09 julho, 2014

Galardoado recusa medalha em solidariedade com Pinto da Costa

O presidente da Beneficência Familiar recusou receber da Câmara do Porto uma medalha de mérito em solidariedade com o presidente do F.C. Porto, Pinto da Costa, considerando "descortês e desconfortável a confraternização" com ex-autarca Rui Rio.


"Partilhando eu idêntica posição do presidente do F.C. Porto em relação a Rui Rio [...], considero igualmente descortês e desconfortável a minha confraternização na minha cerimónia com Rui Rio", explicou António dos Santos Reis, o primeiro presidente eleito da junta de freguesia de Ramalde, numa carta a que a Lusa teve acesso.

Na missiva "entregue em mãos" ao presidente da autarquia, Rui Moreira, na segunda-feira, Santos Reis esclarece estar em causa o esclarecimento "em reunião do executivo", a propósito "da não-inclusão de Pinto da Costa entre as personalidades que receberão medalha municipal", de que "não seria cortês homenagear Pinto da Costa e Rui Rio na mesma cerimónia".

"Os altos valores, princípios morais e ideológicos que me são inatos não me permitem aceitá-la [...] É que, para além do mais, Jorge Nuno Pinto da Costa e o signatário desta [carta] presidem a duas das mais prestigiadas e centenárias instituições da cidade do Porto", destaca o também presidente da Cooperativa de Ramalde.

António dos Santos Reis manifesta ainda a "mágoa" pelo "Grau Prata" do galardão que a Câmara do Porto aprovou atribuir-lhe na reunião do executivo de 17 de junho.

"Apesar da honra de tal distinção, a exclusividade desse grau na lista de personalidades a homenagear não pode deixar de provocar em mim profunda tristeza por verificar que uma longa vida dedicada ao bem comum [...] seja considerada apoucada em relação às demais atividades representadas pelos ilustres homenageados", acrescenta.

[do JN]

O futebol da Alemanha venceu-me a simpatia

Gosto do Brasil e do seu povo. Ao contrário do português europeu, tristonho, pesado  e fatalista (do fado), o Brasil teve o condão de tornar a língua portuguesa numa língua bonita, leve, alegre, ritmada e musical (do samba). Além disso, é mais que um país, é um continente dentro do próprio continente, exuberante de vida e beleza. Só não gosto das favelas e de tudo o que elas significam... O optimismo dos brasileiros é o único genuíno, porque é impossível sorrir como sorri aquele povo com uma vida tão difícil e assimétrica como é a deles.

Mas ontem gostei dos alemães. Gostei do fantástico espírito colectivo, assente no rigor, na disciplina e na sobriedade que fez dos 7 golos marcados à selecção do Brasil parecer uma coisa simples. É isto que faz falta à Europa do Sul, e é a falta disto que faz a Europa do Sul continuar nas bocas do mundo com a reputação dos malandros mais corruptos do continente. E não me estou a referir apenas ao futebol...

Mas o futebol tem destas coisas, porque é um desporto iminentemente colectivo, de operários tecnicistas, provocou em mim o milagre de ter gostado da victória da equipa que não apoiava.

Porque foi melhor, porque me soube conquistar pela qualidade do seu futebol. Sem mariquices nem ronaldices. Viva o futebol!  


08 julho, 2014

O senhor promete, promete mesmo?


Sem liderança, nem uma grande união dos nortenhos, será muito difícil, senão impossível, derrubar esse monstro de muitas cabeças chamado centralismo. O Porto, todas as cidades e localidades nortenhas, queixam-se dele, com toda a razão, mas é preciso fazer muito mais que "chorar". E quando falo em chorar estou a referir-me a todos, muito em particular aos responsáveis políticos locais e a todo o universo do empresariado nortenho.

Quando aderi ao malogrado Movimento Pró Partido do Norte, não foi por ambições de ordem pessoal, foi por vontade de dar o meu modesto contributo e apoio a algo que os partidos - como agora se diz - do arco da governabilidade e da oposição, se têm recusado a encarar com seriedade, que é lutar e defender a causa da regionalização. Apenas isso. De resto, não tinha (nem tenho) ambições por cargos políticos.

Foi uma pena que ninguém tivesse querido levar avante aquele projecto, embora compreenda que quando faltam lideranças fortes e apoios financeiros é muito difícil levar a cabo uma empreitada desta natureza. E se juntarmos a isso o facto de uma grande parte dos nortenhos e dos portugueses em geral não terem grande vocação para se envolverem na luta política de forma desinteressada, então a tarefa fica quase impossível de realizar. A militância partidária normalmente "paga" de alguma forma aos seus discípulos, e é também isso que explica a pouca adesão que continuam a ter nas eleições, apesar do aumento crescente da abstenção.

Mesmo assim, continuo sem perceber muito bem o que distingue os partidos do poder e os da oposição, de todos os outros, para merecerem mais atenção e suposta credibilidade. Devia ser o contrário. A mim, faz-me confusão porque é que, depois de ser sistematicamente enganado, o povo reincide no "crime" de repetir o mesmo erro que originou a bandalheira que hoje vivemos.

Aqui vai um exemplo: o líder da distrital do Porto do PS José Luís Carneiro disse esperar que tanto António J. Seguro e António Costa discutam a reforma do Estado e que se comprometam em particular com a criação de regiões administrativas (ler artigo JN acima). Muito bem. E o que será para Luís Carneiro e outros militantes um compromisso? Uma promessa? Bem. Ainda que não me surpreenda que qualquer um dos putativos candidatos ás primárias do PS de Setembro faça a referida promessa, por naturalmente se sentirem confortáveis para não a cumprir agora, por mais uma vez "não ser oportuno", é expectável que continuem a assobiar para o lado e a ignorar outra vez o desafio, mesmo que algum ou ambos aceitem o repto e "prometam" tratar da regionalização.

Haverá alguém que esteja disposto a apostar comigo  como nenhum dos candidatos vai cumprir a promessa? E se ninguém quiser apostar por ter os mesmas suspeitas que eu, como explicar o fenómeno de haver ainda quem vote nestas miseráveis condições? Serão de facto essas pessoas que votam nestas condições, um exemplo de boa cidadania?

06 julho, 2014

Sinais do centralismo, mesmo no JN

Pouco tempo depois de ler o artigo interessantíssimo de José Mendes que colei mais abaixo, o qual subscrevo integralmente, quando folheava a revista Notícias Magazine que vem anexa com o JN aos domingos, logo na 1ª. página li o seguinte:

«Não querendo ceder a estereótipos, posso dizer que estes são os tempos em que o futebol deixa de ser um assunto iminentemente de homens, para se democratizar junto das fãs femininas que se tornam fanáticas das suas selecções nacionais. Elas que muitas vezes nem um jogo viram do campeonato nacional, que nem conseguem dizer de cor mais de quatro nomes que alinham pelo Benfica ou pelo Sporting, já para não falar dos treinadores, ei-las, chegado um campeonato como o Mundial, a discutir os efeitos da humidade nas pernas dos jogadores».

Por razões óbvias, compreendo que o teor do texto seja o que menos interessará ao leitor, até porque nem está completo (é só um parágrafo). Mas, acredito que já não lhe escapará a marca visível do centralismo que a autora (Catarina Carvalho) deixou bem patente no mesmo. Ora aí está, Benfica e Sporting, o resto é paisagem...

PS-Catarina Carvalho é "só" a Directora executiva da Notícias Magazine, mas, como todos os centralistas, é uma enorme ignorante sobre a realidade do país, que é...o resto.

A Controlinveste é o Grupo onde se inclui o JN, o DN, o Jogo, a TSF. Joaquim Oliveira já só detém 27,5% do capital da holding.

Capital e paisagem





Esta foi uma semana agitada. Política e futebol, sempre. As lutas intestinais no Partido Socialista, que parecem empastelar mais do que esclarecer.

O Conselho de Estado do presidente da República, que se começa a assemelhar a uma reunião de escuteiros, onde no final todos concordam com a necessidade de um Mundo melhor. A coligação do Governo, que tendo perdido o referencial da Oposição, começa de novo a sentir réplicas do terramoto de há um ano. No futebol, regressada a casa a excursão aos EUA (com extensão ao Brasil) dos 23 de Paulo Bento, que aquilo não era para rapazes, os homens tomaram conta das operações no Mundial. E tenho gostado sobretudo das equipas que respeitam os princípios de jogo: constituídas por 11 em campo (e não apenas pelo número 7), que mantêm presente que o futebol não se joga de muletas (como alguns tentaram).

Havia aqui matéria-prima mais do que suficiente para uma crónica de domingo. Mas já tantos e tão bons escreveram sobre política e futebol, pelo que opto hoje por olhar a "restante" atualidade com o filtro do território.

As capas dos jornais foram esta semana preenchidas por manchetes que refletem bem a geografia das preocupações e do valor que circula em Portugal. O paradigma de funcionamento deste país aí está, preto no branco, numa dicotomia que expõe, sem confrontar, a capital lisboeta rica e pujante, onde a crise não mora, ao lado da província (todo o resto do país), que é uma espécie de palco de telenovela com todos os ingredientes clássicos, do trágico acidente à luta pela sobrevivência.

Vamos aos detalhes. Fiquei a saber que em Lisboa o mercado imobiliário está ao rubro, com a procura a puxar pela oferta e pelos preços. Que os comerciantes das lojas de luxo da Avenida da Liberdade estão indignados com as iniciativas populares à sua porta, cheias de gente e animais sem poder de compra, que lhes prejudicam o acesso e toldam as montras. E que na capital há agora mordomos de luxo, cujo trabalho é acompanhar os visitantes ricos de Angola, Brasil e outras latitudes, levá-los às compras, ao hotéis e aos restaurantes em vistosos carros. Um oásis, mais ou menos o negativo do resto do país.

Soubemos também que o antigo presidente da Metro de Lisboa e da Carris, demitido há um ano devido aos swaps, exige em tribunal uma indemnização de 270 mil euros por não ter sido reintegrado no lugar de origem, como consultor da Refer. Gente que circula de lugar em lugar, no universo das empresas públicas, que gasta e exige dinheiro (público). E onde acontece tudo isto, sempre? Em Lisboa, claro, que é onde se coletam os impostos de todos os tugas.

Assistimos também à crise do BES. Família, gestão, capital e Estado, todo um ecossistema em revolução, onde circulam muito dinheiro, muito poder e muitos lugares. Na capital, pois claro. Ou melhor, exclusivamente na capital. É curioso alinhar os nomes dos putativos sucessores de Ricardo Salgado e perceber que fora de Lisboa nada existe, é o deserto. Vítor Bento, na minha opinião uma grande escolha, é ele próprio um talento "made in Estremoz" que, uma vez detetado pelo íman lisboeta, foi sugado pela força centrípeta do ecossistema lisboeta.

Agora a província, que é mais ou menos tudo o que está para lá de Vila Franca de Xira, a norte, ou de Almada, a sul. Soubemos que um jovem estudante de Artes Visuais do Algarve foi a tribunal acusado de ter cometido um crime de ultraje à bandeira nacional, naquilo que era afinal uma obra artística. Soubemos também que na província morrem jovens a conduzir ou transportados em veículos moto-quatro. E que na Linha da Beira continuam a descarrilar comboios de mercadorias com uma regularidade quase exemplar.

Percebemos ainda que a justiça, leia-se os tribunais, vai levantar âncora em boa parte do país e que faltam 900 funcionários para a reforma do mapa judiciário. E que mais umas quantas aldeias vão morrer porque as escolas vão fechar e a meia dúzia de rebentos que ainda corporizavam a esperança terão necessariamente de partir.
E vamos tendo o caso Maddie. Uma novela luso-britânica que já bateu, em extensão e argumento, todos os grandes êxitos da Globo. Mantêm-se assim entretidas as "gentes dos algarves".

Mapear o valor das temáticas refletidas na atualidade é um exercício que, neste país, converge sempre para a mesma máxima: Portugal é Lisboa, o resto é paisagem. É o terceiro-mundismo em formato europeu.

[do JN]

03 julho, 2014

ANONIMATO

Foi em 03 de Julho do ano passado que publiquei este post. Hoje, decidi voltar a publicá-lo para refrescar a memória dessa espécie abjecta de gente que se identifica como "Anónimo", mas que gosta de ser tratado como gente, na esperança que compreenda de uma vez que o insulto furtivo é o auto-reconhecimento da própria cobardia. E, não vale a pena, porque vão directamente para o lixo. 

30 junho, 2014

Norte cada vez mais a sul

Aqui atrasado escrevi que Portugal devia talvez chamar-se Entroncamento pela facilidade de gerar fenómenos à moda da cidade com o mesmo nome e de criar situações revestidas de mistérios absolutamente incompreensíveis. Hoje, volto a reafirmá-lo porque, como reza o ditado, o que é de mais, é moléstia.

Conhecido o faro dos media pelas notícias bombásticas, pelos chamados casos de faca e alguidar que os leva amiúde a forjá-los ou inventá-los para aumentarem as receitas de tesouraria, não deixa de ser estranha a aparente indiferença como têm lidado com essa espécie de paz pôdre instalada entre a Câmara do Porto e de Gaia, o Porto Canal, e o FCPorto. Mais  se estranha ainda, quando sabemos não ser preciso muito para os mass media centralistas aproveitarem o mínimo franzir de olho para desencadearem guerras entre instituições e pessoas a elas associadas, mais que não seja para mostrarem ao país profundo quão intenso é o provincianismo dos gajos do Norte, essa sub-raça, que, segundo a evidência dos critérios lisbonários só servem para estorvar o todo do país, que para eles, é obviamente Lisboa.  

O certo é que, desde que a Troika chegou a Portugal para credibilizar a austeridade e nos fazer assumir responsabilidades alheias, a comunicação social está concentrada na intriga partidária do arco do poder e o resto é irrelevante. Não que a Troika seja responsável pela indiferença dos media pelo resto do país, porque essa sempre existiu, agora o que era inimaginável é que o Porto Canal alinhasse pela mesma bitola e tenha praticamente desistido de enfatizar o tema da Regionalização.

Sendo, como consta,  o Porto Canal propriedade do FCPorto (detém a maioria do capital) não se entende como é que Pinto da Costa que foi um dos principais alvos e vítima do centralismo, sendo conhecido o seu inconformismo contra o mesmo, como é que ainda não apostou no reforço editorial do canal na componente regional e determinou outra dinâmica de forma a criar uma espécie de barreira ao crescimento incontrolável desse centralismo. Eu, não sou capaz de compreender tal postura, e até a acho um tanto contraditória.

Não basta à direcção do Porto Canal dizer que é pelo Norte, é preciso dar provas que está a trabalhar nesse sentido. A  sério. Terminar com um dos melhores programas sobre questões regionais (Pólo Norte), prova o contrário. E o que tem feito nos últimos tempos em matéria de informação, programação e criatividade tem sido regressivo e indigno para o público alvo. Se consultarmos o guia programático  do JN de televisão das 6ªs. feiras chegámos cedo á conclusão que o Porto Canal é dirigido em cima do joelho pois nem sequer fornece ao referido jornal a grelha semanal de programação. Custa portanto a acreditar que o FCPorto faça parte desta anarquia programática, porque não é a isso que estamos habituados, ou então não surpervisiona o Porto Canal, ou confia demais em Júlio Magalhães. E se confia, das duas, uma: ou sabe o que se está a passar e consente, ou não sabe e pactua com a situação.

Outro erro crasso da direcção do Porto Canal, quiçá o mais grave, é fazer dos espectadores um bando de idiotas a quem tudo é possível omitir e transmitir. Imaginar que os espectadores não se estão a aperceber das guerrinhas silenciosas entre Pinto da Costa e Rui Moreira, quando toda a gente reparou que Rui Moreira desde que foi eleito, não foi uma única vez aos estúdios do Porto Canal é fazer deles burros. A história recente com a atribuição da medalha de honra da cidade a Rui Rio não explica tudo, porque este clima de silêncio barulhento já se "respira" há uns mêses, não é de agora. Na noite de S. João os portuenses (e os lisboetas também), puderam constatar que Pinto da Costa se juntou ao presidente da C. M. de Gaia, Eduardo Victor e A. José Seguro em Gaia, enquanto do lado de cá, no Porto, Rui Moreira festejava acompanhado de António Costa... Resultado: aquilo que aparentemente o S. João "uniu" (os presidentes das duas cidades) a polítiquice e o futebol separou.

Repito, se isto é Porto, eu não sou de cá, nem me revejo nestes portuenses. E lamento-o. Por isso, me parece que, ou os gajos de Lisboa andam a dormir - o que me custa a admitir - ou aqui há gato escondido com rabo de fora e existe uma explicação, por hora bem escondida, para tudo isto .

Não tarda, haveremos de descobrí-la. Só não consigo é levar a sério toda esta gente que passa o tempo a falar do centralismo e lhe entrega de bandeja aquilo que ele mais quer, ou seja:  guerrinhas divisionistas para melhor reinar e dormir descansado.

Afinal, o Norte, os tais gajos do Norte, não passam de uma fábula. 

27 junho, 2014

O rei Ronaldo não faz milagres, agora segue-se a tesoura dos bajuladores

Quando são os detentores do poder os primeiros a prevaricar, seja em que plano for, o que é que se pode esperar da Federação Portuguesa de Futebol e da selecção? Então, o que é que essa gentinha que alguns eleitores fiéis e críticos ferozes dos abstencionistas,  levaram ao poder [através do voto], tem andado a fazer senão mentir-nos e a dar péssimos exemplos de integridade e boas maneiras? O que queriam? Milagres? 

Talvez pelo estigma herdado de Hitler, não simpatizo com os alemães, mas não foi com milagres que eles conseguiram convencer os xenófobos EUA a importar BMs, Porches, Mercedes e outras marcas mais simples, relegando mesmo os produtos americanos para um patamar de qualidade inferior. Não foi com milagres não. Goste-se ou não, foi com muito trabalho e uma mentalidade de rigor muito vincada, ao contrário de nós que só sabemos invejar o sucesso dos outros e arranjar pretextos para esconder as nossas incapacidades inventando sistemas e frutas. Para o caso em apreço, nem era necessário pedir que nos esforçássemos por seguir padrões organizativos tão elevados como os dos alemães, bastava que quiséssemos muito fazer bem e melhor e escolher para a selecção o melhor dirigente, o melhor treinador, e os melhores jogadores, independentemente dos clubes de origem e das simpatias... Só que por cá, Lisboa manda, e o resto do país obedece e aplaude (sim há por cá quem aplauda). Se manda política e economicamente, como não havia de mandar no futebol e decidir quem deve ou não ser seleccionado?

Entretanto, os clubes sul americanos brilham em pleno neste Mundial, sem precisarem para isso do folclore e do trabalho paranóico das televisões, nem dos penteados amaricados de Ronaldos e Meireles, centrando as energias físicas e psicológicas naquilo que interessa: no bom futebol. Neste Mundial [enfim, e noutros) em termos de futebol, Portugal é do terceiro Mundo. Uma vergonha! Como podemos nós sentir orgulho por tamanha mediocridade? É assim, elogiando quem não merece que queremos evoluir?  Que raio de povo este. 

24 junho, 2014

Nem o S. João consegue unir os portuenses



Ninguém pode ficar indiferente à guerra pelo poleiro entre os Antónios da família PS. Família? Por que não? As famílias de sangue serão assim tão diferentes das famílias partidárias? Humm... cheira-me que não.

Já disse por mais que uma vez, que como cidadão eleitor não voltarei a votar para as legislativas enquanto os candidatos não me derem garantias pessoais sobre a sua idoneidade, e que essas garantias terão obrigatoriamente de ter cobertura patrimonial. A palavra de honra não conta para este "campeonato", porque está mais que provado que na política o património da palavra há muito que faliu. 

Posto isto, e voltando à triste figura dos dois Antónios do PS, direi que se fosse militante e tivesse de tomar partido por algum nesta contenda, mandava-os dar uma volta ao bilhar grande e proporia a expulsão de ambos do partido. Seria uma decisão temperamental é certo, mas quando são os próprios líderes do partido a cuspir nos estatutos teria outra alternativa? Pentear macacos, talvez?

Mário Soares, pai da incoerência política tem culpas neste cartório. Agora que está velho e quase gágá, anda a fazer apelos aos militantes para não se esquecerem que o PS é um partido de esquerda, e volta a tratá-los por camaradas, quando foi ele mesmo quem meteu o socialismo na gaveta e que esvaziou a democracia de uma coisa fundamental para o seu bom funcionamento: autoridade.

Não, não leram mal: autoridade sim. A autoridade é o respeito absoluto pela Lei. Não me importo de ser mal interpretado (já estou habituado), porque se pensarem bem é aí que reside o maior problema do país. Sem respeito pela Lei não há respeito por nada, em nenhum lugar. E para haver autoridade tem de haver rigor e isso não tem nada a ver com totalitarismos. São os oportunistas, os corruptos, que gostam de regimes com sistemas de justiça "flexiveis", são esses os principais defensores de democracias amputadas da sua alma mãe que é a Justiça.

Não quero com isto afastar-me do tema de momento, portanto regresso e termino com o S. João. Continua a ser evidente o amuo, mais ou menos silencioso, algo enigmático, estranho, incompreensível mesmo,  entre o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, e Pinto da Costa do FCPorto. Ontem, P. Costa esteve em Gaia com o edil da cidade Eduardo Victor, e do lado do Porto, Rui Moreira preferiu juntar-se a Manuel Pizarro e ao convidado de honra António Costa, um dos contendores  da família PS...  

Mas o que é que se passa meus senhores? Quando é que ganham juízo? Que sombrios rancores estarão a toldar-vos o cérebro? Acham por acaso que o S. João faz milagres tão bem feitos capazes de esconder tanto azedume?  Nâo, não faz!

E o Norte, como fica? Onde está o vosso espírito combativo, a vossa solidariedade? E o Porto e Gaia? Essas cidades que todos dizem amar? Peguem num alho-porro e chafurdem-se com ele, mas resolvam as vossas guerrinhas de  uma vez. Olhem para o Porto!

22 junho, 2014

Gosto de futebol não gosto de histerismo


Anda burrinho, vamos apoiar a selecção!

São 18H00 de domingo, dia em que a selecção portuguesa vai jogar com a congénere do Estados Unidos da América. 

O jogo será transmitido para Portugal mais logo, às 23 horas, por isso não sei qual será o resultado, mas algo me diz que vamos perder e ser recambiados prematuramente de regresso à terra... Terra essa que não se chama Entroncamento como aquela localidade próxima de Torres Novas, mas que se calhar devia chamar-se, porque os fenómenos acontecem por todo o país. 

Posso enganar-me, tudo é possível, mas não vejo a equipa portuguesa com aquele espírito, com aquela determinação e qualidade que caracteriza os vencedores. Nem tão pouco creio nas artes milagreiras de Ronaldo  para resolver aquilo que compete a toda uma equipa. O futebol é um desporto de equipa constituída por onze jogadores, não por um, por mais fantástico que ele seja. 

Logo, talvez precisemos mesmo de um milagre para continuarmos na competição.

Mas o fenómeno que verdadeiramente me intriga é não conseguir saber por que é que um povo que anda a ser causticado por um grupo imberbe de governantes, catraios amadores sem currículo de relevo, que lhe rouba os salários e lhe rapa as reformas, consegue ainda assim encontrar num cantinho do coração, uma ponta de orgulho pátrio por uma selecção concebida por centralistas e para centralistas. Resumindo: como pode sentir orgulho por uma selecção feita à moda e às conveniências de Lisboa, como se fosse a selecção de Portugal... 

Claro que a comunicação social é a principal responsável por este cíclico folclore de euforia e histerismo, mas mesmo assim adorava descobrir a racionalidade do argumentário que o fundamenta quando o povo é tão maltratado e escorraçado para  longe do seu país por quem o devia proteger. A menos que o orgulho de ser português se tenha tornado numa espécie de amor platónico onde a racionalidade não tem lugar. 

Convenhamos, que se assim fôr, será caso para pensar se este povo além de burro, não será sádico.

PS-O jogo terminou e o que pressentia consumou-se. Não perdemos, empatamos, mas é como se tivéssemos perdido, o empate afásta-nos praticamente da prova. 

Em termos de espectáculo, foi o pior jogo a que assisti, e já assisti a muitos. Portugal não merece continuar, não tem categoria. Fez-se justiça. Ah, e o choradinho do costume já se faz ouvir. Isto é fado, impuro e choradinho... 
  

19 junho, 2014

Jornais desportivos são vigarice, mas vendem. Viva a vigarice!

Não é fácil nem pacífico, lidar com a prepotência da comunicação social. E se falarmos da imprensa desportiva, o caso é ainda mais bicudo.  Consta que é mais ou menos assim em todo o lado, não posso afirmá-lo, nem tenho como prová-lo, mas não acredito que haja imprensa desportiva mais sectária e desonesta como em Portugal. E por que é que isto acontece? Calculam? Eu tenho algumas respostas, as minhas, claro... 

Uma, quiçá a mais lamentável de todas, é que, a coberto do argumento demagogo mais conhecido por liberdade de opinião, oportunisticamente irmanado com a sacro-santa democracia, permitiu-se à comunicação social direitos e impunidades que são negados à maioria dos cidadãos. Ou seja, mentir, discriminar e burlar.  Muitos desses jornais fundamentam tão prestigiante conduta (sem o assumir), sempre com a imperiosa necessidade de vender para sobreviverem! E pronto, fica dada a explicação, não precisam de acrescentar nada. Qualquer larápio maltrapilho usa o mesmo argumento, mas estes são mais sofisticados, estes são larápios com status... Por outras palavras, a mentira, o hábito de levar ao engano os consumidores, é tido (nos media) como uma forma legítima e natural de ganhar a vida. Ora, como há sempre quem queira interpretar mal o que lê de viés, afirmo, como afirmei várias vezes, que considero o jornalismo uma actividade imprescindível numa democracia, desde que seja desempenhada com toda a seriedade. E no caso em apreço, não é.

Outra das razões, é também a passividade dos dirigentes dos clubes e atletas face a esta praga. Seja por medo, seja por haver interesses em comum, a verdade é que pactuam com esta pouca vergonha. Faltam provas? Não senhor não faltam. Pelo contrário abundam, tal é o despudor e o sentido de impunidade que se instalou na corporação e os cidadãos pouco podem fazer com elas. 

Eis um extracto que retirei da blogosfera portista, publicado nos 3 jornais desportivos desde Maio deste ano com putativas contratações de jogadores só para o FCPorto:



Guarda-Redes

Keylor Navas Levante



Defesas

Braima Cande-Sporting (Juniores)

Daniel Opare-Standard Liege BEL.
Alberto Moreno-Sevilha
Miiko Albornoz-Malmo 
Raphael Guerreiro-Lorient
Juan Bernat-Valencia
Nacho Fernandez-Real Madrid
Igor Lichnovski-Universidade Chile
Éder Balanta-River Plate ARG.
Aderlan Santos-Braga
Marc Bartra-Barcelona
Malthe Johanssen-Brondby

Medios
Cristian Tello-Barcelona
Carlos Carbonero-River Plate ARG.
Quincy Promes-Twente HOL.
Enner valencia-Pachuca MEX.
Leocisio Sami Maritimo
Suso Liverpool
Sergi Roberto-Barcelona
Evandro Goebel-Estoril
Abdelaziz Barrada-Al Jazira EAU
Yacine Brahimi-Granada CF

Avançados
Raul Jimenez-America Mexico
Michy Batshuayi-Standard Liege 
Guido Carrilo-Estudiantes 
Alvaro Morata-Real Madrid


18 junho, 2014

Uma homenagem contestada

Nunca apoiei, porque nunca apreciei, o estilo nem os resultados da gestão de Rui Rio enquanto presidente da Câmara do Porto, e por essas  razões, nunca teve o meu voto. E mais. Sempre considerei algo exagerada a imagem de homem íntegro que alguns criaram a seu respeito - sobretudo lá para os lados da capital -, porque a forma agressiva, hostil mesmo, como lidou com o FCPorto, foi mais oportunista do que séria, e isso nunca irei esquecer. É que, concorde-se ou não, os portuenses, sobretudo aqueles que mais se identificam com os símbolos e as tradições do Porto, viram nesse comportamento uma forma de traição, uma maneira cínica de agradar ao poder central e respectivo eleitorado para se promover. Associando estes factos ao seu feitio conflituoso e muito pouco empreendedor e até ao mito de bom contabilista (Fernando Gomes demonstrou-o num artigo do JN e não foi desmentido), pouco resta para elogiar a personagem.

No entanto, admito que outros não pensem como eu e que considerem ajustada a fama de que gozou (repito, exagerada) de homem sério, apenas porque tinha o "dom" de usar com mais frequência o não do que o sim em tudo o que tocava e que resultava quase sempre na paralização das negociações que encetava (Mercado do Bolhão, Rivoli vs Filipe Láféria, Teatro Campo Alegre,obras na Av. da Boavista, etc., etc.). Por isso, sob este ponto de vista, não concordo com a atribuição a Rui Rio da Medalha de Honra da Cidade. Compreendo sim, que Rui Moreira apoie esta iniciativa por uma questão pessoal de gratidão com Rui Rio por ter sido o seu principal apoiante na sua candidatura à Camara do Porto que o conduziu ao cargo de Presidente que hoje ocupa. 

Continuo a pensar, e já há alguns sinais que o indiciam, que Rui Moreira é muito diferente de Rui Rio. Os próprios vereadores da oposição o têm demonstrado. Manuel Pizarro do PS e até Pedro Carvalho da CDU que o digam, independentemente das inevitáveis discórdias pontuais. E também não acho que seja o momento para a oposição se agarrar ao prestígio de Pinto da Costa para daí retirar dividendos políticos, conhecendo como conhecem a simpatia de Rui Moreira pelo FCPorto e até da amizade que o une ao Presidente portista. Lá chegará o momento, se calhar muito mais oportuno e adequado para homenagear Pinto da Costa, disso não tenho dúvidas. 

Pessoalmente, preocupam-me mais, como o atestam os vários posts que tenho dedicado ao tema, os sinais de marasmo e de mediocridade evidenciados no Porto Canal. E isso, é também da responsabilidade de Pinto da Costa. Ou não será? 

  

15 junho, 2014

O que de melhor havia no Porto Canal, acabou...



Não é nenhuma novidade para quem passa pelo Renovar o Porto e lê o que aqui escrevo, que tenho uma opinião bastante negativa sobre o trabalho desenvolvido por Júlio Magalhães, enquanto director Geral do Porto Canal. E disse enquanto director Geral porque, ao que sei, é a ele e só a ele que compete a última palavra na decisão de aprovar, ou não, o que o director de Informação e Programas (Domingos Andrade) lhe põe na secretária para assinar. Isto, se as práticas hierárquicas funcionarem dentro da normalidade, respeitando naturalmente as competências de cada departamento. Por outras palavras, se a falha na programação parte do director de Programas, cabe contudo ao Director Geral dar o OK para que estes sejam emitidos. Por conseguinte, e em última análise, o Director Geral é sempre o principal responsável. Acima dele, estão os proprietários accionistas da estrutura maioritária do FCPorto e da MediaPro, mas pelo que se vê, estes não têm qualquer interferência na programação, excepto nos conteúdos desportivos entregues a Rui Cerqueira, director Desportivo. 

O desagrado pelo rumo que o Porto Canal está a levar prende-se com critérios e opções pouco condizentes com as expectativas criadas. Além das maçadoras repetições, verifica-se uma enorme falta de imaginação e pouca objectividade programática. Para reforçar o que tenho dito há uns mêses a esta parte, chegou a má notícia do fim do melhor programa de debate das sextas-feiras, anunciada no último programa "Pólo Norte" pelo voz do moderador David Pontes. Se havia programa com interesse, era este, ao contrário de outros, como o "Parlamento das Regiões" de Fernando Tavares, cujos convidados, deputados regionais sem estaleca, mais se parecem com catraios a discutir futebol do que pessoas idóneas, informadas e empenhadas nos problemas das regiões. Se há programa de debate dispensável, este podia ser um deles. Mas, não. Foram acabar precisamente com o melhor, o mais qualificado, o mais sério, quer nas temáticas, quer na qualidade dos intervenientes (Manuel Carvalho e José Mendes). 

Quem tomou tal decisão, e por que a tomou, é o que nos falta descobrir, mas provavelmente vamos ficar a saber o mesmo, porque o ar de gajo porreiro de Júlio Magalhães é enganador e está cada vez mais distante da consideração devida aos espectadores, uma vez que nem sequer se dá ao trabalho de os informar... 

Numa altura em que as regiões estão na ordem do dia, em que parece nascer um novo paradigma no modo de administrar as autarquias e de cooperação entre si, a direcção do Porto Canal decidiu dar um tiro no melhor programa sobre regiões (talvez o único no país), completamente em contra-ciclo com a política da abertura de delegações no norte do país e no sul... em Lisboa. 

Se alguém for capaz de me dizer se compreende o que se está a passar que o diga e explique muito bem, mas (por pavor), sem fazer de mim muito burro, porque eu não consigo compreender.

A falta de dinheiro, é para mim a única razão plausível, mas mesmo assim, insuficiente.



12 junho, 2014

Não chega ver bem, às vezes é preciso ver mais largo

Como vem sendo habitual, por altura dos campeonatos da Europa e do Mundo, o país fica totalmente dominado pelo patriotismo do pontapé na bola, tendo como testa de ferro do(s) governos(s) essa máquina dopante chamada comunicação social. Sou insuspeito, porque até gosto bastante de futebol. Agora, o que não sou capaz é de me deixar levar por esta onda de paranóia e de nacionalismo demagógico que a toda-poderosa e centrifugadora Lisboa, e seus agentes de propaganda, se encarregam de espalhar pelo resto do país, incluindo o Porto (o que muito me desgosta, diga-se)...

Já se adivinha a resposta: o futebol, por ser popular, é um grande catalisador de esperança e alegria, por isso, e só por isso, os nossos amigos da imprensa, da rádio e da televisão nos moem o siso com a selecção e o Ronaldo, de manhã, à noite, e pela madrugada fora. Boa gente esta, sempre disponível para nos servir com o blábláblá do costume.

Às vezes, nem sei se deva acreditar no que reza a história de Portugal, se ela não estará mesmo invertida... O que nela consta, é que fomos nós, os portugueses, quem colonizamos o Brasil. Mas custa a acreditar. Por duas razões. Uma, é por saber que foi o português falado e escrito pelos ex-colonizados que vingou para se chegar a um acordo ortográfico com o país ex-colonizador, de onde emergiu a língua-mãe. Nem ingleses, nem franceses, nem espanhóis, que saibamos, se lembraram de tal ideia, com os países outrora colonizados. Só nós mesmo. A segunda razão, é de ordem política e intelectual.

Com a realização do Campeonato do Mundo a caber este ano ao Brasil, e sabendo como os brasileiros são fanáticos pelo futebol, nem isso os impediu de se manifestarem, nalguns casos até com violência, contra o evento, por estarem descontentes com o governo e pelas dificuldades económicas e sociais que o país atravessa. E não foram meia-dúzia de gatos pingados, ou uma classe profissional específica, foram centenas de milhares de brasileiros, um pouco por todo o Brasil! Por cá, basta colocar um microfone à frente de uma pessoa para a ouvir soltar os mais disparatados e imbecilóides adjectivos de "orgulho" pátrio. É com este povo que os políticos se promovem e governam. É deste povo que eles gostam: manipulável e festivaleiro. É este mesmo povo que foi facilmente convencido a pagar uma crise com a "peta" de ter vivido acima das suas posses...

É por deturpações deste tipo, que hoje publico, discordando, do pequeno detalhe (a sombreado) do artigo abaixo reproduzido de Daniel Deusdado. Do resto, até concordo com muito que lá escreveu. E explico porquê, embora já o tenha feito em inúmeros postes. A avaliação do abstencionismo não pode continuar a ser radicalizada com o discurso populista e discriminador que reduz uma opção com diferentes fundamentações a um exército de preguiçosos irresponsáveis. O abstencionismo, tem de ser encarado definitivamente também, sob o ponto de vista de protesto, de repulsa mesmo, pelos meios democráticos vigentes por não darem quaisquer garantias aos eleitores. Haverá melhor argumento que esse? Estarão 61,2% dos portugueses contaminados pela preguicite aguda e os restantes servidores dos aparelhos partidários inchados de integridade e sentido cívico? E se os abstencionistas lhes disserem que são eles os principais responsáveis por termos os governantes de merda que temos, e por andarem a pagar uma dívida que não é a deles? O que terão para dizer?

Dou um pequeno exemplo: a guerra pelo poder no PS, entre A. Costa e AJ Seguro. Se me perguntarem qual é a minha impressão pessoal sobre os dois, só posso cingir-me a isso mesmo, a uma vaga opinião pessoal, ou seja, àquilo que penso sobre cada um, e pouco mais. E nem sequer me estou a referir a programas, a ideias precisas sobre governação, que neste caso concreto também não existem, de parte a parte.

O que pretendo dizer é que nem eu, nem ninguém deve votar por impressões, por intuições ou simpatias. Tudo isto até pode estar incluído no "pacote" eleitoral, mas a escolha tem, deve passar - agora mais do que nunca -, por garantias, por compromissos de honra efectivos, coisa que os políticos não parecem estar dispostos a assumir.

Ao que vejo, para os jornalistas, este é também um assunto tabu. Afinal, quem tem medo do compromissos sérios? Os políticos? Ou também os jornalistas?
      

6 de junho de 1944 parece ter sido há uma eternidade


 

1. Os desembarques das tropas Aliadas na Normandia, com início a 6 de junho de 1944, custaram 250 mil vidas - de soldados aliados , alemães e de civis franceses. O trajeto das tropas até Paris, arrasando os alemães e algumas cidades francesas com bombardeamentos pelo caminho, representaram a morte de mais 150 mil pessoas. Os documentários do National Geographic e do canal História na última semana deixam-nos de boca aberta não para os números apenas (porque esses são conhecidos) mas para a coragem e dor de ambos os lados, com o medo, a coragem e a rendição em imagens da época que simbolizam documentos preciosíssimos para a memória coletiva da humanidade.

2. O maior ataque militar da história da humanidade, liderado pelos generais norte-americano Eisenhower e pelo inglês Montgomery, consistiu neste feito logístico de fazer avançar perto de seis mil embarcações nesse dia, com 160 mil homens a bordo. Muitos daqueles homens não estiveram fora do barco mais do que meia dúzia de segundos. Quem estava dentro dos barcos sabia da elevadíssima probabilidade de "sair e morrer", sobretudo os primeiros pelotões. Estavam ali, ao lado, visíveis, os corpos a boiar em redor, o sangue a tingir o mar, os gritos dos feridos, os estrondos absolutos da artilharia de ambas as partes. E, mesmo assim, aqueles homens não deixaram de sair dos navios, e por serem tantos, os alemães não conseguiram abatê-los a todos.

3. Os Aliados conseguiram rasgar as linhas nazis até Paris, onde chegaram e expulsaram os alemães a 19 de agosto de 1944. Olha-se para a vitória e ela não parece ter resultado de um maior poder Aliado no terreno mas sim de um dado essencial: os soldados alemães sentiam que não tinham razão para aquela guerra. A sua rendição era quase sempre uma questão de espera. Por mais que se puxe pelos valores da "pátria", da honra pessoal ou de uma filosofia política que incuta a superioridade sobre os outros, há um momento em que o ser humano não consegue enganar-se a si mesmo. E, enquanto os Aliados percebiam que a missão valia a sua vida, os generais e tropas alemãs foram intuindo, ao longo do tempo, a insanidade a que estavam sujeitos. Matar inimigos em tempo de guerra é uma coisa; matar homens judeus, apenas por serem judeus, pode parecer a mesma coisa mas é diferente; quando a purga de Hitler obrigou os seus exércitos a executarem cidade a cidade, vila a vila, aldeia a aldeia, também as mulheres e crianças judias, os homossexuais, os deficientes, etc., começa a dar-se um salto gigante: um processo coletivo demencial em que a razão tem de ser posta de lado em função de obediência a uma bandeira, uma farda. Nem o "bom alemão", a lutar pela sua família e pelo seu povo, perde o sentido humano eternamente.

4. É neste ponto que estamos hoje. A memória humana é cada vez mais vácua. A multiplicidade de informação já impede o discernimento entre o essencial e o acessório. O Mundo está parecido com um passatempo frívolo. A "vida garantida" pelas democracias do Estado Social - pela qual tanta gente morreu - parece eterna. Daí os abstencionistas vitalícios, os novos nazis ou estalinistas sem Estaline. Daí a obediência servil ao mais forte - o Estado, o mercado, um qualquer dono da nossa vida. Pensarmos, enquanto sociedade, que a indiferença, o silêncio ou a abstenção é um valor em si, é abrir caminho aos demagogos. E nada mais fácil do que a economia para a alimentar, como aliás fez Hitler. Por isso 6 de junho de 1944 parece ter sido há uma eternidade na Europa, olhando-se para os resultados das eleições para o Parlamento Europeu ou para a rutura de um projeto europeu cada vez mais dividido entre fortes e fracos. Os meus filhos ou netos partirão para uma qualquer guerra (seja de que tipo for), consequência apenas desta falta coletiva de memória? Putin, Le Pen, o hermetismo alemão, a ingovernabilidade crescente da Ásia, o interminável fanatismo islâmico, mas também a demencial exploração dos recursos naturais e a emissão de CO2, todos eles, são factos sem recuo? Estou cada vez mais convencido de que a chave para se sair desta pré-loucura não passa pela economia. É hora da história.

09 junho, 2014

Um dragão sem chama e sem maestro...

Há coisas verdadeiramente incompreensíveis no FCPorto dos últimos tempos...

Consta, à boca pequena, que o FCPorto se prepara para apoiar a candidatura à presidência da Liga do político, advogado e comentador desportivo, Fernando Seara. A ser verdade, por mais nebulosas que sejam as negociações nos bastidores do futebol, e por mais perspicaz que possa ser a estratégia do FCPorto para essa propagada "aliança", ninguém compreende uma coisa destas. Se não for verdade, como quero crer que não seja, mais uma vez o FCPorto permite com a táctica estafada do silêncio, que as especulações se difundam, até que todos acreditem no boato.

Nem sequer é o facto do referido candidato ser benfiquista que mais me inquieta, é sim a fraca personalidade do mesmo. Qualquer pessoa que tenha acompanhado um ou outro programa desportivo onde Seara faz os seus comentários não terá dúvida quanto à sua têmpera de intriguista e manipulador. E os portistas em particular, sabem-no melhor que ninguém. A confirmar-se o boato, ficarei muito decepcionado com Pinto da Costa, e pensarei duas vezes, se o deva apoiar ou não, caso no futuro ele volte a ser atacado por alguém ligado ao Benfica, ou à clã centralista que domina a comunicação social do país.

Pela blogosfera portista cresce o descontentamento com o FCPorto actual, tanto com os resultados desportivos, como com a política de comunicação que é praticamente inexistente, sobretudo quando se trata de defender a imagem do clube. Mesmo as victórias, que não têm sido propriamente uma rotina este ano em quase todas as modalidades (excepto o andebol), não devem servir de pretexto para dispensar que a verdade dos factos seja, como continua a ser, adulterada e devidamente reposta. É o prestígio e a honra do clube que está em causa , e quem diz do clube diz dos adeptos que sentem na pele os ataques que a comunicação social não pára de fazer. Isto, já para não falar da omissão de tudo o que concerne o FCPorto por mais relevante que seja. A este propósito devo salientar que os adeptos que mais sofrem com esta passividade - tão estranha ao ADN guerreiro de Pinto da Costa -, são precisamente aqueles que o acompanham e apoiam para todo o lado, e são quem mais sujeitos estão à barbárie dos rivais de Lisboa, descaradamente silenciada por uma comunicação social corrupta.

Assistimos impávidos e serenos [a direcção do FCP] ao cavalgar galopante sobre todas as regras desportivas por parte dos principais clubes rivais com o FCP com manifesto prejuízo para este, sem que a outrora implacável voz de Pinto da Costa se faça ouvir em tempo oportuno. Isto está a acontecer com uma frequência inaudita e preocupante, o que também contribui para afrouxar a combatividade dos atletas nos confrontos directos com os adversários como aconteceu ontem na final da Taça de Portugal, cuja federação permitiu a inclusão de um jogador castigado, coisa impensável se fosse com um atleta portista.

Enfim,  atletas, treinadores e simpatizantes rebentam de revolta e o senhor presidente parece não dar por isso. O que é que se passará?  A lei da rôlha estará de volta? O FCPorto, nomeadamente Pinto da Costa terá perdido o tal espírito guerreiro que ainda há dias evocou? Não é uma questão de pessimismo, é uma constatação: os portistas não estavam habituados a tanta moleza, quase submissão. Serão alheias a esta mudança de postura os resultados desportivos? Creio que não. Uma coisa, pode bem levar à outra... 

08 junho, 2014

A nova agenda dos autarcas



É difícil imaginar o que seria o Portugal de hoje sem os quase quarenta anos de Poder Local democrático. Até às primeiras autárquicas, em 1976, o país era uma espécie de paisagem rural, onde a pacatez e a fome coabitavam num equilíbrio que quase parecia natural. Deste "mar de tranquilidade", destoavam a capital, o Porto e um pequeno núcleo urbano chamado Coimbra. Na generalidade do território, era comum ver crianças a caminhar para a escola de pés nus sobre estradas de terra. Para ter um dia os pés calçados era necessário abandonar a escola e ir atrás dos calos nas mãos.

A primeira geração de autarcas herdou um país onde a obra pública fora da capital praticamente inexistia, refém dos magros recursos resultantes de um modelo económico de baixíssimo valor acrescentado. Foram eleitos com base em programas de ação exclusivamente dedicados ao investimento tangível, procurando suprir défices infraestruturais e de equipamentos. O autarca-empreiteiro arregaçou as mangas e, através de uma profícua combinação de políticas de solos e fundos comunitários, mudou a face do país. O abastecimento de água, a eletrificação, o saneamento, o destino final dos resíduos, as estradas, as escolas, as piscinas, tudo isto que antes era desconhecido passou a existir. No teste do tangível, que fez sentido durante três décadas, os autarcas passaram confortavelmente, nalguns casos com distinção. E o país deve-lhes esse reconhecimento.
Todavia, os fatores de competitividade dos territórios alteraram-se radicalmente na entrada do século XXI. Com a infraestrutura realizada e a habitação construída, o modelo de atuação e de financiamento dos próprios municípios caducou. Trata-se agora de atrair residentes, estudantes, talento, turistas, eventos, capital, empresas e instituições. O perímetro de competição deixou de ser o imediato para se estender à região, ao país e, nalguns casos, ao Mundo. Os tangíveis betão e asfalto, outrora ganhadores, foram substituídos pelos intangíveis conhecimento, inovação e distinção.

É nesta alteração de paradigma que estão os desafios do presente e do futuro para os municípios. Porque sou sensível à centralidade da política autárquica no quadro da competitividade das cidades (e também dos territórios de baixa densidade), tenho observado atentamente os passos de alguns autarcas. E tenho percebido que, após a eleição de setembro último, há uma nova atitude.

Tomando esta região que vai do Porto a Viana, dá para perceber que os autarcas dedicam parte da agenda à economia e à inovação nos seus territórios, desdobrando-se em visitas a empresas, iniciativas envolvendo investidores, programas de incentivos à criação de emprego e à eficiência coletiva. Esta semana, por exemplo, foi ver Rui Moreira a mostrar que o Porto pode crescer em emprego e sofisticação das suas empresas, naquilo que designou por contraciclo com o país. Ou Paulo Cunha a lançar em Vila Nova de Famalicão o Finicia II, que permite o financiamento de pequenas e médias empresas. Ou Domingos Bragança a aderir ao programa de redes elétricas inteligentes da EDP e, assim, adicionar racionalidade energética a um casco histórico emblemático pela qualidade da sua reabilitação. Ou Ricardo Rio a nomear "embaixadores empresariais" de Braga. Ou ainda José Maria Costa a assinar um acordo de cooperação com o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Franco-Portuguesa, para promover a internacionalização das empresas de Viana do Castelo junto do mercado francês.

Os tempos em que o presidente de câmara ficava sentado na sua cadeira a receber a constelação de empreiteiros, que durante a semana congestionavam os serviços municipais, foram agora substituídos por tempos em que são os autarcas que circulam pelas empresas, na tentativa de compreender e apoiar os mecanismos de criação de emprego e de riqueza. É que sabem bem que se acabaram as chorudas taxas urbanísticas e que só através do valor acrescentado gerado no município poderão obter o financiamento necessário para cumprir as competências que lhes estão atribuídas. Essas e aquelas que o Estado central devia cumprir, mas não cumpre. Mas este caminho só será efetivo quando existir uma lei das finanças locais que garanta aos municípios instrumentos de trabalho adequados a tão grande alteração de paradigma.

[do JN]

05 junho, 2014

As perguntas que nunca se fazem

Não se incomode sr.1º.Ministro, eu sei até onde posso ir...

A vida não está fácil para os íntegros. É uma sina antiga. Rebobinando com realismo a história, sempre soubemos que por estas bandas não é honestamente que alguém consegue viver em desafogo e assegurar um futuro tranquilo. Apesar de não ser uma norma exclusiva a Portugal, não há que duvidar, o salário mínimo nacional - o mais miserável da Europa comunitária - está aí para o confirmar. Quando falo de integridade, não estou a insinuar que nunca violei uma regra de trânsito, ou que não tenha omitido algo por delicadeza, estou a falar daquelas pessoas que são por natureza, ou educação, ordeiras e se sentem desconfortáveis com a cultura da fraude. Curiosamente, são aqueles que mais beneficiam das assimetrias económico-sociais, que vivem muito acima da média, os que mais depressa cedem à tentação do pecado da ganância, corrompendo e  deixando-se corromper. 

É pensando nestas contradições, e injustiças, que me pergunto se valerá a pena, hoje, educar um filho, transmitindo-lhe valores que já não existem, ou se existem estão em vias de rápida extinção. É bem verdade, e extremamente agradável, vivermos com a nossa consciência tranquila, sabermos que não construímos a nossa vida passando por cima de A, ou B, causando danos a terceiros para conseguirmos benefícios, mas será que compensa? Não estaremos a ser tomados por parvos, exactamente por aqueles que se estão a borrifar para a ética e vivem sem limitações, quando devíamos ser nós a governá-las? A resposta, é: estamos, e não é de ontem.

Reparem.  Como é público e  notório, na comunicação social, não há míngua de debates, e de toda a espécie. Políticos, no activo, ou retirados, apesar da sua histórica penúria curricular de competência e probidade, são a classe mais solicitada a entrevistas e comentários. Uns, são pagos para opinar, outros dão ocasionalmente umas borlas (darão?), mas para o cidadão, qual será o retorno desses investimentos? Eu digo: zero! E, pior que o retorno-zero, é o efeito narcótico das suas elocuções, na cabecinha de uma camada considerável da população, ainda muito dada a crendices antigas e presa à sapiência dos senhores doutores...  

E contudo, com tanta liberdade de expressão, com tanto jornalista, ainda não tivemos o prazer de ouvir um perguntar-lhes uma coisa tão simples, quanto esta:  «caro senhor, por que é que vocês políticos mentem compulsivamente aos eleitores? Por que é que não conseguem satisfazer a maioria das promessas que vos levam ao poder? E que antes da resposta, reforçasse a pergunta: «por favor, não me responda com outra mentira, ou darei imediatamente por terminada a entrevista».  Que formulasse ainda uma outra questão que jamais colocam: «caro senhor, a única argumentação que apresentam, quando confrontados com as vossas contradições, as vossas mentiras, com a consequente subida da abstenção,  é que "não conhecem outra forma de governar que não a democracia representativa". Já lhe ocorreu, e ao seu partido, introduzir novas normas ao vosso código de conduta que penalizem a irresponsabilidade e a mentira, contribuindo assim para esmerar a tal democracia representativa? Ou, opõe-se a ela? Se se opõe, que confiança imagina que podem ter os eleitores na sua/vossa  palavra?»

Bem, desculpem-me. De repente dei por mim a despertar da utopia das minhas propostas. Há questões tão simples e cristalinas que logo compreendemos porque se tornam em assuntos tabu... E porque é que os jornalistas nem sempre são aquilo que querem parecer.


04 junho, 2014

PORTO VAI TER PROVEDOR DO INQUILINO ELEITO PELA ASSEMBLEIA MUNICIPAL

A Câmara do Porto aprovou terça-feira o novo regulamento de gestão dos bairros municipais com os votos contra da oposição e alterou a proposta de criação do provedor do inquilino para que este seja eleito pela Assembleia Municipal (AM).

Na redacção final, a proposta de criação do provedor estipula que o mesmo seja eleito por “maioria simples” na AM, explicou aos jornalistas o vereador da CDU, Pedro Carvalho, no fim da reunião privada do executivo

A proposta da maioria camarária para criação do provedor indicava que o mesmo fosse designado pela autarquia “sob proposta do presidente”, ao passo que uma recomendação da CDU pretendia que fosse “eleito pela AM com uma maioria qualificada” (dois terços dos deputados).
Em declarações aos jornalistas, o social-democrata Amorim Pereira referiu que os três vereadores do PSD “também defendiam que fosse eleito pela AM”.
Quanto ao novo “Regulamento de Gestão do Parque Habitacional” da Câmara do Porto, PSD e CDU criticaram que não tivessem sido concluídas as negociações que julgaram estar em curso para consensualizar as propostas apresentadas por ambos os partidos, nomeadamente durante a discussão pública aberta em Dezembro para o efeito.
“Estivemos a discutir com o vereador da Habitação as alterações. Tínhamos a expectativa de que este texto pudesse ser novamente discutido para ser consensualizado”, justificou Amorim Pereira.
Para o social-democrata, o documento aprovado “viola” os princípios da “transparência, proximidade e do direito de igualdade”.
O vereador esclareceu que o PSD pretendia que a matriz que define os critérios de ponderação para estipular as prioridades na atribuição de casas fosse “aprovada pela AM”, que a audição das Juntas de Freguesia fosse “obrigatória”.
Amorim Pereira alertou ainda que, ao admitir a “a reinscrição de filhos e/ou netos” dos inquilinos municipais, o regulamento consagra “o direito de sucessão para todo o sempre”.
“Deve haver igualdade entre quem já tem habitação social e seus familiares e aqueles que, não tendo, têm as mesmas carências”, observou.
Admitindo que “este regulamento é melhor do que o anterior”, aprovado no anterior mandato gerido pelo presidente Rui Rio (PSD), Pedro Carvalho defendeu que a matriz do mesmo “devia ser discutida e aprovada na AM” e considerou a apresentação da proposta “uma ruptura clara do processo negocial”.
“Após a discussão pública o vereador da Habitação fez audiências com os partidos, nas quais foram ainda feitas propostas alternativas. Ficamos na expectativa de uma negociação. Mas não houve nova auscultação para consensualização de propostas”, criticou.
A Câmara aprovou também a primeira alteração ao orçamento de 2014 mas, para o vereador da CDU, o “aumento de 15,3 milhões de euros” não se traduz “do ponto de vista do aumento do investimento, nomeadamente em habitação social”.
Frisando que a autarquia “não pode continuar a gastar 5% do seu orçamento com a concessão da limpeza da cidade”, Pedro Carvalho congratulou-se com o facto de a Câmara estar a avaliar o processo.
O vereador da CDU elogiou a “inscrição de 300 mil euros para instalações de associações de moradores e apoio social dentro dos bairros”, lamentando que continue a não estar especificada a verba destinada “à programação do teatro Rivoli”.

[de Porto24]

03 junho, 2014

Não brinquem com a Terra!


Não sei se é no egoísmo, na insensibilidade, ou simplesmente na estupidez humana, que podemos encontrar a resposta para o modo displicente como os líderes mundiais têm lidado com as questões ambientais.  O certo é que, como podemos constatar o clima está a mudar assustadoramente, de ano para ano, e praticamente nada tem sido feito para procurar resolver o problema com seriedade e determinação. Comparados com ele, as crises económicas e financeiras, o desemprego, ou as troikas, não sendo propriamente corpos estranhos ao problema, parecem uma brincadeira, mas são apenas parte dele. E este "apenas" não é de tolerância, mas um "apenas" de escala na hierarquia do tema.




Sabendo, como sabemos, que os principais causadores da poluição do planeta são os países ditos "desenvolvidos" (EUA, China, Russia, etc.) e que esse desenvolvimento não é certamente sinónimo de felicidade para a humanidade, é extremamente simples compreendermos em profundidade o peso exacto da sua importância nas nossas vidas.

Hoje, carregamos num botão de comando de tv e num instante percorremos o mundo. Temos automóveis, aviões, computadores portáteis e sucedâneos (iPhones, iPeds,Smartphones,etc.) navegamos na Net, convivemos nas redes sociais, enfim, até parece  que temos o mundo nas mãos, e no entanto não nos interessamos pela "factura" que as gerações futuras vão ter de pagar pelo nosso vanguardismo... 

No rescaldo das intempéries do último inverno, com o mar a reclamar a devolução das areias que as obras faraónicas dos homens impiedosamente lhe roubaram com a construção de barragens, diques e chalets à beira mar, observamos agora as autarquias numa azáfama, procurando repor a areia que o mar reclamou. Uma decisão louvável, não fosse ela contraditória, se para restituir essas areias ao mar estas não tivessem de ser roubadas noutro lado, o que significa não resolver coisa nenhuma, isto é, protelar o problema.

Mas é assim que nós humanos nos habituamos a pensar o "progresso" no planeta, remediando sempre, em vez de prevenir. Até um dia. Até o planeta se cansar da estupidez humana e nos matar a todos.

É por estas, e outras como estas, que não consigo ser um optimista consciente.   





02 junho, 2014

O meu orgulho...

...passa por não me sentir na obrigação de saudar Cavaco Silva - nem na qualidade (muito dúbia) de Presidente da República -, ou ter de gramar os seus discursos hipócritas e terrivelmente enfadonhos na cerimónia de despedida da selecção. O meu orgulho passa pelo compromisso pessoal de mudar celeremente para um canal estrangeiro cada vez que os canais portugueses (todos!) me impingirem a abertura de telejornais com a dita seleccção, para me convencerem que não há assuntos mais importantes para noticiar. Não convencem.

O meu orgulho também se fortalece resistindo facilmente às injecções de patriotismo do pontapé na bola, mesmo quando tentam chamar a uma equipa engendrada por Lisboa a "selecção nacional"... 

O meu orgulho não perdoa aos responsáveis da FPF, a começar pelo seu presidente, que tenha permitido a colocação de grandes painéis com a foto de 2 ex-jogadores do Benfica nos treinos dessa putativa selecção,  a pretexto do que quer que seja, só para agradar à prole do referido clube, mesmo que ela tenha 10 milhões de fratelli do tipo siciliano e eu seja o renegado nº. 10.000.001...

Se Passos Coelho disse uma vez que se lixem as eleições, hoje digo eu: que se lixe ele, mais esta selecção de centralistas.

Posto isto, suponho ser desnecessário fazer um desenho para se perceber que me oponho a todas as selecções made in Lisbon. O que é bom para eles, nem sempre é para mim. Quase sempre, não é bom para mim...