08 outubro, 2013

Rui Moreira, fiel a si próprio, ou refém de Rui Rio?

Quem, como é o meu caso, escreve publicamente, não pode, mesmo que o queira, dissimular durante muito tempo as suas simpatias ideológicas. Digo ideológicas e não políticas, porque apesar de em teoria ainda subsistirem aspectos importantes a diferenciá-las, não me revejo no que os partidos portugueses ditos de direita e de esquerda, têm feito pelo país. Se os primeiros, continuam estupidamente esclerosados,  dando razão e restaurando a tese marxista da exploração do homem pelo homem, enferrujando as suas já muito estafadas teorias, a esquerda moderada não consegue resistir à atracção dos modelos capitalistas, salpicando-a, para sobreviver, aqui e ali, de avulsas reformas sociais de efémera longevidade.

Se polarizei a política nacional entre esquerda e direita e esqueci o centro, é porque não encontro nenhum partido que corporize essa ideia de centro. Sobre os partidos da oposição, nem vale a pena falar, porque há muito desistiram de se tornar numa alternativa ao PS e ao PSD/CDS. Para quem escolheu a política partidária [remunerada] como modo de vida, é manifestamente pouco.

Aqui chegado, parece-me inútil explicar por que é que as eleições autárquicas se revestem de uma importância transcendental aos próprios partidos, comparativamente às legislativas. A maior aproximação dos autarcas ao povo permite-lhes uma liberdade de accção que os governantes não possuem e que muitas vezes até evitam. Da capacidade de liderança de um presidente da Câmara depende o destino de uma cidade ou de uma região. É por isso e apenas por isso, que vou ficar expectante em relação à gestão de Rui Moreira na Câmara do Porto. 

Tenho um bom exemplo na família do qual muito me orgulho [passe a imodéstia] que de certa maneira vem de encontro à minha expectativa. O meu avô paterno. Ele soube sempre distinguir muito bem o seu papel de militar do de político. Não foi por ter servido o Estado Novo, que recusou a continência da praxe a um determinado ministro, mas que o deixou de mão estendida à espera de um aperto de mão que nunca aconteceu... Não foi por isso que perdoou a comparência em tribunal de um presidente da Câmara da época, que tudo tentou para o evitar... Nem foi por isso que o Estado português lhe recusou a mais alta condecoração militar: a Ordem de Torre e Espada.  Pela mesma ordem de razões, ainda não desisti de acreditar que é na têmpera, mais que na partidarite, que se burilam os grandes Homens. 

Aguardemos pois para saber se Rui Moreira é muito mais que a soma das partes que politicamente o apoiaram. Eu gostava de acreditar que sim, embora não acredite no Pai Natal há muitos anos. Aguardo para ver...

03 outubro, 2013

O FCPorto de Paulo Fonseca

Já sabemos que Portugal é um dos países com pior nível de vida da Europa, que é o país mais desigual da Europa e que por essa razão tem dificuldades acrescidas para lutar em pé de igualdade com todos os outros países, em quase todas as áreas. O futebol é uma dessas áreas, e o FCPorto o clube que em Portugal mais êxitos tem alcançado no confronto com clubes de países economicamente mais poderosos. Tudo isto é verdade, tudo isto nos honra como portistas, embora nos vexe como  portugueses.

Sendo  isto uma realidade,  torna-se difícil, quase criminoso, imaginar que neste clube de excepção fica alguma coisa por fazer em matéria de organização. Então para o adepto portista a coisa fica ainda mais difícil.

Serve o prólogo para dizer, que pese embora os bons resultados alcançados com a sua famosa política de contratações [de jogadores e treinadores], de comprar barato, fazer evoluir, e vender caro, o FCPorto podia fazer ainda melhor. Épocas há, que com esta cuidada gestão estratégica, consegue juntar aos bons resultados, boas exibições, quando consegue construir um plantel, técnica e psicologicamente equilibrado. Mas outras há, que não o consegue, e quando assim é, os riscos de fracassar aumentam exponencialmente. Se a isto associarmos a contratação de treinadores novos, sem grande experiência, vindos de clubes economicamente mais frágeis e com outros níveis de exigência, os riscos aumentam ainda mais, sobretudo quando  falámos das competições europeias.

O último jogo para a Champions revelou duas coisas. Que o FCPorto ainda não está preparado física e psicologicamente para jogar ao mais alto nível os 90 minutos regulamentares. Que continua a ter no seu plantel alguns jogadores bipolares, que ora fazem coisas extraordinárias como de repente desatam a embrulhar-se com a bola, a complicar, a passar mal, e a entregar repetidamente a bola ao adversário. Basta um só jogador entrar nesta espiral de desconcentração para contagiar todos os outros e colocarmos em dúvida a qualidade do plantel.

Já no tempo de Victor Pereira me perguntava por que é que isto acontecia e se não era possível recuperar estes jogadores para prestações mais consistentes. Nestes casos, qual é o papel do treinador? Fala com eles, ouve-os, corrige-os nos treinos, repreende-os, ajuda-os a ultrapassar as deficiências, aperfeiçoa-lhes os movimentos, as desmarcações, ensina-lhes as várias opções do remate, a qualidade/velocidade do passe? Ou, opta por uma estratégia mais conservadora aceitando naturalmente as limitações próprias de cada jogador?  Será que os treinadores portugueses só percebem de estratégia e de métodos de treino por catálogo? É assim, e mais nada?

Antigamente, quando alguns treinos eram abertos ao público, ainda era possível observar os processos de treino dos técnicos, mas agora só podemos mesmo imaginar [a culpa não é nossa...]. O saudoso Boby Robson podia não ser um colosso em matéria de estratégia, mas era fantástico a treinar os movimentos de ataque, os cruzamentos e sobretudo o remate, que é coisa que actualmente parece intimidar certos jogadores.

Estas especulações, não fariam sentido para mim, e suponho que também para a maioria dos portistas, se não estivéssemos preocupados com o comportamento bipolar da equipa. Parece não estar preparada para jogar 90 minutos com a mesma concentração e empenho. Essa, não é a cultura competitiva do Porto. O que é que estará a falhar? 

Resta-nos acreditar que a lendária capacidade do nosso clube para ultrapassar dificuldades faça jus à tradição. Mas o Paulo Fonseca tem de ajudar...

30 setembro, 2013

A minha opinião sobre a victória de Rui Moreira

Como disse em post anterior, se votasse no Porto e se não fosse o apoio de Rui Rio [e de outras figuras públicas] à candidatura de Rui Moreira, teria votado nele. 

Ao contrário da avaliação de Marinho Pinto [artigo JN ] não creio que Rui Rio também tenha saído vencedor destas eleições, embora compreenda essa leitura. Penso assim, porque estou convencido que até o eleitorado afecto a Rui Rio, se fosse hoje, não voltava a querê-lo na Câmara do Porto. E por quê? Porque Rui Rio, gozando embora da fama exagerada de pessoa idónea e contida em gastos, fez muito pouco pelo Porto. Desprezou a cultura, desprezou o desporto [excepto as corridas de automóveis], afrontou o FCPorto [talvez a Instituição que mais visibilidade dá à cidade], não resolveu o problema do Bolhão, adulterou a génese do Mercado do Bom Sucesso, não reabilitou expressivamente a urbe do centro do Porto e, para resumir, tornou a cidade num antro indecente de sujidade. É manifestamente  pouco para 12 anos como autarca...

Por estas razões e muitas outras que me escuso agora recordar, acho que o grande vencedor foi a pessoa de Rui Moreira e não o apoio da figura de Rui Rio. E o grande perdedor foi sem dúvida o Partido Social Democrata, ou melhor, o Governo, ou melhor, Pedro Passos Colelho.

Não aprecio autarcas despesistas, mas não seria por isso que negaria o meu voto a L.Filipe Menezes, porque mudou completamente Gaia e para melhor. Como já disse, não lhe perdoei a renúncia à Regionalização imediatamente a seguir a tomar o comando do PSD. Para além disso, Rui Moreira fez uma campanha pautada pela discrição, não prometeu mundos e fundos, e desde há tempos que apoia a Regionalização.

Rui Moreira tem portanto agora uma oportunidade de oiro para fazer a diferença e mostrar o que vale como político, mas também como Homem. Para mim, à frente de qualquer distinção social, profissional, militar ou política, está o Homem, a força da sua honradez e da sua competência.

Se Rui Moreira cometer a ingenuidade de seguir a cartilha de alguns dos seus apoiantes que tem consistido sempre na abdicação da Regionalização, mal alcançam o poder, fundamentando as viragens na inoportunidade temporal [a eterna desculpa dos falsos regionalistas], provocará uma grave machadada na sua credibilidade e entrará irremediavelmente no clube dos "são todos iguais". Portanto, aqui fica o aviso. Parabéns e boa sorte. 

Tem a palavra Rui Moreira.

Ainda sobre as eleições:  

Abstenção em 2013:  
47,26%, 
a mais alta desde 2001...

http://www.publico.pt/multimedia/video/o-porto-foi-um-laboratorio-politico-do-pais-20130929-235339

Viva o Porto!





As duas principais câmaras municipais do país deram sinais bastante diferentes (quase diria contraditórios) nas eleições autárquicas de ontem. Enquanto o Porto, numa votação que só surpreendeu quem não conhece as suas gentes, recusou claramente o clientelismo partidário e os profissionais da política, elegendo um empresário independente com provas dadas fora da política, Lisboa, pelo contrário, optou, também de forma clara, por um político profissional do bloco central dos interesses e dos negócios. António Costa é de facto o grande vencedor na Câmara da capital, mas a sua vitória tem um sabor amargo, pois os resultados nacionais impedem-no, para já, de realizar os voos para os quais ele já anda a bater as asas há algum tempo. É que, tendo em conta todas as manobras, intrigas e conspirações que se vinham realizando contra a direção nacional do PS, a verdadeira vitória de Costa seria um mau resultado nacional do seu partido, que lhe permitisse avançar como alternativa à atual liderança, em termos de disputar as eleições as legislativas de 2015 como candidato a primeiro-ministro. Os grandes derrotados destas autárquicas são, assim, não só o PSD e Pedro Passos Coelho, mas também aqueles que dentro do PS se preparavam para um xeque-mate a António José Seguro. Outro grande derrotado, a confirmarem-se as tendências existentes à hora em que escrevo estas linhas, é Alberto João Jardim e o PSD Madeira, que perde várias câmaras municipais. Jardim deveria saber que quem não sabe sair a tempo, pelo seu próprio pé, pode acabar por ter de sair aos empurrões. 

Os grandes triunfos individuais são os de António José Seguro (que vence na frente externa contra o PSD e o Governo e na frente interna contra quem se preparava para o substituir na liderança do PS) e Rui Rio que viu claramente sufragada pelo povo do Porto a sua política para a cidade. Esta vitória de Rio vai inevitavelmente gerar uma dinâmica política que o poderá catapultar para outros voos, até porque ela é, em certa medida, sinalagmática da derrota do Governo e da atual liderança do PSD. No plano estritamente partidário, a vitória é da Esquerda, ou seja, do PS e da CDU, e a derrota é da Direita, principalmente do PSD e do Governo.

Curiosamente, o PSD ganhou as eleições naqueles municípios que o Governo mais tem desprezado, em alguns dos quais, inclusivamente, se prepara para encerrar os respetivos tribunais. Oxalá esse PSD profundo consiga impor-se aos betinhos e betinhas de Lisboa que proliferam no Governo.
 

29 setembro, 2013

A gala dos 120 anos e o Museu do FCPorto



Como já aqui referi, apesar do resultado positivo de sexta-feira passada, o FCPorto fez uma exibição para esquecer e não repetir.  Mas no sábado o nosso magnífico clube proporcionou-nos várias alegrias. A primeira, foi indiscutivelmente a inauguração do Museu, a modernidade e grandiosidade do projecto, tendo em Antero Henrique e toda a equipa de colaboradores, os principais responsáveis[parabéns!]. Se a perfeição existisse, quase me arriscaria dizer que se trata da perfeição em forma de Museu Desportivo, passe o exagero. Além disto, que já não é pouco, louve-se o profissionalismo do Director Desportivo do Porto Canal, Rui Cequeira, ocasionalmente investido no papel de "cicerone", que desempenhou exemplarmente. 

Acompanhei o evento pela televisão mas deu para perceber que só depois de várias visitas ao museu será possível ter uma ideia precisa e abrangente sobre o mesmo. Mesmo assim, suponho que ninguém poderá negar a qualidade da obra.

A segunda alegria foi a cerimónia da entrega dos Dragões de Ouro e dos 120 anos do clube. Melhorou consideravelmente em relação à festa do ano passado. Houve humor - que é uma coisa a que dou muito apreço -, originalidade [gostei dos trajes à século XIX alusivos à data de fundação do clube], e muito em particular da ligação histórica estabelecida entre o Porto cidade e o Porto clube, os traços em comum, brilhantemente apresentada pelo historiador Joel Cleto.

Mas o momento da noite foi o discurso emocionado e improvisado de Pinto da Costa, o discurso de um líder na acepção da palavra. Naquela casa respira-se liderança, além da competência, que é algo raro em Portugal, sobretudo se falarmos de política, de políticos e de governos. Por isso, não deixa de me causar alguma estupefacção saber que há determinado grupo de "portistas" mais preocupados em criticar a gestão do clube, do que em defendê-lo dos nossos adversários. 

Há ainda quem acredite no paraíso, tanto numa grande empresa como num grande clube, como é o FCPorto. Isso não existe em lado nenhum. O que existe é o sucesso ou o fracasso. Onde há sucesso há dinheiro, onde há dinheiro há emprego, onde  há liderança a ciumeira amansa-se. Mas aonde é que não há ciumeira? Apesar disso, sinceramente, sinto que há mais inveja de fora para dentro, do que o contrário. Há por aí muito melro, convencido que elogiar Pinto da Costa é perder a sua independência, o seu poder crítico. Esquecem-se que criticar uma gestão de sucesso, desportiva e financeiramente, uma estrutura como o FCPorto é ignorar as imensas dificuldades que é preciso ultrapassar para a bem administrar. Para a criticar com seriedade então mais vale participar regularmente nas Assembleias Gerais do Clube e aí expor abertamente as preocupações.  

Só espero é que o Porto Canal siga o exemplo e não desista de lutar por uma televisão verdadeiramente original. E original, não é propriamente copiar o que se faz noutros sítios, com outras caras. É fazer diferente, é fazer útil, é fazer melhor.  

28 setembro, 2013

Sobre o FCPorto / Victória de Guimarães (1-0)

O FCPorto ganhou, conquistou os 3 pontos e jogou bem durante a 1ª. parte, ainda que sem disso tirar partido. Convirá no entanto salientar que jogou assim apenas na 1ª. metade do jogo, - à semelhança, aliás, do que vem fazendo noutros encontros -  e jogou com 10 jogadores nos 90 minutos, já que Jackson Martinez está irreconhecível, uma prima dona demasiado caprichosa para os objectivos do FCPorto. 

Ontem, no Porto Canal, Jardel, não teve papas na língua e disse aquilo que todos pensaram mas se calhar não dizem:  «a jogar como hoje (ontem), o FCPorto arrisca-se a perder em casa com o Atlético de Madrid...». Eu penso e digo o mesmo, porque não acredito em milagres. Quando uma equipa cria oportunidades e não é capaz de as transformar em golos na 1ª. parte, e na 2ª., nem uma coisa nem outra, as expectativas dos adeptos ficam reduzidas a questões de fé, o que é perigoso para um clube como o FCPorto, habituado a fazer das tripas coração para ultrapassar os adversários. Estou pessimista, e não gosto...

27 setembro, 2013

Se eu votasse no Porto...

...talvez votasse em Rui Moreira. E digo talvez, porque confiando na pessoa, não confio em algumas pessoas e partidos que directa ou indirectamente o apoiam. Rui Rio é uma dessas pessoas, PSD e CDS são dois desses partidos*.

Já aqui o escrevi várias vezes, e nunca me cansarei de repetir, que não me sinto devidamente "equipado" com as "ferramentas" que este modelo de democracia me oferece, por isso tenho de me valer com aquelas que tenho, que são poucas, como imagino já terem percebido. 

Não sou do tipo de gostar de dar mais que uma oportunidade a um político para me convencer da sua seriedade e das suas competências. Menezes, fez um bom trabalho em Gaia, já o reconheci também várias vezes, mas enganou-me quando engoliu abruptamente o processo da Regionalização, mal chegou à intimidadora capital e se apanhou como líder do PSD. Não gostei. E também não ficaria de bem com a minha consciência se "apesar disso", sabendo que se votasse nele, estaria indirectamente a beneficiar o partido político que está no Governo, quando o que eu queria era fazer exactamente o contrário, ou seja: penalizá-lo pela miséria agravada que acrescentou ao país. Por outro lado, também não gosto de certos "passarinhos" que gravitam à volta de Menezes, grudados ao tacho que lhes terá reservado. Falo, por exemplo, de Sílvio Cervan e de Pedro Fonseca, dois nortenhos lisboetizados e doentiamente fanáticos com quem eu nunca gostaria de me cruzar com receio de não conter o vómito.

Assim sendo, irei abster-me. Conscientemente... Sem prazer, mas com o orgulho [com "ó" fechado] e a convicção profunda de saber que assim, não contribuirei para alimentar pessoas e partidos que não precisam nem merecem alimento, porque, mais que gordos, estão esclerosados.

Cavaco, esse pobre coitado, orgulha-se dos nossos emigrantes [lembram-se?!], eu orgulho-me de nunca ter votado nele. E sabem uma coisa? Cá o rapaz, que nem sequer é um "notável", nem recebe avenças das televisões para ter opinião, estava cheio de razão. Eu sabia que o homem estava longe de ter perfil para o cargo. Mais uma vez, não me enganei.   

* Não me esqueci do PS, do seu candidato, nem do que esse partido fez quando foi governo. Por isso, é um X, não no boletim de voto, mas na abstenção, esse monstro tão temido pelos partidos [por que será, fazem ideia?]. Os outros partidos, limitam-se a fazer oposição, não apresentam alternativas. Portanto...

26 setembro, 2013

Que ÓÓrgulho malta! Só falta visitar a Luz e os Ministérios...


Reader's Digest: Lisboa é a cidade menos honesta do mundo

Se encontrasse uma carteira perdida no chão devolvia-a? Num estudo recente sobre a honestidade, a Reader's Digest chegou à conclusão que os habitantes de Helsínquia, Finlândia, são os mais honestos enquanto os lisboetas ocupam a última posição.

Para este estudo os investigadores deixavam cair no chão 12 carteiras no total, espalhadas por locais movimentados das cidades e ficavam depois a observar se os transeuntes ficavam com as carteiras ou as entregavam a alguma autoridade para que pudessem ser devolvidas aos seus donos. Cada carteira continha ainda cerca de 50 euros, fotografias de família e contactos.

Em Helsínquia 11 das 12 carteiras foram entregues, enquanto em Lisboa apenas uma foi devolvida - não por um lisboeta mas por um casal de holandeses que se encontrava de férias.
No total, das 192 carteiras apenas cerca de metade foi devolvida.

O estudo conclui ainda que as condições económicas não têm impacto directo no facto de as pessoas ficarem com o dinheiro ou não. Mumbai, na Índia, alcançou a segunda posição, com os cidadãos a devolverem nove das 12 carteiras. Em comparação, apenas quatro foram entregues em Zurique, na Suíça.
Conheça a lista completa das capitais:
1. Helsínquia, Finlândia: 11 de 12 carteiras
2. Mumbai, Índia: 9 de 12
3. Budapeste, Hungria: 8 de 12
4. Nova Iorque, EUA: 8 de 12
5. Moscovo, Rússia: 7 de 12
6. Amesterdão, Holanda: 7 de 12
7. Berlim, Alemanha: 6 de 12
8. Liubliana, Eslovénia: 6 de 12
9. Londres, Reino Unido: 5 de 12
10. Varsóvia, Polónia: 5 de 12
11. Bucareste, Roménia: 4 de 12
12. Rio de Janeiro, Brasil: 4 de 12
13. Zurique, Suiça: 4 de 12
14. Praga, República Checa: 3 de 12
15. Madrid, Espanha: 2 de 12
16. Lisboa, Portugal: 1 de 12

[fonte: Jornal Económico]

23 setembro, 2013

Futebol Clube do Porto/Paulo Fonseca

Numa análise sumária às últimas exibições do FCPorto de Paulo Fonseca caracterizadas pelo suficiente menos [apesar do 1º lugar], constato o seguinte:

  • Que Paulo Fonseca anda indeciso quanto ao sistema de jogo a implantar
  • Que prefere não arriscar, num sistema mais criativo, com a bola a circular de pé para pé e no sentido da baliza adversária, como parecia no início de época e nos 1ºs jogos do campeonato e que tão boa impressão deixou
  • Que decidiu apostar na continuidade do modelo de Victor Pereira utilizando a espinha dorsal da equipa do ano transacto, esquecendo que já lá não constam João Moutinho e James Rodrigues [e isso faz toda a diferença]
  • Que não querendo implantar o seu próprio sistema, optando pelo modelo do técnico anterior, mas sem as mesmas "peças", nem o mesmo rigor táctico, se arrisca a desestruturar a equipa em todos os sectores
  • Que tem de atalhar caminho e corrigir rapidamente o que há para corrigir, porque a Champions está já aí e não pactua com equipas de futebol duvidoso e mastigado
PS-
Declaração de interesses:  não fui fã do modelo de jogo de Victor Pereira. Não gostava e continuo a não gostar. Ponto! Mas uma virtude lhe reconhecia, a consistência que transmitia às suas equipas.

22 setembro, 2013

O povo português não é sereno, é burro!

Walter Hugo Mãe
Quando oiço falar de elites, ou de forças "vivas do Norte", acabo por não saber muito bem o que se pretende dizer com essa espécie amorfa de palavra de ordem. Sempre entendi por forças vivas e elites, um grupo restrito de pessoas com alguma visibilidade social e intelectual, ligadas à cultura, à economia, à política, e sobretudo às finanças - que é de facto onde realmente se concentra o poder -, capazes de influenciar os Governos.  Por isso me incomoda ouvir esta gente falar como pobres diabos, sem qualquer capacidade reivindicativa ou coragem para se imporem frente ao poder político. Praticamente, limitam-se a fazer pouco mais que o comum cidadão faz, que é, lamentar-se.

Emídio Gomes, novo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte prestou-se a esse papel, pouco acrescentando ao discurso dos antecessores, limitando-se a queixar-se: "o Norte não precisa de esmolas", declarou na entrevista que hoje deu ao JN. Quando se dispõe de algum estatuto, e não se mostra capacidade para unir, reunir, persuadir e mobilizar as referidas forças vivas da região, é porque não se tem perfil para o cargo. No fundo, teve um comportamento muito semelhante aos destinatários das queixas, que se limitam a ocupar os cargos com as inerentes mordomias e a deixar correr o marfim, com os danos colaterais que sabemos.
 
Curiosamente, é a gente ligada à cultura que ainda vemos colocar o dedo na ferida, sem espalhafato mas com muita lucidez. O escritor Walter Hugo Mãe, disse hoje [também no JN] àcerca da crise, uma coisa tão simples quanto óbvia, e que eu aqui não me tenho cansado de destacar, que foi o seguinte: «se alguém em Portugal não tivesse o rabo preso, tudo seria diferente. Ninguém desata a pagar uma dívida sem mais nem mesmo. Qualquer pessoa a quem apresentam uma conta questiona o seu teor. Como podemos imputar uma dívida gigantesca a pessoas que não tiveram responsabilidade na acumulação dessa verba? Não foi a população que encomendou os submarinos nem nada que se pareça. O que qualquer governo de boa fé teria feito seria a renegociação da verba que nos foi imputada. A Islândia foi exemplar. A 1º.medida que tomaram foi mandar prender as pessoas que, através da contratação de dívidas impossíveis, contribuíram para a crise. Também devíamos ter prendido os responsáveis.».

Pessoalmente, as declarações de Walter Hugo Mãe não me espantam, pouco acrescentam ao que sempre pensei e escrevi sobre o assunto.  O que me espanta e incomoda é que este povo, em vez de reagir sob o efeito e as consequências desta cínica política de "austeridade" [cortes nas pensões de reforma, etc], nunca tenha refutado com veemência e revolta, a sua cota parte de responsabilidade na suposta dívida.  Governantes, políticos e banqueiros, lançaram para cima das populações essa patranha com a mesma facilidade com que se limpa o rabinho a um bébé, e a coisa pegou de estaca apesar dos tímidos protestos.  Às tantas, o povo ainda hoje acredita nisso. Alías, basta ver como é que ainda há gente com estofo para se colar à propaganda eleitoral das autarquias. Das duas uma, ou são burros, ou deixaram-se comprar.

Para terminar, vale a pena ler e comparar outro pedaço de texto da entrevista de W.H.M, sobre a Islândia, país que conhece bem e onde vai lançar o seu livro:

«Um desempregado islandês tem mais segurança que um empregado português. Além de receber um subsídio mínimo de 1500,00 €, vê o Estado pagar-lhe a renda da casa.  A prova de que a crise foi uma abstracção financeira sem ligação ao real, é que, um ano depois, já era o país com maior crescimento do mundo, e um dos líderes do ranking da felicidade».

Ah, dirão certos regressitas [vulgo, retardados mentais], mas os islandeses não têm Ronaldos, nem Mourinhos. Pois sim, direi eu, mas temos um país de merda, do qual ainda por cima se orgulham.

20 setembro, 2013

Que justiça é esta, senhores magistrados?

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Na edição de hoje do JN, onde extraí esta notícia, vinha igualmente publicado um inquérito do Centro de Estudos Sociais, feito a magistrados judiciais e do Ministério Público, sobre o que eles pensavam da reputação da Justiça aos olhos da opinião pública. Muitos assumiram que não era a melhor, mas responsabilizaram a comunicação social pelo facto.

Mesmo reconhecendo que a nossa comunicação social não é exemplar, que está longe de se poder orgulhar do serviço público que produz, é inadmissível que os juízes atirem para cima dos jornalistas a exclusividade das culpas pela má justiça que temos. Os juízes, como diz, com razão, Marinho e Pinto, pararam no tempo da outra senhora. Sendo órgãos superiores do poder, deviam exigir dos seus pares um nível de justiça muito mais elevado, condizente com o prestígio que deviam ter, e que agora sentem que perderam.

Governantes e presidentes da República, também têm culpas no cartório, porque durante estes 39 anos de democracia foram incapazes de intervir usando da famosa magistratura de influência em casos como os do artigo acima publicado, podendo assim evitar que temas desta natureza afogassem os tribunais de processos sustentados em invejas e boatos. Por exemplo, processos como o Apito Dourado e as escutas, que deram azo a toda a espécie de especulações, a discriminações pessoais e regionais, tendo o FCPorto e os clubes nortenhos como epicentro, resultaram no ostracismo socio-económico de que hoje a região padece, quando podiam ser reprimidos com um simples  "raspanete" dos órgãos de soberania atrás referidos.

Há inúmeros exemplos que indiciam a falta de elevação dos Chefes de Estado e dos governantes das últimas décadas. Sempre se notabilizaram pela lei do menor esforço, pelo não me comprometam, aliando-se preguiçosamente a supostas maiorias como almofadas de conforto, sem se incomodarem com as fracturas regionais que a sua indolência pudesse originar. O caso aqui noticiado é paradigmático da negligência desses órgãos de soberania e do péssimo "funcionamento" dos tribunais. 

O crime de difamação do Presidente do Benfica praticado na RTP [a tal do serviço público], contra a integridade da pessoa do vice-Presidente do FCPorto, Antero Henrique, prova como em Portugal é possível a determinado tipo de pessoas* brincar com a Justiça [e com os senhores magistrados], e fazer as acusações mais indecorosas que é possível imaginar, sem que o acusador seja julgado e punido em tempo útil. O processo de Antero Henrique a Vieira foi levantado em 2005, já lá vão 8 anos, mais precisamente, 2.920 dias [sem os bi-sextos], 70.800 horas. E o arguido não compareceu mais uma vez em tribunal...

Afinal, a quem querem os senhores magistrados enganar? A eles próprios? Será assim possível medir o respeito da Justiça pelos cidadãos? Por que não esquecem o sindicalismo da classe colocando-se ao nível do simples operário? É imperativo saber ser digno do estatuto que outrora já tiveram. É um crime destruir os alicerces da democracia, como são, e sempre foram, a JUSTIÇA!

* Vale e Azevedo - curiosamente, também ex-presidente do Benfica -, não só escarneceu com a justiça como vexou todos os que a representam.  Foi preso em 2001, mas em 2008 fugiu para Londres onde viveu como um nababo, voltando a ser detido apenas em fins de 2012. 

Ninguém duvidará da celeridade desta mesma "justiça" se a provocação e a desobediência tivesse partido de um cidadão desconhecido, mesmo que muito honrado.

19 setembro, 2013

FCPorto na Champions. Uma estreia muito pobre

Quando alguém tem um objectivo, e o consegue alcançar com maior ou menor dificuldade, e se atrás desse mesmo objectivo existem outros candidatos que não o conseguem, é injusto negar-lhe competências. Mas, se esse objectivo for mesclado de outras mais valias, como o empenho, a inteligencia, a concentração e [porque não dizê-lo] e espectacularidade, o reconhecimento é total, e inegável. Refiro-me, claro, ao futebol e aos homens cuja principal tarefa é levar os clubes ao topo mais alto das competições: os treinadores.

Falando de treinadores, ontem não pude deixar de me lembrar de Victor Pereira por se encaixar no primeiro quadro que acima apresentei, porque conseguiu atingir um dos principais objectivos que foi a conquista sem brilho do Campeonato, mas falhou outros. O futebol, repito, é fantasia, é técnica, é táctica e estratégia, mas perde muito do seu interesse se o espectáculo não for garantido. Ontem, foi Paulo Fonseca que esteve ao leme da equipa e aquilo que vi fez-me lembrar o pior de Victor Pereira.

Se houve coisa que me animou nos jogos da pré-época, da Taça, e nos primeiros do campeonato, foi a mobilidade dos jogadores. Ontem, foi exactamente o contrário. A equipa apresentou-se apática, nervosa, esqueceu-se de pressionar alto e jogou desorganizada. Os laterais não subiam, tornando os avançados como Licá e Varela, completamente inofensivos. Ao "esquecer-se" de pressionar como costuma, a equipa do FCP deu muito espaço ao adversário, aumentando as dificuldades no sector defensivo, onde atletas normalmente assertivos nos tempos de entrada, pareciam baratas tontas à procura da bola. Às vezes apetece-me dar razão ao Miguel Sousa Tavares que, como se sabe, exagera nas críticas que lhe faz, mas Varela põe-se a jeito. Licá, também não existiu, e Jackson ligou o complicómetro que Varela lhe emprestou... Jackson, vai marcando, mas está lento, quase irreconhecível. 

Há dois aspectos que no nosso futebol me causam estranheza desde há muitos anos, que são, em primeiro lugar a incapacidade quase absoluta para chutar de primeira, e a cisma em quererem dar muitos toques na bola antes de a passarem ao companheiro perdendo imensas oportunidades para surpreenderem os adversários. Será assim tão complicado alterar isto? Não sei que razões objectivas poderão estar por detrás desta mania, mas é uma realidade. Basta olharmos para os nossos vizinhos de Espanha, para vermos como sabem fazer do remate pronto e da rapidez um argumento importante nos seus movimentos ofensivos  [isto, já para não falar de Inglaterra]. Em alta competição, não nos podemos dar ao luxo de ignorar tais argumentos, caso contrário, e a jogar como (não) jogamos ontem, corremos o risco de um dia ser vexados. Cuidado!

Estou convicto que o jogo de ontem foi apenas um dia mau, apesar do bom resultado, mas a segunda parte do jogo com o Gil Vicente também não deu para perceber. Foi miserável. De Paulo Fonseca espera-se muito mais, não pode permitir que a intermitência passe a ser a imagem de marca do FCPorto. O espectáculo tem de ser salvaguardado. E os resultados também. Não confundo nunca, o futebol com ópera, porque confundí-los é já uma aberração intelectual. Por isso, não me falem de ópera, sim?     

17 setembro, 2013

O candidato Luís Filipe Menezes

Luís Filipe Menezes foi um autarca despesista, é verdade. Mas foi também o único que tirou Vila Nova de Gaia do estigma de cidade/dormitório em que viveu durante dezenas de anos. Tão "cidade dormitório" como é certo o esquecimento geral do nome dos presidentes da Câmara que o antecederam. Reconhecer isto, não é concordar com excessos de gestão ou com a acumulação de dívidas. Sucede, é que quando o próprio Governo, além de mau pagador, é hiper-centralista e usurpador de fundos destinados a outras regiões para os entregar à gorda capital, desaparece a legitimidade para criticar um autarca que usa o mesmo expediente no desenvolvimento da sua cidade. Neste contexto, não me repugna mesmo nada a política do "olho por olho, dente por dente", caso contrário, o que fica para a história, é um presidente submisso, cinzentão, e improlífero, como foi Rui Rio.

Mas não foi em obediência à política do "olho por olho" que LFM endividou a Câmara de Gaia. Foi porque sabe quão importante era para a cidade [e também para si próprio], apresentar obra útil [e não me refiro às rotundas e aos jardins-infantis]. É indiscutível que a cidade de Gaia e toda a região envolvente, mudou para melhor, desde que LFM chegou à câmara. Se falarmos na marginal esquerda do Douro e a compararmos com a antiga, ou até com a margem direita, sabemos ver a diferença. Assim como o próprio teleférico, a reabilitação de toda a costa marítima até Espinho e respectiva higienização de águas, e areias. A instalação do Corte Inglês na cidade contribuiu também para criar uma nova centralidade no grande Porto. Os recintos desportivos foram também obra sua não despicienda. Enfim, pode-se dizer  que em termos de dinamismo, de interacção com a cidade, com mais ou menos demagogia, LFMenezes apresentou "serviço" válido. De Rui Rio, só herdamos truculência, problemas, e uma gestão de mercearia, poupadinha. Mas as corridas de popós que patrocinou, vieram destoar o seu discurso economicista. A intensidade da indignação com a promiscuidade entre a política e o desporto foi débil, matando-lhe a credibilidade, porque afinal, ficamos a saber que era tudo uma questão de preferências desportivas...

Resumindo, LFMenezes podia ser um interessante candidato ao Porto se, tivesse respeitado a memória do povo. Tal como agora, antes de chegar a líder efémero do PSD, Menezes fartou-se de bramir pela causa da regionalização,  para logo a meter no baú das promessas demagógicas assim que chegou ao topo da pirâmide. Agora, convencido [com certa razão, diga-se] que a memória do povo é fraca, volta a pegar na mesma bandeira, juntamente com um grupo de colunáveis, auto-intitulados "Forças Vivas". Menezes, e as suas "ilustres" Forças Vivas [sem qualquer ambição eleitoralista, é claro], anunciam agora que vão lutar contra o centralismo na distribuição de fundos comunitários... 

Sua Exa. descobriu agora que [cito]: «podemos estar a caminhar no sentido da mimetização de um centralismo insuportável, que tem história em Portugal na gestão dos fundos comunitários, prejudicando o Porto e o Norte sempre de forma incrível». «Temos de ser muito rápidos a reunir as Forças Vivas da cidade e da região e ir a Lisboa dizer que temos direito a fundos comunitários». Se ele o diz, é porque o vai fazer. Quando, é que mais difícil... Até aqui, andou muito desmemoriado e com a voz doente... As artroses nas mãos também o impossibilitaram de enviar umas missivas anti-centralistas ao Passos Coelho. Sejamos pois compreensivos...

As Forças Vivas constituem uma equipa de peso de notáveis "regionalistas", ou não fizessem dela parte nomes como Américo Amorim, Ilídio Pinho, Manuel Violas, Miguel Cadilhe e Joaquim Azevedo. Até cansava ouví-los falar do centralismo, sobretudo quando iam a Lisboa. Imaginem que de repente ficaram preocupados com a situação da RTP/Porto. É que a RTP/Porto, como todos sabemos, era a voz fiável do Norte, sempre muito defensora da regionalização que  sempre lutou pela sua autonomia... Os funcionários vão ser despedidos? Têm o que merecem. Afinal, não foram mais do que a voz do dono do centralismo. A RTP é o canal mais centralista de todos os canais. Por isso, como portuense e nortenho essa causa não me comove. Inventem outra!

Se votasse no Porto antes de Menezes chegar a líder do PSD teria votado nele. Mas ele estragou-me a intenção. Traiu-me quando chegou ao poleiro que sempre almejou, e por muito mérito que lhe reconheça jamais lhe perdoaria a afronta. Só confio uma vez. Mas, sei, conheço bem este povo, as suas ancestrais tendências servilistas, e sei que também ele me vai trair, e que mesmo assim Menezes vai ser Presidente da Câmara do Porto. Se quando lá chegar voltar a meter a viola no saco, quer dizer, se mandar às malvas o tema da regionalização, não digam que eu não avisei. Se a mediocridade se instalou na política, é porque os eleitores não são menos medíocres.

13 setembro, 2013

Aposto que não cumprem! Quem quer perder dinheiro?


Se o que se anuncia não fosse mais uma das incontáveis falsas promessas da canalhada política, jamais me atreveria a escrever isto. Não gosto de ofender ninguém, nem criticar por criticar. mas não tenho a menor dúvida que andámos há tempo demais a ser comandados por garotos e garotinhos. Nunca tive dúvidas sobre isso. E se insisto neste tema, é porque tenho provas. Só não as tem quem for desmemoriado ou senil. 

A notícia, tem contudo uma virtude: confirma que em matéria legislativa e de gestão florestal, continua tudo como dantes. Ou seja, nada de sério tem sido feito. Outros governos, de outros partidos, também anunciaram como o actual, o mesmo processo de intenções [as eleições estão à porta], e depois, zero!

Senão, se ainda houver alguém capaz de acreditar nas promessas desta gente menor, aguardem pelo próximo verão e façam o favor de me informar em que se traduziram estas medidas. Vão ter de me esclarecer, tintim por tintim, quantos terrenos foram identificados, quandos proprietários incumpridores foram sancionados, quantas matas foram limpas, quantos caminhos foram abertos para o combate aos fogos, e consequentemente quantos incêndios e mortes foram evitadas.

Ah, convém não fazer batota ou puxar pelos galões da competência alheia [como já presenciei]. Por exemplo, se o próximo verão der uma ajudinha em termos climatéricos... 

12 setembro, 2013

Para quando o repúdio do FCPorto à comunicação social centralista?

Antes mesmo de os clubes  de Lisboa e satélites, iniciarem a vergonhosa campanha de difamação contra o FCPorto, personalizada na figura de Pinto da Costa e na sua estrutura directiva, e que atingiu o seu climax no célebre processo Apito Dourado, era já  evidente uma clara discriminação em quase todos os orgão de comunicação social. Tal como agora, rádios, jornais e televisões, tratavam o FCPorto com indisfarçável desprezo e com uma estratégia bem definida, que consistia, não só em desvalorizar os seus êxitos desportivos, como em inventar esquemas duvidosos sobre a maneira como eram conseguidos. 

Tudo isto coincidiu e acentuou-se com a entrada de Pinto da Costa para a presidência do clube, precisamente o seu período mais vitorioso, consistente, e expansionista,  que se traduziu em múltiplos sucessos a nível nacional e internacional. Não era preciso ser-se apreciador de futebol para observar o tratamento arbitrário dos media com o FCPorto e o seu Presidente, bastava estar-se atento. Por mais campeonatos que o clube nortenho ganhasse, os jornais desportivos dedicavam exclusivamente as primeiras páginas aos dois clubes de Lisboa, mesmo assim, com uma clara preferência pelo Benfica, sem que tal se justificasse desportivamente. Os generalistas faziam o mesmo, as rádios e as estações de televisão, idem, idem. 

Como a esta espiral de discriminação e mau jornalismo, não se seguiu uma reacção categórica, ou uma clara rejeição pública das autoridades, com apelos à moderação e ao bom senso, a situação agravou-se, e hoje os media - inclusivé os do Estado -, fazem praticamente o que lhes apetece. Se os media já tinham poder antes, com o passar dos anos sentiram esse poder reforçado. Ora, entre muitas outras conjecturas, isto também revela uma outra realidade, e mais grave: Portugal nunca teve, quer a nível de chefes de Estado, quer de governantes, gente com categoria para ocupar cargos de tão alta responsabilidade. É um facto, um facto revoltantemente enfadonho... Resultado: a democracia, que devia ter sido tratada ao longo destes anos como uma flor, regada cuidadosamente para crescer forte e viçosa - e não violada na sua essência como foi e continua a ser -, está moribunda, prestes a morrer.

Independentemente da morte da democracia, o FCPorto e a sua legião adeptos, são os principais prejudicados na sua imagem com este status quo, apesar dos seus êxitos desportivos. Logo, caberá ao FCPorto e à sua direcção fazer algo mais para se defender, do que fez até aqui. A tese "o que é preciso é vence-los no campo", é muito interessante, mas não chega, e pode-nos um dia sair muito cara. Por enquanto, a jurisdição tem chegado para resolver os problemas que os nossos inimigos nos foram colocando, e a concentração competitiva os de ordem desportiva. Mas até quando é que o FCPorto poderá continuar a aguentar esta campanha difamadora? A intriguice indigna, o insulto, as insinuações venenosas, repetidas exaustivamente em quase todos os media? Não podemos contar com as autoridades, porque como sabemos, elas são parte do problema. 

O desespero dos nosso inimigos está a enlouquecê-los. As perseguições, e os apelos à violência contra o n/ clube são sobejamente conhecidos. E o que faz o Porto Canal para denunciar tal concorrência? Nada. Em certos casos não creio que "o calado seja o melhor", acredito mais no impacto do "quem cala consente". Apesar de saber que a inteligência do povo nem sempre é a melhor, se a injectarmos com doses industriais de falsas verdades, ele até acredita. Que ninguém tenha dúvidas. Afinal de contas haverá exemplo maior de mentira, que o "nosso" Governo?

09 setembro, 2013

Votar em branco/abstenção

Nem todos terão vivido tempo suficiente para se certificarem da credibilidade dos homens que  andam na política e da forma como lá chegam. Contudo, para um jovem de 39 anos, com a mesma idade da implantação da democracia em Portugal, e daí para cima, é imperdoável que continue a ignorar a real valia daqueles que lhes garantiram possuir competências para a governação, ou alegar sentir-se enganado, sem correr o risco de passar por parvo.

Não sei, não faço a menor ideia, que mais será preciso acontecer para os eleitores compreenderem que não podem voltar a passar cheques em branco na hora de ir às urnas. Andamos, durante os primeiros anos de democracia, a ser mentalizados para a importância do voto em contraponto com as décadas de obscurantismo que a antecedeu, como forma de nos pressionarem a votar. Mas creio que já chega de banha da cobra. Hoje, só a dois tipos de eleitores interessa esta treta da importância do voto: os beneficiários directos e indirectos do pardirarismo político, e os idiotas.

Como a rede de compadrios está muito enraizada em Portugal, é improvável esperar alguma vez por uma abstenção generalizada, por mais danos que nos causem. Haverá pois que contar com os votos de "gratidão" partidária, esses são dados como certos pelos respectivos aparelhos. Contra isso, é mais complicado lutar, mas não é impossível, basta começarmos a fechar-lhes as portas... Aos eleitores descomprometidos com o regime, àqueles que estão habituados a contar somente consigo, caberá decidir o que fazer com o seu voto. 

Sabemos que as mesas de voto são constituídas por membros dos vários partidos políticos, o que em teoria devia garantir a isenção da sua contagem. Em clima de confiança política, a intervenção dos presidentes de junta, mais o aval dos presidentes das câmaras municipais deveriam, em princípio, bastar para nos deixar descansados com o destino dos votos em branco, mas depois de tanta trafulhice, será sensato continuarmos a confiar? Objectivamente, qual será a vantagem de votar em branco? Que interesse real, a não ser de ordem estatística, terá o eleitor com o número de votos em branco? O que é que poderá fazer de útil com eles?  Demonstrar que apesar de nos sentirmos defraudados, continuamos a acreditar na democracia? Para quê? E que democracia? Uma democracia meramente eleitoralista? Provocará o voto em branco alguma alteração comportamental relevante, numa classe política já de si destituída de valores democráticos e até educacionais?

Não terá mais impacto uma grande abstenção?   Por que não podemos nós inverter o preconceito da abstenção e a sua lógica impactante? Por que teremos nós  de os autorizar a interpretar uma decisão que é só nossa? De votar em branco, ou de simplesmente, não votar? Entre muitas outras razões, podíamos deixar à classe política esta elucidativa mensagem: nós até gostamos de votar. Mas não votamos em branco, porque vocês nem sequer merecem uma deslocação às urnas! Outros motivos? Por que vivemos em austeridade, porque as viagens estão caras, e os sapatos também! Haverá argumento mais forte?

Uma única condição bastaria para trocar a abstenção por um voto de protesto: que sobre este se pudesse plasmar sucintamente o que pensamos dos governantes, com direito a divulgação na Assembleia da República.    

Mercenarismo em política



Se eu estivesse recenseado em Lisboa ou no Porto não votaria em António Costa ou em Luís Filipe Menezes. Ambos pertencem àquela espécie de políticos de plasticina, sem coragem para grandes decisões nem sinceridade quando falam ao povo. A sua principal característica é a inegável capacidade para criar clientelas que, aliás, gerem de forma magistral. Quando lhes interessa um determinado apoio, eles têm sempre algo irrecusável a dar em troca, à custa do património público, claro. Geralmente, só agem pela certa e só vão, verdadeiramente, a jogo quando têm todos os trunfos na mão. Quando há condições para um combate leal e aberto, mas cujo resultado favorável não lhes está à partida garantido, eles hesitam, encolhem-se e nem mesmo empurrados lá vão. Às vezes até fogem a sete pés, como aconteceu com Luís Filipe Menezes, quando, há anos, se pirou para Vila Nova de Gaia com medo de enfrentar o Golias de então, Fernando Gomes, nas eleições para a Câmara Municipal do Porto, deixando todo o campo de batalha ao David Rui Rio.
António Costa é um caso claro de oportunismo e de aproveitamento da CML como trampolim para a realização de outros desígnios pessoais. Ele deveria dizer, agora, claramente, se vai cumprir integralmente o seu mandato ou se, a meio, o vai trocar por qualquer coisa melhor, como fizeram Fernando Gomes com a Câmara do Porto e Durão Barroso com a chefia do Governo. Se o seu compromisso eleitoral com o povo de Lisboa não é postiço, ele devia garantir, agora, que o vai cumprir até ao fim. Mas isso é pedir de mais a quem tem claramente uma agenda pessoal que se sobrepõe a todos os compromissos políticas.

Por isso, em Lisboa, eu nunca votaria em António Costa, mas antes no único candidato que, em minha opinião, possui as qualidades humanas para ser um bom presidente da Câmara e que jamais abandonaria as pessoas que o elegessem: João Semedo. Votaria nele não por ser do Bloco de Esquerda, mas apesar de ser do Bloco de Esquerda.

Quanto a Luís Filipe Menezes, ele pertence, justamente, àquele tipo de políticos oportunistas que nunca assumem as suas responsabilidades. Ele é um dos principais sustentáculos do atual Governo, juntamente com outro «Luís, também do Norte» - Marques Mendes. A fação que tomou o poder dentro do PSD e formou governo nunca o conseguiria sem o apoio desses dois homens. Mas, agora, na sua candidatura à Câmara do Porto, Menezes parece nada ter a ver com o seu partido. Quase precisamos de uma lupa para ver o símbolo do PSD nos seus cartazes de campanha. Mas aonde ele é mesmo bom é a gerir a teia imensa de clientelismos e de promiscuidades que foi criando ao longo dos anos à custa do erário público. Os seus fiéis, tal como os seus familiares, têm sempre os seus problemas resolvidos e subirão facilmente na vida (leia-se: no Estado, numa Câmara ou no Partido).

Há quase vinte anos, num congresso do PSD, ele teve a coragem de dizer umas verdades em Lisboa, denunciando o elitismo e o liberalismo de uns barões políticos do Sul. Alguns minutos mais tarde, já chorava em público arrependido dessa audácia. Não há muitos anos conseguiu ser eleito líder do PSD, mas pouco tempo depois já fugia assustado para o Norte com medo desses mesmos barões, abandonando todos os compromissos que estabelecera com os militantes do partido e até os que se propunha assumir com o povo português. Hoje, apoia com desvelo e muita eficiência esses mesmos «sulistas, elitistas e liberais», porque isso o ajuda a manter e a ampliar ainda mais o gigantesco polvo clientelar que criou no Norte, sobretudo à volta do Porto.

Não sei qual será o resultado das eleições do próximo dia 29 para a Câmara Municipal do Porto, mas se Luís Filipe Menezes for eleito seu presidente, isso significa que a população do Porto quer o mesmo populismo obreirista e irresponsável que levou este país (e a Câmara de Gaia) à situação deplorável em que se encontra. Um presidente da Câmara do Porto como Menezes, com a coluna vertebral de uma crisálida, poderá fazer muitas coisas, mas a cidade deixará, inevitavelmente, de ser Leal a si própria e, sobretudo, não voltará a ser Nobre e Invicta como foi no passado.

Nota de RoP:

Marinho e Pinto tem razão no que diz respeito aos candidatos "plasticina", eu também não votaria em nenhum deles. Mas, equivoca-se se pensar que Rui Rio não é da mesma estirpe. A plasticina deste é doutro género, mais camaleónica, mas é plasticina na mesma. Se não, como é que Rui Rio desprezou, como toda a gente sabe, o FCPorto, alegando a famosa promiscuidade entre o futebol e a política, e não fez o mesmo com as corridas da Foz, que ele próprio apadrinhou? Terá a promiscuidade alguma relação com preferências desportivas [e clubísticas], e no automobilismo será tudo limpinho, limpinho?

05 setembro, 2013

Um país sem lei, e de governantes incendiários

Ministra da "Justiça"
É publico:  os fogos de verão em Portugal, são uma tragédia que se repete ano após ano, sem que nada de verdadeiramente estudado tenha sido feito para os controlar. Uma tragédia que, pelas suas próprias características impressiona particularmente as populações rurais, e sobretudo os bombeiros, que pagam com a própria vida erros de terceiros. Os incêndios descontrolados, são "apenas" a prova provada mais trágica sobre a incompetência e a irresponsabilidade da garotada que nos tem desgovernado. Garotada sim. Já não me sinto confortável a tratá-los por governantes, porque fico mesmo assim com a sensação que lhes estou a dar alguma importância. E eles seriam insignificantes se não estivessem onde estão. A importância desta gente, releva apenas da necessidade de lhes sobrevivermos, de termos de nos defender deles como de facínoras. Eles, não querem saber porque têm consciência disso, mas de facto, não são pessoas de bem. Estarei porventura a diabolizá-los? Qual quê, eles são piores que o próprio demónio, que nem faço ideia quem seja. Não! Estes têm rosto, nome e residência, são identificáveis, o que não significa que tenham de obedecer às normas mais simples do código cívil. Mas deviam.

Escrevo com este desprezo por saber, como qualquer português saberá, que em Portugal somos incapazes de conviver pacificamente com a Lei. Os incêndios nunca foram encarados com seriedade e com respeito pelas vidas que deles são vítimas. Desde Abril de 1974, até hoje, continuamos a ignorar o que se fez em matéria legislativa, preventiva e fiscal para nos protegermos dessa praga. Não sabemos o que se faz, sistematicamente, para obrigar à limpeza das matas, tanto a proprietários particulares como aos do Estado, antes da chegada do verão. Ignoramos se há equipas de fiscais a percorrerem campos e montes na recolha de informações sobre eventuais infractores, se identificam terrenos e o seu estado de manutenção. Não temos conhecimento se alguma vez foram punidos e como foram punidos por incumprimento desses supostos deveres legais. Desconhecemos a existência de políticas de reflorestação que contemplem arvoredo resistente e a diversificação da flora, consoante as características do solo. Ignoramos se há, ou não, limites ao plantio de eucaliptos [que como é sabido, absorvem água como nenhuma outra árvore].

Enfim, a ignorância geral, assim como a dúvida permanente sobre assuntos tão caros ao povo, durante tantos anos [quase 40, pós Abril/74], dá-nos o direito de tratarmos esta gente por canalhada, sem apelo nem agravo. Qualquer analfabeto [como são no fundo estes políticos], resolveria o assunto com o "problema/culpa" dos incendiários. Os incendiários existem, é verdade, devem ser castigados, como é óbvio. Mas quem andará a semeá-los? Alguém de boa fé acreditará ser essa a principal causa de todos os incêndios?

Em Portugal a Lei é uma chatice. Uma chatice sobretudo para aqueles que a deviam RESPEITAR, sem mais delongas: os políticos. Quando temos uma Ministra da Justiça e o próprio 1º.Ministro a desrespeitar o que está legalmente instituído, afirmando que o "Tribunal Constitucional não está acima do escrutínio", está, por outras palavras a dizer que as Leis são como uma espécie de bola de futebol para chutar à baliza em momentos convenientes.

É tão flagrante a falta de senso ético de alguns governantes [vulgo canalhada], que nem sequer se dão ao dever moral de plasmarem claramente no site do Parlamento o registo curricular dos seus interesses. É só espreitar o que se pode ler sobre Rui Machete e Paulo Portas [e outros]para ficarmos esclarecidos. 


03 setembro, 2013

Porto Canal, mais PORTO, menos Juca

Estive quase quase para enviar uma carta ao director geral do Porto Canal a manifestar-lhe a minha decepção, não só pela vulgaridade do seu trabalho, como pela falta de respeito evidenciada para com os potenciais espectadores, que como é natural se localizam maioritariamente na região norte, além do Porto. Não cheguei a fazê-lo, apesar de anteriormente ter feito chegar ao Porto Canal, via e-mail, alguns posts a ele dirigidos e aqui publicados, porque quero ver o que é que a nova grelha de programação nos reserva.

Já o disse, e repito, independentemente dos problemas que possam eventualmente existir, nada impedia a Direcção do P. Canal de ter uma palavra de atenção [e respeito] com o público, no sentido de o esclarecer [e tranquilizar], por ter esgotado o mês de Agosto com programação exclusivamente gravada, repetida exaustivamente, hora após hora, e dia após dia. Para fazer isto, seria preferível e menos desagradável, colocar uma nota simples, a dizer "Encerrámos para férias". Uma lástima!

Quando me lembro do título de um artigo de Hélder  Pacheco no JN [O Juca é fixe!], por altura da entrada de J.Magalhães na Direcção do Porto Canal, e vejo o que entretanto foi feito, pergunto-me que título escolheria ele neste momento para a crónica. Pergunto se já não terá [como eu] mudado de ideias. Penso não me ter enganado na interpretação que fiz do artigo, se disser que H. Pacheco não estava  a referir-se estrictamente ao bom feitio do homem. O que Pacheco pensou exactamente, só ele saberá, no entanto, atrevo-me a dizer qualquer coisa como isto: "O Juca é competente",  "O Juca é o gajo ideal para o cargo", "O Juca vai fazer diferente".

Costuma-se dizer, que é nas pequenas coisas que se revelam os grandes homens. Não foi essa a ideia que Juca deixou estes últimos tempos. Nem uma nota de rodapé a pedir desculpa aos espectadores por lhes impingir 20 mil vezes "O Major Alvega" ou as gargalhadas parvas do Ricardo Couto mais os seus entrevistados. O que o Porto Canal tem produzido ultimamente é comparável a uma máquina de encher chouriços, e o que fez antes, não acrescentou qualidade à direcção anterior. Aliás, um dos melhores programas como "Caminhos da História", de Joel Cleto, vem da direcção anterior. E nem sequer me vou referir à programação desportiva, porque devendo ser melhorada, tem servido para suportar o marasmo dos outros conteúdos.

O Norte de Júlio Magalhães, é um Norte mestiço, seguidista, subserviente e conservador. Desse Norte, com as mesmas figuras, os mesmos protagonistas que, afinal, continuam a traí-lo , dentro e fora do Governo, os nortenhos não precisam. Que ninguém se iluda, para mais do mesmo, não faltam canais a Sul. Se os nortenhos quiserem continuar a ter mais Sul, sintonizam os canais que lá existem, não necessitam de o importar, é estúpido e fica mais caro. 

Repito: seria bom que o FCPorto, como parte interessada, acompanhasse de perto o que se faz em matéria de comunicação e programação no Porto Canal. Se as exigências do FCPorto tiverem paralelo com o que se tem feito no clube, o caminho não é o que está a ser seguido por esta Direcção. De todo.

PS
Enquanto puder, não sairei da linha que tracei para este blogue. Falarei frequentemente da falta de seriedade da Comunicação Social do Estado [e também da privada], desse cancro chamado centralismo, da irresponsabilidade política, dos falsos regionalistas, e de tudo que me cheire a hipocrisia. É uma chatice, mas abomino gente falsa. 

02 setembro, 2013

Pela descentralização da RTP




O país que somos não está representado na TV que temos. Com as redações dos canais de televisão sediadas em Lisboa, há uma agenda noticiosa que se constrói a partir de acontecimentos centrais, mas que integra também temas e fontes que apenas figuram ali pela sua proximidade às estações televisivas. Neste contexto, sobressai a importância do operador público, o único com meios capazes de descentralizar a emissão entre a capital e o Norte. É precisamente isso que a RTP terá de reforçar para conquistar a sua singularidade e a sua legitimidade.

Centremo-nos nos números. O país que vai de Aveiro a Viana e do Porto a Bragança, passando por urbes como Braga, Guimarães ou Vila Real, soma mais de quatro milhões de pessoas (40 por cento do total nacional), concentra mais de 40 por cento das exportações nacionais, apresenta três das cinco mais prestigiadas universidades nacionais e ostenta tradicionalmente uma grande dinâmica social, cultural e desportiva. Ora, face a esta realidade, poderá um projeto editorial, principalmente um serviço público de média, fazer de conta que não existem aqui motivos de reportagem e interlocutores que merecem participar no debate que se promove no espaço público mediático?

Num contexto de grandes dificuldades económicas, percebe-se que uma empresa privada encontre sérios constrangimentos financeiros para alargar a sua rede de correspondentes ou criar franjas horárias descentralizadoras da sua emissão. Todavia, esse não é o caso da RTP, na medida em que dispõe de um Centro de Produção em Vila Nova de Gaia com capacidade técnica, infraestrutural e humana para produzir um número substancial de horas de emissão. Cabe ainda aqui reivindicar os valores estruturantes do serviço público e recuperar aquilo que preveem a Lei de Televisão ou os contratos de serviço público assinados entre a RTP e o Estado para reforçar a importância dos programas feitos e emitidos a partir do Norte, quer em canais abertos, quer na antena de informação do cabo.
Claro que tais obrigações poderiam ser teoricamente cumpridas através do preenchimento de franjas de audiência residual, mas isso seria enganar aqueles que são os verdadeiros acionistas do serviço público de média: os cidadãos. Para ser a tal televisão de todos os portugueses, a RTP tem de dar um sinal inequívoco de um operador plural, participativo e integrador de múltiplas realidades, nomeadamente em horário que congregue uma considerável audiência.

O processo de concentração da emissão da RTP em Lisboa empobrece objetivamente o país. Como se sabe, o desenho do debate coletivo é muito condicionado e ampliado pela televisão, pelo que confinar a emissão à capital, onde estão já as estações privadas, significa assumir a distância face aos problemas de grande parte do país e abdicar da inteligência regional no debate público. Hoje, o principal perímetro de acesso aos plateaux, sobretudo noticiosos, reduz-se à região de Lisboa, pois não será muito praticável a alguém do Porto, Braga ou Aveiro deslocar-se a Lisboa de cada vez que lhe for solicitada uma participação em direto num programa.

A riqueza das nações assenta muito na diversidade e na pluralidade. A visão centralista que nos é imposta e que inexoravelmente atravessa quase tudo o que importa neste país não deixa de ser de certa forma de analfabetismo, o que muito explica o insucesso nacional. Mas, pior ainda, é também uma conceptualização que tem sempre subjacente o princípio de que todo o país paga a centralidade. É admissível que todos paguem uma taxa de audiovisual e que alguém tome a decisão de chamar a Lisboa toda a emissão da RTP? Não, não é admissível e não pode acontecer.

A perspetiva de centralização completa da RTP requer uma intervenção antecipada e musculada por parte dos políticos, intelectuais, empresários, autarcas e candidatos a autarcas do Norte. Para isso, é preciso que haja convicção, coragem e consequência.

Nota do RoP: Tem 2 dias de atraso o artigo, mas o tema justifica sempre a publicação.

30 agosto, 2013

Porto, desconsiderado cá dentro, louvado lá fora

Metro do Porto distinguido pela universidade norte-americana de Harvard

Foto:Carlos Romão/Arq.
A escola de design da universidade norte-americana de Harvard, no estado de Massachusetts, vai atribuir na terça-feira o prémio “Veronica Rudge Green Prize” em design urbano à empresa de transportes Metro do Porto.

De acordo com a informação disponível na página da internet da universidade de Harvard, no projecto Metro do Porto, o júri destaca o potencial desta infra-estrutura de mobilidade, “cuidadosamente planeada e executada para transformar a cidade e a região”.

Este galardão distingue também o arquitecto Eduardo Souto de Moura, prémio Pritzker 2011, e que coordenou a equipa de projectistas responsáveis pela inserção urbana do metro em diferentes locais da Área Metropolitana do Porto.

O prémio, que vai já na sua 11.ª edição, é também atribuído ao projecto de Integração Urbana do Nordeste, em Medellín, na Colômbia.

“As duas obras criaram oportunidades que vão além do movimento físico, fazendo avançar a mobilidade social e revigorando o espaço cívico”, refere a universidade de Harvard.

O presidente do conselho de administração da Metro do Porto, João Velez Carvalho, afirmou hoje à agência Lusa que “a atribuição deste prémio representa uma honra” para a empresa, “tendo em conta o que significa em termos de reconhecimento internacional”.
“Esta distinção premeia um dos projectos mais impressionantes do arquitecto Souto Moura”, disse, acrescentando ser também “uma distinção ao mérito e ao empenho de todos os responsáveis, tanto ao nível de decisão política como ao nível técnico, que souberam ultrapassar dificuldades e problemas bem complexos e concretizar este projecto”.

João Velez Carvalho defendeu que este prémio “valoriza a sustentabilidade do Metro do Porto, não apenas em termos de arquitectura, integração e design, mas também no seu serviço à população e na crescente procura por parte dos clientes”.
“Para o Metro do Porto, para a cidade do Porto e para o país, deve ser um motivo de enorme orgulho ver reconhecido e apreciado de forma tão notável o trabalho que foi feito e que continua a ser levado a cabo”, concluiu.
Um projecto “digno de ser imitado”
Velez Carvalho e Souto de Moura estarão presentes na cerimónia de entrega do prémio, que decorrerá pelas 18:h30 (hora local), na cidade de Cambridge.
Nascido em 1986 por ocasião da celebração dos 350 anos de Harvard e dos 50 anos da escola de design, este prémio é atribuído de dois em dois anos a projectos com escala maior a um edifício individual, construído em qualquer parte do mundo durante dez anos anteriores à sua atribuição.

Os vencedores são escolhidos pela sua “substancial contribuição no domínio público de uma cidade” e por “melhorar a qualidade de vida” urbana.

A 1.ª edição deste galardão, em 1988, foi dividida entre Álvaro Siza Vieira, pelo seu Conjunto Residencial Malagueira, em Évora (1977-1988), e Ralph Erskine, com o seu projeto do “Byker Redevelopment”, em Newcastle Upon Tyne (1969-1982).

A Universidade de Harvard descreve o Metro do Porto, que iniciou a sua operação comercial em Janeiro de 2003, como “uma forte infra-estrutura de escala e complexidade significativa”, projectada e construída em cerca de dez anos.

“O escopo de tal empreendimento dentro de uma cidade Património Mundial da Humanidade é notável”, destaca, acrescentando que o “alto padrão de design” alcançado por Souto de Moura e pela sua equipa torna o projecto “digno de ser imitado”.

“O Metro do Porto é um projecto estratégico decisivo”, que “desempenha um papel importante na mobilidade” da região, sustenta Harvard.

29 agosto, 2013

O Estado, e quem o tem representado é o pior dos incendiários

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O problema dramático dos incêndios é um dos que melhor espelham a irresponsabilidade dos governantes e talvez o que melhor define a sua verdadeira personalidade. É também pela forma laxista e criminosa como ao longo dos anos este assunto tem sido tratado que desprezo tanto a classe política. 

Já em 2005 me manifestava no extinto Comércio do Porto sobre o assunto. Como podem constatar, o problema continua actualizadíssimo, aliás como é costume, em Portugal, desde há muitos anos. Quem  os prende a eles, aos pirómanos do Estado?