27 setembro, 2011

Ainda sobre Alberto João Jardim

Ilha da Madeira, a Pérola do Atlântico
Há muito que guardo uma particular tolerância  com as diatribes de Alberto João Jardim, e as razões, podendo parecer contraditórias com o desprezo que nutro pela classe política, são de fácil explicação. É que, para nosso azar, Portugal não tem, nem nunca teve nos governos do Continente, ninguém que se possa orgulhar da robustez dos seus telhados, nem da credibilidade que, em sua representação, trouxe ao Estado. 

Alberto João Jardim teria a minha firme condenação, se quando lança impropérios e ameaças sobre os barões de Lisboa, estivesse a lidar com gente respeitável, de currículo à prova de bala. Mas gente dessa, pura e simplesmente, não existe! Jardim, provocou e continua a provocar os barões do "Cont'nente" - acabando sempre por conseguir os seus intentos -, porque, como velha raposa que é, sabe que do lado de cá falta coragem política e alvas folhas de serviços  para ousarem pô-lo na ordem. No Continente, não há governo central que se possa gabar de pedir meças com o da Região Autónoma da Madeira. Em nenhum aspecto. 

Se quisermos ver a coisa pelo lado irónico, podemos fazer uma leitura positiva da dívida da região autónoma como a versão madeirense do efeito spillover [difusor],  o mesmo que o Governo Central aplicou a Lisboa com verbas provenientes da UE, destinadas ao desenvolvimento das regiões, com o argumento de difundir o progresso ao resto do país... Só com uma diferença: a Madeira progrediu de facto muito, e não há ninguém que o possa negar, enquanto o resto do país, estagnou e continuou a ser discriminado, como o provam as portagens exclusivamente a Norte nas antigas Scuts. Que moral tem então esta canalhada que agora se põe em bicos de pés para criticar Alberto João Jardim?

Num contexto destes, só lamento é que Rui Rio, cinzentão e complexado, não tenha tido a coragem de fazer o mesmo pelo Porto que o seu compagnon de route do PSD fez pela Madeira. Pelo menos, o Porto tinha progredido.

Quando os recursos financeiros prometidos tardam e a palavra falha, a única coisa que resta para sobreviver, é aplicar a técnica do judo, usando as forças e as manhas do adversário a nosso favor. Alberto João Jardim, limitou-se a levar a técnica marcial à letra, e a Madeira só ganhou com a astúcia. Dívidas? Pois não tem sido o Estado Central o campeão das dívidas?   

Não, não contem comigo para me juntar ao coro de hipócritas para crucificar o homem da Madeira. Afinal de contas, Jardim limitou-se a tratar o governo central como ele merece ser tratado: ôlho por ôlho, dente por dente.

26 setembro, 2011

Acesso à Justiça

A Constituição da República Portuguesa garante no seu artigo 20º que «[a] todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, não podendo a justiça ser denegada por insuficiência de meios económicos». E logo acrescenta: «Todos têm direito, nos termos da lei, à informação e à consulta jurídicas ao patrocínio judiciário e a fazer-se acompanhar por advogado perante qualquer autoridade».

No entanto, apesar da clareza destas imposições constitucionais, Portugal é um país onde o acesso à justiça depende cada vez mais da capacidade económica das pessoas. Hoje, praticamente, já só os ricos podem defender os seus direitos em tribunal. A classe média está cada vez mais impedida de o fazer devido às elevadas custas judiciais que transformaram a justiça quase num bem de luxo, enquanto os pobres, esses, foram remetidos para um sistema de apoio judiciário que é o mais barato da Europa e que, mesmo assim, o actual governo está a destruir. Ironicamente, aqueles que mais possibilidades económicas têm, fogem dos tribunais porque não confiam na justiça do estado e preferem a justiça privada realizada em tribunais arbitrais por «juízes» escolhidos pelas próprias partes. Os órgãos de soberania que são os tribunais, sobretudo os tribunais superiores têm cada vez menos o que fazer e, a continuar assim, em breve, estarão sem processos. É este o resultado da aliança entre o sindicalismo nas magistraturas e o economicismo primário dos sucessivos governos.

Mas onde esse escândalo tem consequências mais perversas é naquele sector da população mais frágil economicamente. Com efeito, o modelo de apoio judiciário vigente, que, apesar de tudo, ia permitindo que as pessoas mais desfavorecidas pudessem aceder aos tribunais, está em vias de ser desmantelado pelo governo, que para o efeito, já começou a preparar a opinião pública através de um forte campanha de descrédito do sistema e dos advogados que nele prestam serviço. O governo não só não paga os honorários a esses advogados, como os difama publicamente através de insinuações desonrosas e sem provas sobre a sua honorabilidade, insinuações essas lançadas quase todos os dias para a comunicação social pelo próprio Ministério da Justiça.

Atente-se que os advogados inscritos no sistema de acesso ao direito são remunerados à peça e só podem exigir os seus honorários, bem como o reembolso de despesas mais de um mês depois de transitar em julgado a decisão que pôs fim ao respectivo processo. Como, quase sempre, os processos se prolongam durante anos, os advogados ficam todo esse tempo a trabalhar sem qualquer remuneração ou provisão e, no final, o governo não só não lhes paga como ainda os acusa na comunicação social de cometerem fraudes, irregularidades e crimes. Os caloteiros arranjam sempre um pretexto (mesmo o mais infame) para não saldarem as suas dívidas.

Sublinhe-se que, em mais de trinta países pertencentes ao Conselho da Europa (CE), Portugal é dos que menos verbas destina ao apoio judiciário e um daqueles onde é mais difícil aceder à justiça e aos tribunais. Segundo um estudo do CE sobre os sistemas judiciais europeus, publicado em 2010, em Portugal, por cada mil habitantes, existem apenas 10 processos no âmbito do acesso ao direito, quando a média nos países do Conselho da Europa é de mais de 15 processos. Portugal está abaixo da Inglaterra, Espanha, Holanda, Irlanda, Bélgica, Finlândia, França, Escócia, Irlanda do Norte e até da Turquia e da Estónia. Pior do que o nosso país só mesmo a Macedónia, Eslovénia, Rússia, Roménia, Montenegro, Arménia, Bósnia-Herzegovina, Moldávia, Hungria, entre outros.

Além disso, Portugal gasta em média 331 euros por processo no sistema de apoio judiciário, quando a média no Conselho da Europa é de 536 euros. Desses 331 euros apenas 216 euros se destinam a pagar os honorários e as despesas feitas por advogados nos processos. Refira-se que acima do nosso país (com mais de mil euros por processo) estão a Suiça, a Irlanda, a Holanda, a Inglaterra e Irlanda do Norte, entre outros, bem como (com mais de 500 euros por processo) a Escócia, Luxemburgo, Itália e Finlândia. Abaixo de Portugal só mesmo os estados do leste europeu.

[António Marinho Pinto/JN]

24 setembro, 2011

Que Porto Canal vamos ter?

 Com Pinto da Costa por perto, talvez não haja razões para alarme, mas confesso que não deixei de ficar preocupado depois de ter lido o título de um artigo do JN [de hoje], que dizia que o "Porto Canal quer chegar a todo o país"... A história recente diz, que quando o Porto, ou o Norte, se preferirem, está em vias de concretizar um projecto de televisão autónomo e a seguir aparece alguém com ideias megalómanas, é sinal que o negócio não vai ter longa vida, ou então, que mais dia menos dia, vai acabar nas mãos de outros protagonistas [proprietários].

Ainda tenho bem fresco na memória, o triste caso da NTV, cujo projecto inicial pretendia ser um canal autónomo de televisão que visava cobrir toda a região Norte, e que depois de muitas vicissitudes e alterações de siglas, terminou abocanhada pela RTP centralista [RTPN de Norte inicialmente, e depois de Notícias]. Por isso, quando ouço alguém dizer do "Porto para o Mundo", dando-se ares de "cosmopolita", já sei que é Lisboa que está à espera da presa...Apesar dos caldos de galinha serem recomendáveis para a saúde e muitas outras coisas, estando o FCPorto no cerne deste negócio com especial enfoque no factor desportivo, e com Pinto da Costa a controlá-lo, é pouco verosímil que o novo projecto do Porto Canal tenha o mesmo destino da defunta NTV. .

O que me preocupa, é que toda a programação extra-desportiva seja uma cópia das cópias que todas as outras televisões fazem umas das outras, isto é, mais do mesmo. Se o caminho for esse, não acredito que o projecto se aguente e que possa viver apenas da componente desportiva. Até aqui, diziam que o Porto Canal estava vocacionado para as regiões, agora o discurso politicamente correcto parece ressurgir, e o tom já é outro. Dizem que: "é  um espaço televisivo da região Porto e Norte para o resto do país" ... É o novo Director de Programas e de Informação, Domingos Andrade, quem avança com este discurso aparentemente muito ambicioso, mas perigoso e evasivo.

Já aqui tive oportunidade de citar vários programas que deviam ser mantidos e outros melhorados, todos eles de âmbito regional, ligados à cultura, à agro-pecuária, à vitivinicultura, à arquitectura, à gastronomia e ao património. Acabar com eles seria um erro grosseiro, na minha opinião de leigo no assunto, porque é notória a simpatia com que os povos do interior acolhem o Porto Canal, e a falta que sentem de uma televisão que finalmente se interessa pelos seus assuntos e problemas. 

Já no que concerne a programação, entrevistas, etc., gostaria muito que, pelo menos numa primeira fase, a direcção do canal desse prioridade absoluta ao povo do Norte, seja ele de que classe social for.

Ricardo Couto, nos últimos tempos tem revelado uma estranha obsessão por entrevistar figuras ligadas ao mundo do teatro e da música, oriundas de Lisboa, coisa que confesso me deixa perplexo. São umas atrás das outras.

Provincianismo, é sobretudo isto: conceder a primazia aos representantes do centralismo, quando a voz do Norte menos se faz ouvir nos media centralistas. Quem depara com uma contradição destas, num canal regional, só pode concluir uma, de duas coisas: ou no Norte não há gente suficientemente interessante para ouvir ou debater, ou o Porto Canal está a passar a mão pelo pêlo aos lisboetas numa atitude de subserviência inqualificável e incompreensível. Há figuras, como o Hélder Pacheco e Germano Silva, Mário Claúdio [por ex.,o recém falecido Júlio Resende nunca lá foi] e tantas outras, de outras terras e cidades nortenhas, que são de uma riqueza extraordinária e que o país só conhece através dos jornais, que deviam ser chamadas a participar.

Políticos deviam ser os últimos da lista de preferências, porque ainda não são credíveis, não gozam de boa reputação e são maçadores. E depois, há ene canais generalistas a dar-lhes mais atenção do que aquela que merecem. Por isso, repetir a dose, se acontecer, será um erro de palmatória!


Quantos tripeiros da estirpe de Hélder Pacheco sobreviverão a esta selva? Quantos?

Ética moderna

Nos tempos do arroz de quinze, o Burgo era habitado sobretudo por uma pequena e média burguesia que lhe imprimia a atmosfera de cidade "grave, ponderada e sensata", conforma a definiu Pierre Léonforté.

Este modo de ser formava-se contra a Situação, desprezando o Terreiro do Paço e desconfiando do que vinha da Capital [diga-se que, comparativamente com a actualidade, o Centralismo Salazarista era amador]. A vida decorria debaixo de princípios assumidos por herança de uma atitude hoje desprezada chamada senso comum.

FÓRMULAS DE OUTROS TEMPOS
As fórmulas de comportamento daí derivadas eram simples:

  1. Ser poupado ["Quem ganha 100 e gasta 90, vive tranquilo. Se gasta 120, dá em droga"] "Gastador e gastadeira" eram desconsiderados.
  2. Pagar o que se deve [as dívidas eram sagradas e caloteiro atributo abaixo de cão].
  3. Cumprir com a palavra dada [meu avô nunca assinou contratos, o aperto de mão selava o compromisso].
  4. Viver a economia do aproveitamento: os fatos mandavam-se virar, colarinhos e punhos das camisas eram substituídos periodicamente e os buracos das meias cosidos por mãos de fada. Havia nas casas um quarto de costura destinado aos consertos [quando apareceram as meias de "de vidro", surgiu a apanhadeira de malhas].
  5. Comida é respeito: a do prato comia-se ao milimetro e as sobras guardavam-se para outra refeição; pão caído no chão apanhava-se e beijava-se.
  6. Pagar a pronto. O que se comprava era a contado, toma lá, dá cá. O primeiro automóvel do meu pai, um Ford Barrigudo, em segunda mão, foi adquirido em sociedade com o senhor Victorino Bernardino Ferreira, gerente do Bazar Central. Embora pudessem ter cada um o seu, preferiram dividir as despesas a meias.
  7. Cumprir com o trabalho. Queria dizer: pontualidade, assiduidade, defesa da empresa, competência, eficácia [fosse guarda-livros, torneiro ou caixeiro, "ser trabalhador" era tão honroso quanto "ser sério"].
  8. Em tal ambiente [agora apelidado de reaccionário e castrador], os vigaristas actuavam em S. Bento aldrabando os incautos, e os carteiristas moviam-se em eléctricos, romarias e futebol segundo códigos de ética profissional.
VALORES SUBVERTIDOS
Este tempo atrasado e repressivo - conforme os padrões do eduquês, do politiquês, do psiquiatrêz e do sociologiquês que nos comandam - em que cresceu a minha geração foi violentamente atingido por uma realidade que subverteu muitos valores de um mundo decente, substituindo-os por gastar, atropelar, consumir até à exaustão, comprar a crédito, comer e beber do melhor, não pagar, dar golpes de milhões em certos bancos e empresas publico-privadas. Desprezar a inocência e a honradez. Trepar a qualquer preço, etc.

Não temos uma geração à rasca. Temos um país que gente rasca degradou até aos limites da sua capacidade de resistência à destruição cívica. Nos tempos de que atrás falei, os donos da loja "Elefante Branco" e dos "Armazéns Nascimento", ante a falência, suicidaram-se por honestidade e vergonha, enquanto muitos devoristas e gastadores que hipotecaram o nosso futuro, em lugar de borrarem a cara e desaparecerem, botam discurso e ainda criticam. É a ética moderna!
[Hélder Pacheco]

Nota de RoP

É impossível, a quem tem idade quanto baste [e memória] não entender o vocabulário  austero de Hélder Pacheco, e ficar-lhe indiferente, independentemente da classe social em que se situa. É preciso lê-lo à luz da sua realidade pessoal. Evidentemente que, o facto de o pai de HP ter comprado a meias um carro com um amigo, não quer dizer que já não houvesse quem comprasse carro individualmente. Assim, como a magnifica história das "meias de vidro" e as apanhadeiras de malhas, não pretende radicalizar a ideia de, ao tempo, não haver mulher sem posses financeiras para comprar meias novas. Importa sim realçar o espírito de sobriedade e contenção [o tal bom senso] que imperava nesses tempos.

Qualquer político, ou figura pública da "ética moderna", devia corar depois de ler este soberbo artigo, mas isso é muito improvável. Para que tal pudesse acontecer, teria de existir uma condição prévia: ter ideia do que é a vergonha! E os políticos não a têm.   

23 setembro, 2011

A nossa mais bela história de desamor


O óóóórgulho do clube do regime. É destes répteis 
que o milhafre de alimenta...
 Bom dia, rapazes!

Não sei se já repararam, mas está um belo dia para ganhar ao Benfica. Ah, não há melhor programa, seja qual for a ocasião. Talvez alguns de vós, os mais novos, não saibam ainda que estão aqui, antes de mais, para ganhar ao Benfica. No vosso autocarro, onde está escrito "O nosso destino é ganhar" nós, adeptos,lemos "O nosso destino é ganhar ao Benfica". E não se trata de ódio, como se pensa, mas do mais pueril e natural desamor. A vivência plena do futebol exige afrontamentos vitais, ou não tratasse cada jogo da resolução de um conflito; e a dualidade FC Porto-Benfica é um património psicossocial sedimentado, que estrutura os nossos afectos. Os dois clubes atraem-se e repelem-se mutuamente, como dois pólos opostos, mas complementares, e essas "imperfeições" fazem deles o par perfeito. O que seria de um sem o outro? E da Superliga? E de nós? Ninguém duvide: o Benfica é a nossa mais bela história de desamor.

Mas voltemos ao jogo, que será também uma boa oportunidade para Vítor Pereira ver o Benfica jogar. Eu, que tenho visto, posso dizer-vos que está forte, como nós gostamos, mas, basicamente, aquela é a mesma malta do ano passado e é impossível que tenham recuperado por inteiro do stress pós-traumático. Para mim, vão resguardar-se e Cardozo será um navegador solitário no mar do ataque; e sabe-se que ele, como li num blogue, rende mais quando o Benfica joga com Duarte Gomes no apoio ao ponta-de-lança, o que não será o caso.

Suponho que também esperam de mim uma receita para ganhar o jogo. Pois bem, basta que sejam jogadores "à Porto", essa raça privilegiada dos que acrescentam às suas qualidades naturais um suplemento de vontade que os torna indomáveis. E lembrem-se: cada um de vós passa a representar milhares e milhares quando vestir a camisola azul e branca. A partir desse momento, não sois apenas vós. Sois nós. E nós, como diz o cântico, "queremos essa vitória".

[Álvaro Magalhães/O Jogo]

O anticristo Barreto e os excedentários da RTP

"Já ninguém atura isto... O país político, a Lisboa com os seus comentadores, os seus fait-divers, a actividade política dessintonizada da actividade económica... Nenhum comentador fala do que se passa no país real..."

Ouve-se isto e muito mais sobre a televisão da conversa mais do que nas notícias e da informação. O anticristo António Barreto fala dos problemas do Douro, de extinção de culturas, de pessoas na miséria, de fenómenos terríveis de abandono das terras e de desertificação de um belo património da Humanidade, contra a corrente da retórica política que aponta para um regresso à lavoura e ao mar... Ah! Ah!

Pensamento esclarecido, fundamentado, profundo e denso não vende audiências, perturba o "establishement", incomoda os políticos e os agarrados-aos-políticos, que estão a ver se podem snifar do novo poder. Ai, ai...

O CHIADO, NÃO SABIAM?!...
Do que começou por ser uma NTV temos uma pomposa, fantástica e estonteante RTPI. Com melhores cenários, mais belos adereços, mais virtualidade, profissionais e convidados vestidos a preceito, um belo espaço para "Ler devagar" mas não pensar depressa, nem muito...

É o fantástico "Grande Jornal" com o Chiado... O Chiado, não sabiam? A zona mais cara do país, onde as rendas ultrapassam os 20 mil euros!... Uf! Onde não falta comércio a abrir as portas, ao contrário do que sucede no Resto do País, que as vai fechando aos clientes e aos credores - e onde as pessoas ficarão tristes e miseráveis como aquelas de que fala o sociólogo António Barreto.

A FAZER PELA VIDINHA EM LISBOA
É o esplendoroso "Grande Jornal" com o debate com a primeira grande entrevista do Primeiro-Ministro [à RTP, claro], Escolhe-se um amplo espaço cultural de Alcântara, convocam-se os mesmos, os do costume, jornalistas-directores de Lisboa, comentadores do regime [do centro-direita e do centro-esquerda], de Lisboa, sindicalistas, autarcas, juízes, ex-polícias da Judiciária, argumentistas, ex-presidentes de empresas públicas, todos com vida em Lisboa, e os novos detentores do poder político, financeiro e económico, igualmente de Lisboa ou a fazer pela vidinha em Lisboa...

Os anticristos de certa estirpe abominam ainda mais a política, porque ali não se regista nenhum pensamento profundo e denso, é apenas superficialidade, não há tempo, ou, melhor, o tempo tem que ser dividido pelos [muitos] presentes [apesar de Octávio Ribeiro se lamentar porque estava à uma hora sem falar...] Cecília Carmo afadiga-se em cumprir um guião, que dá o resultado habitual, cansativo, desesperante: blá, blá, blá, blá,blá...

D.SANCHO I...
É um blá, blá, blá baratinho, umas horas com uma jornalista pivôt-apresentadora-entrevistadora. Para que servem todos aqueles que gostariam de trabalhar fora da redacção no Porto e em Lisboa... Aguardam que os tornem excedentários?

Esta RTP, nomeadamente com a nova RTPI, de informação, não cumpre o serviço público de televisão. António Barreto tem toda a razão. Disse-o no jantar-debate organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações [APDC] realizado em Lisboa. Aí, o anticristo Barreto defendeu que "a RTP tem que apostar no debate, no estudo e na alta cultura em vez de futebol e concursos".

Observo eu - se me permitem: apostar no debate com quem saiba do que fala e tenha tempo para apresentar as suas ideias; ir para o país real à procura de histórias "com gente dentro"; contribuir para a coesão e desenvolvimento do país, contendo a desertificação do interior e contribuindo para um novo repovoamento... D- Sancho I, o segundo rei de Portugal, fez isso. Sabem há que séculos?...

[Alfredo Barbosa/Grande Porto]

Nota de RoP

O Dr. Alfredo Barbosa é a pessoa mais esclarecida e honesta que tenho lido nos últimos anos a escrever sobre comunicação social. Só isso pode explicar a afinidade de ideias que com ele partilho de forma genérica. Só isso explica também o facto de escrever no semanário Grande Porto [que, na minha opinião está a tardar a avançar para Diário...].

Receio bem, é que o grande povo se dê ao cuidado de o ler e de reflectir sobre o que ele escreve e denuncia...

Fraco povo, merece fracos governantes, não é verdade?

22 setembro, 2011

Litografias do saudoso Júlio Resende









Desafiado por convite do Atelier D’Árt E. & S. Desjobert, respondi com uma série de litografias a serem editadas em Paris, uma das quais reservada ao "Lugar do Desenho" que é a nossa Fundação.

[Júlio Resende]

21 setembro, 2011

Uma perda para a cultura portuense



Júlio Resende


Júlio Resende morreu hoje, em Valbom, Gondomar, aos 93 anos, disse à Lusa um amigo do pintor.



http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2010752 [ver vídeo]


Sondagem

A experiência diz-me que a sociedade nortenha, apesar da discriminação a que tem sido submetida por contínuos governos, continua a ser incapaz de traduzir o descontentamento que manifesta em blogues ou privadamente, numa verdadeira acção de repúdio público de forma a pôr em respeito os responsáveis por esta insustentável situação.

Uma petição por mim encabeçada, no sentido de testar a vontade dos nossos conterrâneos, visando responsabilizar a RTP por tratamento abusivo e discriminatório para com o Porto e o Norte, que não ultrapassou em 4 mêses, as mil e pouco assinaturas, foi o complemento que faltava para poder concluir que no espírito de muitos portugueses ainda paira o medo de assumir responsabilidades cívicas.

Tudo isto se estranha, uma vez que, apesar de vivermos num regime semi-democrático, onde a Constituição raramente é encarada com o respeito devido, ainda nos resta a liberdade de opinião e associação. Cientes que os agentes políticos do governo e da oposição estão longe de encarar com genuíno sentido de missão as suas tarefas, e que o bota-abaixismo, ainda que justificado, não chega para inverter a situação, os nortenhos deviam canalizar as suas legítimas frustrações para acções algo mais incisivas. Apontar alternativas e sugestões, é uma delas.

A título experimental, coloquei no canto superior direito, logo acima da publicidade, uma sondagem com 4 respostas possíveis para "medir" o que a alma dos nortenhos terá a dizer àcerca da luta que, unidos, todos poderíamos encetar em contraposição com uma comunicação social centralista e muito pouco fiável, claramente mais empenhada em servir-se do público, do que em servir o público.

A resposta é vossa.

20 setembro, 2011

Politicamente incorrecto


Se há assunto em que sou politicamente incorrecto, ele é Alberto João Jardim (AJJ) e o seu desempenho como governante da Madeira. O homem está, nestes dias, debaixo de indignadas e piedosas diatribes que pretendem transformá-lo na encarnação viva do Mal, no inimigo público nº 1, e em consequência a opinião pública, incitada pela Comunicação Social, o mínimo que pede para ele é o destino da Joana d`Arc.

Reconhecendo embora alguns exageros em atitudes de AJJ, e aceitando que o seu sistema de governo é do tipo "ditadura democrática" ( mas aqui no continente como é que funcionam as maiorias absolutas?) a verdade é que gosto dele. E gosto dele por uma razão muito simples. AJJ tem tido ao longo de todos estes anos a coragem de se opor tenazmente ao poder colonizador do centralismo de Lisboa, norteando as suas atitudes por um único objectivo : o superior interesse da Madeira, e na realidade não pode deixar de se reconhecer a enorme transformação que a Região sofreu nestes últimos trinta e tal anos. Ainda mais aprecio a atitude de AJJ na defesa intransigente do seu território, quando em contra-ponto penso na apatia cobarde e interesseira dos representantes nacionais do Norte, e do Porto em particular, que em vez de defenderem o território que representam e de por ele lutarem, se acomodam em servilismo oportunista ao poder central, emquanto vão "mamando" as suas benesses. Estes políticos, pelos vistos, são os bons patriotas. AJJ, esse, é o renegado criminoso que a CS quer levar a julgamento criminal!

Objectarão que AJJ tem explorado o Continente, que gasta sem autorização de Lisboa, que esconde facturas, e mais isto e mais aquilo, e que portanto estamos perante situações ilegais que devem cair sob a alçada da lei. Eu limito-me a recordar que há muitos anos o Tribunal de Contas, os partidos políticos -em especial o PSD - e altas individualidades políticas, incluindo Presidentes da República, têm conhecimento das alegadas irregularidades processuais do governo da Madeira. E então calaram-se porquê? Isto não os faz coniventes? Se acham que AJJ deveria ser julgado, então todos estes figurões deveriam também estar no banco dos réus.

Acresce a tudo isto que os políticos do continente que expressam tão virtuosa indignação em relação aos gastos de AJJ, fizeram exactamente a mesma coisa aqui. É por terem andado a gastar à tripa-forra durante tantos anos, que o país chegou ao ponto a que chegou. Essa gente não tem moralidade nenhuma para criticar. É pura hipocrisia. E se formos para o lado das negociatas escuras e da corrupção que grassa lá por Lisboa, então provavelmente AJJ será um simples amador!

Se esses críticos tivessem vergonha, estavam caladinhos e assobiavam para o lado, que é o que têm feito estes anos todos, em relação à Madeira e sobretudo sobre o que se tem passado na sua própria casa, até lhes ter dado o presente ataque de hipocrisia de boa consciência!

Advogados de Duarte Lima deram outra versão



PSD,  PSD, PSD, !La crème de la crème da política lisbonária!
As versões que Duarte Lima deu à polícia brasileira, com o tempo, multiplicaram-se.

Recorde-se que Rosalina Ribeiro encontrou-se com o advogado pelas 20 horas do dia 7 de Dezembro se 2009, depois de este a ter recolhido à porta de casa. A mulher veio mais tarde a aparecer morta com dois tiros no município de Saquarema, a 90 quilómetros do Rio de Janeiro, tendo-se apurado que o homicídio ocorreu nesse mesmo dia.

Para os investigadores, o possível uso de diferentes aparelhos pelo advogado indicia não só a premeditação do crime, como a necessidade de não deixar rasto. O ex-líder parlamentar do PSD – que sempre omitiu às autoridades a marca do carro que utilizou e a respectiva rent-a-car, dados que os investigadores só descobriram ao fim de um ano – também disse não se recordar em que hotel ficou hospedado em Belo Horizonte, no dia em que chegou ao Brasil.

Logo no início de 2010 e quando era apenas uma testemunha no inquérito, Duarte Lima constituiu como seus advogados no Brasil João Ribeiro Filho e Maria Medeiros. Estes conseguiram que um juiz aceitasse a argumentação de que Lima estava a ser investigado como suspeito – e, assim, lhes facultasse cópias do que até aí fora investigado.

A 15 de Abril, os causídicos apresentaram um documento de dez páginas. Neste, entre outras coisas, tentaram preencher o vazio de telefonemas que se verifica após a ligação que teria sido mantida entre Duarte Lima e Rosalina até ao dia do encontro no Rio de Janeiro: «Ficou estabelecido, que, na hipótese de eventual mudança horária ou local, ou de impossibilidade de um deles comparecer ao encontro, Dona Rosalina ligaria para o hotel Sofitel (no Rio de Janeiro), ou o requerente ligaria para a residência dela».

Esta explanação não convence a brasileira Rosa Espínola, amiga de Rosalina, a quem a portuguesa contara que tinha um encontro com uma pessoa da confiança de Duarte Lima e não com o próprio: «Então ela ia sair de casa à noite, sem saber se já tinha alguém à sua espera à porta de casa? Nem pensar, era muito medrosa! E mesmo que o encontro estivesse marcado para as 20h, com o trânsito que existe no Rio, os atrasos são sempre certos».

No mesmo expediente enviado pelos advogados de Duarte Lima aos investigadores, surgem outras explicações que não batem certo com a análise feita ao tráfego e à localização celular dos referidos números A (cartão português) e B (suíço

[Felícia Cabrita/SOL]

O próximo jogo


Só mesmo os portistas mais atentos, ou pessoas muito íntegras e com invulgar capacidade de observação, saberão dar o devido o valor aos feitos desportivos do FCPorto. Diria mais. Nem muitos portistas têm verdadeira consciência dos obstáculos que o FCPorto ao longo dos últimos 20/30 anos tem sido obrigado a ultrapassar para hoje continuar na vanguarda do futebol nacional. 

Digo isto, porque adivinho para o jogo da próxima 6ª.feira com o Benfica [pelo sim, pelo não,depois de teclar este nome fui desinfectar os dedos], as dificuldades do costume. Não me refiro, claro, àquelas dificuldades naturais de quem sabe que o adversário, seja ele qual for, tudo  fará para complicar a vida ao FCPorto, - como fez,  e bem, o Feirense ainda há poucos dias -, mas sim às artimanhas que vão ser usadas, quer dentro, quer fora do campo, para tornar a nossa victória impossível. 

Apesar de jogar em casa, o FCPorto terá sempre de contar com o facciosismo e a falta de seriedade da comunicação social. Isto só é possível, porque vivemos num país cujo Estado também não é sério. Falar do Estado, sem recordar que ele teve e tem, sempre pessoas a representá-lo é quase como falar do clima que costuma arcar com as responsabilidades pelas asneirolas cometidas pelos homens. Portanto, quando digo que o Estado não é sério, estou a dizer que quem o representa também não o é. Ponto.

O jogo ainda vem longe e, apesar disso, torna-se fácil prever que a qualquer contacto ou simulação de contacto que possa sugerir uma falta, será antecipadamente tida como tal, sempre contra o FCPorto. Mesmo que não haja casos, os media tratarão de os inventar. Para isso, enfatizarão qualquer hipótese de infracção para lhe dar "realismo", e tudo será feito para desvalorizar aquelas que sendo autênticas possam beneficiar o FCPorto. Isto, se o clube do regime não conseguir resolver o desafio a seu favor. As provocações vão ser muitas de forma a criar situações susceptíveis de gerar reacções impetuosas aos jogadores do FCPorto dando assim excelentes pretextos para que os árbitros os penalizem.

O FCPorto tem aguentado estoicamente todas estas arbitrariedades sem grandes queixas, até porque sabe que tudo o que disser em sua defesa, será criteriosamente ignorado ou manipulado pela comunicação social de forma a tornar nulas as suas reclamações. É neste clima, quarto ou quinto mundista, que o FCPorto tem sido obrigado a competir, lutando contra adversários de rosto diferente, conseguindo, com maior ou menor dificuldade, não só sobreviver-lhes como vencê-los.

Mas isto não deverá fazer-nos esquecer o miserável papel do Estado, que se tem demitido das suas funções moderadoras, face a estas e outras aberrações de carácter público e comunicacional, optando sempre por deixar correr. O Estado, quando actua, fá-lo sempre na forma de remendo, nunca na forma de prevenção, como era seu dever. O Estado, e toda essa gentinha, sem classe nem preparação para o representar, assobia, ao bom estilo dos preguiçosos, para o ar...até um dia o desastre acontecer.

É neste quadro de diferente tratamento para cada equipa, que o jogo se vai disputar. O FCPorto será mais uma vez obrigado a duas tarefas. A primeira, superiorizar-se no terreno de jogo ao adversário, e a segunda a todos os outros. Aos árbitros e à comunicação social. Portanto, o FCPorto terá de vencer dois ou três desafios distintos para conquistar apenas 3 pontos!

Façamos votos que o treinador Victor Pereira saiba preparar convenientemente os atletas para essas três batalhas, sendo certo que só uma delas terá de travar com as mesmas armas.

O centralismo, tal como o salazarismo, não é democrático, nem nunca será.  

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19 setembro, 2011

Um FCPorto sem pressão, nem pontaria

Farto e enojado de aturar estas hordas de políticos vigaristas que dominam o país, e revoltado por não ver um só,  a ser, como se impunha,  exemplarmente condenado pela Justiça, hoje, vou-me concentrar outra vez no futebol.

Em vésperas da recepção ao clube do regime neo-colonialista, o FCPorto tinha ontem um jogo crucial contra o Feirense, em Aveiro, que era imperioso ganhar. Os adeptos esperavam um FCPorto empenhado, disposto, desde o 1º. minuto, a não dar tréguas ao adversário, procurando alcançar o mais cedo possível um resultado que lhe pudesse garantir alguma tranquilidade na preparação do jogo da próxima 6ª feira contra o seu principal adversário. Mas, malogradamente, não foi isso que aconteceu.

Desta vez, pareceu-me que o treinador Victor Pereira improvisou um pouco demais,  parecendo também esquecer-se, da imagem de marca da equipa nos últimos anos, que é a chamada pressão alta. Ontem, o FCPorto pressionante, pura e simplesmente não exisitiu. O que se viu foi um grupo de homens a correr, quase sempre extemporaneamente e sem critério atrás dos adversários, que ainda por cima revelavam um domínio de bola acima da média para um clube recém chegada à Liga principal. Resultado: perda de dois pontos, incluindo a ausência de James Rodriguez, um dos atletas da equipa mais influentes da actualidade.

Sem querer entrar em questões de ordem técnico-táctica, a verdade é que ninguém consegue entender que depois de retirar um ponta de lança [Kléber] não o tenha imediatamente substituído por outro [Walter], que estava disponível no banco e que tanta falta fazia [e fez]. Hoje, Victor Pereira, não foi, decididamente feliz. 

Nada está perdido, o campeonato ainda está a arrancar, mas como diz o ditado, candeia que vai à frente... As candeias porém, agora são duas, o Braga está muito forte, e o clube dos túneis vem ao Dragão na próxima jornada.

Agora, Victor Pereira não pode falhar. Tem de ganhar, para tudo voltar à normalidade portista. O FCPorto, felizmente, não é como o país, nas mãos de oportunistas e incompetentes. Pode escorregar pontualmente, mas saberá sempre levantar-se. E sexta-feira é isso mesmo que vai acontecer.

16 setembro, 2011

Um orgulho sóbrio, que um país centralista, sem querer, agigantou

Nem os quase 40º de febre de uma inoportuna infecção bastaram  para me impedir de assistir [pela tv], a mais uma brilhante victória europeia do FCPorto. Apesar de já estar habituado a estes momentos de alegria e orgulho bairrista, esse sentimento nunca esmorece, embora deva confessar que me sabe a pouco...O que me sabe a pouco, já não tem nada a ver com o FCPorto - que está bem e recomenda-se -, tem a ver com a porcaria da nação onde este clube, fundido carnalmente com a  própria cidade, teve o azar de nascer.

O FCPorto, é praticamente o meu único elo de ligação importante ao país. Todos os outros, incluíndo aqueles casos bem sucedidos e louváveis, como são os dois prémios de Arquitectura, da Universidade do Porto, dos vinhos do Douro, e tantos outros, são elos igualmente prestigiantes, mas efémeros e pouco mobilizadores para a população. É um problema cultural? Talvez...mas e as elites, o que é que têm feito de impactante em defesa da região? A não ser que as elites sofram de outro mal de incultura, chamado egoísmo. Tivesse Pinto da Costa enveredado pela política, em vez do futebol, tínhamos seguramente um verdadeiro líder. O resto, é o que [não] vemos. Todos, mais ou menos iguais aos outros, cachorros fiés, serviçais e cumplíces com o Partido, que não é o mesmo que ser cumplíce do povo. 

Não há país moderno no Mundo, que se possa sentir confortável no seu orgulho pátrio, apenas por ter um grande clube de futebol, ou por receber vários prémios internacionais, se tal não tiver correspondência com a qualidade de vida do seu povo. Povo, não uma parte minúscula do povo. A diferença, é que o futebol, tem um simbolismo e um impacto no orgulho das pessoas, incomparavelmente superior a todos os outros. E não é só em Portugal, é bom recordar. Só que, em Portugal, e no Porto, em particular, só temos o FCPorto!

Só temos FCPorto, mas do que eu gostava também, era de ter um país! Queria, antes de tudo, vê-lo livre e expurgado dos parasitas e criminosos que o foram destruindo, desvirtuando a Democracia, que é o mesmo que trair o povo. Depois, vê-lo governado por pessoas realmente honradas,qualificadas, justas, humanas e firmes nos propósitos. Isto tem de ser entendido à luz restrita do que um bom dicionário dita. De falsos sérios, estão a Assembleia da República e os Ministérios repletos. Sim, porque não é sério todo aquele que em grupo, ou individualmente e com responsabilidades políticas, promete e não cumpre sistematicamente, assim que chega ao poder. 

Falo por mim, como é óbvio. No entanto, gostava de saber, se ainda há algum português capaz de levar a sério o que dizem figurinhas como Marques Mendes, Marcelo Rebelo de Sousa e muitos outros. É que a mim, dáva-me vontade de lhes projectar com aquela coisa produzida pelas glândulas salivares, tal é o desprezo que toda esta gentinha me infunde. Eu acho que conheço a resposta, mesmo considerando aqueles que ouvem a voz dos "mestres" como retribuição ao empreguinho numa repartição de finanças, ou num centro de saúde, mas mesmo assim, gostava de saber se conseguem levar a sério esses fulanos. E estou a referir-me àqueles portugueses - que são infelizmente uma minoria - que têm alguma capacidade para avaliar rigorosamente, quem os governa e governou. E mais. Seria interessante saber também o que pensam dos entrevistadores e da relevância de as televisões continuarem a gastar rios de dinheiro com pessoas que também foram responsáveis pelo descalabro do país, sobretudo, num momento em que nos exigem sacrifícios de toda a ordem.  É que eu, ainda não consegui perceber. Ainda não vislumbrei a mais pequena luz indicadora dos benefícios para o país das opiniões de tanta gente que, pelo contrário já deu provas cabais de ser incapaz de as pôr em prática quando teve ensejo de o fazer. Que interesse terá então para nós ouví-los?

Por mim, limito-me a  desligar a televisão, ou a mudar de canal, só porque não posso levá-los a tribunal e acusá-los de traição à pátria [se tal me fosse possível]. Não quero confundir a árvore com a floresta - ainda que a floresta se encontre demasiado poluída -, nem fazer de todos políticos clones de Duarte Lima, ou de  Dias Loureiro, mas que eles não se podem gabar de vender seriedade, isso não podem.

Mas, o problema, deve estar em mim, que sou muito, muito limitado...

12 setembro, 2011

Seguro não é um Gastão

Só estive cinco anos na política. Mas que anos! Tive a sorte de viver a idade da revolta num Portugal em desvairada mudança de vidas e de costumes. Eu atravessava a fronteira da adolescência (17 anos) para a maioridade (23) . O país evoluía do marcelismo (1973) para a consolidação de uma jovem democracia (1978).

Aprendi muito e para toda a vida naqueles cinco anos que militei na LCI, um grupúsculo trotskista, avô paterno do Bloco de Esquerda. Li furiosamente, habituei-me a discursar em público, aperfeiçoei a técnica de argumentação, escrevi programas e comunicados, inventei palavras de ordem, traduzi textos, organizei greves e manifestações, colei cartazes, ocupei casas, fiz pichagens, preparei reuniões, distribuí panfletos, andei à pancada e fugi da Polícia - só para citar o mais relevante :-).

Desses tempos gloriosos e emocionantes guardo não só recordações, como também métodos de trabalho e hábitos de organização. Cerca de 40 anos volvidos, a ordem de trabalhos tipo de uma reunião política - 1. Informações; 2. Análise da situação; 3. Medidas a tomar - permanece tão actual e eficaz como o velho teorema de Pitágoras.

E tenho para mim que continua a ser fundamental fazer o balanço antes de nos aventurarmos a elencar as perspectivas.

A estabilização da democracia trouxe na mochila um sistema partidário viscoso, assente em máquinas de assalto ao Poder, guarnecidas por militantes cuja preocupação n.º 1 é garantir um futuro melhor para si - e não para o país. O egoísmo substituiu a generosidade. A política passou a ser uma coisa tão animada como o cemitério do Prado do Repouso à meia-noite.

O Congresso do PS é a prova dos nove deste lamentável estado de coisas. Era legítimo esperarmos que de Braga saísse uma ideia clara do que será preciso fazer para voltarmos a prosperar quando acabar o ajustamento brutal a que estamos sujeitos.

Era legítimo esperar, mas nicles! Em três meses de debate, o melhor que o PS conseguiu apresentar, por junto e atacado, foi uma ideia interessante para reaproximar os cidadãos dos partidos (a sugestão de Assis de os simpatizantes poderem registar-se no partido e participar na escolha dos seus candidatos, como nos EUA), uma análise acertada (a inevitabilidade do federalismo, reconhecida no discurso final de Seguro) e uma notícia para as revistas cor-de-rosa: a apresentação à sociedade de Margarida, a mulher de Tozé, que se parece mais com o desafortunado Pato Donald do que com o sortudo Gastão.

É pouco. É mesmo muito pouco para um partido que não teve a coragem de se submeter a um exercício de autocrítica, fazendo o balanço antes de se arriscar a traçar as perspectivas.

Pode viver-se sem família. Pode viver-se sem amor. Pode até viver--se sem dinheiro, levando uma vidinha miserável. Mas é impossível viver sem sonhos nem esperança. Em Braga, o PS foi incapaz de nos fazer sonhar. Seguro não é o cavaleiro da esperança.

[Jorge Fiel/ JN]

11 setembro, 2011

É preciso adoçar os dias. E hoje é dia de folga...

E o céu é belo, quase âmbar...

Da janela olho
Olho e não vejo...
Aguardo tua chegada
Teus passos já familiares
À minha estreita porta
... Reservada para poucos.
E a noite se aproxima,
E o céu é belo, quase âmbar...

Da janela sonho
Sonho e te quero...
Aguardo teu abraço
Teus braços já conhecidos
Em meu corpo
Sedento do teu.
E o céu é belo, quase âmbar...

Da janela te espero...

Neli Araújo*
2007

* do Blogue "e o pensamento voa"

09 setembro, 2011

Duarte Lima diz que "provas arrasadoras" são "pura especulação"

A herança trágica de Feteira
Duarte Lima

O advogado no Brasil de Duarte Lima diz que as alegadas "provas arrasadoras" no caso da morte de Rosalina Ribeiro divulgadas, esta sexta-feira, pelo semanário Sol, "não têm nada de novo" e "são pura especulação".

O semanário "Sol" noticia que a polícia brasileira afirmou ser detentora de "fortes indícios do envolvimento de Duarte Lima no assassínio de Rosalina Ribeiro, em Dezembro de 2009, com base, entre outros elementos, nas multas por excesso de velocidade do carro que o ex-deputado do PSD terá alugado para transportar a vítima no dia em que foi morta".

Titula na primeira página "provas são arrasadoras" e enumera vários factos: "carro de Duarte Lima esteve no local do crime na véspera do assassínio", "primeiro tiro foi disparado ainda dentro do automóvel", "carro foi entregue lavado e sem o tapete do lado do 'pendura' e "ex-deputado disse não saber onde alugou o carro - mas escreveu à empresa a pedir a factura".

Numa nota enviada à Agência Lusa, João Costa Ribeiro Filho, advogado brasileiro de Duarte Lima, diz que a "pseudo investigação não tem nada de novo em relação às notícias sobre este tema, que já foram divulgadas no passado, e não passa de pura especulação".

O advogado salienta que ao contrário do que tem sido anunciado, a "prova existente nos autos inocenta" Duarte Lima.

João Costa Ribeiro Filho escreve ainda que até ao momento "não houve qualquer pronunciamento sobre esta matéria nem por parte da justiça nem do Ministério Público brasileiro".

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Palácio de Cristal: Movimento pede anulação do chumbo ao referendo local



O Movimento de Defesa dos Jardins do Palácio de Cristal já pôs um acção junto do Tribunal Constitucional a “pedir a anulação da sessão da Assembleia Municipal do Porto”, em que foi chumbada a realização do referendo local.

O porta-voz do movimento, Soares da Luz, adiantou que a acção em causa “seguiu pelo correio na terça-feira”.

O movimento contesta a decisão da Assembleia Municipal do Porto de rejeitar a realização de um referendo local sobre a construção de um centro de congressos naquele espaço do Palácio de Cristal.

“Achámos que a reunião da Assembleia Municipal não decorreu em conformidade com a lei”, disse, justificando-se com o facto de não ter sido apresentada “qualquer moção de rejeição do referendo”.

Na documentação enviada ao TC seguiu “uma cópia da ata daquela sessão”, concluiu.

O referendo local foi chumbado, a 18 de , graças aos votos combinados da coligação PSD-CDS/PP e do PS, partido que o movimento criticou com alguma dureza, por considerar que “não é oposição nenhuma a esta maioria”.

Uma dos argumentos utilizados então pelo PS para justificar a sua oposição ao referendo foi a existência de um contra-programa sobre a intervenção planeada para o Palácio de Cristal/Pavilhão Rosa Mota, cujo conteúdo, para os socialistas, está fora do âmbito de uma consulta como a que era preconizada.

O movimento responde, alegando que a primeira versão do contrato-programa, de 2007, previa “a reabilitação do Rosa Mota”, mas não contemplava “uma construção nova”. Esta, referiu Soares da Luz, surgiu mais tarde.

O movimento entende que o centro de congressos vai destruir os jardins do Palácio, por causa dos vários impactos associados à sua utilização.

Bloco exorta câmara a repensar projecto

Entretanto, esta quinta-feira, o Bloco de Esquerda defendeu que a Câmara do Porto “repense” o projecto de requalificação do Palácio de Cristal, tendo em conta que o Governo determinou a extinção da Parque Expo, SA, uma das promotoras da obra.

Em conferência de imprensa, José Castro, deputado do BE na Assembleia Municipal do Porto, afirmou que com o recente anúncio governamental da extinção da Parque Expo e da privatização da empresa Atlântico – Pavilhão Multiusos de Lisboa, “abriu-se uma oportunidade para repensar” todo o projecto de requalificação do Palácio de Cristal.

“Esse é o desafio que fazemos” ao executivo da Câmara do Porto, liderado pela coligação PSD-CDS/PP, frisou.

A requalificação do Pavilhão Rosa Mota resulta de uma parceria público-privada entre a Câmara do Porto, a Associação Empresarial de Portugal (AEP), a Parque Expo, o Pavilhão Atlântico e o Coliseu do Porto.

José Castro reafirmou que o BE considera que o projecto em causa “não tem qualquer racionalidade urbanística, económica, social, cultural ou ambiental”.

O BE entende que “não faltam espaços na cidade a sugerir requalificação” e, por isso, “não é aceitável uma nova construção num dos espaços mais emblemáticos da cidade”.

José Castro lembrou que os jardins do Palácio de Cristal, “o único jardim ainda existente de autoria do arquitecto paisagista alemão Émile David”, constam no Plano Diretor Municipal (PDM) como “área verde de utilização pública”.

Os bloquistas consideraram ainda que “os jardins do Palácio de Cristal ainda podem ser salvos da ganância dos senhores que se julgam donos da cidade” e garantiram que “continuarão a apoiar a corajosa luta de cidadãos pela realização de um referendo local sobre a construção do centro de congressos”.

[Porto24]

08 setembro, 2011

Jobs for de boys and anarchy

... façam o favor de clicar aqui.

Ninguém se responsabiliza pela ponte do Infante.  Aqui.

Terceiro Mundo, ou bandalhice institucional?

Novas barragens = crimes

O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país?

As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura...

Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto?

Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...

Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal.

Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.

Daniel Deusdado [o JN]

Nota de RoP

Quando digo que estamos nas mãos de oportunistas, que não acredito neste padrão de democracia [tem de haver outros mais fiáveis], não estou a ser populista nem radical, estou talvez, é a arriscar-me a que um dia, algum destes senhores use dos poderes que tem para me instaurar um processo judicial. Mas, não me importa. Sei [e eles também], que me limito a descrever a realidade. Se eles não gostam, então que desamparem a loja e que vão gozar os rendimentos para Cavo Verde, junto de um Loureiro qualquer.  

07 setembro, 2011

ÚLTIMA HORA!

Lula da Silva, a nova contratação do SLB
SEGUNDO FONTES FIDEDIGNAS DA RTP1, RTP2, SIC, SIC NOTÍCIAS, SIC RADICAL, SIC MULHER, TVI, TVI24, LUSA, PLAY BOY, PIDE/DGS, BENFICA TV, E...POR AÍ FORA, O PRÓXIMO CANDIDATO Á PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DO BRASIL, SERÁ LUÍS FILIPE VIEIRA, VULGO O ORELHAS, OU PARA OS BEM INFORMADOS, O MOÇO DOS "PNEUS"! 

A BOA NOVA, EXPLICA A VISITA INESPERADA DO EX-PRESIDENTE LULA DA SILVA AO PALÁCIO DE BELÉM - QUEREMOS DIZER -, AO ESTÁDIO DA LUZ, QUE LULA DA SILVA APROVEITOU PARA LOUVAR EUSÉBIO DA SILVA FERREIRA, POR TODOS OS SERVIÇOS PRESTADOS À CAUSA COLONIAL, E CONVIDÁ-LO PARA MINISTRO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS DO BRASIL. 

EM CONTRAPARTIDA, CAVACO SILVA ACEITOU SEM DEMORA A PROPOSTA DE SUA EXA. O ORELHAS, PARA DIRIGIR, A PARTIR DE AMANHÃ O CLUBE DOS 6 MILHÕES.

TEMENDO AS CONSEQUÊNCIAS DE UM VAZIO DE LIDERANÇA QUE A SAÍDA DO HOMEM DOS PNEUS PODIA CRIAR NAS PERFORMANCES DESPORTIVAS DO GLORIOSO, CAVACO, JÁ CONTRATOU LULA PARA PONTA DE LANÇA DO BENFICA [VER FOTO DE VIEIRA A ENTREGAR-LHE A CAMISOLA].


A BEM DA NAÇÃO

RUI  GOMES DA SILVA

Descrença

Quem costume visitar este blogue, terá talvez reparado que são cada vez mais espaçadas as minhas intervenções. Há razões, de ordem pessoal e familiar, impeditivas de maior assiduidade, mas estas não são as únicas, nem talvez mesmo as principais.

O que se passa é que cada vez estou mais descrente no futuro deste país. Portugal caminha aceleradamente para se transformar na Albânia do oeste europeu. Um país que actualmente vê os seus indicadores de riqueza material em contínua degradação, aumentando deste modo o fosso que o separa dos valores médios dos seus parceiros europeus. Durante alguns anos julgámo-nos europeus de pleno direito e euforicamente fomos induzidos a viver acima das nossas possibilidades, tanto individualmente como a nível do Estado. Afinal de contas, vemos agora, foi um doping, mas como todo o doping resultou durante uns tempos e depois veio a factura para pagar : a ressaca! Dizem que a procissão ainda vai no adro, e que o pior está para vir. Se já está mau como está, como virá a ser?

Moralmente também nunca estivemos tão baixos. Tudo o que é ética, códigos de conduta, princípios morais, foi lançado às urtigas, juntamente com um dos pilares da Democracia, a Justiça. Vale tudo, desde que se "tire vantagem". Por outro lado a nossa sociedade civil vive um sistema de castas não declarado, em que há brâmanes e há párias, um pouco como na Índia. Para complicar a situação, começam a aparecer sinais de que a Maçonaria, essa entidade difusa e misteriosa que se julgava adormecida, está afinal bem viva e condiciona a vida pública de uma forma que não se julgaria possível. Como se não bastasse o regime tipo mafioso dos nossos partidos políticos, surge agora um novo factor perturbador!

Os governos há muito que dão sinais da sua incapacidade de lidar com a complexidade da situação, até porque a maioria dos seus elementos vêm demonstrado não estar à altura das necessidades, notando-se uma patente deterioração no decorrer das últimas dezenas de anos.

O Povo, esse continua a fazer jus ao seu epíteto de " povo de brandos costumes" e continua apaticamente como se não fosse nada com ele!
O PR é um mero jarrão decorativo. Pode não gostar-se de Mário Soares, mas há alguma comparação entre a sua combatividade e o consulado abúlico do actual presidente?

Qual a solução para esta situação, que implica que muita gente comece a aceitar soluções políticas que teria repudiado há algum tempo atrás? Haverá possivelmente respostas não convencionais, difíceis, dolorosas, mas não impossíveis. Talvez volte ao tema.