23 fevereiro, 2008

Conversa da Treta

Outra coisa que me irrita solenemente, são os manifestos de indignação patenteados por alguns políticos relativamente à péssima imagem que semearam na opinião púiblica.

Em abono da verdade, por muito que isso desagrade aos partidos que acederam às esferas do Poder (PS e PPD/PSD), os mais sérios e coerentes, são paradoxalmente aqueles que o sistema acusa de demagógicos: o PCP e até o próprio Bloco de Esquerda.

Mas, na realidade, por reflexo da queda do regime comunista, o subconsciente popular assimilou (se calhar, mal) que não lhes deve ser dada a oportunidade de se readaptarem a este tipo de democracia (que nem sequer é recomendável), para mostrarem o que valem. Não votam neles e pronto. Só servem, enquanto bóia salvadora, para o povo se "vingar" dos partidos que os andam a enganar há décadas sucessivas. As pessoas não percebem, que com esta esperteza saloia não estão mais do que a transmitir aos partidos do poder convencionais a ideia de insubstituabilidade que em vez de os regenerar os acomoda e vicia. Às vezes é preciso arriscar um pouco mais.

Mas, como disse, é a indignação de alguns protagonistas políticos que me irrita, quando dizem que desprezamos a sua actividade. Irrita-me, porque esta reacção revela de per si o autismo em que têm vivido e os leva a confundir a imagem que fazem de si mesmos com a imagem que pensam dar aos cidadãos. O erro autista reside aqui.

Quando dizem com despudor, que as pessoas ignoram o serviço público que prestam ao país, esquecem-se que a medida dessas mais valias nunca pode ser feita por quem as executa, mas tão só por quem delas tem de beneficiar: o Povo.

Os "Olhares Cruzados sobre o Porto"

António Pires de Lima, político do CDS-PP e actual administrador da UNICER, como a maioria dos políticos, sabe bem fazer valer a técnica do camaleão, que é, como se sabe, a de adaptar-se ao meio ambiente e se necessário, fundir-se com as suas côres.

Por isso, talvez para não nos avivar a memória do facto de ter deixado Lisboa para ocupar o poleiro da cervejeira nortenha (que podia ser preenchido por alguém residente no Porto e sem compromissos político-partidários), Pires de Lima decidiu dar o seu importante contributo no "Olhares Cruzados sobre o Porto".
Como seria de esperar, nada de objectivo adiantou para nos ajudar a resolver os problemas da região, mas ainda assim, houve quem ficasse muito surpreendido por não lhe ter acrescentado uma única medida ou ideia inovadora.


As pessoas que tiveram a boa vontade de assistir ao debate, sem se preocuparem com a qualidade de todos os intervenientes e que aparentemente saíram defraudadas com os seus resultados, só podem é queixar-se de si mesmas, por continuarem a dar crédito a quem já deu provas de não o merecer.
Pelo menos, talvez tivessem lucrado alguma coisa com a presença do Dr. Pires de Lima, se - por exemplo - lhe tivessem perguntado se foi para despedir uma data de funcionários da UNICER que deixou Lisboa para dar esse excelente contributo em "benefício" da nossa região...
Mas, o melhor é ficar-me por aqui, senão lá vem a chapa 5, da "demagogia".
Pois bem, então reafirmo: demagogos são indubitavelmente todos os Pires de Lima deste país, que sabem gerir muito a contento a sua vidinha pessoal, mas nada de significativo fizeram por ele, a não ser, isso mesmo: acrescentar demagogia.

22 fevereiro, 2008

A "fotografia" parece não estar a ficar lá muito nítida

"De acordo com informações recolhidas pelo JN, nas últimas semanas, mas principalmente após a comunicação pública da directora do DIAP do Porto, Hortênsia Calçada - em que foram rebatidas críticas veladas quanto ao desempenho na fase inicial da investigação do processo das agressões contra Ricardo Bexiga -, os magistrados do Porto têm recebido diversas manifestações de apoio por parte de colegas de todo o país.
Solidariedade
A formação de uma onda de "solidariedade" ter-se-á intensificado na sequência da participação de Maria José Morgado no programa "Prós e Contras", da semana passada, na RTP. Neste debate, em que interveio Ricardo Bexiga, a directora do DIAP de Lisboa e também coordenadora da equipa do Apito Dourado evitou pronunciar-se directamente sobre o caso Bexiga. Por essa razão, e também pelo teor das declarações de Bexiga, sobressaiu uma ideia de atribuição de responsabilidades ao Porto pelo fracasso na investigação. O próprio despacho de arquivamento da equipa especial de Morgado permitia essa leitura."
Receio bem que a entrada empolgante de "águia" da Dra. Maria José Morgado no "Caso Apito Dourado", vá decepcionar os milhões de filhotes que por aí andam a reclamar uma Justiça feita de encomenda.
Palpita-me mesmo que a saída do processo se assemelhe mais à de um passarinho pouco inocente...
Ler aqui o artigo do JN completo.

21 fevereiro, 2008

A futura Casa da Arquitectura de Matosinhos

Apesar do que foi dito no post anterior, há alguns casos excepcionais, que embora não possam considerar-se "imaculados" (a Av. dos Aliados é disso um exemplo), conseguiram alcançar um estatuto de excelência louvável, tanto a nível interno como externo.

É o caso de Siza Vieira, que às vezes me faz lembrar o Quaresma no futebol. É um génio que às vezes complica e também não gosta que o assobiem...



Extraído do blogue Bússola e da autoria de Fernando Rocha

"Da Cordoaria"


"O desenho do lago é aberrante. O varadim que lá havia - dos tempos do cimento a imitar troncos de árvore - era parolo para a pós-modernidade. Mas seguro. Protegia as pessoas de caírem à água. Experimentem lá levar agora crianças, alguém em cadeira de rodas, um distraído, um cego. Caem à água. Plataforma sobre lagos, em jardins públicos sem resguardo e protecção, parecem-me pedir processo judicial."

Está carregadinho de razão Helder Pacheco. Há certos senhores que fazem das suas actividades profissionais verdadeiros templos de esoterismo, onde ninguém pode entrar ou emitir opinião.

Nunca aceitam a crítica, mesmo que ela seja construtiva e tenha preocupações sociais. Convencem-se que só eles estão à altura de entender as necessidades públicas porque pensam muito mais para a frente que o cidadão comum .

A coberto desse pragmatismo duvidoso, esquecem-se muitas ocasiões do essencial, e "lixam" o zé povinho com as suas excentricidades, como foi este caso aqui.

Finalmente, e para variar: mais do mesmo



Para quem ainda tivesse dúvidas ou andasse distraído com estas 'futilidades' futebolísticas, que só servem para 'alienar e embrutecer', ficam aqui testemunhos de como estavam enganados. Se calhar, quem estaria a dormir na patetice da sua arrogância intelectual, era quem faz dos outros, mentecaptos e gente menor ...

Durante 8 dias consecutivos, apresentamos aqui as 1ªs. páginas do jornais desportivos de maior tiragem do país, e ficou definitivamente provado que, não só não andamos a ver fantasmas, como não somos paroquianos, nem inventamos nada. Apresentamos, FACTOS!

Se isto não bastar, não custa nada continuar a publicar estas preciosidades. É só dizê-lo.

Os "descentralizadores"

Alguma gente, que faz muita questão de se mostrar conhecedora e segura de todo o tipo de assuntos, incluindo os de índole política e social, não é contudo capaz de engendrar outros argumentos para explicar a sua "fé" mórbida na descentralização (contra a Regionalização) que não seja os da proliferação do caciquismo local e o perigo de desintegração do país.

Quem a ouve falar, não pode deixar de ficar intrigado para perceber como é possível em mais de três dezenas de anos de promessas não cumpridas de descentralização, continuar a defender um mentira. Sim, porque é a defesa de uma retinta mentira aquilo que fazem os adeptos da "descentralização", não é nada mais do que isso.

É quase como levar o carro avariado à oficina, deixá-lo lá ficar sem funcionar durante mais de 30 anos, tão só porque o mecânico nos prometeu que um dia o haveria de arranjar. É caso para perguntarmos, se os fãs da descentralização costumam ter essa mesma tolerância com os seus mecânicos...

Mas, lamentavelmente, o caso aqui é mais sério. Não estamos a tratar do conserto do nosso automóvel, estamos a falar de questões de cidadania, de vida, e não devemos brincar com elas.

Por outro lado, é difícil compreender como se pode continuar a acreditar em algo que há muito, já não merece crédito, e desconfiar de uma alternativa (a Regionalização) de governação da qual - pelos exemplos de outros países europeus - só temos razões objectivas para conceder o benefício da dúvida.

Por outro lado ainda, é absolutamente irresponsável e cínico, pôr em causa a integridade nacional, assustanto o povo, quando afinal se insiste na defesa de métodos governativos (manutenção centralista de poder), que mais não têm feito senão acentuar assimetrias e estimular ideias separatistas. Não haverá pois, alguma coisa aqui, de maquiavélico e insano?

Só por isso, desconfio muito dos "descentralizadores". Vejo-os como cumplíces desta pouca vergonha, deste sistema irresponsável de "governar" o país, que é afinal de contas, a única e verdadeira ameaça à nossa integridade, enquanto nação.

20 fevereiro, 2008

"DROGARIAS"


Heidi Klum, ex-anónima, actual modelo profissional mais bela do Mundo







Victor Constâncio, ex-político, actual Governador de Banco Nacional mais bem pago do Mundo




Entre estes dois tipos de "substâncias" alucinogénicas, recomendamos a da foto de cima. Os efeitos secundários, são seguramente mais benéficos para a saúde...

Apesar de tudo, é preciso continuar a aumentar o número de cidadãos já imunes a substâncias como: lactose, celulose microcristalina, polacrilina potássica e estearato de magnésio, uma poderosa mistura para tratar a ansiedade e ajudar a dormir.

Nota:
Este produto (altamente tóxico) está também presente na conversa dos políticos, como previne no JN de hoje, Manuel António Pina.

Olhem bem, para não dizerem que só sabemos "chorar"


Nunca é demais relembrá-lo. O Futebol Clube do Porto jogou ontem mais uma etapa da Liga do Campeões Europeus e é o único clube português a disputar a competição. Contudo, observem outra vez os critérios sobre a importância do evento da parte dos jornais desportivos.

Quanto ao jornal "O JOGO" (imagem da esquerda), como aqui se pode ver, não é a 1ª. página da edição Norte, mas apenas uma página online de hoje. Nas tvs, a revista de imprensa desportiva mostra a 1ª. página da edição Sul de hoje deste jornal com uma grande foto de Paulo Bento, do Sporting...

Estes apontamentos, além de revelarem as assimetrias jornalísticas podem servir para fazer meditar os entusiastas das privatizações sobre as garantias de qualidade quando uma empresa estatal não funciona, ou funciona mal.

Portanto, é preciso ter calma com certos entusiasmos e com modinhas de combustão rápida...

19 fevereiro, 2008

A solução do TAF

Como produzir riqueza (honestamente), sem dinheiro? Alguém sabe? Se sabe, faça o favor de se apresentar à comunidade, de esquecer as teorias e convocar imediatamente uma Reunião Magna Regional para nos ensinar a prática dessa ciência. Os portuenses em particular e os Nortenhos em geral, agradecem, porque é disso que mais precisam.

Deu-me para inicar o meu comentário desta forma propositadamente sarcástica, para saber se será defeito meu considerar um pouco utópico este post do Tiago Azevedo Fernandes, inserido no blogue "A Baixa do Porto".

Ele tem muita razão, quando diz que "os candidatos a protagonistas locais passam a preocupar-se com os problemas nacionais mal atingem alguma notoriedade e esquecem os locais", mas perde-a, pensando que já não nos sacrificamos, que nos acomodamos e que podemos poupar para investir na sua estratégia "Think global, act local" (A Solução).

Pensar global e esperar implicitamente mais entraves pela parte do Poder Central, parece-me óbvio, mas ao mesmo tempo, revela uma noção demasiado lisonjeira àcerca das capacidades do potencial empreendedor local, sobretudo continuando orfão de qualquer tipo de suporte dos orgãos do Poder.

Mas, a que se refere afinal TAF, quando fala de empreendedorismo social? À iniciativa dos cidadãos em geral, ou de algumas elites? E de que elites? Presumo que, das elites com capital. Assim sendo, por que não sondá-las directamente, cativá-las e envolvê-las no seu projecto social, em vez de propor "sacrifícios" a quem já está cansado de os fazer? Há que ser objectivo, mesmo que se trate apenas de um projecto.

Pessoalmente, estou aberto a qualquer proposta política, económica e social, desde que beneficie a grande maioria da poulação. Interessa-me bem menos a forma como se constrói a "massa" do que a qualidade de que ela é feita. Esta, é irreversivelmente a minha doutrina. A qualidade dos recursos (homens) que é aquilo que faz dos projectos bons ou maus.

Daí que, como cidadão, antes de qualquer subterfúgio para contornar obstáculos, seja para mim prioritária a procura de um sistema democrático (e do seu melhoramento) que nos permita controlar - apoiar ou demitir - os representantes do Poder. Tal como está, a democracia é um verdadeiro bluff, é um corpo com membros, mas com muito pouco cérebro. Se é verdade que a democracia não é um regime perfeito, mas o menos mau, por que havemos nós de renunciar ao seu aperfeiçoamento ?

Além de mais, como já muitas vezes referi, desistir de bater o pé, de exigir dos governantes o cumprimento estrito das suas obrigações, tratando-os como meninos da mamã, mal comportados, é termos uma noção muito aligeirada das responsabilidades do Estado e, pior do que isso, é pactuar com o oportunismo político e dar lastro ao estatuto de menoridade em que Portugal vive, desde há muitos anos.

A vida é dura (é verdade), diz o Tiago. Mas, se temos de fazer ainda mais sacrifícios (como ele propõe), então não precisamos dos políticos para nada e, nesse caso... que viva a anarquia!

Afinal, onde está a mais valia do DIAP/Lisboa?

"Depois, os magistrados do DIAP (Porto) criticam o político (Ricardo Bexiga) por ter 'guardado na gaveta', entre Setembro e Dezembro de 2006, as informações fornecidas por Carolina sobre o seu alegado envolvimento, de Pinto da Costa, Valentim Loureiro e do líder dos super-dragões no episódio.
Só nesta data (11Dezembro de 2006), o ofendido junta aos autos o livro "Eu Carolina" e revela que - três meses antes - havia almoçado com a autora que lhe confessara a co-autoria dos factos, sublinhou ainda Hortência, adiantando que a inquirição a Carolina, agendada para 21 de Dezembro desse ano foi desmarcada porque entretanto o inquérito passou para a equipa coordenada por Maria José Morgado".


Lisboa não forneceu pistas de Carolina ao DIAP do Porto

Se os factos foram estes, não há dúvida que a condução do processo pela equipa lisboeta do DIAP/PJ , não foi nenhum exemplo de transparência. E que cheira a estratégia orquestrada para facilitar a acusação, lá isso cheira.

A poucas horas da Liga dos Campeões, são assim os jornais desportivos




Não nos iludamos com a capa do jornal o "O JOGO", porque é apenas a chupetinha para os 'parolos' da edição Norte.

A edição Sul já não é assim como aqui está estampada, a côr promovida continua a ser o vermelho. Se alguém quiser tirar dúvidas, é só ver a revista de imprensa matinal das televisões e a opção continua a ser o Benfica.

Nos outros jornais da capital, é o que se vê: a "imparcialidade" do costume...

18 fevereiro, 2008

O lado dos "Apitos" de que as TV's não gostam de falar...


"Nos sucessivos depoimentos de Ana Maria, foram relatados factos susceptíveis de descredibilizar a versão de Carolina, ligando-a ao líder do Benfica, Luís Filipe Vieira, e denunciando uma suposta ligação próxima com Maria José Morgado e um inspector da PJ, que a teria enduzido a moldar os seus depoimentos contra o dirigente do F.C.P."


Irmã gémea queixa-se de ter sido pressionada por Carolina

Entre as declarações de uma mulher que se prostituiu, que "apunhalou" o seu antigo companheiro, que o traiu, roubou, que se passou para o lado daqueles que outrora odiou e insultou, e as declarações de uma mulher (sua irmã) aparentemente honesta e com uma vida pacata, é no mínimo suspeita a preferência testemunhal e o notório "carinho" dedicado pela dra. Maria J. Morgado, à primeira.

"Variedade" de tons




É assim que os valores centralistas manifestam a sua seriedade informativa. Muito vermelho, algum verde e muito pouco, ou nenhum, azul e branco...

Amanhã, o F. Clube do Porto joga mais uma jornada para a Liga dos Campeões Europeus. Talvez quem sabe, abram uma excepção e sejamos brindados com uma 1ª paginazita azulada... Coitados de nós, também merecemos, não é? Vamos lá ver.

17 fevereiro, 2008

"MEMORANDUM CASA PIA-VERSÃO 2008"

O Escândalo Casa Pia rebentou nos finais de 2002, quando um antigo aluno da Casa Pia em entrevista à jornalista Felícia Cabrita, alega ter sofrido de abusos sexuais, enquanto jovem.

Os principais responsáveis desses abusos eram figuras públicas e um ex-funcionário da Casa Pia, Carlos Silvino, mais conhecido como Bibi. A 29 de dezembro de 2004, o Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusou formalmente várias personalidade de abusos sexuais a menores (pedofilia): Herman José e Carlos Cruz, duas estrelas da televisão portuguesa.

Além desses suspeitos, foram constituídos arguidos, o arqueólogo Francisco Alves, o antigo médico da Casa Pia, Ferreira Diniz, o ex-Ministro da Segurança Social do governo de António Guterres, actual deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso e também o embaixador Jorge Ritto.

O julgamento iniciou-se em 25 de Novembro de 2004, com sete arguidos: Carlos Silvino, Carlos Cruz, Jorge Ritto, Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Hugo Marçal e Gertrudes Nunes. O caso arrasta-se durante anos, com audiências públicas e não públicas para auscultar as alegadas vítimas. Em Fevereiro de 2008 o caso ainda decorre, e é tempo de mais.

Nota: Este caso (até ver), não envolve o Porto, mas indigna todo o país. Os media tradicionais andam ao "ritmo" do regime e já se devem ter "cansado" de o pressionar. Nós não. Periodicamente, faremos questão de lembrar aqui esta vergonha nacional. Para que os respectivos responsáveis possam ter a noção exacta da valia da sua honorabilidade

Antes do "glorioso" jogar...




Centralismo desportivo exemplar. Querem ver que o "mafioso" do Pinto da Costa se passou para o Benfica e não nos disse nada???!!!



16 fevereiro, 2008

Continuamos paroquianos, apesar da Bial...

Deste artigo de opinião da autoria de Luís Costa, um dos jornalistas nortenhos que mais têm remado contra a maré centralista, sobre o debate realizado pela UC e jornal 'Público' e cujo tema visava a "Comunicação Social do Porto", destaco estes parágrafos por me parecerem bastante elucidativos:

"Mas o que me parece mais relevante é, que nenhum deles pôs em causa, mesmo quando torneavam o assunto, a importância fulcral e decisiva da autonomia política, da existência de um eventual poder regional, da futura criação de novos centros de decisão - desejavelmente numa lógica multipolar - como elemento catalisador fundamental de um novo caminho que tarda em ser trilhado".

"E anda-se nisto há 25 anos, pelo menos."

"É por isso que discutir estas matérias sem consequências práticas já cansa. E escrever sobre tudo isto, confesso-vos, também já começa a cansar."

Noutra página do JN, e ainda relativamente ao mesmo tema, Augusto Santos Silva, Ministro dos Assuntos Parlamentares, "explica-nos" por que é que as coisas não saem dos processos de intenção:

"Não existe nenhuma contradição entre um órgão ter sede no Porto e ter dimensão e vocação nacional".

"Os media do Porto só são regionais se esse for o seu âmbito de actuação, a sua vocação".

"Isto implica abandonar a lógica dicotonómica Norte contra Sul ou Porto contra Lisboa. Esse olhar próprio deve ser cosmopolita e moderno".

"a opção é entre ser paroquial ou cosmopolita"

"o Porto tem todas as condições para ter um olhar cosmopolita e moderno e que esse olhar seja a sua forma de ver e interpretar o país e o Mundo".

Sobre estas declarações do Sr. Ministro, quero dizer algumas coisas. A primeira, é que, é errado pôr-se o problema em termos de 'contradição entre sedes dos orgãos de comunicação e as suas vocações ou dimensões', quando devia ser colocado em termos de poder executivo e de liberdade editorial.

A segunda questão, é que o Porto nunca quis ser regional, pelo contrário, o que acontece é que a televisão, sendo o mais poderoso de todos os media, encarregou-se de drenar sistematicamente para Lisboa todo o seu poder, influenciando assim implicitamente toda a difusão dos diferentes orgãos de comunicação (Jornais, rádios, etc.).

Quanto à chamada lógica dictonómica "Norte contra Sul", à vulgaridade da qual também o sr. Ministro não conseguiu fugir, cá temos outra vez a demagogia a funcionar, e repare-se, que não é por inocente acaso que estes senhores dizem sempre "norte-sul" e nunca "sul-norte". Isto, suponho, já deve explicar tudo. O mesmo se aplica à conversa enjoativa dos dogmas paroquiais versus cosmopolitas. Já cansa.

O que realmente acontece, é que são sobretudo políticos iluminados como este que emperram a ruptura do estatuto minoritário que eles, mais do que a sociedade civil (como chega a admitir Rui Moreira) nos traçaram.
Bastará olharmos para o exemplo da RNTV e perceber que ali não há dinheiro para avançar melhor e mais depressa.
Bastará particularmente, olhar para as reticências que este mesmo senhor ministro tem colocado para dar mais autonomia a RTPN, que para além de mais é propriedade do Estado.

Enfim, 'novamente' mais do mesmo.

1º.EXEMPLO DE "SERIEDADE"



Ontem fiz aqui um comentário ao Centralismo e aos "atalhos" da vida entre Sul e Norte. Estes casos do futebol, podem servir de paradigma ambivalente para melhor apreciar os sucessos de Pinto da Costa e do F.Clube do Porto. Se por um lado prova que apesar do Centralismo é possível ao Norte ultrapassar barreiras e vencer, por outro lado retrata que as dificuldades para o conseguir são infinitamente maiores e que isso, é fazer batota.

Ontem também, o F. Clube do Porto foi a única a equipa a jogar na 1ª. Liga. Um jogo importante, dadas as habituais dificuldades que o Marítimo da Madeira costuma colocar ao clube da nossa cidade.

Observem-se bem as primeiras páginas dos 3 diários desportivos. Só o jornal "O JOGO" (o menos mau dos três) é que dá à vitória do Futebol Clube do Porto o destaque merecido.

Os outros dois de Lisboa, da capital da 'coesão nacional', da 'seriedade', da 'isenção', do 'respeito pelas práticas democráticas', votam ao F. C. do Porto o desprezo habitual. Como se vê.

Presumo que no desporto, serão estes os exemplos a seguir para dissuadir eventuais guerrras do tipo "Norte-Sul", que para nosso espanto e como a própria definição sugere, devem ter sido despoletadas pelos energúmenos do Norte.


PS
Apesar desta desonestidade deontológica e cívica, será curioso atentar a um pormenor de refinado cinismo: a espaços (muito espaçados mesmo) estes exemplos de 'fair play' patente nas capas dos referidos jornais mudam de tom, apresentando as camisolas listadas de azul-e-branco, que é para servirem de "prova", para a eventualidade de terem de nos contradizer...

15 fevereiro, 2008

A sociedade civil e o Estado

Há quem veja o Centralismo e as profundas mazelas que ele comporta, como uma espécie de pai irresponsável que os 'filhos' têm o dever de tolerar para não se incomodarem demais. Defendem que, se o 'pai' é mau pai, então os 'filhos' só têm é que arrepiar caminho, fazerem-se à vida, na conquista de um lugar ao Sol na sociedade e esquecer sequer que o 'pai' existe.

Em teoria, o princípio até contém algum realismo porque, na verdade, é um pouco assim que deveríamos todos pensar para ultrapassarmos os múltiplos problemas que a vida sempre nos reserva, para atalhar caminhos, e estabelecermos objectivos, sem desperdício de energias.

Mas, afinal de contas não será isso, que cada um a seu jeito, procura fazer? Como noutras situações, há uns que descobrem esses atalhos mais depressa e melhor que outros, e outros há que, por variadíssimas razões, levam mais tempo ou até nunca chegam a encontrá-los. É a vida.

Mas muita calma, não confundamos a história do pai apadastrado com a história de um país orfão de quem o governe, porque isso é o mesmo que passarmos um salvo-conduto de irresponsabilidade a quem tem a obrigação de o administrar a contento de todos. Não é tarefa simples, sabemos, mas também ninguém é forçado a desempenhá-la. Só para lá vai quem quer. A partir do momento que alguém se disponibiliza para o fazer, deve estar ciente da enorme responsabilidade que a decisão acarreta porque é apenas para isso e só para isso que lhe entregamos o Poder. Para o bem e para o mal.

Numa época em que a corrupção invadiu todas as áreas da sociedade, incluindo a política e judicial, não faz muito sentido deixarmos o país entregue a si mesmo, sem uma permanente exigência de optimização das instituições públicas, sem reclamarmos igualdade de tratamento e de oportunidades.

Num país moderno e democrático, não é recomendável nem justo que a Sul os atalhos pareçam auto-estradas e que a Norte se assemelhem a caminhos de cabras e que tenhamos de fazer muito mais esforço para ter muito menos. Desistir de reclamar seriedade à governação nacional, é sermos co-responsáveis pela proliferação da mediocridade.

Os governantes têm de uma vez por todas de estar à altura do cargo que assumem. Se não estão (como é o caso em Portugal), devemos arranjar forma de os afastar do Poder. O que não podemos, é continuar a aceitar nos govêrnos, reguilas e miúdos com tantas (ir)responsabilidades. É uma insconsciência suícida!

Ora aí está!



Esta é a "ordem normal" das coisas, em termos de jornalismo desportivo. Ontem, como ante-ontem, houve jogos para a Taça UEFA e não serve de exemplo. Mas não deixa de servir como aperitivo. Quando tudo voltar à pasmaceira nacional é que conta.



Duas notícias positivas para o Porto

BIAL duplica a área dedicada à investigação

E pronto. Apesar de estar de costas voltadas para o Porto e para as dificuldades da região, concentrando poderes e compadrios em Lisboa, lá vem o oportunismo do costume: imediata colagem a quem pode projectar a imagem do Govêrno e do 1º . Ministro, com palavras de circunstância onde a bajulação supera o apoio sincero.


F. Clube do Porto lidera ranking de desempenho desportivo

Neste caso, não se pode dizer que seja uma novidade. É por demais inquestionável que Pinto da Costa é o grande obreiro deste palmarés de êxitos, sobretudo quanto tem todas as garras do centralismo em cima dele.

14 fevereiro, 2008

Os jornais desportivos e as vendas...


Ontem houve competições europeias, por isso aceita-se perfeitamente o tom "esverdeado" dos três díarios desportivos mais conhecidos, embora o Braga também tenha jogado...e nada.
A partir de hoje, tentarei publicar aqui todos os dias as primeiras páginas dos referidos jornais, para podermos comprovar que não inventamos nem temos a mania da perseguição quando afirmámos que no futebol também se produz centralismo q.b., e se infringe (impunemente) as mais básicas regras democráticas que noutros contextos servem, entre outras coisas, para colocar partidos políticos e pessoas na cadeira do Poder.
Por outras palavras, princípios elementares que concedem prioridade aos vencedores de todo o tipo de contendas.

O que iremos seguramente constatar, não é mais do que a realidade nua e crua, e tem efeitos retroactivos, porque acontece há longos anos, sem incomodar minimamente os defensores das regras deontológicas profissionais, nomeadamente, as de alguns jornalistas.

É o mercado, dizem eles. Portanto, é assim: Mercado = 1.000.000.000.000 - Democracia = 0
O Futebol Clube do Porto é bi-campeão nacional e está no bom caminho para repetir o Tri.
Estejemos atentos aos próximos tempos e anotemos o número de edições que cada um dos mencionados diários destaca com a primeira página o clube azul e branco.
NOTA:
O Jornal "O JOGO", único sedeado no Porto, tem duas edições, Norte e Sul. Na do Norte, ainda manifesta alguma consideração pelo F. Clube do Porto e concede-lhe alguma atenção, mas na
edição Sul, digamos que consome toneladas de tinta vermelha em homenagens a glórias pré-históricas e ... ao vil metal.

Cem anos depois

"Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter (...). Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo (...). Dois partidos (...) sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...), análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos de uma vez na mesma sala de jantar (...)".

Isto foi escrito há 100 anos por Guerra Junqueiro, estrebuchava a Monarquia (que, a pretexto do regicídio, alguns patuscos de "blaser" e emblema da Causa Monárquica na lapela nos têm recentemente tentado vender como um eldorado perdido) nos últimos estertores.

Porque o chapéu assenta singularmente no clima social e político finissecular que de novo vivemos, "Pátria" deve ser hoje o livro mais citado na blogosfera portuguesa, onde, expulsa dos media tradicionais, se exila grande parte da massa crítica que, entre nós, ainda mexe. É um sinal, o sintoma de uma doença. Até generais já andam por aí a assumir-se publicamente como "reservas morais" da nação.

Quando a "reserva moral" já está na tropa, há boas razões de sobressalto cívico.

Manuel António Pina
(do JN)

13 fevereiro, 2008

A Democracia no futebol é um embuste



A IMPERIAL
ÁGUIA
DO
IMPERIAL
CENTRALISMO


Tenham paciência, hoje é inevitável, sou mesmo obrigado a falar de "futebol".

Contrariamente ao que pensam os avessos às baixezas do mundo futebol - que se obstinam a branquear outros mundos, bem mais obscuros - sempre aprenderiam alguma coisa se estivessem atentos ao trabalho sujo de autêntica promoção clubística, levado a cabo pelas televisões do centralismo, pouco antes da última eliminatória da Taça de Portugal.

A esses intelectuais do regime, que do alto da sua sapiência anódina garantem nada ter a aprender com o futebol, far-lhes-ia bem observarem algumas cenas ligadas a esse mundo para, pelo menos, não fazerem figura de patetas quando desatam a dissertar sobre a ordem cívica e a democracia.

A SIC (e não só), que em matéria de futebol anda, nas barbas do país, anos a fio a borrifar-se para os valores da democracia , quase transformou um simples jogo da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Paços de Ferreira, numa final da Liga dos Campeões...

Embora possamos compreender a ansiedade dos apaniguados do clube símbolo do Centralismo que não consegue traduzir os mitos de que se alimenta em realidades, é inadmissível que se deixe passar impune a pressão a que os jornalistas da SIC sujeitaram o árbitro da partida, de mais a mais, por se tratar de alguém que está envolvido no processo Apito Dourado, acusado de ter prejudicado o Benfica.

O resultado foi o que se viu, porque a televisão mostrou, o árbitro favoreceu descaradamente a equipa de Lisboa e deu-lhe de bandeja, a passagem à próxima eliminatória!

Então, e os senhores procuradores, não vêem estas coisas? De que estão à espera para abrir um processo? Se é de uma queixa, eu próprio a faço, estejam à vontade, é só dizê-lo.

E então o que anda a Dra. Maria José Morgado a fazer que ainda não decidiu abrir um processo a Luís Filipe Vieira, a quem tivemos oportunidade de ouvir negociar um árbitro com Valentim Loureiro? Mas, andam a fazer de nós parvos, procurando convencer-nos que toda esta roda-viva à volta de Pinto da Costa é apenas uma questão de Justiça? Querem mesmo que acreditemos nisso?

E então, que dizer da tão badalada promiscuidade entre política e futebol, quando ainda ontem as televisões não tiveram qualquer tipo de pudor em filmar uma homenagem em Bruxelas os comovidos políticos da família benfiquista (como se isso fosse uma honra) se deleitavam a tecer loas ao Benfica com lágrimas, suspiros e abraços como se estivessem a praticar o acto mais inocente do Mundo?

Imaginam por um momento, se esta propaganda nojenta fosse feita ao F.Clube do Porto? Imaginam mesmo? Apesar de a merecer muito mais, seria um escândalo nacional e às tantas, razão suficiente para abrir um outro processo.

E o doutor Rui Rio, não se pronuncia em relação a esta promiscuidade? Ó pronuncias, isso, só se fosse com o F. Clube do Porto. Que rico líder. Votem outra vez nele meus senhores, e chamem-lhe honesto...