26 março, 2011
Irmãos improváveis ( II )
No meu post de ontem com o mesmo título, aparece a seguinte frase a propósito de LFV. " A fé inabalável na justiça e pureza da sua cruzada, fá.lo pensar que ficará na História (...)".
Esta frase, redigida de forma infeliz, trai o meu pensamento e por isso considero importante a presente rectificação.
O que se pretendia dizer é que LFV tem a fé de ser capaz de enganar o mundo através da sua política de falsidades, de mistificação e de desinformação, tentando levar as pessoas a pensar que as suas atitudes são justas, tomadas de boa fé, e que têm como única finalidade a "credibilização" do futebol.
Exactamente a mesma estratégia de Sócrates, que certamente tem a esperança que os resultados das próximas eleições o voltem a pôr à superfície. Na Irlanda, o partido responsável pelo descalabro económico foi duramente penalizado nas eleições. Como será em Portugal? Será que o crime ainda compensa? Será que os vendedores da banha de cobra ainda conservam todo o seu poder de persuasão? Esperemos pelas respostas nos próximos episódios...
25 março, 2011
Irmãos improváveis
Pode ser um pensamento disparatado, mas juro que a demissão de Sócrates fez-me lembrar outra das minhas embirrações : Luiz Filipe Vieira. Uma crispação crescente é visível nos dois campos, o político e o futebolístico, e em minha opinião esses dois personagens são os principais fautores de situações que tendem a agravar-se, que não se sabe onde pararão, e que são antagónicas de um civilizado confronto de ideias partidárias ou de simpatias clubísticas.
Sócrates é o detentor da verdade,o bom, o iluminado que conhece o único caminho que nos tirará da terrível situação em que estamos metidos e da qual ele não tem culpa alguma. Em todos estes anos de poder, ele fez tudo certo, o país seguia um rumo de sucesso, só que a malvada crise mundial tudo veio estragar. Sócrates governou de tal modo que estabeleceu novos e altíssimos padrões de comportamento moral e de idoneidade política.
LFV é o paladino da verdade desportiva e da transparência, com activo repúdio de tudo o que sejam sujas manobras exteriores ao rectângulo de jogo. Ele é o arcanjo pacificador que luta corajosamente contra a corrupção e os golpes sujos, personificados pelo grande Satã que é Pinto da Costa. A fé inabalável na justiça e pureza da sua cruzada, fá-lo pensar que ficará na História como o melhor presidente de sempre de um um clube desportivo.
De Sócrates já me livrei, espero que definitivamente.
O outro, o LFV, ainda cá anda, mas o seu tempo, mais cedo ou mais tarde, chegará ao fim. Espero ainda por cá estar quando, dissipado o escudo protector SLB, esse personagem tiver de prestar contas à Justiça. Estou seguro que, entretanto, Vale e Azevedo faz parte dos seus piores pesadelos.
ps Este último governo era formado pela mais incrível colecção de jarrões que jamais governou Portugal. A sua saída é pois um serviço público prestado ao país. Acho particularmente higiénica a desaparição do ministro da administração interna e do secretário de estado dos desportos.
Um vergonha para os nossos políticos
OS EXEMPLOS DE QUE OS POLÍTICOS PORTUGUESES NÃO GOSTAM DE OUVIR FALAR
A Democracia e o jornalismo desportivo
Falta precisamente hoje um mês, para que o histórico dia 25 de Abril cumpra 37 anos, data em que Portugal comemora a conquista da Liberdade e a implantação da Democracia. Desde então, o país foi incapaz de se livrar do torpor desse momento de fantástica alegria, sem nunca ter verdadeiramente conseguido a clarividência necessária para se reorganizar e adaptar a uma nova realidade.
À libertação da ditadura, sucederam-se compreensíveis reivindicações, alguma anarquia, imensas greves, com umas tantas fugas do país de gente que, por boas e más razões, receou pela sua segurança e pelo seu futuro. Se quisermos ser honestos com a história, teremos de reconhecer que nunca chegamos a provar o doce sabor da estabilidade económica e da prosperidade social. Portugal viveu sempre amarrado a crises. A única diferença, é que a crise actual, é de longe a pior que se viveu desde esse tempo a esta parte. Infelizmente para nós, não temos para recordar bons e saudosos tempos, em termos genéricos. Só os banqueiros, os políticos e meia dúzia de grandes empresários podem dizer o contrário, o que não é o mesmo que dizer a verdade. Resumindo: nunca nos soubemos governar, enquanto país. E o raciocínio dedutivo a fazer desta realidade é uma enorme mancha de incompetência e vergonha para toda a classe política. Se lhe acrescentarmos o sucesso económico que contra a corrente desta lógica muitos desses políticos entretanto alcançaram, podemos afirmar - sem receio de sermos injustos - , que estes cavalheiros passaram o tempo a cuspir para a Democracia, que é como quem diz, para o Povo.
Por estas razões, considero que a minha relutância em engajar-me em qualquer dos partidos políticos existentes foi uma decisão sensata e acertada. Se o tivesse feito teria perdido o meu tempo e acumulado desgostos. Não tenho dúvidas. A não ser que me deixasse encantar, como a grande maioria deles, pelo comodismo característico dos funcionários públicos. Os nossos políticos, no governo ou na oposição, nunca foram capazes de ultrapassar esse nível comportamental. Por isso, andamos hoje a estender a mão à Europa sem grandes expectativas em relação ao futuro.
Mas alguma coisa sobrou de positivo deste tsunami pós 25 de Abril : a Liberdade. Não confundamos as coisas, falar de Liberdade, não é falar de Democracia, embora muita gente ainda fale desta como um dado adquirido. Os jornalistas então, são quem mais parece venerá-la. Pura ilusão. Eles não a veneram, usam-na e estendem-na, consoante as [suas] conveniências. Usam-na sobretudo para consumo próprio, num ininterrupto teste de resistência, quando em causa está algo susceptível de fazer vender os jornais do patrão, mas temem-na e desconfiam dela quando se trata da sua própria sobrevivência. Eles, melhor que ninguém, sabem que a Democracia é um embuste, mas pactuam com ele, por uma questão de sobrevivência. Falta-lhes coragem para dar o passo seguinte.
O jornalismo desportivo é talvez o sector onde a liberdade de opinião é mais submissa com o patronato. É o patrão e os lobbies quem ditam o que deve ser dito ou escrito. Há na imprensa desportiva, como na televisão e na rádio, profissionais que não hesitam em submeter as suas ideias à ditadura das linhas editoriais, mesmo que discordando delas. Os jornais desportivos são o espelho do que de pior se tem feito em Portugal em termos de informação. O fanatismo está patente nas suas capas e a democracia informativa pura e simplesmente não existe. Há três jornais desportivos, dois deles de Lisboa, e um sediado no Porto com duas edições [Norte e Sul]. Todos eles, sem excepção, se conduzem pela mesma cartilha: o Benfica é o guia espiritual. Os outros clubes, mesmo com melhores performances desportivas, são remetidos para o quase anonimato e quando são falados [sobretudo o FC Porto], é sempre pelas piores razões. E todos eles pactuam com este genuíno atentado aos valores da Democracia. Em nome das vendas e do todo poderoso Benfica...
Os jornalistas simpatizantes do FC Porto sabem-no, e prestam-se a este trabalho de prostituta. Dizem que têm filhos para criar e que a vida está difícil, etc... Como prostitutas, vendem a alma ao patrão. Como podem eles ser levados a sério? Como querem ser respeitados? Então, que se assumam como prostitutos da informação e terão direito ao respeito proporcional a quem se deixa prostituir. Se a ideia de honra chegou a tão baixos padrões, estarão porventura eles também disponíveis para verem prostituir-se os próprios filhos?
Os jornalistas simpatizantes do FC Porto sabem-no, e prestam-se a este trabalho de prostituta. Dizem que têm filhos para criar e que a vida está difícil, etc... Como prostitutas, vendem a alma ao patrão. Como podem eles ser levados a sério? Como querem ser respeitados? Então, que se assumam como prostitutos da informação e terão direito ao respeito proporcional a quem se deixa prostituir. Se a ideia de honra chegou a tão baixos padrões, estarão porventura eles também disponíveis para verem prostituir-se os próprios filhos?
Haja paciência. A vida está má para todos. A justificação de ter de a ganhar, não pode explicar tudo. Urge repudiar o trabalho sectário, a mentira, o insulto, a conspiração, e a injustiça mesmo que o patrão ameace com o despedimento. Isso fará toda a diferença, entre o lacaio e o Homem.
E quando falarem sobre Democracia, seria bom que se lembrassem do contributo que estão a dar para a sua degeneração. Cobardemente.
E quando falarem sobre Democracia, seria bom que se lembrassem do contributo que estão a dar para a sua degeneração. Cobardemente.
24 março, 2011
Provedor do telespectador demite-se
Paquete de Oliveira anunciou esta quarta-feira a sua demissão do cargo de provedor do telespectador. Um mês antes, já tinha avançado a sua decisão ao presidente da RTP.
Nota de RoP
Aceitam-se novas candidaturas!
Perfil do candidato:
- Saber ler e escrever
- Ter aspecto de pessoa séria
- Fazer de conta que regula e não regular nada
- Não responder a perguntas embaraçosas para a RTP
- Salário compatível com a idoneidade
Nuno Santos aprovado para director de informação da RTP
O Conselho Regulador da Entidade Reguladora da Comunicação reuniu-se esta segunda feira e aprovou por unanimidade a entrada de Nuno Santos para director de informação da RTP.
Nuno Santos, que era director de programas da SIC desde 2007, foi confirmado como director de informação da estação pública no início de Março, depois da saída recente de José Alberto Carvalho para a TVI. A aprovação do Conselho de Redacção oficializa a contratação do jornalista.
Nuno Santos mostrou-se no início de Março "honrado" com o convite da administração da estação pública, garantindo que o cargo é uma "grande responsabilidade" na sua carreira.
A chegada do jornalista motivou contudo uma nota da Comissão de Trabalhadores da RTP declarando que o convite a Nuno Santos representa uma "falta de confiança" da administração para com jornalistas que integram os quadros da empresa. [JN]
Nota de RoP
Sobre a idoneidade de Nuno Santos para o cargo de Director de Informação de um canal público como é [é?] a RTP, mantenho as minhas reservas. Entre ele e o que lá estava, as diferenças são meramente físicas. Mas, confesso que me desperta alguma curiosidade saber o que é que, para a Comissão de Trabalhadores, distingue o anterior director, do actual. Porém, essas, são informações a que nós, comuns mortais, não temos direito.
Os jornalistas, e a sua vidinha são assunto tabu, não é. Para eles, os holofotes da informação devem ser necessariamente discretos... Viva a coerência!
Os jornalistas, e a sua vidinha são assunto tabu, não é. Para eles, os holofotes da informação devem ser necessariamente discretos... Viva a coerência!
23 março, 2011
Um Ministro miserável, sectário e profundamente incompetente
Nem a licenciatura em direito, o mestrado em Ciências Jurídicas e o cargo de Ministro da Administração Interna, fazem currículo suficientemente habilitado para transformar um incompetente num sábio. Marrar, até se conseguir os canudos, pode ser uma atitude louvável, mas não é concerteza uma garantia de saber. Estou a falar de Rui Pereira, como já terão percebido. Este homem, à imagem do seu chefe José Sócrates, não faz a menor ideia do que é o sentido de Estado.
É por permitirmos que gente desqualificada como este homem aceda ao Poder, que Portugal não passa da cepa torta. E o que é mais grave, é que não é o único irresponsável. São todos! Incluindo o nosso povo, que mesmo depois de passar por consecutivas provações de ingovernabilidade, continua a presentear estes garotos com o votozinho da praxe. E eles, claro, agradecem.
Devo dizer, a propósito das suas patéticas declarações [serei implacável!] àcerca do apedrejamento da viatura do Presidente do Benfica, que soam a falso, que são sectárias e completamente desajustadas. Primeiro, porque o primeiro responsável, é ele próprio, por, até hoje, não ter sido capaz de tomar uma única decisão, dito uma palavra, no sentido de refrear outras "violências" que há muito se instalaram no futebol português.
Parte substancial dessas outras violências, começou quando concedeu que alguns comentadores do seu clube ultrapassassem o limite do razoável com acusações infundadas ao FCPorto em programas desportivos, sem ter qualquer intervenção pedagógica. Permitiu que a imprensa e a a televisão, tanto pública como privada, continuassem a desenvolver um trabalho deliberado de anti-portismo, confundindo o direito à liberdade de opinião, com o direito à libertinagem, o que atesta do seu baixíssimo nível, mesmo enquanto cidadão. Não teve uma palavra de repúdio quando a viatura de Pinto da Costa sofreu o mesmo tipo de ataque, deixando revelar uma dualidade de critèrios inconcebível para alguém com as suas responsabilidades.
Parte substancial dessas outras violências, começou quando concedeu que alguns comentadores do seu clube ultrapassassem o limite do razoável com acusações infundadas ao FCPorto em programas desportivos, sem ter qualquer intervenção pedagógica. Permitiu que a imprensa e a a televisão, tanto pública como privada, continuassem a desenvolver um trabalho deliberado de anti-portismo, confundindo o direito à liberdade de opinião, com o direito à libertinagem, o que atesta do seu baixíssimo nível, mesmo enquanto cidadão. Não teve uma palavra de repúdio quando a viatura de Pinto da Costa sofreu o mesmo tipo de ataque, deixando revelar uma dualidade de critèrios inconcebível para alguém com as suas responsabilidades.
Mas, para quê falar mais deste pobre coitado se ele não passa de uma árvore doente numa floresta com um governo há muito moribundo? Pois, que morram hoje mesmo! A árvore e a floresta.
E siga para Bingo!
E siga para Bingo!
22 março, 2011
Regresso trágico à ideologia
O sistema não serve o regime, porque se baseia no compadrio e no clientelismo. Está corrompido e ferido de morte. Não vale a pena olhar o problema hipocritamente, nem conviver com o cinismo dos que acham que foram outros os responsáveis pela situação de bancarrota a que o país chegou. Interessam pouco os ataques pessoais quando a situação é de ruptura e as reformas têm de ser muito duras, seja quem for a governar. Confúcio ensinava (cinco séculos antes de Cristo) que as mudanças radicais exigem autoridade adequada e que o homem que as promove tem de possuir força interior além de uma posição influente e aquilo que ele faz precisa de corresponder a uma verdade mais alta. Maquiavel advertia os príncipes do seu tempo de que não há nada mais difícil de empreender, mais perigoso de conduzir ou de sucesso mais incerto do que assumir a liderança na introdução de uma nova ordem das coisas. O que terá de vir é isso mesmo, uma nova ordem das coisas. A que existe conduziu ao caos, à desordem, à miséria económica, financeira, intelectual e espiritual. Já não se trata de tirar o tapete a quem quer que seja, mas de mudar a casa e de a preparar para receber equipas capazes de ajudar o novo líder a alterar radicalmente o sistema para salvar o regime. Admitindo que, apesar do descontentamento com a situação actual, os portugueses só aceitarão os sacrifícios se sentirem que eles apontam para uma mudança útil (seguindo o pensamento de Kotter). O ruído é já intenso e vai tornar-se ensurdecedor, com fortes doses de demagogia e o regresso à ideologia. Não seria grave se, nas circunstâncias actuais, não fosse trágico para Portugal.
por Alfredo Barbosa [in I]
Docente da Universidade Fernando Pessoa
Nota de RoP
Pelo que vejo [com muita satisfação], não estou só a reclamar novos paradigmas de regime e de democracia. Aos poucos, vão-se abrindo os olhos de algumas pessoas.
21 março, 2011
Você é contra ou pró?
Quem ler o Renovar o Porto com regularidade saberá o que penso sobre o programa "Prós e Contras", da RTP. Resumo todo aquele aparato de perguntas e respostas a um único objectivo: branquear erros e ilegalidades recentes ou passadas, cometidas por governantes e ex-governantes com a participação do público. Um desperdício, pintado de cidadania.
Não será portanto caso para abrirmos a boca de espanto a notícia da participação de Rui Rio no programa desta noite a partir do Rivoli com o autarca lisboeta Alberto Costa. De certeza que todos vamos ficar mais esclarecidos.
20 março, 2011
Concordo com o Miguel
"Dentro de cinco anos, dez no máximo, o Japão estará reconstruído de toda esta devastação que o destino lhe reservou. Mas nós estaremos na mesma ou pior".
Miguel Sousa Tavares [in Expresso]
Miguel Sousa Tavares [in Expresso]
Nota de RoP:
Os japoneses ao, contrário de certos portugueses degenerados, não manifestam o seu patriotismo pelas performances da selecção do seu país, mas sim por um elevadíssimo nível de civismo perante as adversidades e pela prosperidade do seu povo. Nós, ou melhor, aqueles portugas do sul/centro do território, órgulham-se [com o "ó" aberto] prematuramente de êxitos desportivos apenas porque houve um treinador brasileiro que, tal como eles, decidiu falar mal do Porto...
18 março, 2011
Autoridade contra a mediocridade
Vão pensar que sou um puritano, que sou demasiado intransigente com a mediocridade, mas estão redondamente enganados. Estou longe de ser puritano e de ser intransigente que chegue com a mediocridade. O meu 'drama' consiste em querer continuar a acreditar que, apesar da aridez verificada em matéria de líderes no panorama internacional , ainda deve haver algures, nalgum canto do planeta gente com coragem, dimensão intelectual e ideológica q.b. para propor novos caminhos à governabilidade dos povos.
A Democracia tem sido tão maltratada nestes últimos anos, que se tornou no melhor aliado dos medíocres. Não creio que - tal como está actualmente - haja quem a defenda mais do que eles.. E por quê? Porque são todos esses figurões que por razões óbvias não estão interessados em torná-la mais eficaz em termos legais. Quanto mais fácil for contornar a Lei, mais fácil se consegue fugir às responsabilidades. Mas para que o respeito pela Lei comece a ser um hábito natural dos cidadãos é imperioso que os representantes do Estado sejam os primeiros a dar o exemplo. A autoridade não deve ser mais do que o permanente zelador do cumprimento da Lei.
Quando a Lei não funciona, não vale a pena criar outras, porque ela já existe no papel, mas não sendo levada à letra pouco ou nenhum efeito produz. A Lei, contemplando direitos, obriga também a deveres, e é por aí que ela se fragiliza. É por estar profundamente convencido dessa fragilidade, por vê-la cada vez mais apetecível a potenciais ditadores, que defendo urgentemente o reforço, ou melhor, a implementação efectiva da autoridade. Não vejo [ao contrário dessa clã medíocre], que a autoridade passe a ser autoritarismo apenas por passar a ser respeitada.
Quando a Lei não funciona, não vale a pena criar outras, porque ela já existe no papel, mas não sendo levada à letra pouco ou nenhum efeito produz. A Lei, contemplando direitos, obriga também a deveres, e é por aí que ela se fragiliza. É por estar profundamente convencido dessa fragilidade, por vê-la cada vez mais apetecível a potenciais ditadores, que defendo urgentemente o reforço, ou melhor, a implementação efectiva da autoridade. Não vejo [ao contrário dessa clã medíocre], que a autoridade passe a ser autoritarismo apenas por passar a ser respeitada.
Nesta perspectiva, não seria eu que me atrevia a criticar o líder de um futuro Governo que começasse por impor alguns condicionalismos aos seus colaboradores [Ministros, Secretários de Estado, etc.]. Três simples exemplos relacionados com o futebol:
- Distanciamento físico das manifestações de índole desportiva com qualquer clube, excepto para homenagear a comemoração de troféus nacionais ou internacionais.
- Inibição na participação de programas de índole desportiva ou quaisquer outros que pudessem transmitir a ideia de preferências ou proteccionismos em relação a determinado[s] clube[s].
- Limitação de participação em debates mediáticos a situações de comprovada excelência governativa, de forma a promover a competência.
Estas "barreiras" estratégicas não seriam impingidas, seriram colocadas. Quem não concordasse só tinha que recusar. Ponto. Quem aceitasse, tinha de obedecer, ou correria o risco de ser demitido. Ponto.
Condições, regras - chamem-lhes o que quiserem -, que obviamente seriam para respeitar. Mesmo.
Dentro do respectivo contexto, medidas similares seriam aplicáveis a Ministérios e demais organismos públicos. Talvez assim deixássemos de ouvir o senhor Procurador da República queixar-se da falta de condições ou de suspeitas de violação do segredo de justiça. As direcções servem para dirigir e controlar, se existem e falham, é porque não cumprem eficazmente a sua função, logo, devem ser demitidas e substituídas.
A responsabilidade bem sucedida pressupõe competência e seriedade, mas contempla a exoneração, em caso de falhanço. Como não é assim que ela é encarada, os incompetentes mantêem-se agarrados aos lugares, disponíveis para corromper ou serem corrompidos. O caso do Procurador Geral é paradigmático: é ele próprio que não sabe exercer os Poderes que tem, simplesmente porque não tem a coragem necessária para o efeito. E aqui a mediocridade começa mesmo pelo topo da pirâmide do Poder. O resto, vem por acréscimo.
Dentro do respectivo contexto, medidas similares seriam aplicáveis a Ministérios e demais organismos públicos. Talvez assim deixássemos de ouvir o senhor Procurador da República queixar-se da falta de condições ou de suspeitas de violação do segredo de justiça. As direcções servem para dirigir e controlar, se existem e falham, é porque não cumprem eficazmente a sua função, logo, devem ser demitidas e substituídas.
A responsabilidade bem sucedida pressupõe competência e seriedade, mas contempla a exoneração, em caso de falhanço. Como não é assim que ela é encarada, os incompetentes mantêem-se agarrados aos lugares, disponíveis para corromper ou serem corrompidos. O caso do Procurador Geral é paradigmático: é ele próprio que não sabe exercer os Poderes que tem, simplesmente porque não tem a coragem necessária para o efeito. E aqui a mediocridade começa mesmo pelo topo da pirâmide do Poder. O resto, vem por acréscimo.
Por acréscimo, surgem também outros sinais de défice de autoridade e excesso de folclore institucional. Tornou-se comezinho vermos os advogados defenderem as suas causas [ou clientelas] publicamente frente às câmeras da Televisão, quando deviam, por obediência à probidade deontológica, cingí-las às salas dos Tribunais. Depois, seguem-se os senhores Juízes que, por dever de honra à Justiça se deviam resguardar dos holofotes e da boatice da comunicação social, também esta a abusar do muito poder que já goza, sem qualquer regulação...
Se me disserem que tudo o que acabo de explanar nada tem a ver com a falta de autoridade, eu não acredito. Porque é neste ponto preciso que nasce a bandalheira do actual regime. Havendo dinheiro, há advogados, logo, o crime compensa.
A autoridade nunca foi por natureza uma coisa simpática para ninguém, e é verdade. Não devemos é continuar a pensar que ela só é importante para os outros. O autoritarismo não é mais do que a palavra de ordem que alguém inventou para abortar o efeito inibidor da autoridade e tornar as sociedades de hoje sem valores, e quase insuportáveis.
A autoridade nunca foi por natureza uma coisa simpática para ninguém, e é verdade. Não devemos é continuar a pensar que ela só é importante para os outros. O autoritarismo não é mais do que a palavra de ordem que alguém inventou para abortar o efeito inibidor da autoridade e tornar as sociedades de hoje sem valores, e quase insuportáveis.
F.C. Porto é o melhor líder do campeonato desde há 38 anos
O actual F.C. Porto, de André Villas-Boas, é o melhor líder do campeonato português de futebol dos últimos 38 anos, desde que o Benfica, de Jimmy Hagan, chegou à 23.ª jornada da Liga 1972/73 só com vitórias.
Para o mesmo número de jogos é preciso recuar quase 40 anos para assistir a uma "performance" tão elevada. Na época, sob a orientação do inglês Jimmy Hagan, o Benfica chegou à 23.ª jornada com um pleno de vitórias e até ao final dessa temporada viria a ceder dois empates - o primeiro na jornada seguinte, com o F.C. Porto -, terminando a prova invicto, com 28 triunfos.
Esta época, o F.C. Porto - que até se pode sagrar campeão dentro de duas jornadas no Estádio da Luz -, cumpre o melhor percurso desde há longos anos, com 21 triunfos e dois empates (com Vitória Guimarães e Sporting, ambos fora).
Na sua primeira época ao serviço dos "dragões" e em tão curta carreira de treinador - foi observador de José Mourinho no F.C. Porto, Chelsea e Inter Milão e treinou a selecção das Ilhas Virgens Britânicas -, Villas-Boas quer também fazer história.
Já esta semana o médio portista João Moutinho disse que um dos objectivos dos "dragões", cada vez mais perto do título, é chegarem ao final da época sem qualquer derrota, igualando a proeza do Benfica em 1972/73.
Em toda a história da Liga de futebol apenas o Benfica conseguiu terminar o campeonato sem derrotas e não só nessa época.
Pinto da Costa volta a atacar Sócrates por causa da Regionalização
José Sócrates voltou a estar na mira de Pinto da Costa. Depois de há pouco menos de um ano, em entrevista ao GRANDE PORTO, o ter acusado de ter tentado transformar o Benfica no clube do regime, por ter desejado a vitória do Benfica na final da edição da Taça da Liga do ano passado frente aos azuis e brancos, o presidente do FC Porto voltou criticar o Primeiro-Ministro, agora por causa de mais um adiamento da reforma da Regionalização.
“Todos aqueles que não têm cumprido as promessas eleitorais, prometendo a Regionalização e metendo-a depois na gaveta, deviam ter vergonha da situação em que nos colocaram”, afirmou o líder portista, naquilo que pareceu uma alusão à decisão de José Sócrates, plasmada na moção estratégica que levará ao congresso nacional, de travar a reforma político-administrativa do País na actual legislatura.
As palavras de Pinto da Costa ouviram-se em Rio Tinto, no salão nobre da junta de freguesia, curiosamente liderada pelo PS, que também é cidade. Cidade que, corria o ano de 824, tomou o nome do rio que foi tingido de sangue após uma batalha vencida pelos cristãos aos mouros. Inspirado pelo episódio, Pinto da Costa não perdeu a oportunidade para disparar em vários sentidos e abordar a actualidade, no dia em que a geração à rasca saía à rua para se manifestar: “O País está à rasca, as pessoas estão à rasca, os jovens estão à rasca, os reformados estão à rasca e tudo isso acontece porque os que estão bem na capital mantêm a decisão de teimosamente não querer a Regionalização que lhes permitiria deixar de estar à rasca. Somos tão portugueses como aqueles que deviam estar no rio tinto”, defendeu o dirigente, lembrando que o FC Porto “é dos poucos que ainda resistem à tentativa de conquista do poder da capital”.
Voltar para celebrar
Pinto da Costa não poupou críticas ao poder central e “centralizador”, mas enalteceu a “briosa” missão do poder local, das autarquias e freguesias, no esforço de melhor servir as populações. Ao seu lado estava, para além de Marco Martins e Nuno Coelho, respectivamente presidentes da freguesias vizinhas de Rio Tinto e Baguim do Monte, Valentim Loureiro, que fez questão de sublinhar a amizade que nutre pelo presidente portista, a quem lançou o repto para avançar para a construção de uma casa do FC Porto no centro da cidade para toda a população. “Eu sou presidente de todos os gondomarenses, portistas, benfiquistas ou sportinguistas, mas reconheço que os adeptos do FC Porto estão em maioria no concelho e que já há muito tempo merecem uma casa”, desafiou o presidente da câmara de Gondomar.
No dia em que o clube azul e branco inaugurou a sua 135.ª delegação, a primeira em Gondomar, o mais antigo dirigente do futebol português teve honras de Estado em Rio Tinto, sendo efusivamente recebido por mais de três centenas de simpatizantes portistas da cidade onde prometeu voltar para festejar a conquista do 25.º campeonato.
15 março, 2011
Portugal à rasca, ou é rasca?
A mim não me importa que o slogan escolhido para a manifestação soe mal aos ouvidos, o que realmente importa é que tenha sido funcional. E foi. Se foi a Geração à Rasca, os Homens da Luta, os Deolinda ou os três ao mesmo tempo que funcionaram como dinamizadores para o sucesso da grande manifestação nacional de 12 de Março de sábado passado, é quase irrelevante. O que é relevante e triste, é identificar as fontes que a inspiraram: Governo e classe política em geral.
O Governo desgoverna com competência rara, mas a oposição não consegue dar sinais de poder fazer melhor. O drama maior de Portugal é esse. Temos maus governantes e políticos sem novas ideias. As crises dão-lhes muito jeito. Quando se é incompetente, não há melhor álibi do que uma boa crise, ou então lançar as culpas para o antecessor.
Dos partidos com hipóteses de formar governo, é notória a desorientação própria de quem não está preparado para tomar conta do fardo que é governar o país neste momento ou até noutro qualquer. Porque não há ninguém com coragem e saber para reformular a política e a forma de a exercer. Para que isso acontecesse seria preciso encontrar alguém com uma invulgar capacidade de liderança capaz de apresentar ao país um novo plano reorganizativo da sociedade e uma outra forma de administrar a economia sem fazer muitas ondas, o que é praticamente impossível, devido aos obstáculos que uma classe hiper-conservadora habituada a influenciar o Poder sempre tende a criar. O comunismo faliu. O capitalismo sempre esteve falido mas a espaços, tem a "arte" de criar no povo as ilusões de um futuro melhor. A economia serve-lhe de barómetro: se está em linha ascendente o futuro "existe", se cai é por causa das crises, pouco mais há para dizer. O cículo vicioso não passa disto. Até aos dias de hoje que é assim. Bastaria lançarmos um olhar atento sobre o que é a vida na maior potência Mundial, como são os Estados Unidos da América, para percebermos que os americanos estão longe de constituir uma sociedade equilibrada, independentemente dos seus pontos positivos. As aberrações sociais, são do que há de pior. Não é por acaso que os carros de polícia circulam por todo o lado...
Analistas e politólogos repetem-se nos comentários. Não há vontade de experimentar fazer diferente. Ou se faz ['governa'] como sempre se fez, ou então não se faz. Eu gostava de dizer a essas pessoas que devem passar a ser mais moderados quando tiverem de falar dos maus governos e dos respectivos culpados. É que já cansa ouví-los incluir no lote dos culpados pessoas [como é o meu caso e o de outros] que nunca deram o voto de confiança a esta gente que tem destruído o país, pela simples razão de não lhes reconhecerem méritos para o conduzir. Há sempre que ter em conta aqueles [poucos, talvez] que tiveram a lucidez ou mesmo o instinto suficiente para perceber a mediocridade dos candidatos ao trono. Aliás o próprio sistema eleitoral nos impossibilita de conhecer profundamente os candidatos aos órgãos do poder. Ninguém pode votar em consciência.
Os salários precários como os pluri-empregos e os recibos verdes, são outras das palavras mais ouvidas nos últimos tempos por gente tida como responsável. Coisas ditas como a mesma naturalidade que o sedento bebe um copo de água. Não oiço porém estas sumidades opinantes aplicarem o pardigma à prole, ou a eles próprios. Só acredito quando vir o Durão Barroso a guarda de noite, ou o Sócrates a caixa de super-mercado. Antes disso não há paradigma para ninguém...pelo menos eu não o engulo. Além disso é uma vergonha e uma falta de ambição ideológica chocante insistir neste discurso miserabilista. Revela conformismo e uma total falta de solidariedade cívica. Revela também que os muitos anos de estudos "superiores" não bastaram para lhes ensinar que o Mundo é um bocadinho maior que o raio que dista dos próprios olhos ao umbigo. Com protagonistas ideologicamente tão ambiciosos não é apenas a geração que está à rasca, é Portugal inteiro.
14 março, 2011
INFORMAÇÃO SOBRE A PETIÇÃO
Na sequência das alterações já anunciadas pela comunicação social sobre uma nova nomeação para o cargo de Director de Informação na RTP, procedeu-se a uma pequena actualização do texto da petição em: *post-scriptum [PS].
Petição Contra a discriminação ao Futebol Clube do Porto e pela demissão dos Directores de Informação da RTP Para:Assembleia da República
Considerando o acentuado descontentamento de uma expressiva parte da população portuguesa, de Norte a Sul do país, simpatizante, adepta e sócia do Futebol Clube do Porto, com a forma sectária e desrespeitadora como a RTP tem vindo a eleger e a promover a programação e informação desportiva, tentando denegrir e desvalorizar, directa ou veladamente, não só a sua imagem de cidadãos, como a imagem do próprio clube, vêm os signatários apresentar junto da Assembleia da República esta petição no sentido de pedir a demissão imediata do seu Director de Informação, José Alberto Carvalho, bem como da estrutura directiva da RTPN, José Alberto Lemos [Director], Carlos Daniel e Dinis Sottomayor [Directores Adjuntos].
O sentido da presente petição é tanto mais pertinente quanto profunda e incontrolável é a revolta da população local perante outros factores similares de discriminação a que vem sendo submetida por total insensibilidade governativa, quer sejam de ordem política, económica, como social.
Sendo os colaboradores da Rádio Televisão Portuguesa, funcionários do Estado, como tal, obrigados a uma isenção acrescida em relação aos media privados, é legítimo que os adeptos do FCPorto de todo o país, cujos impostos contribuem para lhes pagar os vencimentos, exijam para as Direcções dos canais públicos gente da sua confiança e não se revejam na actual.
Como tal, exigem a imediata demissão dos directores supra-citados e a respectiva substituição por gente competente e com uma noção profunda e rigorosa do que é um verdadeiro serviço público.
*Ps. Por coincidência, ou não, decorridos dois mêses da data deste documento, o Director de Informação da RTP, José Alberto Carvalho, abandonou esse cargo para ocupar outro de similar responsabilidade na TVI. Este facto, obriga os signatários a adaptarem o texto desta Petição sem prejuízo de posterior responsabilização do Ex-Director da RTP. Assim, mantem-se o pressuposto de exclusão dos directores adjuntos que constam desta petição bem como o desejo manifesto dos peticionários de que o novo Director de Informação reformule uma nova equipa com quadros mais qualificados.
Respeitosamente,
Os signatários
13 março, 2011
Sobre a origem do político Rui Gomes da Silva
Rui Manuel Lobo Gomes da SilvaOrigem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ministro de Portugal
Mandato: XVI Governo Constitucional
Ministro dos Assuntos Parlamentares
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro
Nascimento: 23 de Agosto de 1958 (52 anos)
Lisboa, Portugal
Partido: Partido Social Democrata
Rui Manuel Lobo Gomes da Silva (Lisboa, 23 de Agosto de 1958) é um advogado e político português.
[editar] Funções governamentais exercidasXVI Governo Constitucional
Ministro dos Assuntos Parlamentares
Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro
Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Manuel_Lobo_Gomes_da_Silva
Ministro de Portugal
Mandato: XVI Governo Constitucional
Ministro dos Assuntos Parlamentares
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro
Nascimento: 23 de Agosto de 1958 (52 anos)
Lisboa, Portugal
Partido: Partido Social Democrata
Rui Manuel Lobo Gomes da Silva (Lisboa, 23 de Agosto de 1958) é um advogado e político português.
Licenciado em Direito (1981), é senior partner da firma Legalworks, em Lisboa. Na política foi deputado à Assembleia da República nas V (1987-1991), VI (1991-1995), VII (1998), VIII (1999-2002), IX (2002-2004) e X (2005-2009) Legislaturas, tendo presidido à Delegação Portuguesa da Assembleia Parlamentar da OTAN (2002-2004). Foi membro das Assembleias Municipais de Lisboa (1990-1994 e 2002-2005) e Cascais (1998-2002). Foi membro do XVI Governo Constitucional, chefiado por Pedro Santana Lopes. No desporto é, hoje, vice-presidente da Direcção do Sport Lisboa e Benfica e vogal do Conselho de Administração da respectiva SAD. Integrou o Conselho Superior do Ministério Público (1994-1999).
Ministro dos Assuntos Parlamentares
Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro
Fonte: Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Manuel_Lobo_Gomes_da_Silva
As manifestações da "geração à rasca"
Gostaria que as manifestações de ontem marcassem o início de uma nova época em Portugal. Uma época em que os portugueses abandonassem a sua inércia indiferente e comodista, com a consequente convicção que as "coisas " só mudam se "eles" quiserem, porque "nós" somos impotentes, e que portanto não vale a pena "nós" nos mexermos.
É só por isso, pela criação duma consciência cívica que origine uma mentalidade nacional mais interventiva, que as manifestações de ontem podem constituir um marco. Quanto à finalidade anunciada, isto é, a resolução dos problemas de emprego da "geração à rasca" (e não só! ) elas não resolverão nada de nada. Empregos "para a vida" como antigamente, só muito dificilmente voltarão. Empregos decentemente pagos e com um mínimo de estabilidade, infelizmente não se criam por decreto e serão crescentemente mais difíceis numa economia cada vez mais anémica como a nossa.
Gostaria que pelo menos houvesse uma (improvável) consequência do dia de ontem : a erradicação dos famigerados recibos verdes, que são uma vergonhosa exploração do trabalho, com o oportunismo de empresários sem consciência e a cumplicidade culposa dos governos, incluindo um que se auto-intitula de "socialista".
Outro aspecto em evidência no dia de ontem, foi a condenação dos "políticos" tal como os conhecemos. Acompanho a opinião de todos aqueles que têm clamado que o actual sistema político português, aquilo a que chamam uma democracia representativa, está esgotado, já deu o que tinha a dar, e que só se mantém porque perpetua os interesses dos partidos políticos, dos seus dirigentes e respectivos serventuários, e das clientelas que vivem à sua custa, tudo isto perante o olhar bovinamente abúlico das populações. Receio que no imediato nada mudará e que à sua condenação pública, os políticos profissionais farão o equivalente das vítimas das inundações, que procuram os lugares mais altos para escapar às águas, na certeza que elas acabarão por baixar e tudo voltará ao mesmo.
Os nossos políticos são uns desavergonhados incorrigiveis. Só à força serão corridos. Será possível que das manifestações surja uma nova classe de gente jovem com outra mentalidade, capaz de iniciar uma nova época? Ou será necessário uma revolução? Ou a União Europeia considera-nos inimputáveis e nos quer transformar num protectorado?
Os oito séculos de História que Sócrates invocou em Bruxelas, serão suficientes para evitar que nos despenhemos no buraco negro que se abre na nossa frente?
O PSD não tem vergonha deste homem? E o Dr. Rui Rio, também não?
Fosse a previsibilidade a mesma coisa que a sorte, a crise económico-financeira teria passado ao lado dos portugueses e Sócrates teria conseguido um feito impar na história universal: gerar riqueza no país, sem governar. Mal comparando, se Rui Gomes da Silva não fosse um aldrabão compulsivo, um homem sem escrúpulos e uma das várias fontes de humilhação do Partido Social Democrata cujo comportamento tem, estranhamente, merecido a complacência aos pregaminhos de Rui Rio, talvez ainda houvesse alguém capaz de o levar a sério.
O Benfica tudo tem feito para fazer a vida negra ao FCPorto. Qualquer pessoa séria o percebe. Tudo lhe serve para tentar infernizar a vida ao clube azul e branco. Considero que já nem vale a pena recordar o miserável histórico de actos de terrorismo e de perseguição perpretados contra o clube do Porto, só para falar dos últimos anos. Toda a gente já percebeu que, independentemente das performances desportivas, o Benfica, vergonhosamente apoiado por uma comunicação social desonesta e sectária, acha que nenhum outro clube nacional tem o direito de se lhe atravessar no caminho e de conquistar troféus. Tem exactamente a mesma noção obessessiva do fair play desportivo como o centralismo tem da democracia com o resto do território, onde Lisboa desempenha sempre o papel de actor principal e o restante de secundários e resignados figurantes.
Todo este comportamento da clã benfiquista nos faz recordar os mais pérfidos processos nazis de perseguição e de intimidação e, no entanto, ainda não mereceu da parte das autoridades nacionais, desde o Presidente da República ao 1º Ministro e à Procuradoria Geral um único reparo. Para estas entidades não é importante exercer uma acção de pedagogia preventiva contra este permanente clima de crispação. Isso dá trabalho e compromete. Preferem manter-se num cobarde e cumplíce silêncio e intervir apenas quando a violência se extremar. Então, nessa altura, sem deixar cair a máscara da incompetência e do cinismo, lá aparecem a pregar-nos discursos moralistas sem qualquer efeito prático, excepto o de potenciar a nossa indignação.
Ontem, finalmente, o povo saiu à rua numa manifestação geral de repúdio não só contra a inoperância do Governo como contra toda a classe política. Esperemos que surta algum efeito e que continue para não lhes revigorar o folego. Seria útil que aqueles que ainda têm alguma autoridade institucional pusessem os olhos no que está a acontecer noutros países e soubessem transferir para o futebol alguma autoridade de forma elevada e isenta. O futebol pode ser o rastilho que tem faltado na sociedade civil para, a exemplo do que aconteceu na Grécia, a violência ganhar outras proporções que não as de um tabefe merecido e...tardio*.
*Sobre este assunto, da suposta agressão ao incendiário Rui Gomes da Silva só tenho a dizer que duvido dos seus depoimentos, porque tamanho trafulha é bem capaz de ter simulado a agressão. Mas, se foi verdade, e se foi só um bom par de tabefes, acho que os estava a pedir. Quem não quer ser lobo...
Ah, que ninguém se atreva a vir para aqui dar-me lições de urbanidade, porque nem do Presidente da República as aceito. Também ele é responsável, por inacção, pelo clima crispado que se está a instalar no futebol.
Para quem desconheça a peça ou viver noutro planeta aqui vai uma amostra:
Para quem desconheça a peça ou viver noutro planeta aqui vai uma amostra:
12 março, 2011
11 março, 2011
O Estádio do Dragão também é Porto
Não é a primeira vez que o faço, nem será certamente a última, tocar num assunto que se tornou uma espécie de vaca sagrada à liberdade de pensamento.Reporto-me à trilogia cidadão /adepto de futebol / bom senso. Não é por espírito de contradição, mas parafraseando o Almirante Pinheiro de Azevedo - que achava uma chatice e não gostava de ser raptado -, também eu tenho uma certa aversão ao unanimismo de certas "verdades" fossilizadas. Além de mais, é sempre útil procurar retirar o pó às ideias feitas que o tempo e a incapacidade de pensar diferente quase transformaram em factos científicos.
Tendo lido vários artigos contra o centralismo de algumas figuras públicas portuenses simpatizantes do Benfica, , fica-me sempre a dúvida se teriam capacidade para manter a coerência intelectual caso fossem desafiados a falar com igual honestidade sobre o que pensam da personalidade de Pinto da Costa. Como não sou jornalista, interesseiro e cobarde, vou escrever o nome de alguns desses [poucos] exemplos: Paulo Morais, António Souza Cardoso, Júlio Machado Vaz [que em jovem, cheguei a conhecer na praia da Aguda] e Mário Dorminsky. Todos, excepto Júlio Machado Vaz, colaboram activamente no semanário regional Grande Porto, e todos se têm assumido como adeptos da Regionalização, o que se aplaude, mas já não estou tão crente que essa lucidez possa ser extensível a uma análise honesta sobre os méritos do Presidente do FCPorto.
Dir-me-ão que uma coisa nada tem a ver com a outra, e é verdade. Porém, não é isso que parece. António Souza Cardoso, homem aparentemente civilizado, já foi comentador desportivo num canal de televisão, e tal como outros benfiquistas menos polidos, não foi capaz de fugir da vulgaridade de fazer as mesmas insinuações prejorativas acerca de Pinto da Costa. E estou a falar de uma raridade, de um benfiquista com nível, educado... A clubite tolda-lhes a seriedade analítica de cidadãos. É que, ao fim e ao cabo, depois de tantas acusações públicas infundadas, de tantas tentativas de linchamento ao seu carácter, Pinto da Costa não fez mais [se calhar até fez menos] que muitos outros dirigentes desportivos, políticos e cidadãos comuns fizeram, ou seja, olhar pelos seus interesses.
Fanatismos excluídos, encontrar no panorama actual da sociedade, um benfiquista capaz de separar as águas do clube das águas da análise ao carácter de pessoas [PdCosta], é como encontrar uma agulha num palheiro. Os benfiquistas são todos iguais, têm características idênticas ao eucalipto, adoram secar tudo que os rodeia... E é aí que o conflito de afectos entre portuenses/portistas e benfiquistas se revela insanável, porque, enquanto os primeiros defendem um todo indivisível [cidade versus clube], os outros, esquartejam-no, dividem-no, como se o clube fosse um intruso e não fizesse parte dela, procurando impor-lhe um corpo estranho, um outro clube sem qualquer afinidade com a região e a cidade. Confundem o clube com a Selecção...
No Porto, para a maioria dos portistas, falar mal de Pinto da Costa é bem mais grave que criticar Rui Rio, porque realidades à parte, o primeiro fez incomparavelmente mais pelo nome e pela visibilidade da cidade que o outro. Não devia ser assim, concordo, mas cada qual tem as capacidades e o prestígio que merece...
No Porto, para a maioria dos portistas, falar mal de Pinto da Costa é bem mais grave que criticar Rui Rio, porque realidades à parte, o primeiro fez incomparavelmente mais pelo nome e pela visibilidade da cidade que o outro. Não devia ser assim, concordo, mas cada qual tem as capacidades e o prestígio que merece...
Mário Dorminsky disse no GP: "Lisboa é um minúsculo país, não temos aquele caquético jet set que aparece invariavelmente nas revistas". De acordo, mas essa Lisboa pindérica, é a mesma que pertence à região do seu clube de eleição, ao ninho do centralismo, cuja grande massa de adeptos, incluindo políticos, passam a vida a subalternizar o Porto, a incendear e a apedrejar autocarros, a destilar ódios em programas ditos desportivos contra o FCPorto, e a tudo fazerem para o destruir. Em que ficamos? O FCPorto e seus simpatizantes não são afinal mais Porto que os portuenses que os desprezam ?
É que esta coisa de lançar por sistema a culpa para cima do FCPorto é uma história que já fede de podre. Esta mania de querer separar à força os portuenses dos portistas é como tentar decepar os braços e as pernas a uma pessoa. A livre escolha dos afectos é um direito, mas nem por isso explica a incoerência inestética de um corpo amputado. E o Porto, custe o que custar, tem de continuar a manter o seu intacto, com o FCPorto incluído.
10 março, 2011
O país Faz de Conta
Se os paises tivessem cognome, tal como era hábito fazer com os reis, Portugal só podia ser o Faz de Conta.
O jornal de ontem diz-nos que a PJ tem apenas metade dos efectivos que devia ter, que 70% da sua frota automóvel tem deficiências graves, e que os agentes estão há três meses em greve às horas extraordinárias, com a consequente falta de capacidade operacional que daí resulta. No entanto o ministério da Justiça faz de conta que está tudo bem.
Se fosse só isto...!
O país faz de conta que vive numa democracia representativa. Os políticos fazem de conta que estão honestamente empenhados em servir o seu país. O primeiro-ministro faz de conta que a crise económica já terminou, e também faz de conta que a crise não foi causada basicamente porque a nossa economia está estagnada há anos e nós gastamos sistematicamente mais do que aquilo que produzimos. Os partidos políticos fazem de conta que são a favor da regionalização mas sabotam-na de todas as formas e feitios. O sistema faz de conta que nã há promiscuidade entre o poder político e económico, e que todos os gestores de topo que estão no sector empresarial do Estado, foram aí colocados exclusivamente pela sua capacidade de gestão. O presidente do benfica faz de conta que é sério, impoluto, e irredutivelmente paladino da transparência. O seu treinador faz de conta que é um mestre de futebol e que sabe o que mind-games significa. O presidente dos árbitros da liga de futebol faz de conta que é imune às pressões exercidas pelo clube do regime. Os paineleiros televisivos benfiquistas fazem de conta que são modelos de fair-play, incapazes de caluniar, mentir, insultar, ou bolsar ódios contra quem não é da mesma cor.
A lista podia continuar, indefinidamente...
Entretanto nós, portugueses, fazemos de conta que somos europeus, primeiro-mundistas, membros insignes de um club restrito chamado Comunidade Europeia.
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