19 julho, 2010

A Justiça e os líderes

Ouvir um juíz dizer: é a Justiça deste país!, por absolver um criminoso confesso, depois deste se recusar a prestar declarações em Tribunal, atesta na perfeição o estado de degradação cívica e moral a que Portugal chegou. Suponho não estar a dar nenhuma novidade. Quem lê os jornais, já tropeçou  decerto numa dessas aberrações jurídicas que consiste na obtenção de provas criminais, pelo Juíz de Instrução ou pela Polícia Judiciária, incluindo a própria confissão de autoria do crime com revelação do local  e da vítima, para no dia do julgamento tudo se exaurir numa patética estratégia de silêncio. Em Portugal, dizem  frontalmente os juízes [alguns], o crime compensa. Para tanto, basta que um criminoso confesso se recuse a falar em Tribunal...  Ah grande Democracia!

Não admira pois que tenhamos um 1º. Ministro confortável no meio da montanha de suspeitas que sobre ele recaem, nem um Presidente da República conformado com o miserável papel de corta-fitas e conselheiro inconsequente. Pessoalmente, já não consigo suportá-los. Eles surgem no écran e eu mudo imediatamente de canal. Já se tornou um instinto. De defesa, suponho. Da minha sanidade mental, seguramente. Para mim, Sócrates não existe, Cavaco também.  São o vazio. O vazio perturbante, mas o vazio, assim mesmo.

Mas, pelos vistos, para a comunicação social, que tanto se afoita a retransmitir as sábias palavras destes magníficos dirigentes, eles ainda têm coisas importantes para nos dizer.  O defeito será meu. Lá me falta aquela pontinha de massa encefálica que me separa da genialidade dos media. É pena. 

Mesmo assim, prometo que farei um derradeiro esforço para os acompanhar nas complexas análises políticas do futuro. Mesmo que continue sem perceber patavina...A nação exige-o.

17 julho, 2010

Simply the Best // TINA TURNER

As esplanadas

Considero a zona do Jardim da Cordoaria uma das mais bonitas (potencialmente...) da cidade do Porto. O edifício da Universidade, a Torre dos Clérigos, a antiga Cadeia da Relação, o hospital de Sto. António, as igrejas do Carmo e das Carmelitas, até a antiga Faculdade de Medicina, formam um notável conjunto circular à volta de um jardim cheio de memórias, o jardim da Cordoaria. Feio, mesmo feio, é aquele edificado no meio, aquele onde está o Piolho, que considero horrivel em si mesmo e um desastre no meio de tanta beleza arquitectónica circundante. Como seria belo todo aquele espaço, se o edificado decadente , que corta a visão de conjunto, desaparecesse e fosse substituido por um jardim ou por qualquer outra coisa que arquitectos paisagísticos definissem e que realçasse a beleza do conjunto de monumentos que os nossos antepassados nos legaram!

Estes considerandos ajudam a explicar o meu sentimento em relação às esplanadas fechadas que o Igespar acaba de proibir. Passei hoje por lá para ver o efeito,e não desgostei, acho que não prejudicam nada e até ajudam a disfarçar a fealdade das fachadas!

Independentemente de gostar ou não, nesta disputa entre Rui Rio e o Igespar, quem apoiar?

De um lado Rui Rio, que não é flor que se cheire, com aquele seu jeito embirrento, e que "comprou" uma briga com o Igespar a propósito da saída do tunel junto ao museu Soares dos Reis. Acabou por levar a dele avante, mas o Igespar deve ter ficado a ruminar vingança. A oportunidade surgiu agora. RR parece ter ajudado a dar o pretexto, ignorando desdenhosamente o Igespar e autorizando as construções.

Do outro lado, o Igespar, e a verdade é que não gosto dos organismos desse tipo, dirigidos por burocratas anónimos, sem rosto, que normalmente gostam de sentir o doce prazer do poder, e por isso se comprazem em dizer NÃO, bastando-lhes arranjar uns quantos argumentos alegadamente técnicos, para "justificar" a sua decisão, que em regra é final e irreversível. Organismos como o Igespar são indispensáveis, mas não deviam poder funcionar como pequenos tiranetes.

Não sou a favor de nenhum dos dois. Sou simplesmente a favor das esplanadas. Penso que são um elemento valorizador da área, e se porventura se inspiraram no exemplo das brasseries parisienses, que avançam sobre os passeios dos grandes boulevards, tiveram uma boa ideia. Felizes os parisienses que têm um igespar mais pragmático! Há quem diga também que em Lisboa as regras para a montagem das esplanadas são bem mais permissivas do que aqui. Não sei, mas acredito.

Espero sobretudo que as esplanadas se mantenham, e permaneçam durante os dias de Outono e Inverno que nos aguardam. Penso que os portuenses e os nossos numerosos visitantes, merecem poder estar "lá fora" sem apanhar chuva e frio.

16 julho, 2010

Janis Joplin - Piece of my heart

"Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã" [Janis Joplin]


Morreu aos 27 anos com uma overdose de heroína.


Justíssimo protesto da PSP



A indignação dos agentes da PSP é absolutamente justificável. As instalações onde o Ministério da Administração Interna os obriga a trabalhar são menos que terceiro-mundistas. Posso afirmá-lo, porque constatei com os próprios olhos essa realidade.

Sem ministérios respeitáveis, será muito improvável termos polícias motivadas para cumprir com as suas obrigações. Estar debaixo das ordens de gente tão desqualificada, como é o caso deste ministro, é mais do que vergonhoso, é humilhante.

A PSP do Porto, devia revoltar-se.

14 julho, 2010

Um olhar sobre a Regionalização(II)

Concretamente em que termos se apresenta a Regionalização que a Constituição nos propõe? Suponho que a resposta mais conveniente se encontra na Lei-Quadro das Regiões, a lei 56/91, embora já tenha quase 20 anos e já tenha sido "ultrapassada" pela Constituição, pois em 1991 não existia a imposição do referendo nacional.

A leitura da lei é pouco esclarecedora. Pode compreender-se que tenha sido redigida em termos gerais e consequentemente vagos, mas os portugueses têm o direito de saber exactamente e antecipadamente aquilo que o pacote contém, e nesse sentido esta lei é manifestamente insuficiente.

Tomemos o importante capítulo das ATRIBUIÇÕES. O art. 17 descreve os vários domínios em que as Regiões terão atribuições, enumerados da maneira mais suscinta possível. Alguém porventura conseguirá definir com a necessária precisão o âmbito das atribuições e respectivos limites, quando o diploma se limita a enunciar "Turismo" ou "Desenvolvimento Económico e Social", por exemplo, como domínios de atribuição regional? Conclusão: continuamos na ignorância, a lei fala mas não esclarece nada. Mas acredito que ainda poderá haver uma situação pior. É que me parece que a Constituição, no art. 257, limita drasticamente as atribuições listadas na Lei-Quadro. Mas há mais. O art. 258 é ainda mais vago quando diz simplesmente que "as regiões administrativas elaboram planos regionais". Tudo isto tem a aparência de uma deliberada menorização do alcance prático da Regionalização, que só surpreenderá os ingénuos.

A questão das COMPETÊNCIAS das Juntas Regionais(art.31) é um arrazoado informe muito baseado na ideia dos "Planos de desenvolvimento regional", mais uma vez um conceito muito vago (propositadamente?) onde cabe tudo o que se quiser.

O art. 35 regulamenta o modo como deverão ser estruturados os Planos de Actividade das Regiões que se supõe deverem ser apresentados ao governo central (para aprovação?). A minúcia exigida vai muito além duma normal verificação, pelo governo, das actividades da Região. Representa burocracia, desconfiança e tiques centralistas-colonialistas ao mais alto grau. Consequência: engorda a quantidade de funcionários dos dois lados, até parecendo de propósito para dar razão aqueles que alegam que as Regiões farão aumentar a despesa pública.

Com que recursos financeiros contarão as Regiões? Através do art. 38-Receitas- ficamos a saber que as Regiões dispõem de uma série irrisória de fontes que correspondem a peanuts, e de uma "participação no produto das receitas fiscais do Estado", a fixar (claro...) pelo próprio Estado. Quer dizer, tudo aponta para que continuem a existir "filhos e enteados" e o Estado, porque tem a chave do cofre, poderá continuar a condicionar os eleitos locais e as respectivas populações.

Três notas finais. Uma referente ao art. 6 que diz que as deliberações dos orgãos das Regiões podem ser suspensas, modificadas, revogadas ou anuladas. Acrescenta que será na forma prevista na lei. Ignoro a lei, mas fico muito desconfiado... Outra refere-se ao art. 10, que esclarece que continuarão a existir Governadores Civis, agora com o apelido Regional. Já cá faltava o representante da chamada autoridade! Finalmente, o art. 33 reza que será o governo a regulamentar a matéria relativa à organização dos serviços e do pessoal. Considero isto inaceitável. É uma imposição bem ao estilo Estado Novo, quando o ministério das Colónias decretava autoritariamente como é que os serviços iriam funcionar em cada uma das colónias. Já sabíamos que na chamada Província vivem os colonizados, e que Lisboa é a potência colonizadora, mas tinha a ilusão que uma das finalidades da Regionalização era precisamente acabar com esta aberração. A lei 56/91 diz que me enganei.

(CONTINUA)

OPORTUNIDADE!

13 julho, 2010

Galiza beneficia com Governo próprio e decisões descentralizadas

                                            
                                           GALIZA



Proliferam por toda a Espanha os depoimentos favoráveis à implementação das Regiões.

Só por cá, neste país por resolver, conseguimos o fenómeno de ter quem faça críticas ao Governo, mantendo contudo reservas quanto à bondade da Regionalização...

Se a tolice pagasse portagens, o Governo desistia das Scuts.







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12 julho, 2010

Lisbonne, la ville [pelintra] "bon chic bon genre"

Aquela gente lá para Lisboa sempre se convenceu que é um modelo para o resto do país. Passe a comparação, faz lembrar o Ronaldo na Selecção, mais preocupado em olhar para os paineis de televisão do que em trabalhar e ajudar os companheiros de equipe.

Em Lisboa, há mais dinheiro, é verdade, que no resto do país, não à custa do próprio esforço,  mas  sobretudo à custa de um Estado Eucalipto e de verbas comunitárias que não lhe pertencem. Mesmo assim, exporta menos que o Norte, pelo que contribui também menos para o PIB nacional.

Em Lisboa, julgam-se cosmopolitas. Imaginam os nortenhos metidos numa gaiola fechada, ignorantes sedentários e broncos.  Não percebem, que basta um clic de um vôo, ou uma deslocação de umas poucas centenas de Kms de carro para estarmos em Barcelona, ou Madrid...

Em Lisboa, imaginam ser por aquelas bandas que se fala o bom português sem perceberem que a génese do verdadeiro português está localizada a Norte e que é em Lisboa que estão concentrados os principais resquícios da moirama.

E nem por isso se tornam humildes. Será só arrogância de medíocres, ou a escória residual dos povos colonizados? Ah, como me sinto bem mais próximo da Galiza!

Já que a RTP vai ao polvo, nós também podemos ir, não é...

Carlos Daniel é incompetente

Ainda há muito boa gente que se deixa cair numa boa trapaça. Outra há, que, por inconfessáveis conveniências, finge que nelas acredita. Portugal [pelo menos este Portugal postiço e descaracterizado do pós 25 de Abril], é fértil em produzir dogmas, e muitos portugueses - por tradição avessos a aprofundar a natureza das coisas -, limitam-se a repetir os dogmas que alguém lhes transmitiu contribuindo inconscientemente para o marasmo da nossa vida política e social. Depois, como tudo se mantém como antes ou pior, queixam-se junto do vizinho mais próximo que também pouco mais faz do que limitar-se a ouví-los ou do que  retribuir os lamentos, sem procurar esclarecer o interlocutor das verdadeiras causas desse marasmo. É a típica preguiça intelectual do português médio. A factura a pagar por esta preguiça a jusante, tem de ser inevitavelmente elevada. E é!

Estivesse eu enganado, decerto que há muito Portugal teria avançado consideravelmente os processos reorganizativos da sua administração territorial com benefícios para todos, incluindo para os habitantes da capital. Mais do que a crise económica e financeira internacional, foram, e continuam a ser, os anti-regionalistas, e sobretudo os pró-anti regionalistas [perigosa espécimen de cidadão mais próxima do vulgar traidor] os maiores responsáveis pelo definhamento do Norte. Eles estão aí, de novo, dispostos a lutar para que tudo fique na mesma. Por favor,  caros leitores, não sejam ingénuos, não se deixem outra vez assustar com os cíclicos receios pseudo-patrióticos pela integridade nacional, porque é unicamente neles que reside esse perigo, em mais parte nenhuma. As hostilidades, entre portugueses, já foram abertas por eles, há longos anos e de várias formas.

O futebol, as rivalidades clubísticas que outrora, paradoxalmente, não passavam de uma sadia competitividade desportiva, é hoje usado como símbolo de discórdia entre cidadãos do mesmo país e aproveitado para instigar ressentimentos e guerras entre o Norte e o Sul. Para tal, têm contribuído a maioria dos órgãos de Comunicação Social cujo alinhamento editorial se continua a pautar por critérios de informação profundamente centralistas. O que é centralista, divide, fractura, semeia o ressentimento. Logo: o divisionismo. O perigo, está aqui, à nossa frente, não vale a pena procurá-lo na Regionalização que ainda nem sequer existe... É pois, uma traição, um acto cínico de anti-patriotismo continuar a lançar para a Regionalização falsos estigmas de desintegração nacional, quando as opiniões de altas personalidades de países regionalizados como a Espanha dizem [e provam] exactamente o contrário.

Mesmo assim, o extremismo centralista vigente podia ter sido refreado caso os media tivessem a dirigí-los pessoas altamente qualificadas que soubessem introduzir-lhes hábitos de comunicação democráticos, principalmente os estatizados, como a RTP. 

A RTP tem como Director de Informação um homem que tudo tem feito para discriminar negativamente o Futebol Clube do Porto, na mesma medida que discrimina positivamente, o Benfica. Eu, tê-lo-ia já demitido caso fosse seu superior hierárquico, ou se calhar, talvez não, porque dificilmente deixaria que as coisas chegassem ao ponto intolerável a que chegaram. São imensos os reparos de indignação na blogosfera portista pela discriminação que a RTP [e não só, já sabemos] vem usando com o seu clube, e têm toda a razão, porque esses parasitas estão também a ser sustentados com o produto dos seus impostos. 

Não faltam exemplos deste descricionarismo, porque eles são imensos. O último, tem a ver com o desinteresse manifestado pelo acompanhamento do estágio do FCPorto na Alemanha, para onde  a RTP decidiu não enviar qualquer equipa de reportagem ou passar alguns jogos de preparação da equipa como fez com o Benfica e Sporting. Isto, é inadmissível, num estado de direito, a sério! Pergunta-se: para que servem Primeiros Ministros, Presidentes da República e respectivos assessores, se todos fecham os olhos a esta pouca vergonha? Só se disporão a despertar da hibernação cívica a que se remeteram depois  da violência consumada? E que tal, para variar, se Suas Exas. se dignassem preveni-la dedicando um pouco mais de atenção aos órgãos de comunicação social, e a algumas crianças crescidas que indevidamente os dirigem?

Fica, desde já, aqui escrito. Quem tiver o azar de passar os olhos pelo que aqui se escreve, poderá ter a certeza que, quando falar da Regionalização e se lembrar de soltar os naftalínicos fantasmas da desintegração nacional, será automaticamente baptizado de Miguel de Vasconcelos. E será como potencial traidor que o avaliarei. Fim de citação.


Ps-Este post foi enviado em e-mail para: conselho.opiniao@rtp.pt  
 

11 julho, 2010

Um olhar sobre a Regionalização

O tema Regionalização faz lembrar as gripes sazonais. Aparecem periodicamente, são motivo de conversas e notícias, e depois desaparecem da opinião pública até ao próximo surto. Agora que o MPN é uma realidade e que o Partido do Norte promete transformar-se também em realidade dentro de algum tempo, é imperioso que o tema tenha vindo para ficar e que o conceito seja capaz de se difundir, interessando e motivando um número crescente de portugueses.

Regionalização é uma daquelas palavras que têm diferentes significados, conforme o ponto de vista.

Para os partidos do arco da governação, é uma estupidez que foi colocada imprudentemente na Constituição de 1976, mas cujos efeitos nocivos foram felizmente praticamente anulados por uma das revisões feitas na década de 80, através de várias armadilhas legais, com destaque para a obrigatoriedade de aprovação por referendo nacional.

Para um grande número de portugueses, a regionalização é uma autonomia, quase uma independência, financiada pelos impostos provenientes da região, que deixarão de ir para Lisboa. Para outros, é uma tentativa dos políticos "criarem mais tachos para se governarem", e um aumento de burocracia e de despesa nacional, na medida em que pensam que novos organismos regionais co-existirão com a totalidade dos actuais organismos centrais. Para outros ainda, ou o país é demasiado pequeno, ou a independência ficará em risco, ou...etc. Para os regionalistas, e resumidamente, trata-se de um meio para ajudar a combater as assimetrias do país, que resultam basicamente do modelo de super-centralismo económico focado na região de Lisboa. Pretende-se um novo modelo de distribuição mais justa e equitativa da riqueza nacional, permitindo ao mesmo tempo uma descentralização regional dos centros de decisão política e económica no que concerne às questões de âmbito marcadamente regional. Enfatiza-se que à criação de organismos de governação regional, corresponderá forçosamente o fecho ou down grading dos correspondentes organismos nacionais.

Aceitando correr o risco de me enganar, tenho para mim várias certezas.

1- Os partidos do arco do poder não querem a criação das regiões de maneira nenhuma, por muito que digam o contrário, e têm mostrado estar dispostos a tudo para o evitar, a começar pela manutenção da obrigação do referendo, conjuntamente com as armadilhas que lhe estão associadas.
2- Um grande número de eleitores está desinteressado ou desinformado sobre a Regionalização.
3- O mapa das regiões causará muitos votos de rejeição. Um consenso total é impossível, mas será indispensável ir o mais longe possível. A questão das chamadas "capitais" será também um ponto muito sensível, a necessitar tratamento cheio de diplomacia. Do mesmo modo, o medo (real ou forjado) do "portocentrismo" tem de ser combatido por palavras e por actos.
4- Um referendo lançado prematuramente, nunca alcançará participação que o torne vinculativo.
5- Não estarão criadas as condições para a efectivação de um referendo antes de decorridos 12/18 meses, sob pena de se dar um tiro no próprio pé.
6- Uma rejeição da Regionalização no próximo referendo, atrazará o processo uma dúzia de anos. É um risco que não poderemos correr.
(Continua)

09 julho, 2010

Parabéns ao semanário Grande Porto e respectiva Direcção

Cumpre hoje o seu primeiro ano de vida.

É, de facto, um oásis no panorama nacional e regional, um exemplo de coragem. Que tenha muito sucesso e que, nunca se desvie do caminho traçado.

Lobos com pele de cordeiros

Os espanhóis José António Lopez, Conselheiro da Presidência da Junta de Castela e Leão e Alfonso Valenzuela, conselheiro da Presidência, Administração Pública e Justiça da Junta da Galicia , foram convidados pela CCRN para opinar num seminário sobre a Regionalização sem saberem que uma grande parte dos anfitriões não estava ali para os ouvir, mas para fingirem que os ouviam. 

Este convite, está na cara, não passa de mais um embuste centralista para atrasar o processo da Regionalização. É fundamental denunciar  esta estratégia para tentar travar a dinâmica de um Movimento cívico com fortes possibilidades de afirmação nacional. Como há dias escrevi, daqui em diante vão multiplicar-se os "programas/debates" sobre a causa regional, vão levantar-se novos fantasmas e  inventar-se novos perigos separatistas. 

Não há nada mais previsível do que o criminoso voltar ao local do crime.  Os centralistas são os criminosos, os locais do crime os media, e  a Regionalização a vítima. Já está a acontecer. Tudo, o que destes protagonistas vier, não vem por bem. Não tenhamos a menor dúvida.

Das declarações de José António Lopez, queria destacar estas:  Em Espanha, ditadura é igual a centralismo,  democracia é igual a descentralização. Eu gostaria de acrescentar que em Portugal, também. Só com uma grave diferença entre as realidades dos dois países: é que em Espanha a ditadura é passado, em Portugal está a acontecer. Mesmo decorridos 40 anos após a morte de Salazar. Quem melhor que os nortenhos, o poderá confirmar?

Ps-É da maior importância acelerar a dinâmica do Movimento PPNorte. Não tarda, teremos a tribo pró-anti regionalista invadindo tudo  quanto é comunicação social centralista para "debater" a Regionalização e quando dermos por ela ainda vão dizer que fomos nós que chegamos depois...

08 julho, 2010

O Bolhão e o Porto

Num destes últimos fins de semana fui à baixa do Porto, coisa que não faço frequentemente. A baixa não está muito agradável: os grafitos, que vão sendo cada vez em maior quantidade sem que nenhuma entidade se preocupe, poluem a paisagem de modo que pessoalmente considero intolerável. Sinto-me num daqueles subúrbios sombrios e degradados que existem à volta das grandes cidades europeias. Infelizmente aqui não estou num subúrbio, estou na cidade propriamente dita, e esta cidade é a minha. As flores e as árvores desapareceram. Os Aliados, a praça D. João I, os Poveiros, até a Batalha, parecem tristes e incompletos, como que esperando qualquer coisa que os embeleze. Prédios degradados com montras que foram montras e agora mostram interiores vazios e sujos, não ajudam a melhorar o panorama.

As minhas ocasionais idas à baixa não são, como poderá parecer, exercícios de masoquismo. Considero quási como um dever cívico, uma espécie de (insignificante) contribuição para ajudar. Por pouco que se gaste no comércio local, penso que é importante pois que se os portuenses abandonarem a baixa à sua sorte, então ela morre mesmo. Será um sentimento idiota ou infantil, mas é o que sinto.

Mas nem tudo está perdido. Julgo que se detecta uma reanimação do centro do Porto, e não falo da "noite" que não frequento, mas durante o dia. Há uma coisa que é indiscutível : a quantidade de estrangeiros que se vêem, caminhando, visitando monumentos ou viajando nos autocarros turísticos, hoje em dia é maior que nunca. Ninguém terá dúvidas que esta afluência é sobretudo devida às low-cost (Ryanair à cabeça) que voam para o ASC. Tem o Porto argumentos suficientes para manter e incentivar este fluxo? Espera-se que sim mas gostaria de ver uma Câmara Municipal mais dinâmica e mais interventiva. Provavelmente isso não ocorrerá enquanto não mudar a presidência. Haja paciência, já faltou mais!

Entrei no mercado do Bolhão..Era sábado de manhã, estava buliçoso, com boas frutas e legumes (e azeitonas também!) e bastantes turistas. Mas quanto ao mercado em si, ao edifício, que tristeza! Decrépito, abandonado por quem devia cuidar dele, com escoras(!) que evitam que aquilo venha abaixo mas que dificultam a circulação das pessoas. Uma espécie de espírito jovem num corpo decadente.

De repente ocorreu-me se não haveria ali uma simbologia! O Bolhão representa o Porto. Ambos tiveram uma época áurea de que os portuenses se orgulhavam. Uma conjunção de causas negativas em que se pode incluir o desleixo, o desinteresse, a incompetência, práticas de estrangulamento provenientes do poder central, teve como consequência um declínio não combatido. O Bolhão com riscos de desmoronamento. A cidade, em sentido figurado, na mesma situação. O Bolhão é o reflexo do Porto.

Não sei o que vai acontecer ao Bolhão. Estará afastado o risco de se transformar num Centro Comercial (?!) ou haverá ainda um iluminado qualquer, cheio de ideias prá-frentex, que decida que um mercado assim não é "moderno", que dá prejuízo, e que em consequência destrua irremediavelmente o Bolhão e o seu espírito? Enquanto a actual Câmara estiver em funções, não me sinto tranquilo, não confio neste presidente. Mas pensando no movimento que nasceu quando a IURD quis tomar conta do Coliseu, acredito que destruir o Bolhão seria um crime que os portuenses nunca permitiriam.

Ai, se Vale e Azevedo fosse presidente do FCPorto!

Nuno Miguel Maia é o nome do jornalista de serviço para os casos de Polícia e Tribunais do Jornal de Notícias. Foi um dos que acompanhou com mais obstinação os famosos Processos Apito Dourado e Noites Brancas. Sempre que Pinto da Costa é chamado a Tribunal, ele não falha, sobretudo se a notícia for passível de apimentar com uns pózinhos acusatórios. Estou em crer que outros leitores já se terão dado conta da singularidade...

O que me intriga é que ainda me lembro do argumento apresentado pela direcção do JN  face  aos protestos de muitos portuenses que a acusavam de ser demasiado centralista, defendendo que para o jornal portuense se livrar do estigma provinciano teria de ser uma janela para o Mundo... Sendo assim, presumo que a edição de Lisboa tenha uma página exclusiva para os casos de Polícia e Tribunais da região, tal como tem o Porto, dando menor destaque a problemas similares de outras regiões.

Hoje, a eleita pelo cioso jornalista-justiceiro foi a autarca de Felgueiras,  Fátima do mesmo nome. Não, não esperem que venha para aqui servir de advogado de defesa desta senhora, até porque  ela provou saber defender-se, e primeiramente porque reprovo com indignação o estilo de gestão oportunista da autarca socialista. O que gostaria era de perceber por que é que sendo o JN uma janela para o Mundo com complexos centralistas, é dada tanta atenção a casos e pseudo-casos de polícia regionais, e continua a ignorar ou a omitir casos de maior gravidade no todo nacional. Esse é o grande mistério.

Vale e Azevedo! Sim, o próprio. É um exemplo. O ex-Presidente do Clube dos "bons chefes de família", o homem que mais ridicularizou [e continua a ridicularizar] a Justiça portuguesa. Será por isso que  o JN não fala dele? É por ter dirigido o Benfica que está imune às notícias e à Justiça?

Senhor Nuno Miguel Maia: Vale e Azevedo é um vigarista compulsivo, corrupto e falsificador. É mesmo! Não há dúvidas nem apitos, nem filmes, nem carolinas, nem pareceres freitas-amaralados, nem túneis, nem stwards, nem pneus. Só há factos. O homem é um criminoso.  A justiça assim o qualificou. Anda a monte, quiçá lá paras as Grã-Bretanhas. De que está o cavalheiro à espera para nos informar do andamento das investigações?

Não, não se preocupe, eu não cobrarei nada ao JN pela dica. A crise toca a todos. A sugestão é gratuita.

Desconfiem



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No rescaldo do seminário promovido recentemente pela CCDRN, é a opinião do Conselheiro da Presidência da Junta de Castela e Leão, talvez a única, do conjunto dos participantes, que merece ser considerada. Porque sabe do que fala e detém o know-how no terreno da realidade regional do seu país.

Os outros presentes [com reservas de respeito para alguns] recomendo seriamente que não os levem muito a sério. São sobretudo especialistas em ficção e gostam demasiado da pesca à cana. Andam a pescar há 36 anos, pescam mal e todos sempre para a mesma cesta... Desconfiem.

Formidável, a capacidade de afirmação do autarca portuense



E cá vamos, cantando e rindo, de fracasso em fracasso, até à "desportização" total.
Viva Rui Rio! É um homem sério, é o que nos vale...

07 julho, 2010

Cá estão eles, os regionalistas sintéticos!

Eu não disse que nos próximos tempos não iriam faltar seminários de génios para discutir a Regionalização?

Agora, é o Rui Rio, sempre ao estilo "sim, mas, talvez" que o caracteriza, a botar faladura sobre o tema. Ler aqui.

Os media centralistas

Haverá alguém que não tenha ouvido [pelo menos uma vez na vida], os senhores jornalistas defenderem o direito à liberdade de informação quando lhes é dito que se excedem no exercício desse direito? Haverá alguém que não os tenha visto a puxar pelos galões da Democracia quando se passam das marcas e  os acusam de difamar o bom nome das pessoas, muitas vezes infundadamente? Haverá alguém que não tenha interiorizado que os senhores jornalistas se acham uma classe profissional à parte, inimputável e acima de qualquer suspeita? Eu, atrever-me-ia a garantir que não há ninguém, sem correr o risco de os imitar.

Pois bem. Estes senhores da comunicação social centralista, que pautam por chegar antes dos seus colegas da concorrência ao local onde está a notícia, que amiúde nele se agrupam e atropelam como cachorros atrás do osso, ainda não sabem nem ouviram falar do Movimento Pró-Partido do Norte! Por que será?

Será por sentirem ameaçada a liberdade de informação, ou por excesso de zelo democrático?  Que mistério... 

06 julho, 2010

El regionalismo rebrota en el Norte de Portugal

La falta de atención y de recursos del Gobierno causa indignación en la zona
 
Voces respetadas y respetables del norte de Portugal han dado la voz de alarma y advierten de que la región fronteriza con Galicia está al borde de la revuelta. Lo ha dicho, por ejemplo, Rui Rio, alcalde de la segunda ciudad del país, Oporto, desde 2001, reelegido por mayoría absoluta en 2005 y 2009, presidente de la Junta Metropolitana de aquella ciudad y dirigente del conservador Partido Social Demócrata (PSD). El malestar contra el centralismo lleva años en la incubadora, como consecuencia de la sensación de olvido que padecen muchos de los casi cuatro millones de habitantes de aquella región. Un área que el historiador Rui Ramos compara con el sur de Italia o el este de Alemania, con menos ingresos, más desempleo y peor sistema de salud que el resto de Portugal. Y con el PIB per cápita más bajo del país, 80 frente al 138 de Lisboa, sobre la base de 100 como valor de referencia.


Cinco pueblos de Portugal piden usar un hospital de Vigo

La región dominada por Oporto y Braga es la menos rica y la de mayor desempleo


Ha bastado la propuesta del Gobierno, todavía en discusión en el Parlamento, de declarar de pago las tres autovías del norte (en zonas más ricas como el Algarve son gratuitas), para pasar del malestar a la indignación. Las protestas han dado nuevos bríos a los defensores del regionalismo, cuyo exponente más destacado se llama Pedro Baptista, dirigente socialista que promueve el Movimiento Pro-Partido del Norte. "Portugal es el único país europeo que no permite partidos políticos regionales", dice este antiguo diputado del PS. La prohibición figura en la Constitución, vigente desde 1976, aprobada tras la revolución de abril de 1974. Eran otros tiempos y otra realidad, cuando en Lisboa inquietaban las ansias autonomistas de Madeira y Azores. Ahora, la mayoría de fuerzas políticas considera desfasado el impedimento de crear partidos regionales. Por ello, Baptista cree que es hora de exigir "una revisión constitucional".

El principal promotor de un partido del norte asegura que "el espíritu de revuelta se está generalizando" por una razón muy simple. "Es la única región que en los últimos 10 años ha retrocedido en todos los indicadores económicos. Ha habido un desvío sistemático hacia la región de Lisboa de fondos europeos que pertenecen al norte, y una política de concentración de inversión pública en aquella región". Oporto y Braga, los dos grandes núcleos del norte, no tragan con que grandes proyectos de obras públicas -el AVE, el segundo aeropuerto, la plataforma logística- estén previstos en Lisboa.

La lista de agravios es larga. El norte tiene el índice de paro más elevado de Portugal, 12% frente a la media de 9%, y el mayor número de pequeñas y medianas empresas que han cerrado las puertas. El 90% de los empleos públicos más cualificados están en la región de Lisboa. La competencia de los países asiáticos y la ampliación del mercado europeo han tenido efectos devastadores en la región. No ha sido solo la quiebra de pequeñas y medianas empresas del calzado, madera o textil, que absorbían mucha mano de obra. El cierre de Qimonda, compañía alemana de componentes informáticos que exportaba 1.000 millones de euros al año, ha sido un golpe muy duro para la región, al desaparecer un pilar de la balanza tecnológica portuguesa.

La combinación de regresión económica y social es explosiva. "Para colmo, aumenta el sentimiento de que el Gobierno no gobierna Portugal, sino solo su territorio y sus propios Ministerios, lejos del norte del país", lamenta Pedro Baptista. "No nos dejan tener una política regional autónoma, ni la tiene el Gobierno".

Ricardo Jorge Pinto, coordinador del semanario Expresso en la región de Oporto y profesor de la Universidad Fernando Pessoa de aquella ciudad, sostiene que muchos ciudadanos del norte están cansados de las promesas incumplidas sobre la regionalización de Portugal de los dos grandes partidos, socialista y socialdemócrata (conservador). "El primer ministro, José Sócrates, del PS, prometió durante la campaña electoral de 2002 Gobiernos con cierta autonomía en cinco regiones, que corresponden a las actuales comisiones de coordinación y desarrollo (norte, centro, Lisboa y Val do Tejo, Algarve y Alentejo). Ganó los comicios y nunca más habló del asunto". En las filas conservadoras pasa tres cuartos de lo mismo. "Pedro Passos Coelho, líder del PSD, habla de crear una región piloto -no especifica si en el norte o el Algarve-, y si funciona, ya se ampliará", explica Jorge Pinto.

El descontento ha contribuido al rebrote del regionalismo y de la idea de un partido regional, que defienda un proyecto propio para el norte. El alumbramiento del futuro Partido del Norte ya tiene fecha, entre finales de octubre y la campaña presidencial, con el objetivo de estar a pleno rendimiento para las próximas legislativas de 2011. "Comenzamos hace poco más de un mes y ya tenemos mil militantes. Esperamos llegar a 10.000 en octubre", asegura convencido Pedro Baptista. "Tenemos gente de todos los partidos e independientes, y muchos jóvenes que entran por primera vez en política". Si el nuevo Partido del Norte no puede ser inscrito con esta denominación, Pedro Baptista tiene un nombre alternativo, Partido Portugués de las Regiones, para el que ya ha recogido 7.000 firmas.

Los regionalistas reclaman "un recorte del gasto político centralista, de 15 a ocho ministerios", y una amplia reorganización administrativa territorial, pero no renuncian a sus objetivos máximos, que incluyen "autonomía regional, un Gobierno y un Parlamento propios". El norte no tiene una lengua propia, pero el regionalismo embrionario reivindica "una historia, una identidad y una forma de ser". "Portugal empezó aquí, en el norte", recuerda Baptista. "No somos un movimiento nacionalista, pero si Lisboa continúa con la política de ojos y oídos cerrados, el regionalismo puede transformarse en nacionalismo".

[No El País]
 

Debater a Regionalização agora, cavalheiros?

O momento em que esta notícia podia constituir-se  num  motivo de regozijo para os nortenhos,  passou. Não só passou, como expirou todos os prazos razoáveis de expectativa e tolerância. Agora, cheira a um prato requentado que os governantes, verdadeiramente,  nunca  quiseram comer: é o prato da Regionalização.  

Este seminário, mais não é do que um "novo" acto de uma interminável peça teatro com os protagonistas do costume, para tentar baralhar as mentes inocentes, e travar as investidas de um Movimento menos inócuo do que os habituais.  O facto de se tratar de um Movimento com ambições mais alargadas, de ousar constituir-se em Partido político por detrás de um estandarte tão caro aos nortenhos como é a Regionalização, faz toda a diferença. E eles [os acomodados] sabem-no. Não nos espantemos portanto, se nos próximos tempos continuarmos a vê-los com a lição bem estudada, a multiplicarem-se em seminários, fóruns, e outras nulidades, para dissertar sobre a Regionalização, seus perigos e inoportunidades... 

Criar uma região piloto para testar os respectivos  resultados não passa de mais um atestado de menoridade que a inspiração do neo-líder do PSD foi descobrir no baú dos seus brinquedos de infância   para passar aos nortenhos. O desaforo das Scuts, não lhes consola o ego. Agora, a originalidade é criar Regiões-Piloto. Entretanto,  vão ganhando tempo e pretextos para mais tarde voltar tudo à estaca zero. 

Vá-se lá saber porquê, o facto de saberem que os países mais atrasados da Europa são precisamente aqueles que renunciaram à Regionalização, como são o caso da Grécia e Portugal, não lhes serve de bússola para os orientar. Da mesma forma como  não lhes serve de bússola o facto de a governação centralista ser responsável pela ruína do país e ameaçar desintegrá-lo. É estranha, irresponsável, no mínimo, esta maneira distorcida de raciocinar.. Desde que haja sempre à mão uma crise [mas alguma vez deixamos de a ter?] para atirar como areia para os olhos dos eleitores, não têm de procurar mais argumentos.  Quão cerebrais são estes homens!

Foi uma pena que Pedro Passos Coelho - ou qualquer outro génio -  não se tivesse(m) lembrado há mais tempo desta ideia iluminada das regiões-piloto, caso contrário sugeria-lhe(s) que  testasse(m), em Lisboa, as vantagens do Centralismo para mais tarde aplicar(em) ao resto do país. Só que, inesperadamente, dei-me conta que a experiência já está a ser aplicada há mais de três décadas, e os resultados não têm sido brilhantes...

Afinal de que estarão eles à espera para centralizar o resto do país? 
 

05 julho, 2010

Cepticismos...

Das auto-críticas que de vez em quando faço sobre algumas coisas que tenho escrito aqui,  noutros espaços da blogosfera e mesmo na imprensa, existe uma, da qual, não me posso acusar, que é de ser politicamente correcto ou simpático com o Poder e respectivos representantes. Faço-o, não pelo prazer de denegrir ou achincalhar quem tem ou teve essas responsabilidades, mas porque tendo-as, não fez muito para as merecer. 

Os governantes não sabem conviver com as suas limitações, ou não querem. Não percebem que o efeito das suas decisões disparatadas está a lançar o país para o caos e para a violência e são incapazes de, por moto próprio, se demitirem e dar o lugar a outros. Perderam essa nobreza, talvez por terem perdido o carácter antes, ou simplesmente por desconhecerem o que isso possa ser.

Quem se agarra ao Poder quando o país regride compulsivamente e a qualidade de vida da população é das piores da Europa [apesar da crise], não está a usar da obstinação dos corajosos,  dos fortes, está apenas a querer salvar a pele e os interesses pessoais. Só isso. E é também por isso, que perdem o meu respeito e provavelmente o de muitos outros cidadãos.

Haverá pois que ter alguma tolerância com aqueles que revelam algum excesso de cepticismo pela implantação de um novo Partido político. Cabe-nos a nós, a todos os que de algum modo decidiram colaborar com este projecto, fazer a triagem daquilo que é um boicote puro e duro à criação do Partido para o Norte, e o que é o estado de espírito dos abstencionistas. Os abstencionistas - nos quais eu me incluo -, por já não acreditarem nas performances dos partidos do quadro do Poder e da oposição, têm toda a desculpa para desconfiar do futuro, mas isso não pode constituir um pretexto para o renunciar, nem para ver seitas e máfias em todas as esquinas. Não é razoável levantar fantasmas sem fundamento credível.

O Movimento Pró Partido do Norte, é, tem de ser, uma janela de esperança para a nossa região que não se  deve confinar ao Porto. Tem de contemplar com o mesmo empenho o nordeste Transmontano e todo o espaço que limita o Norte. O Partido do Norte, terá de ser diferente, terá de ser exigente desde logo. Deve rejeitar com veemência os métodos trauliteiros da velha política, e de se afirmar como um Partido verdadeiramente novo, sobretudo no rigor executivo. O que prometer, terá de cumprir. Esta terá de ser uma das suas imagens de marca. Talvez, a mais importante.