| Marcelo e o abraço da praxe a Holland |
Como é evidente, reportava-me aos auto-considerados modelos de homens "quase" perfeitos que usam a política como trampolim para vôos mais altos, do tipo cherne barrosão, que é como quem diz políticos fugidios que saltitam sem mais nem para quê do governo para comissários europeus, administradores bancários ou similares. O programa anteriormente plasmado da Quadratura do Círculo, dá-nos uma ideia próxima de quão preciso é recorrer a uma linguagem esteriotipada para caiar o oportunismo instalado na mente dos actores políticos. A perfeição é um mito que todo o homem de bem deve tentar alcançar, e a norma é tanto mais premente quanto maiores forem as responsabilidades de cada um.
Sem o querer encaixar neste quadro, Marcelo Rebelo de Sousa é talvez o Presidente da República eleito desde o 25 de Abril que mais tem surpreendido o país. Ainda é muito cedo para opiniões conclusivas, mas é por demais evidente que o seu estilo descontraído, cooperante, afectuoso, e pouco convencional, tem merecido rasgados elogios por uma grande franja da opinião pública. Neste aspecto também eu aprecio o género. Naturalmente, há sempre aqueles que criticam tudo, até a bondade - que é das melhores qualidades humanas -, mas temos de dar um desconto, porque esses fazem da má língua e da calúnia um modo de ganhar a vida, por sinal com sucesso e muitos seguidores.
Excluindo esta espécie, muito prolífica em Portugal, duvido que a maioria dos portugueses não olhe para o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa com simpatia e alguma confiança. Mas, como disse há dias José Pacheco Pereira (com certa razão), será preciso ao actual P.R. controlar um pouco esta nova forma de presidir, porque a função do cargo assim o exige. Trata-se de moderar, não de mudar de estilo. Lá chegará o dia em que terá necessidade de se resguardar por efeito de uma qualquer situação delicada. Continuando neste ritmo, acelerado e dialogante, sobre tudo e sobre nada, a margem de manobra para a contenção será curta se um dia tiver de falar de assuntos importantes, ou impopulares. Nessa altura, o povo terá dificuldade em compreender a mudança. Oxalá me engane.
Excluindo esta espécie, muito prolífica em Portugal, duvido que a maioria dos portugueses não olhe para o estilo de Marcelo Rebelo de Sousa com simpatia e alguma confiança. Mas, como disse há dias José Pacheco Pereira (com certa razão), será preciso ao actual P.R. controlar um pouco esta nova forma de presidir, porque a função do cargo assim o exige. Trata-se de moderar, não de mudar de estilo. Lá chegará o dia em que terá necessidade de se resguardar por efeito de uma qualquer situação delicada. Continuando neste ritmo, acelerado e dialogante, sobre tudo e sobre nada, a margem de manobra para a contenção será curta se um dia tiver de falar de assuntos importantes, ou impopulares. Nessa altura, o povo terá dificuldade em compreender a mudança. Oxalá me engane.
Marcelo decidiu, quanto a mim bem, comemorar o dia de Portugal em Paris, junto dos emigrantes, uma originalidade que outros nunca ousaram levar por diante. Esteve bem quando discursou junto de François Holland, da maire de Paris e da comunidade lusa. Seria "perfeito" se um dia depois não tivesse exagerado na linguagem com o intuito de alimentar o patriotismo dos presentes. O entusiasmo fê-lo cair numa autêntica ratoeira, precisamente por falar demais. Esquecendo-se que estava em França, num país anfitrião, e como convidado, disse qualquer coisa como isto: os franceses são excepcionais, mas nós somos muito melhores!
Se quisermos avaliar estas declarações à luz do nacional-porreirismo, como um estimulante sopro de orgulho para os emigrantes, esquecendo o país de acolhimento onde estas palavras foram proferidas, nada há a objectar. Sucede, é que esse argumentário nacionalista podia (e ainda pode) ser interpretado pelo país anfitrião, no mínimo, como soberba, como uma coisa deselegante, com odor a ingratidão. Afinal, qual dos dois países deu as melhores condições de vida aos portugueses em termos de dignidade humana? O país de origem, ou aquele que os acolheu?
Estes orgulhos de circunstância, assentes num passado de país de descobertas, colonizador - que hoje mesmo coloniza "o resto do país" com o centralismo -, que flutua num presente de prosperidade dúbia, e ainda lança para a emigração muita gente, a mim, provocam-me vergonha. É verdade que hoje em dia, toda a Europa está doente, mas não me importava nada de trocar a paz pôdre portuguesa, pela instabilidade da França.
Cá entre nós que ninguém nos ouve: os franceses (e não só) estão a pagar caro o preço de já terem sido um país "el dorado" para muitos povos, incluindo os portugueses, e de lhes terem escancarado as portas de entrada.
Afinal, a onde é que está a nossa grandeza contemporânea, para lá da bazófia? Exmo. Sr, Presidente: optimismo, venha ele. Demagogia já temos que chegue.
Se quisermos avaliar estas declarações à luz do nacional-porreirismo, como um estimulante sopro de orgulho para os emigrantes, esquecendo o país de acolhimento onde estas palavras foram proferidas, nada há a objectar. Sucede, é que esse argumentário nacionalista podia (e ainda pode) ser interpretado pelo país anfitrião, no mínimo, como soberba, como uma coisa deselegante, com odor a ingratidão. Afinal, qual dos dois países deu as melhores condições de vida aos portugueses em termos de dignidade humana? O país de origem, ou aquele que os acolheu?
Estes orgulhos de circunstância, assentes num passado de país de descobertas, colonizador - que hoje mesmo coloniza "o resto do país" com o centralismo -, que flutua num presente de prosperidade dúbia, e ainda lança para a emigração muita gente, a mim, provocam-me vergonha. É verdade que hoje em dia, toda a Europa está doente, mas não me importava nada de trocar a paz pôdre portuguesa, pela instabilidade da França.
Cá entre nós que ninguém nos ouve: os franceses (e não só) estão a pagar caro o preço de já terem sido um país "el dorado" para muitos povos, incluindo os portugueses, e de lhes terem escancarado as portas de entrada.
Afinal, a onde é que está a nossa grandeza contemporânea, para lá da bazófia? Exmo. Sr, Presidente: optimismo, venha ele. Demagogia já temos que chegue.


