02 novembro, 2013

Belenenses 1 - FCPorto 1.Temos jogadores, não temos equipa

Escrevo este post imediatamente a seguir ao fim da 1ª. parte do jogo entre o FCorto e o Belenenses, no terreno deste último, e persistem os erros do costume. Pressão fraca e atabalhoada, passes errados, movimentos de ataque mal definidos, controle de bola deficiente e sistema de jogo ineficaz. O que pode significar que a equipa que devia valer pelo seu colectivo, tanto decide os jogos por iniciativas individuais, como os complica, pelos mesmos meios. A somar a isto, continua sem retirar grande partido das vantagens no marcador quando a consegue, e a consentir golos pouco tempo depois [neste caso Mangala marca, Mangala dá a marcar ao adversário], em vez de procurar ampliá-la.

Primeira conclusão a retirar ao intervalo:

qualquer equipa mediana cria dificuldades ao FCPorto, porque o sistema de jogo usado por Paulo Fonseca é lento, demasiado previsível e não está trabalhado para proporcionar muitos golos, mesmo contra adversários de categoria inferior, o que não dá grande confiança para competições de outra categoria...  Aguardemos pela 2ª. parte...

E a segunda parte acabou sem grandes diferenças da 1ª.

Conclusão final: outro mau jogo, outro mau resultado, e dois pontos oferecidos aos adversários. Continua sem se notar grande evolução técnica, e sobretudo anímica, no grupo de jogadores formado pelo FCPorto, que ainda anda longe de ser uma equipa. Se não gostava do futebol de Victor Pereira, começo a ficar decepcionado com o de Paulo Fonseca e do seu discurso sem alma nem determinação. Vamos lá ver o que nos reserva o futuro próximo...

PS-As condições do terreno de jogo não podem nunca servir de desculpa, porque os melhores têm de ser melhores em todas as condições.


31 outubro, 2013

Descubra as diferenças

Presidente de Portugal
Se Joseph Blatter caiu no ridículo pelas declarações públicas que fez sobre Cristiano Ronaldo, Cavaco Silva não lhe ficou atrás, quando disse também publicamente que a sua reforma não lhe chegava para as despesas...

Diria mesmo, que em matéria de ridículo, Cavaco ultrapassa e muito, o líder da FIFA. Com uma atenuante para o suiço. É que, enquanto Blatter é apenas responsável por um organismo que superintende o futebol internacional, Cavaco é o representante máximo de um país.

Não estou a imaginar um Presidente da República mediano, de um país mediano, orgulhar-se das comunidades emigrantes sem perceber que as causas do fenómeno são uma implícita vergonha para si, e para quem governou esse pais. Mas os líderes em Portugal não só ultrapassam a imaginação do ridículo, como parecem apostados em ganhar esse troféu.

Presidente da FIFA
Por isso, dá-me uma imensa vontade de rir,  assistir agora ao coro de vozes indignadas  de membros do governo, presidentes federativos, jornalistas e comentadores, com a "afronta" feita a Ronaldo, quando, cá dentro não fazem outra coisa aos próprios compatriotas. Passam a vida a dizer [e a cometer] barbaridades semelhantes, e bem piores, com o resto do país, a quem tratam "carinhosamente" de província.

Ainda a semana passada as hostes lisbonárias [comunicação social incluída] acharam muita graça, não se incomodaram mesmo nada, quando ouviram gente responsável do Sporting dizer que "vinham jogar à aldeia" , quando vinham "só" à 2ª cidade do país. Nem lhes beliscou a consciência quando, sem o menor pudor, eles próprios desataram a branquear e inverter a responsabilidade pelas barbaridades geradas por um bando de energúmenos identificados pela polícia como adeptos daquele clube lisboeta.

Esta gente é mesmo um nojo!

Mas, quando o Presidente da República tem uma visão tão redutora das exigências do seu próprio cargo, que outra coisa podemos esperar, senão o ridículo?

29 outubro, 2013

Militantes da vergonha

Este gajo, além de ser uma figura nojenta, é parte integrante do recheio carunchoso e desavergonhado que invadiu a política partidária. Tal como Orlando Gaspar [do PS], revela uma profunda ignorância do que é ter espírito democrático. 

Fosse eu líder de um partido político promovia imediatamente a demissão de militantes desta natureza. Era uma viagem sem regresso.

28 outubro, 2013

FCPorto, venceu, mereceu, mas [outra vez],não convenceu

 

Para uma apreciação mais generalizada do jogo de ontem contra o Sporting existem  os blogues (des)portistas, por isso vou-me limitar a dizer o que me preocupa particularmente no actual FCPorto, que é o que mais me interessa.

Comecemos então pelos aspectos positivos: primeiro, o resultado, depois, o oportuníssimo golo de Danilo e algumas excelentes defesas de Helton em momentos cruciais do encontro, que evitaram mais uma grande decepção aos adeptos portistas. Em segundo lugar, o modo civilizado como os espectadores da casa reagiram às provocações do presidente sportinguista, que optando pela táctica gasta e populista de diabolizar e provocar o FCPorto, pouco mais conseguiu que exibir publicamente a sua boçalidade intelectual. Além, claro, de levar para casa a derrota da ordem [e da praxe], costumeira em estratégias semelhantes...

Passando ao lado menos positivo, devo dizer o seguinte: não gosto mesmo nada de jogadores bipolares, por uma razão muito simples, é que tão depressa marcam golos decisivos, como de repente os oferecem aos adversários tornando-os assim irrelevantes. Tenho nesta ordem classificativa Varela. Por isso me custa concordar com a nomeação para melhor jogador em campo. É que, ao contrário de alguns que condicionam a crítica construtiva ao resultado dos jogos, ou à autoria de um golo, não sou capaz de esquecer a quantidade de passes errados de Varela, de autênticos brindes aos adversários que só não deram em golo por mera sorte.

Seria injusto se dissesse que Varela foi o único a falhar passes e desvalorizasse o que de bom fez, mas é ele que reincide mais nesse tipo de falhas que costumam ser fatais noutro patamar competitivo. Por isso considero inadequado o prémio, que devia ser sempre balizado pelo percentual comparativo entre as boas e as más decisões. De resto, só houve uma época em que gostei mesmo do rendimento de Varela onde conseguiu mostrar-se mais consistente, que foi a primeira ao serviço do FCPorto, em 2009/2010. Era raçudo, jogava simples, cobria bem a bola, descia os flancos e cruzava com muita regularidade, marcando e dando a marcar [que foi aliás o que fez de melhor ontem].

Mais injusto seria se continuasse a falar de Varela sem falar de toda a equipa, e do próprio treinador. Aliás, acho que este tipo de problemas podiam ser sanados se os treinadores, além do ramerrão dos treinos se empenhassem em disciplinar tecnicamente os jogadores com potencial, como é o caso. Custa-me acreditar que o treino se limite aos aspectos físicos, ou às tácticas do 4x3x3, ou do 4x4x2, e aos meínhos sem oportunas interrupções para corrigir movimentos específicos, coordenações entre sectores, desmarcações,  etc.

A questão que coloco é a seguinte: terão os treinadores portugueses competências pedagógicas para o fazer? Saberão ensinar os jogadores a controlar uma bola corrida, a chutar sem preparação, a fazer rolar a bola [no passe] em vez de a chutar para não ganhar muita velocidade, a colocarem a bola no solo rapidamente nos lances aéreos com ressaltos para a tornarem jogável, e evitarem puxar o tronco para trás quando rematam para a bola não levantar?

A minha preocupação releva daquilo que tenho observado inclusivé na equipa B, e nos juniores. Tenho muita dificuldade em compreender a lentidão evolutiva destes jogadores porque lhes revejo esses "defeitos". Fraca qualidade de remate, movimentações oscilantes e baixos indíces de concentração. Contudo, o talento está lá, percebe-se. Então o que poderá explicar tanta inconsistência, tanta insegurança contagiante? Será que a resposta se poderá resumir a um simplista e cómodo "o futebol é mesmo assim!"? É que eu não acredito nisso. Há mais futebol e treinadores para além do que se faz em Portugal. E nem o facto de haver treinadores portugueses reputados a treinar em grandes clubes da Europa muda a minha opinião.

Se o FCPorto teve a desdita de nascer num país que adoptou o fado como símbolo nacional, não pode nem deve enveredar pelo fatalismo que lhe é peculiar, até porque isso é antagónico à sua génese, à sua maneira diferente de funcionar. Algo está a falhar na evolução dos escalões mais jovens. Não tenho na memória de Portugal produzir muitos jogadores tecnicamente evoluídos e desportivamente agressivos. E se esta tese pode ser contraditada com o argumento da pequena dimensão do nosso país, e se pode aceitar para jogadores com ADN de craques de nascimento, como Messis e Ronaldos, já não funciona para aqueles que não sendo génios de berço, possuem condições para serem jogadores de top, desde que devidamente ajudados. É isso que penso não estar a ser feito no FCPorto. Já nem falo dos outros clubes portugueses, porque são todos piores.

A propósito, quando ouvia chamar génio ao João Pinto [ex-Boavista e ex-Benfica], fazia-me sempre confusão, porque ele só conseguia rematar em preparação, não era capaz de ser espontâneo e perdia muitos golos por causa disso. Não é desses jogadores que nós precisamos, porque cada vez estão mais fora de moda. Será que os nossos treinadores estão preparados para ajudar a formar e completar jogadores com essas características? Sinceramente, eu penso que não.  Este raciocínio até pode estar errado, admito-o. Apenas direi que ao ver, como tenho visto, os jogadores do FCPorto a errarem passes, a conformarem-se com um simples golo de vantagem, e logo a recuarem, oferecendo o jogo aos adversários e na sequência perderem a vantagem, é porque nada está a ser feito em contrário, ou se está, não funciona. Quando um simples adepto como eu prevê com precisão o que vai acontecer [o golo do adversário] e o treinador não faz nada, não interfere, algo de preocupante permanecerá na cabeça dos portistas. Será que o treinador é medroso, ou será outra coisa? Às vezes, fica a ideia que são os jogos que preparam os treinos e não o contrário.

O ano passado a coisa não foi muito diferente, mas ainda assim tudo acabou em bem. E lá está, os adeptos esqueceram as asneiras, os momentos de sofrimento e de mau futebol. Mas, e quando o final não fôr feliz, despeja-se a bílis em cima do(s) mesmo(s)?..

Estará Paulo Fonseca apostado em copiar [mal] Victor Pereira? Veremos.
  

25 outubro, 2013

Boa sorte Sr. Presidente!





O novo presidente da Câmara do Porto pediu que lhe desejássemos boa sorte. Sem duvidar que trabalhará muito para a ter, não deixaremos todos de lha desejar. Enquanto tripeiros e enquanto nortenhos. Vi a transmissão parcial da cerimónia na TV, ouvi e li com muita atenção o discurso de tomada de posse do sr. presidente.

Pareceu-me uma tentativa muito honesta de manter um discurso mais fresco e uma direção de governo menos tradicional.

Com a elegância e o saber estar que lhe são inatos, o dr. Rui Moreira foi agradecido, inclusivo e esclarecido.
Agradeceu a herança imaterial da governação do dr. Rui Rio sem se escusar a mudar "o necessário".

Incluiu o PS com à-vontade na sua nuclear independência para tornar o governo municipal mais fácil mas sem se escusar à dificuldade de tentar integrar os contributos mais válidos. Mas incluiu igualmente os que não se aliaram porque, diz, na "Câmara do Porto cabem todos". É difícil mas pode fazer a diferença.

Esclareceu que valoriza o poder local e o seu saber fazer e, por isso, reclama descentralização acrescida desde que acompanhada dos respetivos recursos.
Que não acredita na capitalidade do Porto, decretada por direito divino mas que, ao contrário, valoriza o desenho de círculos próximos ou afastados que conjuguem territórios e interesses. Sem vértice.

Que reconhece a importância do trabalho da Junta Metropolitana do Porto e da construção de uma agenda supramunicipal "sem complexos".

Mas que lhe parece que a evolução europeia aponta para a cidade como unidade administrativa, social e económica mais relevante e que por isso, à escala do Norte, estimulará a criação de uma Liga de Cidades que, deduzo, como a Hanseática possa ser uma verdadeira aliança económica e política.
Esclareceu ainda a sua firme vinculação aos princípios norteadores da sua proposta. A saber, mais coesão, mais economia e mais cultura que, conjugados ou per se, trarão sempre mais liberdade.

Podemos ficar com dúvidas ou mesmo não perceber bem o alcance exato de algumas ideias mas a verdade é que, desta vez, o sr. presidente da Câmara do Porto se pareceu mais com um de nós.
A coerência e a consistência serão a prova de fogo.

É que o poder local e a valorização das suas competências devem ser defendidos.
No entanto, talvez não seja Lisboa o melhor parceiro. A Câmara de Lisboa, pela dimensão, pela tradição e pela localização (tão perto do Terreiro do Paço) não depende tão fortemente como todas as outras de competências próprias para poder prestar um bom serviço aos seus munícipes. Não precisa de competências acrescidas na saúde ou na economia. Basta-lhe organizar umas quantas reuniões e fazer uns telefonemas. Tem uma vocação de estrito governo de cidade muito assente na imagem externa e na conveniência de serviços.


A presença do dr. António Costa não fez por isso grande sentido a este propósito. Fez o sentido que o dr. António Costa faz: um homem com poder próprio e com influência em toda a Administração Central, seja ou não presidente de Câmara!

O discurso sobre a supramunicipalidade transposta ou sobreposta a uma Liga de Cidades tem de ser muito bem estudado. A política de cidades europeias assenta sobretudo na procura de solução para os problemas causados pela concentração de mais de 2/3 da população europeia em cidades. A dimensão, a saturação das infraestruturas, as exigências de mobilidade e o submergir das identidades são questões absolutamente vitais, mas não sei se serão as que unem o Porto, Bragança, Viana, Braga, Chaves ou Vila Real.

Talvez valesse a pena perceber o que se quer afinal da Área Metropolitana do Porto antes de ensaiarmos novas hipóteses de representação. Mesmo que não se saiba bem qual é o papel destinado a um presidente independente.

Por outro lado, será muito importante perceber que papel executivo é reservado ao PS. A frescura e a eficácia da independência serão afetadas por decisões que o dr. Manuel Pizarro terá forçosamente de fazer passar junto do seu partido, pouco dado a consensos.

Já agora, e apenas como cidadã (ainda que adepta incondicional), registar que não é possível, sob qualquer pretexto, deixar de fora de uma cerimónia destas o Futebol Clube do Porto, provavelmente a mais importante instituição na internacionalização do Porto. E a internacionalização é, afinal, um dos mais importantes instrumentos da moderna política de cidades.

24 outubro, 2013

O Porto, sempre o Porto



Vídeo e crónica extraídos do jornal Libération, aqui
[active o zoom do vídeo para explorar as imagens]

22 outubro, 2013

Por quê na SIC, Rui Moreira? E o Porto Canal não servia?


UM INACREDITÁVEL TIRO NO FUTURO!

Antes que alguém decida cair-me em cima pelos comentários que fiz acerca das recentes eleições autárquicas no Porto, devo esclarecer o seguinte: já o demonstrei muitas vezes, mas não me canso de repetir, que não tenho qualquer confiança na idoneidade dos partidos políticos portugueses. Tenho sim, é uma réstia de esperança na têmpera das pessoas. Não é por saber que o mundo produz por minuto mais homens sem carácter, que num século alguns com o dito cujo, que irei fechar totalmente as portas ao meu consciente optimismo .

Vale isto por dizer, que tendo enjeitado o meu direito de voto nas últimas eleições, em coerência com a decisão que há muito tomei de me abster enquanto não tiver sérias garantias dos partidos políticos, vou ficar na expectativa com o que Rui Moreira é capaz de fazer pelo Porto enquanto presidente da Câmara e, enquanto homem... É que Rui Moreira começa a dar sinais de fraqueza, e isso não é de bom augúrio.

Se Rui Moreira for aquilo que aparenta, ou seja, lutador, diplomata, conciliador, regionalista, e empreendedor, ninguém se atreverá a pôr em causa o seu carácter. Se quiser dar-se bem com Deus e com o Diabo, se não mostrar coragem e capacidade para servir os portuenses, então será um flop, um projecto sem alma.

A última página do JN de hoje veio alimentar-me as dúvidas com algumas declarações feitas por Pinto da Costa. É no mínimo infeliz que Rui Moreira como autarca portuense [e portista] não se tenha dignado convidar a direcção do FCPorto para a cerimónia de posse como Presidente da Câmara, como fez aliás o seu congénere de Gaia, dando assim pretexto às piores especulações de origem conhecida, particularmente para Rui Moreira. Para quem, como ele, censurava o centralismo, Moreira está a dar o flanco, revelando vulnerabilidade antes mesmo de assumir o cargo. Se ao não convidar Pinto da Costa e a Direcção do FCP pretendeu evitar a Rui Rio o constrangimento dessa presença pelo antagonismo histórico das partes, então falhou, porque acabou por fazê-lo ao FCPorto. Foi um tiro no pé que esperemos saiba reconhecer, ou irá dar-se mal. Tal decisão pareceu mais um acto velado de agradecimento a Rui Rio, do que propriamente uma lição de independencia. Agindo assim, Moreira não está a separar, como pensa, as águas [da promiscuidade], está a contaminá-las com a boçalidade intelectual que caracteriza Rui Rio. Mau caminho esse...

Mas, o ofendido também não esteve bem e explico porquê. Pinto da Costa não saiu a preceito desta fotografia quando disse, cito: «para este Presidente da Câmara do Porto, é fundamental ter boas relações com Lisboa". Pode ser que António Costa - Presidente da Câmara de Lisboa - traga as instituições da capital para animar a festa da tomada de posse de Rui Moreira». 

Ora, se disse que Pinto da Costa não esteve bem, foi porque, sendo o FCPorto o principal accionista do Porto Canal, com responsabilidades sobre a orientação editorial desta empresa, está a fazer exactamente o mesmo de que acusa Rui Moreira, isto é, anda mais interessado em agradar a Lisboa e aos lisboetas que às gentes da terra. Senão, em vez de se preocuparem em entrevistar o Gorge Gabriel, ou a astróloga Maia e muita outra gente por demais conhecida de Lisboa, devia ocupar-se em dar a conhecer pessoas da casa [do Porto e do Norte] que ainda ninguém conhece.

O FCPorto está a explorar muito mal o facto de ser proprietário de um canal de televisão, mais que não seja por não saber contraditar e desmentir o lixo que se produz contra o clube nos órgão de comunicação social de Lisboa. Foi esse mesmo lixo mediático que originou o Processo Apito Dourado que tanto prejudicou a imagem do clube, do presidente e da própria cidade. O Porto Canal não está a saber fazer diferente, não está a fazer aquilo que apregoa. Fez ainda muito pouco para o aparato de vaidades que alguns dos seus colaboradores já andam a exibir, com festas e festinhas, de tios e tias, num momento em que o país passa por tantas dificuldades.

De resto, exceptuando meia dúzia de programas, alguns deles repescados da anterior direcção, o Porto Canal está a ser uma enorme decepção. Mais parece um estúdio de gravações enfadonhamente repetidas, que uma estação de tv. É um canal longe da imagem do FCPorto, não é um canal à Porto. E se a isto juntarmos o facto do Director Geral, Julio Magalhães ser cronista num dos mais asquerosos pasquins desportivos de LISBOA, então a piada de Pinto da Costa, mesmo que compreensível, não surte qualquer efeito objectivo.

Estou decepcionado. O Porto, em vez de se unir, de combater quem lhe faz mal, agride-se mutuamente, e depois é o povo que sofre as consequências.

Só espero(?), é que logo à noite, o FCPorto saiba respeitar a tradição: vencer! Resta-nos isso. 

20 outubro, 2013

FCPorto ganha, mas sem afinar a máquina


TAÇA DE PORTUGAL - FCPorto - 1, Trofense 0

Ponto primeiro: o facto de não ser treinador de futebol não pode inibir-me de dizer o que penso quando vejo o FCPorto jogar. E isto, é válido para qualquer espectador e para qualquer espectáculo.

Continuo sem perceber o que impedirá Paulo Fonseca de rectificar as asneiras que jornada após jornada, os jogadores insistem em cometer. Refiro-me à lentidão dos movimentos atacantes, ao abandono progressivo de pressionar na frente os adversários, à qualidade do passe, e sobretudo à descoordenação nas acções ofensivas. Duvido que outros espectadores não tenham a mesma percepção, porque isto salta por demais aos olhos. E não me venham com a desculpa que no jogo de ontem entraram atletas de outros escalões [da equipa B], porque em jogos anteriores para o Campeonato e para a Champions acontece exactamente o mesmo. Aliás, até foram alguns da B que estiveram melhor em campo, sem no entanto encantarem.

Tenho sempre sérias reservas quanto às qualidades técnico-tácticas de treinadores que não conseguem melhorar em tempo útil os vários aspectos negativos da equipa, tanto em termos individuais como colectivos. As reservas advêm precisamente do facto de não observarmos evolução nesse sentido de jogo para jogo. 

Parece-me haver vários pontos a melhorar. Primeiro o psicológico, que consiste entre outros aspectos, em mentalizar o grupo de trabalho para a necessidade de manter o ritmo competitivo depois de conseguido o 1º. golo, pelo menos até conseguir o 2º. Nota-se aqui uma  desconexão flagrante, tanto em concentração competitiva, como na confiança . Este facto tem sido recorrente em quase todos os jogos, contribuindo frequentemente para a perda de qualidade do espectáculo, e para uns ais Jesus de sofrimento e de insegurança nos últimos minutos de jogo, mesmo em nossa casa. 

Outro aspecto que não me parece estar a ser devidamente tratado é com os passes de risco para trás e a despropósito, quase sempre fonte de possíveis dissabores para o sector recuado da equipa.  No capítulo atacante é notória a pobreza de treino específico desses movimentos. Quando um jogador corre com a bola no sentido da baliza adversária, não só falta velocidade como os destinatários não sabem bem para que lado se desmarcarem, obrigando muitas vezes o portador da bola a parar e a optar por passar para trás, ou para o lado por não dispor de linhas abertas.  Quando isto não acontece, fazem-no de forma atabalhoada, umas vezes corre bem, mas outras perdem a bola com aparente facilidade criando muitos calafrios na defesa. Se isto não denuncia falta de rotinas e persistência de treino específico, o que é que denuncia?

O que é curioso é que nos jogos da pré-época, em que teoricamente a responsabilidade era menor e o treinador ainda mal conhecia os jogadores, a equipa não só venceu outras boas equipas, como produziu um futebol muito agradável para o momento, que era altamente promissor.

Então, o que se estará a passar? Os jogadores desaprenderam? Será que quanto maiores são as responsabilidades, maior é a inibição?  Será que nos está reservado mais uma época de sofrimento e desprazer, como no ano transacto?

Deixemo-nos de conversa fiada, não há futebol resultadista que faça esquecer uma má exibição. O futebol é eminentemente espectáculo. O resto, são lugares comuns.

PS - Para os adeptos, só há uma maneira de dissipar estas dúvidas: poderem assistir a vários treinos de rotina, para melhor avaliarem o trabalho desenvolvido. Como isso agora não é possível, todas as especulações são consentidas. 

Por falar em futebol-espectáculo, e naquela treta que diz que o futebol é um desporto só para homens, fico calmamente à espera de ver um golo como o da imagem que se segue no nosso muito macho campeonato:



Off topic: Agrada-me [e muito] esta notícia do jornal Porto24

18 outubro, 2013

As chulas EDP/RTP

Observando superficialmente o gráfico, tendo em conta o contraste do nível de vida dos respectivos países, torna-se mais simples compreender por que é que alguns portugueses se agarram, como macaco  a banana, a Mourinhos e Ronaldos, para exaltarem o seu orgulho pátrio. Compreende-se, mas não é para aplaudir, porque espelha o comportamento de um povo submisso, habituado à mediocridade, e sem motivações sociais progressitas.  

Num país a sério, este quadro, seria razão para a demissão em bloco de muitos governos. Mas este país nunca foi para gente séria, e continua impunemente apostado a seguir pelo mesmo caminho. 

Há uns Tsunamis um pouco por todo o Mundo que assolam e vitimizam crianças, gente indefesa e pobre. Mas, por que raio a Mãe Natureza não se lembra da zona de S. Bento e faz uma visitinha a Belém? 

PS - A administração proxeneta  da RTP prepara-se para, em 2014, voltar a meter-nos a mão no bolso na factura da madrinha EDP, com mais um aumento da taxa audiovisual. Não tarda muito, estes parasitas obrigam-nos a pagar uma taxa de oxigénio para podermos respirar...e nós pagamos. Jovens: emigrem! Saiam deste inferno e deixem o vosso dinheirinho lá fora. Não depositem um cêntimo nestes gangs de mafiosos, porque não há polícia nem Justiça que vos valha. 

Grande PR!


[clicar sobre a imagem para ampliar]





Nota de RoP:

Cavaco Silva não deve gostar que o tratem por mentiroso, mas que está a pôr-se a jeito, está. Nos tempos que correm, digamos que é normal, porque o grau de exigência para cargos como o dele anda pelas ruas da amargura.

17 outubro, 2013

Mário Soares errou, envelheceu, mas não está senil

Não sou dos que vê na figura de Mário Soares um ícone notável da democracia nacional, nem dos que alinharam no côro lançado pela chamada "boa imprensa", que um dia o baptizou de dinossauro político sem nunca explicar muito bem a relevância da alcunha...

Estou à vontade para falar, porque foi nele e no seu partido, que votei nas primeiras eleições constituintes de 1976 que conferiu ao PS a victória final [com 35% dos votos]. Portanto, dei assim o meu contributo pessoal para reforçar o PS e para Mário Soares ser quem é. 
Mário Soares



Se Soares teve fortes responsabilidades pela entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia [hoje já não é opinião unânime que tenha sido boa ideia], também não soube dar o melhor rumo ao país, sobretudo na consolidação da democracia. Lembro-me dele a desautorizar, perante as câmeras de televisão, um agente da autoridade que procurava pacificamente fazer o seu trabalho de ordenar a multidão numa rua [ó sr. guarda, desapareça!], e de produzir declarações mais polémicas que sensatas, como quando afirmou que a tolerância não tinha limites... Se a estes episódios juntarmos o processo de descolonização, perceberemos que não foi propriamente um sucesso o serviço público prestado pelo Dr. Mário Soares. 

Longe de querer privá-lo de virtudes próprias, do seu passado de lutador anti-fascista, e do seu ar bonacheirão [que engana, mas também conta], penso que Mário Soares é talvez um homem secretamente frustrado por saber que não é a grande referência nacional que sempre almejou ser. Digamos que Soares olhou para a política como um hobby de burguês antigo, completamente desenquadrado da realidade do seu tempo. Fascinava-se pelos jogos da política, mas nunca a soube usar para servir o povo a contento. A vaidade toldou-lhe os objectivos mais sérios.

Hoje, com o cansaço dos seus quase 90 anos, já liberto de cumplicidades políticas e sociais, Soares profere afirmações públicas que sendo sempre polémicas, não deixam por isso de ser menos respeitáveis e pertinentes. Duvido que, enquanto cidadão, Mário Soares seja mais integro que eu, mas sei que para a opinião pública tem mais peso a opinião de um famoso [bom, ou mau] do que a de um discreto cidadão, mesmo que diga exactamente o mesmo e com mais antecedência. Para o caso isso agora não interessa. O que importa, é que, não seria agora, que Soares está na fase de gozar da tolerância generalizada que ia tratá-lo como um senil, porque nunca como hoje, Soares disse coisas tão lúcidas, frontais e pragmáticas: o governo de Passos Coelho está efectivamente cheio de delinquentes, e Cavaco Silva já não devia ser Presidente da República, pelo menos,  desde que rebentou o escândalo do BPN/SLN. Já devia ter sido julgado. Acontece, é que Mário Soares não é nenhum exemplo de coerência.

Mário Soares, errou ao não perceber que Democracia desregrada e sem Justiça, é uma democracia doente, e que a autoridade efectiva pressupõe o respeito integral pelas Leis. Mário Soares foi um facilitista, faltou-lhe pulso em certos momentos, e nesse aspecto, influenciou negativamente as regras do jogo democrático. Talvez hoje esteja arrependido [não sei] de dizer a frase quiçá mais demagógica que pude ouvir: a tolerância, não tem limites. Tem sim, senhor Mário. A tolerância ilimitada, tem um nome: anarquia.

16 outubro, 2013

CRÁPULAS! JUSTIÇA CORRUPTA!


Oliveira Costa admite empréstimo a Duarte Lima

Oliveira Costa disse desconhecer que, na altura em que o BPN concedeu o empréstimo para o fundo Homeland, Duarte Lima tinha uma conta negativa de 250 mil euros.
 
O ex-presidente do BPN admitiu esta quarta-feira ter autorizado um empréstimo de 50 milhões de euros ao antigo deputado Duarte Lima e a outros arguidos, no caso Homeland, ao ser confrontado com documentos que tinham a sua assinatura.
Oliveira Costa foi esta quarta-feira ouvido como testemunha no julgamento do caso Homeland, relacionado com a aquisição de terrenos em Oeiras para a alegada construção da nova sede do IPO e que senta no banco dos réus o antigo líder parlamentar do PSD Duarte Lima, o seu filho Pedro Lima, e o empresário Vítor Raposo, entre outros.

Numa inquirição em que evidenciou constantes falhas de memória, traduzida em expressões como "não sei", "não me recordo" e "não faço a mínima ideia", não causou surpresa quando Oliveira Costa respondeu ao procurador José Niza que "não se recordava" de ter concedido o crédito (até 60 milhões) para o projeto Homeland, um fundo destinado à aquisição de terrenos em Oeiras.

As falhas de lembrança de Oliveira e Costa levaram o procurador a exibir vários documentos com a assinatura do presidente do BPN, designadamente aquele em que o fundador do Banco Português de Negócios decide a entrada do Fundo de Pensões do BPN no projeto Homeland, numa quota a rondar os 15 por cento.

Oliveira Costa justificou o empréstimo do BPN alegando que os terrenos tinham "potencialidades" para a construção de um polo tecnológico, apesar de garantir que nada sabia sobre a intenção de aí ser construída a nova sede do IPO.

Quanto ao facto de o empréstimo abranger Pedro Lima e Vítor Raposo, Oliveira e Costa desvalorizou a questão, dizendo que para o BPN o Fundo Homeland era um "projeto de Duarte Lima.

13 outubro, 2013

A ditadura da austeridade






As notícias desta semana sobre as bases do Orçamento do Estado para 2014 são o corolário de uma apaixonada adesão do Governo português à ditadura da austeridade. Na sua azáfama de cortar em tudo o que mexe, Passos e Portas subestimam o facto de terem já cumprido duas das três etapas do ciclo de vida de uma ditadura: a ideologia e a tortura. Falta mesmo só a revolução.

Começando pela ideologia. Dizem os livros que a austeridade é a política de cortar nos orçamentos do Estado para promover o crescimento. Um conceito demasiado complexo para ser vertido nesta simples definição. Na verdade, o presente e a história demonstram bem que a austeridade extrema, ao invés de estimular a economia e elevar os níveis de confiança, tem frequentemente o efeito contrário. Assim aconteceu nos anos 30 nos EUA e assim acontece atualmente numa Europa anémica.

Não há nada de errado na reforma do Estado e na racionalização dos gastos públicos. Simplesmente, tal deve ser feito no conhecimento dos limites de aplicabilidade de programas de austeridade, de forma a não comprometer os mecanismos de criação de riqueza e de consumo. Os pecados da austeridade fundamentalista adotada por Passos Coelho são simples de enunciar. Desde logo, a perceção de que uma quebra generalizada no consumo imobilizou a economia. Depois, a certeza de que o impacto das medidas de austeridade é sempre brutal nos pobres e na classe média e quase não afeta os ricos. Por fim, aquilo que se designa por "falácia da composição", isto é, a crença - errada - de que o que é bom para o todo é bom para as partes. Tudo isto aconteceu em Portugal nos últimos anos, com um Governo manietado por uma troika apostada em limitar o risco sistémico, protegendo justamente os sistemas de interesses que estiveram na origem da crise, encabeçados pelo omnipresente sistema bancário.

A seguir à ideologia vem a tortura. Passado o "período de instalação", onde a narrativa assentou nos muito convenientes inimigo (Sócrates) e contexto (resgate), o Governo apontou o seu arsenal de soluções às vítimas óbvias e fáceis: pensionistas e funcionários públicos. Poupou os verdadeiros responsáveis pela crise da dívida, o sistema bancário e os interesses privados que cresceram à sombra do Estado, ajudados por políticos incompetentes e corruptos, que hoje têm as suas fortunas escondidas em offshores e bem protegidas da tributação. Optou por montar uma máquina de ataque aos desprotegidos, adotando técnicas de tortura inqualificáveis. Aos invés de apresentar ao país um plano global de reforma, onde todos e cada um soubessem qual seria o seu contributo e as metas a alcançar, atira numa base quase diária intenções de cortes generalizados nos rendimentos daqueles que, no passado ou no presente, trabalham para garantir não mais que o suficiente para pagar despesas e alimentação. E não falo apenas daqueles que ganham 500 euros. Falo também dos que ganham dois ou três mil, mas que têm três ou quatro filhos e são tão pobres como os outros.

Não há dia em que não venha de São Bento uma nova ameaça, numa prática brutal indigna de um governo democrático. Como é possível que na semana em que se descobre o corte das pensões de sobrevivência, que cinicamente Paulo Portas escondeu, se acene com o aumento da taxa de audiovisual? Perceberá o Governo o impacto psicológico sobre os idosos quando se ataca, ainda que marginalmente, um dos poucos prazeres que podem ainda suportar, a televisão em canal aberto? A isto chama-se tortura.

O grande final de toda a ditadura é a revolução. Passos Coelho acredita firmemente na brandura dos portugueses. Eu acredito que os subestima. Sobretudo o grupo dos reformados e dos funcionários públicos, que têm sido estigmatizados com base em mentiras redondas vendidas aos restantes portugueses. Pode ser que a revolução chegue apenas pela via formal, derrotando Passos num ato eleitoral ordinário ou antecipado. Mas também pode ser que as vítimas da tortura decidam diferentemente. Que faria Passos se os funcionários públicos imobilizassem o Estado? Que faria Passos se os idosos pensionistas entrassem numa greve de fome coletiva? Que faria Passos se uma boa parte dos portugueses decidisse apresentar-se esta segunda-feira à porta do seu banco e gerar, logo pela manhã, extensas filas para levantar todas as suas poupanças? Como diria um funcionário público, daqueles que o primeiro-ministro tanto odeia, deixo estas notas "à consideração superior".

10 outubro, 2013

Manuel Pizarro e a fidelidade ao partido

Manuel Pizarro
Que os políticos carreiristas não desistam de convencer-nos que não há democracia sem os partidos, até se entende.  Agora, que tenhamos de acreditar cegamente nisso, já é  sinal de uma grande falta de maturidade [para não dizer outra coisa]. Assim como é ingenuidade imaginar que alguém se pode candidatar a um cargo político sem (muito) dinheiro ou sem o apoio de um ou mais partidos, ou, no mínimo, sem o apoio de um grupo de militantes partidários. A ideia de rotular as candidaturas individuais  como "independentes" é que pode não ter sido a mais feliz. Então se levarmos ao rigor da letra o termo, podemos garantir que ninguém, mesmo o mais poderoso dos homens, é absolutamente independente. Portanto, não vale a pena perdermos mais tempo com o assunto. 

Outra coisa que o político carreirista detesta, é discutir leis que possam comprometer-lhe a carreira. Dou como exemplo uma "proposta de lei" que em tempos aqui sugeri, que sumariamente os proibia de acumular cargos públicos com privados. Uma lei desta natureza [na óptica deles, populista...] podia ajudar, e muito, a fazer o rastreio entre os políticos missionários (se ainda os houver) e os carreiristas - ou oportunistas, como preferirem -, mas isso é o que eles menos querem. Pelo contrário, apesar do currículo de mediocridade acumulado durante todos estes anos, os carreiristas já simpatizam com a tese que defende a melhoria de remunerações como garante de competência e, imaginem só, de integridade... Como  é assim que as coisas são de facto, também me parece natural e bem menos arriscado apostar em pessoas, melhor dizendo, no seu carácter e competência.  

Esta notícia encaixa como luva no que acabo de afirmar. Em vésperas de eleições não há político avesso ao populismo, todos compreendem os anseios populares. Depois delas, fecham abruptamente a porta da compreensão aos problemas da plebe, e desatam a despir a ténue capa de têmpera que lhes resta.  O sector do Partido Socialista afecto a José Luís Carneiro e a Orlando Gaspar, não perdeu tempo a revelar o que há de pior nos partidos políticos carreiristas: primeiro está o partido, depois vem a populaça, mesmo que a populaça seja da cidade do Porto, essa cidade tantas vezes enganada, tantas vezes desprezada pelo poder político!

Se Manuel Pizarro levar a sua avante, se não se deixar intimidar pela chantagem dos seus colegas de partido e cooperar com o futuro Presidente, pode vir a colher frutos mais tarde, quer Rui Moreira tenha sucesso, ou não. Se R. Moreira tiver sucesso, M. Pizarro poderá orgulhar-se de ter dado o seu contributo aos portuenses, de não se ter limitado a fazer oposição porque sim. 

Se Rui Moreira falhar, Pizarro poderá mais tarde retirar dividendos do desaire, e quem sabe, constituir-se numa alternativa reforçada em credibildade. E o Partido Socialista também. Mas a estupidez, o clientelismo, ou a ganância, já nem sei bem, cega esta gente, porque ainda não perceberam que o povo é sereno, às vezes é burro, mas às vezes também acorda e lhes vê o cu. Cus que fedem por demais àquilo que de lá costuma sair.

PS-I:   Sobre a fidelidade aos partidos sugiro a leitura deste artigo.

PS-II:  Engana-se quem pensar que a victória de Rui Moreira reflecte a força dos seus apoiantes político-partidários. Rui Moreira colheu votos da esquerda à direita. Mesmo com a esquerda dividida.

09 outubro, 2013

Dragão ou pombinha?




Uma das linhas de que mais me orgulho no meu "curriculum vitae" é aquela onde me anuncio padrinho da Casa do F. C. Porto da Trofa. Os padrinhos desportivos são o ex-futebolista Domingos e a ex-atleta Fernanda Ribeiro, mas o padrinho da sociedade civil é este vosso amigo que aqui escreve e assina.


Quem me convidou para estas honrosas funções foi o meu amigo e portista doente Diamantino Silva, que também faz questão de não me deixar ser um padrinho desnaturado, "obrigando-me" a comparecer em várias das muitas iniciativas de caráter cultural ou festivo que esta Casa do F. C. Porto promove e organiza com um frenesim inquestionável.
Aqui há uns anos, que tenho dificuldade assim de repente em precisar sem erro, porque foi um ano em que o FCP se sagrou campeão nacional, participei num debate sobre a época vitoriosa do meu clube e saiu-me uma expressão que ficou tão famosa no seio dos portistas da Trofa, que sempre me falam disso em cada encontro que temos.

Recordo-me, por exemplo, de me ter cruzado com um grupo destes dragões da Trofa nas cercanias do estádio de Dublin, na Irlanda, onde vencemos a Liga Europa e de eles me terem interpelado com esse grito de que "nós somos dragões, dragões".

Já tenho dificuldade em recuperar o contexto da época, mas o significado deste dito vive para além dessa conjuntura. O que eu defendi nessa noite clubística na Trofa é que os dragões não são todos iguais: há os dragões, dragões, e os dragões pombinha. Explicando de seguida que os dragões, dragões, os puros, são aqueles adeptos do F. C. Porto para quem o F. C. Porto está sempre em primeiro. Sempre em primeiro lugar... mesmo quando não está no primeiro lugar! Os dragões pombinha são os outros, espero eu que uma minoria, que gosta do F. C. Porto, mas também gosta a seguir de muitas outras coisas, como a Seleção ou o futebol em abstrato.
Dando exemplos, um dragão, dragão quer que a nossa equipa ganhe todos os jogos, a bem ou a mal, com exibições de sonho ou a roçar o medíocre, sendo que as nossas vitórias são sempre justas e nunca à justa. O pombinha aceita discutir a justiça do resultado, o mérito do adversário, os critérios da arbitragem e por aí fora.

Um dragão, dragão nunca acha que pode ser mau vencer tudo e no ano a seguir ao penta sonhava com o bitri e ficou furioso porque ele nos escapou. Enquanto um dragão pombinha se resignou com esse campeonato que nos foi espoliado e até defendeu que era bom para o futebol português haver outro clube a ganhar, depois de cinco anos seguidos de triunfos azuis e brancos.

Um dragão pombinha é sempre pelos clubes portugueses nos jogos das competições europeias, mesmo quando eles são uma espécie de albergue espanhol em que se misturou uma minisseleção sérvia com um contingente de sul-americanos. Já o dragão, dragão é aquele que, como eu , vibrou com os 7-1 de Vigo e ainda esta semana se enfureceu porque os preguiçosos do Paris Saint-Germain fecharam o expediente ainda antes da primeira meia hora de jogo.

O novo presidente da Câmara do Porto é um portista assumido, que já deu provas do seu "portismo" militante em programas de televisão e nas páginas de jornais, ficando até conhecido por se ter levantado a meio de um programa em que a conversa fedia. Rui Moreira ainda este fim de semana em entrevista ao nosso JN se confessou um portista titular de um "dragon seat". Já toda a gente percebeu, como me disseram vários dos portistas com quem falei no meio de uma prova de fumados e dos vinhos com que me deliciei no Mercado de Sabores que encheu literalmente o Edifício da Alfândega no passado fim de semana, que com o novo presidente vamos poder festejar os títulos na Câmara da nossa cidade.

Embora a minha convicção seja inabalável, eu fui dizendo que sim, mas que primeiro era preciso ganhar esses títulos e só depois é que pensava na festa, mas esta possibilidade e o que Rui Moreira tem afirmado a este propósito, também tem a ver com estas duas raças de dragão. Um dragão, dragão que chega a presidente abre as varandas da Câmara e prestigia a festa com a sua presença, homenageando quem ganhou. Um presidente pombinha manda abrir as portas da Câmara mas depois refugia-se no meio da maralha, com medo da sacrossanta promiscuidade. Pode passar a noite em cânticos ou aos pulinhos, mas nunca dirão dele que se associou à vitória do principal clube da cidade.

Embora pombinha na campanha, aposto singelo contra dobrado como vamos ter um presidente dragão, dragão na primeira oportunidade. Mesmo que não aceite levantar a taça!

08 outubro, 2013

Rui Moreira, fiel a si próprio, ou refém de Rui Rio?

Quem, como é o meu caso, escreve publicamente, não pode, mesmo que o queira, dissimular durante muito tempo as suas simpatias ideológicas. Digo ideológicas e não políticas, porque apesar de em teoria ainda subsistirem aspectos importantes a diferenciá-las, não me revejo no que os partidos portugueses ditos de direita e de esquerda, têm feito pelo país. Se os primeiros, continuam estupidamente esclerosados,  dando razão e restaurando a tese marxista da exploração do homem pelo homem, enferrujando as suas já muito estafadas teorias, a esquerda moderada não consegue resistir à atracção dos modelos capitalistas, salpicando-a, para sobreviver, aqui e ali, de avulsas reformas sociais de efémera longevidade.

Se polarizei a política nacional entre esquerda e direita e esqueci o centro, é porque não encontro nenhum partido que corporize essa ideia de centro. Sobre os partidos da oposição, nem vale a pena falar, porque há muito desistiram de se tornar numa alternativa ao PS e ao PSD/CDS. Para quem escolheu a política partidária [remunerada] como modo de vida, é manifestamente pouco.

Aqui chegado, parece-me inútil explicar por que é que as eleições autárquicas se revestem de uma importância transcendental aos próprios partidos, comparativamente às legislativas. A maior aproximação dos autarcas ao povo permite-lhes uma liberdade de accção que os governantes não possuem e que muitas vezes até evitam. Da capacidade de liderança de um presidente da Câmara depende o destino de uma cidade ou de uma região. É por isso e apenas por isso, que vou ficar expectante em relação à gestão de Rui Moreira na Câmara do Porto. 

Tenho um bom exemplo na família do qual muito me orgulho [passe a imodéstia] que de certa maneira vem de encontro à minha expectativa. O meu avô paterno. Ele soube sempre distinguir muito bem o seu papel de militar do de político. Não foi por ter servido o Estado Novo, que recusou a continência da praxe a um determinado ministro, mas que o deixou de mão estendida à espera de um aperto de mão que nunca aconteceu... Não foi por isso que perdoou a comparência em tribunal de um presidente da Câmara da época, que tudo tentou para o evitar... Nem foi por isso que o Estado português lhe recusou a mais alta condecoração militar: a Ordem de Torre e Espada.  Pela mesma ordem de razões, ainda não desisti de acreditar que é na têmpera, mais que na partidarite, que se burilam os grandes Homens. 

Aguardemos pois para saber se Rui Moreira é muito mais que a soma das partes que politicamente o apoiaram. Eu gostava de acreditar que sim, embora não acredite no Pai Natal há muitos anos. Aguardo para ver...

03 outubro, 2013

O FCPorto de Paulo Fonseca

Já sabemos que Portugal é um dos países com pior nível de vida da Europa, que é o país mais desigual da Europa e que por essa razão tem dificuldades acrescidas para lutar em pé de igualdade com todos os outros países, em quase todas as áreas. O futebol é uma dessas áreas, e o FCPorto o clube que em Portugal mais êxitos tem alcançado no confronto com clubes de países economicamente mais poderosos. Tudo isto é verdade, tudo isto nos honra como portistas, embora nos vexe como  portugueses.

Sendo  isto uma realidade,  torna-se difícil, quase criminoso, imaginar que neste clube de excepção fica alguma coisa por fazer em matéria de organização. Então para o adepto portista a coisa fica ainda mais difícil.

Serve o prólogo para dizer, que pese embora os bons resultados alcançados com a sua famosa política de contratações [de jogadores e treinadores], de comprar barato, fazer evoluir, e vender caro, o FCPorto podia fazer ainda melhor. Épocas há, que com esta cuidada gestão estratégica, consegue juntar aos bons resultados, boas exibições, quando consegue construir um plantel, técnica e psicologicamente equilibrado. Mas outras há, que não o consegue, e quando assim é, os riscos de fracassar aumentam exponencialmente. Se a isto associarmos a contratação de treinadores novos, sem grande experiência, vindos de clubes economicamente mais frágeis e com outros níveis de exigência, os riscos aumentam ainda mais, sobretudo quando  falámos das competições europeias.

O último jogo para a Champions revelou duas coisas. Que o FCPorto ainda não está preparado física e psicologicamente para jogar ao mais alto nível os 90 minutos regulamentares. Que continua a ter no seu plantel alguns jogadores bipolares, que ora fazem coisas extraordinárias como de repente desatam a embrulhar-se com a bola, a complicar, a passar mal, e a entregar repetidamente a bola ao adversário. Basta um só jogador entrar nesta espiral de desconcentração para contagiar todos os outros e colocarmos em dúvida a qualidade do plantel.

Já no tempo de Victor Pereira me perguntava por que é que isto acontecia e se não era possível recuperar estes jogadores para prestações mais consistentes. Nestes casos, qual é o papel do treinador? Fala com eles, ouve-os, corrige-os nos treinos, repreende-os, ajuda-os a ultrapassar as deficiências, aperfeiçoa-lhes os movimentos, as desmarcações, ensina-lhes as várias opções do remate, a qualidade/velocidade do passe? Ou, opta por uma estratégia mais conservadora aceitando naturalmente as limitações próprias de cada jogador?  Será que os treinadores portugueses só percebem de estratégia e de métodos de treino por catálogo? É assim, e mais nada?

Antigamente, quando alguns treinos eram abertos ao público, ainda era possível observar os processos de treino dos técnicos, mas agora só podemos mesmo imaginar [a culpa não é nossa...]. O saudoso Boby Robson podia não ser um colosso em matéria de estratégia, mas era fantástico a treinar os movimentos de ataque, os cruzamentos e sobretudo o remate, que é coisa que actualmente parece intimidar certos jogadores.

Estas especulações, não fariam sentido para mim, e suponho que também para a maioria dos portistas, se não estivéssemos preocupados com o comportamento bipolar da equipa. Parece não estar preparada para jogar 90 minutos com a mesma concentração e empenho. Essa, não é a cultura competitiva do Porto. O que é que estará a falhar? 

Resta-nos acreditar que a lendária capacidade do nosso clube para ultrapassar dificuldades faça jus à tradição. Mas o Paulo Fonseca tem de ajudar...

30 setembro, 2013

A minha opinião sobre a victória de Rui Moreira

Como disse em post anterior, se votasse no Porto e se não fosse o apoio de Rui Rio [e de outras figuras públicas] à candidatura de Rui Moreira, teria votado nele. 

Ao contrário da avaliação de Marinho Pinto [artigo JN ] não creio que Rui Rio também tenha saído vencedor destas eleições, embora compreenda essa leitura. Penso assim, porque estou convencido que até o eleitorado afecto a Rui Rio, se fosse hoje, não voltava a querê-lo na Câmara do Porto. E por quê? Porque Rui Rio, gozando embora da fama exagerada de pessoa idónea e contida em gastos, fez muito pouco pelo Porto. Desprezou a cultura, desprezou o desporto [excepto as corridas de automóveis], afrontou o FCPorto [talvez a Instituição que mais visibilidade dá à cidade], não resolveu o problema do Bolhão, adulterou a génese do Mercado do Bom Sucesso, não reabilitou expressivamente a urbe do centro do Porto e, para resumir, tornou a cidade num antro indecente de sujidade. É manifestamente  pouco para 12 anos como autarca...

Por estas razões e muitas outras que me escuso agora recordar, acho que o grande vencedor foi a pessoa de Rui Moreira e não o apoio da figura de Rui Rio. E o grande perdedor foi sem dúvida o Partido Social Democrata, ou melhor, o Governo, ou melhor, Pedro Passos Colelho.

Não aprecio autarcas despesistas, mas não seria por isso que negaria o meu voto a L.Filipe Menezes, porque mudou completamente Gaia e para melhor. Como já disse, não lhe perdoei a renúncia à Regionalização imediatamente a seguir a tomar o comando do PSD. Para além disso, Rui Moreira fez uma campanha pautada pela discrição, não prometeu mundos e fundos, e desde há tempos que apoia a Regionalização.

Rui Moreira tem portanto agora uma oportunidade de oiro para fazer a diferença e mostrar o que vale como político, mas também como Homem. Para mim, à frente de qualquer distinção social, profissional, militar ou política, está o Homem, a força da sua honradez e da sua competência.

Se Rui Moreira cometer a ingenuidade de seguir a cartilha de alguns dos seus apoiantes que tem consistido sempre na abdicação da Regionalização, mal alcançam o poder, fundamentando as viragens na inoportunidade temporal [a eterna desculpa dos falsos regionalistas], provocará uma grave machadada na sua credibilidade e entrará irremediavelmente no clube dos "são todos iguais". Portanto, aqui fica o aviso. Parabéns e boa sorte. 

Tem a palavra Rui Moreira.

Ainda sobre as eleições:  

Abstenção em 2013:  
47,26%, 
a mais alta desde 2001...

http://www.publico.pt/multimedia/video/o-porto-foi-um-laboratorio-politico-do-pais-20130929-235339

Viva o Porto!





As duas principais câmaras municipais do país deram sinais bastante diferentes (quase diria contraditórios) nas eleições autárquicas de ontem. Enquanto o Porto, numa votação que só surpreendeu quem não conhece as suas gentes, recusou claramente o clientelismo partidário e os profissionais da política, elegendo um empresário independente com provas dadas fora da política, Lisboa, pelo contrário, optou, também de forma clara, por um político profissional do bloco central dos interesses e dos negócios. António Costa é de facto o grande vencedor na Câmara da capital, mas a sua vitória tem um sabor amargo, pois os resultados nacionais impedem-no, para já, de realizar os voos para os quais ele já anda a bater as asas há algum tempo. É que, tendo em conta todas as manobras, intrigas e conspirações que se vinham realizando contra a direção nacional do PS, a verdadeira vitória de Costa seria um mau resultado nacional do seu partido, que lhe permitisse avançar como alternativa à atual liderança, em termos de disputar as eleições as legislativas de 2015 como candidato a primeiro-ministro. Os grandes derrotados destas autárquicas são, assim, não só o PSD e Pedro Passos Coelho, mas também aqueles que dentro do PS se preparavam para um xeque-mate a António José Seguro. Outro grande derrotado, a confirmarem-se as tendências existentes à hora em que escrevo estas linhas, é Alberto João Jardim e o PSD Madeira, que perde várias câmaras municipais. Jardim deveria saber que quem não sabe sair a tempo, pelo seu próprio pé, pode acabar por ter de sair aos empurrões. 

Os grandes triunfos individuais são os de António José Seguro (que vence na frente externa contra o PSD e o Governo e na frente interna contra quem se preparava para o substituir na liderança do PS) e Rui Rio que viu claramente sufragada pelo povo do Porto a sua política para a cidade. Esta vitória de Rio vai inevitavelmente gerar uma dinâmica política que o poderá catapultar para outros voos, até porque ela é, em certa medida, sinalagmática da derrota do Governo e da atual liderança do PSD. No plano estritamente partidário, a vitória é da Esquerda, ou seja, do PS e da CDU, e a derrota é da Direita, principalmente do PSD e do Governo.

Curiosamente, o PSD ganhou as eleições naqueles municípios que o Governo mais tem desprezado, em alguns dos quais, inclusivamente, se prepara para encerrar os respetivos tribunais. Oxalá esse PSD profundo consiga impor-se aos betinhos e betinhas de Lisboa que proliferam no Governo.
 

29 setembro, 2013

A gala dos 120 anos e o Museu do FCPorto



Como já aqui referi, apesar do resultado positivo de sexta-feira passada, o FCPorto fez uma exibição para esquecer e não repetir.  Mas no sábado o nosso magnífico clube proporcionou-nos várias alegrias. A primeira, foi indiscutivelmente a inauguração do Museu, a modernidade e grandiosidade do projecto, tendo em Antero Henrique e toda a equipa de colaboradores, os principais responsáveis[parabéns!]. Se a perfeição existisse, quase me arriscaria dizer que se trata da perfeição em forma de Museu Desportivo, passe o exagero. Além disto, que já não é pouco, louve-se o profissionalismo do Director Desportivo do Porto Canal, Rui Cequeira, ocasionalmente investido no papel de "cicerone", que desempenhou exemplarmente. 

Acompanhei o evento pela televisão mas deu para perceber que só depois de várias visitas ao museu será possível ter uma ideia precisa e abrangente sobre o mesmo. Mesmo assim, suponho que ninguém poderá negar a qualidade da obra.

A segunda alegria foi a cerimónia da entrega dos Dragões de Ouro e dos 120 anos do clube. Melhorou consideravelmente em relação à festa do ano passado. Houve humor - que é uma coisa a que dou muito apreço -, originalidade [gostei dos trajes à século XIX alusivos à data de fundação do clube], e muito em particular da ligação histórica estabelecida entre o Porto cidade e o Porto clube, os traços em comum, brilhantemente apresentada pelo historiador Joel Cleto.

Mas o momento da noite foi o discurso emocionado e improvisado de Pinto da Costa, o discurso de um líder na acepção da palavra. Naquela casa respira-se liderança, além da competência, que é algo raro em Portugal, sobretudo se falarmos de política, de políticos e de governos. Por isso, não deixa de me causar alguma estupefacção saber que há determinado grupo de "portistas" mais preocupados em criticar a gestão do clube, do que em defendê-lo dos nossos adversários. 

Há ainda quem acredite no paraíso, tanto numa grande empresa como num grande clube, como é o FCPorto. Isso não existe em lado nenhum. O que existe é o sucesso ou o fracasso. Onde há sucesso há dinheiro, onde há dinheiro há emprego, onde  há liderança a ciumeira amansa-se. Mas aonde é que não há ciumeira? Apesar disso, sinceramente, sinto que há mais inveja de fora para dentro, do que o contrário. Há por aí muito melro, convencido que elogiar Pinto da Costa é perder a sua independência, o seu poder crítico. Esquecem-se que criticar uma gestão de sucesso, desportiva e financeiramente, uma estrutura como o FCPorto é ignorar as imensas dificuldades que é preciso ultrapassar para a bem administrar. Para a criticar com seriedade então mais vale participar regularmente nas Assembleias Gerais do Clube e aí expor abertamente as preocupações.  

Só espero é que o Porto Canal siga o exemplo e não desista de lutar por uma televisão verdadeiramente original. E original, não é propriamente copiar o que se faz noutros sítios, com outras caras. É fazer diferente, é fazer útil, é fazer melhor.  

28 setembro, 2013

Sobre o FCPorto / Victória de Guimarães (1-0)

O FCPorto ganhou, conquistou os 3 pontos e jogou bem durante a 1ª. parte, ainda que sem disso tirar partido. Convirá no entanto salientar que jogou assim apenas na 1ª. metade do jogo, - à semelhança, aliás, do que vem fazendo noutros encontros -  e jogou com 10 jogadores nos 90 minutos, já que Jackson Martinez está irreconhecível, uma prima dona demasiado caprichosa para os objectivos do FCPorto. 

Ontem, no Porto Canal, Jardel, não teve papas na língua e disse aquilo que todos pensaram mas se calhar não dizem:  «a jogar como hoje (ontem), o FCPorto arrisca-se a perder em casa com o Atlético de Madrid...». Eu penso e digo o mesmo, porque não acredito em milagres. Quando uma equipa cria oportunidades e não é capaz de as transformar em golos na 1ª. parte, e na 2ª., nem uma coisa nem outra, as expectativas dos adeptos ficam reduzidas a questões de fé, o que é perigoso para um clube como o FCPorto, habituado a fazer das tripas coração para ultrapassar os adversários. Estou pessimista, e não gosto...

27 setembro, 2013

Se eu votasse no Porto...

...talvez votasse em Rui Moreira. E digo talvez, porque confiando na pessoa, não confio em algumas pessoas e partidos que directa ou indirectamente o apoiam. Rui Rio é uma dessas pessoas, PSD e CDS são dois desses partidos*.

Já aqui o escrevi várias vezes, e nunca me cansarei de repetir, que não me sinto devidamente "equipado" com as "ferramentas" que este modelo de democracia me oferece, por isso tenho de me valer com aquelas que tenho, que são poucas, como imagino já terem percebido. 

Não sou do tipo de gostar de dar mais que uma oportunidade a um político para me convencer da sua seriedade e das suas competências. Menezes, fez um bom trabalho em Gaia, já o reconheci também várias vezes, mas enganou-me quando engoliu abruptamente o processo da Regionalização, mal chegou à intimidadora capital e se apanhou como líder do PSD. Não gostei. E também não ficaria de bem com a minha consciência se "apesar disso", sabendo que se votasse nele, estaria indirectamente a beneficiar o partido político que está no Governo, quando o que eu queria era fazer exactamente o contrário, ou seja: penalizá-lo pela miséria agravada que acrescentou ao país. Por outro lado, também não gosto de certos "passarinhos" que gravitam à volta de Menezes, grudados ao tacho que lhes terá reservado. Falo, por exemplo, de Sílvio Cervan e de Pedro Fonseca, dois nortenhos lisboetizados e doentiamente fanáticos com quem eu nunca gostaria de me cruzar com receio de não conter o vómito.

Assim sendo, irei abster-me. Conscientemente... Sem prazer, mas com o orgulho [com "ó" fechado] e a convicção profunda de saber que assim, não contribuirei para alimentar pessoas e partidos que não precisam nem merecem alimento, porque, mais que gordos, estão esclerosados.

Cavaco, esse pobre coitado, orgulha-se dos nossos emigrantes [lembram-se?!], eu orgulho-me de nunca ter votado nele. E sabem uma coisa? Cá o rapaz, que nem sequer é um "notável", nem recebe avenças das televisões para ter opinião, estava cheio de razão. Eu sabia que o homem estava longe de ter perfil para o cargo. Mais uma vez, não me enganei.   

* Não me esqueci do PS, do seu candidato, nem do que esse partido fez quando foi governo. Por isso, é um X, não no boletim de voto, mas na abstenção, esse monstro tão temido pelos partidos [por que será, fazem ideia?]. Os outros partidos, limitam-se a fazer oposição, não apresentam alternativas. Portanto...

26 setembro, 2013

Que ÓÓrgulho malta! Só falta visitar a Luz e os Ministérios...


Reader's Digest: Lisboa é a cidade menos honesta do mundo

Se encontrasse uma carteira perdida no chão devolvia-a? Num estudo recente sobre a honestidade, a Reader's Digest chegou à conclusão que os habitantes de Helsínquia, Finlândia, são os mais honestos enquanto os lisboetas ocupam a última posição.

Para este estudo os investigadores deixavam cair no chão 12 carteiras no total, espalhadas por locais movimentados das cidades e ficavam depois a observar se os transeuntes ficavam com as carteiras ou as entregavam a alguma autoridade para que pudessem ser devolvidas aos seus donos. Cada carteira continha ainda cerca de 50 euros, fotografias de família e contactos.

Em Helsínquia 11 das 12 carteiras foram entregues, enquanto em Lisboa apenas uma foi devolvida - não por um lisboeta mas por um casal de holandeses que se encontrava de férias.
No total, das 192 carteiras apenas cerca de metade foi devolvida.

O estudo conclui ainda que as condições económicas não têm impacto directo no facto de as pessoas ficarem com o dinheiro ou não. Mumbai, na Índia, alcançou a segunda posição, com os cidadãos a devolverem nove das 12 carteiras. Em comparação, apenas quatro foram entregues em Zurique, na Suíça.
Conheça a lista completa das capitais:
1. Helsínquia, Finlândia: 11 de 12 carteiras
2. Mumbai, Índia: 9 de 12
3. Budapeste, Hungria: 8 de 12
4. Nova Iorque, EUA: 8 de 12
5. Moscovo, Rússia: 7 de 12
6. Amesterdão, Holanda: 7 de 12
7. Berlim, Alemanha: 6 de 12
8. Liubliana, Eslovénia: 6 de 12
9. Londres, Reino Unido: 5 de 12
10. Varsóvia, Polónia: 5 de 12
11. Bucareste, Roménia: 4 de 12
12. Rio de Janeiro, Brasil: 4 de 12
13. Zurique, Suiça: 4 de 12
14. Praga, República Checa: 3 de 12
15. Madrid, Espanha: 2 de 12
16. Lisboa, Portugal: 1 de 12

[fonte: Jornal Económico]