05 março, 2010
04 março, 2010
Empresariado "generoso"
Se há coisa da qual o empresariado português não se pode orgulhar [e nestes casos o orgulho até justificaria o inchaço], é de ter por hábito melhorar substancialmente as condições salariais dos seus colaboradores mais básicos sempre que alcançam bons lucros.
Digo isto porque, vem hoje noticiado que a Jerónimo Martins, do grupo Pingo Doce/Recheio, atingiu um valor de lucros superior a 200 milhões euros e decidiu distribuir pelos seus 20 mil empregados um prémio de 250,00 euros! Fantástico, dirão os mais vulneráveis com este tipo de compensações. Acontece, que não é assim que se premeia com efeitos duradoiros aqueles que contribuem para o sucesso dos lucros de uma empresa. É melhorando-lhes o vencimento de forma racional mas expressiva.
Um prémio de 250,00, são cinquenta contos em moeda antiga que hoje para pouco servem. É melhor do que nada? É, sem dúvida. Mas, esse é o mal de que enferma a maioria dos empresários portugueses que vêem nos aumentos salariais o maior problema da sua gestão. Estes prémios pontuais parecem-se mais com uma promoção encapotada da imagem do patronato e da empresa do que um real reconhecimento do mérito dos seus colaboradores. Além de mais, não é com estas esmolas que se promove a concorrência salarial entre empresas nem se contribui para a melhoria consistente da vida das pessoas.
Em Portugal é assim, quando alguém quer dar uma imagem de solidariedade, de bom patrão, espera que haja uma televisão por perto ou um jornalista acéfalo para o celebrizar. Depois, é só aguardar pelo respectivo retorno [lucros].
Parecer do Prof.Costa Andrade sobre a decisão da CD da Liga
Satisfazendo o sugerido por um comentador anónimo "voilá" o artigo de opinião no Público de hoje da autoria do reputado Prof. Costa Andrade. Para o ler, basta clicar sobre o título do post.
03 março, 2010
O nobre silêncio dos militares
Como militar que é, não se pode levar a mal que o General Loureiro dos Santos enfatize os resultados de um recente inquérito [ler no Público de hoje] que concluiu que os portugueses consideram as Forças Armadas como a instituição em que depositam mais confiança. Pelo contrário, compreende-se. Curiosamente, ainda há poucos dias comentei com uns amigos, incluindo alguns da blogosfera, que as Forças Armadas eram - até ver - as únicas instituições que se aproveitavam neste lodaçal português. Esta constatação apraz-me particularmente tendo em consideração várias pessoas da minha família que seguiram essa dura vida, muito em especial um avô paterno. Eu "degenerei"na vocação... No meu caso pessoal, a vida militar nunca me atraiu, talvez pelo meu excessivo apêgo à Liberdade ou pelo excessivo rigor da tropa, mas o certo é, que é pela falta dele que Portugal se parece cada vez mais com um pocilga.
O meu avô [e desculpem-me estar a familiarizar demais o post] era daqueles que levava ao espírito da letra a máxima de Bismark que achava que "os Homens não nasceram para ser felizes, mas para cumprirem com o seu dever". Este conceito de vida faz algum sentido na cabeça de um militar, mas é manifestamente austero para um civil, como é o meu caso e o da maioria das pessoas. Contudo, talvez não fosse mau para todos nós se levásse-mos à prática só um pedacinho da frase de Bismark. O país, podem ter a certeza, seria outro... A reputação dos alemães arrastará eternamente consigo o nome de Hitler* e as barbáries que cometeu com a Humanidade, mas não apaga o outro lado do carácter alemão que lhe tem colado o rigor. É do rigor alemão [e dos japoneses também] que nascem produtos altamente qualificados como os automóveis Audi, Mercedes e BMW [passe a publicidade]. O que é alemão, diz-se, é bom. E é bom porque é fabricado com rigor.
Daí que, talvez valha a pena reproduzir e comentar o último parágrafo do artigo do General Loureiro dos Santos, que diz assim:
«Finalmente, as elites actuais devem assumir uma atitude participativa. Intervindo e resistindo à confortável tentação de ficar à margem. Portugal não pode ser entregue aos profissionais da baixa política, aos oportunistas, aos maldizentes e aos incompetentes e incapazes, aos desonestos e àqueles para quem os valores humanos e patrióticos não têm sentido. Aos que invocam em vão os valores éticos, mas simplesmente os desprezam.»
Cem por cento de acordo, senhor General. Mas, deixe-me perguntar-lhe: onde estão essas elites? Como se definem? Qual é a sua imagem de marca? Para quem exactamente está V. Exa. a falar?
Alô?! Alô?! Cadê as nossas elites, que não respondem? Não deve estar a referir-se aos banqueiros, pois não, senhor General? Livr'ó Deus!
*Nunca é demais recordar que foram condições semelhantes às que temos hoje em Portugal [crise económica e financeira, desemprego, oportunismo político, corrupção, usura, bandalhice], que pariram o Hitler...
02 março, 2010
Um FCPorto "processado"
Como diz o Rui Farinas, é impossível a um portista ficar indiferente ao colapso da sua equipa no domingo passado em Alvalade, numa altura em que era proibido perder para se manter na corrida pela conquista do penta-campeonato. Tal como ele, não quero dar "bitaites" de cariz técnico-táctico, porque para isso existem os blogues temáticos de futebol onde cada um pode dar livremente o seu parecer de treinador de bancada. Também não quero fazer do caso uma desgraça porque não é possível ganhar sempre, embora estejamos mais habituados a ganhar quase sempre, do que de vez em quando...
Antes de continuar, quero abrir um preâmbulo para dizer que não há adeptos melhores do que outros. Salvo raras excepções, como as daqueles vândalos que assaltam estações de serviço ou que paranoicamente começam a assobiar a equipa, antes mesmo do jogos começarem, os adeptos portistas são os portuenses que mais se identificam com a cidade do Porto, que mais a defendem e que mais sofrem com as vilanezas despóticas que o centralismo lhe inflinge.
Agora, retomando o tema inicial, é chegado o momento de chamar os bois pelo nome e de, independentemente do que possa estar reservado ao futuro próximo do FCPorto, talvez importe explicar porque é que a maioria dos adeptos não aprecia, como seria suposto, o treinador Jesualdo Ferreira.
A explicação não pode ter uma precisão matemática, mas a verdade é que sem pretender beliscar o balanço do trabalho do técnico portista, a qualidade/beleza do seu futebol deixa muito a desejar. Suponho não estar muito enganado se disser que o que os portistas mais apreciaram em JFerreira foi os resultados. Três campeonatos seguidos não é para qualquer um, e JFerreira soube conquistá-los. Esse é um mérito que é injusto negar-lhe. Agora, esse mérito não significa que seja traduzível em espectáculo, porque afirmá-lo é igualmente incorrecto. A velha treta da "ópera" não pega, porque o futebol não sendo ópera tem de ser também um espectáculo. Só o espectáculo justifica o balúrdio de massa que os grandes clubes pagam aos seus jogadores e as fortunas que fazem com a venda dos seus passes.
Nem sempre se pode jogar bem, é verdade, mas falemos claro, não é exactamente isso que os portistas querem de JF. Querem sim - e é natural que o queiram -, que faça a equipa jogar bem com mais regularidade e que as nossas expectativas não estejam sujeitas a constantes intermitências de confiança. Falta isso, a Jesualdo, como falta a capacidade de empolgar os jogadores nos momentos chave. O jogo com o Braga foi um pico em alta, como o do Sporting para a Taça, mas o de Alvalade levou-a outra vez ao fundo.
Não é compreensível este comportamento num clube habituado a competir sempre para vencer, nem é expectável que a equipa esteja devidamente preparada para enfrentar os restantes desafios que ainda tem pela frente, como sejam: Liga dos Campeões Europeus, a Taça de Portugal e a Taça da Liga.
Como não sou advinho, quero admitir que o pessimismo das minhas perspectivas possa ser contrariado, e seria desejável que o fosse. Mas, esta época, há um factor novo com o qual JFerreira não pode contar, que tem a ver com a concorrência. Este ano, o Braga e o Benfica estão mais fortes. Se juntarmos os factores "colo" e "túnel" ao concorrente da capital, a tarefa de Jesualdo sobe na escala das dificuldades.
Para combater tanta adversidade, só um homem com grande carisma e espírito combativo podia fazer a diferença, e é aí [desculpem-me os indefectíveis amigos de JF] que eu creio que está o grande problema. Jesualdo, não tem culpa, é assim mesmo, mas está longe de ser um líder empolgante, mobilizador. Vence, mas não convence.
01 março, 2010
E agora?
Peço licença para ser mais um a mandar uns bitaites a propósito do desastre em Alvalade e do consequente final da ilusão do título deste ano, mas realmente é impossivel um portista ficar calado nestas circunstâncias.
Este desastre era previsivel, e para que não se diga que estou a fazer " prognósticos depois do jogo", lembro um texto que fiz neste blogue há já muitos meses (e que aliás me valeu uma série de comentários críticos ) em que pretendia focar uma série de aspectos que na altura considerava (e continuo a considerar ) como pontos negativos na gestão do nosso clube.
Neste momento, recriminações ou "caça às bruxas", serão prejudiciais na medida em que o importante é que se tirem ensinamentos dos erros que indiscutivelmente foram cometidos pela SAD. E se menciono apenas a SAD é porque penso que ela é a responsável final por tudo o que se passa num clube, desde a escolha e a continuidade do treinador até ao capacho da porta da entrada (como dizia um antigo patrão meu ) passando por todos os aspectos da complexa estrutura de um clube de topo. A questão-chave neste momento é saber se a actual SAD tem a capacidade de auto-crítica e o discernimento e humildade suficientes para aceitar que vários erros foram cometidos e que portanto haverá que reformular em conformidade a estratégia operacional. É evidente que não tenho a mais pequena pista para responder a esta questão, e penso mesmo que pouca gente terá, mas certamente todos temos a esperança que as necessárias correcções de rumo (e, se necessário, de parte da tripulação... ) serão as adequadas. Suponho também que ninguem terá dúvidas que é importante que o fracasso deste ano não seja mais que um tropeção num percurso brilhante, e que obrigatoriamente retomaremos o ciclo vitorioso a que nos habituamos. Este é um imperatrivo que não transcende apenas os sócios e simpatizantes do FCP, pois é um elemento importante na afirmação da cidade do Porto e até do Norte. Sabemos que não podemos ganhar sempre, mas também não estamos dispostos a perder muitas vezes.
Todos estamos cientes de que a época ainda não terminou, e que poderemos ainda ter alegrias que venham a atenuar a tristeza do campeonato perdido, e também da quase certa "falta de comparência" à próxima Champions. A irregularidade exibicional da equipa, em que os momentos negativos são superiores aos positivos, não aconselha grandes optimismos, mas nunca se sabe...
A provável ausência da Champions cria um quadro financeiro bem diferente dos últimos anos, impondo a adaptação a um orçamento bem mais magro. Talvez venha a ser bom, na medida em que o clube se habituou a uma aparente vida faustosa ( à escala portuguesa ) e agora vai ser obrigado a contar os tostões. Pode ser que assim volte a adquirir o sentido do valor do dinheiro.
Este desastre era previsivel, e para que não se diga que estou a fazer " prognósticos depois do jogo", lembro um texto que fiz neste blogue há já muitos meses (e que aliás me valeu uma série de comentários críticos ) em que pretendia focar uma série de aspectos que na altura considerava (e continuo a considerar ) como pontos negativos na gestão do nosso clube.
Neste momento, recriminações ou "caça às bruxas", serão prejudiciais na medida em que o importante é que se tirem ensinamentos dos erros que indiscutivelmente foram cometidos pela SAD. E se menciono apenas a SAD é porque penso que ela é a responsável final por tudo o que se passa num clube, desde a escolha e a continuidade do treinador até ao capacho da porta da entrada (como dizia um antigo patrão meu ) passando por todos os aspectos da complexa estrutura de um clube de topo. A questão-chave neste momento é saber se a actual SAD tem a capacidade de auto-crítica e o discernimento e humildade suficientes para aceitar que vários erros foram cometidos e que portanto haverá que reformular em conformidade a estratégia operacional. É evidente que não tenho a mais pequena pista para responder a esta questão, e penso mesmo que pouca gente terá, mas certamente todos temos a esperança que as necessárias correcções de rumo (e, se necessário, de parte da tripulação... ) serão as adequadas. Suponho também que ninguem terá dúvidas que é importante que o fracasso deste ano não seja mais que um tropeção num percurso brilhante, e que obrigatoriamente retomaremos o ciclo vitorioso a que nos habituamos. Este é um imperatrivo que não transcende apenas os sócios e simpatizantes do FCP, pois é um elemento importante na afirmação da cidade do Porto e até do Norte. Sabemos que não podemos ganhar sempre, mas também não estamos dispostos a perder muitas vezes.
Todos estamos cientes de que a época ainda não terminou, e que poderemos ainda ter alegrias que venham a atenuar a tristeza do campeonato perdido, e também da quase certa "falta de comparência" à próxima Champions. A irregularidade exibicional da equipa, em que os momentos negativos são superiores aos positivos, não aconselha grandes optimismos, mas nunca se sabe...
A provável ausência da Champions cria um quadro financeiro bem diferente dos últimos anos, impondo a adaptação a um orçamento bem mais magro. Talvez venha a ser bom, na medida em que o clube se habituou a uma aparente vida faustosa ( à escala portuguesa ) e agora vai ser obrigado a contar os tostões. Pode ser que assim volte a adquirir o sentido do valor do dinheiro.
Não haverá mesmo nada para inventar para o bem estar da Humanidade?
Continuar a falar da esquerda política vinte e um anos após a queda do Muro de Berlim [Berline Mauer] e do regime comunista que a idealizou, parece-me completamente despropositado. O socialismo, quer se goste ou não, foi corporizado pelos partidos comunistas de todo o Mundo que acabaram por se constituir na principal referência que definiu a esquerda.Foi a partir dessa referência «padrão» que surgiram todas as outras esquerdas que entretanto se fundiram e confundiram com extremismos de esquerda e de direita, que o eleitorado nunca levou muito a sério. Até hoje.
Com o andar do tempo, à esquerda do comunismo ortodoxo, foi-se implantando outra esquerda, mais soft, mais simpática e humanizante, escondida atrás de um socialismo cheio de ambiguidades que o tempo se encarregou de desmascarar apesar de hoje ainda sobreviverem [dificilmente] um pouco por toda a Europa.
Já poucos acreditam no comunismo. Começando pelos próprios comunistas que perceberam a tempo que a sua sobrevivência a nível político-partidário dependeria do reconhecimento de um papel secundário no cenário dos partidos nacionais, que pouco mais podia ser do que um partido de protesto. Há, contudo, um vazio ideológico que continua por ocupar esse espaço perdido pelos comunistas que tem sido desperdiçado por todos os partidos políticos. Não há um único com ideias novas!
Não será dramática esta pobreza ideológica. O que é verdadeiramente dramático, é que esse vazio ideológico, económica e socialmente falando, permaneça respaldado num conceito de vivência ambíguo prisioneiro da palavra Democracia. A Democracia é muito mais que uma palavra, é verdade, porque teoricamente nos "garante" a liberdade de expressão e opinião, mas não é de per si um regime estruturalmente sólido, no que concerne a gradual melhoria da qualidade de vida das populações. Há quem interprete esta lacuna organizacional como a maior virtude da Democracia que deixa a cada cidadão a liberdade de construir os alicerces do seu próprio futuro e assim contribuir para o futuro do país. Pessoalmente, considero esta teoria demagógica e um pouco pretensiosa. Em cada homem há uma forma diferente de ver a vida, mas todos têm o mesmo direito de a disfrutar, importando para tal que se criem condições consensuais.
As tristes figuras que os políticos continuam a fazer nas barbas do Povo não auguram nada encorajador para o futuro próximo. Os Governos não governam e as oposições limitam-se a opôr-se, sem ideias nem convicções. Discutem os mexericos, conspiram e regressam a suas casas convencidos de terem prestado um alto serviço ao país. Aquele é o seu emprego. Sólido e com estatuto. A ambição "política" está longe de abraçar as grandes causas.
Mantenho por isso a convicção de que a Democracia não pode ser a derradeira estação a partir da qual as sociedades se podem reorganizar. Tal como está, com regras incumpridas e valores subvertidos, a Democracia vai-se assemelhando a uma espécie de anarquia fétiche onde cada um só não faz o que lhe dá na gana porque ainda há uma «autoridade» policial disponível para intervir caso o património dos mais poderosos seja ameaçado. A Democracia não pode continuar a servir de escudo para os que mais abusam dela. Se continuarmos a tolerar o constante estado de embriaguez política e governativa com o álibi chantagista de fazer perigar o regime democrático se o contestarmos estaremos com isso a contribuir para a sua própria degradação.
A Democracia pode até ser o pior dos regimes à excepção de todos os outros, mas também, temos de o admitir, porque salta aos olhos, pode não ser o melhor...
Se tivéssemos do progresso tecnológico o mesmo olhar conservador que revelamos com o progresso social, hoje os computadores continuariam a ser aqueles armários monstruosos e lentos dos anos 80, ou nem sequer teríamos computadores. Se a tecnologia avança, não existe nenhuma razão para não avançar uma nova ordem mundial. Se esta mudança não acontece há uma única explicação para isso: a ganância capitalista.
28 fevereiro, 2010
Para que servem os deputados?
No blogue Reflexão Portista pode ler-se um interessante artigo publicado por José Correia (que suponho ter sido também o autor) intitulado "Gallaecia, centralismo e desporto" e cuja leitura recomendo.
A certa altura do texto, pergunta para que servem os deputados do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança. O autor sabe a resposta. Não servem para nada, ou para muito pouco. Por imperativo da Constituição, "um deputado representa todo o país e não o círculo pelo qual foi eleito", e por isso mesmo já aqui defendi, meio a sério meio a brincar, que uma grande economia seria conseguida se apenas existisse um representante por cada partido, dado que, por um lado estão impedidos de defender os seus eleitores a nivel regional, e por outro lado a nivel nacional são normalmente obrigados a votar conforme o seu partido decide. Assim sendo, apetece perguntar qual é então a sua utilidade.
Claro que acredito que os deputados devem ser a base da democracia, mas não nos moldes actuais em que pouco mais são do que fantoches nas mãos dos partidos, e certamente que o número actual de 230 deputados poderia ser drasticamente diminuído, até na óptica do indispensável emagrecimento da despesa pública. A fantochada começa logo na escolha dos nomes dos candidatos distritais, frequentemente sem ligação alguma aos distritos para o qual são propostos. Esta "irresponsabilização" é aliás uma das armas do centralismo político em que vivemos. O antídoto seria a existência de círculos uni-nominais. Há alguns anos foi feito um estudo oficial sobre a sua implementação, que teve uma discução discreta, quase clandestina, e seguidamente, como seria de esperar, as forças centralistas varreram-no para debaixo do tapete, onde ainda hoje se encontra. Alguém ouviu mais falar de círculos uni-nominais?
A certa altura do texto, pergunta para que servem os deputados do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança. O autor sabe a resposta. Não servem para nada, ou para muito pouco. Por imperativo da Constituição, "um deputado representa todo o país e não o círculo pelo qual foi eleito", e por isso mesmo já aqui defendi, meio a sério meio a brincar, que uma grande economia seria conseguida se apenas existisse um representante por cada partido, dado que, por um lado estão impedidos de defender os seus eleitores a nivel regional, e por outro lado a nivel nacional são normalmente obrigados a votar conforme o seu partido decide. Assim sendo, apetece perguntar qual é então a sua utilidade.
Claro que acredito que os deputados devem ser a base da democracia, mas não nos moldes actuais em que pouco mais são do que fantoches nas mãos dos partidos, e certamente que o número actual de 230 deputados poderia ser drasticamente diminuído, até na óptica do indispensável emagrecimento da despesa pública. A fantochada começa logo na escolha dos nomes dos candidatos distritais, frequentemente sem ligação alguma aos distritos para o qual são propostos. Esta "irresponsabilização" é aliás uma das armas do centralismo político em que vivemos. O antídoto seria a existência de círculos uni-nominais. Há alguns anos foi feito um estudo oficial sobre a sua implementação, que teve uma discução discreta, quase clandestina, e seguidamente, como seria de esperar, as forças centralistas varreram-no para debaixo do tapete, onde ainda hoje se encontra. Alguém ouviu mais falar de círculos uni-nominais?
Informação
Caros leitores e amigos,
Provavelmente repararam que nestes últimos dias não tenho postado com a regularidade habitual. Não estranhem.
Acontece que tenho tido alguns problemas com o meu servidor que estou a tratar de resolver. A todos, as minhas desculpas. Espero voltar à "normalidade" dentro de pouco tempo.
Entretanto, um óptimo fim de semana.
25 fevereiro, 2010
A ética de José Leite Pereira
Ainda há pouco, pudemos ouvir na comissão de inquérito para o caso Face Oculta, o director do Jornal de Notícias alegar enfaticamente questões de ética para não publicar o artigo de Mário Crespo, supostamente por sair do âmbito de uma simples crónica, e por esta se poder confundir com uma notícia sem direito a contraditório.
Passados poucos dias, num momento em que o FCPorto se aproxima dos primeiros classificados do campeonato e nas vésperas de um jogo importante com o Sporting, como que por milagre, lá vem outra vez à liça o nome de Pinto da Costa e do FCPorto em grandes parangonas nas primeiras páginas do jornal que já foi do Norte! Simples coincidência, dirão os eternos distraídos... Não, já não dá para acreditar meus amigos. Isto mais não é que uma outra manobra de diversão para desestabilizar o FCPorto. Mais. Tudo aponta para o chamado dois em um , ou seja, uma maneira de afastar a atenção do povo das grossas poucas vergonhas que invadiram a vida do 1º. Ministro e de alguns membros do Governo e, ao mesmo tempo, dar um pouco mais de «colo» ao clube salazarista.
Só porque um empresário [Luciano D'Oonófrio] está a ser investigado pela PJ e porque este negociou a venda de alguns jogadores do FCPorto, o director do JN considerou eticamente correcta a colação do caso ao nosso clube e ao respectivo Presidente... Fantástica prova de coerência ética, esta, não acham?
"Polícia no Dragão por causa de Baía, Barros e Conceição", foi este o título da 2ª. página que o jornalista de serviço anti-FCPorto, de seu nome Nuno Miguel Maia considerou mais adequado às exigências éticas do seu chefe... Por acaso, sem qualquer 2ª. ou 3ª intenção, resolveu anexar à notícia a foto de Pinto da Costa, aproveitando para lembrar que o Presidente do FCP continuava a ser investigado por denúncia de Carolina Salgado... Não satisfeito, talvez porque é preciso dar palha aos burros [que, sem ofensa, devemos ser nós], resolveu juntar-lhe as fotos de Rui Barros, Victor Baía e Sérgio Conceição...
Insaciável ainda, o empenhado jornal «do Porto», ocupou a 14ª. página [de Polícia e Tribunais] com mais uma foto de Pinto da Costa e com estas parangonas: Rui Santos chama Rui Rio para o defender de Pinto da Costa.
Se alguém teria dúvidas sobre a noção de ética do Director do JN José Leite Pereira, elas ficaram irremediavelmente desfeitas. Ou ainda há dúvidas?
Meus senhores, enquanto este lambe-botas estiver à frente do Jornal de Notícias nunca mais o compro. E vocês, vão comprar?
23 fevereiro, 2010
Nojo!
São 23 horas e acabo de desligar a TV. A curiosidade da presença do prof. Marcelo no Trio de Ataque de hoje, levou-me a começar a ver o programa. O nojo causado pelos 40 minutos que ouvi é indizivel. Só num país como o nosso é que é possivel este tipo de espectáculo vergonhoso exibido por uma TV estatal. Ficou claramente provado que a mudança de pivot , com a presença do desavergonhado Carlos Daniel, teve como única finalidade servir de muleta ao Vasconcelos no seu apoio ao pavão vermelho. Carlos Daniel não foi um moderador, foi mais um apaixonado e enviesado interveniente na discussão dos casos dos tuneis e respectivos castigos da Liga. Permitiu-se interromper o Rui Moreira e o próprio convidado - prof. Marcelo - quando eles expunham teses que iam contra as suas convicções de benfiquista e anti-portista primário.
Num país decente e civilizado, a direcção da TV estatal em que isto ocorresse, suspenderia imediatamente o funcionário e instaurava-lhe um processo por falta de idoneidade moral e de isenção profissional. Mas estamos em Portugal, onde espectáculos deste jaez são mais uma manifestação do descalabro moral e ético da maioria dos organismos do Estado.
Num país decente e civilizado, a direcção da TV estatal em que isto ocorresse, suspenderia imediatamente o funcionário e instaurava-lhe um processo por falta de idoneidade moral e de isenção profissional. Mas estamos em Portugal, onde espectáculos deste jaez são mais uma manifestação do descalabro moral e ético da maioria dos organismos do Estado.
Perguntar ao bandido se é inocente
Deixo para os snobs gananciosos do burgo a patética ilusão de viverem num país positivo. Não há nada a fazer quando se confunde o país com o umbigo. A «pátria» dessa gente tem fronteiras bem delineadas: a conta bancária, um faustoso emprego, mais o confortável espaço das suas casas. A verdadeira pátria destes indivíduos resume-se praticamente a isto. Curiosamente, é a este género de pessoas a quem são encomendados pareceres sobre o estado da Nação. O "Prós e Contras" é só um dos paradigmas que atesta e prova o que acabo de afirmar. E todos - ou pelo menos grande parte de nós -permitem que lhes enfiem o «isco» pelas goelas abaixo, engolindo-o à força.
O futebol e as rivalidades que suscita é, para além do próprio espectáculo, um excelente veículo de observação de muitos paradoxos das sociedades actuais. Em Portugal, seguindo a tradição fadista de copiar o que de pior se faz no mundo, somos mesmo «bons»... Querem exemplos? Irei apresentá-los adiante, mas antes quero colocar-vos perante um quadro imaginário mais radical para perceberem o nível de aberrações que o conceito informativo da comunicação social está a atingir.
O quadro imaginário que vou exemplificar é um tanto grotesco, mas talvez por isso mesmo, ilucidativo. Então, é assim: imaginem uma quadrilha de ladrões ou assassinos mais ou menos grande, conhecidos naturalmente pelo exercício de práticas criminosas, começarem a aparecer em programas televisivos para debater a própria criminalidade para supostamente nos "explicarem" a forma de a combater... Estão a ver?
O que seria natural da nossa parte, era perguntarmos se o país, incluindo os seus insignes orgãos de Poder, não estaria completamente louco. Pois é... Mas, se em vez de ladrões, colocarmos políticos a falar de política, como será? E se nalguns debates futebolísticos, como por exemplo sucede na RTPN, tivermos dois comentadores, um do Benfica e outro sportinguista a dar pareceres sobre o FC Porto, será razoável esperar comentários isentos ou, minimamente democráticos? Não, pois não? Pois, mas é isso que acontece nas nossas barbas, num canal que, só por mera casualidade continua a fazer questão de nos lembrar que o N que tem no fim das 4 letras de identificação [RTPN] já não é - como foi - de Norte mas «apenas »de Notícias... E, se para cúmulo da paranóia colectiva, tivermos um fanático benfiquista como Presidente da Comissão Disciplinar da Liga de Futebol, o que dizer? Pois é, mas não vos estou a falar de realidade virtual, fálo-vos da realidade pura e dura.
Só falta descobrir como reagiremos nós, se um dia destes uma SIC qualquer nos impingir programas de suposto interesse público com pedófilos a «recomendarem-nos» métodos avançados para protecção de crianças...
Quem com o silêncio os "absolve" [aos pedófilos], também pode promovê-los.
22 fevereiro, 2010
Foi só uma ilusão
Na noite passada tive um sonho curioso que quero partilhar com os leitores deste blogue.
Um tsunami tinha atingido a costa portuguesa, mas tratava-se dum tsunami que os cientistas chamam de "selectivo". A gigantesca onda apenas colheu gente ligada ao futebol. Foi o Ricardo Costa, o Madail, o Herminio, o Vitor Pereira, o Vieira. Por razões inexplicaveis, apenas dois árbitros, o Paixão e o Baptista. Pseudo-jornalistas e paineleiros foram alguns, entre os quais o Serpa, o Guerra, o Delgado, o Marcelino e também, segundo constou, o Cervan e o Vasconcelos. Ignora-se o que aconteceu a todos eles, e as opiniões dividiam-se. Uns diziam que tinham ido para o fundo do mar, arrastados para baixo pelos enormes pesos que tinham nas suas consciências. Outros argumentavam que isso não era possivel pela simples razão de nenhum deles saber sequer o que é ter consciência. Inclinavam-se mais para a hipótese de terem sido arrastados para uns ilheus desertos no meio do Pacífico, onde tentavam sobreviver comendo peixe crú e bebendo água da chuva, recordando com imensa saudade os restaurantes de luxo onde se reuniam para estudar e pôr em prática as estratégias destinadas a que o clube do regime fosse sempre campeão nacional.
Os novos dirigentes do futebol profissional decidiram então que os principais jogos da primeira Liga seriam dirigidos por árbitros estrangeiros de reconhecido mérito. Os árbitros nacionais ensaiaram uma greve de protesto, mas vendo que não conseguiam nada, desistiram e voltaram a apitar. Erros continuaram a ocorrer, mas com a diferença que deixaram de beneficiar sempre o clube da capital que havia sido pré-designado como campeão.
Acordei com a sensação de respirar um ar mais saudável, menos pestilento, mas logo caí na realidade e me rendi à evidência de que se tinha tratado de um mero sonho e não duma verdadeira operação de desratização. Infelizmente.
21 fevereiro, 2010
19 fevereiro, 2010
Cano de esgôto é sinónimo de Portugal
Portugal é um esgôto a céu aberto. Políticos, juristas, magistrados e jornalistas estão no epicentro deste terramoto de lixo socio-económico, sendo os principais responsáveis pelo previsível aumento da injustiça social, da pobreza e do consequente progresso da criminalidade dos próximos tempos.
Pessoalmente, atingi o patamar máximo da minha tolerância. Não há mais gente decente com respeito pelos valores éticos. A que há, está em vias de extinção. Proliferam, isso sim, interesseiros e interesseiras facilmente vendáveis. É a pornografia social na sua expressão mais cínica.
Percebe-se assim, a dificuldade que alguns têm em lidar com questões de carácter e a irresistível necessidade de as contornarem..
Hoje, só me ocorre reafirmar isto. Estou enojado.
Assim mesmo, passem um bom fim de semana.
Também tu Brutus?
Fonte: http://www.publico.pt
«Rui Pedro Soares, administrador da PT que apresentou esta semana a sua demissão, terá ido a Milão em Junho do ano passado encontrar-se com Luís Figo com o objectivo de assinar um contrato de 250 mil euros por ano, na sequência do qual o futebolista apoiaria a recandidatura de José Sócrates, noticia hoje o semanário “Sol”.»
Ler mais aqui
«Rui Pedro Soares, administrador da PT que apresentou esta semana a sua demissão, terá ido a Milão em Junho do ano passado encontrar-se com Luís Figo com o objectivo de assinar um contrato de 250 mil euros por ano, na sequência do qual o futebolista apoiaria a recandidatura de José Sócrates, noticia hoje o semanário “Sol”.»
Ler mais aqui
17 fevereiro, 2010
Meritocracia, não é isto.
Se há coisa que me incomoda seriamente, é que alguém publicamente opine por mim sem o meu consentimento, e se há alguém que o faz frequentemente sem que os possa impedir, são os senhores jornalistas. A fasquia da arrogância desta classe está instalada tão alta, que nem se dá ao cuidado de pensar uns segundos nas atoardas patéticas que rabiscam nos jornais ou que deixam soltar pela bôca.
Seria importante que estes senhores, que tanto se empolgam com as ameaças à Liberdade se habituassem a explicar qual é a base científica das suas opiniões quando falam em nome dos portugueses. Vem isto a propósito de coisas como a que foi ilustrada no jornal Público de ontem e que reproduzi neste post, bem como comentários como o do Sr. Sócrates e de alguns políticos [até da oposição], que consideram um orgulho para os portugueses a eleição de Victor Constâncio para a vice-presidência do Banco Central Europeu. Ora, até prova em contrário consta do meu B.I. que a minha nacionalidade é portuguesa e contudo não sinto um pingo de orgulho nesta ocorrência. Tal como não senti nem sinto por Durão Barroso ter sido nomeado Presidente da Comissão Europeia.
É do conhecimento público que estas nomeações são puramente estratégicas e decididas por membros representantes dos países poderosos para atingirem objectivos realmente importantes, como é o caso da Alemanha que perspectiva um alemão para a Presidência do BCEuropeu. Técnica e teoricamente, Victor Constâncio, como outros candidatos à vice presidência do BCE reunirão as condições básicas para o cargo, mas o facto da escolha incidir sobre o português, como incidiu sobre Durão Barroso para a UE, expressa mais uma garantia de obediência fiel às directrizes traçadas pelos países mais fortes [que são quem efectivamente manda] do que um voto de confiança na independência executiva do eleito. Por isso, só patriotas de inspiração scolariana é que se podem regozijar com estas patriotices.
Não é aceitável que um jornalista se arrogue ao direito de retirar conclusões pessoais como se fossem opiniões de todos os portugueses. Pela minha parte, e contrariamente ao escrito pelo Público, esta nomeação não só não acaba com as vagas de críticas que foram justamente dirigidas a Victor Constâncio, como fragiliza a confiança dos portugueses nos critérios selectivos e de competências da União Europeia. Uma das principais funções de Victor Constâncio enquanto Governador do Banco de Portugal era supervisionar o sistema bancário nacional, função essa completamente falhada pela não detecção atempada dos escândalos do BPN e BPP . Assim sendo, das duas uma. Ou a União Europeia anda a leste do que se passa na Banca Nacional, ou tem conhecimento, e prefere fechar os olhos à negligência do Governador do BP para melhor o "controlar"... Não me parece pois, que se forem estes os critérios de avaliação da UE haja motivos respeitáveis para nos sentirmos orgulhosos.
Orgulhoso e pofundamente feliz deve estar Victor Constâncio. Trezentos e tal mil euros por ano de vencimento, extra mordomias, são razões quanto baste...
16 fevereiro, 2010
Isto basta para que o "engenheiro" domingueiro e os seus lacaios do Porto mereçam ser escorraçados de vez
«Desvio de dinheiro está a tornar-se intolerável, considera gestor do programa regional do Norte.
Ao fim do primeiro ano de aplicação do QREN, Lisboa captou fundos comunitários ao abrigo do regime do chamado "efeito difusor" no valor de 193 milhões de euros, dos quais 148 serão contabilizados como se tivessem sido investidos no Norte, Centro e Alentejo.
Além disso, e já que os fundos só cobrem parte do investimento, o Orçamento de Estado é chamado a cobrir a parte restante. De acordo com o Observatório do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), o valor total do investimento propiciado pelo uso do "efeito difusor" ascende a 418 milhões de euros.
Este efeito, também chamado de "spill over", foi negociado entre o primeiro Governo de José Sócrates e a Comissão Europeia e diz que uma parte dos fundos comunitários dados pela União especificamente para desenvolver as três regiões mais pobres do país - Norte, Centro e Sul - pode ser aplicada em Lisboa, sob o argumento de que certos investimentos lá realizados têm efeitos benéficos sobre o resto do país. Em causa estão, sobretudo, gastos com a modernização da Administração Pública.»
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1495301
Ao fim do primeiro ano de aplicação do QREN, Lisboa captou fundos comunitários ao abrigo do regime do chamado "efeito difusor" no valor de 193 milhões de euros, dos quais 148 serão contabilizados como se tivessem sido investidos no Norte, Centro e Alentejo.
Além disso, e já que os fundos só cobrem parte do investimento, o Orçamento de Estado é chamado a cobrir a parte restante. De acordo com o Observatório do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), o valor total do investimento propiciado pelo uso do "efeito difusor" ascende a 418 milhões de euros.
Este efeito, também chamado de "spill over", foi negociado entre o primeiro Governo de José Sócrates e a Comissão Europeia e diz que uma parte dos fundos comunitários dados pela União especificamente para desenvolver as três regiões mais pobres do país - Norte, Centro e Sul - pode ser aplicada em Lisboa, sob o argumento de que certos investimentos lá realizados têm efeitos benéficos sobre o resto do país. Em causa estão, sobretudo, gastos com a modernização da Administração Pública.»
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1495301
15 fevereiro, 2010
Uma tristeza!
Os jogos políticos que decorrem na capital deixam-me normalmente indiferente, pois tenho a sensação que se trata de eventos que se passam num qualquer pais estrangeiro que não me diz respeito. Esta é uma das consequências do centralismo selvagem vigente em Portugal: a perda de identidade nacional que atinge cada vez mais pessoas.
Este caso da liderança do PSD, no entanto, constitue uma das excepções na medida em que se antevêem fortes probabilidades de o seu futuro lider ser primeiro-ministro dentro de um prazo não muito alargado e, quer queiramos quer não, a população "extra Lisboa" está ligada - para o bem e para o mal - aquilo que se passar na capital.
Ainda não se conhecem os programas dos três candidatos, mas conhecem-se declarações, e há um ponto em que - previsivelmente! - eles coincidem. São todos anti-regionalização! Sim, porque um candidato que diz "eu sou pela regionalização, mas agora não", é anti, e além de anti é desonesto porque tenta disfarçar as suas verdadeiras convicções.
Aguiar Branco entende que nas prioridades para o Norte está a luta contra o desemprego e a retoma de confiança do sector empresarial, e que a regionalizão só deve ocorrer depois de terminada a crise económica. Penso eu, e pensa muita gente, que as regiões não agravarão a crise, antes pelo contrário, que a existência de Regiões contribuirá para reforçar aquela luta. Acresce que adiar as Regiões "até ao fim da crise" é atirá-las para o dia de São Nunca!
Conclusão: Aguiar Branco é anti-regiões!
Paulo Rangel pensa que em situação de crise, o que é preciso é centralismo.
Conclusão: Paulo Rangel é anti-regiões.
Passos Coelho entende que avançar agora com as regiões é "um risco demasiado elevado" , logo a regionalização terá de ser adiada.
Conclusão: Passos Coelho é anti-regiões.
E assim se confirma a minha tese de que não haverá regionalização porque os detentores do Poder a recusam, sejam quais forem os subterfúgios invocados. O presente Sistema não é auto-reformável, está mais do que provado. Será possivel fazer a reforma a partir do exterior? Como e por quem?
Efeito spill over? Não! Prefiro o efeito Texas
Conhecendo como conhecemos, a eficiência da Justiça em Portugal, será recomendável tratarmos de arranjar uns sofás bem confortáveis para evitarmos ter de aditar à crise graves problemas cárdio-vasculares, tão longa se adivinha a espera... É que, a dinâmica Junta Metroplolitana do Porto "já" formalizou as respectivas sete acções judiciais junto do Trinunal Administrativo e Fiscal do Porto pelo desvio de verbas destinadas às regiões mais pobres do país para a imperial Lisboa. A esta queixa, a Junta anexou outra endereçada à Comissão Europeia em Outubro de 2008! É caso para dizer que a Europa já não é o que era e que a União Europeia se deixou contaminar pelos hábitos laxistas dos portugueses.
Como refere hoje o JN, Lisboa parece querer copiar a impunidade criminal do Benfica, com uns túneis e umas comissões disciplinares da Liga a estabelecer a diferença entre os métodos de produção da burla. O Governo de Sócrates não desvia câmaras de vigilãncia, mas desvia fundos europeus. Segundo a mesma fonte, Lisboa em apenas um ano já absorveu 193 milhões de euros, 148 dos quais contabilizados como se tivessem sido destinados ao Norte... Tudo isto é justificado por duas "milagrosas" palavras: efeito difusor, ou se preferirem a versão anglo saxónica, o efeito spill over. Este efeito spill over é, de facto uma grande medida da União Europeia, porque ninguém melhor do que nós nortenhos sabe quanta influência tem produzido no desenvolvimento da nossa Região: está cada vez mais pobre. O que essa treta do spill over pretende objectivar é [para quem ainda não saiba], em poucas palavras, que as verbas aplicadas em Lisboa terão também reflexos positivos nas outras regiões do país. Nada mais falso e contrário à realidade dos factos.
Mas, que Lisboa está cada vez mais colonizadora e arrogante já nós sabemos, é coisa antiga. Agora, o que é preocupante é constatarmos que a União Europeia não controla devidamente, não só a aplicação desses fundos, como os resultados em termos de desenvolvimento regional, do dito efeito difusor. Descrer em Portugal já todos descremos. Se deixarmos de acreditar na bondade de pertencermos à União Europeia, iremos se calhar regressar aos tempos e às modas do vêlhoTexas para resolvermos os nossos problemas. À Lei da bala! Quem sacar do coldre mais rápido o revólver, será o manda-chuva da terra e quem sabe, talvez até sheriff... É que, os indícios mais recentes do efeito difusor que temos para apresentar são a sucção das corridas Red Bull para Lisboa, como também a recusa do acesso às corridas de fórmula 1 do pilôto portuense Álvaro Parente pela Turismo "de Portugal". Até ver, não temos melhores indícios do tal efeito spill over...
É por paradigmas destes que acabo por ver nos ataques unanimistas a Alberto João Jardim a mais profunda e sectária hipocrisia. Gostava de ver esses ataques dirigidos ao Governo central de Lisboa que nos tem sugado até ao tutano, tanto nos noticiários da televisão, como nas primeiras páginas dos jornais. E é pela mesma razão, que acabo por ter muito mais consideração pelo Presidente da Junta Autónoma da Madeira do que por esta garotada instalada no Poder na capital.
14 fevereiro, 2010
Escutas de última hora
Hoje, no caro restaurante Caviar Rico em Lisboa, alguém da minha confiança* gravou esta conversa entre o Presidente da Comixão Indisciplinada Da Liga, Ripardo Go$ta, e o Presidente Ovelhas, do Scorta Fisboa e Malfica:
-Então que tal amigo? Gostou do meu servicinho de ontem?
-És muito vaidoso Go$ta. Quem fez o trabalhinho sujo foi o Jáocinto no Caixão, não fostes tu! Tu só sabes mandar, e mal.
-Mal, Pesidente Fodite Vigueira? Então não invalidámos mais dois penalties limpos e descarados a favor do FCP e não permitimos o anti-jogo ao Leixões?
-Dizes bem, dois penalties descarados, tão descarados que é difícil manipulá-los. Quando fôr assim, tens de dizer ao Jáocinto no Caixão para se pôr a apertar os cordões das botas, ou a tirar catotas do nariz. Agora, invalidar penalties mesmo a dois metros da bola é muito arriscado...
-O Pesidente disse Jáocinto no Caixão, mas ele não se chama assim, que eu saiba
-Pois é, seu incompetente, o gajo rouba tão mal que qualquer dia alguém lhe tira a tosse, topas?
-Ah, sim, o melhor é dar-lhe mais umas aulinhas de teatro. O gajo rouba muito, mas mal. Agora o que interessa, é que lá conseguimos surripar mais 2 pontitos aos andrades...
-Outra coisa Ripardo, para disfarçar, não será melhor decidires depressa essa coisa do castigo ao Hulk. Já lá vão 13 jornadas sem jogar e tu ainda não arranjáste nenhuma falcatrua legal de jeito para explicar o castigo. As imagens do túnel não prestam. Olha, qualquer dia a bomba rebenta-nos nas mãos. Se isso acontecer, já sabes, dou com a língua nos dentes e conto a toda a gente o biltre que tu és.
-Bem, o senhor Pesidente também não é coca que se cheire, não é...
-O que é que disseste imbecil? Repete lá isso, repete.
-Eu queria dizer, flor, senhor Pesidente, flor de coca-cola, não sei se conhece... Umas, que se dão muito bem em solos peneumáticos...
-Estou-te a estranhar, cheira-me a bufo, mas não te iludas se pensas enganar-me. Já vistes os meus capangas, já menino? Arma-te em esperto e mando o Jarrão Cuvelho ou Pêdo Váconsêlos, fazer um filme com o nome «Eu, Ripardo Go$ta». Ou pior. Obrigo-te a passares uma noite inteira com a Leomor Pinão para aprenderes a ser homem.
-Pronto, pronto Pesidente. Prometo que me vou aplicar mais. Nós temos realmente que parecer pessoas sérias e isso não é fácil se continuarmos a roubar desta maneira. Vou já tratar de abrir uma escola de teatro para árbitros. Vai chamar-se: Árbitro bom, só árbitro lampião! Que tal, gosta do nome?
PS-Por motivos técnicos [a cassete acabou], não foi possível transcrever o resto da conversa, mas dá para entender que algo de promíscuo deve existir entre o Pesidente da Comixão Disciplinar da Liga e o SR. Ovêlhas do Malfica.
*De momento não estou a pensar escrever um livro, seguindo a exemplar inspiração de Mário Crespo.
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