Sobre a hipocrisia, que, dependendo dos casos, tão proveito faz a uns, e mais prejuízo provoca a outros, vou aqui recordar um episódio ocorrido num pub da Foz, já lá vão uns anitos, onde me encontrei com um grupo de amigos [e amigas] para beber um copo.
A determinada altura do convívio, um fulano, visivelmente embriagado, abordou a nossa mesa, e com a descontracção típica dos copofónicos, dirigiu-se a um dos meus amigos e disse-lhe: "não vou com a sua cara, não gosto de si"! Como podem imaginar ficámos atónitos com tanta "sinceridade", mas não pudemos evitar um certo constrangimento que foi prontamente sanado com a intervenção sensata e oportuna do barman que nos disse baixinho: peço-lhes desculpa pelo incómodo, mas este senhor é o meu patrão. Não liguem. Entretanto, o homem lá se afastou e o incidente morreu ali mesmo. Escusado será dizer que nunca mais lá voltamos, não é...
A determinada altura do convívio, um fulano, visivelmente embriagado, abordou a nossa mesa, e com a descontracção típica dos copofónicos, dirigiu-se a um dos meus amigos e disse-lhe: "não vou com a sua cara, não gosto de si"! Como podem imaginar ficámos atónitos com tanta "sinceridade", mas não pudemos evitar um certo constrangimento que foi prontamente sanado com a intervenção sensata e oportuna do barman que nos disse baixinho: peço-lhes desculpa pelo incómodo, mas este senhor é o meu patrão. Não liguem. Entretanto, o homem lá se afastou e o incidente morreu ali mesmo. Escusado será dizer que nunca mais lá voltamos, não é...
Esta cena veio-me à memória quando tentava descobrir o que motiva a falsidade de certas pessoas nas suas relações com os outros, e cheguei à conclusão que além do binómio simpatia/antipatia que todos nós sentimos naturalmente por alguém, existe um outro bem mais mesquinho, que é o interesse e o desinteresse. Para sermos cordeais e bem educados com estranhos também não precisamos de ser extremistas e seguir o exemplo de "frontalidade e boa educação" do homem do bar, porque há coisas que não se devem dizer, principalmente se não conhecemos bem a pessoa que temos pela frente. Já me sucedeu algumas vezes [poucas, é certo] antipatizar com pessoas que vieram a revelar-se excepcionais, e o contrário também, embora deva dizer que o instinto raramente me traiu . Por isso, nada de exageros.
Mas foi a entrega do Dragão de Honra a Durão Barroso por Pinto da Costa que me incomodou e inspirou para a história que vos contei. É que, em certos aspectos, não tenho nenhuma afinidade com Pinto da Costa, embora o admire em muitos outros. Pessoalmente, não fui capaz de encontrar uma razão plausível e de justa objectividade para ele, ou se preferirem, para o FCPorto, brindar Durão Barroso, um ex-1º.Ministro banal, que abandonou literalmente o cargo para ir ocupar outro mais atractivo na União Europeia. Dir-me-ão que não trocou um cargo importante por outro qualquer, é verdade. E daí? É assim que se credibiliza a responsabilidade política? E o que é que os portugueses ganharam com isso? Prestígio? Não, está claro!. Se prestígio houve, foi para ele, mas não deixa de ser um prestígio meramente formal, de fachada, sem qualquer benefício prático para nós ou para a própria União Europeia, excepto para Angela Merkel, a quem obedece com invulgar fidelidade... Prestígio, quem o teve - porque soube fazer por merecê-lo - foi Jacques Delors, que teve um papel fundamental na realização do Tratado de Mastricht que esteve na origem da actual União Europeia, e que agora está, como sabemos, sob a presidência de Barroso...
Mas voltando a Pinto da Costa, que é bem mais importante. Eu não gostei do que vi, é verdade, mas eu não tenho o mesmo temperamento que ele, nem a mesma aptidão para negociar adversidades. Ele tem-na, e nisso supera qualquer um, tanto cá dentro como no estrangeiro. Todavia, continuo a pensar que, depois dos vexames públicos a que foi submetido, com a comunicação social em coro a perseguí-lo, a acusá-lo de toda a espécie de ilegalidades, sem que se ouvisse claramente da parte dos governantes uma palavra de repúdio contra a situação, achei despropositada a ideia de distinguir Durão Barroso, só porque esteve presente nas finais de Sevilha e Gelsenkirchen. Vejamos: não terá sido antes Durão Barroso que procurou colar a sua imagem à carreira de sucesso de FCPorto, ou terá sido por simples respeito ao clube e a Pinto da Costa? Por que não apareceu ele então quando o presidente portista foi tratado abaixo de cão? São estas "tolerâncias" de Pinto da Costa que me fazem impressão.
É claramente neste tipo de terreno, meio pantanoso, que PC se mexe como poucos. No fundo, é próprio de alguém com um enorme talento para se adaptar a uma sociedade cínica, que não valoriza a frontalidade, que hoje abraça e amanhã já está a enganar, que explica em parte o seu êxito como dirigente supremo do FCPorto. Ele tem a perfeita noção de que, para atenuar tensões e ultrapassar os obstáculos que certos adversários lhe montam, não pode criar rupturas definitivas [sobretudo com gente politicamente poderosa]. Pinto da Costa, ao contrário dos presidentes dos clubes de Lisboa, nunca teve a comunicação social a apoiá-lo, e muito menos o(s) Governo(s), que como estamos fartos de saber, é o mais centralista e castrador da Europa.
Neste ambiente de constante perseguição e suspeita [que incrivelmente ainda se mantém, embora de forma menos descarada, e depois de PC já ter sido julgado e ilibado da maioria dos crimes de que era acusado], não sei se outra pessoa, mesmo com créditos firmados, com uma personalidade diferente de Pinto da Costa, teria capacidade para lidar com tanta adversidade, tanta ratoeira e tanto ódio.
É também por essa razão que, embora discorde de algumas das decisões que tomou ao longo da sua gloriosa carreira, que continuo a sentir uma grande admiração por Pinto da Costa e que estarei sempre contra os autores destes embustes. Até porque, a nível regional não conheço ninguém que defenda a sua dama [o FCPorto] e o Norte como ele. E mais: creio que lá no fundo, até deve ser um gajo porreiro. Difícil, talvez, mas Pinto da Costa é mesmo um tipo fixe!
Neste ambiente de constante perseguição e suspeita [que incrivelmente ainda se mantém, embora de forma menos descarada, e depois de PC já ter sido julgado e ilibado da maioria dos crimes de que era acusado], não sei se outra pessoa, mesmo com créditos firmados, com uma personalidade diferente de Pinto da Costa, teria capacidade para lidar com tanta adversidade, tanta ratoeira e tanto ódio.
É também por essa razão que, embora discorde de algumas das decisões que tomou ao longo da sua gloriosa carreira, que continuo a sentir uma grande admiração por Pinto da Costa e que estarei sempre contra os autores destes embustes. Até porque, a nível regional não conheço ninguém que defenda a sua dama [o FCPorto] e o Norte como ele. E mais: creio que lá no fundo, até deve ser um gajo porreiro. Difícil, talvez, mas Pinto da Costa é mesmo um tipo fixe!









