14 março, 2008
A ratoeira do "Bufo"
A sociedade portuguesa não consegue sair do espartilho de subdesenvolvimento que a sufoca desde há longos anos, por duas razões essenciais: a corrupção e a incompetência consentidas. Mais adiante, explicarei melhor porque digo "consentidas".
A corrupção tem duas escalas, a grande e a pequena corrupção, sendo que a primeira gera e icrementa a segunda. Enquanto a grande corrupção é praticada ao mais alto nível do poder, tanto político como económico e manipula enormes quantidades de dinheiro e o próprio património nacional, a pequena corrupção não faz mais do que "seguir o exemplo" da grande, numa categoria de valores e influências mais baixa, mas não menos perniciosa.
Expressões como estas: "vê lá se falas ao Manel", "o meu filho está desempregado, vê se consegues arranjar um lugarzinho para ele na tua empresa", "fala lá com o médico teu amigo, para internar a minha mãe no hospital", foram e ainda são , o dia a dia da vida em Portugal e ninguém, por mais íntegro que seja, pôde - pelo menos uma vez na vida - dar-se ao luxo moral de lhe escapar.
Em Portugal ( não apenas), é esta a rotina "normal" da vida. É assim, que a lei do desenrascanço dita as regras do jôgo com que se progride ou não, na vida. É talvez por isso que os mais honestos são quase sempre os mais prejudicados e quando esta "norma" se quebra, os psicologicamente mais débeis, optam muitas vezes pela fuga para a frente, enveredando pela criminalidade mais violenta. É enfim, o tudo ou nada a que agora estamos a assistir em Portugal.
Aliada à corrupção, está sempre a tal outra razão, a incompetência, que emperra o bom funcionamento das instituições públicas e particulares, blindando por consequência qualquer iniciativa para a combater.
Além desta irmandadade tácita entre corrupção e incompetência, existe um outro factor não menos influente que contribui para a sua manutenção na sociedade e a intensifica, que é o trocadilho usado por gente responsável (incluindo pela classe política) na aplicação de certas palavras. Uma delas, talvez a mais deturpada desde o 25 de Abril para cá, é a palavra denunciar.
O período pós-revolucionário viveu estigmatizado por sinais e expressões que serviam para nos demarcarmos dos outros, dos capitalistas, dos comunistas, dos latifundiários, dos ditadores, dos fachistas, etc. Entre elas, houve uma que quando proferida era imediatamente conotada com o antigo regime ou com a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), chamava-se: bufo. Tinha uma relação directa com a traição aos valores da democracia e com o colaboracionismo com o regime anterior.
Foi a partir daqui que se estabeleceu a confusão na mente das pessoas, que se abriram as portas ao laxismo e às cumplicidades do silêncio ferindo de morte o são desenvolvimento da democracia.
Nas fábricas, nas repartições do Estado, nas empresas, nas escolas, os colaboradores (e chefes) aplicados e competentes preferiam omitir a negligência e abstenção ao trabalho de alguns dos seus colegas, do que correr o risco de serem apelidados de "bufos". Como não prevaleceu o bom senso, imperou a lei da rôlha travestida de solidariedade.
A corrupção e incompetência consentidas tiveram no pretenso"bufo" um aliado invisível mas poderoso.
O que se está a passar no Ensino é um pouco isso, e para nosso azar os melhores ministros, aqueles que querem de facto reformá-lo têm tido dificuldades de percurso e de fazer passar a mensagem. É no que dá a mistura da competência com a mediocridade e a total falta de coordenação entre ambas.
Como em todas as áreas de actividade, há bons e maus professores, muitos dos quais não têm o menor perfil para o cargo, mas o medo de denunciarem os maus profissionais por eventuais complexos delatores, leva-os a acompanhar a corrente fazendo com que se confunda o todo com a parte. Só teme as avaliações quem "deve", quem não tem confiança no trabalho que produz.
A permissividade é inimiga da optmização do trabalho em todas as áreas. Denunciar a insuficência profissional e o incumprimento do dever é um acto de civismo tão nobre como denunciar um crime, desde que - evidentemente - acompanhado de provas irrefutáveis.
Denunciar não é igual a bufar, a diferença é quase antónima, embora os dicionários não o atestem. Em suma: é a isto que chamo corrupção e incompetência consentidas, porque alguém as encobre em antigos pactos de silêncio e teme a denúncia do que está mal.
Simplificando: denunciar os maus exemplos, está para a sociedade como o duche matinal para o nosso corpo.
A corrupção tem duas escalas, a grande e a pequena corrupção, sendo que a primeira gera e icrementa a segunda. Enquanto a grande corrupção é praticada ao mais alto nível do poder, tanto político como económico e manipula enormes quantidades de dinheiro e o próprio património nacional, a pequena corrupção não faz mais do que "seguir o exemplo" da grande, numa categoria de valores e influências mais baixa, mas não menos perniciosa.
Expressões como estas: "vê lá se falas ao Manel", "o meu filho está desempregado, vê se consegues arranjar um lugarzinho para ele na tua empresa", "fala lá com o médico teu amigo, para internar a minha mãe no hospital", foram e ainda são , o dia a dia da vida em Portugal e ninguém, por mais íntegro que seja, pôde - pelo menos uma vez na vida - dar-se ao luxo moral de lhe escapar.
Em Portugal ( não apenas), é esta a rotina "normal" da vida. É assim, que a lei do desenrascanço dita as regras do jôgo com que se progride ou não, na vida. É talvez por isso que os mais honestos são quase sempre os mais prejudicados e quando esta "norma" se quebra, os psicologicamente mais débeis, optam muitas vezes pela fuga para a frente, enveredando pela criminalidade mais violenta. É enfim, o tudo ou nada a que agora estamos a assistir em Portugal.
Aliada à corrupção, está sempre a tal outra razão, a incompetência, que emperra o bom funcionamento das instituições públicas e particulares, blindando por consequência qualquer iniciativa para a combater.
Além desta irmandadade tácita entre corrupção e incompetência, existe um outro factor não menos influente que contribui para a sua manutenção na sociedade e a intensifica, que é o trocadilho usado por gente responsável (incluindo pela classe política) na aplicação de certas palavras. Uma delas, talvez a mais deturpada desde o 25 de Abril para cá, é a palavra denunciar.
O período pós-revolucionário viveu estigmatizado por sinais e expressões que serviam para nos demarcarmos dos outros, dos capitalistas, dos comunistas, dos latifundiários, dos ditadores, dos fachistas, etc. Entre elas, houve uma que quando proferida era imediatamente conotada com o antigo regime ou com a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), chamava-se: bufo. Tinha uma relação directa com a traição aos valores da democracia e com o colaboracionismo com o regime anterior.
Foi a partir daqui que se estabeleceu a confusão na mente das pessoas, que se abriram as portas ao laxismo e às cumplicidades do silêncio ferindo de morte o são desenvolvimento da democracia.
Nas fábricas, nas repartições do Estado, nas empresas, nas escolas, os colaboradores (e chefes) aplicados e competentes preferiam omitir a negligência e abstenção ao trabalho de alguns dos seus colegas, do que correr o risco de serem apelidados de "bufos". Como não prevaleceu o bom senso, imperou a lei da rôlha travestida de solidariedade.
A corrupção e incompetência consentidas tiveram no pretenso"bufo" um aliado invisível mas poderoso.
O que se está a passar no Ensino é um pouco isso, e para nosso azar os melhores ministros, aqueles que querem de facto reformá-lo têm tido dificuldades de percurso e de fazer passar a mensagem. É no que dá a mistura da competência com a mediocridade e a total falta de coordenação entre ambas.
Como em todas as áreas de actividade, há bons e maus professores, muitos dos quais não têm o menor perfil para o cargo, mas o medo de denunciarem os maus profissionais por eventuais complexos delatores, leva-os a acompanhar a corrente fazendo com que se confunda o todo com a parte. Só teme as avaliações quem "deve", quem não tem confiança no trabalho que produz.
A permissividade é inimiga da optmização do trabalho em todas as áreas. Denunciar a insuficência profissional e o incumprimento do dever é um acto de civismo tão nobre como denunciar um crime, desde que - evidentemente - acompanhado de provas irrefutáveis.
Denunciar não é igual a bufar, a diferença é quase antónima, embora os dicionários não o atestem. Em suma: é a isto que chamo corrupção e incompetência consentidas, porque alguém as encobre em antigos pactos de silêncio e teme a denúncia do que está mal.
Simplificando: denunciar os maus exemplos, está para a sociedade como o duche matinal para o nosso corpo.
13 março, 2008
O Benficaracol e a varinha 1-2-3 das tvs...
O um, da RTP é o chamado 2 em 1,porque como se sabe tem dois canais. O dois, é o 3 da SIC, e o três corresponde ao 4, da TVI. Este é o número mágico das televisões centralistas: 1 2 3.Mágico, porque pratica à dezenas de anos a mais descarada arbitrariedade a nível de informação desportiva nas barbas das autoridades do país que nada fazem para pôr na ordem os respectivos responsáveis.
A Procuradoria Geral da República parece considerar estes procedimentos normais, transparentes e sérios.
Hoje, por exemplo, a RTP 1, um dos canais do Estado - também pago com os impostos dos portuenses - voltou a fazer prova do seu exemplar sentido de serviço público abrindo o jornal da tarde com a afilhada de estimação, a Excelentíssima, Digníssima, Ilustríssima, Insuspeitíssima, Credibilíssima Santa, Carorila Salgado. E por quê? Mas porque haveria de ser? Porque quanto mais gente houver (seja lá quem for) a acusar ou insinuar qualquer coisa, mesmo que ridícula, de Pinto da Costa, melhor é para as "audiências" e para o ego vampiresco do centralismo.
Ora, só por esta pouca vergonha levada a cabo por uma estação de TV do Estado que tem o dever de ser escrupulosamente imparcial e obrigatoriamente sóbria, os portuenses deviam recusar-se a pagar a percentagem correspondente dos impostos que contribuem para o seu sustento. Nem os canais privados centralistas conseguem fazer pior!
Se mais exemplos fossem necessários para confirmar aquilo que penso sobre o poder político, este basta para nos fornecer uma prova grave da sua total ausência de sentido de Estado. É ao poder político que cumpre controlar o que é público.
A PGR, consome grande parte do tempo com toda esta brincadeira de catraios que circunda o processo Apito Dourado, e permite que outros bem mais graves como o Casa Pia e o vergonhoso escândalo do BCP, se arrastem e morram no tempo.
As entidades reguladoras não regulam grande coisa, pois se regulassem não davam como dado adquirido certos conceitos dogmáticos que defendem direitos comerciais altamente arbitrários, como aquele que serve para justificar as prioridades dos noticários desportivos dadas ao Benfica.
O argumento falaccioso de ser "o clube português com mais adeptos" é de per si, uma verdadeira negação dos princípios democráticos, como reza o direito à alternância do poder (no caso desportivo, o dever de dar prioridade informativa ao vencedor). E não falo assim por ser do FCP, o clube lesado, falo em relação a qualquer clube que ganhe um campeonato por mais modesto que ele seja, precisamente porque é através das vitórias e da consequente maior visibilidade que poderá crescer e tornar-se grande.
No entanto, qual é o democrata deste país que se preocupa com isto? Admite-se, que em nome das audiências aparentemente vitalícias, mas perdedoras, se desprezem outras não menos importantes de adeptos de outros clubes que ainda por cima são vencedores? Mas onde é que estará a seriedade desta gentinha tão ciosa noutras situações a botar discurso sobre transparências e demais valores?
É um autêntico enjôo, para uma parte significativa dos portugueses ter de ouvir e ler a toda a hora e à viva força os problemas existenciais de um clube desta natureza. Ora, porque é grande, ora, porque ganhou, ora, porque perdeu, ora, porque devia ganhar. Uffa! Mas que praga!
Em vez de nos impingirem estas pragas psicóticas, porque não soltam a desgraçada da águia e a substituem por um caracol que, ainda por cima é hermafrodita? Se, como parece, gostam de se "copular" a si próprios, o caracol é o símbolo perfeito...
PS-Haverá quem ainda não tenha percebido por que é que de vez em quando aparecem em cena alguns pardais bem falantes a "aconselhar-nos" a não misturar a polítca com o futebol?
Nem tudo é mau...
"Nem tudo é mau", dizem os optimistas do regime. E ainda bem, digo eu. O problema é que as boas notícias que temos são casos pontuais protagonizados quase sempre pela sociedade civil e quase exclusivamente pelo empenho pessoal dos cidadãos.Mas não chega, para ter repercussões significativas no bem estar dos portugueses. O que seria então se os nossos governantes também se empenhassem para nos dar melhores condições. Andam quase à 34 anos a prometer que fazem, mas nada!
Não há dúvidas: a nossa classe política é uma lástima. Por mim, estes politiqueiros que por aí espalham a sua vaidade despropositada estavam todos no desemprego.
Mas, é para felicitar uma excepção como a do professor Nuno Crato cujo trabalho mereceu um prémio (2º.) da Comissão Europeia na área da Investigação Científica a razão principal deste post.
12 março, 2008
O Mercado do Bolhão
Tendo acompanhado com interesse e alguma reserva toda a polémica em torno da remodelação do mercado do Bolhão concluí aquilo que sempre pensei sobre a capacidade de Rui Rio para gerir os interesses da cidade do Porto, que é manisfestamente negativa.Independentemente da valia dos projectos apresentados a concurso, Rui Rio não foi capaz de dar deles o devido conhecimento público, ou sequer promover uma comissão mista de experts constituída por elementos das partes interessadas na busca de uma solução tão consensual quanto possível.
Como não o soube fazer oportunamente, o que se assiste agora, é uma espécie de lavar de roupa suja, entre promotores imobiliários, arquitectos, comerciantes, vendedoras do mercado e público em geral, onde alguém terá razão mas ninguém parece querer entender-se. É para situações como esta, geradoras de conflitos em que o interesse público deve nortear as prioridades que a mediação da autarquia se impõe, e mais uma vez não está a saber fazê-lo.
O oportunismo dos promotores imobilários, que a coberto da rentabilização do projecto, vem beneficiando de créditos como sendo o sector mais importante das negociações, não pode prevalecer sobre os interesses da cidade e principalmente de quem trabalhou toda uma vida no mercado do Bolhão.
Salvo honrosas excepções, os projectos previamente anunciados como mais valias para a cidade têem-se revelado inferiores às expectativas criadas. O paradigma mais recente é o complexo comercial Porto Plaza, de cuja integração arquitectónica na Baixa não nos podemos queixar, mas com um comércio pouco condizente com o local e a grandeza da infra-estrutura, o que contraria um pouco o entusiasmo inicial à volta do projecto e até da sua própria precisão. Mesmo ao lado, está o Catarina Shopping.
Esta corrente unanimista de erguer grandes centros comerciais e hotéis de luxo (ex.o Palácio das Cardosas) como meio para atrair pessoas à Baixa parece-me errada. As cidades não podem ser construídas para atrair turistas sem gente lá dentro. São as pessoas que lhe dão vida.
Na minha opinião, a prioridade das prioridades devia ser dada totalmente à reabilitação urbana residencial. O casario reabilitado que a conta-gotas se consegue ver é insuficiente para aliciar a procura. As pessoas por norma não gostam de viver em "palácios" rodeadas de lixo e prédios em ruína. Os espaços reabilitados devem criar uma área envolvente relativamente grande (quarteirões) e limpa de modo a dar a ideia à população que está num ambiente novo e digno.
Quando a solução discutida do projecto RCN é dominada pela "inevitabilidade" do retorno do investimento com a imposição de edifícios de habitação, à volta e sobre o mercado do Bolhão, o resultado final só pode ser a total descaracterização do projecto original enquanto mercado.
O que será então edificado, será uma zona residencial com fachadas de mercado tradicional, mas com o mercado do Bolhão adulterado e morto.
PS-Sendo adepto da modernidade e defensor do progresso, ainda hoje estou para perceber as "supremas" razões que levaram à destruição do magníficoPalácio de Cristal para construir o Pavilhão do Desportos (hoje Rosa Mota). Com tanto terreno à volta não teria sido possível conciliar os dois edifícios? Há obras que, pela sua beleza e carga simbólica merecem ser preservadas e a memória dos seus autores também.
11 março, 2008
A fobia antiregionalista do MST
Já vão perceber porquê, mas tenho de confessar que gosto muito de animais. Não há pitbull que me assuste, o que me assusta, são alguns dos seus donos, que os treinam e usam para fins pouco nobres, como por exemplo, para disfarçar a sua própria cobardia.O problema, é que, apesar de gostar de animais vivos, ainda não atingi um patamar de elevação cívica capaz de me privar do sabor de alguns deles mortos e assados no meu prato, como o incomparável leitão da Bairrada do "Rocha", no Luso (passe a publicidade). É uma questão de tempo, quando chegar aos 80, é possível que só lá vá para comer a salada mista ou a sobremesa...
Contudo, já fiz alguns progressos, que não são de agora ou sequer foram penosos de alcançar. Sempre gostei de animais e, excluindo os meus pecaminosos hábitos alimentares (os meus pais não eram vegetarianos...), detesto ver alguém divertir-se à custa do sofrimento de um animal.
Reconhecida a minha ambivalência emocional com a bicharada, ainda assim, cabe-me alguma vantagem moral em relação àqueles que em pleno século XXI e à sombra de tradicionalismos quase pré-históricos, pagam para ver touradas.
Vem isto a propósito da posição assumida há uns anos atrás por Miguel Sousa Tavares em relação à festa de touros da vila alentejana de Barrancos que, como é sabido apoiava a "tradição" local que culminava com a morte do bicho
Diga-se o que se disser, uma coisa é sabermos que um animal foi morto longe da nossa vista para o podermos comer, outra sadicamente diferente, é pagarmos para supostamente nos divertirmos e vermos uns patetas judiarem o animal até à morte. Nunca aceitarei este tipo de tradições.
Ora, o Miguel Sousa Tavares cujas opiniões costumo subscrever maioritariamente, às vezes, deixa-me um bocadinho decepcionado dada a credibilidade que justamente alcançou na opinião pública. Às vezes, acha que a liberdade de fumar é um direito muito importante e que é um crime de lesa-majestade "proibir-se" a intoxicação pulmonar dos cidadãos pelo tabaco (e eu fumei durante muitos anos).
Não sei o que pensará o Miguel da saúde do planeta aonde ainda vai podendo enegrecer os pulmões com a nicotina do cigarro, nem do boicote americano ao protocolo de Quioto, mas não acredito que leve a sério todos os que seguindo o seu exemplo, consideram um atentado à liberdade individual proibir a emissão de gases poluentes, mas, enfim...
O Miguel tem destas coisas, defende o Futebol Clube do Porto mas não compreende o povo do Porto, nem a alternativa da Regionalização. Enveredou pela tese dos medricas centralistas com o perigo da desintegração nacional como se ela já não estivesse a ser forjada com total autismo pela própria macrocefalia centralista.
Insiste na descentralização, apesar de a ver sistematicamente sonegada e recusa-se a procurar novas alternativas. Mal comparando, faz lembrar aquele treinador de futebol que durante anos não consegue vencer um único jogo nem se atreve a alterar o sistema, apenas porque se convenceu que um dia o ganhará. O "clube e os adeptos" podem esperar...
Esta não pode ser a solução. Isto não é futebol e os adeptos são pessoas que estão cansados de "esperar" por uma descentralização que nunca mais se faz. E aquilo de que o Porto precisa não é de nenhum Messias, nem do colo do Estado, mas tão só de tratamento igual.
Sendo certo que, como diz, "no passado, um Estado mais centralizador não impediu que o Porto conquistasse a sua autonomia. O Porto foi liberal quando o Estado era absoluto, foi culto e próspero quando o regime, sediado em Lisboa, era obscurantista e de compadrio político-económico.", é importante contextualizar as diferentes épocas.
O Porto foi tudo isso, mas numa época onde ainda não existiam (várias) estações de televisão ao serviço do Centralismo a sugar-lhe todo o tipo de recursos, incluindo os humanos. As "armas"que o Porto tinha - apesar do obscurantismo - eram mais equilibradas em relação à capital, as distâncias eram maiores, os tempos mais longos, e os eventuais boicotes mais lentos. O Porto tinha o seu próprio espaço, menos contaminado, longe da lupa castradora das tvs lisboetas de agora, e as pessoas não viam por isso muita necessidade de sair daqui. Objectivamente, por incrível que pareça, o Porto foi muito menos causticado na ditadura do que actualmente. É a minha firme convicção.
O Porto tem sido tratado como o patinho feio do país e a marca de modernidade que Sousa Tavares exemplifica como única excepção à regra da depressão actual - o Futebol Clube do Porto - prova exactamente o contrário do que diz. O Futebol Clube do Porto de Pinto da Costa tem tido sucesso porque trabalha bem, porque é irreverente e mais organizado que os adversários, mas também porque bate o pé, não se intimida, tem orgulho e afirma-se sem complexos. E será bom não esquecermos as perseguições e os boicotes de que há anos a fio tem sido alvo (e isto não é nenhuma mania, há provas) até aos dias de hoje, tão bem retratados no Processo Apito Dourado.
Todo este clima de menorização do Porto, algumas vezes próximo do desprezo, deixou sequelas, incluindo na cabeça dos próprios políticos locais, que começaram a ser menos reinvindicativos mal perceberam que podiam comprometer a sua carreira se fossem demasiado "regionalistas".
O Dr. Fernando Gomes foi o primeiro a pagar as consequências por ser portista, bairrista e "provinciano"(e demasiado ingénuo, digo eu).
O Engº. Belmiro de Azevedo perdeu a OPA da PT só por ser do Porto e Luís Filipe Menezes que não é pior do que os que lhe antecederam também já está a pagar a factura.
E que dizer das nomeações para a Direcção da PJ do Porto aqui tantas vezes abordadas? E das muitas pessoas que já se inibem de se identificar como portuenses para não correrem o risco de serem penalizados nos seus negócios quando têm de se deslocar a Lisboa? Foram só os portuenses que geraram estas súbitas transformações económicas e sociais para pior? Alguém de perfeito juízo será capaz de acreditar neste mito? De repente, perdemos todas as qualidades?
E Rui Rio? Porque terá ele entrado "a matar" quando, sem saber ler nem escrever, foi parar à Câmara do Porto? Porque sabia bem que a ovelha negra do regime centralista, o alvo a abater, era Pinto da Costa e teve engenho para aproveitar muito bem a crise camarária e para lá se instalar.
Quem pensar que estas águas são de ribeiros diferentes, engana-se. O sucesso do Futebol Clube do Porto foi o pretexto que fez expandir as práticas centralistas para os demais sectores.
O Miguel Sousa Tavares, engana-se. Só tem razão num pormenor: é que, a muitos tripeiros falta a coragem e o desassombro de Pinto da Costa. E isso sim, é que é preocupante.
10 março, 2008
PROCURADORICES E JORNALICES
Que critérios poderão ter afinal orientado o CSM (Conselho Superior de Magistratura) a desaconselhar e a influenciar o Sr. Procurador Gereal da República ao não apoiar o magistrado Almeida Pereira para a Direcção da PJ do Porto?
O que constou publicamente nos jornais, e não foi nunca desmentido, seria a sua eventual ligação com o Futebol Clube do Porto. Mas, posteriormente, e a pedido de esclarecimentos públicos pela parte do acusado, Almeida Pereira foi declarado como pessoa idónea e insuspeita de quaisquer ligações comprometedoras. Assim sendo, por que razão não lhe foi reconhecida competência para assumir o cargo e se procurou outro director?
Muito estranho, mesmo. Quando o que está na origem do Processo Apito Dourado é, entre outros argumentos, a suspeita da falta de transparência de processos pela parte de alguns dirigentes desportivos (todos de clubes do Norte), a Procuradoria Geral, não está mais do que a cometer o mesmo tipo de "crime".
Se realmente foram os pressupostos que se conhecem a balizar a recusa de Almeida Pereira para comandar a PJ Porto, é legítimo que saibamos também quais são as simpatias clubísticas do novo Director (caso as tenha). Ou, estaremos a analisar mal a lógica até aqui seguida?
Outra situação não menos caricata e grave, é a que foi criada à volta da imagem do Dr. Almeida Pereira num clima de suspeita nunca verdadeiramente assumido pela Procuradoria, mas com efeitos práticos demolidores para a carreira de qualquer magistrado. Do estigma de "suspeito" já ninguém o livra, sobretudo por não lhe terem sido apresentadas atempadamente explicações condignas para tudo o que foi insinuado e escrito a seu respeito.
Não conheço de lado nenhum o Dr. Almeida Pereira e não sou seu advogado de defesa, mas no lugar dele teria muitas razões para duvidar muito deste "Estado de Direito".
É até provável que já esteja a fazê-lo, mas no seu lugar, teria movido um processo à Procuradoria Geral por injúria e ofensa à dignidade.
E os senhores jornalistas habitualmente tão afoitos a cilindrar as asneiras das figuras do poder, estão estranhamente mansos e cordatos para com as performances do actual procurador.
Será que são todos benfiquistas???
O que constou publicamente nos jornais, e não foi nunca desmentido, seria a sua eventual ligação com o Futebol Clube do Porto. Mas, posteriormente, e a pedido de esclarecimentos públicos pela parte do acusado, Almeida Pereira foi declarado como pessoa idónea e insuspeita de quaisquer ligações comprometedoras. Assim sendo, por que razão não lhe foi reconhecida competência para assumir o cargo e se procurou outro director?
Muito estranho, mesmo. Quando o que está na origem do Processo Apito Dourado é, entre outros argumentos, a suspeita da falta de transparência de processos pela parte de alguns dirigentes desportivos (todos de clubes do Norte), a Procuradoria Geral, não está mais do que a cometer o mesmo tipo de "crime".
Se realmente foram os pressupostos que se conhecem a balizar a recusa de Almeida Pereira para comandar a PJ Porto, é legítimo que saibamos também quais são as simpatias clubísticas do novo Director (caso as tenha). Ou, estaremos a analisar mal a lógica até aqui seguida?
Outra situação não menos caricata e grave, é a que foi criada à volta da imagem do Dr. Almeida Pereira num clima de suspeita nunca verdadeiramente assumido pela Procuradoria, mas com efeitos práticos demolidores para a carreira de qualquer magistrado. Do estigma de "suspeito" já ninguém o livra, sobretudo por não lhe terem sido apresentadas atempadamente explicações condignas para tudo o que foi insinuado e escrito a seu respeito.
Não conheço de lado nenhum o Dr. Almeida Pereira e não sou seu advogado de defesa, mas no lugar dele teria muitas razões para duvidar muito deste "Estado de Direito".
É até provável que já esteja a fazê-lo, mas no seu lugar, teria movido um processo à Procuradoria Geral por injúria e ofensa à dignidade.
E os senhores jornalistas habitualmente tão afoitos a cilindrar as asneiras das figuras do poder, estão estranhamente mansos e cordatos para com as performances do actual procurador.
Será que são todos benfiquistas???
07 março, 2008
Rui Moreira e Artur Santos Silva


Os nomes de Rui Moreira e de Artur Santos Silva têm estado nas bocas do mundo portuense.
Apesar da muita parra da seriedade de Rui Rio, a uva tem sido pouca, e os resultados apresentados em relação às expectativas criadas pelos seus apoiantes, são francamente modestos.
Para não fugir à regra politiqueira, só agora - que estão à porta as eleições autárquicas - começam a vislumbrar-se algumas benfeitorias na cidade. Algumas ruas pavimentadas, uns buracos tapados, alguns jardins medianamente arranjados, umas poucas casitas recuperadas do centro histórico, dá para perceber a preocupação do conflituoso autarca com a próxima época de caça (ao voto). O populismo do costume...
Apesar disso, as atenções dos tripeiros parecem voltar-se para outras personalidades do burgo. Rui Rio, tem o respeito de grande parte do eleitorado, mas poucos gostam dele. Daí que, a discussão sobre quem melhor poderia substituí-lo na Presidência Câmara comece a ficar animada.
Santos Silva, é outra figura que tem sido lançada como provável candidato e considerada consensual em certos círculos. Há quem defenda ser o único capaz de fazer convergir opiniões favoráveis entre PS e PSD.
Parecendo igualmente credíveis as duas candidaturas, Rui Moreira tem todavia, algumas características em relação a Santos Silva que podem dar-lhe alguma vantagem. Uma delas, não despicienda, é a sua grande capacidade de comunicar para um eleitorado heterogéneo. A outra, é a da ser mais jovem e praticamente desligado de vincadas ligações político-partidárias . Santos Silva, tem um perfil mais reservado e elitista, o que poderá eventualmente comprometer-lhe a candidatura.
Por outro lado, Rui Moreira representa para os eleitores portistas uma séria reserva para a futura presidência ao Futebol Clube do Porto, que é o único facto susceptível de gerar alguma hesitação nesse eleitorado, mas que seria facilmente ultrapassado com uma atempada definição, sobre a sua vontade e opção.
De resto, são dois homens do Porto, competentes, participativos, cultos e também sérios.
O ideal para os portuenses, seria aproveitar as potencialidades de ambos, porque o Porto bem precisa de gente com ambições cívicas, qualificada e honesta.
05 março, 2008
"ACERCA DOS OPTIMISMOS AVULSOS"
Há quem diga que o Norte, e o Porto em particular, se queixa demais do que não faz e, em vez de reagir e lutar contra as adversidades para as vencer e ultrapassar, se refugia na lamúria e no "sacudir a água do capote próprio", responsabilizando Lisboa e o Governo por tudo de negativo que aqui vem acontecendo de há umas décadas para cá.
Algo me diz que os efeitos da ressaca pós-centralismo (se é que, alguma vez terá fim) estão para dar e durar. O centralismo vigente é como um tumor, deixa metástases por onde passa, e se há organismos que lhe resistem, outros há, que supondo tê-lo controlado já estão contaminados sem disso se darem conta.
Algo me diz que os efeitos da ressaca pós-centralismo (se é que, alguma vez terá fim) estão para dar e durar. O centralismo vigente é como um tumor, deixa metástases por onde passa, e se há organismos que lhe resistem, outros há, que supondo tê-lo controlado já estão contaminados sem disso se darem conta.
Vejamos: começando por Belmiro de Azevedo no tôpo da pirâmide da sociedade civil, passando pelo senhor António da padaria da esquina, prosseguindo por todos aqueles que estão empregados, até à imensa fila dos que não têm essa sorte, seria bom que, definitivamente, soubéssemos a qual destes quadros se referem os "optimistas" deste país.
Este hábito - que já se tornou doentio - de carregarmos na tecla do pessimismo para justificar a depressão do Porto e do Norte, tem der ser refreado quanto antes, sob pena de nos vermos ainda mais privados da atenção do Estado Central do que já estamos. Além de mais, não é rigoroso nem sequer honesto, cair-se sistematicamente na esparrela de fazer-se do positivismo uma espécie de caldeirada onde se misturam peixes de tipos e qualidades diferentes.
Com o respeito que lhe é devido, pela idade e pela reputação que conseguiu granjear, haverá pessoa mais optimista que o Dr. Mário Soares? E daí? Esse optimismo, foi-lhe porventura suficiente para evitar a estagnação social e económica do país?
Ainda hoje, podemos ver na página do JN com a rúbrica "Termómetro", dedicada a frases de figuras públicas, como é o caso de uma do Dr. Soares a confirmar o seu típico optimismo: "tenho confiança no futuro de Portugal e dos portugueses, sempre tive". Fica-lhe bem, mas não chega. Os portugueses precisam de factos, de resultados optimistas, não de previsões otpimistas. As previsões optimistas quando repetidamente defraudadas soam como uma burla.
Já sabemos que não é com derrotismo e lamentos que se progride, mas para lá chegarmos não é suficiente reclamarmos a livre iniciativa dos cidadãos ou o apelarmos ao empreendedorismo sem dizermos concretamente para quem estamos a falar.
Perguntem aos milhões de portugueses que, durante décadas a fio, entre os 50 anos de ditadura e os quase 34 que já viveram de "democracia" (as aspas são incontornáveis), se viram obrigados a sair do país para não morrerem de fome. Perguntem agora, aos milhares de jovens licenciados que não conseguem empregar-se nem vislumbram possibilidades a medio prazo de o conseguirem e que começam também eles agora a procurar alternativas no mercado estrangeiro. Perguntem-lhes se é de optimismo que eles querem ouvir falar quando andam a exigir-lhes mais e mais qualificações. Para quê? Para se verem depois empurrados para a emigração?
Ontem mesmo, a RTP mostrou um documentário sobre emigrantes portugueses em Vancover, no Canadá, onde aparentemente prosperaram; mas o que seria feito deles se se deixassem ficar por cá? Que oportunidades lhes teriam sido dadas neste país de burocratas e corruptos?
Não foi, seguramente, o "optimismo" nacionaleiro que os ajudou a contornar os obstáculos, foi algo mais concreto, como a coragem de partir e a fé nas condições oferecidas por um país que não era o seu.
Deixemo-nos sim, é de lamúrias falsamente optimistas, porque essas mais do que constituirem um estímulo para a superação de dificuldades, são um subterfúgio para não ver a realidade e um óptimo aliado das (ir)responsabilidades do Estado.
É nestas ambiguidades que o Centralismo aposta e se conserva. Na germinação de dúvidas sobre as nossas próprias capacidades e valores.
Já quase conseguiu retirar-nos a fama de povo trabalhador (o portuense), só falta mesmo é limparem-nos o cérebro.
04 março, 2008
Santa Carolina é humana
VENCEDOR DA TAÇA DA LIGA DE ANDEBOL

SPORTING - 18 // FUTEBOL CLUBE DO PORTO - 23
Não foi o Benfica, foi o Futebol Clube do Porto, o glorioso genuíno, autêntico, não o fanfarrão e megalómano...
Em 5 edições desta competição venceu 3. Nada mau.
Como não foi o Benfica, as televisões centralistas, como é costume, omitiram "democraticamente" o acontecimento.
Só por essa razão o Renovar o Porto "substitui" quem tinha o dever de informar.
03 março, 2008
O Novo código penal e Paulo Portas
Alguma vez na vida este rapazinho com grande talento para o teatro, mestre a agravar a voz quando fala à plateia e que tão bem sabe dar-se ares de importante, seria dirigente de um partido político se dependesse de mim? Hélàs, como não depende...
Quem diz Paulo Portas, diz outros melros parecidos, de outras simpatias partidárias do nosso cenário político. Ainda estão em exercício, e enquanto não formos capazes de os irradicar dos bastidores do poder,o país vai continuar a definhar. Eles não vão mudar nunca e enquanto estiverem em actividade Portugal terá o mesmo destino.
Ana Gomes, a euro-deputada socialista por quem tenho particular simpatia, disse aquilo que todos nós vamos comentando entre paredes, que o novo código do Processo Penal foi concebido para "proteger" alguns tubarões da nossa vida política de prestarem contas à Justiça. É óbvio que todos nós nos inclinamos mais para fazer fé nessas notícias do que para delas duvidar e não é porque gostemos de maldizer, mas porque à luz do que vamos lendo e sabendo, confirmando e depois vendo silenciado até ao esquecimento final, só podemos é continuar a desconfiar desta gentinha. Disse bem, desta gentinha, porque é mesmo de gentinha que se trata.
Paulo Portas afirmou em plena Assembleia da República ter perdido o respeito ao 1º. Ministro, e eu digo e escrevo aqui que já perdi o respeito pelos dois, há muito!
Não é de polémicas difamatórias a coisa que mais aprecio. Pelo contrário, desprezo-as, tal como abomino os seus autores. Mas já simpatizo bastante com os não alinhados, com os "anti-yes man", com os que colocam a consciência à frente da obediência, com os não carreiristas, com os que não fazem da honestidade uma pastilha elástica... É nesses raros que ainda deposito alguma esperança.
Manuel Monteiro é convidado regular de um programa da RNTV onde pude ouví-lo a falar das declarações de Ana Gomes sem ter chegado a saber se concordava com ela ou se a estava a criticar. Tanto dizia que Ana Gomes devia estar louca como admitia ter havido tramóia no caso "Portucale". Ele próprio (sem se dar conta) foi um "bom" exemplo da demagogia da nossa classe política mais básica. Assim não vai lá, e a RNTV também não. Se é unicamente com estes espécimes políticos que pretende impôr-se como televisão será outro fracasso pior do que o da NTV de quem copiou parcialmente o nome.
Quem diz estas e outras verdades, como disse Ana Gomes, é logo carimbada de persona non grata, já sabemos. E também já sabemos porquê. Não se iludam.
Quem diz Paulo Portas, diz outros melros parecidos, de outras simpatias partidárias do nosso cenário político. Ainda estão em exercício, e enquanto não formos capazes de os irradicar dos bastidores do poder,o país vai continuar a definhar. Eles não vão mudar nunca e enquanto estiverem em actividade Portugal terá o mesmo destino.
Ana Gomes, a euro-deputada socialista por quem tenho particular simpatia, disse aquilo que todos nós vamos comentando entre paredes, que o novo código do Processo Penal foi concebido para "proteger" alguns tubarões da nossa vida política de prestarem contas à Justiça. É óbvio que todos nós nos inclinamos mais para fazer fé nessas notícias do que para delas duvidar e não é porque gostemos de maldizer, mas porque à luz do que vamos lendo e sabendo, confirmando e depois vendo silenciado até ao esquecimento final, só podemos é continuar a desconfiar desta gentinha. Disse bem, desta gentinha, porque é mesmo de gentinha que se trata.
Paulo Portas afirmou em plena Assembleia da República ter perdido o respeito ao 1º. Ministro, e eu digo e escrevo aqui que já perdi o respeito pelos dois, há muito!
Não é de polémicas difamatórias a coisa que mais aprecio. Pelo contrário, desprezo-as, tal como abomino os seus autores. Mas já simpatizo bastante com os não alinhados, com os "anti-yes man", com os que colocam a consciência à frente da obediência, com os não carreiristas, com os que não fazem da honestidade uma pastilha elástica... É nesses raros que ainda deposito alguma esperança.
Manuel Monteiro é convidado regular de um programa da RNTV onde pude ouví-lo a falar das declarações de Ana Gomes sem ter chegado a saber se concordava com ela ou se a estava a criticar. Tanto dizia que Ana Gomes devia estar louca como admitia ter havido tramóia no caso "Portucale". Ele próprio (sem se dar conta) foi um "bom" exemplo da demagogia da nossa classe política mais básica. Assim não vai lá, e a RNTV também não. Se é unicamente com estes espécimes políticos que pretende impôr-se como televisão será outro fracasso pior do que o da NTV de quem copiou parcialmente o nome.
Quem diz estas e outras verdades, como disse Ana Gomes, é logo carimbada de persona non grata, já sabemos. E também já sabemos porquê. Não se iludam.
No JN, também há gente que não anda a dormir...
É suposto, como reagia Cavaco Silva à vaga de violência destes dias em Loures, termos confiança na capacidade preventiva e actuante das forças policiais. Mas os episódios que envolveram a demissão do director das Polícia Judiciária do Porto e a sua substituição só nos deixam margem para incertezas. Ás vezes, mais vale recapitular o histórico recente para sabermos do que estamos a falar.
Face a estes factos (também aqui destacados insistentemente), será que o senhor Procurador já terá percebido que procedeu mal, em várias vertentes?
A primeira delas, foi ter mostrado vulnerabilidade a pressões, viessem elas de onde viessem. A ponderação rigorosa antes da tomada de decisões, é uma regra de ouro para tudo, mas muito em especial, para cargos desta responsabilidade.
Em consequência dessa fragilidade, a segunda má acção resultou numa humilhante desconsideração para com a Direcção da PJ do Porto e respectivos representantes, bem como para com o próprio Director Geral da PJ, de quem tinha o dever institucional de confiar. Ao retirar das investigações a equipa da PJ local e nomear a de Lisboa, Pinto Monteiro deu inequívocas provas de perda de confiança na primeira, sem contudo apresentar justificações objectivas para essa decisão.
A terceira vertente infeliz deste processo, confirmou a incompetência do senhor Procurador. Repetiu o erro, desvalorizando a primeira escolha do Director Geral da PJ na substituição do director demitido. Como é do conhecimento público, é da exclusiva responsabilidade do Director Nacional da PJ a nomeação das direcções locais. Não seguindo estes procedimentos legais, o senhor Procurador Geral não só não respeitou as regras do jogo como desconsiderou de novo o senhor Director Geral de PJ.
Por fim, em matéria de criminalidade, olvidou um pormenor importante para opinião pública nacional (que não é apenas a de Lisboa) que é o seguinte: ainda não explicou a sua apatia relativamente ao Processo Casa Pia cuja gravidade em termos sociais e humanos é mil vezes superior ao Apito Dourado e se vem arrastando há cerca de 5 anos, num ensurdecedor silêncio !
- Começando pelo Apito Dourado. É nomeada uma equipa especial, conduzida por Maria José Morgado, enquanto, simultaneamente, se lança uma nuvem de suspeição sobre os actores da Justiça que operam no Porto. Já lá vão dois anos e os resultados são pouco mais do que sofríveis, mas isso ninguém questiona.
- Durante seis meses, uns gangues desatam aos tiros, perante a alegada passividade dos mesmos agentes da Justiça portuense. Nomeia-se nova equipa especial, novamente vinda de Lisboa, e novamente a nuvem de suspeição paira no ar. Os resultados desta megaoperação também são, por agora, sofríveis, mas isso ninguém questiona. Assim sintetizado, o caso parece irrelevante,. Deixa de o ser quando se percebe que, ao longo de meses, a imagem que os actores da Justiça deram de si próprios foi a de um bando de gatos engalfinhados, sôfregos pelo poder, não para servirem os outros, mas para se servirem. Não é por acaso que cresce o sentimento de impunidade, o mesmo que levou um tipo a disparar sobre outro depois de uma noite passada na discoteca, como se verificou na madrugada de domingo, no Porto. Nem é por acaso que em Loures os homicídios se sucedem. O que é de estranhar é não ter sido nomeada uma equipa especial do Porto para investigar a vaga de violência em Loures. O que, pelo que se vê, também não adiantaria muito. As equipas especiais fazem lembrar as comissões de inquérito da Assembleia da República. São anunciadas com grande alarde, mas terminam de mansinho, para ver se ninguém se lembra.
Face a estes factos (também aqui destacados insistentemente), será que o senhor Procurador já terá percebido que procedeu mal, em várias vertentes?
A primeira delas, foi ter mostrado vulnerabilidade a pressões, viessem elas de onde viessem. A ponderação rigorosa antes da tomada de decisões, é uma regra de ouro para tudo, mas muito em especial, para cargos desta responsabilidade.
Em consequência dessa fragilidade, a segunda má acção resultou numa humilhante desconsideração para com a Direcção da PJ do Porto e respectivos representantes, bem como para com o próprio Director Geral da PJ, de quem tinha o dever institucional de confiar. Ao retirar das investigações a equipa da PJ local e nomear a de Lisboa, Pinto Monteiro deu inequívocas provas de perda de confiança na primeira, sem contudo apresentar justificações objectivas para essa decisão.
A terceira vertente infeliz deste processo, confirmou a incompetência do senhor Procurador. Repetiu o erro, desvalorizando a primeira escolha do Director Geral da PJ na substituição do director demitido. Como é do conhecimento público, é da exclusiva responsabilidade do Director Nacional da PJ a nomeação das direcções locais. Não seguindo estes procedimentos legais, o senhor Procurador Geral não só não respeitou as regras do jogo como desconsiderou de novo o senhor Director Geral de PJ.
Por fim, em matéria de criminalidade, olvidou um pormenor importante para opinião pública nacional (que não é apenas a de Lisboa) que é o seguinte: ainda não explicou a sua apatia relativamente ao Processo Casa Pia cuja gravidade em termos sociais e humanos é mil vezes superior ao Apito Dourado e se vem arrastando há cerca de 5 anos, num ensurdecedor silêncio !
29 fevereiro, 2008
Detective Orelhas, a terceira escolha

É ele mesmo, o Orelhas, a terceira escolha da PGR para Director da PJ do Porto.
O nome de baptismo foi-lhe atribuído por uma eis-inimiga, agora mais conhecida por Santa Carolina, recentemente convertida na mais credível testemunha no famoso processo Apito Dourado.
Segundo fontes bem informadas, a nomeação reúne consenso nas mais altas esferas do Poder Central Lisboeta.
O facto de ser Presidente do Benfica ( por isso, acima de qualquer suspeita) parece ter pesado na nomeação.
NOTA FINAL: A foto foi a possível dada a grande capacidade deste investigador se camuflar. É possível vê-lo a segurar na mão direita uns "rabitos de palha", mas garentem-nos ser apenas parte do disfarce.
É adepto do F.Clube do Porto? Então já sabe, está sob suspeita!

O senhor Victor Guimarães, ex-Director da PJ do Porto , demitiu-se recentemente do cargo por óbvia falta de solidariedade da PRG. Foi acusado pela procuradora nomeada de Lisboa, Luísa Fazenda, de travar as investigações do Processo Apito Dourado, o que obrigou o director Geral Alípio Ribeiro a nomear outra pessoa para o substituir.
Seguiu-se, esta "irrepreensível" ordem cronológica de procedimentos:
- O Dr. Alípio Ribeiro, pessoa à priori confiável, mas subitamente transformado em réplica humana de bola de ping-pong, decidiu (como é da sua competência) nomear o magistrado Almeida Pereira para substituir o director demissionário.
- Imediatamente após a propalada nomeação, alguém (ou alguns), cujo nome e rosto permanece na penumbra do anonimato, sugere ao senhor Procurador, que Almeida Pereira tinha ligações com o Futebol Clube do Porto...
- Ter ligações ao Futebol Clube do Porto, ficamos a saber, significa, na óptica da 'prestigiada' equipa de investigação centralista, que não merece confiança. Vai daí, o senhor Procurador deixa-se ir na onda, ajuíza sem julgamento o recém nomeado director, e recusa dar o respectivo aval ao Director Geral da PJ.
- Sem perceber que se transformou na tal bola de ping-pong, Alípio Ribeiro está a fazer contas à vida para nomear alguém que seja da confiança de "todos". E ser da confiança de todos, pode ser tudo, excepto ser simpatizante do F.C.P. Superbe!
Perante estes elevadíssimos procedimentos, é-nos conferida a legitimidade de depreendermos que quando o Sr. Procurador Geral convencer - por acção dedutiva - o Sr. Director Geral da PJ a nomear um magistrado do Ministério Público que seja Benfiquista ou Sportinguista, o problema estará ultrapassado e as condições mínimas de rectidão asseguradas. Parabéns!
28 fevereiro, 2008
Aeroporto Sá Carneiro: o melhor da Europa!
A conta gotas, com os entraves castradores (e a inveja) do centralismo, ainda vamos tendo algumas alegrias.Esta é uma delas, além da Casa da Música, do Estádio do Dragão - sem dúvida o mais belo do país e um dos mais bonitos do Mundo - e o Metro do Porto.
Para que conste, nenhuma destas obras é devida ao actual autarca Rui Rio que, em péssima hora, alguns portuenses de gosto muito duvidoso se lembraram de oferecer o voto.
O aeroporto internacional do Porto é o único dos equipamentos aeroportuários portugueses que surge no topo da classificação, que mede parâmetros como a comodidade, o tempo de espera no check-in, o tempo de espera pela bagagem ou a qualidade dos produtos vendidos na aerogare, entre outros. Ao figurar pelo segundo ano consecutivo entre os melhores, o "Sá Carneiro" cimenta a sua imagem internacional. Quando, em 2006, foi considerado o terceiro melhor da Europa, o presidente da ANA (entidade gestora das aerogares nacionais) lembrou que era um feito inédito para o país.
POST ABERTO À "PORTO CANAL" E À "RNTV"
Por ter cancelado o meu contrato com a TVCabo (Sulista e cara) e ter aderido à TVTel (Nortenha e mais económica) perdi o acesso à estação Porto Canal. Em contrapartida posso aceder à RNTV (Região Norte Televisão), que começa agora a dar (não muito bem) os primeiros passos.
Esquecendo os aspectos económico-financeiros de que ambos os canais nortenhos seguramente carecem, de compreendermos algumas limitações técnicas, uma programação criativa mas naturalmente incipiente, existe uma grande lacuna na grelha de programação dos dois canais, que me parece imperdoável, que consiste em não estarem a tirar o melhor partido das muitas figuras públicas (da cultura, ciência e desporto, etc.) existentes na região.
Há inúmeras pessoas do Porto e de outras cidades nortenhas, que apenas por serem da região, são praticamente desconhecidas no resto do país e pouco ou nada contam para os media centralistas. Todavia, tirando uma ou outra excepção (no Porto Canal), continuamos sem ver nem ouvir nestes canais regionais, gente qualificada portuenses genuínos, e adeptos da regionalização que se mantêm longe do pequeno ecrâ. Mas, por quê? Já tentaram?
Fica a ideia, que alguns de nós ainda não se aperceberam da importância da televisão no 'fenómeno' da descentralização, de darmos a conhecer a esta massa enorme de gente nortenha (que também vota) as pessoas que afinal lhes estão mais próximas e que, de certo modo, podem com um pouco mais de visibilidade dar o seu contributo e até influenciar os orgãos do poder no sentido de regenerarmos a situação.
É melhor, esquecerem-se (pelos menos, por enquanto) daquelas caras sobejamente conhecidas quase todas oriundas da capital e das quais até já sabemos o nome dos gatinhos de estimação. Esqueçam também os políticos que nada fizeram pela região. Esses, ainda têm muito que tarimbar para afirmarem competências e não são as figuras mais fiáveis...
Afinal, não foi a extinta NTV que deu a conhecer ao país pessoas como o Dr. Rui Moreira (Presidente da Associal Comercial do Porto), o Dr. Azeredo Lopes, Presidente da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), o Dr. José Manuel Mendes (Presidente da Associação Portuguesa de Escritores e membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social) ?
De professores conceituados, ciêntistas, escritores, jornalistas, actores, desportistas, artistas, o Porto e o Norte profundo, está cheio! É um erro de casting comercial primário deixar este "furo" precioso por preencher, é um mercado com potencial e (para já) sem concorrência! Que mais querem? Telenovelas?
Esperamos, é que esta timidez comercial não seja uma cópia da estratégia oportunista seguida por outros media, que para se realizarem financeiramente acabam por se vender ao mercado centralista para daqui a pouco nos impingirem a gratificação do costume: as célebres Edições Norte na versão televisisva.
Ponham mais carácter e menos subserviência na vossa actividade, senhores administradores de TV e jornalistas! Vamos a isso!
Esquecendo os aspectos económico-financeiros de que ambos os canais nortenhos seguramente carecem, de compreendermos algumas limitações técnicas, uma programação criativa mas naturalmente incipiente, existe uma grande lacuna na grelha de programação dos dois canais, que me parece imperdoável, que consiste em não estarem a tirar o melhor partido das muitas figuras públicas (da cultura, ciência e desporto, etc.) existentes na região.
Há inúmeras pessoas do Porto e de outras cidades nortenhas, que apenas por serem da região, são praticamente desconhecidas no resto do país e pouco ou nada contam para os media centralistas. Todavia, tirando uma ou outra excepção (no Porto Canal), continuamos sem ver nem ouvir nestes canais regionais, gente qualificada portuenses genuínos, e adeptos da regionalização que se mantêm longe do pequeno ecrâ. Mas, por quê? Já tentaram?
Fica a ideia, que alguns de nós ainda não se aperceberam da importância da televisão no 'fenómeno' da descentralização, de darmos a conhecer a esta massa enorme de gente nortenha (que também vota) as pessoas que afinal lhes estão mais próximas e que, de certo modo, podem com um pouco mais de visibilidade dar o seu contributo e até influenciar os orgãos do poder no sentido de regenerarmos a situação.
É melhor, esquecerem-se (pelos menos, por enquanto) daquelas caras sobejamente conhecidas quase todas oriundas da capital e das quais até já sabemos o nome dos gatinhos de estimação. Esqueçam também os políticos que nada fizeram pela região. Esses, ainda têm muito que tarimbar para afirmarem competências e não são as figuras mais fiáveis...
Afinal, não foi a extinta NTV que deu a conhecer ao país pessoas como o Dr. Rui Moreira (Presidente da Associal Comercial do Porto), o Dr. Azeredo Lopes, Presidente da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social), o Dr. José Manuel Mendes (Presidente da Associação Portuguesa de Escritores e membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social) ?
De professores conceituados, ciêntistas, escritores, jornalistas, actores, desportistas, artistas, o Porto e o Norte profundo, está cheio! É um erro de casting comercial primário deixar este "furo" precioso por preencher, é um mercado com potencial e (para já) sem concorrência! Que mais querem? Telenovelas?
Esperamos, é que esta timidez comercial não seja uma cópia da estratégia oportunista seguida por outros media, que para se realizarem financeiramente acabam por se vender ao mercado centralista para daqui a pouco nos impingirem a gratificação do costume: as célebres Edições Norte na versão televisisva.
Ponham mais carácter e menos subserviência na vossa actividade, senhores administradores de TV e jornalistas! Vamos a isso!
27 fevereiro, 2008
Ciclos Económicos e Tendências Longas
Estará na altura do Sr.Procurador de demitir?
da Polícia Judiciária/Porto
É o que eu digo. Se é verdade que a directoria da cidade invicta apresenta melhores resultados que todos os departamentos nacionais da PJ (incluindo o de Lisboa), não devia ser a primeira a merecer a confiança do senhor Procurador?
Sugestão: talvez...nomear uma equipa especial da PJ Porto para investigar o Processo Casa Pia e ver se, de uma vez por todas, sabemos se há mais alguém julgado para além do desgraçado Bibi!
Ainda os "Olhares Cruzados sobre o Porto"
No discurso político (também copiado por alguns papalvos) é recorrente o uso e abuso de dois substantivos: o pessimismo e o optimismo. Normalmente, poêm-nos em prática quando sentem as orelhas a arder e ouvem a população contestar suas performances.
Então, agarram-se com unhas e dentes às parcas benfeitorias que foram realizando como se tão pobre argumento fosse capaz de contradizer a realidade do estado das coisas. É como se achassem que só teríamos razões para os criticar se não tivessem feito absolutamente nada! O nosso primeiro-ministro é um bom exemplo, mas lamentavelmente, não é o único.
Enquanto no poder, os políticos, são incapazes de descer à terra, de sentir o povo, de acreditar no drama do número crescente de desempregados, de contrariar os efeitos nefastos de um centralismo impiedoso, de perceber as notícias sucessivas que nos colocam na cauda da Europa em quase tudo, e mesmo assim continuam convencidos que estão a fazer bem.
O que mais indigna nesta hipócrita e costumeira atitude, é o lado cínico, quase afrontador, a que recorrem, tratando os eleitores como se fossem todos ignorantes, de quem apenas se aproximam e servem, exclusivamente, como angariadores de votos.
Sou por isso, absolutamente contra esta "conveniência democrática" do desempenho em simultâneo de cargos públicos e privados pela parte de deputados. É uma aberração política e social, da qual os políticos partem sempre em vantagem relativamente ao comum cidadão. É concorrência desleal e perniciosa. Perniciosa, porque compromete, desde logo e em pólos opostos os próprios políticos, com a agravante de lhes redobrar os poderes e as influências.
O recente caso do Casino de Lisboa é disso um paradigma. Independentemente do apuramento das investigações (se as houver), as escutas telefónicas traduzem tudo, menos lizura de processos.
Os indícios são altamente comprometedores para os implicados, numa manobra publico-privada onde o património do Estado parece ter servido de moeda de troca para favores e negociatas. Em suma: não dá para confiarmos nesta gente, para lhes reconhecermos integridade, para enfim, nos representarem.
Teria muito gosto em participar nesses debates e encontros que se vão realizando aqui pelo Porto onde, se apresentam opiniões, discutem causas, e raramente soluções, mas incomoda-me ter de o fazer no meio de alguma gente que só lá vai para continuar a vender a sua imagem pública, ou seja, para empatar.
As elites locais interessadas pelos problemas do Porto, gostam de se misturar com as elites do poder, apesar de saberem que elas já não são de confiança. Não se demarcam. Ouvem-nas pachorrentamente como se ainda esperassem dali alguma coisa de objectivo.
Como dizia Rui Moreira, e bem, as ovelhas não se tosquiam a si mesmas, por isso, não sei o que podem esperar de figuras como Pires de Lima, Augusto Santos Silva e outros.
No meio deste género de personagens teria dificuldade em ficar de bem com a minha consciência e até com a minha maturidade. Daí que, gostava muito de saber medir a confiança que lhes merece quem se predispôs a ouvi-los...
Então, agarram-se com unhas e dentes às parcas benfeitorias que foram realizando como se tão pobre argumento fosse capaz de contradizer a realidade do estado das coisas. É como se achassem que só teríamos razões para os criticar se não tivessem feito absolutamente nada! O nosso primeiro-ministro é um bom exemplo, mas lamentavelmente, não é o único.
Enquanto no poder, os políticos, são incapazes de descer à terra, de sentir o povo, de acreditar no drama do número crescente de desempregados, de contrariar os efeitos nefastos de um centralismo impiedoso, de perceber as notícias sucessivas que nos colocam na cauda da Europa em quase tudo, e mesmo assim continuam convencidos que estão a fazer bem.
O que mais indigna nesta hipócrita e costumeira atitude, é o lado cínico, quase afrontador, a que recorrem, tratando os eleitores como se fossem todos ignorantes, de quem apenas se aproximam e servem, exclusivamente, como angariadores de votos.
Sou por isso, absolutamente contra esta "conveniência democrática" do desempenho em simultâneo de cargos públicos e privados pela parte de deputados. É uma aberração política e social, da qual os políticos partem sempre em vantagem relativamente ao comum cidadão. É concorrência desleal e perniciosa. Perniciosa, porque compromete, desde logo e em pólos opostos os próprios políticos, com a agravante de lhes redobrar os poderes e as influências.
O recente caso do Casino de Lisboa é disso um paradigma. Independentemente do apuramento das investigações (se as houver), as escutas telefónicas traduzem tudo, menos lizura de processos.
Os indícios são altamente comprometedores para os implicados, numa manobra publico-privada onde o património do Estado parece ter servido de moeda de troca para favores e negociatas. Em suma: não dá para confiarmos nesta gente, para lhes reconhecermos integridade, para enfim, nos representarem.
Teria muito gosto em participar nesses debates e encontros que se vão realizando aqui pelo Porto onde, se apresentam opiniões, discutem causas, e raramente soluções, mas incomoda-me ter de o fazer no meio de alguma gente que só lá vai para continuar a vender a sua imagem pública, ou seja, para empatar.
As elites locais interessadas pelos problemas do Porto, gostam de se misturar com as elites do poder, apesar de saberem que elas já não são de confiança. Não se demarcam. Ouvem-nas pachorrentamente como se ainda esperassem dali alguma coisa de objectivo.
Como dizia Rui Moreira, e bem, as ovelhas não se tosquiam a si mesmas, por isso, não sei o que podem esperar de figuras como Pires de Lima, Augusto Santos Silva e outros.
No meio deste género de personagens teria dificuldade em ficar de bem com a minha consciência e até com a minha maturidade. Daí que, gostava muito de saber medir a confiança que lhes merece quem se predispôs a ouvi-los...
25 fevereiro, 2008
O Centralismo e o Futebol Clube do Porto
Por incrível que pareça, foi também por causa da clubite centralista que se acentuou o fosse assimétrico entre Porto e Lisboa. É fundamental que se entenda isto, para nos ajudar a compreender outros "fenómenos" contemporâneos, como a corrupção desportiva e toda a sorte de polémicas, principalmente em redor do Futebol Clube do Porto e do seu Presidente.Desagrada-me reconhecê-lo (porque também nasci aqui), mas os portugueses,talvez pela sua condição de país periférico, têem uma enorme dificuldade intelectual em aceitar o sucesso dos outros, compensando esse endémico complexo com mitos e má língua. É assim.
Mas isto, não pode ser confundido com o direito legítimo dos cidadãos à critica, quando tal se justifica. Nesse sentido, não é honesto negarmo-nos a nós mesmos esse parco direito, vis à vis o rumo desastroso que Portugal tem seguido.
Tendo recebido muitos subsídios, inerentes à adesão comunitária europeia, Portugal desbaratou (vá-se lá saber por quê...) tantos outros, realizando pelo caminho -obrigatoriamente - algumas obras públicas, mas na realidade nunca conseguiu, mesmo assim, produzir riqueza bastante com reflexos na qualidade de vida da população de forma equitativa e desconcentrada.
E é com base nestes factos que deve ser feita uma avaliação honesta sobre a realidade nacional. Portanto, não é correcto, a pretexto das auto-estradas (muitas delas mal concebidas e depois reconstruídas), das Expos e de outros empreendimentos do género, consolarmo-nos com esses " rebuçados", porque isso, era o mínimo que se podia fazer. Enfim, a União Europeia exigia contrapartidas justificativas para nos financiar, e como é óbvio, algo teria de ser feito.
Foi mais ou menos neste período, entre o pós 25 de Abril de 1974 e a adesão à Comunidade Europeia até aos dias de hoje, que o Porto, e o Norte em geral, se degradaram económica e socialmente, que emergiu uma instituição desportiva a remar contra essa corrente depressiva, chamada Futebol Clube do Porto e o seu mentor, Jorge Nuno Pinto da Costa.
A ascensão do clube da cidade Invicta foi-se tornando avassaladora, com êxitos nacionais e internacionais, mas rapidamente provocou mal estar na capital e particularmente no Benfica, clube até então habituado a ganhar quase tudo e a beneficiar de todo o tipo de apoios pelo anterior regime. Contudo, com a democracia nada se alterou na arbitrariedade de processos, e a desigualdade de tratamento até se acentuou nos últimos anos.
Impotentes para superar, pelas vias legais e competentes (campeonatos), o adversário nortenho, o regime centralista não se coibiu de promover todo o tipo de esquemas e cabalas para afectar o Futebol Clube do Porto. De programas televisivos (Os Donos da Bola, da SIC), onde participavam
indíviduos contratados para denegrir a imagem do clube, até à rádio e aos jornais desportivos, tudo foi feito para destruir o (sucesso do) clube.
Hoje, a campanha persecutória adensou-se ainda mais, com a invenção do "Processo Apito Dourado" cujo objectivo principal é, como toda agente já percebeu, a incriminação de Pinto da Costa, a todo o custo, embora travestido de regenerador de ética e transparência desportiva...
O senhor Procurador Geral da República, parece desorientado. De tal modo, que é ele próprio a dar sinais de vulnerabilidade com a aparente arbitrariedade das suas decisões. Na dúvida, transmite sistematicamente a confiança às equipas de investigação lisboetas, denegrindo por consequência, e sem nada que o justifique, a imagem dos seus pares portuenses.
Ninguém percebe, sem assombro nem suspeita, como é que, imediatamente após a demissão do Director da PJ Porto e posterior nomeação de um outro, sejamos logo bombardeados pelos media com a notícia de que este último levanta suspeitas à equipa de investigação lisboeta, por alegadamente, ter simpatias clubísticas com o Futebol Clube do Porto.
Tudo isto parece surreal, tudo isto parece uma brincadeira de crianças.
Por muito menos, os media centralistas arrasaram com a reputação dos antigos procuradores gerais. Tanto Cunha Rodrigues como Souto Moura não foram poupados à lupa impiedosa dos jornais e televisões.
Neste caso, o sistema pendura-se às cavalitas da comunicação social, e não faz mais do que branquear e apoiar as prestações medíocres do actual Procurador, e isso, cada vez se parece mais com uma cereja em cima do bolo anafado do Centralismo.
Resumindo: a fita tem de começar a ser lida ao contrário. Há pois que meditar muito bem, no quê e quem, urge de facto investigar.
23 fevereiro, 2008
Conversa da Treta
Outra coisa que me irrita solenemente, são os manifestos de indignação patenteados por alguns políticos relativamente à péssima imagem que semearam na opinião púiblica.
Em abono da verdade, por muito que isso desagrade aos partidos que acederam às esferas do Poder (PS e PPD/PSD), os mais sérios e coerentes, são paradoxalmente aqueles que o sistema acusa de demagógicos: o PCP e até o próprio Bloco de Esquerda.
Mas, na realidade, por reflexo da queda do regime comunista, o subconsciente popular assimilou (se calhar, mal) que não lhes deve ser dada a oportunidade de se readaptarem a este tipo de democracia (que nem sequer é recomendável), para mostrarem o que valem. Não votam neles e pronto. Só servem, enquanto bóia salvadora, para o povo se "vingar" dos partidos que os andam a enganar há décadas sucessivas. As pessoas não percebem, que com esta esperteza saloia não estão mais do que a transmitir aos partidos do poder convencionais a ideia de insubstituabilidade que em vez de os regenerar os acomoda e vicia. Às vezes é preciso arriscar um pouco mais.
Mas, como disse, é a indignação de alguns protagonistas políticos que me irrita, quando dizem que desprezamos a sua actividade. Irrita-me, porque esta reacção revela de per si o autismo em que têm vivido e os leva a confundir a imagem que fazem de si mesmos com a imagem que pensam dar aos cidadãos. O erro autista reside aqui.
Quando dizem com despudor, que as pessoas ignoram o serviço público que prestam ao país, esquecem-se que a medida dessas mais valias nunca pode ser feita por quem as executa, mas tão só por quem delas tem de beneficiar: o Povo.
Em abono da verdade, por muito que isso desagrade aos partidos que acederam às esferas do Poder (PS e PPD/PSD), os mais sérios e coerentes, são paradoxalmente aqueles que o sistema acusa de demagógicos: o PCP e até o próprio Bloco de Esquerda.
Mas, na realidade, por reflexo da queda do regime comunista, o subconsciente popular assimilou (se calhar, mal) que não lhes deve ser dada a oportunidade de se readaptarem a este tipo de democracia (que nem sequer é recomendável), para mostrarem o que valem. Não votam neles e pronto. Só servem, enquanto bóia salvadora, para o povo se "vingar" dos partidos que os andam a enganar há décadas sucessivas. As pessoas não percebem, que com esta esperteza saloia não estão mais do que a transmitir aos partidos do poder convencionais a ideia de insubstituabilidade que em vez de os regenerar os acomoda e vicia. Às vezes é preciso arriscar um pouco mais.
Mas, como disse, é a indignação de alguns protagonistas políticos que me irrita, quando dizem que desprezamos a sua actividade. Irrita-me, porque esta reacção revela de per si o autismo em que têm vivido e os leva a confundir a imagem que fazem de si mesmos com a imagem que pensam dar aos cidadãos. O erro autista reside aqui.
Quando dizem com despudor, que as pessoas ignoram o serviço público que prestam ao país, esquecem-se que a medida dessas mais valias nunca pode ser feita por quem as executa, mas tão só por quem delas tem de beneficiar: o Povo.
Os "Olhares Cruzados sobre o Porto"
António Pires de Lima, político do CDS-PP e actual administrador da UNICER, como a maioria dos políticos, sabe bem fazer valer a técnica do camaleão, que é, como se sabe, a de adaptar-se ao meio ambiente e se necessário, fundir-se com as suas côres.Por isso, talvez para não nos avivar a memória do facto de ter deixado Lisboa para ocupar o poleiro da cervejeira nortenha (que podia ser preenchido por alguém residente no Porto e sem compromissos político-partidários), Pires de Lima decidiu dar o seu importante contributo no "Olhares Cruzados sobre o Porto".
Como seria de esperar, nada de objectivo adiantou para nos ajudar a resolver os problemas da região, mas ainda assim, houve quem ficasse muito surpreendido por não lhe ter acrescentado uma única medida ou ideia inovadora.
As pessoas que tiveram a boa vontade de assistir ao debate, sem se preocuparem com a qualidade de todos os intervenientes e que aparentemente saíram defraudadas com os seus resultados, só podem é queixar-se de si mesmas, por continuarem a dar crédito a quem já deu provas de não o merecer.
Pelo menos, talvez tivessem lucrado alguma coisa com a presença do Dr. Pires de Lima, se - por exemplo - lhe tivessem perguntado se foi para despedir uma data de funcionários da UNICER que deixou Lisboa para dar esse excelente contributo em "benefício" da nossa região...
Mas, o melhor é ficar-me por aqui, senão lá vem a chapa 5, da "demagogia".
Pois bem, então reafirmo: demagogos são indubitavelmente todos os Pires de Lima deste país, que sabem gerir muito a contento a sua vidinha pessoal, mas nada de significativo fizeram por ele, a não ser, isso mesmo: acrescentar demagogia.
22 fevereiro, 2008
A "fotografia" parece não estar a ficar lá muito nítida
"De acordo com informações recolhidas pelo JN, nas últimas semanas, mas principalmente após a comunicação pública da directora do DIAP do Porto, Hortênsia Calçada - em que foram rebatidas críticas veladas quanto ao desempenho na fase inicial da investigação do processo das agressões contra Ricardo Bexiga -, os magistrados do Porto têm recebido diversas manifestações de apoio por parte de colegas de todo o país. Solidariedade
A formação de uma onda de "solidariedade" ter-se-á intensificado na sequência da participação de Maria José Morgado no programa "Prós e Contras", da semana passada, na RTP. Neste debate, em que interveio Ricardo Bexiga, a directora do DIAP de Lisboa e também coordenadora da equipa do Apito Dourado evitou pronunciar-se directamente sobre o caso Bexiga. Por essa razão, e também pelo teor das declarações de Bexiga, sobressaiu uma ideia de atribuição de responsabilidades ao Porto pelo fracasso na investigação. O próprio despacho de arquivamento da equipa especial de Morgado permitia essa leitura."
Receio bem que a entrada empolgante de "águia" da Dra. Maria José Morgado no "Caso Apito Dourado", vá decepcionar os milhões de filhotes que por aí andam a reclamar uma Justiça feita de encomenda.
Palpita-me mesmo que a saída do processo se assemelhe mais à de um passarinho pouco inocente...
Ler aqui o artigo do JN completo.
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