02 junho, 2016

Agora que há treinador, é comer e calar

Sinto-me algo isolado nas convicções que venho mantendo em relação à crise que se instalou no FCPorto. Há um grupo de portistas que partilham amiúde das minhas inquietações, eu sei, mas como disse anteriormente, decepciona-me ver tantos a assobiar para o lado, fingindo que não sabem onde está o centro dos problemas. Ou, se acanham, com receio de serem mal interpretados, acusados de falta de gratidão, ou preferem esperar (mais uma época) para ver no que dá. Como quer que seja, se quisermos fazer avaliações ponderadas sobre o assunto, deixando em banho-maria a objectividade, colocando em seu lugar questões de fé, é inútil andarmos a pregar todos os dias das maleitas do doente (FCPorto) se recusamos aceitar o diagnóstico da doença.

Se insisto nesta postura de cepticismo, é porque já cheguei à conclusão que o timoneiro não só perdeu qualidades, como hoje tem nas mãos "barcos"  a mais para pôr a navegar na rota certa (do êxito). Um deles chama-se Porto Canal. Além de continuarmos sem termos garantias de competitividade que implicam luta, dentro e fora do campo, nada sabemos (uma vez mais) do rumo que se entende dar ao Porto Canal. Porque, tal como está agora, nem para quem lá trabalha pode interessar, a não ser por mero comodismo ou falta de ambição.

Será que o presidente leva mais a sério a burocracia da SAD, que o futuro desportivo do FCPorto e pensa que também não deve explicações aos adeptos?  Não havendo uma estratégia de comunicação bem gizada, um plano programático que satisfaça as carências regionais e clubistas, que comporte a irreverência e a combatividade, para que serve um negócio que abdica da sua concepção genética? Passe o exagero, de que serve um rádio, sem som? Uma televisão híbrida, sem imagens, ideologicamente pobre? Já não bastam as que temos em Lisboa, que frequentemente e à mesma hora estão todas a dizer a mesma coisa? Será possível que alguém dentro da SAD considere o Porto Canal uma aposta bem sucedida? 

Há certos tabus que têm de acabar na actual organização do FCPorto. A blindagem de outrora não faz sentido hoje no clube, e muito menos no Porto Canal. A televisão é mais do que uma ferramenta, é uma arma. Uma arma, que outros têm usado e abusado para "destruir" o FCPorto e de que nós abdicamos, até para nos defendermos.  E eles lá em Lisboa não têm só uma, têm várias e manejam-nas conforme entendem sem preciosismos de consideração e respeito por nós. Não foi isso que ainda ontem Pinto da Costa disse? Que estavam a tentar matar-nos (o FCPorto)? Quem são os nossos inimigos? O Miguel Sousa Tavares? O Pedro Marques Lopes? O Renovar o Porto, que ele nem sequer lê? Quem, senhor Pinto da Costa? Não me responda a mim, responda ao universo portista que vai muito para lá do universo dos super-dragões.

Será com isto que vamos ter de viver nos próximos tempos? Nesta angústia, com este clima de fragilidade, sujeitos a tanta humilhação? Será este o peso que Nuno Espírito Santo também vai ter de suportar como treinador do FCPorto, ou haverá alguém na administração que assuma essa responsabilidade? São estas as respostas que não temos. Os discursos abstractos nunca foram o forte de Pinto da Costa. Podiam ser mordazes, pouco simpáticos, mas eram pragmáticos, e nós até gostávamos das comichões que eles geravam nos nossos adversários saloios. Como Mourinho, a simpatia nunca foi o seu forte, mas era eficaz. Tal como Pinto da Costa foi.  


31 maio, 2016

Opinem, opinem, e não falem do essencial...

Cada cabeça cada sentença
Respeito a opinião de todos estes portistas, embora me identifique mais com a de Carlos Tê. Como disse anteriormente e repito, para mim na actual conjuntura dirigente do FCPorto, não é a constituição do plantel, nem a escolha do treinador que mais me preocupa, é a liderança.

Se não invertermos as prioridades, se não cairmos na abstracção e ignorarmos a realidade tal qual ela se nos apresenta, e pensarmos que tudo se resume à equipa técnica e ao plantel, estaremos a negar tudo o que dissemos no passado (e bem) sobre a  solidez e competência de Pinto da Costa. Antes, dávamos ao presidente toda a liberdade para escolher a equipa técnica que bem entendesse, porque confiávamos nele, a ponto de nos convencermos que no FCPorto qualquer treinador estava "condenado" ao  sucesso. Agora, a exigência dos portistas está praticamente concentrada em quem vai ser o treinador e os jogadores. Compreende-se, mas dá-me a impressão que para eles o principal problema do FCPorto é a equipa e o treinador, quando a questão é outra.

Depois, começa a tornar-se maçador - de rotineiro que passou a ser -, vasculhar o passado deste ou daquele treinador, para daí concluirem se serve ou não para o FCPorto. Já se esqueceram que Mourinho era um ilustre tradutor de Robson e pouco mais, quando chegou ao clube e fez o que fez. Isto, depois de ter passado pelo Benfica com o moralizador currículo de nada ter feito. Fernando Santos tinha consigo a experiência de ter treinado esse colosso chamado Estrela da Amadora. Jesualdo Ferreira, idem aspas. Enfim, agora ninguém serve. Nem Nuno Espírito Santo que em termos de carácter é bem mais portista que Victor Baía. Nunca se queixou quando ficava no banco. Vi-o a defender a equipa como poucos. Contudo, não me arrisco a dizer se ele vai ser, ou não, bem sucedido, porque se dantes podíamos confiar praticamente em qualquer um, porque tínhamos um líder forte, hoje duvido que Simeone, ou Guardiola, fossem bem sucedidos mesmo com um bom plantel, mas com esta liderança permissiva de agora. 

Só isto, explica em parte, por que é que os portugueses apesar de andarem há 42 anos a serem mal governados, discriminados, explorados mesmo, continuam a votar maioritariamente nos mesmos partidos que os desgraçaram. No entanto não me parece que essa maioria tenha a vida fácil, ou viva dos rendimentos...Vá lá, que desta vez pode ser que consigamos respirar um bocadinho melhor, graças à coligação insólita do PCP/Bloco de Esquerda com o Partido Socialista! Até Marcelo Rebelo de Sousa foi contagiado! Para melhor, quanto a mim.

Metam um coisa na cabeça, só quando Pinto da Costa disser que não vai mais permitir abusos, discriminações contra o nosso clube, quando nos provar que está preparado para enfrentar o centralismo pelos cornos, como tão bem sabia antigamente, é que podemos passar a discutir com a devida prioridade a questão dos treinadores. 




29 maio, 2016

Moncho Lopez conseguiu escapar à crise. Parabéns redobrados!



Como se previa, a crise de liderança instalada ao mais alto nível na estrutura directiva do FCPorto, reflectiu-se noutras modalidades que também muito prometiam pela excelência dos seus jogadores e treinadores (hóquei e andebol). Tanto numa, como noutra destas duas modalidades, não notei qualquer decréscimo em termos qualitativos, quer no que respeita a jogadores, quer a treinadores. Bem pelo contrário. 

No andebol, acho até que desenvolvemos um tipo de jogo mais coeso e espectacular que no tempo do insuspeito e fantástico Obradovic. Contudo, não escapamos à vergonha do proteccionismo das arbitragens que beneficiaram como vem sendo hábito, os nossos adversários da capital nos jogos decisivos, porque fomos mansos. O mesmo se aplica ao hóquei, muito embora aqui o factor juventude tenha contribuído também para o insucesso. Tudo isto torna o trabalho de Moncho Lopez duplamente louvável. Mas, isto não pode nem deve servir para branquear o efeito dominó que uma gestão descuidada sempre provoca nos atletas de um clube, seja em que modalidade fôr. A excepção foi o basquete, e provavelmente um ou outro escalão de formação (sub 19).

Tive o ensejo de ler as declarações aparentemente emocionadas de Pinto da Costa, em Espinho, no almoço de aniversário da conquista da Champions de 1987.  Aqui vai um excerto:


Luta contra o centralismo

“Se nos atacam desta forma é porque não nos consideram mortos, mas querem-nos matar. Desde jovens que fomos habituados a ouvir que o FC Porto, para vencer, tem que ser muito melhor do que os outros. Temos de estar atentos ao fenómeno que as nossas vitórias causam num país centralista, no qual os jornais teimam em ignorar-nos, sabendo que sempre somos obrigados a pagar o preço do nosso sucesso. No dia em que jogámos a final da Taça de Portugal, um jornal desportivo ignorava-o e trazia uma grande fotografia do Jorge Jesus. Mas no dia seguinte, só porque o FC Porto perdeu, o jornal já fazia primeira página com a vitória do Sporting de Braga.”

Vejamos: estas declarações não cheiram a prato requentado? Será alguma novidade para qualquer portista que tenha os olhos bem abertos, o que ele disse? Afinal, quem é que deixou de estar atento ao que dizem e escrevem os media centralistas? Nós, ou ele? Não foi ele quem abriu as portas a uns cavalheiros com responsabilidades nesses pasquins de Lisboa na gala do Dragões de Ouro? 

Não é a discutir o sexo dos anjos que pessoalmente me convenço que algo de importante está para acontecer para melhor num futuro próximo do FCPorto. Não é assim que se restaura a união, e se acaba com a especulação, é reconhecendo erros próprios e dando garantias que não voltam a acontecer,  e esses erros foram explícitos pelo silêncio e pela indiferença face à discriminação de que ele agora se queixa e que todos estamos cansados de saber.

Sendo assim, por que é que Pinto da Costa em vez de repisar no que já sabemos de ginjeira, não nos garante o que precisamos de ouvir? Por quê? Isto parece mais o jogo do gato escondido com o rabo de fora, que uma declaração de regresso à combatividade, que é o que o FCPorto precisa. Disso, e de uma estratégia de comunicação franca, destemida e aberta, sobretudo com o universo portista. 

Para mim, não é o treinador nem os jogadores que mais me interessam, é a consistência e a frontalidade de quem lidera. Se esta for garantida, o resto virá por acréscimo, como sempre foi, aliás. Não me meto a dar palpites sobre quem vem ou deixa de vir, desde que o mais importante seja garantido. E o mais importante, é sem dúvida, a força da liderança. Não me sinto incomodado por dizer aquilo que convictamente penso, nem belisco em nada o meu portismo, estou à vontade. O FCPorto não é uma única pessoa, por mais que ela tenha feito pelo clube, são todos os portistas, sejam eles sócios ou adeptos.


25 maio, 2016

Bairrismo

Resultado de imagem para Porto
Em contra-ciclo com a corrente lisbonária que durante anos procura intoxicar os portuenses pelo seu excesso de bairrismo, e que para desgosto nosso, foi acarinhada por alguns híbridos do burgo - com, e sem responsabilidades públicas -, sempre me opus a esse embuste de urbanidade made in Lisbon.

Em primeiro lugar, porque nunca lhes reconheci a abertura intelectual nem a tolerância próprias de uma cidade cosmopolita que sabe absorver naturalmente a cultura mundana, tanto na qualidade de anfitriões como de visitantes.  Bem pelo contrário. O lisboeta vulgar é sectário, invejoso, saloio e arrogante. Tem a típica mania dos novos ricos, daqueles que tudo fazem para parecerem muito mais do que efectivamente são. Muito mais cultos, mais espertos, mais civilizados, enfim, melhores em tudo. Comportam-se como se o epicentro da virtude humana emanasse de um único ponto: Lisboa. 

Não estou com isto a dizer que em Lisboa não há gente boa, culta e acima de preconceitos, porque ela existe lá, como em toda a parte, só que pouco se revela. Não estou tão pouco a insinuar que os portuenses são todos bons rapazes e superiores a qualquer outro português, de Lisboa a Freixo-de-Espada-à Cinta. O que quero dizer, e tenho como dado adquirido, é que, enquanto o país inteiro é obrigado a olhar para Lisboa por força de um mediatismo hiper-centralista (ene canais de tv, rádios e jornais) o resto do país mal pode dar-se a conhecer pelos mesmos meios, pela simples razão de não os ter.

O Porto, só há poucos anos dispõe de um estação de tv, e mesmo assim em canal fechado. De resto, tudo está concentrado na capital. Digam o que disserem, nenhum cidadão de Lisboa pode contrariar esta realidade: os lisboetas são mais observados que observadores. Comparada com o resto do país - e cuidado que digo resto do país  inconformado -, Lisboa é o palco, a estrela, os "outros" são espectadores, sem direito a aplaudir, ou a rejeitar. Logo, estando mais habituados a olhar para o país a partir do próprio umbigo, com a miopia daí derivante, só o podem ver desfocado, por isso limitam-se a especular, quase sempre secundariamente. No extremo oposto, fica o resto do país, que dessa discriminação medieval só tira uma vantagem: uma ideia mais fiável àcerca do que pensa um lisboeta em relação à "província", do que a noção real de um lisboeta sobre o que pensa e sobretudo sente, o resto do país... Por mais que o neguem, isto é inegável, porque são factos físicos, palpáveis, comprováveis, não apenas emocionais.

Como as coisas são mesmo assim, e não de outra forma, é legítimo dizer que também pela televisão se pode conhecer relativamente bem, não só a mentalidade dos que lá trabalham, como os personagens que ali colaboram, desde actores a políticos e jornalistas, etc.,etc. E é aqui que entra a sabedoria do tempo que ninguém pode negar, sem se assumir embusteiro. Durante longos anos a ver o Porto a ser lesado económica, política e desportivamente, caluniado e até gozado pela sua pronúncia em programas pseudo-humoristas (excluo o Herman, e outros como ele, porque sei distinguir o humor da maldade), não vi nem ouvi um único lisboeta a insurgir-se contra essa segregação miserável. Um único! Mas também (e é aí que dói mais) não vi muitos nortenhos, "portuenses" e até portistas que tiveram oportunidade para o fazer, a indignarem-se com veemência, mas apenas a sussurrarem tímidos lamentos em obediência à mui respeitável avença. Todos se deixaram esmagar pelos recados anti-bairristas e "portocentristas", mais os Big-Brothers estupidificantes, até se tornarem híbridos, assobiadores pipoqueiros despojados de alma, e de Porto.

Quando atrás falei da televisão do Porto, referia-me naturalmente ao Porto Canal sem tocar na sua utilidade, porque aí estamos conversados. Não quero repetir-me, mas porque detesto generalizar, sempre lamentarei que  o efeito dominó do peso da mediocridade acabe por ensombrar programas como "Os caminhos da História", as entrevistas de Walter Hugo Mâe e poucos mais. Tal como sucede na gestão do FCPorto dos últimos 3 anos, a qualidade programática do Porto Canal foi um fracasso e não se vislumbra sinal nem vontade de mudança.

Quando lembro uma frase do Director Geral Júlio Magalhães, que intitulava uma sua entrevista dada à Meios & Publicidade onde dizia  "Os canais de Lisboa não querem saber do país para nada", e depois verifico o tipo e a origem dos convidados e entrevistados (lisboetas), e uma programação política e regionalmente pobre, acrítica, indolente e visivelmente subalterna, tenho tremenda dificuldade em acreditar que toda aquela gente goste do Porto.

Bolas, ninguém lhes exigia que fizessem do Porto Canal um antro de mediocridade arruaceira. Queríamos apenas equilíbrio, resiliência, combatividade, orgulho, bom gosto, seriedade e sobretudo muita originalidade. Nada de debates pseudo-desportivos comprados e tendenciosos, como o Dia Seguinte, ou aqueles de chinela no pé como o "Prolongamento", mas apenas um pouquinho de coragem para não nos fazerem passar por aquilo que nunca fomos: submissos e complexados.


23 maio, 2016

Sobre o respeito...

...direi que é um sinal de boa educação e consideração que muito prezo mas que só funciona na plenitude se fôr recíproco. Digam lá se quando dão prioridade de passagem a outro condutor (sem violar as regras do trânsito) para lhe facilitarem a vida e o próprio tráfego e o gajo não tem um simples aceno de mão para agradecer não ficam logo arrependidos pela cortesia? Há alguns, que até dão vontade de irmos atrás deles para lhes perguntarmos se são órfãos, ou filhos de pais incógnitos que não lhes deram educação. A arrogância é algo que me repele, que me enoja e faz pensar o pior possível de quem gosta de a exibir.

Não é a este tipo de educação e respeito que me quero referir, é de outro género. Reporto-me ao que alguns portistas invocam quando outros criticam o presidente (de agora) do FCPorto, a pretexto do bem que ele fez no passado. Compreendo, mas só parcialmente. Por outro lado, acho isso tão absurdo como a mulher que sempre amou e respeitou o marido e se habituou a ver no companheiro um amigo responsável, e de repente constata que ele mudou, que já não quer saber dela para nada, nem assume as suas responsabilidades familiares tornando-lhe a vida insuportável. Pergunto: não será legítimo que, se não houver um diálogo franco para uma tentativa de reconciliação, e o reconhecimento de culpa por parte do marido, a mulher perder-lhe o respeito? A não ser que seja daquele tipo de mulheres masoquistas daquelas parecidas com certas prostitutas que até gostam que o chulos lhes arreiem no pêlo. 

Mal comparando a analogia com o exemplo anterior, acham que Pinto da Costa continua a merecer o mesmo respeito que merecia quando governava com zêlo e defendia com unhas e dentes o FCPorto? Não foi por ser combativo, bairrista (sim, bairrista!) que ergueu o FCPorto para os patamares de grandeza que conhecemos? Acham que ele ainda conserva essas características? Que tem tido muita consideração e respeito pelos portistas? Pois eu acho que não. Que me interessa se ele foi reeleito se já não acredito nas suas capacidades?

Já falei da falta de comunicação, já falei do silêncio, já falei no negócio com a MEO que privou os portistas do Porto Canal, já falei do aburguesamento, já falei da humilhação da presença de inimigos do FCPorto nas galas do Dragão, enfim, um rol de comportamentos que são o oposto do que fez dele o homem admirado e respeitado por todos os portistas. Esse homem, reconheceu e assumiu frontalmente que errou ? Garantiu-nos que tencionava mudar de atitude? Que não ia mais permitir abusos de quem quer que fosse que prejudicassem o nosso clube? Ouviram-no garantir isso? Então, é porque não tenciona fazê-lo, e se assim fôr, então é altura de deixar o clube.

Claro que, para muitos portistas quando ele sair irá deixar no ar um sentimento de perda, porque ainda têm bem frescas na memória as glórias que conquistou à frente do FCPorto. Mas isso, é se ele quiser sair em grande (coisa em que não acredito), porque se continuar agarrado ao poder sem vencer, os adeptos vão chegar a um ponto que vão querer despachá-lo à força. Ora, pessoalmente, acho que seria bom para ele e para o clube evitar essa situação. Era acertado reconhecer naturalmente já não ter capacidade para lutar pelo clube como outrora, que o deixasse para manter bem vivas as boas recordações. Porque não basta afirmar que se sente bem de saúde se estiver condicionado física e intelectualmente. Mais do que administrar, é preciso comandar, lutar pelo FCPorto! Não quero acreditar que ele já tenha esquecido que o FCPorto foi, e continua a ser, um clube negativamente discriminado, e que para nós não chega negociar bons treinadores e bons  jogadores. Para o FCPorto é preciso, antes de tudo, um guerreiro ao comando, um lutador, já que muitos portugueses, incluindo portuenses, vivem imbecilizados pelo narcótico nacional-benfiquista porque esse guerreiro, chamado Pinto da Costa, agora baixou a guarda e deixou de lutar.

Vai ser difícil encontrar alguém com o perfil do Pinto da Costa do passado, mas a vida continua e não há gente insubstituível. Não é fácil. Cabe aos sócios saberem fazer a escolha certa. Se votarem com o rigôr que elegem os governantes, então vamos ter problemas.


22 maio, 2016

Batemos no fundo não foi sr.Presidente? E V. Exa., não?

Pois é, a sorte nem sempre bate à mesma porta e à mesma hora. Como se viu, não foi garra que faltou à equipa, foi tudo o resto que é necessário para ter direito à estrelinha de campeão.

Nem sequer me atrevo a criticar a defesa portista, já que os dois golos do Braga foram oferecidos de bandeja pelo tresloucado Helton. Outros tantos podíamos ter sofrido por asneiras semelhantes. No 1º. ele sai prematuramente da baliza deixando os dois defesas convencidos que ia ganhar a bola. Não! Saiu da baliza sem convicção nenhuma e deixou os companheiros com o ónus da responsabilidade pelo golo sofrido. No segundo, em vez de pontapear a bola para longe, para o campo do adversárrio decidiu passá-la a um colega que tinha à ilharga um adversário que aproveitou a asneira para a roubar e marcar o 2º.golo. 

Nos penalties, não esteve próximo de defender um único. Umas vezes lançava-se para o lado mesmo antes do jogador adversário chutar a bola. Antes do prolongamento parecia estar com os copos a chutar a bola quando a queria repor em campo sem sequer nela acertar. Uma nódoa completa. Para mim que até nem costumo individualizar os erros, foi o principal responsável pela perda do único trofeu que nos restava para conquistar. Acho que devem renovar contrato com ele, assim como com o Varela...

Quem não foi capaz de corrigir erros velhos é porque nunca mais vai apender. Para mim, o presidente, agora sim, é finito. Lamento, mas já não tenho dúvidas nessa matéria.  

17 maio, 2016

Carta aberta a um destinatário improvável


Pinto da Costa festejou aniversário no museu


Senhor Pinto da Costa,


Depois de tomar conhecimento de própria voz, que não lê, nem quer saber de blogues, gostava mesmo assim, de lhe colocar algumas questões, não cara a cara, porque o senhor agora se esconde, mas como se estivesse a falar a Deus, que segundo a fé cristã está em toda a parte. Talvez seja essa a via indicada para comunicar a seu gosto. Pretendo questioná-lo sem esperar que me responda, até porque segundo os seus critérios informativos, sendo eu autor de um blogue, não mereço a respeitabilidade de jornais íntegros, como a Bola, o Record e do JN à moda do Bairro Alto.

Quem sabe resida nessa sua superioridade divina a explicação para a compra de um canal que devia servir para comunicar com os nossos, mas que em vez disso, optou por se transformar num pobre estúdio de gravações, candidato a copiar o pior da saloíce lisboeta. Não imagina, como fico impressionado e altamente confiante no futuro do FCPorto, quando vejo os colaboradores do Porto Canal, a começar pelo seu Director Geral, sempre muito empenhados em tranquilizar os lisboetas jurando a pés juntos que o Porto Canal não é, nem será um canal só para o Porto e para o Norte... Não calcula o quando me orgulham estas manifestações de cosmopolitismo, e de carácter...

Até a Maria Cerqueira Gomes, sr. presidente, aquela miúda gira e divertida que tanto prometia e a quem em tempos aconselhei alguns cuidados com o sucesso, já assimilou a cultura do beija-mão à capital. Sabia que até naquela página do jornal Dica da semana do Lidl dedicada às meninas "famosas", a Maria repetiu aquilo que o chefe Juca decidiu enfatizar para que em Lisboa não pensem mal de nós? Cautelosa, Maria afirmou: " desengane-se quem espera ver um programa sobre o norte do pais. Não é centrado na região. É feito no Porto, mas isso não significa que seja apenas sobre o Porto, pelo contrário"... Claro Maria, só do Norte? Credo! Que horror, nem pensar! O Porto Canal seria incapaz de fazer uma desfeita dessas ao Sul, sobretudo à capital, que sempre nos tratou com tanto carinho e consideração, na politica como no desporto! Aliás os lisboetas estão sempre preocupados com o Norte, até nem desviam verbas que nos são devidas para Lisboa, nem nos rapam fundos europeus. A TAP, e o aeroporto Sá Carneiro são alguns exemplos, e o Metro do Porto também, que como se sabe, não pára de crescer... Por que havíamos nós então de ter uma televisão exclusivamente para a província? Lisboa tem para aí uns dez ou doze canais, hiper-centralistas, mas que mal tem isso? O que é preciso é ajudar Lisboa sem complexos provincianos, mesmo que continue a ostentar a coroa da capital do país mais centralista da Europa!

Finalmente, senhor Pinto da Costa, vamos às perguntas. Diga lá, sem me responder:

  • o que acha que os nossos amigos lisboetas (dos clubes locais e não só) pensarão da sua actual política de comunicação para defender o FCPorto? Acha que ainda o temem? Que olham para si e para o FCPorto com o respeito e a dôr de cotovelo do passado? 

  • dado que só tem olhos e ouvidos para os super-dragões, qual é a sua opinião sobre o estado de espírito da restante maioria dos adeptos quanto ao momento actual do FCPorto? Acha que foi só um mau ano, um acidente de percurso? E os três anteriores? Também foram obra de factores estranhos à sua gestão?

  • uma vez que concordou com o Júlio Magalhães quando afirmou que o FCPorto esta época não tinha razão de queixa das arbitragens, deseja que a próxima seja igual, que eles apitem com a mesma isenção? E já agora, vai continuar corajosamente mudo e teimosamente alérgico aos blogues portistas?

  • irá despedir Bernardino Barros por ter falado no colinho do Benfica, e promover a benfiquista Sónia Balieiro a Directora Geral do Porto Canal, já que o Júlio Magalhães é o que se (não) vê? Olhe que ainda lá está outra irmã (gémea), sabia? 

  • consciente da sua equidistância com as coisas importantes do clube, posso saber (sem mo dizer) de que assuntos fala com os restantes elementos da SAD, além de negócios? Precisando: será que alguma vez admitiu gizar um plano, uma estratégia, para o FCPorto não ser humilhado dentro e fora do campo, como foi este ano? Ou isso nem lhe passou pela cabeça?

  • por último, pergunto-lhe: sente-se bem, confortável com os portistas em geral (são imensos), além dos super-dragões?
É tudo, senhor presidente. Do lugar em que agora decidiu colocar-se, não espero que me responda, isso é lá mais para as pessoas, não para intocáveis. Mas não exagere, faça um esforço.

Diga-me: nem a si próprio se digna responder? Ou, não sabe?


15 maio, 2016

Introspecção

Nem sempre somos como gostaríamos de ser.  Só alguém descomedido, com overdoses de egocentrismo, incapaz de uma introspeção, pode sentir-se plenamente bem na sua pele. Quando assim é, só mesmo estas pessoas acreditam nessa possibilidade. Ou fingem que acreditam.

Pelo menos, é assim que penso. Há quem goste de viver no mundo da ribalta e quem prefira a mais absoluta discrição. Tanto uma como outra tendência, passam a deformidades, "a pratos mal cozinhados", se abusarmos nos condimentos. O melhor, é procurarmos manter-nos o mais tempo possível entre estes dois pólos. Mas, reconheçamos: no mundo em que vivemos, é muito difícil evitar os extremos. E sabem por quê? Porque para nos conseguirmos manter no meio, faz sempre falta o melhor dos moderadores: a JUSTIÇA. Com maiúsculas, entenda-se, e essa, não existe.

Após rebuscada pesquisa aos posts mais antigos do Renovar o Porto (já cá cantam 3.624, desde Maio de 2007), verifiquei que os temas preponderantes dividiam-se entre política e futebol, tipificando-se de per si em centralismo e portismo, o que é significativo... Foi por ser demasiado "perigosa" a simbiose para os adeptos da lisboetização que se inventou a palavra "portocentrismo", para criar a imagem falsa de rivalidade e desintegração. Ora, a negação da Regionalização só tem um responsável: o governo central de Lisboa. Só ele, e os deputados da Assembleia Nacional podem (se quiserem) recuperar o tema da Constituição e pô-lo em andamento. Por essa razão, não admira que 99,9% dos temas tenham andado à volta do mesmo, o que não será estranho, visto serem essas duas causas juntas que inspiraram a criação deste blogue.

Mas, apesar dos sucessivos governos viverem em "estado de graça" desde 1976 por efeito da revisão constitucional de 1997, que propositadamente lhe cravou a obrigatoriedade ao referendo, podendo assim ganhar tempo e manipular o zé-povo com a estupidificação nacional-benfiquista, foram os nortenhos, não apenas do Porto, mas de toda a região, que comeram o isco e preferiram sacrificar as suas gentes do direito a tratamento igual, a separar as águas entre os seus gostos clubistas  dos interesses primeiros no bem estar da região de origem.  Passados estes anos todos, ainda há quem não vislumbre o ardil em que caíram, vivendo com a sua região e famílias a serem discriminadas, só pela velha e salazarenta patranha do benfiquismo sempre colada aos "bons chefes de família"... Isso já não é amor a um clube, é traição aos próprios ascendentes e filhos. É tacanhês cívica!

Houve ainda um terceiro tema preferencial ligado aos outros que atrás apontei: o Porto Canal. Muita esperança acalentei na exploração dessa poderosa ferramenta, que tanta falta nos podia fazer chamada comunicação. E vejam bem, paradoxalmente, agora que mo surriparam da NOS, sem me pedirem licença, nem lhe sinto a falta. Em vez de nos fortalecer, enfraqueceu-nos. Alguém compreende tanta indigência cívica, depois de andarmos a falar sozinhos anos a fio?

Desculpem-me, mas pela minha parte não vou perder tempo com os nossos inimigos. Esses, e os que a eles se curvam, há muito que estão identificados, todos nós os conhecemos... Só quero é saber até onde estarão os "nossos" dispostos a continuar baixando-lhes as calças.

Não por masoquismo, mas para ver se consigo vomitar de uma vez tanta baixeza de carácter. É que isto, não se ganha com jogadores e treinadores. Isto, é outra coisa bem mais séria.  

PS-Hoje, seja qual fôr o vencedor, não vou ver nem ouvir nada que cheire a Lisboa.  O meu país chama-se Portugal e nele está inevitavelmente incluído o nome que lhe deu origem. No falso "país" Lisboa, não há democracia, nem honestidade. Os jornalistas são do pior que há nesta amostra de pátria.

Hoje, como aliás já faz muito tempo, o meu canal vai ser o ARTE e o TV5 Monde, com os quais me identifico como cidadão e pessoa. Hoje não estou para aturar fanáticos e corruptos com véus de primas-donas.  

12 maio, 2016

Estou de volta



Afinal, não foi tão breve quanto esperava o meu afastamento do Renovar o Porto. Tinha de ser, e não estou arrependido. Precisava de arejar um pouco, de me afastar deste pesadelo. Foram muitas as decepções este ano de 2016 para manter a mesma vontade de escrever. 

Foi a política, mas sobretudo o comportamento dos altos responsáveis do FCPorto, a começar naturalmente pelo seu antigo líder, Pinto da Costa, que mais me decepcionaram. Sim, porque da (in)governabilidade política já estamos nós habituados, não obstante a ténue esperança de mudança que a nova constituição governativa possa suscitar.

Desde que me apercebi e me certifiquei que os últimos 3 anos de gestão danosa do FCPorto não foram resultado de causas imprevistas, e que o seu antigo líder já não queria liderar, sem o assumir perante os adeptos, focalizei o meu desgosto mais na sua negligência do que na desonestidade dos nossos inimigos. O termo é este, não me enganei, porque chamar adversários aos representantes de clubes de uma cidade-eucalipto, anti-democrática e hiper-centralista, que não reconhecem ao resto do país o direito a serem tratados por igual, não pode ser tratado de outra maneira, por mais que lhes doa (e eu sei que dói) ouvir estas verdades.  Mas por que haveria eu de me incomodar com o vilão, se a vítima não só consente a discriminação, como desistiu de o enfrentar? De mais a mais, quando a vítima se esfalfa a processar adeptos que não dizem ámen com ela, em vez de o fazer a quem já deu provas sobejas de odiar o FCPorto, incluindo o próprio Presidente.

A decisão de não acautelar a situação dos adeptos no negócio abrupto com a MEO, que privou um grande número deles (talvez a maioria) do Porto Canal, foi outra das desconsiderações que não perdoo a Pinto da Costa. E reparem, nem sequer foi pela qualidade do Canal, que como sabem para mim, é o espelho do FCPorto actual, complexado, parolo e adulador. A antítese do que foi num passado recente. Deste FCPorto não me orgulho. Como não me orgulho dos políticos nortenhos que calam e consentem a discriminação de que somos alvo. Por isso, e como conheço a má fé dos media e sus chulos jornalistas, não me espantei com mais essa afronta de não destacarem o feito da equipa B do FCPorto que foi o verdadeiro vencedor do campeonato da 2ª. Liga, e não o Chaves que ficou em 2º., apesar de ser o clube com direito a subir de divisão, como é natural. Portanto, não são os nossos inimigos que precisamos de mudar, porque esses só não fazem pior se não puderem, mas sim a forma de lidar com eles, que não é seguramente o silêncio. 

Para terminar, tenho a certeza, repito, tenho a certeza que se na próxima época as alterações em relação a esta e às três anteriores se limitarem à mudança de treinador e jogadores, por melhores que eles sejam, não serão suficientes para ganharmos títulos se a política de comunicação com os adeptos for a mesma e se nos deixarmos comer por lorpas como temos andado a fazer. Gravem isto para memória futura. É que, não acredito em milagres, mas sim na competência e na coragem.

Bem vindos ao Renovar o Porto



09 abril, 2016

Breve interregno


Aos leitores e amigos,

uma breve palavra, apenas para comunicar que suspenderei por uns dias a actividade no Renovar o Porto.

A ausência não será longa.

Até lá, um abraço a todos

Off topic

Este FCPorto, esta equipa. estes treinadores. são o espelho do Pinto da Costa da actualidade. Uma nulidade! Uma, vergonha! 
Qualquer dia esqueço mesmo o que de bom fez pelo FCPorto. Fico cada vez mais convencido que tudo não passou de um sonho já distante.

08 abril, 2016

O mais importante ficou por dizer

Como diz o povo, vale mais tarde do que nunca. O ditado até podia aplicar-se a Pinto da Costa se pelo caminho não tivesse precisado de 3 anos para perceber que algo estava mal no FCPorto. Podia aplicar-se a Pinto da Costa se não tivesse cometido, talvez o maior erro da sua carreira, que foi achar dispensável a comunicação com os adeptos. E, da entrevista de ontem, foi disso que menos se falou, outra vez...

Não vou negar que gostei daquela parte do balneário e do sermão que pregou aos jogadores em forma de ultimato, porque essa, era uma das suas imagens de marca do tempo em que líderava mesmo. Mas soube-me a pouco, porque dantes, ele prevenia, não reagia (tarde). Há uma diferença abissal entre estas duas formas de acção. Uma sustem os problemas, a outra remedeia-os.

Ouvi atentamente as promessas, mas não fiquei muito impressionado. A designação de um provedor do adepto pode ser uma medida interessante se fôr eficiente. Todos nós sabemos o que valem a maioria das provedorias em Portugal, são meras mediadoras de conflitos, não os resolvem. A questão é esta: que planos concretos propõe Pinto da Costa para o que tenciona fazer no futuro?

Reparem. O problema da comunicação, que é consensualmente reconhecido por todos os portistas, foi praticamente ignorado na entrevista. No entanto, tecnicamente, o problema estava ali mesmo, nos estúdios do Porto Canal, e pessoalmente também, com o Júlio Magalhães ao lado... O problema das arbitragens também não foi abordado de forma directa. Como vem sendo habitual Pinto da Costa preferiu contornar a questão enviando recados à Federação com umas alfinetadas indirectas a Fernando Gomes, seu antigo colaborador. Com estas reacções podem bem os nossos adversários, não será por isso que vão ser mais honestos e criteriosos a nomear os árbitros para os nossos jogos. Enfim, não duvido que algo irá mudar na próxima época, mas ainda duvido que o essencial seja resolvido.

Pinto da Costa, mais uma vez afirmou não gostar de blogues. Foi infeliz, e mostrou que ainda não se adaptou aos novos tempos. Aliás, pior e mais impessoal que os blogues, são os facebooks, onde até a sua mulher achou por bem entrar em sua defesa. Como é então que Pinto da Costa toma conhecimento do que pensam os adeptos? Será pelo telefone? Por carta? Se teve humildade em reconhecer que errou, não mostrou nenhuma em relação aos portistas. Ele mente, ele sabe bem que os blogues existem e que muito embora não tenham o poder de uma televisão fazem proporcionalmente bem mais pelo FCPorto e por ele próprio que o Porto Canal.

Por isso, não vou dizer que fiquei convencido. Repito: podem ir buscar a equipa do Barcelona com o Messi incluído, que se não tiverem um projecto arrojado para lutar contra a discriminação da capital, os árbitros vão continuar a fazer as coisas pelo outro lado, nem que para isso tenham de ser eles a fazer os golos na nossa baliza.

Escrevam isto, e gravem. Cá estarei para me redimir do "pessimismo"  se tudo voltar a ser o que foi , mantendo-nos caladinhos, e bons meninos.

PS-O melhor do programa de ontem foi o debate com Manuel Serrão, Cristina Azevedo e o José M. Ribeiro. Pela primeira vez no Porto Canal  vi um debate a sério e sem medos... Se funcionasse como incentivo as coisas podiam compor-se...

07 abril, 2016

Sempre a praga centralista

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou hoje o ministro do Planeamento de "penalizar a imagem" do Governo na questão da TAP, segundo uma carta dirigida pelo autarca ao primeiro-ministro, a que a Lusa teve acesso.
"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. É certo, senhor primeiro-ministro, que o senhor ministro, que terá 'perdido o Norte', penaliza a imagem do seu Governo", conclui o autarca, referindo-se a uma entrevista de Pedro Marques ao Jornal de Negócios.
Na missiva dirigida a António Costa, Moreira destaca ainda que o ministro Pedro Marques "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto porque "o Governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".
Segundo a entrevista publicada no Jornal de Negócios, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas considera que a "animosidade da Câmara do Porto penaliza a imagem da TAP". "Em concreto, verifica-se que, no discurso público, o governo se coloca ao lado da TAP e contra a Câmara do Porto", reagiu o autarca na carta enviada ao primeiro-ministro. 
Moreira alerta ainda que o ministro "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto, porque, lamenta, "o governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".
Nota de RoP: Uma vez mais, o governo optou pela solução centralista, com a ganância do costume. Estão criadas condições para se cair em erros antigos. São uma verdadeira praga, os centralistas. 
Só uma curiosidade: este caso tem certas semelhanças com o negócio do FCPorto com a MEO. Os dirigentes portistas portaram-se como o governo, não quiseram saber dos interesses dos adeptos vinculados contratualmente à NOS. Se o governo se colou à TAP, os responsáveis portistas limitaram-se a olhar pelos seus interesses económicos, colando-se à MEO, mas negligenciaram os do clube, que são os associados e  adeptos. 
Subscrevendo as palavras de Rui Moreira em relação à TAP digo: se o FCPorto não quer saber de todos os adeptos, os adeptos têm toda a legitimidade de não quererem saber dos interesses da SAD (que não é o clube).

06 abril, 2016

Fracos reis fazem fraca a forte gente

Este não é o caminho

Há na blogosfera quem me conheça pessoalmente e que sabe bem o que penso sobre o que está a acontecer no FCPorto. Em qualquer momento essas pessoas podem desmentir-me, se fôr caso disso, mas será difícil, porque o que está a acontecer, é exactamente o que eu previa. Não estou a dizer isto para me dar ares de sabichão, de gajo que nunca se engana  (como o Cavaco Silva de má memória). Estou apenas a constatar factos. Além disso, os meus posts podem confirmar muito bem o que tenho vindo a dizer. O que não imaginava é que a queda fatal fosse tão cedo.

O que mais me angustia neste virar de costas ao clube (que, é bom recordar, são os adeptos) por parte do principal responsável, são as consequências que daí resultam. As más exibições e resultados da equipa de futebol sénior, foram apenas parte do problema, digámos que funcionaram como lastro para outros problemas. Normalmente é isso que acontece, quando uma liderança se ausenta e perde a noção da sua importância. Só me espanta, é que Pinto da Costa não saiba coisa tão básica e continue aparentemente indiferente aos danos colaterais da apatia que o tomou.

Se pesquisarem os artigos que aqui mesmo publiquei, observarão que só muito contextualmente optei por responsabilizar jogadores e  treinador(es) pelas causas do que está a acontecer no FCPorto. Por uma razão muito simples - e é aqui que discordo de outros portistas -, é que eles foram vítimas da conjugação de vários factores (para eles transcendentais) pelos quais não podem ser imputados, sob pena de invertermos a lógica hierárquica dos poderes. Certas más decisões, como a escolha de Lopetegui para treinador, estiveram na base de muitas outras. Essa escolha, foi de Pinto da Costa. Por sua vez, a escolha de muitos jogadores foi de Lopetegui. E por aí fora. Por outro lado, Lopetegui não teve capacidade para impôr a sua ideia de futebol aos jogadores que escolheu. Depois, foi o que se viu, o sentido foi sempre na escala regressiva. Lopetegui não tinha mais condições para continuar. Perguntar-me-ão: então, e com Peseiro temos condições? Nestas conjunturas, quando o mal já está feito e as chances esgotadas, não me choca a mudança, mas é sempre um risco, sem dúvida. 

A todos estes factores em cadeia seguiu-se um outro, para mim o mais grave de todos: a resignação de Pinto da Costa como líder. É aqui que reside o principal problema. Ao ignorar as discriminações feitas ao FCPorto, quer por arbitragens escandalosas, algumas mesmo provocadoras, quer pela postura agressiva e faltosa dos adversários que disso se aproveitam, Pinto da Costa desencadeou uma espiral de abusos cujos resultados foram o que todos já sabemos: a perda de respeito. Mas, não foi só o respeito de quem nunca o respeitou por inveja, foi o dos adeptos que nunca estariam à espera de ser tão desconsiderados, como é o meu caso. 

Dito isto, é uma grande ingenuidade, diria mesmo, uma burrice, pensarmos que o desânimo, a raiva por nós sentida face a todas estas discriminações, juntamente com a apatia de quem mais manda no clube, não se apoderem dos próprios jogadores e técnicos. Sabendo, como nós sabemos, que com eles os árbitros são implacáveis, que à mais pequena falta podem ser injustamente castigados, e até expulsos, é extremamente difícil esperar deles grandes rasgos de superação. Os jogadores, tal como nós, perceberam que o nosso clube perdeu a capacidade de se indignar e de reclamar o respeito que lhe é devido. Perceberam que quem manda não faz o seu papel, por isso lhes falta a alma que muitos reclamam, sem compreenderem que não é com silêncio que se combatem injustiças.

Conclusão: até as modalidades, dotadas de excelentes treinadores e atletas (Andebol, Hóquei em Patins e Basquete), foram praticamente afastadas das provas mais importantes, contaminadas por esta lamentável época de negligencia, vergonha e medo. 

05 abril, 2016

As contradições de Pinto da Costa

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Pela enésima vez, o JN, sem que haja razão que o justique, volta à carga com a mesma notícia onde as figuras de Pinto da Costa e Antero Henrique são as principais visadas. 

Trata-se, como é sobejamente sabido, de uma questão de legalidade com serviços de segurança, dos quais os dois dirigentes portistas beneficiaram indevidamente. Se é verdade, ou não, ver-se-à.

O que aqui importa realçar, é a passividade do presidente portista face a estas não notícias, uma vez que não houve evolução  digna desse nome para justificar a frequência com que é publicada. Há pois aqui um propósito evidente, que é associar o nome do FCPorto às improvidências dos seus dirigentes. Mas a avaliar pelas (não) reacções, tudo isto também parece não ter grande importância. Veremos.

Afinal, qual é a diferença entre este Jornal de Notícias e o Correio da Manhã ? Será que o Sr. Pinto da Costa também se sente refém do jornal só por constar na lista do respectivo Conselho Editorial? Afinal, como é? Agora só move processos aos adeptos do FCPorto, esses malandros incapazes de se calarem? E aqueles que como eu, andaram anos a defendê-lo de tudo, e de todos (até de outros portistas), também têm de ficar calados com a renúncia à sua própria liderança? Disse renúncia à liderança, não disse ao cargo. Entendámo-nos... Será só ao cargo que se vai recandidatar? Pela parte que me toca. a gratidão, para ser eterna, tem de ter dois sentidos, caso contrário, termina. Os sucessos do passado só se justificam se não menosprezarem o presente.  

Já tenho criticado Manuel Serrão por alguns dos seus comentários, mas desta feita sou obrigado a reconhecer a pertinência das suas declarações dirigidas à SAD do FCPorto ontem no programa Prologamento da TVI. Sei que o local em que as fez não é o mais avisado, mas qual é a alternativa? O Porto Canal, onde impera a política da rolha imposta pelo presidente?

Vamos lá ver se ganham juízo, porque já têm idade e experiência para tal. Os adeptos não são cordeiros, são tão pessoas, ou talvez mais, que aqueles que enriqueceram à custa do clube e dos sócios.

Haja coerência, pelo menos, já que a competência, e sobretudo a coragem, há muito deixaram o Dragão.
  

04 abril, 2016

A cobardia da SAD reflecte-se no campo

Nunca senti tanta vergonha em ver o FCPorto jogar como nesta época. É sabido que as coisas se tinham vindo a configurar nesse sentido há 3 temporadas a esta parte, mas nunca pensei que as deixassem bater tão no fundo. Mas, não é bem do FCPorto que tenho vergonha (o clube nunca tem culpa), é de quem o dirige. 

Não podemos criticar os jogadores ou o treinador, quando eles já interiorizaram há muito que não têm dirigentes à altura de defender o clube que representam. De os defender de árbitros desonestos, de adversários que disso tiram partido de toda a maneira e feitio, e sobretudo de um sistema corrupto, implacável para quem baixa a guarda, e se rende. 

É simplesmente pusilânime o comportamento da estrutura directiva do FCPorto. É deles que tenho vergonha. Tanta, que já me esqueci do tempo em que pareciam gente brava e combativa. Hoje são o oposto, e eu não me revejo num FCPorto com esta gente. 

E mais não digo. Estou farto.

02 abril, 2016

“QUANDO VIM PARA O PORTO CONSTRUÍ UMA NOVA FAMÍLIA”

Numa sala na reitoria da Universidade do Porto, para falar com o Porto24 sobre a experiência que tiveram em Portugal, estão quatro alunos de mobilidade a estudar na instituição.
Tea Feratllari, 21 anos, e Florentina Qorri, da mesma idade, partilham quase todos os dados biográficos: vieram para o Porto em setembro para estudar História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e ficam até final do ano. São naturais de Korça, na Albânia.
Com 24, Nitika Nanda veio de Ahmedabad, na Índia, e está no segundo semestre do primeiro ano de mestrado em Planeamento Urbano na Faculdade de Engenharia. Por fim, Massimissa Ouali tem 22 anos e veio de Béjaia, na Argélia, para um mestrado também em engenharia, com especialização em data mining.
Só as duas albanesas se conheciam antes. Há algum nervosismo no ar, o inglês é afinado com conversas de circunstância, e decide-se que o melhor é lançar as perguntas e a conversa fluir à vez. As fotografias ficam para depois.
Entre os quatro estudantes, há adeptos do FC Porto, alguém com vontade de prolongar a estadia e quem queira fazer voluntariado para dar algo de volta à comunidade que tão bem os recebeu. Construíram “uma nova família” na cidade onde mais de quatro mil estudantes internacionais de mais de 90 países estudam.
Porque escolheram o Porto? Qual o primeiro impacto com a cidade?
Tea Feratllari. Foto: Carlos Romão
Tea Feratllari. Foto: Carlos Romão
Tea – Escolhi o Porto porque me foi recomendado pelos professores. Falaram-me de um programa em que podia ganhar uma bolsa. De todas a que me candidatei, fiquei no Porto. Gosto da cidade por causa de tudo o que posso ver, todos os edifícios antigos e a história da cidade, como sou de História esse é um interesse natural para mim. Queria também uma nova experiência na Europa.
O meu primeiro impacto foi como toda a gente me disse: a cidade é fantástica, as pessoas são muito amigáveis, ainda mais do que esperava, se pedirmos ajuda as pessoas até vêm connosco para nos mostrar a cidade. Ajudou também já conhecer muito de Portugal através dos meus estudos.
Nitika – Vim para cá por três razões. A primeira foi porque já tinha acabado a licenciatura e tinha de escolher um mestrado mais específico. Outra era chegar à Europa para um país onde a língua seria sempre muito diferente, por isso procurei um sítio onde se falasse muito inglês. E, finalmente, a influência que Portugal teve em Goa, por exemplo. Estive lá sete meses a preparar-me.
A imagem que temos da Europa, de grandes espaços públicos, bons transportes, estradas pavimentadas, por aí fora, foi uma imagem que encontrei cá. Mas com toda a crise que Portugal atravessa, há várias questões com as casas abandonadas, ou em reabilitação, e esse contexto é interessante para mim, para poder estudar no âmbito do meu mestrado. Espero ter uma outra visão sobre o meu ramo, não só por viver no Porto mas também quando puder visitar outras cidades europeias.
Quando cheguei ao Porto o impacto foi ótimo. A FEUP tinha várias iniciativas para receber os estudantes internacionais, uma delas foi designar alguns amigos para nos acompanharem. Foi ótimo logo desde o início ter com quem falar e a quem recorrer num momento de aperto. A UP também me ajudou bastante. A cidade é linda, é o que posso dizer numa só palavra.
Massimissa – Este programa foi-me recomendado por um professor na Universidade de Béjaia. A área de data mining é nova para mim, é uma excelente experiência, e o curso é lecionado em inglês o que é ótimo. Outra coisa boa aqui é que podemos ver a cidade, e no Porto a vida é boa, não saltas logo para o curso, não passas o tempo todo na universidade. As pessoas são muito simpáticas, mais do que achava antes de vir.
Florentina – Vim para o Porto por três razões. Porque os professores me disseram que seria uma boa experiência europeia. Ao ver todas as universidades, achei que a do Porto seria a melhor, até porque me interesso por História Medieval. Outra razão é o facto do Porto ser uma cidade barata, e achei que seria uma boa cidade para uma estudante morar (risos). Por fim, procurei a História da cidade, e isso cativou-me, há passado romano, latino, aqui.
Sentiram uma grande diferença em relação à cidade onde moravam? Por exemplo no que toca à vida noturna?
Florentina Qorri. Foto: Carlos Romão
Florentina Qorri. Foto: Carlos Romão
Florentina – Logo ao chegar, as pessoas são logo simpáticas. Mesmo quando não sabem o que estamos a dizer. Muitas vezes estão só a apontar e a dizer nomes de sítios, e quando nós não sabemos, dizem ‘ok, vem comigo então’ e levam-nos lá.
Tea – Acho que somos mais parecidos do que diferentes, na verdade. Quanto à vida noturna, também temos atividade em Korça, mas não tanta, nem tão enérgica, como aqui, isso não.
Nitika – Para mim é muito diferente. Eu venho de uma cidade que funciona como um ‘Estado seco’, não podes beber álcool. E depois chegas aqui… (risos) E claro, o ritmo também é muito diferente. Ou melhor, a densidade. Vindo da Índia, onde moram 1,2 mil milhões de pessoas, há muito menos gente na rua… muita gente corre, para o metro ou só porque sim, mas tentam ajudar muito mesmo que não saibam muito de inglês. Quero muito aprender português com outra fluência para poder ouvir conversas nos autocarros, ver a interação nos cafés, no fundo perceber melhor como é que as pessoas fazem o seu dia-a-dia, conhecer melhor a cidade por dentro.
Massimissa – Sim, há diferenças. Para mim, algo diferente de Béjaia é a temperatura. O tempo aqui é mais mediterrânico. Outra coisa é a estrutura, a arquitetura, dos edifícios. No Porto, há dinâmica, movida, eventos, durante todo o ano. Em Béjaia, é só no verão. Também já estive em vários recintos desportivos e é algo com outra escala, completamente diferente.
É fácil fazer amigos por cá? É mais confortável com colegas de Erasmus ou estudantes locais?
Nitika – É igual, eu acho. Com alunos internacionais, há eventos em que todos se reunem e depois é fácil reconhecê-los. Mas é fácil conhecer portugueses, também brasileiros, por exemplo…toda a gente sabe que estamos cá há pouco tempo e vimos de outra cultura, que estamos à procura de nos estabelecermos, por isso acabam por ser ainda mais simpáticos. É uma boa mistura de tudo.
Massimissa – Desde o início, conheci vários amigos portugueses que me ajudaram imenso e tornaram a minha estada fácil, até porque estiveram a trabalhar na minha cidade. Também fiz amizade com vários estudantes internacionais.
Que tipo de interação e contacto têm com a cidade para lá da universidade?
Tea – Fazemos parte da Erasmus Student Network (ESN), que tenta integrar-nos em várias atividades e levar-nos atividades e a descobrir a cidade. Já visitamos, até, outras cidades, como Guimarães, Lisboa, Coimbra, por aí fora. Sempre que podemos, tentamos envolver-nos na cidade e na cultura.
Florentina – Como estamos cá por um ano, no primeiro semestre estamos a descobrir a cultura, e no próximo queremos agir e integrar-nos na comunidade. No segundo semestre, queremos [Téa e Florentina] fazer trabalho de voluntariado.
Massimissa – Desde que cá cheguei, comecei a ir ao ginásio e à natação. Também faço parte da ESN. Vou frequentemente a concertos e a jogos de futebol. Sou adepto do FC Porto, estou rodeado de adeptos do clube. Além dos meus amigos, joga um argelino no clube, Yacine Brahimi, por isso tenho de apoiar o clube.
Quando voltarem às cidades e países de origem, o que vão dizer do Porto?
Nitika Nanda. Foto: Carlos Romão
Nitika Nanda. Foto: Carlos Romão
Tea – Até agora a experiência foi ótima. No Natal, poder cear com uma família portuguesa fez-me sentir em casa. O curso de língua portuguesa também tem sido ótimo para nós. Estas foram as melhores experiências que cá tive. Quando voltar, vou recomendar a cidade e dizer a toda a gente para cá vir.
Florentina – É uma ótima cidade que deixa uma ótima impressão. Tenho muitas saudades da minha família e da minha casa, mas o que lhes vou dizer quando voltar é que fiz cá uma nova família. É uma cidade ideal para se criar uma família, sem dúvida. Não só visitar, como um turista, mas viver cá durante algum tempo.
Nitika – Já comecei a pedir aos meus amigos para me visitarem, e para se candidatarem à mesma bolsa que eu. A cidade, a experiência, tudo está a ser ótimo. Quero começar a ter mais aulas de português. A única coisa de que não gostei foi do gabinete do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, porque nem sequer bom inglês falavam. Como é que é possível? De resto, adorei a cidade.
Massimissa – Claro que a vou recomendar aos meus amigos. Uma sugestão que vou fazer-lhes é que aprendam português antes de vir (todos riem). Porque pessoalmente tive algumas dificuldades por não saber falar a língua. Tentei em Béjaia e desisti.
Nitika – Mas muita gente me disse que em Espanha é ainda pior, sem falar espanhol ninguém sobrevive um dia que seja.
Tea – Até porque quase toda a gente fala bom inglês no Porto.
Massimissa – Falo inglês e francês, e a língua é útil porque muita gente conhece uma ou outra língua.
Mas saber falar português muda a experiência.
Nitika – Sim, sem dúvida. Ajuda a perceber melhor a dinâmica da cidade e de quem cá vive.
Alguém está a pensar viver no Porto para lá do tempo em que cá vão estudar?
Massimissa Ouali. Foto: Carlos Romão
Massimissa Ouali. Foto: Carlos Romão
Nitika – Para mim, é algo no horizonte. O meu primeiro objetivo é terminar o mestrado. As coisas não estão fáceis em Portugal. Tenho as opções abertas no mundo inteiro, mas se não me surgir nada vou voltar à minha cidade.
Que dificuldades encontraram em Portugal?
Florentina – Não encontrei grandes dificuldades. No que toca às aulas, como são em português, no início era muito complicado, tinha que estudar sozinha.
Nitika – Nada é muito difícil. Não é tão difícil estar longe da família, com o Skype e as redes sociais.
Massimissa – A língua foi um problema, até porque o meu inglês não era assim tão fácil. Estudar em inglês, depois de aprender toda a minha vida em francês, foi difícil. Mas depois de algumas semanas tornou-se mais fácil.
O que é que ainda vos falta fazer na cidade, ou no país, antes de voltarem aos países de origem?
Florentina – O trabalho de voluntariado, queremos mesmo fazer isso.
Massimissa – Quero praticar surf. E quero muito ir ao topo da Serra da Estrela com os meus amigos, por ser o ponto mais alto de Portugal Continental.
Tea – Queremos continuar com o curso de português. Tenho adorado.
Nitika – Não é bem Portugal. Quero muito viajar por toda a Europa.
Florentina – Quando voltar à Albânia, vou de certeza ser mais otimista e rir-me muito mais. Não me ria tanto antes. Quero ser mais simpática, ter a mente mais aberta…
Tea – Isto foi algo que aprendemos em Portugal, a ter a mente aberta.
É uma cidade alegre, então?
Nitika – Li algures que no Porto as pessoas só se abrem contigo quando te conhecem bem. Mas eu não senti essa diferença. As pessoas foram sempre muito abertas.
Massimissa – Os meus amigos contaram-me uma piada sobre o povo português. Disseram-me que quando se pergunta a um português onde fica uma tal rua, ele vai fazê-lo durante umas três horas, ao ponto em que temos de lhes pedir para parar (todos riem). É só uma piada, mas é o quão simpáticas são as pessoas.
Há algo que não consigam encontrar aqui que tivessem nos países de origem?
Nitika – O meu carro (risos). E o sol.
Florentina – Tenho saudades da neve.
[Fonte: Porto 24]

31 março, 2016

"A TAP é que é subsidiada"



Em reação à entrevista de hoje, ao JN, do presidente da TAP, Fernando Pinto, o autarca contra-atacou: "A única companhia aérea que é subsidiada é a TAP".
Na entrevista publicada, na edição desta quinta-feira do JN, o presidente-executivo da TAP, Fernando Pinto, garantiu que aquela companhia aérea nunca poderá ser competitiva no Porto porque não consegue "enfrentar as low-cost". E denunciou que empresas como a Ryanair conseguem tarifas mais reduzidas porque recebem apoios de "instituições de turismo, hotéis, aeroportos e até das câmaras".
"A Câmara do Porto nunca pagou a nenhuma companhia aérea. A única companhia aérea que tenho a certeza que é subsidiada é a TAP", reafirmou Rui Moreira, no final de uma reunião, no início da tarde desta quinta-feira, com o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo.
O presidente da Câmara do Porto já tinha deixado essa garantia no passado dia 3 de março, numa conferência de imprensa, na Autarquia, em que a Ryanair anunciou que ia tomar conta da ligação Porto-Malpensa (Milão), suspensa pela TAP. Na altura, o diretor de rotas daquela empresa irlandesa, Niall O'Connor, confirmou.
Esta quinta-feira, voltou ao assunto, na única reação que aceitou dar à entrevista de Fernando Pinto. "A TAP é subsidiada por todos nós", contra-atacou o autarca portuense, referindo-se, por exemplo, aos prejuízos causados pela "operação Brasil", que terão atingido os 500 milhões de euros. Paulo Cafôfo associou-se ao Porto na "guerra séria" contra a TAP e confirmou que, também no caso da Madeira, a Câmara do Funchal nunca subsidiou qualquer companhia aérea.

A gula dos aparelhos partidários mata a política

Manuel Pizarro

Não me atrevo a prognosticar o futuro sobre o que vou dizer a seguir, mas uma coisa é certa, os partidos políticos têm de repensar muito bem o modo como lidam com os cidadãos, sob pena de deixarem cair de vez o dogma da sua imprescindibilidade social em democracia. 

As abstenções, ao contrário do que os próprios políticos apregoam, são cada vez mais uma demonstração cívica reflectida de protesto, do que um sinal de desinteresse. Há novos protagonistas "independentes" que começam a embaraçar os aparelhos partidários, e a ultrapassá-los, mas a culpa é exclusivamente destes últimos.

Penso em Manuel Pizarro, e nas pressões de que está a ser alvo por parte do aparelho socialista  no sentido de o convencerem a apresentar uma candidatura própria às próximas eleições da autarquia portuense. Ao fazê-lo, o Partido Socialista está a cometer duas asneiras básicas. A primeira, talvez a mais grave, é desprezar o papel altamente digno do colega Pizarro que, em vez de criar obstáculos ao trabalho de Rui Moreira, optou por cooperar. Cooperação que se louva, sobretudo porque ninguém pode dizer que a gestão camarária não evoluiu significativamente em muitos aspectos comparativamente ao seu antecessor Rui Rio. Não é perfeita (há muito que fazer) mas é dinâmica e altamente interventiva, coisa rara no Porto, nos últimos anos... 

Manuel Pizarro tem revelado o bom senso que alguns colegas de partido não têm: os portuenses primeiro, o partido depois... Outro erro político do PS, é ignorar que nas circunstâncias actuais, em que Rui Moreira tem assumido (e bem), papel preponderante na defesa do Porto e do nordeste peninsular (Galiza incluída), que carrega a bandeira contra o centralismo, coisa que os políticos prometem mas acabam sempre por não cumprir, faz com que os cidadãos concluam que o PS se interessa mais pela conquista de lugares, do que pelos interesses do povo. Eu retirei a mesma conclusão.

Não me admira pois, que Marcelo Rebêlo de Sousa tenha bebido alguma inspiração no exemplo de Rui Moreira. Não que os estilos se confundam, até porque têm personalidades diferentes, mas a capacidade de comunicação é algo semelhante. Os próximos tempos dirão se o PS aprendeu de vez a lição, ou se pretende perder mais eleitores. Não é Pizarro que está mal, é parte do PS.


30 março, 2016

A REUNIÃO DE RUI MOREIRA COM FERNANDO PINTO



Também hoje, o Jornal de Notícia antecipou um excerto de uma entrevista a Fernando Pinto, o presidente da Comissão Executiva da TAP, onde este afirma que Rui Moreira concordou com as alterações anunciadas pela TAP, durante uma reunião em dezembro. Ora, o que Fernando Pinto não disse ao Jornal de Notícias, mas Rui Moreira conta no seu livro TAP Caixa Negra, é que durante essa reunião, ocorrida em dezembro na Câmara do Porto, aquele administrador não lhe deu todos os dados, não lhe falando da supressão de 74 voos internacionais semanais, não lhe dando dados acerca da ocupação dos voos nas rotas suprimidas, não lhe dando informação acerca das aeronaves que iriam operar a rota, não o informando acerca da nova rota para Vigo, não lhe dando a informação que, embora a TAP mantivesse as rotas intercontinentais, iria suprimir 40% dos voos para a América Latina e América do Norte.

As declarações de Fernando Pinto confirmam, por isso, as de Rui Moreira no seu livro, mas, mais uma vez, omitem parte da verdade.

(Fonte: Portal de Notícias do Porto)