam-lhes populistas. E estes, estarão dispostos a dar-lhes razão?

04 fevereiro, 2015

Não percebo. Nós é que somos os provincianos...

Alguma coisa está errada neste país. Corrijo! Alguma coisa não, tudo está errado neste país! Para aquela gente de Lisboa, nós não passámos de uns provincianos, nós é que temos complexos de inferioridade, eles é que são os cosmopolitas, os centros-mor da cultura avançada...

O curioso é que as notícias relevantes do país estão precisamente no Norte, e no Porto, e estão frequentemente a acontecer, saídas das várias universidades, seus principais berços.

Outro dia, falava-se que uma equipa do Porto tinha vencido um concurso internacional para levar vida a Marte. Hoje, foram notícia três investigadores da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto por venderem à Austrália nova tecnologia para a produção de painéis fotovoltaicos no valor de 5 milhões de euros... 

Não querendo puxar pelo meu "bairrismo" que não refuto e de que me orgulho, a verdade é que não somos nós quem se auto-promove, como acontece com Lisboa pelas razões mais comezinhas, mais ridículas até;  são entidades respeitáveis de outros países que nos reconhecem o valor, que nos honram e respeitam.

Para os nortenhos, é caso para dizer que de Lisboa, nem bons ventos nem bons casamentos...  

03 fevereiro, 2015

Assassinos da Democracia



Não sei se é por nunca terem chegado ao poder, ou se por uma questão de ética política, o certo é que não me lembro de ver alguém ligado a partidos à esquerda do PS [PCP, BE,PEV], que tenha participado em programas de televisão para falar de arbitragens, como fazem a SIC, a TVI e a falsa pública RTP. Se a razão dessa postura é deliberadamente ética, só posso aplaudir.  Se isso bastasse para me convencerem a dar-lhes o meu aval para governar, podem ter a certeza que o faria. Não tenho é culpa que esses partidos não façam mais para persuadirem o eleitorado das suas competências governativas. Ficar no conforto da oposição não é suficiente para chegar ao poder, é preciso persuadir, insistir, apresentando propostas credíveis e uma forte ambição de se constituirem como alternativa ao déjà vu governativo.

Paradoxalmente, ou talvez não,  são os políticos do PSD (Rui Gomes da Silva, Fernando Seara e Guilherme Aguiar, Bagão Félix) que mais se destacam nessa antagónica e desprestigiante actividade de comentador de futebol. Antagónica, porque um político honrado (onde estarão eles?) deve inspirar confiança a todos os cidadãos, de todas as religiões, de todos os clubes e condições sociais. Desprestigiante, porque sob a capa de adepto comum, "igual" a tantos outros, pronto a defender o seu clube, certos políticos deixam transparecer a sua verdadeira índole, de crápulas e fanáticos, dando um péssimo exemplo aos governados. Uns mais contidos que outros, a verdade é que nunca seria capaz de votar para um cargo de responsabilidade pública, por mais modesto que fosse, em nenhum desses comentadores, porque demonstram o que há de mais odioso num ser humano: o fanatismo e o ódio. Rui Gomes da Silva, não está só nessa moldura, mas é talvez o paradigma máximo do que há de pior, quer como político, quer como ser humano. Como se não lhes bastasse liderarem o tabela dos comentadores políticos, invadiram o terreno reservado ao futebol, minando o resto de fair play que ainda restava, influindo normas editoriais de comunicação, na rádio e televisão, e nos próprios jornais desportivos. 

Não sei se haverá outro país onde o descaramento dos políticos tenham ido tão longe como em Portugal, onde se atrevem a desafiar e contestar as preferênciass clubistas dos eleitores, passando anos a mostrarem um profundo desprezo por tudo o que não seja vermelho, dando como garantidos os votos de milhões (seis, dizem eles) num supremo abuso do poder. O que sei, é que programas como os que vemos em Portugal só são possíveis num país centralista e desigual como o nosso. A falta de seriedade e a discriminação são gritantes. 

Esqueçam a Jihad islâmica. Há terrorismo em Portugal? Há! Quem são os terroristas? Todos os que governaram Portugal desgovernando-o, individando-o, ignorando aquilo que todos vêem como se não fosse nada com eles. Se fosse eu a escrever a história homenageava-os numa lápide com estas palavras: aqui jazem os assassinos da democracia portuguesa.    


02 fevereiro, 2015

Lopetegui e os seus pupilos

Julen Lopetegui
Gosto de Lopetegui. Mais pela sua personalidade de líder do que pela sua maturidade técnica. Neste capítulo creio que ainda tem muito que aprender. Tem de aprimorar alguns ensinamentos técnicos aos seus jovens jogadores, aspecto que abordarei mais adiante. Mas, é na forma assertiva como vem lidando com a comunicação social do regime que me enche as medidas. Ontem, quando um desses parvalhões lhe perguntou por que não punha o Gonçalo Paciência a titular (como se a sua opinião fosse relevante), Lopetegui deixou-o de queixos caídos respondendo: fui eu quem disse a G.Paciência para ficar no clube, fui eu quem chamou Ruben Neves à equipa principal e sou eu quem decide quem deve ao não jogar. Ainda teve ensejo de responder  a outra provocação de outro palerma quando foi buscar uma declaração infeliz do treinador do clube do regime que afirmou que o FCPorto "ainda tinha de olhar para cima", referindo-se aos 6 pontos de traso da equipa portista face aos vermelhos, com este brilhante: "nós ainda podemos lá chegar (ao título), mas eles ficaram a olhar para a Europa do lado de fora". 

É bom que Lopetegui comece a perceber em que país está, como funcionam os organismos do futebol português e da comunicação social.  Precisa de saber que em Portugal não  há democracia desportiva. Qualquer treinador estrangeiro que  venha para o FCPorto devia ser devidamente instruído sobre essa realidade,  sob pena de ver o  seu  trabalho destruído  dentro e fora  do campo,  antes que se aperceba. Dantes, tínhamos um presidente que tratava disso pessoalmente, agora, vá-se lá saber porquê, rendeu-se ao silêncio. Por isso, tem de haver alguém no seu lugar que desempenhe essa função.

Agora, passando aos aspectos técnicos que Lopetegui devia refinar no seu grupo de atletas e que na minha opinião ainda não estão bem resolvidos, gostava de salientar:
  • Pressão alta. Um facto: sempre que a equipa consegue fazê-la a preceito, os resultados são positivos. O que acontece é que nem sempre o consegue, e há mesmo jogos que, quando pressiona, é defeituosamente. Pelo que me apercebi essas deficiências devem-se a uma inadequada temporização nos momentos de atacar a bola na posse do adversário. Ou é prematuro, ou tardio, o que impede a sua recuperação. Por vezes, são vários jogadores a falhar sucessivamente estes movimentos, gerando situações perigosas para o sector defensivo. O jogo (e o resultado) de ontem é um bocado enganador, porque o Paços de Ferreira não foi para o Dragão jogar muito fechado nem fez tanta pressão como costumam fazer as equipas que nos visitam.
  • Qualidade do passe. Tal como a temporização dos movimentos de pressão, o passe é um dos aspectos a melhorar. Ainda se fazem muitos passes demasiado longos ou demasiado curtos. Considero que isto nada tem a ver com a qualidade técnica dos jogadores, porque ela está lá, tem a ver sim com a juventude e a ansiedade  que ainda não está dominada, de querer fazer tudo bem, e depressa. E importa  resolver esta situação. Penso que Lopetegui devia moderar alguns jogadores dos excessos de passes para trás de calcanhar, que muitas vezes vão parar aos pés dos adversários, e instruí-los para a importância da concentração, que passa naturalmente por olharem muito bem a quem vão passar a bola. Estes detalhes são relativamente fáceis de corrigir, só dependerá, penso eu, da intensidade do treino.  
  • Motivação. Nas equipas de hoje, agrupam-se jogadores oriundos de vários países e continentes. A  Net e a globalização ainda não fazem milagres, ainda não têm capacidade para transmitir aos jogadores estrangeiros a mística, a realidade dos clubes onde ingressam. Outrora, havia mais jogadores regionais e nacionais, o que facilitava a adaptação aos clubes. Actualmente é preciso acelerar esse processo de adaptação. Os jogos no Dragão com o Benfica, e com o Sporting para a Taça, ocorreram prematuramente no calendário competitivo e são o paradigma dos 3 aspectos aqui focados, que para além da juventude do plantel podem ter sido determinantes para os resultados desfavoráveis em casa. Continuando alheados desta realidades, teremos muitas dificuldades em manter o nosso clube nos patamares de sucesso a que estamos habituados.
Como não podia deixar de ser, esta é uma opinião muito pessoal dos prós e contras do FCPorto, e do seu treinador, sendo a mais preocupante delas - como venho relevando ultimamente -, a estranha metamorfose ocorrida com Pinto da Costa.

01 fevereiro, 2015

INÊS CARDOSO
(JN)
Precisamos de mais Quixotes
Pablo Iglesias comparou o seu sonho ao de D. Quixote, mas em vez da companhia solitária de Sancho Pança teve cerca de 100 mil pessoas a rodeá-lo. O novato Podemos mostrou músculo, ontem, e encheu a emblemática Porta do Sol, em Madrid. Numa Europa que viveu uma semana cheia de anúncios, surpresas e oscilações entre esperança e medo com a viragem histórica na Grécia, chega um novo aviso de que 2015 poderá ser um ano de mudança.
Se a capacidade de mobilização do Podemos se explica, como escrevem em Espanha analistas políticos, pelo sentimento de "vergonha" que atravessa a sociedade, também em Portugal não faltam motivos para questionarmos o legado social da austeridade. O retrato do país foi esta semana sendo desvendado em sucessivos números negros: um em cada quatro portugueses está em risco de pobreza ou exclusão social e o desemprego jovem aumentou para níveis comparáveis aos do pico da crise, em 2012.
O ruído das ruas foi ensurdecedor precisamente nesse ano, a 15 de setembro, mas a impressionante mobilização de pessoas foi arrefecendo e o balão do protesto popular esvaziou-se em tentativas posteriores de contestar o programa da troika. Desde então, surgiram novos partidos e ensaios de movimentos de cidadãos que parecem desfazer-se à nascença. Em Portugal, é difícil acreditar que algo de profundamente novo irrompa na política e quebre o tradicional ritmo de alternância entre os maiores partidos.
Essa impossibilidade é encarada com alívio pelos céticos que anteveem a ruína da Grécia e olham para Pablo Iglesias como um fenómeno resultante de ligações emocionais. O que é novo assusta e ainda bem, suspiram nesta altura tantos portugueses, que podemos assistir a uma distância segura ao experimentalismo que se anuncia em Atenas.
A verdade é que estamos há muito a demitir-nos do direito a sermos protagonistas ativos do sistema e a lutar por fazer cumprir a definição de que todos temos uma palavra a dizer em democracia - e que essa palavra deve ser audível para além dos dias de ir às urnas.
A vontade de algo novo não pode ser vista como mero idealismo inconsequente, num discurso que acaba sempre a recordar os compromissos, o défice, a dívida e as taxas de juro. Mal de nós quando deixarmos de acreditar que tudo pode ser reinventado. O grande problema dos partidos políticos é precisamente essa dificuldade em se renovarem nos programas com que se apresentam ao eleitorado e nos mecanismos para ouvir e envolver os cidadãos. Precisamos de quixotes, sim - sobretudo de quixotes cujas fantasias não sejam desmentidas pela realidade 
Nota de RoP: O negrito do texto é meu, e subscrevo-o literalmente. Aliás, já aqui apresentei o mesmo pensamento à minha maneira.






30 janeiro, 2015

Cavaco, Portas e socratices

Tenho-me perguntado se nos tempos que correm é possível elogiarmos alguém sem corrermos o risco de nos arrependermos pouco tempo depois. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, nem sempre o aplauso traduz bajulação. Pelo menos comigo isso não funciona, porque se há coisa que não aprecio é o puxa-saquismo. De resto, considero tão natural criticar como lisongear. A verdade, é que  o virtuosismo dos homens é coisa efémera, já nada é definitivo. Se calhar sempre foi assim, não sei.

Digo isto, porque apesar da Justiça em Portugal estar muito longe de ser exemplar (e como havia de ser se tudo o resto não o é), tenho uma grande admiração pelo juiz Carlos Alexandre, mesmo arriscando que essa admiração esteja a prazo. E não é por ele ter metido Sócrates na cadeia, é pela sua coragem, e pela legião de bons samaritanos que acham que Sócrates deve ser tratado com privilégios que outros presidiários não têm. 

Imaginem só, que agora este hábito pega, e os tablóides se lembram de acompanhar as visitas à cadeia dos amigos dos detidos e convidar os respectivos advogados a fazeram a defesa frente às câmaras de televisão. Não estava mal, pois não? E por que havemos nós de concordar que, por más razões, um ex-ministro seja melhor tratado que o cidadão comum ? Quem não gostava (salvo-seja!) de ser tratado como um "príncipe", depois de detido por suspeita de vários crimes, sendo, ou não, culpado? 

Acho até alguma piada quando vejo esses samaritanos, incluindo os próprios advogados, censurarem os juizes por tratarem Sócrates como José Pinto de Sousa, quando afinal é o seu próprio nome. Se o advogado de defesa considera a opção dos juízes despersonalizante e desidentificante por omitirem o "Sócrates", também os juízes podem considerar as visitas de Mário Soares e de outras figuras públicas como uma forma velada de prestigiar e vitimizar Sócrates.  Os juízos de valor dão para os dois lados, não é verdade?

Agora vamos ver o que vai acontecer com Ricardo Salgado. Para já, Cavaco Silva ficou debaixo de fogo, e Paulo Portas ainda não pode respirar descansado... Quero é ver o mesmo empenho, a mesma coragem, se estes melros chegarem a ser julgados pelos mesmos juízes ou por outros da mesma estaleca de Carlos Alexandre. Sim, porque pelas informações que vamos registando os banqueiros sempre viveram escudados atrás do poder político, habituados a manipular ministros e presidentes, também devem ser investigados e salomonicamente julgados. Veremos se o dinheiro falará outra vez mais alto...

Não há nada melhor que uma boa Justiça. Porque aquilo a que estamos habituados é ver que na cadeia só entra a jardinha miúda, e que só esta tem servido de figurino para mostrar ao povo que a Justiça existe. É chegada a hora de provar que lá dentro também há lugar para os tubarões, mesmo para aqueles que passaram uma vida a ser tratados como nobres, mas com rabos de palha de fazer inveja à Troika.   

29 janeiro, 2015

FCPorto, um tic tac, mais para trás que p´ra frente, apesar dos 4-1



Atingida a primeira fase do Campeonato, será que o jogo do FCPorto nos transmite segurança? Penso que não. Pelo menos, é a sensação que me fica quando vejo este Porto jogar. Ontem, até nem foi dos piores dias, e não o digo só porque goleamos a Académica. Considerando que à excepção de Danilo e Jackson, jogaram as segundas opções de Lopetegui, pode dizer-se que, em termos de entrega ao jogo o desempenho do grupo nada ficou a dever aos titulares, antes pelo contrário. 

Insisto na ideia que venho mantendo há algum tempo, que no FCPorto está instalado um sistema de jogo similar em todos os escalões, que pessoalmente não me agrada muito. Digo-o porque costumo acompanhar os jogos dos juniores e da equipa B, onde constato que assim é. E até faz sentido que assim seja. Agora, não querendo arvorar-me em treinador - a minha opinião como espectador vale o que vale -, mas é a minha, e sob esse ponto de vista não gosto do que vejo.

Vejamos. Sem esquecer que a média de idades do plantel principal é muito jovem, e que por isso necessita de (mais) tempo para consolidar mecanismos, neste ou outro sistema de jogo, o FCPorto terá muitas dificuldades para competir de igual para igual com os adversários directos na luta pelo título e de outros troféus. Isto, já para não falar das ratoeiras que o sistema continua a armar-nos (com a nossa conivência)...

Seria talvez importante definir, perante a massa associativa, se isto tem a ver com uma estratégia, ou se é uma situação pontual. Porque, a ser uma estratégia, conviria preparar os portistas para essa eventualidade informando-os, porque não creio que neste momento passe pelas suas cabeças outra ideia que não seja vencer as provas que ainda estão em disputa, com algumas reservas para a Champions League que é uma prova com outras exigências. 

Com a equipa principal, ou não (nesse capítulo Lopetegui tem dado oportunidade a todos), o sistema de jogo é o mesmo. Os defesas começam por trocar a bola entre si, de central para lateral, deste para o médio-trinco e deste (quase sempre de costas para os adversários) novamente para um central ou lateral, e assim trocam a bola durante largos minutos, esgotando prematuramente o tempo útil de jogo, ou seja sem golos. 

Esta maneira de jogar, pautada pela troca de bola para trás e para o lado, sem movimentos ofensivos dos laterais, permite aos adversários controlarem o meio campo portista onde se geram os lances mais perigosos. Os laterais das equipas do FCPorto parecem instruídos para não atacar, talvez para não perderam a bola e promoverem ataques dos adversários. Esta forma de jogar não é exclusiva aos seniores, acontece também com os juniores e com a equipa B. Suponho ser também por isso que a equipa B já tem perdido alguns jogos em casa com equipas inferiores. Se prestarmos atenção verificamos que os médios quando recebem a bola estão de costas para a baliza contrária, e não têm ainda hábitos consolidados para a receber e rodar no sentido contrário para lançar a ofensiva. Um dos jogadores que melhor interpreta este movimento é o pequeno Oliver, mas não chega, os laterais também o deviam fazer e raramente o fazem, daí resultando mais comodidade para os adversários se fecharem e até mesmo, pressionarem (coisa impensável há uns anos atrás). Sim, já se tornou "vulgar" vermos os adversários no Dragão a pressionarem, em vez de nós.

Podemos argumentar com a tal questão da juventude, mas estaremos nós preparados para esperar que a equipa amadureça? Além disso, como irá a SAD lidar com o problema dos jogadores emprestados? Se os contratos não forem bem blindados, como poderemos nós manter os melhores  jogadores para formar a tal equipa rodada e competitiva se os seus clubes de origem os quiserem de volta? Há aqui qualquer coisa que não faz sentido. Já para não me repetir com esta história estranha da liderança, mas que parece confirmar-se, a avaliar pelas prioridades de agora de Pinto da Costa (Sócrates e o Director de A Bola)...

Deixo esta matéria para entreter os amigos portistas.   

28 janeiro, 2015

Sobre o artigo de M. Serrão no JN de hoje

Não estou certo se a fibra de que Manuel Serrão é feito, seja imune a nódoas, caso contrário podia vestir-lhe  o velho refrão dos bons panos que frequentemente se deixam conspurcar de nódoas.

Manuel Serrão é um tipo bem disposto, e eu gosto de gente assim. Tem sentido de humor, e por isso já aqui publiquei algumas das suas crónicas. Normalmente as pessoas com sentido de humor costumam ser inteligentes, o problema é quando essa inteligência colide com questões de carácter social e com a importância que lhes damos.

Para Serrão, o líder do partido Syriza vencedor das recentes eleições gregas, é um perigo à solta para o seu país e para a Europa e Passos Coelho um político maduro, experiente. E ainda bem que para ele, Portugal está muito melhor que a Grécia, mas muito melhor, mesmo! Portanto, descobrimos de repente que estamos no caminho certo. Um caminho certo, cheio de buracos, de toda a espécie, mas para Serrão dignos de louvor.

Traduzindo: o ensino em Portugal vai de vento em pôpa, nos hospitais já não morrem pessoas nas urgências e os doentes são tratados zelosa e atempada(mente), o desemprego baixou a olhos vistos, a qualidade do emprego é um verdeiro hino à felicidade, os reformados vivem num oásis de consideração, a economia estoura de pujança e a corrupção é coisa de um passado longínquo...

A avaliar pela forma audaciosa como defende o FCPorto na TVI, onde o médico mais bronco e aparvalhado que o país conheceu o trata abaixo de cão e o manda calar tratando-o por "ó gordo", Manuel Serrão deve ter uma ideia bem sólida do perfil das pessoas indicadas para governar o país com a competência e a segurança que Alexis Tsipras jamais conseguirá. Elencando, atrevo-me a adivinhar:
  1. Presidente da República: Freitas do Amaral
  2. Primeiro Ministro: Duarte Lima
  3. Ministro da Saúde: Zeinal Bava (ex-PT)
  4. Ministro da Economia: José Sócrates
  5. Ministro da Solidariedade e Segurança Social: Cavaco Silva
  6. Ministro das Finanças: Ricardo Salgado, assessorado pela nobre família Espírito Santo  
  7. Ministro da Justiça: Dias Loureiro
  8. Ministro do Ambiente: António Mexia (ex-EDP)    
  9. Ministro da Educação: Jorge Jesus
  10. Ministro da Defesa: Oliveira e Costa
Com um Governo desta qualidade e com este elenco, Manuel Serrão ficaria certamente descansado e sobretudo seguro... Livrava-se dos perigos da esquerda, e continuava a ter boas fontes de inspiração para as suas crónicas de humor.

Serrão não consegue saber o que quer, mas sabe o que não quer...



Manuel Serrão
Uma mulher de sonho





Alexis Tsipras o homem que levou um partido de esquerda radical à vitória nas eleições gregas e menos de 24 horas depois se coligou com um partido de direita radical para chegar ao poder, é só 10 anos mais novo do que Pedro Passos Coelho, mas parece muito, muito mais novo. Em termos de idade são apenas 10 anos que os separa, mas as verdadeiras diferenças entre os dois são bem maiores. Como são, graças a Deus também, gigantes as diferenças entre Portugal e a Grécia, entre os portugueses e os gregos.
Agora é que os gregos se vão ver mesmo... gregos. Embora esteja convencido que Tsipras vai perceber num curso acelerado como é que Passos Coelho ficou cheio de brancas em tão pouco tempo, os pobres que acreditaram no século XXI que os ricos é que pagam a crise é que vão ficar mais pobres do que já são!
Admito que por estes dias não exista nenhum banqueiro grego com disposição para lhes dizer que aguentem, mas vou seguir atentamente os próximos dias de Atenas, porque tão cedo não vou ter outra oportunidade para saber como é que uma ilusão se desfaz em menos tempo de um fósforo.
Para Portugal estas eleições helénicas são uma espécie de Syriza em cima do bolo e em menos tempo do que nos vai demorar a cantar os parabéns, iremos verificar que para mal já basta assim.
É sabido que o sonho comanda a vida de muita gente, mas a coisa torna-se perigosa quando são sonhos destes que tomam conta do poder de comandar a vida de quem gosta de sonhar... mas com os pés bem assentes na terra.
Imaginem um Governo com Ana Drago a ministra da Cultura, Louçã na Economia, Fazenda nas Finanças, Semedo no Trabalho, Marisa Matias nas Necessidades, Pedro Soares na Administração Interna, Mariana Mortágua na Justiça, Rui Tavares na Educação, Daniel Oliveira na Agricultura e Catarina Martins na presidência do Conselho de Ministros.
Imaginem, só por brincadeira, o que seria aqui, na nossa terra, em vez de um Syriza, termos em S. Bento os dois ou mais grupelhos que ora entram ora saem do Bloco de Esquerda, como quem vai mudando os bares em que bebe uns copos.
E Catarina Martins: será que sabe a diferença que existe entre uma mulher que sonha e uma mulher de sonho?
(do JN


)













27 janeiro, 2015

30 dias de suspensão para Antero Henrique! E agora, sr. Presidente, vamos obedecer?

Antes lhe tivesses chegado a roupa ao pelo Antero

Li agora, em nota de rodapé na TVI a notícia supra-titulada e não fiquei nada admirado. Costuma-se dizer que, quem cala, consente. Portanto a medida da FPF corresponde plenamente à mediocridade a que nos tem habituado (em parte por culpa nossa). 

Penso não me enganar e aposto simples contra dobrado que uma espiral de revolta se apossou dos portistas, depois de ouvirem esta notícia e de comparar a atitude de Antero Henrique  - um homem que sempre pautou a sua postura pela discrição e que até o acusam de ser demasiado bem comportado - com o árbitro Cosme Machado no jogo para a Taça da Liga em Braga, com o insurrecto do Jorge Jesus e dos próprios jogadores do Benfica, useiros e vezeiros  na arte de pressionar e insultar os árbitros.

Mas se calhar não vale a pena tomarmos como nossas  dores alheias. Se calhar estamos a ser mais papistas que o Pápa, pois duvido muito que alguma reacção possa advir de mais esta afronta, esta cobarde  prova de força da Federação Benfiquista de Futebol (é assim que devia escrever-se quando nos referimos à Federação Portuguesa de Futebol), da parte da Direcção do FCPorto. O desafio foi lançado, agora só nos falta continuar a vergar a espinha e obedecer.

26 janeiro, 2015

Bom portismo, bom partidarismo, o que é isso?

Para ser franco, ainda não sei bem o que é ser um bom portista. Quando ouço falar em bons e maus portistas, as únicas situações que me irritam e me infundem tristeza, são por exemplo, aqueles comentadores que, assumindo-se como portistas são incapazes de defender o clube quando ele está a ser atacado pelos seus adversários, como acontece nos programas de tv ditos desportivos. Outra situação que detesto - mas essa, já tem a ver com a inteligência de cada um, e não tanto com o carácter -, são aqueles anormais que mal começa um jogo já estão aos berros a insultar tudo e todos. De resto, compreendo, mas discordo daqueles que acham que, para se ser um portista de eleição é preciso apoiar a equipa em qualquer situação ou circunstância , quer jogue bem ou mal. Tudo deve ser avaliado à luz de alguma relatividade, senão tornámo-nos uma espécie de robots desalmados sem sentido crítico. Aliás esta ideia de solidariedade é tão demagógica e nefasta como votar em partidos que depois de passarem pelo governo dão provas cabais de incompetência e falta de seriedade. E isso tem acontecido. E isso  significa também que esses eleitores, que não ousam romper com o seu próprio conservadorismo político, ou com a seu comodismo cívico, são também co-responsáveis pela (péssima) qualidade da governação que contiuamos a ter.

Desculpem a dispersão, mas estas coisas da política e do futebol têm muito em comum, senão reparem: as eleições legislativas estão a aproximar-se, como sabem. Então, de que é que começamos a ouvir falar nestes momentos: da  Regionalização. Isso mesmo, Regionalização! A tal palavrinha mágica que aparece e desaparece, com mais regularidade que as próprias estações do ano. Mas nestas alturas, não é o clima que se altera, são as eleições que alteram as vontades dos políticos... E qual devia ser a reacção natural do povo - sobretudo o do Norte -, depois de andar a ser sistematicamente enganado com esta chupeta da regionalização? Seria votar outra vez cegamente nesses mentirosos, ou exigir-lhes provas, compromissos legais de que estão realmente empenhados em avançar com a Regionalização? A realidade diz-nos que o sentido acrítico do povo não encara estas questões com o cuidado que elas merecem e tende a repetir erros passados porque o grau de exigência é muito limitado. E os políticos carreiristas agradecem.

Agora, vejam um exemplo do que acontece no futebol. Quaresma (por exemplo) é um jogador habilidoso cujo talento nunca chegou a um exponente superior por culpa própria. O FCPorto deu-lhe visibilidade como deu a outros jogadores e treinadores, vendeu-o ao Barcelona,  depois foi para o Inter de Milão e Chelsea, mas nunca chegou a impor-se em nenhum destes clubes. E por quê? Porque as equipas de top querem jogadores habilidosos, mas sobretudo que sejam capazes de gerir as suas capacidades técnicas em prol da equipa e não sobrepôr-se a ela. No entanto, há um grupo de fâs do Quaresma que só vê nele a finta e os golos de trivela (poucos) que marca, mas não é capaz de o censurar quando emperra uma jogada ou se perde em fintas e fintinhas inconsequentes. E assobi(av)am o treinador quando ele o substituía, quase sempre com razão. Ora, estes adeptos, tão pouco criteriosos com o futebol, também não podem ser bons eleitores, e provavelmente votam na mesmice política e partidária (PS/PSD/CDS). Alguns, criticam tudo e mais alguma coisa, mas são incapazes de sugerir uma ideia para resolver o que quer que seja. Falam-lhes em Regionalização e não querem saber o que é, ou então absorvem os bichos papões que os políticos "regionalistas convictos" lhes impingem quando chegam ao poder.

Voltando ao bom portismo - sendo embora a clubite um tema mais afectivo que político -, pergunto se teremos de ser também bons eleitores, e se para o sermos, fará algum sentido votar sempre no mesmo partido? Para mim, não faz. Mais. Como os políticos são gente sem vergonha, só votaria naqueles partidos cujos representantes admitem agora a Regionalização se assumissem um cumpromisso pessoal e notarial, com força jurídica, como garantia de avançar com o processo, sem interrupções, nem desvios. Mas como não tenho forma directa de votar à condição, o mais certo é não votar, porque tenho toda a legitimidade para duvidar de promessas meramente eleitoralistas de auto-promoção. Como cidadão, os meus votos só podem ter uma direcção: o País! Não os políticos, que na maioria dos casos, não têm a menor categoria para o representar.

Actualmente o FCPorto está a passar por uma crise de liderança. Não há dúvidas! Hoje o clube tem outro compromisso com os portistas (e não só), que é o Porto Canal. Um e outro, não andam bem. Nota-se. Os resultados desportivos são desanimadores, a comunicação com os adeptos, agora que há meios, está pior do que nunca. Pinto da Costa, nem o facto de ter sido vítima de uma cabala mascarada de processo, o incita a reagir às incidências sistemáticas de um outro processo em curso (este sim, concertado, planeado) para prejudicar o FCPorto. Pergunto: como é possível o bom portismo, quando o comandante do navio parece navegar à deriva alheio aos sinais de alerta vindo de alguns adeptos, sobretudo daqueles que sempre estiveram com ele? Como é, ser bom portista? Ver o navio descontrolado, a afundar-se, sem esboçar uma reacção defensiva, e deixá-lo mergulhar completamente, ou dar um berro para ver se o capitão acorda?

Se calhar, bom portismo, é não permitir que aquilo a que me habituei garbosamente a elogiar durante anos, passe a ser um circo a céu aberto e a inspiração dilecta da chacota centralista.

PS-Apesar de tudo, a sorte ainda não nos abandonou de vez... Mas, não nos iludamos lá porque o clube do regime perdeu. Continuamos a precisar de uma liderança forte e pro-activa. Agora, mais do que nunca.


25 janeiro, 2015

Quem não sabe dar-se ao respeito não pode se respeitado

Por isso, e na sequência do post anterior, não me surpreende a péssima prestação da equipa do FCPorto com o Marítimo, desgarrada, complicativa, lenta, estupidamente adornada com laivos de vedetismo, envergonhando os colegas não titulares que lutaram estoicamente contra o Braga, contra o árbitro e a mafiosa comunicação social deste projecto de país. O orfanato numa liderança é o princípio da assunção do fim de quem está para a perder, ou já a perdeu mesmo. Parece-me ser esso o caso, no FCPorto.

Quem cala, é porque consente, e quando o silêncio se confunde com permissividade e começa logo no Presidente, é pouco provável que volte a ser respeitado, sobretudo num país onde no lugar de um Estado de Direito há uns gajos medíocres a brincar aos Presidentes da República e ex-primeiros ministros na cadeia por suspeitas de corrupção. Roubar sabem eles. De resto, mais nada. É um país onde o orgulho nacional é coisa para mentecaptos. O FCPorto dava-nos algum, agora nem isso.

Actualmente não sou sócio do FCPorto, se fosse recomendaria urgentemente a realização de eleições...

E viva o SYRIZA. Os gregos estão bem vivos, ao contrário de nós. E mais não digo.