26 fevereiro, 2014

Os vampiros de sempre precisam de sangue ...

Um dos rostos do centralismo

... e o FCPorto põe-se a jeito para lho dar.

Lá estão eles de novo, essa escumalha humanóide avençada por RTP's, SIC's e TVI's , a fazer o que melhor sabem, que é denegrir a imagem do FCPorto na pessoa de Pinto da Costa. Ei-los cheios de euforia estérica, a tentar abanar a estrutura do FCPorto para assim poderem ditar à vontade quem deve ser campeão dentro e (sobretudo) fora dos recintos de jogo. Ei-los a mostrar ao país (acordado) o que é para eles a verdade desportiva.

Decorridos tantos anos de ataques, ciladas, boatos e acusações, custa a crer que haja alguém neste país com um pingo de seriedade e inteligência que ainda duvide da prepotência do centralismo e pense que estas coisas não passam de rivalidades clubistas. O mais piadético, é haver ainda quem se iluda com o critério "democrático" como as televisões centralistas escolhem os adeptos do FCPorto para debates que nada têm de desportivos a não ser o nome. Primeiro, porque só falam de uma modalidade, que é o futebol -apenas uma das várias modalidades desportivas -, e depois porque no caso do FCPorto, o tema tem uma única finalidade que é tentar convencer a opinião pública que o nosso clube é beneficiado pelas arbitragens e em todos os jogos. 

No programa da RTP, "Trio de Ataque", o adepto portista é o Miguel Guedes, um rapaz com boa capacidade de argumentação, mas demasiado brando para reagir à altura  às provocações dos opositores, que passam frequentemente os limites do razoável. Na SIC, temos o José Guilherme Aguiar, um  político salta-pocinhas que a troco de uma avença se presta ao papel miserável de permitir tudo e mais alguma coisa ao seu rival vermelho (Rui Gomes da Silva), a pior  escória  dos políticos portugueses. Na TVI, está um Manuel Serrão que ainda vai ridicularizando os opositores, mas que até já se permite ser insultado em directo pelo tresloucado médico Eduardo Barroso. Finalmente, e também na SIC, agora convidaram o António Oliveira, um tipo esperto, mas altamente oportunista, portanto o tipo ideal para manipular.

Não admira pois que, já andem com sugestões, dizendo o que Pinto da Costa deve ou não fazer (querem que ele se demita) e quem deve ir para o seu lugar, como se os portistas não tivessem voto na matéria... E quem haveria de ser o putativo candidato? António Oliveira, claro. Como eles são tão nossos "amigos"... Mas o vampiro da SIC não se fica por aqui e quer que Angelino Ferreira, o Director Financeiro que se demitiu (recentemente), seja readmitido. Quem melhor que um "demissionário" para reocupar o cargo? O mesmo, claro. Eles adoram os homens vulneráveis do FCPorto para melhor deles se servirem e assim o abalarem.

Pela parte que me toca, esta gente menor, portistas de ocasião e anti-portistas, é a que menos me preocupa de momento, porque está identificada e sabe-se do que é capaz. Agora, o mesmo não se pode dizer do actual FCPorto. E nem me refiro ao actual momento desportivo e à inadequação aparente de Paulo Fonseca para liderar e treinar um clube com a história e as ambições do FCPorto. O que me preocupa (e já não é de agora), é a política de comunicação que é pobre. Não me refiro tão pouco ao site, que melhorou razoavelmente mas não tem peso em termos  mediáticos. Refiro-me à apatia (não sei se consciente) que o clube vem mostrando no que toca à produção de meios que ajudem a desmascarar essa máquina de propaganda anti-portista que se faz em Lisboa e que tantos dissabores tem causado à sua imagem e ao bom nome do presidente. Não me interessa que me digam que o FCPorto tem ultrapassado com sucesso (algumas vezes em tribunal e com custos elevados) a maioria das ratoeiras que lhe montam, o que me interessa é pô-los em respeito, de forma a salvaguardar a tranquilidade necessária para tratar exclusivamente do desporto. Será que ninguém entende o desgaste provocado por esta política de silêncio?

É isto que está a falhar. Hoje o FCPorto dispõe de uma ferramenta preciosa que é o Porto Canal e não está a saber tirar partido dela. E por favor, leiam bem o que escrevo, voltem a trás se tiverem dúvidas, mas não me interpretem mal, desistam de querer manipular o que não vos agrada. Não é honesto.  Não quero, nunca quis, um canal exclusivamente ligado ao desporto. Isso seria a pior coisa que se podia fazer. O que não quero é um canal indolente, permissivo, subserviente e copista. Sim, é verdade  que já faz o que outros não fazem, que é andar pelo interior norte e centro a dar a visibilidade que aquelas regiões precisam. Mas ainda é pouco. Se sobra tempo para os "notáveis" da capital, por que carga de água não há-de haver tempo para essa gente? Se o argumento tem a ver com o facto de se tratar de notabilidade, de vendas fáceis, então mais vale mudar o canal para a capital. Um canal do Porto para ter mundo não pode, nem deve, depender de Lisboa, nem dos seus protagonistas. Isso é antítese da descentralização. Não estou a dizer para lhes fecharem radicalmente as portas, até porque também lá existe gente interessante, o que estou a dizer é que o façam lá mais para diante, só depois de bem cobertas as regiões que tão carenciadas andam de atenção. Não é só uma questão de justiça, é uma questão de prioridades e lógica.

Se os vampiros querem sangue, é o FCPorto quem lhes está a oferecer as veias. E o Porto Canal, o que faz? Consente, calando. Mas, tal como no futebol, a culpa também é do clube, seu proprietário.

PS
O maior acto de portismo e de desprendimento material que os adeptos paineleiros do FCPorto podiam assumir era renunciar à participação em programas de debate desportivo na televisão. Por várias razões: porque esses programas são anti-democráticos, insanos para a mente, e têm uma principal missão: destruir o ciclo de sucessos do FCPorto. Mas, isso sou eu a sonhar. O portismo de muitos não vai tão além... É a vidinha. Mas, será que precisam assim tanto de dinheiro? Ou, estarão na miséria?


24 fevereiro, 2014

Mantenho o que disse sobre o Porto Canal

Quem tiver dúvidas sobre o que vou dizer a seguir, poderá, se entender dar-se a esse trabalho, procurar no Renovar o Porto tudo o que disse de positivo sobre o Porto Canal e que coincide em muitos aspectos com o que o antigo Presidente da Câmara escreveu sobre o mesmo no artigo que copiei do JN e que colei mais abaixo. Portanto, eu não vejo as coisas só a preto e branco, vejo-as conforme elas se me apresentam no tempo, sem fechar os olhos ao que considero negativo.

Entretanto, o tempo foi-se passando e as cores (coisas) bonitas do Porto Canal foram sendo paulatinamente dominadas por um excesso de confiança que às vezes roça a negligência e que devia merecer outra atenção da parte dos responsáveis. Há pormenores e pormaiores que não podem ser esquecidos a quem quiser fazer uma apreciação imparcial à forma como vem sendo gerido o Porto Canal. 

Desde as notícias em rodapé, que mesmo vizualizadas num ecran de 30 polegadas são passadas numa banda extremamente estreita que tornam a leitura quase impossível, sobretudo para as pessoas mais idosas e com limitações de visão, até às gravações repetidas cinco, seis e mais vezes, em espaços de tempo muito curtos, provam que algo está mal. A acrescentar a isto, os directos, as notícias na hora, parecem não constar na agenda editorial da direcção. Se nos queixamos (e com razão) da distorção de certas notícias dos canais de Lisboa, também nada se faz para as contraditar. Portanto, nestes aspectos as coisas não andam bem. Depois, assiste-se a uma confragedora bajulação com determinadas figuras públicas da capital já conhecidas e que no percurso das suas carreiras nem sequer mostraram grande interesse pelo Norte e pelo Porto em particular. Mas, o pior, quanto a mim, é a completa indiferença pela parte de quem dirige com a péssima impressão que estas coisas deixam nos espectadores mais atentos que, involuntariamente são empurrados para os canais de Lisboa por falta de comparência do Porto Canal.

É isto que Fernando Gomes não diz no seu artigo. Compreendo-o, porque ele precisa da televisão, mas não concordo. A avaliação para ser séria, tem de ver os prós e os contras, não pode fechar os olhos a erros básicos. E eles estão a ser cometidos com alarmante frequência.  

23 fevereiro, 2014

O Canal do Porto


Antes de abordar o tema que hoje me propus tratar, devo exarar aqui, de novo, a minha declaração de interesses - sou sócio do Futebol Clube do Porto e membro dos órgãos sociais do clube. Tal circunstância não impedirá, contudo, que eu possa pronunciar-me de forma isenta e objetiva sobre o papel cada vez mais relevante que o Porto Canal tem vindo a desempenhar na valorização da cidade e da região.

Quando foi público o interesse do FCP neste canal televisivo, que estava a passar por sérias dificuldades para se afirmar num meio altamente competitivo, logo houve quem pensasse que o Porto Canal viria a ser mais um canal de desporto, igual a tantos outros que vemos quando percorremos a enorme oferta de canais afetos a clubes desportivos que a televisão nos proporciona. No fundo, seria mais um canal para ser visto exclusivamente pelos adeptos mais ferrenhos fora dos dias em que houvesse transmissão desportiva. E isso, disse-se, seria redutor para uma região que tinha cada vez menos força em matéria de órgãos de Comunicação Social que pudessem falar ao país a partir do Porto e do Norte.

Mas, felizmente, não foi assim. Os receios dos que temiam ver enfraquecida mais uma voz, independente e autónoma, na defesa dos interesses gerais da cidade e da região, rapidamente se desvaneceram. O Futebol Clube do Porto e os profissionais competentes que trabalham no Porto Canal souberam não cair na tentação do trabalho fácil e redutor que significaria transformá-lo em mais um canal desportivo monocolor. Bem pelo contrário. A entrada do FCP na programação regular da estação televisiva deu origem a uma séria reformulação dos seus conteúdos enquanto canal generalista com uma vertente desportiva centrada no Futebol Clube do Porto, quanto baste.

Há muito que pensava fazer uma referência pública de apreço por todos quantos contribuíram para o sucesso deste projeto. Mas o que agora me levou a não protelar esta referência foi o aparecimento na semana passada de um novo programa que tem como principal protagonista Luís Filipe Menezes. Interpelado por Juca Magalhães, Menezes aborda os principais acontecimentos no país, com especial incidência na atualidade política e económica e uma vez por mês tem um convidado de sua escolha que participa no programa para debater assuntos de grande relevância nacional.

Confesso que pensei que este seria mais um daqueles shows de análise e debate político que enxameiam os canais televisivos todos os dias da semana. Mas não. Assistimos a um momento televisivo de grande qualidade, em todos os seus aspetos.

Desde logo o espaço criado para o programa. Sóbrio, elegante, bem desenhado, moderno, constitui a meu ver o cenário mais bem conseguido de todos quantos podemos ver em programas semelhantes. Depois, a postura e as questões tratadas por Luís Filipe Menezes. Não deixando de abordar a sua muito expressiva derrota nas eleições autárquicas, soube assumir os seus erros e ter palavras de apreço e incentivo para Rui Moreira, o candidato que o derrotou. A referência ao seu sucessor em V. N. de Gaia é justíssima. Eduardo Vítor tem relevado a obra do seu antecessor, sem nunca procurar atirar para cima do Executivo anterior as culpas do que ainda não conseguiu realizar, comportamento que, reconheça-se, é cada vez mais raro.

Por outro lado, Menezes conseguiu trazer ao debate o ministro Poiares Maduro, figura central da polémica que opõe o Governo aos autarcas e instituições nortenhas a propósito da repartição dos fundos comunitários, confronto que nessa semana tinha atingido o seu ponto mais crítico. E foi incisivo e incómodo para o ministro, levando-o a esclarecer algumas questões que até então continuavam duvidosas. Juca Magalhães soube intervir quando era necessário, sem dar a ideia sempre desagradável para quem assiste de que as perguntas e respostas estavam meticulosamente combinadas entre ambos. E, finalmente, a duração do programa tem o tempo certo.

Esta semana, o registo foi semelhante, anunciando-se desde já a participação de Miguel Cadilhe no próximo programa. Outra boa escolha. A manter-se esta qualidade em programas futuros, o Porto Canal pode orgulhar-se de estar a competir, neste domínio, com as mais poderosas estações televisivas, apesar da brutal diferença de meios que os separa.
Com a agonia da RTP a partir do Monte da Virgem, o Porto Canal é cada vez mais quem presta no Norte o serviço público de televisão. Repete-se, uma vez mais, a história no Norte - são os privados quem resolve, sempre, aquilo de que o Estado se demite.
(do JN)
Nota de RoP:
Amanhã escreverei algo sobre o que o olhos de Fernando Gomes não quiseram ver de reprovável do Porto Canal

22 fevereiro, 2014

As infelizes declarações de Paulo Fonseca

«Agora, o F. C. Porto vira as atenções para o duelo deste domingo com o Estoril e Paulo Fonseca tem uma certeza: "Todos nós sabemos que o Estoril é uma excelente equipa e o último jogo demonstrou bem isso. São muito perigosos no contra-ataque e esperamos jogo complicado".»

Paulo Fonseca é a confusão em forma de treinador. Além de se enganar frequentemente no nome dos adversários (o que é lamentável),  trata-os a todos por igual, mas não da forma mais correcta, que seria respeitá-los sem os sobrevalorizar. Assim, ao contrário do que provavelmente pensa, não está a respeitá-los, está a vulgarizá-los por cima, o que não parece sério. A excelência com a qual cobre equipas como o Marítimo, Académica, Setúbal, Nacional, Frankfurt Eintracht, é tão inadequada como desproporcionada face ao valor real de cada equipa. E mais. Os elogios exagerados podem provocar nos seus jogadores um sentimento de medo e inferioridade, esse sim, altamente injusto para eles, sobretudo para alguns que já foram campeões e contra equipas, essas sim, poderosas. Não será isso que deixam transparecer em cada jogo, mesmo quando jogam um bocadinho melhor e têm vantagem no marcador?  Não haverá alguém no FCPorto que lhe saiba transmitir isto sem o melindrar?

Para ler o artigo do JN completo, clicar aqui




21 fevereiro, 2014

Abaixo a praxe!

ACABAR JÁ COM ESTE ERRO ANTES QUE FIQUE MUITO CARO

O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação.

É um acto político falhado na área da política externa, cujas consequências serão gravosas principalmente para Portugal e para a sua identidade como casa-mãe da língua portuguesa. Porque, o que mostra a história das vicissitudes de um acordo que ninguém deseja, fora os governantes portugueses, é que vamos ficar sozinhos a arcar com as consequências dele.
O acordo vai a par do crescimento facilitista da ignorância, da destruição da memória e da história, de que a ortografia é um elemento fundamental, a que assistimos todos os dias. E como os nossos governantes, salvo raras excepções, pensam em inglês “economês”, detestam as humanidades, e gostam de modas simples e modernices, estão bem como estão e deixam as coisas andar, sem saber nem convicção.

O mais espantoso é que muitos do que atacaram o “eduquês” imponham este português pidgin, infantil e rudimentar, mais próximo da linguagem dos sms, e que nem sequer serve para aquilo que as línguas de contacto servem, comunicar. Ninguém que saiba escrever em português o quer usar, e é por isso que quase todos os escritores de relevo da língua portuguesa, sejam nacionais, brasileiros, angolanos ou moçambicanos, e muitas das principais personalidades que têm intervenção pública por via da escrita, se recusam a usá-lo. As notas de pé de página de jornais explicando que, “por vontade do autor”, não se aplicam ao seu texto as regras da nova ortografia são um bom atestado de como a escrita “viva” se recusa a usar o acordo. E escritores, pensadores, cronistas, jornalistas e outros recusam-no com uma veemência na negação que devia obrigar a pensar e reconsiderar.

Se voltarmos ao lugar-comum em que se transformou a frase pessoana de que a “minha pátria é a língua portuguesa”, o acordo é um acto antipatriótico, de consequências nulas no melhor dos casos para as boas intenções dos seus proponentes, e de consequências negativas para a nossa cultura antiga, um dos poucos esteios a que nos podemos agarrar no meio desta rasoira do saber, do pensar, do falar e do escrever, que é o nosso quotidiano.

Aos políticos que decidiram implementá-lo à força e “obrigar” tudo e todos ao acordo, de Santana Lopes a Cavaco Silva, de Sócrates a Passos Coelho, e aos linguistas e professores que os assessoraram, comportando-se como tecnocratas – algo que também se pode ter do lado das humanidades, normalmente com uma militância mais agressiva até porque menos "técnicas" são as decisões –, há que lembrar a frase de Weber que sempre defendi como devendo ser inscrita a fogo nas cabeças de todos os políticos: a maioria das suas acções tem o resultado exactamente oposto às intenções. O acordo ortográfico é um excelente exemplo, morto pelo  “ruído” do mundo. O acordo ortográfico nas suas intenções proclamadas de servir para criar uma norma do português escrito, de Brasília a Díli, passando por Lisboa pelo caminho, acabou por se tornar irritante nas relações com a lusofonia, suscitando uma reacção ao paternalismo de querer obrigar a escrita desses países a uma norma definida por alguns linguistas e professores de Lisboa e Coimbra.

O problema é que sobra para nós, os aplicantes solitários da ortografia do acordo. O acordo, cuja validade na ordem jurídica nacional é contestável, que nenhum outro país aprovou e vários explicitamente rejeitaram, só à força vai poder ser aplicado. A notícia recente de que, nas provas – que acabaram por não se realizar – para os professores contratados, um dos elementos de avaliação era não cometerem erros de ortografia segundo a norma do acordo mostra como ele só pode ser imposto porDiktat, como suprema forma de uma engenharia política que só o facto de não se querer dar o braço a torcer explica não ser mudado.

Porém, começa a haver um outro problema: os custos de insistirem no acordo. A inércia é cara e no caso do acordo todos os dias fica mais cara. A ideia dos seus defensores é criar um facto consumado o mais depressa possível. É esta a única força que joga a favor do acordo, a inércia que mantém as coisas como estão e que implica custos para o nosso défice educativo e cultural.

É o caso dos nossos editores de livros escolares que começaram a produzir manuais conforme o acordo e que naturalmente querem ser ressarcidos dos seus gastos. Mas ainda não é um problema insuperável e, acima de tudo, não é um argumento. Passado um período de transição, pode voltar-se rapidamente à norma ortográfica vigente e colocar o acordo na gaveta das asneiras de Estado, junto com as PPP e os contratos swaps, e muita da “má despesa”. Porque será isso que o acordo será, se não se atalhar de imediato os seus estragos no domínio cultural.

O erro, insisto, foi no domínio da nossa política externa com os países de língua portuguesa, e esse erro é hoje mais do que evidente: os brasileiros, em nome de cuja norma ortográfica foram introduzidas muitas das alterações no português escrito em Portugal, nunca mostraram qualquer entusiasmo com o acordo e hoje encontram todos os pretextos para adiar a sua aplicação. No Brasil já houve vozes suficientes e autorizadas para negar qualquer validade a tal acordo e qualquer utilidade na sua aplicação. Os brasileiros que têm um português dinâmico, capaz de absorver estrangeirismos e gerar neologismos com pernas para andar muito depressa, sabem que o seu “português” será o mais falado, mas têm a sensatez de não o considerar a norma.

Nós aqui seguimos a luta perdida dos franceses para a sua língua falada e escrita, também uma antiga língua imperial hoje em decadência. Querem, usando o poder político e o Estado, manter uma norma rígida para a sua língua para lhe dar uma dimensão mundial que já teve e hoje não tem. Num combate insensato contra o facto de o inglês se ter tornado a língua franca universal, legislam tudo e mais alguma coisa, no limite do autoritarismo cultural, não só para protegerem as suas “indústrias” culturais, como para “defender” o francês do Canadá ao Taiti. Mas como duvido que alguém que queira obter resultados procure no Google por “logiciel”, em vez de “software”, ou “ordinateur”, em vez de “computer”, este é um combate perdido.

Está na hora de acabar com o acordo ortográfico de vez e voltarmos a nossa atenção e escassos recursos para outros lados onde melhor se defende o português, como por exemplo não deixar fechar cursos sobre cursos de Português nalgumas das mais prestigiadas universidades do mundo, ter disponível um corpo da literatura portuguesa em livro, incentivar a criatividade em português ou de portugueses e promover a língua pela qualidade dos seus falantes e das suas obras. Tenho dificuldade em conceber que quem escreve aspeto – o quê? – em vez de aspecto, em português de Portugal, o possa fazer.

José Pacheco Pereira

[Fonte: Blogue Abrupto]


Nota de RoP:

Pacheco Pereira tem algumas semelhanças com Miguel Sousa Tavares. Quando falam de coisas alheias ao futebol acertam muitas vezes e com distinção.

20 fevereiro, 2014

Os media gostam é de marionetes

Para os media o bom espectador tem de ser assim
Podem estar certos que não vivo obcecado com nada, nem com ninguém. Nas análises que faço neste blogue a enfase recai por ordem crescente de prioridades em três assuntos: política, comunicação social e F.C.Porto. Todos eles, girando à volta de dois : a cidade do Porto e o FCPorto.

Acontece que, contrariamente a determinados analistas avençados, não faço apreciações abstractas, e muito menos técnicas, porque isso já há gente demais a fazer. Faço-as à minha maneira, sem nunca esquecer que por detrás dessas temáticas existem organismos, instituições e pessoas. Sendo identificáveis - e como não gosto de hipocrisia -, coloco-lhes os nomes, que é a única forma de lhes transmitir uma coisa da qual procuram fugir como diabo da cruz: a responsabilidade.

Falo assim porque, quando episodicamente considero justo e oportuno louvar alguém, todos (incluindo os visados), acham bem e até aplaudem, mas quando faço o contrário, quando critico, inspirado pelas contradições e mesmo pelas faltas de carácter dos próprios visados, então aí a coisa muda de figura, e de pessoa correcta e sensata, passo num ápice a ter todos os defeitos da humanidade, e o português (que tento escrever o melhor que sei) passa de repente a ser uma língua difícil de interpretar. É normal, dir-me-ão, mas é errado.

Tal como os políticos, os jornalistas não gostam que lhes apontem o dedo. Tudo vai bem quando são eles a fazê-lo, de preferência, em regime de monopólio. Eles, podem mentir, brincar, maldizer, insultar, insinuar, ofender, conspirar, ameaçar, manipular, que tudo, tudo mesmo, é em nome da liberdade e do interesse público. Com o resto dos cidadãos já não é bem assim.

Esquecem-se, é que foram eles quem escolheu o métier e que ambos (política e jornalismo) implicam uma grande exposição pública, o que os devia obrigar a cuidados redobrados, quer com aquilo que prometem, como com o que escrevem. Mas isso, não é para os próximos tempos. Vivemos a era da estupidez global, das Casas dos Segredos e dos Big Brothers, o petróleo da comunicação social dos novos tempos. Alterar estes hábitos vai levar muitos anos, e se as escolas e os encarregados de educação não começarem a fazê-lo não são os media que o farão.

19 fevereiro, 2014

Um Porto cheio de contradições

Aeroporto Sá Carneiro de novo no pódio europeu

Pois é, o Porto está na moda, enquanto cá dentro é tratado como filho bastardo, até por alguns portuenses, lá fora o olhar sobre a nossa cidade é bem mais amigo. 

Mesmo assim, é uma realidade que não deixa de me intrigar. É que, com todas estas honrarias ainda não fomos capazes de as estender ao povo do Porto. Ainda ontem presenciei com tristeza uma mulher de cabelos brancos tentando dormir na rua, mal agasalhada, muito próxima de uma poça de água, à saida do Supermercado Froiz na Trindade, com o segurança a tentar removê-la do local... 

Deste Porto não gosto.

Os truques do costume

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Nota: Artigo extraído do Jornal de Notícias

17 fevereiro, 2014

Mude-se o paradigma da importância

O que pode dar este homem ao Norte?

É fácil aderir às causas quando a maré é favorável. Nessas circunstâncias, qualquer sevandija imita o nobre, tal como o sendeiro parece um cavalo de raça. Lamentavelmente, é mais este, que outro, o comportamento de um grande número de "lutadores" de marés. Pesssoas que ironicamente pertencem na sua maioria a grupos sociais tidos como os mais "relevantes". Políticos, grandes empresários e jornalistas predominam, constituindo-se como os maiores entraves ao refinamento da democracia.

Não direi que a "maré" da descentralização tenha chegado aos media nacionais, porque lá para a capital continuam a não ligar nada ao assunto, e então se lhes falarmos de regionalização, reagem como se viéssemos de um planeta estranho e falássemos uma língua diferente. Para Lisboa, esses dois temas, (descentralizar e regionalizar), são ambivalentes. Por um lado, funcionam como um alarme, do tipo "estes gajos afinal não dormem",  e por outro, como um súbito sentimento de patriotismo normalmente ligado à "coesão" nacional. Naturalmente que, esse sentimento de coesão é tão falso e acintoso como a indiferença com que olham para a discriminação promovida ao resto do país, com mais evidência a Norte.

É verdade que muitos nortenhos das classes que indiquei (e não só), são responsáveis pela macrocefalia crescente de Lisboa, mas também ainda não vi nenhum lisboeta incomodar-se com a situação. Há quem ache isso normal, quem diga que quem está bem com o que tem não queira mudanças, mas se é normal, então talvez ficasse bem não se melindrarem quando associamos o centralismo aos lisboetas, porque se quisessem provar que confundimos as coisas, talvez surtisse algum efeito mostrarem alguma solidariedade connosco . Só assim teria eco a tal coesão nacional só evocada quando o fantasma da regionalização paira no ar...  Até hoje, ainda não vi um só lisboeta assumidamente regionalista. O que vejo, sobretudo nos políticos, é a tal assunção regionalista de marés. 

Ninguém pode negar a verdade do que atrás escrevi. Contudo, o Porto e o Norte, tendo uma boa oportunidade para mudar esse rumo desvirtuado de fazer política, dispondo agora de um canal de televisão pró-descentralização, parece não querer aproveitar a oportunidade para mostrar como se pode fazer jornalismo sério, nacional e competente, sem plagiar o déjà-vu que se faz na capital do país.

É incompreensívelmente provinciano acreditar que o prestígio de um canal de tv se ganha com a cooperação de derrotados, só porque são famosos, em vez de procurá-lo entre gente credível, com carácter e sem rabos de palha. Fosse minha a responsabilidade, o Porto Canal daria protagoismo a figuras com futuro, nunca àquelas com um passado cinzento, sem êxitos verdadeiramente relevantes para a região (o país não é Lisboa).  E, principalmente fecharia as portas a quem se sabe, ou se suspeita ser apologista do centralismo. Isto para alguns, até poderia parecer anti-democrático (pareceria mesmo?), mas continuar a dar voz a quem nos prejudicou seria repetir novo erro, seria regredir, era uma verdadeira pedra na engrenagem no processo descentralizador. O tempo dos debates sobre o tema já se esgotou. Quem for nortenho, e se depois de tantos anos de discriminação ainda tiver dúvidas sobre a necessidade de combater o centralismo, ou é tolo, ou vive na Lua, ou por qualquer razão anómala não quer mesmo que as coisas mudem.

Historicamente, o medo munca foi o melhor aliado dos vencedores.

PS-Há jornalistas e políticos honestos, mas são uma minoria facilmente identificável. 

14 fevereiro, 2014

Estejamos atentos aos próximos convidados do Porto Canal

Sendo um tripeiro que viveu alguns anos fora da sua cidade e que já viajou um pouco por quase todos os continentes (excepto pela Oceania e Ásia), sinto-me à vontade para não aceitar lições de ninguém sobre o que é o amor à terra. Depois de cumprido o serviço militar, residi parte desse tempo em Sintra e outra parte na capital. Vivida essa experiência, a saudade falou mais alto e tive de regressar à base, ou seja, ao meu Porto natal. Tanto o meu pai (transmontano) como a minha mãe (minhota), vieram ainda na infância viver para o Porto com os meus avós e ambos tiveram o bom gosto de adoptar esta cidade como a sua verdadeira terra, já que foi nela que viveram a maior parte das suas vidas. Não sei se foi deste cruzamento entre nortenho de Trás-os-Montes e do Minho que herdei esta afectividade pelo Porto, este bairrismo vaidoso, o que sei é que não trocava a minha cidade por nenhuma outra. Por isso não me espanta que o Porto, apesar do seu avançado estado de degradação urbana e social, tenha vencido dois prémios consecutivos como o melhor destino Europeu. 

Além do Porto cidade, outra das minhas "amantes" (não gosto do termo paixão, porque a paixão imbeciliza o amor), é o FCPorto. E não é só o FCPorto intercontinental da era Pinto da Costa, é também o FCPorto do tempo em que meu pai me levava ao estádio das Antas quando ainda era criança. A mim pouco me interessava se o Benfica ou o Sporting tinham mais troféus, o FCPorto era o CLUBE, o meu, o único.

É portanto natural que nutra uma instantânea simpatia por tudo que esteja associado ao clube e à cidade, sobretudo se se tratar de algo que possa ajudar ambos a defenderem-se das garras do centralismo mais doentio e anti-patriota que o país conheceu. Foi com esse estado de espírito que vi a chegada do Porto Canal, principalmente depois de saber que o FCPorto ia candidatar-se à sua propriedade. De início, rejubilei com a notícia, embora tivesse algumas dúvidas quanto  à escolha de Júlio Magalhães para Director Geral, mas, à medida que o tempo foi passando fui-me apercebendo  de algumas lacunas e as minhas dúvidas acentuaram-se. Salvo um volte-face espectacular, receio que as minhas suspeitas comecem a fazer sentido. O Porto Canal e o FCPorto parecem dessintonizados, sem nada a ligá-los à excepção dos conteúdos de âmbito desportivo.

Não creio que haja um único portuense que não estranhe que o Porto Canal não tenha convidado Rui Moreira para uma entrevista depois de eleito Presidente da Câmara, nem mesmo tenha anunciado a entrevista que este ia dar à RTP na passada 2ª.feira. Não sabia? Então para que serve o jornalismo de investigação? Para alimentar boatos? Colocar o interesse do Canal à frente do interesse público da cidade o que é que significa? No mínimo, é suspeito. E as suspeitas sobem quando a qualidade dos convidados o é também. Se já vos falei de certas pessoas cuja importância para os nortenhos é discutível, algumas delas fanáticos centralistas, que havemos nós de pensar? Não é possível separar as águas. Se querem um canal generalista para deixar entrar quem odeia o Porto, ou quem só "gosta" do Porto para cá ganhar a vida, podem ter a certeza que isto um dia vai dar bronca. Nem todos são como o Júlio Machado Vaz, nem como Rio Fernandes...

Estejam portanto atentos ao programa "Pólo Norte"desta noite.  Algo me diz que o convidado de hoje, o vereador do PSD Amorim Pereira vai para lá "malhar" no Rui Moreira. Posso estar enganado, mas palpita-me que é para isso que ele lá vai. Já para não falar da presença de Luís Filipe Menezes como convidado residente das próximas 6ªs. feiras... Em Portugal é assim, os perdedores são consideradas fontes credíveis de oposição... O Sócrates perdeu, fugiu, regressou e agora voltou à ribalta na RTP. No futuro será o actual 1º. Ministro que tão criticado é (como foi Sócrates) que irá para um qualquer canal fazer comentários. Para os media, a lógica de qualidade é simples: ganhar fama. O resto é acessório. Parece ser essa a via do Porto Canal.

Querem saber a última do Porto Canal? Ontem, enquanto era anunciado o programa "Pena Capital" no guia da Zon, à mesma hora era transmitida a gravação repetida do programa "Saúde no Tacho". Resumindo: o programa não foi transmitido e o Porto Canal, o tal que pretende partir do Porto para o mundo e ajudar a descentralizar o país, decidiu não apresentar uma simples desculpa pela falha, nem mesmo em rodapé...

Se é com este desprezo, com esta total falta de respeito pelos nortenhos que Júlio Magalhães quer afirmar o Porto Canal, pode tirar o cavalinho da chuva porque não serei eu que lhe darei audiências. Júlio Magalhães critica os nortenhos, diz que são os piores. Mas o que será que pensa dele próprio?

Termino dizendo: tem dias que parece não haver ninguém que mande no Porto Canal. Será que os leitores já não tiveram o mesmo pensamento?

PS-Afinal, as minhas suspeitas acerca da intenção do convidado do programa de ontem "Pólo Norte", confirmaram-se. Quem tiver a possibilidade de rever o programa sugiro que o faça. Depois, se quiserem, digam se eu tinha ou não razão para escrever o que escrevi. 

Já Luís Filipe Menezes foi mais cordato (para já, pelo menos). Não entrou a matar sobre Rui Moreira, veremos como se comporta nas próximas sextas-feiras... 

13 fevereiro, 2014

Última hora

O Porto foi eleito hoje Melhor Destino Europeu 2014, entre outras 19 cidades a concurso, realizado no âmbito de uma competição destinada a escolher os melhores destinos na Europa.




Porto melhor destino europeu 2014

12 fevereiro, 2014

Lamento dizê-lo mas assim, o Porto Canal irá perder a corrida...

...caso contrário teria arranjado forma, tempo, e espaço, para, em vez de andar preocupado  na "conquista" de Lisboa/Poder Central pelo método nacional porreirista - que nunca levou o Porto e o Norte a lado nenhum -, procurar capitalizar para a estação da Senhora da Hora a presença de Rui Moreira, porque motivos é coisa que não falta. Não o fazendo (e este é um enigma que um destes dias havemos de descobrir pelas fontes menos credíveis), deixou o terreno livre para a RTP avançar, como se constatou na passada 2ª. feira no programa  de Fátima Campos Ferreira, Prós e Contras, por sinal muito bem concebido. 

Se Júlio Magalhães não perceber que a concorrência não dorme em serviço, prova que não sabe o que é o mercado em que se move. A decisão da direcção da RTP desta vez foi inteligente, ou oportunista, se quisermos avaliar o caso pelo lado mais realista.

Embora desconheça quem decidiu o local para a entrevista a Rui Moreira, a escolha da estação do Metro de Campo 24 de Agosto foi de primeira água, e a entrevista um indiscutível sucesso para o actual edil portuense. E o ambiente foi  promissor. Não conheço quem negociou o quê, sobre a realização do programa, e até admito que para Rui Moreira nesta fase fosse estrategicamente importante conceder a entrevista à RTP 1, porque goste-se ou não, é o canal público e não está condicionado pela cabo.

Além da qualidade da entrevista, Rui Moreira conseguiu duas coisas que não são comuns aos políticos tradicionais da cidade e região: "obrigou" a entrevistadora e os técnicos da RTP a deslocarem-se ao Porto, e depois conseguiu algo que, parecendo irrelevante não é, que foi mudar eventualmente o nome do próprio programa  de Prós e Contras para um feliz Porto Sentido.

Ora, tudo isto parece ter passado ao lado da Direcção do Porto Canal, o que não se compreende, tratando-se do Presidente da Câmara do Porto... Algo se passa no reino do Porto Canal... Aquela *parte da entrevista de Júlio Magalhães em que acusa Rui Moreira de ir a correr para o Correio da Manhã depois de ter sido eleito presidente, é tanto mais estranha quanto sabemos que ele mesmo se esmerou até há bem pouco tempo a escrever para o pior pasquim desportivo  que o país conhece (Record). Se isto não é gato escondido com rabo de fora, o que poderá ser? Não tarda, saberemos a côr do gato.


M&P: Piores?

«JM: Muito piores. Rapidamente se deixam enredar nas teias de poder, esquemas, lobbies. Rapidamente se esquecem de defender as suas regiões. Estou a falar de políticos, empresários, jornalistas. Mesmo os políticos do Porto têm esta tentação de governar para agradar a Lisboa. O mesmo acontece com os empresários. Isto agora tem de mudar. Porque é que Lisboa consegue ter este ascendente sobre o país? Porque tem televisão. Os ministros saem do governo e querem ir para comentadores de TV. E vão todos. A mesma coisa acontece com os autarcas de Lisboa. Não me esqueço que a primeira entrevista que Rui Moreira deu depois de ser eleito foi ao Correio da Manhã e à SIC. Foi para Lisboa a correr dar entrevistas.»


PS-Se é o Porto Canal  que tem concentrado (pelas piores razões) os temas dos meus últimos posts, é porque o optimismo de Júlio Magalhães deve estar algo desenquadrado da realidade. Ou então, serei eu que faço as avaliações mal feitas. 

10 fevereiro, 2014

Gostava de ser formiguinha

Para quem não leu a entrevista de Júlio Magalhães à M & P, poderá lê-la  aqui



Sobre a referida entrevista tenho a comentar o seguinte:

começando pela questão do estigma chamado FCPorto que Júlio Magalhães quer eliminar com receio que o Porto Canal seja considerado um canal do clube. Vamos lá ver se nos entendemos: então o FCPorto já  não adquiriu 97% da parte do capital detido pela Mediapro? Falta, ou não, pagar em 3 anos apenas os restantes 3%, ou ainda não pagou nada? O Jornal de Notícias ter-nos-á informado mal? E se o fez, por que é que não houve um desmentido com a respectiva correcção? Ou, a versão do jornal Económico é que conta? Qual delas é para considerar?

Admitindo que a notícia do JN estava correcta, quem é afinal o detentor da maioria do capital? Não será o FCPorto? E se fôr, porque raio é que não há-de assumi-lo? Por ser um canal generalista? Então, o FCPorto investe num canal de televisão e tem de omitir a sua propriedade? Por quê? Será - como imagino -, por questões estratégicas? Pensará Júlio Magalhães porventura que se explicar muito bem aos mercados que o Porto Canal é um canal generalista e não exclusivamente dedicado ao desporto que os investidores vão ignorar o nome do proprietário (FCPorto) e começar a encharcar com dinheiro os cofres do canal? E o FCPorto vai na conversa? 

A mim, estes "estigmas" fazem-me pensar no pior, isto é, que Júlio Magalhães pode não estar preparado para agarrar o projecto Porto Canal pelos "cornos", e teme entrar em choque com os poderes centralistas e seus representantes. A preocupação de J.M. (e do FCPorto) com os financiamentos, é compreensível, mas seguidista. Na entrevista dada à M&P, além de mostrar disponíbilidade para dar maior atenção ao Norte e ao Porto, Juca não revela como pretende superar a concorrência em criatividade, que era aí que se devia apostar para atrair mais investidores. 

Tenho noção da importância para um canal que precisa de se afirmar das entrevistas com figuras ligadas ao poder político (J.M., entrevistou Passos Coelho, Seguro e outros), mas o patamar de exigência devia passar por figuras credíveis da região, cujo currículo e competências merecessem o benefício da dúvida, e não tanto pelos detentores do poder que as aproveitam só para promover a imagem e a dos respectivos partidos. Passos e Seguro, são mais do mesmo. Nem o Norte nem o país precisam deles. Júlio Magalhães espera o quê desta gente? Ainda por cima, quando Passos Coelho concedeu a entrevista num Hotel de luxo do Porto... Talvez para  mostrar solidariedade com  a coerência e o espírito austero do 1º. Ministro...

Já louvei aqui o que se fez de bom no canal e repito para não gerar polémicas: Pólo Norte, Caminhos da História, Pena Capital, Valter Hugo Mãe,Territórios, Mentes que Brilham, Porto Alive, etc., são programas para manter e melhorar, mas, e aquelas horas imensas sem programação, darão audiências ou afugentam-nas?  E já agora pergunto: se é a falta de financiamento a causa das gravações, será boa estratégia pensar que as audiências dispensam uma palavra, uma explicação?

Júlio Magalhães diz que tem propostas "magníficas" para novos programas "e muita gente de Lisboa conhecida que quer trabalhar aqui" (acredito), mas que não tem dinheiro para lhes pagar...Fala de programas âncora, que precisa deles, não de um Big Brother (porque custa muito dinheiro), mas algo que tenha esse tipo de impacto... É de prever mais do mesmo. Assim sendo, a tentação pela vulgaridade televisiva está à bem à vista, o que é lamentável. É assim, a prostituição intelectual ainda dá dinheiro, e até parece infundir "respeito". Magalhães diz também que (cito) "não tenho nada contra Lisboa, que considera aliás, que as pessoas do Porto e das regiões são as piores", que são "muito piores, que se deixam enredar na teias do poder". Em certa medida acho que tem razão (sobretudo quando aponta o dedo aos políticos, empresários e jornalistas), mas conviria ser mais assertivo e menos categórico. Pergunto: essas pessoas do norte terão nome? Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo, será um desses políticos/comentadores/políticos, do Norte, ou será do Sul? Em que quadro qualitativo o colocaria o J. Magalhães? No dos melhores?  E em que área geográfica?

Só gostava era de ser formiguinha para sondar o que pensará o Juca de gajos do Norte como António Sala e João Malheiro (do Norte) para lhes ter franqueado simpaticamente  as portas do Porto Canal. Gostava de saber também em que patamar de prestígio coloca o Bagão Félix (do Sul) para vir falar a um canal que pretende lutar contra o centralismo. Provavelmente, Bagão Félix converteu-se ao regionalismo e o Juca não nos disse nada.  Mas, será que Juca lhe falou do centralismo?

Não estará o bom do Juca, sem se dar conta, a fazer a mesma figura dos piores homens do Norte? A propósito: o que pensará ele do nortenho e jornalista Carlos Daniel? Pertencerá ele ao grupo restrito dos melhores?

Como gostava de ser formiguinha...  


09 fevereiro, 2014

O Porto Canal tem de ter mais Porto e Norte, e menos preconceitos

Não vejam isto como presunção, mas afinal tenho ou não razão em defender a denúncia contra essas figuras que em todas as áreas andam a semear a discórdia  e (o que é mais grave),  a corrupção? Estão a ver como Pinto da Costa acabou por ir (ontem) ao Jornal da Noite do Porto Canal denunciar publicamente as aberrações e incompetências da Liga e da F.P.Futebol. Eles vão retaliar? Pois que retaliem, mas assim forçá-mo-los a serem mais criativos para nos prejudicarem. Se o ganha-pão deles é a calúnia, então, não lhes deixemos o caminho livre para manipularem preguiçosamente. Obrigue-mo-los a trabalhar e a gastar mais tinta. 

05 fevereiro, 2014

Denuncie-se o que é para denunciar. Quem cala, consente.


Desculpem lá a teimosia, vou-me repetir:    desde miúdo, nunca gostei de fado.  Por intuição, ou por mero gosto musical, a verdade é que ainda hoje dispenso o fado. E não vale a pena tentar promove-lo a património nacional, nem relacioná-lo com o jazz, com o tango, e até (como já li algures) com a música clássica (imaginem), que nada fará mudar a minha opinião. Sim, porque lá para promover o fado (ou o Benfica), a comunicação social centralista não se poupa a esforços.

(Des)honra lhes seja feita, essa garotada que viveu os quase 40 anos desta postiça democracia a promover tudo quando é da capital à custa do resto do país, desviando verbas da União Europeia das regiões mais pobres para a imperial Lisboa, alegando um desenvolvimento paralelo que obviamente nunca veio a comprovar-se, não olha a meios para atingir os  fins. Claro que comigo é pura perda de tempo, sou um bocado duro de convencer.

A nossa "querida" RTP bem se esforça por nos domesticar os gostos e até as convicções, mas nem o "assim se fala em bom português" me convenceu a trair os ensinamentos que os professores me transmitiram desde a escola primária. Por essa altura, ainda havia uma noção correcta sobre a fonte da língua-pátria, agora, parece que é no Brasil... Mas, adiante. O que quero dizer é que, se muitos nortenhos tivessem sabido olhar e respeitar o que é seu, nunca Lisboa se teria dado à liberdade de governar o país como se a capital fosse o país ela própria. E quando digo Lisboa, digo todos aqueles (lisboetas e outros) que representando o Governo (que sempre aí teve sede) nos conduziram à deplorável situação actual. 

Das duas uma, ou eu sou um iluminado (que não sou, de facto), ou há por aí muitos gajos a fazer de nós burros, ou os burros são eles e há quem os tome por inteligentes. Vejam este artigo do JN de hoje (com o qual até estou em sintonia) e leiam o primeiro parágrafo. O autor, admitindo ter sido praxado, refere que não diz o nome de quem o praxou, porque não é bufo. E escreveu isto como se estivesse a praticar um acto de heroísmo...

Se o leitor acompanha regularmente o Renovar o Porto, saberá o que eu penso sobre o tema dos "bufos". Hoje, pretende-se confundir - talvez por conveniência, ou por mal simulada cobardia -, a expressão bufo que se usava depreciativamente quando alguém acusava outro de ser contra os regimes salazaristas e marcelistas. A "confusão" não seria grave se não houvesse o inconveniente de alguns quererem comparar um bufo com um denunciante. Há diferenças e são quase antagónicas. Denunciar é um acto de coragem, e pode até ser a alavanca para acabar com muita irresponsabilidade e atenuar as malfeitorias que florescem pelo país. Bufar é trair alguém supostamente pelas suas opções políticas.

Agora, notem nas consequências espelhadas num caso recente. Refiro-me ao jovem estudante de Chaves que teve de viajar 400 Kms porque no Porto e em Coimbra lhe rejeitaram entrada nas urgências dos hospitais respectivos por falta de vagas. Por que é que a comunidade médica que tanto poder tem e o próprio bastonário, em vez de reagirem à posteriori, permitindo que o rapaz acidentado corresse risco de vida, não bateram o pé ao Governo com veemência responsabilizando-os por quaisquer ocorrências graves que viessem a acontecer por estarem a ser despojados de pessoal de saúde diferenciado? Resultado: agora, o odioso da situação vai recair sobre o Hospital Sto António e sobre o bastonário que não soube denunciar categoricamente o caos que vai nos hospitais. 

Outro caso: . Por que é que a Direcção do Futebol Clube do Porto,  aproveitando o acesso ao contraditório que o Porto Canal (de que é proprietário) faculta, não denunciou, em devido tempo, toda a polémica urdida pela comunicação social centralista com o suposto atraso da equipa portista no último jogo para a Taça da Liga? Por que é que o FCPorto optou pelo silêncio, deixando o monstro crescer, abrindo espaço à calúnia, e quem sabe, a fastidiosos processos jurídicos que podem arrastar-se pelos tribunais com todas as consequências desagradáveis que isso tem? Por quê? É uma ingenuidade pensar que este tipo de calúnias são inofensivas, que a Justiça, tal como está em Portugal, tratará de colocar tudo no seu lugar sem antes deixar um rasto de acusações e de suspeitas. 

Aqui chegado, pergunto: como é possível haver no Porto quem critique Rui Moreira por ter antecipado a denúncia daquilo que aconteceu no passado e que provavelmente ia (ou irá ainda) de novo repetir-se? Se assim não acontecer, óptimo, é sinal que terá valido a pena a denúncia.

PS-Votem no Porto para ser eleito, pela 2ª vez,  o melhor destino europeu em 2014. 

31 janeiro, 2014

O problema do PortoCanal, será o Porto ?

Porto Canal - Homepage
Espero um dia vir a mudar de opinião se a interrogação em título não chegar a confirmar-se, mas receio que o Porto e o Norte poucas vantagens cheguem a tirar do facto de disporem agora de um canal de televisão. Quando digo vantagens, refiro-me naturalmente para a população, e não somente para ao lado económico e financeiro da empresa, que é também um aspecto importante. 

Apesar de bastante decepcionado com o rumo difuso e algo paradoxal que o Porto Canal parece estar a seguir, não cometerei a injustiça de afirmar que tudo o que até agora foi feito é mau. O que digo e repito, é que sou contra a política do engodo de entreter os espectadores com doses maciças de repetições de programas de entretenimento de gosto duvidoso sem haver o cuidado de os informar. 

Já tive oportunidade de elogiar alguns programas de qualidade, seja no âmbito generalista, seja na área do desporto/clube, embora sem nada de verdadeiramente original, diga-se. Joel Cleto e o seu "Caminhos da História", culturalmente falando, é o meu preferido. Segue-se o painel de debate político "Pólo Norte" e a um nível inferior, mas bem humorado, o "Pena Capital". No que concerne o FCPorto, há coisas interessantes, mas é flagrante a falta de um programa de debate sobre assuntos relacionados com o futebol, entre os quais um que denuncie as intermináveis deturpações e arbitrariedades veículadas pelas 3 estações centralistas e os seus múltiplos canais derivados.

Não me interpretem mal, não quero, nem nada que se pareça, uma réplica do lixo que se faz em Lisboa. Nem por sombras. O que gostaria  mesmo, é que o Porto Canal, realizasse um programa que demonstrasse ao país que o que se faz em Lisboa nessa matéria, é isso mesmo : lixo e fanatismo. Pelos vistos, não é essa a "estratégia" da direcção do Porto Canal, é outra, bem mais soft, que passa por ignorar e permitir a proliferação do veneno difundido pela comunicação social centralista e deixar que ele se instale na opinião pública sem qualquer tipo de desmentido, talvez na vã esperança que o Portugal profundo compreenda o sentido de tamanha permissividade. Pura ilusão. Por mais que a direcção do Canal (e do FCPorto) procure ignorar as ofensivas centralistas, não se livram de deixar no ar - e na cabeça de muita gente - a ideia de que se cala, é porque consente, com a agravante de manter acesa a convicção que o Processo Apito Dourado até valeu a pena e que Pinto da Costa terá sido "mal" absolvido... Infelizmente, os portugueses ainda não atingiram um patamar de maturidade cívica suficientemente evoluído para não se deixarem influenciar pelo mau jornalismo. Se assim não fosse, o nosso país não seria seguramente um dos países mais atrasado da Europa, nem teria desperdiçado o 25 de Abril com governantes sem escrúpulos nem competência.

Mas o paradoxo desta "estratégia" vai mais mais além. A direcção do Porto Canal parece apostada em defender o Norte imitando Cristo, dando a outra face ao estalo depois de andar a ser esbofeteado todos estes anos de centralismo feroz. Persiste em chamar a si, a escancarar as portas, a gente da capital que se fartou de denegrir a imagem do FCPorto, do seu Presidente e da própria cidade (João Malheiro, António Sala, a "feiticeira" Maya, Carlos Barbosa e todo um rol imenso de gente insignificante que o Norte está cansado de conhecer por força da imposição monopolista do centralismo.

Já me perguntei o que terá levado a direcção do Porto Canal a pensar que estas pessoas fazem falta ao Norte, ou o que delas esperará para ajudar os nortenhos a livrarem-se da chaga neocolonialista lisboeta, a sua terra... Pensar que essa gente é alheia ao fenómeno centralista é passar um atestado de imbecilidade aos nortenhos e a si próprios. E não venham com a história estafada do bairrismo, que somos todos portugueses, etc., porque esse é o argumento dos centralistas. É que se nós somos bairristas, os lisboetas são monopolistas, e se nós somos portugueses os lisboetas ignoram-no, pois nunca os vi preocuparem-se com a discriminação que vem sendo feita ao Norte do país (a região mais pobre da Península Ibérica). Aliás, pergunto: que pensará Pinto da Costa sobre este assunto? Será que ele estará a perceber bem o rumo que o canal está a levar? Será que ele vê mesmo o Porto Canal e é cúmplice desta aberrante estratégia? Se vê e  gosta, então já não sei o que pensar e que explicação encontrar para tão estranho fenómeno. A não ser que de repente um forte surto de sado-masoquismo tenha assolado a nossa região, e se calhar até eu fui contaminado, e ainda não dei por isso...

PS-Nem de propósito. No momento em que acabei de publicar este post, soube que, mais uma vez, o Norte foi prejudicado nos fundos do novo Quadro de Apoio, e que Lisboa, a região mais beneficiada do país, vai receber mais dinheiro. É assim. Eles perderam-nos o respeito. Agora, digam que Rui Moreira não tinha razão de desconfiar...  
  

30 janeiro, 2014

E eu, também dou o benefício da dúvida, porque...

...se os partidos políticos não sabem cuidar dos interesses regionais, nem dar apoio aos respectivos candidatos ÀS câmaras*, então que aguentem com os efeitos colaterais,  que desamparem a loja, e deixem trabalhar os outros. não fizeram nada de jeito durante décadas e agora exigem que tudo seja feito em 100 dias. Só MESMO de carreiristas.

* ( QUE O DIGAM ELISA FERREIRA  E GUILHERME  PINTO DO PS, E  LUIS F.MENEZES DO PSD ]


100 DIAS: JORNALISTAS DÃO O BENEFÍCIO DA DÚVIDA AO ‘ESTREANTE’ RUI MOREIRA

Para o director-adjunto da agência Lusa Ricardo Jorge Pinto, num “balanço inicial, Rui Moreira sai muito bem na fotografia”. O independente e ex-presidente da Associação Comercial do Porto beneficiou de “visibilidade mediática fora de fronteiras” e beneficia do facto de o compararem com o seu antecessor.
Daniel Deusdado diz que “Rui Moreira conseguiu uma coisa tremendamente importante: criar uma maioria na Câmara que lhe permita gastar o tempo no que tem de ser feito e não em como conseguir fazer acordos para passar meia dúzia de coisas nas votações”. Mas, na opinião o director-geral e sócio da produtora de conteúdos Farol de Ideias, ainda é cedo para uma avaliação rigorosa.
“Os primeiros 100 dias são um período de instalação, sobretudo para um presidente que nunca desempenhou funções autárquicas e terá de aprender todos os trâmites administrativos que obrigam a uma enorme dilação entre o tempo de querer e o tempo de fazer”, refere Daniel Deusdado. “Talvez ao fim de um ano possa haver já factos mais concretos para avaliar a sua acção em concreto”, sublinha o jornalista.
Ricardo Jorge Pinto é da opinião de que “os primeiros 100 dias dificilmente poderiam desapontar”. Quanto mais não seja porque Rui Moreira, diz o jornalista da Lusa, “teve sempre o cuidado de não colocar muitas expectativas sobre o seu mandato na Câmara do Porto”.
O jornalista acredita que a vitória de Moreira se deveu precisamente “a essa postura e posicionamento político” e diz que o independente conta “com um factor que vem nos livros de estratégia política: o estado de graça do início dos mandatos”.
“Com boas entrevistas em jornais internacionais de referência”, o indepentente Rui Moreira “ajustou-se perfeitamente à imagem de um autarca elucidado, ilustrado e desempoeirado numa cidade que tem beneficiado com as linhas aéreas low cost para ganhar cosmopolitismo”, refere Ricardo Jorge Pinto numa resposta escrita enviada ao P24.
“As suas declarações são precisas, as ideias são claras e o registo é conciso: tudo ingredientes para passar uma boa mensagem”, sublinha o director-adjunto da Lusa.
Quando comparado com Rui Rio “não é difícil [Rui Moreira] sair-se bem”, diz Ricardo Jorge Pinto. “Rui Rio era cinzento, austero, encolhido, tacanho, rígido e ríspido. Rui Moreira chegou à presidência da Câmara do Porto apesar do apoio de Rio. E tem sabido distanciar-se dele, para não se deixa contaminar”.
Daniel Deusdado destaca como ponto positivo “a tentativa de reclamar um papel para o Porto no contexto nacional – à semelhança do que sucede com a Câmara de Lisboa”. “É uma boa estratégia, embora tenha demasiados rivais a Norte, prontos a fragilizá-lo sem que consigam por isso melhores resultados”, comenta o director-geral da Farol de Ideias.
Para Ricardo Jorge Pinto, “Rui Moreira ainda procura o seu estilo”, “algures entre a sua afirmação pessoal e a afirmação da cidade e da região”, mas o autarca “parece perceber que este momento inicial de mandato é a melhor altura para assumir riscos”.
“A forma como tratou as ameaças de esvaziamento da RTP Porto pode não ter sido a mais feliz” e “a maneira como está a insistir na sua preocupação com a distribuição de dinheiros do QREN pode ser arriscada”, mas Rui Moreira faz bem em correr riscos, entende o director-ajdunto da Lusa.
Moreira resiste “à tentação de dizer ‘Já estava assim quando cá cheguei’, como uma criança ao lado de um vaso partido”, saúda Jorge Pinto.
(do jornal Porto24)

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29 janeiro, 2014

É assim que reagem os partidos...

E José Luís Carneiro disse:
“Um assunto tão relevante como é o de trazer para Portugal 22 mil milhões de euros não deve ser objecto deste tipo de tratamento na praça pública. A CCDR-N [Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte] e o Conselho Regional são os órgãos onde estes assuntos devem ser tratados”, defendeu o líder da Federação socialista do Porto.
José Luís Carneiro comentava, por comunicado, a tomada de posição feita na terça-feira pela Câmara do Porto sobre candidaturas e prazos a fundos comunitários.

Nota de RoP:
A avaliar pelas reacções dos partidos, quer do PSD/CDS, quer do PS/PCP, Rui Moreira começa a "incomodar", o que pode ser bom sinal... As declarações do Presidente da Distrital do PS Porto, assim como as proferidas por alguns membros da coligação, são tão destituídas de fundamentação que tresandam a uma de duas coisas: dôr de cotovelo, ou medo de perda de protagonismo. Ou, as duas coisas juntas.
Sinceramente, não sei o que se estará a passar dentro da Câmara do Porto, o que sei é que numa altura em que finalmente temos alguém que começa a agitar as "águas" e a bater o pé ao poder central [e com sobejas razões], aqui d'el Rei que não é assim que se faz, que não é na praça pública que se tratam estes assuntos, e blá-blá-blá.  Este é o discurso dos acomodados. Ainda há pouco tempo Emídio Gomes, Presidente da CCDR-Norte, meteu a viola no saco, isto é, calou, não teve qualquer reacção, face à humilhação da não comparência  de membros do Governo numa reunião onde se prendia informá-los sobre os destinos de fundos europeus. Ora, não é de líderes com este perfil que o Norte precisa, por mais competentes que sejam. Estou de acordo com a estratégia de Rui Moreira.  Quem não chora (e com motivos para tal), não mama. De resto, basta olhar para o desprezo como os gajos do Governo tratam o Norte. Aliás, está bem patente no modo como reagiram às palavras de Rui Moreira.

O certo é que até aqui, todos se queixavam de falta de liderança, mas de repente surge Rui Moreira e parece que ninguém a quer. Preferem fazer tudo às escondidas, e nesse aspecto, PSD, CDS e PS estão curiosamente em sintonia...Por que será? Que grandes nortenhos são estes meninos!  Dividir, é com eles. Para reinar, porventura.
Será este o preço a pagar das candidaturas "independentes"? Será possível governar uma Câmara com tanto rato de esgoto? Ainda dizem que não há democracia sem os partidos? Se é para fazerem o que têm feito, se calhar é melhor procurar outras alternativas.
Aguardemos os próximos capítulos, e o que terá a dizer Daniel Bessa da sua auto-demissão.

O escaravelho da crise moral


A crise económica - e, por arrasto, a social - está a remeter uma porção substancial de portugueses para um gueto de pobreza.

Floresce entretanto a crise de valores, e não apenas patente nas patetices do momento - o efeito manada das imbecilidades das praxes e o esmagamento das audiências televisivas pelo maior telelixo alguma vez emitido em Portugal - o "Casa dos segredos, desafio final 2", maná de audiências para a TVI sedimentado na falta de escrúpulos e graças ao mais reles grupo de analfabetos alguma vez junto na pantalha, para gáudio de uma legião de fãs da ordinarice e paizinhos ululantes de orgulho por terem dado à luz descendentes tão mal-educados. Sim, vale a pena assistir a tanta ordinarice por metro quadrado para se ter consciência de como não se deve ser.

Sem reticências: a crise moral está para as relações humanas no país como a doença do escaravelho para as palmeiras: alastra, corrói e tem tudo para matar, pelo menos a esperança de um melhor futuro.
Os comportamentos nas praxes ou no reality show são paradigmáticos de um dia a dia feito, na rua de cada um de nós, de exemplos flagrantes da mais abominável falta de respeito pelo ser humano. São casos comezinhos, sim, mas preocupantes.

Três exemplos vivenciados, todos no âmbito do mercado de trabalho. Todos, curiosamente, na área da restauração, essa mesmo, a da choraminguice pelos efeitos do IVA a 23%.

1. Uma das muitas chafaricas feitas cafés no país. Entrada e saída permanente de esforçados feitos funcionários. Movimento principal à hora do almoço. Cliente assíduo pergunta ao dono do tasco se é eficiente o mais recente jeitoso que tenta equilibrar a bandeja. O homem diz que sim. E quanto ganha? Resposta na ponta da língua, com o ar mais normal do Mundo: tem direito a almoço! (Três dias depois, nem vê-lo. Claro.)

2. Restaurante afamado, construído na base de uma gerência muito relações públicas e funcionários simpáticos - cada vez mais gentis para tentarem receber o ordenado mínimo. Têm vários meses de salários em atraso. Comem e calam. O patrão, esse, feito empreendedor, rodeia-se de amigos, faz festas no espaço, usa os serviçais a seu bel-prazer e estes, num momento de juízo perfeito, acabam por bater com a porta. Cansados. No bolso levam créditos para receber nas calendas gregas. Trocados são por outros condenados ao ciclo vicioso.

3. Dois funcionários e um casal explorador de restaurante especializado num certo prato. Qualidade indiscutível. O cliente degusta os produtos e na hora de pagar a conta assume-se a patroa; à distância e nas costas da dita-cuja, o empregado faz um sinal de longe, adivinhando-se o "não, não, não". Não, o quê? Desfaz--se entre dentes o enigma enquanto a senhora vai fazer o troco das duas notas de 20 euros: "Não deixe ficar gorjeta! Não é para mim. A tipa fica com ela, embora não me pague o ordenado a horas". Está dito. E cumprido.

Aqui chegados, impõe-se aclarar: os casos são da área da restauração, mas podem ser replicados sem dificuldades para outros setores de atividade. Há excelentes empresários de todos os ramos, não se duvide; mas não faltam candidatos a imitadores da exploração ao jeito do Bangladesh.

A crise resulta num esfarelamento sequencial da sociedade, abrindo leque ao debate sobre os efeitos do desemprego e a qualidade dos novos - e poucos - postos de trabalho em criação.
Para onde vamos?

Amanhã, o Governo reúne-se com os parceiros sociais para debater - fórmula eufemística de apresentar decisões tomadas - seis pontos passíveis de elencar razões para o despedimento.

Assim vai o país

Nota de RoP:
Esta crónica saiu ontem. Apesar disso, dada a pertinência do tema (para mim, é pertinente), decidi publicá-lo hoje. Pena é que no grupo a que pertence o JN haja quem se esqueça das páginas com publicidade à prostituição, e das edições do jornal O JOGO consoante a região e a "côr clubista" dos leitores, quando na capital do império nem sequer se preocupam com o assunto. Batem em tudo o que mexe, sobretudo no FCPorto.

É preciso olhar bem para o que nos rodeia antes de escrevermos certas coisas...


28 janeiro, 2014

Não votaria em nenhum


Por mais auto-crítico que seja, não há meio de me convencer que sou um gajo esquisito só porque não quero nenhum destes cavalheiros elevados ao status de Presidente da República. 

Apesar de não ir à bola de Rui Rio nem um bocadinho, e de ainda não estar convencido da solidez da sua integridade, diria que o menos mau destes 4 mosqueteiros, seria ele, mas mesmo assim, não votaria em nenhum. O certo é que Cavaco também não é grande coisa e conseguiu lá chegar... Em Portugal  o grau de exigência é baixo e espelha bem o país que somos.

Haverá porventura alguém com perfil para o cargo, neste momento?

Que sorte a nossa!