30 janeiro, 2016

O clube do regime deve andar distraído...

Segundo apurou também o JN, o presumível traficante contava com o apoio de um agente da PSP para tentar escapar à vigilância dos inspetores da Polícia Judiciária (PJ).
O despacho de acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Ministério Público de Sintra tinha de ser - e foi - proferido até ao dia 23 deste mês, para evitar a libertação de Carriço e de outro arguido, também em prisão preventiva. É que ambos tinham sido detidos a 23 de julho de 2015 e o prazo máximo desta investigação era de seis meses.

O Ministério Público acaba de acusar José Carriço, o indivíduo que era diretor do Benfica quando foi apanhado com nove quilos de cocaína num automóvel do clube, de tráfico de estupefacientes na forma agravada.
Não é possível! Estes gajos são todos uns anjinhos.
A culpa deve ser do Pinto da Costa

29 janeiro, 2016

Inquietações e convenções

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Tenho alguma dificuldade em lidar com o lado convencional das palavras. Há quem goste de usar determinado tipo de linguagem, talvez para dar de si uma imagem vanguardista, de pessoa convictamente virada para o porvir, para a frentex, como diz o povo. Amiúde, falam do futuro com grande entusiasmo e com indisfarçavel desprezo pelo passado, por vezes até com vergonha. É como se descessem de um pedestal de contemporaneidade do qual temem cair. Talvez influenciados por outrém, [figuras públicas, políticos ou intelectuais duvidosos], sentem-se confortáveis nesse registo, aparentemente convictos que tal lhes garante a credibilidade. Pura fantasia. Ao invés do que possamos imaginar, pensar para a frente, se vacinados pela experiência do tempo, não nos converte em melhores pessoas, mais assertivas e optimistas. Convencionar como coisa boa o futuro, sem aprender com os erros do passado, só  porque nos confere uma imagem positiva, pode sim, transformar-nos em gente imprudente e porventura irresponsável.

Em primeiro lugar, creio que devíamos procurar saber se o que está convencionado tem o valor que lhe atribuímos. Por exemplo: o termo progresso. Que significado concreto terá para muita gente?
Ou, futuro, tecnologia, globalização, prosperidade?

Em princípio, todos estes nomes comportam uma áurea de benignidade. Mas, se pensarmos bem, depois de assimilados os aspectos positivos, veremos que afinal de contas todos trazem consigo um preço muito alto que, mais tarde ou mais cedo teremos de pagar. É um facto que não há vantagem que não traga inconvenientes. A questão que se impõem, é saber se estamos dispostos a pagar os custos dessas desvantagens.

Hoje, podemos ligar para qualquer parte do mundo em poucos segundos, controlamos aparelhos à distância, dispomos de grandes centros comerciais e hipermercados. Somos pacificamente domados pela língua inglesa, e a 'cultura' americana segue a sua marcha de influência pelo mundo. Habituamo-nos à discriminação, à violência, à barbárie Jhiadista, à migração, à indiferença, à morte de inocentes. Temos Internet, blogues, redes sociais, e no entanto, estamos cada vez mais sós. Somos convivas da virtualidade.

A ideia de grandeza, iludiu os povos com a indevida colagem à ideia de prosperidade. Sabemos hoje, que não é nos supermercados que podemos encontrar os alimentos mais saudáveis, e os anunciados postos de trabalho daí decorrentes são ocupados pelo tecnologia (progresso) dos computadores. Dizem-nos - e nós até compreendemos -, que se assim não fosse a miséria humana seria muito maior. Mas, duvidamos...

Oceanos e rios, estão cada vez mais poluídos, contagiando a nossa cadeia alimentar. Na Terra acontece o mesmo. O clima do planeta está, mais e mais adulterado pela mão do homem, em nome dessa bendita palavra chamada progresso. Os animais, são criados na escala proporcional dos hipermercados, em condições cruéis de desenvolvimento, com hormonas de crescimento, sem mesmo terem tempo para viver em ambiente natural, ou conhecerem a luz do dia. Em nossas casas, temos dezenas, centenas de canais de tv, onde impera a cultura cinematográfica da violência e do sexo, quase toda de origem americana, onde a linguagem ordinária faz escola e influencia os nossos jovens. Enfim, tudo isto, dentro daquele conjunto de expressões convencionalmente optimistas  de que vos falei mais acima.

Aqui chegado, sem poder negar as vantagens que hoje foram o futuro de ontem, o futuro da humanidade não me entusiasma. As gerações vindouras dirão de sua justiça. Acho, ainda assim, que podíamos progredir mais lentamente, mas melhor, se ponderássemos bem nos efeitos secundários. Há quem seja contra esta opinião, quem a considere até anti-progressista. Pois bem, há sempre quem se contente com a importância convencional das coisas.

Por mim, prefiro sempre a realidade. As convenções são também um preconceito.


27 janeiro, 2016

Sr. Pinto da Costa, demita-se!


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Senhor Pinto da Costa, obrigado pelo que fez no passado, mas agora, perdi-lhe o respeito. 

Perdi-lhe o respeito, porque nem você, nem ninguém à sua volta,   percebem, ou fazem  que não  percebem, o mal que estão a fazer ao FCPorto. E se não percebem, é porque estão a mais.    

E   não  confunda  as coisas.   Não é apenas por ter contratado um treinador sem saber bem o que fazia, sem ter a menor ideia das suas qualidades e experiência para treinar um clube com as ambições do FCPorto. É também porque, quando todos percebiam que o treinador estava a destruir a equipa, técnica e animicamente, e perdia (na própria casa) com uma equipa qualquer, o senhor decidiu reforçar-lhe a confiança, só o despedindo no limite dos limites, ou seja, quando já não podia mais esticar a corda. Esteve mal, muito mal mesmo. Foi incompetente.

Mas, o mais grave, aquilo que mais me envergonha  - e devia envergonhá-lo a si e aos seus colegas da SAD -, é que o vosso silêncio sirva como carta-branca, como uma descarada autorização para os árbitros o desrespeitarem, e  (o pior de tudo), desrespeitarem todos os portistas do Mundo, que são a alma do FUTEBOL CLUBE DO PORTO. 

Foi o seu silêncio contínuo, medroso, que tornou o FCPorto o clube mais humilhado, mais vulnerável do país (que o diga Lopetegui). E não admira, você nunca o defendeu. Quando o líder se faz de morto, quando não tem voz de comando e só fala por falar, pensando que está vivo, as tropas não lhe obedecem.

Lamento dizê-lo, espero que não ganhe as próximas eleições, e que os sócios saibam escolher um novo líder que não receie defender o FCPorto (se ele aparecer). Agradeço-lhe o passado, dispenso-lhe o futuro.

E que viva o FCPorto! Esse, está acima de tudo.

26 janeiro, 2016

Um sonho que mais parece realidade


Esta noite, sonhei que um jogador que o FCPorto pretendia contratar para o seu plantel tinha recusado o convite. Estranhando tal decisão, por contrastar com a realidade, que é precisamente antagónica (ainda agora tivemos prova disso com a contratação de 2 jogadores dados como certos no Sporting), procurei saber junto do jogador das razões que o levaram a declinar o convite. 


Perguntei-lhe: oiça lá, então por que razão o amigo se dá ao luxo de recusar jogar num clube com o prestígio nacional e internacional do FCPorto, quando alguns dos seus colegas até recusam melhores propostas dos clubes rivais para jogar no Porto?


O homem, fixou-me nos olhos, assim como quem se sente ofendido e responde:

- é que os colegas a que o senhor se refere devem andar distraídos!

Respondi-lhe:  então, diga lá por quê, explique-se, por favor. 

O craque retorquiu:

- muito gostaria de aceitar o convite do FCPorto, até porque, modéstia à parte, me considero um     jogador à Porto. Sou raçudo, nunca desisto de uma jogada, e não sou sarrafeiro.

- óptimo! É mesmo de jogadores desse tipo que o FCPorto anda a precisar. Com uma resposta dessas   você ainda me deixa mais baralhado, amigo  (repliquei).

- pois é, mas acho que só ia prejudicar o FCPorto...

- continuo sem perceber... Você acha-se um jogador à Porto e depois afirma que ia prejudicar o             clube? (insisti)

- eu explico. Mas não tinha necessidade, porque você, como portista que é já devia saber a resposta.

- Humm... Deixe lá ver. Não t'ou a ver.

- pronto, eu faço-lhe o desenho: que tal a imagem do Maxi Pereira, diz-lhe aguma coisa?

- Maxi? Ah, sim, diz, diz. Já estou a ver: é um jogador raçudo, à Porto, não é? E daí?

- Ó amigo, das duas uma, ou é burro, ou não gosta do FCPorto!

- Bem, também não precisa de ser grosseiro, mas se me explicar melhor...

-  Maxi, é um jogador raçudo, não é? Mas sempre que toca na bola, ou é falta, ou leva cartão. É para      isso que querem um jogador como eu? Para ser constantemente punido pelos árbitros e não                  marcarem os penalties cometidos sobre mim?

- Bem, mas para isso, está lá o Líder, o senhor Pinto da Costa, não é...

- está? estará mesmo lá? Ó amigo, das duas, uma: ou você ainda acredita no pai natal, ou tem andado   a     dormir. Esse Pinto da Costa já não existe, é passado. E eu, quero jogar num clube que tenha         quem o   defenda, não num orfanato... 

   

25 janeiro, 2016

FCPorto / Peseiro

Uma victória tirada a ferros, com as dificuldades de uma equipa completamente descaracterizada, é melhor que nada, e o possível para um treinador que nem tempo teve para conhecer os jogadores, um a um. É apenas isto que me apráz comentar sobre o jogo jogado. De resto, só o tempo - que já não é muito - poderá decidir.

Agora, há outro aspecto que me preocupa, e o jogo de ontem foi paradigmático quanto à dualidade de critérios das arbitragens com o FCPorto. Para além de faltas nítidas, claras como a água, que o árbitro perdoou ao Marítimo, houve 3 penaltis evidentes, escandalosos mesmo, que esse cão de fila dos clubes da capital teve a desfaçatez de não assinalar. 

Estes casos, que como já disse várias vezes se vão acentuar, não será a News Letter do FCPorto que os poderá resolver, é o líder, ou aquele que outrora carregou com mérito essa responsabilidade , quem tem que dar a cara.

A avaliar pelas declarações de Pinto da Costa ao Porto Canal, está tudo bem na arbitragem, portanto, o mais certo, é que o silêncio seja para continuar, o que traduz uma leviana declaração de abdicação, e incompetência, que não deixará decerto descansado o mais tranquilo dos adeptos. 

24 janeiro, 2016

ELEIÇÕES

Imagem dos resultados de notícias

Hoje, mais uma vez, não vou votar.

Provavelmente, morrerei antes de voltar a votar. Não vejo sinais para que as coisas mudem nos próximos anos. Os políticos queixam-se da abstenção, mas sabem muito bem o que eu - e outros que me acompanham -, pretendem deles. Chama-se confiança. Como não a têm, desde há muitos anos, agora exigem-lhes garantias, e é isso que nenhum se propõe dar-lhes.

A excepção a esta regra (Legislativas e Presidenciais), talvez me decida a abrí-la nas autárquicas. Por uma razão muito simples: o poder local é mais facilmente escrutinável que os outros dois poderes. E isto é tão evidente, como a resposta às dúvidas dos inimigos da regionalização. Os anti-regionalistas, não têm (nunca tiveram) argumentos sérios para negar essa realidade, e se não querem a regionalização é porque algo de estranho e inconfessável têm para quererem manter o status-quo.

Até a comunicação social ajuda os que se querem manter distraídos a abrir os olhos. Hoje mesmo, à hora do almoço a RTP e quase todos os outros canais promovia a candidatura de Marcelo sem mostrar o menor respeito pelos outros candidatos. Basta ver, e pensar um bocadinho.





22 janeiro, 2016

Rui Moreira não quer "TAP alfacinha"

Para o Porto não "serve" existir uma TAP pública "que seja alfacinha". Mas se a empresa sempre for privatizada, o mercado tratará de preencher as lacunas deixadas no Aeroporto Francisco Sá Carneiro


Rui Moreira

Ou seja, serão os privados a fazer as ligações Porto-Madrid, Barcelona, Milão e Roma que a TAP tenciona cancelar a partir da Páscoa. Esse foi o aviso feito, nesta manhã de terça-feira, pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira.

"Estamos a ver se encontramos soluções alternativas ao serviço público", revelou Rui Moreira, em declarações aos jornalistas, na Câmara do Porto. O autarca adiantou ainda que reuniu, na quarta-feira, em Madrid, com um operador privado para apurar se teria interesse em substituir a TAP na ligação Porto-Milão, uma das quatro que serão canceladas pela operadora pública, a partir da Páscoa. Rui Moreira escusou-se, contudo, a especificar que operador contactou.
"Se a TAP abandona o Porto, o Porto abandona a TAP", avisou o autarca independente.

No entanto, o recurso ao mercado privado para garantir que, no Porto, continuem a existir ligações diretas com as principais cidades europeias, para Rui Moreira, só faz sentido se a TAP sempre for privatizada. Caso se concretizem aquelas que parecem ser as intenções do atual Governo de manter a empresa na esfera pública, o autarca portuense vai exigir que seja cumprido o "serviço público".

"Aí teremos que perguntar se o interesse público é só Lisboa. Aí exigimos serviço público e que a TAP não seja alfacinha, seja TAP Portugal", afirmou Rui Moreira, convicto de que o reforço das ligações Porto-Lisboa e a criação de uma ligação direta Vigo-Lisboa significa dizer "que querem que os passageiros da Galiza viagem para África ou para a América Latina através de Lisboa".

As preocupações de Pinto da Costa não são as dos adeptos

Pinto da Costa arrasa Lopetegui!
(se não é título de pasquim, o que é?)

  1. Pinto da Costa finalmente falou, porque... houve mudanças
  2. Disse não querer falar do passado
  3. Fez exames clínicos e está apto para se recandidatar a um novo mandato
  4. Percebeu, no jogo com o Rio Ave, que Lopetegui não tinha condições para continuar
  5. Convidou os sócios a candidatarem-se à Presidência do clube
  6. Disse que não gostava de ver um candidato apoiado pelo Correio da Manhã (eu também)
  7. Explicou as contratações falhadas (Adrian Lopez, Tello,Imbula, etc.)
  8. Não liga às redes sociais
  9. O problema das arbitragens é do Conselho das Arbitragens e de um tal Ferreira Nunes
  10. Está muito satisfeito com o actual Presidente da Liga, o senhor Dr. Pedro Proença
Resumindo e concluindo:

Pinto da Costa, não quis falar do passado, mas falou, e não acrescentou nada para o futuro (a não ser do seu). Não falou - também porque não lhe foi perguntado -, do problema comunicacional com os adeptos, excepto com as claques, a quem fez grandes elogios. Não gostou (como eu), que Victor Baía falasse para o Correio da Manhã, mas não abriu a boca (nem Júlio Magalhães ajudou), para dizer o que pensava do actual Jornal de Notícias, que todos os dias o honra com casos relacionadas com a criminalidade, o que significa que o considera um jornal respeitável...

Nada de novo, como se previa. A culpa é nossa, que damos demasiada importância ao futebol. Ó José Peseiro, tira-nos deste sufoco, se puderes.

PS-
Se o Jornal de Notícias não merece comentários da parte do Presidente do FCPorto, e se o Porto Canal usa esse jornal como guia para os noticiários, só falta mesmo a Júlio Magalhães incluir a página de justiça do JN e convidar Nuno Miguel Maia para os comentar... 

Júlio Magalhães seria despedido, ou promovido? Da forma como estão as coisas, acho que era promovido a administrador do canal.


21 janeiro, 2016

Sê feliz, José Peseiro!

Em qualquer organização, o princípio de aferir responsabilidades genéricas começa sempre de cima para baixo, e não ao contrário. Inverter esse sentido, é negar o secular princípio das competencias. Em qualquer organização é assim. No futebol, a regra é a mesma. Pinto da Costa foi, durante a maior parte do tempo que esteve ao leme do FCPorto, um líder de corpo inteiro e por essa razão mereceu a primazia da admiração e o respeito dos portistas, antes mesmo de treinadores e jogadores. Isto, é muito raro ver-se em qualquer outro clube do mundo. Ainda hoje é tratado carinhosamente pelos adeptos como o NGP (o Nosso Grande Presidente), e é também por isso que a sua decepção com a actual gestão do clube é maior.
Todos os dias o JN criva o nome do FCPorto
e de Pinto da Costa na página da Justiça
[Clicar na imagem para ampliar]

Uma vez mais, Pinto da Costa chega atrasado. Tem sido assim nos últimos anos. Ironicamente, numa fase de tempo em que pode disfrutar de um canal de televisão para falar à vontade, longe dos ambientes poluídos dos estúdios de Lisboa, decidiu remeter-se quase ao anonimato. A inversão de procedimentos em relação ao passado é radical, tudo agora funciona ao contrário.

Estou à vontade a falar assim. Tão à vontade que me dou ao desplante de (mais uma vez ) adivinhar o que ele (não) vai dizer logo à noite, no Porto Canal. Como agora vem sendo hábito, quando PC decide falar, é tarde. Uma coisa, é reparar tardiamente acções erradas, outra, é constatar factos que toda a gente já conhece. Não me parece que a sua opção seja a primeira. Bom seria que soubesse agir antes que os factos se consumassem, que tivesse obstado à transformação da principal equipa do clube, num grupo de homens psicologica e tecnicamente confusos.  

Isto, era o que Pinto da Costa não permitia que sucedesse há poucos anos atrás. Ai de quem se atrevesse a prejudicar o FCPorto! Com árbitros, adversários e as próprias equipas técnicas, tudo tinha que entrar nos carretos. Hoje, podem fazer-lhe tudo, continuar a colar o seu nome (e o do clube) a redes mafiosas (como faz diariamente o nosso "querido" JN), usar de critérios prejorativos nas arbitragens e na comunicação social, que ele não reage. Tudo isto é estranho, tão estranho que nem a idade, nem a saúde podem justificar. Serão resquícios do Apito Dourado? Aconselhamentos de quem o rodeia? Ficamos assim, prisioneiros dos especuladores.

Nestas condições, considero extremamente complicado o trabalho de Peseiro para o que resta da temporada. É de um bom, de um excelente banho terapeutico de psicologia, que toda a equipa precisa. O resto virá por acréscimo.   

20 janeiro, 2016

Democracia e Liberdade. Quo vadis?

Isto de se falar de democracia e de liberdade (com minúsculas) só para sermos bons meninos, para passarmos por cidadãos normais, é das coisas que mais me incomodam, e que mais têm contribuido para a estagnação geral do país. 

Há quem, imaginando-se enquadrado numa área comum de preferências, pelo facto de gostar do mesmo clube de futebol, pensa que tudo o resto os pode aproximar. Mentira. Nem tudo o futebol congrega. Nem sempre o nosso clube comum funciona como moderador ideológico. Há antes de tudo o carácter, e depois o estatuto social, financeiro e intelectual, a afastá-los. 

Cada dia que passa me capacito que no FCPorto há um grande fosso de Liberdade. Mais. Pelo que vejo: nem Pinto da Costa pode afirmar-se como um homem livre. 

Ainda ontem, no Porto Canal, Bernardino Barros dizia a propósito das correntes conspiratórias dos media contra o FCPorto, que o JN já não é o que era (descobriu tarde...), e no entanto, Pinto da Costa ainda não fez nada para eliminar o seu nome da lista do Conselho Editorial. Provavelmente, nem lê o JN, o que é de estranhar... Sobre isto, não pode haver dúvidas, o JN de agora, é mais um tentáculo do centralismo lisboeta na cidade que o fundou. O Porto deixou de ter voz activa. O seu testa de ferro chama-se Afonso Camões, um tipo de Castelo Branco, sem qualquer histórico social ou sentimental ligado ao Porto. Apareceu aqui de pára-quedas, e os portuenses consentem...

Em circinstâncias normais, se Pinto da Costa, ou alguém por ele, lê-se o JN, não permitiria que esse jornal publicasse dias, e semanas a fio, a mesma notícia, sem que nada o justificasse, apenas com o intuito de ligar o seu nome e o do FCPorto a um caso de polícia, quando afinal o principal protagonista é um ex-segurança do presidente. Ao descrever estas situações desagradáveis, sinto-me um pouco pateta por ficar sem saber se Pinto da Costa consegue distinguir a crítica construtiva, de uma notícia maliciosa. Sou levado a admitir que, além do seu estado de saúde, algo de mais grave lhe condicona a liberdade de acção... Mas só ele, saberá dizer o quê.

Vivemos todos num charco de profunda hipocrisia onde a força das palavras há muito se ausentou. Na política, como no desporto, seriedade, democracia e liberdade, são débeis ecos de intenções sem pingo de autenticidade. O artigo do JN que hoje publiquei antes deste, prova que há jornalistas que se esforçam por denunciar casos socialmente perturbantes, e no entanto, todos eles se resignam a trabalhar para jornais cuja orientação ultrapassa de longe a demagogia dos próprios políticos. Dizem, que precisam de ganhar a vida, como se fosse lexívia para a consciência, ou argumento para levar a sério de quem tantas vezes apregoa a desfesa da Liberdade e da Democracia. 

Pessoas assim, sabem perfeitamente que nenhuma destas duas condições corresponde à magnitude que deviam comportar, mas preferem fingir que acreditam, para se sentirem úteis.

PS-Vejam se tudo isto faz sentido. No clipping do JN - acima, à direita -, pode ler-se o nome de Domingos Andrade, como Director-executivo. Como devem lembrar-se, trata-se do anterior Director de Programas do Porto Canal, que entretanto foi substituído no cargo pela Ana Guedes (ex-TVI). 

Não dá a ideia que foi lá colocado para contornar eventuais reacções à nomeação do ilustre desconhecido Afonso Camões? O que terá levado a actual Administração de Proença de Carvalho & Ca., a escolher o albicastrense senão a intenção de lisboetizar o jornal, como foi logo visível?

Subvenção para a vida

PEDRO IVO CARVALHO
O centrão, esse fantasma que António Costa jurara ter guardado de vez no armário, juntamente com a roupa velha e bafienta dos invernos de má memória, voltou a assomar à janela do regime. Desta vez, para nos mostrar quão sagazes e coordenados conseguem ser os representantes dos dois maiores partidos quando chega a hora de acautelar os seus direitos e de cobrar à nação os sacrifícios que tão patrioticamente fizeram em seu nome. PS e PSD conseguem entender-se sobre mercearia. Sobre economia é que é mais difícil.
Recuemos a novembro de 2014. Depois de apresentarem e aprovarem na especialidade uma proposta para repor o pagamento das subvenções vitalícias a antigos políticos, Couto dos Santos (PSD) e José Lello (PS) decidiram retirá-la. "Em nome do bom-senso", justificaram. Da decência. Basicamente, e para sermos menos românticos, porque havia muita gente dentro e fora dos dois partidos a não entender as ¬- vamos chamar-lhes assim - urgência e justeza do pedido. Sobretudo quando tão violentos golpes tinham sido aplicados nos bolsos de quase todos os portugueses. Ainda assim, houve quem, em particular na bancada socialista, tivesse engolido em seco este desfecho e prometido avançar para o Tribunal Constitucional (TC). Assim foi.
Pouco mais de um ano depois, ficou a saber-se que 30 deputados (21 do PS e nove do PSD), entre os quais Couto dos Santos e José Lello, para quem o bom-senso é, afinal, um bocado de plasticina, pediram a reposição da atribuição daquele apoio financeiro sem limitações de rendimentos. Invocando uma parafernália de razões jurídicas e acobertando a imoralidade política que lhe está subjacente.
A alteração ao regime imposta em janeiro de 2014 era ponderada: os ex-deputados com rendimentos superiores a dois mil euros (excluindo a subvenção) perderiam essa prestação. Nos restantes casos, o rendimento ficaria limitado à diferença entre os dois mil euros e o rendimento (subvenção excluída).
Mas isso não chegava. Porque trabalhar 12 anos como deputado deixa marcas para a vida em qualquer um e fecha, como todos sabemos, demasiadas portas profissionais. Como, de resto, é evidente no percurso de vida dos 30 deputados para quem não ser prejudicado pelo exercício de um cargo público só é aceitável se isso significar ser beneficiado pelo exercício de um cargo público.
De um lado, PCP, BE e CDS. Do outro, PS e PSD. Provando que as notícias sobre a morte do Bloco Central foram manifestamente exageradas. Não só não está morto, como ainda por cima vai ter direito a uma pensão vitalícia. 
Nota de RoP:


Depois digam que não tenho razão, quando para votar ponho, como primeira condição aos  candidatos  garantias pessoais. As únicas condições que eles "respeitariam", mas não aceitam, claro, eram as de ordem pecuniária, ou patrimonial. A palavra de honra não funciona, porque para funcionar tinham de saber o que isso é, e está provado que não sabem, nem querem sequer pensar nisso.
A propósito, vi ontem na RTP1 aquela fantochada a que chamam debate. Uns, tiveram direito a 8 minutos, outros a 12 ou 15... Curiosamente, Paulo Morais que apontou baterias para o problema mais sério da actualidade (a corrupção), foi tratado como se estivesse a falar de ovnis, ou de tremoços. Acho é piada à tese dos comentadores que enchameiam a cabeça dos eleitores com a credibilidade do Marcelo, sem a conseguirem fundamentar minimamente. Podem-me dizer: então, por que não votas no Paulo Morais? A resposta já a conhecem, mas eu repito: porque não posso certificar a genuidade das suas intenções. Senão, votava. Porque sei que nada do que ele afirma é surreal, infelizmente para nós. Haverá alguém que tenha dúvidas?  
Ah, e que ninguém me venha com a treta do costume, que ele precisa de provar o que diz. Não é a ele que compete provar, é à polícia de investigação e ao Ministério Público. Ele denuncia, e isso já não é pouco. O duplo-problema, é que se calhar (para não dizer, decerto), também essas autoridades têm os rabinhos entalados...






19 janeiro, 2016

José Peseiro, é o novo treinador do FCPorto

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Depois de um turbilhão de especulações, conduzidas pela comunicação social sobre o nome do substituto de Lopetegui, foi José Peseiro o treinador eleito para orientar o FCPorto no que resta jogar do Campeonato, e das restantes competições em que ainda está envolvido.

Subscrevo portanto a opinião de muitos portistas, que é, apoiar este treinador e os jogadores, independentemente da nossa opinião pessoal. Só espero, é que assim pense também a estrutura directiva do FCPorto, a começar por Jorge Nuno Pinto da Costa, porque, ninguém se iluda, a discriminação ao nosso clube vai continuar. Foi assim que sempre procedi, com Lopetegui ou qualquer outro. Quem tiver dúvidas, que se dê ao trabalho de procurar nos posts mais antigos e ficará esclarecido. A diferença entre apoiar cegamente, ou apoiar confiadamente (como prefiro), consiste numa série de factores que a partir de determinado momento deixei de ver reunidos, para me manter optimista. Já os citei noutras ocasiões, e portanto, não preciso de me repetir.

O que digo - porque nunca é demais fazê-lo -, é que se José Peseiro não fôr apoiado nas situações em que a sua equipa seja manifestamente lesada, dentro ou fora do campo, teremos a segunda série do caso Lopetegui, agora na versão portuguesa. Como disse, acho que não foi apenas isso que impediu que a equipa desenvolvesse um futebol mais vistoso e objectivo, mas que contribuiu muito para a desestabilizar, disso não tenho a mínima dúvida. Não me interpretem mal. Não pretendo dar-me ares de sabichão, apenas digo o que as experiências do passado recente me ensinaram, embora o mesmo não possa garantir da parte de quem deve.

Não foram poucos os jogos a que assisti em que me apeteceu bater nos jogadores, de criticar A, ou B, pelas asneiras primárias que faziam. Mas sempre me custou admitir que não tinham qualidade, ou que faziam de propósito, e que não se aplicavam porque não queriam. Houve efectivamente um, ou outro, que não confirmou os créditos de que gozavam, mas isso também pode ter sido potenciado pelo apagamento da liderança do Presidente.

É impossível que os jogadores não tenham sentido essa "orfandade" da parte da Directoria, no que concerne a defesa do treinador e do próprio clube, e que não pensassem para si mesmos que se entrassem mais virilmente a uma jogada, o melhor era levantar o pé, senão eram expulsos. Os casos do Imbula e do Aboubakar, que sempre foram de uma correcção exemplar, são paradimáticos, independentemente de fazerem falta, ou não. Da primeira vez que decidiram ser mais "durinhos", lá vai cartão, e... a implacável expulsão.

É contra esta discriminação que os jogadores pouco ou nada podem fazer. Têm de ser outros a fazer esse trabalho. E quando à discriminação se alia a falta de confiança, não há garra nem portismo que resista. Pelo que leio por essa blogosfera dentro, há muitos adeptos que não querem pensar nisto, que desatam a bater nos jogadores, a atribuir-lhes responsabilidades sem compreender que mentalmente estão feitos num farrapo. Depois, com alguma infantilidade, acham que as coisas se resolvem com slogans, com coisas como "até os comemos", ou "somos Porto", como se estas dificuldades se superassem sem a garantia de uma liderança administrativa forte e um treinador idêntico.

É este o difícil desafio que Peseiro tem pela frente. Se Lopetegui não foi o único responsável pelo que se passou até aqui, não será certamente também qualquer outro treinador. Chame-se ele Peseiro, ou Mourinho.

Off the record:

Li há instantes que Victor Baía voltou a dar um tiro no pé. Pelo que pude perceber descascou em Pinto da Costa e na SAD. Independentemente do que tenha dito, ele não devia esquecer-se que foi um jogador que, se chegou onde chegou, deve-o muito ao FCPorto. Transitou do FCPorto para o Barcelona por mérito seu, mas também do clube que o vendeu. Ele não pode comportar-se como um comum adepto, porque ganhou a vida num FCPorto em que Pinto da Costa brilhava. 

Mas, o pior nem é isso. É ele escolher o pasquim mais ordinário do país, o que mais odeia o seu antigo clube, para falar de Pinto da Costa. Se é assim que ele pensa conquistar os portistas para o apoiar numa eventual candidatura à Presidência do FCPorto, talvez os pipoqueiros gostem, mas pela minha parte, bem pode tirar o cavalinho da chuva, porque nem para relações públicas o queria, tal é o seu défice de inteligência. 

Mal, por mal, prefiro um Pinto da Costa abúlico... Nunca daria o prazer aos adversários do FCPorto de me puxarem pela língua para os ajudar a vender jornais. Aqui, digo o que penso (bem ou mal), mas não ganho um tostão por isso.  

18 janeiro, 2016

Entre o pragmatismo e a gratidão há incompatibilidades

Por mais que queiramos separar a conduta política do povo da conduta clubística, é difícil negar as afinidades que as unem. Mas, já lá chegaremos.

Pinto da Costa foi sem dúvida o presidente  mais bem sucedido da Europa, se comparado com outros dirigentes de clubes economicamente mais poderosos. Foi a sua astúcia e combatividade que guindaram o FCPorto ao patamar mais alto do futebol mundial. Foram muitos anos, sempre a subir na ambição, no prestígio e nos êxitos. A isto, chama-se perseverança e competência. Havendo competência, há o direito legítimo ao reconhecimento público. Foi o que eu e milhões de portistas fizeram, e bem.  

Os tempos entretanto mudaram, e esse homem que outrora fora competente, começou a dar sinais indicadores que algo nele estava a mudar, para pior. Dos mais relevantes, destaca-se a perda de combatividade na defesa do clube e a nula comunicação com a massa associativa e adeptos. A estas mudanças, seguiram-se contratações precipitadas de treinadores sem currículo, desajustadas às novas exigências do clube. A última verdadeiramente bem sucedida foi com André Vilas Boas na época brilhante de 2010/2011. Seguiram-se as épocas de 2011/2012 e 2012/2013 treinadas por Victor Pereira, a última das quais ganha no fim da linha e com muita contestação à mistura. Desde então,  as escolhas de Paulo Fonseca e posteriormente de Lopetegui confirmaram que as coisas estavam a mudar, e o FCPorto nada ganhou.

É aqui que encontro certas semelhanças entre a política e o futebol. Para as presidenciais que se aproximam há quem dê Marcelo Rebelo de Sousa como vencedor antecipado. A comunicação social, como sempre, é responsável por esta propaganda, mas haverá dúvidas quanto à influência que isso poderá ter nas eleições? Na forma infantil como o povo se deixa contagiar? Alguém quer saber da seriedade, da integridade, do perfil do candidato? Alguém tratará de vasculhar o currículo deste e doutros candidatos para votar? Votam porque é simpático, porque fala bem, enfim, por uma infinidade de frivolidades que pouco contam para a eleição.

No futebol, no caso, o FCPorto, é quase a mesma coisa, com uma diferença: Pinto da Costa tem um currículo que fala por si, e só isso explica, embora não justifique, a confiança excessiva que o próprio tem nesse currículo e o leva a afastar-se de forma quase provocante dos adeptos.  Esses, os adeptos, sofrem, revoltam-se (com carradas de razão), criticavam o treinador, os jogadores, e agora até criticam a SAD e Pinto da Costa, mas por consideração ou gratidão passam ao lado, não ousam contestá-lo. Custa-lhes aceitar que o Presidente que tanto admiraram (eu fui um deles) atingiu o famoso princípio de Peter, que começa a ser mais prejudicial que útil ao clube e não dá sinais de perceber isso.

A questão que se coloca é a seguinte: estarão os portistas dispostos a tolerar a decadência do Presidente com a decadência do FCPorto? Estará ele à frente dos interesses do clube? Como na política, cedemos ao sentimentalismo, em vez de privilegiarmos a competência? E Pinto da Costa, estará ele preocupado com os nossos sentimentos? O seu comportamento connôsco nos últimos tempos terá revelado isso, ou antes uma indisfarçavel indiferença, para não dizer quase dresprezo? Dantes, quando havia "fumaça" no ar, sabíamos que Pinto da Costa trataria de nos sossegar sem perdas de tempo. Agora, por que é que se esconde, porque não assume as suas responsabilidades por inteiro se ainda é pago como presidente?

Nestas coisas não tenho contemplações, o FCPorto está em 1º. lugar. As relações têm de ter reciprocidade na consideração e no respeito, mesmo que não nos conheçamos pessoalmente. Se assim não fôr, não são boas relações, independentemente do estatuto de cada um. E, como já aqui disse em várias ocasiões, Pinto da Costa está a inverter toda a admiração pessoal que tinha por ele. Está a colocar-se numa poltrona de arrogância que contrasta com aquilo que sempre preconizou: o respeito pelos portistas.

E se a arrogância nos passa ao lado quando a competência se faz sentir, é um sentimento insuportável no fracasso.

17 janeiro, 2016

A culpa é do Casillas?

Fim de carreira desastroso e lamentável

Ou, será dos árbitros? Ou, do Corona? Será do Brahimi? Talvez do Aboubakar, não? Deixemo-nos de tretas!

A culpa vai todinha para Pinto da Costa, que contratou um treinador incompetente que tornou o FCPorto irreconhecível na sua categoria, alma e qualidade. Fez do FCPorto o clube mais vulnerável do campeonato nacional a quem todos perderam o respeito.

A culpa é de Pinto da Costa porque não quis reconhecer, em tempo útil, que Lopetegui não era treinador para o Porto, e que, pelo contrário, lhe reforçou a confiança, pouco tempo antes de se ver obrigado a despedí-lo.

A culpa, é sim, de Pinto da Costa, por ter desistido de defender o clube e o próprio treinador quando os árbitros beneficiavam os nossos adversários e prejudicavam ostensivamente o FCPorto. A culpa é toda dele, por não se dignar comunicar com os portistas, sócios e simpatizantes, provando que não os merece. E finalmente, a culpa é também dos sócios que não têm coragem para obrigar Pinto da Costa a dar-lhes as explicações a que eles têm direito, no sítio próprio.

Uma vergonha! Não para o clube, mas para o currículo de Pinto da Costa. No melhor pano cai a nódoa. Pinto da Costa deixou cair a sua. A porta das traseiras é o que o espera se não abrir os olhos.

PS I:


Deixar Rui Barros a cozer em lume brando, é uma injustiça para um jogador que tanto deu ao clube. 

PS II:

Ponto 1 - Não retiro uma vírgula ao que acima comentei.

Ponto 2 - O FCPorto é uma estrutura desportiva eclética, com modalidades distintas.

Ponto 3 - Sendo certo que as modalidades e os escalões de formação júnior mantêm alguma estabilidade com resultados desportivos positivos, é, e sempre foi o futebol sénior, a alavanca motriz do grosso das receitas do clube e a principal fonte de motivação dos adeptos.

Ponto 4 - É indiscutivelmente no  futebol sénior actual que se concentram os maiores problemas e a fonte de descaracterização do FCPorto.

14 janeiro, 2016

Vai ter uma tarefa árdua o próximo treinador do FCPorto

Um "uppercut" bem puxado nesta amostra de árbitro era merecido

Não vou falar das constantes arbitragens prostituídas contra o FCPorto, porque isso compete a quem tem o dever de o fazer, e não faz. O Presidente, como é óbvio. Nem falarei de tácticas, nem de estratégias, porque essas podem variar consoante a evolução dos próprios jogos. Prefiro falar daquilo que os meus olhos,  e os olhos de uma grande parte dos espectadores vêem, sem que isso me torne obrigatoriamente num pretensioso treinador de bancada. 

Lopetegui, já cá não está. Sabendo como são duvidosas as vantagens de mudar de treinador a meio da temporada, a meteórica velocidade da descaracterização da equipa, de jogo para jogo, tornou a sua saída imperiosa, o menor dos males. Repito: não acredito que Lopetegui ganhasse qualquer troféu. E não vale a pena reagir a esta afirmação como se ela comportasse uma cisma de má fé contra o treinador, ou uma manifestação de mau-portismo, porque duvido que alguém seja mais portista que eu. Amo o Porto como poucos. De tal maneira que, ao contrário de certos portistas, boavisteiros e salgueiristas, a seguir ao meu clube dilecto - o FCPorto -, sempre simpatizei com todos os outros clubes da cidade, e fico feliz com as suas victórias, menos contra o Porto. E quem diz do Porto diz do Norte. Só lamento, é ver muitas vezes boavisteiros e salgueiristas encostarem-se aos principais clubes da capital, que tudo têm feito para os prejudicar (o Boavista sabe-o) e prejudicar o maior clube da cidade, o FCPorto. E quando digo o maior clube, não é no sentido megalómano do termo, é por ser uma realidade.  

Mas, indo directamente ao assunto, do que é que eu não gosto neste FCPorto? Em primeiro lugar, da postura resguardada e passiva do líder do FCPorto, responsável pelos abusos das arbitragens, traduzidas em benefício para as equipas da capital e em permanentes danos para a nossa. Na aparente insconsciência de Pinto da Costa de não perceber que mudou, e que é preciso renovar a liderança.

Em segundo lugar, falando agora de questões técnicas, o que é que nós vemos nesta equipa do FCPorto? Falta de garra? De amor à camisola? De mística? Okey, se quisermos, podemos incluir esses ingredientes no menú, mas porventura alguém acredita que só isso chega para voltarmos a ver os nossos jogadores jogarem à Porto? Eu não acredito, é-me difícil acreditar. Mas, afinal, onde é que estão os defeitos desta equipa, que transforma bons jogadores em jogadores medíocres? Talvez me vá repetir, mas isso só consolida as minhas convicções.

A equipa deixou de saber pressionar em todas as linhas. Se estivermos atentos, verificamos que os nossos jogadores quando iniciam os movimentos de pressão fazem-no sempre fora de tempo, ou seja, quando decidem correr de encontro ao adversário já este teve tempo para passar a bola a um colega, o que torna esses movimentos inconsequentes, sem contudo deixarem de se cansar. As recepções e controles da bola são autênticos passes, quase remates. A bola não trava, ressalta. Os jogadores sentem dificuldade em parar a bola para a poderem jogar devidamente, daí resultando autênticos passes oferecidos aos opositores. Quando progridem com bola e têm um colega desmarcado, dão toques e mais toques para a frente, ou para o lado, até que quando decidem passá-la já estão bloqueados com dois ou três adversários à ilharga. Isto é recorrente, são factos, e não me parece que estejam apenas relacionados com sistemas tácticos. Digo apenas, porque considero que o estilo que Lopetegui tentou implementar, de ter muita posse de bola sem ousadia atacante, não só retirou criatividade aos jogadores como lhes estrangulou algumas aptidões técnicas. Se juntarmos a isto a anarquia defensiva, temos o cocktail perfeito para a perda de qualidade e de confiança. Custa-me dizer isto, mas Lopetegui conseguiu o mais difícil: destreinou os jogadores. Resultado: não conseguiu ganhar qualquer troféu, nem provavelmente o conseguiria se continuasse neste registo.

Por tudo o que atrás foi dito, quem quer que venha a ocupar o lugar de treinador principal, terá à sua espera uma tarefa hercúlea para corrigir os jogadores e fazer impôr os seus métodos de treino. No jogo para o Campeonato com o Boavista, pareceu-me ver nos jogadores uma vontade de jogar que não víamos ultimamente, não obstante se notassem as deficiências técnicas que apontei. Ontem, talvez por não fazerem o 2º. golo, tudo se tornou outra vez um bicho de sete cabeças e quase deixavam fugir a permanência na Taça. Isto, sem falar na indiscritível falta de categoria do árbitro que permitiu que o jogo quase se transformasse num ring de luta-livre... 

Não é garra que falta aos jogadores. Eles até correm, só que correm sem saber bem para onde. Há um labirinto nas suas cabeças, em vez de adversários. Foi Lopetegui quem o inventou. Mas foi Pinto da Costa quem quis o inventor. No topo das pirâmides do poder está sempre o principal responsável, para o bem e para o mal.

11 janeiro, 2016

Rui Barros, transmitiu calma à equipa

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Rui Barros, o pequeno Grande Homem

Calma também aos leitores mais acelerados a intrepetar leituras, porque não vou dizer que Rui Barros é a pessoa certa para tomar o comando do plantel. Até pode ser que venha um dia a sê-lo , mas nesta altura, mantê-lo no lugar de treinador principal seria o mesmo que lançá-lo às feras. Se Pinto da Costa o quiser fazer, que o faça noutra altura, não agora.

Ontem no Bessa, o FCPorto fez um óptimo resultado,  e isso por si só, já é uma boa notícia, depois dos últimos maus resultados e exibições, dentro e fora de casa.

Apesar de se notarem hábitos e vícios do passado - como era aliás previsível - houve algo que fez toda a diferença, e não foi só a atitude, foi a alegria de jogar patente numa maior liberdade de movimentos. Por mais simples que pareça, talvez tenha sido a calma de Rui Barros no banco que tenha funcionado como um tónico de confiança na cabeça baralhada de todos os jogadores, e isso é muito importante.

É claro que o Boavista é uma equipa com problemas de toda a ordem, que ainda não conseguiu sair do espartilho estrangulador de uma má gestão interna, e sobretudo das sacanices que o poder central lhe causou, mas mesmo assim não desmerece o esforço dos jogadores do FCPorto que até conseguiram gizar jogadas bonitas, provando que têm qualidade e talento. Brahimi, é o caso mais flagrante, mas parece-me que precisa de amadurecer mais e deixar-se de querer resolver tudo sozinho. Esperemos que o novo treinador saiba moldá-lo e fazer dele um jogador muito mais completo e útil para o FCPorto.

Resumindo: dadas as circunstâncias, gostei do jogo. Que seja para continuar. Pode ser, que ainda possamos chegar ao tôpo.

PS-Quando afirmei que não acreditava que o FCPorto ganhasse qualquer troféu este ano, referia-me claro está, a um FCPorto treinado por Julen Lopetegui. 

10 janeiro, 2016

GOVERNO E RUI MOREIRA VÃO REUNIR-SE ESTA SEGUNDA-FEIRA

O Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, vai receber na 2ª feira o 1º.Ministro António Costa, o Ministro Adjunto, Eduardo Cabrita, e o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

Em cima da mesa da reunião, que ocorre pelas 10h30 de segunda-feira, deverá estar a questão da concessão da Metro do Porto e da STCP, cuja subconcessão conjunta foi anulada pelo anterior Governo.

O modelo de gestão dos transportes públicos em Porto e Lisboa poderá passar, agora, para as autarquias, uma questão que será discutida na reunião, a primeira entre os dois políticos com António Costa no Governo.
[Simão Freitas/Porto24]

08 janeiro, 2016

Lopetegui,um adeus inevitável


Lopetegui acerta rescisão

Quem me conhece, e lê o que venho escrevendo sobre Julen Lopetegui, sabe que não fui daqueles que logo nas primeiras impressões desatou a malhar nas suas capacidades enquanto treinador. Levei sempre em conta a necessidade de tempo para conhecer o valor do plantel e nele poder implantar as suas ideias de jogo e se adaptar à realidade de um clube com as características do FCPorto. Foi-lhe dado esse tempo. Numa primeira fase, suscitou alguma expectativas, embora sem entusiasmar, mas nunca me pareceu ser um mal amado, como a comunicação social gosta de enfatizar.

Os problemas de Lopetegui, foram identicos aos que Victor Pereira e Paulo Fonseca tiveram de enfrentar ainda que com condições e resultados algo diferentes. Resumindo: todos foram protagonistas de um futebol que não dava garantias de sucesso, nem da qualidade a que os adeptos estavam habituados. Há medida que o tempo decorria a tensão dos adeptos explodiu com o afastamento da Champions League, no jogo em casa com o Dínamo de Kiev quando todos esperavam passar à fase seguinte.

Os portistas habituaram-se (e bem) ao convívio com o palco-mor do futebol europeu, não só pelo prestígio, como pelo dinheiro que aporta ao clube, impossível de obter de outras fontes. Por isso, colocaram como meta mínima de tolerância na Champions, os quartos de final. Lopetegui começou a baquear nos momentos decisivos, e isso acelerou a desconfiança. A partir daí, as exibições afrouxaram, a confiança esboruou-se e contaminou os jogadores. Não vale a pena encontrar mais bodes espiatórios. Se há aqui um 1º. culpado, esse chama-se Pinto da Costa, porque foi ele quem o contratou. Diga-se, que o Presidente portista nem sempre o ajudou nos piores momentos... Ponto.

De resto, só podia ser  este o desfecho. No futebol criam-se demasiados mitos que às vezes bloqueiam as decisões mais correctas. O facto da história nos provar que a mudança de treinador a meio de uma época nem sempre resulta não deve deixar nenhum clube refém de um problema. De futuro, o FCPorto tem de ponderar melhor os riscos das contratações no início das épocas porque depois delas serão certamente maiores, como é o caso. Mas tem de ser. Lopetegui vinha dando sinais de não controlar os acontecimentos, os jogadores já não o ouviam, a confiança estava perdida. Dir-me-ão, e agora, será possível recuperar essa confiança com outro treinador, quando o tempo escasseia? É difícil, mas impossível não é.   

De qualquer forma, desejo a Julen Lopetegui a maior sorte do mundo. Gostava dele como pessoa. Pareceu-me um homem honesto, mas prisioneiro das suas convicções que infelizmente se revelaram inadequadas. Boa sorte Lopetegui!

O FCPorto tem de se reequilibrar. Tropeçou, mas talvez estejamos ainda a tempo de não o deixar cair. 

07 janeiro, 2016

A suave beleza da monarquia

Tenho por hábito inscrever, num armazém de memórias com pretensão a diário, a forma como as acontecências quotidianas me vão marcando. Recuperei de 1 de Dezembro passado, esta pérola de fervor patriótico.
“O governo de Passos Coelho, tocado pela centelha nacional-socialista, de obediência cega à führer Merkel, proclama a dignidade do trabalho e institui o Arbeit macht freicomo supremo desígnio da nação. Segundo os heroicos patriotas do PC e Bloco, Passos alienou a lusa pátria ao imperialismo teutónico e, no sentido de combater a preguiça congénita dos portugueses, reduziu-lhes os feriados nacionais.
Pôr o país a trabalhar mais está bem; anular-lhe a história, isso é que não. O 1º de Dezembro é intocável. Viva a monarquia, abaixo o rei. Hoje, que se comemora a restauração da independência e a morte dos que se venderam a Espanha.
Que lógica assiste a esta proclamação paradoxal? Porquê uma monarquia sem rei? Esperem que eu explico esta minha serôdia aderência a um projeto pró-monarquia. Os que me conhecem como indefetível republicano tenderão a classificar-me como louco ou traidor. E, para traidor, só a solução que os conjurados utilizarem com o Miguel de Vasconcelos – lançamento do alto das ameias da liberdade. Perguntarão alguns:
- Quais as vantagens da restauração da monarquia?
- A melhoria da competitividade empresarial que nos permitisse ombrear com as maiores potências económicas do mundo? A resposta é não.
- A atenuação dos impostos usurários que tendem a reduzir a classe média a um novo lumpemproletariado? Também não.
- A erradicação do nepotismo que vinga na classe política e que é causa de favorecimentos vários que optam pelo amiguismo em detrimento da competência? Não, outra vez.
- A criação de um escol de políticos com elevada dimensão patriótica, com vida social e profissional relevantes e que entrem na política com espírito de missão? Mais uma vez, não.
- A criação de uma escola que respeite os valores que sedimentaram, para o bem e para o mal, a idiossincrasia que a história nos inculcou? Redondamente, não.
- A promoção de um sistema universal de saúde que não permita que nenhum cidadão, legal ou ilegal, preto ou amarelo, rico ou pobre, novo ou velho, fique sem os cuidados de saúde quando deles necessite? Outra vez, não.
- A responsabilização da família na formação dos filhos que evite que a escola se torne num gueto de irresponsabilidade que amedronte professores e funcionários? Não, também aqui.
- A procura de finanças públicas justas que coloquem o Estado ao serviço do cidadão, evitando todos os desperdícios, e que, adequados investimentos públicos e privados, concorram para a melhoria da saúde económica do país? Também isso, não.
Então por que carga de água quererás tu a monarquia?, perguntariam os meus interlocutores já desnorteados.
- Por causa da bandeira. Sim, vocês já viram como a bandeira monárquica é linda. Uma bandeira azul e branca que nos extasia os olhos e aquece a alma. O símbolo central realça a conjugação de duas cores tão perfeitas. Instaurando a monarquia, o azul e branco constituir-se-iam como as cores da nação. Depois, fazia-se outra revolução e mandava-se o rei para o exílio, ali para os arrabaldes sul de Vila Franca de Xira e recuperava-se a República sem as cores cruentas e sanguinárias que caracterizam a bandeira republicana. Verde e vermelho, não podem dar uma bandeira estética e eticamente aceitável.
A monarquia é a solução transitória para Portugal se tornar num país eticamente saudável e esteticamente admirável. Uma república com bandeira azul e branca realiza a utopia da perfeição. Tenhamos coragem de a implantar.

[ José Augusto Rodrigues Dos Santos/Porto24]

Nota de RoP:
Como terão reparado, o artigo não é de agora. Inseri-o, não por ser apologista da monarquia (tal como o autor), mas por partilhar com ele o gosto pela bandeira monárquica, bem mais bonita e elegante que a da República, que acho de um mau gosto inominável.