Como ontem escrevi, as entrevistas silmultâneas do Presidente do FCPorto e do Orelhas em estações diferentes [RTP1 e SIC], apenas serviram para dividir audiências e para as comparar. Mesmo assim, Pinto da Costa levou larga vantagem sobre o seu rasca imitador da 2ª. circular. Imaginem o que seria se as entrevistas fossem em separado!
Pelo pouco que à posteriori pude ver, o Miguel Sousa Tavares não foi o entrevistador corrosivo que se impunha. Parecia um cordeiro, quase um lambe-botas. Como portista, não gostei do seu papel de entrevistador, muito permissivo e tolerante. Não se lhe pedia que imitasse a Manuela Moura Guedes, mas, nem oito nem oitenta, não precisava de ser tão delicado. Como entrevistador, definitivamente, não é grande coisa. Neste momento a SIC deve estar a repensar a gananciosa estratégia de imitar à pressa a concorrência. Quanto a Pinto da Costa, pareceu-me menos solto que noutras alturas. Tal já era de prever, tanta tem sido a mordaça que um débil mental - convencido que é jurista -, lhe tem tentado colocar na bôca. Mesmo assim, pareceu confiante e creio que transmitiu essa imagem aos adeptos. De resto, nada de novo.
Mudando de assunto. Fui ao velhinho dicionário de Augusto Moreno vasculhar o que lá se dizia sobre élites, e dizia assim: alta roda; sociedade elegante; os melhores elementos de uma sociedade ou grupo; o escol, a fina flor. Presunções ou mariquices à parte, o adjectivo que actualmente alguns tentam fazer prevalecer, é o terceiro: os melhores elementos de uma sociedade. E o que é que se pode entender por élites no melhor sentido da palavra? Para mim, é simples. Os melhores elementos da sociedade são todos aqueles, que através da sua inteligência, determinação e voluntariedade, contribuem de algum modo para a melhorar, quer em termos humanos e científicos como tecnológicos. A economica e as finanças também se incluem no pacote elitista, desde que a criação de riqueza seja distribuída pela comunidade de forma justa e séria. Não pertence a uma elite o assambarcador, o rico improdutivo. Portugal está saturado de ricos vigaristas. A este grupo pertencem, entre outros parasitas, muitos, demasiados políticos. É preciso acabar com esta peçonha, e depressa. Mão pesada, e cadeia com eles, tem de ser a palavra de ordem do futuro próximo.
É por ouvir falar demais das élites portuenses e por não as vislumbrar em lado nenhum que vos preguei este sermão. Neste momento, gostava de me entusiasmar com notícias positivas das obras que estão por fazer, mas já não sou capaz. No Porto, andámos há tempo de mais a discutir projectos, alterações de projectos, e alterações às alterações dos projectos. É enfadonho, deprimente mesmo. É o mercado do Bolhão que não há meio de ser reabilitado, é o Pólo de Serralves na Senhora da Hora que nunca mais começa, é a ampliação das linhas de Metro para Gondomar , é a linha do Campo Alegre, ora à superfície, ora enterrada, é o bairro do Aleixo, é a reabilitação urbana do Porto [não só o centro histórico]. Tanta coisa para fazer e por fazer, há tanto tempo! Optimismo? Vão brincar com o S. Pedro! Ou, com Rui Rio...
Se há cidade onde o célebre efeito difusor [o tal de spill-over] já está a ser aplicado é no Porto, só que no sentido contrário ao que seria de prever. Deve ser por causa dele que a Via Porto [não se impressionem, o "Porto" é mesmo para disfarçar], pertencente ao consórcio da Barraqueiro, de Lisboa, venceu o concurso para a concessão de exploração do Metro do Porto, afastando a portuense Transdeve [Efacec]. Apesar de esta ter interposto uma acção em Tribunal contra a Barraqueiro, os argumentos que apresenta parecem pouco convincentes para alterar a decisão. Por isso, não se admirem se nos próximos tempos virem nas costas dos casacos dos homens da Metro do Porto a lisboeta Barraqueiro bem escarrapachada! Até ao momento, não tínhamos motivos de queixa dos serviços da Transdeve, mas futuramente, só podemos melhorar, está-se a ver...
Ó élites do Porto, adonde estaindes, que ninguém vos vê? Ah, já sei, talvez em Saint Moritz numa estância de ski a dessenferrujar as pernas. Há que disfrutar das férias da Páscoa, e é preciso fazer sacrifícios, apertar o cinto, não é assim ... Ou então, aproveitar para fazer a rodagem do último tôpo de gama da BMW, e ir comer umas ostras da Bretanha, a Cancale.
Por falar em férias e em élites, consta que o candidato a líder do PSD, Aguiar Branco, não se encontra no país. Não, não pode ser, estamos em crise. A esta hora deve é estar a pensar numa alternativa credível ao PEC.