18 fevereiro, 2011

30 Medidas que não interessam aos visados, ou seja: "populistas"...

Nenhum governante fala em: 1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três Presidentes da República retirados;

2. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode;

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de euro/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros? Se não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais, numa reconversão mais feroz que a da Reforma do Mouzinho da Silveira, em 1821, etc...;

7. Redução drástica das Juntas de Freguesia.. Acabar com o pagamento de 200 ? por presença de cada pessoa nas reuniões das Câmaras e 75, ? nas Juntas de Freguesia.

8. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas actividades;

9. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;

10. Acabar com os motoristas particulares 20 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

11. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado e entes públicos menores, mas maiores nos dispêndios públicos;

12. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc;

13. Acabar com o vaivém semanal dos deputados dos Açores e Madeira e respectivas estadias em Lisboa em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes que vivem em tugúrios inabitáveis....

14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES, QUE NÃO NOS DÁ COISA PÚBLICA....;

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;

17. Acabar com as várias reformas por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

18. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes ao BPN e BPP;

19. Perseguir os milhões desviados por Rendeiros, Loureiros e Quejandos, onde quer que estejam e por aí fora.

20. Acabar com os salários milionários da RTP e os milhões que a mesma recebe todos os anos.

21. Acabar com os lugares de amigos e de partidos na RTP que custam milhões ao erário público.

22. Acabar com os ordenados de milionários da TAP, com milhares de funcionários e empresas fantasmas que cobram milhares e que pertencem a quadros do Partido Único (PS + PSD).

23. Assim e desta forma Sr. Ministro das Finanças recuperaremos depressa a nossa posição e sobretudo, a credibilidade tão abalada pela corrupção que grassa e pelo desvario dos dinheiros do Estado ;

24. Acabar com o regabofe da pantomina das PPP, que mais não são do que formas habilidosas de uns poucos patifes se locupletarem com fortunas à custa dos papalvos dos contribuintes, fugindo ao controle seja de que organismo independente for e fazendo a "obra" pelo preço que "entendem"...;

25. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimónios de forma indevida e à custa do País, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controlo, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efectivamente dela precisam;

26. Controlar a actividade bancária por forma a que, daqui a mais uns anitos, não tenhamos que estar, novamente, a pagar "outra crise";

27. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efectivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;

28. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

29. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu património antes e depois.

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.

DANCING ON STRINGS / Performs Jalousie

O L'Equipe não conhece o glorioso?


Séville et Liverpool déçoivent



En grande difficulté actuellement, Séville s'enfonce dans la crise. Les Andalous n'ont pas gagné un seul de leurs six derniers matches toutes compétitions confondues. Jeudi, ils se sont inclinés à domicile (1-2) face au leader du Championnat portugais : Porto. Les Dragons ont ouvert le score sur une tête de Rolando, suite à un coup-franc de Moutinho (58e). Immédiatement, les Espagnols ont égalisé, le coup franc de la recrue Rakitic finissant par une tête victorieuse de Kanouté. Mais Porto est bien plus en confiance que Séville et a marqué à cinq minutes du terme par l'ancien Stéphanois Guarin, chanceux. L'autre club portugais, le Sporting Portugal, a obtenu un bon nul chez les Glasgow Rangers (1-1). Whittaker a ouvert le score de la tête suite à un corner du jeune Weiss, prêté par City (67e). Mais à la 89e, la tête de Mati Fernandez a permis aux Lions d'égaliser. De son côté, Liverpool a largement déçu chez le Sparta Prague (0-0). Fermant le jeu, ne cherchant jamais à faire la différence, les Reds de N'Gog devront faire attention à ne pas encaisser un but lors du retour à Anfield.

Nota:
Ó Vasconcelos, aqui tens matéria para monopolizares o próximo Trio d'Ataque: então, é lá admissível que um jornal como o L'Equipe se tenha esquecido de citar o glorioso? Mata, mata, mata! Vai queixar-te ao Ministro da Administração do Cartão de Eleitor, pede os Chaimites, espuma, esbraceja, cospe fel, suborna o Danielzinho, berra com o Sócrates. Como tu dirias:  "isto é um negócio muito nebuloso, com contornos inacreditáveis,tudo muito estranho. Há que mobilizar depressa o Ministro dos Negócios Estrangeiros, a Procuradoria. É preciso declarar  guerra à França! Que ignorantes são estes franceses! Estão feitos com o Pinto da Costa, é o que é! Esta questão tem de ser investigada" 



Termómetro Porto/Norte

POSITIVO:

  • Norte lidera exportações nacionais [Têxtil, vestuário e calçado c/ 14% de vendas de Portugal ao exterior. Vendas por Leixões sobem 60% em Janeiro]
  • Porto Vivo admite ajustar preços e arrendar [Falta de interessados motiva alteração estratégica da SRU]
  • Galegos preferem Aeroporto Sá Carneiro [600 mil em 2010. Já representam 12% do total de passageiros]
  • FCPorto vence em Sevilha e segue invicto na Europa [Rolando e Guárin fizeram os golos da victória portista por 2-1]
  • Associação Comercial do Porto aposta na investigação como alavanca da região [Inovação. Protocolo com a Universidade do Porto visa a revitalização do tecido associativo]
  • MPN quer empresa pública para a alta velocidade Porto/Vigo [Proposta. Movimento tem reunido com vários autarcas da região Norte]
  • Armindo Araújo primeiro piloto português a entrar na elite do WRC
  • Fantas arranca segunda-feira com 127 horas [Festival. Rivoli volta a acolher a totalidade do festival de cinema do Porto]




NEGATIVO:

  • PCP questiona disparidades do tarifário no Metro do Porto
  • Sócrates lança a primeira pedra da barragem do Tua [Polémica. Verdes alegam que a navegabilidade do rio pode estar em causa
[Fonte: Semanário Grande Porto]

Obs. de RoP - Fica por explicar porque é que, com tanta boa notícia o Norte permanece a região mais pobre do país e orfão de liderança.

Singular, a barbaridade governamental de destruir a linha do Tua a pretexto de mais desenvolvimento para a região [uma barragem que irá produzir apenas 0,1% de energia!].

As promessas mentirosas repetem-se e os trapaceiros continuam em liberdade...

17 fevereiro, 2011

Edifício Vodafone

Como se previa o edifício Vodafone venceu o prémio de melhor edifício do ano na categoria Institucional.

Estão de parabéns os arquitectos portuenses José Barbosa,  Pedro Guimarães e a cidade do Porto.

De lamentar a ciumeira que prémios desta natureza provocam independentemente de se concordar ou não com a distinção. Por cá, mesmo no seio da própria arquitectura há ainda quem ignore que ninguém é dono da Arte. Ao Arqº. Siza Vieira de pouco lhe valeu o prestígio internacional para o impedir de destruir literalmente o belíssimo jardim da Avenida dos Aliados para lá colocar um inexpressivo tanque... O prestígio  não é uma garantia de razão.


16 fevereiro, 2011

Ainda sobre jornais e jornalistas


Já repararam que com tantas operadoras de televisão, com montes de jornais, de estações radiofónicas, em 36 anos de democracia não tivemos uma única oportunidade para conhecer a verdadeira dimensão da liberdade de pensamento dos jornalistas? De sabermos o que é que eles próprios pensam das políticas editoriais veículadas pelas direcções (e) ou administrações dos jornais onde trabalham? Saber se de facto se sentem livres, se os deixam escrever tudo o que pensam ? De quantos programas se lembram  ter acompanhado que abordassem de forma frontal e regular estes assuntos?

Não será estranho que profissionais da informação, sempre tão diligentes com  questões da Justiça, de Liberdade, de Democracia [ainda agora vímo-los na cobertura aos acontecimentos do Egipto e Tunísia], revelem tamanha indiferença face à ausência de uma informação pluralista aceitando passivamente a via centralista seguida pela maioria dos órgãos de comunicação social? Afinal, comportamentalmente, o que os separa  da Net, dos Combustíveis, das Redes Móvel? Haverá, entre estes últimos e o jornalismo assim tantas diferenças, exceptuando as de estilo? Onde está afinal a tão badalada concorrência quando alinham todos pelos padrões centralistas? O que será isto,  senão uma óbvia cartelização  mediática? Até onde pensam chegar, traindo as expectativas da população de uma importante região do país? 

Temos, apesar de tudo, algumas inofensivas excepções a esta regra: o semanário Grande Porto e a estação de tv Porto Canal. Mas, ainda é pouco. O Grande Porto é um jornal semanário, não sai todos os dias, tem uma tiragem média de 12.000 exemplares e perde-se escondido nas bancas das tabacarias. Veremos se o Porto Canal não constituirá para o Norte uma outra decepção [mais uma] se decidir levar avante a alteração da sigla e o nome do canal em claro sinal centralista, precisamente agora que parece estar a crescer com a abertura de novas delegações  em outras cidades nortenhas. Veremos também se  repetirá os erros cometidos pela NTV e RTP N... Seja como for, tanto o semanário como a operadora de tv ainda têm pouca implantação para se poderem considerar alternativas ao que existe.

Sei que o Renovar o Porto não é propriamente o tipo de blogue que os jornais apreciam,  apesar de já ter sido destacado em alguns ditos de referência, porque é dos poucos que não tem preocupações promocionais nem se inibe de criticar o péssimo jornalismo que por cá se produz. Este post é só mais um exemplo. Por isso, não passa despercebido aos destinatários, embora possa dar essa ideia... Continuo portanto a aguardar que por aqui apareça a comentar um qualquer senhor jornalista que tenha a coragem de me provar, sem tentar deitar-me areia para os olhos, que estou enganado.

Hoje, o jornal "I" foi distinguido com um prémio pela Society for News Design , facto que explica a euforia do título da edição de hoje: i é o melhor jornal do Mundo! Mas, não era preciso exagerar! Realmente, a distinção em termos de design e conteúdos é merecida [eu também gosto], mas a questão que se coloca é saber até que ponto o júri terá tido conhecimento do cariz centralista da imprensa portuguesa e se, em caso afirmativo entregaria o prémio ao jornal dirigido por Manuel Queiroz.

15 fevereiro, 2011

Pobres jornalistas...

Dizia Alfredo Maia [na foto], presidente do sindicato dos jornalistas, em título de artigo na revista Foco,   que a qualidade do jornalismo está a ser posta em causa. Quando eu pensava que o bom senso tinha finalmente  invadido a boa consciência da classe, afinal o problema era outro; reduzia-se a um iminente risco de despedimento supostamente motivado pela eventual fusão da Agência Lusa com a Direcção de Informação da RTP...

Pelos vistos, ao presidente do sindicato dos jornalistas não lhe passou sequer pela cabeça a hipótese de uma grande vaga de desemprego provocada pelo jornalismo de sarjeta que impera pelo país, de Norte a Sul, onde o respeito pelos leitores foi há muito relegado para um secundaríssimo plano, em benefício de critérios de venda de validade discutível.

As justificações apresentadas para tamanha preocupação, são no mínimo divertidas, já que ao que parece, é a concentração de meios e a concorrência directa com os canais privados o principal problema. Há nestas declarações uma absoluta falta de coerência entre a teoria e a prática. Este cavalheiro não deve ver a programação desportiva, caso contrário não se atreveria a fazer afirmações desta natureza. Se há coisa que já existe nos media, é concentração, não apenas de meios como de políticas de informação, onde o unanimismo passou a ser palavra de ordem.

Que o sindicalista não leia jornais nem veja telejornais é espantoso, que não se digne sequer olhar para as bancas dos quiosques é surrealista, pois na pior das hipóteses seria atraído pelo tom berrante e vermelhusco das capas dos jornais. A não ser que, tal como os Deolinda, queiram impingir aos portugueses a ladaínha de "quem não é benfiquista, não é bom chefe de família".

Senhor Maia: se quer ter uma pequena ideia da opinião de um leitor que se orgulha de ser portuense, portista e *anti-benfiquista assumido [leu bem, anti-benfiquista], saiba que quantos mais "pasquinistas" ficarem desempregados, melhor. Não é com políticas absolutistas e anti-democráticas de informação que os jornalistas legitimam o direito ao trabalho, é com seriedade e respeito por todos os leitores.

*Para quem ousar impingir-me sermões moralistas, faço questão de informar que fui beber o meu anti-benfiquismo ao anti-portismo da Comunicação Social e do Cerntralismo. 

14 fevereiro, 2011

Touradas e coisas piores

A propósito da anterior crónica (sobre as inclinações "culturais" da Câmara de Vinhais, que decidiu iniciar os seus munícipes nos prazeres "exquis" da brutalidade e tortura pública de animais) escreve-me um leitor dizendo, em abono da tourada, que Hemingway e Picasso gostavam do espectáculo. Não só eles, acrescento eu, e de touradas e coisas piores...

Escritores e artistas raramente são exemplos morais recomendáveis. Céline, escritor maior (mesmo não sendo a literatura um campeonato) que Hemingway, partilhou com Hitler, além do desprezo pelas mulheres, o gosto pela carnificina de judeus, e Picasso, juntamente com as touradas, teve outra devoção não menos sangrenta, Estaline.

A História está cheia de obras sensíveis e generosas, às vezes de grande riqueza moral, realizadas por gente feia, porca, má ou nem por isso. E se o desprezível dr. Destouches, dito Céline, escreveu a admirável "Viagem ao fim da noite" mas também obras imundas e carregadas de ódio, em outras é difícil encontrar traço do ser humano existente por trás delas (quem dirá que por trás da belíssima Catedral de Brasília está um devoto, também ele, de Estaline?)

Não é por Hemingway e Picasso se terem divertido (terem sido capazes disso) com a agonia e morte de um animal que a tourada deixa de ser um espectáculo eticamente condenável. O facto de apreciarem touradas desabona a favor de um e outro, não abona a favor das touradas.

Manuel António Pina

11 fevereiro, 2011

Falemos de coisas sérias e... azuis



DANUBIO AZUL / strauss

Deolinda do Benfica



Há até quem diga que é a voz da nova canção de intervenção... Eu desconfio.

Colocar o "Benfica" numa canção de intervenção tem o mesmo efeito revolucionário que cuspir na sopa...
Não gosto! Esta coisa muito portuguesa de repetir o refrão 30 vezes seguidas é por demais monocórdica. E depois, tem um insuportável cheiro a fado...

Entrar no armário

Bater na Justiça, em Portugal, já se transformou numa espécie de desporto nacional não federado. Batem os políticos, batem os agentes da Justiça, batem aqueles que, anonimamente, e todos os dias, têm de confrontar-se com os caprichos e devaneios de uma máquina voraz que, como bem notava, recentemente, Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, parece viver mergulhada na Idade das Trevas.

Entre a ingenuidade de acreditar que há uma justiça igualitária, que não discrimina em função da condição social e do capital de influência de quem se senta no banco dos réus e a recorrente contenda sobre a ténue fronteira que separa o universo judicial do da política (caldinho regado por juízes arvorados em super-heróis e políticos que se pintam de coitadinhos) há uma dimensão terrena que, não raras vezes, nos escapa.

Falo das coisas de todos os dias, de não haver funcionários, de não haver computadores, de não haver cadeiras nas salas de espera, de não haver respeito pelos horários e pela vida de quem se desloca a um tribunal. De não haver, enfim, armários para guardar os processos.

Pois é esse precisamente um dos aspectos peculiares do julgamento do caso BPN, tão-só o mais importante processo de crimininalidade económica ocorrido em Portugal. Não há armários para guardar os 70 volumes e os 700 apensos do processo numa área de fácil acesso aos intervenientes do caso, o que permitiria uma consulta mais célere e uma óbvia agilização no desenlace do julgamento.

A alternativa é esta: de cada vez que uma das partes quer consultar um calhamaço, é obrigada a deslocar-se a outro andar, ao arquivo geral, o que significa interromper a audiência durante, pelo menos, meia hora. De sublinhar que toda esta rábula tem como pano de fundo o Campus da Justiça, esse monumento envidraçado à modernidade.

E, afinal, o que pediu Luís Ribeiro, o juiz-presidente? Pediu 180 armários novos para instalar na sala de audiência e a ajuda de um funcionário judicial para dar apoio no acesso a tão vasto manancial de papéis. Obteve um redondo "não" como resposta. "A justiça está dependente do Poder Político. Só faz o que a deixam fazer", desabafou o magistrado, com uma eloquência que, não me surpreendendo, não deixa de ser assustadora.

Sobretudo porque o mesmo Poder Político que não hesitou em injectar quase cinco mil milhões de euros para salvar o BPN (maldita robustez do sistema bancário!) não é capaz de dispensar uns trocos para melhorar o funcionamento da máquina judicial e, com isso, ajudar a punir aqueles que engordaram a conta bancária à custa de esquemas criativos de contabilidade.

Já que não pode dar-se ao luxo de adquirir 180, que o Governo abra uma excepção e compre ao menos um armário. Para se fechar bem fechadinho lá dentro.

[Pedro Ivo Carvalho/in JN]

Obs. do RoP
Para memória futura declaro que o facto de continuar a publicar artigos de opinião de jornalistas ou colaboradores do JN - jornal que deixei de adquirir -, não expressa a minha sintonização com o seu alinhamento editorial e a opinião de alguns jornalistas. Há sempre excepções...

10 fevereiro, 2011

Amor portista & Corrupção


Sobre o amor ao FCPorto

Ao contrário de outros bloggers portuenses, mais elitistas, aceitei propositadamente a cooperação com blogues ligados ao futebol [portista] para poder testar a relação dos adeptos, quer com o seu maior clube [o FCPorto], quer com a cidade do Porto, quer com a política, quer com a  própria sociedade.  A conclusão, não sendo ainda definitiva, está a ser decepcionante. O  mais recente teste, que de certo modo revela com clara evidência a apatia dos tripeiros perante ocorrências que lhes dizem directamente respeito prende-se com a Petição que em boa hora, e por inicitiva própria, decidi colocar na Internet. O motivo pareceu-me pertinente e consensual, a Petição procurava [e procura] protestar contra a discriminação negativa,  mesmo vexatória, que a RTP [e grande parte dos media] tem vindo a exercer com o FCPorto, ao mesmo tempo que punha à prova a capacidade de indignação dos adeptos confrontando-os com a paixão clubísta que noutros contextos fazem questão de patentear. Resultado: em 3 semanas o máximo que a paixão portista conseguiu foi, até à hora em que escrevo este post 575 assinaturas! Para um universo de alguns milhões de adeptos, um Estádio para 52.000 lugares, 575 assinaturas? Só? Com a blogosfera portista informada, o facebook, os e-mails, as conversas de café, e se calhar o próprio clube? O que é que se passa com toda esta gente? Terá sido contaminada por uma praga estranha de sado-masoquismo?

Seguramente que daqui a algumas semanas o número de assinaturas irá aumentar e não será muito difícil reunir a quantia suficiente para justificar a entrega da Petição na Assembleia da República, mas isso não invalida a baixa adesão de subscritores. A conclusão que me ocorre imediatamente retirar é a mesma de sempre: os portugueses ainda transportam consigo as mazelas da ditadura, isto é, medos antigos e um baixo índice de civismo. Os outros que resolvam.  Quando as coisas começarem a dar para o torto, veremos muitas cabecinhas pensadoras a saírem da toca...


Da corrupção

Só para referir alguns dos processos de corrupção que cirandam pelos tribunais sem prazos de resolução previsíveis, limitar-me-ei aos mais recentes: Face Oculta, Taguspark, Portucale e BPN. Para dizer, que parecendo lixo a mais para um país menor, estes casos não passam da ponta do iceberg da promiscuidade inerente a uma sociedade orfã de valores imateriais.

Foi em rigor o Processo Apito Dourado e o sectarismo mediático que lhe esteve adjacente que me fez crescer a vontade de colocar um ponto de ordem na caça às bruxas que a partir daí foi declarada pelo centralismo à pessoa de Pinto da Costa com exclusiva intenção de atingir a hegemonia do FCPorto no futebol português. Vestidos de roupagens pseudo-moralistas, os órgãos de comunicação deram eco à propaganda anti-Pinto da Costa procurando por todos os meios transformá-lo numa espécie de D. Corleone tripeiro responsável por tudo o que de pior há no futebol caseiro. E, não obstante a montanha de acusações ter parido um rato de absolvições, a verdade é que a perseguição continua.

Ora, os casos de suposta corrupção que citei no início do post revelam à saciedade que os problemas mais graves estavam [e estão] no interior do próprio poder político e nas grandes empresas público-privadas, podendo daqui dissecar-se, quanto mais não seja pelo seu silêncio, que a estes protagonistas deu muito jeito a campanha acusatória contra Pinto da Costa. Enquanto os olhos da opinião pública eram conduzidos para ele, todos estes putativos corruptos podiam dormir tranquilos.

Termino chamando a atenção para o seguinte: a sociedade portuguesa tal como está  orientada dificilmente se livrará de cometer o crime de corrupção. É tudo uma questão de oportunidade e... de carácter. Antigamente ninguém via nenhum mal, até era de bom tom, obsequiar o médico de família por altura do Natal com um "perú" ou outros géneros,  que tão diligentemente nos tratou em momentos e circunstâncias difíceis. Era uma forma de mostrar gratidão pela deferência. O problema não está nestas atitudes de boa fé, o problema começa quando a seguir ao "perú" a oferenda sobe para cotações suspeitas [oferta de carro, permissão de construção ilegal, cedência de terrenos, de apartamentos, a troco de favores mais "expressivos" ]. É aí, a partir desse ponto exacto que o potencial corrupto tem a oportunidade de se demarcar do corruptor e dizer não. É neste preciso momento que ele se confronta com o "engôdo", com o teste à sua integridade e que, de uma forma geral, acaba por ceder. A "lógica" do raciocínio tenderá para o facilitismo: se os outros "comem", porque não hei-de eu "comer"? É assim que muitos "sobem" na vida...

Por isso é que, se tivermos a sorte [sorte sim, vamos precisar muito dela] de um dia sermos governados por gente séria e competente, será preciso tratar este assunto da corrupção começando por dar o exemplo. O povo saberá reconhecê-lo, é só uma questão de tempo. Depois, acabar com os fundamentalistas da ética, de forma a diferenciar um gesto de simpatia - que a meu ver não deverá ser abolido - de um óbvio convite ao suborno. A fronteira entre a oferenda e o aliciamento à corrupção pode ser ténue, mas não me venham dizer que uma e outra coisa são confundíveis, porque não são. Só o são se o interessado quiser fazer de todos nós uns anjinhos. Como dizia o outro, um vintém, é um vintém. Um cretino é um cretino.   

09 fevereiro, 2011

Um verdadeiro VIP

Não valorizo os títulos nem as classificações de fonte mediática. Regra geral, são  farsas de exibicionistas, fantochadas, ou então meros "furos" jornalísticos. Os meus VIP's, não são os vip's da comunicação social ou da imprensa cor-de-rosa. São, de preferência, como o médico de uma aldeia perdida de Macedo de Cavaleiros que teve a coragem e a feliz ideia de engendrar um sistema simples de recuperação de medicamentos usados ainda em perfeito estado de conservação e dentro do prazo de validade, para os utilizar, gratuitamente, no tratamento dos doentes mais carenciados.

Nas antípodas deste nobilíssimo médico, a fútil Ordem dos Farmacêuticos não resistiu à vil tentação de perguntar a esta alma caridosa porque é que não receitava medicamentos pagos aos doentes... Contrastes que fazem toda a diferença.

Este sim, é um Homem verdadeiramente importante, daqueles a que a Televisão não costuma atribuir grande interesse, excepto se em troca puder ganhar qualquer coisa com a cortesia. Talvez isto explique por si o facto de eu não ter conseguido registar o seu Importante nome.

Era apenas um Homem, um médico de uma aldeia remota do Trás-os-Montes profundo. Uma Pessoa Verdadeiramente Importante. Um VIP português, um transmontano, um VIP segundo os meus "esquisitos" conceitos... Como o invejo!

Aquilo que um leigo sabe e os experts "ignoram"


Deixemo-nos de tretas e falemos à vontade, louvando tudo quanto merece ser louvado e censurando as malfeitorias que se vão cometendo, mesmo que tecnicamente possamos não estar muito qualificados para abordar ao detalhe determinados assuntos. Bom senso e uns pózinhos de lucidez chegam e sobram para discutir até as coisas aparentemente mais difíceis. Querem exemplos?

Não é preciso ser sábio, deputado, médico ou jornalista para perceber o erro grosseiro que Cavaco Silva acaba de cometer ao vetar o decreto-Lei governamental que obriga os médicos à prescrição de medicamentos pela substância activa em vez de marca. Muita asneira tem feito este [e outros] Governo, mas a decisão de obrigar o médico a justificar os motivos da dispensa dos genéricos é talvez a medida mais acertada e verdadeiramente corajosa que nos últimos tempos tomou. Só faria sentido vetar este Decreto-Lei, caso as entidades reguladoras nacionais e internacionais do sector,   tivessem previamente proibido a sua comercialização/prescrição com as inerentes justificações, coisa que, ao que se sabe, não sucedeu. Daí que, o veto do Presidente da República ao Governo sirva mais para lançar a suspeita de revanchismo político na opinião pública, do que - como ele alega -, para transmitir segurança aos doentes. Não passa de mais uma birra de um senhor sem categoria para ocupar o lugar que tem. 

Também é desnecessário ser economista para compreender porque é que a *Porto Vivo/RSU não conseguiu vender uma única fracção das 10 que tinha no mercado. Não faltam explicações, mas aquela que ressalta aos olhos foi a política de preços usada, que roça a tradicional especulação imobiliária. Uma grande parte, senão mesmo a totalidade dos [poucos] imóveis recuperados em Mouzinho da Silveira não dispõem de garagem e de outros equipamentos que as casas modernas oferecem nos arredores a preços muito mais atractivos, o que significa que só um pequeno nicho de mercado com grande poder de compra poderá eventualmente deixar-se seduzir por tão rudimentar oferta. Não sendo de excluir essa possibilidade, a aposta da Porto Vivo deveria apontar para preços mais realistas e para um público mais carenciado, ou seja, para quem necessitasse de facto de adquirir casa para residir, porque os compradores de  recursos económicos elevados não usarão este tipo de casas como habitação principal e, além disso, são uma minoria. Por conseguinte, não adiantará muito enfatizar a questão de uma errada estratégia comercial, porque não há poder de compra que resista às necessidades reais das pessoas. Continuar a pedir-se por um T1 restaurado da Baixa 175.000 €, sem garagem, arrumos, nem outras "mordomias" e, na hipótese mais provável, com casas ao lado a cair de velhas [prostituição e droga], tendo  um T1 novo  nos arredores melhor equipado,  por 120.000 €, quem é que vai comprar um na Baixa?

*Pelos vistos o Governo não aceitou Rui Moreira para a Porto Vivo [Deve ter melhores candidatos, presume-se...]

Esperemos é que   não se lembrem de nomear um clone do Mário Lino ou do Mendonça   [parecem tirados a papel químico],  medíocres recordistas da incompetência.

08 fevereiro, 2011

Gaia anda, o Porto espera

«Gaia afirma-se como concelho atractivo para a habitação, o turismo, a ciência, as novas tecnologias... O Porto - bem mais fácil de vender internacionalmente - não espera por Godot mas por alguém que, nos meandros do poder governamental e político, nacional e regional, ponha o serviço à cidade tripeira e ao país acima de mesquinhos interesses partidários.

[Alfredo Barbosa, in I]»

Obs.
O Porto "bem mais fácil de vender", não vende. Como não, se não tem um vendedor [leia-se, Presidente da Câmara] à altura.


Expropriações

Expropriações atrasam início de obras na Baixa do Porto

A Baixa e os eternos obstáculos à reabilitação. Que país de empatas!

06 fevereiro, 2011

Jornalistas de cáca


Sei que me restam poucas alternativas, mas estou decidido a não dar mais um cêntimo pelo Jornal de Notícias. E não o farei apenas pelos muitos erros ortográficos que o jornal deixa passar, nem pela vocação trágico-populista dos seus conteúdos, mas pela baixa qualidade jornalística, que é cada vez mais evidente. Hoje, por exemplo, um senhor chamado Paulo Felizes, resolveu eleger para figura do dia o Presidente do Benfica, plasmando-lhe a foto como se de um grande estadista se tratasse, acompanhada do seguinte texto:

* «O Presidente  do Benfica aproveitou ontem a inauguração de mais duas casas do clube para atacar o secretário de Estado do Desporto, reposicionando-se estrategicamente em relação à situação da FPF. Reconhecendo que o apoio a uma anunciada candidatura à presidência da Federação de Fernando Seara terá sido precipitado, LFV voltou-se agora para o Governo e para Laurentino Dias, que acusa de não fazer cumprir a Lei, a propósito da obrigatoriedade da FPF adequar os estatutos à Lei de Bases do Sistema Desportivo. Ao contrário de outros presidentes de clube, Vieira está a envolver o Benfica no processo das mudanças federativas. Até agora, fez todo um trabalho político claro. Lançou um candidato às eleições federativas, foi obrigado a recuar e introduziu uma nova questão ao problema, responsabilizando o Governo pela situação na Federação. As pressões do Benfica aos governantes não são novas e é um terreno em que o presidente do clube da Luz se movimenta particularmente à vontade.» 

Independentemente da importância da adequação dos estatutos à Lei de Bases e da oposição de um número razoável de associações que não estão dispostas a abdicar da sua influência para a entregar a terceiros, o que é "admirável" é a argumentação utilizada pelo articulista para elevar as declarações do presidente do Benfica à categoria de grande estratega quando na realidade do que se trata é de uma chantagem intolerável do Benfica sobre o Governo. Para o jornalista a envolvência do presidente do Benfica é uma acção louvável, um trabalho político,  e a candidatura de Fernando Seara à presidência federativa -um benfiquista assumido - , é tida com um "inocente" reconhecimento de precipitada... Francamente, não sei aonde foi o jornalista descobrir neste acto manifesto de arbitrariedade e promiscuidade algo digno de ser elogiado. Só mesmo, por descarado fanatismo benfiquista. O JN, um jornal histórico do Porto, está agora transformado num miserável porta recados benfiquista. Ao que se chegou!

A única maneira de resolver este assunto sem levantar muitas ondas, seria entregar a presidência da FPF e respectiva equipa a  pessoas altamente qualificadas, insuspeitas, e sem vínculos político-associativos aos clubes de futebol, sejam eles quais forem. Depois, era reformular a distribuição de votos de forma equilibrada e sensata, sem desrespeitar os antigos direitos adquiridos pelas associações de futebol esvaziando-lhes o poder apenas para o substituir por outro mais "conveniente". Aquilo que salta à vista da tão gabada "estratégia" do presidente do Benfica resume-me a uma coisa: ocupar a FPF com gente afecta ao clube da Luz para a controlar a seu bel prazer. Ponto.

Com a Liga de Futebol, os procedimentos deviam ser idênticos, isto é, a presidência e cargos directivos deviam, por Lei, ser entregues a pessoas de reconhecida isenção clubísta. Tudo o que fuja a estes princípios só fará o problema arrastar-se no tempo, indefinidamente, com guerras e guerrinhas cheias de boas intenções, que só servirão para empolar conflitos e encobrir interesses de seriedade duvidosa.

Imaginam um texto desta natureza se o estratega se chamasse Jorge Nuno Pinto da Costa?
Outra coisa: depois de ler as declarações de LFV haverá quem acredite que a política e o futebol são compartimentos estanques?

04 fevereiro, 2011

e continuam a partir, por cá também, Adriano



ONDE ESTARÃO OS NOVOS CANTORES DE INTERVENÇÃO QUE NINGUÉM OS VÊ? SERÁ POR FALTA DE INSPIRAÇÃO, OU POR FARTURA DE CAUSAS?

Medos, ou conveniências?



Vou-me repetir, agora, e tantas vezes quantas considerar necessário. Sinto-me confortável neste capítulo e sem receio de me tornar cansativo, considerando os infindáveis testes feitos à tolerância dos portugueses durante anos a fio por gente mais repetitiva que eu, falsa e com outras responsabilidades públicas.

Não simpatizo mesmo nada com os apreciadores do politicamente correcto. Diria mais: desconfio quase sempre deles. Mas cuidado, não se confunda isso com desprezo pelas boas maneiras. Acontece, que a má Democracia que criamos levou muita gente a confundir o politicamente correcto com a boa educação, sendo coisas substancialmente diferentes. O modo politicamente correcto implica o não compromisso, o não falar claro, a omissão subtil da verdade - com ou sem um sorriso nos lábios -, a boa educação pode expressar-se com toda a simpatia e frontalidade sem ter obrigatoriamente de recorrer à farsa. Esta, não é uma diferença menor, meus senhores.

Vejo, com desgosto, que continua bem presente no espírito de alguns portuenses um determinado tipo de complexo relativamente ao que a opinião publicada de Lisboa pensa de nós, coisa  que me custa imenso a compreender. Na política, na cultura ou no futebol, esses medos inexplicáveis são cada vez mais visíveis. Na política, o Homem do Norte morreu. Muitos que hoje estão no Governo são do Norte e revelam-se incapazes de levantar um dedo para o defender. São a nossa vergonha, o argumento que dá força àqueles que tudo fazem para destruir as nossas características e transformá-las em mitos. Na cultura, já não há "heróis". Os Adrianos Correia de Oliveira de hoje confundem-se com os Marcos Paulos da pimbalhada pós Democracia sem qualquer vocação para a luta política. No futebol, um clube resiste, substituindo-se à própria cidade, qual aldeia gaulesa do Astérix, mas sem a valentia do seu povo [falta-lhe a poção mágica...]. O FCPorto, com todas as imperfeições, como clube, consegue ser melhor do que muitos dos seus adeptos. Melhor ou pior, luta, resiste e vai vencendo. Estará algo distante dos adeptos? Talvez. Mas... e os adeptos? Estarão assim tão perto do clube? Estarão dispostos a tudo para o defender politicamente das investidas centralistas? Enquanto ganhar, talvez... Veremos como será quando o clube perder o protagonismo das victórias, para onde irão esses adeptos canalizar as frustrações...

Há medos, curvares de espinha inqualificáveis para um povo que se diz tão orgulhoso da sua história. Mas, sejamos precisos. Não é propriamente só o povo que curva a espinha ao centralismo, são também as elites sem fibra nem carácter, capazes até de vender a cidade para sua promoção e proveito pessoal. O Porto, são elas. As elites trairam o Porto e jamais invertirão o sentido da traição se o Povo não se revoltar. As elites lutam por si e para si, não lutam para o Povo. Logo, são descartáveis. Mas ao menos, podiam ter o bom senso de nos poupar aos discursos fedorentos do politicamento correcto. Se insistirem na fraude, na cobardia, podem bem preparar-se para, num dia não muito distante, terem de aguentar com o impacto perfumado  de uns ovos, ou tomates pôdres.    

Edifício Vodafone entre os 5 melhores do Mundo!

Os arquitectos portuenses, José António Barbosa e Pedro Guimarães, autores do projecto do edifício Vodafone, viram o seu trabalho reconhecido pelo site ArchDaily Building of the Year Awards incluindo-o entre os cinco finalistas do respectivo concurso cuja votação terminará no dia 13 de Feveriro.

Para "provincianos", não está nada mau... Pode acompanhar o assunto em: http://www.archdaily.com/building-of-theyear/2010/vote/category/Institutional%20Architecture#start  

03 fevereiro, 2011

Benfica, o símbolo da nossa medíocridade

Na ressaca de uma derrota mal digerida, com o clube que concentra o que de pior há nos portugueses, dou por mim a tentar descobrir por que é que o meu fair-play se eclipsa nas raras vezes que perdemos com ele. 

Apesar da ausência de Democracia, dantes, talvez por não haver televisão, as rapinagens de que eram vítimas os poucos clubes da "província" [para os lisboetas só existe a sua cidade] que lhe podiam fazer frente, eram melhor digeridas, e de certo modo resolvidas com uns profiláticos tabefes no terreno ao(s) autor(es) da afronta [leia-se, equipa de arbitragem] .

E não me lembro, que essas descargas de revolta esporádicas tivessem ferido de morte, ou mesmo provocado a morte a alguém, como aconteceu em plena era da televisão a um adepto do Sporting por mão assassina de um benfiquista. Já sei, já sei, que não há adeptos virtuosos, que o fervor clubístico só difere nos símbolos, mas a rivalidade entre o FCPorto e o Benfica é muito menos inocente que isso. O Sporting, é tal como o Benfica, um clube de Lisboa, também um tradicional rival, mas consegue escapar à antipatia visceral que os portistas nutrem pelo Benfica. E não creio que isso se possa dever apenas ao facto de o Benfica ter um historial mais rico ou por o Sporting nos últimos anos não ter vencido muitos campeonatos. Deve-se, acima de tudo, a uma postura de arrogância e de generalizado desprezo pelos rivais nortenhos do FCPorto. 

O Benfica simboliza a mentalidade centralista, o narcisista a babar-se para o próprio umbigo, o "ou nós, ou ninguém", os moralismos corruptos, as infames conspirações com os consequentes efeitos difusores: o Benfica  dos milhões, o Benfica dos bons chefes de família, enfim... Mas, todos esses maniqueísmos seriam toleráveis se confinados à luz da rivalidade desportiva e se não tivesse por trás a envenená-la  toda uma comunicação social facciosa e muitos políticos oportunistas. O Poder Político, a par do Poder Mediático, são os maiores responsáveis do pós 25 de Abril por terem transformado a rivalidade desportiva numa rivalidade étnica, económica e social.

O Centralismo é da responsabilidade dos políticos. De todos! Dos que governaram e dos que foram oposição. Todos pactuaram com a montagem deste espectáculo miserável, por isso não terão qualquer autoridade moral para abrirem a boca quando os blindados que acompanham a comitiva [autocarros] do Benfica nas deslocações ao Porto forem recebidos à bomba, em vez de ridículas bolas de golfe. Portugal, em termos realistas, está mais próximo do Egipto do que do Principado europeu do Mónaco. A continuar assim, talvez um dia venhamos a comprová-lo no próprio terreno. 

Por isso grito: que morra o Benfica! Morra! Que morra o Centralismo! Morra! 

E que viva a verdadeira raíz nacional: PortoGal! Viva!

02 fevereiro, 2011

Acusada a recepção do post anterior à Porto Canal

De: Agenda Porto Canal
Data: 02/03/11 02:47:59
Para: 'Rui Valente'
Assunto: Lida: Post publicado no Blogue Renovar o Porto

Mensagem
Para: PortoCanal Informação
Assunto: Post publicado no Blogue Renovar o Porto
Enviada: 02-02-2011 4:30

lida em 02-02-2011 15:47.

Porto Canal, ou ponto final?

Caso os nossos desacreditados governantes tivessem sido fiéis aos seus compromissos eleitorais e houvessem respeitado,  como era seu dever, a Constituição da República, em vez de a tratarem consoante os  interesses partidários, talvez hoje não fizesse sentido falar de Regionalização, apesar de ela lá constar [Cap.IV,Artº256/76]. Ano após ano, foram-nos fazendo falsas promessas de descentralização, enquanto de facto, hiper-concentravam os Poderes na capital, com os resultados que hoje se conhecem. Um país praticamente reduzido à área da Grande Lisboa e mesmo assim, mal governado. Não podiam ter feito pior, pois ao contrário do que agouravam os anti-regionalistas, é o centralismo com as suas idiossincrasias que está a bulir gravemente com a  coesão nacional.

Nos poucos fóruns onde se debate a Regionalização encontram-se comentários que espelham bem uma "nova" mentalidade decorrente do efeito perverso do centralismo: uma, talvez a mais usada, é a ideia da proliferação dos caciquismos, a outra, é o portocentrismo. Confundir o centralismo, que é antes de tudo político e, por efeito também económico, com a legitimidade de cidades ou regiões exaltarem a sua afirmação económica resultante da sua própria dinâmica e de tradições sócio culturais, é como desconfiar da origem portuense das tripas à moda do Porto, da bracarense Bacalhau à Narcisa, ou da alentejana Açorda com o mesmo nome. Gente há, que amiúde aborda a Regionalização com este bairrismo artificial imbuído de visíveis influências centralistas, cuja principal característica, como é sabido, consiste precisamente em dividir o que devia manter-se unido...

É por estas razões que vejo com alguma preocupação as declarações do Director da Porto Canal ao JN que admite mudar o nome da estação [para Canal do Norte]. A ideia de expansão para outras regiões do Norte bem como a abertura de novas sedes [já tem sete], é de louvar, mas o passado recente diz-nos que estas iniciativas acabam sempre por servir de pretexto para a inversão do projecto inicial. Tivemos a miserável experiência com a NTV que também propunha transformar-se na voz que faltava ao Norte, e que pouco depois se "deixou" absorver pela RTP [N], que só manteve o ene de Norte numa primeira fase para não levantar suspeitas. Pouco mais tarde, transformou o N de Norte em N de Notícias e por último num estranho ene de, parte do mundo, parte de si ... Dir-se-ia que as estratégias comerciais das televisões não dispensam tratar os consumidores como um monte de loiras muito burras [sem ofensa para as loiras], o que, convenhamos, não abona muito à dignidade dos nortenhos. 

Sendo certo que o conteúdo é mais importante que o invólucro, então não se entende este crónico complexo centralista, diria mesmo, medo, por tudo o que esteja colado ao nome Porto a pretexto de uma qualquer alteração estratégica. Pela mesma razão, não chocaria nada aos nortenhos a sigla RTP, SIC ou TVI, caso estas estações de tv tivessem primado por uma política de informação e programação descentralizada.

Então, para quê mudar agora o nome da Porto Canal se o objectivo é, como parece, descentralizar? Então, porque não se lembraram desse terrível "anti-corpo" estratégico quando abriram as portas? A Porto Canal está a crescer, o que é animador, mas crescerá mais e melhor, se não se esquecer do sítio e das razões porque nasceu, caso contrário, arrisca-se a ser mais um canal, igual aos que já existem sem sequer ter tempo para a engorda que tornou os outros arrogantemente centralistas.

Nota:
Este post foi enviado nesta mesma data, por e-mail,  à Direcção da Porto Canal


01 fevereiro, 2011

"Orgasmus georgius fidelis"

Ksawery Knotz, monge capuchinho de 45 anos e conterrâneo do beato João Paulo II, publicou um livro intitulado Não Tenhas Medo do Sexo, onde defende a tese de que Deus está no orgasmo.

Ainda não decidi se encomendo na Amazon esta obra, que mereceu o apoio da Igreja Católica polaca, o que se compreende perfeitamente. Se Deus é omnipresente, ou seja, está em toda a parte, é natural que esteja também no orgasmo, por muito que isso custe a engolir ao respeitável economista João César das Neves, que mantém activa uma cruzada particular contra "os fanáticos do orgasmo".

Como nunca me dei ao trabalho de penetrar no conceito de "orgasmo vertical", que, do meu ponto de vista, é uma das mais misteriosas peças do vasto legado intelectual do falecido Eduardo Prado Coelho, penso ter as credenciais para não ser considerado com um "fanático do orgasmo".

Apesar disso, não posso em consciência negar que, a par de uma posta de rodovalho grelhado, uma botelha de Vértice, um livro do Henning Mankell ou um episódio do Good Wife, um orgasmo é uma das coisas boas que um homem (ou uma mulher, ou um transexual) leva desta vida. Mais nada!

Na sua imensa sabedoria, Deus está com toda a certeza no orgasmo, mas o orgasmo não está no voto, ao contrário do que pretendia o vídeo lançado pela Juventude Socialista da Catalunha em que uma rapariga muito bem-apessoada depositava o voto numa urna enquanto simulava ter um orgasmo - com bastante menos verosimilhança do que a Meg Ryan na célebre cena de When Harry Meets Sally, filmada no Katz Delikatessen de Nova Iorque, onde se pode comer a melhor sanduíche de pastrami do mundo.

Os 53,37% de eleitores que se abstiveram no domingo não partilham desta peregrina ideia dos socialistas catalães, senão não teriam desperdiçado tão ostensivamente uma boa oportunidade de obter um orgasmo.

Já não sei que dizer a este propósito dos 191 187 eleitores que votaram em branco ou dos 86 531 que anularam o boletim para manifestaram o seu desagrado com a oferta de candidatos. Vi no Twitter o boletim de uma eleitora que acrescentou Chuck Norris à lista e fez a cruzinha num quadrado desenhado à mão. Pode não ter tido um orgasmo, mas seguramente divertiu-se a kitar o boletim.

Eu faço parte dos 94% de portugueses que não confiam na classe política (sondagem GFK para o Projecto Farol, liderado por Belmiro de Azevedo e promovido pela Deloitte) e por isso fui um dos 189 036 eleitores que votaram em José Manuel Coelho. Não senti um orgasmo quando, por volta das 11.30, introduzi o boletim na fenda da urna da 8.ª secção da Católica do Porto. Mas fiquei satisfeito. Ao fim e ao cabo, há algo de intensamente orgástico na ida do Coelho à Coelha.

Jorge Fiel
[Fonte: Bússola]

31 janeiro, 2011

Divulgação do discurso do MPPNorte

Discurso do Presidente d MPN, na romagem efectuado ao monumento funerário “Aos Vencidos” do 31 de Janeiro, no seu 120ª aniversário, na Cemitério do Prado do Repouso, no Porto.

Já vimos aqui desde a adolescência, mas foram outros tempos. Vir aqui no tempo da ditadura era fazer resistência, manifestar revolta, gritar “Abaixo o Fascismo”.

Depois do 25 de Abril, a evocação aqui dos heróis do 31 J (31 de Janeiro), tornou-se folclore e ritual oficial, cada vez com menos significado.

Se o Partido do Norte está hoje aqui, não é para alinhar com mistificações, nem para nos confundirmos com elas. É para usarmos este momento para falarmos verdade, para seguirmos o caminho da verdade.
Foi a Oligarquia, a corrupção, a degenerescência no Terreiro do Paço que levou a que o Porto, tal como em 1820, tenha dado o passo necessário. E face à violência do poder estabelecido o passo portuense, em 1891, só podia ser o da revolução executada na madrugada do 31 J.

Falhou, como podia ter vencido. São assim as vicissitudes da história. Mas embora o Porto tenha sido, por esse acto, o precursor da República vitoriosa em 1910, é bom que se diga, em abono da verdade, que o ideário da revolução portuense que falhou em 1891 teve pouco a ver com o ideário da revolução lisboeta vitoriosa em 1910.

Em 1º Lugar a revolução portuense, se anti-clerical como todo o republicanismo e até todo o liberalismo da época, nunca foi anti-espiritualista ou não fosse animada por espíritos como Antero de Quental e Guerra Junqueiro, paladinos da liberdade religiosa; ao contrário, a revolução lisboeta, logo se deixou dominar por um anti-clericarismo primário, de pendor positivista e persecutório, pondo em causa a liberdade religiosa e as inclinações espirituais da esmagadora maioria da população portuguesa. Por isso, se no ideário da revolução portuense se procurava a maior empatia com a população nortenha, como aconteceu, de resto, na madrugada revolucionária, na da revolução vitoriosa de Lisboa estabeleceu-se um poder jacobino, isolado do país, onde a reacção monárquica pode manobrar a seu bel talante, o que levou ao isolamento da república e à sua incapacidade para pôr a democracia eleitoral a funcionar, o que ainda mais se agravou com a política persecutória contra a liberdade religiosa.

Em 2º lugar a revolução portuense era de cunho democrático e federalista, tal como rezava a doutrina do Partido republicano e sublinhavam nos escritos os seus diversos paladinos. Pretendia-se uma revolução de todo o país, para libertar todo o país da capital. Para através de novos poderes democráticos municipais, provinciais e federais, o país se libertar do jugo corrupto do Terreiro do Paço e dos seus inquilinos ancestrais. A revolução triunfante em 1910 célere rasgou o programa do partido republicano e instaurou um regime centralista, unitarista, anti-provincial e anti-federal, mal-grado os protestos dos que conclamavam a realidade do país profundo e a coerência com os programas adoptados.

Não é por acaso que os grande pensadores políticos do 31 de Janeiro de 1891, Basílio Teles e Sampaio Bruno se recusaram a aceitar os convites para integrarem o governos saído do 5 de Outubro, e um de uma forma, outro de outra, ambos rapidamente se afastaram do partido republicano e da revolução que consideraram traída.

É o ideário da revolução portuense e nortenha do 31 de J, democrático, libertário, descentralizador, federalizante que estamos aqui a celebrar e nada mais. É a esses heróis que proclamaram pela força das armas, contra a violência instituída, a República e o Governo provisório do Norte que aqui rendemos homenagem.

Também nós queremos um governo do Norte e para o Norte, para bem do país. Felizmente, até ver, temos algumas condições políticas para nos associarmos e exprimirmos livre e legalmente.

Mas atenção, companheiros!

O regime actual já se assume como uma oligarquia partidocrata, em que os que lá estão se consideram os donos do país, consideram este o seu regime e não o dos portugueses. Por isso não se eximem em rapinarem o erário público com escandalosas subvenções partidárias, com o desvio degradante de verbas do contribuinte para alimentar instituições inúteis que têm como único fito a amamentação das clientelas pessoais e partidárias, provocando uma situação de desigualdade para com todos os portugueses que queiram construir novas formações políticas alternativas, que tão necessárias são, dado o descalabro dos cinco partidos instituídos actualmente e que já passaram o prazo de validade.

E por último, queridos companheiros, o actual regime constitucional, ao mesmo tempo que hipocritamente não se cumpre a si próprio, como é o caso da regionalização, estabelece articulados ditatoriais contra o regionalismo e a autonomia das populações, com a ridícula e ilegal proibição dos partidos regionais que entretanto admite através de truques, sendo neste aspecto uma vergonha para a propalada democracia portuguesa, o único país europeu da União europeia onde existe este tipo de restrição, embora ultrapassado pela Declaração dos Direitos fundamentais dos europeus, desde o Tratado de Lisboa, uma fonte superior de direito também em Portugal e por isso superior ao texto constitucional português.

O caminho que temos pela frente é penoso. A actual partidocracia que enterra o país não quer deixar os seus privilégios. Essa tropa fandanga de deputados que se fazem eleger sem ninguém os conhecer e que não abrem a boca uma única vez a não ser para dizer que sim aos directórios partidários, esquecendo quem os elegeu, não querem deixar os lugares nem assumirem um trabalho decente como os outros portugueses.

Por isso temos muito trabalho pela frente, para honrar a memórias destes “vencidos” heróicos que aqui estão sepultados. Trabalho de organização do Partido em todo o Norte; trabalho de esclarecimento junto ao povo, mostrando que o voto de cada um é uma arma preciosa que tem sido malbaratada. É preciso que a partir de agora, nas próximas eleições com o PN presente, cada um use o voto a seu favor, cada um use o voto a favor da sua região, para eleger deputados que tem como primeiro e sagrado comprimisso o de servir o país, servindo a sua região e o seu eleitorado, tudo fazendo a favor do Norte e nada contra o Norte.

Com os nossos votos só contarão as políticas favoráveis ao nosso eleitorado, à nossa região e ao processo de construção da nossa AUTONOMIA REGIONAL. Um governo regional do Norte e para o Norte.

De 1891 a 2011, o mesmo caminho, a mesma luta, até á vitória final!

Pedro Baptista

Porto 31 de Janeiro de 2011