31 julho, 2013

A Norte, nada de novo

Findo o período de descanso, e de jejum "blogosférico", é tempo de retomar a rotina dos dias tristes e cinzentões da política, num país cada vez mais desgovernado por gente sem a menor capacidade para construir o que quer que seja.

Folheando o JN de hoje, leio na primeira página o seguinte título: "Porto ganha Banco de Fomento". No interior, os pareceres sobre a "boa nova" de algumas figuras públicas, como Alberto Castro, Fernando Gomes e António Marques, eram de apoio à iniciativa, desconfiando contudo que tal não passe de mais um presente envenenado, igual ao BPN e ao jornal Público, que arrancaram com a sede no Norte, e acabaram engolidos pelo apetite devorador do centralismo de Lisboa. Num caso, como noutro, ambos permitiram que as sedes transitassem para a capital, além de - no caso BPN -, ter as consequências de escândalo e impunidade que sabemos.

Mais entusiasmado com a notícia - ou ingénuo, se preferirmos -, estava o Director do JN, Manuel Tavares, que parece ainda acreditar no pai Natal, como se pode confirmar aqui. Talvez seja a má consciência a pesar-lhe, sabendo que dirige um jornal que, apesar de manter a sede no Porto, pertence à Controlinveste, de Joaquim Oliveira, que foi incapaz de resistir à subserviente ideia de publicar uma edição para o Sul, tal como o desportivo O Jogo. Quando a subserviência dá dinheiro, não há liberdade que resista.

Já o Manuel Serrão, sentiu-se beliscado, e com razão, com o troca-tintas do Carlos Abreu Amorim, por este ter criticado o concorrente Guilherme Aguiar e colega partidário, à mama, desculpem-me, queria dizer, à Câmara de Gaia, por ser apenas um comentador da bola...

Numa coisa concordo com Abreu Amorim: sou totalmente contra a participação em programas desportivos de políticos em exercício, por considerar incompatível com a imagem de isenção e tolerância que devem deixar transparecer. Mas só por mero acaso concordo com Amorim, até porque já não lhe reconheço seriedade intelectual para opinar sobre o que quer que seja, tal tem sido a desilusão que me deixou desde o momento em que se agarrou à teta da política. E quem muda com tanta facilidade, até muda de clube. Daí, não me espantar mesmo nada vê-lo um dia a abraçar o Luís Filipe Vieira, ou a colocar o cachecol do glorioso... E dizer que este cavalheiro chegou a comparecer a algumas reuniões do Movimento Pró Partido do Norte...Uma fraude, em suma. À imagem do(s)Governo(s), aliás.

06 julho, 2013

Um ano de vazio e saudade, sem Rui Farinas

Rui Farinas, um bom amigo

Faz hoje precisamente um ano que, mais ou menos por esta hora, o meu estimado amigo e colaborador de blogue nos deixou. Deixou também a saudade, sem dúvida. 
Paz à sua alma. Alma, que tantas vezes ele mesmo evocava para justificar a nossa persistência em lutar contra a garotada que nos desgoverna.

05 julho, 2013

Pausa

Caros leitores e amigos

Vou suspender por uns dias a actividade, aqui no Renovar o Porto, para restaurar energias. Por isso, até breve e obrigado. 

01 julho, 2013

O Presidente da República


Constitucionalmente, o presidente da República desempenha um papel extraordinariamente relevante no nosso regime democrático. Ele é o garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas. O presidente da República é, de acordo com a nossa Constituição, o primeiro órgão de soberania, logo seguido pela Assembleia da República, Governo e tribunais. A natureza semipresidencialista do nosso regime não deixa, contudo, de lhe conferir competências de um verdadeiro líder político do povo português. O papel que a Constituição reserva ao PR assume uma importância ainda maior nos momentos de crise em que a confiança nas instituições democráticas e a credibilidade dos agentes políticos se desvanece.

As várias gerações de titulares de órgãos de soberania, que ao longo das últimas décadas se fizeram eleger ou designar para as respetivas funções, não só não souberam evitar a crise como não foram capazes de criar condições para que ela fosse encarada e ultrapassada com dignidade. Constitui uma inominável vergonha nacional que Portugal, o mais antigo Estado-Nação da Europa, esteja hoje, por vontade de alguns partidos, reduzido ao estatuto de um protetorado, governado de facto por um triunvirato de instituições internacionais não democráticas. Mais do que a sua independência política e económica, Portugal perdeu, de facto, a sua dignidade de país soberano.

Talvez em nenhum outro momento da nossa história quase milenar o povo português se tenha sentido tão derrotado como agora. Talvez em nenhum outro período da nossa história coletiva tenha havido tão pouca esperança no futuro como agora. As nossas elites - os nossos melhores - venderam-se e nesse ato de degenerescência moral alienaram também o que de melhor havia neste povo de marinheiros: a coragem para enfrentar as grandes adversidades, a força para vencer adamastores e mostrengos, a capacidade, em suma, de, nos piores momentos, gerar esperança e confiança no destino coletivo.

Há menos de 30 anos, prometeram-nos com cerimoniais grandiloquentes uma Europa do progresso e do bem-estar; uma Europa da cidadania; uma Europa da solidariedade. Tudo isso nos foi garantido com a pompa e a circunstância com que ao longo da história se enfeitaram as grandes mentiras coletivas. Esse projeto grandioso nasceria aqui neste território há mais de quatro mil anos dilacerado por sangrentas guerras civis e que, por egoísmos nacionais, gerou algumas das maiores catástrofes da história da humanidade.

Eu, que fui, na dimensão dos meus mundos pessoais, um cidadão entusiasmado com esse ideal helenista, deixei há muito de acreditar nessa mentira e, hoje, quase sinto vergonha de ser europeu. Essa Europa, renascida das cinzas da guerra mais devastadora de sempre, que nos prometeram de paz e de prosperidade, está hoje novamente dilacerada por uma outra guerra entre os seus vários egoísmos nacionais, em que o papel outrora pertencente às espadas, tanques e canhões é agora desempenhado pelo dinheiro e pelos antagonismos tribais que ele gera e exacerba.

Neste contexto, muitos portugueses olharam para o presidente da República como um líder à altura das melhores tradições de um povo digno e independente. Esperavam dele uma postura de primeiro magistrado do país, capaz de despertar o que há de mais genuinamente português na alma de cada português e de mobilizar este povo para as gigantescas tarefas de reconstrução (da identidade) nacional.

Mas não, o que o atual presidente da República nos oferece é a postura de um ajudante do Governo tentando dourar as pílulas com que anestesiam as frustrações do nosso descontentamento coletivo. O que o presidente da República nos oferece são promessas vagas e longínquas de ilusões historicamente irrealizáveis porque, entretanto, deixaremos de ser povo, Estado e Nação. Identificado politicamente com a agenda ideológica dos partidos do Governo, o PR não exerce o cargo com lealdade constitucional, mas sim com subserviência em relação a essas lideranças partidárias.

Triste sorte a de um povo cujo dirigente máximo opta por ser pequeno precisamente no momento em que a história lhe oferece as condições para ser grande e, sobretudo, para despertar a grandeza moral do povo que lidera.

[do JN]

Nota de RoP:

Não sei quantos mais anos viverei, o que sei, e tenho como certo, é que em Portugal a direita tem aversão à democracia e ao princípios mais comuns dos direitos humanos. 

Para a direita portuguesa, há apenas duas castas de gente: a dos serventes [vulgo, novos escravos] e a dos patrões [os donos de]. Por isso, não tenho qualquer dúvida em afirmar que, por muitos anos que viva [e já sou sexagenário], por maior fortuna que viesse a acumular, nunca por nunca, votaria num partido de direita em Portugal. E digo em Portugal, apenas porque, sendo os partidos de direita, por tradição, mais amigos do dinheiro que do Homem, países há, na Europa, onde a direita consegue respeitar os cidadãos e dar-lhes condições de vida respeitáveis. 

Em Portugal, pelo contrário, quanto mais perto está do poder, mais despudorada e retrógrada é a direita. Creio contudo, ser necessário separar as águas que levam a confusões, e dizer que, nem por isso a esquerda em Portugal tem sido muito diferente da direita, e isso explica-se sem dificuldade. Primeiro, porque é uma esquerda vigarista, que promete esquerda e faz direita. Segundo, porque tem sido infiel à sua própria doutrina e aos seus valores humanistas. O resultado, dir-me-ão, irá dar ao mesmo. Talvez. A diferença, é que a direita nem sequer tem ideologia, tem um símbolo sob o qual se protege e domina: a moeda.

Tudo isto, para dizer que Marinho Pinto não é um populista, é sim, daqueles raros homens com o dom de gerar ódios da esquerda à direita, apenas porque fala verdade e incomoda os sacanas de todas as doutrinas. 

Preambulo III da Declaração dos Direitos Humanos:

«Considerando que é essencial a protecção dos direitos do homem através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão»

27 junho, 2013

Governo nem uma greve merece




1. O país preso por arames e uma greve geral, de novo. Inútil porque representa um tempo que a impotência defronta a prepotência atroz. A expressão cívica das pessoas, mesmo que massiva, é olhada como caricatura, uma válvula de escape, com resultado quase zero. Hoje parece evidente que o país não se fartou apenas da austeridade, fartou-se primeiro da cabotinice, impreparação e, por fim, arrogância de Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar. E a única coisa eficaz para mudar o curso da História é pressionar Cavaco Silva para que não se perca mais tempo. O Governo já não existe há muito tempo.

O presidente da República labora num engano trágico para a nossa vida desde o 15 de setembro. Aquele dia é cristalino sobre a sensação de engano dos portugueses, sobre a queda da máscara, sobre um ideário arrasador quanto ao esmagamento para que caminhava a economia portuguesa em nome de um processo de liberalização a qualquer custo que nos torna numa espécie de Panamá dos grandes interesses financeiros e económicos. Pode dizer-se que Passos Coelho enunciou muitos destes princípios na campanha eleitoral. Mas a maioria dos portugueses queria mais depressa ver-se livre de Sócrates do que ver com atenção quem eram os amigos do líder do PSD e qual o seu objetivo primeiro: impor uma modernização do país à moda de António Borges e Dias Loureiro.

É totalmente falso que a estabilidade política valha mais que a descrença total de empresários e trabalhadores. O presidente da República sabe melhor que ninguém que o Conselho Económico e Social, onde estão representados os sindicatos e confederações sindicais, tem uma unanimidade nunca antes vista contra o irrealismo de Vítor Gaspar e Passos Coelho. Aquelas reuniões são o melhor exemplo do absurdo a que se chegou. Portanto, a única coisa eficaz não é a greve, é cercar Cavaco Silva onde quer que ele vá, até que acorde. Fazer um cordão humano permanente ao Palácio de Belém. Lembrar-lhe todos os dias que nos está a condenar a ir ao fundo, agarrados a pessoas absolutamente incompetentes e algumas delas amorais.

2. Exemplo desta tragédia é o que se passa com a liquidação dos famosos swaps. Os gestores das empresas públicas seguraram o risco da taxa de juro com contratos (milionários) que enriqueceram a Banca. Os mais ousados fizeram até contratos especulativos que os tornaria brilhantes magos da alta financeira (e risco à custa dos contribuintes). Entretanto... pagar isto entra na lógica das urgências do Governo. Porquê? Amortizar contratos com perdas potenciais exatamente neste momento é fazê-lo numa altura em que os juros dificilmente poderão descer mais. É pagar a 'multa' tendo por base o valor mais baixo da penalização e não o seu valor médio (perder mais do que se perderia agora é praticamente impossível). Apesar do desconto feito ao Governo na renegociação, são 800 milhões para pagamento imediato aos bancos. Entretanto não há dinheiro para os subsídios de férias, o que significa mais um tiro no turismo. Que gente é esta?

3. Continua a fazer impressão por que razão não se discute essa decisão 'técnica' de passar a aplicar a quase totalidade do Fundo de Estabilização da Segurança Social apenas em dívida portuguesa. Atualmente as nossas futuras reformas estão colocadas a 60% em dívida pública nacional e os restantes 40% em outros ativos financeiros, para diversificar o risco. Mas Gaspar quer meter o dinheiro todo em dívida nacional. A pergunta que se coloca é: Portugal corre ou não o risco de necessitar de um perdão de dívida? Sabemos que Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar não o querem, mas há quem ache que não conseguimos sobreviver com 130% de dívida pública face ao PIB (produto interno bruto). Ora, estamos a ser entalados contra a parede pelo Governo. As gerações mais velhas e os trabalhadores em geral vão ser as principais vítimas do perdão de dívida do país, caso ele exista. E se tal acontecer será como discutir se queremos destruir boa parte das reservas da Segurança Social (para ter menos dívida e menos juros) ou, em alternativa, não ter retoma económica porque o défice é igual aos juros da dívida. É sinistro. É o que se chama ser-se ultraliberal com a vida dos outros.

26 junho, 2013

Cartoon

Por que não berras tu, Rio?! Não sabes que o Passos é surdo?

Rui Rio não entende por que não lhe responde Passos Coelho




O presidente da Câmara do Porto disse esta terça-feira não entender a ausência de resposta do primeiro-ministro a um pedido de audiência a propósito da Porto Vivo, considerando “dramático” que o executivo queira abandonar um projecto “de crescimento económico”.

No final de uma audiência de cerca de uma hora e meia com o Presidente da República, no Palácio de Belém, Rui Rio adiantou que irá reunir-se no final da semana com o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, para discutir o assunto da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo, mas que continua sem ter resposta do primeiro-ministro.

Questionado sobre que leitura faz da falta de resposta de Pedro Passos Coelho, o autarca portuense respondeu: “Eu sei lá o que lhe hei de dizer, eu não tenho resposta para isso, não consigo, não consigo entender isso, eu tenho alguma capacidade às vezes para ser irónico, mas não estou a ser, eu não consigo mesmo entender”.

“A reabilitação urbana é nuclear para Portugal e para o Porto e isso o Governo não entendeu, tanto não entendeu que eu não recebi qualquer resposta do primeiro-ministro”, declarou, sublinhando não se recordar de uma iniciativa deste género ter reunido “tantas pessoas com um carácter tão transversal” na cidade do Porto.

O autarca do Porto afirmou que a audição com Cavaco Silva e a carta aberta ao Governo, que disse contar com “praticamente 1500 assinaturas”, permitiram que a dívida do Estado à Porto Vivo (pouco mais de 2 milhões de euros) tenha sido paga na semana passada e enfatizou que este projecto permitiu “gerar mais de 500 milhões de euros de investimento privado” desde 2005.

No mesmo sentido, Rio defendeu que o projecto “tem um efeito brutal sobre a construção civil e a procura que gera noutros sectores, tem um efeito brutal sobre o turismo, como é do conhecimento público” e que “estar a atrofiar este projecto é algo que tem necessariamente de preocupar o Porto, mas também o país, o Presidente da República e o Governo”.
“É dramático” o abandono da SRU
O social-democrata considerou que “é dramático” que o Governo queira abandonar a administração da Porto Vivo: “Deve-nos preocupar a todos quando um Governo que tem dificuldades em promover o crescimento económico, tem um projecto destes à sua frente, e acha que dar um milhão de euros por ano para a reabilitação da baixa da segunda cidade do país é muito dinheiro”.

“Estamos a falar de um milhão de euros por ano, a proposta que eu faço ao Governo é assinarmos um contrato-programa em que o Governo dá um milhão de euros e eu dou um milhão de euros por ano, 2 milhões, e se calhar já não é preciso tanto, é disto que estamos a falar, o que o Governo não quer é assinar um contrato-programa que, com um milhão de euros, consegue todo aquele investimento”, enfatizou.

O presidente da Câmara Municipal do Porto frisou ainda que uma sociedade de reabilitação urbana “não é para ter lucro”, mas “um veículo para promover a reabilitação urbana e atrair o investimento privado”.

Questionado sobre qual foi a posição do Presidente da República, Rui Rio disse que Cavaco Silva “estava bem dentro do problema”.

“Fez-me perguntas, eu dei-lhe respostas, elucidei-o em tudo aquilo que foi necessário elucidar. Saio convicto de que fui capaz de responder a todas as dúvidas existentes, essa capacidade acho que tive”, concluiu.

[do Porto 24]

25 junho, 2013

O despertar do Brasil


Ou muito me engano, ou Portugal será brevemente ultrapassado pelo Brasil no ranquing dos países mais avançados em práticas de cidadania. 

Apesar de localizado na Europa, e viver formalmente em democracia há 39 anos, Portugal está longe de merecer a reputação de um país primeiro-mundista, seja por não conseguir gerar políticos qualificados, seja por ter uma população com hábitos subservientes demasiado enraizados, face à realidade e às exigências dos tempos modernos.  

Caminhando embora ao ritmo da sua natural tropicalidade, o Brasil parece querer tomar a democracia pelos "cornos", e manuseá-la com mais talento e objectividade que nós.

Aquilo a que assistimos nas cidades do Brasil é o somatório de múltiplas vozes que tomam o espaço público da cidade - mas que já antes estavam presentes nas conversas de café ou em família. Se estivermos atentos ao teor dos cartazes dos contestários, verificamos também uma originalidade e um sentido de humor de fazer inveja aos portugueses.

Mas, aquilo que mais me fascinou, e ao mesmo tempo entristeceu, enquanto português, foi notar que os brasileiros usaram os estádios de futebol para se manifestarem sem medo contra a corrupção e as desigualdades sociais, ao contrário dos portugueses, que canalizam para o futebol as frustrações de cidadãos, na expectativa que o clube do coração as resolva...

Quem permitiu, por ridículas motivações estratégicas,  que a língua portuguesa se adaptasse ao português do Brasil, invertendo e desrespeitando a lógica genética da história, só tem é de esconder a cara da vergonha.


24 junho, 2013

Candidato do Partido Trabalhista quer Porto “capital de Portugal”



José Manuel Costa Pereira, candidato independente do Partido Trabalhista Português (PTP) à Câmara do Porto, anunciou este sábado pretender transformar o Porto “numa cidade independente” e na “capital do país”, garantindo que o que o prende são as pessoas.

“Quero que um dia o Porto seja a capital de Portugal. Capital da cultura, da arte, do bem-estar, até chegarmos à capital na verdadeira acepção da palavra. Acho que não devemos depender das ordens que vêm não se sabe bem de quem”, disse o candidato à agência Lusa, antes da apresentação formal da sua candidatura.

A proposta de Costa Pereira é “que o Porto seja uma cidade independente” e que os políticos “que não governam” sejam “varridos completamente da nossa sociedade porque estão a mais”.

“Os outros candidatos estão presos aos partidos, a única coisa que me prende a mim são as pessoas. Estamos fartos de centralismos. Estou farto de ver pessoas a padecerem na nossa cidade. Não há uma política para as pessoas, só para o elitismo. Estou aqui para quebrar as linhas que foram impostas durante décadas a esta cidade”, afirmou.

Costa Pereira assegurou que a intenção de transformar o Porto em capital de Portugal “não é só falar por falar”.

“O Porto tem um poder brutal. A capital é Lisboa, mas o Porto é uma Nação. No Porto temos uma capacidade muito forte para poder fazer algo, as pessoas não estão bem a ver a força dos tripeiros. Está muita coisa a mudar”, afirmou.

Costa Pereira garantiu que a candidatura tem “linhas de rumo” mas não as quis revelar para “não dar trunfos aos adversários”.
“Já usaram duas ou três ideias que eu lancei”, lamentou.

Explicando que a candidatura nasceu “de um grupo completamente independente”, o MIP – Movimento Independente do Porto Histórico, Costa Pereira notou que o PTP achou que o mesmo devia “ter uma voz diferente”.

“Deram-nos [o PTP] essa possibilidade. Continuamos com as nossas ideias mas as ideias deles tocam muito nas nossas”, esclareceu.

A 10 de Junho, o PTP anunciou que o candidato independente à Câmara do Porto, Orlando Cruz, apresentado 2 dias antes, tinha abandonado a corrida à autarquia alegando “razões de natureza particular”.

A sucessão de Rui Rio na presidência da Câmara do Porto é disputada por Luís Filipe Menezes (PSD), Manuel Pizarro (PS), Rui Moreira (independente), Pedro Carvalho (CDU), José Soeiro (BE) e Nuno Cardoso (independente).

Nota de RoP:

É claro que esta candidatura não é para levar a sério, mas podia ser...

20 junho, 2013

Se isto não é a costela centralista de Rui Rio, então o que será?

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Porto/Douro - crime com nomes


O Porto não seria a melhor cidade do turismo europeu 2013 senãotivesse o Douro. Tudo o que se passa no rio e na região devia ser também responsabilidade da segunda cidade/região do país. E é por isso que a sentença de morte final da UNESCO, indiferente à destruição extrema praticada pela EDP sobre o rio Tua (a par do que está a suceder no rio Sabor), é um momento histórico no pior sentido. Representa a falência acéfala dos autarcas do Douro e do Norte, mas também dos burocratas políticos que na Comissão de Coordenação da Região Norte calaram e assinaram de cruz o que convinha ao governo da ocasião.

A decisão da UNESCO representa ainda que o presidente da EDP, António Mexia, conseguiu o apoio obediente da ministra do Ambiente, Assunção Cristas, e assim pôr fim irreversível a dois rios extraordinários e uma linha de comboio única - que só outro futuro económico recuperaria com a grandeza correspondente ao seu potencial turístico.

Mas este crime envolve muitos nomes. Um deles é Durão Barroso (como primeiro-ministro e presidente da Comissão Europeia). Bruxelas sempre tratou com o maior desprezo as causas dos ambientalistas, que o alertaram em tempo contra estes danos gigantescos. Depois, José Sócrates foi o protagonista da mais brutal insensibilidade da Esquerda ao desenvolvimento sustentável, como se continuar a pôr "muros de Berlim" nos rios, em pleno século XXI, fosse sinónimo de energia limpa ou de inteligência humana.

Os 300 milhões pagos pela EDP ao Governo Sócrates para obter as concessões do Plano Nacional de Barragens foram grátis. Os especialistas (que ainda restam sem avenças com a EDP) já demonstraram vezes sem fim que as novas barragens são as novas scut - vão condicionar a factura de energia dos portugueses por décadas, acrescentando maiores parcelas onde elas já representam 50% da nossa conta fixa, haja ou não haja consumo.

Os autarcas do Douro não quiseram ver tudo isto, porque são políticos como Judas - pensam nas 30 moedas. Chamam ao betão das barragens "desenvolvimento" e às sandes dos trabalhadores das obras "animação do comércio local". É verdade que a pobreza atual da região precisa de iniciativa. Mas esse é que é o drama: depois das obras destruidoras do ecossistema e da paisagem, o que voltará não será pobreza, será ultrapobreza. Espreitem as outras regiões com barragens no Norte e indiquem uma onde haja "desenvolvimento" com turismo de natureza extraordinário...

Esta decisão é ainda reflexo do que representa o novo turismo do Douro - um turismo de cruzeiro, de passeata, premiadíssimo - mas à custa dos durienses 'índios da Amazónia': cuidem da paisagem a custo zero, para nós brindarmos com champanhe e baile à passagem do navio... Fica zero no Douro. Zero. É turismo canibal. E como os barcos não sobem o Tua ou o Sabor, é-lhes indiferente. Só que um património da humanidade é mais do que subir o rio. É uma memória, é um conjunto de factores que são assim há séculos e séculos. Isso está bem patente num pequeno filme de 18 minutos disponível em www.pan.com.pt/valedotua - feito altruisticamente por voluntários do Partido dos Animais e da Natureza.

Em todo este processo das barragens houve a corajosa luta de algumas associações ambientalistas. E ouviu-se uma voz empresarial dissonante: a família Symington, líder mundial do vinho do Porto. Numa carta à UNESCO, Paul Symington alertou para as consequências ambientais da criação de dois lençóis de água no Tua e Sabor, que porão em causa o ambiente climático ancestral da região, e para o seu impacto nas vinhas. E afirmaram: "Qualquer projeto que danifique esta paisagem única irá comprometer o futuro de todos os envolvidos na produção de vinho e no trabalho associado à região".

Há uma razão para isto: os Symington estão no Douro há mais de um século, vivem daquele delicado ecossistema. Vão lá continuar mesmo depois das infinitas autárquicas e seus caciques, dos Mexias presentes e futuros, de governos monárquicos, ditatoriais ou democráticos. É gente como eles que vai sofrer com a ganância e a destruição irreversível. Com decisões tomadas em gabinetes políticos ou financeiros por gente 'fashion', de plástico, rodeada de ar condicionado e alcatifas fofas. Um dia, isto explode nas ruas (como na Turquia ou no Brasil).

Nota de RoP:

Talvez não precisasse de fazer este reparo, porque quem lê habitualmente o Renovar o Porto sabe que é verdade publicar aqui neste espaço, e com bastante frequência, crónicas de jornalistas e de figuras  públicas, independentemente de concordar, ou não, sempre com elas. 

Vale isto por dizer, que não sou um anti-jornalista fanático, sou sim - e nesse aspecto -, radicalmente contra, o corporativismo carreirista que inibe os bons profissionais de se demarcarem frontalmente do lixo intelectual e moral de muitos dos seus colegas.

18 junho, 2013

Sr. Barroso, você não é, nem leal, nem respeitador!

Le président de la Commission européenne considère comme "réactionnaire" la volonté de Paris d'exclure le secteur audiovisuel du mandat de négociations commerciales avec les Etats-Unis.

M. Barroso, vous n'êtes ni loyal ni respectueux !
Pour une fois, les Européens arrivaient unis face aux Américains. Le G8 de Lough Erne, en Irlande du Nord, devait permettre de lancer en grande pompe, avec Barack Obama, les négociations visant à établir un traité transatlantique de libre-échange. Le président de la Commission européenne, José Manuel Barroso, a torpillé cette unité en affirmant, juste avant l'ouverture du sommet, que la position de la France sur l'exception culturelle était "réactionnaire".

Peu importe de savoir si la France l'est. Et s'il fallait ou non exclure, au nom de l'exception culturelle, les services audiovisuels du mandat de négociation confié à la Commission européenne. Pour être prêts, les Vingt-Sept ont longuement négocié jusque tard dans la nuit, vendredi 14 juin. La France a fini par imposer ses vues et a remporté une victoire politique.

Que cette issue satisfasse ou non M. Barroso, peu importe aussi. Il est président de la Commission et se trouve lié par le mandat qui lui a été confié par les Etats. En dénigrant l'accord au lendemain de sa conclusion, M. Barroso ne se comporte pas en gardien des traités, comme sa mission le lui impose. Rappelons à une Commission qui se pique souvent de juridisme l'article 4-3 du traité de Lisbonne : "En vertu du principe de coopération loyale, l'Union et les Etats membres se respectent et s'assistent mutuellement dans l'accomplissement des missions découlant des traités." En l'occurrence, M. Barroso n'est ni "loyal" ni "respectueux".

Le commissaire au commerce, le Belge Karel De Gucht, a adopté une attitude comparable. Il n'est pas parvenu à imposer ses vues. Mauvais joueur, il prétend qu'il sera possible de réintroduire les services audiovisuels dans la négociation. Il se paie de mots : à l'unanimité, tout est possible ; en réalité, la France conserve son droit de veto sur le sujet.

Mais M. De Gucht a une excuse : il va négocier avec les Américains et craint que ceux-ci ne ripostent en écartant de la négociation des domaines stratégiques pour les Européens. Si nécessaire, il veut pouvoir revenir auprès des Vingt-Sept pour amender son mandat de négociation.

M. Barroso, en revanche, semble avoir des visées beaucoup plus personnelles. Depuis huit ans, le président de la Commission s'est distingué par sa ductilité. Défenseur des petits Etats lorsqu'il était premier ministre du Portugal, libéral lors de sa nomination à Bruxelles avant la crise de 2008, sarkozyste sous la présidence de Nicolas Sarkozy, incapable, depuis, de la moindre initiative politique pour relancer l'Union, il a accompagné le déclin des institutions européennes.

*Aujourd'hui, à 57 ans, ce caméléon se cherche un avenir. A la recherche d'un beau poste, à l'OTAN ou aux Nations unies – qui sait ? –, il a choisi de flatter ses partenaires anglo-saxons, le premier ministre britannique et le président américain. A la tête de la Commission, M. Barroso aura été un bon reflet de l'Europe : une décennie de régression.

17 junho, 2013

No Porto Canal estará tudo de férias?


Começo a ficar mal impressionado com as competências de Júlio Magalhães, director geral do Porto Canal. Como sempre faço com outras entidades públicas ou privadas, delego nos dirigentes a responsabilidade do que lá se faz de melhor, e de pior...

É inqualificável que, a uma segunda feira de manhã se permitam transmitir notícias do dia anterior, ou mesmo, de dois dias antes, mais a mais quando essas notícias visam informar os espectadores, como foi o caso desta 2ª.feira, com o "anúncio" do jogo Celta de Vigo/FCPorto para a Liga Fertibéria que se havia disputado sexta-feira, e da Final Four em Hóquei em Patins, jogada no Domingo à noite.

Como já escrevi anteriormente, a gestão do Porto Canal está a deixar muito a desejar. A programação é pobre e curta, e os noticiários um marasmo, a réplica televisionada do Jornal de Notícias. Não sei o que se estará a passar, o que sei é que o Porto Canal parece um navio à deriva. Por outro lado, não se vislumbra pela parte da directoria o cuidado de informar minimamente os espectadores sobre os porquês destas ocorrências. 

Isto não é normal acontecer com o FCPorto. É verdade que o FCPorto é uma estrutura empresarial  [SAD] vocacionada para o desporto, não para a comunicação social, mas não é menos verdade que já vai fazer 2 anos em Agosto que o clube adquiriu 97% da parte do capital à Media Luso, do grupo espanhol Mediapro, e não pode alhear-se deste processo, como parece estar a acontecer.

Seja como for, não creio ser esta a melhor maneira de cativar audiências. Um pouco mais de respeito pelo público, e uma informação efeciente, recomenda-se...

Este "gajo" é um chato, comentam em surdina os amiguinhos do visado...


A mulher de César

Luís Noronha Nascimento deixou este mês (dia 12) a presidência do Supremo Tribunal de Justiça e jubilou-se, ou seja, deixa de trabalhar, mas continua com todas as regalias dos juízes no ativo, incluindo as remuneratórias. O trajeto que o levou a presidente do STJ começou no início dos anos noventa. Primeiro conquistou o sindicato dos juízes, depois o Conselho Superior da Magistratura e, finalmente, o STJ.

Noronha Nascimento é daquelas pessoas que não olha a meios para atingir os fins. Os seus princípios estão orientados para os seus fins. Ideologicamente, é um estalinista puro, ou seja um indivíduo que é capaz de fazer alianças com o próprio diabo, se isso for útil ao que pretende. O seu granítico corporativismo judicial é como que uma síntese entre Béria e Torquemada. Os direitos dos cidadãos pouco interessam perante os privilégios dos juízes.

De uma ambição sem limites, instrumentalizou o sindicato dos juízes e o próprio CSM. Muitos acusam-no de, a partir do CSM, ter controlado o acesso ao STJ e, assim, ter formado, com amigos seus, o colégio eleitoral que haveria de o eleger presidente desse tribunal. O caso chegou a ser denunciado, mas sem quaisquer consequências. Todos se calaram, ou melhor todos comentavam em privado, mas publicamente agiam como se nada estivesse a acontecer, mostrando, assim, o que é, desde há muitos anos, o principal (des)«valor» da nossa República Democrática: a cobardia.

A sua ilimitada vaidade levou-o a contratar, mal chegou a presidente do STJ, uma agência de comunicação e a alterar o site do tribunal para aparecer, logo na abertura, em lugar de destaque, a sua fotografia em pose provinciana de estadista. Enquanto todos os outros tribunais mostravam aquilo que se procura no site de um tribunal, o do STJ exibia a figura mefistofélica do seu presidente ladeado de bandeiras.

Em encontros promovidos por titulares de outros poderes de estado, Noronha Nascimento dava sempre nas vistas pelo seu protagonismo de circunstância, normalmente exibindo aos anfitriões uma cultura geral do tipo Reader's Digest. Essa vaidade pessoal levou-o a degradar a própria dignidade de juiz, pois aceitou incumbências incompatíveis com o seu estatuto funcional, designadamente a de representar, em atos políticos no estrangeiro, titulares do Poder Político que ele poderia vir a ter de julgar.

Mas foi a decisão de mandar destruir as escutas de José Sócrates no processo «Face Oculta» que levantou dúvidas sobre a sua imparcialidade como juiz, já que o suspeito era nem mais nem menos o primeiro-ministro e líder da maioria política que aprovara, contra toda a nossa tradição judicial, algumas medidas tão queridas pelos conselheiros do STJ, nomeadamente a célebre «dupla conforme», ou seja, a impossibilidade de se recorrer para o STJ da decisão do tribunal da relação que confirme a decisão de primeira instância.

Portugal é dos países que tem mais conselheiros, porque, no final dos anos oitenta, o atual código de processo penal previa um recurso direto da primeira instância para o STJ. Isso foi aproveitado pelos juízes para aumentar o número de conselheiros de cerca de vinte para mais de setenta. Esse tipo de recursos acabou há muito, mas os conselheiros mantiveram-se (como se mantém o subsídio de habitação do tempo em que os juízes não podiam permanecer mais de seis anos no mesmo tribunal). É certo que, devido à crise económica e financeira, Noronha Nascimento só realizou parcialmente o binómio sindicalista de «menos trabalho e mais dinheiro». Os juízes do STJ têm hoje muito menos trabalho do que tinham quando ele foi eleito presidente e mantêm os seus principais privilégios.

Por outro lado, o filho de Noronha Nascimento conseguiu, durante o tempo em que o pai foi presidente do STJ, arranjar um emprego num organismo do Estado que dependia diretamente de José Sócrates. Pode ser apenas coincidência, pode tudo ter corrido dentro da mais estrita legalidade e normalidade, mas, até por isso, Noronha Nascimento deveria ter-se recusado a apreciar o caso das escutas de José Sócrates e, sobretudo, não deveria andar a fazer insistentes declarações públicas sobre a irrelevância criminal de conversas telefónicas cujo conteúdo as pessoas ignoram. É que a um juiz não basta ser honesto, é preciso parecê-lo.

11 junho, 2013

Cartoon (Público)

O Porto Canal, as cassetes repetidas, e o silêncio...


Juca Magalhães
Não sei o que estará a passar-se na cabeça dos "notáveis" deste país, que anda a bloquear-lhes o bom senso, tanto nos momentos em que são chamados a fazer declarações públicas, como naqueles em que deviam tomar decisões, e não tomam. 

Já nos habituamos a ouvir os maiores disparates, da boca das pessoas mais improváveis [Passos Coelho, Cavaco, Victor Gaspar, Isabel Jonet, Carlos Abreu Amorim, etc.], não precisamos é que Júlio Magalhães lhes siga o (mau) exemplo... Não porque diga disparates, mas porque anda a querer silenciar o que não dá mais para silenciar.

O estranho, é que a imprudência, parece começar a fazer escola com determinadas figuras públicas que até aqui nos vinham transmitindo a imagem de pessoas moderadas e pouco dadas a cometer asneiras grosseiras. Parece ser esse o caso de Júlio Magalhães, o actual director geral do Porto Canal, agora sob a tutela do FCPorto.

Não faz qualquer sentido, depois de tanto se andar a apregoar a missão de âmbito regional [e nacional] da estação da Senhora da Hora, depois de procurar "agarrar" audiências com promessas de uma televisão pronta a servir o Norte e a cidade do Porto, que os fins de semana, e mesmo algumas horas durante a semana, os espaços sejam ocupados com gravações e programação ultra-repetidas, sem haver sequer o cuidado de apresentar uma simples explicação para o facto. Não me parece sério, nem de bom auguro.

Se porventura tal desleixo assentar na ideia de que as audiências estão garantidas por se tratar de um canal ligado a um clube com o prestígio do FCPorto, então ainda é pior, porque o prejuízo é duplo. Não creio mesmo, que a repetição excessiva de programas eminentemente desportivos relacionados com o FCPorto, possa atenuar a situação. As pessoas gostam demais de futebol, mas não andam a dormir, nem gostam que as intoxiquem com cassetes usadas. Nem o bem disposto Futre pode servir de engodo.  As  pessoas - o público, se entenderem melhor -, precisa acima de tudo de ser respeitado, e não é isso que Júlio Magalhães está a fazer.

Ressalvo que, o melhor que o Porto Canal tem, descontando a área desportiva, já vinha de trás, quando ainda era dirigido por Bruno Carvalho, por ironia, um ex-candidato vencido à presidência do Benfica... O FCPorto, o programa "Caminhos da História", de Joel Cleto, e a irreverência de Maria Cerqueira Gomes, são a alma do canal. O resto, continua assim, assim... Prometeu, mas deixou-se estagnar. O que se passa?

Tem a palavra Júlio Magalhães. 

Nota de RoP: 
De pouco deve valer, mas não resisti de enviar a carta a Garcia, e dei conhecimento deste desabafo ao Porto Canal.
 

08 junho, 2013

Paulo Fonseca, o mais recente exemplo da aposta do FC Porto em jovens treinadores

Técnico que levou o Paços de Ferreira à Liga dos Campeões estará perto de assinar um contrato de duas épocas

André Villas-Boas, Vítor Pereira e agora Paulo Fonseca. O primeiro tinha 32 anos quando assinou pelo FC Porto (2010), o segundo 42 quando passou a treinador principal (2011) e o terceiro tem 40, às portas de embarcar naquela que será apenas a segunda aventura na principal divisão do futebol português. É o fruto de uma aposta recente de Pinto da Costa em técnicos jovens e ainda à procura de títulos.

Tem sido uma ascensão meteórica, a de Paulo Fonseca. Começou a carreira de treinador nos juniores do Estrela da Amadora (2005-07) e passou pelo 1.º Dezembro (2007-08), pelo Odivelas (2008-09), pelo Pinhalnovense (2009-11) e pelo Desportivo das Aves (2011-12), antes de, na temporada passada, ter assinado pelo Paços de Ferreira. A época de estreia na I Liga não poderia ter corrido melhor: com um inédito terceiro lugar, suplantou o Sp. Braga e garantiu uma qualificação histórica para a Liga dos Campeões.

Foi à custa deste brilharete que despertou a atenção dos principais emblemas. De tal forma que, ainda com a época a decorrer, nas várias entrevistas que concedeu, Paulo Fonseca nunca fechou a porta a uma saída no final da temporada, embora tivesse com o Paços de Ferreira um contrato válido até 2014. Na altura, o estrangeiro parecia ser a hipótese mais forte, mas o FC Porto apressou--se a garantir o seu concurso.

Por enquanto, não há ainda confirmação oficial do negócio, mas tudo aponta para um vínculo de duas temporadas (à imagem do que sucedeu com Vítor Pereira e com muitos dos técnicos que já passaram pelo banco do campeão nacional), devendo o valor a pagar pelo FC Porto ao Paços rondar um milhão de euros, relativos à cláusula de rescisão do técnico.

A confirmar-se o negócio, que está a ser intermediado pelo empresário Jorge Mendes (representante do treinador desde Março), Paulo Fonseca será o 12.º treinador português da era Pinto da Costa, juntando-se a um grupo composto por Pedroto, Artur Jorge, Quinito, António Oliveira, Fernando Santos, Octávio Machado, José Mourinho, José Couceiro, Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas e Vítor Pereira.

A renovação contratual do treinador que recentemente se sagrou bicampeão nacional precisamente no terreno do Paços de Ferreira ficou pelo caminho. Pinto da Costa, em entrevista à RTP1, tinha remetido para esta semana uma nova reunião com Vítor Pereira, que terá servido para lhe apontar a porta de saída, obstando a que pudesse aproximar--se de Jesualdo Ferreira como o técnico de maior longevidade no banco dos "dragões" (quatro temporadas consecutivas) sob a direcção do actual presidente.

Agora, abre-se um novo ciclo na equipa de futebol do FC Porto e António Oliveira, presidente do Estrela da Amadora na altura da estreia como técnico de Paulo Fonseca (precipitada por uma lesão grave), não tem dúvidas. "Se o FC Porto o escolher, acerta em cheio", disse ontem à Rádio Renascença.

[Nuno Sousa/Público]

Importa-se, Presidentes da República?



 

05 junho, 2013

De Lisboa, nem bons ventos, nem bons casamentos

As fronteiras são o melhor testemunho de afirmação, e simultaneamente de discórdia na história  dos países. Se as fronteiras foram criadas, não foi seguramente por motivos pacíficos, ou por amor recíproco entre povos vizinhos. Localizado na periferia ocidental da Europa, e com o flanco maior da sua costa marítima virada para o Atlântico, era inevitável para Portugal ter como principal inimigo a Espanha. De momento, não importa saber se a entrada na União Europeia, com o consequente desmantelamento das fronteiras, foi uma decisão positiva, ou não, o que releva mesmo é que, desde então, os atritos entre os dois países parecem ter serenado.

O certo é, que as relações entre Portugal e Espanha, principalmente o Norte nacional e a Galiza, só não estão melhores, quer em termos culturais, quer económicos, porque os governos centrais não quiseram nem querem. Mas os governos centrais, na simples acepção do termo, não foram, de per si, um obstáculo, o obstáculo foi o hiper-centralismo das suas práticas governativas, que levaram o resto do país a uma profunda desigualdade social e económica, que dificilmente será superada nos próximos anos, mesmo com a Regionalização. 

O curioso, no meio de tudo isto, é chegarmos à triste conclusão, que a maior fronteira, a mais hostil e agressiva, vem sendo traçada dentro de portas, pelo Terreiro do Paço, baluarte simbólico do divisionismo do país. E é inútil revitalizar o velho fantasma do complexo do Porto em relação à capital, porque essa não é mais do que uma desculpa idiota para eternizar o problema cujas consequências podem ser uma desgraça.

Folguei em saber que um grupo de notáveis decidiram finalmente juntar-se para discutir o Norte, e subscrevo a ideia de Rui Moreira de combater a portofobia, evitando os erros de Lisboa. Só que, observando, um a um, o perfil dos intervenientes, parte dos quais viveram de costas voltadas para o Norte, interrogo-me se a iniciativa [louvável], terá pernas para andar. 

Gostava de me enganar [gostava  mesmo], mas tenho a certeza que, chegada a hora das grandes decisões [se lá chegarem], alguns destes protagonistas abandonam o barco. Não detecto ali, pelo menos, nalguns dos participantes, a mínima vocação para seguir em frente, custe o que custar, até que o Terreiro do Paço perceba que não se trata apenas de um inofensivo processo de intenções, para provinciano alegrar. Isto de dizer que o Norte tem importantes agentes económicos, e um empresariado qualificado, soa bem, mas de pouco serve se não se decidir o que fazer com eles. Diz o JN que existe consenso sobre como deve actuar-se para o Norte e o Porto se afirmarem, concluindo que apenas nos falta o poder político... Faltará? Então, não há, e não houve sempre, nos variados governos e no Parlamento, gente do Porto e de outras cidades nortenhas? Os que ainda lá estão, servem, ou não, para este projecto intitulado pelo JN de "revolucionário"? Se não servem, como pensam lá chegar [ao poder político]?

Sinceramente, gostava muito de ser optimista, mas como sê-lo, conhecendo como conheço esta tendência mórbida de alguns "notáveis" nortenhos [não só do Porto, sublinhe-se], para o beija-mão reverencial  ao Terreiro do Paço, e à sua mais poderosa arma, chamada comunicação social? 

Não querendo meter o futebol na política [mas onde é que ela não está?], é importante que o usemos sem complexos para nos defendermos do centralismo, como os centralistas o usam contra nós e sem cerimónias, para nos silenciar e enfraquecer. E como nós só agora temos o Porto Canal, ainda em modo de estágio, a réplica é inofensiva.  Dou-vos só este singelo exemplo. No jogo de andebol para a Taça de Portugal, disputado sintomaticamente em Tavira, houve uma arbitragem incompetente e tendenciosa que fez tombar a Taça para o lado do Sporting. Por que é que um jogo de final tinha de ser em Tavira, tão distante dos portistas, 300 Kms. mais distantes que os do Sporting? Faz algum sentido?

Segundo o jornal desportivo O JOGO, Adelino Caldeira recusou-se a cumprimentar o presidente do Sporting antes do jogo, devido a declarações sobre fruta, por altura da venda de J. Moutinho ao Mónaco.. Hoje, em todas as estações de tv lisboetas a notícia era contada assim: "Sporting corta relações institucionais com o FCPorto". E a seguir, sem ouvirem a outra parte, prosseguiram com a declaração do dirigente leonino com pompa e circunstância, como se tratasse de uma verdadeira declaração de guerra. 

Significativo também, é que essas mesmas televisões, incluindo a que se diz pública [RTP], que se fartaram de cheirar o rabo ao Mourinho em Madrid, acompanhando todas as conferências de imprensa do treinador, como se o Real Madrid fosse um clube português, ignoraram por completo o artigo do jornal MARCA abaixo publicado, só porque não suportaram ter de reproduzir o que os nossos «inimigos» espanhóis escreveram do Presidente Pinto da Costa. Nem os comentários venenosos de Octávio Machado mancharam o artigo, onde era reconhecida a competência do líder portista. É caso para dizer que nuestros hermanos de Espanha são mais patriotas que os lisboetas...

Escusado se torna prever as explicações dos media para tanto desrespeito, porque ele assenta no facto de o FCPorto  ter perdido, há muito, e com razão, a confiança na isenção dos media lisboetas, e como tal, prefere não lhes falar. Sim, porque, dissesse o que dissesse o dirigente portista, é certo e seguro que só serviria para ser manipulado e gerar ainda mais confusão. Como já escrevi em post anterior, este é o panorama de um país governado por gente sem qualificações intelectuais, cívicas e honoríficas. E depois, o futebol é quem gera a violência. Não, não é! São estes governantes de merda! 

PS-Acho muito bem que Adelino Caldeira não tenha cumprimentado o aprendiz de feiticeiro do Sporting, um rapazinho de voz grossa com mente de ervilha, que também se deixou seduzir pelo síndroma anti-pintista, iludido que assim sobe ao reino dos céus mais depressa. 

Spotinguistas, desconfiem, lembrem-se que foi assim que Vale e Azevedo virou a cabeça aos benfiquistas, e depois foi o que se viu... Ah, e Vale e Azevedo está na cadeia.

04 junho, 2013

Parte de um artigo do jornal MARCA, sobre Pinto da Costa

PINTO DA COSTA
Quem conhece bem Pinto da Costa [Porto 1937], acredita que o desencontro público protagonizado esta temporada por Mourinho e algumas figuras do Real Madrid, nunca teria ocorrido no FCPorto. O argumento é simples: nada está acima do Presidente, que acaba de iniciar o seu 13º.mandato sem que ninguém ouse enfrentá-lo.

Durante o verão de 2002, na sua 1ª.temporada completa no banco, Mourinho decidiu sentar Victor Baía. O guarda-redes e capitão, consciente da sua enorme popularidade junto dos adeptos, retaliou ao treinador através dos media. Quando o Presidente interveio, a ruptura parecia irreparável. No entanto, em poucas semanas, todas as partes estavam satisfeitas. Baía foi sancionado, mas recuperou a titularidade. Dois anos mais tarde, treinador e guarda-redes tinham somado duas ligas, uma taça UEFA e uma Champions, ao seu palmarés. 

Hoje Mourinho concede ao seu descobridor o qualificativo de TOP, a mais alta distinção do escalão mourinhista. "Tal como há um grupo de eleição para jogadores e para técnicos, também os há para presidentes. Nesse grupo Pinto da Costa, está no top", assegurou na revista oficial do FCPorto, na qual revelou como o presidente o convenceu a continuar no clube depois de ganhar a taça UEFA. "Por acaso não te sentes capaz de ganhar a Champions com o FCPorto?", desafiou-o, quando o técnico já tinha as malas feitas. "Acertou, porque me tocou no orgulho. "Estou-lhe grato pela inteligência e pela persuasão", recorda Mourinho.

Quem conviveu com ele, distingue duas pessoas. Jorge Nuno, um homem próximo, amável, culto e amigo de recitar poesia. E Pinto da Costa, um presidente - profissional desde 1998 - que dedica 24 horas por dia ao FCPorto e que não se detém perante nada nem ninguém na hora de defender os seus interesses, capaz de desentender-se até com o seu filho, por assuntos relacionados com o clube. Um dirigente que em três décadas acumulou um palmarés mais amplo do que o de importantes clubes europeus e cuja gestão levou o Presidente da República portuguesa a dizer que o país devia reger-se "à imagem do FCPorto"

Pinto da Costa construiu a sua imagem a partir de um excepcional olho para os bastidores e uma mão de ferro para os negócios. Por detrás da primeira qualidade há uma inquestionável sabedoria futebolística. O caso de Ricardo Carvalho ilustra-o bem. Os técnicos achavam-no demasiado frágil para ser central. O presidente exigiu que fosse recuperado do Alverca, onde fora cedido. Três anos, duas Ligas, e uma Champions depois, era transferido para o Chelsea por 30 milhões.

A sua intuição não se limita só a futebolistas, lançou para o estrelato treinadores, como Mourinho e Villas Boas, incluindo directores. Antero Henrique, director desportivo desde 2005, que muitos responsabilizam pelas últimas operações do FCPorto, era o dirigente da revista do clube e agora é o delfim do presidente.

Atrás da sabedoria ocultam-se  muitas horas de trabalho e uma ampla rede de olheiros, especialmente na América do Sul. "Dedica 24 horas do dia ao clube e sempre vai ver pessoalmente os jogadores antes de contratá-los. Vê como jogam, mas também com que gente se envolvem. É muito criterioso com os aspectos pessoais", conta o periodista Bruno Prata. Quando se equivoca, e já lhe aconteceu, especialmente com os técnicos, reconhece o seu erro e corta o mal pela raíz.  O italiano Luigi del Neri sentiu-o na pele. Foi demitido antes de dirigir a primeira partida. Levava mês e meio, mas as informações que chegaram aos ouvidos do presidente sentenciaram-no. Quando toma a decisão não volta atrás, mas a partir daí respeita a independência dos técnicos. É pelo menos isso que garantem os treinadores consultados pela MARCA. "Nunca tive conhecimento que tenha tentado interferir no trabalho de um treinador. Pelo contrário, dá muita confiança", afirma Domingos Paciência, que foi jogador do FCPorto.

Os que se sentaram com ele a uma mesa sabem até que ponto pode ser duro a negociar. Richard Moar, director desportivo do SuperDepor, passou 2 noites na sua residência negociando uma operação que não foi concluída. "É muito duro, se a oferta inicial não chega aos 85% nem sequer te recebe. Marca sempre os tempos, conhece muito bem o comprador, joga com a pressa com que os grandes se dispõem a ir com os jogadores importantes e puxa a corda até ao limite em alterar o gesto". Os amigos explicam essa sua frieza com o seu excessivo sentimentalismo. "Ele realmente afeiçoa-se pelos seus jogadores, por issolhe custa tanto vendê-los", assegura Paulo Futre, com quem protagonizou um dos seus primeiros romances. O temperamento namoradeiro de Pinto da Costa não se limita ao futebol. O presidente casou-se por 4 ocasiões, duas delas com a mesma mulher. A 28 de Julho celebrará o seu 1º aniversário com a brasileira Fernada Miranda, de 26 anos.

Disse não à política  
Mas os 31 anos que leva à frente do clube não se explicam apenas com essa dupla faceta de caçador de talentos e negociador. De facto, há quem assegure que a sua habilidade não é tanto a de descobrir talentos como de as forjar. "Soube investir bem no mercado, mas sobretudo criar as condições para que o jogador possa render o máximo. Criou uma estrutura de gente unida e que trabalha 24 h por dia para o clube e para que o jogador se sinta protegido", assegura Octávio Machado, segundo de Artur Jorge, durante quase uma década, e 1º.treinador na de 2001/2002. Machado* sustenta que parte do mérito de Pinto da Costa consiste em ter sabido aproveitar a "excessiva fragilidade" dos seus adversários.

Futre valoriza essa protecção, mas também destaca o respeito que a sua figura infunde e o extraordinário controle em tudo o que respeita ao clube. "Se um jogador toma um copo a 50 Kms da cidade, ele tem conhecimento". E se algo assim ocorre, as consequências são imediatas: "é muito carinhoso com os futebolistas e dá-lhes tudo o que querem, mas não o podes decepcionar". Isso sim, a roupa suja, lava-se sempre em casa. "No FCPorto nunca há escândalos. O presidente lida muito bem com os media, e os problemas nunca saem cá para fora", conta Futre.

O presidente do FCPorto gosta de ter tudo sob o seu controle. Conta-se que quebrou um contrato com Carlos Alberto Parreira porque suspeitava que alguém das suas relações tinha filtrado para um jornal a notícia da sua contratação... 

Nota de RoP:

Este artigo, que extraí e tive a paciência de traduzir, do jornal desportivo MARCA, não termina aqui, embora pouco falte. A parte que resta, e que me recuso reproduzir, mais não é que o resultado  do venêno expandido pela campanha de má lingua e conspiração levado a cabo pelos media lisboetas, com a cumplicidade de ex-colaboradores, e ex-amantes ressabiadas de Pinto da Costa. 

Para esse peditório eu não dou. Fica a parte mais credível, e a mais importante.

* Machado, o Octávio, é um dos testas de ferro preferidos dos conspiradores para mal-dizer sobre Pinto da Costa. Mas, já ninguém o leva a sério.

03 junho, 2013

Um país sem rei, nem roque

A "mui-nacionalista" RTP, a tal estação televisiva que se auto-proclama de serviço público, mas que mais não passa, de um órgão de comunicação do Estado ao serviço do Benfica, foi [como sempre], muito lesta a anunciar a não comparência do clube na final da Liga Europeia de Hóquei em Patins, disputada no Dragão Caixa, alegando falta de segurança e de condições para os adeptos. 

Ao melhor estilo nazi, a querida RTP nem sequer se preocupou em deixar maturar a consistência da notícia, transmitida na noite da véspera do jogo, de forma a não perturbar a estabilidade dos jogadores, até porque, na manhã seguinte o clube de Benfica, decidiu voltar atrás com a decisão... O que interessa à RTP, sempre que o clube do regime tem de defrontar o FCPorto, é criar um clima de suspeição permanente, para se as coisas não correrem de feição ao Benfica, terem logo ali à mão um pretexto para se lançarem aos árbitros, aos adeptos, ou a Pinto da Costa [principal responsável das suas agruras].

A quem vive arredado destas coisas, e pensa não passarem de futilidades próprias de gente da bola, bastaria observar o que se passou no jogo de andebol, em Tavira, onde o FCPorto disputava com o Sporting a final da Taça de Portugal, em que o árbitro foi altamente responsável pelo resultado final, beneficiando de uma forma por demais evidente o Sporting, para perceber que aqueles que tanto se queixam do FCPorto, são afinal os mais protegidos em todos os aspectos e em todas as modalidades. Isto significa, como aliás é do conhecimento geral, que para o FCPorto ganhar em Portugal qualquer competição, não basta ser melhor que os adversários no terreno, tem de ser também melhor que os adversários do regime [políticos, governantes, comunicação social, árbitros, facínoras, incendiários, etc., etc.].

Mas, tudo isto já é velho, como diz o ditado, já tem barbas. Apenas acontece, porque tal como Miguel Sousa Tavares disse há dias, nós não temos na Presidência da República nem no Governo, homens com perfil de estadistas, mas sim - digo eu -, de bobos e  impostores. E, para que não haja confusões, ou pretextos para me abrirem também a mim um processo, declaro desde já o meu maior respeito pelas instituições atrás referidas, não obstante a vacuidade do mesmo, quando - como é o caso -, não existem funcionários com mérito para as ocupar...

Toda esta gente, mais do que assobiar para o lado, é cúmplice das poucas vergonhas que acontecem não apenas no desporto, como em toda a sociedade.

Acho, que esta escumalha só mesmo à porrada, lá vai!


29 maio, 2013

E o Eça, tão dramaticamente actual

Alguém, que um dia decidiu criar um blogue, concerteza que o fez para ser lido, para transmitir e partilhar com outros a sua opinião sobre determinado(s) assunto(s). Depois, terá de perceber que, a partir desse momento hipotecará um pouco da sua privacidade. Para não ficar decepcionado, convirá também saber, que para ser muito lido, e comentado, deverá escolher um tema que agrade de preferência a toda a gente, que seja simpático, politicamente correcto, e que não obrigue o leitor a pensar muito. E, se mesmo assim, não conseguir ter um grande número de leitores, sempre pode procurar outras "montras", como registar-se no Facebook, ou no Twitter, como aliás, fazem o Presidente da República e o Primeiro Ministro...

Como não sou fã das redes sociais, por considerá-las algo invasivas e muito folclóricas para o meu gosto, tenho desde logo comprometidas as audiências do Renovar o Porto, e o leque de "amigos" condicionado [o que não é o caso das figuras públicas atrás mencionadas]. Mesmo assim, intriga-me, o que é que poderá levar o P.R. e o P.M., a frequentarem as redes sociais, quando tanto mal têm feito à sociedade. A menos que sejam masoquistas e gostem realmente de ser insultados.

Se para um blogue ter muita visibilidade só conta o futebol, os lugares comuns vazios dos políticos, e a superficialidade da comunicação social, então o Renovar o Porto não terá grande futuro, mas o país também não. Se repararem bem [e seria espantoso que não tivessem reparado], tanto os jornais, como os governos não passam de clones uns dos outros. Nada de verdadeiramente inovador podemos esperar deles. Podem ouvir as pessoas que quiserem, os peritos que entenderem, ninguém se distingue de ninguém. Da esquerda à direita, há oposição, mas não há solução, nem uma verdadeira vontade de mudança.

O Renovar o Porto nasceu com o intuito de se constituir um pouco a voz que o Porto perdeu com a chegada de Rui Rio à Câmara. Sem presunção, procurou alertar os portuenses e nortenhos para esse cancro chamado centralismo, chegando mesmo a influenciar a criação de um Movimento [Movimento do Partido do Norte] a favor da regionalização, que lamentavelmente acabou por não ter o êxito que se esperava, quer por falta de meios, quer pela tradicional pasmaceira da população. Entretanto, à crise política nacional, juntou-se a crise financeira, dita global, cujas consequências estamos agora a pagar, sem termos a menor ideia de quando terá fim. E quem nos governa, também não...

Aqui chegados, não perco tempo a discutir os detalhes, a ouvir quem quer ser ouvido, mas nada diz. A mim, que estou cansado desta política suja, praticada por gente de carácter obscuro, só me interessa a discussão dos problemas a montante, na fonte. Não nesta foz lamacenta, de fedor e lixo, e pactuar com ela. Essa política, para mim está morta e não é de agora. Há criminosos [e não me refiro apenas aos crimes mais mediáticos], e se há crime, tem de haver castigo. Depois, então sim, haverá que gerar novos paradigmas para a democracia, torná-la mais sólida e respeitável. Cavalgar por cima disto, não estou disposto a cavalgar.

O problema chama-se Portugal, e é antigo. Já Eça de Queiroz o denunciava no século XIX. Senão leia-se esta pequena "amostra" retirada de OS MAIAS ao João da Ega, amigo de Carlos Maia, principal protagonista do romance: "-É extraordinário! Neste abençoado país todos os políticos «têm imenso talento». A oposição confessa sempre que os ministros, que ela cobre de injúrias, têm, à parte os disparates que fazem, um «talento de primeira ordem»! Por outro lado, a maioria admite que a oposição, a quem ela constantemente recrimina pelos disparates que fez, está cheia de  «robustíssimos talentos»! De resto todo o mundo concorda que este país é uma choldra. E resulta portanto este facto supracómico: um país é governado «com imenso talento», que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado! Eu proponho isto, a ver: que, como os talentos sempre falham, se experimentem uma vez os imbecis!».

Ainda gostava de saber se os actuais políticos, lendo Eça, se acham muito diferentes dos daquele tempo... Se não acham, também nunca o vão dizer.


27 maio, 2013

Se eu fosse 1º.Ministro

1º.Ministro por fora. E por dentro?

Chamem-me bota de elástico, anti-democrata, o que quiserem, que a minha opinião não muda.  Os 39 anos vividos em democracia bastam-me para concluir que é preciso fazer muito mais do que se fez até agora, para a credibilizar e aperfeiçoar. Não sou dos que fazem profissão de fé das palavras de Churchill, quando disse que "a democracia era o pior dos regimes à excepção de todos os outros", porque se o fizesse, seria o mesmo que renunciar ao progresso. Há quem use a citação desse notável estadista exactamente para se aproveitar das debilidades da nossa democracia, que são muitas.

Se  fosse 1º. Ministro/Presidente Partidário - cargo para o qual, declaro não ter aptidões, nem vocação -, punha fim a certas liberdades, confusamente consideradas democráticas... A primeira decisão que tomaria, era perguntar aos putativos candidatos a governantes [militantes partidários] se estavam profundamente conscientes das responsabilidades inerentes aos respectivos cargos, e pedia-lhes para as descreverem. A partir daí, e em conformidade com as respostas, faria uma selecção primária dos candidatos, descartando desde logo os que tivessem respondido com fraca convicção. Àqueles que passassem com distinção o rastreio prévio [calculo que muito poucos], colocava-lhes uma segunda questão, que consistia em saber se estariam disponíveis para desempenhar funções governativas e políticas,  em regime de exclusividade. Os que respondessem afirmativamente manter-se-iam na corrida a um hipotético elenco,  mas seriam imediatamente confrontados com um pequeno grupo de Regras Estatutárias, entre as quais constaria a obrigatoriedade de renunciarem à participação em programas de debate e opinião desportivos, na qualidade de adeptos, fossem eles televisivos, radiofónicos, ou apenas jornalísticos. Esse impedimento estatutário manter-se-ia em vigor, enquanto estivessem ligados ao partido e a cargos públicos. Quem infringisse as regras, ou as recusasse, seria imediatamente irradiado do partido e impossibilitado de lá voltar, porque não faria falta.

Não estou certo que a prova final decorresse sem contestação, e nesse caso, teria de repetir o recrutamento, pois era sinal que as respostas tinham sido dadas com oportunismo, e não com a convicção que se impunha. Ter de explicar aos contestários as razões daquelas regras, significaria de per si, que eles não atingiam a dimensão e a dignidade do cargo que se propunham desempenhar. Teria de gastar tempo a explicar-lhes que um político deve ter uma postura acima da clubite. Que não pode convencer o povo a acreditar nas suas propostas e ao mesmo tempo ir para a televisão trair  esse mesmo povo, apenas porque tem de "defender" o clube da sua simpatia. Sobretudo, quando o fair-play não faz parte da programação das régies, deixando passar uma imagem de pessoas vulgares, de fraca rectidão... Teria de lhes dizer, que não é desse tipo de políticos que o povo precisa, e que essa não é tarefa que compita ao líder do partido resolver, mas sim aos paizinhos, desde pequeninos, administrando-lhes uma educação exemplar. Portanto, teria de os excluir, e escolher outros protagonistas. Tarefa árdua, a minha, eu sei...

O mais provável, é que se sentissem vitimizados, como aliás, agora está na moda vitimizarem-se os próprios criminosos. É natural, mas não é digno. Decerto me teriam como uma "ave rara", uma espécie de ovni, mas teria de ser mesmo assim. Eu só avançaria, com essas condições, quem não aceitasse as regras, ser-lhe-ia  indicada a porta de saída, simplesmente. 

E se quisessem saber os porquês de tanta austeridade, pedia-lhes que tentassem descobrir por que é que hoje, ninguém respeita ninguém. Nem a figura institucional do Presidente da República... É que para vestir certos fatos, não é o corpo que tem de encaixar, é o que vem lá dentro.