08 agosto, 2014
23 julho, 2014
19 julho, 2014
Porto Canal vazio de liderança. Ó Júlio, desampara-nos a loja!
Tenho consciência dos elevados custos inerentes à implantação e afirmação de um projecto de TV, mas tal não impede, pelo contrário, exige, que os custos sejam compensados com uma maior imaginação e mais criatividade. Ora, no Porto Canal criatividade é coisa que não abunda, e rigor nem vê-lo. Consultem a TV Guia do JN e vejam se conseguem lá detectar a grelha de programas do Porto Canal.
Não me canso de apresentar casos porque eles sucedem-se a uma velocidade vertiginosa. Ontem, por exemplo, no telejornal da noite a apresentadora anunciou o resultado do jogo da véspera de Hóquei em Patins entre Portugal e a Alemanha (13-3), quando tinha terminado alguns minutos antes o jogo da noite entre Portugal e a Itália (2-3). Mas o que é isto, senão incompetência? Como é possível que a administração do FC Porto continue a ignorar o que se está a passar?
18 julho, 2014
Casimiro no FCPorto?
El centrocampista brasileño del Real Madrid Casemiroserá cedido por el Real Madrid al Oporto por una temporada. Las negociaciones están muy avanzadas y la operación podría cerrarse en las próximas horas. El Madrid pretende que el jugador, de 22 años y que llegó en enero de 2013 al club, tenga muchos minutos y el nuevo técnico del Oporto, Julen Lopetegui, parece dispuesto a dárselos.
En principio, en el contrato de cesión se incluirá una opción de compra en favor del Oporto y otra de recompra en favor del Real Madrid. La idea es que el futbolista se incorpore al club portugués antes de la gira americana del equipo de Ancelotti.
El Madrid, que en principio obtuvo la cesión por parte del Sao Paulo en enero de 2013, hizo efectiva la opción de compra el verano siguiente por seis millones de eurosy firmó con el jugador un contrato por cuatro temporadas. La pasada campaña, con Ancelotti, participó en doce partidos de Liga, siete de Copa del Rey un seis de la Champions League.
17 julho, 2014
Porto Canal, uma vergonha
Ontem, para não variar, o Porto Canal brindou os espectadores com umas gravações do jogador Tello completamente deterioradas. E transmitiu-as duas vezes! Mais tarde, num programa desportivo, com Bernardino Barros, José Fernando Rio e Tiago Girão, voltaram a apresentar as mesmas imagens nas mesmas condições, sem que nenhum dos intervenientes se lembrasse de apresentar um simples pedido de desculpas...
A mim, isto já não me surpreende, pois é o resultado de ter ao leme um homem sem unhas para o cargo. De seu nome, Júlio Magalhães. Ele acha que não tem de pedir desculpas aos espectadores...
Se não o soubéssemos, alguém acreditaria que o FCPorto é co-proprietário do Porto Canal? Senhor Pinto da Costa, V. Exa. por acaso não vê o Porto Canal? Se não vê, faz mal!
PS:
Querem mais? Pois aqui vai: hoje, no jornal da uma, voltaram a passar a cassete atrás referida com os mesmos problemas. Desculpas, nem vê-las.
Tudo isto pode ter sido um mero incidente, problema técnico alheio ao canal, mas o facto de estas situações serem recorrentes e de nunca ter assistido a um pedido de desculpas, faz-me pensar que se trata apenas de um caso de incompetência da parte da Direcção e de uma total desconsideração pelo público.
PS:
Querem mais? Pois aqui vai: hoje, no jornal da uma, voltaram a passar a cassete atrás referida com os mesmos problemas. Desculpas, nem vê-las.
Tudo isto pode ter sido um mero incidente, problema técnico alheio ao canal, mas o facto de estas situações serem recorrentes e de nunca ter assistido a um pedido de desculpas, faz-me pensar que se trata apenas de um caso de incompetência da parte da Direcção e de uma total desconsideração pelo público.
16 julho, 2014
Não me conformo com este Porto Canal
Neste folhetim de silencio ruidoso e de telenovela mexicana, o que me incomoda é a confusão que esta situação poderá gerar não apenas nos portuenses como no resto do país, nomeadamente da capital. Mais me espanta a aparente indiferença, ou porventura a distração dos órgãos de comunicação social lisboetas, normalmente tão diligentes a denunciar as guerrinhas dos "provincianos" lá do Norte.
Sabemos bem como o Terreiro do Paço e seu corpo fiel de colaboradores olha para os nossos problemas quando se trata da distribuição de fundos comunitários ou investimentos que visem o desenvolvimento regional. Ignoram-nos simplesmente, ou então desviam os fundos para a capital e arredores, a coberto do maior embuste legislativo que é o efeito difusor aprovado ainda na campanha eleitoral de 2009 pelo governo PS, com o aval de Durão Barroso. Saliente-se que Portugal foi o único país da UE a aceitar este negócio do spill-over... Adiante.
Como bem sabem, os centralistas não costumam ignorar-nos quando se trata de nos ridicularizar com a pronúncia, ou com os "sistemas" nebulosos de Pinto da Costa. Então, o que se estará a passar com eles para ainda não terem explorado, como tanto gostam, a paz pôdre existente entre as 3 entidades da nossa cidade (Câmara/FCPorto/Porto Canal). Andarão distraídos?
Os portuenses investem quase tudo no futebol, pouco tempo dedicam a outras temáticas. O clube parece mais importante que a cidade (para mim, são almas gémeas, não sei separá-las). Não admira portanto que ninguém pareça querer saber por que é que o Porto Canal tem convidado frequentemente todos os presidentes da Câmara nortenhos e ainda não o tenha feito com Rui Moreira (será isto portocentrismo?). Será normal este comportamento? Será deontologicamente aceitável para o prestígio de um órgão de comunicação social como é a televisão que a Direcção do Porto Canal não dê nenhuma explicação aos portuenses para este lamentável procedimento? E o FCPorto o que terá a dizer?Ninguém quererá saber exactamente o que se passou para isto estar a acontecer, ou preferem lançar para o ar pareceres pessoais inspirados na clubite aguda que nada esclarece?
Só espero é que o FCPorto não faça com o Porto Canal de Júlio Magalhães o que fez com Paulo Fonseca no futebol... É que, hipotecar um campeonato por excesso de confiança proveniente do hábito de ganhar pode não ser grave e resolver-se na época seguinte, mas deixar um canal entregue a um amador como Júlio Magalhães que afugenta em vez de atrair os espectadores pode ser o fim de um projecto muito caro e muito importante para o Norte.
15 julho, 2014
Há sinais no FCPorto que me agradam
Tudo leva a crer que a Direcção do FCPorto não quis remediar a meio da época finda aquilo que não tinha remédio e preferiu implicitamente, embora sem o admitir, "abdicar" do sucesso desportivo. Lá terá considerado que não havia muito mais a fazer com um treinador como o Paulo Fonseca. Foi uma opção, mas pôs-se a jeito para levar em cima com toda a sorte de especulações. Se os nossos rivais nem sequer precisam de pretextos para especular, oferecendo-os desta maneira, contribuiram para credibilizar a boataria de que se alimentam e para contagiar uma grande franja dos adeptos portistas. Eu próprio tive dificuldade em compreender determinadas decisões e a falta de outras... Este problema estendeu-se (e mantém-se) na gestão do Porto Canal, onde a organização não é o ponto forte.
Mas, por aquilo que está a ser feito a poucos dias da abertura da época 2014/2015, há sinais evidentes de mudança. O FCPorto parece ter finalmente percebido que os adversários mais fortes se organizaram e fortaleceram e que para os vencer confortavelmente já não funcionava a antiga política de contratações. Além disso, o mercado de transferencias também é mais agressivo e exigente. Por isso, vai ter de mudar igualmente o modo como negociava, ou seja, não pode ficar condicionado pela simples compra de jogadores baratos e com potencial, mas terá também de aceitar empréstimos de atletas caros mas de qualidade comprovada. Terá de fazer uma gestão mista, constituída por jogadores já feitos emprestados, por outros mais baratos com futuro para postriores transacções vantajosas. É a mudança dos tempos.
Concluindo: tudo aponta para que o ciclo vitorioso do FCPorto vá continuar e que a época finda não tenha passado de algum perigoso (mas tolerável) excesso de confiança.
14 julho, 2014
E os arrogantes são os alemães?
Se para evitar confusões fôr preciso discutir o regime sócio-político do mundo ocidental, o mercado livre ou simplesmente o liberalismo, estou totalmente disponível, até porque sou totalmente contra... Agora, se me perguntarem quem dentro desse regime tem sabido tirar mais proveitos, quem tem governado melhor os respectivos países, terei de reconhecer que na Europa, são sem dúvida os alemães a par dos países escandinavos (para mim os mais civilizados).
Este preliminar visa sossegar os espíritos ultra-sensíveis de certos leitores que têm algumas dificuldades de interpretação e que são incapazes de reconhecer o mérito a quem o tem, quando este choca com as suas simpatias pessoais. Por outras palavras e para falar claro diria que, se pudesse escolher entre o orgulho de ser português, assente nos méritos do Ronaldo e do Mourinho [e de 40 anos de democracia adulterada], e o orgulho de ser alemão por pertencer ao país mais poderoso da Europa, eu escolheria este último. Sei que isto não é politicamente correcto para os patriotas do fado mas não me preocupo com isso. Antes de mais, porque ser politicamente correcto é ser igual àquilo que condeno, ou seja: a valorização do fútil. E segundo, porque quem manda na minha cabeça sou eu.
Posto isto, só quero dizer é que a Alemanha foi uma justíssima vencedora do Mundial de Futebol no Brasil, porque, de todos os países foi sem dúvida a selecção mais organizada, mais sóbria e também a mais humilde. Sim, humilde. Eles preocuparam-se com o essencial: jogar melhor que os adversários, e vencê-los.
Nós, os portugas, falsos humildes, vimos os nossos jogadores exclusivamente concentrados nos penteados. Detesto este Portugal.
Nós, os portugas, falsos humildes, vimos os nossos jogadores exclusivamente concentrados nos penteados. Detesto este Portugal.
10 julho, 2014
Portismo de Sara Sampaio
Disse no Twitter que é portuense e portista, e que lhe faltava uma camisola do FCPorto personalizada, ao que o FCPorto respondeu afirmativamente satisfazendo-lhe logo o pedido.
Mas para quê uma camisola personalizada se este equipamento lhe fica tão bem? Até porque o portismo é mais que tudo uma questão de coração, não é...
09 julho, 2014
Galardoado recusa medalha em solidariedade com Pinto da Costa
O presidente da Beneficência Familiar recusou receber da Câmara do Porto uma medalha de mérito em solidariedade com o presidente do F.C. Porto, Pinto da Costa, considerando "descortês e desconfortável a confraternização" com ex-autarca Rui Rio.
"Partilhando eu idêntica posição do presidente do F.C. Porto em relação a Rui Rio [...], considero igualmente descortês e desconfortável a minha confraternização na minha cerimónia com Rui Rio", explicou António dos Santos Reis, o primeiro presidente eleito da junta de freguesia de Ramalde, numa carta a que a Lusa teve acesso.
Na missiva "entregue em mãos" ao presidente da autarquia, Rui Moreira, na segunda-feira, Santos Reis esclarece estar em causa o esclarecimento "em reunião do executivo", a propósito "da não-inclusão de Pinto da Costa entre as personalidades que receberão medalha municipal", de que "não seria cortês homenagear Pinto da Costa e Rui Rio na mesma cerimónia".
"Os altos valores, princípios morais e ideológicos que me são inatos não me permitem aceitá-la [...] É que, para além do mais, Jorge Nuno Pinto da Costa e o signatário desta [carta] presidem a duas das mais prestigiadas e centenárias instituições da cidade do Porto", destaca o também presidente da Cooperativa de Ramalde.
António dos Santos Reis manifesta ainda a "mágoa" pelo "Grau Prata" do galardão que a Câmara do Porto aprovou atribuir-lhe na reunião do executivo de 17 de junho.
"Apesar da honra de tal distinção, a exclusividade desse grau na lista de personalidades a homenagear não pode deixar de provocar em mim profunda tristeza por verificar que uma longa vida dedicada ao bem comum [...] seja considerada apoucada em relação às demais atividades representadas pelos ilustres homenageados", acrescenta.
[do JN]
[do JN]
O futebol da Alemanha venceu-me a simpatia
Gosto do Brasil e do seu povo. Ao contrário do português europeu, tristonho, pesado e fatalista (do fado), o Brasil teve o condão de tornar a língua portuguesa numa língua bonita, leve, alegre, ritmada e musical (do samba). Além disso, é mais que um país, é um continente dentro do próprio continente, exuberante de vida e beleza. Só não gosto das favelas e de tudo o que elas significam... O optimismo dos brasileiros é o único genuíno, porque é impossível sorrir como sorri aquele povo com uma vida tão difícil e assimétrica como é a deles.
Mas ontem gostei dos alemães. Gostei do fantástico espírito colectivo, assente no rigor, na disciplina e na sobriedade que fez dos 7 golos marcados à selecção do Brasil parecer uma coisa simples. É isto que faz falta à Europa do Sul, e é a falta disto que faz a Europa do Sul continuar nas bocas do mundo com a reputação dos malandros mais corruptos do continente. E não me estou a referir apenas ao futebol...
Mas o futebol tem destas coisas, porque é um desporto iminentemente colectivo, de operários tecnicistas, provocou em mim o milagre de ter gostado da victória da equipa que não apoiava.
Porque foi melhor, porque me soube conquistar pela qualidade do seu futebol. Sem mariquices nem ronaldices. Viva o futebol!
Porque foi melhor, porque me soube conquistar pela qualidade do seu futebol. Sem mariquices nem ronaldices. Viva o futebol!
08 julho, 2014
O senhor promete, promete mesmo?
Sem liderança, nem uma grande união dos nortenhos, será muito difícil, senão impossível, derrubar esse monstro de muitas cabeças chamado centralismo. O Porto, todas as cidades e localidades nortenhas, queixam-se dele, com toda a razão, mas é preciso fazer muito mais que "chorar". E quando falo em chorar estou a referir-me a todos, muito em particular aos responsáveis políticos locais e a todo o universo do empresariado nortenho.
Quando aderi ao malogrado Movimento Pró Partido do Norte, não foi por ambições de ordem pessoal, foi por vontade de dar o meu modesto contributo e apoio a algo que os partidos - como agora se diz - do arco da governabilidade e da oposição, se têm recusado a encarar com seriedade, que é lutar e defender a causa da regionalização. Apenas isso. De resto, não tinha (nem tenho) ambições por cargos políticos.
Foi uma pena que ninguém tivesse querido levar avante aquele projecto, embora compreenda que quando faltam lideranças fortes e apoios financeiros é muito difícil levar a cabo uma empreitada desta natureza. E se juntarmos a isso o facto de uma grande parte dos nortenhos e dos portugueses em geral não terem grande vocação para se envolverem na luta política de forma desinteressada, então a tarefa fica quase impossível de realizar. A militância partidária normalmente "paga" de alguma forma aos seus discípulos, e é também isso que explica a pouca adesão que continuam a ter nas eleições, apesar do aumento crescente da abstenção.
Mesmo assim, continuo sem perceber muito bem o que distingue os partidos do poder e os da oposição, de todos os outros, para merecerem mais atenção e suposta credibilidade. Devia ser o contrário. A mim, faz-me confusão porque é que, depois de ser sistematicamente enganado, o povo reincide no "crime" de repetir o mesmo erro que originou a bandalheira que hoje vivemos.
Aqui vai um exemplo: o líder da distrital do Porto do PS José Luís Carneiro disse esperar que tanto António J. Seguro e António Costa discutam a reforma do Estado e que se comprometam em particular com a criação de regiões administrativas (ler artigo JN acima). Muito bem. E o que será para Luís Carneiro e outros militantes um compromisso? Uma promessa? Bem. Ainda que não me surpreenda que qualquer um dos putativos candidatos ás primárias do PS de Setembro faça a referida promessa, por naturalmente se sentirem confortáveis para não a cumprir agora, por mais uma vez "não ser oportuno", é expectável que continuem a assobiar para o lado e a ignorar outra vez o desafio, mesmo que algum ou ambos aceitem o repto e "prometam" tratar da regionalização.
Haverá alguém que esteja disposto a apostar comigo como nenhum dos candidatos vai cumprir a promessa? E se ninguém quiser apostar por ter os mesmas suspeitas que eu, como explicar o fenómeno de haver ainda quem vote nestas miseráveis condições? Serão de facto essas pessoas que votam nestas condições, um exemplo de boa cidadania?
Foi uma pena que ninguém tivesse querido levar avante aquele projecto, embora compreenda que quando faltam lideranças fortes e apoios financeiros é muito difícil levar a cabo uma empreitada desta natureza. E se juntarmos a isso o facto de uma grande parte dos nortenhos e dos portugueses em geral não terem grande vocação para se envolverem na luta política de forma desinteressada, então a tarefa fica quase impossível de realizar. A militância partidária normalmente "paga" de alguma forma aos seus discípulos, e é também isso que explica a pouca adesão que continuam a ter nas eleições, apesar do aumento crescente da abstenção.
Mesmo assim, continuo sem perceber muito bem o que distingue os partidos do poder e os da oposição, de todos os outros, para merecerem mais atenção e suposta credibilidade. Devia ser o contrário. A mim, faz-me confusão porque é que, depois de ser sistematicamente enganado, o povo reincide no "crime" de repetir o mesmo erro que originou a bandalheira que hoje vivemos.
Aqui vai um exemplo: o líder da distrital do Porto do PS José Luís Carneiro disse esperar que tanto António J. Seguro e António Costa discutam a reforma do Estado e que se comprometam em particular com a criação de regiões administrativas (ler artigo JN acima). Muito bem. E o que será para Luís Carneiro e outros militantes um compromisso? Uma promessa? Bem. Ainda que não me surpreenda que qualquer um dos putativos candidatos ás primárias do PS de Setembro faça a referida promessa, por naturalmente se sentirem confortáveis para não a cumprir agora, por mais uma vez "não ser oportuno", é expectável que continuem a assobiar para o lado e a ignorar outra vez o desafio, mesmo que algum ou ambos aceitem o repto e "prometam" tratar da regionalização.
Haverá alguém que esteja disposto a apostar comigo como nenhum dos candidatos vai cumprir a promessa? E se ninguém quiser apostar por ter os mesmas suspeitas que eu, como explicar o fenómeno de haver ainda quem vote nestas miseráveis condições? Serão de facto essas pessoas que votam nestas condições, um exemplo de boa cidadania?
06 julho, 2014
Sinais do centralismo, mesmo no JN
Pouco tempo depois de ler o artigo interessantíssimo de José Mendes que colei mais abaixo, o qual subscrevo integralmente, quando folheava a revista Notícias Magazine que vem anexa com o JN aos domingos, logo na 1ª. página li o seguinte:
«Não querendo ceder a estereótipos, posso dizer que estes são os tempos em que o futebol deixa de ser um assunto iminentemente de homens, para se democratizar junto das fãs femininas que se tornam fanáticas das suas selecções nacionais. Elas que muitas vezes nem um jogo viram do campeonato nacional, que nem conseguem dizer de cor mais de quatro nomes que alinham pelo Benfica ou pelo Sporting, já para não falar dos treinadores, ei-las, chegado um campeonato como o Mundial, a discutir os efeitos da humidade nas pernas dos jogadores».
Por razões óbvias, compreendo que o teor do texto seja o que menos interessará ao leitor, até porque nem está completo (é só um parágrafo). Mas, acredito que já não lhe escapará a marca visível do centralismo que a autora (Catarina Carvalho) deixou bem patente no mesmo. Ora aí está, Benfica e Sporting, o resto é paisagem...
PS-Catarina Carvalho é "só" a Directora executiva da Notícias Magazine, mas, como todos os centralistas, é uma enorme ignorante sobre a realidade do país, que é...o resto.
A Controlinveste é o Grupo onde se inclui o JN, o DN, o Jogo, a TSF. Joaquim Oliveira já só detém 27,5% do capital da holding.
Capital e paisagem
Esta foi uma semana agitada. Política e futebol, sempre. As lutas intestinais no Partido Socialista, que parecem empastelar mais do que esclarecer.
O Conselho de Estado do presidente da República, que se começa a assemelhar a uma reunião de escuteiros, onde no final todos concordam com a necessidade de um Mundo melhor. A coligação do Governo, que tendo perdido o referencial da Oposição, começa de novo a sentir réplicas do terramoto de há um ano. No futebol, regressada a casa a excursão aos EUA (com extensão ao Brasil) dos 23 de Paulo Bento, que aquilo não era para rapazes, os homens tomaram conta das operações no Mundial. E tenho gostado sobretudo das equipas que respeitam os princípios de jogo: constituídas por 11 em campo (e não apenas pelo número 7), que mantêm presente que o futebol não se joga de muletas (como alguns tentaram).
Havia aqui matéria-prima mais do que suficiente para uma crónica de domingo. Mas já tantos e tão bons escreveram sobre política e futebol, pelo que opto hoje por olhar a "restante" atualidade com o filtro do território.
As capas dos jornais foram esta semana preenchidas por manchetes que refletem bem a geografia das preocupações e do valor que circula em Portugal. O paradigma de funcionamento deste país aí está, preto no branco, numa dicotomia que expõe, sem confrontar, a capital lisboeta rica e pujante, onde a crise não mora, ao lado da província (todo o resto do país), que é uma espécie de palco de telenovela com todos os ingredientes clássicos, do trágico acidente à luta pela sobrevivência.
Vamos aos detalhes. Fiquei a saber que em Lisboa o mercado imobiliário está ao rubro, com a procura a puxar pela oferta e pelos preços. Que os comerciantes das lojas de luxo da Avenida da Liberdade estão indignados com as iniciativas populares à sua porta, cheias de gente e animais sem poder de compra, que lhes prejudicam o acesso e toldam as montras. E que na capital há agora mordomos de luxo, cujo trabalho é acompanhar os visitantes ricos de Angola, Brasil e outras latitudes, levá-los às compras, ao hotéis e aos restaurantes em vistosos carros. Um oásis, mais ou menos o negativo do resto do país.
Soubemos também que o antigo presidente da Metro de Lisboa e da Carris, demitido há um ano devido aos swaps, exige em tribunal uma indemnização de 270 mil euros por não ter sido reintegrado no lugar de origem, como consultor da Refer. Gente que circula de lugar em lugar, no universo das empresas públicas, que gasta e exige dinheiro (público). E onde acontece tudo isto, sempre? Em Lisboa, claro, que é onde se coletam os impostos de todos os tugas.
Assistimos também à crise do BES. Família, gestão, capital e Estado, todo um ecossistema em revolução, onde circulam muito dinheiro, muito poder e muitos lugares. Na capital, pois claro. Ou melhor, exclusivamente na capital. É curioso alinhar os nomes dos putativos sucessores de Ricardo Salgado e perceber que fora de Lisboa nada existe, é o deserto. Vítor Bento, na minha opinião uma grande escolha, é ele próprio um talento "made in Estremoz" que, uma vez detetado pelo íman lisboeta, foi sugado pela força centrípeta do ecossistema lisboeta.
Agora a província, que é mais ou menos tudo o que está para lá de Vila Franca de Xira, a norte, ou de Almada, a sul. Soubemos que um jovem estudante de Artes Visuais do Algarve foi a tribunal acusado de ter cometido um crime de ultraje à bandeira nacional, naquilo que era afinal uma obra artística. Soubemos também que na província morrem jovens a conduzir ou transportados em veículos moto-quatro. E que na Linha da Beira continuam a descarrilar comboios de mercadorias com uma regularidade quase exemplar.
Percebemos ainda que a justiça, leia-se os tribunais, vai levantar âncora em boa parte do país e que faltam 900 funcionários para a reforma do mapa judiciário. E que mais umas quantas aldeias vão morrer porque as escolas vão fechar e a meia dúzia de rebentos que ainda corporizavam a esperança terão necessariamente de partir.
E vamos tendo o caso Maddie. Uma novela luso-britânica que já bateu, em extensão e argumento, todos os grandes êxitos da Globo. Mantêm-se assim entretidas as "gentes dos algarves".
Mapear o valor das temáticas refletidas na atualidade é um exercício que, neste país, converge sempre para a mesma máxima: Portugal é Lisboa, o resto é paisagem. É o terceiro-mundismo em formato europeu.
[do JN] |
03 julho, 2014
ANONIMATO
Foi em 03 de Julho do ano passado que publiquei este post. Hoje, decidi voltar a publicá-lo para refrescar a memória dessa espécie abjecta de gente que se identifica como "Anónimo", mas que gosta de ser tratado como gente, na esperança que compreenda de uma vez que o insulto furtivo é o auto-reconhecimento da própria cobardia. E, não vale a pena, porque vão directamente para o lixo.
30 junho, 2014
Norte cada vez mais a sul
Aqui atrasado escrevi que Portugal devia talvez chamar-se Entroncamento pela facilidade de gerar fenómenos à moda da cidade com o mesmo nome e de criar situações revestidas de mistérios absolutamente incompreensíveis. Hoje, volto a reafirmá-lo porque, como reza o ditado, o que é de mais, é moléstia.
Conhecido o faro dos media pelas notícias bombásticas, pelos chamados casos de faca e alguidar que os leva amiúde a forjá-los ou inventá-los para aumentarem as receitas de tesouraria, não deixa de ser estranha a aparente indiferença como têm lidado com essa espécie de paz pôdre instalada entre a Câmara do Porto e de Gaia, o Porto Canal, e o FCPorto. Mais se estranha ainda, quando sabemos não ser preciso muito para os mass media centralistas aproveitarem o mínimo franzir de olho para desencadearem guerras entre instituições e pessoas a elas associadas, mais que não seja para mostrarem ao país profundo quão intenso é o provincianismo dos gajos do Norte, essa sub-raça, que, segundo a evidência dos critérios lisbonários só servem para estorvar o todo do país, que para eles, é obviamente Lisboa.
O certo é que, desde que a Troika chegou a Portugal para credibilizar a austeridade e nos fazer assumir responsabilidades alheias, a comunicação social está concentrada na intriga partidária do arco do poder e o resto é irrelevante. Não que a Troika seja responsável pela indiferença dos media pelo resto do país, porque essa sempre existiu, agora o que era inimaginável é que o Porto Canal alinhasse pela mesma bitola e tenha praticamente desistido de enfatizar o tema da Regionalização.
Sendo, como consta, o Porto Canal propriedade do FCPorto (detém a maioria do capital) não se entende como é que Pinto da Costa que foi um dos principais alvos e vítima do centralismo, sendo conhecido o seu inconformismo contra o mesmo, como é que ainda não apostou no reforço editorial do canal na componente regional e determinou outra dinâmica de forma a criar uma espécie de barreira ao crescimento incontrolável desse centralismo. Eu, não sou capaz de compreender tal postura, e até a acho um tanto contraditória.
Sendo, como consta, o Porto Canal propriedade do FCPorto (detém a maioria do capital) não se entende como é que Pinto da Costa que foi um dos principais alvos e vítima do centralismo, sendo conhecido o seu inconformismo contra o mesmo, como é que ainda não apostou no reforço editorial do canal na componente regional e determinou outra dinâmica de forma a criar uma espécie de barreira ao crescimento incontrolável desse centralismo. Eu, não sou capaz de compreender tal postura, e até a acho um tanto contraditória.
Não basta à direcção do Porto Canal dizer que é pelo Norte, é preciso dar provas que está a trabalhar nesse sentido. A sério. Terminar com um dos melhores programas sobre questões regionais (Pólo Norte), prova o contrário. E o que tem feito nos últimos tempos em matéria de informação, programação e criatividade tem sido regressivo e indigno para o público alvo. Se consultarmos o guia programático do JN de televisão das 6ªs. feiras chegámos cedo á conclusão que o Porto Canal é dirigido em cima do joelho pois nem sequer fornece ao referido jornal a grelha semanal de programação. Custa portanto a acreditar que o FCPorto faça parte desta anarquia programática, porque não é a isso que estamos habituados, ou então não surpervisiona o Porto Canal, ou confia demais em Júlio Magalhães. E se confia, das duas, uma: ou sabe o que se está a passar e consente, ou não sabe e pactua com a situação.
Outro erro crasso da direcção do Porto Canal, quiçá o mais grave, é fazer dos espectadores um bando de idiotas a quem tudo é possível omitir e transmitir. Imaginar que os espectadores não se estão a aperceber das guerrinhas silenciosas entre Pinto da Costa e Rui Moreira, quando toda a gente reparou que Rui Moreira desde que foi eleito, não foi uma única vez aos estúdios do Porto Canal é fazer deles burros. A história recente com a atribuição da medalha de honra da cidade a Rui Rio não explica tudo, porque este clima de silêncio barulhento já se "respira" há uns mêses, não é de agora. Na noite de S. João os portuenses (e os lisboetas também), puderam constatar que Pinto da Costa se juntou ao presidente da C. M. de Gaia, Eduardo Victor e A. José Seguro em Gaia, enquanto do lado de cá, no Porto, Rui Moreira festejava acompanhado de António Costa... Resultado: aquilo que aparentemente o S. João "uniu" (os presidentes das duas cidades) a polítiquice e o futebol separou.
Repito, se isto é Porto, eu não sou de cá, nem me revejo nestes portuenses. E lamento-o. Por isso, me parece que, ou os gajos de Lisboa andam a dormir - o que me custa a admitir - ou aqui há gato escondido com rabo de fora e existe uma explicação, por hora bem escondida, para tudo isto .
Não tarda, haveremos de descobrí-la. Só não consigo é levar a sério toda esta gente que passa o tempo a falar do centralismo e lhe entrega de bandeja aquilo que ele mais quer, ou seja: guerrinhas divisionistas para melhor reinar e dormir descansado.
Afinal, o Norte, os tais gajos do Norte, não passam de uma fábula.
Não tarda, haveremos de descobrí-la. Só não consigo é levar a sério toda esta gente que passa o tempo a falar do centralismo e lhe entrega de bandeja aquilo que ele mais quer, ou seja: guerrinhas divisionistas para melhor reinar e dormir descansado.
Afinal, o Norte, os tais gajos do Norte, não passam de uma fábula.
27 junho, 2014
O rei Ronaldo não faz milagres, agora segue-se a tesoura dos bajuladores
Quando são os detentores do poder os primeiros a prevaricar, seja em que plano for, o que é que se pode esperar da Federação Portuguesa de Futebol e da selecção? Então, o que é que essa gentinha que alguns eleitores fiéis e críticos ferozes dos abstencionistas, levaram ao poder [através do voto], tem andado a fazer senão mentir-nos e a dar péssimos exemplos de integridade e boas maneiras? O que queriam? Milagres?
Talvez pelo estigma herdado de Hitler, não simpatizo com os alemães, mas não foi com milagres que eles conseguiram convencer os xenófobos EUA a importar BMs, Porches, Mercedes e outras marcas mais simples, relegando mesmo os produtos americanos para um patamar de qualidade inferior. Não foi com milagres não. Goste-se ou não, foi com muito trabalho e uma mentalidade de rigor muito vincada, ao contrário de nós que só sabemos invejar o sucesso dos outros e arranjar pretextos para esconder as nossas incapacidades inventando sistemas e frutas. Para o caso em apreço, nem era necessário pedir que nos esforçássemos por seguir padrões organizativos tão elevados como os dos alemães, bastava que quiséssemos muito fazer bem e melhor e escolher para a selecção o melhor dirigente, o melhor treinador, e os melhores jogadores, independentemente dos clubes de origem e das simpatias... Só que por cá, Lisboa manda, e o resto do país obedece e aplaude (sim há por cá quem aplauda). Se manda política e economicamente, como não havia de mandar no futebol e decidir quem deve ou não ser seleccionado?
Entretanto, os clubes sul americanos brilham em pleno neste Mundial, sem precisarem para isso do folclore e do trabalho paranóico das televisões, nem dos penteados amaricados de Ronaldos e Meireles, centrando as energias físicas e psicológicas naquilo que interessa: no bom futebol. Neste Mundial [enfim, e noutros) em termos de futebol, Portugal é do terceiro Mundo. Uma vergonha! Como podemos nós sentir orgulho por tamanha mediocridade? É assim, elogiando quem não merece que queremos evoluir? Que raio de povo este.
24 junho, 2014
Nem o S. João consegue unir os portuenses

Ninguém pode ficar indiferente à guerra pelo poleiro entre os Antónios da família PS. Família? Por que não? As famílias de sangue serão assim tão diferentes das famílias partidárias? Humm... cheira-me que não.
Já disse por mais que uma vez, que como cidadão eleitor não voltarei a votar para as legislativas enquanto os candidatos não me derem garantias pessoais sobre a sua idoneidade, e que essas garantias terão obrigatoriamente de ter cobertura patrimonial. A palavra de honra não conta para este "campeonato", porque está mais que provado que na política o património da palavra há muito que faliu.
Posto isto, e voltando à triste figura dos dois Antónios do PS, direi que se fosse militante e tivesse de tomar partido por algum nesta contenda, mandava-os dar uma volta ao bilhar grande e proporia a expulsão de ambos do partido. Seria uma decisão temperamental é certo, mas quando são os próprios líderes do partido a cuspir nos estatutos teria outra alternativa? Pentear macacos, talvez?
Mário Soares, pai da incoerência política tem culpas neste cartório. Agora que está velho e quase gágá, anda a fazer apelos aos militantes para não se esquecerem que o PS é um partido de esquerda, e volta a tratá-los por camaradas, quando foi ele mesmo quem meteu o socialismo na gaveta e que esvaziou a democracia de uma coisa fundamental para o seu bom funcionamento: autoridade.
Não, não leram mal: autoridade sim. A autoridade é o respeito absoluto pela Lei. Não me importo de ser mal interpretado (já estou habituado), porque se pensarem bem é aí que reside o maior problema do país. Sem respeito pela Lei não há respeito por nada, em nenhum lugar. E para haver autoridade tem de haver rigor e isso não tem nada a ver com totalitarismos. São os oportunistas, os corruptos, que gostam de regimes com sistemas de justiça "flexiveis", são esses os principais defensores de democracias amputadas da sua alma mãe que é a Justiça.
Não, não leram mal: autoridade sim. A autoridade é o respeito absoluto pela Lei. Não me importo de ser mal interpretado (já estou habituado), porque se pensarem bem é aí que reside o maior problema do país. Sem respeito pela Lei não há respeito por nada, em nenhum lugar. E para haver autoridade tem de haver rigor e isso não tem nada a ver com totalitarismos. São os oportunistas, os corruptos, que gostam de regimes com sistemas de justiça "flexiveis", são esses os principais defensores de democracias amputadas da sua alma mãe que é a Justiça.
Não quero com isto afastar-me do tema de momento, portanto regresso e termino com o S. João. Continua a ser evidente o amuo, mais ou menos silencioso, algo enigmático, estranho, incompreensível mesmo, entre o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e Pinto da Costa do FCPorto. Ontem, P. Costa esteve em Gaia com o edil da cidade Eduardo Victor, e do lado do Porto, Rui Moreira preferiu juntar-se a Manuel Pizarro e ao convidado de honra António Costa, um dos contendores da família PS...
Mas o que é que se passa meus senhores? Quando é que ganham juízo? Que sombrios rancores estarão a toldar-vos o cérebro? Acham por acaso que o S. João faz milagres tão bem feitos capazes de esconder tanto azedume? Nâo, não faz!
E o Norte, como fica? Onde está o vosso espírito combativo, a vossa solidariedade? E o Porto e Gaia? Essas cidades que todos dizem amar? Peguem num alho-porro e chafurdem-se com ele, mas resolvam as vossas guerrinhas de uma vez. Olhem para o Porto!
22 junho, 2014
Gosto de futebol não gosto de histerismo
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| Anda burrinho, vamos apoiar a selecção! |
São 18H00 de domingo, dia em que a selecção portuguesa vai jogar com a congénere do Estados Unidos da América.
O jogo será transmitido para Portugal mais logo, às 23 horas, por isso não sei qual será o resultado, mas algo me diz que vamos perder e ser recambiados prematuramente de regresso à terra... Terra essa que não se chama Entroncamento como aquela localidade próxima de Torres Novas, mas que se calhar devia chamar-se, porque os fenómenos acontecem por todo o país.
Posso enganar-me, tudo é possível, mas não vejo a equipa portuguesa com aquele espírito, com aquela determinação e qualidade que caracteriza os vencedores. Nem tão pouco creio nas artes milagreiras de Ronaldo para resolver aquilo que compete a toda uma equipa. O futebol é um desporto de equipa constituída por onze jogadores, não por um, por mais fantástico que ele seja.
Logo, talvez precisemos mesmo de um milagre para continuarmos na competição.
Mas o fenómeno que verdadeiramente me intriga é não conseguir saber por que é que um povo que anda a ser causticado por um grupo imberbe de governantes, catraios amadores sem currículo de relevo, que lhe rouba os salários e lhe rapa as reformas, consegue ainda assim encontrar num cantinho do coração, uma ponta de orgulho pátrio por uma selecção concebida por centralistas e para centralistas. Resumindo: como pode sentir orgulho por uma selecção feita à moda e às conveniências de Lisboa, como se fosse a selecção de Portugal...
Mas o fenómeno que verdadeiramente me intriga é não conseguir saber por que é que um povo que anda a ser causticado por um grupo imberbe de governantes, catraios amadores sem currículo de relevo, que lhe rouba os salários e lhe rapa as reformas, consegue ainda assim encontrar num cantinho do coração, uma ponta de orgulho pátrio por uma selecção concebida por centralistas e para centralistas. Resumindo: como pode sentir orgulho por uma selecção feita à moda e às conveniências de Lisboa, como se fosse a selecção de Portugal...
Claro que a comunicação social é a principal responsável por este cíclico folclore de euforia e histerismo, mas mesmo assim adorava descobrir a racionalidade do argumentário que o fundamenta quando o povo é tão maltratado e escorraçado para longe do seu país por quem o devia proteger. A menos que o orgulho de ser português se tenha tornado numa espécie de amor platónico onde a racionalidade não tem lugar.
Convenhamos, que se assim fôr, será caso para pensar se este povo além de burro, não será sádico.
PS-O jogo terminou e o que pressentia consumou-se. Não perdemos, empatamos, mas é como se tivéssemos perdido, o empate afásta-nos praticamente da prova.
Em termos de espectáculo, foi o pior jogo a que assisti, e já assisti a muitos. Portugal não merece continuar, não tem categoria. Fez-se justiça. Ah, e o choradinho do costume já se faz ouvir. Isto é fado, impuro e choradinho...
PS-O jogo terminou e o que pressentia consumou-se. Não perdemos, empatamos, mas é como se tivéssemos perdido, o empate afásta-nos praticamente da prova.
Em termos de espectáculo, foi o pior jogo a que assisti, e já assisti a muitos. Portugal não merece continuar, não tem categoria. Fez-se justiça. Ah, e o choradinho do costume já se faz ouvir. Isto é fado, impuro e choradinho...
21 junho, 2014
19 junho, 2014
Jornais desportivos são vigarice, mas vendem. Viva a vigarice!
Não é fácil nem pacífico, lidar com a prepotência da comunicação social. E se falarmos da imprensa desportiva, o caso é ainda mais bicudo. Consta que é mais ou menos assim em todo o lado, não posso afirmá-lo, nem tenho como prová-lo, mas não acredito que haja imprensa desportiva mais sectária e desonesta como em Portugal. E por que é que isto acontece? Calculam? Eu tenho algumas respostas, as minhas, claro...
Uma, quiçá a mais lamentável de todas, é que, a coberto do argumento demagogo mais conhecido por liberdade de opinião, oportunisticamente irmanado com a sacro-santa democracia, permitiu-se à comunicação social direitos e impunidades que são negados à maioria dos cidadãos. Ou seja, mentir, discriminar e burlar. Muitos desses jornais fundamentam tão prestigiante conduta (sem o assumir), sempre com a imperiosa necessidade de vender para sobreviverem! E pronto, fica dada a explicação, não precisam de acrescentar nada. Qualquer larápio maltrapilho usa o mesmo argumento, mas estes são mais sofisticados, estes são larápios com status... Por outras palavras, a mentira, o hábito de levar ao engano os consumidores, é tido (nos media) como uma forma legítima e natural de ganhar a vida. Ora, como há sempre quem queira interpretar mal o que lê de viés, afirmo, como afirmei várias vezes, que considero o jornalismo uma actividade imprescindível numa democracia, desde que seja desempenhada com toda a seriedade. E no caso em apreço, não é.
Outra das razões, é também a passividade dos dirigentes dos clubes e atletas face a esta praga. Seja por medo, seja por haver interesses em comum, a verdade é que pactuam com esta pouca vergonha. Faltam provas? Não senhor não faltam. Pelo contrário abundam, tal é o despudor e o sentido de impunidade que se instalou na corporação e os cidadãos pouco podem fazer com elas.
Eis um extracto que retirei da blogosfera portista, publicado nos 3 jornais desportivos desde Maio deste ano com putativas contratações de jogadores só para o FCPorto:
Guarda-Redes
Keylor Navas Levante
Defesas
Braima Cande-Sporting (Juniores)
Daniel Opare-Standard Liege BEL.
Alberto Moreno-Sevilha
Miiko Albornoz-Malmo
Raphael Guerreiro-Lorient
Juan Bernat-Valencia
Nacho Fernandez-Real Madrid
Igor Lichnovski-Universidade Chile
Éder Balanta-River Plate ARG.
Aderlan Santos-Braga
Marc Bartra-Barcelona
Malthe Johanssen-Brondby
Medios
Cristian Tello-Barcelona
Carlos Carbonero-River Plate ARG.
Quincy Promes-Twente HOL.
Enner valencia-Pachuca MEX.
Leocisio Sami Maritimo
Suso Liverpool
Sergi Roberto-Barcelona
Evandro Goebel-Estoril
Abdelaziz Barrada-Al Jazira EAU
Yacine Brahimi-Granada CF
Avançados
Raul Jimenez-America Mexico
Michy Batshuayi-Standard Liege
Guido Carrilo-Estudiantes
Alvaro Morata-Real Madrid
18 junho, 2014
Uma homenagem contestada
Nunca apoiei, porque nunca apreciei, o estilo nem os resultados da gestão de Rui Rio enquanto presidente da Câmara do Porto, e por essas razões, nunca teve o meu voto. E mais. Sempre considerei algo exagerada a imagem de homem íntegro que alguns criaram a seu respeito - sobretudo lá para os lados da capital -, porque a forma agressiva, hostil mesmo, como lidou com o FCPorto, foi mais oportunista do que séria, e isso nunca irei esquecer. É que, concorde-se ou não, os portuenses, sobretudo aqueles que mais se identificam com os símbolos e as tradições do Porto, viram nesse comportamento uma forma de traição, uma maneira cínica de agradar ao poder central e respectivo eleitorado para se promover. Associando estes factos ao seu feitio conflituoso e muito pouco empreendedor e até ao mito de bom contabilista (Fernando Gomes demonstrou-o num artigo do JN e não foi desmentido), pouco resta para elogiar a personagem.
No entanto, admito que outros não pensem como eu e que considerem ajustada a fama de que gozou (repito, exagerada) de homem sério, apenas porque tinha o "dom" de usar com mais frequência o não do que o sim em tudo o que tocava e que resultava quase sempre na paralização das negociações que encetava (Mercado do Bolhão, Rivoli vs Filipe Láféria, Teatro Campo Alegre,obras na Av. da Boavista, etc., etc.). Por isso, sob este ponto de vista, não concordo com a atribuição a Rui Rio da Medalha de Honra da Cidade. Compreendo sim, que Rui Moreira apoie esta iniciativa por uma questão pessoal de gratidão com Rui Rio por ter sido o seu principal apoiante na sua candidatura à Camara do Porto que o conduziu ao cargo de Presidente que hoje ocupa.
Continuo a pensar, e já há alguns sinais que o indiciam, que Rui Moreira é muito diferente de Rui Rio. Os próprios vereadores da oposição o têm demonstrado. Manuel Pizarro do PS e até Pedro Carvalho da CDU que o digam, independentemente das inevitáveis discórdias pontuais. E também não acho que seja o momento para a oposição se agarrar ao prestígio de Pinto da Costa para daí retirar dividendos políticos, conhecendo como conhecem a simpatia de Rui Moreira pelo FCPorto e até da amizade que o une ao Presidente portista. Lá chegará o momento, se calhar muito mais oportuno e adequado para homenagear Pinto da Costa, disso não tenho dúvidas.
Pessoalmente, preocupam-me mais, como o atestam os vários posts que tenho dedicado ao tema, os sinais de marasmo e de mediocridade evidenciados no Porto Canal. E isso, é também da responsabilidade de Pinto da Costa. Ou não será?
15 junho, 2014
O que de melhor havia no Porto Canal, acabou...
Não é nenhuma novidade para quem passa pelo Renovar o Porto e lê o que aqui escrevo, que tenho uma opinião bastante negativa sobre o trabalho desenvolvido por Júlio Magalhães, enquanto director Geral do Porto Canal. E disse enquanto director Geral porque, ao que sei, é a ele e só a ele que compete a última palavra na decisão de aprovar, ou não, o que o director de Informação e Programas (Domingos Andrade) lhe põe na secretária para assinar. Isto, se as práticas hierárquicas funcionarem dentro da normalidade, respeitando naturalmente as competências de cada departamento. Por outras palavras, se a falha na programação parte do director de Programas, cabe contudo ao Director Geral dar o OK para que estes sejam emitidos. Por conseguinte, e em última análise, o Director Geral é sempre o principal responsável. Acima dele, estão os proprietários accionistas da estrutura maioritária do FCPorto e da MediaPro, mas pelo que se vê, estes não têm qualquer interferência na programação, excepto nos conteúdos desportivos entregues a Rui Cerqueira, director Desportivo.
O desagrado pelo rumo que o Porto Canal está a levar prende-se com critérios e opções pouco condizentes com as expectativas criadas. Além das maçadoras repetições, verifica-se uma enorme falta de imaginação e pouca objectividade programática. Para reforçar o que tenho dito há uns mêses a esta parte, chegou a má notícia do fim do melhor programa de debate das sextas-feiras, anunciada no último programa "Pólo Norte" pelo voz do moderador David Pontes. Se havia programa com interesse, era este, ao contrário de outros, como o "Parlamento das Regiões" de Fernando Tavares, cujos convidados, deputados regionais sem estaleca, mais se parecem com catraios a discutir futebol do que pessoas idóneas, informadas e empenhadas nos problemas das regiões. Se há programa de debate dispensável, este podia ser um deles. Mas, não. Foram acabar precisamente com o melhor, o mais qualificado, o mais sério, quer nas temáticas, quer na qualidade dos intervenientes (Manuel Carvalho e José Mendes).
Quem tomou tal decisão, e por que a tomou, é o que nos falta descobrir, mas provavelmente vamos ficar a saber o mesmo, porque o ar de gajo porreiro de Júlio Magalhães é enganador e está cada vez mais distante da consideração devida aos espectadores, uma vez que nem sequer se dá ao trabalho de os informar...
Numa altura em que as regiões estão na ordem do dia, em que parece nascer um novo paradigma no modo de administrar as autarquias e de cooperação entre si, a direcção do Porto Canal decidiu dar um tiro no melhor programa sobre regiões (talvez o único no país), completamente em contra-ciclo com a política da abertura de delegações no norte do país e no sul... em Lisboa.
Se alguém for capaz de me dizer se compreende o que se está a passar que o diga e explique muito bem, mas (por pavor), sem fazer de mim muito burro, porque eu não consigo compreender.
A falta de dinheiro, é para mim a única razão plausível, mas mesmo assim, insuficiente.
A falta de dinheiro, é para mim a única razão plausível, mas mesmo assim, insuficiente.
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