01 março, 2012

E a Santa Casa casa a encher os cofres...

Relembro aos leitores que o último sorteio premiado com o 1º.prémio remonta ao dia 7 de Janeiro deste ano, após um longo "jejum"  de seis meses, de 33 concursos sucessivos com Jackpot. Tudo leva a crer, que outro ciclo extenso de Jackpots espera os apostadores. Até ao momento, já lá vão 15 concursos seguidos e primeiro prémio...nada! Como é fácil ganhar dinheiro à "Santa" Casa da Misericórdia de Lisboa!


 Totoloto
Sorteio: 017/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 29/02/2012
Chave:311141638+2Ordem Saída:381416311+2

PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 13.200,33 
3.º Prémio4 Números209€ 157,89 
4.º Prémio3 Números8.436€ 3,91 
5.º Prémio2 Números113.266€ 1,74 
Nº da SorteNº da Sorte71.409Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes534.652
Nº de Apostas1.481.519
Receita ilíquida apostas€ 1.333.367,10
Montante para prémios€ 660.016,71
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 5.700.000,00

29 fevereiro, 2012

A responsabilidade do Estado, é isto?

É chegado o tempo de nos habituarmos a ligar ao nome "Estado" [conjunto de instituições que têm o dever de controlar e administrar  o país], aos Governos e às pessoas que, durante determinados períodos o representaram, sob pena de contribuirmos para a sua desresponsabilização, que é o que tem vindo a acontecer. Nada nos diz, que se  tivéssemos sido mais conscientes da relação directa entre o Estado, e os governantes  nas respectivas épocas, os políticos se sentissem, tão à vontade como agora, a endossar aos contribuintes o pagamento das crises que eles não souberam ou quiseram evitar [quem não sabe, não quer, ou não pode, demite-se]. O que  está agora a acontecer em Portugal e em vários países da UE, obrigando  povos de países como a Grécia e Portugal a sacrifícios insuportáveis, é uma decisão ditatorial que só revela a falta de consciência cívica e política [mais a nossa que a dos gregos], desses mesmos povos.  

Os representantes do Estado, portanto, os governantes, só deviam ter direito ao exercício da autoridade e exigir o cumprimento dos deveres aos cidadãos, desde que se constituíssem  como exemplo. A autoridade do Estado perde-se sempre que o Governo que o deve gerir e controlar perde a legitimidade moral para exigir a terceiros o cumprimento de obrigações [pagamento de impostos e outras dívidas], e quando não cuida de cumprir com as próprias. Inacreditavelmente, com centenas de comentadores políticos no país a dissertar pareceres sobre "a crise", ainda não vi um que fosse categórico na reclamação das responsabilidades a quem de direito, ou seja, a quem nos (des)governou.

Se aqueles que representam o Estado [são pessoas, e creio que todas baptizadas], fossem responsabilizados pessoalmente pelas más contas e dívidas que deixam para o Governo seguinte,  talvez isto não acontecesse:

  • Estradas de Portugal (EP), acumulou em 2010 uma dívida de 3,446 mil milhões de euros. Mais 117,3% que em 2009!
  • Caminhos de Ferro Portugueses (CP), deve em 2010, 3,445 mil milhões de euros. Menos 0,6% de 2009. 
  • REFER (Rede Ferroviária Nacional), tem uma dívida de 2,6 mil milhões de euros. Mais 43% que 2009.
  • TAP (Transportes Aéreos Nacionais), acumulou 2,3 mil milhões de euros de dívida. Mais 13,6% do que em 2009.
  • Câmara de Lisboa, devia em 2010 mil milhões de euros. Menos 6,1% que em 2009, mas 13,2% do total das dívidas municipais.
                                                                                                                                            [dados do JN]

Esta realidade, deita completamente por terra a teoria dos idiotas que defendem melhores condições salariais para os políticos governarem melhor e ficarem menos permeáveis à corrupção, como se o exemplo que acabámos de ver não provasse exactamente o contrário. Esta lista de caloteiros estatais [há muitas outras], para além de provar que os ordenados pornográficos dos gestores públicos são excessivos, e um roubo claro aos contribuintes, provam também que os governantes não são responsabilizados pelas dívidas que deixaram acumular, tanto criminal como pecuniariamente. Nestes casos, a culpa morre solteira, e ninguém parece interessado em saber que destino o dinheiro destes desfalques levou ...

Ainda querem ser respeitados senhores políticos? Vão-se catar [para não dizer outra coisa]!

28 fevereiro, 2012

O que nos não distingue


Extraído do blogue A Baixa do Porto

De: José Ferraz Alves - "Exemplo de como a Espanha vai evitar Portugal e Grécia"

Submetido por taf em Domingo, 2012-02-26 22:04
Uma pequena grande diferença de política económica e social apareceu esta semana nos órgãos de informação nacionais:
"Espanha incentiva Bancos a aceitarem casas (Jornal de Negócios 23.02) (…) Os Bancos que aceitem a dação em pagamento serão recompensados com benefícios fiscais. Esta é uma das medidas contempladas no código de boas práticas que o Ministério da Economia espanhol pretende implementar para proteger do despejo as famílias de menores rendimento. (...) Está também a implementação de um limiar de rendimento que impede uma família de ser despejada. (...) O objectivo é que a dação em pagamento signifique o fim do processo."
Por cá, nos nossos burgos, no Diário Económico de 23.02, mais da nossa política: "Bancos alargam empréstimos por um ano a sete mil empresas". Sem grandes comentários, mas aceitando e aplaudindo esta medida…
No MPN – Movimento Partido do Norte, sempre dissemos que surgíamos para defesa do Norte e das pessoas, dado que ninguém atendia ao patamar onde está o problema subjacente à crise financeira e depois económica, que é o baixo rendimento disponível das famílias portuguesas, que depois originava o tal incumprimento à Banca e falta de clientes para as empresas no mercado interno. Os nossos “grandes” e teóricos, incluindo os medias, continuam ao nível da capitalização das Empresas e do Sistema Financeiro como soluções para os problemas, caindo-se no ridículo de se perderem casas para Bancos que se estão a ajudar via impostos.
Nós entendemos que, se não sabem qual o problema, também nunca o resolverão. A DECO e os outros Partidos Políticos deveriam olhar para exemplos como este defendido pela Associação Portuguesa dos Utilizadores e Consumidores de Serviços Financeiros (Sefin). Se acrescentássemos que o sistema de rendas que é praticado no pagamento das dívidas deveria ser de amortizações constantes, para que ao fim de 10 anos, num financiamento a 30 anos, se esteja de facto a dever 2/3 e não a totalidade do financiamento, o que evitaria que a dação em pagamento ficasse aquém da divida ao Banco? E que é para estas pequenas coisas que deveríamos olhar? Que nem a Espanha reparou?
Todo o sistema empresarial e financeiro precisa de aprender a partilhar ganhos e a defender a saúde financeira dos seus clientes. Isto é capitalismo social, economia social ou social-democracia nórdica. A Espanha está atenta e mostra que não vão cair nos erros da Grécia e Portugal.
José Ferraz Alves
Secretário Geral,

Que Porto Canal pretende o Júlio Magalhães?

Vamos por partes. Se vivessemos no melhor dos mundos - ou, baixando o nível da ambição -, num país coeso e bem governado, onde um tripeiro se sentisse confortável em Lisboa, sem sequer imaginar ser discriminado na sua condição de portuense e portista, acharia um disparate o que a seguir vou escrever. Como a realidade não corresponde, nem de longe nem de perto, a nenhum desses casos e a discriminação de que vos falo tem várias frentes, talvez importe encararmos o assunto como uma coisa séria.

As frentes dessa discriminação começaram na política, percorreram a economia, cresceram no futebol, e terminaram em toda a sociedade. Os nortenhos, em particular aqueles cujas raízes à região são fortes, sabem muito bem que não há ponta de exagero neste diagnóstico, porque a história não o pode desmentir [a não ser que também a adulterem]. Há registos em vídeo, na rádio e na imprensa do mal que nos tem sido feito. A memória dos factos, evoca-nos imensas declarações de desprezo, de ironia sectária e de conspirações ao Porto/FCPorto de algumas figuras públicas de Lisboa [e outras do Porto], simpatizantes do Benfica, em programas de televisão, para já não falar das infindáveis entrevistas mediáticas para tentar explorar e influenciar o resultado do processo Apito Dourado e a eliminação do Presidente do FCPorto, e por tabela, do próprio clube. E então? A memória já não tem valia?

Tudo o que acima descrevi remeteu-me para uma ocorrência da qual já aqui vos falei e que me começa a preocupar, que é a obsessão de Ricardo Couto em convidar para o programa do Porto Canal, "À Conversa com Ricardo", figuras públicas como as que atrás referi. Se a memória não me falha, Ricardo Couto num curtíssimo espaço de tempo já convidou: a astróloga/tia, Maia, o Fernando Alvim, o António Sala, e muitas outras pessoas de Lisboa, relacionadas com o Benfica, e que ainda por cima não acrescentam qualquer mais valia para o canal. Por este andar, qualquer dia Ricardo Couto vai-nos brindar com a presença de Luís Filipe Vieira,  para fazer umas palhaçadas...

A questão que se coloca é a seguinte: o que é que Ricardo Couto, ou alguém por ele, pensa que pessoas com este "perfil"  podem trazer de verdadeiramente inédito à programação do canal? O que é que estas pessoas têm de especial que o justifique? E no Norte, já se esgotaram as figuras programáveis? Será este o caminho para que aponta o Porto Canal no sentido de dar mais norte ao Norte? Será porventura Pinto da Costa quem selecciona os convidados? E ele, terá conhecimento, por acaso, sobre que tipo de pessoas é que estão a recair as preferências da régie para o programa? Quem as escolherá, afinal? E qual é o papel de Júlio Magalhães no meio destas aberrações/provocações programáticas?

Talvez tenha chegado a altura de alguém de direito transmitir o que se está a passar no Porto Canal a Pinto da Costa, caso contrário, um dia destes até ele, se lá quiser entrar, ainda vai bater com o nariz na águia Glória ou nalgum steward do Benfica.


PS: 
Enviarei para o Porto Canal este post.    

27 fevereiro, 2012

Manuel António Pina [no JN]


E nós a vê-los contratar

Publicado em 2012-02-27

De vez em quando vem a público, e logo é esquecida, a notícia de mais uma dessas inúmeras heterotopias jurídicas que é de uso designar de parcerias público-privadas, através das quais, sempre da mesma maneira, dinheiros públicos acabam em bolsos privados.

Desta vez é a Fagar, empresa de águas e resíduos sólidos de Faro criada há sete anos pela Câmara com capitais maioritariamente municipais e em parceria com a AGS (grupo Somague, detido pela espanhola Sacyr).

Uma auditoria do Tribunal de Contas descobriu que a Fagar representou, de 2006 a 2010, uma hemorragia de dinheiros públicos da ordem dos 3,6 milhões de euros, sendo que, a manter-se a "tendência crescente" de derrapagem, serão precisos 25,6 milhões para reequilibrar as contas até ao termo da parceria entre a Câmara e a Sacyr. O curioso do negócio é o mesmo curioso (chamemos-lhe assim, embora haja palavra mais adequada) de outros negócios do género: os riscos correm todos por conta do sector público; o capital privado, mesmo que a coisa dê prejuízo, tem contratualmente assegurada uma rentabilidade de 8,41% (paga adivinhe o leitor por quem).

Como se vê, não são só os chineses que fazem em Portugal negócios da China. Quando se trata de capital privado a render à sombra da árvore das patacas pública, os nossos eleitos não descriminam ninguém, dos espanhóis da Sacyr aos angolanos do BPN. Até porque o dinheiro não é seu e a impunidade está garantida.

O aplauso não faz sentido sem a contestação

A dificuldade da chamada opinion maker em conviver com os factos tais como eles são, sem lhes acrescentar determinados chavões que depois de muitas vezes repetidos se apresentam quase como verdades irrefutáveis, pode estar na origem da incapacidade de avaliarmos certas coisas com mais naturalidade e menos preconceito.

Ocorreu-me este pensamento após ter assistido ao jogo do FCPorto com o Feirense, onde voltamos a assistir a duas partes distintas do jogo. Uma [a primeira], em que o FCPorto voltou a revelar deficiências técnico-tácticas antigas, onde alguns jogadores se perderam em excessos de individualismo, com a bola a circular lentamente, com passes e desmarcações  previsíveis, contribuindo dessa forma para aumentar a confiança da equipa adversária [foi a jogar assim que o Gil Vicente nos conquistou 3 pontos]...Depois, veio a segunda parte, mais veloz, mais discernida, cujo resultado acabou numa victória preciosa e os respectivos 3 pontos, que nos guindaram para o topo da classificação. E o que é que isto tem a ver com o escrito no primeiro parágrafo? É simples. Na primeira parte, os jogadores jogaram de forma tão displicente que alguns adeptos mais nervosos chegaram a certa altura, não resistiram e assobiaram a equipa  [como sabem, existe uma corrente de opinião que é contra os assobios nos estádios]... 

Vamos lá ver: os jogadores não mereceram aqueles assobios? Os adeptos não tiveram paciência*, e não aguardaram quase toda a primeira parte que o jogo melhorasse? Será que os adeptos para serem bons só devem apoiar a equipa  como seres acéfalos e sem sentido crítico, mesmo quando ela joga mal? Perdoem-me, mas discordo dessa teoria. Um aplauso para fazer sentido tem de ser merecido, o assobio também. O assobio não é mais do que um sinal dos adeptos à equipa e ao treinador, que não estão a gostar do que vêm. 

Não é o meu caso, mas há muita gente que gasta o que tem e o que não tem para ir ao Estádio. Aos jogadores pede-se-lhes, no mínimo, empenho, e ao treinador, capacidade de liderança para o exigir. E não me venham com a conversa do comportamento dos espectadores ingleses, porque estamos a falar de um futebol muito diferente do nosso, onde o grau de exigência do público não tolera o jogo empastado, as paragens sucessivas, o passar exagerado das bolas para trás, e as manhas dos jogadores latinos. A razão do entusiasmo dos ingleses prende-se mais com a dinâmica dos jogos a que assistem do que exclusivamente com as victórias dos seus clubes. O futebol em Inglaterra é suado, tem movimento do princípio ao fim do jogo, e há um espírito de competitividade incomparavelmente superior ao nosso! Eles apoiam as equipas do 1º. ao último minuto porque as suas equipas lutam, quase sempre, com garra e velocidade, não lhes dando tempo e pretextos para bocejarem de tédio, ou para se zangarem com elas. Por isso, lá mal se ouvem os assobios.

O nosso grau de exigência no futebol é proporcional ao grau de exigência política e social. Apesar da União Europeia, continuamos a ser um país atrasado, eles não. Talvez isso explique também a facilidade com que absorvemos determinado tipo de ideias comportamentais que não se esgotam nos campos de futebol. Não estamos habituados a exigir, porque fomos historicamente "formatados" para a permissividade. Somos discriminados pelo centralismo, e deixámos. Agora, também querem amordaçar os adeptos de se manifestarem no futebol. Não! Há o mérito e a incompetência, só um merece ser aplaudido, o outro é para afugentar, e não é com uma postura inexpressiva de atavismo que as pessoas reagem perante o bem, e o mal...

Mas, para que não restem dúvidas, entre uma e outra coisa, enquanto adepto e cidadão, prefiro sempre ter motivos para aplaudir. E ontem, mais uma vez, só a última parte do jogo do FCPorto mereceu o nosso aplauso.

* Como adeptos pacientes não considero, naturalmente, aqueles que mesmo na 2ª parte, depois da equipa ter corrigido alguns erros da 1ª  e de passar a jogar francamente melhor, continuaram a assobiar. Esses são os mesmos que assobiam antes dos jogos começarem, e esses, não devem ser incluídos na classe de adeptos, e sim de fanáticos.

26 fevereiro, 2012

Santa Casa, santa, santa, santa...


 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 016/2012 - Sábado Data do sorteio: 25/02/2012
Chave:1819263039+5Ordem Saída:1930391826+5
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números2€ 17.251,46 
3.º Prémio4 Números272€ 158,56 
4.º Prémio3 Números11.431€ 3,77 
5.º Prémio2 Números152.356€ 1,69 
Nº da SorteNº da Sorte183.235Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes658.220
Nº de Apostas1.936.191
Receita ilíquida apostas€ 1.742.571,90
Montante para prémios€ 862.573,09
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 5.400.000,00

25 fevereiro, 2012

Quem tem medo da Regionalização?

'Pólo Norte', é o nome do novo programa/debate transmitido pelo Porto Canal, às sextas-feiras à noite. Se bem entendi, além do moderador, o jornalista do JN, David Pontes, participam, regularmente, o jornalista do 'Público', Manuel Carvalho, um convidado, e mais outro indivíduo do qual me escapa o nome. Ontem, o convidado era Rui Moreira, e os temas abordados foram o porto de Leixões, o Aeroporto Sá Carneiro e, como não podia deixar de ser a SRU Porto Vivo, da qual, o actual Presidente é o próprio Rui Moreira.

Já se sabia pela imprensa que Rui Moreira ameaçou bater com a porta, pelas sempre-eternas indefinições sobre quem tutela o quê, e cujas consequências redundam  sempre no bloqueio dos trabalhos de reabilitação, rebentando com a paciência dos mais optimistas. Suponho ter sido esse o caso de Rui Moreira. A Câmara do Porto garante que as verbas que lhe competem estão disponíveis [é a accionista da SRU com 40%], mas o INH-Instituto Nacional da Habitação que detém 60% do capital, parece não querer "chegar-se à frente" com os valores respeitantes a despesas correntes. O INH, fez aquilo que é tradicional em Portugal fazer, isto é, não assumiu a responsabilidade, e empurrou o assunto, ora para a tutela do Ministério das Finanças, ora para a do Ministério do Ambiente e Pescas e Administração do Território [mas, que confusão!].   

Tamanhas fantochadas são já uma rotina na política portuguesa, e nenhum partido se pode dar ao "luxo" de reclamar inocência. Sucede, que estas guerrinhas, já por si reveladoras da mediocridade dos nossos políticos, trazem consigo uma cereja amarga, que é a indiferença, diria mesmo, a provocação com que os decisores centralistas tratam o Norte, deixando-o a falar sozinho, que é, no fim de contas, como estranhamente, parece gostar de estar.

Ora, de todo o debate a que ontem assisti, ficou-me a sensação de que, apesar disso, apesar destas constantes afrontas, alguns dos comentadores, denunciaram receios completamente contraditórios e em contra-ciclo com o que tinham acabado de debater. Se bem percebi nas entrelinhas, pareceram-me sugerir um certo "travão" à dinâmica regionalista, tanto do próprio Porto Canal, como do semanário Grande Porto, sem contudo o explicitarem e fundamentarem as razões para tais receios.

Desde o 25 de Abril que nunca assistimos a tanta displicência por parte dos governos em relação ao resto do país, como nos últimos 10/15 anos. Puxando a bobine da história mais atrás, podemos hoje afirmar com toda a segurança, que nem mesmo a lei da rolha do Estado Novo levou tão longe a indiferença por aquilo a que hoje chamam província. Até estes termos [província], são hoje mais depreciativos do que antigamente.  A sobranceria da capital em relação ao resto do território é, sem sombra de dúvida agora muito mais intensa. Então, o que é que temem estas pessoas, para recear que o Norte assuma de forma desinibida, quiça até agressiva, a regionalização? Se depois de tantos anos, de sucessivos governos sem darem sinais de querer abdicar do centralismo, como é possível haver um só nortenho  a  acreditar que alguma vez faremos cumprir a Constituição no que toca à Regionalização pela via diplomática do queixume? Será que ainda não perceberam que no Terreiro do Paço nem sequer nos querem ouvir? Ou terão uma estratégia secreta que não queiram partilhar connôsco?

Já tivemos muitas decepções com gente da política que prometeu muito e fez muito pouco, para não dizer que não fez nada. Vimos e ouvimos, atónitos, regionalistas "convictos" a tornarem-se,  irresponsável, mas serenamente, em centralistas empedernidos mal pousaram o traseiro no governo. Que outros tristes cenários precisamos ainda de contemplar? 

Continuo sem compreender medos tão risíveis. Ficamos com a ideia de prevalecer nos nortenhos uma visão redutora, afunilada e estupidamente conservadora, dos processos requeridos para a mudança. Cheira-me, que por este andar o Porto Canal se acabe por devorar a si próprio. Aquilo a que temos assistido em termos de debate político, tem-me desiludido. Alguns dos protagonistas que por lá começam a colaborar parecem mais apostados em alterar a promissora dinâmica regionalista para uma linha editorial indulgente [tipo JN], recheada dos teóricos do costume. Tudo leva a crer que o Norte e os seus dramas, são um assunto para resolver longe do conforto dos lares e da segurança dos jobs...

O umbigo de certos nortenhos, parece ser a fronteira a partir da qual a Regionalização não pode avançar. Só assim se explica tanto medo em levar a Regionalização até ao fim. Contra tudo, e contra todos... Como fazia o Pinto da Costa dos bons velhos tempos, que tantas e tantas alegrias deu aos portistas de todo o Mundo.

24 fevereiro, 2012

Santa Casa, Santa Burla, Santo Totoloto


 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 015/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 22/02/2012
Chave:89182346+6Ordem Saída:46182398+6
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números0(2)
3.º Prémio4 Números130€ 438,72 
4.º Prémio3 Números6.963€ 4,55 
5.º Prémio2 Números103.316€ 1,84 
Nº da SorteNº da Sorte119.044Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes508.962
Nº de Apostas1.422.465
Receita ilíquida apostas€ 1.280.218,50
Montante para prémios€ 633.708,16
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 5.100.000,00

Se fosse uma democracia...


Uma democracia doente

Publicado em 2012-02-24

                    
Que, após anos de alternância entre o PS e o PSD (ou PSD/ CDS), sem que a alternância governativa tenha significado alternância de políticas económicas, a democracia portuguesa foi conduzida a um beco aparentemente sem saída, já se sabia; que a tutela absoluta da "troika" sobre essas políticas e sobre a acção dos partidos do chamado "arco da governação" afunilou ainda mais qualquer hipótese de saída de tal situação no actual quadro político, também já se sabia; não se sabia era que os desesperançados eleitores portugueses tivessem plena consciência de tudo isso, embora fosse possível suspeitá-lo pelo crescimento galopante dos números da abstenção (bastará dizer que, tendo em conta a abstenção e os votos brancos e nulos, o PSD alcançou o Governo representando pouco mais de 20% dos portugueses).

A sondagem agora realizada pela Universidade Católica para a RTP comprova o pior: quase dois terços (62%) dos eleitores consideram mau ou muito mau o desempenho do Governo em funções, mas três quartos (73%), olhando em volta para as alternativas viáveis - que é como quem diz para o PS - não vê que valha a pena mudar de Governo por um outro que, com mais ou menos leis do aborto ou do casamento homossexual, faça exactamente a mesma coisa.

Quando os eleitores concluem que tanto dá votar como não votar porque o resultado será o mesmo, a democracia está gravemente doente e madura para qualquer aventura populista.

23 fevereiro, 2012

E a razão mandou no coração

Imagens raras no FCPorto
Não gosto de exageros, e a crítica é frequentemente vulnerável aos exageros, mesmo quando pretende ser construtiva. Ninguém é tão bom como às vezes se pensa, nem tão mau como parece. No entanto, existem casos onde, na ausência de uma reacção atempada às críticas negativas se tem de tolerar algum radicalismo. Na política, por exemplo. Estamos cansados de saber que a Regionalização em Portugal não vai lá com falinhas mansas e que a competência dos políticos não se consegue por decreto. Daí só restar ao comum cidadão a crítica mordaz, o humor, ou a ridicularização dos actores políticos. A democracia em Portugal não oferece aos eleitores alternativas mais sérias para se livrar rapidamente dos maus governantes. 

No futebol as coisas já são um bocadinho diferentes. Ao contrário da política, há uma ligação de afectos dos adeptos ao clube mais do que uma ligação de interesses. Na política partidária, os lobbys predominam sobre todo o resto. Não devia ser assim, mas a realidade é essa.

Faço esta comparação, porque discordo das reacções apressadas, e às vezes agressivas, daquelas pessoas que começam a berrar para os jogadores ainda antes de estes tocarem na bola, e que lançam todo o tipo de afrontas ao treinador quando as coisas não correm bem. É preciso ter calma e dar tempo ao tempo.

Pois bem, de não ter tido tempo, é coisa que o actual treinador do FCPorto não se pode queixar. As responsabilidades que se lhe não podem assacar, são a saída inesperada de Villas Boas, a não contratação de um ponta de lança de qualidade para ocupar a vaga de Falcao, e a vinda extemporânea de Alex Sandro e principalmente de Danilo [que agora se lesionou].  Tudo mais, é da responsabilidade do treinador. Refiro-me, naturalmente às questões técnico-tácticas, físicas e psicológicas. 

Não vou especular muito sobre em qual dessas vertentes é que me parece que está a falhar Victor Pereira, mas há uma, da qual não consigo deixar de falar, porque salta aos olhos [e aos ouvidos] de quem está atento: o discurso. Victor Pereira, pode até ter a confiança de Pinto da Costa, mas seguramente que a tem hoje menos que teve ontem, e [a continuar assim], que terá amanhã. Terminado o descalabro de ontem, só lhe cabia a ele colocar o lugar à disposição, em vez de repetir um discurso de combatividade em que já ninguém acredita, incluído, ele próprio. Assim, deixaria a Pinto da Costa a responsabilidade do que acontecer no futuro, caso se mantenha agarrado ao lugar com os resultados que se adivinham. É verdade, que o momento recomenda algum bom senso, porque os vermelhos perderam 3 pontos e o FCPorto recuperou outros 3, deixando em aberto a luta pelo título. Mas, pergunto: terá Victor Pereira capacidade depois de uma derrota copiosa, para moralizar os jogadores de forma a ir ao "campo dos túneis" e discutir taco a taco o resultado?

Não, não precisam de responder, porque sei que neste momento não haverá nenhum adepto, por mais fervoroso que seja, que tenha muita esperança nessa possibilidade. Só resta mesmo a fé do coração, e essa às vezes, funciona, mas não foi só com esse tipo de fé que o FCPorto nos habituou a vencer e a ultrapassar os obstáculos mais difíceis, foi com a fé da competência. Se juntarmos a estes factores a protecção de que o clube do regime cronicamente beneficia dos árbitros, será mesmo muito complicado ultrapassá-lo na tabela classificativa. Isto, partindo do princípio que vamos ganhar domingo ao Feirense e que os vermelhos se safam em Coimbra, com a Académica...

Poder-me-ão acusar de pessimista, mas no íntimo, tenho a certeza que pensam como eu, o que não quer dizer que possamos prever com plena segurança o futuro. Tudo é possível, mas entre o possível e o provável, há uma distância sensata de realismo que não devemos desprezar. Há casos, em que um tiro basta para matar uma criatura e que, fazer-lhe o óbito só depois de lhe ver o corpo cravado de balas, tipo passador, já não é fé, é virar as costas aos factos. 

   

22 fevereiro, 2012

Viracasaquismo da CMPorto

Afinal, para quem levantou tantas ondas [Rui Rio],com as alterações ao PDM contra a construção no Parque da Cidade, parece que não passou de fogo de artifício para eleitor impressionar. Agora, Rui Rio já acha bem "legalizar" as construções que entretanto lá deixou realizar. Para isso, é só virar a casaca e fazer o que criticava aos seus antecessores. Muito sério, sim senhor. Ler documentação da CMPorto, aqui.  

21 fevereiro, 2012

José Ferraz Alves / Movimento Pró Partido do Norte

Apesar da incompreensível indiferença pelas questões de cidadania das gentes desta nossa região, que muito se queixa, mas pouco faz para mudar de vida, o Movimento Pró Partido do Norte continua a remar contra esta maré de conformismo que a todos nos envergonha. Ler post do José Ferraz Alves, que ao que sei, não sofre de "anti-corpos" [seja lá o que isso fôr], aqui. 

20 fevereiro, 2012

Os debates do Porto Canal e da concorrência "convivem" em paz

Qualquer nortenho atento e de espírito independente, terá percebido que a massa crítica de Lisboa é tudo menos isenta. Tem uma visão redutora do país, e vive completamente despreocupada com as aparências, porque não precisa, não dá oportunidade ao contraditório, e está sempre a jogar em casa [como se diz na gíria do futebol], mesmo quando está fora de casa...

Fazendo uma breve sondagem pelos quatro canais sediados em Lisboa [RTP, 1 e 2, SIC, TVI e sucedâneos], encontramos uma série de programas de futebol [onde se discute mais de arbitragens e menos de futebol], com comentadores dos 3 clubes ditos mais representativos do país, votando quase ao anonimato todos os outros, o que revela de per si uma baixa noção de democracia das respectivas directorias. Mesmo assim, desses 3 clubes, um há que convive em clara desvantagem com os demais, que é o FCPorto, porque tem de combater com armas desiguais contra quatro opositores, e não apenas dois, como ingenuamente se faz crer: os dois adversários tradicionais [Benfica e Sporting],  o pivôt, e finalmente a produção. Nestas circunstâncias, que são recorrentes e de longa data, o FCPorto só pode contar com a capacidade de argumentação dos seus comentadores, e da sua combatividade, porque o resto, é tudo oposição, e da pesada... 

Os dois clubes de Lisboa uniram-se na conspiração "Apito Dourado", e unem-se sempre que não conseguem dar luta no campo de jogo, ao FCPorto. Paralelamente, o trabalho dos "moderadores" é tudo menos imparcial, dele se destacando um manifesto sadismo  em associar as victórias do FCPorto a erros de arbitragens, mesmo que - como vem acontecendo com assinalável frequência - o número de grandes penalidades não marcadas a favor do FCPorto justifique certificado de garantia. Por último, os outros opositores, são as régies das estações de tvs, os homens das câmaras, que tratam de encobrir, ou mesmo  privar, a boa visibilidade dos lances que possam dar razão ao FCPorto. Tudo isto é feito, nas barbas dos comentadores portistas que, com receio de serem dispensados, caso levantem demasiados "obstáculos", acabam por ser demasiado condescendentes com as trampolinices dos anfitriões. 

Por outro lado, o Porto Canal, até para debater futebol, optou por uma política respeitável de comentadores demasiado soft, mas sem retorno prático, dada a genética incapacidade dos nossos adversários em conviver com os bons hábitos  e a seriedade. Tarde ou cedo, o FCPorto irá compreender que para lutar contra esta gente vai ser preciso usar as mesmas armas, isto é, fingir que é democrático e escolher minuciosamente os alvos que quer atingir. A RTP, chama repetidamente aos seus estúdios, para debater futebol, gente ligada ao Benfica e ao Sporting, e contudo deixa passar a ideia que está a fazer um trabalho sério, ou se o não consegue, passa mesmo assim a mensagem que verdadeiramente lhe interessa. Nós podíamos fingir que entramos no jogo, e passar a insinuar, como eles insinuam quando eles insinuam, para ver como reagiriam. Talvez uma estratégia dessas pudesse provocar o contraditório e despertar consciências [se as houver]...  O Porto Canal, até ver, não está a tirar  o melhor partido da televisão na defesa do FCPorto. Eles lá para baixo, branqueiam a arbitrariedade da Comissão de Disciplina da Federação e dos próprios árbitros, que castigam sem pestanejar o FCPorto por dá cá aquela palha, e ignoram graves ilegalidades praticadas pelo treinador do Benfica com um despudor revoltante. O FCPorto cala, e quem cala, consente.

Talvez me esteja a escapar qualquer coisa, mas não me parece que a estratégia do silêncio venha a surtir efeitos vantajosos para o clube. O Benfica faz parte do centralismo, é seu irmão gémeo, e esse continua a não ser combatido com a agressividade que se impõe. Nós, no Porto, e em todo o Norte, não andamos propriamente a ser tratados democraticamente [e com respeito] pelo governo central em termos políticos,  e muito menos, com  atitudes afectuosas. No futebol passa-se o mesmo, ou pior. Somos discriminados, sem vergonha, nem pudor. Por que teremos nós, então, de continuar a apostar na parcimónia do politicamente correcto, quando estamos é a ser efectivamente agredidos? Que permissividade é esta que só agrava a nossa vida e a do nosso clube? Acho, que o que está faltar ao Norte, é mesmo agressividade. 

Infelizmente, a violência raramente cede ao verbo. Tal como o poder, ninguém dele abdica, passiva ou democraticamente.

O vídeo que aqui se pode vizualizar constitui outro traço marcante dos noticiários centralistas. O centralismo é como a água, infiltra-se por todo o lado.
          

19 fevereiro, 2012

Serviço público - Totoloto não é jogo sério - Passem a palavra!


 Consultar Sorteios
 
 Totoloto
Sorteio: 014/2012 - Sábado Data do sorteio: 18/02/2012
Chave:412141625+9Ordem Saída:121625144+9
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números3€ 11.523,14 
3.º Prémio4 Números370€ 116,78 
4.º Prémio3 Números13.434€ 3,21 
5.º Prémio2 Números156.785€ 1,65 
Nº da SorteNº da Sorte171.490Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes656.879
Nº de Apostas1.939.924
Receita ilíquida apostas€ 1.745.931,60
Montante para prémios€ 864.236,14
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 4.800.000,00

17 fevereiro, 2012

"Porto Vivo" / de José Ferraz Alves

No Diário Económico de 15 de Fevereiro, Rui Moreira, presentemente ex-Presidente da Porto Vivo, diz que "estou a herdar uma batata quente, que não posso nem tenho condições de assumir", mostrando-se indisponível para continuar o mandato terminado no final de 2011, se os accionistas não fizerem injecção de capital, colocando de lado responsabilidades da Câmara do Porto e focando-se no IHRU de Lisboa. Para continuar a ler clicar aqui: http://www.porto.taf.net/dp/node/8313

Um FCPorto atípico, que não se encontra

Escusado será dizer, que como portista e portuense, estou completamente decepcionado e triste com o resultado do jogo de ontem contra o Manchester City. Resumidamente, poder-se-ia dizer que este jogo não foi mais do que a enésima réplica de exibições anteriores, com a diferença não despicienda de esta vez ter sido disputado contra um colosso [desportivo e monetário], do futebol mundial. O FCPorto realizou uma primeira parte de qualidade, com os jogadores concentrados, rápidos e pressionantes, e uma segunda, igual a muitas que temos visto este ano, lenta, nervosa e desconcentrada. 

Corroborando embora, aquela ideia dos adeptos que acham que se deve apoiar o treinador, este ou qualquer outro, enquanto estiver ao serviço do clube e for cronologicamente possível vencer as provas em que participa, não deixo por isso de pensar que até para a solidariedade clubista há limites que não devem ser ultrapassados, sob pena de perdermos o nosso sentido crítico. Senão vejamos: em qual das partes do jogo de ontem e de outros [como o de domingo contra o União de Leiria], devemos reconhecer os méritos e os deméritos do treinador? Na primeira parte, que levou os adeptos a acalentar a esperança de podermos dobrar este importante obstáculo, ou na segunda que a deitou por terra com requintes de masoquismo impróprio para cardíacos? Suponho que é aqui que podemos encontrar um ponto consensual, ou seja, que a confiança e desconfiança dos adeptos num treinador se alicerça na regularidade exibicional das equipas. Ora, é precisamente isso que não tem acontecido esta época, porque, como sabemos, os jogos têm duas partes de 45 minutos...

Já aqui escrevi [e não me devo ter enganado] que a explicação parcial pelo mau início da época foi condicionada por um conjunto de circunstâncias mais aleatórias do que é habitual no FCPorto, que tiveram início na saída abrupta de Villas Boas e culminaram nas contratações tardias de jogadores como Danilo e Alex Sandro, já para não especular sobre o aproveitamento de outros como Iturbe, ou sobre a contratação de um ponta de lança de qualidade garantida. Quando isso acontece - e no FCP, felizmente não acontece muitas vezes -, as decisões do presidente ficam automaticamente limitadas, tanto em termos de oferta/procura de contratações, com em termos temporais. Estranhamente, creio que pela primeira vez, tive a sensação que algo não ia correr "normalmente" esta época, porque aconteceu um conjunto de peripécias e indefinições [como a própria permanência de Falcao], que não são habituais no nosso clube. 

Apesar do acima exposto, agora, pouco há a fazer a não ser aguardar por melhores dias. Os jogadores e o próprio treinador disseram que ainda nada está perdido e isso só lhes fica bem, mas para ultrapassar obstáculos o FCPorto habituou-nos a contar não apenas com a força de vontade mas, sobretudo, com uma organização de excelência e apostas de risco calculado. Este ano, pelas razões já apontadas, as coisas não se passaram assim. Resta saber, se ainda vamos a tempo de ganhar qualquer troféu interessante. 

16 fevereiro, 2012

Serviço público que o JN não faz, para não perder a massa da publicidade da Santa Casa


SENHORES APOSTADORES: POUPEM O V/DINHEIRO, NÃO JOGUEM NO TOTOLOTO! É UMA VIGARICE! ONZE CONCURSOS SUCESSIVOS SEM 1º. PRÉMIO, E SEM ALGUNS 2ºs!

 Totoloto
Sorteio: 013/2012 - Quarta-Feira Data do sorteio: 15/02/2012
Chave:515162349+13Ordem Saída:234916515+13
PrémioAcertosNúmero de vencedoresValor
1.º Prémio5 Números + Nº da Sorte0(1)
2.º Prémio5 Números0(2)
3.º Prémio4 Números144€ 402,70 
4.º Prémio3 Números6.952€ 4,63 
5.º Prémio2 Números101.340€ 1,90 
Nº da SorteNº da Sorte134.378Reembolso do valor da aposta de Totoloto
Estatísticas
Nº de Bilhetes/Matrizes519.910
Nº de Apostas1.446.293
Receita ilíquida apostas€ 1.301.663,70
Montante para prémios€ 644.323,53
(1) Previsão 1º Prémio c / Jackpot€ 4.500.000,00

São mesmo rascas, estes gajos!

À medida que os anos avançam e a democracia definha, os partidos portugueses parecem apostados em competir por baixo, pelo troféu da vulgaridade. Perderam de tal modo o respeito aos cidadãos que já agem como se estivessem sozinhos no mundo, num enorme ring, idêntico àqueles que mostram mulheres desmioladas a chafurdarem na lama, a agarrarem os cabelos umas às outras. Além do sexo, a diferença entre uma coisa e a outra, está na linguagem. Elas, exibem os corpos e emitem gritos histéricos, eles, os políticos, soltam diarreias verbais, qual delas a mais nauseabunda, usam gravata, e são esteticamente chatos.

Não seria muito grave se a falta de nível dos avençados da política se ficasse por aqui, e soubessem compensar os disparates verbais com boas medidas de gestão governativa. O problema, é que, a boca, ou o que se diz através dela, é uma espécie de ante-câmara do cérebro que serve, na maior parte dos casos, para prevenir o ouvinte do grau de inteligência do falante. Por isso, não tenhamos ilusões, pela boca, morre mesmo o peixe. Só é pena - e digo isto com toda a sinceridade -, é que o realismo do ditado não seja expresso literalmente... Se a democracia não protege os cidadãos de governantes facínoras e irresponsáveis, então que Deus se lembre deles e os afaste do convívio entre os vivos, caso contrário são eles que nos matam a nós.

O artigo que se segue, de Fernando Santos, director do JN, é elucidativo. Esta gentinha, da política não quer mesmo nada com as coisas correctas, com a honra e o rigor. Fica-se sempre pelas meias-tintas. Até com a corrupção gostam de brincar! Como brincam com a Constituição, adaptando-a aos interesses da clã [ou, será Klan?] que detém o poder.

Rui Valente



Corrupção e GPS até 150 euros

Coloque a sua imaginação a duzentos à hora. Suposição: tem o pedido de licenciamento de uma obra entupido num serviço do Estado dos muitos de cujo parecer depende. O funcionário, erguendo o pescoço por entre uma quantidade infindável de processos, acaba amolecido e por prometer retirar o seu dossiê do amontoado graças a um GPS dos baratinhos com que lhe acena - prendando-o mesmo. Eureca! O tipo é diligente, preenche um formulário a dar conta da recepção da prenda - inferior a 150 euros - que nunca mais o desorientará a caminho do infantário ou da casa dos sogros e continua impávido e sereno à espera, fora dos trâmites normais, de ser diligente para o próximo cidadão exasperado com a burocracia.


Um cenário assim, através do qual se trafica influência a preço de saldo, faz sentido? Não, não, não. Três vezes não.


Perante tamanha negativa, só pode ser de espanto a preparação de uma lei-quadro, anunciada pelo Ministério da Justiça, "para a criação de um Código de Conduta e Ética para a Administração Pública", susceptível de chegar um dia destes à mesa do Conselho de Ministros.


O pressuposto é estapafúrdio. O Ministério coloca preto no branco a ideia de que "este Código de Conduta estabelece que as ofertas de bens recebidas em virtude das funções desempenhadas deverão sempre ser registadas e não exceder o valor máximo de 150 euros". Ou seja: de algum modo dá o visto bom à "transumância", embora estabelecendo-lhe um preço (deduz-se não ficar consagrada em letra de lei uma dedução de IVA destinado a encher os cofres do Estado).


Pugnar por uma sociedade bacteriologicamente pura poderá ser do domínio do virtual. Não deve é deixar de ser um objectivo a perseguir, só possível se em nenhuma circunstância se abrirem linhas de fuga de princípios inegociáveis. E o tráfico de influências é hoje um flagelo para o qual é uma estupidez estabelecer graduações.
Assim como assim, o país já vive em demasia sob o espectro da afamada cunha para tudo e mais alguma coisa. Fica difícil entender como é possível alguém estar a equacionar a hipótese de formalizar brechas - a oferenda caricatural de um GPS é transmissível a um estojo de beleza para a madame funcionária pública ou companheira do decisor ou de quem lhe leva os papéis ou mete em sistema informático os processos carecidos de deferimento. E se alguém tem dúvidas sobre o jeitaço, basta imaginar a profusão de prendas possíveis a troco de 150 euros incluindo a nova moda aberta a tudo, a dos cartões ou cheques--prendas!


Está a ser engendrada uma lei absurda, em contraponto ao estatuto disciplinar dos trabalhadores da Função Pública, que prevê a pena de despedimento para funcionários que, "em resultado da função que exercem, solicitem ou aceitem, directa ou indirectamente, dádivas, gratificações, participações em lucros ou outras vantagens patrimoniais, ainda que sem o fim de acelerar ou retardar qualquer serviço ou procedimento".


Decididamente, convém fazer abortar um tremendo disparate - este indesculpável e sem direito ao argumento do memorando da troika para funcionar como guarda-costas. Viabilizar as prendas só agravará o último estudo elaborado no âmbito da Comissão Europeia e segundo o qual 97% dos portugueses consideram a corrupção um dos grandes problemas do país...
[do JN]


Nota de RoP:
Este artigo fez-me lembrar um episódio ocorrido nos anos sessenta numa pequena cidade do norte da França, onde tive a "infeliz" ideia de deixar uma gorjeta a um empregado de café pensando que estava em Portugal. Qual foi o meu espanto quando o homem com toda a dignidade agradeceu, mas recusou a "simpatia"... Eram outros tempos, mesmo em França, mas de qualquer maneira, registei a atitude. 

 

15 fevereiro, 2012

Por que será...

...que sinto um orgulho indescritível  [com "o" fechado], sempre que o clube do regime perde? Por que será que não revejo no Benfica um pingo de afinidade nacional? Digo mais: em qualquer jogo que este clube ordinário dispute com outro estrangeiro, eu torço muito tripeira e patrioticamente pela equipa estrangeira. Em nome de Portogália!