12 novembro, 2013
11 novembro, 2013
FCPorto joga sobre brasas
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| Paulo Fonseca: "Provámos que estamos fortes"! Estamos? |
Como se pode constatar alguns posts mais abaixo, preferi não comentar o jogo do FCPorto com o Zenit para a Champions, tendo-me limitado a escrever um elucidativo "mais do mesmo", para dizer o que me ia na alma.
Ontem, o jogo para a Taça de Portugal, com o Vitória de Guimarães, não veio alterar grandemente o meu estado de espírito em relação ao jogo das Champions e de Belém. A diferença esteve apenas no resultado. Passámos para a próxima eliminatória, e pronto.
Se quisesse ser fiel à tese que reparte em doses iguais as responsabilidades pelos sucessos e fracassos por toda a estrutura do FCPorto [Presidente, direcção, treinador e jogadores] seria politicamente correcto e não acrescentava nada ao assunto. Sendo ainda cedo para tirar conclusões, a ideia com que fico é que, se a SAD portista falhou ao contratar Paulo Fonseca, este também parece estar a falhar na organização técnica, táctica e psicológica do plantel.
Enquanto certos adeptos, começam a lançar culpas sobre as prestações, e até a duvidar da qualidade dos jogadores - e nalguns casos, com razão -, eu continuo a pensar que existe da parte deles empenho, vontade de mudar, mas falta discernimento e calma para o conseguir. O modo como a equipa joga é notoriamente anárquico porque a inteligência deu lugar à ansiedade. Se o leitor bem reparou, ontem, voltamos a ver certos movimentos de ataque [e contra-ataque] interrompidos porque o jogador que transportava a bola não tinha jogadores a acompanhá-los nas alas, a desmarcarem-se com rapidez, obrigando-o a parar, para passar para atrás, permitindo assim que a equipa adversária se reorganizasse. Se isto é recorrente, é porque isto o treinador não tem sabido corrigir...
Custa-me argumentar com a falta de jogadores que já não estão no clube, como Moutinho, por exemplo. Mas a verdade é que, embora Fernando continue a fazer [e bem] o seu trabalho à frente da defesa, falta mais à frente um Moutinho não só a servir de primeiro tampão como a distribuir jogo para as linhas da frente. O que noto, é que o Fernando tem estado a fazer os dois papéis [ o dele e o de Moutinho], o que lhe provoca enorme desgaste e desestabiliza o sector defensivo.
Também não concordo totalmente com aqueles que dizem que Jackson Martinez não marca porque as bolas não lhe chegam. Se me disserem que as bolas que lhe servem não são em qualidade e quantidade suficiente, posso aceitar, agora, ele também tem falhado muitos remates. Ainda ontem aos 21' da 2ª. parte [creio], Defour colocou-lhe na perfeição uma bola longa, mas Jackson é que não teve talento para rematar espontaneamente. E isso aconteceu pelo menos, outras duas vezes... Ora, a conclusão que daqui se retira, é que quanto mais tempo a equipa tardar a reorganizar-se, mais tempo perdem os jogadores a recuperar a eficiência. E estas questões, é ao treinador, e só ao treinador, que compete rectificar. Não chega dizer que é preciso fazer isto ou aquilo, o importante é mostrar aos jogadores como se faz. Corrigir-lhes as posições, os movimentos errados, e reensiná-los [se souber] a atacar a bola e reaprender a contornar os adversários que têm pela frente com determinação e confiança. Embora isto possa parecer contraditório, a verdade é que não jogando tudo o que sabem, têm sido os jogadores, em lances individuais, que têm evitado dissabores maiores à equipa! Ora, não é isto que se pretende, os jogos têm de ser resolvidos pelo trabalho coordenado da equipa.
Portanto, não tendo um plantel de luxo, o FCPorto tem um plantel mais equilibrado que o ano passado, agora, falta é colocar as "peças" nos respectivos lugares para a equipa funcionar como uma máquina [afinada] e produzir um futebol atractivo e eficaz.
Porque se Paulo Fonseca não percebe a ansiedade que se instalou há já demasiado tempo nos jogadores e não faz o que é preciso para lhes restaurar a confiança, então, repito, apesar de ainda nada estar perdido, os portistas, tal como o ano passado, vão ter ainda muito que sofrer, e pior do que isso, vão ter de deixar de ver os jogos para não morrerem de tédio ou de um problema cardíaco. O amor ao clube não justifica tão alto sacrifício.
Porque se Paulo Fonseca não percebe a ansiedade que se instalou há já demasiado tempo nos jogadores e não faz o que é preciso para lhes restaurar a confiança, então, repito, apesar de ainda nada estar perdido, os portistas, tal como o ano passado, vão ter ainda muito que sofrer, e pior do que isso, vão ter de deixar de ver os jogos para não morrerem de tédio ou de um problema cardíaco. O amor ao clube não justifica tão alto sacrifício.
08 novembro, 2013
"Imperdoável
"Imperdoável" é o nome de um belo "western" de Clint Eastwood, ator e
realizador premiado com vários "prémios" por este filme extraordinário
de 1992, que conta a história da indignação de uma prostituta
desfigurada cobardemente por um "cowboy" que consegue escapar à justiça
graças a um xerife que o protege em retribuição de uma velha amizade.
Escandalizadas, as prostitutas resolvem quotizar-se para oferecer uma
valiosa recompensa pela captura do desprezível bandido, que de outra
forma ficaria impune. Toda a mitologia fabricada em Hollywood de
"cowboys" indómitos e de heroicos "justiceiros" é "desmontada" ao longo
deste filme cujo revisitação não poderia ser mais oportuna! Imperdoável é
o comportamento de um grupo de personalidades públicas que persistem na
tentativa de pressionar as decisões do Tribunal Constitucional, grupo a
que recentemente se vieram somar as figuras de José Manuel Durão
Barroso e de José Pedro Aguiar-Branco.
O primeiro é ainda presidente da Comissão Europeia, cargo a que
acedeu quando "saltou" da chefia do Governo português para o governo da
União, depois de ter feito declarações bombásticas sobre o estado do
país cujo governo se preparava para abandonar. Ficou célebre a sua
proclamação, já lá vão mais de dez anos, de que Portugal estava "de
tanga". Disse, e foi-se embora. Mas esta semana, em Bruxelas, segundo a
edição de ontem do "Jornal de Notícias", "durante uma conferência de
imprensa, ao lado do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no final de
um encontro entre o Governo português e o colégio de comissários",
Durão Barroso anunciou que a eventual inconstitucionalidade do Orçamento
de Estado para 2014 "pode pôr em risco o regresso de Portugal aos
mercados" e obrigar à substituição das medidas ali previstas pelo
Governo, por outras ainda mais penosas para os portugueses e mais
prejudiciais para o crescimento da economia. Claro que o presidente da
Comissão logo se apressou a desmentir a menor intenção de interferir com
a independência dos tribunais...
O outro é o atual ministro da
Defesa que, dois anos e meio depois de ter iniciado as suas lides
governamentais, descobriu a urgência da reforma do Estado e da revisão
da Constituição, como remédio contra a "tentação de um Estado
totalitário"! Para o ministro da Defesa, o "que cria as promiscuidades
(...), as clientelas (...) e as dependências" que enfraquecem a
sociedade e dão corpo à ameaça totalitária não é a impunidade daqueles
que obtiveram ganhos absurdos e se aproveitaram da Sociedade Lusa de
Negócios, do BPN e mil e um outros estratagemas para lançar mão de
isenções, subvenções estatais, cargos públicos, funções privadas e
acessos privilegiados aos "fundos europeus"! Nem sequer a circunstância
de permanecerem impunes e de continuarem a ocupar relevantes posições na
República. Nada disso! A "ameaça totalitária", segundo José Pedro
Aguiar-Branco, esconde-se na ideia do chamado "Estado social" - ou seja,
no subsídio de desemprego, no rendimento social de inserção, na
segurança social, na proibição do despedimento sem justa causa, na
saúde, na educação, no abono de família... Infelizmente, o ministro não
teve oportunidade de nos esclarecer com algum rigor sobre quais os
aspetos da Lei Fundamental que gostaria de ver revistos e abandonou a
sessão "sem prestar declarações aos jornalistas".
É claro que
estes comportamentos subversivos do Estado de direito e do princípio
constitucional da separação dos poderes - gravemente atentatórios da
independência do poder judicial e do exercício imparcial da missão
específica do Tribunal Constitucional de "fiscalização da
constitucionalidade das leis" - eram facilmente prevenidos se o
Presidente da República requeresse o controlo preventivo da
constitucionalidade deste Orçamento. Não resistimos, enfim, a evocar
"Kid", o terrível bandido que se associa a Clint Eastwood na caça ao
"prémio" oferecido pelas prostitutas, e que por fim confessa que é míope
e que nunca matou ninguém...
[do JN]
06 novembro, 2013
Exemplo a seguir
| Executivo da Câmara de Braga |
É ainda cedo para retirar ilações destes actos simbólicos, mas podem significar que alguma coisa estará a mudar no modo como em Portugal se olha para a política .
Rui Moreira e Manuel Pizarro deram o mote na Câmara do Porto, ao priorizarem os interesses da cidade aos interesses mesquinhos dos partidos, unindo-se e cooperando [espera-se]. Ricardo Rio em Braga parece querer seguir-lhes o exemplo, e faz aquilo que o governo central, depois de impor tanta austeridade ao país, não teve a dignidade [simbólica ou não] de fazer.
Os mais cépticos dirão que estas acções não passam de populismo. Até pode ser, mas ninguém pode negar que estes pequenos exemplos transmitem dignidade a quem os dá, contrariamente àqueles que se limitam a seguir a norma "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço".
Pessoalmente, valorizo estes actos, desde que, claro, não sirvam para encobrir futuras manobras politiqueiras. O tempo o dirá.
04 novembro, 2013
O crime de corrupção jornalística (1)
A corrupção é a chaga das modernas democracias, é o verdadeiro cancro do
nosso Estado de direito. Ela distorce o funcionamento das instituições
democráticas e, no plano da economia, subverte as regras da
concorrência, pois num mercado onde impera a corrupção as empresas que
mais prosperam não são as melhores (que produzem melhor e mais barato),
mas sim aquelas que pagam maiores subornos aos decisores públicos.
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No seu sentido estritamente jurídico, a corrupção é um crime
próprio ou específico; isto é, um delito que só pode ser cometido por
quem é agente do Estado, embora, em caso de comparticipação criminal,
essa qualidade pode ser estendida a outras pessoas. Tecnicamente, a
corrupção consiste em usar o poder ou as funções públicas para obter
benefícios pessoais indevidos. A sua forma mais grave verifica-se quando
um agente do Estado (político, administrativo ou magistrado) pratica um
ato contrário aos seus deveres funcionais (ou omite um ato que devia
praticar) em troca de vantagens que não lhe são devidas.
Normalmente, a vantagem é concedida ao próprio funcionário, mas também o pode ser a terceiros (familiares, partidos políticos, clubes desportivos) e pode ser atual (contemporânea do ato ou omissão) ou futura (um bom emprego quando se sai do Governo, por exemplo), bem como patrimonial (normalmente dinheiro) ou não patrimonial (um apoio político em troca de uma decisão favorável, por exemplo).
A corrupção pode ser ativa (aquele que corrompe) ou passiva (aquele que é corrompido) e para ato ilícito (prática ou omissão de um ato em violação dos seus deveres) ou para ato lícito (o ato não é, em si mesmo, ilícito mas o funcionário recebe vantagens que lhe são oferecidas ou que ele propiciou para o praticar ou omitir). Esta última hipótese (popularmente designada como "olear a máquina") distorce o funcionamento das instituições públicas, levando alguns agentes do Estado a "criar dificuldades para depois vender facilidades".
Modernamente, os estados democráticos têm vindo a tipificar como crimes de corrupção condutas idênticas em domínios não especificamente públicos. Um exemplo é a designada corrupção desportiva, que pune os atos daqueles que, em troca de vantagens indevidas, falseiam os resultados das competições desportivas. Não estamos aí numa área da esfera pública, mas sim num domínio onde existem interesses públicos relevantes que reclamam uma proteção reforçada do Estado. Aqui, os valores são a verdade e a lealdade desportivas, que sairão mais protegidas se se prever a punição daqueles que atentem contra elas, nomeadamente dos que têm o dever de as defender, como os árbitros, os atletas, os médicos e os dirigentes desportivos. A melhor forma de proteger bens ou valores de interesse público é criminalizar as condutas que atentem contra eles.
Ora, um dos domínios onde existe um grande interesse público é o da informação nas sociedades democráticas. Não há democracia nem Estado de direito sem uma efetiva liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não existe como um fim em si mesmo, mas antes como um meio para se procurar e publicar a verdade, esta, sim, um bem jurídico, político e social absolutamente necessário à vitalidade da comunidade e ao seu desenvolvimento harmonioso.
Infelizmente, em Portugal, a verdade informativa não teve ainda do Estado a proteção que merece e que já foi dispensada, por exemplo, à verdade desportiva, sendo certo que há indícios chocantes do seu aviltamento (em troca de vantagens ilícitas) por parte de quem tem o dever legal e deontológico de a defender. Torna-se, pois, necessária uma proteção qualificada da verdade jornalística, através da criação do crime de corrupção informativa, ou seja, de uma tipificação criminal dos comportamentos ativos e passivos que atentem contra a verdade jornalística em troca de vantagens indevidas para o jornalista ou para o órgão de informação. Aqueles a quem compete a denúncia pública das condutas delituosas devem, também eles, ser objeto de um escrutínio mais intenso da sociedade e dos órgãos públicos que combatem a criminalidade. Também aqui é preciso alguém que guarde a guarda.
Normalmente, a vantagem é concedida ao próprio funcionário, mas também o pode ser a terceiros (familiares, partidos políticos, clubes desportivos) e pode ser atual (contemporânea do ato ou omissão) ou futura (um bom emprego quando se sai do Governo, por exemplo), bem como patrimonial (normalmente dinheiro) ou não patrimonial (um apoio político em troca de uma decisão favorável, por exemplo).
A corrupção pode ser ativa (aquele que corrompe) ou passiva (aquele que é corrompido) e para ato ilícito (prática ou omissão de um ato em violação dos seus deveres) ou para ato lícito (o ato não é, em si mesmo, ilícito mas o funcionário recebe vantagens que lhe são oferecidas ou que ele propiciou para o praticar ou omitir). Esta última hipótese (popularmente designada como "olear a máquina") distorce o funcionamento das instituições públicas, levando alguns agentes do Estado a "criar dificuldades para depois vender facilidades".
Modernamente, os estados democráticos têm vindo a tipificar como crimes de corrupção condutas idênticas em domínios não especificamente públicos. Um exemplo é a designada corrupção desportiva, que pune os atos daqueles que, em troca de vantagens indevidas, falseiam os resultados das competições desportivas. Não estamos aí numa área da esfera pública, mas sim num domínio onde existem interesses públicos relevantes que reclamam uma proteção reforçada do Estado. Aqui, os valores são a verdade e a lealdade desportivas, que sairão mais protegidas se se prever a punição daqueles que atentem contra elas, nomeadamente dos que têm o dever de as defender, como os árbitros, os atletas, os médicos e os dirigentes desportivos. A melhor forma de proteger bens ou valores de interesse público é criminalizar as condutas que atentem contra eles.
Ora, um dos domínios onde existe um grande interesse público é o da informação nas sociedades democráticas. Não há democracia nem Estado de direito sem uma efetiva liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa não existe como um fim em si mesmo, mas antes como um meio para se procurar e publicar a verdade, esta, sim, um bem jurídico, político e social absolutamente necessário à vitalidade da comunidade e ao seu desenvolvimento harmonioso.
Infelizmente, em Portugal, a verdade informativa não teve ainda do Estado a proteção que merece e que já foi dispensada, por exemplo, à verdade desportiva, sendo certo que há indícios chocantes do seu aviltamento (em troca de vantagens ilícitas) por parte de quem tem o dever legal e deontológico de a defender. Torna-se, pois, necessária uma proteção qualificada da verdade jornalística, através da criação do crime de corrupção informativa, ou seja, de uma tipificação criminal dos comportamentos ativos e passivos que atentem contra a verdade jornalística em troca de vantagens indevidas para o jornalista ou para o órgão de informação. Aqueles a quem compete a denúncia pública das condutas delituosas devem, também eles, ser objeto de um escrutínio mais intenso da sociedade e dos órgãos públicos que combatem a criminalidade. Também aqui é preciso alguém que guarde a guarda.
03 novembro, 2013
Nem Porto, nem FCPorto, nem Porto Canal
No seguimento do post anterior quero acrescentar o seguinte. O FCPorto e toda a sua estrutura directiva, parecem estar a ser ultrapassados pelos acontecimentos, sem o perceber. O que é mau sinal.
Compreende-se que devido à falta de seriedade de uma parte significativa da nossa comunicação social - senão mesmo toda -, o clube teve de adoptar uma estratégia de defesa durante muitos anos, obrigando-o a fechar-se para conseguir alguma tranquilidade com os diferentes grupos de trabalho, e isso deu resultado.
A verdade, é que os tempos hoje, são outros. As coisas mudaram, e em certo sentido para melhor. O FCPorto adquiriu a gestão [e a propriedade?!] de um canal de televisão, mas o facto é que não tem sabido aproveitar essa grande ferramenta, tanto para se defender das acusações mais graves de que continua a ser alvo, como para promover o clube pro-activamente com a imensa comunidade de adeptos de todo o mundo, e para defender os interesses políticos e económicas da região Norte. Quando um canal precisa de repetir 2, 3 e 4 vezes a mesma programação, é porque está a produzir pouco e ainda há muito para fazer. Pois é isso que está a acontecer. E não vale a pena fazerem auto-elogios com indíces crescentes de audiências, porque ninguém acredita. As audiências podem não ter voz, mas não são parvas.
Apesar da competência com que tem liderado o futebol nacional, Pinto da Costa não pode alhear-se da realidade actual. No futebol as coisas não estão propriamente bem. O FCPorto ainda está no comando do campeonato, mas não produz um futebol suficientemente atractivo e estável para convencer. Teve duas derrotas em casa, na Champions, e não parece realista acreditar numa reviravolta em campo alheio nas condições actuais. Se quiserem chamar a isto derrotismo, façam favor, mas é o que eu penso.
Em termos de televisão, não existe, pura e simplesmente. A reformulação das novas grelhas programáticas não se vislumbra, e em relação aos espectadores, continua a não haver uma palavra, uma simples explicação. Se estes procedimentos forem o reflexo de uma estratégia, só posso dizer isto: é inaceitável!
Em termos de televisão, não existe, pura e simplesmente. A reformulação das novas grelhas programáticas não se vislumbra, e em relação aos espectadores, continua a não haver uma palavra, uma simples explicação. Se estes procedimentos forem o reflexo de uma estratégia, só posso dizer isto: é inaceitável!
O meu maior desejo, como é óbvio, é falhar redondamente todas as premonições que aqui acabo de exprimir.
02 novembro, 2013
Belenenses 1 - FCPorto 1.Temos jogadores, não temos equipa
Escrevo este post imediatamente a seguir ao fim da 1ª. parte do jogo entre o FCorto e o Belenenses, no terreno deste último, e persistem os erros do costume. Pressão fraca e atabalhoada, passes errados, movimentos de ataque mal definidos, controle de bola deficiente e sistema de jogo ineficaz. O que pode significar que a equipa que devia valer pelo seu colectivo, tanto decide os jogos por iniciativas individuais, como os complica, pelos mesmos meios. A somar a isto, continua sem retirar grande partido das vantagens no marcador quando a consegue, e a consentir golos pouco tempo depois [neste caso Mangala marca, Mangala dá a marcar ao adversário], em vez de procurar ampliá-la.
Primeira conclusão a retirar ao intervalo:
qualquer equipa mediana cria dificuldades ao FCPorto, porque o sistema de jogo usado por Paulo Fonseca é lento, demasiado previsível e não está trabalhado para proporcionar muitos golos, mesmo contra adversários de categoria inferior, o que não dá grande confiança para competições de outra categoria... Aguardemos pela 2ª. parte...
qualquer equipa mediana cria dificuldades ao FCPorto, porque o sistema de jogo usado por Paulo Fonseca é lento, demasiado previsível e não está trabalhado para proporcionar muitos golos, mesmo contra adversários de categoria inferior, o que não dá grande confiança para competições de outra categoria... Aguardemos pela 2ª. parte...
E a segunda parte acabou sem grandes diferenças da 1ª.
Conclusão final: outro mau jogo, outro mau resultado, e dois pontos oferecidos aos adversários. Continua sem se notar grande evolução técnica, e sobretudo anímica, no grupo de jogadores formado pelo FCPorto, que ainda anda longe de ser uma equipa. Se não gostava do futebol de Victor Pereira, começo a ficar decepcionado com o de Paulo Fonseca e do seu discurso sem alma nem determinação. Vamos lá ver o que nos reserva o futuro próximo...
Conclusão final: outro mau jogo, outro mau resultado, e dois pontos oferecidos aos adversários. Continua sem se notar grande evolução técnica, e sobretudo anímica, no grupo de jogadores formado pelo FCPorto, que ainda anda longe de ser uma equipa. Se não gostava do futebol de Victor Pereira, começo a ficar decepcionado com o de Paulo Fonseca e do seu discurso sem alma nem determinação. Vamos lá ver o que nos reserva o futuro próximo...
PS-As condições do terreno de jogo não podem nunca servir de desculpa, porque os melhores têm de ser melhores em todas as condições.
31 outubro, 2013
Descubra as diferenças
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| Presidente de Portugal |
Diria mesmo, que em matéria de ridículo, Cavaco ultrapassa e muito, o líder da FIFA. Com uma atenuante para o suiço. É que, enquanto Blatter é apenas responsável por um organismo que superintende o futebol internacional, Cavaco é o representante máximo de um país.
Não estou a imaginar um Presidente da República mediano, de um país mediano, orgulhar-se das comunidades emigrantes sem perceber que as causas do fenómeno são uma implícita vergonha para si, e para quem governou esse pais. Mas os líderes em Portugal não só ultrapassam a imaginação do ridículo, como parecem apostados em ganhar esse troféu.
Não estou a imaginar um Presidente da República mediano, de um país mediano, orgulhar-se das comunidades emigrantes sem perceber que as causas do fenómeno são uma implícita vergonha para si, e para quem governou esse pais. Mas os líderes em Portugal não só ultrapassam a imaginação do ridículo, como parecem apostados em ganhar esse troféu.
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| Presidente da FIFA |
Por isso, dá-me uma imensa vontade de rir, assistir agora ao coro de vozes indignadas de membros do governo, presidentes federativos, jornalistas e comentadores, com a "afronta" feita a Ronaldo, quando, cá dentro não fazem outra coisa aos próprios compatriotas. Passam a vida a dizer [e a cometer] barbaridades semelhantes, e bem piores, com o resto do país, a quem tratam "carinhosamente" de província.
Ainda a semana passada as hostes lisbonárias [comunicação social incluída] acharam muita graça, não se incomodaram mesmo nada, quando ouviram gente responsável do Sporting dizer que "vinham jogar à aldeia" , quando vinham "só" à 2ª cidade do país. Nem lhes beliscou a consciência quando, sem o menor pudor, eles próprios desataram a branquear e inverter a responsabilidade pelas barbaridades geradas por um bando de energúmenos identificados pela polícia como adeptos daquele clube lisboeta.
Ainda a semana passada as hostes lisbonárias [comunicação social incluída] acharam muita graça, não se incomodaram mesmo nada, quando ouviram gente responsável do Sporting dizer que "vinham jogar à aldeia" , quando vinham "só" à 2ª cidade do país. Nem lhes beliscou a consciência quando, sem o menor pudor, eles próprios desataram a branquear e inverter a responsabilidade pelas barbaridades geradas por um bando de energúmenos identificados pela polícia como adeptos daquele clube lisboeta.
Esta gente é mesmo um nojo!
Mas, quando o Presidente da República tem uma visão tão redutora das exigências do seu próprio cargo, que outra coisa podemos esperar, senão o ridículo?
Mas, quando o Presidente da República tem uma visão tão redutora das exigências do seu próprio cargo, que outra coisa podemos esperar, senão o ridículo?
30 outubro, 2013
29 outubro, 2013
Militantes da vergonha
Este gajo, além de ser uma figura nojenta, é parte integrante do recheio carunchoso e desavergonhado que invadiu a política partidária. Tal como Orlando Gaspar [do PS], revela uma profunda ignorância do que é ter espírito democrático.
Fosse eu líder de um partido político promovia imediatamente a demissão de militantes desta natureza. Era uma viagem sem regresso.
28 outubro, 2013
FCPorto, venceu, mereceu, mas [outra vez],não convenceu
Para uma apreciação mais generalizada do jogo de ontem contra o Sporting existem os blogues (des)portistas, por isso vou-me limitar a dizer o que me preocupa particularmente no actual FCPorto, que é o que mais me interessa.
Comecemos então pelos aspectos positivos: primeiro, o resultado, depois, o oportuníssimo golo de Danilo e algumas excelentes defesas de Helton em momentos cruciais do encontro, que evitaram mais uma grande decepção aos adeptos portistas. Em segundo lugar, o modo civilizado como os espectadores da casa reagiram às provocações do presidente sportinguista, que optando pela táctica gasta e populista de diabolizar e provocar o FCPorto, pouco mais conseguiu que exibir publicamente a sua boçalidade intelectual. Além, claro, de levar para casa a derrota da ordem [e da praxe], costumeira em estratégias semelhantes...
Passando ao lado menos positivo, devo dizer o seguinte: não gosto mesmo nada de jogadores bipolares, por uma razão muito simples, é que tão depressa marcam golos decisivos, como de repente os oferecem aos adversários tornando-os assim irrelevantes. Tenho nesta ordem classificativa Varela. Por isso me custa concordar com a nomeação para melhor jogador em campo. É que, ao contrário de alguns que condicionam a crítica construtiva ao resultado dos jogos, ou à autoria de um golo, não sou capaz de esquecer a quantidade de passes errados de Varela, de autênticos brindes aos adversários que só não deram em golo por mera sorte.
Seria injusto se dissesse que Varela foi o único a falhar passes e desvalorizasse o que de bom fez, mas é ele que reincide mais nesse tipo de falhas que costumam ser fatais noutro patamar competitivo. Por isso considero inadequado o prémio, que devia ser sempre balizado pelo percentual comparativo entre as boas e as más decisões. De resto, só houve uma época em que gostei mesmo do rendimento de Varela onde conseguiu mostrar-se mais consistente, que foi a primeira ao serviço do FCPorto, em 2009/2010. Era raçudo, jogava simples, cobria bem a bola, descia os flancos e cruzava com muita regularidade, marcando e dando a marcar [que foi aliás o que fez de melhor ontem].
Mais injusto seria se continuasse a falar de Varela sem falar de toda a equipa, e do próprio treinador. Aliás, acho que este tipo de problemas podiam ser sanados se os treinadores, além do ramerrão dos treinos se empenhassem em disciplinar tecnicamente os jogadores com potencial, como é o caso. Custa-me acreditar que o treino se limite aos aspectos físicos, ou às tácticas do 4x3x3, ou do 4x4x2, e aos meínhos sem oportunas interrupções para corrigir movimentos específicos, coordenações entre sectores, desmarcações, etc.
A questão que coloco é a seguinte: terão os treinadores portugueses competências pedagógicas para o fazer? Saberão ensinar os jogadores a controlar uma bola corrida, a chutar sem preparação, a fazer rolar a bola [no passe] em vez de a chutar para não ganhar muita velocidade, a colocarem a bola no solo rapidamente nos lances aéreos com ressaltos para a tornarem jogável, e evitarem puxar o tronco para trás quando rematam para a bola não levantar?
A minha preocupação releva daquilo que tenho observado inclusivé na equipa B, e nos juniores. Tenho muita dificuldade em compreender a lentidão evolutiva destes jogadores porque lhes revejo esses "defeitos". Fraca qualidade de remate, movimentações oscilantes e baixos indíces de concentração. Contudo, o talento está lá, percebe-se. Então o que poderá explicar tanta inconsistência, tanta insegurança contagiante? Será que a resposta se poderá resumir a um simplista e cómodo "o futebol é mesmo assim!"? É que eu não acredito nisso. Há mais futebol e treinadores para além do que se faz em Portugal. E nem o facto de haver treinadores portugueses reputados a treinar em grandes clubes da Europa muda a minha opinião.
Se o FCPorto teve a desdita de nascer num país que adoptou o fado como símbolo nacional, não pode nem deve enveredar pelo fatalismo que lhe é peculiar, até porque isso é antagónico à sua génese, à sua maneira diferente de funcionar. Algo está a falhar na evolução dos escalões mais jovens. Não tenho na memória de Portugal produzir muitos jogadores tecnicamente evoluídos e desportivamente agressivos. E se esta tese pode ser contraditada com o argumento da pequena dimensão do nosso país, e se pode aceitar para jogadores com ADN de craques de nascimento, como Messis e Ronaldos, já não funciona para aqueles que não sendo génios de berço, possuem condições para serem jogadores de top, desde que devidamente ajudados. É isso que penso não estar a ser feito no FCPorto. Já nem falo dos outros clubes portugueses, porque são todos piores.
A propósito, quando ouvia chamar génio ao João Pinto [ex-Boavista e ex-Benfica], fazia-me sempre confusão, porque ele só conseguia rematar em preparação, não era capaz de ser espontâneo e perdia muitos golos por causa disso. Não é desses jogadores que nós precisamos, porque cada vez estão mais fora de moda. Será que os nossos treinadores estão preparados para ajudar a formar e completar jogadores com essas características? Sinceramente, eu penso que não. Este raciocínio até pode estar errado, admito-o. Apenas direi que ao ver, como tenho visto, os jogadores do FCPorto a errarem passes, a conformarem-se com um simples golo de vantagem, e logo a recuarem, oferecendo o jogo aos adversários e na sequência perderem a vantagem, é porque nada está a ser feito em contrário, ou se está, não funciona. Quando um simples adepto como eu prevê com precisão o que vai acontecer [o golo do adversário] e o treinador não faz nada, não interfere, algo de preocupante permanecerá na cabeça dos portistas. Será que o treinador é medroso, ou será outra coisa? Às vezes, fica a ideia que são os jogos que preparam os treinos e não o contrário.
O ano passado a coisa não foi muito diferente, mas ainda assim tudo acabou em bem. E lá está, os adeptos esqueceram as asneiras, os momentos de sofrimento e de mau futebol. Mas, e quando o final não fôr feliz, despeja-se a bílis em cima do(s) mesmo(s)?..
Estará Paulo Fonseca apostado em copiar [mal] Victor Pereira? Veremos.
Estará Paulo Fonseca apostado em copiar [mal] Victor Pereira? Veremos.
25 outubro, 2013
Boa sorte Sr. Presidente!
O novo presidente da Câmara do Porto pediu que lhe desejássemos boa
sorte. Sem duvidar que trabalhará muito para a ter, não deixaremos todos
de lha desejar. Enquanto tripeiros e enquanto nortenhos. Vi a
transmissão parcial da cerimónia na TV, ouvi e li com muita atenção o
discurso de tomada de posse do sr. presidente.
Pareceu-me uma tentativa muito honesta de manter um discurso mais fresco e uma direção de governo menos tradicional.
Com a elegância e o saber estar que lhe são inatos, o dr. Rui Moreira foi agradecido, inclusivo e esclarecido.
Agradeceu a herança imaterial da governação do dr. Rui Rio sem se escusar a mudar "o necessário".
Incluiu
o PS com à-vontade na sua nuclear independência para tornar o governo
municipal mais fácil mas sem se escusar à dificuldade de tentar integrar
os contributos mais válidos. Mas incluiu igualmente os que não se
aliaram porque, diz, na "Câmara do Porto cabem todos". É difícil mas
pode fazer a diferença.
Esclareceu que valoriza o poder local e o
seu saber fazer e, por isso, reclama descentralização acrescida desde
que acompanhada dos respetivos recursos.
Que não acredita na
capitalidade do Porto, decretada por direito divino mas que, ao
contrário, valoriza o desenho de círculos próximos ou afastados que
conjuguem territórios e interesses. Sem vértice.
Que reconhece a
importância do trabalho da Junta Metropolitana do Porto e da construção
de uma agenda supramunicipal "sem complexos".
Mas que lhe parece
que a evolução europeia aponta para a cidade como unidade
administrativa, social e económica mais relevante e que por isso, à
escala do Norte, estimulará a criação de uma Liga de Cidades que,
deduzo, como a Hanseática possa ser uma verdadeira aliança económica e
política.
Esclareceu ainda a sua firme vinculação aos princípios
norteadores da sua proposta. A saber, mais coesão, mais economia e mais
cultura que, conjugados ou per se, trarão sempre mais liberdade.
Podemos
ficar com dúvidas ou mesmo não perceber bem o alcance exato de algumas
ideias mas a verdade é que, desta vez, o sr. presidente da Câmara do
Porto se pareceu mais com um de nós.
A coerência e a consistência serão a prova de fogo.
É que o poder local e a valorização das suas competências devem ser defendidos.
No entanto, talvez não seja Lisboa o melhor parceiro. A Câmara de
Lisboa, pela dimensão, pela tradição e pela localização (tão perto do
Terreiro do Paço) não depende tão fortemente como todas as outras de
competências próprias para poder prestar um bom serviço aos seus
munícipes. Não precisa de competências acrescidas na saúde ou na
economia. Basta-lhe organizar umas quantas reuniões e fazer uns
telefonemas. Tem uma vocação de estrito governo de cidade muito assente
na imagem externa e na conveniência de serviços.
A presença do dr.
António Costa não fez por isso grande sentido a este propósito. Fez o
sentido que o dr. António Costa faz: um homem com poder próprio e com
influência em toda a Administração Central, seja ou não presidente de
Câmara!
O discurso sobre a supramunicipalidade transposta ou
sobreposta a uma Liga de Cidades tem de ser muito bem estudado. A
política de cidades europeias assenta sobretudo na procura de solução
para os problemas causados pela concentração de mais de 2/3 da população
europeia em cidades. A dimensão, a saturação das infraestruturas, as
exigências de mobilidade e o submergir das identidades são questões
absolutamente vitais, mas não sei se serão as que unem o Porto,
Bragança, Viana, Braga, Chaves ou Vila Real.
Talvez valesse a
pena perceber o que se quer afinal da Área Metropolitana do Porto antes
de ensaiarmos novas hipóteses de representação. Mesmo que não se saiba
bem qual é o papel destinado a um presidente independente.
Por
outro lado, será muito importante perceber que papel executivo é
reservado ao PS. A frescura e a eficácia da independência serão afetadas
por decisões que o dr. Manuel Pizarro terá forçosamente de fazer passar
junto do seu partido, pouco dado a consensos.
Já agora, e apenas
como cidadã (ainda que adepta incondicional), registar que não é
possível, sob qualquer pretexto, deixar de fora de uma cerimónia destas o
Futebol Clube do Porto, provavelmente a mais importante instituição na
internacionalização do Porto. E a internacionalização é, afinal, um dos
mais importantes instrumentos da moderna política de cidades.
24 outubro, 2013
O Porto, sempre o Porto
Vídeo e crónica extraídos do jornal Libération, aqui.
[active o zoom do vídeo para explorar as imagens]
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22 outubro, 2013
UM INACREDITÁVEL TIRO NO FUTURO!
Antes que alguém decida cair-me em cima pelos comentários que fiz acerca das recentes eleições autárquicas no Porto, devo esclarecer o seguinte: já o demonstrei muitas vezes, mas não me canso de repetir, que não tenho qualquer confiança na idoneidade dos partidos políticos portugueses. Tenho sim, é uma réstia de esperança na têmpera das pessoas. Não é por saber que o mundo produz por minuto mais homens sem carácter, que num século alguns com o dito cujo, que irei fechar totalmente as portas ao meu consciente optimismo .
Vale isto por dizer, que tendo enjeitado o meu direito de voto nas últimas eleições, em coerência com a decisão que há muito tomei de me abster enquanto não tiver sérias garantias dos partidos políticos, vou ficar na expectativa com o que Rui Moreira é capaz de fazer pelo Porto enquanto presidente da Câmara e, enquanto homem... É que Rui Moreira começa a dar sinais de fraqueza, e isso não é de bom augúrio.
Se Rui Moreira for aquilo que aparenta, ou seja, lutador, diplomata, conciliador, regionalista, e empreendedor, ninguém se atreverá a pôr em causa o seu carácter. Se quiser dar-se bem com Deus e com o Diabo, se não mostrar coragem e capacidade para servir os portuenses, então será um flop, um projecto sem alma.
A última página do JN de hoje veio alimentar-me as dúvidas com algumas declarações feitas por Pinto da Costa. É no mínimo infeliz que Rui Moreira como autarca portuense [e portista] não se tenha dignado convidar a direcção do FCPorto para a cerimónia de posse como Presidente da Câmara, como fez aliás o seu congénere de Gaia, dando assim pretexto às piores especulações de origem conhecida, particularmente para Rui Moreira. Para quem, como ele, censurava o centralismo, Moreira está a dar o flanco, revelando vulnerabilidade antes mesmo de assumir o cargo. Se ao não convidar Pinto da Costa e a Direcção do FCP pretendeu evitar a Rui Rio o constrangimento dessa presença pelo antagonismo histórico das partes, então falhou, porque acabou por fazê-lo ao FCPorto. Foi um tiro no pé que esperemos saiba reconhecer, ou irá dar-se mal. Tal decisão pareceu mais um acto velado de agradecimento a Rui Rio, do que propriamente uma lição de independencia. Agindo assim, Moreira não está a separar, como pensa, as águas [da promiscuidade], está a contaminá-las com a boçalidade intelectual que caracteriza Rui Rio. Mau caminho esse...
Mas, o ofendido também não esteve bem e explico porquê. Pinto da Costa não saiu a preceito desta fotografia quando disse, cito: «para este Presidente da Câmara do Porto, é fundamental ter boas relações com Lisboa". Pode ser que António Costa - Presidente da Câmara de Lisboa - traga as instituições da capital para animar a festa da tomada de posse de Rui Moreira».
Ora, se disse que Pinto da Costa não esteve bem, foi porque, sendo o FCPorto o principal accionista do Porto Canal, com responsabilidades sobre a orientação editorial desta empresa, está a fazer exactamente o mesmo de que acusa Rui Moreira, isto é, anda mais interessado em agradar a Lisboa e aos lisboetas que às gentes da terra. Senão, em vez de se preocuparem em entrevistar o Gorge Gabriel, ou a astróloga Maia e muita outra gente por demais conhecida de Lisboa, devia ocupar-se em dar a conhecer pessoas da casa [do Porto e do Norte] que ainda ninguém conhece.
O FCPorto está a explorar muito mal o facto de ser proprietário de um canal de televisão, mais que não seja por não saber contraditar e desmentir o lixo que se produz contra o clube nos órgão de comunicação social de Lisboa. Foi esse mesmo lixo mediático que originou o Processo Apito Dourado que tanto prejudicou a imagem do clube, do presidente e da própria cidade. O Porto Canal não está a saber fazer diferente, não está a fazer aquilo que apregoa. Fez ainda muito pouco para o aparato de vaidades que alguns dos seus colaboradores já andam a exibir, com festas e festinhas, de tios e tias, num momento em que o país passa por tantas dificuldades.
De resto, exceptuando meia dúzia de programas, alguns deles repescados da anterior direcção, o Porto Canal está a ser uma enorme decepção. Mais parece um estúdio de gravações enfadonhamente repetidas, que uma estação de tv. É um canal longe da imagem do FCPorto, não é um canal à Porto. E se a isto juntarmos o facto do Director Geral, Julio Magalhães ser cronista num dos mais asquerosos pasquins desportivos de LISBOA, então a piada de Pinto da Costa, mesmo que compreensível, não surte qualquer efeito objectivo.
Ora, se disse que Pinto da Costa não esteve bem, foi porque, sendo o FCPorto o principal accionista do Porto Canal, com responsabilidades sobre a orientação editorial desta empresa, está a fazer exactamente o mesmo de que acusa Rui Moreira, isto é, anda mais interessado em agradar a Lisboa e aos lisboetas que às gentes da terra. Senão, em vez de se preocuparem em entrevistar o Gorge Gabriel, ou a astróloga Maia e muita outra gente por demais conhecida de Lisboa, devia ocupar-se em dar a conhecer pessoas da casa [do Porto e do Norte] que ainda ninguém conhece.
O FCPorto está a explorar muito mal o facto de ser proprietário de um canal de televisão, mais que não seja por não saber contraditar e desmentir o lixo que se produz contra o clube nos órgão de comunicação social de Lisboa. Foi esse mesmo lixo mediático que originou o Processo Apito Dourado que tanto prejudicou a imagem do clube, do presidente e da própria cidade. O Porto Canal não está a saber fazer diferente, não está a fazer aquilo que apregoa. Fez ainda muito pouco para o aparato de vaidades que alguns dos seus colaboradores já andam a exibir, com festas e festinhas, de tios e tias, num momento em que o país passa por tantas dificuldades.
De resto, exceptuando meia dúzia de programas, alguns deles repescados da anterior direcção, o Porto Canal está a ser uma enorme decepção. Mais parece um estúdio de gravações enfadonhamente repetidas, que uma estação de tv. É um canal longe da imagem do FCPorto, não é um canal à Porto. E se a isto juntarmos o facto do Director Geral, Julio Magalhães ser cronista num dos mais asquerosos pasquins desportivos de LISBOA, então a piada de Pinto da Costa, mesmo que compreensível, não surte qualquer efeito objectivo.
Estou decepcionado. O Porto, em vez de se unir, de combater quem lhe faz mal, agride-se mutuamente, e depois é o povo que sofre as consequências.
Só espero(?), é que logo à noite, o FCPorto saiba respeitar a tradição: vencer! Resta-nos isso.
20 outubro, 2013
FCPorto ganha, mas sem afinar a máquina
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| TAÇA DE PORTUGAL - FCPorto - 1, Trofense 0 |
Ponto primeiro: o facto de não ser treinador de futebol não pode inibir-me de dizer o que penso quando vejo o FCPorto jogar. E isto, é válido para qualquer espectador e para qualquer espectáculo.
Continuo sem perceber o que impedirá Paulo Fonseca de rectificar as asneiras que jornada após jornada, os jogadores insistem em cometer. Refiro-me à lentidão dos movimentos atacantes, ao abandono progressivo de pressionar na frente os adversários, à qualidade do passe, e sobretudo à descoordenação nas acções ofensivas. Duvido que outros espectadores não tenham a mesma percepção, porque isto salta por demais aos olhos. E não me venham com a desculpa que no jogo de ontem entraram atletas de outros escalões [da equipa B], porque em jogos anteriores para o Campeonato e para a Champions acontece exactamente o mesmo. Aliás, até foram alguns da B que estiveram melhor em campo, sem no entanto encantarem.
Tenho sempre sérias reservas quanto às qualidades técnico-tácticas de treinadores que não conseguem melhorar em tempo útil os vários aspectos negativos da equipa, tanto em termos individuais como colectivos. As reservas advêm precisamente do facto de não observarmos evolução nesse sentido de jogo para jogo.
Parece-me haver vários pontos a melhorar. Primeiro o psicológico, que consiste entre outros aspectos, em mentalizar o grupo de trabalho para a necessidade de manter o ritmo competitivo depois de conseguido o 1º. golo, pelo menos até conseguir o 2º. Nota-se aqui uma desconexão flagrante, tanto em concentração competitiva, como na confiança . Este facto tem sido recorrente em quase todos os jogos, contribuindo frequentemente para a perda de qualidade do espectáculo, e para uns ais Jesus de sofrimento e de insegurança nos últimos minutos de jogo, mesmo em nossa casa.
Outro aspecto que não me parece estar a ser devidamente tratado é com os passes de risco para trás e a despropósito, quase sempre fonte de possíveis dissabores para o sector recuado da equipa. No capítulo atacante é notória a pobreza de treino específico desses movimentos. Quando um jogador corre com a bola no sentido da baliza adversária, não só falta velocidade como os destinatários não sabem bem para que lado se desmarcarem, obrigando muitas vezes o portador da bola a parar e a optar por passar para trás, ou para o lado por não dispor de linhas abertas. Quando isto não acontece, fazem-no de forma atabalhoada, umas vezes corre bem, mas outras perdem a bola com aparente facilidade criando muitos calafrios na defesa. Se isto não denuncia falta de rotinas e persistência de treino específico, o que é que denuncia?
O que é curioso é que nos jogos da pré-época, em que teoricamente a responsabilidade era menor e o treinador ainda mal conhecia os jogadores, a equipa não só venceu outras boas equipas, como produziu um futebol muito agradável para o momento, que era altamente promissor.
Então, o que se estará a passar? Os jogadores desaprenderam? Será que quanto maiores são as responsabilidades, maior é a inibição? Será que nos está reservado mais uma época de sofrimento e desprazer, como no ano transacto?
Então, o que se estará a passar? Os jogadores desaprenderam? Será que quanto maiores são as responsabilidades, maior é a inibição? Será que nos está reservado mais uma época de sofrimento e desprazer, como no ano transacto?
Deixemo-nos de conversa fiada, não há futebol resultadista que faça esquecer uma má exibição. O futebol é eminentemente espectáculo. O resto, são lugares comuns.
PS - Para os adeptos, só há uma maneira de dissipar estas dúvidas: poderem assistir a vários treinos de rotina, para melhor avaliarem o trabalho desenvolvido. Como isso agora não é possível, todas as especulações são consentidas.
Por falar em futebol-espectáculo, e naquela treta que diz que o futebol é um desporto só para homens, fico calmamente à espera de ver um golo como o da imagem que se segue no nosso muito macho campeonato:
PS - Para os adeptos, só há uma maneira de dissipar estas dúvidas: poderem assistir a vários treinos de rotina, para melhor avaliarem o trabalho desenvolvido. Como isso agora não é possível, todas as especulações são consentidas.
Por falar em futebol-espectáculo, e naquela treta que diz que o futebol é um desporto só para homens, fico calmamente à espera de ver um golo como o da imagem que se segue no nosso muito macho campeonato:
18 outubro, 2013
As chulas EDP/RTP
Observando superficialmente o gráfico, tendo em conta o contraste do nível de vida dos respectivos países, torna-se mais simples compreender por que é que alguns portugueses se agarram, como macaco a banana, a Mourinhos e Ronaldos, para exaltarem o seu orgulho pátrio. Compreende-se, mas não é para aplaudir, porque espelha o comportamento de um povo submisso, habituado à mediocridade, e sem motivações sociais progressitas.
Num país a sério, este quadro, seria razão para a demissão em bloco de muitos governos. Mas este país nunca foi para gente séria, e continua impunemente apostado a seguir pelo mesmo caminho.
Há uns Tsunamis um pouco por todo o Mundo que assolam e vitimizam crianças, gente indefesa e pobre. Mas, por que raio a Mãe Natureza não se lembra da zona de S. Bento e faz uma visitinha a Belém?
PS - A administração proxeneta da RTP prepara-se para, em 2014, voltar a meter-nos a mão no bolso na factura da madrinha EDP, com mais um aumento da taxa audiovisual. Não tarda muito, estes parasitas obrigam-nos a pagar uma taxa de oxigénio para podermos respirar...e nós pagamos. Jovens: emigrem! Saiam deste inferno e deixem o vosso dinheirinho lá fora. Não depositem um cêntimo nestes gangs de mafiosos, porque não há polícia nem Justiça que vos valha.
Grande PR!
17 outubro, 2013
Mário Soares errou, envelheceu, mas não está senil
Não sou dos que vê na figura de Mário Soares um ícone notável da democracia nacional, nem dos que alinharam no côro lançado pela chamada "boa imprensa", que um dia o baptizou de dinossauro político sem nunca explicar muito bem a relevância da alcunha...
Estou à vontade para falar, porque foi nele e no seu partido, que votei nas primeiras eleições constituintes de 1976 que conferiu ao PS a victória final [com 35% dos votos]. Portanto, dei assim o meu contributo pessoal para reforçar o PS e para Mário Soares ser quem é.
Estou à vontade para falar, porque foi nele e no seu partido, que votei nas primeiras eleições constituintes de 1976 que conferiu ao PS a victória final [com 35% dos votos]. Portanto, dei assim o meu contributo pessoal para reforçar o PS e para Mário Soares ser quem é.
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| Mário Soares |
Se Soares teve fortes responsabilidades pela entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia [hoje já não é opinião unânime que tenha sido boa ideia], também não soube dar o melhor rumo ao país, sobretudo na consolidação da democracia. Lembro-me dele a desautorizar, perante as câmeras de televisão, um agente da autoridade que procurava pacificamente fazer o seu trabalho de ordenar a multidão numa rua [ó sr. guarda, desapareça!], e de produzir declarações mais polémicas que sensatas, como quando afirmou que a tolerância não tinha limites... Se a estes episódios juntarmos o processo de descolonização, perceberemos que não foi propriamente um sucesso o serviço público prestado pelo Dr. Mário Soares.
Longe de querer privá-lo de virtudes próprias, do seu passado de lutador anti-fascista, e do seu ar bonacheirão [que engana, mas também conta], penso que Mário Soares é talvez um homem secretamente frustrado por saber que não é a grande referência nacional que sempre almejou ser. Digamos que Soares olhou para a política como um hobby de burguês antigo, completamente desenquadrado da realidade do seu tempo. Fascinava-se pelos jogos da política, mas nunca a soube usar para servir o povo a contento. A vaidade toldou-lhe os objectivos mais sérios.
Hoje, com o cansaço dos seus quase 90 anos, já liberto de cumplicidades políticas e sociais, Soares profere afirmações públicas que sendo sempre polémicas, não deixam por isso de ser menos respeitáveis e pertinentes. Duvido que, enquanto cidadão, Mário Soares seja mais integro que eu, mas sei que para a opinião pública tem mais peso a opinião de um famoso [bom, ou mau] do que a de um discreto cidadão, mesmo que diga exactamente o mesmo e com mais antecedência. Para o caso isso agora não interessa. O que importa, é que, não seria agora, que Soares está na fase de gozar da tolerância generalizada que ia tratá-lo como um senil, porque nunca como hoje, Soares disse coisas tão lúcidas, frontais e pragmáticas: o governo de Passos Coelho está efectivamente cheio de delinquentes, e Cavaco Silva já não devia ser Presidente da República, pelo menos, desde que rebentou o escândalo do BPN/SLN. Já devia ter sido julgado. Acontece, é que Mário Soares não é nenhum exemplo de coerência.
Mário Soares, errou ao não perceber que Democracia desregrada e sem Justiça, é uma democracia doente, e que a autoridade efectiva pressupõe o respeito integral pelas Leis. Mário Soares foi um facilitista, faltou-lhe pulso em certos momentos, e nesse aspecto, influenciou negativamente as regras do jogo democrático. Talvez hoje esteja arrependido [não sei] de dizer a frase quiçá mais demagógica que pude ouvir: a tolerância, não tem limites. Tem sim, senhor Mário. A tolerância ilimitada, tem um nome: anarquia.
16 outubro, 2013
CRÁPULAS! JUSTIÇA CORRUPTA!
| Oliveira Costa disse desconhecer que, na altura em que o BPN concedeu o empréstimo para o fundo Homeland, Duarte Lima tinha uma conta negativa de 250 mil euros. |
O
ex-presidente do BPN admitiu esta quarta-feira ter autorizado um
empréstimo de 50 milhões de euros ao antigo deputado Duarte Lima e a
outros arguidos, no caso Homeland, ao ser confrontado com documentos que
tinham a sua assinatura.
Oliveira Costa foi esta
quarta-feira ouvido como testemunha no julgamento do caso Homeland,
relacionado com a aquisição de terrenos em Oeiras para a alegada
construção da nova sede do IPO e que senta no banco dos réus o antigo
líder parlamentar do PSD Duarte Lima, o seu filho Pedro Lima, e o
empresário Vítor Raposo, entre outros.
Numa inquirição em que evidenciou constantes falhas de memória, traduzida em expressões como "não sei", "não me recordo" e "não faço a mínima ideia", não causou surpresa quando Oliveira Costa respondeu ao procurador José Niza que "não se recordava" de ter concedido o crédito (até 60 milhões) para o projeto Homeland, um fundo destinado à aquisição de terrenos em Oeiras.
As falhas de lembrança de Oliveira e Costa levaram o procurador a exibir vários documentos com a assinatura do presidente do BPN, designadamente aquele em que o fundador do Banco Português de Negócios decide a entrada do Fundo de Pensões do BPN no projeto Homeland, numa quota a rondar os 15 por cento.
Oliveira Costa justificou o empréstimo do BPN alegando que os terrenos tinham "potencialidades" para a construção de um polo tecnológico, apesar de garantir que nada sabia sobre a intenção de aí ser construída a nova sede do IPO.
Quanto ao facto de o empréstimo abranger Pedro Lima e Vítor Raposo, Oliveira e Costa desvalorizou a questão, dizendo que para o BPN o Fundo Homeland era um "projeto de Duarte Lima.
Numa inquirição em que evidenciou constantes falhas de memória, traduzida em expressões como "não sei", "não me recordo" e "não faço a mínima ideia", não causou surpresa quando Oliveira Costa respondeu ao procurador José Niza que "não se recordava" de ter concedido o crédito (até 60 milhões) para o projeto Homeland, um fundo destinado à aquisição de terrenos em Oeiras.
As falhas de lembrança de Oliveira e Costa levaram o procurador a exibir vários documentos com a assinatura do presidente do BPN, designadamente aquele em que o fundador do Banco Português de Negócios decide a entrada do Fundo de Pensões do BPN no projeto Homeland, numa quota a rondar os 15 por cento.
Oliveira Costa justificou o empréstimo do BPN alegando que os terrenos tinham "potencialidades" para a construção de um polo tecnológico, apesar de garantir que nada sabia sobre a intenção de aí ser construída a nova sede do IPO.
Quanto ao facto de o empréstimo abranger Pedro Lima e Vítor Raposo, Oliveira e Costa desvalorizou a questão, dizendo que para o BPN o Fundo Homeland era um "projeto de Duarte Lima.
13 outubro, 2013
A ditadura da austeridade
As
notícias desta semana sobre as bases do Orçamento do Estado para 2014
são o corolário de uma apaixonada adesão do Governo português à ditadura
da austeridade. Na sua azáfama de cortar em tudo o que mexe, Passos e
Portas subestimam o facto de terem já cumprido duas das três etapas do
ciclo de vida de uma ditadura: a ideologia e a tortura. Falta mesmo só a
revolução.
Começando pela ideologia. Dizem os livros que a austeridade é a política de cortar nos orçamentos do Estado para promover o crescimento. Um conceito demasiado complexo para ser vertido nesta simples definição. Na verdade, o presente e a história demonstram bem que a austeridade extrema, ao invés de estimular a economia e elevar os níveis de confiança, tem frequentemente o efeito contrário. Assim aconteceu nos anos 30 nos EUA e assim acontece atualmente numa Europa anémica.
Não há nada de errado na reforma do Estado e na racionalização dos gastos públicos. Simplesmente, tal deve ser feito no conhecimento dos limites de aplicabilidade de programas de austeridade, de forma a não comprometer os mecanismos de criação de riqueza e de consumo. Os pecados da austeridade fundamentalista adotada por Passos Coelho são simples de enunciar. Desde logo, a perceção de que uma quebra generalizada no consumo imobilizou a economia. Depois, a certeza de que o impacto das medidas de austeridade é sempre brutal nos pobres e na classe média e quase não afeta os ricos. Por fim, aquilo que se designa por "falácia da composição", isto é, a crença - errada - de que o que é bom para o todo é bom para as partes. Tudo isto aconteceu em Portugal nos últimos anos, com um Governo manietado por uma troika apostada em limitar o risco sistémico, protegendo justamente os sistemas de interesses que estiveram na origem da crise, encabeçados pelo omnipresente sistema bancário.
A seguir à ideologia vem a tortura. Passado o "período de instalação", onde a narrativa assentou nos muito convenientes inimigo (Sócrates) e contexto (resgate), o Governo apontou o seu arsenal de soluções às vítimas óbvias e fáceis: pensionistas e funcionários públicos. Poupou os verdadeiros responsáveis pela crise da dívida, o sistema bancário e os interesses privados que cresceram à sombra do Estado, ajudados por políticos incompetentes e corruptos, que hoje têm as suas fortunas escondidas em offshores e bem protegidas da tributação. Optou por montar uma máquina de ataque aos desprotegidos, adotando técnicas de tortura inqualificáveis. Aos invés de apresentar ao país um plano global de reforma, onde todos e cada um soubessem qual seria o seu contributo e as metas a alcançar, atira numa base quase diária intenções de cortes generalizados nos rendimentos daqueles que, no passado ou no presente, trabalham para garantir não mais que o suficiente para pagar despesas e alimentação. E não falo apenas daqueles que ganham 500 euros. Falo também dos que ganham dois ou três mil, mas que têm três ou quatro filhos e são tão pobres como os outros.
Não há dia em que não venha de São Bento uma nova ameaça, numa prática brutal indigna de um governo democrático. Como é possível que na semana em que se descobre o corte das pensões de sobrevivência, que cinicamente Paulo Portas escondeu, se acene com o aumento da taxa de audiovisual? Perceberá o Governo o impacto psicológico sobre os idosos quando se ataca, ainda que marginalmente, um dos poucos prazeres que podem ainda suportar, a televisão em canal aberto? A isto chama-se tortura.
O grande final de toda a ditadura é a revolução. Passos Coelho acredita firmemente na brandura dos portugueses. Eu acredito que os subestima. Sobretudo o grupo dos reformados e dos funcionários públicos, que têm sido estigmatizados com base em mentiras redondas vendidas aos restantes portugueses. Pode ser que a revolução chegue apenas pela via formal, derrotando Passos num ato eleitoral ordinário ou antecipado. Mas também pode ser que as vítimas da tortura decidam diferentemente. Que faria Passos se os funcionários públicos imobilizassem o Estado? Que faria Passos se os idosos pensionistas entrassem numa greve de fome coletiva? Que faria Passos se uma boa parte dos portugueses decidisse apresentar-se esta segunda-feira à porta do seu banco e gerar, logo pela manhã, extensas filas para levantar todas as suas poupanças? Como diria um funcionário público, daqueles que o primeiro-ministro tanto odeia, deixo estas notas "à consideração superior".
10 outubro, 2013
Manuel Pizarro e a fidelidade ao partido
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| Manuel Pizarro |
Que os políticos carreiristas não desistam de convencer-nos que não há democracia sem os partidos, até se entende. Agora, que tenhamos de acreditar cegamente nisso, já é sinal de uma grande falta de maturidade [para não dizer outra coisa]. Assim como é ingenuidade imaginar que alguém se pode candidatar a um cargo político sem (muito) dinheiro ou sem o apoio de um ou mais partidos, ou, no mínimo, sem o apoio de um grupo de militantes partidários. A ideia de rotular as candidaturas individuais como "independentes" é que pode não ter sido a mais feliz. Então se levarmos ao rigor da letra o termo, podemos garantir que ninguém, mesmo o mais poderoso dos homens, é absolutamente independente. Portanto, não vale a pena perdermos mais tempo com o assunto.
Outra coisa que o político carreirista detesta, é discutir leis que possam comprometer-lhe a carreira. Dou como exemplo uma "proposta de lei" que em tempos aqui sugeri, que sumariamente os proibia de acumular cargos públicos com privados. Uma lei desta natureza [na óptica deles, populista...] podia ajudar, e muito, a fazer o rastreio entre os políticos missionários (se ainda os houver) e os carreiristas - ou oportunistas, como preferirem -, mas isso é o que eles menos querem. Pelo contrário, apesar do currículo de mediocridade acumulado durante todos estes anos, os carreiristas já simpatizam com a tese que defende a melhoria de remunerações como garante de competência e, imaginem só, de integridade... Como é assim que as coisas são de facto, também me parece natural e bem menos arriscado apostar em pessoas, melhor dizendo, no seu carácter e competência.
Esta notícia encaixa como luva no que acabo de afirmar. Em vésperas de eleições não há político avesso ao populismo, todos compreendem os anseios populares. Depois delas, fecham abruptamente a porta da compreensão aos problemas da plebe, e desatam a despir a ténue capa de têmpera que lhes resta. O sector do Partido Socialista afecto a José Luís Carneiro e a Orlando Gaspar, não perdeu tempo a revelar o que há de pior nos partidos políticos carreiristas: primeiro está o partido, depois vem a populaça, mesmo que a populaça seja da cidade do Porto, essa cidade tantas vezes enganada, tantas vezes desprezada pelo poder político!
Se Manuel Pizarro levar a sua avante, se não se deixar intimidar pela chantagem dos seus colegas de partido e cooperar com o futuro Presidente, pode vir a colher frutos mais tarde, quer Rui Moreira tenha sucesso, ou não. Se R. Moreira tiver sucesso, M. Pizarro poderá orgulhar-se de ter dado o seu contributo aos portuenses, de não se ter limitado a fazer oposição porque sim.
Se Manuel Pizarro levar a sua avante, se não se deixar intimidar pela chantagem dos seus colegas de partido e cooperar com o futuro Presidente, pode vir a colher frutos mais tarde, quer Rui Moreira tenha sucesso, ou não. Se R. Moreira tiver sucesso, M. Pizarro poderá orgulhar-se de ter dado o seu contributo aos portuenses, de não se ter limitado a fazer oposição porque sim.
Se Rui Moreira falhar, Pizarro poderá mais tarde retirar dividendos do desaire, e quem sabe, constituir-se numa alternativa reforçada em credibildade. E o Partido Socialista também. Mas a estupidez, o clientelismo, ou a ganância, já nem sei bem, cega esta gente, porque ainda não perceberam que o povo é sereno, às vezes é burro, mas às vezes também acorda e lhes vê o cu. Cus que fedem por demais àquilo que de lá costuma sair.
PS-I: Sobre a fidelidade aos partidos sugiro a leitura deste artigo.
PS-II: Engana-se quem pensar que a victória de Rui Moreira reflecte a força dos seus apoiantes político-partidários. Rui Moreira colheu votos da esquerda à direita. Mesmo com a esquerda dividida.
PS-II: Engana-se quem pensar que a victória de Rui Moreira reflecte a força dos seus apoiantes político-partidários. Rui Moreira colheu votos da esquerda à direita. Mesmo com a esquerda dividida.
09 outubro, 2013
Dragão ou pombinha?
Uma das linhas de que mais me orgulho no meu "curriculum vitae" é aquela onde me anuncio padrinho da Casa do F. C. Porto da Trofa. Os padrinhos desportivos são o ex-futebolista Domingos e a ex-atleta Fernanda Ribeiro, mas o padrinho da sociedade civil é este vosso amigo que aqui escreve e assina.
Quem me convidou para estas honrosas funções foi o meu amigo e portista doente Diamantino Silva, que também faz questão de não me deixar ser um padrinho desnaturado, "obrigando-me" a comparecer em várias das muitas iniciativas de caráter cultural ou festivo que esta Casa do F. C. Porto promove e organiza com um frenesim inquestionável.
Aqui há uns anos, que tenho dificuldade assim de repente em precisar sem erro, porque foi um ano em que o FCP se sagrou campeão nacional, participei num debate sobre a época vitoriosa do meu clube e saiu-me uma expressão que ficou tão famosa no seio dos portistas da Trofa, que sempre me falam disso em cada encontro que temos.
Recordo-me, por exemplo, de me ter cruzado com um grupo destes dragões da Trofa nas cercanias do estádio de Dublin, na Irlanda, onde vencemos a Liga Europa e de eles me terem interpelado com esse grito de que "nós somos dragões, dragões".
Já tenho dificuldade em recuperar o contexto da época, mas o significado deste dito vive para além dessa conjuntura. O que eu defendi nessa noite clubística na Trofa é que os dragões não são todos iguais: há os dragões, dragões, e os dragões pombinha. Explicando de seguida que os dragões, dragões, os puros, são aqueles adeptos do F. C. Porto para quem o F. C. Porto está sempre em primeiro. Sempre em primeiro lugar... mesmo quando não está no primeiro lugar! Os dragões pombinha são os outros, espero eu que uma minoria, que gosta do F. C. Porto, mas também gosta a seguir de muitas outras coisas, como a Seleção ou o futebol em abstrato.
Dando exemplos, um dragão, dragão quer que a nossa equipa ganhe todos os jogos, a bem ou a mal, com exibições de sonho ou a roçar o medíocre, sendo que as nossas vitórias são sempre justas e nunca à justa. O pombinha aceita discutir a justiça do resultado, o mérito do adversário, os critérios da arbitragem e por aí fora.
Um dragão, dragão nunca acha que pode ser mau vencer tudo e no ano a seguir ao penta sonhava com o bitri e ficou furioso porque ele nos escapou. Enquanto um dragão pombinha se resignou com esse campeonato que nos foi espoliado e até defendeu que era bom para o futebol português haver outro clube a ganhar, depois de cinco anos seguidos de triunfos azuis e brancos.
Um dragão pombinha é sempre pelos clubes portugueses nos jogos das competições europeias, mesmo quando eles são uma espécie de albergue espanhol em que se misturou uma minisseleção sérvia com um contingente de sul-americanos. Já o dragão, dragão é aquele que, como eu , vibrou com os 7-1 de Vigo e ainda esta semana se enfureceu porque os preguiçosos do Paris Saint-Germain fecharam o expediente ainda antes da primeira meia hora de jogo.
O novo presidente da Câmara do Porto é um portista assumido, que já deu provas do seu "portismo" militante em programas de televisão e nas páginas de jornais, ficando até conhecido por se ter levantado a meio de um programa em que a conversa fedia. Rui Moreira ainda este fim de semana em entrevista ao nosso JN se confessou um portista titular de um "dragon seat". Já toda a gente percebeu, como me disseram vários dos portistas com quem falei no meio de uma prova de fumados e dos vinhos com que me deliciei no Mercado de Sabores que encheu literalmente o Edifício da Alfândega no passado fim de semana, que com o novo presidente vamos poder festejar os títulos na Câmara da nossa cidade.
Embora a minha convicção seja inabalável, eu fui dizendo que sim, mas que primeiro era preciso ganhar esses títulos e só depois é que pensava na festa, mas esta possibilidade e o que Rui Moreira tem afirmado a este propósito, também tem a ver com estas duas raças de dragão. Um dragão, dragão que chega a presidente abre as varandas da Câmara e prestigia a festa com a sua presença, homenageando quem ganhou. Um presidente pombinha manda abrir as portas da Câmara mas depois refugia-se no meio da maralha, com medo da sacrossanta promiscuidade. Pode passar a noite em cânticos ou aos pulinhos, mas nunca dirão dele que se associou à vitória do principal clube da cidade.
Embora pombinha na campanha, aposto singelo contra dobrado como vamos ter um presidente dragão, dragão na primeira oportunidade. Mesmo que não aceite levantar a taça!
08 outubro, 2013
Rui Moreira, fiel a si próprio, ou refém de Rui Rio?
Quem, como é o meu caso, escreve publicamente, não pode, mesmo que o queira, dissimular durante muito tempo as suas simpatias ideológicas. Digo ideológicas e não políticas, porque apesar de em teoria ainda subsistirem aspectos importantes a diferenciá-las, não me revejo no que os partidos portugueses ditos de direita e de esquerda, têm feito pelo país. Se os primeiros, continuam estupidamente esclerosados, dando razão e restaurando a tese marxista da exploração do homem pelo homem, enferrujando as suas já muito estafadas teorias, a esquerda moderada não consegue resistir à atracção dos modelos capitalistas, salpicando-a, para sobreviver, aqui e ali, de avulsas reformas sociais de efémera longevidade.
Se polarizei a política nacional entre esquerda e direita e esqueci o centro, é porque não encontro nenhum partido que corporize essa ideia de centro. Sobre os partidos da oposição, nem vale a pena falar, porque há muito desistiram de se tornar numa alternativa ao PS e ao PSD/CDS. Para quem escolheu a política partidária [remunerada] como modo de vida, é manifestamente pouco.
Aqui chegado, parece-me inútil explicar por que é que as eleições autárquicas se revestem de uma importância transcendental aos próprios partidos, comparativamente às legislativas. A maior aproximação dos autarcas ao povo permite-lhes uma liberdade de accção que os governantes não possuem e que muitas vezes até evitam. Da capacidade de liderança de um presidente da Câmara depende o destino de uma cidade ou de uma região. É por isso e apenas por isso, que vou ficar expectante em relação à gestão de Rui Moreira na Câmara do Porto.
Tenho um bom exemplo na família do qual muito me orgulho [passe a imodéstia] que de certa maneira vem de encontro à minha expectativa. O meu avô paterno. Ele soube sempre distinguir muito bem o seu papel de militar do de político. Não foi por ter servido o Estado Novo, que recusou a continência da praxe a um determinado ministro, mas que o deixou de mão estendida à espera de um aperto de mão que nunca aconteceu... Não foi por isso que perdoou a comparência em tribunal de um presidente da Câmara da época, que tudo tentou para o evitar... Nem foi por isso que o Estado português lhe recusou a mais alta condecoração militar: a Ordem de Torre e Espada. Pela mesma ordem de razões, ainda não desisti de acreditar que é na têmpera, mais que na partidarite, que se burilam os grandes Homens.
Aguardemos pois para saber se Rui Moreira é muito mais que a soma das partes que politicamente o apoiaram. Eu gostava de acreditar que sim, embora não acredite no Pai Natal há muitos anos. Aguardo para ver...
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