17 janeiro, 2014

Sobre a entrevista de Pinto da Costa ao Porto Canal...


 


...não fiquei propriamente surpreendido. Os sinais que vinham dos lados do Dragão, ou talvez a falta deles, indiciavam que Paulo Fonseca ia manter-se no comando técnico da equipa principal.  Isto, é Pinto da Costa no seu melhor estilo de líder. 

Não obstante a saída prematura da Champions, com os danos financeiros que isso implicou, e a saída do primeiro lugar no Campeonato, a verdade é que ainda há uma segunda volta e a diferença para o 1º. classificado é apenas de 3 pontos, portanto perfeitamente recuperáveis. Isto, se Paulo Fonseca souber aproveitar a oportunidade de estar num clube como FCPorto e com um presidente-líder, como é, indiscutivelmente Pinto da Costa. Acresce, como referi alguns posts atrás, que ainda estamos com tudo em aberto nas outras provas (Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga).

Tenho de ter muito cuidado com o que escrevo, embora me esforce por fazê-lo, porque há determinado tipo de leitores que só tem olhos para ler a parte dos textos que lhes convém, ainda que tenham à frente do nariz a resposta para as suas "dúvidas" se os lerem atentamente até ao fim, sem discriminações de ordem gramatical (que também as há...).  Percebo que é desconfortável ler aquilo que não gostamos, pela singela razão de sabermos que o que lemos é verdade. Vai daí, sentir-me obrigado a realçar que, apesar dos elogios que fiz a Pinto da Costa uns parágrafos acima, não partilho da sua confiança nas qualidades do treinador, a não ser que entretanto se produza uma metamorfose de estilo e de métodos. Se assim for, tudo ainda é possível. Aliás, a parte que Pinto da Costa reservou ontem às arbitragens seria  desnecessária se Paulo Fonseca a tivesse assumido nas conferências de imprensa após os jogos em que o FCPorto foi prejudicado. Nunca para justificar as más exibições, mas para marcar posição, de modo a não deixar a ideia que esteve distraído, ou que os árbitros não tiveram influência nos resultados. Paulo Fonseca já devia saber que o FCPorto é discriminado pela comunicação social sectária de Lisboa. Portanto, calar estas coisas não é propriamente a melhor estratégia. Assim mesmo, embora não acredite em milagres, pode ser que as palavras de confiança que Pinto da Costa lhe dirigiu os consigam... É um risco, mas o Presidente portista é mesmo assim.

Faltou porém à entrevista um tema muito importante: o futuro próximo do Porto Canal. Não para abordar os detalhes sigilosos da empresa, mas para dar uma explicação aos portuenses e nortenhos sobre os imensos "tempos mortos" do canal, bem como para falar dos projectos a curto médio prazo que há para realizar (se é que os há...). Pinto da Costa é Presidente do FCPorto mas não é pessoa estranha ao Porto Canal, pelo contrário, é um dos seus maiores responsáveis no momento.

A vertente da comunicação está a ser o grande calcanhar de Aquiles do FCPorto, sobretudo com a informação desportiva (não me refiro aos conteúdos), nos directos,  e nas áreas de debate desportivo. O que agora se faz, é consensual, mas acrítico. Não se entende que não exista uma maior aproximação e articulação entre o Canal e as audiências-alvo (que deviam incidir preferencialmente no Norte), porque é aí que se encontra o mercado mais fiável, mas um mercado pouco aberto a deslealdades e novelas do género "Perdoa-me". Por isso considero extemporânea a ideia de "dar o passo maior que a perna", de cativar público a Sul antes mesmo de adquirida a adesão maciça a Norte, sobretudo quando a justificação para as aberrações dos programas repetidos, uns em cima de outros, gira à volta da falta de recursos (e dinheiro).

Em suma: foi uma entrevista para serenar os ânimos dos adeptos portistas, não foi uma entrevista abrangente ao universo nortenho. Em que ficamos? Será possível ter um canal do Porto para o Norte e para o Mundo (como o Juca gosta de dizer) auto-estigmatizando o Porto Canal? Os dois temas (FCPorto e Porto Canal) não podiam ser discutidos no mesmo programa? Só faltava agora dizer que para Pinto da Costa falar sobre televisão teria de ir "na qualidade" de Pinto Balsemão"...

15 janeiro, 2014

Bem feito!


Só mesmo um cretino (ou gente ligada ao Governo),  terá lata para se indignar com a atitude do proprietário deste restaurante. 

Ao contrário dos governantes, este homem teve de facto coragem, porque inverteu a lógica cobarde do Governo, que é ser forte com os pobres e fraco com os ricos. Só pelo gesto, dá-me vontade de ir à Bairrada comer um leitãozinho...

É falso, é verdade? Que importa, os gajos do governo sempre foram uns trapaceiros! É assim, olho por olho, dente por dente. Nem mais! Deviam comer sempre do veneno que semeiam. Gostei!

13 janeiro, 2014

Um FCPorto à imagem do Porto Canal

Basta! Pela parte que me toca vou-me deixar de romantismos e esforçar-me por conter o que resta do meu já muito depauperado optimismo. A partir de agora procurarei ser menos entusiasta quando entender elogiar alguém, porque hoje em dia as pessoas mudam  depressa de opinião e de comportamento. Alguém disse um dia uma frase que se tornou célebre: "no futebol, o que é verdade hoje, amanhã é mentira". Creio que o autor foi o ex-presidente do Victória de Guimarães, Pimenta Machado. Estava cheio de razão, apenas se equivocou por defeito, porque a frase tem uma dimensão muito mais ampla, é transversal a toda a sociedade. Falar-se hoje de carácter tornou-se numa armadilha, já poucos falam dele e menos imaginam sequer o que seja. Portanto, calma com as apreciações positivas. É mais seguro criticar, mesmo correndo o risco de nos enganarmos, de sermos injustos, mas pelo menos poupámo-nos a decepções.

Ao longo do tempo que levo a escrever neste bolgue alimentei, por momentos, a esperança de que a vida mudasse, para melhor, na forma de se fazer política em Portugal. Combati tenazmente o centralismo, defendi o Norte, o Porto, o FCPorto e sobretudo o seu Presidente, como provavelmente nenhum dos que o rodeiam o faria. Animei-me com o nascimento do Porto Canal, imaginando que o Norte ia finalmente ter voz própria e solta de complexos de inferioridade. Reforcei o entusiasmo quando soube que o FCPorto passou a ser co-proprietário do Canal. E no entanto, tudo parece estar a desmoronar-se. 

Já aqui referi, mas tenho obrigação de repetir, o Porto Canal está pior gerido agora que no tempo em que era dirigido por Bruno de Carvalho. Hoje tem mais pessoal, é verdade, mas os resultados são decepcionantes. Só para terem uma ideia, em poucos dias contei 5 entrevistas repetidas conduzidas por Maria Cerqueira (que desperdício Maria!) ao ex-futebolista Norton de Matos. Cinco! E como imaginarão não passo a minha vida a sintonizar o canal... Tem sido o pão nosso de cada fim de semana. Está visto que não se faz programação. Por quê, senhor Júlio Magalhães (Director Geral)? Por quê, senhor Domingos Andrade (Director de Programas)? Serão V. Exas capazes de explicar a relevância deste tipo de programas e destes protagonistas? O que é que a vida desta gente poderá interessar aos nortenhos se já é por demais conhecida através dos canais lisboetas?  No Norte (já não digo apenas no Porto), ter-se-ão esgotado as referências regionais? Serão assim tão reduzidas e irrelevantes? Por quê esta psico-dependencia, esta atracção fatal pela capital e pela sua gente?  Será que a direcção (e o pessoal) do Porto Canal pretende colocar-se no miserável papel de bajulador para cair nas boas graças centralistas e garantir assim um possível lugar ao sol em Lisboa, no caso das coisas correrem mal por aqui? Pois se é essa a ideia, então estão no caminho certo. Continuem então a transformar o Porto Canal num enfadonho estúdio de gravações, chatas e imprestáveis, e numa sala de visitas para alguns amiguinhos dilectos, e o objectivo será alcançado, mas deixem de apregoar a defesa dos interesses da região, porque isso não passa de um embuste. A defesa da região não começa e acaba na reprodução das notícias de faca e alguidar do JN.

Tenho procurado conter-me, dar tempo ao tempo. Mas o que está a acontecer é demasiado mau para ser omitido. Se foi só para isto que o FCPorto ficou com o Porto Canal e nem sequer sabe dar cobertura aos acontecimentos desportivos mais relevantes [como o de ontem], então o melhor é desistirem da ideia de fazer televisão, porque talvez as pessoas contratadas para o efeito não sejam as indicadas para um projecto desta importância. O que se vem verificando, é que a par da inoperacionalidade do Porto Canal anda a ineficácia e a baixa de qualidade do futebol da equipa principal, o que pode querer indiciar que Pinto da Costa não foi feito para jogar nos dois tabuleiros. Então, é melhor que se dedique àquilo que sabe: ao futebol. E se for caso disso, que venda o Porto Canal a Lisboa. Com amizade... 

12 janeiro, 2014

Benfica 2 - FCPorto 0, o resultado expectável, mas...

com uma arbitragem que envergonha a memória do rei Eusébio, mas não envergonha a memória do clube mourisco, porque esse gosta é de árbitros com esta personalidade, que lhes facilite a vidinha...

Mais uma vez, o treinador do FCPorto não teve estaleca para ganhar a um Benfica de 2ª. categoria e muito ajudado por uma arbitragem sectária e altamente influenciável.

Nada está perdido? Pois não, o campeonato ainda está na sua metade, mas os indicadores não são para optimismos.

PS-Por sua vez, o Porto Canal de Júlio Magalhães e de Domingos Andrade foi incapaz de acompanhar os acontecimentos à altura das expectativas dos espectadores. O Benfica-FCPorto terminou e não se fez, em tempo útil, absolutamente nada para abordar e discutir os lances mais polémicos de um jogo com a importância deste, uma vez que foi disputado com um rival directo. Deixou a missão ao critério da concorrência. A isto chama-se desleixo, incompetência e a direcção do FCPorto não fica isenta de responsabilidades. Esta, também não é uma televisão à Porto. Estamos mal este ano, e não é só no futebol...

10 janeiro, 2014

Porto, Gaia e Matosinhos ganham força com união

Aplaudo esta iniciativa de cooperação no estabelecimento de políticas de investimento para uma área mais alargada do que cada um dos municípios envolvidos, permitindo assim uma gestão mais racional, eficiente e eficaz dos recursos existentes.
Rui Moreira, Eduardo Vítor Rodrigues e Guilherme Pinto estão de parabéns e dão um grande exemplo a todos nós.
A competitividade das cidades e das regiões também se faz em colaboração, deixando de lado o paradigma da competitividade e a réplica de investimentos.
A cooperação e a repartição de recursos são a própria lógica dos movimentos regionalistas e descentralizadores, sendo que a Área Metropolitana do Porto é uma organização que há muito deixou de ser eficaz e fazer sentido.  
A regionalização é um processo de ganho de escala, intermédia entre o município e o país como um todo, por fazer mais sentido assim investir e depois gerir.
Regionalizar não é só um exercício puro de tirar poder acima, ao Estado Central,  para o dar abaixo, a outra entidade. É, sobretudo, e nos tempos que correm, “tirar” poder abaixo – aos municípios – para o dar a uma entidade acima – a região, uma associação de municípios – por uma questão de racionalização dos recursos públicos e eficácia na aplicação dos privados.
Este senhores Presidentes de Câmara estão a dar uma lição a quem verdadeiramente se preocupa com o melhor para Portugal.
Mas, como o tema é a candidatura a fundos comunitários, há três pontos que a mim me preocupam no caso da cidade do Porto.
Recordo, que seria tempo de começar a preparar a candidatura da reabilitação do Mercado do Bolhão aos fundos do Portugal 2020, que esperemos disponíveis no início do segundo semestre de 2014.
     1 -  Sobre  a reabilitação do Mercado Municipal do Bolhão, não é  para mim assim tão  líquido que a mesma só possa ser feita se existentes fundos comunitários, tendo como  a outra  alternativa a sua entrega a privados, mesmo que parcial, deixando os “frescos” de fora.
    Façamos contas. Afinal não é esse o lema da cidade, ou de um porto?
    Os fundos comunitários servem para melhorar a rentabilidade de um projecto , que deverá ser viável sem eles.  
     
    Para isso, basta saber qual o valor e o cronograma de investimento ,   bem como o número de lojas e de balcões de venda, antes e pós projecto, e respectivas rendas, actuais e previstas.

     
    A montagem de um projet finance passa por endogeneizar os projectos. Isto é, pagam-se com o “pelo do próprio cão”. Para isso, acrescem-se os custos com os prémios de  seguradoras, que cobrirão despesas acima do previsto e as receitas aquém do esperado.  

    Não há aqui surpresas.
    Os fundos comunitários a receber ao longo da realização do projecto, entretanto objecto da candidatura, abaterão ao valor da dívida contratada, que foi assegurada no pressuposto de não existirem estes apoios comunitários, e que é apenas garantida pelas receitas previstas da actividade do Mercado – certas, dada a intervenção da seguradora -, nunca pela hipoteca do imóvel.   
     
    2 – Mexe comigo, e mal, a ideia de que o ex-Matadouro de Campanhã seria mais um depósito, agora logístico para PME's, ou seja, mais um mercado abastecedor junto do outro. Camiões, camionetas e carros a andar de um lado para o outro. Não estou a perceber muito bem o que se ganha na cidade com uma "nova Varziela". Rui Moreira tem demonstrado capacidade para muito melhor.
    Já chegava a  ideia  do parque das auto-caravanas no Parque Oriental.  
    Campanhã é a sede e o estádio do FC Porto. É empreendedorismo, liderança, risco e arrojo.
    Chega da ideia de depósitos de mercadorias, de dormitório, de ponto de partida e chegada  de trabalhadores para Lisboa. Ainda se fosse para Vigo, também … 
    Campanha exige um esforço para uma nova centralidade, própria , um parque empresarial.
     
    3 -  Uma parceria que também falta, com Gondomar, ligada à falta de visibilidade do Parque Oriental do Porto, que só encontro explicação porque quem tem sido responsável, seja da Câmara, seja de quase todos os Institutos e Empresas da cidade, só conhecer um dos lados da cidade.

    Falta uma simples sinalização adequada para encontrar a entrada do próprio parque.
    Assumo, nasci em Campanhã e tenho dificuldade sem saber onde é a porta de entrada.
Sopram bons ventos do Grande Porto.
Saibamos colaborar, apoiar, fazer.
Let's do Porto, Gaia, Matosinhos.
José Ferraz Alves

05 janeiro, 2014

Ainda sobre o portocentrismo

Não, não é da morte de Eusébio que vos quero falar, embora a lastime, naturalmente. Todas as mortes são lamentáveis, e esta não foge à regra, de mais a mais tratando-se de um dos melhores jogadores naturalizados portugueses (Eusébio era de origem moçambicana) que jogaram em Portugal. E por aqui me fico, deixando à imprensa reacionária do  país a responsabilidade de transmitir as condolências ao ritmo da maratona.

Quero falar justamente de temas que poderão contribuir para a abolição do totalitarismo mediático e reaccionário que acima citei e que se reinstalou em Portugal  depois do 25 de Abril. Um desses temas, é o da luta que é preciso reforçar contra o centralismo, e contra os obstáculos que todos nós nortenhos, devemos procurar transpor para que esse desiderato seja atingido sem mais delongas.

Há dias, transcrevi aqui um artigo de José Mendes sobre o Portocentrismo que foi seguidamente comentado por mim e mais tarde também abordado no último programa do Porto Canal "Pólo Norte", o que significa que nem tudo o que se escreve no Renovar o Porto é ignorado.

Nesse comentário referi a minha concordância com o autor do artigo da necessidade de Rui Moreira dever alargar a chamada Frente Atlântica a outras cidades do Norte, mas discordei da sua conclusão, que acusava as 3 autarquias (do Porto, Gaia e Matosinhos) de uma estratégia planeada tendo em vista a obtenção de vantagens nos fundos europeus destinados ao Norte. Admito que o problema seja da minha boa fé e que José Mendes visse nessa iniciativa uma conspiração portocentrista, mas não creio que Rui Moreira, assim como os autarcas de Gaia e de Matosinhos, tenham  tido uma visão tão redutora de uma frente de carácter político e regional com as ambições que o Norte precisa. Suponho mesmo, que ninguém (nem os mentores) conhece exactamente os objectivos da Frente Atlantica, por isso me limitei a realçar o espírito congregador da iniciativa e a avaliei como um primeiro passo no sentido de "muscular" (sem assustar) as autarquias mais próximas para futuras batalhas com o poder central e ao mesmo tempo como uma forma de facilitar a resolução de problemas comuns às 3 autarquias. 

É sempre preferível dar um passo, do que não dar passo nenhum, excepto se esse passo nos conduzir a um abismo (o que não me parece ser o caso)... Sempre que oiço alguém dizer que "ainda" não é oportuno criar a Regionalização, já sei que essa pessoa não a vai querer nunca, e o tempo vem-me dando razão.

Com estas ciumeiras, ou suspeitas [não entendo bem], é que não se chega a lado nenhum. Análises precipitadas sobre "centrismos" podem-nos levar ao papel mesquinho de invejar o carro do nosso vizinho, e dividem-nos. Para os nortenhos, o primeiro passo terá de passar por unir todo o Norte em torno de um objectivo comum. Repito: é preferível dar um passo de cada vez do que não dar passo nenhum. O Norte precisa de coesão, de construir um ideal colectivo, precisa de bairrismo mas não de um bairrismo paroquial e divisonista, mas sim de um bairrismo unitário e profundamente regionalista.

Além de mais, a questão que coloco é esta: se há dúvidas, por que é que não se procura dissipá-las junto dos visados? Meus senhores, dialogue-se, proponha-se, esclareça-se, construa-se, organize-se e evite-se a germinação de fracturas. Esse sim, tem sido o grande problema dos nortenhos em geral, e não exclusivamente  dos portuenses.

30 dezembro, 2013

UM FCPORTO SEM LIDERANÇA NO BALNEÁRIO E NO TREINO

Pessoalmente, já não tenho muito a acrescentar ao que penso das capacidades técnicas, tácticas, estratégicas, e de liderança, de Paulo Fonseca. Já disse tudo.

Resta-me aguardar o que irá fazer (se fizer) a estrutura directiva do FCPorto. Se tenciona esticar a corda toda e manter o treinador até ao limite do possível (conseguir guardar alguma coisa para ganhar esta época), ou se estará disposta a continuar a aposta arriscada em Paulo Fonseca e sujeitar-se a perder tudo aquilo que ainda pode conquistar (Campeonato, Taça de Portugal, Liga Europa e Taça da Liga), o que poderá implicar a assunção implícita do fracasso de todo uma época.

Vista a situação pelo lado positivo, temos de admitir que ainda há 4 competições em disputa, que está "tudo" em aberto, mas já sem acesso aos milhões da Champions, que tanto jeito dariam aos cofres da SAD. Realisticamente pensando, e fundamentado no péssimo futebol exibido pela equipa há mais de 5 mêses consecutivos, corremos o risco de continuar a ver o FCPorto praticar o pior futebol dos últimos 30 anos... e sem resultados.

Paulo Fonseca, será para continuar? Se sim, teremos de concluir que não é o único teimoso no clube. E se não sabem o que eu penso dos teimosos, façam o favor de ler aqui.

23 dezembro, 2013

Se houvesse Justiça

Eu não sei se os tribunais reconhecem oficialmente [ou não] que a Justiça não está a ser aplicada a todos e da mesma maneira. Não sei se reconhecem que a Justiça está a intensificar a protecção e a deixar fora da sua alçada aqueles que mais obrigações têm de a respeitar. Melhor que ninguém, os juízes deviam saber o que a expressão latina dura lex sed lex quer dizer [a Lei é dura, mas é Lei]. Por outras palavras, que a Lei só se reconhece na irreversibilidade do rigor.

O rigor pressupõe precisão e severidade,  justamente o contrário  da complacência e da flexibilidade. Logo, não havendo rigor na aplicação da Lei a Justiça está sem dúvida a ser mal exercida, está a ser INjusta. Apenas em casos específicos, particularmente com os mais carenciados ou com comprovados inimputáveis é que o rigor da Lei pode fazer algumas concessões. Mas, não é bem isso que acontece. As concessões estão a ser feitas àqueles que podem defender-se melhor, ou seja, os poderosos. Uma justiça assim, também carece ser julgada...

Volto de novo à questão da democracia representativa [que é o modelo em que vivemos] para lembrar que o poder não caiu à rua, que o povo vota e delega em terceiros o poder e a responsabilidade de o governar, não se governa a si próprio. Poder e responsabilidade são duas proposições que se devem contrapor como factor de equilíbrio, nunca como conjugação de prepotência. Se há poder, há responsabilidade, e o poder só deve crescer se for proporcional à responsabilidade. Assumida.

Então, que conclusão podemos tirar? Que tem sido esse o padrão comportamental de quem nos tem governado e de quem nos tem julgado? A resposta não merece dúvidas: Não! Afinal, quem é que devia estar a pagar a crise? Nós, os governados, ou os governantes? Ninguém estará interessado em esclarecer de uma vez este embuste? Por que é que os cidadãos devem ser bons cidadãos se os governantes são péssimos governantes e abusam do poder? Por que temos nós de pagar impostos se eles não os pagam. Por que temos nós de ir para a cadeia só por falar se eles não vão por falcatruar? Por que temos nós de  ser julgados quando eles têm como fugir dos julgamentos? Vão dizer que isto é mentira? A sem vergonhice dará para negar esta realidade? Não são todos, já sabemos que não devemos exagerar. Muito bem. Então por que é que Cavaco nunca se mostrou publicamente indignado com as canalhices dos seus colegas de partido e homens de confiança que estiveram envolvidos no escândalo BPN? Imaginará ele porventura que o seu silêncio nos fará dissociá-los uns dos outros como se fossem ilustres desconhecidos? Imaginará que pensamos que são de níveis éticos muito diferentes? Pelo contrário, o silêncio de Cavaco em relação aos seus antigos homens de confiança, Dias Loureiros, Duartes Limas e Oliveiras e Costas, não apaga a relação entre eles nem as identidades, antes as une e lhes acrescenta afinidade.

Se houvesse realmente Justiça, Cavaco Silva jamais seria Presidente da República, ou sendo-o, depois do BPN, hoje já não o era. 


21 dezembro, 2013

Carlos Eduardo

Ainda é cedo para se poder traçar um perfil consistente das qualidades do médio do FCPorto, que tantas expectativas está a levantar aos adeptos portistas. Mas há coisas que não enganam, para lá das suas valências como jogador: a sua personalidade. Posso vir a arrepender-me do que hoje estou a dizer, porque as pessoas mudam bruscamente, mas é assim que penso neste momento. Carlos Eduardo reúne todas as características daquilo que deve ser um jogador à Porto. Tem qualidades técnicas, inteligência, humildade, garra e boa têmpera. Nem sempre é possível, porque não há muitas pessoas com este perfil, e ainda menos no mundo do futebol, mas deviam ser assim todos os jogadores do FCPorto.

Carlos Eduardo sempre aceitou, sem reclamar, o facto de não ter sido inscrito na Champions por opção do seu treinador, nem ser encaminhado muitas vezes para jogar na equipa B. Quando entrevistado, não personaliza demasiado a sua importância na produção da equipa optando preferencialmente pelo colectivo. Posso enganar-me, mas o FCPorto tem aqui um diamante já meio lapidado. Oxalá saiba aproveitá-lo e rentabilizá-lo, como costuma. Tem a batuta, o treinador.
CARLOS EDUARDO

19 dezembro, 2013

Jornalismo à Pingo Doce

Já todos sabemos que os jornalistas não gostam de ser criticados, que preferem que os leitores aceitem incondicionalmente tudo o que escrevem e decidem, como se fossem proprietários exclusivos do saber. Afinal, esta forma de estar na vida não difere por aí além da dos políticos e de outras profissões com algum peso social. Julgam-se insubstituíveis a tal ponto que nem se dignam admitir que alguém, que não os próprios, possa ver as coisas com mais objectividade que eles. É pena que assim seja, porque se descessem mais vezes à terra, em vez de levitarem na inocuidade das sua convicções e das entrevistas à la carte, talvez prestassem melhor serviço público do que imaginam.

Os anos que tenho de idade a ler e a conhecer jornalistas são demais para poder tolerar o marasmo em que a classe se deixou cair. A ideia com que ficamos  muitas vezes é que, mesmo quando se atrevem a usar da irreverencia junto de algumas figuras públicas poderosas, nunca tocam nos pontos mais incómodos de forma a deixá-las sem resposta. Parece que já ficam realizados com a glória de ter conseguido a entrevista. A proximidade com os poderosos inibe-lhes a coragem e fá-los imaginar estarem no mesmo patamar de importância, ainda que por instantes. A vaidade tem destas coisas...

Não tenho a menor dúvida do que atrás escrevi, porque se assim não fosse nunca mais veríamos na televisão figuras como o dono do Grupo Jerónimo Martins (do Pingo Doce) a dar pareceres políticos,como se fosse alguém com estatuto cívico e moral para o fazer. De todas as ocasiões que Alexandre Soares foi à televisão, não me lembro de nenhum jornalista lhe ter perguntado porque é que não pagava condignamente aos seus empregados para ajudar a economia a rolar, e porque é que sediou a empresa na Holanda e fugiu ao fisco escandalizando o país inteiro... Mas não. Só podemos deduzir que o exemplo deste "grande" empresário deve ser para louvar, caso contrário não se entenderia porque continuam a chamá-lo à televisão. O resultado é que cada vez o homem diz mais disparates, mas tal como num Big Brother ele aproveita para se achar importante. Mas, pior que ele, é o jornalismo de sarjeta que se continua a fazer em Portugal.  O jornalistas querem audiências não querem mudar o país.


17 dezembro, 2013

RTP 2 vai passar para o Porto. Irá mesmo? E em que condições?

A produção da RTP2 vai passar para o Porto, uma transferência que já está a acontecer, disse à Lusa fonte oficial da Rádio e Televisão de Portugal (RTP).

“Toda a produção da 2 vai passar para o Porto e outras produções de outros canais passam também para o Porto”, nomeadamente da RTP 1 e da RTP Internacional, afirmou a mesma fonte, adiantando que esta decisão da Administração liderada por Alberto da Ponte não traz encargos extra já que alguns serviços que eram contratados externamente passam a ser feitos dentro da estação pública.

Questionado sobre se a decisão implica a contratação de trabalhadores ou a ida de alguns de Lisboa para o Porto, a mesma fonte disse apenas que esta “significa a melhor utilização dos meios humanos e físicos que existem no Porto”.

Os serviços de produção da RTP2 vão começar a ser transferidos ainda durante o mês de Janeiro.
(do jornal Público)


Nota do RoP:
Notem bem as preocupações de quem está mal habituado. Em vez de se regozijarem com a notícia [que ainda nem sequer está garantida], os jornalistas querem é saber se o pessoal de Lisboa vai ser transferido para o Porto, em vez de procurarem saber quantos postos de trabalho serão abertos aos nortenhos, que como é sabido têm sido muito mais flagelados com o desemprego que qualquer outra região do país. Por outras palavras, o que eles querem dizer é o seguinte:  se querem descentralizar descentralizem, mas nunca à nossa custa.
Tenho a impressão que isto ainda vai dar muito que falar. Aguardemos...   

15 dezembro, 2013

Portocentrismo


 

Porto, Gaia e Matosinhos resolveram criar uma liga de cidadesquecendo o passado dividido, por vezes conflituoso. Procuram uma Frente Atlântica, que poderá mesmo dar origem a uma associação de municípios, para perseguir interesses comuns. Aquilo que, em abstrato, seria uma boa ideia tem todas as condições para se transformar num movimento divisionário típico do pior portocentrismo.

A forma mais benigna de olhar para esta nova liga é considerá-la um exercício exploratório de um objetivo de união mais amplo. Vale aqui recordar que Rui Moreira defendia há 10 anos a criação de uma única cidade, unindo o Porto, Gaia e Matosinhos, invocando a mais óbvia de todas as razões: não existe fronteira real entre as três. É bom de perceber que não é aceitável que três presidentes recém-eleitos coloquem sobre a mesa a fusão dos respetivos municípios, sobretudo quando tal não estava explícito nos seus manifestos eleitorais. Assim, iniciar um processo de aproximação mais técnico e menos político permitiria ir, paulatinamente, entranhando a ideia da cidade única. A verdade é que os três autarcas emprestaram à iniciativa um simbolismo político mais amplo do que um simples processo incremental de aproximação.

Abre-se, assim, espaço para uma leitura menos prosaica, que é a de que o Porto vira costas à região. A história recente da região Norte revela um espaço geográfico, administrativo e político muito dividido e muito desequilibrado, que entrou numa deriva de empobrecimento verdadeiramente vergonhosa. E, por muito que o Norte grite contra o centralismo de Lisboa, quase sempre com razão, a suposta liderança desta região tem também sérias responsabilidades nesta rota de insucesso. O Porto, sempre mais preocupado com o seu umbigo, não tem sabido nem querido liderar. Satisfaz-se com o exercício do controlo dos fundos do Programa Operacional Regional, capturando por completo as estruturas de decisão, esquecendo que, com isso, enfraquece toda uma região e, por maioria de razão, definha ele próprio.

A prova acabada desta visão curta é a declaração que os autarcas do Porto, de Gaia e de Matosinhos vão assinar contra "o reforço centralista" da RTP. É claro que o Centro de Produção da estação de televisão pública em Vila Nova de Gaia tem de ser preservado, e sobre isto sou insuspeito pois já o defendi neste mesmo espaço, mas o que estes três autarcas parecem ignorar é que esta é uma infraestrutura que serve e interessa a toda a região Norte. A lista de subscritores de tal documento teria de ser mais regional e menos portocêntrica.

Mas é ao nível da Área Metropolitana do Porto (AMP) que a nova Frente Atlântica causa mais engulho. A AMP foi recentemente redesenhada, num exercício cínico de lhe conferir uma massa crítica esmagadora face às restantes NUT3 do Norte. Foram assim considerados metropolitanos municípios como Arouca, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra, o que não deixa de ser surpreendente. A razão reside, naturalmente, na perspetiva de este ser um nível territorial supramunicipal privilegiado na atribuição de fundos europeus. Tal facto faria supor um aguçado apetite pelo controlo do Conselho Metropolitano. Surpresa das surpresas, assim não foi. Os municípios de maior peso mostraram-se muito desinteressados no processo, acabando por ser eleito presidente Hermínio Loureiro, um autarca muito competente que, todavia, representa um município de menor peso.

Percebe-se agora que havia já uma estratégia autónoma para a captação de fundos por parte de Porto, Gaia e Matosinhos, a qual será, quer queiramos, quer não, conflituosa com a estratégia que estava já a ser iniciada pelo Conselho Metropolitano do Porto. O facto de este órgão não ter tido conhecimento da nova liga de cidades é bem elucidativo.

O desconforto está instalado a todos os níveis. Na capital, o que me preocupa pouco, mas também na CCDRN, na AMP e em muitas das mais importantes cidades e municípios da região.

Não escondi o meu ceticismo quando, no seu discurso de tomada de posse, Rui Moreira se referiu a uma liga de cidades. Achei a ideia demasiado vaga para merecer uma referência explícita. Esperei. Confesso hoje que o meu ceticismo, ao invés de se diluir, se intensificou. Temo que possamos ter mais do mesmo.

Nota de RoP:

Sempre embirrei com esta mania, [ainda mal resolvida], de relacionar o protagonismo do Porto com o portocentrismo [versão "regionaleira" de centralismo que alguém, em má hora, se lembrou de inventar]. Em primeiro lugar, porque a responsabilidade  de descentralizar ou concentrar o poder, parte, antes de mais, de quem o detém, ou seja, do Governo central, e não das autarquias, cujas competências já de si limitadas pouco podem fazer e decidir a nível nacional contra a macrocefalia do poder do Terreiro do Paço. Em segundo lugar, porque por vezes se confunde o dinamismo próprio e histórico de cada cidade/região com a vontade intrínseca de nelas concentrar o poder, secando todas as outras. O Porto, tal como Braga [o autor do artigo é bracarense], tem a sua história ligada à do país, ainda mais importante que a da própria capital.

O autor tem razão quando refere que o Norte "tem empobrecido nos últimos anos o seu espaço geográfico, administrativo e político", mas mais por culpa do marasmo dos nortenhos em geral, do que por culpa exclusiva dos portuenses, porque de facto, ainda não foram capazes de se unir e afirmar como um contra-poder respeitável. Mas, não me parece oportuno, nem feliz, que no momento em que Rui Moreira consegue dar o primeiro passo no sentido de juntar as forças políticas do Grande Porto, coligando-se estrategicamente com as câmaras de Matosinhos e Vila Nova de Gaia, se veja nisto a intenção de virar as costas ao resto da região. Pelo contrário, pode ser o primeiro dos pequenos grandes passos que será preciso dar, com a inclusão das principais cidades nortenhas. Francamente, não creio que Rui Moreira tenha uma visão tão curta e mesquinha da descentralização.

Por isso me parece algo precipitada a conclusão de José Mendes, de mais a mais, quando a presidencia da CCDR-Norte não tem sabido bater o pé às decisões arbitrárias do governo central, como aconteceu recentemente, com o cancelamento abrupto de uma conferencia previamente marcada com o Governo no sentido de o informar sobre as necessidades e os destinos dos fundos europeus. O Dr. Emídio Gomes, limitou-se a calar e obedecer. O que me leva a concluir que este artigo foi redigido sob o efeito de alguma pressão, com os preconceitos regionalistas do costume, esses sim, divisionistas. 

Falar de portocentrismo depois de tantos entraves e marchas-atrás à Regionalização, é um contra-senso. O poder não está no Porto. O Porto é vítima do centralismo, tanto quanto Braga, o Norte e, sobretudo, o nordeste transmontano.

12 dezembro, 2013

Rescaldo do post anterior

Não foi preciso ser adivinho para prever o que ia acontecer no jogo de ontem. Continuo a manter o que sempre aqui escrevi: a responsabilidade pela contratação do treinador é, em primeiro lugar, do Presidente e de toda a Direcção, e a responsabilidade pelo desempenho e produtividade da equipa de futebol é, naturalmente, do treinador. Se entendermos avaliar o mau momento do FCPorto de uma forma mais anárquica esquecendo a importância das escalas hierárquicas sem ter de apontar o dedo a ninguém, então podemos dizer que a culpa é de todos.

Pessoalmente, não alinho nestas mariquices de culpar todos. Se nunca aceitei, e até considerei um insulto à minha dignidade, que os Governos responsabilizassem todos os portugueses pela crise de que só eles e os seus "amiguinhos" de eleição [bancos, PPP's, etc.] , foram responsáveis, não é por se tratar de futebol que agora vou mudar os meus critérios de responsabilização. O que sei, é que algo vai mal no reino do Dragão, o que me leva a suspeitar que esta época a alegria vai continuar arredia das hostes portistas, o que para nós é quase uma heresia, porque fomos bem habituados, durante os últimos anos... 

Mas no FCPorto nada é inultrapassável. Ao contrário de alguns pensadores, não creio que Pinto da Costa esteja finito. O que receio é não haver tempo para recuperar a equipa ainda esta época. Com, ou sem chicotadas psicológicas.

11 dezembro, 2013

Triangulo invertido? Mas por quê?



Que me perdoem a redundância, aos que pensam como eu, mas há quem não veja diferenças entre a esperteza e a inteligência. Eu vejo. O esperto, não pensa os obstáculos, cavalga sobre eles. O esperto, é aquele indivíduo que está atento a todas as oportunidades que o possam beneficiar sem pruridos de ordem moral e social, e por isso, sem preocupações com os efeitos secundários que as suas acções possam causar a terceiros. O inteligente, abdica naturalmente da esperteza porque tem uma concepção civilizada e humanista das coisas, o que o leva a agir com mais prudência e respeito pela inteligência dos outros. Esta peculiaridade  leva-o muitas vezes a perder muitas vantagens materiais, mas reforça-lhe a índole. Mandela, por exemplo, era um Homem inteligente. Cavaco, pelo contrário, é esperto e saloio.

Entre o teimoso e o determinado também há algumas diferenças a separá-los. O teimoso é o tipo sem flexibilidade para admitir que pode errar [Cavaco dizia que nunca se enganava] . Já o determinado, pondera os prós e contras, estuda, e faz experiências até descobrir a fórmula que melhor encaixa no seu projecto e aplica-a.

Mas desta feita não foi a pensar na política e nos políticos  que cheguei a esta conclusão, foi a pensar no jogo que o FCPorto vai disputar dentro de sensivelmente 4 horas, mais propriamente no treinador Paulo Fonseca. É que, a menos que haja engano, ao olhar para o esquema da equipa plasmada no JN fiquei com a certeza que Paulo Fonseca pertence ao grupo dos teimosos. Vai voltar a repetir o triangulo invertido, isto é com Fernando acompanhado de Defour - que é onde rende menos -, com Lucho [recém-lesionado] mais à frente, e com Josué no papel de (falso) lateral direito com Varela do outro lado. Será possível? É! Paulo Fonseca ainda não está convencido que o seu modelo de jogo não funciona, que está a desorientar os jogadores e os adeptos, mas vai, ao que parece, insistir no erro. Se der para o torto, terá desculpa tamanha teimosia? Eu acho que não tem. Primeiro porque o sistema é feio, em termos futebolísticos e é extremamente vulnerável. Segundo, porque nem sequer é um sistema resultadista. Por último, porque impedirá o clube de amealhar alguns milhões que a continuidade na Champions poderia proporcionar. 

Já  sei que em futebol tudo é possível, mas também sei que não foi com teimosia que o FCPorto habituou os adeptos a vencer. Foi com a determinação própria de quem estuda bem o seu trabalho e as equipas adversárias. A determinação admite o erro e prepara-se bem para o evitar. A teimosia tem palas.

07 dezembro, 2013

Hipocrisia cavaquista e as condolencias ao "amigo" Mandela

Se às sociedades livres da Europa continuarmos a chamar democracia, então, é porque aceitamos o jogo de quem nos quer enganar. Pela minha parte, e enquanto cidadão que exige ser respeitado, recuso-me terminantemente a exercer o meu direito de voto enquanto as regras desta "democracia" não forem alteradas de modo a ter garantias da idoneidade de quem se propõe governar o país. Se nada for feito nesse sentido, apenas votarei para as autárquicas, e mesmo assim, só depois de saber que o currículo dos candidatos é merecedor da minha consideração e da minha confiança. Por outras palavras, só depois do 1º- mandato é que estarei disponível para lhes dar carta branca para o 2º, e assim sucessivamente. Fiar, é que já não fio mais. Acabou!

É quando assisto a shows deploráveis, da mais vil hipocrisia, como o que Cavaco Silva deu no seu discurso de conveniência à morte desse grande Humanista chamado Nelson Mandela, que consolido mais e mais, o meu desprezo profundo, a minha imensa vergonha por ver no mais alto cargo da nação um homem tão insignificante e hipócrita como Cavaco Silva. Mas, se o mal viesse só dele ainda podíamos vislumbrar algumas réstias de esperança para o futuro, o drama é que este Portugal tem mais cavacos por metro quadrado que Mandelas no Mundo inteiro.

Homens como Mandela são antes de tudo HOMENS completos, íntegros, humanistas, jóias raras nos tempos que correm. Pessoas com aspecto de homens, ordinárias, fingidas, há muitas, como Cavaco, mas que não valem um centimo, o "mercado" está a abarrotar, sobretudo na classe política [que o diga Marinho e Pinto].

O tipo que em 1987 era então 1º Ministro de Portugal também se chamava Cavaco Silva. Esse fulano, é hoje Presidente da República*, carpiu mágoas pela morte de Nelson Mandela, mas é o mesmo que votou contra a uma resolução das Nações Unidas que pedia a sua libertação... Resumindo e concluindo: dependesse da vontade de Cavaco, Mandela tinha apodrecido na cadeia.

Que asco de gente!

* Em Portugal os traidores e incompetentes são promovidos. Ainda há dúvidas?

04 dezembro, 2013

Não se trata de pessimismo...

 

...mas, partilho muito do que Manuel Serrão escreveu no artigo aqui publicado e vou mais longe: creio que, nos últimos anos, é na escolha de alguns dirigentes/técnicos que a SAD e o Presidente Pinto da Costa têm sido mais relaxados [embora felizes...].

Receio que se tenham deixado entusiasmar com as soluções de última hora como a contratação de Victor Pereira que, melhor ou pior, foi relativamente bem sucedida em termos desportivos, mas que deixou muito a desejar nos aspectos financeiros [afastamento prematuro da Champions] e na qualidade do futebol praticado. 

Sem pretender especular com a situação actual, tudo leva a crer que a vinda de Paulo Fonseca tenha sido também uma solução de recurso, talvez provocada por um atraso qualquer ou impedimento à contratação de outro treinador.  O certo, é que, o FCPorto parece um tanto adormecido em relação a assuntos da maior importância para o clube, como é o da equipa principal de futebol, e também o da comunicação [refiro-me, ao Porto Canal]. A este respeito, também tenho dúvidas que Júlio Magalhães tenha o perfil indicado para um projecto inovador de televisão, como se esperava que fosse o Porto Canal. Um canal que devia atrair os portuenses e nortenhos em geral, está a fazer exactamente o contrário [e falo por mim], consegue repelir, tal é a monotonia da programação.

Pior do que errar, é insistir no erro. Os remedeios são isso mesmo, servem para remediar, mas quando se perverte o sentido das razões, passa a tornar-se um hábito. Os casos de Liedson, Izmaylov, Fucile [e outros] como está bom de ver, foram paradigmáticos da inversão lógica do remedeio e vieram trazer mais problemas que soluções. Para colocar a cereja no topo do bolo, fala-se no regresso de Quaresma para resolver a escassez de flanquedores no plantel... Quaresma, caprichoso como é, até é capaz de fazer umas flores nos primeiros jogos e ressuscitar o saudosismo deixado nos adeptos "brinca-na-areia", mas duvido que consigam ver em Quaresma o lateral consistente e lutador de que o FCPorto precisa. Mas, gostava de me enganar.

Estranha, esta forma de gerir. O FCPorto habituou-nos tão bem... Estará a pensar em habituar-nos mal?

O destino marca a hora





No F. C. Porto, como todos os dragões sabem, o nosso destino é ganhar. Como o nosso desatino é perder. Esta época chegamos ao ponto de não retorno. Que é aquele ponto em que a nossa equipa com o treinador que tem não é mais capaz de nos dar retorno.

O tempo que lhe demos, já ninguém nos devolve. Cumpre-nos impedir que a este tempo se acrescentem outros tempos, tempos mortos.

Em condições normais sou um defensor acérrimo da estabilidade no comando da equipa técnica e já disse e escrevi várias vezes que os treinadores só devem ser substituídos quando se tornam impossíveis os objetivos anunciados no princípio da caminhada. Julgo que estamos perante um caso em que a morte anunciada não deve esperar pela matemática.

Para a nossa equipa de futebol a temporada não começou nada mal, somando-se o nosso mérito inicial ao destempero com que Benfica, Sporting e até Braga deram os primeiros pontapés.

Quando se julgava que a competição nacional ia ser um passeio relaxado, virando as nossas preocupações para o desempenho na Champions, eis que a frente interna nos surpreendeu negativamente, primeiro com aquilo que parecia ser apenas um acidente de percurso, para depois se tornar de facto num verdadeiro percurso acidentado.

O jogo de Coimbra foi a cereja em cima do bolo... que já tínhamos estampado na testa! Enquanto nos desaires anteriores pudemos falar de equipas poderosas como o líder do campeonato espanhol, de erros flagrantes de arbitragem ou de uma tremenda falta de sorte aqui e ali, com a Académica, as desculpas só vêm agravar a missa, porque ficou um penálti por marcar e o que foi marcado é no mínimo duvidoso.

Mas para além disso, o que me "destruiu" em Coimbra, para já não falar daquele deserto de ideias do "chuveirinho" final, foi a exibição confrangedora da primeira parte, que pode até ter sido o pior jogo que eu vi o F.C.P. fazer desde que Pinto da Costa regressou ao clube. Em boa hora!

O nosso presidente, que prima por uma memória de ferro e que alguns gostavam de enterrar mais cedo (pelo menos para o mundo do futebol) há de conservar a saúde e a destreza suficientes para perceber que, com ele, cometemos um monumental erro de casting .

No fundo já não há muita coisa para inventar. Mudar de presidente, só quando Deus quiser e espero que não queira tão cedo. Mudar de jogadores, ainda por cima a meio da época, é uma missão impossível, mesmo que alguns pareçam estar mesmo a pedi-lo. Resta mudar de treinador.

Paulo Fonseca será uma excelente pessoa, de uma educação esmerada e com um currículo curto, mas curioso. Imagino que goze de enorme simpatia no grupo de trabalho e seja credor da admiração dos dirigentes que com ele mais privam. Mas está visto que não chega. Não se trata de vencer um concurso de Miss Simpatia, mas de ser capaz de pôr esta equipa do Porto a jogar e a ganhar, no mínimo, com o registo dos últimos anos.

Infelizmente, em pouco mais de um mês, Paulo Fonseca desbaratou cinco pontos de avanço na Liga, ficou senhor do pior registo de sempre na Champions (nos jogos em casa), averbou a primeira derrota depois de 671 dias invictos e temo que a lá continuar ainda seja homem para acumular mais recordes deste jaez.

Admito que ainda tenha de dirigir a equipa contra o Braga, à espera da derradeira jornada europeia, em que já nem sequer dependemos só da nossa vitória obrigatória em Madrid. Admito que se o improvável acontecer, que o queiram segurar. Mas se o milagre não nos reabrir as portas da Champions esse será o momento certo para mudar de vida. A dois meses da Liga Europa e a um mês do jogo da Luz, ou há coragem para mudar, ou então, depois só vale a pena voltar a pensar o assunto quando se começar a tratar da próxima época.
Se esta equipa e estes jogadores valem mais do que têm mostrado e valem mais minutos do que aqueles 20 ou 30 em que nos mostraram o que podem valer, então o que já sabemos é que Paulo Fonseca não consegue pô-los a render como devia.

A correr bem até pode ser ele a perceber isso primeiro. Se é que ainda não percebeu..

03 dezembro, 2013

Só podia ser assim

É assim, unidos, solidários e determinados, que gosto de ver os líderes da região, particularmente, do Porto.

Sempre entendi que os amuos do passado recente seriam devidamente esclarecidos e rapidamente ultrapassados. 

Vamos lá PORTO!

Para ver o vídeo [JN] clicar aqui.

30 novembro, 2013

A bola queima!

Contrariando aquilo a que me tinha proposto há uma semana, que era não voltar a assistir aos jogos do FCPorto enquanto não tivesse sinais de melhoras, acabei por ver  o jogo de hoje com a Académica que mais pareceu um  filme de terror.  Fiz muito mal, permitir que a curiosidade cedesse lugar à razão, porque o que é facto, é que não se vislumbra qualquer evolução na liderança de Paulo Fonseca, nem na qualidade de jogo da equipa. 

O que começa verdadeiramente a surpreender-me não se limita a isto, mas mais à capacidade e rapidez com que Paulo Fonseca está  a destruir uma equipa que apesar de não estar a jogar bem, ainda é constituída em parte por alguns dos jogadores que já foram campeões nacionais e que ganharam há bem poucos anos troféus internacionais. Esse é o meu maior espanto.

Nem o penalti falhado de Danilo, e a angustiante repetição de maus passes, da falta de fio de jogo, da perda de capacidade de drible, dos maus cruzamentos, da deficiente pressão e a atrapalhação geral, me faz colocar nas costas dos jogadores a responsabilidade por tanta incompetência. Neste contexto específico, a responsabilidade pertence exclusivamente ao treinador, agora no da contratação do treinador, a culpa vai toda para a SAD e para o Presidente Pinto da Costa. Foi um flop e dos grandes!

Com esta derrota, se o treinador não se demitir ou não for demitido em tempo útil, o FCPorto arrisca-se a fazer a pior época dos últimos anos e a deixar de receber as preciosas verbas da Champions com que costuma financiar-se. Mesmo porque quem vier a seguir [se vier] para ocupar o lugar do actual treinador, terá uma tarefa muito ingrata para resolver, que consiste na dupla responsabilidade de recuperar a equipa técnica, táctica. e principalmente, psicologicamente!

Agora é a valer, enquanto Paulo Fonseca for treinador do FCPorto não vejo mais futebol.



Porto Canal - Homepage

OUTRA DECEPÇÃO!

Bem podem os dirigentes portistas reclamar das reacções de desagrado dos adeptos que ninguém lhes dará razão, exceptuando talvez o pessoal assalariado que vive à custa do clube e não quer desagradar à entidade patronal que lhes paga. Aliás, creio que tirando uns quantos energúmenos que nunca estão bem com a vida que têm, os adeptos, incluídas as claques, são quem mais tem apoiado o clube em todas as modalidades, mesmo quando as coisas não correm bem.

Por falar em pessoal assalariado, confrange ouvir os comentários posteriores aos jogos no Porto Canal. Então, José Fernando Rio, o comentadorde serviço, usa e abusa na forma como branqueia as últimas exibições do FCPorto. Para ele o FCPorto nunca merece perder e tem sempre azar. É impressionante como este canal se está a parecer com os canais lisboetas! Ontem, por exemplo, no mesmo momento que a equipa exibia uma das piores exibições de sempre, o Porto Canal mostrava pela enésima vez o golo do Kelvin que deu a victória sobre os vermelhos e o campeonato sobre a linha ao sortudo do Victor Pereira, o que em vez de animar os adeptos, ainda os irrita mais.

Lamento ter de dizê-lo, porque respeito o trabalho de Pinto da Costa como poucos, mas considero que, a par do futebol, os erros de casting estendem-se à escolha de Júlio Magalhães para director geral do Porto Canal. Sugiro àqueles que já desistiram de sintonizar o canal que lá voltem para verem a seca que oferecem aos espectadores com gravações constantemente repetidas, sem apresentarem um simples pedido de desculpas. Mas o pior, é que, enquanto nos impingem gravações, falham redondamente na informação sobre a transmissão dos jogos das modalidades.

Se cada vez que sintonizo o canal me impingem imagens de programas repetidos à náusea, por outro lado quase omitem o que mais interessa aos espectadores, como por exemplo o horário dos jogos das modalidades, que esses sim, deviam ser mais divulgados. Por essa razão vi-me privado de assistir ao fantástico jogo de andebol e à consequente victória sobre os dinamarqueses do Kolding.

A direcção do canal anda alheada destes problemas e parece estar mais interessada em chamar ao canal políticos fracassados [quererá regenerá-los?], ou os betinhos da socialite lisbonense, do que informar os portuenses e os nortenhos em geral dos temas que lhes interessam. Sobre questões relacionadas com a regionalização, já não se fala mais...

Eu que tanta esperança tinha, e que até elogiei inicialmente este projecto, apesar de mal o conhecer, sinto-me completamente defraudado. À imagem da actual equipa de futebol, o Porto Canal é um canal de televisão sem vida [apesar da alegre Maria!], sem alma, nem conteúdo. Pobre, paupérrimo!

Afinal, quanto estará a ganhar Júlio Magalhães no Porto Canal para não se envergonhar de escrever para um pasquim que odeia o FCPorto, como é o Record?

28 novembro, 2013

Criticar o FCP construtivamente

Opostamente ao que se diz, o FCPorto da era Pinto da Costa não habitou mal os adeptos, habituou-os até muito bem, isto é, a ganhar. Sempre gostava de saber se haverá clube ou dirigente que não queira criar esse "vício" nos seus adeptos...

Quando digo ganhar, não estou só a falar de jogos, falo de ganhar troféus, campeonatos, dentro, e fora de portas. Ah, e contra vários adversários, além dos tradicionais que jogam futebol, também contra uma comunicação social sectária  e manipuladora, com epicentro em Lisboa e várias sedes no resto do país. Se lutar contra todos estes adversários com armas tão desiguais e mesmo assim vencê-los não é tarefa árdua, e por isso louvável, então o que será?

É deste lado complementar do problema que muitos adeptos portistas se esquecem quando as coisas começam a correr contra o que vem sendo habitual, que  é ganhar e jogar bem, e desatam a bater em tudo e a duvidar de todos, incluindo do melhor [e menos rico] presidente de clubes de futebol que há no mundo. Sem se darem conta, criticando destrutivamente o clube, não estão mais que fazer o jogo dos nossos adversários, para não dizer talvez de forma mais apropriada, inimigos.

Basta ler o que venho escrevendo ultimamente sobre o FCPorto para se ver que, como adepto portista também não estou a gostar do futebol actual do clube, que também faço as minhas críticas. Afinal, mais não é do que a expressão sincera do que penso da situação, que consiste, resumidamente, em responsabilizar as partes por ordem hierárquica. Agora, mesmo discordando de uma ou outra má decisão, a gratidão pelo que já fez Pinto da Costa pelo clube, manda que o bota-abaixismo fanático não faça parte do "cardápio"...

Mais do que no futebol, é na comunicação - agora, que o clube dispõe de um canal de televisão -, que a estrutura directiva está a falhar. É uma ferramenta preciosa que não está a ser devidamente aproveitada para fazer mais e melhor, mesmo no âmbito dos conteúdos desportivos. Diria mesmo que o Porto Canal de Júlio Magalhães está em certos aspectos, pior do que quando era dirigido por Bruno de Carvalho, que ainda por cima é benfiquista... Falta um contraditório saudável, faltam novos programas, criatividade em full-time.
                                                                                                                                    

26 novembro, 2013

Um FCPorto irreconhecível

Não é esta a imagem de marca do FCPorto
Uma vez mais ficou provado que o FCPorto de Paulo Fonseca está totalmente descaracterizado dos aspectos principais do seu ADN: não tem confiança, não joga, não controla, não marca, nem impõe respeito ao mais débil dos adversários. Os eternos "optimistas" dirão que não é bem assim, que estarei a exagerar, mas eu que sou realista digo as vezes que forem precisas, este Porto pertence ao passado, ao tempo  anterior a Pinto da Costa.

Não posso aceitar que um treinador diga publicamente que os jogadores pecaram na finalização sem perceber que é da sua responsabilidade a resolução desse problema como de todos os outros, sejam eles de ordem técnica, táctica como psicológica.

Mais uma vez, os jogadores entraram completamente nervosos, temerosos, o que significa que P. Fonseca também não sabe prepará-los psicologicamente, nem motivá-los mesmo para os jogos de menor importância. Agora, a Champions é quase uma miragem, só um milagre tornará a manutenção uma realidade.

Sendo eu um grande admirador de Pinto da Costa por tudo o que de bom trouxe ao clube, tenho de admitir que a aposta neste treinador, de recurso ou não, está comprometida. Talvez tenha chegado a hora de mudar o paradigma dos treinadores baratinhos do tipo aposta de totoloto, porque os tempos são outros e não se compadecem com riscos desta natureza.

Estamos ainda na frente no Campeonato Nacional, é verdade, mas já tivemos os adversários principais mais distanciados e as últimas exibições são tudo menos promissoras para o futuro. Temos a Taça de Portugal e a "Lata" da Liga, portanto, ainda não está tudo perdido. Agora, resta-nos aguardar pela metamorfose milagreira de acabar com o futebol feio e medroso da actualidade, para passarmos a jogar com inteligência e sangue na guelra. Não sei é se o conseguiremos com este treinador.


PS-[longo...]

Há uma onda de comentadores da blogosfera portista que sustentam a opinião de que esta época o plantel do FCPorto é inferior em qualidade ao da época transacta. Pessoalmente não tenho essa opinião. Salvo um ou outro caso, o problema não está no valor do plantel, está nas competências do treinador.

Penso que o "fenómeno" Mourinho gerou uma onda exacerbada de fanfarronice sobre a qualidade dos técnicos nacionais que contagiou a maioria dos clubes, inclusivé, o FCPorto, sobretudo desde que venceu a Taça UEFA, e a Champions, ao serviço do nosso clube. A partir daí, a comunicação social tratou de endeusar aquele que antes odiava, acrescentando ao conto demasiados pontos à qualidade dos técnicos portugueses. Tipicamente portuga...

Se me disserem que o recurso à "prata da casa" na contratação de treinadores nacionais se deve exclusivamente a factores de ordem económica, compreendo, agora se não fôr esse o caso, não penso que os treinadores portugueses sejam melhores que os demais. 

Claro que o Mourinho é um excelente treinador, que o Vilas Boas também o é, e que o Fernando Santos chegou a seleccionador da Grécia. Mas outros há tão bons ou melhores que eles. Aliás, na minha opinião, o melhor que os treinadores portugueses têm [não todos, como é óbvio], está na vertente táctica e estratégica. Tecnicamente, não acredito que tenham grande capacidade para "trabalhar" os jogadores. 

Além dos passes errados, das desmarcações imperfeitas,no FCPorto actual, há uma pecha antiga nos jogadores portugueses que nenhum técnico nacional foi capaz de resolver até hoje, que é ensiná-los e mentalizá-los a chutar sem preparação, como se vê em Espanha, na Alemanha e na Inglaterra. Este aspecto técnico é muito importante porque em certos jogos em que as equipas se fecham sem conceder tempo e espaço para preparar o remate, como se viu no jogo de ontem, saber rematar de primeira pode resolver jogos.

Não gosto de contrariar por contrariar, mas sou avesso a unanimismos e a verdades imutáveis. Quase tudo pode ser melhorado e reinventado. O futebol não é uma ciência exacta, por isso só vencem os mais criativos, os mais ousados. Ora, não me parece que 5 mêses seja tempo insuficiente para testar as qualidades como treinador de Paulo Fonseca. 

Já alguém referiu, plagiando Camões, um mau treinador pode fazer má uma boa equipa. Parece-me ser o caso. É impossível dissociar o trabalho dos jogadores das (in)competências do técnico, quando sabemos que os mesmos jogadores que ainda há poucos meses eram muito elogiados, agora passaram a ser contestados por alguns adeptos. Se as chicotadas psicológicas não são solução, também não o é deixar um cadáver espernear até à morte, para depois o tentar salvar.  
 

Ramalho Eanes, o Presidente respeitável

Gen. Ramalho Eanes
Li, no JN de hoje uma declaração de Pinto da Costa em que dizia que o antigo Presidente da República, General Ramalho Eanes: "é o português vivo que mais admiro. Será sempre o meu presidente".

Nem sempre entendo os padrões de Pinto da Costa para alguém poder merecer a sua consideração, mas desta vez percebo e concordo inteiramente com ele. Realmente, Ramalho Eanes é o que resta da dignidade exigível a cargos de tão alta responsabilidade como a de Chefe de Estado. Perto dele, só o Marechal Costa Gomes. 

Nem mesmo Spínola, com as manobras conspirativas da direita mais reaccionária e o seu MDLP [Movimento Democrático de Libertação de Portugal], se lhe compara. Eanes foi sem dúvida o mais respeitável, o mais valente e o mais democrata de todos os Presidentes da República, do pós 25 de Abril. Os outros, foram o que sabemos, simples mas vaidosos funcionários... Pouco mais do que isso.

Mas, nem o vazio de competência e de dignidade que se instalou nos mais altos cargos da nação fez mudar as coisas ou ressurgirem candidaturas promissoras. Basta darmos uma vista de olhos aos potenciais concorrentes a Presidentes da República para perdermos a esperança. Ei-los, ansiosos por imitarem o Cavaco:

Marcelo Rebelo de Sousa,  António Costa, Durão Barroso, António Guterres, Luis Marques Mendes. 

Já agora, por que não Sócrates?  Ou, Relvas? E por que não, Duarte Lima?  O povo é sereno, o povo é porreiro, o povo esquece...