08 abril, 2014

O sobe e desce da pobreza e do crime

Tivemos no espaço de poucos dias a divulgação de dados estatísticos oficiais sobre a pobreza e a criminalidade em Portugal. Embora se trate de dados independentes entre si, é curioso terem vindo a público em dias tão próximos.

É que se referem a fenómenos sociais que andam juntos desde há muito no pensamento elementar do senso comum: os ambientes da pobreza seriam caldo de cultura delinquencial, facto que a própria ciência validou enquanto concentrou o seu olhar nos aglomerados do operariado que era necessário vigiar e conter.
A prototeoria do senso comum dá como certo que o natural é que os pobres roubem os ricos, o que é de muito mais fácil compreensão espontânea do que teorias que procuram evidenciar o modo como os ricos roubam os pobres. Daí a dificuldade para julgarmos seriamente a corrupção, daí a pouca sensibilidade para considerarmos como crimes certas atividades secretistas de indivíduos das elites que, objetivamente, nos roubam a todos, como tem sido notório desde que a crise financeira mundial de 2008 desatou a descobrir carecas. Podíamos dizer que estamos neste caso perante roubos indiretos, ocultando deste modo a evidência tanto de quem é o ladrão como de quem é a vítima. E o problema é que o senso comum só classifica como crime aquele que é direto e permite suspeitar do infrator e identificar a vítima.
O tipo de criminalidade que mais preocupa o cidadão comum e as autoridades, a que é classificada como grave e violenta, diz o relatório de segurança interna ter diminuído quase 10% em relação ao ano anterior (compara 2013 com 2012).
Não dou grande atenção a este ritual anual de divulgação das estatísticas da criminalidade. As razões são fundamentalmente duas: baseiam-se no crime registado pelas polícias, o que é apenas uma parte daquele que ocorre, estando certos tipos de crime hiper-representados e outros quase invisibilizados em função da pouca frequência das denúncias; comparar fenómenos multifatoriais e multideterminados como o crime de um ano para o seguinte não tem, salvo exceções, significado – não regista tendências, mas flutuações.
Feita a advertência, especulemos sobre as possíveis razões desta diminuição:
1. Os delinquentes, tal como o resto dos cidadãos, andam acabrunhados com o que se tem abatido sobre o país e, tomados de afetos depressivos, produzem menos.
2. Tal como advertiu há poucas semanas Belmiro de Azevedo, estamos longe dos padrões de produtividade dos alemães, o que provavelmente é transversal a todos os setores de atividade. Por que havia o empreendimento criminal de fugir à regra?
3. Tem saído muita gente para o estrangeiro à procura do trabalho que não há cá. Um efeito provável do êxodo migratório é o dos nossos delinquentes estarem a rumar a outras paragens onde o horizonte do delito seja mais risonho, também eles vítimas do tão pouco que começa a haver para roubar num país que anda a ser roubado há vários anos a pretexto duma crise.
4. Vêm agora menos imigrantes dos países que os alarmistas das invasões por extraterrestres diziam serem os responsáveis pelo aumento e, sobretudo, pela gravidade da criminalidade: romenos, brasileiros, criminosos de alto coturno sobrantes do desmantelamento militar do antigo bloco soviético, gangs multinacionais do tráfico de mão de obra, etc.
A criminalidade tem o mesmo problema de outros fenómenos sociais sobre os quais todos expedimos certezas: está sujeita ao preconceito no lugar da explicação, ao devaneio mascarado de causa, ao delírio disfarçado de teoria. É um bom terreno para se brilhar no ecrã televisivo a dizer uma torrente de banalidades temperada com uns termos técnicos para convencer a audiência.
Ora, um dos mitos que continua a fazer carreira é o da ligação causal direta entre pobreza e cometimento de crime. Trata-se duma falsa relação que é fácil de demonstrar através de inúmeros exemplos. Pois bem, a nossa realidade recente é só mais um deles. Com o que o INE acaba de revelar sobre o aumento da pobreza em Portugal ficámos, por exemplo, a saber esta coisa espantosa: se não fossem as transferências do Estado em subsídio de desemprego, abono de família, pensões de sobrevivência e outras prestações sociais, 46% dos portugueses estariam abaixo do limiar de pobreza. Deveríamos, segundo as pseudoteorias da relação pobreza-criminalidade, ter então feito aumentar esta ao subir aquela. Passou-se, ao que dizem os números, exatamente o contrário.
Não queria terminar estas reflexões sem uma justa homenagem ao governo. Tem o executivo de Passos Coelho revelado grande rasgo visionário desde que tomou posse. Ora, também no campo aqui em análise estão na linha da frente: sabem que a relação pobreza-criminalidade não só não é direta, como é precisamente o contrário: é inversa. O empobrecimento a que votaram a maioria dos portugueses, o modo como atingiram ainda mais os que eram já pobres, tem afinal dois propósitos. O primeiro é voltar a colocar Portugal como destino barato para turistas, para investidores, para especuladores, para vistos gold; o outro é baixar decisivamente as taxas de criminalidade, que não paravam de crescer desde os anos 80 do século XX…
Luís Fernandes 
(Fonte: Porto24)

06 abril, 2014

RTP 2 , o canivete suiço



Proclamou-se já, e tem sido aqui e ali a TV dos portugueses. Contudo, nos últimos tempos a RTP tem navegado por águas turbulentas, fruto de uma tutela política que não conseguiu ainda estabilizar um modelo para o operador público que combine qualidade, diversidade e inovação. Diz-se que as grandes marcas valem pela sua capacidade de se reinventar, pelo que o anúncio feito, esta sexta-feira, de concentrar a RTP2 no Centro de Produção do Norte traz a esperança da (re)afirmação de um projeto vital para o espaço público nacional.

Perspetivado a partir do Norte, o tema RTP apresenta-se quase sempre contaminado pela dimensão regionalista. Esta é a região que viu muito do seu valor partir em direção à capital, num movimento comandado por forças centrípetas que tudo têm sugado ao longo dos anos. No caso do Centro de Produção do Porto, vários foram os cenários que pairaram sobre si, desde o fecho até à instalação aí da RTP Internacional, todos eles sugerindo uma certa perda de estatuto para a região.

Aquilo que foi agora decidido pela Administração da RTP, e devidamente validado pelo ministro da tutela, configura uma inversão da ameaça recessiva e centralista. Em boa hora! Ao invés de se desvalorizar uma marca de grande notoriedade e acantonar a estação pública em Lisboa, mais distante do país, regressa-se ao espírito e à letra do contrato de serviço público, designadamente no que se refere à cobertura mediática do território e à diversidade da opinião.

O Porto e o Norte terão todo um canal nacional, emitido em sinal aberto. Nas palavras do presidente da RTP Alberto da Ponte, corroboradas pelo ministro Poiares Maduro, trata-se de um centro de massa crítica, algo que integra poder de decisão e operacionalização ao nível da grelha de programação, da produção e da emissão. Com a latitude própria de uma grelha completa, que se pode desenvolver nas dimensões informação e entretenimento e explorar variantes no documentário, na cultura, no cinema, no desporto e na programação infantil. Todo um canivete suíço ao dispor da inteligência regional.

Mas a questão central é o que querem o Porto e o Norte fazer com este canivete suíço. Desde logo, não se pode jamais cair na tentação de construir aí um canal regional, integrando atores regionais a opinar sobre os assuntos regionais, pois isso seria replicar ao nível do território a estrutura circular da informação que encurrala o país numa apertada agenda de temas e de protagonistas. O Porto e o Norte podem e devem assumir a sua dimensão nacional sem complexos, procurando conceitos, formatos, conteúdos, atores, factos, eventos e opinião que relevem para o país e para o Mundo. A este propósito, foi já destapada a ponta do véu relativamente ao Jornal 2 que irá para o ar às 21 horas a partir de amanhã e que promete assumir um formato inovador.

Ter uma RTP2 ancorada no Porto é viabilizar e dar escala a uma nova centralidade. Pensamento, reflexão, opinião e debate a partir de uma geografia alternativa à capital. Alternativa não no sentido antagonista, mas no sentido complementar, reforçando a diversidade do mosaico que constitui o espaço público português.

Como até o melhor canivete suíço precisa de matéria-prima para afirmar a sua utilidade, o canal dois duplica o investimento, passando de quatro para oito milhões. Cumpre-se assim um dos requisitos para uma grelha de programação vencedora. O outro é o tempo. A perseverança, em forma de continuidade de formatos e conteúdos, pode ser a chave do sucesso. Se assim for, então a aposta é para valer.

Ninguém fica feliz com impostos ou taxas. Mas se o aumento da contribuição audiovisual libertou, como se diz, recursos para reforçar o cumprimento do serviço público por parte da estação do Estado, então dou por bem empregue os cêntimos extra que pago mensalmente. A RTP2 a norte é investimento num país mais plural. Portugal fica mais coeso e mais diversificado.

(do JN)

Nota de RoP:
o sublinhado é meu.  Desta vez, não significa concordância com o que lá vem escrito, mas sim alguma desconfiança pela ambiguidade do texto. Se uma "nova centralidade de pensamento, reflexão, opinião e debate" a Norte vale apenas como alternativa complementar, e os protagonistas não devem ser "actores regionais" a "opinar assuntos regionais", pergunto: que tipo de actores recomendará o autor do artigo para a RTP2? E se não devem ser regionalistas, como terão de ser? Centralistas? 

E, já agora, quem sai e entra da RTP?  O Carlos Daniel, é para ficar e com as mesmas funções? Os funcionários e directores são todos para manter, ou são recicláveis?  Isto também devia preocupar o autor, mas  não parece...

01 abril, 2014

O Carlinhos das mil caras vive à nossa custa

Carlinhos..."o independente da treta"
"Quem não te conhecer que te compre", diz a voz do povo. Foi sem dúvida inspirada no ditado popular, sem demagogia, e com o rigor que perfila os grandes decisores, que a administração da RTP um dia decidiu promover este humanóide de Paredes a director-adjunto. Sim, porque em Portugal, tal como acontece quando escolhemos o governo, ao controle das empresas públicas  só é permitido chegar mãos de gente com  elevado sentido ético, e de integridade blindada, como é o caso da "pessoa" em apreço.  Na RTP não se brinca em serviço, e só chegam ao tôpo da pirâmide os melhores, os mais inteligentes, os mais autenticos, os mais cultos, os mais honestos, os mais ratos, os menos hipócritas... 

Carlos Daniel é um incompreendido, nas hostes portistas que dele pensam o piorio, uma fraude, mas é um grande homem, um líder na plenitude do termo.

É benfiquista, mas não se pense que não o assume por cobardia, nada disso, ele até é um guerreiro. Não diz que é benfiquista, porque: "Gosta que as pessoas apreciem o seu trabalho sem a tentação de quererem ler ou ouvir o que ele diz à luz do clube". Perceberam, amigos? Que profundidade de mioleira! Eu não tinha dito que ele era inteligente! Ah, mas o rapaz é muito dotado, sabiam? Faz pudins deliciosos, tem amigos, gosta de cantar, do benf...utebol. E sabem que mais? Tem horror a pessoas boazinhas? O que é que ele quererá dizer? As pessoas boas agora passaram a ser más (ou mázinhas), ou  afinal ele gosta é de pessoas más? Em que ficamos? Será a má consciência a toldar-lhe os miolos, ou quer é armar-se em bom? Ou pensará ele que por andar sempre de sobrolho carregado, com cara de mau, tal lhe compra a honradez?

Agora mais a sério. Gajos como este, a quem entregam levianamente alguma forma de poder, como é o da comunicação social, são um cancro para qualquer sociedade, uma fonte de revolta. Quem teve o cuidado e a paciência de acompanhar o seu trabalho enquanto moderador e comentador desportivo, não pôde ter dúvidas sobre a sua qualidade de profissional e inevitavelmente, enquanto pessoa. É o espelho da geração pimba, onde vale tudo, excepto a rectidão, para subir na vida. E, cúmulo dos cúmulos, é com o dinheiro de todos nós que sobrevive.

Sobre algumas das "filosóficas" declarações do artista acima reproduzidas, podem se quiserem, confirmá-las aqui. Já não são novas, aliás.

PS-Ele diz na entrevista que gostava de trabalhar na SIC, e eu digo, vai, vai depressa para Lisboa, e fica por lá até morreres,de preferencia. Já há nortenhos a mais como este a infestar o norte de moirama. Vai e leva a família contigo.

31 março, 2014

FCPorto, e Porto Canal, no clube dos sado-masoquistas?



De tão enojado com a regressão da politica global da actualidade, onde Portugal teima orgulhosamente em manter-se em lugar destacado, já não tenho muita vontade de falar de política (pelo menos, hoje). Preferia agir sobre os responsáveis directos, com a assertividade e a dureza que a situação exige, mas como isso não depende de mim, então terei de optar por me focar em temáticas mais domésticas, não menos relevantes: o FCPorto e a época  horribilis, 2013/2014. 

Calma. Não se apressem a adiantar o que estou farto de saber, futilidades como "não podemos ganhar sempre", "estamos mal habituados", "ainda estamos na luta por três troféus" (Taça de Portugal, da Liga, e Liga Europa), e coisas do género, porque o assunto é bem mais grave do que parece.

Comecemos pelo actual treinador. Luís Castro, apesar de lançado às feras, está a fazer um trabalho notável, face às condições em que recebeu o plantel e ao tempo que (não) teve para o preparar à sua maneira, técnica e psicologicamente. Com jogadores destreinados, descaracterizados e psicologicamente desmoralizados pela incompetência de um bom homem (Paulo Fonseca), mas um treinador sem perfil para orientar uma equipa como o FCPorto, era impossível fazer melhor. Paulo Fonseca, foi dispensado, tarde e a más horas, por uma Direcção atípica e este ano invulgarmente facilitista. Diria mesmo, que em determinados aspectos, uma Direcção aparentemente alheada de responsabilidades próprias, como é a administração do Porto Canal.. 

Explicando melhor. Pinto da Costa, o special one dos dirigentes de clubes do futebol mundial, comparavelmente mais vencedor de troféus que José Mourinho na função de treinador (os anti-portistas convivem mal com esta poderosa realidade, mas é mesmo assim), teve  momentos menos bons no seu percurso de sucesso, mas nessas ocasiões também teve sempre a noção da importância da proximidade com os adeptos e de lhes falar  para lhes restaurar a confiança, que no FCPoto quer (ou queria) dizer, o regresso às victórias. Não só o fazia regularmente, como sabia escolher o momento certo para o fazer, coisa que nos últimos tempos não tem acontecido.

Grande parte dos portistas sempre compreendeu a necessidade de a Direcção manter alguma contenção nas grandes decisões, tanto em termos de contratações de jogadores e treinadores, como na própria comunicação, porque tinha consciência que, com os media que temos, sectária e patologicamente dominada pelo centralismo, nos seria prejudicial uma postura mais franca e aberta. Mas, actualmente, isso já não faz qualquer sentido, porque o FCPorto tem hoje sob a sua responsabilidade e à disposição, um canal de televisão do qual pode servir-se para contrapor à massificação das campanhas anti-FCPorto dos canais de Lisboa expandidas pelos tradicionais servidores (internos e externos). 

Ontem, por exemplo, enquanto os canais centralistas deliravam e gozavam em uníssono com a derrota do FCPorto na Madeira para achincalhar o clube, cavalgando com a ligeireza do costume, sobre a "verdade desportiva" de um golo limpo roubado a Jackson Martinez, e de outro em fora de jogo do adversário, os portistas viram-se de novo privados de um canal onde fosse reposta a verdade, porque o Porto Canal limitou-se a apresentar um curto e insípido comentário ( José Fernando Rio) para constestar uma escandaleira das antigas, como foi a arbitragem de ontem. Deste modo indigente e passivo, o FCPorto não só abdicou da oportunidade de aproveitar o facto de ser proprietário de uma estação de tv para defender o clube e a própria cidade, como mostrou não saber como o  rentabilizar. 

Apesar de a maioria dos adeptos portistas não se rever no conteúdo e na forma de defender o FCPorto dos comentadores portistas que participam em programas desportivos pelo facto de serem demasiado permissivos quando respondem às perguntas ardilosas que lhes colocam de forma altamente sectária e desonesta, alguns, mesmo contrariados, acabam por assistir a esses deploráveis espectáculos de diabolização do clube porque o canal do FCPorto nada faz para o combater, nem tão pouco para chamar a si audiências garantidas com a comunidade de portistas indignados com o lixo que a comunicação social centralista desrespeitosamente lhes impinge. Mas não, a direcção do Porto Canal, pensa que pode subir audiências com programas pré-gravados e mil vezes transmitidos, e rejeita dar voz ao contraditório e em directo com uma programação que lhes podia garantir subidas de audiências significativas. Mas, dará para compreender esta imitação pífia de estratégia? Eu francamente não entendo, nem penso que se trate de estratégia. Chamar-lhe-ia antes desleixo. Incompreensível é certo, mas só pode ser desleixo.

Se o sadismo centralista repugna e não surpreende, o sado-masoquismo do FCPorto e do Porto Canal espanta-nos e deixa no ar todo o tipo de suspeitas. Como custa a acreditar que Pinto da Costa tenha perdido subitamente as suas faculdades de bom observador, só podemos aceitar como válida a tese da "distracção" face ao que se está a passar no Porto Canal em termos de programação...  Se Pinto da Costa sabe e consente esta programação amadora que o Porto Canal está a seguir, então ainda piora o diagnóstico.

Por estas razões que não são propriamente recentes, considero  a temporada cinzentona do FCPorto, mais do que um acidente de percurso, um sintoma de uma doença que pode vir a tornar-se longa, caso este acumular de incidências negativas se matenha e uma vergonha para os todos os nortenhos e muito particularmente para os portuenses e portistas.

Então, será caso para pensarmos que um novo ciclo terá de se abrir e, talvez com novos protagonistas. Assim, é que não pode continuar.

PS 1-Começo a ficar farto de falar do Porto Canal. Se insisto no tema, é porque gosto da cidade do Porto e do FCPorto, mas como as instituições não são compostas por pedras e sim por pessoas e se esssas, a começar pelas que têm maiores responsabilidades, parecem estar a borrifar-se para os interesses da cidade e do clube, então não auguro grande futuro à aposta do FCPorto de adquirir um canal de televisão.

PS 2-Folgo em saber que hoje no programa 45 minutos à Porto, do Porto Canal, Bernardino Barros tenha enfatizado eloquentemente as poucas vergonhas ocorridas com a arbitragem do jogo com o Nacional da Madeira e os comentários inenarráveis de escrevinhadores "desportivos" e de jornalistas das televisões centralistas. Esperemos que a partir de agora não permitam que nas televisões nacionais se oiça uma única voz  e num único sentido.


28 março, 2014

Polémicas em torno de uma fábrica em ruínas

Imagem de perfil de Luís Fernandes
LUIS FERNANDES

Guardo uma especial memória do PT, como é conhecido na zona: entre 1992 e 1993 residi numa das suas casas. O alojamento não me foi atribuído pela câmara do Porto – foi-me sugerido pela vontade de estudar o universo social dos chamados “bairros problemáticos”, focando-me então nos que tinham na época uma conotação com o fenómeno droga. O PT era já na altura um bairro que sofria com essa etiqueta que gera os efeitos contrários de atrair o olhar mediático e afastar o cidadão comum.
As fábricas que agora começam a ser demolidas estavam ainda em laboração. Uma delas, conhecida na gíria local pela fábrica das botijas, lançava sobre os ares em dias de neblinas noturnas e nenhum vento um leve cheiro a gás – como que se o bairro estivesse votado a um destino químico, oscilando entre os fumos opiáceos e a nuvem de butano… Aprendi nos dias e noites que por ali passei – no PT mas também nos vizinhos bairros de Lordelo e da Pasteleira – que os bairros vistos de perto são sítios como qualquer sítio, onde vive gente comum. E dei até comigo a ter uma experiência nova do ambiente urbano: lugares fora da pressa da cidade dominante, com uma sonoridade mais humana e menos maquínica posto que menos atravessados pelo tráfego rodoviário, onde os cães andam pela rua e os vizinhos falam de janela para janela. Aldeias dentro da cidade, diz-se muitas vezes. Prefiro dizer lugares onde a cidade se interrompe. São cidade, mas produzindo um habitat que rompe com a experiência urbana dominante pelas sensorialidades que acabei de descrever, pela vida de rua, pelo interconhecimento.
Vão agora abaixo as fábricas. A polémica é um desporto nacional, desce em alegre cascata desde a alta política ao café da esquina – e por vezes a qualidade dos argumentos é do mesmo calibre. Que se diz agora sobre o facto em análise? Uns dizem que as fábricas vêm varridas na onda demolicionista que marcou a gestão de Rui Rio e que abateu os blocos do S. João de Deus e duas (para já) torres do Aleixo – como se desarticular o habitat de vários milhares de pessoas fosse da mesma ordem de fazer desaparecer unidades industriais em ruínas; outros dizem que se tira dali um foco de lixo; outros ainda que se tira um foco de “drogados” – o que para alguns, outros, é praticamente a mesma coisa…
Deviam ou não vir abaixo estas unidades fabris mortas? Se não houvesse pessoas que delas fazem o seu abrigo a questão nem se punha. Portanto a questão é outra: devia ou não haver gente que tem como alojamento uma fábrica fantasma? Devia ou não haver gente que passa despercebida, que sofre de invisibilidade e que não conta para coisa nenhuma em pleno coração duma cidade civilizada? Gente que só se nota que existe no dia em que a autarquia decide eliminar da paisagem uma ruína?
As fábricas teriam um dia de vir abaixo, reabilitando-se aqueles terrenos. As cidades são assim, transformam-se permanentemente. A operação tem de ser feita, isso sim, no respeito por quem ali está. Para isso temos instituições, para isso vivemos num Estado de direito, que ainda mantém uma componente, cada vez mais mirrada é certo, de Estado social. O que está em causa neste momento é a oportunidade para repensar duas coisas:
1. Como podemos prevenir que haja gente que acabe a viver ou a deambular toda a jornada em sítios como estes? Não basta dizer “Mas eram drogados!”, como se isso fornecesse uma explicação para o chegar-se a uma situação-limite. As pessoas chegam a situações-limite na sociedade em que todos vivemos – e não num algures abstrato com o qual nada temos a ver – vítimas de condições de desigualdade e dum acumulo de fragilidades que em devido tempo não tiveram quem ajudasse a reparar.
Os “drogados” das fábricas em ruínas fazem-se da nossa distração, crescem com o nosso alheamento. E isto é transversal, desde o cidadão que anda entretido com os seus pequenos problemas e não repara em quem os tem maiores porque o tamanho dos problemas é sempre uma questão relativa ao umbigo de cada um, até ao governo de Portugal, que se empenha em dar más notícias todos os dias, em “resolver o problema da dívida pública” não hesitando em fragilizar ainda mais os mais frágeis, num exercício político marcado pela insensibilidade e pela hipocrisia. Não é sobre hipocrisia este texto, senão muito haveria a dizer sobre quem provocou realmente esta dívida pública e a quem é que está a aproveitar a dieta a que os bons alunos de Merkel têm estado submetidos.
2. Os consumidores problemáticos de drogas que tinham ali o seu contexto diário não vão evaporar-se magicamente, como não se evaporaram os do S. João de Deus e os do Aleixo (alguns são, aliás, os mesmos). Também não precisamos das receitas moralistas de Rui Rio naquela trapalhada do Porto Feliz. Precisamos de realismo e de perceber duma vez por todas que um toxicodependente é uma pessoa, tem direitos como qualquer pessoa, não sairá da droga à base de violência policial como a que ocorre com alguma frequência nestes territórios. E mais: tem direito ao consumo de drogas. Porque, se me disserem que faz mal à sua saúde e isso custa dinheiro a todos, digo o mesmo sobre os gordos viciados em açúcar, sobre os que sofrem de doença obstrutiva crónica porque decidiram fumar anos a fio, sobre os que têm acidentes cardiovasculares como corolário da gula culinária e do sedentarismo alarve. Para mim são todos iguais – iguais na doença da adição, na incapacidade de deter uma vontade que lhes foge ao controle.
Está na hora da coragem política que se traduza na criação de salas de consumo assistido. A lei permite-o desde 2001, o chamado modelo português de intervenção no problema da droga tem sido elogiado internacionalmente – mas está ainda manco desta resposta, que permite trabalhar com grupos de utilizadores em situação de grande marginalidade como os que agora estão em foco com a demolição das fábricas abandonadas do Pinheiro Torres.
[Fonte: Porto24]

27 março, 2014

Apesar dos pesares, FCPorto de Pinto da Costa elogiado no France Football


É claro, que a França não é esse potentoso país chamado Portugal (e ainda bem para os franceses). É claro, que o "France Football" não é essa pérola da imprensa desportiva lisbonária chamada "A Bola". Mesmo assim, sugiro uma vista de olhos ao que é escrito no jornal francês. Para aguçar o apetite traduzo o primeiro parágrafo:

Jardel, Falcao, Lucho Gonzalez, Hulk, James Rodriguez, Deco ou ainda Costinha, jogadores que explodiram para o mundo com as cores do FC Porto,  contam-se às dezenas. Tornou-se mesmo numa imagem de marca. 

Hoje, quando Pinto da Costa, o eminente presidente português adquire um jogador por 2 millhões d’euros, tem grandes possibilidades de o vender por mais de 20 Milhões de euros, 3 anos mais tarde. Além do retorno das pepitas do clube portista, está a estratégia de contratações mais oleada do mundo. 

O  resto, podem ler aqui.


20 março, 2014

O que falta ao FCPorto é restaurar o passado recente



Não precisaria de dizer isto se a memória de alguns não falhasse, mas importa lembrar que se tudo estivesse bem no FCPorto não havia razões para reparos. Tão natural como o prazer de elogiar quando a onda é positiva, quando a equipa joga bem e ganha, quando jogadores, equipa técnica  e direcção estão em sintonia uns com os outros, é o desconforto de criticar com a objectividade dos factos. Como no presente não é isso que acontece, recomendo às almas mais sensíveis que aceitem as críticas com a mesma naturalidade com que aceitam os elogios (que já fiz e muitos, felizmente). Aliás, e a propósito, devo recordar também que o Renovar o Porto foi um dos blogues não temático em futebol que mais defendeu Pinto da Costa e o FCPorto, numa altura em que ambos eram atacados por todo lado, inclusivé pela própria imprensa local. 

Penso ser consensual que nos últimos anos o FCPorto tem dado sinais de algum excesso de confiança e ao mesmo tempo de alguma sobranceria ou - para ser mais simpático -, de alguma desatenção com o trabalho dos adversários mais directos, quer em termos de qualidade de jogadores contratados, quer no jogo jogado. Tal descuido, é tão raro e inabitual,  como velho  é o conhecimento da tradicional protecção que os órgãos de comunicação social, as instituições desportivas (Liga, FPF,Arbitragem)  e mesmo o próprio poder político vem promovendo com os dois clubes rivais de Lisboa. E se é legítimo ao FCPorto exigir tratamento igual, também é natural que, não lho sendo reposto, se defenda por todos os meios legais que tenha ao seu alcance, depois, mas sobretudo antes, de sofrer as respectivas consequências. Ora, ultimamente a direcção do FCP parece andar algo apática em vários domínios, a saber: lentidão/indefinição na contratação dos treinadores, e algum desleixo com as questões de âmbito disciplinar e psicológico no início de cada época por altura da renovação do plantel com a entrada de novos jogadores. 

Se a contratação de novos treinadores for atempada, como era hábito da casa, e se a escolha incluir alguém com forte perfil psicológico (para além dos táctico-técnicos), nesse caso o problema à partida estará resolvido. Mas, se por razões inesperadas a escolha do treinador for de recurso (como parece ter sido o caso esta época), sem o tal perfil de psicólogo, então o clube devia estar preparado para poder contornar o problema com alguém vocacionado especificamente para o efeito. Essa mesma pessoa, devia de preferência ser alguém da casa que, podia inclusivamente, desempenhar a dupla função de transmitir aos jogadores recém chegados não só a mística do clube perfeitamente espelhada no Museu, como aconselhamento no uso das redes sociais (Facebook, Twitter,etc.), onde não se recomendariam declarações de ordem profissional como tem acontecido nos últimos tempos. Iturbe, por exemplo foi um dos que usou essas redes para manifestar descontentamento por não jogar. Tenho a certeza que se lhes for transmitida a mensagem com a devida veemência logo nos primeiros contactos com o clube, os jogadores saberão acatar as regras e perceber que não vale tudo...

Haverá provavelmente outras explicações para a situação de desnorte que o clube atravessa, que dada a sua conhecida blindagem, serão de difícil  clarificação, mas salta à vista que a comunicação não é a principal virtude. Só que, agora, tem de passar a ser, caso contrário deixa de fazer sentido o investimento que se propôs fazer no Porto Canal. Ninguém quer réplicas do que se faz em Lisboa, o que se pretende é fazer melhor e diferente. Que o Porto Canal, no mínimo, possa servir de contraditório às contínuas campanhas anti-FCPorto que impunemente se continuam a fazer com o beneplácito desse homem vulgar que ocupa o mais alto cargo da nação, e do Estado que ele devia representar com elevação.

Além do desgaste provocado, todas as insinuações e acusações sem resposta oportuna feitas contra o clube, geram na opinião pública não portista uma impressão negativa, o nosso silêncio é interpretado como consentimento, e não - como poeticamente se possa imaginar -, como uma atitude de grande nobreza. As pessoas hoje não estão sensibilizadas para valorizar o que não é visível. Logo, não basta reagir com processos jurídicos depois do mal estar feito. A pressão sobre as arbitragens foi feita antes do jogo, o FCPorto manteve-se em silêncio, o árbitro intimidou-se, perdeu o controle, e o resultado foi uma derrota, independentemente da justiça do mesmo.

Agora, a reacção deles é simples, previsível. Alegam que só nos queixamos porque perdemos o jogo e porque estamos longe do título. O FCPorto já devia saber que eles não precisam de pretextos para acusar e insinuar, eles inventam-nos se for preciso, e a comunicação social lisboeta, ao contrário do Porto Canal, dá-lhes toda a cobertura. Nem o bem redigido Manual de Boas Maneiras para Viscondes no site do clube, tem qualquer efeito prático na opinião pública não portista, porque ele devia ser dirigido essencialmente para aqueles que andam a tentar achincalhar-nos.

É isto que está a falhar no FCPorto. Não há pro-actividade, há somente reacção, e mesmo assim, tardia e pouco eficaz. Gasta-se dinheiro com processos e tribunais, pagam-se multas avultadas, sabendo como sabemos, como é lenta a "justiça" em Portugal, e que o reconhecimento tardio da mesma poucas vantagens nos têm trazido. A eles (Benfica), com túneis, ou sem eles, já lhes valeu um campeonato. E podem crer, o país profundo continua a acreditar que foram os jogadores do FCPorto os maus da fita. 

PS-Oxalá a garra e a determinação de técnico e jogadores bastem para logo passarmos o Nápoles. Acreditemos.


17 março, 2014

Futebol/Sociedade/Televisão/Norte

Embora pareça, o post anterior não sofreu inspiração divina, foi simplesmente uma antecipação natural e previsível das consequências que comportamentos como o do treinador do Benfica podem potenciar se não forem a seu tempo exemplarmente reprimidos. Ontem, foi o actual presidente do Sporting o beneficiário da inopercionalidade da justiça e da política do vale-tudo. Chegou ao clube, experimentou, testou as reacções por dentro e do exterior,  percebeu que podia avançar, e toca a ameaçar tudo o que mexe com processos e tribunais. Resultado: o crime compensou.

Como estes comportamentos passaram a ser um hábito e os protagonistas estão há muito localizados, é uma perda de tempo - semelhante ao tema do sexo dos anjos -, promover a sua discussão. Importa sim, identificá-la com o devido rigor, porque não é exclusivamente no mundo do futebol onde ele faz escola. Começou pela política...Ora, é neste ponto que surge a grande ilusão dos defensores da descentralização/regionalização. O mal não vem só da capital, nem é apenas aí que o centralismo tem os seus soldados, os piores, os mais traiçoeiros, estão entre portas, e devidamente camuflados.

Não é por Hermínio Loureiro ter acordado agora para a realidade, por ter descoberto tardiamente a farsa que foi e ainda é, o efeito "spill over", que devemos ver nele (e noutros como ele) um grande defensor da causa descentralizadora (qualquer dia vamos vê-lo no Porto Canal...). Não, Loureiro está é secretamente interessado no factor "proximidade" dos fundos europeus, o resto é areia para os meus olhos (e para os dos leitores). E como ele, muitos dos regionalistas de ocasião. Adiante.

Contrariamente a certos adeptos de futebol portistas (eu também sou um deles), não cinjo ao futebol as barbaridades discricionárias de que o Norte e, muito particularmente, o FCPorto e a própria cidade, têm sido alvo. O problema vem também do nosso alheamento, da nossa incapacidade para estudar, avaliar, escolher, ou rejeitar, aqueles que se candidatam aos vários órgãos do poder para nos representarem. Tivéssemos nós tido no passado esses cuidados, talvez hoje houvesse mais decência na nossa sociedade.

Por essas razões, não consigo compreender as opções programáticas (extra desporto/ FCPorto) do Porto Canal. E não concordo, precisamente porque o Porto Canal parece estar cada vez mais alheado da realidade nortenha e sobretudo das suas precisões, porque comete exactamente os mesmos erros que atrás apontei. O Porto Canal "propõe-se" contribuir para a descentralização, mas continua a não saber escolher os melhores processos e parcerias para o conseguir. Ou seja, continua a chamar a si alguns intervenientes da esfera política, social, e cultural, figuras que já deram provas de incompetência e até de despeito, pelas questões regionais. É o mesmo que apelar a bandidos para acabar com o banditismo. Não faz qualquer sentido. É uma ilusão pensarmos que esses critérios, essas réplicas da comunicação social centralista possam alguma vez contribuir para uma mudança. Paralelamente, verifica-se uma atracção doentia e servil com personagens da capital de interessse duvidoso que todo o país conhece, tornando incompreensível tais opções quando  ainda há tanto por fazer com os nortenhos. 

Louvo e continuarei a louvar a presença de repórteres do Porto Canal no interior norte e centro do país, e aprovarei todos os esforços no sentido de a intensificar. Agora, isso de pouco valerá se se considerar inútil uma selecção criteriosa dos agentes políticos e sociais para promoverem o debate e as estratégias sobre as questões regionais. Não basta constatar factos, é necessário fazer mais e melhor para os alterar. É preciso ser democrático mas selectivo, e não colocar como diz o povo, os ovos no mesmo cesto. Tal como está, o Porto Canal apresenta-se ao público alvo como uma porta por onde a maioria dos nortenhos quer entrar mas que não consegue por vê-la sempre fechada. Eu próprio estou constantemente a "emigrar" do Porto Canal para outros destinos porque ninguém está lá para me atender. 

A minha curiosidade de momento é saber até que ponto Pinto da Costa está a acompanhar a evolução da estação de tv da Senhora da Hora e se tem opinião formada e sustentada sobre o seu modelo de gestão e alinhamento editorial. Sinceramente, penso que neste capítulo concreto, está ausente.

14 março, 2014

Ai Jesus, se fosses do FCPorto!

Da revolução dos cravos já pouco sobra de positivo. Sim, já sei que por enquanto ainda temos liberdade para dizer o que pensamos, mas daí a poder inferir-se que essa liberdade nos serve para travar as aberrações de uma "democracia" fora da lei como a nossa, vai uma grande distância.

A aldeia global clonemente mediatizada em que o mundo se tornou  não nos oferece grandes exemplos de civilidade, até porque na União Europeia actual a crise não é só económica nem financeira é, também, ética e cultural. Admito que a importação maciça de produtos norte americanos (séries televisivas, filmes, etc.), conjugada com o decréscimo vertiginoso da produção cultural europeia, terá tido alguma influência nessa crise. Os americanos não são propriamente um exemplo de civilidade e talvez resida aí, em parte, a explicação para a descaracterização e desunião dos europeus. Seja como for, nada justifica a discriminação regional e o completo deserto de seriedade que se instalou despudoradamente em Portugal.

Mas vamos ao que interessa. Alguns jornalistas que já por aqui passaram (calculo que não morram de amores por mim), devem pensar que os tomei de ponta por mera  embirração, mas se eles pensassem bem no trabalho faccioso de alguns (muitos) dos seus colegas, entenderiam a pertinência dessa "embirração".

O vídeo aqui abaixo mostra apenas mais um dos múltiplos miseráveis exemplos de má educação e de ordinarice do treinador do Benfica, Jorge Jesus. Ele agride árbitros, polícias, stewards, ele pega-se com outros treinadores, com os próprios jogadores, provoca os adversários, transgride as regras por onde passa, e não se vê ninguém (nem mesmo os jornalistas) a criticar com a mesma veemência e mediatização que por muito menos fariam se se tratasse do FCPorto.

Nos programas televisivos sobre futebol, as câmeras só têm lentes (e zoom) para as jogadas em que o FCPorto é supostamente beneficiado, e quando elas não existem, inventam-nas, ou sugerem-nas. Com os dois clubes da capital fecham os olhos, ou mudam pura e simplesmente de assunto. Isto, nas nossas barbas, e, o que é inimaginável, nas barbas de quem devia zelar pelas boas normas éticas e democráticas: os governantes. Mas como os governantes não existem para governar, estes jornalistas mercenários agradecem a inimputabilidade, crescem e vão até onde os deixarem ir. O problema é quando levam a leviandade ao ponto de procurarem influenciar as instituições da justiça desportivas em benefício de um desses dois clubes lisboetas como sucedeu com o "Apito Dourado".

Estes testemunhos encaixam como luva na irresponsbilidade dos nossos governantes. Eles não ousam comprometer-se nestas coisas da bola no sentido de as moralizar. Muito pelo contrário, rebaixam-se ao nível dos adeptos mais fanáticos, participam e tomam partido publicamente do clube de eleição. Nestes casos, até capricham em descer do altar das suas supremas "competências" sem se importarem de misturar com o povo para melhor poderem camuflar e desculpar a falta de elevação. Dito isto, pergunto: será possível dizer algo de positivo de toda esta gente?

Para os portistas não estou a dar nenhuma novidade, mas mesmo assim questiono: se estas imagens fossem de um treinador do FCPorto estão a imaginar o que seria?



13 março, 2014

As classes desclassificadas

Passos não fala, logo não tem palavra
Já aqui o escrevi várias vezes e volto ao mesmo, hoje em dia não há profissões de prestígio. Há medida que o tempo avança e a tecnologia aparentemente facilita a nossa vida, as pessoas perdem a noção das suas responsabilidades. Não direi a lengalenga passadista que "antigamente é que era bom", porque na realidade em Portugal o povo (Portugal, é antes de mais, povo) nunca teve a suprema alegria de gozar de um nível de vida semelhante ao dos países do norte da Europa. Realisticamente, Portugal, nunca, mas nunca mesmo, teve o privilegio da boa governabilidade. Pelo contrário, sempre estivemos na cauda dos mais pobres. Negá-lo, é ofensivo para a inteligência dos mais simples. No entanto, antigamente havia mais pudor, havia mais empenho pela honra, mais gosto em se sentir respeitado pela pessoa que se era.

Hoje, há mais diplomados em quase tudo. Só para dar dois exemplos, na Justiça e na Medicina, não faltam licenciados, mas poucos, em consciência, se podem orgulhar de ser verdadeiros  juízes e médicos na acepção social e deontológica da palavra. A maioria deles, contenta-se em absorver a componente técnica, cientifica e jurídica das suas profissões, em prejuízo do mais importante, que é a sua relação com as pessoas. Talvez por motivos de ordem prática, talvez por falta de tempo, talvez por ambicionarem enriquecer depressa, assimilaram arbitrariamente uma auto-confiança desproporcional às suas reais capacidades, e esqueceram-se que só as pessoas que julgam ou tratam estão à altura de os qualificar com isenção.  Quando na actualidade é esta a postura mais comum destas classes e paralelamente aumentam os casos de corrupção e de mau profissionalismo, não faz sentido, nem tolera, tanta soberba.

Uma das várias consequências de tudo isto é a intensificação das fragilidades auto-entendidas como forças. A hipocrisia tende a adensar-se, e a boa consciência a evaporar-se. Depois, assistimos a fenómenos e reacções curiosas, semelhantes às presenciadas em criminosos de delito comum que, mesmo perante provas factuais dos seus actos ilícitos se sentem ou dizem sentir-se ofendidos e até inocentes... É uma chatice, quando a máscara do prestígio social atraiçoa a do carácter por falta de comparência deste.

É claro que essa "história" dos médicos estarem envolvidos em esquemas enigmáticos, como dar consultas no mesmo dia em locais diferentes, é uma mentira pegada... Que eles nada fazem para empurrar os doentes dos centros de saúde para as suas clínicas privadas, que tudo não passa de má língua. Claro é, também, que na Justiça não há cordeiros maus, tudo é feito com o maior rigor e rectidão. Duarte Lima, está em prisão domiciliária apenas porque não há indícios de prova criminal suficientes para o meter numa prisão a sério. Nos processos Face Oculta e BPP/BPN, tudo "foi" resolvido exemplarmente. Jardim Gonçalves "foi julgado" celeremente (em 8 anos) mas o processo prescreveu por causa do mau tempo... A Justiça funciona, não há como negá-lo, temos de acreditar nisso.

Mas estes são apenas 2 simples exemplos de  profissões de prestígio em estado de falência "técnica". Os políticos carreiristas são ainda pior e os jornalistas não lhes ficam atrás. Catarina Martins disse na Assembleia da República, na cara de Passos Coelho, que "a sua palavra  não valia nada". Não é novidade que nenhum português não saiba. Mas Passos puxou logo dos galões da honra teatral, amuou, e deixou-a sem resposta.

É assim que eles cultivam o carácter: simulando que o têm. Eu, chamar-lhe-ia vigarista, ou hipócrita, e teria de saber pela boca de um Juiz a sério, onde é que estava o insulto, se me tinha limitado a colocar o adjectivo com comprovadíssima pertinência.

Que Mundo tão plástico!
 



10 março, 2014

Um Rui algo diferente do Rio...

Não há como negá-lo, sou bastante crítico para com a classe política. E pelo andar da carruagem vou ter que continuar nessa onda. Há quem critique por criticar, eu critico tudo o que é criticável e não merece tolerância. Em Portugal, há demasiados políticos incompetentes a enriquecer depressa demais para a qualidade dos seus desempenhos. Não tolero tal coisa, para mim é inaceitável. Num país onde se rouba e reclama austeridade ao povo e se vê descaradamente os "governantes" a deslocarem-se em carros topo de gama, isso não é populismo não senhor, é aridez de carácter, é a desonra do poder, é a imoralidade absoluta. Aquele tipo de imoralidade que fomenta as revoluções.

Apesar disso, consigo ser mais tolerante com o poder autárquico, e isso é simples de compreender. Ao contrário de quando estão nos Governos, os políticos nas autarquias precisam de ter uma relação de proximidade com as populações  (excepções como Rui Rio são pouco frequentes) e os seus problemas, o que esbate a frequente arrogância e o distanciamento habitual dos primeiros com os segundos e que, em certos casos, até consolida laços de alguma cumplicidade. É claro que há sempre Isaltinos Morais e Valentins Loureiros a borrarem a escrita dos que procuram honrar o seu trabalho em prol da comunidade. Nas Câmaras Municipais ainda conseguimos detectar casos de empenho e de razoável gestão, contrariamente aos governos centrais que em 40 anos de "mentirocracia" (esta tem direitos de autor...) pouco fizeram de relevante. E se falarmos de corrupção, do descontrolo flagrante com as contas públicas (Banco de Portugal versus BPP/BPN), dos casos com os submarinos onde os corruptores são punidos (na Alemanha) , e os corrompidos perdoados (em Portugal), então nem se fala.    

Por isso, sendo ainda prematuro fazer balanços, já é possível notar diferenças significativas na forma de lidar com os problemas da nossa cidade, entre Rui Moreira e Rui Rio. Enquanto Rio fechava as portas ao diálogo, mal deparava com obstáculos, deixando arrastar-se no tempo a solução, Moreira, contorna, propõe e dialoga. Isto, de per si não é um feito, mas já é uma forma inteligente de o conseguir. Tivemos recentemente a questão da Feira do Livro que os editores resolveram complicar exigindo contrapartidas da Câmara numa altura de "vacas magras". Rui Moreira simplificou. Chamou para si (Câmara) a organização do evento e mudou o local para o espaço do Palácio de Cristal, onde aliás já se realizou. Se juntarmos a estes detalhes outros não menos relevantes, como o da criação da Frente Atlântica em que se aliou à Câmara de Gaia e de Matosinhos no sentido de reforçar o poder da região e de resolver problemas comuns, parece-me justo dizer, sem cometermos o risco de nos enganarmos, que Rui Moreira pouco tem a ver com o seu antecessor. E ainda bem.

  

08 março, 2014

A saga dos baixos salários


Está mais que comprovado o fracasso e a injustiça da receita da austeridade e do empobrecimento. Mas este capitalismo neoliberal europeu e português que nos desgoverna não tem, nem deseja ter, qualquer outra alternativa. Insiste, propositadamente, na construção de diagnósticos viciados, para atingir os objetivos pré-definidos por que se move: quebrar anseios de progresso e desenvolvimento dos povos, fazer regredir a sociedade para aumentar a riqueza desmedida, alimentar a ganância, a vida ostensiva e o poder dos muito ricos e seus acólitos.

Há milhares e milhares de portugueses que trabalham pelo custo de ir para o trabalho ou pouco mais. E milhares de jovens, incluindo licenciados, que pagam para trabalhar, na esperança de fazer currículo, ou de um qualquer contrato no futuro. O país despovoa-se e envelhece porque são destruídas atividades económicas e estruturas de serviços, porque o desemprego e os reduzidos salários obrigam à emigração.

Entretanto, a saga dos baixos salários continua. A diretora do FMI, Christine Lagarde, disse esta semana que não se deve "cortar sempre nos salários", mas não tem outra recomendação que não seja "reduzir o custo global da mão de obra". O que significa isto? Facilitar os despedimentos, eliminar a contratação coletiva e dimensões de dignidade no trabalho, cortar nos direitos dos trabalhadores no ativo para que não sejam "mau exemplo" para os jovens totalmente desprotegidos.
Aí está o capitalismo caminhando para a ressurreição da escravatura. Agora uma escravatura escondida sob a aparência de um contrato livremente celebrado entre duas partes. Se uma delas - o trabalhador - não conseguir obter no mercado um salário que garanta a sua sobrevivência e da família, pode sempre socorrer-se das "cantinas sociais" e das obras de caridade que o capital alimenta com umas migalhas do grande banquete em que se encontra.

Até a palavra desenvolvimento está a desaparecer dos discursos oficiais. Lagarde, a troika, os nossos governantes, os dirigentes do PSD e do CDS só falam de crescimento. Crescimento para quem, se há destruição e abaixamento da qualidade do emprego, redução de salários, diminuição da proteção social e de direitos fundamentais?

Passos e Portas dizem não apostar em modelos de baixos salários mas, desde que chegaram ao Governo, lançaram uma catadupa de medidas que diminuem os salários e os rendimentos do trabalho, que agravam o desemprego. Não há melhoria de salários com relações laborais determinadas pelo poder unilateral do patrão, com elevadas taxas de desemprego, a juventude sem direito a trabalho digno, ou sem atualização obrigatória dos salários mínimos.

O calçado português - que arrancou para a sua modernização, designadamente porque há mais de 20 anos se fez uma grande campanha contra o trabalho infantil - é agora o mais caro no mercado a seguir ao italiano. Com que salários? Qual o futuro do setor, no seu conjunto, se não existe uma atualização salarial justa e regular?

Propagandeiam-se medidas de apoio à natalidade, mas não passarão de exercício de encanar a perna à rã se não houver uma significativa melhoria na retribuição do trabalho, combate ao desemprego e à precariedade laboral!

No Caderno do Observatório "Quanto é que os salários teriam de descer para tornar a economia portuguesa competitiva?" 1, de João Ramos de Almeida e José Castro Caldas, é denunciada a mentira constantemente repetida de que os salários cresceram mais que a produtividade - "entre 1996 e 2007, em termos reais, os salários cresceram 11% e a produtividade 15%" - é demonstrado que "o endividamento externo não resultou de um crescimento desmesurado dos salários, mas de 1) uma valorização cambial artificial...; 2) da expansão do setor de bens não transacionáveis...; 3) do acesso a um financiamento abundante e a baixos custos, proveniente de economias superavitárias". Pode acrescentar-se ainda: da abertura do espaço económico europeu a importações baratas vindas de Leste e do Leste distante.

Não se massacre mais quem trabalha!
(Fonte: JN)

07 março, 2014

A SRU DO PORTO “NÃO PODE ACABAR DE MORTE MACACA”, DIZ RUI MOREIRA

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defende que a Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) “não pode acabar de morte macaca”, acreditando que o Governo viabilize uma solução.

À margem da apresentação de uma pós-graduação em Reabilitação Urbana no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), esta quinta-feira, o autarca independente frisou que a reabilitação urbana feita na cidade tem sido um sucesso porque, além de a tornar mais confortável e interessante, cria emprego, riqueza, coesão e promove o turismo.
Enfatizando a importância da SRU no Porto, Rui Moreira frisou que está em negociações com o Governo e, apesar de ainda não ter respostas concretas, está “esperançado” numa solução para a empresa.
“Vamos saber coisas brevemente”, disse.
E, acrescentou: “Defendemos a manutenção do modelo atual porque é reconhecido e funciona. Por isso, gostaríamos muito que o Governo nos continuasse a acompanhar neste projecto. A nossa mão continua estendida”.
O ISEP e a SRU inauguraram esta quinta-feira uma pós-graduação em Reabilitação Urbana dada a sua crescente expressão em todo o país.
A 24 de Janeiro, a agência Lusa noticiou que a assembleia-geral da Sociedade SRU do Porto relativa a 2013 e destinada a aprovar as contas de 2012 foi “finalmente consensualizada” para dia 28 de Março.
Esta assembleia-geral é decisiva para pôr fim a cerca de 2 anos de diferendo entre a Câmara do Porto e o Estado (que detém 60% do capital, através do IHRU) e para a definição do modelo de financiamento da empresa que em 2013 o Governo anunciou querer abandonar.
No início de Janeiro, a Câmara e o Ministério do Ambiente (que tutela o IHRU) revelaram a 3 de Janeiro ter adiado a Assembleia Geral (AG) da SRU marcada para 6 de Janeiro “por acordo entre os accionistas” e manifestaram a intenção de “aprofundar contactos” para alcançar em 2014 uma “solução global” a SRU.
Uns dias depois, Rui Moreira, defendia que o Estado devia manter-se na SRU, tecia elogios ao ministro do Ambiente Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, e dizia confiar que “ainda este mês” seria possível encontrar com o Governo uma solução para a empresa.
(Fonte: Porto24)

CÂMARA QUER PROGRAMADOR PARA OS TEATROS RIVOLI E CAMPO ALEGRE POR 3 ANOS

Image de Câmara quer programador para os  teatros Rivoli e Campo Alegre por 3 anosA informação, a que a Lusa teve acesso, faz parte de uma proposta da agenda da sessão camarária na qual se define para o teatro Rivoli um projecto de “artes performativas de origem local, nacional e internacional”, integrando “projectos multidisciplinares” em áreas como o cinema, a literatura, o pensamento e a ciência.
O documento não tem valor deliberativo, pretendendo-se apenas que o executivo “conheça as opções subjacentes” ao concurso público para a aquisição de serviços que, na reunião de 18 de Fevereiro, mereceu a contestação e os votos contra da oposição e da vereadora Carla Miranda, do PS, partido que fez uma coligação pós-eleitoral com os independentes de Rui Moreira, presidente da autarquia.
De acordo com a proposta, a estratégia para o Teatro do Campo Alegre, ocupado até Outubro pela companhia Seiva Trupe, “consiste no desenvolvimento de um projecto de ocupação temporária a nível de produção, ensaio, apresentação e pós-produção”.
A Câmara pretende ainda que este espaço fique “vocacionado, ainda que não de forma exclusiva, para o apoio a projectos performativos da cidade e para residências artísticas de projectos nacionais e internacionais”.
Tudo isto integra um mais amplo “projecto para o Teatro Municipal”, cujo objectivo é estabelecer “uma comunicação programática entre os 2 pólos e o desenvolvimento de projectos educativos e de formação de novos públicos”.
Na proposta, “a aquisição de serviços de direcção de programação” é justificada com o objectivo de “detectar necessidades organizacionais e técnicas do teatro [Rivoli], assim como desenvolver o projecto do Teatro Municipal, em coordenação com o Pelouro e com os restantes serviços municipais”.
O documento alerta que, tendo em conta “o valor estimado do contrato”, a competência “para autorizar a aquisição dos serviços é do presidente da Câmara”.
Contudo, “pretende-se que o executivo municipal conheça as opções subjacentes ao procedimento de aquisição de serviços de direcção de programação do Teatro Municipal”, pelo que a proposta assinada pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, submete “ao conhecimento dos demais membros do executivo as peças procedimentais do concurso limitado por prévia qualificação”.
“O valor estimado do contracto a celebrar para o Teatro Municipal da cidade do Porto – Rivoli e Campo Alegre é de 100,8 mil (IVA excluído), para um período máximo de 3 anos”, acrescenta o documento.
Na reunião camarária de 18 de Fevereiro, Carla Miranda, vereadora do PS, votou pela primeira vez contra uma proposta da maioria, denunciando que “o acordo de coligação não está a ser cumprido”.
Durante a sessão, a Câmara do Porto aprovou, com os votos contra do PSD, da CDU e da vereadora socialista, remunerar o futuro programador do teatro Rivoli com 100 mil euros, durante 3 anos, no âmbito de um concurso público que o vereador da Cultura anunciou pretender lançar a 3 de Março.
Num processo muito contestado, a gestão do teatro Rivoli esteve, entre 2006 e final de 2010, ao abrigo de diversos contractos de acolhimento, entregue a uma empresa do encenador Filipe La Feria.

Instalada no teatro do Campo Alegre desde 2000, a companhia de teatro Seiva Trupe foi despejada pela Câmara do Porto daquele espaço na madrugada de 17 de Outubro, com base no incumprimento do pagamento de uma dívida relacionada com contracto de cedência das instalações. 
(Fonte: Porto24)


05 março, 2014

Coordenação intermunicipal, saúda-se! É assim mesmo.

Última hora!

Luís Castro substitui Paulo Fonseca no F. C. Porto

Publicado às 12.36

(Em atualização) Paulo Fonseca já não é treinador do F. C. Porto. Luís Castro, que orientava a equipa B, é o técnico interino, anunciaram os dragões em comunicadao enviado à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários.
Paulo Fonseca ainda orientou o treino do F. C. Porto esta quarta-feira de manhã, mas já não vai estar no banco de suplentes no jogo de domingo, com o Arouca, no Estádio do Dragão.
Paulo Fonseca deixa os comandos do F. C. Porto no dia em que faz 41 anos.

(Fonte: JN)

Nota de RoP:
Era esta, creio, a opção mais previsível face às circunstâncias em que foi decidida. Como solução temporária, e depois de avaliadas outras eventuais opções menos consistentes, acho que esta foi a mais sensata. O que era fundamental, dados os condicionalismos de toda a ordem que tornaram impossível a reabilitação psicológica de Paulo Fonseca, era mudar, fazer alguma coisa para afastar o mais rapidamente possível a onda de negativismo e desencanto instalada na massa adepta, nos jogadores e no próprio clube.  Esperemos que esta insólita desorientação não tenha passada de um momento menos bom e que não seja a consequência de outros problemas dentro da estrutura directiva do FCPorto.

Provavelmente Capucho será o substituto natural de Luís Castro na equipa B, [ou então, Folha, que era seu adjunto]. Pessoalmente, e apenas pelo que tenho observado do trabalho dos vários escalões de formação, suponho que Capucho terá mais aptidão para o cargo, porque me parece mais maduro  e mais exigente com os jogadores que Folha. Mas essa é a minha opinião, que não assisto permanentemente ao trabalho de cada um. 

Quanto a Luís Castro, a única dúvida, é saber até que ponto terá perfil para lidar com um grupo de jogadores desmoralizados (e outros mimados) e desorientados tecnicamente. A prioridade passará naturalmente por lhes devolver a confiança e fazê-los acreditar (mesmo) que ainda há coisas boas para conquistar esta época. Depois, é retreiná-los, corrigir-lhes os posicionamentos em campo, aperfeiçoar-lhes a qualidade do passe e do remate, e restaurar a confiança a alguns proscritos (com talento), que não foram devidamente potenciados por Paulo Fonseca. Não vai ser fácil, mas não é nada impossível. Cabe a Luís Castro prová-lo, mesmo que com carácter provisório... Quem sabe se não nos surpreende?

03 março, 2014

Paulo Fonseca chegou ao fim da linha. Esticá-la será um erro.

"É inadmissível o que aconteceu?"
Mas, Paulo, é inadmissível para quem?
Não sou dos que gostam de malhar em alguém que já está por baixo, como é o caso de Paulo Fonseca. Contudo, será prudente lembrar que a obstinação nem sempre é amiga do sucesso, e Paulo Fonseca, não obstante ter colocado o lugar à disposição a Pinto da Costa, terá de compreender que não tem mais condições para aceitar a confiança que o dirigente portista lhe vem dando. Naturalmente, devia ser o próprio Presidente o primeiro a reconhecer que desta vez se equivocou e não forçar a continuidade de um treinador psicologicamente debilitado e que tem dado provas evidentes de não saber treinar, e ainda menos liderar, o grupo de trabalho que lhe foi confiado. O facto de haver alguns jogadores que até nutrem simpatia pelo treinador (como é o caso de Jackson Martinez), pouca expressão terá na sua capacidade de liderança. Por vezes, é preferível um maior distânciamento com os jogadores desde que compensado com uma forte liderança técnica e mental. Ora, liderar é algo que Paulo Fonseca não tem dado sinais de saber fazer, quer para o exterior, quer para os próprios jogadores que devem ver nele mais "um gajo porreiro" que o homem a quem têm de ouvir e obedecer e que os pode guindar a grandes victórias.

Antes da responsabilidade de Paulo Fonseca, há a responsabilidade maior da Direcção portista, incluindo do seu homem principal, Pinto da Costa, que não teve o esmero (ou/e a sorte) do costume na escolha do treinador. Talvez o sucesso - em cima da linha da meta - com decisões idênticas no passado recente (Victor Pereira e outros) tenha gerado em Pinto da Costa um excesso de confiança, ou talvez um atraso inusitado na resolução destes assuntos possam explicar a desorientação actual no clube. Seja como for, algo desta vez falhou, disso parece não haver dúvidas. Sendo verdade que as chamadas chicotadas psicológicas nunca foram solução para casos desta natureza, o certo é que considerando a incapacidade flagrante de Paulo Fonseca para lidar com os problemas da equipa - até porque ele próprio é parte deles -, o argumento de "ainda se poder ganhar qualquer coisa" esta época também não colhe, porque o homem, sem o assumir abertamente, já se deu por vencido em várias ocasiões e os jogadores, sem o dizerem, também já não acreditam nele. Portanto, Pinto da Costa não pode continuar a assobiar para o ar, insistindo na manutenção de um treinador mentalmente derrotado que só pode é contagiar ainda mais os jogadores e alastrar a crise a todos os sectores do clube, incluindo o Porto Canal.

Por isso, nesta situação seria tolerável investir numa solução de recurso em alguém que pudesse restaurar os índices de confiança aos jogadores e reformular todas as noções técnicas e tácticas de treino, de forma a ajudar os jogadores a sair desta desorientação e desmoralização colectiva. Não sei como poderá travar-se esta nau desgovernada se não se perceber que o piloto não sabe, ou já não quer mais navegar. Que Paulo Fonseca não pode continuar sem se correr o risco de deitar tudo a perder, isso é que não pode. 

02 março, 2014

Oh Paulo, demite-te, pá!

Quando são os jogadores que ajudam o treinador e a reciprocidade é nula, só há um caminho a seguir: a auto-demissão do treinador.

Não me lembro de ver o FCPorto sem treinador, e sobretudo sem líder. Creio mesmo que esta foi a primeira época que pude assistir na minha vida a tal fenómeno.

O sr. Pinto da Costa, desta vez jogou na carta errada, o que é pena.

01 março, 2014

Sara Sampaio, a top model tripeira que o Porto Canal não conhece...


Segundo a teoria da rentabilidade defendida pela comunicação social, estas imagens vendem. Até pode ser verdade, e nem vou discutir agora se concordo, ou não. O que sei, é que tal como os outros media, o Porto Canal segue a mesma tese, e sendo assim, em vez de recorrer à prata da casa (e que prata...), inspira-se na socialite que vem de Lisboa, limitando-se a copiar o que já é conhecido.

Ora aqui estava uma boa oportunidade para ser original e dar mais visibilidade ao canal da Senhora da Hora com gente do norte, sem precisar de se abastecer na capital... 


Já tinha prevenido que se não o fizessem depressa, seria a concorrência a fazê-lo. Foi o que aconteceu. Ontem foi a TVI que deu a melhor cobertura à notícia que dava a modelo portuense como a 28ª. mais sexy do planeta (num restrito grupo de 30) no site "Models.com".

Ah grande Hélder, já não há muitos tripeiros como tu

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27 fevereiro, 2014

FCPorto, uma alegria para durar?

São 18H40,  poucos minutos decorridos após o 1º. golo sofrido pelo FCPorto na sua deslocação a Frankfurt.  

Posso dizer, sem risco de me enganar, que está a acontecer o que já era previsível, ou seja, os jogadores começaram a jogar como sempre, a mostrar boa vontade, a correr como loucos atrás da bola, a procurar passá-la com a ansiedade do costume, a cansar-se tentando pressionar o adversário sem saber bem como, mas a bola raramente ameaça a baliza adversária. Causa: o sistema de jogo de Paulo Fonseca [se é que aquilo é um sistema] é o mais anárquico e suicída que alguma vez vi praticar num campo de futebol (sobretudo no Dragão).  

Não sei se o FCPorto irá sofrer mais um, ou dois golos, mas se tal acontecer ficarei menos surpreendido que convencido que  conseguirá dar a volta e marcar os golos suficientes para passar esta eliminatória. Acredito mesmo assim, mais na iniciativa individual dos jogadores, que no trabalho da equipa (e não é de agora), porque esse, foi completamente aniquilado pelo treinador. No futebol, como em tudo na vida, há a sorte e o azar, mas não há milagres. O que há de mais parecido com os milagres é a competência, só que para haver competência é preciso que haja um mestre competente e não um desvirtuador de técnicas e de tácticas. Veremos como será a 2ª.parte...

E a 2ª. parte...
começou com os erros do costume, com os jogadores a procurarem autonomamente organizar o jogo que o treinador não consegue. Com mais coração que cabeça, a equipa lutou muito mas sofreu golos inacreditáveis resultantes do posicionamento anárquico da defesa e não por causa da sua qualidade individual. Lutou, correu, acertou melhor o jogo e conseguiu o empate fruto da participação de um Ghilas raçudo que o treinador tardou a descobrir e a dar mais oportunidades. Não sou bruxo, prevejo simplesmente. O FCPorto sofreu de facto mais dois golos após o primeiro, mas soube conquistar o empate por mérito exclusivo dos jogadores. Nem sempre é verdade a máxima que diz que quando se ganha ou  perde, ganham ou perdem todos. Retirarei esta ideia se futuramente o treinador me provar que estou enganado. Neste jogo de tira-teimas, eu quero enganar-me,porque o êxito de Paulo Fonseca será o êxito do FCPorto.

Claramente, duvido que Paulo Fonseca saiba explorar este sucesso para o futuro próximo, e muito menos para o remoto. Se me enganar perco eu, mas não me importo se isso levar o FCPorto ao lugar que lhe compete que é a liderança.