17 abril, 2010

Lilás e azul dragão

Lilás

Um pouco de
Azul Dragão e,
Vermelho na mão
Chegaremos ao tom
Predileto do coração.
Lilás é “a” cor...
Evoca o perfume
Da infância,
Relembra um amor...
Roxo, Lilás, Lavanda,
Espalhada pelos campos
E pelas varandas;
Em meus cabelos,
Perfumada guirlanda.

neli araujo
2010

16 abril, 2010

Mais uma pérola de Sócrates

Clique sobre o título do post e leia. 

Assim se mede o nível dos "lideres"...

Leo Ferré, para quem gostar...




...eu, gosto.

Bom fim de semana!

Corridas Red Bull e da Boavista deram prejuízo

Sem ironia, neste momento, gostava muito de saber se os simpatizantes da política camarária de Rui Rio continuam a depositar-lhe a mesma confiança. É que, depois de tanta apatia, de tanta inércia, de tanta falta de ideias para reabilitar a nossa cidade, talvez seja chegado o momento para perceberem que as competências de um líder autárquico não começam e terminam na sua seriedade. É importante, fundamental, mesmo, mas está longe de ser suficiente.

É que, pelos vistos, já nem as corridas de aviões e  automóveis lhe valem. Segundo notícias do jornal Público, a Porto Lazer não foi capaz de gerar lucros com essas iniciativas, teve mesmo um prejuízo superior a 1,2 milhões de euros! Poderá dizer-se que o comércio local não tenha a mesma opinião, porque sempre "enche" um pouco mais os cofres no prazo de duração desses espectáculos, mas para um Presidente que tanto se reclamou de rigoroso com as contas parece-me algo contraditório...

O projecto do mercado do Bolhão continua a não passar de uma notícia virtual. Tanto tempo, tanta indecisão! Bolas, senhor Rui Rio, veja lá se antes de acabar o seu último mandato consegue deixar a cidade com obra que se preze! Esqueça os pópós e o Filipe Lá féria! Há coisas mais importantes!

14 abril, 2010

Esperança ou cepticismo?

Nuvens negras toldam os céus e os horizontes de Portugal. A 3ª República, se não bateu ainda no fundo, para lá caminha. Os políticos,que seriam supostos serem os timoneiros que conduziriam a nossa nau para águas mais tranquilas, têm feito todos os possíveis para se desacreditarem perante a nação, e verdade se diga que o têm conseguido. Nestas condições a eleição do líder de um dos partidos com peso suficiente para ser governo no futuro, do mesmo modo que já foi governo no passado, é um facto relevante para todos os portugueses, sejam ou não simpatizantes desse partido.

Será Pedro Passos Coelho uma lufada de ar fresco no panorama político, ou será "mais do mesmo"? Ninguém sabe, mas a esperança que nunca se deveria perder, levar-me-ia para a primeira hipótese. Por outro lado, a experiência do passado, e até mesmo o receio de nova desilusão, far-me-ia pender para a segunda. Em balanço, inclino-me para o lado da esperança. Vejo sinais positivos. Trata-se de alguém que não pertence ao aparelho do partido,aquele conjunto dos denominados "barões" que mais me apetece chamar de capos, à moda da Camorra. Depois, agrada-me a sua ideia de mexer o mais rapidamente possível na Constituição, esse monstro mal parido nos conturbados tempos do PREC. Se conseguir, como parece pretender, reformar as leis eleitorais, instituindo círculos uninominais ou o voto preferencial em substituição do vicioso sistema actual, um enorme passo em frente seria dado. Alterar o sistema de nomeação dos presidentes das Entidades Reguladoras, e também do Procurador Geral da República, parecem boas ideias. Acabar com golden shares e outras promiscuidades, também. Chegará um dia a autorização dos partidos chamados regionais?

Se é verdade que me agradam as ideias reformistas de PPC, as suas reticências (para não dizer oposição) à regionalização, deixam-me "de pé atrás". A regionalização é urgente, e a médio prazo é um dos medicamentos que o país necessita para se restabelecer. Pessoalmente só aceitaria o seu adiamento, por dois ou três anos, numa condição. Que o governo se comprometesse a alterar imediatamente o modelo económico vigente, que centraliza a maior parte dos recursos financeiros e humanos na região da capital, deste modo exercendo uma verdadeira acção colonizadora sobre os portugueses que ali não vivem. A resultante divisão em portugueses de primeira e portugueses de segunda, é intolerável. No dia em que esta dicotomia termine, poderá então todo o país encher-se de esperança. Até lá, com PPC ou com outro, vamos andando e vamos vendo!

12 abril, 2010

Ah grande Cidinha, por cá só há Cinhas e jardins...

Pedro Passos Coelho, Regionalização e Rendimento Mínimo

A minha opinião pessoal sobre a qualidade do actual regime democrático, não obedece a vínculos de filiação político-partidários, estou portanto à vontade para dizer o que penso sem papas na língua.
Antecipo-me assim a qualquer eventual comentário nessa direcção, para reafirmar a minha absoluta independência ideológica e profunda descrença no sistema vigente. Isto não quer dizer propriamente que tenha criado anti-corpos contra alguém com ideias novas [bem pelo contrário], mesmo que esse alguém venha da classe política, mas, devo confessar, que não estou mais disposto a conceder o benefício da dúvida a quem as apresente, dado ter atingido o ponto crítico de não retorno que manda primeiro ver, para crer. Estou nessa. Prefiro correr o risco de ser acusado de me refugiar atrás da abstenção, do que contribuir com o meu voto para a manutenção da mediocridade governativa do país e para quem, à custa disso, enriquece despudoradamente. Nessa, não quero estar. Por conseguinte, senhores políticos, se me estiverem a ler, já sabem, por mim V. Exas. não têm futuro. Terão direito a um lugar ao sol da minha consideração, a partir do dia que substituam os bons discursos por boas acções. Essa terá de ser a vossa rotina de vida.
Pela enésima vez, logo após a eleição de um Presidente político-partidário, não fiquei nada entusiasmado com o discurso de apresentação aos militantes. Pedro Passos Coelho não fugiu à regra, mostrando os primeiros sinais de conservadorismo ideológico como novo líder do PSD. Entre o discurso de circunstância, com remendos e panos quentes sobre rivalidades antigas, e de aparente reconciliação/união entre a família social democrata, Pedro Passos Coelho resvalou para os medos costumeiros dos líderes que o antecederam.
Primeiro, apontou para a criação de um região-piloto no Algarve [onde poderia ser senão ali?] para "testar" a Regionalização, e a seguir não resistiu à não solução de querer rever a Constiuição. Não podia ser mais contraditório. Primeiro, porque caiu na mesma palermice que impediu Portugal de criar regiões administrativas com a revisão constitucional que de lá as retirou e cujas consequências continuamos hoje a pagar. Segundo, porque escolheu o Allgarve, precisamente a região que mais tem beneficiado com apoios do Estado para estagiar o processo de Regionalização! Coerente, sem dúvida!
Depois, teve o fraco gosto de emitar o dançarino e submarineiro* Paulo Portas, apontando armas para os subsídio-dependentes como se os males de desgovernabilidade do país estivessem todos concentrados nesses infelizes! Para além da ausência de ideias substanciais, os candidatos a 1ºs. ministros revelam uma noção completamente distorcida da realidade. Primeiro, porque cometem um equívoco repetido quando argumentam - generalizando - que os beneficiários dos apoios sociais devem retribuir com serviço público à comunidade, o esforço que os "outros" contribuintes fazem como se os beneficiários não fossem [ou tivessem sido] eles próprios, contribuintes. Partem do princípio que quem recebe apoios nunca trabalhou nem descontou para a Segurança Social, o que é altamente injusto e irresponsável. Depois, não são capazes de apresentar alternativas aceitáveis para esses casos, ou, quando as apresentam raramente as concretizam. Já todos nos esquecemos daquela promessa deste governo que garantia estabelecer protocolos de colaboração entre empresas e desempregados de longa duração, com benefícios ou isenções fiscais para os empregadores.
O resultado é o que se vê: precaridade acentuada do emprego e mais desemprego. Agora, com estas ideias iluminadas copiadas a PPortas, PPassos Coelho prepara-se - caso venha a ser 1º.Ministro -, para gerar novos focos de oportunismo no empresariado português, que, salvo raras excepções, pauta por não gozar de grande reputação. O que vamos assistir, é a mais exploração de carne humana. Não falta quem já esteja a esfregar as mãos de contente para através dos miseráveis beneficiários do rendimento mínimo, terem quem trabalhe de borla!
Que a Segurança Social deve fiscalizar [mas se calhar não o faz] os abusos, de todos os casos de pessoas que nunca desenvolveram qualquer actividade profissional, nem descontaram impostos sociais dos seus salários, isso deve . Tem de o fazer. O que não fica bem, a um putativo candidato a 1º. Ministro e é de um populismo vergonhosamente elistista , é apertar o cerco a quem passa pelas maiores dificuldades com uma agressividade que não usa com os grandes ladrões da economia nacional e profissionais de off-shores, como certos administradores bancários que todos conhecemos, alguns deles seus correligionários! Haja ética e respeito pela inteligência dos cidadãos é o primeiro dos princípios para merecer credibilidade. Este discurso de P.P. Coelho foram os primeiros tiros nos pés. Aguardemos pelos próximos, porque pela amostra, também este candidato a altos vôos é um mau atirador.

*esta palavra tem direitos de autor, é minha. Vem do adj.submarino e significa: negociante de embarcações sub-aquáticas

11 abril, 2010

A Baixa do Porto

Os portugueses viciaram-se em centros comerciais, e deixaram de frequentar os centros das suas cidades. Os portuenses estão incluídos nesta apreciação e eu também estou. Para me redimir desta tendência, ontem, dia de sol bonito, resolvi ir à Baixa.

Os grafitti continuam soberanamente, perante a indiferença municipal, a emporcalhar a cidade. Ruas pedonais, como Sta. Catarina ou Sto. Ildefonso, continuam a ter trânsito automóvel e a servir para estacionamento. Obviamente a CMP revela incapacidade em resolver não só este problema, como o dos horários das cargas e descargas dos estabelecimentos comerciais. A praça da Batalha continua a pedir uma correcção aos trabalhos da Porto 2001, mas não deixa de estar agradável. O velho Águia D'Ouro ( quantas coboiadas vi naquele cinema!) está em obras para ser transformado em hotel, mas a sua fachada será preservada. O relógio do edifício do ex-Café Palladium, agora Fnac, continua a dar horas acompanhadas pela música dos sininhos, mas pareceu-me que as figuras que aparecem, estão com um qualquer problema de mobilidade. Imensa gente de nariz no ar, gozava o espectáculo, e muitos tiravam fotografias. Na realidade nota-se que os turistas são muitos, e numerosos autocarros, daqueles de deck superior desoberto, circulam cheios deles que, por pouco que gastem, representam actividade para vários sectores da economia da cidade. A base da Ryanair no Porto, tem com certeza influência nisso. Valeu a pena o combate travado por todos aqueles que lutaram contra a decisão do governo centralista, que se opunha à criação desta base no ASC.

Mais abaixo, verifico que o Il Café di Roma, junto à Brasileira, está fechado, dizem que para obras. Será? E a velha Regaleira também está fechada, sem que apresentem explicação. Será o fim? Há muitos, muitos anos quantos fabulosos pregos de lombo autêntico, ali comi! Parece que a Regaleira foi também o berço da inimitável francesinha, mas não me apercebi disso enquanto cliente. Para compensar, ali naquele mesmo troço inicial do Bonjardim, o Rei dos Queijos continua firme, cheio de coisas boas que não apenas queijos. Ao olhar para o idoso proprietário, atarefado atrás do balcão, pergunto-me se ele terá alguém que garanta a continuidade do estabelecimento, que faz parte da memória colectiva da cidade e como tal deve ser preservado.

Um pouco mais abaixo, a travessa dos Congregados continua a ser ninho de casas de comida, agora aumentado por um novo restaurante de aspecto agradável, com ementas de preços fixos a evitar surpresas desagradáveis. Não entrei, experimento numa próxima vez. Na Praça, nova surpresa: o Embaixador está de portas fechadas. Em compensação o McDonalds ( o "meu" antigo Imperial cuja sacristia tanto frequentei) continua cheio. Do outro lado da Praça gostei de ver as agradáveis esplanadas, desde a tradicional Sá Reis até a um novo restaurante de comida ligeira (onde almoçámos a contento e por pouco dinheiro) situado no edifício onde os mais velhos se lembrarão que existiam os telefones da TLP.

Feito o balanço, gostei da "excursão". Penso repetir em breve e recomendo que o façam também.

09 abril, 2010

O fenómeno futebol

Curioso, o fenómeno futebol! Cada vez que resolvo escrever sobre o tema, o nível de comentários sobe de forma vertiginosa. Isto, vale o que vale, mas pode querer dizer alguma coisa.
Quando criei este espaço de opinião, fiz questão de não o emparedar dentro de uma temática específica, tendo embora a cidade do Porto e tudo o que a envolve, como ponto nuclear. A abertura descomplexada ao debate sobre futebol foi intencional, uma espécie de teste, procurando estabelecer a ponte entre os afectos clubísticos dos leitores [que são dos mais fortes] e os interesses económico-sociais.
Noutros espaços do género, há quem discuta os assuntos com propostas vestidas de soluções consoante a área académica ou profissional de quem as apresenta. É uma opção válida, mas um tanto inócua, considerando as minúsculas oportunidades de execução das mesmas. Nós cidadãos, podemos teorizar, apresentar esquemas cientificamente válidos, mas ainda não vivemos numa sociedade devidamente estruturada para os aproveitar. Contudo, interiorizamos a ideia reconfortante para o ego de estarmos a fazer algo mais do que simplesmente criticar. Pura ilusão. Por mais sérios e rebuscados que sejam os nossos planos ou ideias, são outros, quiçá os mais incompetentes, quem os executa [quando executa].
Naturalmente, seria demagógico indignarmo-nos com os métodos distorcidos de premiar financeiramente o mérito de gestores de empresas publico-privadas e fechar os olhos aos dos directores desportivos do nosso clube, apenas porque se trata do nosso clube. O amor ao nosso clube não deve superar a exigência do rigor. Mas há um pequeno/grande detalhe a separar as mesmas águas: é que as vitórias do nosso clube funcionam como lenitivo para todas as frustrações, e por isso, consciente ou inconscientemente, nos dispomos a irrelevar a obscuridade das contabilidades e das grandes negociatas. Mas o futebol não é pior do que o resto. É igual. A diferença está no tipo de compensações, no feed-back do desperdício.
Ao gestor de uma grande empresa não toleramos que beneficie de sumptuosos vencimentos, porque não nos contentamos em saber dos lucros [objectivos] dessa empresa sem conhecer o destino que tiveram, de como, quem e quantos, deles beneficiaram. E com razão. Porque esse é o mistério que, curiosamente, nem os próprios jornalistas se interessam em desvendar... Ao dirigente desportivo, só pedimos é que vença, caso contrário, as contas terão então de ser feitas.
Com isto, não se deve extrapolar para o preconceito espalhado que diz que o futebol aliena. Não, a sociedade, tal como está esquematizada[mal, quanto a mim] é que aliena e mitifica. O futebol, limita-se a ser um ramo de uma gigantesca árvore com uma vantagem sobre todos os outros: distribui a "riqueza" dos afectos e encobre secretas frustrações com mais democracia. Por isso, agrada a uma maioria.

08 abril, 2010

Derrota épica!

E, como diria Jorge Jesus, vamos ganhar por quatro a um! Ah, ah, ah!

Hoje, fui patrioticamente inglês! Viva o Liverpool!

Lugar de Pinto da Costa gera formigueiro pandémico

Ando tão enojado com a política e com quem dela se aproveita para fazer fortuna que, à falta de um bom pau de marmeleiro para os meter na ordem, prefiro falar de outros assuntos. Ainda me incomoda mais quem defende as chamadas elites de colarinho branco que mais não são do que criminosos credenciados pelo poder para exercerem as suas lucrativas actividades ao abrigo de uma investigação policial que se preze. São as chamadas elites de merda [perdoem-me o grosseiro desabafo]!
Apesar de tudo, não sendo o futebol um mundo de virtudes, prefiro falar sobre ele. Ora, vamos a isso.

Paira no ar, mais propriamente na blogosfera portista, um clima de agitação àcerca da continuidade de Pinto da Costa na Presidência do FCPorto que me começa a preocupar. Não conheço o senhor Pinto da Costa a não ser enquanto dirigente do FCPorto, portanto, não é na qualidade de amigo ou conhecido que falo dele. Estou portanto à vontade para dizer que me preocupam sim, as vozes que, pressentindo o desaire da época futebolística decidiram vestir a roupa dos nossos adversários desatando a reclamar a sua substituição. Gente vulnerável esta. Bastou uma época menos conseguida para logo colocarem em causa a saúde mental de PdCosta.
Num ápice, ficaram para os confins da memória os ainda recentes anos de glórias, que nem o mais optimista alguma vez sonharia! Esqueceram-se que só no futebol e sem os mesmos recursos dos grandes clubes europeus, o FCPorto, pelas mãos de PdCosta, foi campeão europeu e mundial, duas vezes! Esqueceram-se de que, em mais nenhuma área, Portugal consegue equiparar-se com igual projecção aos melhores da Europa. Esqueceram-se das medíocres prestações governativas, do subdesenvolvimento económico e social do país, dos salários terceiro mundistas, do desemprego galopante, das vigarices escandalosas praticadas por homens ligados ao Poder, da lazarenta gestão camarária, das conspirações centralistas, dos cineastas viperinos, das escutas, dos apitos, dos processos nos tribunais, da ignomínia justiceira da Liga, das arbitrariedades, das injustiças. De tudo se esqueceram estes portistas de ocasião.
É claro, todos sabemos que ninguém é insubstituível, que um dia chegará que PdCosta terá inevitavelmente que dar o lugar a outro, mas por quê tanta ansiedade? Eu também não gostei do futebol praticado este ano, mas o treinador é o mesmo que ganhou 3 campeonatos seguidos, e no entanto, nunca apreciei o futebol de Jesualdo, e foi a ele que dirigi as minhas críticas. Não por ser mais fácil, mas porque no campo, é ele quem decide. Disse-o aqui este ano que não me importaria de "engolir" outro sapo se o FCPorto fosse campeão, mas reconheci-lhe o mérito por ter alcançado os objectivos. Todos percebem o que quero dizer, não vale a pena contra argumentar. Há êxitos que convencem e outros não. Foi o caso.
Palpita-me que no FCPorto já se perfilam putativos candidatos a qualquer coisa. O que lhes interessa agora é sacudir a água do capote para marcar posições. Palpita-me que, para desgosto dos portistas forever, um dia destes [que espero esteja longe] ainda vamos assistir à versão portista dos Vales e Azevedos* e Filipes Vieiras.

*Este vigarista continua a brincar às escondidas com a "Justiça" portuguesa e todos continuam a assobiar para o lado, incluindo os sempre atentos jornalistas. Já imaginaram o que seria se ele se chamasse Pinto da Costa?

07 abril, 2010

A CMP e a praça dos Poveiros

Embora não concordando com aqueles que afirmam que as obras efectuadas pela Porto Capital da Cultura 2001 foram um total desastre, reconheço que houve muita coisa mal feita. Um dos exemplos é a praça dos Poveiros, que se transformou num dos locais mais desagradaveis da zona central da nossa cidade. Não sei o que pensam os teóricos e os técnicos urbanistas sobre aquela versão minimalista do que seja uma praça, mas para mim aquilo é um desastre estético, agravado pela fraca qualidade dos edifícios que a rodeiam e que aliás se estendem para parte do jardim de S. Lázaro,alguns dos quais nem lugar teriam nas piores cidades do 3º mundo. (No blogue "As casas do Porto", com data de 18 de Agosto último, podem ver-se fotos daquela miséria)

Para piorar a situação, e de acordo com a queixa do proprietário de um estabelecimento local (PUBLICO de domingo passado) o espelho de água é actualmente um depósito de água estagnada, a praça é poiso de vadios frequentemente embriagados, e a escadaria de acesso ao estacionamento espalha odores nauseabundos por se ter tornado casa de banho improvisada.
Em resposta a esta queixa, a CMP parece reconhecer os factos e informa que a fonte é lavada semanalmente para retirar do fundo as porcarias que lá se acumulam, que os motores (supõe-se que sirvam para fazer circular a água) serão reparados (o que significa que a CMP conhce a anomalia mas tem estado a assobiar para o lado) e que a escadaria será limpa semanalmente,o que pressupõe que tem ignorado até agora a imundície que por lá vai. O resto da queixa, diz a informação da CMP, é assunto de polícia. Efectivamente assim será, mas cheira um bocado a "sacudir a água do capote". Podem assim os serviços camarários regressar ao abrigo tranquilo da sua burocracia, onde não há stress nem grandes preocupações.

Este pequeno episódio retrata o que se vai passando na nossa cidade e ajuda a explicar a falta de amor-próprio de que os portuenses sofrem. Temos um presidente da câmara que mantem a cidade em imobilismo desde o dia da sua posse, mas que poderia ao menos dinamizar os serviços camarários e pô-los ao serviço efectivo da cidade. Nem isso consegue.

Mas, em boa verdade, quem sou eu para assim querer contestar o resultado das eleições? Se foi esta a decisão soberana da maioria dos portuenses, pois que assim seja! Resta-nos esperar por melhores dias.

06 abril, 2010

"Por mim, a EDP até pode propor Balões a Ar Quente para o Tua"


… E transformar o Vale do Tua numa nova Capadoccia. E dizer que isso é a sua responsabilidade social, promovendo o turismo na região. Como o fez com a campanha publicitária de propagação dos seus valores ambientais, que acredito que tenha, mas que foi paga pelos próprios Fundos destinados à compensação da população afectada. Está bem, um cantor, uma empresa de audiovisuais de Belém e uma qualquer agência de publicidade sediada na capital, mais uns quantos jornais, rádios, tv’s e salas de cinema foram devidamente compensados pelo desaparecimento de uma linha ferroviária e de um património algures em Douro e Trás-os-Montes. Uma política de casinos ao contrário. Destrói-se lá para o Norte e compensam-se os meios artísticos cá da capital. Esta estratégia é da exclusiva responsabilidade da EDP, dos seus gestores e accionistas. Mas quem a fiscaliza? Porque o problema do atentado patrimonial, ambiental e populacional é dos poderes públicos que não existem ou se omitem na defesa da causa e do interesse público. É um bom exemplo da falta de um poder regional, criando-se vazios de silêncios e omissões. Será a meia dúzia de autarcas da região, os únicos responsáveis pela sua defesa política? E os outros aqui da capital do Norte Litoral, ficam-se só pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, porque aquilo já não é da sua responsabilidade, nem têm lá votantes seus? A CCDRN, cujo PROT foi elaborado de forma a ser aprovado num dado prazo legal, logo desenvolvido de acordo com prévias indicações centrais, e de empresas públicas e privadas conforme confidenciado publicamente pelos seus técnicos, bem pode dizer que defende a Regionalização, porque não passa de discurso subordinado a outras directrizes. As coisas querem-se para situações concretas, para se ser, não para formalismos.
Há outras pessoas mais capazes de descrever o que se está a destruir no Vale do Tua. A nossa própria consciência, se a ouvirmos, não nos oferecerá dúvidas. Porque acima de tudo há uma questão de valores e princípios éticos, do que é certo e errado, do que é bem e o que é mal. E a destruição do Vale do Tua está clara até na consciência de quem a promove. É bom não perder muito tempo a pensar e passar antes a ridicularizar os que têm opinião diferente quanto aos efeitos de um ideia, que é boa, de redução da dependência energética do país, mas que não pode fazer tábua rasa de outros valores que se perderão para sempre.
Deixo aqui um pequeno raciocínio: se uma via alternativa para os 16 kms submersos custa 130 a 140 milhões de euros e se a linha são 54 kms, quanto pode a população local aspirar como indemnização compensatória a deixar pela EDP nesta Região? Uma regra de três simples, cerca de 500 milhões de euros. Eu aconselho as populações locais a pedir já este valor a sua região, criando um Fundo para o Desenvolvimento do Vale do Tua e dinamizar as termas, o Cachão, a agro-indústria, a criar um museu para a Região, e construir um reservatório de gás para os balões...
Há uns meses atrás, propus a criação de uma plataforma denominada Rede Norte, com a intenção de juntar os diferentes movimentos de cidadãos no apoio a causas cruzadas, porque senti que só assim teriam a força de ser ouvidos. E pessoas do Porto a defender o Tua não é o exactamente o que tenho lido pelos analistas da EDP antecipando as críticas das populações locais ao Plano de Barragens. O que está em causa são algumas das barragens, que destroem, por desconhecimento. Essa plataforma terá agora visibilidade no Movimento Norte Sim.
O Dr. António Mexia terá oportunidade na próxima 4ªfeira à noite, nos Olhares Cruzados sobre o Porto, na Universidade Católica, de nos instruir sobre os destinos do Norte, enquanto o Dr. Jorge Pelicano estreia na 5ªfeira num cinema do Porto o seu “Pare, Escute, Olhe” sobre o impacto da perda da linha do Tua nas populações locais. Curioso este mundo, em que existem associações ambientais e ecológicas para quase tudo, excepto para a espécie humana. Podem todos estar de consciência tranquila e defender legitimamente os seus interesses, mas que destruir uma linha ferroviária que é a coluna vertebral, não só para o turismo, de uma região que tanto tem sofrido por políticas idênticas é um daqueles erros que ficará para julgamento da História. Se continuam a dormir de consciência tranquila, bons sonhos. Eu prefiro pedir 500 milhões de euros para a Região, de acordo com os cálculos da EDP.
José Ferraz AlvesRede Norte
[extraído do blogue A Baixa do Porto ]

As manhas das televisões centralistas

Alberto Castro escreve regularmente para o JN. Pertence ao estrito grupo de colaboradores deste jornal que gosto de ler. Hoje, o tema escolhido foi Valença e o sistema de saúde aí imposto pelo Governo que correu os utentes locais para uns confortáveis quilómetros de distância. Para Monção... Não admira vê-los hoje a hastear orgulhosamente a bandeira espanhola do país que lhes abriu as portas do sistema de saude que Portugal agora decidiu fechar.


Há, além disso, um curioso apontamento off-topic, um PScriptum, nesse artigo que vale a pena ler aqui.

PS, PSD, PS, PSD, PS, PSD. Irra, só há isto?

Admito que o problema seja meu, mas tenho alguma dificuldade em compreender o conservadorismo ideológico das populações, a sua incapacidade para experimentar novos desafios. O fenómeno, infelizmente, não é só português, estende-se ao resto da Europa e a todo o Mundo.
Politica e partidariamente, o eleitorado parece psicologicamente entalado entre a social democracia e o socialismo capitalista [como é o do actual regime]. Nem o PSD/PPD durante o seu tempo de vida, conseguiu afirmar-se como cópia do modelo nórdico, nem o PS soube capitalizar o fracasso ideológico dos sociais democratas portugueses. Ao longo dos anos de alternância governativa, tanto um partido como o outro, falharam em toda a linha. Restam o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, mas esses, continuam perdidos nas suas contradições doutrinárias sem conseguirem sair do espartilho conformista de pequenos partidos de oposição. Parece terem assumido interiormente, que só podem sobreviver enquanto os partidos da esfera do poder o permitirem. Ou então - o que é mau sinal -, não estão dispostos a apresentar-se ao eleitorado com propostas governativas, por não as terem, ou por não quererem a responsabilidade de governar o país. É a partir desta apatia política que as ideias cristalizam.
Só mentes centralistas, é que podem continuar a defender conceitos assentes em utopias. Hoje, Paulo Ferreira, subdirector do JN, vem a terreiro defender a suspeitíssima tese de que uma sociedade pode sobreviver ao valor paranóico dos prémios de competências segundo pontos de vista meramente mercantilistas. Paulo Ferreira, considera justo, por exemplo, que o Presidente da EDP, António Mexia receba de remunerações 3,1 milhões de euros, só porque foram os accionistas a estabelecer as metas para as "merecer". E que tal, ir um pouco além deste argumento estritamente economicista e explicar quais os benefícios para a sociedade para um administrador merecer tão gordo e imoral prémio? Os resultados de uma empresa nem sempre são bons para a comunidade. Em muitos e muitos casos [talvez para a maioria], os bons resultados económicos e financeiros reflectem-se de modo evidente bem mais para quem administra, do que para quem contribui para os alcançar. E, é para este objectivo individual que se premeia o mérito? Será que as pessoas já pensaram bem nesta aberração social? Não será altura de mudar o paradigma? Depois, admira-se o jornalista, que casos destes suscitem aquilo a que ele chama de "atávica inveja social". E como não? A transmissão desse sentimento de inveja para a sociedade não é de ordem genética, faz-se e reproduz-se tanto mais intensamente quanto mais aberrante e injusta for a distribuição da riqueza produzida. Ora, estes ordenados milionários atribuídos aos gestores de grandes empresas publico-privadas, são tudo, menos justas e moralmente aceitáveis.
Um raciocínio como o de PFerreira, só pode espelhar uma mente preparada para aproveitar a 1ª oportunidade que o patrão Joaquim Oliveira lhe possa colocar à disposição na Controlinveste. Não será por aqui, seguramente, que o público que lhes paga os vencimentos terá novos paradigmas sociais, posto que, como para qualquer banal homenzinho, o dinheiro e só o dinheiro, comanda a vida.
Boa sorte, Paulo Ferreira, um destes dias terás a justa recompensa pelos teus "méritos" extra terrestres.

05 abril, 2010

Caruncho democrático

Folheando o JN de hoje, deparei nas páginas 10 e 11, com um artigo em memória de Artur Santos Silva, um destemido lutador republicano pela Liberdade.
Nas duas páginas seguintes vinham estampadas quatro colunas com artigos de diferentes pessoas, incluindo um do filho com o mesmo nome, figura destacada de um dos poucos bancos que resistiram ao devorador saque centralista. Naturalmente, todos eles teciam os mais altos elogios à ilustre personagem.
O elitista e liberal advogado Miguel Veiga dedicou-lhe este piropo: «O tempo esse grande escultor, esculpiu em bronze o carácter, a vida, o caminho da aventura humana de Artur Santos Silva, que ele fez caminhando pelo seu pé, amiúde contra ventos e marés, com obstinado rigor, solidária tolerância, recta e honrada intransigência, decência da cidadania e postura erecta, vertical e orgulhosa de quem nunca foi ao Paço pedir a baga e a paga de uma tença.»
Com todo o respeito pela intenção do autor, perdoaría tão rebuscada frase de consideração ao homenageado caso conseguisse descortinar qualquer afinidade entre um e outro. Louvar alguém, entre densos e pedantes elogios, por nunca ter ido ao Paço [Terreiro] é justo, mas não condiz com o actual percurso político de quem o faz. Miguel Veiga tem-se celebrizado nestes últimos anos por ser rico, e por estar sempre ao lado do Terreiro do Paço, com Rui Rio e Mários Soares...
Este louvor, é uma perfeita hipocrisia. Talvez, Artur Santos Silva [pai], mereceesse mais respeito. Digo eu. Há aqui um qualquer complexo queiroziano mal resolvido.

01 abril, 2010

Uma feliz Páscoa

E o Filho do Homem
Entristeceu-se,
Angustiou-se
E temeu...
Bebeu do cálice
Da traição
Do sofrimento
Da vergonha
E do embaraço...
Despiram-lhe as vestes
Cuspiram-lhe nas faces
Desnudaram-lhe a alma...
Naquela hora
Houve trevas...
E clamando,
Entregou o espírito...
Partiu-se então o véu
E a terra tremeu...
.
neli araujo
2010
.

O cartoon do ano


[Extraído do jornal Público]
Falando em mentiras, é obviamente mentira que a história dos submarinos não envolve nenhum político português. Garanto-vos, estão todos inocentes. Pobres, mas honestos...

31 março, 2010

As entrevistas, e o resto

Como ontem escrevi, as entrevistas silmultâneas do Presidente do FCPorto e do Orelhas em estações diferentes [RTP1 e SIC], apenas serviram para dividir audiências e para as comparar. Mesmo assim, Pinto da Costa levou larga vantagem sobre o seu rasca imitador da 2ª. circular. Imaginem o que seria se as entrevistas fossem em separado!

Pelo pouco que à posteriori pude ver, o Miguel Sousa Tavares não foi o entrevistador corrosivo que se impunha. Parecia um cordeiro, quase um lambe-botas. Como portista, não gostei do seu papel de entrevistador, muito permissivo e tolerante. Não se lhe pedia que imitasse a Manuela Moura Guedes, mas, nem oito nem oitenta, não precisava de ser tão delicado. Como entrevistador, definitivamente, não é grande coisa. Neste momento a SIC deve estar a repensar a gananciosa estratégia de imitar à pressa a concorrência. Quanto a Pinto da Costa, pareceu-me menos solto que noutras alturas. Tal já era de prever, tanta tem sido a mordaça que um débil mental - convencido que é jurista -, lhe tem tentado colocar na bôca. Mesmo assim, pareceu confiante e creio que transmitiu essa imagem aos adeptos. De resto, nada de novo.

Mudando de assunto. Fui ao velhinho dicionário de Augusto Moreno vasculhar o que lá se dizia sobre élites, e dizia assim: alta roda; sociedade elegante; os melhores elementos de uma sociedade ou grupo; o escol, a fina flor. Presunções ou mariquices à parte, o adjectivo que actualmente alguns tentam fazer prevalecer, é o terceiro: os melhores elementos de uma sociedade. E o que é que se pode entender por élites no melhor sentido da palavra? Para mim, é simples. Os melhores elementos da sociedade são todos aqueles, que através da sua inteligência, determinação e voluntariedade, contribuem de algum modo para a melhorar, quer em termos humanos e científicos como tecnológicos. A economica e as finanças também se incluem no pacote elitista, desde que a criação de riqueza seja distribuída pela comunidade de forma justa e séria. Não pertence a uma elite o assambarcador, o rico improdutivo. Portugal está saturado de ricos vigaristas. A este grupo pertencem, entre outros parasitas, muitos, demasiados políticos. É preciso acabar com esta peçonha, e depressa. Mão pesada, e cadeia com eles, tem de ser a palavra de ordem do futuro próximo.

É por ouvir falar demais das élites portuenses e por não as vislumbrar em lado nenhum que vos preguei este sermão. Neste momento, gostava de me entusiasmar com notícias positivas das obras que estão por fazer, mas já não sou capaz. No Porto, andámos há tempo de mais a discutir projectos, alterações de projectos, e alterações às alterações dos projectos. É enfadonho, deprimente mesmo. É o mercado do Bolhão que não há meio de ser reabilitado, é o Pólo de Serralves na Senhora da Hora que nunca mais começa, é a ampliação das linhas de Metro para Gondomar , é a linha do Campo Alegre, ora à superfície, ora enterrada, é o bairro do Aleixo, é a reabilitação urbana do Porto [não só o centro histórico]. Tanta coisa para fazer e por fazer, há tanto tempo! Optimismo? Vão brincar com o S. Pedro! Ou, com Rui Rio...

Se há cidade onde o célebre efeito difusor [o tal de spill-over] já está a ser aplicado é no Porto, só que no sentido contrário ao que seria de prever. Deve ser por causa dele que a Via Porto [não se impressionem, o "Porto" é mesmo para disfarçar], pertencente ao consórcio da Barraqueiro, de Lisboa, venceu o concurso para a concessão de exploração do Metro do Porto, afastando a portuense Transdeve [Efacec]. Apesar de esta ter interposto uma acção em Tribunal contra a Barraqueiro, os argumentos que apresenta parecem pouco convincentes para alterar a decisão. Por isso, não se admirem se nos próximos tempos virem nas costas dos casacos dos homens da Metro do Porto a lisboeta Barraqueiro bem escarrapachada! Até ao momento, não tínhamos motivos de queixa dos serviços da Transdeve, mas futuramente, só podemos melhorar, está-se a ver...

Ó élites do Porto, adonde estaindes, que ninguém vos vê? Ah, já sei, talvez em Saint Moritz numa estância de ski a dessenferrujar as pernas. Há que disfrutar das férias da Páscoa, e é preciso fazer sacrifícios, apertar o cinto, não é assim ... Ou então, aproveitar para fazer a rodagem do último tôpo de gama da BMW, e ir comer umas ostras da Bretanha, a Cancale.
Por falar em férias e em élites, consta que o candidato a líder do PSD, Aguiar Branco, não se encontra no país. Não, não pode ser, estamos em crise. A esta hora deve é estar a pensar numa alternativa credível ao PEC.

30 março, 2010

Gain oblige [Ganância obriga]!

Qual Liberdade, qual carapuça! Qual amor clubista, qual treta! É o pilim, o cacau, a guita, o caroço, a massa, o carcanhol, a pasta, em suma, o dinheiro, quem mais ordena.
Bastou saber-se que a entrevista* de Pinto da Costa na RTP 1 estava agendada para hoje, para o portista Miguel Sousa Tavares ceder aos superiores interesses da SIC, permitindo que o seu habitual programa de 2ª.feira [Sinais de Fogo] fosse alterado para o mesmo dia e hora em que Pinto da Costa vai ao canal público. É o mercado, vão dizer. Nada melhor do que atirar para cima do povão com uma abstracção como é esta coisa do mercado, para calar as bôcas e todos engolirem a "pastilha".
Outrora, nos tempos em que a ética ainda se podia detectar pelas atitudes dos Homens, onde não se usava apenas como mera maquilhagem para retocar a dignidade de quem dela precisa porque não sabe o que é, dizia-se quando a consciência cívica falava mais alto: noblesse oblige [nobreza obriga]. Hoje, esta expressão tem uma utilidade cosmética, deu uma volta de 180º em termos práticos e foi substituída por outra, bem mais material: gain oblige [ ganância obriga]!
Miguel Sousa Tavares é um homem controverso. Tem tanto de lúcido, como de distraído. Às vezes parece que não é a mesma pessoa. Ao anuir às directrizes da Direcção da SIC que deliberou alterar o horário habitual do seu programa para competir com o da RTP, permitiu que a estação de Carnaxide matasse dois coelhos de uma só cajadada prejudicando implicitamente o impacto da entrevista de Pinto da Costa. Ou seja, dividiu o público em duas audiências, impedindo-o de assistir tranquilamente em directo a cada um deles, ao mesmo tempo que deu um bom pretexto para as comparar. Senão, é só aguardar umas horas e logo veremos se os gráficos de audiências não serão usados para tornar redutora a entrevista de PdCosta.
Os portistas mais radicais dirão que não lhes interessa ouvir o Orelhas, e aí, até os posso compreender [e como compreendo!], mas já não sei se diriam o mesmo se lhes perguntassem se não estariam interessados em ouvir as perguntas do Miguel a L.F. Vieira... O mesmo, por razões clubisticamente antagónicas, vai acontecer com a entrevista de Judite de Sousa. Ela, é uma portista apagada, domesticada, lisboetizada. O seu portismo nem se vai notar [aqui, o profissionalismo irá funcionar, vão ver]. É casada com um benfiquista pouco dado a rigores [e estou a ser simpático], e isso deve ter as suas consequências.
Por isso, as duas entrevistas têm igual interesse para públicos diferentes. Por isso, só um Miguel Sousa Tavares demolidor, pertinente e destemido, poderá remendar a asneira de ter concordado em passar o seu programa em simultâneo com o da RTP. Comercialmente falando, o grande público de uma e outra cor clubística nada tem a ganhar com a esperteza. Só perde. E Miguel S. Tavares, quer queira, quer não, estará a dar um contributo precioso para quebrar audiência à entrevista do líder do seu clube que conviria ser vista não só por adeptos como por adversários. Critérios.
Deixemo-nos de conversas. A ética é como o bom vinho, para preservar a qualidade intacta, não deve ser misturado, senão já não é vinho, é outra coisa qualquer. Na comunicação social a ética não se compadece com estes aforismos, é uma espécie de goma de mascar que se molda quando convém. É um mito. E o dinheiro, é o supremo dos valores [até para o Miguel].
Logo veremos se é ou não como eu digo.
* Entretanto, recebi a informação de um leitor através da caixa de comentários que esta entrevista não foi integrada no programa Sinais de Fogo, como erradamente os jornais noticiaram. Hoje, haverá um programa especial para a entrevista. De qualquer modo, a questão nuclear - que se prende com a data e hora da entrevista -, mantém-se.

29 março, 2010

Os nossos bravos deputados

Muita da diarreia legislativa de que sofre o país, é devida à quantidade de gente que está incrustada no aparelho administrativo do Estado, sobretudo no aparelho central, e que têm de justificar de qualquer modo o ordenado que recebem ao fim do mês, caso contrário poderia alguém reparar que não fazem falta nenhuma. Os deputados padecem do mesmo síndrome, o que nem é de admirar, visto que normalmente limitam-se a votar conforme o lider do partido manda. Mesmo quando pertencem a qualquer uma das Comissões que o parlamento cria, como a maior parte deles está calado, limitando-se a ouvir, a vida de deputado deve ser fatigantemente monótona. É por isso que cada vez há mais gente convicta de que 230 deputados é um número exagerado que poderia ser reduzido a metade, e também que se fossem adoptados os círculos uninominais, se aumentaria a utilidade dos deputados e que a sua responsabilização política e até cívica atingiria um patamar superior ao actual. Uma das consequências deste estado de enfado de tantos deputados, e uma das maneiras de se convencerem a eles próprios - e aos outros - que são indispensáveis, é propor Leis por mais descabidas que sejam.

Vem isto a propósito da iniciativa de um grupo de deputados que vai apresentar um projecto de lei que proibe a atribuição de nomes de pessoas vivas a todos os espaços públicos. O que me choca neste caso, nem é tanto o princípio em si mesmo. O que me repugna é a pulsão doentiamente centralista que leva os nossos bravos deputados a estabelecer princípios, decretados no Terreiro do Paço e como tal extensivos a todo o país, sobre matérias que a meu ver deveriam ser da exclusiva competência das autarquias locais. Trata-se de um abuso.

Há outros exemplos da mania que o poder central tem de se imiscuir indevidamente na vida dos cidadãos e na autonomia dos poderes locais. Um daqueles com que mais embirro é a obrigatoriedade dos taxis do continente terem todos a mesma cor, que aliás nem sei se é creme ou preto/verde, pois coexistem as duas modalidades. Se cada município determinasse a pintura dos seus taxis, como sucede em todo o lado, será que se perderia aquilo que gostam de chamar a "coesão nacional"? A República vai fazer 100 anos, mas não se perderam ainda tiques centralistas que eram apanágio das monarquias absolutistas.

Qualquer dia, quando outro grupo de deputados estiver enfastiado com a monotonia da sua rotina, são capazes de querer decidir, com aplicação em todo o país, o que deveremos obrigatoriamente fazer primeiro na nossa toilete matinal: se fazer a barba, se escovar os dentes!