13 junho, 2016

Marcelo é fixe, mas às vezes fala demais

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Marcelo e o abraço da praxe a Holland
Os homens não são perfeitos, estamos cansados de saber. Porém, alguns há, que talvez por se acharem perfeitos, ética e intelectualmente, entendem que têm capacidade para governar outros homens, coisa que ainda está por provar, sobretudo num país como Portugal. Se a par dessa já habitual presunção houvesse seriedade, o mínimo que se lhes devia exigir, era que errassem menos, caso contrário muito dificilmente escapam da vulgaridade a que se habituaram (e ainda se queixam de ganhar mal).

Como é evidente, reportava-me aos  auto-considerados modelos de homens "quase" perfeitos que usam a política como trampolim  para vôos mais altos, do tipo cherne barrosão, que é como quem diz políticos fugidios que saltitam sem mais nem para quê do governo para comissários europeus, administradores bancários ou similares. O programa anteriormente plasmado da Quadratura do Círculo, dá-nos uma ideia próxima de quão preciso é recorrer a uma linguagem esteriotipada para caiar o oportunismo instalado na mente dos actores políticos. A perfeição é um mito que todo o homem de bem deve tentar alcançar, e a norma é tanto mais premente quanto maiores forem as responsabilidades de cada um.

Sem o querer encaixar neste quadro, Marcelo Rebelo de Sousa é talvez o Presidente da República eleito desde o 25 de Abril que mais tem surpreendido o país. Ainda é muito cedo para opiniões conclusivas, mas é por demais evidente que o seu estilo descontraído, cooperante, afectuoso, e pouco convencional, tem merecido rasgados elogios por uma grande franja da opinião pública. Neste aspecto também eu aprecio o género. Naturalmente, há sempre aqueles que criticam tudo, até a bondade - que é das melhores qualidades humanas -, mas temos de dar um desconto, porque esses fazem da má língua e da calúnia um modo de ganhar a vida, por sinal com sucesso e muitos seguidores.

Excluindo esta espécie, muito prolífica em Portugal, duvido que a maioria dos portugueses não olhe para o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa com simpatia e alguma confiança. Mas, como disse há dias José Pacheco Pereira (com certa razão), será preciso ao actual P.R. controlar um pouco esta nova forma de presidir, porque a função do cargo assim o exige. Trata-se de moderar, não de mudar de estilo. Lá chegará o dia em que terá necessidade de se resguardar por efeito de uma qualquer situação delicada. Continuando neste ritmo, acelerado e dialogante, sobre tudo e sobre nada, a margem de manobra para a contenção será curta se um dia tiver de falar de assuntos importantes, ou impopulares. Nessa altura, o povo terá dificuldade em compreender a mudança. Oxalá me engane.

Marcelo decidiu, quanto a mim bem, comemorar o dia de Portugal em Paris, junto dos emigrantes, uma originalidade que outros nunca ousaram levar por diante. Esteve bem quando discursou junto de François Holland, da maire de Paris e da comunidade lusa. Seria "perfeito" se um dia depois não tivesse exagerado na linguagem com o intuito de alimentar o patriotismo dos presentes. O entusiasmo fê-lo cair numa autêntica ratoeira, precisamente por falar demais.  Esquecendo-se que estava em França, num país anfitrião, e como convidado, disse qualquer coisa como isto: os franceses são excepcionais, mas nós somos muito melhores!

Se quisermos avaliar estas declarações à luz do nacional-porreirismo, como um  estimulante sopro de orgulho para os emigrantes, esquecendo o país de acolhimento onde estas palavras foram proferidas, nada há a objectar.  Sucede, é que esse argumentário nacionalista podia (e ainda pode) ser interpretado pelo país anfitrião, no mínimo, como  soberba, como uma coisa deselegante, com odor a ingratidão. Afinal, qual dos dois países deu as melhores condições de vida aos portugueses em termos de dignidade humana? O país de origem, ou aquele que os acolheu?

Estes orgulhos de circunstância, assentes num passado de país de descobertas, colonizador - que hoje mesmo coloniza "o resto do país" com o centralismo -, que flutua num presente de prosperidade dúbia, e ainda lança para a emigração muita gente, a mim, provocam-me vergonha. É verdade que hoje em dia, toda a Europa está doente, mas não me importava nada de trocar a paz pôdre portuguesa, pela instabilidade da França.

Cá entre nós que ninguém nos ouve: os franceses (e não só) estão a pagar caro o preço de já terem sido um país "el dorado"  para muitos povos, incluindo os portugueses, e de lhes terem escancarado as portas de entrada.

Afinal, a onde é que está a nossa grandeza contemporânea, para lá da bazófia? Exmo. Sr, Presidente: optimismo, venha ele. Demagogia já temos que chegue.   

09 junho, 2016

Mais um reforço do Clube Bilderberg...


...para o meio campo de um futuro mais que promissor, garantido. Como tem sido norma com os ilustres convidados.

Tudo, a Bem da Nação, como é visível e notório... Agora é que o Mundo vai ser um paraíso. Ah, grande mulher! Ah, grande clube! Não tarda nada supera o Benfica.

Estado assume dívida de Luís Filipe Vieira ao BPN


Dívida de 17 milhões de euros passou para a Parvalorem. Falta ainda apurar se resultou de esquema fraudulento, avança o "Diário de Notícias".O presidente do Benfica e um sócio estão há quatro anos a ser investigados acerca do seu alegado envolvimento num esquema fraudulento que prejudicou o BPN. Mas os prejuízos da operação, avaliados em 17 milhões de euros, já foram transferidos para o Estado, que arcará com eles.
Segundo a edição desta quinta-feira do “Diário de Notícias”, o Estado, através da Parvalorem (empresa que gere os créditos do BPN), herdou uma dívida de 17 milhões de euros dos empresários ao banco. Esta dívida poderá ter sido gerada por uma burla orquestrada por Luís Filipe Vieira e o seu sócio Almerindo de Sousa Duarte, uma situação que ainda está sob investigação e da qual o "DN" dá alguns pormenores.  

O crédito estava colocado no BPN IFI em Cabo Verde mas, segundo relata o jornal, o BIC, liderado por Mira Amaral, recusou-se a herdá-lo, pelo que o encargo ficará à responsabilidade da Parvalorem.

(Negócios.pt)

Nota de RoP:
Isto é o que chama transparência de gestão desportiva, ou pessoal, não sei. Acresce, o "célere" trabalho de investigação da Justiça lisbonária. Isto deve ser só para não os acusarem de laxismo, ou mesmo conivência. No fim, vai tudo ficar na mesma, vão ver. Ou, na melhor das hipóteses, só se atrevem a metê-lo na gaiola quando já não estiver no "mais maior grande" clube do espaço sideral...e arredores. 

Aposto que não resultou de um esquema fraudulento. Nem pensar! Isso, é lá mais para o Porto, lá longe, com apitos pintados a ouro e cheiro a fruta. Os vauchers são apenas uma leve marca da hospitalidade e boas maneiras do clube do regime. Nada mais que isso.

08 junho, 2016

RUI MOREIRA ARRASA CCDR-N POR CAUSA DOS FUNDOS COMUNITÁRIOS

“Critérios misteriosos e arbitrários, injustos e incompreensíveis”. Assim classificou Rui Moreira, esta terça-feira, o processo de atribuição pela CCDR-N das verbas comunitárias relativas ao programa Norte 2020
Após ter rejeitado, a semana passada, assinar o documento sobre fundos europeus destinados ao desenvolvimento urbano – tal como os congéneres Matosinhos, Vila Nova de Gaia e Gondomar –, o presidente da Câmara do Porto voltou a questionar a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) durante a reunião do executivo camarário que teve lugar esta manhã.
“A história deste processo não pode ser reescrita em função de conveniências político-partidárias que encaixem mais ou menos bem nas narrativas emanadas pelos diretórios partidários”, assinalou Rui Moreira, citado pelo Porto.pt, o portal da autarquia.
Recorde-se que pouco depois de ter sido conhecida a nega de vários municípios aos critérios da CCDR-N, o presidente desta entidade, Emídio Gomes, foi afastado do cargo pelo Governo.
“A disparidade é clara e gritante. Por que razão cada munícipe de Santa Maria da Feira, Vila Nova de Gaia ou Gondomar tem menos de 100 euros de fundos comunitários até 2020 e um de São João da Madeira tem 347 euros e Espinho 312? Qual é o critério? Porquê?”, referiu o autarca portuense.
Assim, “e não havendo critérios nem justiça”, Moreira deixou no ar várias perguntas: “Por que razão Gondomar ficaria com 8,4 milhões de euros a menos do que mandaria o critério populacional? E por que ficaria Paredes com menos 2,4 milhões? E qual a razão para que Valongo fosse prejudicada em 2,6 milhões?”
Rui Moreira falou ainda em solidariedade, ou falta dela, dos concelhos que foram “claramente beneficiados na simpática distribuição dos fundos” para com os municípios que acabaram por sair prejudicados.
“Poder-se-ia dar o caso – e seria legítimo até – que o Porto, ao reclamar aquilo a que tinha direito obrigasse à redução da parcela atribuída a outros municípios. Do Norte, ou da Área Metropolitana. Não foi o caso. O Porto deixou que os municípios do Norte obtivessem o seu quinhão; não foi ouvido sobre o que cabia à Área Metropolitana do Porto. Reclamou sozinho durante dois anos enquanto os outros iam tratando das suas vidas. Não se queixou por esses municípios deixarem o Porto sozinho. Mas não se vergou”, sublinhou.
Refira-se que PS, PSD e PCP, os partidos representados no executivo municipal do Porto além da lista independente de Rui Moreira, referiram durante a reunião desta terça-feira estarem de acordo com a tomada de posição do autarca.
[Porto24]
Nota de RoP:
Rui Moreira tem razão. Curiosamente (ou nem por isso), foi Emídio Gomes o recém exonerado Presidente da CCDRN, agora membro da estrutura directiva do FCPorto, quem resolveu desobedecer ao que estava combinado, enviando o contrato de acordo para assinar, sem levar em consideração o que já estava negociado (graças a Rui Moreira), demonstrando que não é homem para causas e sim para conveniências partidárias. É com este rigor que agora o FCPorto escolhe os seus colaboradores. Antes, apoiou Luis Filipe Menezes nas autárquicas do Porto, agora chamou para o FCPorto Emídio Gomes. 

Será que também me vão processar? Deixa-me estar caladinho senão ainda me acontece qualquer coisa...

06 junho, 2016

Tomados pela extrema-esquerda


Percebe-se o desespero de professores em risco de ficarem no desemprego. Tal como se percebe o empenho dos pais nas manifestações de colégios com história, com recursos e, em muitos casos, com resultados escolares acima da média. O que não se entende é a forma distorcida como o problema tem sido levado para as ruas, perdendo de vista os factos.

Os contratos de associação existem, à luz da lei, para complementar a rede pública onde esta é insuficiente. Foram ao longo de décadas mantidos muito para além desta fronteira. E os seus defensores não se apercebem das enormes contradições em que caem na argumentação usada. Havendo oferta pública, o apoio a estes colégios mas não a outros viola as regras de concorrência no mercado privado. E a liberdade de escolha em momento nenhum está posta em causa: apenas quem a financia.

É verdade que muitas das escolas até aqui com contratos não têm futuro sem este financiamento. Haverá desemprego, como há na rede pública. Mais de 23 mil professores ficaram sem colocação no início deste ano letivo e as mudanças demográficas têm levado ao sucessivo encerramento de centenas de escolas.

Há erros evidentes do Governo na gestão do processo, dialogando pouco e demonstrando lapsos escusados nos estudos que fundamentaram a decisão. Deveria ter sido dado mais tempo às escolas para se adaptarem ou estudarem alternativas. Mas o tempo, no essencial, seria apenas isso: o adiamento de uma mudança inevitável se quisermos cumprir a lei e ser justos na relação entre o Estado e o setor privado.


Os contratos de associação não foram criados para premiar as escolas com bons resultados, ao contrário do que tem sido invocado. Nem para permitir o acesso de crianças socialmente desfavorecidas a colégios. Dizê-lo é desvirtuar a realidade. E não é por ser tantas vezes repetida que essa argumentação passa a verdadeira.

Para cumprir a Constituição, o Governo - qualquer Governo - está obrigado a gerir recursos que assegurem um ensino tendencialmente gratuito capaz de contribuir para a igualdade de oportunidades e a superação das desigualdades económicas, sociais e culturais. Numa escola pública em que caibam todos, a não ser os que livremente fazem outra escolha. Se defender isto é ser de extrema-esquerda, pelos vistos somo


(Inês Cardoso, JN)

05 junho, 2016

Sub 19 do FCPorto, Campeões Nacionais!

Comandados por Folha, os sub 19 festejaram mais um título

Já  tantas vezes falei  dos nossos inimigos sem os eufemismos branqueadores de alguns patriotras de ocasião que preferem tratá-los com a candura adjectiva de "adversários", que já me chateia ouvir falar do assunto. Não porque me conforme com a situação, bem pelo contrário, mas por nada de verdadeiramente importante estarmos a fazer para nos livrarmos deles. E isto passa-se na política como no desporto. Quem tiver a ilusão que são coisas distintas, então que se deixe de queixas e se cale para sempre. Portanto não me admira mesmo nada que esta boa notícia para o desporto jovem, nem sequer seja citada telegraficamente pelos intocáveis media da porcaria da capital.

Ainda hoje, me se me reviraram as tripas com esta notícia do JN e com os comentários qua alguns cretinos fizeram com as insinuações cínicas do costume, tentando associar a volência aos gajos do norte. Como me tenho como gente de bem, que repele a violência gratuita, estar-me-ia a contradizer se aprovasse actos desta natureza. Não aprovo mesmo. Mas, há limites para a tolerância.

Dito isto, não posso fechar os olhos às injustiças e sectarismos permanentes praticados por certos árbitros contra alguns clubes, como é disso exemplo o FCPorto. Sabendo da ladaínha do costume de portugas básicos que se incomodam com estas denúncias [como se fossem exemplo para alguém], não quero com isto dizer que o FCPorto merecesse ganhar o campeonato pela qualidade do futebol praticado, mas não ando a dormir para ver o que os árbitros toleram às equipas de Lisboa e o que não perdoam ao FCPorto. E isto, aplica-se a todas as modalidades. Se estão à espera que aplique a treta dos treinadores que só criticam os árbitros quando prejudicam a sua equipa de momento, mas que quando estão no desemprego logo mudam o discurso para a ambigudade de que no final das contas sai tudo empatado, e que os clubes grandes são sempre os mais beneficiados, bem podem esperar sentados porque não embarco nessa nau. Não é bem assim, porque o FCPorto tem sido tratado como equipa pequena. 

Mais. O discurso da não violência faria sentido usá-lo por quem tivesse consciência de viver num país civilizado onde os órgãos da justiça, civil e desportiva, estivessem acima de qualquer suspeita e funcionassem. O problem é que não vivemos num país desses. O civismo é coisa que os portugueses estão longe de saber o que é. Só quem nunca saiu daqui, ou os políticos é que "acreditam" nisso. Há gente ligada à justiça e à política que têm  comportamentos abaixo dos quadrúpedes, que até fazem incitamentos à violência e que não se importam de publicamente mostrar o seu sectarismo quando se sujeitam a entrar em programas de qualidade duvidosa e não se inibem de se portarem como o mais fanático dos adeptos.  Somos nessa matéria uma vergonha. 

Por isso, como a injustiça é a semente de todos os ódios e guerras, não me choca nada que quando essa Justiça fecha os olhos às discriminações que se praticam fora e dentro dos recintos desportivos pelo facciosismo e desonestidade de certos árbitros, alguns espectadores percam o controle e cheguem a roupa ao pêlo a certos vigaristas vestidos de negro que se passeiam impunes nas nas barbas do país. Só digo isto: se no jogo em causa o árbitro foi mesmo descarado e gatuno, foram poucas as que levou. O mesmo devia ser feito a certos "jornalistas" pelo ódio que andam a semear há muitos anos. 

Chega de comer e calar.
  

02 junho, 2016

Agora que há treinador, é comer e calar

Sinto-me algo isolado nas convicções que venho mantendo em relação à crise que se instalou no FCPorto. Há um grupo de portistas que partilham amiúde das minhas inquietações, eu sei, mas como disse anteriormente, decepciona-me ver tantos a assobiar para o lado, fingindo que não sabem onde está o centro dos problemas. Ou, se acanham, com receio de serem mal interpretados, acusados de falta de gratidão, ou preferem esperar (mais uma época) para ver no que dá. Como quer que seja, se quisermos fazer avaliações ponderadas sobre o assunto, deixando em banho-maria a objectividade, colocando em seu lugar questões de fé, é inútil andarmos a pregar todos os dias das maleitas do doente (FCPorto) se recusamos aceitar o diagnóstico da doença.

Se insisto nesta postura de cepticismo, é porque já cheguei à conclusão que o timoneiro não só perdeu qualidades, como hoje tem nas mãos "barcos"  a mais para pôr a navegar na rota certa (do êxito). Um deles chama-se Porto Canal. Além de continuarmos sem termos garantias de competitividade que implicam luta, dentro e fora do campo, nada sabemos (uma vez mais) do rumo que se entende dar ao Porto Canal. Porque, tal como está agora, nem para quem lá trabalha pode interessar, a não ser por mero comodismo ou falta de ambição.

Será que o presidente leva mais a sério a burocracia da SAD, que o futuro desportivo do FCPorto e pensa que também não deve explicações aos adeptos?  Não havendo uma estratégia de comunicação bem gizada, um plano programático que satisfaça as carências regionais e clubistas, que comporte a irreverência e a combatividade, para que serve um negócio que abdica da sua concepção genética? Passe o exagero, de que serve um rádio, sem som? Uma televisão híbrida, sem imagens, ideologicamente pobre? Já não bastam as que temos em Lisboa, que frequentemente e à mesma hora estão todas a dizer a mesma coisa? Será possível que alguém dentro da SAD considere o Porto Canal uma aposta bem sucedida? 

Há certos tabus que têm de acabar na actual organização do FCPorto. A blindagem de outrora não faz sentido hoje no clube, e muito menos no Porto Canal. A televisão é mais do que uma ferramenta, é uma arma. Uma arma, que outros têm usado e abusado para "destruir" o FCPorto e de que nós abdicamos, até para nos defendermos.  E eles lá em Lisboa não têm só uma, têm várias e manejam-nas conforme entendem sem preciosismos de consideração e respeito por nós. Não foi isso que ainda ontem Pinto da Costa disse? Que estavam a tentar matar-nos (o FCPorto)? Quem são os nossos inimigos? O Miguel Sousa Tavares? O Pedro Marques Lopes? O Renovar o Porto, que ele nem sequer lê? Quem, senhor Pinto da Costa? Não me responda a mim, responda ao universo portista que vai muito para lá do universo dos super-dragões.

Será com isto que vamos ter de viver nos próximos tempos? Nesta angústia, com este clima de fragilidade, sujeitos a tanta humilhação? Será este o peso que Nuno Espírito Santo também vai ter de suportar como treinador do FCPorto, ou haverá alguém na administração que assuma essa responsabilidade? São estas as respostas que não temos. Os discursos abstractos nunca foram o forte de Pinto da Costa. Podiam ser mordazes, pouco simpáticos, mas eram pragmáticos, e nós até gostávamos das comichões que eles geravam nos nossos adversários saloios. Como Mourinho, a simpatia nunca foi o seu forte, mas era eficaz. Tal como Pinto da Costa foi.  


31 maio, 2016

Opinem, opinem, e não falem do essencial...

Cada cabeça cada sentença
Respeito a opinião de todos estes portistas, embora me identifique mais com a de Carlos Tê. Como disse anteriormente e repito, para mim na actual conjuntura dirigente do FCPorto, não é a constituição do plantel, nem a escolha do treinador que mais me preocupa, é a liderança.

Se não invertermos as prioridades, se não cairmos na abstracção e ignorarmos a realidade tal qual ela se nos apresenta, e pensarmos que tudo se resume à equipa técnica e ao plantel, estaremos a negar tudo o que dissemos no passado (e bem) sobre a  solidez e competência de Pinto da Costa. Antes, dávamos ao presidente toda a liberdade para escolher a equipa técnica que bem entendesse, porque confiávamos nele, a ponto de nos convencermos que no FCPorto qualquer treinador estava "condenado" ao  sucesso. Agora, a exigência dos portistas está praticamente concentrada em quem vai ser o treinador e os jogadores. Compreende-se, mas dá-me a impressão que para eles o principal problema do FCPorto é a equipa e o treinador, quando a questão é outra.

Depois, começa a tornar-se maçador - de rotineiro que passou a ser -, vasculhar o passado deste ou daquele treinador, para daí concluirem se serve ou não para o FCPorto. Já se esqueceram que Mourinho era um ilustre tradutor de Robson e pouco mais, quando chegou ao clube e fez o que fez. Isto, depois de ter passado pelo Benfica com o moralizador currículo de nada ter feito. Fernando Santos tinha consigo a experiência de ter treinado esse colosso chamado Estrela da Amadora. Jesualdo Ferreira, idem aspas. Enfim, agora ninguém serve. Nem Nuno Espírito Santo que em termos de carácter é bem mais portista que Victor Baía. Nunca se queixou quando ficava no banco. Vi-o a defender a equipa como poucos. Contudo, não me arrisco a dizer se ele vai ser, ou não, bem sucedido, porque se dantes podíamos confiar praticamente em qualquer um, porque tínhamos um líder forte, hoje duvido que Simeone, ou Guardiola, fossem bem sucedidos mesmo com um bom plantel, mas com esta liderança permissiva de agora. 

Só isto, explica em parte, por que é que os portugueses apesar de andarem há 42 anos a serem mal governados, discriminados, explorados mesmo, continuam a votar maioritariamente nos mesmos partidos que os desgraçaram. No entanto não me parece que essa maioria tenha a vida fácil, ou viva dos rendimentos...Vá lá, que desta vez pode ser que consigamos respirar um bocadinho melhor, graças à coligação insólita do PCP/Bloco de Esquerda com o Partido Socialista! Até Marcelo Rebelo de Sousa foi contagiado! Para melhor, quanto a mim.

Metam um coisa na cabeça, só quando Pinto da Costa disser que não vai mais permitir abusos, discriminações contra o nosso clube, quando nos provar que está preparado para enfrentar o centralismo pelos cornos, como tão bem sabia antigamente, é que podemos passar a discutir com a devida prioridade a questão dos treinadores. 




29 maio, 2016

Moncho Lopez conseguiu escapar à crise. Parabéns redobrados!



Como se previa, a crise de liderança instalada ao mais alto nível na estrutura directiva do FCPorto, reflectiu-se noutras modalidades que também muito prometiam pela excelência dos seus jogadores e treinadores (hóquei e andebol). Tanto numa, como noutra destas duas modalidades, não notei qualquer decréscimo em termos qualitativos, quer no que respeita a jogadores, quer a treinadores. Bem pelo contrário. 

No andebol, acho até que desenvolvemos um tipo de jogo mais coeso e espectacular que no tempo do insuspeito e fantástico Obradovic. Contudo, não escapamos à vergonha do proteccionismo das arbitragens que beneficiaram como vem sendo hábito, os nossos adversários da capital nos jogos decisivos, porque fomos mansos. O mesmo se aplica ao hóquei, muito embora aqui o factor juventude tenha contribuído também para o insucesso. Tudo isto torna o trabalho de Moncho Lopez duplamente louvável. Mas, isto não pode nem deve servir para branquear o efeito dominó que uma gestão descuidada sempre provoca nos atletas de um clube, seja em que modalidade fôr. A excepção foi o basquete, e provavelmente um ou outro escalão de formação (sub 19).

Tive o ensejo de ler as declarações aparentemente emocionadas de Pinto da Costa, em Espinho, no almoço de aniversário da conquista da Champions de 1987.  Aqui vai um excerto:


Luta contra o centralismo

“Se nos atacam desta forma é porque não nos consideram mortos, mas querem-nos matar. Desde jovens que fomos habituados a ouvir que o FC Porto, para vencer, tem que ser muito melhor do que os outros. Temos de estar atentos ao fenómeno que as nossas vitórias causam num país centralista, no qual os jornais teimam em ignorar-nos, sabendo que sempre somos obrigados a pagar o preço do nosso sucesso. No dia em que jogámos a final da Taça de Portugal, um jornal desportivo ignorava-o e trazia uma grande fotografia do Jorge Jesus. Mas no dia seguinte, só porque o FC Porto perdeu, o jornal já fazia primeira página com a vitória do Sporting de Braga.”

Vejamos: estas declarações não cheiram a prato requentado? Será alguma novidade para qualquer portista que tenha os olhos bem abertos, o que ele disse? Afinal, quem é que deixou de estar atento ao que dizem e escrevem os media centralistas? Nós, ou ele? Não foi ele quem abriu as portas a uns cavalheiros com responsabilidades nesses pasquins de Lisboa na gala do Dragões de Ouro? 

Não é a discutir o sexo dos anjos que pessoalmente me convenço que algo de importante está para acontecer para melhor num futuro próximo do FCPorto. Não é assim que se restaura a união, e se acaba com a especulação, é reconhecendo erros próprios e dando garantias que não voltam a acontecer,  e esses erros foram explícitos pelo silêncio e pela indiferença face à discriminação de que ele agora se queixa e que todos estamos cansados de saber.

Sendo assim, por que é que Pinto da Costa em vez de repisar no que já sabemos de ginjeira, não nos garante o que precisamos de ouvir? Por quê? Isto parece mais o jogo do gato escondido com o rabo de fora, que uma declaração de regresso à combatividade, que é o que o FCPorto precisa. Disso, e de uma estratégia de comunicação franca, destemida e aberta, sobretudo com o universo portista. 

Para mim, não é o treinador nem os jogadores que mais me interessam, é a consistência e a frontalidade de quem lidera. Se esta for garantida, o resto virá por acréscimo, como sempre foi, aliás. Não me meto a dar palpites sobre quem vem ou deixa de vir, desde que o mais importante seja garantido. E o mais importante, é sem dúvida, a força da liderança. Não me sinto incomodado por dizer aquilo que convictamente penso, nem belisco em nada o meu portismo, estou à vontade. O FCPorto não é uma única pessoa, por mais que ela tenha feito pelo clube, são todos os portistas, sejam eles sócios ou adeptos.


25 maio, 2016

Bairrismo

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Em contra-ciclo com a corrente lisbonária que durante anos procura intoxicar os portuenses pelo seu excesso de bairrismo, e que para desgosto nosso, foi acarinhada por alguns híbridos do burgo - com, e sem responsabilidades públicas -, sempre me opus a esse embuste de urbanidade made in Lisbon.

Em primeiro lugar, porque nunca lhes reconheci a abertura intelectual nem a tolerância próprias de uma cidade cosmopolita que sabe absorver naturalmente a cultura mundana, tanto na qualidade de anfitriões como de visitantes.  Bem pelo contrário. O lisboeta vulgar é sectário, invejoso, saloio e arrogante. Tem a típica mania dos novos ricos, daqueles que tudo fazem para parecerem muito mais do que efectivamente são. Muito mais cultos, mais espertos, mais civilizados, enfim, melhores em tudo. Comportam-se como se o epicentro da virtude humana emanasse de um único ponto: Lisboa. 

Não estou com isto a dizer que em Lisboa não há gente boa, culta e acima de preconceitos, porque ela existe lá, como em toda a parte, só que pouco se revela. Não estou tão pouco a insinuar que os portuenses são todos bons rapazes e superiores a qualquer outro português, de Lisboa a Freixo-de-Espada-à Cinta. O que quero dizer, e tenho como dado adquirido, é que, enquanto o país inteiro é obrigado a olhar para Lisboa por força de um mediatismo hiper-centralista (ene canais de tv, rádios e jornais) o resto do país mal pode dar-se a conhecer pelos mesmos meios, pela simples razão de não os ter.

O Porto, só há poucos anos dispõe de um estação de tv, e mesmo assim em canal fechado. De resto, tudo está concentrado na capital. Digam o que disserem, nenhum cidadão de Lisboa pode contrariar esta realidade: os lisboetas são mais observados que observadores. Comparada com o resto do país - e cuidado que digo resto do país  inconformado -, Lisboa é o palco, a estrela, os "outros" são espectadores, sem direito a aplaudir, ou a rejeitar. Logo, estando mais habituados a olhar para o país a partir do próprio umbigo, com a miopia daí derivante, só o podem ver desfocado, por isso limitam-se a especular, quase sempre secundariamente. No extremo oposto, fica o resto do país, que dessa discriminação medieval só tira uma vantagem: uma ideia mais fiável àcerca do que pensa um lisboeta em relação à "província", do que a noção real de um lisboeta sobre o que pensa e sobretudo sente, o resto do país... Por mais que o neguem, isto é inegável, porque são factos físicos, palpáveis, comprováveis, não apenas emocionais.

Como as coisas são mesmo assim, e não de outra forma, é legítimo dizer que também pela televisão se pode conhecer relativamente bem, não só a mentalidade dos que lá trabalham, como os personagens que ali colaboram, desde actores a políticos e jornalistas, etc.,etc. E é aqui que entra a sabedoria do tempo que ninguém pode negar, sem se assumir embusteiro. Durante longos anos a ver o Porto a ser lesado económica, política e desportivamente, caluniado e até gozado pela sua pronúncia em programas pseudo-humoristas (excluo o Herman, e outros como ele, porque sei distinguir o humor da maldade), não vi nem ouvi um único lisboeta a insurgir-se contra essa segregação miserável. Um único! Mas também (e é aí que dói mais) não vi muitos nortenhos, "portuenses" e até portistas que tiveram oportunidade para o fazer, a indignarem-se com veemência, mas apenas a sussurrarem tímidos lamentos em obediência à mui respeitável avença. Todos se deixaram esmagar pelos recados anti-bairristas e "portocentristas", mais os Big-Brothers estupidificantes, até se tornarem híbridos, assobiadores pipoqueiros despojados de alma, e de Porto.

Quando atrás falei da televisão do Porto, referia-me naturalmente ao Porto Canal sem tocar na sua utilidade, porque aí estamos conversados. Não quero repetir-me, mas porque detesto generalizar, sempre lamentarei que  o efeito dominó do peso da mediocridade acabe por ensombrar programas como "Os caminhos da História", as entrevistas de Walter Hugo Mâe e poucos mais. Tal como sucede na gestão do FCPorto dos últimos 3 anos, a qualidade programática do Porto Canal foi um fracasso e não se vislumbra sinal nem vontade de mudança.

Quando lembro uma frase do Director Geral Júlio Magalhães, que intitulava uma sua entrevista dada à Meios & Publicidade onde dizia  "Os canais de Lisboa não querem saber do país para nada", e depois verifico o tipo e a origem dos convidados e entrevistados (lisboetas), e uma programação política e regionalmente pobre, acrítica, indolente e visivelmente subalterna, tenho tremenda dificuldade em acreditar que toda aquela gente goste do Porto.

Bolas, ninguém lhes exigia que fizessem do Porto Canal um antro de mediocridade arruaceira. Queríamos apenas equilíbrio, resiliência, combatividade, orgulho, bom gosto, seriedade e sobretudo muita originalidade. Nada de debates pseudo-desportivos comprados e tendenciosos, como o Dia Seguinte, ou aqueles de chinela no pé como o "Prolongamento", mas apenas um pouquinho de coragem para não nos fazerem passar por aquilo que nunca fomos: submissos e complexados.


23 maio, 2016

Sobre o respeito...

...direi que é um sinal de boa educação e consideração que muito prezo mas que só funciona na plenitude se fôr recíproco. Digam lá se quando dão prioridade de passagem a outro condutor (sem violar as regras do trânsito) para lhe facilitarem a vida e o próprio tráfego e o gajo não tem um simples aceno de mão para agradecer não ficam logo arrependidos pela cortesia? Há alguns, que até dão vontade de irmos atrás deles para lhes perguntarmos se são órfãos, ou filhos de pais incógnitos que não lhes deram educação. A arrogância é algo que me repele, que me enoja e faz pensar o pior possível de quem gosta de a exibir.

Não é a este tipo de educação e respeito que me quero referir, é de outro género. Reporto-me ao que alguns portistas invocam quando outros criticam o presidente (de agora) do FCPorto, a pretexto do bem que ele fez no passado. Compreendo, mas só parcialmente. Por outro lado, acho isso tão absurdo como a mulher que sempre amou e respeitou o marido e se habituou a ver no companheiro um amigo responsável, e de repente constata que ele mudou, que já não quer saber dela para nada, nem assume as suas responsabilidades familiares tornando-lhe a vida insuportável. Pergunto: não será legítimo que, se não houver um diálogo franco para uma tentativa de reconciliação, e o reconhecimento de culpa por parte do marido, a mulher perder-lhe o respeito? A não ser que seja daquele tipo de mulheres masoquistas daquelas parecidas com certas prostitutas que até gostam que o chulos lhes arreiem no pêlo. 

Mal comparando a analogia com o exemplo anterior, acham que Pinto da Costa continua a merecer o mesmo respeito que merecia quando governava com zêlo e defendia com unhas e dentes o FCPorto? Não foi por ser combativo, bairrista (sim, bairrista!) que ergueu o FCPorto para os patamares de grandeza que conhecemos? Acham que ele ainda conserva essas características? Que tem tido muita consideração e respeito pelos portistas? Pois eu acho que não. Que me interessa se ele foi reeleito se já não acredito nas suas capacidades?

Já falei da falta de comunicação, já falei do silêncio, já falei no negócio com a MEO que privou os portistas do Porto Canal, já falei do aburguesamento, já falei da humilhação da presença de inimigos do FCPorto nas galas do Dragão, enfim, um rol de comportamentos que são o oposto do que fez dele o homem admirado e respeitado por todos os portistas. Esse homem, reconheceu e assumiu frontalmente que errou ? Garantiu-nos que tencionava mudar de atitude? Que não ia mais permitir abusos de quem quer que fosse que prejudicassem o nosso clube? Ouviram-no garantir isso? Então, é porque não tenciona fazê-lo, e se assim fôr, então é altura de deixar o clube.

Claro que, para muitos portistas quando ele sair irá deixar no ar um sentimento de perda, porque ainda têm bem frescas na memória as glórias que conquistou à frente do FCPorto. Mas isso, é se ele quiser sair em grande (coisa em que não acredito), porque se continuar agarrado ao poder sem vencer, os adeptos vão chegar a um ponto que vão querer despachá-lo à força. Ora, pessoalmente, acho que seria bom para ele e para o clube evitar essa situação. Era acertado reconhecer naturalmente já não ter capacidade para lutar pelo clube como outrora, que o deixasse para manter bem vivas as boas recordações. Porque não basta afirmar que se sente bem de saúde se estiver condicionado física e intelectualmente. Mais do que administrar, é preciso comandar, lutar pelo FCPorto! Não quero acreditar que ele já tenha esquecido que o FCPorto foi, e continua a ser, um clube negativamente discriminado, e que para nós não chega negociar bons treinadores e bons  jogadores. Para o FCPorto é preciso, antes de tudo, um guerreiro ao comando, um lutador, já que muitos portugueses, incluindo portuenses, vivem imbecilizados pelo narcótico nacional-benfiquista porque esse guerreiro, chamado Pinto da Costa, agora baixou a guarda e deixou de lutar.

Vai ser difícil encontrar alguém com o perfil do Pinto da Costa do passado, mas a vida continua e não há gente insubstituível. Não é fácil. Cabe aos sócios saberem fazer a escolha certa. Se votarem com o rigôr que elegem os governantes, então vamos ter problemas.


22 maio, 2016

Batemos no fundo não foi sr.Presidente? E V. Exa., não?

Pois é, a sorte nem sempre bate à mesma porta e à mesma hora. Como se viu, não foi garra que faltou à equipa, foi tudo o resto que é necessário para ter direito à estrelinha de campeão.

Nem sequer me atrevo a criticar a defesa portista, já que os dois golos do Braga foram oferecidos de bandeja pelo tresloucado Helton. Outros tantos podíamos ter sofrido por asneiras semelhantes. No 1º. ele sai prematuramente da baliza deixando os dois defesas convencidos que ia ganhar a bola. Não! Saiu da baliza sem convicção nenhuma e deixou os companheiros com o ónus da responsabilidade pelo golo sofrido. No segundo, em vez de pontapear a bola para longe, para o campo do adversárrio decidiu passá-la a um colega que tinha à ilharga um adversário que aproveitou a asneira para a roubar e marcar o 2º.golo. 

Nos penalties, não esteve próximo de defender um único. Umas vezes lançava-se para o lado mesmo antes do jogador adversário chutar a bola. Antes do prolongamento parecia estar com os copos a chutar a bola quando a queria repor em campo sem sequer nela acertar. Uma nódoa completa. Para mim que até nem costumo individualizar os erros, foi o principal responsável pela perda do único trofeu que nos restava para conquistar. Acho que devem renovar contrato com ele, assim como com o Varela...

Quem não foi capaz de corrigir erros velhos é porque nunca mais vai apender. Para mim, o presidente, agora sim, é finito. Lamento, mas já não tenho dúvidas nessa matéria.  

17 maio, 2016

Carta aberta a um destinatário improvável


Pinto da Costa festejou aniversário no museu


Senhor Pinto da Costa,


Depois de tomar conhecimento de própria voz, que não lê, nem quer saber de blogues, gostava mesmo assim, de lhe colocar algumas questões, não cara a cara, porque o senhor agora se esconde, mas como se estivesse a falar a Deus, que segundo a fé cristã está em toda a parte. Talvez seja essa a via indicada para comunicar a seu gosto. Pretendo questioná-lo sem esperar que me responda, até porque segundo os seus critérios informativos, sendo eu autor de um blogue, não mereço a respeitabilidade de jornais íntegros, como a Bola, o Record e do JN à moda do Bairro Alto.

Quem sabe resida nessa sua superioridade divina a explicação para a compra de um canal que devia servir para comunicar com os nossos, mas que em vez disso, optou por se transformar num pobre estúdio de gravações, candidato a copiar o pior da saloíce lisboeta. Não imagina, como fico impressionado e altamente confiante no futuro do FCPorto, quando vejo os colaboradores do Porto Canal, a começar pelo seu Director Geral, sempre muito empenhados em tranquilizar os lisboetas jurando a pés juntos que o Porto Canal não é, nem será um canal só para o Porto e para o Norte... Não calcula o quando me orgulham estas manifestações de cosmopolitismo, e de carácter...

Até a Maria Cerqueira Gomes, sr. presidente, aquela miúda gira e divertida que tanto prometia e a quem em tempos aconselhei alguns cuidados com o sucesso, já assimilou a cultura do beija-mão à capital. Sabia que até naquela página do jornal Dica da semana do Lidl dedicada às meninas "famosas", a Maria repetiu aquilo que o chefe Juca decidiu enfatizar para que em Lisboa não pensem mal de nós? Cautelosa, Maria afirmou: " desengane-se quem espera ver um programa sobre o norte do pais. Não é centrado na região. É feito no Porto, mas isso não significa que seja apenas sobre o Porto, pelo contrário"... Claro Maria, só do Norte? Credo! Que horror, nem pensar! O Porto Canal seria incapaz de fazer uma desfeita dessas ao Sul, sobretudo à capital, que sempre nos tratou com tanto carinho e consideração, na politica como no desporto! Aliás os lisboetas estão sempre preocupados com o Norte, até nem desviam verbas que nos são devidas para Lisboa, nem nos rapam fundos europeus. A TAP, e o aeroporto Sá Carneiro são alguns exemplos, e o Metro do Porto também, que como se sabe, não pára de crescer... Por que havíamos nós então de ter uma televisão exclusivamente para a província? Lisboa tem para aí uns dez ou doze canais, hiper-centralistas, mas que mal tem isso? O que é preciso é ajudar Lisboa sem complexos provincianos, mesmo que continue a ostentar a coroa da capital do país mais centralista da Europa!

Finalmente, senhor Pinto da Costa, vamos às perguntas. Diga lá, sem me responder:

  • o que acha que os nossos amigos lisboetas (dos clubes locais e não só) pensarão da sua actual política de comunicação para defender o FCPorto? Acha que ainda o temem? Que olham para si e para o FCPorto com o respeito e a dôr de cotovelo do passado? 

  • dado que só tem olhos e ouvidos para os super-dragões, qual é a sua opinião sobre o estado de espírito da restante maioria dos adeptos quanto ao momento actual do FCPorto? Acha que foi só um mau ano, um acidente de percurso? E os três anteriores? Também foram obra de factores estranhos à sua gestão?

  • uma vez que concordou com o Júlio Magalhães quando afirmou que o FCPorto esta época não tinha razão de queixa das arbitragens, deseja que a próxima seja igual, que eles apitem com a mesma isenção? E já agora, vai continuar corajosamente mudo e teimosamente alérgico aos blogues portistas?

  • irá despedir Bernardino Barros por ter falado no colinho do Benfica, e promover a benfiquista Sónia Balieiro a Directora Geral do Porto Canal, já que o Júlio Magalhães é o que se (não) vê? Olhe que ainda lá está outra irmã (gémea), sabia? 

  • consciente da sua equidistância com as coisas importantes do clube, posso saber (sem mo dizer) de que assuntos fala com os restantes elementos da SAD, além de negócios? Precisando: será que alguma vez admitiu gizar um plano, uma estratégia, para o FCPorto não ser humilhado dentro e fora do campo, como foi este ano? Ou isso nem lhe passou pela cabeça?

  • por último, pergunto-lhe: sente-se bem, confortável com os portistas em geral (são imensos), além dos super-dragões?
É tudo, senhor presidente. Do lugar em que agora decidiu colocar-se, não espero que me responda, isso é lá mais para as pessoas, não para intocáveis. Mas não exagere, faça um esforço.

Diga-me: nem a si próprio se digna responder? Ou, não sabe?


15 maio, 2016

Introspecção

Nem sempre somos como gostaríamos de ser.  Só alguém descomedido, com overdoses de egocentrismo, incapaz de uma introspeção, pode sentir-se plenamente bem na sua pele. Quando assim é, só mesmo estas pessoas acreditam nessa possibilidade. Ou fingem que acreditam.

Pelo menos, é assim que penso. Há quem goste de viver no mundo da ribalta e quem prefira a mais absoluta discrição. Tanto uma como outra tendência, passam a deformidades, "a pratos mal cozinhados", se abusarmos nos condimentos. O melhor, é procurarmos manter-nos o mais tempo possível entre estes dois pólos. Mas, reconheçamos: no mundo em que vivemos, é muito difícil evitar os extremos. E sabem por quê? Porque para nos conseguirmos manter no meio, faz sempre falta o melhor dos moderadores: a JUSTIÇA. Com maiúsculas, entenda-se, e essa, não existe.

Após rebuscada pesquisa aos posts mais antigos do Renovar o Porto (já cá cantam 3.624, desde Maio de 2007), verifiquei que os temas preponderantes dividiam-se entre política e futebol, tipificando-se de per si em centralismo e portismo, o que é significativo... Foi por ser demasiado "perigosa" a simbiose para os adeptos da lisboetização que se inventou a palavra "portocentrismo", para criar a imagem falsa de rivalidade e desintegração. Ora, a negação da Regionalização só tem um responsável: o governo central de Lisboa. Só ele, e os deputados da Assembleia Nacional podem (se quiserem) recuperar o tema da Constituição e pô-lo em andamento. Por essa razão, não admira que 99,9% dos temas tenham andado à volta do mesmo, o que não será estranho, visto serem essas duas causas juntas que inspiraram a criação deste blogue.

Mas, apesar dos sucessivos governos viverem em "estado de graça" desde 1976 por efeito da revisão constitucional de 1997, que propositadamente lhe cravou a obrigatoriedade ao referendo, podendo assim ganhar tempo e manipular o zé-povo com a estupidificação nacional-benfiquista, foram os nortenhos, não apenas do Porto, mas de toda a região, que comeram o isco e preferiram sacrificar as suas gentes do direito a tratamento igual, a separar as águas entre os seus gostos clubistas  dos interesses primeiros no bem estar da região de origem.  Passados estes anos todos, ainda há quem não vislumbre o ardil em que caíram, vivendo com a sua região e famílias a serem discriminadas, só pela velha e salazarenta patranha do benfiquismo sempre colada aos "bons chefes de família"... Isso já não é amor a um clube, é traição aos próprios ascendentes e filhos. É tacanhês cívica!

Houve ainda um terceiro tema preferencial ligado aos outros que atrás apontei: o Porto Canal. Muita esperança acalentei na exploração dessa poderosa ferramenta, que tanta falta nos podia fazer chamada comunicação. E vejam bem, paradoxalmente, agora que mo surriparam da NOS, sem me pedirem licença, nem lhe sinto a falta. Em vez de nos fortalecer, enfraqueceu-nos. Alguém compreende tanta indigência cívica, depois de andarmos a falar sozinhos anos a fio?

Desculpem-me, mas pela minha parte não vou perder tempo com os nossos inimigos. Esses, e os que a eles se curvam, há muito que estão identificados, todos nós os conhecemos... Só quero é saber até onde estarão os "nossos" dispostos a continuar baixando-lhes as calças.

Não por masoquismo, mas para ver se consigo vomitar de uma vez tanta baixeza de carácter. É que isto, não se ganha com jogadores e treinadores. Isto, é outra coisa bem mais séria.  

PS-Hoje, seja qual fôr o vencedor, não vou ver nem ouvir nada que cheire a Lisboa.  O meu país chama-se Portugal e nele está inevitavelmente incluído o nome que lhe deu origem. No falso "país" Lisboa, não há democracia, nem honestidade. Os jornalistas são do pior que há nesta amostra de pátria.

Hoje, como aliás já faz muito tempo, o meu canal vai ser o ARTE e o TV5 Monde, com os quais me identifico como cidadão e pessoa. Hoje não estou para aturar fanáticos e corruptos com véus de primas-donas.  

12 maio, 2016

Estou de volta



Afinal, não foi tão breve quanto esperava o meu afastamento do Renovar o Porto. Tinha de ser, e não estou arrependido. Precisava de arejar um pouco, de me afastar deste pesadelo. Foram muitas as decepções este ano de 2016 para manter a mesma vontade de escrever. 

Foi a política, mas sobretudo o comportamento dos altos responsáveis do FCPorto, a começar naturalmente pelo seu antigo líder, Pinto da Costa, que mais me decepcionaram. Sim, porque da (in)governabilidade política já estamos nós habituados, não obstante a ténue esperança de mudança que a nova constituição governativa possa suscitar.

Desde que me apercebi e me certifiquei que os últimos 3 anos de gestão danosa do FCPorto não foram resultado de causas imprevistas, e que o seu antigo líder já não queria liderar, sem o assumir perante os adeptos, focalizei o meu desgosto mais na sua negligência do que na desonestidade dos nossos inimigos. O termo é este, não me enganei, porque chamar adversários aos representantes de clubes de uma cidade-eucalipto, anti-democrática e hiper-centralista, que não reconhecem ao resto do país o direito a serem tratados por igual, não pode ser tratado de outra maneira, por mais que lhes doa (e eu sei que dói) ouvir estas verdades.  Mas por que haveria eu de me incomodar com o vilão, se a vítima não só consente a discriminação, como desistiu de o enfrentar? De mais a mais, quando a vítima se esfalfa a processar adeptos que não dizem ámen com ela, em vez de o fazer a quem já deu provas sobejas de odiar o FCPorto, incluindo o próprio Presidente.

A decisão de não acautelar a situação dos adeptos no negócio abrupto com a MEO, que privou um grande número deles (talvez a maioria) do Porto Canal, foi outra das desconsiderações que não perdoo a Pinto da Costa. E reparem, nem sequer foi pela qualidade do Canal, que como sabem para mim, é o espelho do FCPorto actual, complexado, parolo e adulador. A antítese do que foi num passado recente. Deste FCPorto não me orgulho. Como não me orgulho dos políticos nortenhos que calam e consentem a discriminação de que somos alvo. Por isso, e como conheço a má fé dos media e sus chulos jornalistas, não me espantei com mais essa afronta de não destacarem o feito da equipa B do FCPorto que foi o verdadeiro vencedor do campeonato da 2ª. Liga, e não o Chaves que ficou em 2º., apesar de ser o clube com direito a subir de divisão, como é natural. Portanto, não são os nossos inimigos que precisamos de mudar, porque esses só não fazem pior se não puderem, mas sim a forma de lidar com eles, que não é seguramente o silêncio. 

Para terminar, tenho a certeza, repito, tenho a certeza que se na próxima época as alterações em relação a esta e às três anteriores se limitarem à mudança de treinador e jogadores, por melhores que eles sejam, não serão suficientes para ganharmos títulos se a política de comunicação com os adeptos for a mesma e se nos deixarmos comer por lorpas como temos andado a fazer. Gravem isto para memória futura. É que, não acredito em milagres, mas sim na competência e na coragem.

Bem vindos ao Renovar o Porto



09 abril, 2016

Breve interregno


Aos leitores e amigos,

uma breve palavra, apenas para comunicar que suspenderei por uns dias a actividade no Renovar o Porto.

A ausência não será longa.

Até lá, um abraço a todos

Off topic

Este FCPorto, esta equipa. estes treinadores. são o espelho do Pinto da Costa da actualidade. Uma nulidade! Uma, vergonha! 
Qualquer dia esqueço mesmo o que de bom fez pelo FCPorto. Fico cada vez mais convencido que tudo não passou de um sonho já distante.

08 abril, 2016

O mais importante ficou por dizer

Como diz o povo, vale mais tarde do que nunca. O ditado até podia aplicar-se a Pinto da Costa se pelo caminho não tivesse precisado de 3 anos para perceber que algo estava mal no FCPorto. Podia aplicar-se a Pinto da Costa se não tivesse cometido, talvez o maior erro da sua carreira, que foi achar dispensável a comunicação com os adeptos. E, da entrevista de ontem, foi disso que menos se falou, outra vez...

Não vou negar que gostei daquela parte do balneário e do sermão que pregou aos jogadores em forma de ultimato, porque essa, era uma das suas imagens de marca do tempo em que líderava mesmo. Mas soube-me a pouco, porque dantes, ele prevenia, não reagia (tarde). Há uma diferença abissal entre estas duas formas de acção. Uma sustem os problemas, a outra remedeia-os.

Ouvi atentamente as promessas, mas não fiquei muito impressionado. A designação de um provedor do adepto pode ser uma medida interessante se fôr eficiente. Todos nós sabemos o que valem a maioria das provedorias em Portugal, são meras mediadoras de conflitos, não os resolvem. A questão é esta: que planos concretos propõe Pinto da Costa para o que tenciona fazer no futuro?

Reparem. O problema da comunicação, que é consensualmente reconhecido por todos os portistas, foi praticamente ignorado na entrevista. No entanto, tecnicamente, o problema estava ali mesmo, nos estúdios do Porto Canal, e pessoalmente também, com o Júlio Magalhães ao lado... O problema das arbitragens também não foi abordado de forma directa. Como vem sendo habitual Pinto da Costa preferiu contornar a questão enviando recados à Federação com umas alfinetadas indirectas a Fernando Gomes, seu antigo colaborador. Com estas reacções podem bem os nossos adversários, não será por isso que vão ser mais honestos e criteriosos a nomear os árbitros para os nossos jogos. Enfim, não duvido que algo irá mudar na próxima época, mas ainda duvido que o essencial seja resolvido.

Pinto da Costa, mais uma vez afirmou não gostar de blogues. Foi infeliz, e mostrou que ainda não se adaptou aos novos tempos. Aliás, pior e mais impessoal que os blogues, são os facebooks, onde até a sua mulher achou por bem entrar em sua defesa. Como é então que Pinto da Costa toma conhecimento do que pensam os adeptos? Será pelo telefone? Por carta? Se teve humildade em reconhecer que errou, não mostrou nenhuma em relação aos portistas. Ele mente, ele sabe bem que os blogues existem e que muito embora não tenham o poder de uma televisão fazem proporcionalmente bem mais pelo FCPorto e por ele próprio que o Porto Canal.

Por isso, não vou dizer que fiquei convencido. Repito: podem ir buscar a equipa do Barcelona com o Messi incluído, que se não tiverem um projecto arrojado para lutar contra a discriminação da capital, os árbitros vão continuar a fazer as coisas pelo outro lado, nem que para isso tenham de ser eles a fazer os golos na nossa baliza.

Escrevam isto, e gravem. Cá estarei para me redimir do "pessimismo"  se tudo voltar a ser o que foi , mantendo-nos caladinhos, e bons meninos.

PS-O melhor do programa de ontem foi o debate com Manuel Serrão, Cristina Azevedo e o José M. Ribeiro. Pela primeira vez no Porto Canal  vi um debate a sério e sem medos... Se funcionasse como incentivo as coisas podiam compor-se...

07 abril, 2016

Sempre a praga centralista

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, acusou hoje o ministro do Planeamento de "penalizar a imagem" do Governo na questão da TAP, segundo uma carta dirigida pelo autarca ao primeiro-ministro, a que a Lusa teve acesso.
"É possível, senhor primeiro-ministro, que, como diz o senhor ministro, a Câmara do Porto penalize a imagem da companhia. É certo, senhor primeiro-ministro, que o senhor ministro, que terá 'perdido o Norte', penaliza a imagem do seu Governo", conclui o autarca, referindo-se a uma entrevista de Pedro Marques ao Jornal de Negócios.
Na missiva dirigida a António Costa, Moreira destaca ainda que o ministro Pedro Marques "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto porque "o Governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".
Segundo a entrevista publicada no Jornal de Negócios, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas considera que a "animosidade da Câmara do Porto penaliza a imagem da TAP". "Em concreto, verifica-se que, no discurso público, o governo se coloca ao lado da TAP e contra a Câmara do Porto", reagiu o autarca na carta enviada ao primeiro-ministro. 
Moreira alerta ainda que o ministro "não diz a verdade" sobre os voos da TAP no Porto, porque, lamenta, "o governo não assegurou, no quadro de negociação com os privados [para a reversão da privatização da empresa], a existência de uma base relevante no Porto".
Nota de RoP: Uma vez mais, o governo optou pela solução centralista, com a ganância do costume. Estão criadas condições para se cair em erros antigos. São uma verdadeira praga, os centralistas. 
Só uma curiosidade: este caso tem certas semelhanças com o negócio do FCPorto com a MEO. Os dirigentes portistas portaram-se como o governo, não quiseram saber dos interesses dos adeptos vinculados contratualmente à NOS. Se o governo se colou à TAP, os responsáveis portistas limitaram-se a olhar pelos seus interesses económicos, colando-se à MEO, mas negligenciaram os do clube, que são os associados e  adeptos. 
Subscrevendo as palavras de Rui Moreira em relação à TAP digo: se o FCPorto não quer saber de todos os adeptos, os adeptos têm toda a legitimidade de não quererem saber dos interesses da SAD (que não é o clube).

06 abril, 2016

Fracos reis fazem fraca a forte gente

Este não é o caminho

Há na blogosfera quem me conheça pessoalmente e que sabe bem o que penso sobre o que está a acontecer no FCPorto. Em qualquer momento essas pessoas podem desmentir-me, se fôr caso disso, mas será difícil, porque o que está a acontecer, é exactamente o que eu previa. Não estou a dizer isto para me dar ares de sabichão, de gajo que nunca se engana  (como o Cavaco Silva de má memória). Estou apenas a constatar factos. Além disso, os meus posts podem confirmar muito bem o que tenho vindo a dizer. O que não imaginava é que a queda fatal fosse tão cedo.

O que mais me angustia neste virar de costas ao clube (que, é bom recordar, são os adeptos) por parte do principal responsável, são as consequências que daí resultam. As más exibições e resultados da equipa de futebol sénior, foram apenas parte do problema, digámos que funcionaram como lastro para outros problemas. Normalmente é isso que acontece, quando uma liderança se ausenta e perde a noção da sua importância. Só me espanta, é que Pinto da Costa não saiba coisa tão básica e continue aparentemente indiferente aos danos colaterais da apatia que o tomou.

Se pesquisarem os artigos que aqui mesmo publiquei, observarão que só muito contextualmente optei por responsabilizar jogadores e  treinador(es) pelas causas do que está a acontecer no FCPorto. Por uma razão muito simples - e é aqui que discordo de outros portistas -, é que eles foram vítimas da conjugação de vários factores (para eles transcendentais) pelos quais não podem ser imputados, sob pena de invertermos a lógica hierárquica dos poderes. Certas más decisões, como a escolha de Lopetegui para treinador, estiveram na base de muitas outras. Essa escolha, foi de Pinto da Costa. Por sua vez, a escolha de muitos jogadores foi de Lopetegui. E por aí fora. Por outro lado, Lopetegui não teve capacidade para impôr a sua ideia de futebol aos jogadores que escolheu. Depois, foi o que se viu, o sentido foi sempre na escala regressiva. Lopetegui não tinha mais condições para continuar. Perguntar-me-ão: então, e com Peseiro temos condições? Nestas conjunturas, quando o mal já está feito e as chances esgotadas, não me choca a mudança, mas é sempre um risco, sem dúvida. 

A todos estes factores em cadeia seguiu-se um outro, para mim o mais grave de todos: a resignação de Pinto da Costa como líder. É aqui que reside o principal problema. Ao ignorar as discriminações feitas ao FCPorto, quer por arbitragens escandalosas, algumas mesmo provocadoras, quer pela postura agressiva e faltosa dos adversários que disso se aproveitam, Pinto da Costa desencadeou uma espiral de abusos cujos resultados foram o que todos já sabemos: a perda de respeito. Mas, não foi só o respeito de quem nunca o respeitou por inveja, foi o dos adeptos que nunca estariam à espera de ser tão desconsiderados, como é o meu caso. 

Dito isto, é uma grande ingenuidade, diria mesmo, uma burrice, pensarmos que o desânimo, a raiva por nós sentida face a todas estas discriminações, juntamente com a apatia de quem mais manda no clube, não se apoderem dos próprios jogadores e técnicos. Sabendo, como nós sabemos, que com eles os árbitros são implacáveis, que à mais pequena falta podem ser injustamente castigados, e até expulsos, é extremamente difícil esperar deles grandes rasgos de superação. Os jogadores, tal como nós, perceberam que o nosso clube perdeu a capacidade de se indignar e de reclamar o respeito que lhe é devido. Perceberam que quem manda não faz o seu papel, por isso lhes falta a alma que muitos reclamam, sem compreenderem que não é com silêncio que se combatem injustiças.

Conclusão: até as modalidades, dotadas de excelentes treinadores e atletas (Andebol, Hóquei em Patins e Basquete), foram praticamente afastadas das provas mais importantes, contaminadas por esta lamentável época de negligencia, vergonha e medo. 

05 abril, 2016

As contradições de Pinto da Costa

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Pela enésima vez, o JN, sem que haja razão que o justique, volta à carga com a mesma notícia onde as figuras de Pinto da Costa e Antero Henrique são as principais visadas. 

Trata-se, como é sobejamente sabido, de uma questão de legalidade com serviços de segurança, dos quais os dois dirigentes portistas beneficiaram indevidamente. Se é verdade, ou não, ver-se-à.

O que aqui importa realçar, é a passividade do presidente portista face a estas não notícias, uma vez que não houve evolução  digna desse nome para justificar a frequência com que é publicada. Há pois aqui um propósito evidente, que é associar o nome do FCPorto às improvidências dos seus dirigentes. Mas a avaliar pelas (não) reacções, tudo isto também parece não ter grande importância. Veremos.

Afinal, qual é a diferença entre este Jornal de Notícias e o Correio da Manhã ? Será que o Sr. Pinto da Costa também se sente refém do jornal só por constar na lista do respectivo Conselho Editorial? Afinal, como é? Agora só move processos aos adeptos do FCPorto, esses malandros incapazes de se calarem? E aqueles que como eu, andaram anos a defendê-lo de tudo, e de todos (até de outros portistas), também têm de ficar calados com a renúncia à sua própria liderança? Disse renúncia à liderança, não disse ao cargo. Entendámo-nos... Será só ao cargo que se vai recandidatar? Pela parte que me toca. a gratidão, para ser eterna, tem de ter dois sentidos, caso contrário, termina. Os sucessos do passado só se justificam se não menosprezarem o presente.  

Já tenho criticado Manuel Serrão por alguns dos seus comentários, mas desta feita sou obrigado a reconhecer a pertinência das suas declarações dirigidas à SAD do FCPorto ontem no programa Prologamento da TVI. Sei que o local em que as fez não é o mais avisado, mas qual é a alternativa? O Porto Canal, onde impera a política da rolha imposta pelo presidente?

Vamos lá ver se ganham juízo, porque já têm idade e experiência para tal. Os adeptos não são cordeiros, são tão pessoas, ou talvez mais, que aqueles que enriqueceram à custa do clube e dos sócios.

Haja coerência, pelo menos, já que a competência, e sobretudo a coragem, há muito deixaram o Dragão.
  

04 abril, 2016

A cobardia da SAD reflecte-se no campo

Nunca senti tanta vergonha em ver o FCPorto jogar como nesta época. É sabido que as coisas se tinham vindo a configurar nesse sentido há 3 temporadas a esta parte, mas nunca pensei que as deixassem bater tão no fundo. Mas, não é bem do FCPorto que tenho vergonha (o clube nunca tem culpa), é de quem o dirige. 

Não podemos criticar os jogadores ou o treinador, quando eles já interiorizaram há muito que não têm dirigentes à altura de defender o clube que representam. De os defender de árbitros desonestos, de adversários que disso tiram partido de toda a maneira e feitio, e sobretudo de um sistema corrupto, implacável para quem baixa a guarda, e se rende. 

É simplesmente pusilânime o comportamento da estrutura directiva do FCPorto. É deles que tenho vergonha. Tanta, que já me esqueci do tempo em que pareciam gente brava e combativa. Hoje são o oposto, e eu não me revejo num FCPorto com esta gente. 

E mais não digo. Estou farto.