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| É aqui a sede do centralismo, no Terreiro do Paço |
O Porto queixa-se do centralismo de Lisboa. Os nortenhos de outras localidades [de veia centralista], queixam-se do porto-centrismo. Os portuenses-portistas pensam que o centralismo se combate no FCPorto. Os não portistas e os portistas parvos, não querem saber da regionalização para nada.
Enfim, uns de uma maneira, outros de outra, todos parecem empenhados em preservar a confusão para que tudo fique na mesma. As queixas podem abrandar, mas acabam sempre por reaparecer mais adiante. É tudo uma questão de tempo e de conveniência. Uns, conscientemente, outros por pura burrice ou oportunismo, todos contribuem para a manutenção de um país assimétrico e profundamente injusto. Grandes nortenhos estes...
Durante muito tempo, o Porto queixou-se de não dispor de um canal de televisão que representasse a cidade, e a região Norte do país. Em abono da verdade, essas queixas nunca chegaram a ser muito entusiásticas, apesar de haver sobejas razões para as intensificar. Em contrapartida, a Sul, mais propriamente em Lisboa, não falta nada em matéria de comunicação social. Os jornais, estão praticamente todos sediados em Lisboa, e as televisões também. Só em canal aberto, existem quatro canais. Se incluirmos os canais por cabo, a capital usufrui de 12 canais (SIC N, RTP Int, RTP Àfrica, RTP3, RTP Memória, TVI24, +TVI, SIC Int, SIC Radical, SIC Mulher, SIC Caras, SIC K), descontando canais de humor como o "Q", e de Economia como o EconómicoTV, o que perfaz um total de 18. Claro que, na perspectiva dos centralistas (traduzido em miúdos, quer dizer: defensores do absolutismo), este rol de canais é perfeitamente normal e justíssimo...
Tudo isto, vem acontecendo há alguns anos sem que do Porto - cidade historicamente conhecida pelas causas liberais -, se tenha feito algo de verdadeiramente importante para alterar esta situação. Nem pelo lado do povo, nem pelas "suas" elites... Muita bazófia e nenhuma acção. Houve alguma expectativa de mudança com o surgimento do Porto Canal, sobretudo depois de adquirido pelo FCPorto, mas tudo não passou de uma ilusão, como todos sabemos. Nem os patrões (FCPortoMedia), nem os directores (Júlio Magalhães e Ana Guedes) parecem minimamente preocupados com o assunto.
Passo a passo, o Jornal de Notícias, está a lisboetizar-se, e os portuenses parecem ainda não ter percebido o que se está a passar. Ao contrário dos jornais de Lisboa (incluindo o Público, que Belmiro de Azevedo entregou à capital), que pouco ou nada trazem sobre o Norte, o JN em comunhão com a querida RTP, lá vai avançando paulatinamente, e determinado, com políticas editoriais pró-lisboetas em todas as áreas, incluindo a desportiva. Os portuenses deixam correr o marfim, apáticos e submissos. O JN, da dupla Afonso Camões/Proença de Carvalho dá muito mais ênfase aos clubes de Lisboa (Benfica e Sporting) que dava a anterior Direcção/Administração. Fazem exactamente o oposto do que fazem os jornais de Lisboa - generalistas e desportivos -, que além de nos ignorarem, tentam humilhar-nos. Pervertem tudo o que nos diga respeito, principalmente no desporto. E neste capítulo, nem Pinto da Costa reage...
Por aquilo que venho observando, é por esse mesmo caminho que Júlio Magalhães parece querer levar o Porto Canal. Mais Lisboa, e menos Porto (basta atentar à origem dos convidados de "honra"). Para ele, e provavelmente para os seus patrões, a estratégia a seguir (para o canal e para o clube), é a de "dar a outra face", a de imitar Cristo, depois de andarmos anos a levar com grandes bofetadas, túneis e escândalos... E se fossem só bofetadas, vá que não vá, foram processos jurídicos, com apitos dourados e acusações vergonhosas.
Esta mentalidade, esta falta de Porto na massa do sangue, nunca conseguirei entender. Os tempos mudaram, é certo, mas não foi para melhor. Em todos os aspectos.