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Cabestany disse o que o Presidente
só diz fora do contexto |
Não me sinto no dever de justificar as minhas opiniões, a não ser quando alguém me apontar hábitos de contradição devidamente explicados com factos. Sem isso, é inútil argumentarem com aldrabices porque nem sequer me dou ao trabalho de publicar comentários dessa natureza. Era o que me faltava copiar os maus exemplos dos políticos e dos governantes deste país, porque nem sequer merecem um minuto da minha atenção, quanto mais da minha consideração. Naturalmente, não estou a referir-me aos comentadores habituais do Renovar o Porto que já me conhecem um pouco, e sabem que não admito comentários obscenos. Como já devem saber, para mim, que não sou político, nem anarquista, a liberdade da democracia obedece a regras, por isso tem de ser limitada (ao contrário do que defendia o falecido Mário Soares). Foi a partir do dia em que o vi a desautorizar publicamente um polícia na via pública que perdi o resto de consideração que por ele nutria.
Vale isto por dizer que não gostava vir a ter a mesma decepção com Pinto da Costa. Esse sentimento já esteve mais longe, mas ele continua a não fazer tudo o que deve pelo FCPorto. Não alimento o culto da idolatria, nem por ele, nem por ninguém, contento-me em não me enganar quando admiro alguém, quer pela sua competência, quer pela sua integridade intelectual.
Os slogans não fazem um clube, mas são relevantes num determinado enquadramento, ou seja, quando o clube é bem gerido, e dessa boa gestão se conseguem sucessos desportivos com regularidade. Mas não servem para grande coisa quando a cara não diz com a careta. Servirá certamente quando e se o belo "somos Porto" conseguir manter a perenidade da garra anterior, e se tivermos um presidente à Porto. E por favor, evitemos a demagogia, não entremos pela pieguice purificadora de sacrificar o clube para defender o presidente, que (todos sabemos) não tem as mesmas condições de saúde e idade para presidir ao FCPorto a tempo inteiro. Podem ficar desapontados com o que venho dizendo há longo tempo, mas esse presidente à Porto deixou de o ser. Se querem defender o FCPorto, então usem o pragmatismo de Pinto da Costa de outrora e não a passividade que ele tem agora. É compreensível, mas não é recomendável para o futuro do clube.
Foi com um Pinto da Costa pro-activo que ele próprio conquistou a fama de bom presidente, fama essa de que ainda hoje goza imerecidamente por parte de alguns adeptos.
Esta fidelidade aparente dos adeptos com o presidente portista pode dar ideia de estabilidade mas a qualquer momento pode perder-se. O FCPorto, ninguém pode negá-lo, foi muito mal gerido desde 2013 a esta parte, salvaguardando a milagrosa época 2017/2018 pela batuta do improvável Sérgio Conceição. Mas não pensem que eu quero eleições apressadas. Nada disso, queria sim que Pinto da Costa as preparasse se porventura tivesse algum candidato fiável a ocupar o seu lugar. Se sair abruptamente pode atrair candidatos suspeitos que podem gerar o caos no FCPorto. Isso, não quero, mas também não quero este Pinto da Costa. De resto desejo-lhe longa vida e muita saúde.
Insisto neste assunto por muitas razões, algumas das quais já apresentei aqui. Mas esta tarde, voltei a ser confrontado com uma situação bizarra que pode vir afectar as prestações das equipas portistas de outras modalidades. Foi no jogo de Hóquei em Patins entre o FCPorto e o Sporting de Tomar.
Cautela e caldos de galinha é coisa que não dispenso para que o Renovar o Porto não seja invadido pelos moralistas do costume. Primeiro em jogo jogado o FCPorto mereceu perder. A fantástica equipa do FCPorto tem revelado nos últimos jogos um nítido abaixamento de forma, como é evidente. Nota-se a desmoralização estampada no rosto dos jogadores! Por quê, não sei, mas só posso imaginar.
O FCPorto conseguiu ganhar em casa ao Benfica, mas baqueou hoje com o S. Tomar por 4-3. Se me limitasse a avaliar a exibição das duas equipas o meu comentário ficava só por aqui. Mas não posso, porque para ser honesto com a apreciação do jogo sem considerar a conjuntura estaria a fazer meia apreciação. É aqui que o problema se coloca e que os dirigentes portistas não se atrevem a resolver: o FCPorto quando vai jogar fora, sobretudo para o sul do país, tem sempre que suportar situações intoleráveis e anti-desportivas contra as quais treinadores e jogadores pouco podem fazer.
Guillem Cabistany foi expulso e impedido de acompanhar a sua equipa no jogo anterior, privando-a da sua (importante) presença por ter dito (com razão) que "tinha assistido à maior vergonha numa pista de hóquei" Hoje, os jogadores do Tomar usaram da matreirice do costume, mas jogaram bem e rápido, sem entrarem na pancadaria de outros. Contudo, o jogo estava permanentemente a ser interrompido para o ringue ser limpo quando os jogadores portistas causavam mais perigo. E os árbitros corroboraram nessa comédia... Foi de partir tudo!
Coisas destas são recorrentes em todas as modalidades. Como é possível moralizar uma equipa para ter que jogar nestas circunstâncias sabendo que o clube onde jogam não é capaz de reclamar esta pouca-vergonha! Como? Que querem os grandes adeptos do FCPorto? Que seja o treinador a substituir o presidente? É isso?
Bem, isto desgasta uma pessoa e gera revolta. Se a SAD do FCPorto não a sente, ou é porque anda a dormir, ou porque se está a borrifar para o FCPorto e para os adeptos. Eu, como portista não me sinto lá muito considerado! Nada! Nem uma declaração de repulsa contra estas situações são capazes de fazer.
Haverá ainda quem não tenha coragem para abordar este assunto, só para proteger o senhor presidente? Então, não é o FCPorto o clube? Ou andam a confundir o clube com uma propriedade do senhor presidente? Eu não confundo, podem ter a certeza. Já o apoiei, porque merecia. Hoje, não merece essa atenção. As razões, já acabei de as expôr. Oxalá não seja o próprio Pinto da Costa a cavar o melhor do seu tempo enquanto presidente. Dependerá dos próximos resultados e da conclusão do Benficagate.
Resumindo: "Quem não reage a uma infâmia por não poder contar com a justiça sujeita-se a alimentar os seus com cobardia".