22 abril, 2010

Iniciativas regionais com benefícios internacionais, em Aragão

O Governo de Aragão é o principal impulsionador de um projecto que prevê aproximar a Península Ibérica do resto da Europa através de um túnel ferroviário de 40 quilómetros debaixo dos Pirenéus, precisamente na zona onde eles são mais altos.
Para isso, foi criada a Fundación Transpirenaica, da qual fazem parte o Governo regional e 19 parceiros entre associações empresariais e comerciais e as duas principais centrais sindicais espanholas (Comissiones Obreras e UGT).

A justificação para este investimento radica na constatação de que a travessia daquela cordilheira está congestionada porque só pode ser feita pelas suas extremidades mediterrânica e atlântica. Segundo os dados mais recentes, mais de 20 mil camiões cruzavam diariamente a fronteira hispano-francesa, o que dá uma média de sete veículos pesados por minuto em Irún e La Junquera. E quem já viajou pela auto-estrada que liga San Sebastian a Irún e Bordéus depara-se com um muro contínuo de camiões.

Quanto ao caminho-de-ferro, só 4,5 por cento das mercadorias que cruzam a fronteira entre Espanha e França são transportadas por comboio (entre Portugal e Espanha essa percentagem é de quatro por cento). Pela fronteira de Irún-Hendaya passam todos os anos, sobre carris, 1,9 milhões de toneladas de mercadorias e por Cerbére-Port Bou 2,5 milhões. Em ambos os lados, as infra-estruturas estão congestionadas e também não é de esperar que a linha de alta velocidade em construção entre Barcelona e a fronteira francesa venha resolver o problema, uma vez que se destina essencialmente ao tráfego de passageiros e não de mercadorias.

Natalia Blásquez, directora da Fundación Transpirenaica, diz que para evitar o colapso a solução passa por um corredor ferroviário de grande capacidade no qual possam transitar entre 40 e 50 milhões de toneladas anuais, aproveitando os nós logísticos de Saragoça, Madrid, Toulouse, Bordéus e o Levante espanhol. Mais: tal projecto seria decisivo para se poder escoar para o resto da Europa os tráfegos provenientes dos portos de Sines, Lisboa e Algeciras.

Para já, a Comissão Europeia escolheu-o como um dos 30 projectos prioritários declarados de interesse europeu, atribuindo-lhe o número 16 e chamando-lhe "corredor Sines/Algeciras-Madrid-Paris com Travessia Central dos Pirenéus de grande capacidade". Os estudos estão fixados em 10 milhões de euros, dos quais cinco milhões são financiados pela Comissão e o restante pelos estados espanhol e francês.

Natalia Blásquez diz que o próprio presidente Barroso e o comissário europeu dos Transportes, Jacques Barrot, expressaram publicamente o seu apoio a este projecto, que coincide com a estratégia ambiental de Sarkosy "que passa por favorecer os investimentos no transporte em comboio e barco em detrimento da construção de novas auto-estradas".

Num cenário que apelida de "optimista e realista", a directora crê que em 2015 poderão ter início as obras e que a inauguração poderá ocorrer em 2025.

Não por acaso, a Fundação Transpirenaica se situa em Saragoça, sendo o Governo Regional de Aragão o principal promotor do projecto. A cidade pouco conhecida que fica no meio da meseta não se limitou a viver um momento efémero de fama aquando da Exposição Mundial de 2008 (dedicada à água) e não ignorou as potencialidades de ter o comboio de alta velocidade espanhol a ligá-la a 300 km/h a Madrid e Barcelona, e uma aposta estratégica que se revelou um êxito - decidiu criar a maior plataforma logística da Europa, que é três vezes maior do que a segunda, em Berlim.

Ao todo são 13 milhões de metros quadrados (onde já se instalaram desde 2002 mais de 200 empresas) e que contém no seu interior um aeroporto e o maior terminal ferroviário de mercadorias da Europa.

Segundo Alfonso Vicente, conselheiro de Obras Públicas do Governo Regional de Aragão, o investimento - de 2,5 mil milhões de euros - foi financiado em 51 por cento pela própria região autónoma, 12 por cento pela cidade de Saragoça e os restantes 36 por cento pela banca. Um exemplo do funcionamento desta plataforma logística é a vinda, semanal em avião, desde a África do Sul, de 130 toneladas de peixe fresco para abastecer uma rede de supermercados espanhóis.
 
Obs. - A fonte deste artigo  é do Jornal Público

21 abril, 2010

Pedro Baptista / Partido do Norte [em Servir o Porto]

Do ponto de vista legal, a proibição de partidos regionais em Portugal, significa uma amputação da democracia. Seremos o único país europeu em que tal proibição ditatorial foi inventada. Mas é claro que um Partido Norte não tem de ser um partido regional. Desde que o seu âmbito estatutário seja nacional.

Sendo Portugal o país europeu com mais unidade histórica, onde o “perigo regional” de divisão nacional menos se coloca. Quem fez entrar na ordem do dia o regionalismo e o partido regional foi a concepção centralista do Estado imposto pelos partidos dirigidos pela capital. E pior do que a concepção, a prática. A destruição da coesão nacional. A venda dos têxteis sem contrapartidas para a Região Norte. O roubo das verbas do QREN. O escândalo sucessivo dos PIDACC. Quanto aos investimentos fora do PIDACC ainda pior. E sobretudo os resultados. Nos últimos 10 Anos, o Norte foi a única região que regrediu em Portugal enquanto todas as outras cresceram. Pior, o Norte de Portugal é a única região da Europa dos 15 que regrediu, sendo já a sua região mais pobre!

Porquê, então, um Movimento ou Partido Norte?

Em primeiro lugar, porque o centralismo rasgou a Constituição arrancando-lhe durante 20 anos um capítulo inteiro da Constituição que impunha a criação das regiões o que nunca fizeram, e depois sujou-a alterando inteiramente o espírito descentralizador da Constituinte de 1975 e da Revolução de Abril, impondo-lhe a obrigatoriedade de um referendo prévio em condições em que é quase impossível vencer.

Em segundo lugar, porque nos últimos 10 anos, nem nenhum governo encarou a situação, fazendo a politica regional necessária, nem do BE, nem do PCP, nem do PS, nem do PSD, nem do CDS, se ouviu no país uma única intervenção na Assembleia da República, exigindo uma política regional para inverter a tendência destruidora da região Norte provocada pelo centralismo.

Pelo contrário.

Só têm agravado a situação. Tal como a situação só se tem agravado. A razão é simples. Toda aquela gente nomeada pelos directórios partidários e portanto, no fundo, pelos instalados na Capital, mal chegam à corte, tratam de ser serventuários obedientes, para continuarem, nos mandatos seguintes, ou noutros lugares, a merecerem a confiança dos patrões que os indicaram e assim fazerem a sua carreira política, a fazer de mortos, como se dizia já no tempo do salazarismo. E a traírem os eleitores e a democracia.

Nem percebem que ao destruírem o Norte, estiveram a destruir o país. E que dentro em pouco, sem o Norte que foi a única região que exportou sempre mais do que importou, só lhes resta viverem da caridade internacional, agravando a dívida externa, até à bancarrota.

Porquê um Partido Norte? Independente? Porque os seus deputados eleitos para a Assembleia da República comprometer-se-ão solenemente, através de documento firmado, a defender em todos os momentos os interesses do Norte que são os interesses do país. Em todos os temas em que o Norte esteja em causa, votarão sempre contra quando o Norte for prejudicado, votarão sempre a favor quando o Norte for tratado como as outras regiões, ou quando for contemplado com a política que necessita de recuperação da situação provocada pelas décadas de centralismo, em particular, dos últimos dez anos.

Serão a voz política que o Norte não tem! Tal como o próprio partido!

Defender o Norte, é defender o país. Quando o Norte definha, o país afunda-se, como se vê, para quem quiser olhar para a dívida externa. Fazer o Norte sair da regressão é um imperativo patriótico. À uma, regional e nacional. Porque Portugal é as suas regiões. Não apenas a capital.

Trio de Ataque e o fair play de Rui Moreira

Ontem à noite, ainda tentei ver o programa Trio de Ataque, não obstante a sua crescente perda de qualidade, mas a verdade é que não consegui. E não consegui por uma simples razão, é que sempre que ligava a RTPN,  praticamente só se ouvia falar o A.Pedro Vasconcelos. Foi demais!

Consta que o pivôt, é simpatizante do FCPorto, mas se é, não parece. Nem se lhe pede que pareça. O mínimo que se lhe exige é imparcialidade e uma rigorosa gestão dos tempos de antena dos intervenientes, coisa que, objectivamente, não faz, ou não deixam que faça. Como o seu antecessor, o camaleão Carlos Daniel, este Hugo Gilberto também não tem emenda, tal é o facciosismo com que conduz o programa.

Como não suporto ouvir o Cinismo vestido de cineasta ou de outra coisa qualquer, sempre que o homem falava mudava de canal e até esperava pacientemente largos minutos para lhe dar tempo de se cansar, mas não adiantava nada, porque quando sintonizava o canal 8, lá continuava ele, armado em vedeta, a prosapiar.

Fartei-me daquilo, e pulei de estação para ver o que estava a dar no Porto Canal e não perdi pela troca. Vi um novo programa [bastante interessante] dirigido pelo bem humorado Jorge Fiel sobre a instalação de portagens na A28 onde apresentou uma bela ideia para os utentes contestarem mais esse desaforo do Governo Central. Aconselhava os utentes daquela via a bloquearem com carrros "roubados" as vias de acesso a Lisboa, lá, e não aqui, que pouco efeito produz. A ideia é boa mas um tanto arriscada [não sei onde iria arranjar os carros roubados] e além disso, teria custos acrescidos...

De vez em quando carregava outra vez na tecla 8 e lá estava sempre aquele insuportável personagem a falar. É preciso mesmo ter muita paciência. Como poderão constatar no link a vermelho [em baixo], o Rui Moreira chegou ao ponto de dizer "que pensava que estava dispensado de falar no programa".

Esta nossa Democracia é tão prisioneira de demagogias que até quase nos nega o direito de pensar. A Comunicação Social que se produz na TV não é Comunicação Social, é uma caixa viciada de vending. Para ser respeitável e condizente com o serviço que presta devia chamar-se talvez Comunicação Corporativa, ou Comunicação para Lobbys. Tudo, menos Comunicação Social.

O Trio de Ataque, supostamente um programa desportivo, é um programa anti-FClube do Porto, um atentado à inteligência dos espectadores e à própria Democracia. Não consigo por isso compreender, como é que o Dr. Rui Moreira se permite continuar a colaborar num "jogo" daqueles, com os dados todos viciados.

É óbvio que o deixam falar, mas sob critérios editoriais e de repartição de tempos manifestamente arbitrários! A época está a terminar, quem aguentou até aqui, também aguenta até ao fim. Mas, depois disso, talvez aconselhasse o Dr. Rui Moreira a reconsiderar a sua participação num programa cujo objectivo principal é projectar a imagem de um clube e ofuscar um outro, que ainda por cima é o seu.


20 abril, 2010

Nota positiva

Efacec cresce nos Estados Unidos! Ainda que mal pergunte: quanto ganharão os trabalhadores desta "filial" portuense? 400/500 dólares? Só pode.

19 abril, 2010

O Desvio

Se me pedissem para escolher o ícone que melhor retratasse a actividade governativa do país escolheria este, aqui à esquerda. Não, não enlouqueci, era este mesmo que seleccionaria. Para lhe emprestar mais realismo, dispensaria a indicação das distâncias porque isso seria pedir demais...

Vá lá, os nossos incansáveis trabalhadores da coisa pública têm de ser poupados a preciosismos desta natureza. Pedir-lhes que nos expliquem para onde querem levar o país, com prazos e tudo, é mais do que um exagero, é uma tortura! Então não é verdade que eles já nos informam de tudo o que vão fazer e como vão fazer? É, pois concerteza! Nós, é que não imaginámos as canseiras de Suas Exas. Por isso, somos povo, brutos, incultos, lorpas, gente desmiolada e ingrata. Ralé!

Ora digam lá que é mentira terem alguma vez encontrado na estrada um sinal a dizer desvio sem mais outra informação? É mentira, sim senhor! Habitualmente, quando deparámos com uma placa destas há sempre uma setiinha para norte ou para sul a orientar o sentido da nossa viagem. É, ou não é? E sabem que mais? Prestam-nos estes preciosos serviços sem terem de pagar balúrdios a administradores ou directores de serviço. Estes organismos, as Juntas Autónomas de Estradas, as Brisas, as Direcções de Viação Municipais, etc. e tal, auto-controlam-se! É por isso que nunca nos aconteceu andarmos perdidos feitos tolinhos e às voltas para retomar viagem, porque somos imediatamente conduzidos ao caminho que seguíamos, sem gastar um cêntimo a mais, em combustível...

Em resumo, está assim explicada a analogia sinalética entre o transito rodoviário e as performances dos nossos governantes. Desviar, é só com eles. Para onde e o quê, também já sabemos...

A sombra de uma árvore torta

Rever ou não a Constituição da República ( CR) está na ordem do dia. O PSD quer fazê-lo, a maioria dos outros partidos não. A imprensa, centralista como convém ao regime vigente, dá mais ênfase às personalidades que são contra, mas aos argumentos que li até agora falta consistência. Um professor de Direito chega a afirmar que uma Constituição não tem de ser revista de cinco em cinco anos, pois " uma Constituição é para não ser revista"!

Ninguém de boa fé pretenderá que a solução para os problemas de Portugal consista na revisão da CR, até porque se as causas dos problemas são múltiplas, a solução não pode ser tão símples como isso. É também verdade que a solução de duas das principais doenças de que o país padece - educação e justiça - não passa pela revisão constitucional. Mas também é certo - ou pelo menos é minha profunda convicção - que a CR tem um cariz centralista que lhe foi deliberadamente imprimido, e que óbviamente o actual regime tudo fará para manter intocável. Tentar contrariar o centralismo sem mexer na CR é como querer endireitar a sombra de uma árvore torta.

Como primeiro caso concreto, cito a proibição de partidos regionais, o que desde logo implica a submissão a partidos que têm os seus centros de decisão em Lisboa, sendo que a realidade mostra que os seus ramos distritais, carentes de autonomia e vontade próprias, não são mais que meras caixas de ressonância do poder emanado das sedes lisboetas, o que à partida os torna irrelevantes em vista da sua incapacidade de influenciar políticas que convenham às suas regiões. A prática política tem mostrado também que os partidos funcionam numa lógica de grupo fechado, tipo "familia" mafiosa, em que a única preocupação parece ser a manutenção do seu poder e o aumento da sua influência na Sociedade, com a finalidade de obter cada vez maiores benefícios para os seus capos, distribuindo uma pequena parte pelos seus apaniguados a fim de comprar e manter lealdades. Um partido regional, precisamente por causa da sua regionalidade, seria obrigado a funcionar numa lógica diferente e poderia constituir uma espécie de contra-poder em relação ao poder ditatorial dos partidos ditos nacionais.

Um segundo aspecto, relacionado com o anterior, é que, por imposição da CR, a partir da sua eleição o deputado deixa de representar o círculo pelo qual foi eleito, passando a representar todo o país. Esta é uma disposição que deveria ser anulada pelo seu cunho escandalosamente centralista. Um deputado nacional é um representante da Nação, sim, mas não pode ser despojado da sua legítima condição de representante de uma determinada parcela da população portuguesa.

Outros aspectos poderiam ser referidos, o que possivelmente tornaria este texto enfadonhamente extenso. Limito-me a enumerar mais dois. Um, é a obrigatoriedade de um referendo para estabelecer a regionalização, quando na CR original de 1975 essa obrigação não existia. Outro, que aliás está relacionado com a representatividade dos deputados, é o actual sistema eleitoral que permite que sejam apresentados, como candidatos, pessoas que nada têm a ver com o distrito em que concorrem, e que no fundo se "estão nas tintas" para ele. Esta é uma particularidade que transforma a nossa democracia supostamente representativa naquilo que na realidade é: uma farsa.

Alterar a CR para melhorar a vida dos portugueses, é aquilo que se chama "condição necessária mas não suficiente". Por outras palavras, é necessário mas não chega.

Por isso, pessoalmente, sou a favor da revisão, com uma ténue esperança que ela fosse feita na direcção certa. Em todo caso, pior do que está não fica com certeza.

Rever a Constituição ou humanizar o capitalismo?

Ponto um. Os conhecimento técnicos, científicos e culturais são indiscutivelmente importantes para uma melhor administração da vida pública e privada.

Ponto dois. Apesar do enunciado no ponto anterior, sou de opinião que nenhum conhecimento académico se deve sobrepôr aos supremos interesses da condição humana. Leia-se, como superiores interesses da condição humana, o interesse colectivo por cima do individual.

Os países economicamente mais desenvolvidos têm feito um esforço tímido para humanizar as sociedades, no entanto, confrontam-se permanentemente com a contradição incontornável que resulta do egoísmo em que assenta o regime capitalista. 

Insistindo na teoria de que só a ambição motiva a criatividade, o empreendedorismo e o consequente fomento de riqueza sem lhe impor limites ou regras, o capitalismo está a dar sinais de falência tão utópicos como deu o comunismo. A grande maioria dos países já abdicou da experiência comunista, mas a China, [que não é propriamente um  país pequeno], ao contrário do Ocidente tem, pouco a pouco, procurado tirar partido do capitalismo para se modernizar à custa da mão de obra miserável da sua população, que por sua vez exporta para quase todo o Mundo. Em ambos os regimes políticos impera a mesma «Lei:»: o total desrespeito pelo bem estar dos respectivos povos. Um [regime], não lhes permite grandes liberdades, o outro, finge com uma manca  Democracia que lhes permite  , mas tanto um como outro,  são profundamente elitistas e despeitam os valores da Humanidade. Não gostaria de banalizar a expressão "Humanidade", mas será sempre oportuno recordar os espíritos mais conservadores que não estamos exactamente a falar de gado...  

Ocorreu-me estabelecer estas comparações ideológicas, precisamente pela maneira monótona, politicamente pobre e esclerosada como os experts contemporâneos da política discutem os problemas do Mundo. Economia, economia, economia. Como ciência social, é suposto à economia estudar a produção e o consumo de bens, mas é na distribuição da riqueza que comete as mais aberrantes injustiças. Os casos que têm vindo recentemente a público, dos escândalos financeiros em Bancos e empresas público-privadas são apenas as pontas de um iceberg bem camuflado que, por demagógico, acaba por revelar as debilidades de um capitalismo cuja seriedade  vai pouco mais além do protocolo.

Assim mesmo, com leis bem fundamentadas e o rigoroso controle da sua aplicação, penso que - à imagem do que acontece nos países nórdicos que, observe-se, não são nenhuns santuários -, seria possível sociabilizar e humanizar mais o regime capitalista, mas para isso seria preciso que o crime deixasse de compensar, e que, quem se deixasse tentar por ele pagásse proporcionalmente à justiça  a ousadia. E não paga porque o jota de justiça em Portugal ainda se escreve em letra minúscula. 


17 abril, 2010

Lilás e azul dragão

Lilás

Um pouco de
Azul Dragão e,
Vermelho na mão
Chegaremos ao tom
Predileto do coração.
Lilás é “a” cor...
Evoca o perfume
Da infância,
Relembra um amor...
Roxo, Lilás, Lavanda,
Espalhada pelos campos
E pelas varandas;
Em meus cabelos,
Perfumada guirlanda.

neli araujo
2010

16 abril, 2010

Mais uma pérola de Sócrates

Clique sobre o título do post e leia. 

Assim se mede o nível dos "lideres"...

Leo Ferré, para quem gostar...




...eu, gosto.

Bom fim de semana!

Corridas Red Bull e da Boavista deram prejuízo

Sem ironia, neste momento, gostava muito de saber se os simpatizantes da política camarária de Rui Rio continuam a depositar-lhe a mesma confiança. É que, depois de tanta apatia, de tanta inércia, de tanta falta de ideias para reabilitar a nossa cidade, talvez seja chegado o momento para perceberem que as competências de um líder autárquico não começam e terminam na sua seriedade. É importante, fundamental, mesmo, mas está longe de ser suficiente.

É que, pelos vistos, já nem as corridas de aviões e  automóveis lhe valem. Segundo notícias do jornal Público, a Porto Lazer não foi capaz de gerar lucros com essas iniciativas, teve mesmo um prejuízo superior a 1,2 milhões de euros! Poderá dizer-se que o comércio local não tenha a mesma opinião, porque sempre "enche" um pouco mais os cofres no prazo de duração desses espectáculos, mas para um Presidente que tanto se reclamou de rigoroso com as contas parece-me algo contraditório...

O projecto do mercado do Bolhão continua a não passar de uma notícia virtual. Tanto tempo, tanta indecisão! Bolas, senhor Rui Rio, veja lá se antes de acabar o seu último mandato consegue deixar a cidade com obra que se preze! Esqueça os pópós e o Filipe Lá féria! Há coisas mais importantes!

14 abril, 2010

Esperança ou cepticismo?

Nuvens negras toldam os céus e os horizontes de Portugal. A 3ª República, se não bateu ainda no fundo, para lá caminha. Os políticos,que seriam supostos serem os timoneiros que conduziriam a nossa nau para águas mais tranquilas, têm feito todos os possíveis para se desacreditarem perante a nação, e verdade se diga que o têm conseguido. Nestas condições a eleição do líder de um dos partidos com peso suficiente para ser governo no futuro, do mesmo modo que já foi governo no passado, é um facto relevante para todos os portugueses, sejam ou não simpatizantes desse partido.

Será Pedro Passos Coelho uma lufada de ar fresco no panorama político, ou será "mais do mesmo"? Ninguém sabe, mas a esperança que nunca se deveria perder, levar-me-ia para a primeira hipótese. Por outro lado, a experiência do passado, e até mesmo o receio de nova desilusão, far-me-ia pender para a segunda. Em balanço, inclino-me para o lado da esperança. Vejo sinais positivos. Trata-se de alguém que não pertence ao aparelho do partido,aquele conjunto dos denominados "barões" que mais me apetece chamar de capos, à moda da Camorra. Depois, agrada-me a sua ideia de mexer o mais rapidamente possível na Constituição, esse monstro mal parido nos conturbados tempos do PREC. Se conseguir, como parece pretender, reformar as leis eleitorais, instituindo círculos uninominais ou o voto preferencial em substituição do vicioso sistema actual, um enorme passo em frente seria dado. Alterar o sistema de nomeação dos presidentes das Entidades Reguladoras, e também do Procurador Geral da República, parecem boas ideias. Acabar com golden shares e outras promiscuidades, também. Chegará um dia a autorização dos partidos chamados regionais?

Se é verdade que me agradam as ideias reformistas de PPC, as suas reticências (para não dizer oposição) à regionalização, deixam-me "de pé atrás". A regionalização é urgente, e a médio prazo é um dos medicamentos que o país necessita para se restabelecer. Pessoalmente só aceitaria o seu adiamento, por dois ou três anos, numa condição. Que o governo se comprometesse a alterar imediatamente o modelo económico vigente, que centraliza a maior parte dos recursos financeiros e humanos na região da capital, deste modo exercendo uma verdadeira acção colonizadora sobre os portugueses que ali não vivem. A resultante divisão em portugueses de primeira e portugueses de segunda, é intolerável. No dia em que esta dicotomia termine, poderá então todo o país encher-se de esperança. Até lá, com PPC ou com outro, vamos andando e vamos vendo!

12 abril, 2010

Ah grande Cidinha, por cá só há Cinhas e jardins...

Pedro Passos Coelho, Regionalização e Rendimento Mínimo

A minha opinião pessoal sobre a qualidade do actual regime democrático, não obedece a vínculos de filiação político-partidários, estou portanto à vontade para dizer o que penso sem papas na língua.
Antecipo-me assim a qualquer eventual comentário nessa direcção, para reafirmar a minha absoluta independência ideológica e profunda descrença no sistema vigente. Isto não quer dizer propriamente que tenha criado anti-corpos contra alguém com ideias novas [bem pelo contrário], mesmo que esse alguém venha da classe política, mas, devo confessar, que não estou mais disposto a conceder o benefício da dúvida a quem as apresente, dado ter atingido o ponto crítico de não retorno que manda primeiro ver, para crer. Estou nessa. Prefiro correr o risco de ser acusado de me refugiar atrás da abstenção, do que contribuir com o meu voto para a manutenção da mediocridade governativa do país e para quem, à custa disso, enriquece despudoradamente. Nessa, não quero estar. Por conseguinte, senhores políticos, se me estiverem a ler, já sabem, por mim V. Exas. não têm futuro. Terão direito a um lugar ao sol da minha consideração, a partir do dia que substituam os bons discursos por boas acções. Essa terá de ser a vossa rotina de vida.
Pela enésima vez, logo após a eleição de um Presidente político-partidário, não fiquei nada entusiasmado com o discurso de apresentação aos militantes. Pedro Passos Coelho não fugiu à regra, mostrando os primeiros sinais de conservadorismo ideológico como novo líder do PSD. Entre o discurso de circunstância, com remendos e panos quentes sobre rivalidades antigas, e de aparente reconciliação/união entre a família social democrata, Pedro Passos Coelho resvalou para os medos costumeiros dos líderes que o antecederam.
Primeiro, apontou para a criação de um região-piloto no Algarve [onde poderia ser senão ali?] para "testar" a Regionalização, e a seguir não resistiu à não solução de querer rever a Constiuição. Não podia ser mais contraditório. Primeiro, porque caiu na mesma palermice que impediu Portugal de criar regiões administrativas com a revisão constitucional que de lá as retirou e cujas consequências continuamos hoje a pagar. Segundo, porque escolheu o Allgarve, precisamente a região que mais tem beneficiado com apoios do Estado para estagiar o processo de Regionalização! Coerente, sem dúvida!
Depois, teve o fraco gosto de emitar o dançarino e submarineiro* Paulo Portas, apontando armas para os subsídio-dependentes como se os males de desgovernabilidade do país estivessem todos concentrados nesses infelizes! Para além da ausência de ideias substanciais, os candidatos a 1ºs. ministros revelam uma noção completamente distorcida da realidade. Primeiro, porque cometem um equívoco repetido quando argumentam - generalizando - que os beneficiários dos apoios sociais devem retribuir com serviço público à comunidade, o esforço que os "outros" contribuintes fazem como se os beneficiários não fossem [ou tivessem sido] eles próprios, contribuintes. Partem do princípio que quem recebe apoios nunca trabalhou nem descontou para a Segurança Social, o que é altamente injusto e irresponsável. Depois, não são capazes de apresentar alternativas aceitáveis para esses casos, ou, quando as apresentam raramente as concretizam. Já todos nos esquecemos daquela promessa deste governo que garantia estabelecer protocolos de colaboração entre empresas e desempregados de longa duração, com benefícios ou isenções fiscais para os empregadores.
O resultado é o que se vê: precaridade acentuada do emprego e mais desemprego. Agora, com estas ideias iluminadas copiadas a PPortas, PPassos Coelho prepara-se - caso venha a ser 1º.Ministro -, para gerar novos focos de oportunismo no empresariado português, que, salvo raras excepções, pauta por não gozar de grande reputação. O que vamos assistir, é a mais exploração de carne humana. Não falta quem já esteja a esfregar as mãos de contente para através dos miseráveis beneficiários do rendimento mínimo, terem quem trabalhe de borla!
Que a Segurança Social deve fiscalizar [mas se calhar não o faz] os abusos, de todos os casos de pessoas que nunca desenvolveram qualquer actividade profissional, nem descontaram impostos sociais dos seus salários, isso deve . Tem de o fazer. O que não fica bem, a um putativo candidato a 1º. Ministro e é de um populismo vergonhosamente elistista , é apertar o cerco a quem passa pelas maiores dificuldades com uma agressividade que não usa com os grandes ladrões da economia nacional e profissionais de off-shores, como certos administradores bancários que todos conhecemos, alguns deles seus correligionários! Haja ética e respeito pela inteligência dos cidadãos é o primeiro dos princípios para merecer credibilidade. Este discurso de P.P. Coelho foram os primeiros tiros nos pés. Aguardemos pelos próximos, porque pela amostra, também este candidato a altos vôos é um mau atirador.

*esta palavra tem direitos de autor, é minha. Vem do adj.submarino e significa: negociante de embarcações sub-aquáticas

11 abril, 2010

A Baixa do Porto

Os portugueses viciaram-se em centros comerciais, e deixaram de frequentar os centros das suas cidades. Os portuenses estão incluídos nesta apreciação e eu também estou. Para me redimir desta tendência, ontem, dia de sol bonito, resolvi ir à Baixa.

Os grafitti continuam soberanamente, perante a indiferença municipal, a emporcalhar a cidade. Ruas pedonais, como Sta. Catarina ou Sto. Ildefonso, continuam a ter trânsito automóvel e a servir para estacionamento. Obviamente a CMP revela incapacidade em resolver não só este problema, como o dos horários das cargas e descargas dos estabelecimentos comerciais. A praça da Batalha continua a pedir uma correcção aos trabalhos da Porto 2001, mas não deixa de estar agradável. O velho Águia D'Ouro ( quantas coboiadas vi naquele cinema!) está em obras para ser transformado em hotel, mas a sua fachada será preservada. O relógio do edifício do ex-Café Palladium, agora Fnac, continua a dar horas acompanhadas pela música dos sininhos, mas pareceu-me que as figuras que aparecem, estão com um qualquer problema de mobilidade. Imensa gente de nariz no ar, gozava o espectáculo, e muitos tiravam fotografias. Na realidade nota-se que os turistas são muitos, e numerosos autocarros, daqueles de deck superior desoberto, circulam cheios deles que, por pouco que gastem, representam actividade para vários sectores da economia da cidade. A base da Ryanair no Porto, tem com certeza influência nisso. Valeu a pena o combate travado por todos aqueles que lutaram contra a decisão do governo centralista, que se opunha à criação desta base no ASC.

Mais abaixo, verifico que o Il Café di Roma, junto à Brasileira, está fechado, dizem que para obras. Será? E a velha Regaleira também está fechada, sem que apresentem explicação. Será o fim? Há muitos, muitos anos quantos fabulosos pregos de lombo autêntico, ali comi! Parece que a Regaleira foi também o berço da inimitável francesinha, mas não me apercebi disso enquanto cliente. Para compensar, ali naquele mesmo troço inicial do Bonjardim, o Rei dos Queijos continua firme, cheio de coisas boas que não apenas queijos. Ao olhar para o idoso proprietário, atarefado atrás do balcão, pergunto-me se ele terá alguém que garanta a continuidade do estabelecimento, que faz parte da memória colectiva da cidade e como tal deve ser preservado.

Um pouco mais abaixo, a travessa dos Congregados continua a ser ninho de casas de comida, agora aumentado por um novo restaurante de aspecto agradável, com ementas de preços fixos a evitar surpresas desagradáveis. Não entrei, experimento numa próxima vez. Na Praça, nova surpresa: o Embaixador está de portas fechadas. Em compensação o McDonalds ( o "meu" antigo Imperial cuja sacristia tanto frequentei) continua cheio. Do outro lado da Praça gostei de ver as agradáveis esplanadas, desde a tradicional Sá Reis até a um novo restaurante de comida ligeira (onde almoçámos a contento e por pouco dinheiro) situado no edifício onde os mais velhos se lembrarão que existiam os telefones da TLP.

Feito o balanço, gostei da "excursão". Penso repetir em breve e recomendo que o façam também.

09 abril, 2010

O fenómeno futebol

Curioso, o fenómeno futebol! Cada vez que resolvo escrever sobre o tema, o nível de comentários sobe de forma vertiginosa. Isto, vale o que vale, mas pode querer dizer alguma coisa.
Quando criei este espaço de opinião, fiz questão de não o emparedar dentro de uma temática específica, tendo embora a cidade do Porto e tudo o que a envolve, como ponto nuclear. A abertura descomplexada ao debate sobre futebol foi intencional, uma espécie de teste, procurando estabelecer a ponte entre os afectos clubísticos dos leitores [que são dos mais fortes] e os interesses económico-sociais.
Noutros espaços do género, há quem discuta os assuntos com propostas vestidas de soluções consoante a área académica ou profissional de quem as apresenta. É uma opção válida, mas um tanto inócua, considerando as minúsculas oportunidades de execução das mesmas. Nós cidadãos, podemos teorizar, apresentar esquemas cientificamente válidos, mas ainda não vivemos numa sociedade devidamente estruturada para os aproveitar. Contudo, interiorizamos a ideia reconfortante para o ego de estarmos a fazer algo mais do que simplesmente criticar. Pura ilusão. Por mais sérios e rebuscados que sejam os nossos planos ou ideias, são outros, quiçá os mais incompetentes, quem os executa [quando executa].
Naturalmente, seria demagógico indignarmo-nos com os métodos distorcidos de premiar financeiramente o mérito de gestores de empresas publico-privadas e fechar os olhos aos dos directores desportivos do nosso clube, apenas porque se trata do nosso clube. O amor ao nosso clube não deve superar a exigência do rigor. Mas há um pequeno/grande detalhe a separar as mesmas águas: é que as vitórias do nosso clube funcionam como lenitivo para todas as frustrações, e por isso, consciente ou inconscientemente, nos dispomos a irrelevar a obscuridade das contabilidades e das grandes negociatas. Mas o futebol não é pior do que o resto. É igual. A diferença está no tipo de compensações, no feed-back do desperdício.
Ao gestor de uma grande empresa não toleramos que beneficie de sumptuosos vencimentos, porque não nos contentamos em saber dos lucros [objectivos] dessa empresa sem conhecer o destino que tiveram, de como, quem e quantos, deles beneficiaram. E com razão. Porque esse é o mistério que, curiosamente, nem os próprios jornalistas se interessam em desvendar... Ao dirigente desportivo, só pedimos é que vença, caso contrário, as contas terão então de ser feitas.
Com isto, não se deve extrapolar para o preconceito espalhado que diz que o futebol aliena. Não, a sociedade, tal como está esquematizada[mal, quanto a mim] é que aliena e mitifica. O futebol, limita-se a ser um ramo de uma gigantesca árvore com uma vantagem sobre todos os outros: distribui a "riqueza" dos afectos e encobre secretas frustrações com mais democracia. Por isso, agrada a uma maioria.

08 abril, 2010

Derrota épica!

E, como diria Jorge Jesus, vamos ganhar por quatro a um! Ah, ah, ah!

Hoje, fui patrioticamente inglês! Viva o Liverpool!

Lugar de Pinto da Costa gera formigueiro pandémico

Ando tão enojado com a política e com quem dela se aproveita para fazer fortuna que, à falta de um bom pau de marmeleiro para os meter na ordem, prefiro falar de outros assuntos. Ainda me incomoda mais quem defende as chamadas elites de colarinho branco que mais não são do que criminosos credenciados pelo poder para exercerem as suas lucrativas actividades ao abrigo de uma investigação policial que se preze. São as chamadas elites de merda [perdoem-me o grosseiro desabafo]!
Apesar de tudo, não sendo o futebol um mundo de virtudes, prefiro falar sobre ele. Ora, vamos a isso.

Paira no ar, mais propriamente na blogosfera portista, um clima de agitação àcerca da continuidade de Pinto da Costa na Presidência do FCPorto que me começa a preocupar. Não conheço o senhor Pinto da Costa a não ser enquanto dirigente do FCPorto, portanto, não é na qualidade de amigo ou conhecido que falo dele. Estou portanto à vontade para dizer que me preocupam sim, as vozes que, pressentindo o desaire da época futebolística decidiram vestir a roupa dos nossos adversários desatando a reclamar a sua substituição. Gente vulnerável esta. Bastou uma época menos conseguida para logo colocarem em causa a saúde mental de PdCosta.
Num ápice, ficaram para os confins da memória os ainda recentes anos de glórias, que nem o mais optimista alguma vez sonharia! Esqueceram-se que só no futebol e sem os mesmos recursos dos grandes clubes europeus, o FCPorto, pelas mãos de PdCosta, foi campeão europeu e mundial, duas vezes! Esqueceram-se de que, em mais nenhuma área, Portugal consegue equiparar-se com igual projecção aos melhores da Europa. Esqueceram-se das medíocres prestações governativas, do subdesenvolvimento económico e social do país, dos salários terceiro mundistas, do desemprego galopante, das vigarices escandalosas praticadas por homens ligados ao Poder, da lazarenta gestão camarária, das conspirações centralistas, dos cineastas viperinos, das escutas, dos apitos, dos processos nos tribunais, da ignomínia justiceira da Liga, das arbitrariedades, das injustiças. De tudo se esqueceram estes portistas de ocasião.
É claro, todos sabemos que ninguém é insubstituível, que um dia chegará que PdCosta terá inevitavelmente que dar o lugar a outro, mas por quê tanta ansiedade? Eu também não gostei do futebol praticado este ano, mas o treinador é o mesmo que ganhou 3 campeonatos seguidos, e no entanto, nunca apreciei o futebol de Jesualdo, e foi a ele que dirigi as minhas críticas. Não por ser mais fácil, mas porque no campo, é ele quem decide. Disse-o aqui este ano que não me importaria de "engolir" outro sapo se o FCPorto fosse campeão, mas reconheci-lhe o mérito por ter alcançado os objectivos. Todos percebem o que quero dizer, não vale a pena contra argumentar. Há êxitos que convencem e outros não. Foi o caso.
Palpita-me que no FCPorto já se perfilam putativos candidatos a qualquer coisa. O que lhes interessa agora é sacudir a água do capote para marcar posições. Palpita-me que, para desgosto dos portistas forever, um dia destes [que espero esteja longe] ainda vamos assistir à versão portista dos Vales e Azevedos* e Filipes Vieiras.

*Este vigarista continua a brincar às escondidas com a "Justiça" portuguesa e todos continuam a assobiar para o lado, incluindo os sempre atentos jornalistas. Já imaginaram o que seria se ele se chamasse Pinto da Costa?

07 abril, 2010

A CMP e a praça dos Poveiros

Embora não concordando com aqueles que afirmam que as obras efectuadas pela Porto Capital da Cultura 2001 foram um total desastre, reconheço que houve muita coisa mal feita. Um dos exemplos é a praça dos Poveiros, que se transformou num dos locais mais desagradaveis da zona central da nossa cidade. Não sei o que pensam os teóricos e os técnicos urbanistas sobre aquela versão minimalista do que seja uma praça, mas para mim aquilo é um desastre estético, agravado pela fraca qualidade dos edifícios que a rodeiam e que aliás se estendem para parte do jardim de S. Lázaro,alguns dos quais nem lugar teriam nas piores cidades do 3º mundo. (No blogue "As casas do Porto", com data de 18 de Agosto último, podem ver-se fotos daquela miséria)

Para piorar a situação, e de acordo com a queixa do proprietário de um estabelecimento local (PUBLICO de domingo passado) o espelho de água é actualmente um depósito de água estagnada, a praça é poiso de vadios frequentemente embriagados, e a escadaria de acesso ao estacionamento espalha odores nauseabundos por se ter tornado casa de banho improvisada.
Em resposta a esta queixa, a CMP parece reconhecer os factos e informa que a fonte é lavada semanalmente para retirar do fundo as porcarias que lá se acumulam, que os motores (supõe-se que sirvam para fazer circular a água) serão reparados (o que significa que a CMP conhce a anomalia mas tem estado a assobiar para o lado) e que a escadaria será limpa semanalmente,o que pressupõe que tem ignorado até agora a imundície que por lá vai. O resto da queixa, diz a informação da CMP, é assunto de polícia. Efectivamente assim será, mas cheira um bocado a "sacudir a água do capote". Podem assim os serviços camarários regressar ao abrigo tranquilo da sua burocracia, onde não há stress nem grandes preocupações.

Este pequeno episódio retrata o que se vai passando na nossa cidade e ajuda a explicar a falta de amor-próprio de que os portuenses sofrem. Temos um presidente da câmara que mantem a cidade em imobilismo desde o dia da sua posse, mas que poderia ao menos dinamizar os serviços camarários e pô-los ao serviço efectivo da cidade. Nem isso consegue.

Mas, em boa verdade, quem sou eu para assim querer contestar o resultado das eleições? Se foi esta a decisão soberana da maioria dos portuenses, pois que assim seja! Resta-nos esperar por melhores dias.

06 abril, 2010

"Por mim, a EDP até pode propor Balões a Ar Quente para o Tua"


… E transformar o Vale do Tua numa nova Capadoccia. E dizer que isso é a sua responsabilidade social, promovendo o turismo na região. Como o fez com a campanha publicitária de propagação dos seus valores ambientais, que acredito que tenha, mas que foi paga pelos próprios Fundos destinados à compensação da população afectada. Está bem, um cantor, uma empresa de audiovisuais de Belém e uma qualquer agência de publicidade sediada na capital, mais uns quantos jornais, rádios, tv’s e salas de cinema foram devidamente compensados pelo desaparecimento de uma linha ferroviária e de um património algures em Douro e Trás-os-Montes. Uma política de casinos ao contrário. Destrói-se lá para o Norte e compensam-se os meios artísticos cá da capital. Esta estratégia é da exclusiva responsabilidade da EDP, dos seus gestores e accionistas. Mas quem a fiscaliza? Porque o problema do atentado patrimonial, ambiental e populacional é dos poderes públicos que não existem ou se omitem na defesa da causa e do interesse público. É um bom exemplo da falta de um poder regional, criando-se vazios de silêncios e omissões. Será a meia dúzia de autarcas da região, os únicos responsáveis pela sua defesa política? E os outros aqui da capital do Norte Litoral, ficam-se só pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro, porque aquilo já não é da sua responsabilidade, nem têm lá votantes seus? A CCDRN, cujo PROT foi elaborado de forma a ser aprovado num dado prazo legal, logo desenvolvido de acordo com prévias indicações centrais, e de empresas públicas e privadas conforme confidenciado publicamente pelos seus técnicos, bem pode dizer que defende a Regionalização, porque não passa de discurso subordinado a outras directrizes. As coisas querem-se para situações concretas, para se ser, não para formalismos.
Há outras pessoas mais capazes de descrever o que se está a destruir no Vale do Tua. A nossa própria consciência, se a ouvirmos, não nos oferecerá dúvidas. Porque acima de tudo há uma questão de valores e princípios éticos, do que é certo e errado, do que é bem e o que é mal. E a destruição do Vale do Tua está clara até na consciência de quem a promove. É bom não perder muito tempo a pensar e passar antes a ridicularizar os que têm opinião diferente quanto aos efeitos de um ideia, que é boa, de redução da dependência energética do país, mas que não pode fazer tábua rasa de outros valores que se perderão para sempre.
Deixo aqui um pequeno raciocínio: se uma via alternativa para os 16 kms submersos custa 130 a 140 milhões de euros e se a linha são 54 kms, quanto pode a população local aspirar como indemnização compensatória a deixar pela EDP nesta Região? Uma regra de três simples, cerca de 500 milhões de euros. Eu aconselho as populações locais a pedir já este valor a sua região, criando um Fundo para o Desenvolvimento do Vale do Tua e dinamizar as termas, o Cachão, a agro-indústria, a criar um museu para a Região, e construir um reservatório de gás para os balões...
Há uns meses atrás, propus a criação de uma plataforma denominada Rede Norte, com a intenção de juntar os diferentes movimentos de cidadãos no apoio a causas cruzadas, porque senti que só assim teriam a força de ser ouvidos. E pessoas do Porto a defender o Tua não é o exactamente o que tenho lido pelos analistas da EDP antecipando as críticas das populações locais ao Plano de Barragens. O que está em causa são algumas das barragens, que destroem, por desconhecimento. Essa plataforma terá agora visibilidade no Movimento Norte Sim.
O Dr. António Mexia terá oportunidade na próxima 4ªfeira à noite, nos Olhares Cruzados sobre o Porto, na Universidade Católica, de nos instruir sobre os destinos do Norte, enquanto o Dr. Jorge Pelicano estreia na 5ªfeira num cinema do Porto o seu “Pare, Escute, Olhe” sobre o impacto da perda da linha do Tua nas populações locais. Curioso este mundo, em que existem associações ambientais e ecológicas para quase tudo, excepto para a espécie humana. Podem todos estar de consciência tranquila e defender legitimamente os seus interesses, mas que destruir uma linha ferroviária que é a coluna vertebral, não só para o turismo, de uma região que tanto tem sofrido por políticas idênticas é um daqueles erros que ficará para julgamento da História. Se continuam a dormir de consciência tranquila, bons sonhos. Eu prefiro pedir 500 milhões de euros para a Região, de acordo com os cálculos da EDP.
José Ferraz AlvesRede Norte
[extraído do blogue A Baixa do Porto ]

As manhas das televisões centralistas

Alberto Castro escreve regularmente para o JN. Pertence ao estrito grupo de colaboradores deste jornal que gosto de ler. Hoje, o tema escolhido foi Valença e o sistema de saúde aí imposto pelo Governo que correu os utentes locais para uns confortáveis quilómetros de distância. Para Monção... Não admira vê-los hoje a hastear orgulhosamente a bandeira espanhola do país que lhes abriu as portas do sistema de saude que Portugal agora decidiu fechar.


Há, além disso, um curioso apontamento off-topic, um PScriptum, nesse artigo que vale a pena ler aqui.

PS, PSD, PS, PSD, PS, PSD. Irra, só há isto?

Admito que o problema seja meu, mas tenho alguma dificuldade em compreender o conservadorismo ideológico das populações, a sua incapacidade para experimentar novos desafios. O fenómeno, infelizmente, não é só português, estende-se ao resto da Europa e a todo o Mundo.
Politica e partidariamente, o eleitorado parece psicologicamente entalado entre a social democracia e o socialismo capitalista [como é o do actual regime]. Nem o PSD/PPD durante o seu tempo de vida, conseguiu afirmar-se como cópia do modelo nórdico, nem o PS soube capitalizar o fracasso ideológico dos sociais democratas portugueses. Ao longo dos anos de alternância governativa, tanto um partido como o outro, falharam em toda a linha. Restam o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, mas esses, continuam perdidos nas suas contradições doutrinárias sem conseguirem sair do espartilho conformista de pequenos partidos de oposição. Parece terem assumido interiormente, que só podem sobreviver enquanto os partidos da esfera do poder o permitirem. Ou então - o que é mau sinal -, não estão dispostos a apresentar-se ao eleitorado com propostas governativas, por não as terem, ou por não quererem a responsabilidade de governar o país. É a partir desta apatia política que as ideias cristalizam.
Só mentes centralistas, é que podem continuar a defender conceitos assentes em utopias. Hoje, Paulo Ferreira, subdirector do JN, vem a terreiro defender a suspeitíssima tese de que uma sociedade pode sobreviver ao valor paranóico dos prémios de competências segundo pontos de vista meramente mercantilistas. Paulo Ferreira, considera justo, por exemplo, que o Presidente da EDP, António Mexia receba de remunerações 3,1 milhões de euros, só porque foram os accionistas a estabelecer as metas para as "merecer". E que tal, ir um pouco além deste argumento estritamente economicista e explicar quais os benefícios para a sociedade para um administrador merecer tão gordo e imoral prémio? Os resultados de uma empresa nem sempre são bons para a comunidade. Em muitos e muitos casos [talvez para a maioria], os bons resultados económicos e financeiros reflectem-se de modo evidente bem mais para quem administra, do que para quem contribui para os alcançar. E, é para este objectivo individual que se premeia o mérito? Será que as pessoas já pensaram bem nesta aberração social? Não será altura de mudar o paradigma? Depois, admira-se o jornalista, que casos destes suscitem aquilo a que ele chama de "atávica inveja social". E como não? A transmissão desse sentimento de inveja para a sociedade não é de ordem genética, faz-se e reproduz-se tanto mais intensamente quanto mais aberrante e injusta for a distribuição da riqueza produzida. Ora, estes ordenados milionários atribuídos aos gestores de grandes empresas publico-privadas, são tudo, menos justas e moralmente aceitáveis.
Um raciocínio como o de PFerreira, só pode espelhar uma mente preparada para aproveitar a 1ª oportunidade que o patrão Joaquim Oliveira lhe possa colocar à disposição na Controlinveste. Não será por aqui, seguramente, que o público que lhes paga os vencimentos terá novos paradigmas sociais, posto que, como para qualquer banal homenzinho, o dinheiro e só o dinheiro, comanda a vida.
Boa sorte, Paulo Ferreira, um destes dias terás a justa recompensa pelos teus "méritos" extra terrestres.

05 abril, 2010

Caruncho democrático

Folheando o JN de hoje, deparei nas páginas 10 e 11, com um artigo em memória de Artur Santos Silva, um destemido lutador republicano pela Liberdade.
Nas duas páginas seguintes vinham estampadas quatro colunas com artigos de diferentes pessoas, incluindo um do filho com o mesmo nome, figura destacada de um dos poucos bancos que resistiram ao devorador saque centralista. Naturalmente, todos eles teciam os mais altos elogios à ilustre personagem.
O elitista e liberal advogado Miguel Veiga dedicou-lhe este piropo: «O tempo esse grande escultor, esculpiu em bronze o carácter, a vida, o caminho da aventura humana de Artur Santos Silva, que ele fez caminhando pelo seu pé, amiúde contra ventos e marés, com obstinado rigor, solidária tolerância, recta e honrada intransigência, decência da cidadania e postura erecta, vertical e orgulhosa de quem nunca foi ao Paço pedir a baga e a paga de uma tença.»
Com todo o respeito pela intenção do autor, perdoaría tão rebuscada frase de consideração ao homenageado caso conseguisse descortinar qualquer afinidade entre um e outro. Louvar alguém, entre densos e pedantes elogios, por nunca ter ido ao Paço [Terreiro] é justo, mas não condiz com o actual percurso político de quem o faz. Miguel Veiga tem-se celebrizado nestes últimos anos por ser rico, e por estar sempre ao lado do Terreiro do Paço, com Rui Rio e Mários Soares...
Este louvor, é uma perfeita hipocrisia. Talvez, Artur Santos Silva [pai], mereceesse mais respeito. Digo eu. Há aqui um qualquer complexo queiroziano mal resolvido.