23 abril, 2009

Donzelas ofendidas

Desde 1968 até à pseudo-revolução de 25 de Abril de 1974 [vai completar 35 anos brevemente], os portugueses dispunham de dois canais do Estado, cuja constituição em sociedade* anónima [SARL], foi realizada em 1955, começando a emitir 2 anos mais tarde, em 1957. Foram 35 anos [exactamente o mesmo tempo de «democracia»], que vivemos limitados aos dois actuais canais do Estado, a RTP 1 e 2, dado que só em 1992, é que apareceu a SIC, e um ano mais tarde, a TVI.
Com o advento da sacrossanta «democracia» e o pluralismo da informação e programação, tantas vezes prometido pelas televisões privadas, os portugueses estavam longe de imaginar o bluff em que se iriam transformar tais projectos. Se fecharmos os olhos e descontarmos o reconhecimento das vozes dos apresentadores, teremos muitas dificuldades em distinguir umas estações das outras, podendo [sem exagero] resumir as suas actividades a uma simples duplicação de serviços. O que me ocorre pensar, é o que ganharemos nós com isto. Eu diria que ganhámos muito pouco, ou quase nada. O mesmo, já não podemos dizer das televisões, que através de doses maciças de sensacionalismo e má informação, conquistam audiências acumulando capital e poder.
Sinais desse efectivo poder, são o anúncio da intenção do casal TVI [Moura Guedes/Eduardo Moniz] mover um processo ao 1º. Ministro Sócrates pelas declarações depreciativas que fez àquele canal. Este enérgico recurso aos serviços da justiça por um órgão de comunicação contra um primeiro Ministro, é pois, mais uma manifestação de poder, que propriamente um acto de coragem. Além disso, sabe a chow-off, sabe a vaidade encapuçada de legítima indignação.
O Dr. Mário Soares ajuda-nos a perceber as incongruências repartidas de toda esta situação, com as declarações expressas no jornal Público de hoje. Diz ele que [cito] "o Primeiro Ministro está a ser tratado como se fosse suspeito, a Constituição garante a presunção de inocência a quem não tem uma sentença julgada em tribunal a condená-lo, e a presunção de inocência é um direito de qualquer cidadão".
Sábias palavras as do «bem amado» Dr. Mário Soares, mas tardias e elitistas. Quantos portuenses teriam gostado de o ver a ter atitude similar com a caça ao homem que os media têm movido e movem a Pinto da Costa! E porque, se manteve silencioso neste caso? Por que não se tratava de um 1º. Ministro? O que o fará pensar que um 1º. Ministro merece mais respeito que um dirigente de futebol? Que paradigmas de serviço público terá o Dr. Mário Soares para nos apresentar que o levem a tirar tal conclusão? Pessoalmente - e suponho não estar só neste particular -, considero muito mais relevante em termos de competência e até de prestígio para a minha cidade, o que tem feito Pinto na Costa pelo futebol do que os políticos todos juntos pelo país!
É à luz destas manifestações selectivas de inquietação democrática, que se esvaziam as mais sábias afirmações. Nem Sócrates, nem J. Eduardo Moniz, nem Mário Soares têm qualquer autoridade moral para se indignarem, porque nenhum deles está inocente, quer por acção, quer por omissão. Façam portanto depressa as pazes, porque cabem todos no mesmo circo, e deixem de fingir que vivem fora dele.
*Sociedade com capital tripartido: Estado, particulares e emissores privados de rádio e tv

22 abril, 2009

Grandes Aeroportos ou Elefantes Brancos?

A Boeing, depois de ter efectuado estudos exaustivos de mercado, após o 11 de Setembro, irá lançar, nos próximos anos, o novo avião, de baixo consumo de combustível, o 787 Dreamliner (200 a 300 lugares) para voos de longo curso, apostando na opção de voos ponto a ponto (o mesmo procedimento das Low Cost num raio até 2300Km), em vez de utilizar os aeroportos Hub. É uma estratégia diferente da Airbus, relativamente ao A380, que foi projectado antes do 11 de Setembro de 2001. Após esta data, as apertadas medidas de segurança levam o mercado a privilegiar as ligações ponto a ponto, em detrimento dos aeroportos Hub, o que poderá colocar em causa a estratégia que propõe a construção dos grandes aeroportos, o que será o caso de Alcochete.

Veja esta apresentação da Boeing com data de Novembro de 2006

Links JN (Porto)

Governo intervém no júri do metro do Porto pela primeira vez

Todos os eventos reunidos num portal

Rio acusa Governo de travar reabilitação na Sé

Imóveis não foram alienados e acordo do Parque morre

Invasão de cartazes com regras para todos os gostos

21 abril, 2009

Justiça severa para políticos corruptos

Tenho a ideia de que os únicos cépticos com relação ao mau funcionamento da justiça, traduzida em frases do género, "há uma justiça para pobres e outra para ricos", serão os próprios juízes. Mesmo assim, duvido que sejam todos. Como tal, acreditando que exista uma franja minoritária de juízes descontentes com a Justiça que se (não) faz em Portugal e da reputação quase anárquica de que goza junto das populações, haverá código deontológico decente que justifique a proibição de intervirem activamente no sentido de a requalificar?
Presumimos que os senhores juízes, antes de aplicarem a Lei, nas decisões [tantas vezes difíceis], que têm de tomar, saibam também aplicar a sensatez, de forma a contribuírem para a restauração da credibilidade da Justiça na opinião pública. Caso andemos equivocados e se, como frequentemente acontece, os senhores juízes preferirem continuar a transmitir uma imagem de sobranceria e distanciamento para a população, então o caminho será bem mais longo e complicado. Será que é isso que pretendem? Custa a crer.
Se é importante estarmos informados sobre o que passa à nossa volta, a força da informação perde-se pela escassez de meios juridicamente autorizados para que o comum cidadão lhe possa retirar o presumível proveito. O cidadão é um mero espectador, porque a Justiça não é capaz de responder à altura das suas necessidades, retirando-lhe o efeito protector que supostamente ela deveria produzir.
Vem, no Público de hoje, um exemplo desse sabor a injustiça traduzível das declarações de uma procuradora no julgamento de um caso de peculato na Câmara Municipal do Porto em 2001 onde é [outra vez] o "mexilhão" na forma de funcionário, quem paga as favas. A senhora procuradora teve este desabafo durante as alegações finais: «infelizmente, Ernestina Fernanda [ex-vereadora PS do pelouro da Educação], apesar de ter sido inicialmente acusada, não se sentou no banco dos réus porque não foi pronunciada no processo». Escuso-me a reeditar aqui a notícia porque está acessível no jornal on-line, mas não posso repudiar esta reacção conformista da justiça perante uma atitude de manifesto abuso de poder quando as provas incriminatórias foram tão evidentes.
O Sr. Procurador Geral, também não deve estar incomodado com a situação. O caso não tem tanta relevância política como teria se a senhora vereadora ser chamasse Pinto da Costa, mas há que ser coerente, tanto na determinação como no folclore. Podemos estar seguros que para ele este caso não é suficientemente mediático para lhe tirar dos ombros os pesos pesados da Freeport e da Casa Pia, muito menos para os fazer esquecer [por enquanto].
O problema em Portugal já não se pode colocar em termos de pessimismo ou optimismo. Perdermos tempo com estas maquilhagens, é participarmos no jogo dos infractores, pelo que a prioridade das nossas inquietações deve ser apontada noutras direcções para além do circo político do costume, considerando que os actores do regime já não convencem ninguém. A Igreja, é o que é, está lá, no seu sítio sagrado, quietinha, a ver no que param as modas. Esqueçámo-la. E nós? O que havemos de fazer para moralizar a vida em comunidade? Sim, moralizar, foi isso que eu disse. Sinto essa necessidade como um imperativo de consciência social, e reforço-a sempre que oiço um dirigente do Estado falar. Mas para moralizar, o crime não pode continuar a compensar e a ficar sem castigo.

20 abril, 2009

Mau tempo

Julgo que o S. Pedro tem querido apresentar-nos um clima condizente com o actual sentir dos portugueses: triste, cinzento, indutor de pessimismo, com presságios de tempo ainda pior à nossa frente. A situação económica é uma desgraça, o governo, cheio de ministros com falta de qualidade e nitidamente incapazes de "dar a volta ao texto", preocupa-se mais em arranjar desculpas para as suas inépcias do que em arranjar soluções. O primeiro-ministro sofre graves acusações, com contornos suspeitos que levam a que mesmo os cidadãos bem intencionados tenham profundas dúvidas sobre a sua inocência. Os problemas do país são escamoteados e um falso triunfalismo é alardeado. A solução proposta para os actuais problemas económicos é constituída por incomensuráveis gastos públicos em duas ou três obras farónicas obviamente centralizadas em Lisboa.

O economista Santos Pereira, professor numa universidade canadiana, escreveu um texto no Público do passado dia 17 onde afirma que " a verdade é que nesta altura de dificuldades, apostar no TGV é de uma irresponsabilidade inqualificável", basicamente porque "vamos individarmo-nos ainda mais, e ainda por cima não vamos beneficiar a generalidade da indústria portuguesa, com a excepção do sector da construção". Acrescenta ainda que " é completamente inaceitável que o governo insista em continuar a avançar com o projecto antes de terminar o seu mandato".

Mas certamente que TGV, novo aeroporto de Lisboa e terceira travessia sobre o Tejo, seguirão em frente, demonstrando claramente que o governo pretende atingir o point of no return o mais rapidamente possível.

Procuro não pensar no estado a que chegaram a Justiça e a Educação, para não agravar mais o meu pessimismo. Felizmente que o clube do meu coração continua a somar êxitos rumo ao TETRA. Nós, portistas, temos este consolo. E os benfiquistas agarram-se a quê, às grandezas de outrora?

Ó Meireles!

Só agora percebemos porque é o F.Clube do Porto, não passou às meias finas da Champions.

O Raul Meireles em vez de se concentrar na bola, andou entretido com exercícios pouco ortodoxos, para espanto do ex-portista Anderson, que por sinal até fez uma grande exibição...

inner city

WORKSHOP "LUGARES EFÉMEROS"
responsável. ‘Lugares Efémeros’
24 a 27 de Abril
+Informações
PONTOS DE INSCRIÇÃOAssociação de estudantes FAUP e Gabinete de Estudante FBAUP
+Via e-mail

VIP'S e vip's

Segundo a comunicação social da madrasta Lisboa, as V.I.P.'s (very importants persons), são - com o devido respeito -, pessoas como a Lili Caneças, as manas Jardim e a taróloga Maia. Na minha modesta opinião, acho que não, e ainda não consegui perceber a profundidade de tão magna qualificação. Defeito meu, talvez, até porque num mundo nivelado pela mediocridade, sou cada vez mais alérgico a este tipo de siglas e bajulices.
Mas, se quisermos esquecer o ridículo da coisa e entrar por momentos neste jogo de vaidades e relacioná-las com competências, ou valores, a minha escôlha vai para pessoas com projectos como este:

Sabem onde ele pára?




Invasão de cartazes com regras para todos os gostos
Área Metropolitana Porto e Valongo têm regulamento próprio, Gaia prepara limitação de locais
CARLA SOARES/JN
A guerra dos cartazes políticos está instalada. A maioria das câmaras rege-se pela lei geral para a afixação, mas as regras permitem diferentes interpretações. Porto e Valongo têm regulamento próprio, enquanto Gaia prepara limitações.
Num ano de três actos eleitorais, a troca de acusações em torno da colocação de cartazes chegou aos tribunais. Primeiro, em Matosinhos, com a Comissão Nacional de Eleições (CNE) a notificar a Câmara para repor material de diferentes forças políticas. Em Vila do Conde, a mesma imposição da CNE originou um recurso da Autarquia para o Tribunal Constitucional.
O que a lei diz é que a afixação de mensagens de propaganda em lugares ou espaços públicos é livre no sentido de não depender de licença camarária, excepto quando o meio utilizado exigir obras de construção civil. E não está dependente de comunicação prévia. Ora, a aplicação da lei parece depender da interpretação do que é obra de construção civil. A Câmara de Matosinhos diz ser este o caso da colocação dos pilares, por exigir a abertura de buracos e a aplicação de cimento.
Em Vila do Conde, gerou-se outro desentendimento. A Lei 97/88 de 17 de Agosto determina que podem as autoridades adoptar medidas para proibir a afixação quando esteja em causa a protecção de zonas e prédios, pelo seu estatuto ou valor histórico e cultural. Podem também ser removidos meios que afectem a segurança de pessoas e bens.
Porém, antes de mandar remover material, as Câmaras devem notificar e ouvir as forças políticas. O que o presidente da Câmara alega é que a estrutura do PSD estava cravada no passeio da marginal, qualificada ao abrigo do Polis, num projecto de Siza Vieira.
Além disso, argumenta que não estava identificada, pelo que não podia informar o proprietário. Neste caso, o material não beneficiaria de protecção legal, mas o facto do PSD ter comunicado previamente a sua localização foi suficiente para a CNE mandar repor.
No Porto, as regras estão definidas no Código Regulamentar, com críticas da Oposição aos limites impostos. A cidade está dividida em três zonas. Nas brancas, a afixação é livre; nas amarelas, fora dos períodos eleitorais (seis meses antes do acto), depende da comunicação prévia ao Município. As zonas vermelhas, parte menor, correspondem, por exemplo, à Sé do Porto, à Avenida dos Aliados e à Rotunda da Boavista. É proibido afixar cartazes, excepto no período oficial de campanha, para os candidatos às Juntas.
Em Março, a Câmara notificou a candidatura de Elisa Ferreira, pelo PS, para retirar cartazes colocados nas zonas "proibidas".
Valongo é a outra excepção. O regulamento impõe a "obrigatoriedade do licenciamento" e, não só proíbe a afixação em locais legalmente previstos, como tem, em anexo, um mapa com as zonas interditas. Fonte da Autarquia ressalva, porém, que, onde é permitido afixar, não tem exigido licenciamento em épocas eleitorais.
Em Gaia, apurou o JN, a Autarquia está a preparar um documento, em jeito de apelo aos partidos, com locais onde não é aconselhável afixar cartazes, como no Centro Histórico e na marginal.
Quanto custa a propaganda
180 euros a 200 euros por mês é por quanto fica o aluguer de uma estrutura para um cartaz 8x3, tamanho mais corrente nas campanhas eleitorais. O cartaz em si, dependendo da qualidade do material e da negociação do orçamento, poderá rondar 120, 150 ou 180 euros. 40 euros a 70 é quanto custa o chamado "mini", cartaz que mede à volta de 2,40 por 1,70. O aluguer da estrutura para este cartaz mais pequeno fica, entretanto, por 60 a 70 euros por mês. Os custos incluem a mão-de-obra.

19 abril, 2009

A Regionalização e os media

O aproveitamento que a comunicação social fez da liberdade de opinião após a instauração daquilo que, ela mesma, gosta de chamar «democracia», está longe de ser exemplar. O poder, tende a toldar a lucidez de quem o detém, e os media, apesar de terem vivido vastos anos na clandestinidade a protestar contra os abusos do Estado Novo sobre as liberdades individuais, mal as conquistaram, esqueceram-se que a reivindicação reclamada não começava nem terminava dentro das suas portas.
Os abusos da imprensa, raramente são contestados pela opinião pública, não obstante a facilidade de serem provados nas páginas de um sem número de jornais, porque está espartilhada e dependente da sua vontade. Se o leitor enviar para um jornal uma carta a criticá-lo pelos seus critérios editoriais, é certo que nunca será publicada. Quer o reconheça ou não, a realidade é que alguns (e não são poucos) jornais de hoje, além de sectários, são literalmente anti-democráticos e exercem censura. E já alguém os ouviu a debater o assunto com verdadeiro empenho?
Só assim se compreende aquilo que o Rui Farinas quis dizer nesta frase do seu último post:
«Adicionalmente acontece que esta relutância do poder político não é única, na medida em que a comunicação social, seja por desinteresse seja por subserviência aos poderosos, tem mantido o silêncio sobre o tema, e tem-se abstido de fazer sondagens que permitiriam começar a lançar alguma luz quanto à disposição do eleitorado, sobre a qual há uma completa e prejudicial ignorância.».
Pela minha parte, não vejo a atitude da comunicação social em relação ao tema da Regionalização com a benevolência de Rui Farias, porque é a sua credibilidade que está em causa. Virar as costas a um assunto que já fez Lei na Constituição da República, é tão grave como a decisão de a alterar para a sujeitar a referendo. O resultado foi o que se viu. A comunicação social é, por omissão, cumplíce do poder político, e dessa fama já não se livra.

17 abril, 2009

Porque não haverá regionalização ( III )

Indiferença e ignorância

São dois factores que têm sido cuidadosamente preservados pelo poder central, na medida em que constituem poderosas armas (camufladas) na luta contra a regionalização. Foram fundamentais em 1998 e tornarão a sê-lo no próximo referendo.

O resultado negativo de 98 não foi devido, como nos quiseram fazer crer, ao mapa que então foi proposto. Houve causas mais profundas que explicam uma abstenção de 51,7% e os 63;6% dos votos no NÃO. Então como agora, a indiferença de muitos, potenciada pela falta de entusiasmo que grande parte dos portugueses sente pelos referendos, originou que mais de metade dos eleitores inscritos se tivesse alheado de votar. Quanto à derrota do SIM, ela foi mais uma derrota por ignorância do que por convicção, o que poderia ter sido ultrapassado se tivesse havido uma honesta campanha de esclarecimento. Permito-me recuperar parte do comentário que escrevi logo a seguir ao referendo.

Um dia a regionalização será apresentada não como uma luta entre partidos políticos, entre direita e esquerda, mas como um sistema mais eficiente e mais justo de organização político-administrativa.

Um dia os políticos que dizem patrocinar a regionalização vão querê-la realmente, e não fazer de conta que a querem, e então explicarão aos portugueses, com conceitos símples e exemplos concretos tirados do dia-a-dia, quais as vantagens daí resultantes, conduzindo uma campanha de comunicação bem idealizada, viva e convincente.

Um dia se discutirão várias hipóteses de mapas das regiões e, com referendo ou sem referendo, se fará uma escolha que, na impossibilidade satisfazer toda gente, terá o consenso de uma maioria.

Um dia os políticos que se dizem a favor da regionalização não puxarão dos seus galões para ordenar aos mais entusiastas que se deixem de "berrarias" e não limitarão os argumentos a utilizar, sob o pretexto de que não se pode "atacar" Lisboa.

Nesse dia, finalmente, a regionalização triunfará, a descentralização será um facto e a partilha de poder será irreversível.


Hoje, pasados dez anos, já não acredito que esteja próximo esse " um dia" em que a regionalização acontecerá. Até agora não se tem percebido nenhum esforço do governo no sentido de procurar esclarecer os portugueses, a fim de que possam votar em consciência. É verdade que o próximo referendo nem sequer está marcado, mas é tão patente a relutância dos políticos em relação à regionalização (declaradamente na liderança do PSD, disfarçadamente no PS) que infelizmente devemos estar preparados para que aí venha "mais do mesmo". Adicionalmente acontece que esta relutância do poder político não é única, na medida em que a comunicação social, seja por desinteresse seja por subserviência aos poderosos, tem mantido o silêncio sobre o tema, e tem-se abstido de fazer sondagens que permitiriam começar a lançar alguma luz quanto à disposição do eleitorado, sobre a qual há uma completa e prejudicial ignorância.

Conclusão

Na presença de tantos e tão formidáveis obstáculos, dos quais o maior é a falta de vontade e consequente oposição dos principais partidos políticos, a regionalização está em risco de não se materializar. Como regionalista convicto, espero fervorosamente estar enganado e desejo que factos novos, imprevisíveis neste momento, venham alterar profundamente este panorama negativo. Caso contrário, a capital continuará a drenar os recursos do país e a inchar ( até aos 5 milhões de habitantes que alguns recomendam e desejam?) enquanto o resto do território continuará a definhar e pouco a pouco as suas populações terão de escolher entre viver mal ou emigrar.

Elites

Quando me falam de elites, perco imediatamente o interesse em saber o que vem a seguir. Enaltecer o elitismo num país cada vez mais encharcado por escândalos em que os principais protagonistas pertencem ao dito cujo «clube», é um verdadeiro insulto à inteligência de um homem.
Mas, quando é que as pessoas de bem se decidem a sair da idade média? Ao menos digam e expliquem o que é que entendem por elites, porque para mim é pouco mais do que uma futilidade. Eu sei, que por cá ainda há muito piroso que adora ser tratado por doutor, mas que diabo, com tantos anos de estudo não foram capazes de arejar melhor os miolos?
Ser-se elitista é ser-se fútil, mas, a ter que se atribuir outro sinónimo só pode ser este: racismo social!
Exterminem a porcaria do termo, porra!

Xutos e Pontapés-Sem eira nem beira




Nota:

Não gosto mesmo nada da voz dete tipo, nem do grupo, nem da música, mas esta letra só peca por defeito

Jackie Wilson- to be loved



("ídolo" da minha adolescência)

Um Porto,mais Porto, com Elisa Ferreira?

Já não é segredo para ninguém, que não tenho qualquer apreço pelo estilo e pelo conteúdo do trabalho do Presidente da Câmara do Porto. Penso que escrevi quanto baste a explicar os porquês dessa desvalorização, e se o deixei de fazer, não foi por ter mudado de opinião, foi apenas por "recear" vir a ser também acusado de fazer parte de uma qualquer seita obscura de conspiradores, que, qual D. Quixote, Rui Rio tanto gosta de imitar. A partir de um determinado momento, Rui Rio, deixou de ocupar espaço nas minhas prioridades, embora continue a preocupar-me com os eleitores que lhe reconhecem méritos. Esse é o meu grande enigma.
Como já disse e repito, os partidos políticos, enquanto órgãos de expressão democrática, não me convencem, mas ainda quero acreditar no mérito pessoal de algumas excepções, consciente da dificuldade acrescida que isso representa para quem vai para a política de boa fé. Serão raros os casos, mas quero continuar a acreditar que ainda se encontrem algures por aí.
A candidata independente pelo PS à Câmara do Porto, é um desses casos. O PS não me infunde confiança, Elisa Ferreira, sim. E, por quê?
Na passada quarta-feira europeia de futebol, Elisa Ferreira, aproveitou a visita da equipa de Manchester à nossa urbe, para convidar 3 especialistas em reabilitação urbana a percorrer a pé [como já a vi várias vezes] e à chuva, as ruas do Porto e mostrar-lhes o estado de degradação das casas do centro histórico. Naturalmente que o passeio não foi propriamente para fins turísticos, foi certamente para se aconselhar e recolher impressões de pessoas entendidas no assunto oriundas de uma cidade que passou por problemas semelhantes com aparente sucesso.
Elisa Ferreira ainda não está na Câmara, nem sequer foi eleita, mas já dá sinais de um dinamismo e de uma consciência do cargo a que se candidata que Rui Rio nunca foi capaz de mostrar. Estes, são passos que é preciso dar. Quem não sabe, procura informar-se junto de quem tem experiência, mesmo que vinda de um país com realidades distintas do nosso. Mas, o início do caminho é esse.
Rui Rio, não tem sequer a noção do capital que desbaratou com o conflito criado com o Futebol Clube do Porto só por não ter resistido à medíocre tentação de agradar a Lisboa. Ainda ontem, o Porto Canal transmitiu um programa com pessoas da cidade, de diferentes áreas de actividade, onde esse aspecto foi devidamente abordado. E um dos pontos mais enfatizados foi o desperdício da Câmara por durante 8 anos não ter sabido capitalizar a marca Futebol Clube do Porto, como devia, para dinamizar o turismo da cidade. Em Portugal, não há marcas com a força do Porto, do vinho do Porto, e a mais conhecida actualmente, o Futebol Clube do Porto.
Aliás, ainda não consegui compreender porque é que, depois da projecção mundial alcançada pelo clube portuense, estes últimos 20 anos, ainda nenhuma companhia vinícola do precioso néctar se associou ao clube para publicitar e ampliar os seus mercados. Se a selecção promove a cerveja Sagres, não seria possível ao FCPorto promover o vinho do Porto? Não seria este, o «casamento» perfeito?
Foi paradigmática a expressão de um dos expertos ingleses [consultar o Público de hoje], que acompanharam Elisa Ferreira: «eu não sabia que aquilo [apontando para Vila Nova de Gaia] era outra cidade e os investidores também não sabem, nem querem saber. Para eles, é Porto.» Vejam só: «é preciso vender a marca Porto!». Os ingleses dizem-nos isto, enquanto nós, pequeninos, invejosos como sempre, andamos entretidos com guerrazinhas intestinas, a dividir, dividir, inventando "centrismos" a cada quintal que aparece, sendo o mais badalado o portocentrismo, como se o Porto tivesse algo a ver com o poder efectivo centralista de Lisboa!
Santa cretinice! Braga [de onde sopram mais estes ventos], é uma cidade que adoro, mas tem de se libertar da influência beata das igrejas, porque isto, é paroquialismo do mais retrógrado que alguém pode conceber! São autênticos tiros nos pés que o resto do país dá a favor do verdadeiro centralismo! Abram os olhos senhores!

16 abril, 2009

Rematar bem na Europa, exige-se!

Ainda na ressaca [mal digerida] da eliminação do FCPorto do acesso às meias finais da mais prestigiada competição de futebol do Mundo, vou dedicar o post de hoje ao tema, procurando levantar algumas questões - que tenho como pertinentes -, um pouco fora [espero], do alinhamento habitual destes assuntos.

Se a minha intenção fosse meramente condicionada pela lógica das respectivas realidades dos clubes que ontem se defrontaram, pouco mais teria a acrescentar que os lugares comuns do costume, a começar pela tradicional diferença de orçamentos, e a terminar pela realidade económica entre Portugal e Inglaterra. Mas isso, já toda a gente está farta de saber.

Dito isto, é inútil continuarmos a bater na tecla [realista], de que quem tem mais dinheiro pode comprar os melhores jogadores, mas pode não ter a melhor equipa, etc. Esta conversa, está completamente gasta.

O que gostaria de questionar e partilhar com os muitos leitores que gostam de futebol - e do Futebol Clube do Porto, em particular -, é o seguinte:
  • analisadas as características de cada jogador do plantel do FCPorto, técnicas, físicas e intelectuais, não será possível elevar para patamares mais altos de qualidade as suas performances, mais do que, como espectadores, podemos avaliar?

  • fazendo a pergunta ao contrário, será líquido afirmar que a aparente mais valia das individualidades do plantel do Manchester United, é mais genética do que o resultado de um treino altamente exigente, trabalhado sector a sector?
O que se houve para aí dizer, é que nos métodos de treino do futebol já foi tudo inventado,que é apenas uma questão de estilo, da personalidade do próprio técnico, etc., mas pessoalmente, tenho alguma dificuldade em acreditar nessa argumentação.

Antipatias à parte - porque eu não simpatizo com o rapaz, nem sequer acho que seja melhor do que o Messi -, pelo que nos foi dado saber sobre o Ronaldo [o nosso carrasco de ontem], ele costuma(va) ficar sozinho no campo a treinar, já depois de terminado o tempo regular de treino, o que me leva a acreditar na tese maior exigência, melhor qualidade. Isto, também me parece consensual. Agora, já tenho dúvidas é se teremos prestado a devida atenção a este detalhe.

Vou só dar alguns exemplos, sem querer discriminar ou elogiar em particular nenhum jogador do Futebol Clube do Porto, nem tão pouco armar-me em treinador-blogger. A ideia é construtiva e a intenção também.

Ontem, como noutras ocasiões, foi possível vermos o seguinte: Lisandro Lopez, Mariano Gonzalez e Raul Meireles, falharam oportunidades de golo por manifesta falta de potência no remate. Lisandro é o mais perfeito destes três, mas mesmo assim não marcou, porque atirou fraco. Mariano, seguiu-lhe o exemplo, e o Raul Meireles falha mais vezes do que acerta. Não me interessa agora aqui dissecar sobre os golos já marcados [alguns espectaculares] por qualquer destes jogadores, mas apenas questionar se podiam ou não ser melhoradas as vertentes técnicas dos jogadores neste aspecto.

Vou-me fixar no Raul Meireles, que é um jogador com muito potencial, mas que é capaz do melhor e do pior no mesmo jogo. Na minha opinião, onde ele é melhor, é no passe longo, mas muito desconcentrado no curto, passando a bola muitas vezes ao adversário criando arrepiantes situações de perigo à sua equipa. Tem uma natural potencia de remate, mas com má direcção. Neste caso, o exemplo apenas serve para salientar os aspectos em que o nível individual do treino devia incidir, ou seja, aperfeiçoar o remate e os níveis de concentração no passe curto.

O Hulk, é outro caso que merece cuidados especiais. É novo, tem margem para progredir, mas há que atalhar caminho, porque apesar de possuir as tais qualidades natas [pujança física, alguma técnica, velocidade e potencia de remate], já podia ter assimilado melhor a importância do jogo colectivo, até como ponte para explorar mais rapidamente as suas qualidades individuais.

No jogo de ontem, a equipa até foi empenhada e digna, mas notou-se algum cansaço em relação ao de Manchester, o que fazia com que os jogadores chegassem quase sempre mais tarde à bola, quer a defender, como a atacar, pelo que não sei se a gestão dos tempos de repouso foram devidamente administrados, mas não é aí que eu quero chegar, porque se a facilidade e qualidade de chuto fosse genericamente mais apurada, talvez pudesse chegar e sobrar para marcar uns dois golos e passar a eliminatória!

Este, é um problema recorrente, principalmente nos jogadores portugueses. Já há muitos anos escrevi num jornal sobre o assunto, e ele ainda se mantém. O jogador português [e não vale lembrar-me que o golaço do MU, de ontem, foi marcado por um português], nunca se deu bem - e francamente, não percebo porquê -, a rematar forte, de primeira, e sem preparação. Se calhar, é por isso que os melhores marcadores do nosso campeonato são quase todos estrangeiros... E se calhar é por isso, que Roneys e Tevez não falharam as parcas oportunidades que tiveram em Manchester num jogo que o FCPorto dominou!

O que eu pretendo destacar é isto: será assim tão complicado aperfeiçoar os nossos jogadores naquilo que eles têm de melhor, e corrigir o que têm de pior, para competições europeias? Estaremos nós seguros que, sem fazermos "um pouco" mais do que os outros, incluindo os métodos de treino, poderemos repetir o sucesso de 2004, quando, a este nível, temos quase sempre de nos bater com os Golias do futebol Mundial?
É que, se não encontrarmos esses atalhos de evolução técnica e física, corremos o risco de continuarmos a sentir o sabor amargo do pouco. Como ontem.

15 abril, 2009

E porque hoje é quarta-feira europeia

Vitórias atraem mais adeptos
Futebol Clube do Porto é o emblema português que mais crianças e jovens tem conquistado por mérito

"Meritocracia" pode ser uma palavra difícil de entender para os jovens adeptos do futebol. E, no entanto, é por via dela que o F. C. Porto tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos entre as crianças e os jovens. Não se trata de uma constatação empírica, mas a conclusão do maior estudo realizado sobre o futebol português - "O Futebol, as marcas e os adeptos", de Carlos Liz . "O F. C. Porto tem sido mais ganhador logo os mais jovens vão para o que consideram melhor", diz o autor.
Na inocência dos seus sete anos, Tiago Martins, abordado à saída da EB1 da Fontinha, no Porto, confessou ter sido do Benfica "quando era mais novo". "Cresci e agora gosto do Porto, que ganha tudo", afirmou. O irmão gémeo, Bruno Martins, é do Porto porque "ganha sempre" e confessou não gostar de Hulk.
Rafael Oliveira, de 16 anos, aluno da "Homem Cristo", de Aveiro, é do F. C. Porto desde pequenino. Um "amor" que teve um hiato de um ano, explicado pela "pressão" de um amigo do pai. "Era sportinguista e dizia que me batia se eu dissesse que eu não era do Sporting", contou. "Na minha turma os portistas são quase a maioria", acrescentou. Tiago Machado, de 15 anos, apesar de sportinguista, não põe em causa as palavras do Rafael. "Há mais portistas, porque eles têm mais títulos nos últimos anos", desabafou.
Simão Chaves, de oito anos, não está com rodeios quando aponta os motivos que o levam ser do F. C. Porto. "A grande maioria dos meus amigos e colegas na escola também são e depois porque eu só me lembro do Porto a ganhar". Mas as razões não ficam por aqui. "A minha cor favorita sempre foi o azul e, por isso, também acho que é natural eu gostar de um clube com esta cor. Por mim, o Porto ganhava sempre".
Benfiquista "assumido", Miguel Faria, de 16 anos, aluno da Escola de Monserrate, em Viana do Castelo, admite que "tem vindo a crescer" o número de adeptos portistas. "Pessoas há que não gostam de perder e, se calhar, trocam o seu clube pelo Porto. É a única razão que consigo encontrar", justifica, considerando, também, poder tratar-se de "uma moda". Natural de Esposende, recorda uma sondagem feita na sua turma do 9.º ano (hoje frequenta o 11.º), onde "havia um só" adepto de outro clube para cerca de 30 portistas. "Quando assim é, palavras para quê?" indaga.
No 6º ano, Rui Gonçalves sentia-se uma espécie de último moicano sempre que assumia a paixão pelo F. C. Porto na turma. O cenário mudou. "A maioria dos meus colegas hoje são do Porto. Já mostrámos que somos os maiores", argumentou aquele aluno do Liceu Camões, em Lisboa. "A verdade é que o Porto ganha tudo enquanto o nosso Quique perde tempo com revistas cor-de-rosa", admitiu, um outro aluno, Salvador Pimenta, benfiquista. "Qualquer dia passo a ser portista", ironizou.
[Fonte:JN]

14 abril, 2009

Porque não haverá regionalização ( II )

Continuo a enunciar os motivos pelos quais penso que a Regionalização não ocorrerá tão cedo.

O Mapa

Não é consensual, nem nunca poderá ser. Em minha opinião a configuração segundo as cinco regiões-plano é uma má decisão. Causa vivo repúdio às regiões do interior Norte e Centro, que alegam que continuarão esquecidas, já que o poder passaria de Lisboa para outra cidade que as ignoraria. O alegado portocentrismo é uma acusação que já hoje é corrente e que tenderá a intensificar-se. Quase certamente haverá muita gente do Minho a votar contra uma região que nominalmente tenha o Porto como cabeça. Por outro lado, transmontanos e beirões não se revêem numa regionalização em que não constituam regiões de pleno direito, e a minha simpatia pessoal está com eles. Além disso, porque razão não poderia existir uma região que correspondesse à Área Metropolitana do Porto, a que poderiam aderir os concelhos limítrofes que assim o desejassem?

Em resumo, o mapa baseado nas cinco regiões é provavelmente un handicap para o êxito do SIM. Tenho fortes suspeitas que se trata de decisão do governo com vista a inviabilizar o resultado do referendo ( não esquecer que um referendo só é vinculativo se votarem 50% +1 dos eleitores inscritos ). Penso que dada a importância do desenho do mapa, o governo já devia ter patrocinado um amplo debate destinado a auscultar opiniões que ajudassem a atingir algo que fosse o mais próximo possível de um inatingível consenso. O actual silêncio é suspeito, e uma eventual apressada discussão nas proximidades da data do referendo será um show-off inútil que apenas servirá para confirmar as suspeitas de má-fé.

A Identidade Regional

Tenho dúvidas que haja uma entidade "nortenha", mas há com certeza várias identidades sub-regionais: transmontanos, beirões, minhotos. Penso que não poderemos acrescentar durienses (no sentido de habitantes da província do Douro Litoral) mas portuenses sim, de certeza, e com uma área que extravaza em muito os limites do concelho do Porto. Manter as cinco regiões é uma maneira de fazer desaparecer estas identidades e em consequência, como já afirmei, diminuir as probalidades de êxito do SIM, finalidade única do governo e dos políticos lisboetas.

A criação de regiões como Trás-os-Montes/Alto Douro, ou as Beiras, é por vezes combatida com o argumento de que não teriam "massa crítica". Lembro que a Espanha, país com regiões enormes, algumas com população quase igual à de Portugal, tem regiões pequenas que criou pelo mesmo motivo que defendo para nós: a existência de identidades que estariam deslocadas se fossem incluídas em regiões maiores com as quais não têm afinidade, mas a quem o governo central deu a possibilidade de se manterem elas próprias, conservando a sua individualidade. Gostaria de ver imitado em Portugal o respeito manifestado em Espanha pelo governo de Madrid. Cito alguns exemplos:

La Rioja - 301 mil hab. em 5.045km2
Cantábria - 562 mil hab. em 5.321km2
Navarra - 593 mil hab. em 10.391km2

Obs.: a Region de Murcia é o caso de uma região que foi feita de encomenda para a cidade de Murcia, tendo 1,42 milhões de habitantes. Penso que podia servir de exemplo para se pensar numa Região do Porto.

Há pelo menos mais um motivo, e fortíssimo, para inviabilizar a regionalização, que tenciono desenvolver brevemente.

É como se voassem perto do Sol e se queimassem!


Como se pode constatar por este artigo, Bob Dylan também não é dos que respiram confiança em relação aos políticos.
Nem Barack Obama lhe merece o benefício da dúvida, apesar da boa imagem.
O seguro morreu de velho...
Clique sobre a imagem para ler

Promiscuidades ocultas

Nestes últimos anos, talvez como consequência de os clubes de Lisboa terem sido ultrapassados em legalidade e competência, por um outro da «província», temos ouvido falar, mais do que era
habitual, em promiscuidade e corrupção. Ora, todos sabemos que, não obstante repugnarmos esses hábitos, eles sempre existiram, tanto dentro como fora de fronteiras, o que não significa que não gostemos de os ver combatidos e, se possível, totalmente exterminados.
Todos sabemos também, que quem veícula estas notícias, com maior ou menor credibilidade, são os respectivos órgãos de informação, que por sua vez (convém nunca o esquecer), se constituem como um poder dentro dos outros poderes. Sem querer desviar-me do assunto, chamo a vossa particular atenção para a crescente "preocupação" dos media com a blogosfera traduzida na proliferação de debates sobre o assunto, o que me parece um indisfarçável sinal de medo por uma forçada partilha desse poder ou até pelo seu eventual domínio...

Já sei [porque também não faço nada para o esconder], que me vão chamar céptico, mas de facto, não acredito em folclores economicistas nem nas suas mirabolantes engelharias financeiras. Assim como não acredito em Messias, nem nos homens providência. A minha crença é fraca porque depende apenas [e este apenas é uma imensa montanha] na vontade dos Homens, coisa que, até ver, se tem revelado difícil de medir e impossível de congregar. Se isto fosse possível, então acreditaria sim, numa nova ordem mundial, com novos critérios de produção e distribuição da riqueza.

Os critérios que existem, faliram há muito, e não é a crise global que me faz pensar assim, porque ela irá repetir-se por várias gerações, mesmo que alternada de ligeiras melhorias. Em sociedades egoístas como as [ditas] modernas em que vivemos, já nem o velho paradigma do sonho americano serve de excepção à regra. A América, é um país «rico» , cheio de pobreza, e estou só a falar do mais poderoso...Nessa nova ordem - que só posso imaginar -, nunca seria possível acabar com a tal promiscuidade cometendo os mesmos antagonismos das nossas sociedades, onde se abrem estradas aparentemente distintas mas se permite mais adiante que se cruzem e possam promiscuir.

O Público de hoje, dá-nos um pequeno exemplo. Basta ampliarem a imagem plasmada neste post para perceberem o que quero dizer. Não é possível detectar onde começa e termina a interacção entre familariedade da sociedade privada e o Estado. Cada macaco no seu galho. Sou e continuarei a ser ferozmente contra esta promiscuidade específica, porque a partir daqui, não há moral para criticar o simples cidadão que infrinja as regras e acusá-lo de ligações a clubes de futebol ou a qualquer outra entidade. O mau exemplo está a ser dado pelo Estado e seus representantes. Depois, tal cereja a enfeitar o bolo, vemos esses representantes, ricos, e a gozarem de escandalosas reformas...

Serei excessivo? Talvez, mas os factos estão aí a confirmar o que digo. Por agora, e enquanto não brotarem exemplos dignos que contrariem este espectáculo de degradação cívica e moral, o meu olhar em direcção a um político não é muito diferente daquele que lanço a um criminoso comum. Com umas diferenças. É que, os últimos ainda pagam muitas vezes com a cadeia as suas asneiras. Os outros, os senhores «governantes», nem por isso, e cometem duplos crimes. O primeiro, é o crime de fraude [ou vigarice], por traírem a confiança dos eleitores, iludindo-os com competências que não possuem. O segundo, é o de abuso de poder, por enriquecerem através dele, enquanto o povo pena.
Por este caminho, é impossível haver progresso e justiça.

13 abril, 2009

Ponte D. Luís

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Linha de Leixões para passageiros deverá abrir antes das eleições legislativas

"Leça do Balio, São Gemil e São Mamede de Infesta vão ter, nas horas de ponta, dois comboios em cada sentido, a ligar o porto de Leixões e a Estação de Campanhã"

Carlos Cipriano

in Público de 13 de Abril de 2009

Relacionado com este assunto ler também este texto de António Alves.

Porque não haverá regionalização ( I )

A lógica e o bom senso mandariam que não escrevesse mais sobre o tema regionalização, nem sequer que gastasse tempo a pensar nele. Mas a vida não é só lógica e bom senso, um pouco de loucura e muita paixão são necessários para temperar a existência.

É minha convicção que tudo indica que a regionalização não vai acontecer tão cedo, pelo menos na forma como é sonhada pelos verdadeiros regionalistas. Fazer futurologia é arriscado e é fútil, mas arrisco-me a dizer que decorrerão dezenas de anos até que ela se verifique. São muitos os motivos que indicam esta direcção. Vejamos alguns.

Os partidos políticos, o governo e o estado não querem a regionalização

- Para os barões dos partidos políticos, incrustados em Lisboa, haverá uma diminuição do potencial de favores e benesses cuja distribuição, pelos apaniguados, é uma das suas forças e uma das suas razões de existir. Haverá uma enorme queda da moeda de troca que os políticos usam para atingir os seus fins, frequentemente imorais, senão ilegais.

- Para os governos, representa uma transferência de poderes, logo uma diminuição do seu próprio poder.

- Para muitos dos titulares de cargos na administração pública, a regionalização poderá representar a necessidade de deixar o dolce farniente da capital, trocando-o pelas paragens inóspitas daquilo a que chamam a província, com o consequente contacto obrigatório com as populações ignaras que lá habitam.

A génese da regionalização

Desde a promulgação da primeira versão da CRP que parece haver uma patente má vontade contra a regionalização. Com efeito quando a CPR, no artigo 236, enumera as autarquias locais, refere-se às freguesias, municípios, e regiões administrativas. Só que, em relação a estas últimas o artigo 256 condiciona a sua instituição em concreto à aprovação dos cidadãos eleitores, através de consulta. É curioso a Constituição dizer que Regiões sim, mas ... A obrigação da consulta popular é um primeiro entrave às regiões, que é contemporâneo do segundo entrave: as regiões terão de, segundo o art.255, ser criadas simultaneamente. O nº 2 do art. 256 explica-nos que se a maioria nacional "não se pronunciar favoravelmente em relação à pergunta de alcance nacional (...) as respostas a perguntas (...) relativas a cada região (...) não produzirão efeitos". Trata-se aparentemente de dificultar as coisas, e não se vêem movimentações no sentido de alterar estes obstáculos.

Como se vê, os artifícios anti-regiões vêm de longe. Mas há mais...