04 dezembro, 2009

O Jorge, é mesmo Fiel

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[Recorte extraído do jornal Grande Porto]
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Os lambe botas

Coerente com o que tenho escrito em apoio às causas do Norte, comprei hoje o semanário Grande Porto. Continuo a pensar que este jornal não está devidamente publicitado pelos proprietários nem adequadamente exibido nas bancas dos jornais. Há, pois, que procurar sensibilizar os comerciantes destes estabelecimentos no sentido de lhe darem mais visibilidade, isto se é que estão mesmo interessados em vendê-lo...
Na página destinada a um painel de personalidades seleccionadas para responder a um determinado tema, a pergunta desta semana era esta: «É viável um boicote aos produtos dos patrocinadores da Red Bull Air Race se essas empresas ajudarem a que a prova se dispute em Lisboa?». No SIM, votaram entre outras pessoas menos conhecidas, o jornalista Jorge Fiel, o Manuel Serrão, e no NÃO, Rui Moreira, Carlos Abreu Amorim, Pedro Baptista, Pedro Abrunhosa e o Professor Universitário, Mário Melo Rocha.

Não quero aqui discutir se é, ou não, viável o boicote, a única coisa que pretendo dizer sobre isto é que, talvez não perdêssemos nada em retirarmos as dúvidas fazendo a experiência. É em situações extremas como esta suscitada pela cobiça do evento da Red Bull pela capital, que muitos deviam ousar pôr à prova o tal optimismo que noutras ocasiões reclamam dos outros. Meter o rabo entre as pernas, dando à partida como derrotada uma iniciativa que podia realmente abanar com a estrutura despótica centralista, parece-me de fraca ambição para quem pretende defender os interesses regionais.

Do grupo de pessoas que disseram NÃO ao boicote a declaração que mais me espantou pela negativa [ou se calhar, nem por isso...], foram as do Prof. Mário Melo Rocha: «Inconsequente e quixotesco. Os portuenses vão boicotar a TMN ou a PT? Se, como já veio noticiado, o Red Bull Air Race for para Espanha, é o Porto que vai levar com as culpas.» Mais adiante, acrescentou, referindo-se aos defensores do boicote: «Eles não vêem um palmo à frente do nariz. Eles não vêem mais do que a sua sombra imediata, não percebem que Lisboa, e o resto do país, vai apontar o dedo ao Porto e, aí sim, considerar o Porto provinciano».

Douto senhor Rocha: pela parte que me toca devo dizer-lhe, se porventura passar por aqui e tiver o azar de me ler, que me estou perfeitamente nas tintas com o que Lisboa e o resto do país pensa de mim, porque prefiro que me achem provinciano, ou até bairrista, do que chulo. Porque, aos chulos, eu não costumo passar cartão. São parasitas, escória social, como em escória nacional se transformou Lisboa com a política de eucalipto que exerce ao tal resto do país. Se V. Exa. gosta de lamber os pés a quem o mal trata é lá consigo, eu corro-os a pontapé se preciso for. É com hipócritas do seu tipo que uns vão enriquecendo e a maioria penando. Como eu o compreendo... A radiografia está tirada e detectou uma doença grave muito em voga: você tem um problema e não sabe, tem um cancro no carácter!

Ah, e não se esqueça que me dá mesmo gozo que Lisboa pense mal de mim. Nem imagina quanto!
PS-Para memória futura coloquei o rosto de um regionalista de trazer por casa. De seu nome: Mário Melo Rocha

03 dezembro, 2009

Extraída do blogue A Cidade Surpreendente...

...esta jóia rara da fotografia, onde é possível ver ao lado da então novinha em folha Ponte de D. Luís a velhinha ponte Pensil. Vale a pena visitar A Cidade Surpreendente, surpreendente como esta foto.

Assinem

Assinem. Pode ser que esta "guerra" da Red Bull possa ser a gota que faça transbordar o copo.

Petição contra a centralização: http://www.peticao.com.pt/centralizacao

Fraquezas da nossa Democracia

Caros amigos,

Houve um comentador que, sobre o que foi anteriormente escrito se limitou a dizer: "tanto blá-blá-bá e não acontece nada!" . Estive quase para lhe responder que tinha razão, se não considerasse essa resposta profundamente injusta e simplista para aqueles que, como muitos de nós, sentem terrivelmente o peso e as consequências da forma ultrajante como o Porto e, genericamente, o Norte do país, vem sendo tratado pelo Governo central.
No meio desta enorme massa de gente descontente há situações específicas para cada caso. Uns, estão empregados, vivem relativamente bem, mas não se conformam com o que vêem, outros estão já reformados com reformas razoáveis, assim-assim, ou miseráveis [a maioria], e outros estão desempregados, quase desesperados, sem vislumbrar no horizonte próximo qualquer saída para as suas vidas. É assim que devemos começar por analisar a situação. Ela é ambígua, como se percebe, porque se os que estão menos mal temem perder o que têm e receiam envolver-se em movimentos que possam fazer perigar o seu relativo bem estar, os que estão mal deviam ser em teoria os mais inconformados [e se calhar até são], mas não têm como se defender.
Posto isto, é simples de perceber porque é que, por regra natural, são as pessoas melhor instaladas na vida, as mais "optimistas", mais cautelosas e "tolerantes". Elas sabem que o país não tem ponta por onde se lhe pegue, mas nos seus casos pessoais vai dando para viver bem, por isso tendem sempre a deitar água na fervura no caos governativo, para sua própria segurança. Daí considerar ser uma tremenda demagogia pensarmos que isto se resolve com associativismos e voluntarismos. Os resultados destes movimentos, na prática, assemelham-se aos das [poucas] casas reabilitadas do centro histórico do Porto pela Porto Vivo [Sociedade de Reabilitação Urbana] que são incomportáveis para quem precisa mesmo, e acessíveis para quem já tem outras casas.
Por outro lado, o povo é pacífico, não quer realmente recorrer ao único recurso que lhe resta, partir para a violência, e vai deixando passar o tempo à espera que algum Messias lhe resolva os problemas. Na vida selvagem é a Lei do mais forte que conta para sobreviver, na sociedade humana também, mas com limites. Esses limites não podem ser ultrapassados e foi para isso que se inventaram as regras. Sucede que, em sociedade, o mais forte não pode ser quem viola as regras, com maior ou menor habilidade, porque esse é precisamente o primeiro sinal de fraqueza do ser humano. Nestes casos, teria obrigatoriamente que intervir a força cega da Lei, doesse a quem doesse, mas a Lei não intervém*.
Ora, descendo de novo à terra, são exactamente esses pontos débeis humanos que vemos a serem disseminados pela nossa classe política [e empresarial], dia após dia. Impunemente. Tal situação, associada ao desemprego, ao desprezo por uma região historicamente importante do país, à acentuação do seu empobrecimento em benefício da capital e daqueles que o desgovernam e infligem fracturas na coesão, só pode degenerar em violência. É uma questão de tempo.
A União Europeia, se arrepiar caminho [estou a ser optimista] e exercer um controlo efectivo na gestão dos respectivos países, corrigindo-lhes este tipo de desvios e ilegalidades, ainda pode funcionar como um travão à desordem pública, caso contrário, o povo, mais ou menos organizado, começará a fazer estragos.
Aquilo a que assistimos pela TV há uns mêses em Paris [carros incendiados e lojas saqueadas], pode acontecer aqui, na América Latina, em qualquer lado. Responsáveis? Quem? Toda esta comandita de políticos e governantes fúteis e acomodados que se entretêm a golpear os restos de democracia do regime, à espera que ela sangre e morra de vez.
* Memorete:
Caso Casa Pia e respectivo elenco que todos conhecem [tudo gente bem], Moderna, Freeport, BPN, BCP, BPP, Dias Loureiro, Operação Furacão, e mais recentemente Face Oculta, etc. Todos os tubarões saem dos processos [quando chegam a entrar], sistematicamente ilibados. Conclusão: a primeira das fraudes em Portugal chama-se Justiça!

02 dezembro, 2009

e SE nós, nortenhos,

assim, como quem não quer a coisa, inventássemos o nosso IF e:
nos recusássemos a pagar impostos?

fizéssemos um manguito à la Rafael Bordalo Pinheiro, a pagar portagens?

deixássemos de nos interessar absolutamente por eventos realizados em Lisboa e nunca mais lá puséssemos os pés?

nos indisponibilizássemos para o serviço militar, em caso de emergência "nacional"?

deixássemos às moscas os locais de visita [esporádica] à nossa cidade quando os nossos governantes cá viessem?
se nos recusássemos a votar, enquanto o tema da Regionalização continuasse a ser ignorado?

se deixássemos todos de assinar a TV Cabo, PT, Sport TV, Meo, etc.?
O que é que de mais desprezível, aqueles bandalhos, lá em baixo, se lembrariam de nos fazer? Mandar-nos-iam para uma Câmara de Gaz?

Crónicas sobre o futuro/de Henrique Neto

Nos dois textos anteriores expliquei alguns dos erros do programa do Governo.Todavia, o pecado
maior do programa é ser um texto mentiroso, no sentido em que foi escrito para agradar e não para ser cumprido. Desde logo por razões financeiras.
Na semana passada o Ministro das Finanças anunciou o que já se sabia, o défice previsto das contas do Estado subiu para os 8,7%, ou seja, a margem de manobra do Governo para continuara a endividar o Pais é agora ainda menor e só o facto da palavra do Governo não contar para nada é que permite que se continue a enganar os portugueses com a solução para a crise do investimento público.
De facto, seria o cúmulo da irresponsabilidade se o Governo, nas actuais condições das finanças portuguesas, continuasse a construir mais auto estradas e mais pontes, para além de tudo desnecessárias. Podemos por isso dizer, sem margem para qualquer dúvida, que os chumbos do Tribunal de Contas, para além de um acto de seriedade, são também uma bênção para o País.
Cabe aqui uma palavra para falar sobre o ministro das Finanças. Sempre nutri por ele o maior respeito, desde o tempo em que foi secretario de Estado do saudoso ministro Sousa Franco. Todavia, todos sabemos dos efeitos perniciosos que a convivência com os maus líderes pode ter sobre os seus seguidores, por vezes mesmo sobre os melhores. Fico pois com a dúvida se isso está a acontecer com o actual ministro das Finanças, mas todos o ficaremos a saber em breve: ou assume seriamente a tarefa de pôr em ordem as contas públicas, que foi o seu objectivo quando chegou ao Governo, começando por dar razão a Oliveira Martins nos seus chumbos à arbitrariedade e ao desmazelo do interesse público, ou teremos mais um bom cidadão corrompido pelo poder de um primeiro ministro, que, no mínimo, não tem a preparação necessária para o cargo.
Claro que ao fazer esta afirmação não desconheço a tese de que o investimento público, previsto no programa do Governo, é preciso para criar emprego e combater a crise. Poderia ser de facto uma ajuda, mas para tal seria necessário que existisse no País um clima mínimo de confiança na seriedade e nos propósitos éticos do Governo, o que não é certamente o caso. Com o clima de corrupção generalizada existente, com os métodos usados na revisão dos preços, com os objectivos anunciados e com as prioridades conhecidas do Governo a serem a EDP, a PT, a Mota Engil, a Ongoing, Joaquim de Oliveira, a Martifer, a Sá Couto e quejandos, é fácil de ver para onde irão os milhares de milhões de euros de investimentos públicos previstos. Para mais, tratando-se de financiamentos da Caixa Geral de Depósitos, do BCP, do Banco Espírito Santo e outros, recursos que são retirados ao investimento privado, nomeadamente exportador, esse sim necessário para criar empregos e para evitar o fecho de muitas empresas. Ou seja, a grande prioridade de José Sócrates não são os postos de trabalho, mas a ajuda às empresas do regime e o controlo dos meios de comunicação, para que os portugueses não se apercebam disso. O que o ministro das Finanças fará em relação a isso está para se ver. Pessoalmente, espero que esteja à altura do que faria Sousa Franco em idênticas circunstâncias.
Passados quatro anos e meio de governo de José Sócrates, a credibilidade da Justiça portuguesa bateu no fundo. Fazer menos, ou fazer pior, dependendo dos pontos de vista, seria difícil. Todavia o programa do Governo propõe as mesmas generalidades de há cinco anos: “Justiça mais simples e desburocratizada, Justiça mais célere, Justiça mais acessível, Justiça mais transparente e previsível, ” e por aí fora. Ou seja, tudo aquilo que não foi feito nos últimos quatro anos e meio.
Ao mesmo tempo, o primeiro ministro tudo faz para esconder dos portugueses as conversas em que foi apanhado ao telefone a organizar o apoio às empresas do regime. O Presidente do Supremo e o Procurador Geral da República entendem- se com o mesmo objectivo, com base numa lei feita pelo actual Governo, e, ao mesmo tempo, as empresas de sucesso de um sucateiro tornado célebre, continuam a ganhar os concursos públicos em que entram. Mesmo depois de se saber que ganham os concursos porque utilizam meios ilegais, como o roubo puro e duro. Trata-se de um bom incentivo para que as empresas que perdem os concursos pensem em imitar as empresas vencedoras.
Entretanto, no programa do Governo, cheio de medidas para todos os gostos, no capítulo da corrupção não há nenhuma medida proposta. Mais palavras para quê?
Crónicas sobre o futuro
HENRIQUE NETO,
empresário
netohenrique8@gmail.com
Nota de Renovar o Porto:
Considerando a importância do tema e a possível dificuldade de alguns leitores para encontrarem este artigo linkado pelo António Alves no post anterior, decidi publicá-lo directamente.
O autor esqueceu-se de incluir a EP [Estradas de Portugal], agora gerida pelo antigo Presidente da RTP, Almerindo Marques, que não se coibiu de chantagear o Presidente do Tribunal de Contas, Oliveira Martins, por não ter aprovado alguns orçamentos para o pagode em que se transformou a construção de estradas, ameaçando-o com a responsabilidade pela perda eventual de "imensos postos de trabalho..."
Lá lata, é coisa que não lhes falta!

Estratégia, Lucidez e Coragem

Este caso da Red Bull e o seu evidente sucesso no Porto é um bom motivo para ser abordado numa perspectiva mais estratégica. A Região do Grande Porto encontra-se no miolo de uma mega região com cerca de 8 milhões de habitantes - toda a área que vai de Aveiro à Corunha. Este território ,principalmente no seu litoral, é uma região densamente povoada e recheada de cidades médias - Aveiro, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Vigo, Pontevedra, Santiago de Compostela e Corunha - com história, tradição, dinâmicas e vida própria e, também, suficientemente independentes, no caso das portuguesas, do grande centro urbano que é o Grande Porto. É uma região estruturalmente saudável. Este policentrismo é na verdade uma das nossas maiores riquezas. Num raio de 60 km centrado na cidade do Porto encontramos, por exemplo, 3 excelentes universidades: Porto, Aveiro e Minho. Esta é uma prova do dinamismo e da criatividade da região e é coisa ímpar no território português quase todo ele, principalmente a sul, desertificado pelo grande eucalipto que é Lisboa.

O que nos falta, e isso é cada vez mais evidente, são políticos com coragem, independência e não subservientes ao seu medíocre emprego de deputadozinho ou ministrozinho deste projecto de país com a falência adiada praticamente desde que um tolinho de Lisboa, que chegou a rei, resolveu matar-se em África lá por volta de 1578 (1). Falta-nos políticos com visão estratégica para darmos o grande salto em frente. Falta-nos também empresários com coragem para investirem o seu dinheiro e potenciarem este imenso capital humano. É hora daqueles que nesta sociedade forjaram as suas fortunas devolveram uma parte delas a quem de direito e deixarem-se de estratégias cobardes à Mota-Engil (2).

Estamos no meio de 8 milhões de pessoas, a 500 km de Madrid e a 2 horas de Londres. É este o nosso maior activo e vantagem competitiva. Não somos um conjunto de 3 milhões de habitantes encravados entre o mar e os desertos alentejano e estremenho espanhol que só tem a importância que tem porque há muito usurpou este estado decadente e parasita em seu favor. Estamos à espera de quê? Tomemos o futuro nas nossas mãos. Os objectivos imediatos são assumir o nosso próprio poder e usar o nosso dinheiro em nosso favor. E isso não se faz com falinhas mansas e subserviências. Faz-se com coragem e espírito guerrilheiro.

1 - Na minha opinião o projecto de país chamado Portugal morreu antes: morreu com D. Dinis. Pouco tempo depois Lisboa viciou-se em pimenta e anda de dependência em dependência desde então. Quando em carência rouba a família como qualquer drogado.
2 - Para os que insistem em não saber o que é uma estratégia à Mota-Engil recomendo a leitura do artigo de Henrique Neto no Jornal de Leiria

Eu protesto, tu protestas, ele protesta...

...nós protestámos, vós protestais, e eles gozam na nossa cara!

Depois de mim, já outros com mais poderes e responsabilidades políticas, protestaram publicamente contra o iminente saque que Lisboa se prepara para fazer ao Porto desviando as corridas Air Race promovidas por "aquela bebida" [como diz Manuel Serrão] para a nossa mui solidária capital. Além do conhecido comentador desportivo, fizeram-no, hoje, o director do JN, José Leite Pereira e o Arqº. Gomes Fernandes, e ontem, o Prof.Alberto Castro, no mesmo jornal.

Pela pertinência do comentário acho que vale a pena reproduzir o Post scriptum deste economista:
«Defendo a tese que não é o Porto que vive obcecado com ser a 2ª cidade do país, mas Lisboa que não suporta a ideia de não ser a primeira. Em tudo. É essa a sua concepção do país. Em Portugal um evento com a Red Bull Air Race só faz sentido em Lisboa. Pela ordem natural das coisas. Só não será lá se o governo decidir governar, ou seja, fazer acontecer o que, de outro modo, não aconteceria. Ou se forças mais altas se levantarem. Confesso que o alarido de Menezes e Rio me parece conversa de perdedores. Se os financiadores da eventual mudança são empresas de âmbito nacional é falar-lhes a linguagem que conhecem: deixar de ser cliente delas e desencadear uma campanha para que outros o façam. Se o financiamento vem, pelo contrário, de organismos públicos, denuncie-se e use-se a Assembleia da República para pedir explicações e a ameaça do voto [Francisco Assis percebeu-a de imediato]. E já agora, uma provocação. As corridas de aviões são um acontecimento de impacto nacional, divulgam o nome da cidade mas também o do país. Por isso, no caso de mudança para Lisboa, que tal financiá-la ao abrigo dos efeitos "spill-over"? Eles a vê-los voar [os aviões] e nós a vê-los voar[os euros]. Chama-se a isto equidade!
Não parece haver dúvidas que o Prof.Alberto Castro, além do excelente sentido de humor patente neste trecho do artigo, está a mandar um recado claro aos Presidentes da Câmara do Porto e de Gaia pelo modo abúlico como têm reagido a estas notícias, chamando-lhe "conversa de perdedores", ao mesmo tempo que os "convida" à acção, quando diz, "Ou se forças mais altas se levantarem" . Só não sabemos é se aquilo que o prestigiado economista nortenho lhes propõe tem peso suficiente [ou merece consideração] para influenciar quanto baste os destinatários e para os fazer sair da letargia em que mais uma vez se deixaram cair [principalmente o edil do Porto].

Para além disto, modéstia à parte, não há nada que o Prof. Alberto Castro sugira - como o boicote às empresas financiadoras do evento - que eu já não tenha sugerido. Duvido é que haja coragem e força de vontade para isso. No meu infímo espaço individual, vou fazendo o que posso para não contribuir para a engorda das empresas lisboetas. Opto sempre por comprar produtos da região, desde vinhos [do Douro que cada vez estão melhores], a outros. Não desperdiço há muitos anos um cêntimo na aquisição de um jornal lisboeta, seja ele desportivo ou generalista, com a regularidade de um relógio. Fizessem certos empresários nortenhos o mesmo, estaríamos nós bem melhor. Dá-me a impressão que já nem é por razões meramente económicas que se colam ao Poder central, mas sim por autismo sobre o seu próprio Poder. Não aceitam desafios porque estão totalmente despojados de valores de cariz regional e social.
Não dá para entender porque não há nenhum Belmiro ou Amorim que injecte capital ou mesmo compre, a estação de TV da Porto Canal e ouse canalizar para lá mais publicidade dando prioridade aos produtos, serviços e eventos de toda a região Norte. Seria uma tarefa árdua e talvez lenta, mas seguramente também a única forma de robustecer a economia local e de abalar a gula centralista.
Resumindo e concluindo: parafraseando a única frase sensata que ontem ouvi sobre o Tratado de Lisboa na voz do "fujão" Durão Barroso, "os Tratados não servem para nada se não houver vontade política". Idem, idem, aspas, aspas, no que concerne à descentralização e à regionalização, constitucionalmente desrespeitados. Mas, isso, é outra conversa, não é senhor Durão?

PS.-Única nota interessante do pacóvio Tratado de Lisboa: a presença da simpática e bela Shakira. O resto, foi pura naftalina.

30 novembro, 2009

Cheira mal, cheira a Lisboa

Tenho o nariz torto. A narina esquerda não funciona. Infelizmente, esta surdez parcial do meu olfacto não me protege do fétido fedor que sevicia quem passa ao largo de Aveiro. Falo do mau cheiro literal, não do figurado - do negócio do sucateiro Zé Godinho ter quartel general em Esmoriz, de Oliveira e Costa ser de Esgueira, e Vara e os Penedos serem visitas frequentes de Aveiro, onde mantêm longas conversas com o juiz de instrução criminal.
Se trapalhadas e negociatas obscuras libertassem realmente um odor pestilento, não se podia passar perto de Aguiar da Beira e os carteiristas do eléctrico 28 estavam no desemprego, pois a podridão do ar nos mais belos e ricos bairros de Lisboa afugentaria os seus 2,5 milhões de turistas.
A fábrica de Cacia da Portucel é a origem do fedor que tortura os automobilistas viciados na A1 e os passageiros económicos e/ou ambientalistas do Alfa. Há coisa de 15 anos, quando visitei esta celulose, comprovei a enorme capacidade humana em se adaptar a circunstâncias adversas. Achei que o almoço era a ocasião certa para fazer a pergunta. Fartos de a ouvir, os anfitriões responderam pacientemente que algumas semanas bastavam para concluir o processo de dessensibilização - e deixarem de sentir o cheirete.
Esta fantástica capacidade para comermos num ambiente de latrina preocupa-me muito, principalmente nesta altura em que para decifrarmos os casos de actualidade é preciso ter um curso de Direito (e dos bons, aqueles da Independente não chegam). Só assim compreendemos as nuances da arquitectura de um sistema judicial canceroso e sabemos traduzir para português um dialecto judicial atulhado de “atentados ao Estado de Direito”, “elementos probatórios”, “irrelevância criminal”, “denegação de justiça”, “medidas de coação”, “expedientes administrativos” e “emissões de certidões”.
Temo que, tal como os trabalhadores da Portucel de Cacia, nós, os portugueses, nos dessensibilizemos e deixemos de sentir o fedor a podridão da pandemia de escândalos a que estamos sujeitos. Por isso, ou estes políticos conseguem reduzir drasticamente a quantidade de lixo que produzem e arranjam um eficiente tratamento da sua porcaria (dotando-se de um sistema subterrâneo de esgotos e de uma ETAR na periferia, longe dos nossos olhos), ou o melhor é darmos ouvidos ao conselho de Eça de Queiroz: “Os políticos e as fraldas devem mudar-se com frequência – pela mesma razão”.
Não me apetece viver num país que cheira como uma casa de banho que continua em uso apesar ter o autoclismo avariado – e em que não consigamos ouvir a marcha “Cheira bem, cheira a Lisboa” sem nos escangalharmos a rir às gargalhadas.
Jorge Fiel
[Extraído do Blogue Lavandaria]

Pornografia ou prostituição?

A última página do JN de hoje decidiu, num rasgo de insólito vanguardismo, dedicar uma crónica a um futebolista da divisão distrital de Setúbal que, a par do pontapé na bola, enveredou pelo mundo da pornografia.
Não tenho nada com o que cada um faz da sua vida, nem gosto de puritanismos hipócritas. O que queria ficar a saber, de uma vez por todas, é se a pornografia, apesar de já ser uma "indústria", é ou não é uma actividade respeitável, como qualquer outra. É que, tenho constatado que a "arte" da pornografia está a "normalizar-se" a ponto de constituir tema de grande interesse para a comunicação social. Até por cá já se fazem feiras de sexo [nestas coisas, é que não gostamos de ficar para trás], e convidam-se estrelas porno para programas de TV, como se fossem as pessoas mais importantes do Mundo.
Eu só queria era que me explicassem muito bem, qual é a diferença entre a pornografia e a prostituição porque apesar de já ter ouvido alguns psicólogos e sexólogos dizer que não é a mesma coisa, ainda não consegui descobrir porquê.
Não me interpretem mal, porque o que eu quero mesmo é saber preto no branco, se a pornografia é uma profissão digna, porque se há coisa da qual tenho tentado livrar-me o mais que posso é dos muitos preconceitos que os nossos antepassados nos deixaram, mas antes, quero deixar esta questão no ar:
será que os senhores sexólogos muito prá frentex estarão mesmo preparados para ajudar os seus filhos [e sobretudo filhas] a seguir a carreira de actores de cinema pornográfico, caso o desejem? Consta que o negócio é rentável, não será portanto por aí que estas mentes avançadas terão motivos para inibições, mas o que gostaria de os ouvir dizer publicamente e na frente dos próprios filhos, é se gostavam de ver os descendentes a viver de bacanais.

Tratado de Lisboa! Ah, ah,ah,ah,ah,ah!

Amanhã, é dia 1 de Dezembro, e é feriado. Teoricamente, seria uma data para os portugueses se congratularem, pois terão decorrido 369 anos da Restauração da Independência de Portugal em relação ao domínio de Castela. Na prática, este, como outros eventos de cariz patrioteiro, são uma grande fantochada, tendo em linha de conta o contrastante nível de vida entre os dois países e a mediocridade ascencional da nossa classe política, acompanhada à guitarra pela classe empresarial e ao piano pela do grande povo.
Pessoalmente, e como portuense, estou-me a marimbar para o dia de Portugal e para o carunchoso discurso de circunstância do Presidente da República. O que ele possa dizer, entra-me por um ouvido e sai-me logo pelo outro. Será apenas um plebeu videirinho que subiu na escala ordinária da hierarquia política que irá dizer à outra plebe umas palavras recheadas de solenidade para cumprir calendário, e pouco mais.
A par deste acontecimento - e para nossa profunda satisfação -, temos a entrada em vigor do Tratado de Lisboa [que outro nome podia ter o Tratado?], que promete regular o futuro da União Europeia, promessa essa que também receio não passar de uma fútil cerimónia protocolar se atendermos aos maus ventos que costumam soprar de Lisboa em direcção ao Porto e aos crescentes divórcios promovidos pela capital com a nossa cidade. E é uma lástima, porque alguém devia lembrar às gentes da capital que nós já éramos portugueses bem antes de elas o serem ...
Apesar destas «pequenas» traições, temos de levantar a moral e acreditar nas declarações do pseudo engenheiro Sócrates. Ele diz coisas bonitas. E se diz, é para levarmos a sério. Disse, entre muitas coisas importantes [e altamente animadoras] que «o Tratado de Lisboa vai criar melhores condições para desempenhar plenamente o seu papel no Mundo» [in JN], só que se esqueceu de nos explicar de que papel estava ele a falar. Cá para mim, quero supor que não se trate de papel higiénico... Fala também numa Europa mais forte e mais ágil, seja lá o que isso for, e finaliza com esta jóia digna de grande estadista: «o Tratado, não só valoriza a natureza multipolar do Mundo contemporâneo e promove o multilateralismo e a cooperação, mas também porque favorece o relacionamento com outros espaços envolvidos em processos regionais de integração».
Desta longa e sábia frase, a parte que me calou mais fundo foi este bocadinho: «... porque favorece o relacionamento com os outros espaços envolvidos em processos regionais de integração». Processos regionais de integração é com o senhor 1º. Ministro. Então, não salta aos olhos? Além disso, Sócrates quando promete, cumpre! Alguém duvida?

29 novembro, 2009

Poesia em movimento dos anos 60



Bom fim de domingo

Habituem-se

Não sou comentador político nem pretendo sê-lo. Todavia há certas notícias que se leem nos jornais que não podem deixar de originar reacções do cidadão comum que procura acompanhar o que se vai passando no país onde vive.

Eu sei que a nossa democracia, o tal "governo do povo", é uma caricatura do original. Uma justiça lenta, ineficiente, com tão pouca transparência que dá origem às mais lamentáveis suposições. Uma corrupção a alto nível que se aproxima perigosamente dos padrões do terceiro mundo mais subdesenvolvido. Os partidos políticos que pertencem ao chamado "arco do poder", funcionando como instituições do tipo mafioso, fechados ao exterior, dominados por "barões" que são o verdadeiro poder político, imunes à sociedade que são supostos representar(basta atentar no modo como são indicados os candidatos a deputados nacionais). Governos centralizados que beneficiam económicamente a capital e os amigos aí radicados, deixando estiolar o resto do país, que é a maioria da população, à custa do saque organizado dos recursos que lhe pertencem. Temos agora um partido que formou governo porque foi votado por menos de metade dos eleitores, mas que pretende arrogar-se o direito de governar sem olhar à opinião dos outros partidos, mantendo os tiques ditatoriais a que a maioria absoluta os tinha habituado.

As reacções às derrotas parlamentares desta semana parecem indicar que o PS pretende que a oposição actue com a mesma passividade com que actuavam os deputados socialistas durante o governo ditatorial da passada legislatura. Sócrates chega ao ponto de manifestar a sua azia chamando irresponsável à Assembleia ( supõe-se que apenas aos deputados da oposição...) e afirmando que quem governa é o governo. É verdade, mas isso não significa que os restantes partidos abdiquem da sua opinião própria, e além disso é por disposição constitucional que o governo (qualquer governo) é fiscalizado pela AR, o que pressupõe o direito da discordância expresso nas votações parlamentares.

Habituem-se! Agora é que, sem a almofada da maioria absoluta, vamos ver a habilidades dos "artistas".

28 novembro, 2009

Aos comentadores

Caros amigos,

Algo de estranho está acontecer. Por razões que me ultrapassam, alguns comentários vossos não foram gravados para publicação. Não sei se será a NPIDE (Nova PIDE) a tentar abortar o meu trabalho, ou qualquer outra coisa, mas peço-vos desculpa pelo facto.

Da nossa estimável poetisa paulista...

E quando te vejo
Tão agastado,
Aflito e cansado,
Logo esqueço
Meus conflitos
Busco forças
No infinito
Para dar-te
Colo e abrigo!


.


neli araujo
2009
.
...com toda a consideração e amizade

27 novembro, 2009

Bom fim de semana



Rodrigo Leão, amanhã na Casa da Música

Educação

Das duas, uma, ou sou eu que estou antiquado, que não me adaptei aos novos tempos, ou o povo eleitor sofre de um défice terrível de auto-estima com relação às ambições que tem para o país.
É bem possível que o problema esteja em mim, mas se assim for, não tenho margem de manobra para compreender as queixas que oiço e leio por todo o lado.
É na rua, no Metro, nos táxis, nos cafés, nos locais de trabalho, na televisão, nos jornais, na rádio, com amigos, familiares, enfim, em todo o lado se ouvem queixas sobre o estado do país, e se assim é, muita coisa deve estar mal... Mas, curiosamente, as pessoas lamentam-se da política e dos políticos como quem se queixa de uma simples comichão que logo passa depois de bem coçada. É este tipo de reacção que tenho uma profunda dificuldade em perceber. O sentimento de repulsa, a bofetada instantânea que impele o comum dos mortais com umas gotas de sangue na guelra a responder a uma agressão, parece ter sido anestesiado por qualquer fenómeno desconhecido. O facto, é que as pessoas já consentem tudo.
Como dizia atrás, é possível que o defeito seja meu, mas se é, peço muita desculpa porque ainda não chegou o momento de me convencerem que sou eu que estou errado. Vou tentar explicar porquê.
Lembram-se certamente de terem assistido pela televisão ao edificante espectáculo de ver um senhor deputado [digo senhor, a gozar, claro], em plena Assembleia da República - num edifício a que alguns por estranhas razões costumam dizer que é nobre -, a insultar com todas as letras um colega de outro partido? Filho da p...ta, foi exactamente o que ele disse, com menos parcimónia do que eu... Acham normal, que seja a gente com esta educação, com este tipo de reacções públicas, que devamos entregar a gigantesca tarefa de governar um país? Gosto de citar alguns ditos populares pela incontestável sabedoria que comportam, por isso não resisto agora a evocar aquele que se aplicava à pilosidade feminina que dizia "se a loja é assim, que fará no armazém". Revertendo o chiste para a esfera da política, como será o armazém dos nossos governantes se a loja é tão visivelmente ordinária?
Não confundam as coisas, porque a minha observação não tem nada a ver com puritanismo, e muito menos com hipocrisia, tem a ver com a educação e a mais razoável [para não dizer básica] noção da ética. Ou será que um homem deixa de ser hipócrita só porque tem a língua solta e diz o que lhe dá na real gana, mesmo sendo uma figura do Estado?
Ora, é também por aqui que nós devíamos começar a alterar o nosso nível de exigência em relação a quem elegemos para nos governar, antes mesmo de chegarem à militância política. Isto devia começar por uma triagem rigorosa no recrutamento de militantes da parte de todos os partidos políticos, coisa que seguramente não é feita. Os partidos políticos devem ter menos cuidado a recrutar militantes do que uma pequena fábrica de calçado a seleccionar operários, caso contrário não víamos tantos políticos envolvidos em autênticas aventuras do tipo Al Capone...
Obviamente que a dimensão humana de uma pessoa não deve ser medida apenas pela educação ou pelo porte, mas essa é uma das principais condições. No meu conceito pessoal, um político tem de ser , antes de mais, uma pessoa superiormente honesta, depois, altamente competente e finalmente bem educada. Depois ainda, tem de parecer que é tudo isso.
Mal iremos nós, se considerarmos "normais" estas envolvências em negociatas obscuras dos políticos acompanhadas ou não de má educação. Eles têm de ser sempre uma referência para o povo e não o que estamos a ver, uma escola de modelos para a corrupção e os maus costumes.

Algumas razões para amar a Pátria



Governo quer desviar a Red BullAir Race do Porto para Lisboa

Não foi decerto a realização deste evento desportivo o maior dos pecados de Rui Rio, bem pelo contrário. É manifestamente insuficiente para fazer esquecer o pouco que o autarca portuense fez em benefício da cidade, mas é indesmentível que toda a gente aceitou como positiva esta iniciativa. Assim fizesse Rui Rio em tantas coisas mais e com outra prioridade. Pois, até este evento Lisboa se prepara para nos roubar, e não duvidem, vai conseguí-lo, e nós vamos consentir! E ainda há quem defenda a inocência de Lisboa no que à centralização diz respeito.
Repito o que não canso de dizer: é em Lisboa que se decidem as coisas, em mais nenhum outro local! É para Lisboa que partem os Miguéis de Vasconcelos do Porto e de todo o país, para estarem junto do Poder.
Com a desfaçatez do costume, e também com a nossa habitual resignação de povo cordeiro [não confundir com ordeiro], o Governo decidiu adiar a conclusão do TGV entre o Porto e Vigo. Cobardemente, sempre a baixo nível, como é timbre da actual classe política nacional, foi preciso saber pelo Ministro do Fomento espanhol que a ligação de alta velocidade não será concluída antes de 2015!
A rede de parques metropolitanos da AMPorto foi também chumbada pelo QREN, depois de ter sido aprovada em 2005 pelo Conselho de Ministros. Querem mais? Que vos repita à exaustão a mentira pegada que tem sido a Regionalização? Chamam a isto um país sério? Um Estado de Direito? Mas, afinal, o que é que querem? Um país, ou um mega Big-Brother?
Decidam-se, porra!

26 novembro, 2009

Decepção...

É logo pela manhã que prefiro escrever. Ao contrário de outras pessoas que gostam da noite para o trabalho [e para a boémia], eu considero-me um "bicho" diurno, principalmente para trabalhar. Pela manhã, as ideias fluem mais facilmente e quando se trata de escrever para um blogue, os assuntos tomam outra oportunidade.
Há amiúde, factores de ordem particular na vida das pessoas que podem pontualmente travar a dinâmica que um blogue deve ter, e ultimamente é esse o meu caso, mas não só. É que, tendo embora consciência da relativa influência que um blogue pode exercer na vida económica, política e social do país, acontece que começo a sentir uma enorme frustração por não saber o que fazer com tanta "liberdade" de opinião. É uma liberdade que me permite ser mais espectador do que interventor. É uma sensação idêntica àquele fulano que acaba de ser assaltado, chama a polícia e a polícia não aparece.
Como cidadão, a quem tentaram [em vão] convencer das vantagens do menos mau dos regimes, é assim que me sinto, um espectador impotente para destronar da hierarquia política e judicial do país, quem lá está, e é incapaz de dar conta do recado. Sei, tenho consciência perfeita disso, de que no seio destas instituições de Poder há, de facto muita, mas mesmo muita gente com o rabo trilhado de compromissos nebulosos e de todo o género de traficâncias, mas é-me impossível prová-lo, porque devia ser através dela que podia lá chegar. O que fazer?
Não acredito na força do associativismo para questões de ordem política. Como já somos todos crescidos, parece-me quase infantil iludirmo-nos com os resultados de movimentos de cidadania por melhor intencionados que sejam, sem ter a suportá-lo uma figura de peso, com alguma autoridade moral, carisma e força. Quando digo força, digo armas. O 25 de Abril, apesar dos cravos, teve as armas de um sector da armada a sustentá-lo, de outro modo não teria tido sucesso.
A questão que recoloco, porque continua a ser oportuna é esta: não haverá ninguém, nenhum grupo nas forças armadas que não se sinta incomodado com o circo pornográfico em que se tornou o país? O 25 de Abril sempre, já era.

25 novembro, 2009

Porque já não falo de Rui Rio

Rui Rio foi reeleito para presidente da Câmara M. do Porto, como tal, considero totalmente desnecessário comentar o que ele faz pela cidade, quando o que ele devia fazer e não faz, continua a ser uma flagrante evidência. Não se estranhe portanto que pouco ou nada venha escrevendo sobre o autarca portuense.
Tenho um outro blogue que ilustra melhor que mil palavras o muito daquilo que Rui Rio não fez, e continua sem fazer, pela cidade do Porto. Se quisermos analisar as prestações deste Presidente com mais minúcia ainda, basta lermos nos jornais diários o manancial de declarações negativas em termos de preservação do património urbanístico de pessoas que visitam a nossa cidade [turistas], e de muitas outras que por cá residem, desde estudantes a imigrantes trabalhadores, etc., para se dissiparem quaisquer dúvidas. Sem dúvidas, pelos vistos, estarão[?] seguramente todos quantos lhe proporcionaram a manutenção do cargo e, é a esses, e só a esses, que a partir de agora devemos assacar responsabilidades por tudo de negativo que acontecer na cidade. Isto, se for possível localizá-los.

Seria pois, muito interessante, realizar um estudo sério que procurásse descobrir até que ponto esta gente [eleitores] que lhe tem amparado o cargo, é mesmo do Porto, ou se veio cá parar de pára-quedas [como Rui Rio, aliás], apenas para olhar pela vidinha pessoal ao estilo da maninha do Paulo Portas que aos fins de semana [ou nem isso] se mete no carro para zarpar até Lisboa, onde efectivamente vive.
É preciso esclarecer melhor o que é pertencer a uma terra, porque não é seguramente o exemplo que citei... E como este, devem haver outros mais.

24 novembro, 2009

Portugal: santola sem recheio...




Portugal é um beco. Só precisámos de saber é se tem saída. O passado recente da história do país recomenda-nos cautelas e caldos de galinha... Portugal está doente há muitos anos e o que é mais grave é que nós vamos agonizando com ele.
Não sei se acontece o mesmo convôsco, mas a mim aborrece-me solenemente ouvir os mediáticos peritos da economia nacional a darem pareceres sobre a situação económica do país.
O único que consigo ouvir com algum interesse, é o Medina Carreira que não faz nenhum esforço para branquear a irresponsabilidade e a incompetência dos governantes nessa matéria a ponto de deixar sem argumentos nem palavras os companheiros de programa [na SIC Notícias, Nuno Crato e outro que não sei o nome]. Ele põe os nomes ao boi, e como é "natural"os conformados do regime não gostam.
Precisamos de um Charles de Gaulle, dizia ele outro dia [eu estou de acordo], o problema é que dessa casta de homens já não se fabrica, e em Portugal praticamente nunca se fabricou.
A alternativa a um de Gaulle, é um novo Salazar [há sempre algum à espreita], ou... o que temos.

Nota:
Como é bem visível este vídeo já vai fazer um ano que foi gravado e a situação está exactamente como Medina Carreira previa, ou talvez pior...

23 novembro, 2009

Os dirigentes que o futebol tem

Num país normal, com uns media objectivamente isentos, não haveria mais que meia dúzia de linhas sobre o assunto: uma partida de futebol foi adiada para data a definir, devido ao campo de jogos estar impraticável. Ponto final. Mas não, nós não estamos num país normal, estamos em Portugal com comentadores e opinion makers maioritariamente tão parciais que chegam a ser desonestos, torcendo para o lado dos "vermelhos" tão descaradamente que o manto de imparcialidade com que pretendem cobrir-se está tão esfarrapado que não esconde coisa nenhuma.

Tratando-se de atacar o FCPorto, aí estão esses chacais a tentar morder para saciar o seu ódio e, neste caso, acrescidamente com um forte sentimento de frustração porque tinham a secreta esperança de que os Dragões perdessem o jogo e simultaneamente fossem obrigados a mandar para o estaleiro alguns dos seus jogadores nucleares.

Na realidade, até aqui nada de novo, pois as manifestações desses ódios pretensamente encobertos são habituais, mas neste caso há mais ilações a tirar. A primeira é a pobreza intelectual da argumentação do presidente da Oliveirense, afirmando que " já realizámos aqui jogos em condições piores e não houve problemas"(!!). Declarou também que se criou um "precedente perigoso", por ser possível que as equipas de Liga de Honra também recusem jogar em tais condições. Isto, note-se, opiniões de um "dirigente" que concorda que o relvado estava impraticável. Em que ficamos? Será que "dirigentes" deste calibre não compreendem que os profissionais de futebol tem tanto direito a ver salvaguardada a sua integridade física como qualquer outro trabalhador, e também que quem paga bilhete tem o direito de ver a sua despesa retribuída por um espectáculo com um mínimo de qualidade?

Outra ilação a tirar, é que mais uma vez a Liga de Clubes, sob a direcção do seu actual presidente, deu provas de incapacidade que justificam a necessidade de que, o mais rapidamente possível, haja uma total mudança na sua estrutura directiva, desejo este que se pode tornar extensivo à FPF que também sai muito mal neste retrato.

O futebol português merecia outro tipo de dirigentes.

ânimo rapazes, isto vai. Sejamos optimistas!

Face Oculta: Auditoria pedida pela REN não detecta "crime público"

Casa Pia: Juíza aceita alterações de factos imputados a quatro arguidos