08 outubro, 2015

O circo político vai começar, ou haverá juizo?

Os resultados das eleições não foram brilhantes para os partidos com tradição governativa. A coligação PSD/CDS já anda a cantar de galo como se tivesse obtido uma maioria. Confesso que, tendo-me tornado um abstencionista militante por imperativo de consciência, quero ver até que ponto a esquerda saberá, ou não,  explorar a almofada de conforto que a maioria conjunta dos 40,65% de votos conseguidos entre PS (32,38%) e PCP (8,27%), lhes permitirá apertar o governo e deixar Cavaco a fazer contas de cabeça. 

Não alinho pela conversa catastrofista dos que já andam preocupados com a hipótese de os dois partidos de esquerda se coligarem para derrubar o governo, e eventualmente ganharem novas eleições. E não alinho, justamente pelas mesmas razões que apontei no post anterior, porque não gosto de ser aldrabado nem de verdades impostas a martelo pelos que menos legitimidade têm para as impôr. Este, como o governo anterior, já deram provas ao país do que valem, nunca foram capazes de o governar satisfatoriamente. Bem pelo contrário, limitaram-se a sacrificar o povo obrigando-o a pagar dívidas que nunca soube como, quando, onde e com quem as contraiu.

A globalização e a crise económico/financeira tiveram o "dom" de fazer esquecer o povo que a Banca Nacional e Internacional e os países têm a governá-los pessoas, gestores pagos a peso de ouro para controlarem as oscilações dos mercados. Logo, são esses e apenas esses, que devem responder pela crise, não as populações que nunca foram tidas nem achadas para lidar com mercados monetários ou dívidas públicas, nem foram pagas para tal. 

Portanto, isto de pagarmos uma crise, com a qual nunca tivemos a menor noção de cumplicidade, são reles abusos de vários poderes políticos e económicos, internos e externos. Os supostos financiamentos para pagar dívida, são a trapaça do século. Quem quiser dar-lhe crédito político que lhe dê, eu ainda não vi qualquer sentido para tão macabra e abusiva colecta. De mais a mais, quando as instituições da finança mundiais têm pessoas com nome próprio a dirigí-las, e não uma abstractacção chamada  crise. A crise, não é mais que o resultado de uma situação muito  mal gerida, não uma calamidade natural. A crise,  não é uma entidade, nem pessoa colectiva, é a consequência de incompetências conjuntas de banqueiros e Chefes de Governo.

Voltando atrás, à hipótese de um eventual, mas improvável acordo político, entre PS e PCP, resta-nos saber em que pé ficarão as negociações (se as houver) com o Bloco de Esquerda. É que a percentagem de 10,22% corresponde 549.838 de eleitores somada aos 40,65% do PS e PCP, perfazem a bonita taxa de 50,87%, Como irá o PS lidar com este labirinto político-partidário, com as contradições ideológicas que o separam do PC e do BE? 

Terão os políticos dos partidos à esquerda do PSD coragem e sentido de Estado para se unirem e provarem aos respectivos eleitores que o país está em primeiro lugar? Antes dos caprichinhos interesseiros dos aparelhos?

Provem-nos que vale a pena acreditar nessa hipótese. 

07 outubro, 2015

Eu, abstencionista prevenido me confesso


Para as últimas gerações de políticos em Portugal - ou talvez para todas -, a última coisa que querem, é que os eleitores exijam responsabilidades severas pelas promessas feitas em campanha. Não será por acaso que durante toda a campanha eleitoral não se ouviu uma palavra sobre o assunto. E também já não espanta que nenhum jornalista se tenha lembrado de lhes colocar questão tão embaraçosa. Eles não estão para ultrapassar aquela linha limite de liberdade balizada no politicamente correcto e trocá-la pela liberdade absoluta de indagar aquilo que é realmente importante. Assim, tudo é mais simples. Mais uma vez se procura conservar a ideia que a "democracia" e as linhas que a regem em matéria de garantias são intocáveis, e ponto. Preferem habituar os cidadãos a encarar as eleições como uma espécie de jogo lúdico, fortuito, uma espécie de lotaria em que os políticos fazem o papel de números, do que correr o risco de lhes facultar o direito à fiabilidade na hora de votar. E tem de facto sido nestas precárias condições que  os eleitores se sujeitam a votar, sem nenhumas garantias.

Naturalmente que, para os interessados, é muito mais confortável terminar as campanhas eleitorais prometendo, ou então não prometendo nada, que apresentar garantias sérias de compromisso. Eu creio que os cidadãos eleitores ainda não perceberam que é essa a principal causa das péssimas prestações dos sucessivos governos pós 25 de Abril de 1974, e que explica também o sempre crescente abstencionismo. É também a nossa pouca exigência cívica que explica o falatório depreciativo contra os abstencionistas. É que, os abstencionistas assumidos (não confundir com negligentes), não dão votos, o tal papelinho precioso que, em vez de lhes facultar estabilidade social e económica, garante emprego e mordomias, aos carreiristas da política. Não se iludam, porque o que os políticos mais receiam não é a degradação da democracia, é a perda do cómodo caminho que escolheram para governar as suas vidas, porque governar a vida do povo nunca os comoveu. 

Há outro grande inconveniente nesse laxismo da classe política, que é continuarem a perder credibilidade enquanto classe. Pessoalmente, embora a eles me refira sempre de forma genérica, custa-me a acreditar que sejam todos uns malandros irresponsáveis, mas o facto de não se decidirem a purgar os respectivos partidos das suas "ervas daninhas", a par das más prestações governativas, faz com que, numa avaliação sintética, a má reputação se estenda a toda a classe, e se desvalorizem aqueles que individualmente deram o seu melhor. Surpreende-me que os partidos mantenham dentro dos seus quadros pessoas que só os envergonham, como é o caso, por exemplo, de Rui Gomes da Silva, e muitos outros, cujos líderes se recusam a assumir, face aos mesmos, uma postura crítica, quanto mais não seja perante os eleitores e perante a própria classe. Pelo contrário, calam-se como se o silêncio fosse a receita indicada para prevenir comportamentos similares no futuro. Não só não o fazem, como permitem que essas "ervas daninhas" se mantenham no activo, a conspurcar a classe  e a adensar a indignação da opinião pública.

Por ser recorrente a falta de auto-crítica nos partidos, e pela incapacidade de compreenderem as causas reais do abstencionismo, é improvável que a credibilidade político-partidária se robusteça nos próximos tempos. Quarenta e três por cento de desistentes votantes, não é o mesmo que 43% de eleitores sem vontade de votar. Salvo casos pontuais, pode até significar ser essa a fatia de eleitores mais conscientes. Deitar sobre as suas costas a responsabilidade pelos maus governos, é o mesmo que acusar a testemunha de um crime que outros cometeram de ser o seu autor, quando foram os votos dos eleitores que premiram o "gatilho" chamado voto.

A única maneira do eleitor se desvincular da acção negativa de futuros maus governantes, é simples: exigir garantias idóneas. E a única forma de um cidadão evitar cumplicidades convencionais com maus políticos e maus governantes, é a segurança que só o não voto permite.  O voto em branco, além de susceptível a manipulações (não há fraudes impossíveis), hoje em dia é pouco mais que ridículo.

De resto, a realidade dos resultados fala por si:  

  • Abstenções:          43% 
  • Votos em branco:   2,09%


06 outubro, 2015

Ou, para quem olha para (est)a democracia como para o Pai Natal


PARA QUEM AINDA NÃO PERCEBEU NO QUE ESTÁ METIDO

Há uma parte da oposição a este Governo e à coligação que ainda não percebeu no que está metida. Nessa parte avulta o PS, que acha que isto é um filme para 6 anos, ou, vá lá, 12 e está num filme para adultos, ou como se dizia antes, "para adultos com sérias reservas". Não, não é o Bambi, é o Exorcista ou o Saw

Tenho um bom lugar de observação da linha da frente no combate político com a actual "situação". Sei disso porque há muito tempo que conheço o vale-tudo, de artigos caluniosos a comentários encomendados em massa, até ao célebre cartaz anónimo, que não se sabe quem fez, nem quem pagou. Mas a mensagem é clara: não o ouçam porque é um radical violento. Tenho um processo instaurado pela "massa falida da Tecnoforma". Não digo "tenho sido vítima", porque não sou vítima coisa nenhuma, estou onde quero e faço o que entendo dever fazer. Se chovem paus e pedras, são para mim como elogios. 

Mas vejo as coisas porque percebo do que, do lado da coligação, se é capaz de fazer quando se lhes toca nos interesses vitais, e estas eleições tocam em demasiadas coisas vitais para não serem travadas com todas as armas, e algumas são bem feias de se ver. Agressivos de um lado, frouxos do outro. 

E vejo os exércitos juntarem-se, com armas e bagagens, muito ódio social, porque é um combate social e político que se vai travar e o ódio mobiliza as hostes, e muita agressividade. Do outro lado, salamaleques, um medo pânico de falar de "mudança", a quase total ausência de críticas ao Governo, o emaranhar-se em explicações e desculpas. Sempre na defensiva, sempre ao lado, sempre a perder. 

Uma parte da oposição prefere objectivamente que tudo continue na mesma para manter o bastião da identidade, outra passa o tempo em actividades burocráticas e escolásticas, para o interior das suas contínuas divisões, enquanto o "maior partido da oposição" se entretém a mendigar "confiança" certamente porque não consegue lidar com os rabos de palha que vieram de 2011. 

O caso do PS é parecido com aqueles generais franceses de luvas de pelica a almoçarfoie gras e champanhe, bem longe da frente, num castelo qualquer, com todo o tempo do mundo, enquanto os seus poilus morriam que nem tordos, ou fugiam para a retaguarda misturando-se com os civis, dependendo de que guerra se tratava. O modo como está o PS é devastador para toda a oposição, afecta as candidaturas presidenciais, permite o ascenso de candidaturas patrocinadas no seio do PS pela coligação, tem o duplo efeito de esmorecer e radicalizar, ambos processos de isolamento que abrem caminho para a assertividade e o espírito ofensivo da coligação. 

A propaganda da coligação, assente num castelo de cartas que ruirá ao mais pequeno vento, como aliás o ex-amigo próximo, o FMI, diz, não é desmontada com clareza e frontalidade, porque os compromissos nacionais e europeus do PS são demasiados.


Por seu lado, os portugueses que sofreram, sofrem e sofrerão a crise estão cada vez mais invisíveis. Não desapareceram, o seu sofrimento social aumenta com a passagem do tempo, mas não conseguem ultrapassar o ecrã do "sucesso" que 10 mil ministros e secretários de Estado fazem todos os dias. Num dia são as mulheres, noutro dia são as crianças, no terceiro dia são os velhinhos. É só caridade e bondade a rodos. Com a cumplicidade acrítica de muitos que na comunicação social andaram a louvar as virtudes do "ajustamento" e por isso selam o seu destino também com o destino da coligação. O PS, por sua vez, como andou estes anos todos a fugir da contestação social, continua a preferir os salões. 

(JPP/Sàbado)

Nota de RoP:
para os "coisas", comummente conhecidos por anónimos, replico esta frase do autor do artigo, na esperança de o fazer corar de burrice: 

"A maioria muito expressiva dos portugueses que recusam este Governo, um dado sempre constante nas sondagens, não encontra no sistema político uma resposta. E, mesmo que existissem novos partidos que dessem corpo a esse descontentamento, a maioria dos partidos representados no parlamento, não quer competição e encarrega-se de os calar na comunicação social, com a colaboração da comunicação social." 

02 outubro, 2015

Nem o Porto Canal quer saber da Regionalização

Imagem de perfil de Avelino Oliveira
Arq.Avelino Oliveira

Não faço suspense, a palavra a que me refiro é REGIONALIZAÇÃO. Como já estão divulgados os programas eleitorais dos principais concorrentes à governação, o do PS e o da coligação de direita, importa analisar, como sempre se faz aqui no Porto, a temática da regionalização. Devemos ler, linha por linha, o que ali se escreve, para melhor perceber as intenções. E numa coisa os dois programas são idênticos, a palavra REGIONALIZAÇÃO não aparece nenhuma vez. Na minha opinião, por razões bem diferentes, no caso do PS por pudor e para evitar divisões e no caso da coligação por profunda opção ideológica.
Ambos preferem utilizar o termo DESCENTRALIZAÇÃO. O PS usa-a 10 vezes, mas fá-lo essencialmente num subcapítulo chamado “DESCENTRALIZAÇÃO, BASE DA REFORMA DO ESTADO”, onde apresenta algumas propostas interessantes (embora discutíveis), como são as Áreas Metropolitanas eleitas por sufrágio universal, as CIM com mais competências, a reorganização dos serviços desconcentrados com alargamento da rede de proximidade através dos municípios e ainda a possibilidade de reversão da fusão de freguesias feita recentemente. A medida mais polémica é a proposta para que as CCDR’s sejam eleitas de modo indireto. Diz o texto que será votado o “respetivo órgão executivo por um colégio eleitoral formado pelos membros das câmaras e das assembleias municipais (incluindo os presidentes de junta de freguesia)”. Ou seja, a ideia de um governo regional com legitimidade dada pelo voto e por um programa político próprio desaparece, sendo substituída por esta reforma suave, que nem é carne nem é peixe, mas que me faz acreditar que poderá resultar em qualquer coisa. Pode ser apenas “wishful thinking”, como dizem os ingleses, mas, se o presidente regional for eleito com base num universo composto por todas as assembleias municipais, acho que vamos assistir a uma mudança significativa quando comparado com o que se passa atualmente.
No programa da coligação de direita, apesar das 12 referências à palavra descentralização, é difícil perceber o que querem dizer com isso. Desde logo pelo título do subcapítulo “APROFUNDAR O PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO”, que começa por nos tentar convencer que a dita já se iniciou neste mandato. Se o assunto não fosse sério até poderia dar vontade de rir, mas os exemplos dados são tão maus, tão maus, que retiram o bom humor a quem quer que seja. O texto fala da descentralização na área dos transportes (cujo processo é, como todos sabem, caótico) e continua sublinhando os projetos-piloto de descentralização municipal na educação, saúde e segurança social, o que ainda é pior, pois nem sequer os municípios da cor política do governo aderiram com afinco a tais iniciativas. Sobre novas propostas em termos de descentralização importa dizer que este programa da coligação é um “flop” total, tentando disfarçar com o programa Capacitar ideias tão pouco eficazes, e tão recorrentes, como são o “Erasmus autarquias” ou o “balcão único”. Conhecendo nós tantos sociais-democratas (e até um ou outro democrata-cristão) com pensamento consolidado nestes temas da reforma do Estado, ficamos com a convicção profunda de que este capítulo seguramente os embaraça.
A verdade é que tanto o PS como a coligação PSD/CDS fugiram da palavra REGIONALIZAÇÃO. Na minha opinião o PS não necessitava de o fazer, para não dizer que não devia fazê-lo, nomeadamente porque se se trocasse uma palavra por outra as propostas continuavam a fazer (algum) sentido.
Mas a ausência da palavra transformou a REGIONALIZAÇÃO num não-tema, num debate a evitar. E isso não pode ser. Haja coragem! Haja Porto!
(Porto24)

01 outubro, 2015

Do Chelsea para o Belenenses, o que irá mudar?


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Como é facilmente perceptível, tenho andado um tanto arredio da política e das campanhas eleitorais. Contrariamente àquilo que seriam as minhas prioridades naturais, enquanto cidadão, coloquei a luta pelos tachos nos partidos e no poder - a que alguns ingénuos chamam política -, num plano secundário. Para mim, a política é uma coisa demasiado séria que só deve ser encarada com seriedade se confiarmos nos políticos. Como deixei de acreditar neles já há alguns anos e não tenho motivos (até ver) para alterar essa posição, prefiro falar de futebol, não obstante a bandalheira que também o envolve, nomeadamente nos órgãos federativos e da Liga. 

É o que faz a contaminação negativa dos exemplos que nos chegam de quem tinha a obrigação de os dar pela positiva. Por isso (agora canto eu, menino Passos), que se lixem as eleições e os partidos! Até os pc's, os blocos e os marinhos não querem perceber o que se passa... Sim, porque esses, passados tantos anos, ainda não entenderam que o que falta a potenciais eleitores abstencionistas como eu, mais do que apresentar bons planos de governo, é a garantia da sua credibilidade. Votaria sim, no primeiro partido que percebesse isso, e que se comprometesse política, jurídica e pessoalmente (os partidos são agremiações de pessoas) com os eleitores. A palavra hoje não chega. Os bancos não financiam ninguém apenas com promessas e compromissos de palavra como garantia, e contudo, ainda há gente mais honesta que os bancos. Só que, os políticos não são honestos. Se acham que são, que o provem. Ponto final.

Falemos pois de futebol. Domingo o FCPorto joga em casa para o Campeonato com o Belenenses. No subconsciente dos portistas (de todos, diria sem risco de me enganar) paira ainda a expectativa de saber se é desta que a equipa de Julen Lopetegui vai arrancar solidamente para uma época de glórias e bom futebol. O jogo e a exibição com o Chelsea provaram outra vez que a bipolaridade da equipa está directamente ligada com as competições que disputa. Para consumo interno, a grande equipa que vimos jogar contra o Chelsea, encolhe-se e enfrenta os clubes pequenos como uma pequena equipa. Não ataca em profundidade, não pressiona nem cria dinâmicas. É uma pasmaceira. Para a Champions, veste (e bem) o fato de macaco, percebe que, para ganhar, tem de ir para a frente, tem de estar concentrada, acelerar à procura dos golos porque o relógio não perdoa. 

Ora, conhecendo o treinador do FCP a forma ultra-defensiva como os adversários jogam no nosso campeonato, será que ensaia nos treinos jogos (meínhos) com essas características? Dará ele instruções uma das equipas, depois de dividir o plantel, para jogar completamente fechada esperando erros do adversário, e explica à outra que ataca as dinâmicas ofensivas para ultrapassar o ferrolho? Se assim faz, não parece. Se não o faz, está errado.

É que, não há como contornar este dilema. Ou Lopetegui prova aos adeptos que percebeu finalmente o que se tem estado a passar (e isto já vem da época passada), determina dentro de portas instruções claras aos seus pupilos o que quer que eles façam - e também do que não quer -, e é assertivo a sentar no banco os que eventualmente não cumpram as suas ordens, ou insiste neste futebol lateralizado, lento e sem profundidade que tantos sustos nos tem pregado, e a ele próprio também. Tem de insistir em certos parâmetros comportamentais como quem instala um chip.

Mentalizar a equipa a procurar o segundo golo com a mesma intensidade que buscou o primeiro, convencê-los que um golo de diferença só serve para dinamizar o segundo, e não para o guardar como se fosse uma jóia adquirida. Está provadíssimo que sempre que o FCPorto segue essa regra, de defender o golinho com passes tímidos para trás e para o lado, roçando muitas vezes os pés dos adversários, o "ladrão" moraliza-se e acaba por marcar. 

Há que acreditar no talento dos nossos jogadores, porque eles têm-no, mas para isso, é imperativo criar rotinas de jogo com melhor proveito do tempo, ou seja, jogar com mais velocidade. Porque para consumo nacional ainda pode remediar (e nem sempre isso acontece), para consumo externo é uma pedra basilar. Basta recordar o fatídico jogo em Munique com o Bayern, onde a velocidade dos germânicos foi a chave mestra que construiu resultado tão volumoso (6-1).

Estaremos nós disponíveis para correr os mesmos riscos sem nos prepararmos já, para os enfrentar? 



29 setembro, 2015

Que hoje seja a aurora de uma temporada épica!

É preciso acreditar, temos de ser optimistas, hoje e sempre, mesmo que os dados dos últimos jogos nos deixem apreensivos.

Tenho a minha própria maneira de ser e reagir como adepto do FCPorto, e não escondo que neste momento, quando faltam menos de três horas para o jogo com o Chelsea, não sei como conciliar o lado muito afectivo de portista, com o frio racional de mero observador. Por vezes, o orgulho de portista parece sobrepor-se  ao de tripeiro, mas nunca me impediu de ter sido simultaneamente sócio do FCPorto, do Boavista e do Estrela e Vigorosa Sport. Para mim, tudo que se relacione com a minha cidade é respeitável, apesar das simpatias de portuenses de outros clubes da cidade se estenderem para latitudes distantes e muito pouco nortenhas...  

Como ia dizendo, ultimamente, a componente emocional do meu portismo,  não tem sido alimentada com a dieta a que estava habituado, que eram as victórias dentro (e quando necessário) fora do campo. Nos últimos tempos, vejo o meu FCPorto e o seu grande presidente, mais empenhados em evocar o passado que a intervir no presente para consolidar o futuro.  Noto um  excessivo discurso passadista e de saudade, que espero não ter qualquer vínculo com a perda de ambição. Há mais museu e menos futebol. Estávamos habituados a ouvir o Presidente, não só a falar com oportunidade, como a preparar activamente o futuro. Compreende-se, pela idade e pelos problemas de saúde que o têm acometido que  já não tenha o mesmo ritmo, não se compreende que não o queira reconhecer, e agir em conformidade. 

Mas se o lado emocional vive um jejum um tanto longo de sucessos desportivos (refiro apenas o futebol), o lado racional, também não convive lá muito bem sem eles. Racionalmente, tenho imensa dificuldade em acreditar que Lopetegui esteja mais seguro que eu (e um grande número de adeptos) com o tipo de futebol que apresenta. Essa insegurança está expressa no seu futebol bipolarizado, mas também na linguagem. Neste caso, só apreciei a que usou com os jornalistas quando se tratou de defender o clube. De resto, não noto diferença de linguagem nas conferências de imprensa antes dos jogos, quer vá jogar com o Arouca ou com o Chelsea. Não o dizendo textualmente, deixa sempre no ar a sensação que os adversários são todos melhores que o FCPorto. A palavra ambição é dita sem grande convicção. A ilusão e a esperança soam sempre a desejo impossível e deixam transparecer que a dúvida não consegue dar lugar à afirmação. 

Já não tenho idade para fantasias, para acreditar que expressões guerreiras ou apelos à garra podem resolver problemas de ordem técnica e táctica. Poder ajudar pode, mas o futebol tem de ter a objectividade que só a qualidade alcança. Não consinto por isso que nenhum portista se arrogue o direito de medir o portismo comigo só por duvidar que o rumo das coisas mude com estas oscilações exibicionais. Lopetegui até pode vencer hoje o jogo, e é isso o que desejo. Um jogo de futebol tem resultados imprevisíveis, mas um sistema de jogo errático, já não o é.

Se a victória possível de hoje significar o início do descer à terra do treinador e o FCPorto passar a ter uma postura em campo à Porto, com um futebol inteligente, solto, ofensivo e mandão, cá estarei para felicitar com o maior prazer e alegria Julen Lopetegui por ter finalmente percebido que mudar é também um sinal de inteligência. 

OXALÀ!

Nota pós-jogo:

como pudemos constatar esta noite, o FCPorto tem jogadores de grande qualidade (e garra), falta-lhe é a consistência e a determinação que hoje mostrou. Então no 2º.tempo foi irreconhecível em termos de objectividade. Jogaram como uma equipa, soltaram-se, gizaram finalmente belas jogadas de ataque e não de bola para trás. 
Apesar de privilegiar, como aqui tenho dito várias vezes, o jogo de ataque, é dever de justiça destacar aqueles que, na minha opinião, mais trabalharam: Aboubakar, André André, Ruben Neves (que gigante), Brahimi, Imbula, Maxi Rodrigues e Danilo. Todos os outros também estiveram bem, mas podem fazer melhor.  
Espero que Julen Lopetegui resolva de uma vez soltar mais a equipa e mentalizá-la psicologicamente para controlar o jogo quando se encontra em vantagem. Repito: quero que Lopetegui tenha êxito no FCPorto. Quero ter mais razões para gostar de o ver como treinador no FCPorto. Parabéns pela noite de hoje! Sigam-se outras.

27 setembro, 2015

Porto Canal, será autónomo? Ou (sobre)vive à custa do FCPorto?


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Quando alguém se lança num negócio - seja ele de que ramo fôr - e quer evitar cometer aqueles erros característicos da inexperiência, é prudente e até recomendável, que procure detectar o feedback do mercado potencial na  respectiva área. Não o fazendo, arrisca-se a afundar o negócio logo à nascença, que é a pior forma de arrancar com um negócio. É essa impressão que me deixa o negócio do Porto Canal, contraído entre o FCPorto Media e a sociedade Avenida dos Aliados, do grupo espanhol da Medialuso. 

Habituado que fui a ver o presidente do meu clube como um homem astuto, objectivo, pouco dado a aventuras sem retorno financeiro ou desportivo, agora que o FCPorto se envolveu numa área que não domina, custa-me a aceitar a ideia que Pinto da Costa ande distraído em relação ao que se passa no Porto Canal. No entanto, é cada vez mais consensual o decréscimo de rigor e qualidade daquela estação, o que me leva a suspeitar o que atrás referi, ou seja, que há um bizarro distanciamento do presidente face à produtividade do canal da Senhora da Hora. Sendo o FCPorto detentor de uma maioria substancial das quotas, é inconcebível imaginar que estas se valorizem quando a falta de qualidade é cada vez mais patente. Mas, como sobre este tema já me cansei de falar, sempre com a melhor das intenções, sempre com o intuito de projectar algum sentido crítico aos responsáveis, vou-me limitar a retratar algumas das suas incoerências.

Um destes dias, assisti a uma entrevista de Júlio Magalhães a Marinho e Pinto, candidato às legislativas pelo PDR (Partido Democrático Republicano), que a certo momento me despertou especial atenção. Dizia Marinho e Pinto, em forma de pergunta ao entrevistador, o seguinte: então o Júlio acha que faz algum sentido que a candidata Catarina Martins pelo BE, natural de Aveiro, se apresente como candidata pelo círculo do Porto? E deu outros exemplos semelhantes. Insistia Marinho e Pinto: então, aqui no Porto não haverá ninguém competente para ocupar o cargo? Isto faz algum sentido, repetia?

Perante estas questões pertinentes, interroguei-me se na cabeça de Júlio Magalhães teriam entrado outras igualmente pertinentes relacionadas com o Porto Canal. Será, que naquele instante as questões de Marinho e Pinto não o incomodaram? Não o fizeram corar de vergonha por saber que a jovem Maria Cerqueira Gomes (ignoro por ordem de quem) já fez mais entrevistas (repetidas) a pessoas de Lisboa que aos seus conterrâneos do Porto e do Norte? Fará essa opção também algum sentido, quando essas pessoas são por demais promovidas pelos 4 canais em sinal aberto (mais outros 6 ou 7 em sinal fechado), quando a Norte e no Porto há ainda tanta gente por descobrir? Não faz. Faria sim, se essa gente de Lisboa, ou de qualquer outro sítio, fosse novidade, e verdadeiramente interessante. 

Walter Hugo Mãe, tem-no provado, esse sim tem escapado às dinâmicas de provincianismo e de complexos de inferioridade nada condizentes com o estatuto próprio de uma cidade invicta, como espero que continue a ser o Porto. Ele sim, consegue fazer o que os colaboradores do canal não sabem (ou não querem), trás ao conhecimento do público gente nova, culta e interessante da região... Não tarda, vão ver, W. Hugo Mãe vai perceber que o Porto Canal não é o sítio certo para se mostrar ao mundo. A não ser que lhe paguem muito bem...

Sucede, que a mediocridade é tão ou mais contagiante quanto medíocre fôr o meio em que nos movemos. Alguns colaboradores, jovens como Ricardo Couto e Maria Cerqueira Gomes, a quem de início reconheci capacidades, têm enveredado, não sei se por moto próprio, se por imposição superior, por um caminho de ascensão populista, oportunista mesmo, ao estilo da Cristina Ferreira e Luís Goucha, o que não os enobrece em nada, embora lhes possa dar dinheiro considerando a escola de "valores" de um país como Portugal.  Ricardo Couto, convenceu-se depressa demais de um sentido de humor que não possui, e está cada vez mais parvo. Maria C. Gomes, anda perdida entre optar pelo jornalismo sério (digo eu), e ser apresentadora show-off. Seria bom que alguém lhe soubesse apontar o caminho certo antes que o talento se dilua em vulgaridade. A vulgaridade é a rampa mais rápida para bater no fundo.

Que não hajam dúvidas, se há empresa que parece viver à custa de outra, essa é o Porto Canal. Seria importante que os sócios do FCPorto indagassem em Assembleia-Geral convocada para o efeito, quais são os custos suportados pelo clube, com o Porto Canal. É que, exceptuando os conteúdos desportivos, ninguém pode afirmar, sem mentir, que o canal está a produzir o bastante para se auto-sustentar. Se o recurso continuado a gravações, uma, duas, três e quatro vezes, não termina, é porque não há dinheiro para fazer novos programas. E se não há conteúdos renovados, duvido, mas duvido mesmo que a publicidade aumente. 
   

25 setembro, 2015

Moreirense 2 - FCPorto 2. Isto não é futebol, é masoquismo!

Julen Lopetegui
Tudo o que tinha a dizer sobre o modelo de jogo do FCPorto já disse. O encontro desta noite com o Moreirense só veio confirmar os comentários dos meus últimos posts. Isto não vai lá só com garra, com portismo, é preciso mais futebol, mais velocidade, melhores desmarcações e pressão alta, coisa que Lopetegui não consegue realizar.

Com maior ou menor dificuldade, lá conseguimos marcar o 1º. golo, mais uma vez de livre, ou seja, resultante de um remate bem colocado de Maicon (um defesa). Como  se não bastasse os erros da época passada, voltámos a repetí-los, adormecendo à sombra do golinho miserável, lá fomos outra vez trocando lentamente a bola para o lado, para trás, com toques e toquesinhos, deixando o tempo passar, parecendo contentes e convencidos que o resultado estava feito. Curiosamente, ao intervalo estávamos a ganhar e eu não me entusiasmei por aí além com o facto. O segundo tempo veio, a velocidade e a vontade de marcar o segundo golo parecia pouca, indiciando mais um jogo sofrido com esse colosso do futebol mundial chamado Moreirense...  Resultado: o golo chegou, mas foi para entrar na balisa de Casillas...

Então, lá fomos nós outra vez à procura do prejuízo com um bocadinho mais de velocidade, com pouca lucidez, quase sempre de uma forma desesperada, o que nunca dá bom resultado. E de novo, foi o talento individual de um jogador (agora, Corona) que num ressalto de uma bola dividida lá conseguiu introduzí-la no fundo das redes. Quando tudo apontava para uma victória sofrida, o pânico instalou-se na cabeça dos jogadores e o segundo golo do Moreirense aconteceu, quase aos 90 minutos.

Hoje, não estou com disposição para discutir detalhes. Começo  sim, é a consolidar a ideia que Lopetegui não sabe bem o quer. E eu, também já não sei bem o que ele quer.  Nem o que quer o FCPorto. 


“ISENÇÃO DE TAXAS POUPA 12 MILHÕES À CÂMARA DO PORTO”

A decisão faz com que o município “evite demolir a expensas próprias o edifício, devolva as taxas de licenciamento acrescidas de juros – conforme estava judicialmente condenada –, pague indemnizações aos atuais proprietários e abra na cidade uma ferida que por largos anos demoraria a ser sarada”, reforçou esta sexta-feira, Rui Moreira, presidente da autarquia.
Numa conferência de imprensa nos Paços do Concelho em que esteve acompanhado pelo vereador do Urbanismo, Correia Fernandes, Rui Moreira salientou que a solução encontrada pela câmara garantia “o cumprimento da lei, a execução plena das sentenças judiciais transitadas em julgado, a resolução de um problema que representava um ónus gravíssimo para o seu orçamento municipal e a receita fiscal que advirá da continuação da atividade económica do imóvel e das centenas de empresas que nele operam”.
O autarca destacou ainda que ficava finalmente concluído um processo que podia representar para a Câmara “custos superiores a 12 milhões de euros”. E lembrou que a questão do Shopping do Bom Sucesso tinha caído nas mãos da equipa que lidera desde 2013 com um panorama negro. “A Câmara encontrava-se condenada, sem direito a mais recurso, e obrigada a demolir o edifício, com um custo nunca inferior a 10 milhões de euros, atingindo-se mais de 12 milhões de euros com a adição da devolução das taxas já em sua posse e respetivos juros”, enumerou Rui Moreira.
Recorde-se que a aprovação de isenção de taxas do Shopping do Bom Sucesso foi aprovada com o voto contra dos 3 vereadores do PSD e as abstenções do vereador da CDU e da vereadora do PS Carla Miranda.
Na altura, Rui Moreira e o seu executivo justificaram as “taxas de valor zero” com o facto de existir uma diferença entre o que os proprietários pagaram até aqui e o que a Câmara devia ter devolvido ao longo dos anos.
“A impossibilidade do pagamento de taxas está relacionada com o facto de o tribunal não ter identificado todos os condóminos. São 1.053 frações. Se o tribunal não consegue citar 5 dos 1.000, a Câmara muito mais dificilmente o fará”, explicou então o vereador Correia Fernandes. “Eram taxas que até agora se escondiam na ilegalidade”, assinalou.
Na conferência de imprensa desta sexta-feira, Rui Moreira sublinhou que, “além de impossível na prática”, a cobrança por inteiro dessas taxas seria “injusta uma vez que recairia sobre os atuais proprietários, isentos de responsabilidade em todo o processo e, certamente, na sua maioria, incapazes de assegurar o pagamento”.
Uma ação judicial datada de 2007 decidiu a legalização do Shopping do Bom Sucesso ou a sua demolição no prazo de 42 meses. Antes, em 2000, outro processo judicial havia considerado a obra ilegal. Uma nova lei saída no início deste ano, porém, enquadra a legalização do edifício.
Nota do RoP:
Passo a passo, Rui Moreira vai resolvendo problemas (bicudos) que outros não souberam (ou não quiseram) resolver. Há uma diferença muito grande,  para melhor, em relação a Rui Rio. Rui Rio, só adensava os problemas.

21 setembro, 2015

Juro que não confundo o Dragão com l' Ópera de Paris!

Casillas foi um dos melhores do FCPorto
Que me desculpem aqueles para quem a apreciação do futebol depende dos resultados. Ontem, com o Benfica e na quarta-feira passada com o Dínamo de Kiev, foi o resultado, mais o brilho de algumas individualidades (André André, Aboubakar e Casillas) que salvaram a angústia porque passaram muitos portistas. Nos dois jogos, repetiu-se a cena de uma primeira parte trapalhona, com os erros do costume. Das duas, uma, ou o sistema de jogo não funciona, porque os jogadores não conseguem assimilá-lo, ou o treinador ainda não descobriu a fórmula correcta de o fazer assimilar nos treinos. Mais uma vez, foi o sangue na guelra de um jogador com o contributo de outros, que na segunda metade resolveram um jogo que chegou a pender mais para o lado do Benfica, na 1ª. parte, não  fosse a atenção e experiência de Casillas. 

Naturalmente, agora que as coisas acabaram bem, poucos se importam com o que virá a seguir. A mim, preocupa-me o futuro próximo, a instabilidade da equipa e sobretudo as dificuldades que o treinador Lopetegui continua a ter no desenvolvimento do jogo ofensivo dos flanqueadores, onde Brahimi não faz um cruzamento de jeito, e se perde a rodar sobre si próprio quase sempre de costas para a baliza e cada vez mais fácil de anular pelos adversários. Tenho por isso alguma dificuldade em perceber como é que Lopetegui ainda não convenceu Brahimi a dosear o individualismo e soltar a bola mais cedo, antes de a deixar nos pés dos adversários. Isto não compreendo, porque vem sendo uma constante, e não me venham com as qualidades técnicas do jogador porque fui daqueles que também me deslumbrei nos primeiros jogos e golos que fez quando chegou ao FCPorto. Tenho memória passada, mas a presente também tem de entrar na apreciação.

A segunda parte foi, como sabemos, muito diferente da primeira, é verdade. Mas não terá a ver essa mudança (para melhor), com a necessidade de desempatar o jogo que jogadores e treinador se soltaram daquele futebol irritantemente lateralizado para finalmente correrem na direcção certa e chegar ao golo? Ou, alguém acredita que o golo foi fruto de uma estratégia consistente? Curiosamente (ou nem por isso) houve de facto o envolvimento de 4 jogadores na construção da jogada de onde resultou o golo (Osvaldo, Brahimi, Varela e André André), mas esse envolvimento felizmente só aconteceu porque nenhum daqueles 4 jogadores se lembrou (incluindo o Brahimi) de parar a bola e passar para trás, concluindo com sucesso uma manobra atacante. Agora, digam-me: por que é que isto só aconteceu quando o tempo do jogo se estava a esgotar? Não é correr riscos desnecessários? Por que será então que os jogadores tendem a bloquear nos flancos, a passar a bola para trás e para os lados de um forma quase suicída? Se o problema do treinador é não ter flanqueadores "natos" que saibam correr as laterais e cruzar, por que não lhes dará esses ensinamentos?

E o que dizer do ritmo? A forma como joga este FCPorto será compatível com o ritmo demasiado lento que lhe imprime? Ou, se calhar, não resultaria mais eficaz se carregasse um pouco no "acelerador" fazendo melhor pressão nas linhas avançadas bem cobertos pelos médios recuados? Estou cansado de ver Brahimi a desperdiçar o talento com voltinhas, indo primeiro para as laterais e a seguir voltar ao meio com as costas para a baliza, perdendo vezes sem conta a bola e permitindo contra-ataques perigosos aos adversários. Será este um problema assim tão complicado de resolver?

Por último: o remate de primeira, e os 3 ou 4 toques para dominar a bola. Quantos jogadores temos visto a rematar de pronto, quando tal é pedido? Ainda ontem, já depois do golo, o enorme André André perdeu uma oportunidade para fazer o 2º. golo se estivesse mentalizado e preparado para isso. Optou por passar a um colega por falta de confiança no remate espontâneo. Já com o Dinamo de Kiev aconteceu o mesmo. E estou a falar só do melhor jogador em campo, a par do fantástico Aboubakar.

É claro que fiquei - tal como todos os portistas -, aliviado e contente com o resultado final, mas acho que o que nós precisamos é de confiança, assim como o treinador e os jogadores . Lopetegui é um homem frontal com os media, gosto dessa frontalidade. Mas já não posso dizer o mesmo dos seus métodos de jogo. Até ver.

Acho que lhe falta uma pitada de audácia.

17 setembro, 2015

Um FCPorto para portista crer, ou sofrer?

Não gostei do jogo produzido pelo FCPorto, sobretudo na 1ª. parte.  Mais uma vez, foi o individual que levou a melhor sobre o colectivo, que é coisa (como já disse no post anterior) que não me agrada. O futebol não é o ténis, onde cada jogador é responsável pelas próprias decisões, o futebol vive do entendimento entre onze jogadores com umas pinceladas de génio individual pelo meio. Do jogo, salvou-se o resultado e a postura mais agressiva da 2ª. parte.  Mesmo assim, continuo algo céptico em relação aos progressos deste sistema de jogo de Lopetegui, demasiado refém da contenção de bola lateralizada e atrasada, sem lhe extrair os resultados que o justifiquem. 

Não sou de fazer diagnósticos apressados, mas um ano parece-me suficiente para perceber se uma equipa nova, com as limitações próprias dessa juventude, evoluiu consideravelmente naquilo em que estava pior, e o que se continua a verificar, é a manutenção de um modelo de jogo tímido, sem movimentações estudadas, de triangulações monótonas, com os jogadores mais preocupados em não perder a bola do que enfiá-la na baliza dos adversários. Bem sei que esta época entraram novos jogadores e saíram outros, o que não sei, é se uma época é tempo suficiente para estabilizar um modelo de jogo, e se não o fôr, quantas épocas teremos de esperar para termos uma equipa preparada para lutar pelo título sem desculpas. Isto, levando em linha de conta a filosofia de contratações com jogadores emprestados. Este ano, valha-nos isso, o problema não se porá, pelo que já não há margem de desculpa para a época vindoura.

Tenho ainda na retina a humilhante derrota com o Bayern de Munique, no jogo da 2ª volta, onde ficaram plasmados no resultado (6-1) todos os defeitos da equipa do FCPorto, não obstante o poderio da equipa alemã, onde a falta de hábito em jogar rápido e de objectividade do sector avançado foram os que mais se notaram. Aquela mesma equipa, com outra velocidade e outras rotinas, podia perder o jogo, mas nunca  por tamanha diferença, sobretudo depois de ter conseguido um inesperado 3-1 no jogo do Dragão.  

Pois, são os mesmos defeitos, as mesmas desconcentrações que continuo a ver no FCPorto. E não digo isto por ter empatado, que em tese, até pode ter sido um resultado positivo, diria exactamente a mesma coisa se tivesse regressado com o 1-2. O que é preciso, é ganhar, dir-me-ão, mas que diabo, é preciso também ganhar com categoria (não confundam com balet).

O próximo jogo no Dragão tem de ser para ganhar. Se tal não acontecer, não creio que o futuro próximo do FCPorto seja sorridente. Mas, acabo como sempre: contrariem-me, provem-me que isto é tudo pessimismo. 


15 setembro, 2015

Coisas da campanha...ou

...é preciso ter mesmo muita lata
Paula Ferreira

O cabeça de lista da PaF tirou um coelho da cartola. Apertado pelos lesados do BES, quis fazer boa figura dialogando com quem o insultava e lançou a ideia, tosca, de abrir uma subscrição pública para que os que ficaram sem as poupanças de uma vida possam recorrer à Justiça. Parece brincadeira de mau gosto. E a prudência ou as boas maneiras não recomendam humor com quem está desesperado.
Revelando mais bom senso do que o homem que governa o país, os lesados do BES ignoraram as palavras do candidato da coligação PSD-CDS. Consideram a proposta "indigna de um estadista", palavras do advogado que representa os lesados. E ontem fizeram uma contraproposta: pedem a isenção de taxas e custos judiciais nos processos que vão acionar para tentar recuperar o investimento.
O candidato Pedro Passos Coelho tem agora de voltar a vestir a pele de primeiro-ministro e decidir a resposta a dar a estas pessoas. Uma coisa é lançar ideias na refrega da campanha, outra é decidir perante uma proposta concreta de gente que se diz enganada pelos reguladores, precisamente aqueles que deviam garantir a confiança. Gente que já pouco ou nada tem a perder e que não hesita chamar, olhos nos olhos, mentiroso ao primeiro-ministro.
Tudo parecia correr bem enquanto o governante estava no recato de S. Bento, com as notícias da retoma. Mas Passos Coelho teve de sair à rua, dar a cara pelas políticas que fizeram Portugal sair da crise. E mostrar porquê. Enfim, é a campanha dia a dia, que se encarregará de lembrar a Passos e a Portas que por trás dos números estão pessoas. As que deixaram de integrar a estatística do desemprego, não porque estejam empregadas, mas porque simplesmente esgotaram o prazo para receber o subsídio; os pais que viram os filhos emigrar em busca de emprego, após anos de sacrifício para lhes pagar o curso superior; os reformados que sentiram os cortes brutais; os professores sem escola...
Eles vão andar aí até 4 de outubro. Mais ou menos organizados. E não bastará à dupla Passos/Portas recorrer a Sócrates para justificar todo o mal que aconteceu aos portugueses. Como lhe dizia ontem uma idosa durante uma ação de campanha em Paço d"Arcos, "agora o engenheiro José Sócrates paga por tudo e mais alguma coisa". "Quer que pague eu?", replicou Passos. Apenas pelos quatro anos.

14 setembro, 2015

Uma cidade com vocação empreendedora

E hoje o Porto continua a ser uma cidade com capacidade empresarial, gosto pelo trabalho e vocação empreendedora. Veja-se como o Porto se multiplicou em negócios para aproveitar o atual boom turístico. Ou como o seu tecido produtivo está a evoluir para uma economia do conhecimento, em boa medida devido às startups inovadoras criadas nos ecossistemas de empreendedorismo da cidade.
Relativamente a este último ponto, importa sublinhar que o Porto dispõe de excelentes ecossistemas de empreendedorismo, mercê do número apreciável de instituições do ensino superior, unidades de I&D+i, incubadoras de base tecnológica e associações empresariais sediadas na cidade, como a ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários. Esta massa crítica alimentou um núcleo de empresas intensivas em conhecimento e com perfil tecnológico.
Mas o Porto tem potencial para desenvolver e atrair mais empresas inovadoras. Para além do conhecimento proveniente das universidades e do apoio das muitas infraestruturas de incubação, a cidade garante qualidade de vida. O Porto oferece um clima moderado, beleza patrimonial e paisagística, equipamentos culturais, mobilidade urbana, ambiente cosmopolita, boa gastronomia, segurança e baixo custo de vida.
Há, pois, um conjunto de fatores estruturais que o Porto possui e que fazem da cidade um polo de atração de capital humano, nomeadamente de empreendedores, gestores e investidores com capacidade para dinamizarem a economia local. Resta, agora, potenciar cabalmente esse conjunto de fatores.
Shark TankEste artigo foi escrito por João Rafael Koehler, presidente da ANJE, a convite do P24.

13 setembro, 2015

Arouca, 1 - F.C. PORTO, 3 - Melhor o resultado que a exibição

Image de FC Porto passa teste em Arouca (3-1)
Adeptos do FCPorto em Arouca

O facto de o FCPorto ter vencido este jogo com uma margem confortável não me fez esquecer as dificuldades do costume. Lentidão, demasiados passes para trás e para o lado, enfim, uma tremideira em progredir com a bola que não se compreende. Não creio que por reconhecer a manutenção deste tipo de futebol, me possam acusar de qualquer exagero, até porque duvido que muitos adeptos não tenham sentido o mesmo que eu, embora essa desagradável sensação tenha sido muito  atenuada pelo resultado vitorioso. 

De positivo, e contrariamente ao que mais valorizo no futebol, que é o jogo de equipa e a sincronização de movimentos entre jogadores, devo destacar a estreia auspiciosa de Jesús Corona, com dois golos oportuníssimos, a entrega de Aboubakar, de André André, a classe de Rúben Neves e finalmente o (ainda) tímido perfume de Imbula. Na minha opinião de mero espectador, foram eles que coloriram a exibição e contribuíram para que o resultado não fosse outro. Não porque o Arouca merecesse outro resultado - porque o FCPorto foi superior -, mas porque a equipa ainda mostra fragilidades a assimilar este sistema de jogo e se perde num vai-vem de monotonia que lhe pode custar caro quando tiver de aproveitar as poucas oportunidades que terá para marcar. 

De resto, como esperava, o árbitro, já conhecido dos portistas por não perder oportunidade para prejudicar o FCPorto, mostrou ao que ia. Exibiu cartões amarelos com a discriminação que se lhe conhece, uma série deles para os jogadores do FCPorto, alguns patéticos, intimidou o nosso treinador e só não foi mais longe porque não pôde. Já com os jogadores do Arouca assobiou para o lado a alguns deles que mereciam um apito bem sonoro...

Resumido: tudo está bem, quando acaba bem. Mas, fica o aviso: se a máquina não fôr definitivamente oleada, se os jogadores não perderem o medo de ter bola (às vezes é isso que me parece), se não tiverem fome de baliza, não pressionarem mais à frente e forem um bocadinho mais expeditos, podemos ter de replicar filmes já vistos... Se isto coincidir com a apatia do ano passado da Direcção portista em relação ao colinho dado ao Benfica, podemos vir a arrepender-nos.

11 setembro, 2015

O colinho e a "estratégia" suicida do silêncio

Esta não é a imagem do Dragão actual, bonzinho e lorpa

Faço minhas, as preocupações de Pedro Marques Lopes, plasmadas no jornal A Bola, no qual denuncia, sem os rodriguinhos e os jogos de cintura habituais de certos "adeptos", a sem-vergonhice que impera no futebol nacional.

Como eu, e um grande número de portistas, tenho a certeza que P. Marques Lopes preferia que fosse o presidente do FCPorto, ou alguém por ele mandatado, a denunciar a quem de direito, as obscenidades que já começam a configurar-se com a nomeação dos árbitros para os jogos relativos ao Benfica e nos regulamentos que regem os locais (estádios) dos jogos  previamente calendarizados.

Como bem refere e recorda P.M.Lopes,  a célebre deslocação do  jogo do Benfica com o Estoril para o Algarve, e mais recentemente, com o Arouca, transferido para Aveiro, a situação está a tornar-se escabrosamente insustentável e repetida demais para a podermos considerar inocente. Eu afirmaria mesmo que se trata de uma provocação! Não fossem estas habilidades mexer com coisas sérias (pelo menos, eu quero acreditar que ainda sejam), podíamos continuar a assobiar para o ar, se o remédio fosse tão simples como ignorar. Sucede, é que a época anterior bastou para provar aos dirigentes do FCPorto, que esse método não só não colheu, como resultou na perda de mais um campeonato, excluídos os erros próprios.

O grosso deste perverso problema é que, mesmo que tivessem sido levadas a cabo as denúncias desta situação, a tal figura a que chamo "quem de direito" (FPF + Liga) é na realidade uma abstracção, porque ela mesma foi completamente corrompida, e anda apostada numa desesperada fuga para a frente. Na dúvida, entre escolher o caminho da seriedade e sofrer a pressão dos colaboradores do regime (media), preferem apostar no mais "forte", ou seja, no clube protegido (e temido) por esse mesmo regime. 

Ora, se o diagnóstico é este, e não outro, será inadmissível se o FCPorto perder outra vez o campeonato "fora do campo", por falta de comparência... Se as instâncias reguladoras nacionais não cumprem a sua missão como se impõe, recorra-se então às internacionais, denuncie-se à UEFA, à FIFA, vá-se ao fim do mundo, faça-se tudo o que for preciso, menos calar. Com o FCPorto nenhum clube (até ver) requereu a mudança do estádio. Será por mero acaso? Nem sempre o silêncio é ouro...

Se a Direcção do FCPorto repetir o erro do ano transacto, se ignorar a indignação dos portistas com mais uma época de silêncio, interpretarei pessoalmente tal comportamento, não apenas como uma falta de respeito para com os adeptos em geral, como uma vexante manifestação de cobardia e de capitulação ao centralismo.

PS-O fanatismo e a clubite aguda tem destas ironias, Andam os media regimentais escandalizados com o BPN , com os negócios obscuros de Sócrates, e com a inoperacionalidade da Justiça, mas continuam ceguinhos e calados com estas perversões. Dá para radiografar a integridade da classe...

08 setembro, 2015

Clubes europeus aceitam proposta portista

Karl Rummenigge

"Todos os clubes participantes na Liga dos Campeões e na Liga Europa vão doar um euro por cada bilhete vendido no seu primeiro jogo 'europeu' em casa", anunciou hoje o alemão Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA).

Karl-Heinz Rummenigge, que foi também hoje reeleito como presidente da ECA por mais dois anos, disse ainda que foi uma resposta unanime ao convite lançado pelo FC Porto.


"Foi uma decisão unanime face à iniciativa lançada pelo FC Porto e os clubes devem assumir a responsabilidade de ajudar os refugiados, um problema sério e muito grave", acrescentou o germânico, que também é presidente do Bayern Munique.

Cada um dos oitenta clubes participantes nas competições europeias em 2015/16 comprometeu-se desta forma a doar um euro por cada bilhete vendido, cujo montante global, estimado entre dois e três milhões de euros, será entregue a um fundo criado pela ECA.

O primeiro vice-presidente da ECA, o italiano Umberto Eca, representante do AC Milan, disse também que os restantes 140 membros da associação não estão excluídos deste projeto, podendo participar de várias maneiras.

Com amigos destes...

Mariana Mortágua
Ouvi com atenção a entrevista de Paulo Portas à TVI e confesso que, de todos os truques de malabarismo demagógicos a que o vice-primeiro-ministro já nos habituou, a insistência na ideia de um CDS "amigo das famílias" é a mais impressionante. Tempos houve, mais precisamente antes das eleições de 2011, em que o partido de Portas defendia a criação de um "visto familiar", e cito: "Qualquer iniciativa que seja aprovada em Conselho de Ministros requer (...) uma avaliação quanto ao impacto que tem sobre a vida familiar e o estímulo à natalidade".
Estamos em final de mandato e é tempo de perguntar: onde está o visto? Alguém sabe, alguém viu? Não existe, nunca existiu e foi levado na voragem de medidas que foram retirando rendimentos e direitos à esmagadora maioria das famílias.
Gasto o visto, Paulo Portas foi rápido a mudar a agulha. Agora, a quinta-essência da política de proteção da família é... o quociente familiar. Isto para além, é claro, da mil vezes prometida descida da sobretaxa em suaves prestações anuais.
Em Portugal, grande parte das famílias não ganha sequer o suficiente para pagar IRS. Mas todas sofreram, de uma forma ou de outra, os cortes no RSI (203 milhões), no abono de família (437 milhões), ou no do subsídio de desemprego, assim como o brutal aumento da conta da luz, que passou a pagar IVA a 23%.
Por sua vez, segundo um trabalho do "Jornal de Negócios", que usa dados da OCDE, quem paga imposto sobre o rendimento suportou, nestes quatro anos, um aumento de 40%, ou seja, 3900 milhões de euros. Brutal. E se acha que a devolução da sobretaxa resolve o problema, desengane-se. Mesmo que fosse eliminada por inteiro, os contribuintes apenas sentiriam um alívio de 800 milhões de euros. Os restantes 3100 milhões, que continuaríamos a pagar a mais, devem-se aos cortes nas deduções e benefícios fiscais (que em 2011 a Direita considerava um ataque inaceitável à classe média), e à diminuição dos escalões de IRS.
E querem saber que tipo de agregados foram afetados por esta medida? Todos. A começar por um casal, com dois filhos, que receba um rendimento médio, e que viu a sua despesa fiscal com o IRS aumentar 83% (muito mais em percentagem que uma família igual, mas com um rendimento acima de média).
Com tanta coisa, confesso que me ia esquecendo do quociente familiar. Quanto vale ao todo? 150 milhões de euros. Traduzindo por miúdos. Menos de 5 euros por cada 100 que PSD e CDS aumentaram o IRS. A demagogia tem destas coisas. Não precisa da realidade para nada.

04 setembro, 2015

Políticos e jornalistas, almas quase gémeas

Refugiados sírios em fuga

Não era desta maneira que em democracia imaginava ter de lidar com os governantes, mas não vejo outra alternativa. Ocupando lugares, que deviam estar apenas reservados a homens e mulheres íntegros, idealistas e excepcionalmente válidos, os governantes que temos conseguiram transformar-me num  irascível político-fóbico. Quando esta espécie de parasitas violam a minha privacidade, entrando-me pela casa sem avisar através da televisão, chame-se ele Passos ou Cavaco, a minha reacção imediata é procurar o comando para mudar de canal. Não suporto ouvi-los, e não perco um segundo da minha vida a ler o que escrevem. É como um choque eléctrico. Tudo é mais importante para mim, que a razão de existir dessa gente. É triste, não é? Mas é mesmo esse, o sentimento empedernido deste cidadão em relação a pessoas que, em circunstâncias normais devia respeitar, e em circunstâncias excepcionais, admirar. Nem uma coisa, nem outra. 

Ontem, a TVI dedicou um programa a entrevistar um desses inúteis: Paulo Portas. Com um moderador, mais três jornalistas para o interrogar, poder-se-ia pensar que iam preparados para o entalar com as próprias contradições, mas não. A ousadia dos nossos jornalistas não vai tão longe, limita-se a simular irreverência e a constatar, ou então a colar-se ao regime ... 

Numa época em que assistimos a um novo degredo, em que morrem homens, mulheres e crianças, apenas para fugirem da morte certa nos seus países de origem, em que a própria União Europeia, se mostra incapaz de evitar a emigração de portugueses, nada disto faz sentido. Portugal continua a ser um pais de emigrantes, mas os seus governantes dizem o contrário, que não, que o país está cada vez melhor e que o desemprego baixou. Não dizem nunca que o emprego (ridículo) a que se referem, é precário, temporário e sem quaisquer direitos sociais, talvez por ignorância, coitados...

Paradoxo dos paradoxos, ou país de fenómenos de simples explicação, o desemprego sobe, a qualidade de trabalho desce, mas as vendas de Porches e Ferraris aumentam... Lá está, os jornais constatam-no alegremente, e por aí se ficam. Talvez fossem mais úteis se procurassem saber quem são os donos desses brinquedos. É que, excluindo o primeiro prémio do Euromilhões, seria do maior interesse saber quem são, o que fazem e como pagarão aos eventuais empregados, patrões tão abonados. Esses, são temas tabu, para os jornalistas. Mas eles insistem. Teimam em querer convencer-nos que fazem tudo certinho.


02 setembro, 2015

Links para portuense ler

Cidadãos querem todos na rua contra a concessão de STCP e Metro do Porto

Acho muito bem

Um regresso ao passado com futuro

Tanta paixão ao Porto, começa a preocupar-me. Será que andavam todos a dormir, ou só agora foram ao oftalmologista? 

Eu sei, que o efeito Ryanair/Aeroporto/Metro do Porto e muitas outras coisas ajudaram. Mas pôrra, o Porto alguma vez foi uma cidade vulgar? Só lamento é que ainda haja muita urbe por restaurar/habitar. 

Esse é o único lado "feio" da nossa fantástica cidade.



28 agosto, 2015

Processo porta 18? Ou...



...neste cavalheiro nem a Justiça pode tocar?

O testa de ferro, como é habitual em casos como este, é quem vai (irá?) pagar as favas... E, previsivelmente, coerentemente com o novo figurino do JN, sulista, sensacionalista e anti-portista, a direcção trata de salvaguardar a imagem do presidente do clube do regime, antes que as represálias se façam notar. Que nome se terá de dar a esta espécie de fruta?

25 agosto, 2015

Os anónimos às vezes deixam cair a máscara

Por que será que isto não me espanta?

Nem sei como começar. É tanta a decepção com este país - e em particular, por razões de afinidade regional -, com a cidade onde nasci e fui criado, que a minha vontade era deixar de me preocupar com estas coisas e alistar-me no clube dos videirinhos. Mas, para desgraça de certos migueis de vasconcelos que visitam o Renovar o Porto a coberto do anonimato para me insultar, tenho uma má notícia para lhes dar: não vão ter sorte. Eu vou continuar.

Quase apostava que sei quem é o autor desses comentários anónimos, mas como ainda não o posso provar, vou manter comigo (por enquanto), as suspeitas...

Tenho a certeza que a maioria dos leitores que me visitam com regularidade podem testemunhar como vi com entusiasmo a notícia da compra do Porto Canal pela FCPorto Media, SA. Mesmo antes de tal acontecer, já acompanhava com curiosidade, o Porto Canal, porque apesar das conhecidas limitações técnicas e financeiras, sempre abrangia temáticas e áreas geográficas que me eram caras. Assim aconteceu desde o início, ainda o canal era dirigido por Bruno de Carvalho, um ex-candidato à presidência do Benfica... Quando soube do interesse do FCPorto em adquirí-lo, pensei cá para os meus botões, que finalmente o Porto e a região nortenha ia livrar-se das amarras centralistas e melhorar toda a programação e informação.  Pura ilusão. Júlio Magalhães, o homem escolhido pela directoria do FCPorto, foi e é, um autentico flop como director geral. Eu só o conhecia da TVI,  não tinha má opinião sobre ele, ainda que apenas fundada na imagem bonacheirona de apresentador descontraído.

Antes de prosseguir a minha exposição, considero importante para mim e para os leitores colocar-me no lugar do actual director-geral do PCanal, para tentar descobrir como teria agido caso me convidassem para um cargo da mesma responsabilidade e tão mediatizado. Como qualquer mortal ao cimo da terra, a questão do salário seria para mim muito importante, e teria naturalmente de estar relacionada com o tipo de recursos logísticos e orçamentais que me fossem oferecidos. Como não sei em que princípios assentou a contratação de Júlio Magalhães, nem faço ideia se lhe foi exigido um projecto, não me é possível detalhar nem escalonar responsabilidades. O que sei, é o que qualquer espectador interessado e atento pode avaliar com os seus próprios olhos e a conclusão não é positiva. Se fosse eu o autor do projecto, e se este fosse aprovado, é porque me tinha sido garantido à priori o capital combinado para o concretizar. Se me falhassem com as condições estipuladas contratualmente, incluindo as de ordem financeira referentes ao projecto, só tinha um caminho a seguir: sair pela porta grande e agradecer o convite.

Como nada tem sido comunicado aos sócios (eu não sou, mas já fui),  e devia ser, porque o FCPorto é dono maioritário do Porto Canal (detém 82,4% das acções), a partir daí a porta para a especulação ficou aberta. Logo, ninguém de ambas as partes pode queixar-se com o que os próprios accionistas semearam. É que, há uma coisa que parece ainda não ter sido bem assimilada: a propriedade de um canal com ambições generalistas nas mãos de um clube de futebol pode ser incompatível com os interesses do clube e até com a descentralização. Por mais que queiram separar as águas entre serviço público e de clube desportivo, haverá sempre um dia que o choque de interesses será inevitável. E se falarmos de descentralização ou de regionalização, as contradições serão mais evidentes. Melhor teria valido, digo eu, apresentarem-se frontalmente como canal desportivo, porque o que está agora a acontecer é um regresso ao déjà vu, é mais um faz de conta. Inicialmente, fui a favor da ideia de uma televisão mista de informação generalista e desportiva, mas pensando que nunca desistiriam de enfatizar as causas da nossa região, agora assim é retroceder.

Além de mais, a política descentralizadora que teoricamente está a ser realizada pela direcção do Porto Canal, com a abertura de delegações um pouco por todo o país, está a ser feita ao contrário, isto é, sem primeiro acautelar os alicerces e a solidez da sede. Quando a própria sede do Porto Canal emudece e fecha as portas a Rui Moreira, o autarca-mor da 2ª cidade do país - criando outro foco de especulação - e convida autarcas de outras cidades para comentar, algo não anda bem... E quando a sede tem de recorrer tantas vezes a gravações de programas e entrevistas, muitas delas com figuras sobejamente conhecidas através dos canais de Lisboa para preencher os tempos de emissão, não se pode dizer que as coisas estejam no bom caminho.

E repito, é nos detalhes que se podem prever as coisas importantes. E os detalhes mostram-nos coisas que preferíamos não ver, como falhas frequentes de imagem, adereços como mesas e balcões danificados dias e dias seguidos, imagens distorcidas dos comentários, programação descoordenada, camera-mans (ou womans) cometendo erros de enquadramento e focagem (o mais recente, constava de uma reportagem sobre a pesca da sardinha, e as imagens filmadas mostravam repetidamente que eram carapaus). Enfim, um sem número de coisas e coisinhas que impossibilitam o espectador interessado de acreditar que são supervisionadas pelos respectivos responsáveis, incluindo, os accionistas.

Sei que isto não é simpático para os visados, mas é a realidade. E seria melhor que em vez de se deixarem melindrar por verem expostas situações concretas de laxismo, tivessem a humildade de as reconhecer e reparar. Deviam era canalizar essas frustrações para outras latitudes, essas sim as fontes certas dos nossos problemas  tão nefastas para a nossa região e para o próprio país.. Reagir prestando vassalagem a tudo o que vem da capital, é o sintoma mais servil que o norte pode evidenciar, e não o contrário. Eu, para defender a minha cidade e região (sou nortenho assumido), não me inibo de apontar o dedo a quem a ataca, seja essa entidade sulista, ou nortenha. Não me sinto mais português por tratar com pinças de delicadeza pessoas ou instituições que andam há muitos anos a prejudicar-nos. Se eles não gostam de ouvir certas coisas, nós também não temos de gostar do que nos têm feito, nomeadamente, através dos media.

Se o Porto Canal pretende ser uma imitação do que abunda em Lisboa, então não precisa de ir primeiro a Roma, pode atalhar caminho e instalar já a sede em Lisboa. Já me chega o Público, e agora o JN, como maus exemplos de empresas de comunicação "sediadas" no Porto mas com todo o poder na capital. Para esse peditório de hipocrisia e de capitulação, nunca darei. 

PS - A  propósito da vulgaridade de certos programas  pirosos e plagiadores no PCanal, o canal  lisboeta Q, "Altos e Baixos"conhecido pela ironia e crítica mordaz, já descobriu uma fonte de inspiração para trabalhar: o Porto Canal...O que mais me constrange é ver o nome do FCPorto ligado a tanta mediocridade. Aquilo é tudo, menos Porto.

24 agosto, 2015

RECADO A UM GRANDE COBARDE ANÓNIMO ...

QUANDO TE BARBEARES PELA MANHÃ E TE OLHARES AO ESPELHO, COSPE NO QUE VÊS, POIS JÁ TENS MUITA SORTE EM AINDA PODERES RESPIRAR. 


ISTO, CASO NÃO SEJAS UM BATRÁQUIO...



Porto Canal, será mesmo um orgão de comunicação social?

Portistas fazem aposta na tecnologia. 
"Mais transmissões em directo, incluindo de outras equipas do Norte, maior atenção às modalidades, equipa B e camadas jovens, investimento tecnológico para a passagem para o HD, mantendo o orçamento de dois milhões de euros": esta é uma parte da planificação do Porto Canal, segundo Júlio Magalhães, o seu director-geral, com entrada em vigor "no início de Outubro". 
Além disto, "a emissão passa a abrir às 8 da manhã" e haverá "aumento da produção própria diária de 12 para 16 horas e as restantes com programas". Tudo de acordo com a estratégia de expansão segundo uma política "de âmbito nacional e não de cariz regional", pois, além das seis delegações já existentes, "uma delas em Lisboa", a ideia é, "dentro de alguns anos, chegar a todo o País". 
Referindo-se ao canal como "generalista" de "conteúdos muito variados, como cultura, cinema, história, entre outros", Júlio Magalhães destaca a opção feita pela CP "por conteúdos do canal para os seus comboios Alfa". 
Quanto a audiências, "0,3 a 0,4 no plano nacional; no Norte, 0,6 ou 0,7, por vezes um ponto percentual. No último sábado foram mesmo dois pontos", indica. Com uma equipa "que engloba 40 profissionais, 18 dos quais jornalistas", o director lembra que "o Porto Canal nasceu num tempo de crise, mas nunca despediu e o objectivo é reforçar". Além dos estúdios na Senhora da Hora, vão começar obras no Estádio do Dragão para mais instalações.
Nota de RoP:
A ser verdade o que aqui é anunciado (e tenho reservas, porque já fui defraudado várias vezes com declarações de Júlio Magalhães), impressiona esta mania doentia de "informar" através dos meios mais improváveis, no caso no  Económico Digital, o que pode explicar tudo. Para Júlio Magalhães, é no Diário Económico que os nortenhos e os portuenses buscam informação...
Mas, não é apenas Júlio Magalhães quem tem todas culpas do cartório, porque ele é apenas um director incompetente, são os accionistas/administradores que o designaram para o cargo. E são responsáveis por não se dignarem informar e esclarecer regularmente - já nem digo os adeptos - , mas sobretudo os sócios do FCPorto do que têm projectado para o canal,  porque são parte interessada no negócio, particularmente por não vislumbrarem qualquer evolução, quer na programação, quer nos conteúdos informativos.