01 outubro, 2010

Benfica queixa-se ao MAI do FCPorto


Luís Nazaré foi mandatado pelo presidente do Benfica para transmitir ao [benfiquista] ministro da Administração Interna, as suas preocupações com a visita ao Estádio do Dragão em Novembro próximo. O cerne destas preocupações prende-se, alegadamente, com a violência com que habitualmente os adeptos do clube da Luz são recebidos sempre que se deslocam ao Porto...

Esta decisão é tanto mais inédita quanto é conhecida a forma hospitaleira e de grande elevação cívica como os adeptos e dirigentes do FCPorto são recebidos quando vão jogar a Lisboa. Apedrejamentos embrulhados em papel celofane, traumatismos craneanos inflingidos a atletas de hóquei do FCPorto com bastões de basebol de ouro fino, e autocarros portistas calcinados com gasolina de 98 octanas super XPTO, são apenas uma pequena amostra da prova de estima e fair play que os benfiquistas nos dedicam. Isto é factual.

Estamos portanto à vontade para poder deduzir o teor das conversações entre o dirigente benfiquista e o Ministro da Aleanação Interna. Terá sido mais ou menos assim:

Então senhor Ministro, está disposto a ajudar o seu Benfica além da sua fanática presença no Estádio da Luz? 

- Meu amigo, não fale assim que dá um tom promíscuo à nossa reunião. Vamos com calma. Afinal o que é que o glorioso pretende de mim?

- Bem senhor Ministro, para ir directo ao assunto, o que o Benfica quer é que quando formos ao Porto o Governo decrete o Estado de Sítio, para garantir a nossa segurança...

- Aqui não há microfones, podes tratar-me por Pereirinha. Olha pá, a ideia até nem é má, embora me pareça um bocadinho excessiva, mas, deixa ver...

- Ó Náná tu sabes que aqueles gajos do PQFLL [Porto Que Fica Lá Longe] andam desconfiados com a pontualidade da minha presença na Luz, por isso talvez seja mais sensato tomarmos medidas menos drásticas, não é... Que te parece?

- Sei lá Pereirinha, tu é que és o Ministro. E que tal proibir o acesso ao Estádio do Dragão aos portistas  e deixar exclusivamente a família benfiquista assistir ao jogo?

- Não era má ideia não, o Benfica precisa de todo o nosso apoio. Ainda por cima com o Cardozo lesionado, não sabemos se em Novembro já estará recuperado. Mas também proibir os gajos de jogarem no seu Estádio é capaz de ser demais...

- Ó pá, deixa-te de pruridos. Se os "túneis" e o Ricardo Coração de Aldrabão deram resultado, por que é que um jogo à porta fechada para os portistas não há-de dar? Assim, o árbitro pode roubar à vontade. Nós precisamos de pontos e...contos.

- Não Náná, isso está fora de questão! Não te esqueças que eu sou ministro, que tenho de mostrar algum sentido de Estado.

- Então, que propões?

- Decretar o Estado de Excepção ! O glorioso exige-o, e a manutenção do meu tacho também...

- Ó Pereirinha não era mais simples a minha proposta?

- Não, Náná! Num Estado de Direito, um homem de bem não pode reclamar justiça para uns e injustiça para outros...

- Afinal, és um benfiquista descarado, onde está o teu sentido de Estado?

- No Estado de Excepção, pateta!

Combate à crise



 
Fábio Coentrão  [depois de ter desistido de pensar com os pés] , foi à farmácia.


- Bom dia Sr. Antunes, queria uma caixa de supositórios. Distraído, Coentrão pega na caixa e sai
  da  farmácia sem entregar o dinheiro.


- Sr. Coentrão, é pra pôr na conta de sua mãe? - Pergunta o farmacêutico.

 - Não, não Sr. Antunes, é p'ra pôr no cu do meu pai!

Donovan - Atlantis

30 setembro, 2010

Austeridade feita à pressão

Aleluia! Subitamente, fez-se "luz" no espírito dos nossos (des)Governantes! Aí estão elas, as incontornáveis medidas de austeridade! Austeridade que tardou, mas não faltou, embora acompanhada do rol de prejuízos que todas as decisões tardias infalivelmente comportam. Mas não há nada a fazer, os políticos que temos preferem recorrer à fantasia do embuste a agir por antecipação para a resolução dos problemas que eles próprios criaram. Já sabemos que debaixo da manga trazem sempre bem guardada uma crise global, ou paranormal, que utilisam quando a casa já está a arder. No entanto, nem tão utilitário trunfo basta para encobrir a dimensão da incompetência.

Folheando o jornal Público de hoje e passada a primeira página repleta de medidas "salomónicas, lemos logo na seguinte que o Governo vai [finalmente] propor um conjunto de medidas de combate à evasão fiscal, o que significa, tal como com o famoso PEC, que as que "foram" tomadas anteriormente não valeram grande coisa. Limitar a dedução de benefícios fiscais, rever a lei de dedução de prejuízos para facilitar a cobrança são iniciativas que agora serão levadas a sério por antes se terem encarado a brincar... O IVA, que sempre foi dos mais altos da U.E. vai subir 2 pontos percentuais e contribuir para o aumento do custo de vida. Enfim, mais do mesmo.

Mais adiante, no capítulo da Justiça, o Procurador Geral da República continua o combate quixotesco pela permanência do seu vice  alertando a nação para o dramas que o seu abandono constituirá para o Ministério Público.  Verdadeiramente dramático, é sim, o Governo  propor uma alteração ao estatuto dos magistrados do M.P. [ontem chumbada pela oposição] para viabilizar a permanência do referido vice-Procurador - que atingiu o limite de idade -, o que se pode explicar pela dificuldade em encontrar um substituto à altura... Mesmo a título excepcional, este doentio recurso à alteração das leis para ultrapassar dificuldades é a principal razão dos nossos problemas.

Veremos também se o anunciado reforço da prevenção e fiscalização de fraudes na Saúde terão qualquer efeito pratico no futuro. A Associação P. da Indústria Farmaceutica pode não ser a Instituição mais recomendável para se preocupar com as difuldades dos utentes, mas a verdade é que não será a redução de 6% do preço dos medicamentos que lhes facilitará a vida se o novo regime de comparticipações estatais for - como se anuncia -, drasticamente reduzido. Se a ideia é fechar as portas à fraude dos fármacos, louva-se, mas os meios parecem, no mínimo, estranhos... Veremos. 

29 setembro, 2010

“Desconfiamos mais no Norte”, afirma reitor da Universidade do Porto


O reitor da Universidade do Porto, José Carlos Marques dos Santos, teve nos resultados da primeira fase de acesso ao Ensino Superior uma das primeiras alegrias do seu segundo mandato, iniciado há dois meses. A UP foi a mais procurada do país, com todas as vagas preenchidas e algumas das médias mais elevadas. A academia está em alta numa região em baixa, mas recusa o papel principal que, segundo o seu reitor, deve ser político.

O que significa esta grande procura da UP pelos estudantes?

Mostra a atractividade que tem, resultado de uma investigação cada vez mais reconhecida internacionalmente e de um esforço de ligação à sociedade. Uma universidade deve afirmar-se também pelo contributo que dá ao desenvolvimento da região e do país.

Esse prestígio é um contra-ciclo à perda de poder e de influência do Norte?

Pelo contrário, desejamos que seja uma alavanca. Não teria prazer nenhum em liderar uma universidade de referência mundial numa região desfavorecida. Queremos que ela se desenvolva e, na nossa incubadora de empresas, a UPTEC, estamos a trabalhar para criar empresas que podem mudar o paradigma de mão-de-obra barata e criar mais valor acrescentado. Mas é preciso que outros actores também o façam e que haja liderança na região.

Defende a regionalização?

Sim, desde que não seja para criar novos poderes. Tem que ser um governo de pessoas competentes, mais interessadas na região do que nos seus partidos. Temos que evoluir para um governo regional que olhe pela região e que não se importe de perder o poder se estiver a contribuir para o progresso do país.

Os directores das Faculdades de Medicina do Norte, entre elas as da UP, apelaram à construção do Centro Materno-Infantil do Norte (CMIN), temendo que, sem ele, a formação de médicos fique em risco. Está solidário?

Estou de acordo que o CMIN é necessário. Há qualquer coisa estranha por detrás desse assunto, já se arrasta há tantos anos. Isto é típico da região Norte, passarmos a vida a lutar porque alguém tem uma ideia e outros não querem que ela vá para a frente. Deixemos os interesses particulares e lutemos pelo interesse geral.

Não o conseguir é o pior defeito do Norte?

Nao sei se é o pior, mas há muito disso. Todos desconfiamos uns dos outros e isso no Norte parece mais arreigado. Temos que saber a cada momento abdicar de algo que não é tão essencial e que pode conduzir-nos a uma situação melhor. O CMIN é uma necessidade. Costumo dizer que uma mudança que não tem contra si 15 a 20 por cento das pessoas, não é uma grande mudança. É tão consensual que o avanço é pequenino.

Falando em mudanças, como está a universidade a responder ao apelo do Governo para aumentar o número de portugueses que regressam ao Ensino Superior?

Estamos a responder desenvolvendo a formação contínua, criando cursos de formação para os antigos estudantes. Tem crescido essa procura, mas em Portugal ainda se pratica pouco a formação ao longo da vida. Num encontro, uma universidade francesa contava que tinha 30 mil estudantes de grau e 11 mil de formação contínua, estamos muito longe de atingir esses números, na UP temos quatro mil estudantes em formação contínua.

A quebra nos rendimentos poderá limitar o acesso das famílias com menor poder económico à universidade ?

Aí, é a parte social que tem que intervir. Estamos num país que não produz riqueza, embora o Ensino Superior e a Ciência estejam ao nível dos países mais desenvolvidos. Não podemos reduzir o custo do Ensino Superior porque nos vamos enterrar. O que falta é mudar o nosso paradigma económico para que toda a gente possa ganhar mais.

Fala muito da ligação ao mundo empresarial. A UP já criou cursos a pedido das empresas?

A nossa Escola de Negócios tem tido cursos específicos para empresas e estamos disponíveis para formar quadros para elas. Também estamos abertos a projectos de investigação em conjunto.

Um empresário pode ir à UP e dizer “queria falar com alguém”?

Pode, é simples. Temos uma entidade, a UPIN, que faz a ligação às empresas. Mas têm que saber o que querem, não podem ser problemas para daqui a dois meses, tem que ser investigação estratégica, de médio e longo prazo, como criar um novo produto, podendo até candidatar-se a um programa de financiamento. Fazemos isso muitas vezes e queremos que venham mais vezes.

[Fonte: JN]

28 setembro, 2010

Será que é desta, que o metem na cadeia?

João Vale e Aldrabão
João Vale e Azevedo é acusado no julgamento com início marcado para 12 de Outubro de alegadamente se ter apropriado de quatro milhões de euros do Benfica, resultantes de transferências de quatro futebolistas para clubes estrangeiros.

O despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, refere que Vale e Azevedo ocultou um total de 1,4 milhões de libras pelas transferências dos futebolistas Gary Charles para o West Ham e de Tahar el Khalej para o Southampton.

Gary Charles foi transferido para o West Ham por 1,2 milhões de libras, montante transferido a 06 de Outubro de 1999 para conta no Barclays Bank da sociedade Vale e Azevedo & Associados, como comprovou a investigação.

Esta conta era uma das duas que o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa comprovou terem sido utilizadas para os movimentos do clube devido à penhora decretada a algumas contas do Benfica, de 24 de Abril a 13 de Junho de 1998.

A acusação sustenta que Vale e Azevedo "não entregou o acordo celebrado" com o West Ham e "ocultou o recebimento e apropriação de 1,2 milhões de libras, que não figuram assim como crédito" do clube.

A este montante adiciona-se 200 000 libras que Vale e Azevedo deu instruções para que o Southampton transferisse para uma conta na Madeira da Sojifa, empresa titulada pelo presidente do Benfica de 03 de Novembro de 1997 a 31 de Outubro de 2000.

Vale e Azevedo também é indiciado de ter falsificado o contrato de transacção de Scott Minto para o West Ham, possibilitando, de acordo com a acusação, a que fossem pagas despesas "de foro privado", entre as quais "despesas correntes da tripulação e manutenção do iate 'Lucky Me'".

A acusação refere também que a segunda prestação a pagar pelo West Ham, no valor de 500 000 libras, foi paga após a falsificação do contrato de venda de direitos desportivos de Scott Minto.

Na transferência do brasileiro Amaral para a Fiorentina, o montante de dois milhões de dólares "não deu entrada nos cofres da Benfica, SAD, até ao final do mandato" de Vale e Azevedo, que "fez constar junto dos directores" que o clube "não receberia qualquer verba pela venda do passe do jogador".

O antigo presidente do Benfica foi condenado a pena única de seis anos de prisão efectiva no processo de transferência do guarda-redes russo Ovchinnikov e Euroárea, relacionado com a venda simulada dos terrenos sul do Benfica, na Luz, por cinco milhões de euros.
[Fonte: DN]

Nota do RoP-Lembram-se como a "família" benfiquista adulou este vigarista só porque decidiu atacar o Pinto da Costa?
Pelos vistos, os tótós ainda não aprenderam... Agora, estão a fazer o mesmo com LFV, e a "peça" é do mesmo tipo, ou pior...


Scut: empresários do norte e da Galiza ameaçam recurso aos tribunais

Dirigentes de associações que representam cerca de 40 mil empresas do norte de Portugal e da Galiza admitiram hoje, em Viana do Castelo, avançar para os tribunais para impedir a introdução de portagens na auto-estrada sem custos para o utilizador (Scut) do Litoral Norte.

Segundo José Manuel Alvariño, presidente da Confederação Empresarial de Pontevedra (CEP), em causa está o facto de não ser possível pagar as portagens com dinheiro, o que, em seu entender, poderá violar as regras comunitárias.

"Com o euro, pode-se pagar seja o que for em todos os países que aderiram à moeda única. Agora, querem impedir-me de usar o euro para pagar portagens em Portugal. Para circular, tenho de comprar não sei o quê", criticou o empresário.

José Manuel Alvariño falava em Viana do Castelo, no final de uma reunião que sentou à mesa representantes de oito associações empresariais do Norte de Portugal e da Galiza, expressamente por causa da introdução de portagens na Scut do Litoral Norte.

O líder da CEP garantiu que já pediu explicações a Bruxelas sobre a impossibilidade de pagar as portagens com dinheiro, dependendo da resposta o avanço ou não para os tribunais.

"Pode haver uma providência cautelar", admitiu Luís Ceia, presidente da Associação Empresarial de Viana do Castelo, anfitriã da reunião.

As associações presentes manifestaram-se "frontalmente contra" a introdução de portagens na A27 e na A28, por considerarem que não estão cumpridos os requisitos definidos pelo Governo, designadamente o critério índice de 80 por cento do Produto Interno Bruto.

Alegam ainda que aquelas auto-estradas não têm alternativas.

No entanto, e considerando a "hipótese da irreversibilidade" da introdução de portagens, os empresários exigem que a cobrança arranque em simultâneo em todas as SCUT e que o preço por quilómetro seja igual em todas.

Exigem ainda que as isenções anunciadas pelo Governo abranjam todos os veículos empresariais que tenham uma utilização frequente daquelas auto-estradas e que seja possível o pagamento em moeda física ou por cartão de crédito.

Além destas exigências, as associações reclamam ainda a conclusão da A28 até Valença e a extensão da A27 até à fronteira do Lindoso, a ligação por via rápida do concelho de Paredes de Coura à rede de auto-estradas nacionais e a requalificação da Linha do Minho.

"Uma vez que toda a região do Alto Minho não possui alternativas de transportes às auto-estradas", frisam

25 setembro, 2010

Centralistas e lisboetas. Haverá diferença?

Sob pena de cair no ridículo, aos olhos de uma certa "elite" local, mais fria e calculista, o último programa da RTP2 [que devia ser RTP1] Sociedade Civil, abaixo linkado, apresentado pela excelente jornalista Fernanda Freitas, foi um autêntico tónico para a alma dos portuenses. Neste programa, falou-se exclusivamente do Porto, e do amor ao Porto, motivos mais do que suficientes para os portuenses mais ferrenhos se darem ao prazer de o ver do princípio ao fim. Se o fizerem, irão perceber porque é que os 90 minutos vão parecer 90 segundos.

Estes medos do ridículo, não tem nada a ver com o receio de certos complexados do burgo de mostrarem ao Mundo que também são capazes de se emocionar, de expor publicamente a "fraqueza" do seu bairrismo, de amar a sua rua [como disse e bem, o Álvaro Costa], tem a ver sim, com as insidiosas manipulações a que os portuenses são sujeitos sempre que têm o ensejo de manifestar publicamente o amor pela sua cidade. E é aqui que eu quero chegar.

Este programa emocionou-me, não tanto pelo que se disse, mas por quem o disse... Não é caso para estranhar, meus amigos, porque de facto, os portuenses não estão habituados a assistir a um programa inteiro composto por portuenses a falar orgulhosamente da sua cidade, sem terem à esquina do primeiro elogio alguém a atirar-nos à cara os nossos defeitos. E é isso que costuma acontecer em qualquer programa emitido a partir de Lisboa nos raríssimos momentos que decidem falar de nós, da nossa insubstituível cidade do Porto.

É baseado na objectividade destes dados que só concordo parcialmente com a opinião politicamente correcta do Manuel Serrão e do Álvaro Costa quanto à relação afectiva  dos lisboetas com  os tripeiros. Manuel Serrão diz que não confunde o centralismo com os lisboetas, e, com toda a franqueza, era assim que eu também gostaria de pensar. O problema não está aí. O problema é que foram os lisboetas que se deixaram "dominar" pelo culto centralista sem nunca se mostrarem incomodados com a "mordomia", porque perceberam que esse "domínio" os beneficiava. E não é por termos amigos em Lisboa, com quem vamos esporadicamente beber um copo, ou jantar, por razões familiares, ou em negócios, onde a circunstância manda enterrar o machado de guerra, que podemos medir a consideração e o respeito que eles sentem por nós. É sim, quando eles estão longe de nós.

Quando estão longe, no seu habitat natural, ou mesmo nos estúdios das televisões centralistas, aí, são incapazes de revelar a mínima solidariedade com os portuenses. Então, que raio  impede os lisboetas não centralistas de se solidarizarem com os nortenhos [e  não apenas com os portuenses] quando sabem que estamos a ser discriminados política e economicamente, quando sabem que somos a região que mais exporta e que paradoxalmente é a mais pobre do país, a menos favorecida? Onde estará então a porreirice lisboeta que não se vê nem se houve, e os distingue dos centralistas ? Nos salões de chá? Nas televisões [que é o local de privilégio dos alfacinhas], não é seguramente...

Noventa e nove por cento dos portugueses, de norte a sul, são influenciados por uma visão centralista do país. Desses, embora constituam uma maioria, por razões sócio-culturais, só uma pequena percentagem percebe as razões políticas da discriminação negativa de que é alvo,  enquanto na capital a diferença  legada pelo superior rendimento per capita  em relação ao resto do país, produz um efeito de benefício do qual não têm qualquer interesse em abrir mão. Se juntarmos a isto a clubite regimental, temos o caldo perfeito para sedimentar um sentimento de indiferença e até de desprezo para com os portuenses, não obstante os encómios simpáticos das lisboetas citadas no referido programa pela Katty Xiomara alusivos à beleza dos portuenses...

A visão conciliadora  do Manuel Serrão [não acredita na guerra Sul/Norte] sobre a relação dos lisboetas connôsco louva-se e percebe-se, se atendermos aos interesses decorrentes da sua actividade profissional - que deverá salvaguardar -, mas essa não é uma visão realista.

A opinião da grande massa anónima de portuenses, que não precisa de ter essas preocupações  diplomáticas, está seguramente mais  próxima dos factos. Tanto, como está distante dos eventos mundanos da capital, ou de jantares de negócios com o empresariado lisboeta.

   

24 setembro, 2010

Última edição do programa Sociedade Civil

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Com:
      Manuel Serrão (Empresário)
 Miguel Neiva (Designer)
    Katty Xiomara (Estillista)
    Nuno Grande (Arquitecto)
  Álvaro Costa (Jornalista)

Nota do RoP:
Muito Bom para o ego dos portuenses


Para quem não viu, veja.

Sociedade Civil [RTP2]edição emitida a partir da Casa da Música, com Fernanda Freitas

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23 setembro, 2010

Apoiemos o MPPNorte, contra o centralismo

Salvo raras excepções, não deixa de me surpreender o aparente alheamento de alguns adeptos de futebol pela situação política do país, nomeadamente de clubes do Norte do país que são aqueles que, por razões óbvias, mais motivação deviam revelar pelos graves problemas que a região atravessa. Este fenómeno não é exclusivo dos portistas, estende-se a todos os clubes da região Norte e da cidade do Porto,  e adensa-se com algumas coligações estratégicas feitas com clubes de Lisboa [a última foi entre Guimarães e  Benfica] com resultados desastrosos que em nada abonaram para a união dos nortenhos.

Os nortenhos ainda não foram capazes de separar as águas entre a rivalidade clubística e a solidariedade regional - que devia existir e não existe -, porque ainda não se determinaram a constituir-se como uma força poderosa capaz de pôr em sentido o Governo de Lisboa. Quando o fizerem, podem estar certos, também os clubes do Norte beneficiarão com isso. Todos. Deste comportamento estúpido [desculpem-me, mas é mesmo o que penso], se tem aproveitado o centralismo. As cobranças das portagens nas SCUTS exclusivamente a Norte numa fase inicial [que pode bem tornar-se definitivamente exclusiva], são a grande prova do desrespeito que o Governo nos vota. Como sentem a nossa desunião, abusam.

Entendo que, como nortenho que também sou, temos motivos de sobra para estar decepcionados, revoltados mesmo, com a política e com a crescente mediocridade da governação, mas isso não devia alhear-nos da busca de alternativas para invertermos este clima de profunda depressão e de descarada discriminação negativa que nos tem sido imposta de forma imperial , diria mesmo, de forma provocatória. Mas o que observo, não é isso, mas antes uma euforia excessiva totalmente centrada no sucesso dos clubes da terra... É que, mesmo que o êxito eventual do clube da terra nos possa servir como consolação, a verdade é que não será isso que fará alterar o rumo da situação económica e social da região. A prova, é o Futebol Clube do Porto: tem ganho frequentemente os campeonatos nacionais e até algumas provas internacionais, mas nós não ganhámos nada, em termos práticos, a não ser alegria na alma!

Acaba de ser inaugurada a sede de um novo partido no Porto. Não posso garantir se será através dele que poderemos começar a inverter o rumo desastroso que nos tem sido impingido desde Lisboa, mas é uma oportunidade que não nos podemos dar ao luxo de enjeitar sob pena de sermos os maiores responsáveis pela degradação total da nossa qualidade de vida. Esse partido tem, à partida, uma enorme vantagem em comparação com qualquer outro: pretende repor na Constituição a Lei que consagra a criação de Regiões e quer bater-se pela sua concretização.

Para mim, é um pequeno grande passo. Tudo o que existe a montante em termos político-partidários é passado. O futuro do Movimento Pró Partido do Norte depende de nós. Está na altura de transferirmos um pouco do nosso fervor clubístico, seja ele qual for, para a actividade política. Conscientemente, sem fanatismos, mas com muita determinação.

22 setembro, 2010

Benfica, não! Malfica!

As reacções chantagistas dos dirigentes do Benfica junto do Conselho de Arbitragem da Liga não só denunciam o desespero pelo péssimo arranque no actual Campeonato, como deviam fazer corar de vergonha e humilhação todos os benfiquistas de bem [se é que os há].

Mal comparando, não vejo grande diferença entre este comportamento do Benfica, do comportamento dos pedófilos da Casa Pia depois de lida a sentença que os condenou. Todos se afirmaram inocentes! Todos! Curioso... Se os pedófilos da Casa Pia, diziam que a culpa era das crianças, ou dos juízes, o Benfica que no passado recente forjou apitos dourados, agora culpa e exerce chantagem sobre os árbitros com o claro objectivo  de obter os seus favores. Há jornalistas que chamam a isto estratégia. Eu chamo-lhe chantagem  hardcore, e se não estou enganado, chantagear ainda é considerado crime. Se é exercida de forma clara ou presumida, para mim, é irrelevante. Chantagem é chantagem e é uma coisa muito feia.

Num país onde existissem verdadeiras figuras de Estado, onde a autoridade de facto funcionasse, as trapaceirices dos dirigentes do Benfica terminavam logo na primeira tentativa, e a vida voltava à normalidade. Mas nós não vivemos num Estado de Direito, nem os nossos mais altos representantes são dotados das qualidades necessárias para desempenharem as funções de Estado como deve de ser. Esta Democracia é uma óptima aliada dos oportunistas amantes do dolce fare niente, e como tal, o melhor é deixar correr o marfim. Até um dia...

Assim sendo, como um menino mimado, o Benfica vai continuar impunemente a semear a bagunça no futebol português e a sobrecarregar os órgãos da Justiça com não assuntos. É previsível que seja isto que nos espera. Será uma espécie de caldeirada de fanfarronice e surtos conspirativos de todo o tipo, consoante o lugar na classificação geral e a "isenção" das arbitragens... E os nossos grandes estadistas a assobiarem para o lado. Até um dia...

Até ao dia em que a revolta de um adepto menos paciente se expresse de forma violenta e provoque vítimas. Nesse dia, cá estarei para acusar de assassinos e grandes hipócritas, não o autor do acto desesperado, mas as excelsas e nobilíssimas autoridades lisboetas que decerto se apressarão a condenar a barbárie...
  

21 setembro, 2010

Frustrante Liberdade

Não foi hoje que me dei conta da quase inutilidade da liberdade de expressão [ainda]  permitida a países como o nosso, onde a democracia foi deficientemente assimilada e pior  explicada.  Com os inqualificados professores que tivemos e temos [os dirigentes políticos], era inevitável,só podíamos ter maus alunos.

A blogosfera e as redes sociais trouxeram aos cidadãos um considerável progresso ao nível da autonomia e da liberdade de opinião, mas ainda estão longe de ter o impacto público dos media tradicionais. Com o desemprego a crescer, haverá seguramente um grande retrocesso nessa romântica Liberdade...

A Liberdade de cidadania numa democracia evoluída não pode limitar-se a um exercício platónico de voyerismo estéril  sobre os abusos ou as asneiras dos Poderes, deve ser interactiva e consequente. Os Poderes não simpatizam com a ideia de se deixarem controlar pelos cidadãos e preferem deixar tudo como está, fingindo que assim é que está bem. 

A comunicação social está cada vez mais clonizada e a liberdade dos jornalistas obedece a normas semelhantes às de um Big Brother corporativo cujos limites conhecem bem e raramente ousam ultrapassar, mesmo contra a sua própria consciência. No jornalismo - e não falo só do desportivo que é o mais desonesto -, há uma espécie de doença endémica instalada, da qual parece não se quererem curar. Dão-se bem assim, intelectualmente amarrados aos seus critérios, às suas influências e intromissões. Sentem-se confortáveis, quase em completa imunidade, sentem-se, enfim, como o 4º Poder...

Deste modo, dificilmente podemos esperar o empenho dos media pela descoberta da(s) verdade(s), na objectividade dos assuntos, porque isso para eles pode constituir uma ameaça aos seus privilégios. Há até quem suspeite que os media vêem igualmente na Blogosfera uma ameaça e não lhes agrada a sua expansão ou influência. A união dos bloggers é pois um perigo latente para os Governos e empresas mas ainda está longe de se constituir num 5º Poder, porque enquanto a pobreza alastrar e os povos tiverem fome não será possível substituir o pão pela Net.  

20 setembro, 2010

Intervenção inauguração sede

Meus amigos,


Esta sede parece uma casa pequena pela óbvia razão de que é uma pequena casa.

Esta rua parece uma rua estreita porque é na verdade uma rua estreita.

Mas de uma coisa vos posso garantir: não há Avenida nem Praça nem Palácio que seja capaz de albergar o entusiasmo, a determinação e a energia nortenha dispostos a levantar o país , a defender os interesses do Norte e a definir-lhe uma estratégia de desenvolvimento, de progresso e de justiça social.

O nosso Movimento quer ser a voz dessa força e hoje damos-lhe uma morada que é afinal um ponto de partida. Portugal precisa de uma Região Norte que seja forte e o Norte precisa de um partido que seja seu.

Um partido que, por exemplo, exprima a justa indignação que nos merece essa afronta de nos quererem impôr um novo imposto em estradas do Norte. Só um partido como o nosso, um partido novo, um partido livre, um partido limpo, é que tem autoridade para lhes perguntar e lhes exigir que expliquem que tipo leonino de contratos fizeram com as concessionárias das Scuts. Essas parcerias desastrosas garantem 14% de retorno sem risco ao dito investidor, mas isso à custa do contribuinte e, até ver, à custa apenas dos cidadãos nortenhos.

Se há crise para uns, há crise para todos e se tem de haver custos para o utilizador, como dizem, tem de haver riscos para o investidor.

Mas não é só por isso que o Norte precisa de um Partido.

Só um partido como o nosso, um partido de gente honesta, um partido de gente capaz, um partido de gente dedicada tem coragem para denunciar o mais recente ataque dos centralistas à indústria têxtil e do vestuário, essencialmente sediada a norte.

Invocando as cheias do Paquistão, acaba de ser aprovada na União Europeia a suspenção dos direitos aduaneiros para a importação de produtos têxteis e de vestuário, apresentando-se essa medida como uma forma de ajuda às populações do Paquistão. É óbvio que essa benesse só vai favorecer as grandes empresas exportadoras Paquistão que se situam fora das zonas afectadas mas não vai levar um pão ou uma semente aos milhões de desalojados nem tão pouco contribuir para a melhoria das suas condições de vida.

O que é grave e escandaloso nisto é que o nosso Governo, obcecado com o seu projecto de ganhar uma poltrona no Conselho de Segurança da ONU, e desejoso de angariar todos os votos venham de onde vierem, desde o Kadhafi ao Chavez e congéneres, demitiu-se em Bruxelas da defesa dos interesses da nossa indústria têxtil e vestuário. A aprovação desta medida é particularmente gravosa num momento em que as empresas tentam com dificuldade sair da crise económica e ao mesmo tempo se vêm confrontadas com o aumento exponencial do preço das matérias-primas. Este voto em Bruxelas do Governo português não ajuda em nada os infelizes que andam com os pés na água lá no Paquistão, mas vai tirar o pão a centenas de famílias operárias da nossa Região. E que o Sr. Ministro não nos venha dizer que não faz mal, porque é uma medida temporária e que daqui a 3 anos volta a haver direitos de importação. É preciso ser-se muito cínico para fazer uma afirmação desse calibre.

Alguém ouviu o Governo e os outros partidos explicarem bem as razões de ser destes votos?

O Norte precisa também de cuidar dos seus interesses próprios, de encontrar o seu modelo de desenvolvimento económico e social que lhe é negado pelo centralismo. De retomar as energias e o dinamismo que são seu apanágio, de basear o futuro nas suas empresas e nos seus trabalhadores, com um quadro que lhe seja favorável (e não adverso como tem sido o caso). E o Norte precisa também de assumir as suas responsabilidades, as suas culpas, e corrigir os seus erros, pois não é apenas apontar o dedo ao centralismo, mas é necessário também cuidar de nós próprios e recuperar o nosso brio.

Sim o Norte precisa de um partido e o partido precisa de uma casa, mas a casa e o partido são coisa vossa, pertencem ao povo do Norte. Se um dia esta sede vos não mais pertencer, botem-lhe fogo e recomecem do princípio.

Por Portugal e pelo Norte!

Viva a Região Norte!

Francisco Sousa Fialho

(Fonte: Blogue do MPPNorte)

19 setembro, 2010

Tchaikovsky, Piano Concerto No. 1 - Mov 1, Part 1/3 (Martha Argerich, 1973)

Partido do Norte abriu sede

Ao inaugurar, ontem, sábado, a sede do Movimento pró-Partido do Norte, Pedro Baptista criticou as portagens nas SCUT e João Anacoreta Correia o acordo com o Paquistão que lesará o sector têxtil. Pressionar Lisboa para o Norte ser a primeira região-piloto é o objectivo.

Unidos pela vontade de revitalizar o Norte - "a única região que regrediu nos últimos anos", disse ao JN - o (ainda) socialista Pedro Baptista, João Anacoreta Correia (ex-CDS-PP) e Francisco Sousa Fialho defenderam, ontem, na sessão inaugural da sede do Movimento pró-Partido do Norte (MPN), no Porto, que o Norte deve ser a primeira região-piloto.

Considerando "positivo" que o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, tenha reconduzido à agenda política a regionalização - a pretexto do projecto de revisão constitucional - o porta-voz do MPN, Pedro Baptista, quer que "deixe de ser absolutamente necessária a simultaneidade de criação das regiões". Por isso, "se for para criar uma região-pioloto, que seja o Norte", disse ontem à noite, ao JN. Porque, justificou, "é a região onde há mais consenso entre os autarcas, como comprova a 'Declaração da Alfândega' e onde há mais massa pensante: 3,7 milhões de pessoas".

A regionalização é a principal bandeira do MPN, com o porta-voz (ainda filiado no PS, embora diga que "quando entender" sai) a advogar que não acarreta mais despesa pública, pois não se duplicam cargos. Basta acabar com os 23 governos civis e as CCDR (comissões de coordenação e desenvolvimento regional) "que têm um papel meramente consultivo".

Já Anacoreta Correia preferiu zurzir no acordo com o Paquistão que, segundo Baptista, "põe em causa dois mil empregos nos têxteis europeus e causa uma diminuição nas vendas de 18 milhões de euros anuais". Combater o pagamento de portagens nas SCUT do Norte foi um dos tónicos da sua alocução.

Tendo já iniciado a recolha das assinaturas necessárias para se formalizar como partido, o MPN espera ter concluída a missão dentro de dois meses e pretende realizar o seu congresso constitutivo ainda no primeiro trimestre de 2011, logo após as presidenciais de Janeiro.


Alexandra Serôdio [JN]

17 setembro, 2010

Campus da Justiça do Porto

Do conjunto de links do GP apresentados anteriormente destaco, pelo insólito, a notícia intitulada "Juízes denunciam irregularidades no Campus da Justiça do Porto".

Só num país onde o respeito pelos compromissos assumidos é pouco mais do que figura de retórica é que seria possível  a uma empresa contratada  enganar o seu cliente mesmo quando esse cliente é um Ministério e,  por ironia... o  Ministério da Justiça.

Além do crónico atraso no arranque da obra [era para começar  em Janeiro], o consórcio liderado pela OPWAY de Filipe Soares Franco, vem agora reclamar uma alteração ao valor da renda estabelecido contratualmente.

Das duas, uma. Ou está toda a gente louca, ou foi o próprio Governo que, por inércia deixou decorrer o tempo sem  avançar com o processo dando azo a que o proprietário/construtor queira agora rever os preços com  juros de mora. Se as Finanças homologaram o valor da renda em Junho de 2008 e só deferiram o parecer do respectivo contrato em Novembro de 2009, então, a triste conclusão que se pode retirar é que o desrespeitador-mor foi o próprio Estado.

 Haja, optimismo. Porreiro, pá!

Resumos de notícias do semanário Grande Porto





 Porto: Juízes denunciam "irregularidades" no Campus da Justiça

 Porto: Câmara obrigada a intervir para evitar ruína de 20 edifícios

Sá Carneiro: Projectos da ANA não cumprem plano de investimentos



Obs. RoP
Não terá chegado a hora do Grande Porto passar de semanário a diário? Por mim, substituia-o já pelo JN...
De que esperam?

16 setembro, 2010

Chantagear sim, mas com estratégia...

Adeus ao título?

O medo é directamente proporcional à reacção. E parece-me que o medo que o Benfica tem de já terperdido o campeonato é do mesmo tamanho da reacçãoo clube na sequência da disparatada arbitragem de Olegário Benquerença em Guimarães.

Só assim se explica que o Benfica dispare em todas as direcções e esgote todas as munições* à quarta jornada. O benfica reclama intervenção do Governo. Considera o secretário de Estado do Desporto "persona non grata". Atira-se a Joaquim Oliveira, à Olivedesportos e à SportTV. Pede aos adeptos para não aparecerem nos jogos do Benfica fora da Luz. Admite boicotar a Taça da Liga. Tudo isto para além do óbvio ataque a Vitor Pereira e a Olegário Benquerença.
Ninguém tem dúvidas que Benquerença prejudicou inequivocamente o Benfica com influência no resultado, mas esta estratégia do "atirar em tudo o que mexe" só vai resultar se o Benfica começar a jogar bem [e não joga desde Maio] e se as vitórias aparecerem. Se assim for, a estratégia é eficaz. Se o Benfica voltar a perder, se continuar com jogadores desinspirados e sem a chama da época passada, aí não vai ser fácil encontrar [boas desculpas] e descobrir novos inimigos.

[Crónica de Hugo Gilberto, no JN de hoje]

* O negrito é da minha responsabilidade

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Nota do RoP

Alguém um dia me disse que Hugo Gilberto é portista. Custou-me a crer [e continua a custar]. Mas, se é verdade ou não, pouco interessa, até porque os sinais que vai deixando passar apontam claramente para outra cor clubista, na linha da do seu director, um benfiquista mal camuflado com a camisola do Paredes... Para mim, preferia que fosse apenas imparcial, tanto nos programas que faz, como nas crónicas que escreve. Pelo menos, seria isso que se exigeria de um funcionário do Estado, como é o caso.

A crónica acima transcrita espelha bem a mentalidade perversa que paira na sociedade, onde a fronteira entre interesses e valores é tão ténue tão ténue que até se confundem. Senão reparem: o cronista, em vez de censurar tout court a atitude chantagista e prepotente do Benfica, não,  limita-se a discordar da forma. Ou seja, como ele próprio escreve, a estratégia de atirar em tudo o que mexe será eficaz se o Benfica não esgotar  já todas as munições e ...se jogar bem. Por outras palavras, ou nem por isso:  para o jornalista, tudo o que o Benfica está agora a fazer, como seja, pressionar sem ponta de pudor os árbitros, a Federação, a Liga e o próprio Governo, não é de persi um acto condenável,  mas antes uma estratégia eficaz desde que a equipa jogue um pouco melhor.

Ainda que mal pergunte: que espécie de raciocínio é este? Ético, mercantil ou demencial?

Deve ser por haver  tanta "confusão" nestas luzidias  mentes que certos jornalistas vendem a alma ao diabo. Em nome da eficácia estratégica, seja lá o que isso for. 

Sem sombra de pecado

Vejam bem. Do sul, mais precisamente da capital, onde tudo se decide e controla, os media sufocam-nos diariamente com suspeições de toda a ordem, com especial obsessão pelo  futebol que é, apesar das resmas de processos levantados contra os clubes regionais, o único sector que ainda não conseguiram aniquilar completamente [leia-se F.Clube do Porto]. Para tal, qualquer pretexto serve. Um telefonema, um árbitro, uma fruta, um olhar, um bocejo, um croissant,  tudo serve para forjar conspirações.

Ao contrário, "lá longe" em Lisboa - como dizia o idolatrado Scolari quando falava do Porto - a coisa já não se passa assim. Não há promiscuidades, nem Ruis Rios, em bicos de pés, a brincar ao homem sério. Tudo é cristalino, insuspeito, notoriamente exemplar... Os políticos e ex-políticos atiram-se a tudo. Candidatam-se a Presidentes de Clubes, a Administradores de Empresas [grandes, com ou sem off-shores], de Bancos, de Federações Desportivas, a 1ºs. Ministros, a Presidentes da República e por aí fora. A tudo se permitem, excepto cumprir satisfatoriamente com aquilo para que foram legalmente mandatados, isto é: governar. No Porto, temos a melhor Universidade do país, mas Lisboa trata-nos como provincianos! Fará algum sentido este aparente paradoxo?  Faz. Lisboa é, a opinião, o resto, fica lá longe.

Agora, é Ribeiro e Castro a colocar-se na grelha de partida para a candidatura  [pasmem só] a Presidente da República, depois de se ter candidatado a Presidente do Benfica. Sem promiscuidades... E qual é problema, perguntarão os maníaco-liberais? Nenhum, diria eu, até porque, alternativa por alternativa, ficaria tudo na mesma. E o oportunismo também. Tudo boa gente, sabedora, digna, rigorosa.

Já que falamos em promiscuidades, sugeria ao Sr. Ribeiro e Castro que se juntasse àquela comandita - não promíscua, obviamente -, que costuma sentar-se na bancada do Estádio da Luz.

Pelo menos, 6 milhões de votos estão no papo. Faça-se pois à vidinha senhor futuro Presidente, porque a concorrência é muita! Em nome do Benfica [ó desculpe-me, senhor Presidente] queria dizer, em nome de Portugal.

PS-Esta noite vou ter difilculdade em dormir. É que não sei em que candidato votar.

15 setembro, 2010

CCDRN conclui que "rectificações" que a Câmara do Porto propõe "alteram" o PDM

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte concordou com a oposição de que a proposta aprovada pela maioria PSD/CDS-PP configurava algumas alterações ao PDM do Sea Life

A Câmara do Porto nunca chegou a enviar para publicação em Diário da República uma proposta sobre "correcções e rectificações" ao plano director municipal (PDM), aprovada pelo executivo a 15 de Dezembro de 2009. O documento mereceu o voto contra da oposição, por tanto o PS como a CDU entenderem que incluía alterações ao PDM. Chamada a pronunciar-se, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) confirmou, em alguns pontos, as questões da oposição. O município quer, agora, ouvir o Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT).

Foram muitas as dúvidas levantadas pelo PS e pela CDU aquando da aprovação do documento que o vereador do Urbanismo, Gonçalo Gonçalves, levou ao executivo no final do ano passado, e a celeuma continuaria, depois, com o Bloco de Esquerda (BE). Entre as mudanças mais polémicas introduzidas ao texto do PDM estava uma referência à Unidade Operativa de Planeamento e Gestão (UOPG) n.º 6 - Parque Ocidental. Com a "correcção" introduzida deixava de estabelecer-se que "esta UOPG é concretizada através de um plano de pormenor", passando a considerar-se que "deve ser concretizada através de um plano de pormenor".

Este foi um dos pontos em que a CCDRN não teve dúvidas em decidir pelo "não enquadramento" nas meras correcções previstas na lei. "Em nosso entender [...] "é" tem claramente uma força impositiva diferente de "deve ser"", defende a CCDRN numa exposição a que o PÚBLICO teve acesso. "Se o argumento é que é indiferente a redacção de um e outro, mais uma vez insistimos, então não se altere", conclui.

À espera do ministério
Confrontada com a posição da CCDRN, a maioria PSD/CDS-PP, liderada por Rui Rio, manteve a sua posição. Em resposta escrita enviada ao PÚBLICO, fonte do gabinete de comunicação da autarquia confirma: "Segundo a CCDRN, e ao contrário do entendimento jurídico da CMP, algumas das situações constantes da proposta não configuram correcções e rectificações." Perante o impasse, o município optou por enviar o documento para o MAOT para que tomasse "uma posição definitiva" sobre esta matéria.

Até que tal aconteça, o documento não será enviado para o Diário da República, não entrando, consequentemente, em vigor. Contudo, a autarquia não admite a possibilidade de anular a proposta aprovada. "Parte substancial das situações propostas foram aceites pela CCDRN como "correcções e rectificações", pelo que nunca estará em causa anular ou revogar a proposta aprovada, admitindo-se, no entanto, que algumas das situações sejam retiradas da proposta anterior e que só haja lugar à publicação das situações que forem aceites pelo ministério", esclarece a fonte.

Já os pontos que eventualmente venham a ser retirados do documento não irão desaparecer, ficando à espera de melhor oportunidade para serem aplicados, uma vez que, segundo a assessoria de imprensa do município, essas situações "poderão vir a ser incluídas num eventual processo de alteração do PDM".

Em Dezembro, o PS chegou a ponderar impugnar a proposta, mas o vereador Correia Fernandes admite não o ter feito, depois de tomar conhecimento que o processo estava a ser avaliado pela CCDRN. Rui Sá, da CDU, diz-se "satisfeito, por a CCDRN corroborar" a sua opinião, apesar de se dizer "preocupado com as trapalhadas em torno do PDM". Já o BE formulou as suas dúvidas junto da comissão, que fez saber, em resposta, estar "atenta ao evoluir da situação".


Por Patrícia Carvalho [Público]