23 novembro, 2015

Um Cavaco de triste figura


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Decorridos 50 dias após as eleições, Cavaco Silva confirmou aquilo que sempre dele pensei: é um incompetente vaidoso sem a menor categoria para o cargo que ocupa. 

Só a vaidade burra explica as provocações que vem fazendo ao líder do PS e aos restantes partidos de esquerda que o apoiam. Isto, já para não falar do despeito pela vontade do povo. Maioritariamente, goste-se, ou não, foi a esquerda quem ganhou as eleições. Só o Bloco de  Esquerda teve mais votos que os betinhos do CDS/PP. Cavaco queria estabilidade, mas está a construir instabilidade fazendo arrastar no tempo os problemas do país. É um irresponsável. Ponto.

O meu orgulho: nunca lhe dei o meu voto. Nem para governar, nem para coisa nenhuma.

22 novembro, 2015

FC Porto-La Rioja (L.Dos Campeões da EHF, 8.ª Jornada)


Este FCPorto, que não é só futebol, mas também andebol, encarna o verdadeiro espírito que deu fama ao clube da mui nobre e sempre leal e invicta cidade do Porto. Tem garra e muita, muita qualidade. Dá espectáculo. Ou seja, respeita os espectadores, que (estou convencido), lhe vão retribuir com salas mais cheias, e ainda mais entusiasmo.

PS-O Hóquei parece seguir pelo mesmo caminho.

(resultado final: FCPorto 35 - La Rioja 31)

17 novembro, 2015

O dominó dos mercados...

DIÁRIO DE UM TEMPO DIFERENTE

Uma das maiores manipulações da opinião pública que se fazem hoje em Portugal é o modo como são comentados os movimentos da bolsa e dos juros. Hoje, os juros portugueses desceram contrariando outros países europeus em que subiram (a Alemanha p.e.). Comentário nos órgãos de comunicação social: desceram porque a agência canadiana não baixou o rating da dívida a Portugal. Têm mesmo a certeza disso, dado que a decisão da agência foi já há dias e os mercados costumam responder em tempo real? Por que é que entretanto subiram e depois desceram? 

Uma coisa eu sei - até agora as previsões de cataclismos que a nossa direita tem feito (e que notoriamente deseja) não se tem verificado, para incómodo de muita gente. Até agora.

Por favor, não nos enganem tão grosseiramente ou então concluam que os "mercados" são indiferentes à queda do governo Passos-Portas. Até agora.

JPP/ABRUPTO

Para ceguinhos e anónimos

'RENOVAR O PORTO', é um espaço de intervenção e de cidadania, dedicado aos portuenses da área metropolitana do Porto e a todos aqueles que, não sendo do Porto, escolheram esta cidade para viver e a sentem como se fosse sua. 


Naturalmente, dispensa a participação dos seus inimigos (que os tem, dentro e fora de portas), porque, afinal, é a sua existência que está na génese inspiradora deste blogue e que tanto tem prejudicado a nossa cidade e a nossa gente. Há alguns «colaboracionistas» do regime centralista que acham que não é bem assim. Nós, contrapomos que é! 

Esta nota prévia está mesmo aqui ao lado, à direita. Como o pior cego é aquele que não quer ver, talvez os olhos se abram se a colocar mesmo à frente do nariz. Cegos e cobardes é o que mais há. Por isso, sugiro que vão pregar para outra freguesia e que tenham vergonha na cara.  

16 novembro, 2015

Cuidado, quando falarmos de terrorismo!



Só alguém, fora do seu perfeito juízo, pode ficar indiferente à barbárie, ocorrida na última 6ª.feira em Paris. A barbárie, é sempre condenável, venha ela de onde vier, e seja porque motivos for. Mesmo assim, convinha refrescar a memória da nossa boa consciência com o modo como aplicámos os adjectivos, porque infelizmente continuamos a avaliar estas situações com pouco rigor e uma boa dose de hipocrisia. 

Quem ainda não era nascido por altura da guerra colonial, talvez hoje não saiba que em Portugal Continental chamava-mos "terroristas" aos movimentos independentistas das nossas [na altura chamadas] províncias ultramarinas. O terrorismo existiu de facto, mas os seus protagonistas eram tão terroristas como quem os combatia. Em guerras, ou guerrilhas, o terror está sempre presente porque destrói vidas supostamente em nome de causas nobres, segundo os pontos de vista de cada beligerante. Portugal ocupou territórios alheios e chamou a isso [orgulhosamente] "descobertas", mas quando foi ocupado por espanhóis e franceses, não deixou de tratar os intrusos como invasores, quiça também terroristas...

Em todos os actos de violência está presente uma certa dose de terror. É mais o impacto, que a essência do terrorismo que nos comove. É compreensível, mas não há lá muita justiça quando avaliámos o grau de importância das coisas a jusante e esquecemos a fonte. 

Seja como fôr, por mais que tentemos compreender as causas que determinam os actos de extrema violência levados a cabo por esses jovens de origem árabe - alguns dos quais nascidos e criados na Europa -, que se deixaram fanatizar em nome de um Deus que lhes promete o Paraíso mas lhes rouba a vida, não consigo vislumbrar nobreza nos seus actos. Porque as causas que os movem não são causas, são ideias doentias de supremacia religiosa que resultam na morte de inocentes.

Mas... Mas, a violência tem vários escalões e origens. No início não faz sangue. Começa devagarinho em qualquer ponto do mundo, na Europa inclusivé... Em países como Portugal, dos mais atrasados, manifesta-se nas empresas que pagam cada vez pior e repudiam os direitos legítimos de quem vive do trabalho. Vai crescendo e semeando a revolta em Estados que permitem atribuições de reformas de 90 mil euros mensais (e superiores) a homens cujo prestígio pessoal é recompensado social e pecuniariamente muito acima do limiar da Justiça, quando na sua essência não passam de vulgares vigaristas nocivos a qualquer sociedade.

É assim que se fomentam todos os ódios e fundamentalismos. É nestes exemplos de cidadania que nascem as fontes de todos os terrorismos.

Nota: Acresce ao que atrás referi que, antes de bombardear os centros estratégicos do chamado Estado Islâmico, conviria estancar as suas fontes de armamento. É que, Estados Unidos, Alemanha, Rússia e a própria França, têm sido os seus principais fornecedores... E isso, já não será terrorismo? Estranho mundo este, não é?

12 novembro, 2015

Os velhos medos da direita reaccionária...

Não foi por acaso que optei por diversificar os tópicos do Renovar o Porto. Numa primeira fase, procurei destacar as injustiças do centralismo e o reflexo que tinham na vida social, económica, cultural e desportiva do Porto, e de toda a região Norte.

Denunciei também a degradação social e urbana da cidade e o seu consequente despovoamento, criando um blogue (As Casas do Porto), expressamente para provar, com imagens, essa realidade. Resistiu até 2013. Por indisponibilidades pessoais várias, fui constrangido a interromper esse projecto. Tal como o Renovar o Porto, era um trabalho meramente voluntário, de um cidadão para outros cidadãos, que visava abordar os assuntos com seriedade, e sem os condicionalismos tradicionais dos órgãos de comunicação social. 

Desde então, dediquei parte do meu tempo ao Renovar o Porto, deambulando entre a porca da política e o futebol (clube do Porto). Como disse atrás, não o fiz por acaso. Fí-lo, essencialmente por ver muitas semelhanças entre um mundo e o outro.

Na política não tenho filiação partidária, mas sempre estive muito próximo das ideias de esquerda e muito longe das ideias mercantilistas da direita. Já não dou qualquer crédito às questões económicas sabendo que quem as defende, antes de olhar para as causas sociais, procura relacionar uma coisa com a outra, na tentativa de eternizar uma mentira que faz escola desde o 25 de Abril. As questões económicas só podem merecer crédito, no dia em que se conseguir provar, com factos, em tempo útil, e com seriedade, a razão causa efeito entre o desenvolvimento económico e a qualidade de vida da população. Ora, em Portugal nunca nenhum governo conseguiu tal desiderato, simplesmente porque os mercados só conhecem uma ideologia: o dinheiro. E é bom lembrar que em 41 anos de democracia fomos quase sempre governados por um partido socialista com frequentes inclinações direitistas, e por partidos assumidamente de direita (PSD e CDS). E contudo, havendo ricos cada vez mais ricos, continuamos sendo, a par da Grécia, o país mais pobre da Europa.

Quando a economia cresce, o destino do dinheiro é sempre o mesmo, ou seja, vai sempre para as contas bancárias dos mais ricos, e nunca distribuído para os bolsos dos mais pobres. Tudo o que negue esta realidade é uma provocação, é desonestidade mental. Não há retorno. À direita, só resta o descaramento, a eterna aliança com a mentira, com a vil arte de ludibriar. E é assim que vai sobrevivendo. E é por isso, que acho graça aos profetas da desgraça que pululam um pouco por toda a comunicação social com o acordo democrático entre PS/PCP/BE. Procedem como se fossem exemplos para levar a sério, e a  seguir. A mudança, assusta-os porque os afastou da zona de conforto (e Poder) a que já estavam habituados. As negociatas entre o Estado e o privado ficaram provavelmente comprometidas...

Mas, há uma coisa chamada Constituição que fala mais alto. Só há que respeitá-la. A não ser que queiram regressar ao tempo do Salazar e Caetano...




11 novembro, 2015

Morreu Paulo Cunha e Silva



Paulo Cunha e Silva não resistiu a um enfarte de miocárdio, na madrugada desta quarta-feira. O vereador da Cultura da Câmara do Porto tinha 53 anos. Autarquia decretou três dias de luto.

Nota de RoP:
Como portuense, a melhor homenagem que posso prestar a Paulo Cunha e Silva, é reconhecer-lhe a competência (muita) com que desempenhou o cargo de vereador da Cultura.  
Como ele, há poucos. Rui Moreira perdeu um dos seus melhores vereadores, quiça o mais querido e consensual. Oxalá saiba escolher com o mesmo critério o seu sucessor.

10 novembro, 2015

A propósito do circunstancial Assis

Rui Sá
(JN)
Nos tempos que correm, a Direita anda desesperada, macilenta, espumando ódio e profetizando desgraças, como se a nova data do apocalipse fosse 10 de novembro, dia em que este arremedo de Governo será chumbado (curiosamente, e para alimentar ainda mais os seus pesadelos, a data em que Álvaro Cunhal faria 102 anos...).
Mas, nas últimas semanas, a Direita arranjou um novo ídolo ao qual se agarra como uma espécie de "tábua de salvação" para que a coligação PSD/CDS se consiga perpetuar no poder. Basta estar atento às redes sociais, aos comentários às notícias da comunicação social, aos comentadores, para ver como, para a Direita, Francisco Assis se tornou esse ídolo e expoente da "responsabilidade" e da "inteligência" nacional. Bem sei que, nestes tempos de naufrágio da Direita, qualquer "tábua de salvação" parece boa... Mas a verdade é que Francisco Assis se pôs a jeito, disponível para o frete (?).
Naturalmente que Francisco Assis tem todo o direito de declarar: "(...) sou frontal e absolutamente contra a ideia de constituição de um qualquer Governo assente numa hipotética maioria de Esquerda (...)". Ou que "a representação binária do Parlamento configurada na oposição Direita/Esquerda é destituída de qualquer tipo de solidez doutrinária ou política".
A questão é que, ao contrário do que Francisco Assis pensa, o problema não é o seu pensamento. O problema é a sua incoerência. Porque há quem tenha memória. E eu, em particular, não esqueço o que se passou em 2005, no Porto. Nesse ano, Assis foi o candidato do PS à presidência da Câmara Municipal do Porto, tal como eu o fui pelas listas da CDU. E lá veio Assis "propor" uma coligação de Esquerda para derrubar a coligação PSD/CDS (personalizada por Rui Rio). Sabendo que essa coligação não se faria (até porque o PS tinha definido, em congresso, que as mesmas não se fariam), o objetivo era claro, ou seja, poder dizer: "Nós até queríamos, mas eles é que o inviabilizaram!"... E andou toda a campanha eleitoral a clamar que a CDU era a "muleta da Direita", sabendo que, não obstante a aceitação de pelouros delegados por Rio, a CDU tinha sido a mais consequente oposição às políticas de Direita na Câmara Municipal do Porto. Clamor que teve muito eco em alguns jornalistas comentadores da nossa praça, que, curiosamente e tal como Assis, agora temem a possibilidade de um Governo apoiado à Esquerda! Será que envelheceram e se aburguesaram ou que lhes caiu a máscara

09 novembro, 2015

Antes da política, o meu FCPorto

Layún, um dos melhores em campo


Não precisava de dizer isto. Mas para que não fiquem dúvidas na memória de alguns, vou repetir-me: sou portista, portuense, nascido e criado na freguesia de Santo Ildefonso. Hoje em dia, sinto-me, assumida e orgulhosamente mais portuense que português (que querem, são os efeitos colaterais de 40 anos de centralismo). Já fui sócio do FCPorto por várias vezes. Actualmente, não sou sócio de clube nenhum. Nem o meu portismo, nem a minha condição de sócio, me impediram de me inscrever sócio do Boavista, e mais tarde do Estrela Vigorosa e Sport, unicamente para jogar ténis, como amador, claro. Fossem os  boavisteiros, portuenses assim...

Também gostava que o Porto Canal fosse mais portuense, que conveniente. Só que isso não depende de mim, depende de quem o administra e gere. Não é nesse espírito "mesmista" que me revejo. Ser portista, não é dizer que somos os maiores, que jogamos bem, quando estivemos 70 minutos para marcar um golo a uma equipa com um orçamento muito inferior ao FCPorto. Como mais uma vez se pôde constatar, a bipolaridade exibicional entre a Champions e a Liga é um facto. Ontem conseguimos ganhar. Na jornada anterior, com o Braga, deixámos 2 pontos em casa, perdemos a liderança e não marcamos um único golo. 

Pela enésima vez, Lopetegui ofereceu 45 (+25) minutos ao adversário, e isto não devia repetir-se, mas repete-se. É taxativo.

Lado positivo de Lopetegui: a capacidade de corrigir erros próprios durante os jogos. Lado negativo: hipotecar a ideia da rotatividade, com riscos desnecessários, como sucedeu ontem, ao meter dois medios defensivos e um criativo recém-lesionado (Brahimi) com características pouco indicadas para aprofundar o jogo. Brahimi é um jogador talentoso, mas prende demasiado a bola e ontem percebia-se que não estava na melhor forma. Não surpreende pois que os passes para trás e para o lado voltassem a estimular os assobiadores de serviço do Dragão. Sou completamente contra os assobios indiferenciados, como sabem, mas será este modelo de jogo irritante e perigoso a melhor maneira de os calar?

Resumindo, e para concluir: não gostei nada da 1ª. parte, pelas razões já referidas e também pela lentidão imprimida, pela fraca pressão, principais responsáveis pelos maus passes e pelas descontrações. Gostei do resultado, claro. Mas em vez de ter sentido gosto pelo futebol praticado (como com o Maccabi Tel Aviv), sofri, irritei-me, desatinei. Não quero ver futebol para ter menos prazer que arrelias. Portanto, apesar da victória, continuo pouco optimista.

06 novembro, 2015

Carta Aberta a Francisco Assis


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«Caro Francisco Assis,
Como sabes o distrito da Guarda foi o único distrito onde o António José Seguro venceu.
Eu, como tantos companheiros, lutámos pela vitória de António José Seguro e atingimos os objetivos a que nos propusemos, mas foi um resultado muito curto e António Costa venceu e, sobretudo, venceu a Democracia. A partir desse momento e perante os resultados inquestionáveis o nosso líder passou a ser António Costa.
Tu foste sempre apoiante de António Costa e, como tal, nunca lhe regateaste elogios quer sobre as suas qualidades quer sobre a experiência política que tanto lhe reconhecias. Durante a campanha eleitoral para estas legislativas, tu próprio te insurgias contra o desgoverno que a coligação da direita trouxe ao nosso país, ou seja: mais pobreza, mais desemprego, mais emigração, mais desigualdade e mais dívida, sem resolver qualquer problema da nossa Pátria. Por conseguinte, participaste na campanha eleitoral, apoiando o secretário-geral, sem reservas e de forma incondicional, mas certamente distraído não registaste o facto do António Costa ter afirmado, com algum estrondo e significativo impacto, durante a campanha eleitoral, que não viabilizaria o orçamento da coligação.
Pois tens andado seriamente esquecido e deve ser ter sido do queijo da Serra que comeste aqui no distrito durante a campanha eleitoral, quando o distrito, em má hora te elegeu, como seu representante na Assembleia da República. E o que fizeste tu como agradecimento às boas gentes do distrito da Guarda que contavam com a tua voz na Casa da Democracia? NADA! Além de nunca te teres referido às gentes, e aos seus problemas, que representavas no Parlamento. Com o teu silêncio revelaste uma enorme ingratidão para com o distrito que, por todas as razões, deverias acarinhar, uma vez que nunca chegaste a agradecer sequer aos eleitores que contribuíram para a tua eleição.
Caro Assis se não concordas com o rumo que está a ser seguido pela direção do partido, apesar do infeliz momento que escolheste para o afirmar, é um direito que te assiste. Apesar de tudo não me parece que após reiterado silêncio possas colocar em causa a legitima liderança, (que apoiaste até à pouco tempo) por isso deverias repensar melhor a tua estratégia de “assalto” ao poder em vez de andares a minar o partido tentando provar que há um mal-estar interno no PS e uma corrente crítica que se apresenta como alternativa.
Num momento politicamente sensível que vivemos eu, como a esmagadora maioria da massa militante e simpatizante do partido, reprova veementemente a tua “golpada” e dos companheiros que tentas arrastar contigo.
Se não consegues ter tento na língua, nem aguardar melhor oportunidade, deverias repensar a tua posição ideológica no partido e, com os teus seguidores, engrossar a coligação da direita, mantendo-te lá por muitos anos à procura da maioria …
Fonte: Blogue Aventar
Nota de RoP:
Há largo tempo que topei ao que anda Franscisco Assis:  com aquele seu aspecto lúbrico, procura deseperadamente um grande TACHO. Pertence ao sombrio império dos políticos de carreira.  Por outras palavras: está a borrifar-se para o país e para o partido.

04 novembro, 2015

Bem, hoje a bipolaridade deu para o positivo. É a Champions, estúpido!

Tello foi um dos melhores, mas gostei da equipa
Pois é, e o FCPorto voltou a deixar-nos com água na boca. Na Champions, joga um futebol mais dinâmico que na Liga nacional, lateraliza  pouco, tem mais rapidez, e ganha! 

A questão que se levanta é: por quê? Porque é que não consegue encontrar a mesma dinâmica com as equipas da terra? 

Depois não se queixem se continuarmos a falar de bipolaridade. Ando pouco animado com este Porto, mas hoje gostei muito do jogo e do resultado. Continuem por favor, não se cansem de jogar bem... e ganhar.

PS- Cá comigo, é assim. Se gosto, gosto. Se não gosto, não cômo. O estômago é meu. A propósito: continuo a escrever à moda antiga. Têm algo a contestar?

03 novembro, 2015

Não estou optimista com este FCPorto

É fácil, e cai muito bem na opinião pública, pensar e agir sempre com optimismo. Nunca partilhei da bondade dessa opinião. Que é fácil e parece bem, não duvido, se considerarmos a vulnerabilidade intelectual de uma grande fatia da população portuguesa depois de andar décadas a engolir o "optimismo" das promessas dos políticos. Agora, que é avisado pensarmos antecipadamente que tudo vai correr bem, face ao imprevisto, e a todo o tipo de situações, é um exagero imprudente que por vezes nos pode custar a própria vida. 

Não querendo radicalizar o tema, posso garantir-vos que foi a sensatez que já me salvou a vida várias vezes ao volante do meu carro, ou na melhor das hipóteses, me safou de partir umas costelas. Se ao descrever uma curva, entro à vontade e fora de mão, partindo sempre do princípio que no sentido contrário não vem nenhum veículo, ou se vier, vem pela sua mão, escostado à berma da estrada, estaria talvez a ser optimista, mas também a hipotecar a minha segurança e porventura a de outras pessoas. Não depreendam daqui, que sou um aselha a conduzir, medroso, do tipo caracol domingueiro. Não, não sou. Penso é que, se confiar demais, tudo pode correr mal. Por muito que tentemos separar o excesso de optimismo da imprudência, é inútil, porque estas duas coisas estão quase sempre ligadas. 

Tudo isto para dizer, o quê? Para dizer que avaliando a situação actual do FCPorto e de toda a estrutura envolvente (Presidente, Sad, Media,Corpos Técnicos, etc.), muita coisa terá de mudar rapidamente, se quisermos chegar ao fim da temporada com um sorriso no rosto e... optimismo no olhar. O optimismo de que os portistas se alimentaram nas últimas décadas não caiu do céu aos trambolhões, irradicou de um ciclo longo de victórias, sustentadas na liderança forte e competente de Pinto da Costa, dentro e fora do clube.

Se dentro do clube já se notam algumas diferenças, em certos aspectos para pior, fora do clube é o deserto. Ninguém está em casa...  a grande família portista estranha e sente a orfandade. Pior: começa a dar sinais de cansaço dessa orfandade. E o Presidente parece não se dar conta do que se está a passar "fora de casa". Ele não entende, ou não quer entender, que aos poucos vai perdendo o respeito de muitos adeptos, alguns dos quais o idolatraram, mas que só ainda não despejaram sobre ele as desilusões das últimas temporadas porque ainda acreditam numa reviravolta. 

Eu, não acredito. E não acredito pelas mesmas razões que vos apresentei no prólogo deste post, ou seja, porque só consigo fundamentar o meu optimismo de portista quando por detrás há uma liderança activa, competitiva. E essa liderança eclipsou-se, ninguém pode sentir o contrário. E é aqui que reside o principal problema do FCPorto actual. Depois, juntam-se outros inconvenientes. O treinador Lopetegui está a revelar muitas dificuldades para estabilizar as suas ideias de jogo e os jogadores também. Tenho algumas reservas em atribuir as responsabilidades aos jogadores, porque acho que não conseguem adaptar-se aos processos táctico-técnicos do treinador. Cheguei à conclusão de que a posse de bola é encarada pelos atletas, mais com medo de a perderem, do que como uma oportunidade para a fazerem chegar à baliza adversária.

Só isso pode explicar essa coisa entediante de abusar dos passes recuados e lateralizados, essa dificuldade tremenda em ultrapassar equipas defensivas, muito fechadas e rápidas a contra-atacar e até a dificuldade do FCPorto marcar muitos golos. E isso explica em parte o conforto de jogar na Champions com equipas mais abertas. Mas, explica até um determinado ponto. Quando o patamar de exigência subir, as dificuldades do FCPorto vão-se notar. Com uma deficiente pressão alta, uma instabilidade na articulação de movimentos, a lentidão/previsibildade de processos, incluindo o desaproveitamento de contra-ataques, será complicado subir a fasquia. Aspectos que, a um nível superior de competitividade, podem vir a ser reclamados e não ter a resposta adequada se a equipa não estiver devidamente preparada com rotinas enraizadas. Podemos sempre considerar aquelas situações muito imprevisíveis no futebol que decidem por vezes um jogo, como a transcendência individual e colectiva dos jogadores e que muito entusiasmam os adeptos quando acabam em victórias, mas uma equipa sólida não pode ficar apenas refém de momentos nem da garra. É preciso mais. E sinceramente eu não estou a ver esse "mais".

O ano passado era tudo novo. Para nós, para (alguns) os jogadores e para o treinador. Este ano, não é bem assim. Há ainda medos injustificaveis, rotinas por sedimentar, que não se compadecem com o relógio do tempo. Por isso, não escondo que os sinais que me vão chegando não me trazem grande optimismo.

02 novembro, 2015

Só falta o Pinto da Costa e o Porto Canal dizerem ámen

2 de novembro de 2015
Coerentes com aquilo que venho aqui afirmando, os directores/administradores do JN "remodelado" não cansam de tentar ligar o nome do FCPorto a tudo que possa conspurcá-lo.

Continuam praticamente alheios e mansos à pouca vergonha jà antiga dos programas de futebol, onde os representantes do "glorioso" e dos "verdes", representam o que há de pior na sociedade (políticos incluídos). E passam  quase sempre ao lado dos autocarros incendiados, das tochas, de agressões a atletas adversários, de esquemas ilícitos, tráfego de droga, ilegalização de claques (Benfica), colinhos de árbitros, e por aí fora, É um fartar vilanagem. Mesmo assim, há uns COBARDOLAS, que passam por aqui a armar em gente séria pensando que lhes dou protagonismo. Só não os meto na cadeia porque não posso, senão era lá que disfrutavam a democracia segundo as minhas regras.

Mas, há mais.  Basta acontecer um espirro no Porto para logo o transformarem numa bomba atómica. Uma senhoreca jornalista, da nova estrutura directiva -vinda sabe-se lá de onde -, que nem sequer é especialista em desporto, resolveu hoje sair da casota da timidez [que ignorou até hoje, as poucas vergonhas que atrás referi], para se insurgir com o que um grupo de palermas fez a bordo de um avião, só porque eram portistas... É sportinguista a madame, percebe-se... Mas nem por isso se lembrou do "mui urbano" Bruno de Carvalho, presidente do seu clube, mas ignorou aquele fulano também do seu clube e ex-director da PJ que controlava as contas bancárias dos árbitros, que não abriu a boca com a droga traficada na porta 18 no estádio da Luz (porque será que a Mizé Morgado não pia agora?), nem inspirou a escrita com as barbaridades de adeptos benfiquistas provocadas no campo do Atlético de Madrid que resultaram em ferimentos graves numa criança... Não se lembrou, não viu, nem ouviu, nem escreveu nada. A cor e  a origem dos infractores é que determinam o grau de indignação desta gentinha moralista, e a abertura de processos judiciais. Cínicos! Nem mais.

Está aqui, podem ler. 

É o que vos digo amigos, não comprem o JN! O JN morreu. Façam-lhe o funeral.

31 outubro, 2015

Centralismo na cidade Liberal. Uma ofensa ao passado do Porto

31 de outubro de 2015
É assim, como quem não quer a coisa, que o centralismo estende os seus tentáculos. E o Porto Canal, segue-lhe o "exemplo"... Será possível falar de provincianismo, quando esta gente sabe melhor que ninguém que os media da capital nunca nos deram o mesmo protagonismo? Que, pelo contrário, tudo têm feito para nos anular? Será possível que Pinto da Costa e toda a estrutura directiva do FCPorto, não vejam isto, esta subtil viragem a Sul, e aceitem que um jornal histórico do Porto esteja a entrar pelo mesmo caminho dos que nos repudiam? Eu não acredito. O que me fará rever a admiração e o respeito que sempre tive pelo ex-líder do FCPorto...

Outras vergonhas: independentemente do mensageiro, a mensagem é corajosa, porque é factual. Ler aqui.

30 outubro, 2015

A SIC é sempre "impecável" com o FCPorto. O FCPorto retribui...



Ver o João Pinto, o mítico camisola 2 do FCPorto, a ser adulado pelos meninos  de Lisboa, que depois de esgotado o pano de fundo do estuário do Tejo, descobriram no Estádio do Dragão e na cidade do Porto o palco, o novo filão inspirador para as telenovelas da SIC, é  uma suprema provocação.

A cereja no bolo da hipocrisia, é vermos como um dos actores, o José Raposo, glosa com a pronúncia do Norte (que preferem dizer do Porto) nas barbas da entrevistadora do Porto Canal e do próprio João Pinto, radiantes a achar-lhe muita gracinha... O Herman José serviu-lhes de guião (mas esse era humorista mesmo).

Deixemo-nos de preconceitos, às vezes até dá jeito vir à província, desculpem, queria dizer, ao Porto... Dá jeito vir ao Porto, com declarações de amor à cidade, sobretudo num momento em que se fala da nossa cidade em todo o Mundo, como nunca se ouviu falar de Lisboa.

Afinal, a cidade do Porco... perdão, do Porto (também tenho o direito de me enganar), sempre serve para alguma coisa. Mas o que mais impressiona pela negativa, é a parolice, o servilismo disfarçado de simpatia, dos colaboradores do Porto Canal,  e do próprio Director, com tudo o que vem da capital.

Parolos! Bajuladores!

PS-Não tarda, vão servir de inspiração ao Canal "Q", como já foram a Maria e o Ricardo Couto e outros. É assim, estes tripeiros de agora são masoquistas assumidos e lambe-botas.

28 outubro, 2015

Suponhamos que,

como vem sendo habitual, Bruno Paixão, o árbitro nomeado por Victor Pereira (esse inqualificável presidente da Comissão de Arbitragem da Liga),  para o próximo jogo com a União da Madeira, volta a prejudicar o FCPorto, com influência no resultado... O que é que poderá acontecer? 

Deixem-me adiantar as hipóteses mais prováveis, de acordo com as reacções do FCP dos últimos anos:
  1. O FCPorto, reage tardiamente contra Victor Pereira no Dragões Diário, e o queixume cai em saco rôto
  2. O FCPorto não reage de todo, e o circo vai continuar, com Victor Pereira a sentir-se um Super-Homem e a prometer aos amigos do colo que a jhiad vermelha é para continuar
  3. Os sócios do FCPorto engolem mais um sapo, e despejam a bílis na blogosfera portista com as frustrações do costume
Tudo o que ultrapasse estas 3 alternativas será novidade para mim. 
Portanto, ficarão estabilizadas as condições para o Benfica ser outra vez mimado, agora com biberão e chupeta, além do colinho da praxe. 

A menos que o efeito Bruno Carvalho possa condicionar o chefe da seita e o FCPorto seja poupado a outras humilhações. Ficaremos assim dependentes, absolutamente dependentes, das contingências da sorte.

Somos Porto(?!)...

Isto, não é ser Porto. Isto, é cobardia.

27 outubro, 2015

Será que os portuenses repudiam mesmo o centralismo?

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É aqui a sede do centralismo, no Terreiro do Paço

O Porto queixa-se do centralismo de Lisboa. Os nortenhos de outras localidades [de veia centralista], queixam-se do porto-centrismo. Os portuenses-portistas pensam que o centralismo se combate no FCPorto. Os não portistas e os portistas parvos, não querem saber da regionalização para nada. 

Enfim, uns de uma maneira, outros de outra, todos parecem empenhados em preservar a confusão para que tudo fique na mesma. As queixas podem abrandar, mas acabam sempre por reaparecer mais adiante. É tudo uma questão de tempo e de conveniência. Uns, conscientemente, outros por pura burrice ou oportunismo, todos contribuem para a manutenção de um país assimétrico e profundamente injusto. Grandes nortenhos estes...

Durante muito tempo, o Porto queixou-se de não dispor de um canal de televisão que representasse a cidade, e a região Norte do país. Em abono da verdade, essas queixas nunca chegaram a ser muito entusiásticas, apesar de haver sobejas razões para as intensificar. Em contrapartida, a Sul, mais propriamente em Lisboa, não falta nada em matéria de comunicação social. Os jornais, estão praticamente todos sediados em Lisboa, e as televisões também. Só em canal aberto, existem quatro canais. Se incluirmos os canais por cabo, a capital usufrui de 12 canais (SIC N, RTP Int, RTP Àfrica, RTP3, RTP Memória, TVI24, +TVI, SIC Int, SIC Radical, SIC Mulher, SIC Caras, SIC K), descontando canais de humor como o "Q", e de Economia como o EconómicoTV, o que perfaz um total de 18. Claro que, na perspectiva dos centralistas (traduzido em miúdos, quer dizer: defensores do absolutismo), este rol de canais é perfeitamente normal e justíssimo... 

Tudo isto, vem acontecendo há alguns anos sem que do Porto - cidade historicamente conhecida pelas causas liberais -, se tenha feito algo de verdadeiramente importante para alterar esta situação. Nem pelo lado do povo, nem pelas "suas" elites... Muita bazófia e nenhuma acção.  Houve alguma expectativa de mudança com o surgimento do Porto Canal, sobretudo depois de adquirido pelo FCPorto, mas tudo não passou de uma ilusão, como todos sabemos. Nem os patrões (FCPortoMedia), nem os directores (Júlio Magalhães e Ana Guedes) parecem minimamente preocupados com o assunto.

Passo a passo, o Jornal de Notícias, está a lisboetizar-se, e os portuenses parecem ainda não ter percebido o que se está a passar. Ao contrário dos jornais de Lisboa (incluindo o Público, que Belmiro de Azevedo entregou à capital), que pouco ou nada trazem sobre o Norte, o JN em comunhão com a querida RTP, lá vai avançando paulatinamente, e determinado, com políticas editoriais pró-lisboetas em todas as áreas, incluindo a desportiva. Os portuenses deixam correr o marfim, apáticos e submissos. O JN, da dupla Afonso Camões/Proença de Carvalho dá muito mais ênfase aos clubes de Lisboa (Benfica e Sporting) que dava a anterior Direcção/Administração. Fazem exactamente o oposto do que fazem os jornais de Lisboa - generalistas e desportivos -, que além de nos ignorarem, tentam humilhar-nos. Pervertem tudo o que nos diga respeito, principalmente no desporto. E neste capítulo, nem Pinto da Costa reage... 

Por aquilo que venho observando, é por esse mesmo caminho que Júlio Magalhães parece querer levar o Porto Canal. Mais Lisboa, e menos Porto (basta atentar à origem dos convidados de "honra"). Para ele, e provavelmente para os seus patrões, a estratégia a seguir (para o canal e para o clube), é a de "dar a outra face", a de imitar Cristo, depois de andarmos anos a levar com grandes bofetadas, túneis e escândalos... E se fossem só bofetadas, vá que não vá, foram processos jurídicos, com apitos dourados e acusações vergonhosas.

Esta mentalidade, esta falta de Porto na massa do sangue, nunca conseguirei entender. Os tempos mudaram, é certo, mas não foi para melhor. Em todos os aspectos. 


25 outubro, 2015

Um FCPorto sem chama e sem objectividade


Estou a ouvir os comentadores do Porto Canal, e o que oiço anda perto de querer dizer que a culpa da inoperacionalidade atacante do FCPorto foi do Braga, que jogou à defesa...

Quando se justificam derrotas ou empates com o facto de o adversário jogar à defesa, é porque não se querem reconhecer incompetências próprias. Estou farto de ouvir falar de museus e justificações ao bom estilo de calimeros, que parece ser agora o do nosso clube. Mais uma vez, quando podíamos aproveitar o deslize do Benfica deixamos perder a oportunidade e saímos da liderança. 

O que eu continuo a ver, é um futebol com posse de bola, porque sim, e a mesma dificuldade em aproveitar ao máximo os 90 minutos dos jogos para a colocar no fundo das redes, que é onde se fazem os golos. Mas para isso é preciso jogar com velocidade, mais para a frente que para o lado e para trás, e rematar muito, e bem. Não contra as pernas dos adversários, ou dos próprios companheiros - como aconteceu -, nem depender da inspiração de Aboubakar, que por azar hoje não esteve nos seus melhores dias. ÀS vezes, fica-se com a sensação que há medo de chutar para a baliza.

Sinceramente, não me parece que Lopetegui seja um grande entendido em futebol como espectáculo. Acho que este estilo de jogo, além de feio, é um perigo, se utilizado em competições de nível superior. Tenho ainda na memória a figura triste com o Bayern em Munique (6-1), e receio que a continuarmos nesta bipolaridade a cena se volte a repetir. Não sei por quanto tempo mais serei capaz de acreditar neste sistema de jogo.

Enfim, mais um tiro no pé.  

Ai , Cavaco, Cavaco, ao que te prestas!


24 outubro, 2015

Declaração de guerra

1. O que fez o Presidente da República na sua declaração foi dar uma chicotada nos portugueses – por singular coincidência, a maioria – de que ele considera não ser o Presidente. Não foi uma chicotada psicológica, mas uma chicotada real. Ao justificar a sua decisão de indigitar Passos Coelho primeiro-ministro – uma decisão em si acertada – com uma declaração de exclusão da vida pública do BE e do PCP e, por arrasto, do PS, abriu uma crise política e institucional cujas consequências estão longe de ser adivinhadas.
2. Embora não o tenha dito explicitamente, disse com clareza suficiente que não dará posse a um Governo PS-BE-PCP, com maioria parlamentar, que ele entende ser maldito, sugerindo que, mesmo que o Governo PSD-CDS não passe na Assembleia poderá deixá-lo em gestão até que haja condições para haver novas eleições. O facto de apenas o ter subentendido pode indicar que possa recuar, mas o tom agressivo das suas considerações faz com que, se o fizer, isso equivalha a uma gigantesca manifestação de incoerência e impotência, em si mesma um factor de instabilidade.
3. Mais: significa que, ao indigitar Passos Coelho, não está apenas a proceder a um acto normal pelo facto de a coligação ter ganho as eleições, o que é em si mais que aceitável, está a fazê-lo para que este permaneça no seu lugar de governo, sem poderes e em conflito permanente com a maioria parlamentar, por longos meses. Cavaco Silva inaugura em Portugal uma prática que já tinha péssimos precedentes na Europa: a de que se fazem todas as eleições precisas até que o resultado seja satisfatório. Ou seja, até que ganhem aqueles que se consideram os detentores naturais do poder, até que o PSD-CDS ganhe com maioria absoluta.
4. Num só acto o Presidente garantiu longos meses de instabilidade política, um confronto permanente entre instituições, uma enorme radicalização da vida política, e tornou-se responsável pelas consequências económicas que daí advenham. A aceitarem este rumo, Cavaco Silva e Passos Coelho passam a ser os principais sujeitos dos efeitos negativos na economia e na sociedade, desta instabilidade, enquanto se poderia considerar que seriam António Costa e a maioria de esquerda os responsáveis, caso existissem esses mesmos efeitos como consequência de um seu Governo.
5. Cavaco Silva ajudou a inverter a vitimização de que o PSD-CDS precisava em termos eleitorais, e este é apenas um dos efeitos perversos da sua comunicação. Na verdade, o que é ainda mais grave é que se mostrou disposto a deteriorar a situação económica do país, e a sua posição face aos “mercados”, que até agora não reflectiram o catastrofismo do discurso interno do PSD-PS e externo do PPE, e que, se agora o começarem a fazer, é porque o Presidente abriu uma frente de guerra e de instabilidade que dificilmente se resolverá.
6. Outro dos efeitos perversos da comunicação presidencial foi dar uma enorme contribuição para que no PS, no BE e no PCP se perceba, com uma clareza meridiana, o que está em jogo e que estão sob um ataque sem tréguas destinado a eternizar a direita no poder, com todos os meios e recursos, de que esta dispõe e que hoje são muitos. A direita teve dois milhões de votos, menos do que a esquerda, mas mesmo assim reveladores de que existe a seu favor um importante movimento de opinião pública, a que se começa a apelar à mobilização, mesmo para o local onde até agora não existia, a rua. A agressividade desses apelos revela que compreendeu que a possibilidade de haver uma expressão política conjunta à esquerda que ultrapasse as divisões históricas que a separavam é um muito sério risco para uma hegemonia que consideravam garantida pela fusão dos votos do CDS e do PSD.
7. Nunca, desde o 25 de Abril, um Governo serviu a direita ideológica e dos interesses como o tandem troika-PSD/CDS. Nunca foi tão grande a troca mútua de serviços entre a “Europa” e a direita política. Comandada pelos partidos do PPE, a começar pelo alemão e os seus aliados, com destaque para o PP espanhol, que tem um directo interesse em impedir a contaminação da política do PS no PSOE e das suas alianças, a “Europa” é hoje um dos mais importantes factores de perda de democracia e de suporte a favor de uma ideologia autoritária, a do “não há alternativa”. Os partidos do PPE estão dispostos a tudo e farão tudo o que puderem, até porque receiam que se possa minar o apoio que até agora os partidos socialistas deram às diferentes variantes do “não há alternativa”. Começou na Grécia, por muito mal que tenha corrido, continuou no Labour, e chega agora à Península ibérica.
(Pacheco Pereira/Público)

23 outubro, 2015

Cavaco Silva. O caos é ele


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Se  há  pessoa  de quem  não  gosto  de  falar,  é de Cavaco Silva. É uma figura pela qual nunca nutri a menor  simpatia. Ao contrário do General Ramalho Eanes, também pouco dado a sorrisos, e que talvez por isso não conquistava muitas simpatias, Cavaco está  muito longe de  ter a dimensão de estadista do antigo  Presidente  da  República.   Ramalho Eanes era, antes  de  tudo, um  homem  íntegro.  Nunca  o vimos   entrar   por  caminhos   impróprios  de  um verdadeiro   Chefe de  Estado.  Eanes jamais ousou influenciar os portugueses a votar no partido A ou B, nem nunca cometeu a insensatez de se colocar no lugar de fiador, para convidar o povo a investir no BES, um Banco cuja história recente é conhecida e que a todos nos envergonha. Mas, Cavaco, esse, ousou. Por isso, tenho de falar dele.

Com aquele ar de quem tem o rei na barriga, e de quem treina ao espelho expressões de respeitabilidade, voltou a mostrar ao povo, e até àqueles que pensam como ele, mas têm dois dedos de testa, que nunca devia ter sido eleito para o mais alto cargo da nação. A democracia, tal como é actualmente regida, tem destas ratoeiras. 

Como actor, é possível que Cavaco ainda tenha capacidade para enganar alguns, mas como político deu provas de não ser lá muito inteligente. Cavaco, pode continuar a ensaiar as caretas que quiser, circunspectas, ou subtis, dizer que é pela estabilidade do país, mas nunca terá capacidade para negar que ao decidir empossar Passos Coelho para formar governo tomou uma decisão anti-democrática e sectária. Sabia que ele era assim, mas ainda admiti que lhe restasse um pouco de lucidez. 

Cavaco é daqueles políticos que nunca quiseram mesmo saber do povo para nada, nem dos seus problemas. Para ele, a prioridade chama-se mercado, ou não fosse ele apenas um economista. Com a sua não decisão, só vai atrasar o país, acentuar o alvoroço de pânico nos sistemas financeiros. Vai enfim, fazer exactamente o contrário daquilo que diz defender. A coligação Pàf vai cair, como tudo leva a crer, e Cavaco será responsabilizado pelo arrastamento no tempo, gerado por um provável governo de gestão que só pode acentuar os problemas do país.

Como disse atrás, Cavaco prefere o dinheiro às pessoas. Nunca o conseguiu disfarçar, apesar de bom actor. Só que, não percebe nada, nem de uma coisa, nem de outra... Não obstante, Cavaco sem o saber, acaba por concordar com o perfil que dele acabei de traçar. Senão leiam este trecho das suas declarações:

"Se o governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o país precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas."

22 outubro, 2015

Que a coligação de esquerda se una

O Partido Socialista, tal como foi idealizado em 1973 pelos seus fundadores, com uma Declaração de Princípios que assumia  o socialismo em liberdade e uma sociedade sem classes, já não existe.

Tendo como principal líder Mário Soares (acusado de ter metido o socialismo na gaveta), que levou longe demais o conceito de liberdade - dentro e fora da estrutura partidária -, acabou por se tornar numa organização vulnerável a aventureiros, sem grande rigor de militância, que contribuíram gravemente para o seu esvaziamento ideológico. Hoje, só o distinguem do PSD pequenas clausulas de ordem social e pouco mais. Foi, não neste, mas no PS fundado em 1973 que votei pela 1ª.vez na minha vida. Foi nesse partido, inspirado no Partido Social Democrata alemão de Willy Brandt, que eu acreditei. Deste PS, só restam hoje fragmentos.  

À direita do PS, pela experiência que vários governos me transmitiram, não há partido que leve a sério, sobretudo do ponto de visto social. Para mim, são os partidos de direita, e o PS dos últimos anos, os grandes responsáveis pela degradação da qualidade de vida dos portugueses. Até porque, à esquerda do PS nenhum outro partido governou, não fazendo portanto sentido falar-se em aventureirismo quando se fala da eventual coligação da esquerda.

Para a direita, a prioridade "social" está no capital e nos homens que o detêm. E não é pela razão que cinicamente apregoam, ou seja, pela distribuição da riqueza ou a criação de emprego. É para se apoiarem reciprocamente na realização de grandes negócios, pela abertura de bancos específicos de fuga ao fisco, e para permitirem aos detentores de grandes fortunas a fuga à justiça, ao contrário dos deserdados que têm de a enfrentar nas barras dos tribunais, e em última análise, na cadeia.

Joe Berardo (tabacos), Armindo Costa(ind.calçado), Vasco Teixeira (livros), Américo Amorim (negócios internacionais), Fortunato Frederico (calçado), Malik Sacoor (texteis), todos grandes empresários, e clientes da ESGUER, por serem ricos, e serem protegidos de partidos políticos que por sua vez protegem os ricos, livraram-se de prestar contas com a Justiça, não por estarem inocentes, mas por terem milhões disponíveis para pagarem às finanças aquilo que deviam ter pago em momento certo e não pagariam, se nada tivesse sido investigado. Esta, é a "moralidade" dos defensores de políticas de direita.

Ser de direita pode apenas significar duas coisas: defender as desigualdades sociais, por puro egoísmo, ou o testemunho de um baixo índice de inteligência e consciência social. Não vislumbro outras razões.

Por isso, faço votos que a coligação PS/BE/PCP, esqueça por uns tempos aquilo que os separa e se una em torno do povo. E que se deixem de brincar à baixa política. Já chega.

  

18 outubro, 2015

Yanis Varoufaquis versus coligação PS/CDU/BE


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"Há um debate no interior do PS sobre se deve haver uma aliança com partidos de esquerda que estão a rejeitar as regras do jogo, e alguns deputados estão preparados para que isso aconteça, desde que haja um acordo de que o governo português jogue pelas regras do Eurogrupo. Isto é um problema. Porque são compromissos que não se podem cumprir".

Yanis Varoufakis
(Ex-Ministro grego das Finanças)


Ou muito me engano, ou Varoufakis vai ser o homem a abater pelos economistas do capitalismo selvagem de todo o mundo. Despir, com tanta lucidez e coragem, o manto cínico de uma política económica  injusta como é a do Eurogrupo, poderá custar-lhe caro. Quero acreditar que a consciência dos cidadãos se fortaleça com as suas declarações, nomeadamente aquelas pessoas que o aplaudiram de pé no auditório da Universidade de Coimbra. 

Por cá, as direitas assumidas e tímidas, deixaram cair a débil máscara democrática para começarem a disparar em tudo que não diga ámen com a prole. Até no programa "Eixo do Mal", a Clara Ferreira Alves, mulher inteligente e amiga confessa de Mário Soares, tomou as dores da direita, depois de ter passado o tempo a malhar no governo de Passos Coelho. Já Pedro Marques Lopes, que nunca escondeu os seus gostos conservadores, foi o único que assumiu uma posição democrática, apesar de não acreditar na estabilidade da coligação PS/CDU/BE. Daniel Oliveira, esse, não se escandalizou com a aliança de esquerda, o que para quem militou no Bloco de Esquerda, é perfeitamente normal.

Pedro Marques Lopes, disse e bem, que as pessoas não votam em governos, votam em partidos para as representar no Parlamento. Só depois é que se fazem as contas dos votos para saber qual, ou quais, desses partidos, terão condições para formar um governo minimamente constante . Para mim, não é uma surpresa ver outra vez cair a cara falsa da democracia da direita. É só uma questão de tempo. Habituados que estavam às maiorias PSD (social democracia direitista) e PS (social democracia de esquerda), há políticos de ambos o quadrantes, incluindo do CDS, que parecem ter-se esquecido que a Constituição também faculta aos partidos de esquerda a possibilidade de se coligarem e formarem governo. Não é portanto compreensível o histerismo logo gerado à volta do assunto com a "preciosa" e anti-democrática colaboração da comunicação dita social...  

Naturalmente, conhecendo nós o estado calamitoso em que está a Europa e o próprio Mundo, é extremamente difícil prognosticar o futuro. O próprio ex-ministro das Finanças Varoufaquis sentiu na pele essa experiência, e sabe o que diz. Contudo, apesar de Varoufaquis aconselhar o PS português a não se comprometer com as regras da Zona Euro "por as achar impossíveis de cumprir", as dificuldades que a anunciada coligação de esquerda vai encontrar serão as mesmas que a coligação PàF, mas nenhuma pode garantir-nos certezas. Isto, já para não falar dos sucessivos fracassos no défice e incumprimentos eleitorais (o mais importante) do governo Passos Coelho/Portas.    

Quanto às teorias anti-comunistas e os medos pela sua tradicional rigidez política, (incluindo do Bloco de Esquerda) e que parecem renascidos das cinzas pelos amigos da conjuntura actual, são tudo, menos casuais, e não fazem nenhum sentido. Se qualquer dos três partidos de esquerda não cooperar nesse tratado comum de entendimento (que deverá ser cuidadosamente escrito), estará a comprometer o seu futuro. Nem vejo qualquer sentido estratégico, se por detrás da proposta colaboracionista do PCP e do BE pairar camuflada a intenção de esmagar o PS. Custa-me aceitar que qualquer destes partidos se tenha metido numa empreitada desta responsabilidade sem perceber que o momento não é para brincar à baixa política. O momento é de convergência e de pragmatismo. Tem de ficar claro em que pontos específicos assentam essa cooperação, e durante que período. Todos, devem saber o que os espera. Todos devem saber ao que vão, e o que os aguarda. O mínimo que deles esperam os eleitores (até eu, que não votei), é que, por uma vez, saibam provar-lhes que têm noção do que é o verdadeiro sentido de Estado. Vai ser uma dura tarefa, atrevo-me a dizer, quase impossível. Não tanto por desacreditar na seriedade dos protagonistas, mas porque o terreno está minado a montante, na União Europeia.

Varoufaquis já deu o mote. Aconselhou o futuro governo "a não se comprometer com regras que são fundamentalmente irracionais" . Disse, aos amigos do PS para defenderem um processo de renegociação das regras sensato, democrático e racional".

Cá para mim, ele é capaz de estar a dizer coisas acertadas. Talvez bem mais versadas que as constantes aldrabices de Passos Coelho e Portas.