17 novembro, 2014

Paulo Portas é o principal responsável pela vigarice dos vistos gold


Portas, o trauliteiro-mor da corte

Para mim, ideólogo obstinado por sociedades pautadas nos bons costumes, pela justa distribuição da riqueza - mas também por severas punições pessoais e políticas a violadores da Lei -, as offshores deviam de ser, pura e simplesmente banidas, em todo o mundo.     Quanto mais não seja, pela indecorosa demagogia que promovem, com a implícita desautorização dos Estados que as toleram. Podem engendrar os argumentos que quiserem, por mais sofisticados que eles sejam, os paraísos fiscais são a negação absoluta da dignidade de todos os sistemas institucionais e co-responsáveis pela degradação moral e cívica de qualquer sociedade. A tese da criação de postos de trabalho não passa de um cínico engôdo para branquear dinheiro sujo muito típica de certas classes pseudo liberais...

Essa, obviamente, não é a opinião de Paulo Portas - um tipo que nem para motorista me servia - a quem alguns portugueses acharam muita piada, a ponto de o guindarem para a cadeira do poder... Foi ele e o recém demitido Miguel Macedo (parabéns pela demissão) quem abandalhou as regras de acesso aos famosos vistos dourados, aligeirando as obrigações das candidaturas através  de uma habilidosa portaria [1161-A/2013], a pretexto de uma suposta maior competitividade relativamente a outros países concorrentes...

Antes de Portas, só podia candidatar-se ao visto dourado quem transferisse um milhão de euros, ou mais (em capitais),  quem criasse 30 postos de trabalho, ou comprasse bens imóveis no valor de 500 mil euros, e era obrigado a permanecer em Portugal 30 dias no primeiro ano, e 60 dias no ano seguinte. Com o "tolerante" Paulo Portas, estes períodos de permanência obrigatória passaram para 7 dias no 1º.ano e 14 no seguinte, e o número de postos de trabalho a gerar pelos "investidores" passou para uns fantásticos 10! Brilhante decisão! É de estadista mesmo! Portas transforma em ouro tudo em que toca...

Mais comentários, para quê?


Os números dizem tudo sobre o fomento de emprego: 

do total de 1775 vistos concedidos, foram aplicados:
                  1681 para compra de imóveis (que grande negócio!)
                      91 para transferência de capitais
                       3 para criação de empresas 
                       (importa agora saber, que tipo de  empresas, quantos empregados e com que salários)

16 novembro, 2014

Labirinto ou pântano?

José Mendes
Justiça e Administração Interna são os esteios do Estado de direito. Quando tudo o  mais falha  ou funciona mal, ao cidadão  comum  resta sempre  a segurança do valor  matricial  da sua  condição  de membro  de uma sociedade organizada. Aqueles  que controlam as  fronteiras da  terra pátria, que  registam  quem somos e  que  atestam o nosso  direito à propriedade privada  terão, necessariamente, de estar acima de quaisquer suspeitas.
O triste espetáculo dos vistos dourados parece ter posto estas premissas em causa. A Operação Labirinto é mais um episódio de um Estado que, para além de omnipresente, se transformou num pântano.
Aquilo que parecia uma boa ideia acabou por se transformar em (mais um) pesadelo. Captar investimento através da concessão do título de residente a cidadãos de países estrangeiros é uma variante das políticas de IDE (Investimento Direto Estrangeiro) que muitos países adotaram, sobretudo no contexto de abertura e globalização que se constituiu como paradigma do Mundo moderno. Paulo Portas, o vice-primeiro-ministro e autor da ideia, teve o seu mérito no lançamento da iniciativa. Contudo, o problema das grandes oportunidades é a sua operacionalização. E aí o Governo português falhou em toda a linha.
Não será novidade para ninguém que o Mundo está cheio de malfeitores e de dinheiro ilícito. Uns e outros procuram pouso seguro, leia-se enquadramento legal e administrativo que lhes permita existirem formalmente e sem riscos. Os destinos habituais destes "clientes" são offshores permissivos ou estados protodemocráticos que valorizam mais o cifrão do que o princípio. Neste quadro, o lançamento de um programa de vistos dourados capta de imediato a atenção de gente pouco recomendável, razão pela qual se impõe a criação de mecanismos de pré-avaliação, decisão e monitorização à prova de bala.
A experiência de programas similares em países do mundo desenvolvido varia entre uma maior permissividade de Espanha ou Grécia e um extremo rigor do Reino Unido ou dos Estados Unidos. Sabe-se que a concentração de gente e dinheiro problemáticos no Sul de Espanha, para dar apenas um exemplo, suscita preocupações que deveriam ter sido consideradas quando se avançou para o programa dos vistos dourados em Portugal. A medida não podia ter sido implementada sem que antes fossem operacionalizados os mecanismos necessários para prevenir um assalto como o que se terá eventualmente verificado. E jamais poderiam ser atribuídos vistos de residência com este enquadramento colocando tanto poder nas mãos de um par de pessoas. Este tipo de decisões são, por natureza, colegiais, justamente para impedir a instrumentalização de um agente público que se deixe seduzir pelo dinheiro fácil.
Uma simples monitorização do programa teria sido indício suficiente de que o mesmo se havia convertido numa porta aberta para a compra de vistos, sem intuito de materializar investimento reprodutivo. Com efeito, desde 2012, foram atribuídos 1775 vistos dourados, sobretudo a cidadãos chineses, sendo que apenas 91 corresponderam à transferência de capital e, imagine-se, só três vistos visaram a criação de emprego. Tudo o resto foi compra de imóveis, ao valor mínimo (sabe-se agora, frequentemente manipulado) de 500 mil euros. Ora, salvo melhor opinião, investimento significa a aplicação de capital em meios de produção, visando o aumento da capacidade produtiva e do emprego. Mas aquilo que aconteceu com o programa de vistos dourados português foi a troca de uma transação comercial de consumo por um direito de residência. Com a agravante de que este direito vendido pelas autoridades portuguesas não é integralmente nosso, já que habilita os compradores a circular sem restrições no espaço Schengen.
A Operação Labirinto, que pôs a descoberto uma alegada rede de interesses e favores apoiada em figuras cimeiras da administração pública, revela duas realidades. A primeira é que continuamos a ter políticos trauliteiros e impreparados, que apostam mais na foto e no soundbite do que no trabalho de casa que é necessário desenvolver para que o Estado cumpra a sua função de facilitador, regulador e fiscalizador. A segunda é a certeza (absoluta) de que continua a existir um Portugal corrupto, onde interesses privados e públicos se entrecruzam de forma ilegítima em praticamente tudo o que importa neste país. Um pântano destes começa a pedir uma revolução.
(do JN)

11 novembro, 2014

Líderes do Porto de costas voltadas é dar tiro nos pés, e na região

O respeito é um sentimento que muito prezo e que procuro seguir na minha vida quotidiana no relacionamento com os outros, particularmente com desconhecidos, porque também gosto de ser respeitado, e porque parto sempre do princípio que, até prova em contrário, todas as pessoas são respeitáveis. Sou assim, e faço questão de continuar por esse caminho. Pontualmente acontece cruzarmo-nos com certo tipo de pessoas cujas reacções nos levam a pensar que não sabem bem o que isso é, porque parecem confundir atitudes gentis e de boa educação, com subserviência, interiorizando estupidamente que lhes é devido um respeito especial. Isto passa-se nos transportes públicos, na rua, em quase todo o lado, mas nota-se com mais evidência quando circulamos nas nossas viaturas e atenciosamente cedemos a passagem a tipos que circulam em carros majestosos todo-o-terreno e similares, e eles nem sequer se dignam agradecer.

Tais comportamentos exercem em nós um efeito de dominó negativo que logo nos leva a arrependermo-nos de termos sido educados... Portanto, é importante não confundir comportamentos. Sou pela boa educação e pelo respeito, mas fecho as portas das boas maneiras a todos os arrogantes mal educados que se me atravessem pelo caminho convencidos que os sinais exteriores de riqueza lhes conferem qualquer ascendente sobre os outros. Nesses momentos gostava de ter tempo para lhes tirar uma foto para depois as exibir num local público com estas palavras: atenção, este carro é caro, mas o gajo que o conduz é uma grande besta! Portanto, aqui está uma explicação resumida também para o desprezo e para a negação de respeito, relativamente a certas figuras públicas que tomaram conta do país e que não me furto a identificar. 

Aqui chegado, pouco me resta para contar sobre o meu estado de espírito e o que sinto sobre o clima irrespirável que infesta o futebol português... Se as instituições do Estado já bateram todas no fundo, se a Justiça é a vergonha que sabemos, se a Educação deseduca e promove a emigração, se a Economia está de rastos e a Saúde deporta os seus clínicos, se o país está falido e hipotecado à banca internacional, enfim, se os governantes não governam e se o Presidente da República não preside, apenas se preocupa com a pose e consigo próprio, como podem funcionar as instituições desportivas? Um desastre, claro! Uma miséria! Uma vergonha, um autêntico antro de prostituição desportiva!

Sei que não estou a dar nenhuma novidade. Mas nós, portuenses, o que fazemos? O nosso clube o que faz? Onde está aquele homem temerário chamado Pinto da Costa, que nada deixava passar-lhe ao lado se soubesse, ou suspeitasse, que estavam a tentar prejudicar o FCPorto? Porque é que em vez de apontar baterias a Rui Moreira, seu conterrâneo e portista, por escrever no Correio da Manhã, não aponta para alvos mais pragmáticos? Eu também discordo, nem acho que Rui Moreira ganhe grande coisa por escrever nesse pasquim (só perde), mas se Pinto da Costa quer provar com isso que é mais criterioso que ele quanto aos orgãos de comunicação social que elege para falar, então não entendo por que é que foi à RTP (e à SIC) já depois do muito mal que lhe fizeram a ele próprio (Apito Dourado) e continuam a fazer ao FCPorto. Se o critica por isso, Moreira também o pode criticar por ter escancarado as portas do Porto Canal a gente que vimos ainda há bem pouco tempo falar tão mal dele, como os Malheiros, os Salas e as Maias feiticeiras, e outros do género...  Tão pouco aprovo que Rui Moreira tenha deixado o lugar que ocupava no Dragão, e ainda menos a história infeliz do portista e do portuense. Ambos, estão a agir mal e voltados para o lado errado do problema, ambos estão a promover uma guerra patética que não serve a ninguém, excepto os centralistas. Convenhamos, há que recuperar o bom senso. Entendam-se, cavalheiros!

Sempre admirei Pinto da Costa e o defendi, talvez no pior momento da sua vida, mas também acho uma perda de tempo (e de energia) o sentido que ele está a dar às suas "lutas" e à definição dos seus adversários, precisamente num momento em que todos os portistas mais anseiam por sentir que ele está bem vivo, combativo, que ainda não esmoreceu para se opôr ao centralismo mais feroz e descarado que se instalou no futebol nacional... Tão, ou mais descarado, que o saque do governo de Passos Coelho na bolsa dos portugueses.

10 novembro, 2014

Há, ou não há, liderança no FCPorto?



Desde praticamente as primeiras jornadas da 1ª. Liga que venho alertando a directoria do FCPorto  para a urgência de nomear alguém com respondabilidades que possa corporizar a voz do clube para assuntos relacionados com a nomeação de árbitros para os jogos disputados pelo clube e dos adversários mais competitivos. Esse alguém, devia ser Pinto da Costa, por ainda ser ele o Presidente e também por ter sido ele sempre a dar "o corpo às balas" e a defender o FCPorto quando tal se tornava necessesário. Acontece que, como todos já se aperceberam, nos últimos tempos, Pinto da Costa parece não estar para aí virado, sejam quais forem as razões que lhe assistam.

Contudo, nunca como agora, o FCPorto teve e tem motivos para falar, para denunciar, alto e bom som, a discriminação negativa a que tem sido submetido pelas arbitragens em quase todos os jogos, em flagrante contraste com a protecção e o claro favorecimento promovido ao Benfica. Não me lembro, desde que acompanho o FCPorto (e já são muitos anos), de assistir a uma tão descarada cumplicidade entre os árbitros e o Benfica como agora, e ela sempre existiu, como sabem... Em contrapartida, é neste preciso momento que Pinto da Costa resolve não protestar... Se isto não é estranho, o que será então? 

Pois bem. Se é esta a linha de conduta que a Direcção do FCPorto decidiu escolher para levar até ao fim do campeonato, se não ousa dar um murro na mesa para dizer basta, garanto-vos desde já que o campeão já está decidido, e nem preciso de vos dizer quem é. O FCPorto não será campeão, nem dentro, nem fora do campo.

É claro que, para os nossos adversários, este meu discurso não passa de uma forma enviesada de redireccionar a má prestação da nossa equipa no jogo de ontem com o Estoril, que a culpa devia ser atribuída ao treinador, etc., etc. Mas com a opinião dos nossos adversários directos posso eu bem, porque sei perfeitamente do que a casa deles gasta em termos de integridade e de fair play. Temos provas do que afirmamos, físicas e tecnológicas, não temos embustes nem manipulações dos media seus serviçais, e muito menos a cumplicidade de árbitros de espinha retorcida.

A questão do nosso treinador só a nós respeita, e quanto a isso sabemos muito bem quando lhe devemos reconhecer o mérito ou não, é cá entre nós. Agora, se mesmo com a intermitência da nossa equipa temos apenas 3 pontos de atraso dos vermelhos, em que lugar estaria a FCPorto se não fosse a acção predadora dos árbitros contra o nosso clube e persistentemente favorável, quase servil, a favor deles? No mínimo, teríamos uns 6 pontitos a mais... Isto, mesmo levando em conta os jogos mal conseguidos da nossa equipa.

Resumindo e concluindo: mais que Lopetegui, mais que as prestações oscilantes da equipa, mais do que tudo o resto, a minha preocupação principal é a passividade do FCPorto e da sua estrutura directiva face a estas graves situações. Isso para mim é um verdadeiro caso de estudo.

  

08 novembro, 2014

Porto Canal renova a Direcção de Informação e Programação

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Não sei se o anunciado neste clipping do JN será, uma boa, ou uma má notícia . 

Antes de mais, porque não sei se Ana Guedes terá perfil para a cargo de directora de informação. Sei que enquanto jornalista Ana Guedes tem uma excelente presença e experiência q.b. para desempenhar sem dificuldade o novo cargo, mas isto é tão só uma opinião impressionista. 

Quando a Paulo Ferreira, vou esperar para ver, dado também não poder extrapolar uma opinião cabal sobre os seus dotes de programador e director, apenas baseado no conhecimento dos seus artigos no Jornal de Notícias. 

Mais preocupante para mim é a anunciada dispersão do capital ainda que até aos 45%...É que, se por um lado a busca de accionistas no capital do Porto Canal em empresas nortenhas parece uma ideia interessante e uma maneira de reduzir os custos do investimento, por outro, poderá condicionar a liberdade editorial. Basta perceber o que acontece com o JN, que apesar de ser o único jornal nortenho ainda "vivo", não deixa de obedecer ao que os administradores ditam. 

Por último, gostava de acreditar nas competências de Júlio Magalhães, enquanto Director Geral. Mesmo sabendo que não terá tido as melhores condições para fazer do Porto Canal aquilo que todos esperávamos e de fazer algumas cedências ao centralismo, acho que podia e devia ter feito muito mais. Até porque, alguns dos erros da sua gestão foram demasiado básicos para merecerem atenuantes. 


  

05 novembro, 2014

Da porca da política, mais do mesmo

Não dispondo de momento de tempo para mais, relevo apenas essa coisa "inusitada" nos políticos, neste caso António Costa do PS, mas que podia ser de qualquer outro partido, que é falar da regionalização ou de qualquer coisa parecida com isso (o que é preciso é sugerir), com a aproximação das eleições parlamentares. O oportunismo é tão previsível quanto descarado, mas eles, como políticos de pocilga que gostam de ser, não se importam, porque nas suas cabecinhas geniais, já interiorizaram que é assim que é, o que equivale a dizer que olham para os eleitores como quem olha para um grande rebalho de cordeiros. Mesmo que tenham razão, porque de facto os portugueses levam muito tempo a encarar a realidade, não deixa de ser uma sacanice, um sinal claro de falta de respeito pelo povo.

Os portugueses continuam sem perceber que o problema da nossa democracia (e volto a dizer-vos que sempre que exprimo esta palavra me soa a falso) não se resolve com a criação de novos partidos, mas sim com uma maior responsabilização pessoal e política de quem os representa, principalmente quando estão no poder. Senão, tirem as dúvidas na próxima campanha eleitoral e vejam se há algum partido a propor algo semelhante de forma verdadeiramente comprometida.

Off topic:
Quero ver logo à noite no S. Mamés, um FCPorto pressionante de início, começando logo na linha da frente e a terminar no guarda-redes. Tenho algumas dúvidas que isso venha a acontecer, porque me parece não ser muito do gosto de Lopetegui. Para mim, ao contrário da rotatividade e das quaresmices lisbonárias, o problema do FCPorto desta época reside só aí.

01 novembro, 2014

O espetáculo deprimente da Justiça

Paula Ferreira
São apontados como responsáveis pelo crash que deixou 44 dias os tribunais portugueses moribundos: um especialista em Ciência Política, outro em Marketing. Paula Teixeira da Cruz encontrou os rostos que, parece acreditar a ministra da Justiça, diminuem a sua responsabilidade política. As notícias vindas agora a público devem dar que pensar. O Estado, esse pequeno monstro que para tudo pede pareceres, cria grupos de trabalho e comissões pagas a preços de ouro - dizem até ser essa uma das explicações por que a despesa pública não emagrece - entregou a um indivíduo, que entrou na PJ como segurança e, em dois anos, ascendeu à direção do Departamento de Arquitetura de Sistemas do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, a gestão do sistema informático do Ministério da Justiça.











Bem pode Paula Teixeira da Cruz usar a velha fórmula de pedir que a Justiça investigue e daí lavar as mãos. Antes disso, a senhora ministra deve uma explicação ao país, aos cidadãos. Esta novela leva já episódios em demasia e cada um mais deprimente que o anterior.
Deixem a Justiça investigar. Se de facto houve sabotagem, como Paula Teixeira da Cruz deu a entender, é muito grave. Todavia, antes de a Justiça chegar a alguma conclusão, a ministra, ou alguém por ela, tratou de crucificar várias vítimas. A Procuradoria-Geral da República há de chegar a alguma conclusão - no limite, arquiva o caso. As responsabilidades políticas são outra coisa: nesse campo, esta ministra não tem tido limites para as chutar para canto.
No mesmo dia em que os rostos do colapso do Ministério da Justiça foram conhecidos, o JN relata mais um episódio de um outro crash. Nas escolas portuguesas, há alunos ainda sem aulas: há professores colocados de manhã e descolocados ao final da tarde.
Nádia Bastos, docente do primeiro ciclo, recebeu um e-mail a colocá-la no agrupamento de escolas de Carnide. A viver em Ermesinde, no concelho de Valongo, preparava-se para mudar para Lisboa com as duas filhas de três e cinco anos. Mulher prevenida, decidiu ligar primeiro para a escola. Poupou a viagem: pois a vaga já estava preenchida. A confirmação chegou mais tarde, novamente por e-mail, com um pedido de desculpa da Direção-Geral da Administração Escolar para que desconsiderasse o mail anterior. Era um erro informático.
É caso para perguntar quem serão os técnicos informáticos contratados pelo Ministério da Educação. Se o Ministério da Justiça escolheu um antigo segurança, licenciado em Ciência Política, e um especialista em marketing, sem qualquer formação em Informática, que razões teria o Ministério de Nuno Crato para não fazer o mesmo?                                                                                                                    
(do JN)


29 outubro, 2014

Uma gala sem sal nem pimenta. Chôcha!


Espero não surpreender ninguém se passar a falar menos de política e dos políticos. A paciência tem limites.

Se a política em si mesma nunca gozou de boa reputação, se anda justa e lendariamente associada ao mundo fétido das pocilgas, os políticos, por sua vez, pelo seu comodismo, por falta de brio, ou por mera incompetência, vão continuar naturalmente a ser comparados aos suínos que as habitam. Se não arriscam mais de si mesmos, se não querem comprometer-se a sério com os cidadãos além de verbalizar processos de intenções, que prometer para convencer o eleitorado, é porque não se importam muito de continuar a viver sob o estigma do curral. Nesse caso, por mim, podem esperar sentados, jamais lhes darei o meu voto. E podem à vontade tornar o voto obrigatório, que a minha decisão está tomada.  

Não é por acaso que os cidadãos tendem a concentrar-se no futebol e a afastar-se  da política. Os portistas, por efeito das muitas alegrias causadas pelos sucessos desportivos do clube nos últimos anos, em contra-ponto com o desprezo que os políticos têm lançado ao FCPorto e à cidade, acabaram por canalizar para o clube todas as expectativas, dado já não esperarem nada de positivo dos governantes. Pessoalmente, não perco um segundo a ouvir Passos Coelhos, Cavacos, Sócrates, Barrosos, Constâncios,  e toda a súcia que os rodeia, porque já interiorizei que nada de sério e importante pode sair daquelas bocas. E tenho a certeza que não estou errado. Por isso, prefiro falar do FCPorto.

Assisti a mais uma Gala dos Dragões de Ouro, e não gostei do que vi. Exceptuando a entrega dos troféus aos atletas e colaboradores, acho que em relação a anos anteriores a qualidade do espectáculo piorou. Os humoristas convidados não tinham piada nenhuma, e os cantores (rappers e fadistas) não tinham grande interesse. O único de jeito foi Jorge Palma (eu gosto), mas mesmo ele não esteve brilhante naquele "concentrado" minimalista de canções. A acústica não ajudou, e o público também não.  

Além disso, há efectivamente um aburguesamento instalado na estrutura dirigente do clube (não serão eles que contagiam o público?). Falta alguém - que não é Júlio Magalhães seguramente - que perceba alguma coisa de espectáculos daquela natureza, que transmita mais leveza e naturalidade ao evento. E falta essencialmente público que seja capaz de aportar mais  calor, vivacidade, alegria e espontaneidade ao ambiente. Há demasiado formalismo na entrega dos troféus, e tempos demasiado longos de silêncio. Curiosamente, ou talvez não, sempre o silêncio... 

Por que será que este clima não me espanta? Talvez por ser pública e notória a incapacidade do FCPorto encontrar alguém que perceba realmente de comunicação e saiba organizar eventos de carácter festivo, e não de espectáculos a lembrar outro tipo de cerimónias. Júlio Magalhães é um locutor de televisão, não tem tarimba de criativo. Aliás, nem sei porque foi ele o apresentador da cerimónia quando tinha no Porto Canal gente mais habilitada para a tarefa (mulheres, sobretudo!).

Sobre organização, no ambito do clube propriamente dito, o FCPorto dá cartas. Na comunicação, ainda não. E faz muita falta.

PS-Esqueci-me de citar a gafe mais grave em termos de televisão: a falta de pontualidade. O início do espectáculo propriamente dito estava anunciado para as 21H30, começou perto das 22H00. No Porto Canal isto é recorrente.

27 outubro, 2014

De que estás à espera Porto Canal?

Pinto da Costa perdeu a língua?

Não fosse a nossa memória, podíamos admitir - não sem estranheza, sublinhe-se - que o silêncio a que os dirigentes do FCPorto se submeteram, particularmente o seu presidente, se devia a uma qualquer estratégia inacessível às mentes mais simplórias.

Acontece que ainda temos memória, e o que ela tem para nos recordar para além das grandes victórias do FCPorto, é que Jorge Nuno Pinto da Costa, aquele presidente que os adeptos se habituaram a admirar, que nunca se furtou a falar à comunicação social sempre que percebia que o nosso clube estava a ser ostensivamente prejudicado pelas arbitragens parece outra pessoa.

Agora, que estamos mais que nunca a ser afectados por arbitragens desastrosas, de modo sistemático, jogo após jogo, e de forma escandalosa, com o consequente prejuízo na classificação do Campeonato Nacional, Pinto da Costa e a respectiva direcção, não dizem uma palavra! O que se passa? Estarão agora com medo? De quê, podemos saber? Estarão mal de saúde? Será esta mudez uma estratégia? A mim, até se me põem os cabêlos em pé só de imaginar que possa ser uma estratégia, porque por mais astúcia que reconheça ao líder portista, não vislumbro nesta indiferença, neste laissez faire laissez passer, nada que possa contribuir para uma boa gestão na carreira da equipa principal.

Ainda se vivéssemos num país de gente séria, de líderes políticos honrados e fiáveis, com um Presidente da República corajoso e interventivo, talvez pudesse admitir que salvaguardadas as respectivas provas, conseguíssemos rectificar a classificação geral e acertar as contas no fim do campeonato. Mas nós não vivemos nesse país. Estamos em Portugal, numa terra onde a palavra orgulho perdeu toda a expressividade e que apenas serve para ornar a carcaça dos gangsters que nos têm desgovernado. Para eles, que não sofrem na pele a voragem da "crise", faz sentido despertar o orgulho pátrio com ninharias, porque eles sabem muito bem o que fizeram de mal para o surripar da nossa alma. Por isso, pergunto: para que serve um Porto Canal ao FCPorto se não lhe devolve a voz que tivemos no passado sem ele? 

Pela enésima vez digo, que não me anda a agradar nada esta passividade dos dirigentes do FCPorto. Isto de responder em campo, ganhando, é muito bonito mas não resulta eternamente, porque as forças em causa são cada vez mais desiguais. Além de que, é profundamente injusto, desumano mesmo, exigir dos jogadores e do treinador do FCPorto performances que eles não podem dar. Com rotatividade, ou com ideias fixas, mais ou menos ortodoxas, o treinador só pode fazer o que lhe é possível, não tem capacidade para jogar contra equipas de arbitragens preparadas para, com maior ou menor subtileza, negar ao nosso clube faltas a seu favor, ou para as marcar deliberadamente contra. Não é nada, não é nada, mas os penálties são mesmo para marcar, quando e sempre que eles existem, não podem ficar condicionadas a caprichos de árbitros despudorados, quando toda a gente vê claramente o que eles fingem não ver.


Com este silêncio incompreensível, os inimigos do FCPorto e do seu presidente, podem bem concluir que a passividade de Pinto da Costa é o resultado e uma consequência do Processo Apito Dourado, que apesar de o ter inocentado perante os tribunais civis, conseguiu, ainda assim, um feito importante: silenciar o Presidente. 

24 outubro, 2014

As regiões na "armadilha constitucional"

Pedro Bacelar Vasconcelos


Socorrendo-me da opinião de António Cândido de Oliveira, assinalei aqui na passada sexta-feira a armadilha constitucional onde se pretendeu capturar a principal reforma da organização administrativa territorial que continua por cumprir: a criação das regiões.
Explicava aquele ilustre professor de Direito Administrativo que a revisão constitucional de 1998 conseguiu a proeza de, sem apagar as regiões da Lei Fundamental, condicionar a sua criação a exigências praticamente impossíveis de cumprir. Com efeito, a sua instituição concreta ficou dependente da realização de um referendo duplo - o único referendo obrigatório previsto pela nossa ordem jurídica! - e da sua aprovação pelo voto favorável de uma maioria definida com deliberada ambiguidade. Não satisfeitos com a imposição da prévia consulta popular, os redatores do novo artigo 256.º da CRP submeteram a criação das regiões a regras excecionais que agravam o regime comum dos referendos, previsto no artigo 115º da CRP.
O fracasso do referendo sobre a criação de oito regiões administrativas realizado em 1998 estava assegurado. O seu destino não teria sido diferente mesmo que se tivesse evitado a derradeira habilidade de retalhar as cinco regiões-plano que, na visão do legislador constituinte originário, desde 1976, deviam suceder a uma circunscrição anacrónica, desacreditada pela manipulação intensa a que foi submetida pela ditadura: o distrito. Com a revisão constitucional de 1989, as regiões-plano desapareceram da Constituição mas persistiram as cinco regiões de planeamento no âmbito das atuais Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional - cujo papel e competências não pararam de crescer desde a integração europeia, em 1986. Triunfou novamente a visão centralista e antidemocrática que pretende que a regionalização seria um luxo e que, apesar dos eventuais benefícios que a prazo pudesse trazer às populações, não existiriam atualmente os recursos financeiros disponíveis para suportar os custos da sua instituição imediata. A falsidade do argumento é todavia fácil demonstrar. Basta constatar o papel insubstituível que as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional continuam a desempenhar na gestão dos fundos europeus, sob a direção estrita e conforme os caprichos e conveniências do Governo de Lisboa.
As regiões não são um devaneio fútil para tempos de prosperidade e abundância. Pelo contrário, tal como aqui não nos cansamos de repetir, a regionalização pode ser um poderoso instrumento para suprimir as disfuncionalidades criadas pela multiplicação de órgãos desconcentrados dos ministérios - Saúde, Educação, Emprego, Segurança Social, Agricultura, Ambiente, Economia, Obras Públicas ou Administração Interna. A criação deste nível intermédio entre as autarquias locais e a administração central, no âmbito territorial das atuais Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, seria um fator de racionalização e poupança, um estímulo para o planeamento e o desenvolvimento económico e social, capaz de mobilizar recursos e libertar energias, combinando proximidade e diversidade, gerando complementaridades ignoradas, promovendo dinamismos virtuosos e fazendo emergir novos projetos e novos protagonistas. Nos corpos técnicos das atuais CCDR - com a experiência e as competências que desenvolveram - mais o que restasse de útil da extinção dos organismos desconcentrados dos ministérios, encontrariam os governos das regiões, eleitos pelos cidadãos, uma sólida estrutura permanente.
Um renovado ímpeto reformador deve marcar o novo ciclo da mudança política que já se iniciou e reconduzir ao centro do debate público as reformas ambiciosas de que este Governo desistiu ainda antes de as lançar... Desde que haja uma séria "vontade política", é possível avançar no caminho da criação das regiões administrativas, o que requer certamente muita imaginação e prudência para evitar a "armadilha constitucional" que, como sabemos, apenas em sede de revisão constitucional poderá ser definitivamente "desarmada".

23 outubro, 2014

De 0 a 10: quanto vale Rui Moreira

Paulo Ferreira
(do JN)

Rui Moreira acaba de cumprir o primeiro ano de liderança da Câmara do Porto. Há 12 meses, poucos seriam os que acreditavam na possibilidade de o então líder da influente Associação Comercial do Porto chegar à cadeira ocupada durante 12 longos anos por Rui Rio.

































O que pode dizer-se da gestão de Rui Moreira, findo o primeiro ano de mandato? Deve dizer-se que, excluindo os "casos" Daniel Bessa e Sampaio Pimentel, politicamente mal geridos, o concelho está bem e recomenda-se. De 0 a 10, Rui Moreira merece um 8. E porquê? Rapidamente: porque a cidade respira, hoje, muitíssimo melhor, está mais alegre e, logo, mais disponível para se construir como entidade e identidade; e porque, com a preciosíssima ajuda de Manuel Pizarro (PS), Moreira tem sabido tratar dos dossiês mais delicados com calma, paciência e determinação. Para rimar: falta resolver o Bolhão.
Ontem, numa entrevista à TSF, entre críticas certeiras à atuação de Cavaco Silva e repetidas análises ao desaconselhável estado da democracia portuguesa, vitimada pelo crescente hiato entre eleitos e eleitores, Rui Moreira jurou a pés juntos: "Não sairei daqui [Câmara do Porto] para outro cargo qualquer, não terei nenhum papel na política nacional a nível partidário ou a nível de Governo". Não há motivo para duvidar da palavra do autarca portuense. Mas há motivo para apostar (arriscaria dizer: singelo contra dobrado) na possibilidade de as circunstâncias se "imporem" à vontade de Rui Moreira.
Sobre o facto de estarmos a assistir ao nascimento de um novo ciclo político não restam quaisquer dúvidas. Os contornos do dito-cujo são ainda pouco nítidos - e por isso mesmo dados a muitas especulações e ao desenho dos mais variados cenários. Mas uma coisa é óbvia: os eleitores, em particular, e o povo português, em geral, estão cada vez mais disponíveis para ouvir o que têm a dizer políticos como Rui Moreira e cada vez menos disponíveis para ouvir o que (ainda) têm para dizer os políticos "do costume". Moreira não é um político "do costume". Ele sabe disso e constrói a sua imagem sobre isso.
Donde: está escrito nas estrelas que, mais cedo ou mais tarde, Rui Moreira começará a ganhar balanço para outros voos. Creio que será uma boa notícia.

20 outubro, 2014

Os portistas e o FCPorto de agora



Comparar adeptos que à mais pequena asneira da equipa começam logo a assobiar, ou a exibir lencinhos, com aqueles que sabem criticar construtivamente, é comparar um tijolo com uma catedral. Se esses "tijolos" andantes tivessem realmente miolos, de certeza que evitavam assobiar, porque a única mensagem que conseguem passar é que são intelectualmente limitados [para não dizer outra coisa]... São tão irritantes, que até irritam todos os outros portistas, quanto mais os jogadores. Curiosamente, portam-se como uns cordeirinhos quando os adeptos da equipa adversária cantam coros insultuosos em pleno estádio do Dragão ao presidente do seu clube. Mas que raio de gente é esta?

Só em situações extremas, de repetida negligência, de mau profissionalismo evidente por parte dos atletas e só depois de terminado o desafio, é que se toleram os assobios, mas NUNCA antes. Isto porque não sou daqueles que acham que se deve apoiar a equipa em quaisquer circunstâncias. Não. Se o aplauso existe é para transmitir aos jogadores gratidão e prazer pelo espectáculo que proporcionam aos adeptos, por isso não me parece indicado que se faça o mesmo quando a equipa não se empenha. Já me parece justo que se aplauda quando a equipa perde um desafio mas se percebe que os jogadores tudo fizeram para o vencer. Mas, se há displicência até ao fim de um jogo, aí sim, depois deste terminado, não me chocam nada os assobios. Que diabo, o futebol não tem de ser uma escola de masoquismo politicamente correcto.

Outra coisa muito comum nos comentadores da blogosfera do futebol é não aceitarem que outros comentadores mudem de opinião. É bom que se perceba que tudo tem o seu tempo. Se um novo treinador chega ao clube, se pouco se conhece do seu currículo, só temos é de ir avaliando o seu trabalho jornada após jornada. Ora, se por exemplo, Lopetegui inicialmente caiu na simpatia de grande parte dos adeptos, que viam nele qualidades no discurso e de liderança, sem se assustarem com a falsa questão da rotatividade, passadas algumas jornadas é natural que comecem a questionar essas qualidades, não só pelos resultados obtidos, como pela forma como essa rotatividade está a ser gerida. Se somando a isto começarmos a ver que Lopetegui não se limita a rodar o plantel mas também a deslocar com demasiada frequência os jogadores das posições onde são mais produtivos para outras onde não são, é natural que revejamos a nossa opinião, sem contudo deixar de apoiar o treinador, porque só não mudam os burros (esta é também para os portistas que nasceram com o assobio na boca)...

Por fim, embora já tenha abordado este tema outras vezes, continuo a pensar que no FCPorto está a faltar alguém que assuma no clube o papel de  "cicerone da mística" [passe o palavrão], alguém que seja capaz de em pouco tempo transmitir aos jogadores a realidade do clube, que ali as derrotas são para hibernar, não se toleram. O lindo museu é apenas um "gravador" visual de troféus e de imagens, não é a alma do clube, essa tem de ser passada por alguém que possua perfil para isso. No passado recente essa pessoa era indiscutivelmente Pinto da Costa, mas agora, por razões de  idade e sobretudo de saúde, já não é.

Urge pois encontrar alguém que faça essa papel, sobretudo quando chegam ao clube treinadores e jovens jogadores estrangeiros. Foi esse sentimento de ignorancia com a realidade muito específica do FCPorto que Lopetegui me transmitiu antes do jogo para a Taça de Portugal. Achei que falou com pouca ambição, sem mostrar para o exterior aquela vontade férrea de querer vencer o jogo. Os próprios jogadores também não me pareceram suficientemente conscientes de terem acabado de ser afastados de um dos troféus importantes da época. A forma conformada e demasiado amistosa como cumprimentaram os rivais, cujos adeptos tinham acabado de insultar o presidente Pinto da Costa pareceu-me desenquadrada com o que tinha acabado de se passar. Não gosto de arruaceiros, mas meninos de côro nunca deram bons "combatentes".

Este FCPorto, estranha-me. Espelha um curvar de espinha que na história da cidade e do clube não estávamos habituados a presenciar. A própria administração tem revelado uma moleza, um distanciamento face a muitas situações prejudicias ao clube que por vezes lembra a rendição consentida à prepotência dos adversários centralistas. Mais do que a equipa e o treinador, e dos próprios adeptos, pessoalmente, é com a direcção do FCPorto que me começo a preocupar.

Apesar do que acabei de dizer, para amanhã, espero que o treinador Lopetegui nos prove que a teimosia excessiva é um erro, e que é sempre a inteligência, casada com uma grande vontade de vencer, que faz os grandes treinadores.

19 outubro, 2014

Que se passa com o FCPorto pós Villas Boas?



Não sei já o que pensar do FCPorto dos últimos tempos. 

Depois de André Vilas Boas o futebol produzido nunca mais teve aquele cunho de consistência e de ambição que tantas alegrias transmitiu aos adeptos. Victor Pereira, o sucessor imprevisto, ainda aproveitou a embalagem do treinador anterior conseguindo ganhar 2 campeonatos, mas sem grande brilho, como se sabe. O seu futebol foi perdendo qualidade até se tornar numa espécie de tortura para os dragões, a ponto de ele próprio, apesar de portista, se tornar também quase insuportável... para os portistas. A seguir, veio Paulo Fonseca, e foi o que se viu, não mudou grande coisa. Entretanto, Paulo Fonseca partiu e chegou Lopetegui. 

Nos primeiros jogos, os adeptos até estavam confiantes, o treinador parecia ter ideias bem definidas, parecia ter capacidade de liderança e prometia acabar com algum vedetismo instalado na cabeça de alguns jogadores e colocar alguma disciplina no plantel. A nível nacional conseguiu manter-se no 1º lugar do campeonato nas primeiras jornadas deixando-se ultrapassar pouco tempo depois para ocupar o 3º. enquanto na Champions foi alternando bons resultados com boas exibições, guindando o FCPorto ao 1º lugar do grupo. Tudo isto debaixo de algumas críticas apressadas pela parte da comunicação social lisboeta e de alguns adeptos influenciáveis. Para compor o ramalhete foi alvo de uma telenovela inventada com Quaresma e de críticas maldosas pela forma como rodava a equipa.

A verdade é que, com  apoiantes e contra os críticos, Lopetegui foi revelando alguma dificuldade em estabilizar o futebol da equipa, a ponto de ressuscitar fantasmas do passado recente que já se imaginavam enterrados. Hoje, o jogo com o Sporting confirmou a instabilidade que se vinha pressentindo, o FCPorto não teve a alma, a autoridade que há muito o caracterizava, e perdeu...

As dúvidas regressaram outra vez ao Dragão. Que futuro nos reserva? Terá voltado a passividade da época passada? Iremos ser submetidos a mais um ano de futebol angustiante?

Muito estranho este Futebol Clube do Porto tenrinho e conformista. O desportivismo no Dragão só pode ser manifestado de uma forma: comendo a relva, se preciso for, e ganhar. Beijinhos e abraços aos adversários depois de uma derrota e no Dragão só mesmo para perdedores. Fair play sim, conformismo nunca.

10 outubro, 2014

Por favor, não fiem nunca mais os vossos votos!



Seguramente com a melhor das intenções, houve um comentador que escreveu na caixa de comentários do post anterior o seguinte; «continuem a achar que é por esta gente e pelos independentes que passa a mudança e estamos conversados».  

Pela minha parte, diria que também eu duvido da possibilidade de alguém se sentir independente depois de ter sido apoiado por um ou mais partidos políticos. Aliás, não existe a independência absoluta. Como tal, duvido igualmente que dentro dos próprios partidos haja essa independência. Cumplicidade e subserviência, sim. E duvido ainda que até os multi-milionários se sintam absolutamente independentes, embora muitos de nós não enjeitássemos estar no seu lugar... Numa sociedade onde, mais que a competência, é o capital que comanda as pessoas, é impossível ser-se independente sem abdicar do próprio direito de viver.  Posto isto, e pela experiência que em 40 anos de liberdade política consegui acumular - sem que tal liberdade significasse democracia - estou, apesar de tudo, mais inclinado a acreditar no indivíduo, no seu carácter e nas suas capacidades selectivas, do que nas organizações políticas da actualidade. Está visto, e revisto, que não funcionam em prol da sociedade. 

Existem as ideologias políticas, umas melhores que outras, onde os direitos humanos são mais vincados e defendidos, mas o problema delas é sempre o mesmo: o homem e as suas derivações para o caos. Creio mesmo que é isto que acontece com os militantes dos partidos políticos, quando passam do período de afirmação à fase do exercício do poder. Mudam rapidamente e esquecem tudo o que prometeram para convencer quem os elegeu. E como é sempre assim, deixei de contribuir para a manutenção deste status quo, não votando.

Há dias, quando casualmente ouvia  um fórum na Antena 1 [por sinal, muito concorrido],  não houve ninguém que poupásse críticas acintosas [mas justíssimas], ao actual governo e a anteriores. Toda a gente dizia aquilo que todos sabemos, mas ninguém falou do mais importante, que é a necessidade de começarmos a votar com algumas garantias, uma vez que, como está provado, a palavra dos políticos pouco ou nada vale. Uns, diziam que era preciso gente nova e e novos partidos na política. Outros, apregoavam que Marinho e Pinto é que era, que esse é quem devia governar. Mas, pergunto eu, quem lhes garante que Marinho e Pinto não os atraiçoará, como o fizeram Soares, Barrosos, Constâncios, Cavacos, Sócrates, Coelhos? 

Enfim, bem esperei que algum comentador do referido fórum dissesse o óbvio, que acrescentasse aquilo que o regime eleitoral vigente e a própria Constituição ainda não permite, nem se atreve: uma proposta de lei que confira ao voto a credibilidade que a palavra dos políticos não tem...

Por mais absurdo que pareça, a Banca não sendo grande professora para nos explicar como oferecer garantias, é sem dúvida a melhor das mestres para nos ensinar a exigí-las. Pois, a avaliar pelo silêncio, pela incapacidade de exigirmos mais segurança para as eleições, ou apenas para a sugerir, é isso que os cidadãos aparentemente consideram  menos relevante... Neste preciso momento dou comigo a imaginar o que os leitores dirão do que acabei de escrever e o que pensarão em surdina das minhas propostas (olha o iluminado, o gajo é maluco)...  

Okey! Vocês não disseram nada, mas admitindo que sim, que o aqui proposto vos parece demagógico e impraticável, que outra forma teremos para regressar às urnas sem nos sentirmos imbecilizados, sem corrermos o risco de confundirmos a urna de voto com uma   slot machine? Será pela cara, pela simpatia, pela teatralidade, pelo paleio dos candidatos? Se fôr este o caso, convenhámos que é ingenuidade a mais, já passou mesmo o patamar da burrice. Quarenta anos, meus senhores! Quarenta anos de trafulhices, de oportunismos, de traições, não bastaram para concluirmos que é um erro terrível creditar os políticos sem a mínima abonação?  

O maior de todos os demagogos é o político, o político dos novos tempos, talvez de todos. O problema, é que eles não são apenas demagogos...


08 outubro, 2014

Mau cheiro, é verdade. E para que servem os desinfectantes?














Jorge Fiel
Ninguém está a reparar no mau cheiro?



A minha filha Mariana casou com um americano. Antes de darem o nó e irem viver para Los Angeles, o Tom veio cá algumas vezes. Numa delas, foram por aí abaixo até Fátima, num Corsa alugado, para cumprirem uma promessa feita à mãe dele, que é de origem colombiana e muito católica. Quando iam a passar em Cacia, o Tom não disse nada, mas olhou para a Mariana com um ar tão espantado e horrorizado que ela teve de protestar a inocência das suas entranhas e atribuir à fábrica de celulose a responsabilidade por aquele cheiro fétido. Mas foi só na viagem de regresso, quando o mesmo mau cheiro voltou a invadir o carro no mesmo local, que ele ficou convencido - e presumo que aliviado.
Aqui há uns anos, numa visita, que meteu almoço, à Portucel de Cacia, não resisti a fazer a pergunta óbvia, e recebi a resposta não menos óbvia de que ao fim de que algum tempo se adquire uma total insensibilidade ao cheiro. Esta insensibilidade ao fedor tem, neste caso, o lado bom de poupar o pessoal da fábrica ao inferno de trabalhar num sítio malcheiroso (o cheiro está lá, mas eles não o sentem), mas tem um lado péssimo quando se aplica a todos nós, cidadãos, e está em causa a corrupção de políticos e militares, em assuntos tão nauseabundos, como o da compra, por mil milhões, de dois submarinos a um consórcio alemão liderado pela Ferrostaal.
Recapitulando e resumindo. No caso dos submarinos, os alemães provaram que houve corrupção, condenaram os corruptores e puniram a empresa com uma multa de 140 milhões de euros. Os gregos provaram que houve corrompidos e mandaram um ex-ministro para a prisão. Em Portugal? Cá não se passa nada, os dez arguidos do processo das contrapartidas foram ilibados e o relatório da comissão de inquérito, que é hoje votado no Parlamento, não conseguiu descortinar qualquer ilegalidade no processo.
Sou surdo de uma das narinas (tenho o septo nasal torto), mas apesar disso sinto que neste processo há uma data de coisas que não cheiram bem - e não estou só a falar dos 1,6 milhões de euros que o cônsul em Munique Jurgen Adolf recebeu da Ferrostaal para ajudar a vender os submarinos.
Durão Barroso, o primeiro-ministro do Governo que afundou mil milhões de euros na compra dos submarinos (e que nomeou o cônsul Adolf...), jura que nunca se encontrou com responsáveis da Ferrostaal, mas um dos administradores condenados na Alemanha garante que almoçou com ele na Baviera. Paulo Portas, o ministro da Defesa que assinou o contrato, afirma que nunca se reuniu com Hans-Dieter Mühlenbeck, mas este dirigente da Ferrostaal garante que se encontrou com ele na Fortaleza do Guincho.
O contra-almirante Rogério d"Oliveira jura que o milhão de euros que a Ferrostaal lhe depositou numa conta da UBS na Suíça são o pagamento de serviços de consultadoria. E já só cá faltavam os Espírito Santo, que nunca falham uma. A Escom recebeu a título de consultadoria (numa futura reencarnação quero ser consultor) recebeu 30 milhões de euros, que andaram a viajar pelas Ilhas Caimão, Bahamas, Suíça e Dubai. Os três administradores da Escom ficaram com 15, Ricardo Salgado distribuiu um milhão por cada um dos ramos da família, e quando interrogado sobre o destino dos restante dez milhões em falta, denunciou a existência de um sexto elemento: "Essa parte teve de ser entregue a alguém num determinado dia".
Não sei se hei de rir ou chorar com a insensibilidade da Justiça e da maioria parlamentar ao mau cheiro nauseabundo que exala do negócio dos submarinos. Mas quanto mais sei disto, mais vergonha tenho de ser português.

(do JN)

07 outubro, 2014

Sobre a atitude de Rui Moreira com o FCPorto...

... gostava de acreditar que, apesar de ter ocupado o lugar deixado por Rui Rio na Câmara do Porto em período de vacas magras, não se deixasse ficar refém da mesquinhez do seu antecessor e que (já agora) procurasse avançar com o projecto - eternamente adiado - da recuperação do mercado do Bolhão. É certo que algumas iniciativas interessantes para a cidade foram tomadas, o que se regista com agrado, mas também me parece ter havido um nítido afrouxamento relativamente à promissora Frente Atlântica... 

Pessoalmente, não encontro grandes afinidades entre os dois autarcas, por isso estranho a obstinação de Rui Moreira de recusar sentar-se na tribuna de honra do Estádio do Dragão. Não sei em que é que isso o poderá distinguir. Pelo contrário, só terá a perder se insistir em copiar o modelo agreste e anti-popular de Rui Rio. Primeiro, porque ele não é  Rui Rio, e depois porque nunca dá bom resultado imitar a personalidade de outrém. As imitações são sempre piores que os originais...   

Rui Rio pode ter sido um "herói" para os centralistas e lisboetas, pelas piores razões,  mas também foi um "herói" de Pirro para a maioria dos portuenses, que nunca vão ter motivos de vulto para se regozijarem com os seus dois mandatos. Pode não se ter envolvido em esquemas de corrupção, como outros, mas também nada fez para defender a sua cidade contra o centralismo. Foi um homem vulgar, do tipo Cavaco Silva.  

Curiosamente, além do ridículo episódio de promiscuidade com o futebol - e ridículo porque no automobilismo [que tanto ama] também a há - não tenho memória de ver Rui Rio preocupado com o promíscuo saltitar das cadeiras da política (que é a sua área) para as poltronas milionárias dos bancos e das grandes empresas protagonizado por muitos dos seus colegas de carreira, e de partido...

Para que não haja lapsos de memória, cito apenas alguns: Oliveira e Costa, de ex-Ministro da Presidência, Justiça e Defesa para Presidente do BPN (com a seriedade que sabemos), Rui Machete, ex-ministro dos Assuntos Sociais para Pres.Conselho Superior do BPN e da FLAD, João de Deus Pinheiro, ex-Min.da Educação e dos Negócios Estrangeiros para vogal do CA do BPP, Ferreira do Amaral, ex-Min.Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de V.Franca de Xira à Lusoponte) para Pres. da... Lusoponte.  São muitos, os promíscuos,  não são? Se for preciso também se arranjam mais...

Enfim, tanta matéria promíscua com colegas seus, e Rui Rio só teve olhos para o FCPorto prestando-se ao papel de corista sem rosto no miserável processo Apito Dourado! Que glória! Que épica empreitada! Pois para mim, não passou foi de um acto miserável de oportunismo político do qual nada terá para se orgulhar, se a história prestar justiça aos portuenses e se não for fantasiada por um desses escrivões avençados da actualidade.

Por isso, gostaria que Rui Moreira pensasse bem nisto e que saísse de vez dessa estranha concha  de independência para se dedicar mais à sua cidade e aos seus concidadãos. E porque não ao seu clube?

02 outubro, 2014

Carta aberta aos árbitros do nacional-benfiquismo, e não só...


Srs., cavalheiros do apito (verde-rubro):

Espera-vos uma árdua tarefa. Agora, que a Champions parece um sonho remoto, a roçar  o pesadelo, agora que ao clube dileto do regime poucas chances restam para lá se manter, vai ser necessário refinar o vosso reconhecido génio para a arte de representar. A palavra de ordem é: salvar o Campeonato Nacional, custe o que custar!

Porque, agora mais do que nunca,  o clube vai precisar muito de vós, da vossa competência, da vossa solidariedade, da vossa fidelidade canina, do vosso amor, e acima de tudo, do vosso incomensurável talento para fazer as coisas pelo outro lado. 

Por outras palavras, chegou a hora de dar ainda mais colinho aos *protegidos, sempre que as coisas correrem mal, e de levar no bolso muitos cartões vermelhos para expulsar os adversários, e instruir muito bem os bandeirolas para os colocar fora de jogo quando for preciso, mas sem dar muito nas vistas... Percebem? Fechar os olhos aos penaltis a marcar contra o Benfica, e arregalá-los amplamente se fôr a favor. Topam? Mas cuidado, não abusem, não dêem muito nas vistas. Está bem? Tudo tem de ser feito com muita subtileza, entendem? Não permitam que a vossa paixão vermelha vos denuncie demasiado, não marquem mais que 2 penaltis e 10 offsides por jogo, a favor do amado. Alternem um bocadinho as faltas, para disfarçar a coisa. De vez em quando, marquem umas quantas (nunca penaltis!) a favor dos adversários, mas de preferência longe da baliza abutre. Okey?

Agora, vamos à 2ª. parte da vossa missão, que é a mais pragmática. Não consintam que o FC Porto se aproxime do vosso clube amado. Não perdoem, sempre que um jogador do FCP tocar num jogador adversário, nem que seja num cabêlo, marquem logo falta para os pôr na ordem. Vocês sabem que os jogadores do FCPorto não jogam, só fazem faltas. E se não der muito nas vistas, mostrem o amarelo, mesmo que não se justifique. Assim, será mais fácil  mostrar  o vermelho a seguir, e atalhar o serviço. Ah, e não abrandem nunca. Não se importem de repetir a táctica mesmo no Dragão, porque [vá-se lá saber porquê], agora os portistas andam muito mansinhos e tolerantes com os roubos de igreja. É que eles já sabem que se espingardarem, vão ter logo a comunicação social em cima, a crucificà-los, a tratá-los abaixo de cão, e que depois a justiça desportiva fará o resto. Tornaram-se numas lesmas a reagir, e o que é pior, só sabem malhar no próprio clube, nos técnicos e nos jogadores. Ficaram meio masoquistas. Por isso, força neles! Ah, e não se preocupem com os comentadores das tv's do FC Porto , porque  esses também já foram devidamente sedados pela santa avença, e só dizem o que os moderadores (também eles amansados), permitem.  Se infringirem a regra do come e cala, já sabem que a porta da rua é o destino mais certo, e então lá se vai a avença...

Mesmo assim, sejam prudentes, porque, ou muito me engano, ou os comentadores do Porto Canal finalmente parecem ter arrebitado, andam mais espertos, mais corajosos. Já denunciam algumas das vossas habilidades, os vossos truques de magia, as vossas vigarices, e até já apresentam imagens dos lances duvidosos que os canais de Lisboa escondem quando prejudicam o vosso sempre eterno e amoroso clube.

Portanto, é assim: a causa é nobre. Continuem pois com o trabalho pelo outro lado, ajudem a paixão da vossa vida (e da carteira), mas tenham mais cuidado, esmerem-se, antes que os gajos lá do Norte, aqueles enjeitados, decidam sair da longa hibernação e comecem a desestabilizar (o regime).

* clube da saudação nazi

Nota de RoP:

Bem podia agora dizer-vos que fui premonitório, que bem vos avisei, mas nem é preciso. 
O apertão no pescoço a um jogador do Arouca de Maxi Pereira, em plena grande-área do Benfica, não mereceu (mais uma vez) qualquer punição da parte do árbitro e ainda o jogo estava empatado... 

Na razão inversa "o melhor árbitro português" fechou os olhos a uma grande penalidade (subtil) sobre o Alex Sandro (e ainda lhe mostrou cartão amarelo). Tudo coincidências de quem sabe como fazer as coisas pelo outro lado. Coincidências, e mania da perseguição dos portistas, digo eu.