11 março, 2011

O Estádio do Dragão também é Porto


Não é a primeira vez que o faço, nem será certamente a última,  tocar num assunto que se tornou uma espécie de vaca sagrada  à liberdade de pensamento.Reporto-me à trilogia   cidadão /adepto de futebol / bom senso. Não é por espírito de contradição, mas parafraseando o Almirante Pinheiro de Azevedo - que achava uma chatice e não gostava de ser raptado -, também eu tenho uma certa aversão ao unanimismo de certas "verdades" fossilizadas. Além de mais, é sempre útil procurar retirar o pó  às ideias feitas que o tempo e a incapacidade de pensar diferente quase transformaram em factos científicos.

Tendo lido vários  artigos  contra o centralismo de algumas figuras públicas portuenses simpatizantes do Benfica, , fica-me sempre a dúvida se teriam capacidade para manter a coerência intelectual caso fossem desafiados a falar com igual  honestidade sobre o que pensam da personalidade de Pinto da Costa. Como não sou jornalista, interesseiro e cobarde, vou escrever o nome de alguns desses [poucos] exemplos: Paulo Morais, António Souza Cardoso, Júlio Machado Vaz [que em jovem, cheguei a conhecer na praia da Aguda] e Mário Dorminsky. Todos, excepto Júlio Machado Vaz, colaboram activamente no semanário regional Grande Porto, e todos se têm assumido como adeptos da Regionalização, o que se aplaude, mas já não estou tão crente que essa lucidez possa ser extensível a uma análise honesta sobre os méritos do Presidente do FCPorto.

Dir-me-ão que uma coisa nada tem a ver com a outra, e é verdade. Porém, não é isso que parece. António Souza Cardoso, homem aparentemente civilizado, já foi comentador desportivo num canal de televisão, e tal como outros benfiquistas menos polidos, não foi capaz de fugir da vulgaridade de fazer as mesmas insinuações prejorativas acerca de Pinto da Costa. E estou a falar de uma raridade, de um benfiquista com nível, educado...  A clubite tolda-lhes a seriedade analítica de cidadãos. É que, ao fim e ao cabo, depois de tantas acusações públicas infundadas, de tantas tentativas de linchamento ao seu carácter, Pinto da Costa não fez mais [se calhar até fez menos] que muitos outros dirigentes desportivos, políticos e cidadãos comuns fizeram, ou seja, olhar pelos seus interesses.  

Fanatismos excluídos, encontrar no panorama actual da sociedade,  um benfiquista capaz de separar as águas do clube das águas da análise ao carácter de pessoas [PdCosta], é como encontrar uma agulha num palheiro. Os benfiquistas são todos iguais, têm características idênticas ao eucalipto, adoram secar tudo que os rodeia... E é aí que o conflito de afectos entre portuenses/portistas e benfiquistas se revela insanável, porque, enquanto os primeiros defendem um todo indivisível [cidade versus clube], os outros, esquartejam-no, dividem-no, como se o clube fosse um intruso e não fizesse parte dela, procurando impor-lhe um corpo estranho, um outro clube sem qualquer afinidade com a região e a cidade. Confundem o clube com a Selecção...

No Porto, para a maioria dos portistas, falar mal de Pinto da Costa é bem mais grave que criticar Rui Rio, porque realidades à parte, o primeiro fez incomparavelmente mais pelo nome e pela visibilidade da cidade que o outro. Não devia ser assim, concordo, mas cada qual tem as capacidades e  o prestígio que merece...

Mário Dorminsky disse no GP: "Lisboa é um minúsculo país, não temos aquele caquético jet set que aparece invariavelmente nas revistas". De acordo, mas essa Lisboa pindérica, é a mesma que pertence à região do seu clube de eleição, ao ninho do centralismo, cuja grande massa de adeptos, incluindo políticos, passam a vida a subalternizar o Porto, a incendear e a apedrejar autocarros, a destilar ódios em programas ditos desportivos contra o FCPorto, e a tudo fazerem para o destruir. Em que ficamos? O FCPorto e seus simpatizantes não são afinal mais Porto que os portuenses que os desprezam ?

É que esta coisa de lançar por sistema a culpa para cima do FCPorto é uma história que já fede de podre. Esta mania de querer separar à força os portuenses dos portistas é como tentar decepar os braços e as pernas a uma pessoa. A livre escolha dos afectos é um direito, mas nem por isso explica a incoerência inestética de um corpo amputado. E o Porto, custe o que custar, tem de continuar a manter o seu intacto, com o FCPorto incluído. 

10 março, 2011

O país Faz de Conta

Se os paises tivessem cognome, tal como era hábito fazer com os reis, Portugal só podia ser o Faz de Conta.

O jornal de ontem diz-nos que a PJ tem apenas metade dos efectivos que devia ter, que 70% da sua frota automóvel tem deficiências graves, e que os agentes estão há três meses em greve às horas extraordinárias, com a consequente falta de capacidade operacional que daí resulta. No entanto o ministério da Justiça faz de conta que está tudo bem.

Se fosse só isto...!

O país faz de conta que vive numa democracia representativa. Os políticos fazem de conta que estão honestamente empenhados em servir o seu país. O primeiro-ministro faz de conta que a crise económica já terminou, e também faz de conta que a crise não foi causada basicamente porque a nossa economia está estagnada há anos e nós gastamos sistematicamente mais do que aquilo que produzimos. Os partidos políticos fazem de conta que são a favor da regionalização mas sabotam-na de todas as formas e feitios. O sistema faz de conta que nã há promiscuidade entre o poder político e económico, e que todos os gestores de topo que estão no sector empresarial do Estado, foram aí colocados exclusivamente pela sua capacidade de gestão. O presidente do benfica faz de conta que é sério, impoluto, e irredutivelmente paladino da transparência. O seu treinador faz de conta que é um mestre de futebol e que sabe o que mind-games significa. O presidente dos árbitros da liga de futebol faz de conta que é imune às pressões exercidas pelo clube do regime. Os paineleiros televisivos benfiquistas fazem de conta que são modelos de fair-play, incapazes de caluniar, mentir, insultar, ou bolsar ódios contra quem não é da mesma cor.

A lista podia continuar, indefinidamente...

Entretanto nós, portugueses, fazemos de conta que somos europeus, primeiro-mundistas, membros insignes de um club restrito chamado Comunidade Europeia.

Pinto da Costa repórter...

Jogo de palavras entre Benfica e F. C. Porto aquece ronda da Liga Europa
Terá Pinto da Costa mudado de actividade, ou estará a tramar alguma? Assim raciocinam os mentecaptos do regime...

09 março, 2011

A pirâmide que vai cair de pôdre

A vida não é uma coisa fácil, sabemos isso. Nunca o foi. Em Portugal como noutros pontos do globo, quem tiver escrúpulos e se recusar enveredar pela via do compadrio ou da marginalidade, dificilmente terá acesso a grandes facilidades. Contudo, seria gratificante podermos contar com a boa vontade dos governos para tornar o futuro dos jovens minimamente atractivo. Em vez disso, o que é que temos?  Demagogia!

A comunicação social deixou de ser um suporte positivo de informação para o público.   Pela manhã, mal raia o sol, ligámos a televisão e  somos logo massacrados com toneladas de notícias negativas. Mais desemprego,
greves, corrupção, despedimentos, guerras,  revoluções, inflacção, negócios falidos, e muito poucas notícias positivas. Chamam a isto civilização.

Se optarmos por     mudar de  canal, é bem provável desembocarmos num outro qualquer onde  figuras públicas procuram passar por figuras de prestígio [leia-se,de competências confirmadas],  debatendo a(s) crise(s) e apelando, como manda a moda,  ao positivismo. Pelo meio, talvez para conferir alguma  "coerência" ao discurso, vão-nos "prevenindo" que o emprego para toda a vida tem os dias contados, o que faz todo o sentido...

E os jornalistas, naquele jeito peculiar de quem se acha actor insubstituível  da causa pública,vão dando corda ao populismo dos comentadores,sem se atreverem a confrontá-los com a aberração das suas sábias premonições. Sempre dá menos trabalho fazer as mesmas perguntas, das quais todos adivinham a resposta, do que confrontá-los com a sua mediocridade ideológica e desafiá-los a apresentar respostas sérias.

Seria serviço público sim, se em vez de aceitarem "soluções"  simplórias e fatalistas, como essa do múltiplo emprego precário, os jornalistas lhes colocassem questões pertinentes, embaraçosas mesmo, como por exemplo: "não estará o Mundo equivocado sobre o conceito de progresso/produtividade? Afinal, a quem serve uma máquina que produz mais, em menos tempo, se o resultado acaba invariavelmente no desemprego de centenas ou milhares de seres humanos? Que importância terá  afinal  produzir mais e  melhor  se, consequentemente, essa "mais valia" acaba invariavelmente por gerar um menor poder de compra das populações? Não haverá que reformular toda esta concepção absurda e atabalhoada   de desenvolvimento?

Aceitar placidamente paradigmas de regressão económica e social inconsistentes, sem ao menos os contestar,será contribuir para o progresso da Humanidade?  Estarão os líderes mundiais, sem se aperceberem, a exercer discriminação com o próprio progresso? Isto é, existe empenho e capacidade para aperfeiçoar, inovar a tecnologia da máquina e não se é capaz de usar a mesma vontade para melhorar a qualidade de vida dos seres humanos?

Colocar este tipo de questões é coisa de que ninguém se lembra, nem os jornalistas. Preferem imitar os políticos: falar, sem dizer nada. Os poderes copiam-se.

07 março, 2011

Orelhas de burro

No rescaldo do jogo entre o Sporting de Braga e o Benfica, em que a equipa nortenha levou de vencida o clube de bairro lisboeta, o presidente benfiquista [ mais conhecido por "Orelhas"], decidiu romper o silêncio que um período inabitualmente longo de victórias deixou os mais crédulos confundir com estratégia ou, na melhor das hipóteses, com fair play... Puro engano.

Decididamente, o "Orelhas" é bronco dos pés à cabeça, e não consegue disfarçá-lo mesmo quando a vida lhe parece sorrir. Ontem perdeu, e como perdeu resolveu ir para a zona mista falar com os jornalistas para desatar a bater nos árbitros e em tudo o que mexia ou estava quieto. Desta feita, recorreu à astrologia para se inspirar e proferir a frase do ano:

"estava nas estrelas que tudo isto ia acontecer", ou então esta: " se houvesse dúvidas, provou-se que era muito difícil o Benfica chegar lá acima. Fomos constantemente empurrados"

O Renovar o Porto soube, de fonte fidedigna, que a conversa com os jornalistas andou dentro destes parâmetros:

Jornalista:
Senhor Orelhas, o que é o senhor quis dizer com "estava nas estrelas que isto ia acontecer", é capaz de explicar?

Orelhas:
- Então você não viu o que toda a gente viu?

Jornalista:
- Vi o Benfica perder...

Orelhas:
-No espaço homem, você não viu? Toda a gente viu, até um cego via!

Jornalista:
-No espaço vi umas estrelinhas, mas poucas. O céu estava um tanto encoberto...

Orelhas:
-Entre a estrela Sirius e a Alfa de Centauro, ele estava lá...

Jornalista:
-Ele quem?

Orelhas:
-Ele, o Pinto da Costa, quem havia de ser

Jornalista:
-E o que é que ele estava a fazer entre as estrelas?

Orelhas:
-A suborná-las

Jornalista:
-A subornar as estrelas, presidente? Para quê?

Orelhas:
-Para que havia de ser, homem! Estava a subornar as estrelas para, através da energia magnética influenciarem o árbitro e prejudicar o glorioso. Percebe? A Liga tem de ver isto é sempre a mesma coisa!

Jornalista:
-Acha que foi por isso que o Benfica perdeu o jogo?

Orelhas:
-Por isso, e por causa das toupeiras

Jornalista:
-Das toupeiras? Também elas foram subornadas por Pinto da Costa?

Orelhas:
-É claro, foram elas que deram o efeitinho à bola - sem ninguém ver -, nos golos do Hugo Viana e do Mossoró, senão nunca entravam na baliza. O nosso guarda-redes defende tudo. Tudo!

Jornalista:
-Então foi por isso que o Benfica não ganhou?

Orelhas:
-Estava tudo viciado. Estava escrito nas estrelas, nas toupeiras, nos pneus...

Jornalista:
-Disse pneus, presidente?

Orelhas:
-Quem falou em pneus? O que eu disse foi que tinha fé em Deus. O Benfica ainda vai ser lampião - quero dizer - campeão.

Jornalista:
-sim, senhor presidente...





05 março, 2011

Fado, maldito fado.

Qualquer pessoa minimamente atenta - que não do tipo básico, viciada em medir a qualidade dos políticos pelo status, pela aparência ou pela desenvoltura no patoá -, já teve tempo de sobra para concluir que os nossos governantes não andam longe deste estereótipo, ou que até o superam por defeito. A cada acção do Desgoverno Socialista segue-se a asneira, e à accção seguinte, uma asneira ainda maior. Depois, vem o desaforo e por fim a traição. É uma espécie de concurso endógeno de mediocridade individual e colectiva talvez para descobrir qual das medidas é pior que a antecedente.

Numa democracia árida de valores, que ainda não nos oferece meios para podermos desbaratizar as pragas do pós 25 de Abril, antes de se tornarem viroses, estas graves evidências são apreciadas com o mesmo grau de indignação que um mau filme de terror em que o espectador se limita a levantar-se para abandonar a sala de cinema. Grave, é  não termos consciência da responsabilidade que nos cabe de continuarmos a avaliar a incompetência governativa com excessiva ligeireza. Não percebemos as poucas "armas" que temos e não somos capazes de as usar a nosso favor de modo a livrarmo-nos desta garotada que ascendeu ao Poder sem qualquer sentido de responsabilidade nem grande experiência da vida.

Não fora isso, não haveria réstea de autoridade moral para nos sonegarem alguns direitos caso já tivéssemos conseguido penalizar sem hesitações este e outros governos por vários actos de traição à pátria decorrentes de sucessivos incumprimentos legais e constitucionais. Hoje, a Regionalização só é um "problema" porque alguém quis que o fosse. Passou a ser um "problema" forçado por alguns "iluminados"que decidiram, por moto próprio, incumprir com o Artº.256 da Constituição da República de 1976 boicotando assim a sua implantação.  O referendo por isso é um embuste. Não passa de mais uma burocracia formal cujo único objectivo é dificultar o processo de Regionalização.

Agora, até Rui Rio já anda por aí "empenhado" em debates de âmbito regionalista... Diz ele que quer promover a discussão e a reflexão colectiva sobre o tema. Para isso, vai convidar algumas pessoas [personalidades de grande relevo intelectual, diz ele]  que pouco ou nenhum interesse têm mostrado pela Regionlização. Querem saber quem são as figurinhas? Então, aqui vai [mas não se riam]:

o 1º. debate que é o mais tragicómico, será com Pinto Balsemão, Mário Soares e Freitas do Amaral... O 2º. é com Santana Lopes, Rui Ramos e Garcia Leandro. O 3º. debate [um pouco mais convincente] é com Rui Moreira, Lobo Xavier e Abel Mateus. 4º. com Marinho Pinto, Laborinho Lúcio e Paulo Rangel. O 5º. [não gozem ] Maria João Avillez, Azeredo Lopes e Manuel Teixeira.

Há mais, mas prefiro ficar-me por aqui. Suponho que chega. São as "elites" que temos... e o país correspondente.

04 março, 2011

Parceria FCPorto / PortoCanal

Sendo prematura qualquer opinião aprofundada sobre a parceria anunciada no post anterior, atrevo-me contudo a dizer: "Até que enfim!"  Tinha de ser o FCPorto! Ai, sociedade civil por onde andas... 

É conhecida a forma competente e cuidadosa como o FCPorto estabelece os seus negócios, quer sejam as contratações de jogadores, como os momentos que escolhe para as divulgar. Daí, estar plenamente confiante que a direcção da SAD saberá salvaguardar os interesses do clube também neste protocolo com a Porto Canal de modo a manter a sua autonomia inteiramente intacta. Do mesmo modo se  louva a abertura do Canal da Senhora da Hora por esta parceria com a qual, estou convencido, terá muito mais a ganhar do que a perder.

Como já antecipei, ainda é cedo para deitar foguetes, mas esta iniciativa só peca por tardia, embora,  como é óbvio, caiba apenas e só aos intervenientes a responsabilidade de escolher os timings. Esta notícia é mesmo assim uma lufada de ar fresco no panorama poluído dos media nacionais dado constituir uma janela de autonomia de expressão não só para o Porto como para todo o Norte Nacional. Por isso também me parece acertada e louvável a ideia de querer manter o carácter generalista e territorial da estação, e não apenas um canal do FCPorto, continuando apostada em cobrir todas as regiões e cidades nortenhas dando-lhes a voz que os media centralistas lhes têem recusado de forma justa e equilibrada.

Por outro lado, espera-se que este seja um "casamento"  feliz de mútuo interesse e que saiba por-se a salvo das investidas cobiçosas do centralismo que tudo irá fazer [podem estar certos] para o conduzir ao divórcio...

FC Porto poderá assumir posição estratégica no Porto Canal


O FC Porto e o Porto Canal assinaram um protocolo que conjugará interesses das duas instituições, podendo o clube, “até ao Verão, assumir uma posição estratégica” naquela estação televisiva, revelou hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

A cooperação entre as partes foi anunciada hoje pelas duas entidades em comunicado oficial nos respectivos "sites" na internet e ambas referem o reforço da sua imagem e intenções ao nível da comunicação.

O Porto segue assim um caminho diferente do Benfica, que tem um canal próprio, sendo que o clube nortenho aposta num canal regional e generalista já existente.

A sinergia de meios e plataformas de comunicação e marketing “levará a um posicionamento estratégico" do clube na empresa que gere o Porto Canal, assegurou a mesma fonte.

A transmissão em directo do FC Porto-Benfica, da 20.ª jornada do campeonato nacional de hóquei em patins, no sábado, será já um sinal claro do entendimento em curso entre as duas instituições.

O FC Porto revela no memorando de entendimento com os proprietários do Porto Canal (Media Luso, empresa participada do grupo espanhol Mediapro) que tem “como objectivo reforçar a expressão pública e o relacionamento" da instituição, "assim como promover a marca e os produtos e serviços associados”.

Por sua vez, sobre as intenções do protocolo, o Porto Canal anuncia que “será chamado a assumir uma dimensão reforçada no panorama televisivo português, consolidando o trajecto de reforço da notoriedade, da relevância e das audiências que tem vindo a percorrer”.

A Media Lusa é uma empresa com experiência nas transmissões televisivas do futebol português, assegurando os meios técnicos para a totalidade das transmissões televisivas para os vários canais portugueses, SportTv, RTP, SIC e TVI.

“O acordo é o primeiro passo de um plano que permitirá o reforço dos canais de comunicação e marketing do FC Porto, nomeadamente a nível da televisão, novos media, e ferramentas sociais”, lê-se ainda no comunicado do FC Porto, que remete para data oportuna mais informações sobre o assunto.

Por sua vez, o Porto Canal refere que o acordo “assegurará o incremento de meios de comunicação ao dispor de uma das instituições mais importantes do País”.

03 março, 2011

Matar a Regionalização


Sob pena de fruir de uma candura já sem hipótese de redenção, ninguém se pode admirar pelo facto de José Sócrates ter enjeitado mais um dos seus múltiplos compromissos eleitorais.

Na verdade, é difícil recordar um só que tenha sido levado até ao fim - a regionalização, apesar de reiteradamente anunciada nos programas dos dois Governos socialistas, no fenecido PRACE, em comícios e em exibições "marketeiras" variadas, acabou por ter o triste fim de todas as demais declarações de intenções deste primeiro-ministro.

Servindo-se da boleia falaciosa da crise, que tudo quer desculpar (na premissa instalada de que fazer política se reduz à arte de tratar as pessoas como seres incapazes de raciocínio próprio), Sócrates voltou a dar o dito por não dito e disse que "não estão reunidas as condições" para cumprir a regionalização.

Só que não ficou por aí: na moção que leva ao Congresso deste PS tragicamente domesticado, Sócrates precipita-se num arremedo de medidas amalgamadas, sem amparo na Constituição e cujos efeitos redundariam em (ainda) mais centralização. Falo, sobretudo, na ideia de eleger directamente os líderes das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

A descentralização territorial, constituiu o modo mais idóneo de se adquirir um desenvolvimento homogéneo - até a Grécia, (pen)último reduto dos ideais centralistas, para poupar na despesa pública, regionalizou-se em Janeiro passado com o Plano Kallikratis.

Entre nós, a desigualdade mais gritante nos vários índices de riqueza e de massa crítica é a que existe entre uma faixa litoral de pouco mais de 50 quilómetros e o resto do País. E mesmo dentro dessa estreita cinta litoral, resistem discrepâncias assustadoras se compararmos os níveis de desenvolvimento da região de Lisboa (e até do Porto) com o que se passa em Setúbal, Viana do Castelo ou Leiria.

As medidas agora atabalhoadamente preconizadas por Sócrates têm o condão maligno de privilegiar as áreas mais apetrechadas e mais ricas, Lisboa e Porto, com os benefícios evidentes da descentralização, esquecendo, novamente, as restantes e, sobretudo, as necessidades pungentes do interior do País - zona que parece governamentalmente predestinada a remeter-se a lides de apascento de cabras, de turismo rural e num imenso eucaliptal, cada vez mais deserto de gente e de condições mínimas de desenvolvimento.

Sócrates, em 2007, fez cessar a "Reforma Relvas" em nome da futura regionalização - agora, reproduz vários dos seus aspectos mas retirando-lhes qualquer bondade descentralizadora.

Recordemos que as cinco CCDR já foram despidas de poderes e relevância e que foi proibida a eleição dos seus presidentes. Este chorrilho de medidas hoje ameaçadas por Sócrates irá extinguir a viabilidade do mapa das cinco regiões-plano e o projectado ensaio das regiões-piloto: nem o mais carunchoso centralista se atreveria a tanto...

Sejamos claros: Sócrates não se limitou a adiar a regionalização - caso avance o seu deplorável remendo de remodelação administrativa, liquidou o ensejo de se poder realizar uma reforma descentralizadora decente neste País, de longe, o mais obsessivamente centralizado do mundo civilizado.

[Carlos Abreu Amorim/DN]

Ponte de Entre os Rios cai pela segunda vez

Paulo Teixeira, presidente da Câmara de Castelo de Paiva à data da tragédia da ponte de Entre os Rios, vai apresentar amanhã um livro que escreveu sobre o assunto. Este livro pode ser considerado uma espécie de epitáfio da Regionalização, que o PS acaba de enterrar pela segunda vez com o silêncio cúmplice do PSD e o alívio do CDS.

A propósito do livro recordou Paulo Teixeira que recebeu em Castelo de Paiva 19 membros de dois governos, sendo que pelo menos dois deles lhe confessaram que nunca tinham ido ao Norte. (E atenção que para muita desta gente o Norte começa nas portagens de Alverca.)

Quanto mais depressa se voltava a pôr na agenda a questão da Regionalização, mais depressa os seus figadais inimigos arranjariam forma de abortar o tema. Na verdade, ao longo dos últimos meses políticos e não políticos de vários quadrantes fizeram um esforço para que o debate sobre esta reforma essencial para a modernização e desenvolvimento geral do país voltasse a ser discutida.

Como novidade em relação aos tempos anteriores de debate assistimos à entrada em cena de novos protagonistas, muitos deles antigos adversários convertidos à bondade do tema e também à introdução de novos argumentos que vieram colocar a questão da Regionalização completamente fora da velha disputa entre Porto e Lisboa.

Hoje em dia, ninguém minimamente informado considera que a Regionalização seja apenas mais um episódio da guerra de disputa do Poder entre as macrocefalias das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa. É ponto assente que o que está claramente em discussão é uma melhor, mais eficaz e mais justa distribuição dos recursos nacionais pelo todo nacional que os gera. Também já ninguém minimamente sério vai na historieta de que a Regionalização é um paliativo para criar "mais tachos" e gastar mais dinheiro. Ainda há um ou outro "Velhinho do Restelo" como Medina Carreira, que são capazes de dizer que a Regionalização é apenas uma forma de gastar mais dinheiro público, mas isso é hoje visto como uma tolice a que já poucos ligam.

O verdadeiro problema que a Regionalização não consegue resolver (e por isso mesmo nunca mais a deixam avançar) é como é que é possível fazer uma reforma destas sem beliscar o Poder, os interesses financeiros e as mordomias dos senhores que vivem em Lisboa sentados à mesa do Orçamento.

[Manuel Serrão/JN]

02 março, 2011

Tão 'socratista' que ele está...


Pacheco Pereira segurou-se enquanto pôde. Agora, em pânico mal escondido, na cauda das doutas dicas de Pedro Santana Lopes e de Proença de Carvalho, receando que estes tempos do fim de Sócrates redundem numa vitória do PSD que não o ‘seu’, surge desastradamente a defender o ainda primeiro-ministro: “Se este governo conseguir manter a execução orçamental, acho preferível que continue até ao fim da legislatura”, garantiu o desolado ex-guru da liderança de Ferreira Leite.

Então, agora, inopinadamente, Pacheco Pereira já deseja Sócrates por mais 3 (três) anos? Já julga a sua governação minimamente decente, já a tem como “preferível” a uma mudança que prevê irremediavelmente “traumática“?

Pacheco Pereira parece confundido. Embaraça as conveniências do seu grupo com os interesses do partido e crê-os, os primeiros, sempre, como as únicas vantagens disponíveis para o País. Tragicamente ofuscado pelo sectarismo, avisa que “tem de haver uma razão fortíssima para o PSD participar em qualquer processo que implique a queda do governo”.

Pois tem – se calhar, essa “razão fortíssima” radica no modo como temos vindo a ser desgovernados nos últimos 6 anos. Ou na forma como este Governo nos tem enganado, martelando números e estatísticas, esfacelando as esperanças das gerações mais novas e desesperando todos os outros sem nunca mostrar competências mínimas naquilo que faz.

Pacheco Pereira sabe bem, mas não se importa, que este Governo é a crise dentro da crise. Que o maior trauma que este País pode continuar a sofrer é a manutenção deste primeiro-ministro de anúncio em anúncio e de mentira em mentira. Ao fazer as vezes de paladino de Sócrates, cinicamente, Pacheco Pereira inverteu novamente o símbolo do seu partido. A sua preocupação exclusiva centra-se nos pequeninos proveitos do seu pequeno cardume de aduladores – o País que se lixe, que fique com o Sócrates…

[Carlos Abreu Amorim, in Basfémias]

Regionalização outra vez

O secretário-geral do PS aproveitou o regaço que a reunião de tropas sempre concede para, no passado sábado, apresentar aos militantes e ao país a moção global que levará ao congresso em que será reeleito. O texto tem um sugestivo título - "Defender Portugal, Construir o Futuro", poderosas empreitadas que José Sócrates promete liderar. Devemos desejar-lhe boa sorte.

Defender Portugal e construir o futuro far-se-ão (se se fizerem...) sem regionalização, pelo menos até ao final desta legislatura (se lá chegarmos...). José Sócrates tentou fugir do tema como o diabo foge da cruz, mas, lá pelo meio, acabou por dizer que não estão reunidas as condições para avançar com a reforma que prometera, cheio de pujança, quando se candidatou a um segundo mandato como primeiro-ministro.

Justificação aduzida: "Neste momento, as circunstâncias económicas e políticas - em boa parte dada a recusa do PSD em avançar efectivamente para a regionalização - não favorecem, de todo, este movimento. Ignorá-lo seria um sinal de falta de lucidez, que poderia conduzir à derrota definitiva da regionalização".

Isto cola? Não cola. Se é verdade que o argumento da crise económica e financeira deve ser devidamente ponderado (é discutível se meter um tema como a regionalização no meio do desarranjo do país não pode ter mais custos do que benefícios políticios), já não é verdade que a actual posição do PSD seja obstáculo de monta. A nova direcção social-democrata quer avançar com uma região-piloto (em princípio, o Algarve) para testar os efeitos da regionalização. Pode discutir-se se o teste não deve ser feito nas cinco regiões, pode discutir-se tudo e mais alguma coisa, mas não pode discutir-se a abertura do PSD.

Mais: sendo evidente que a região-piloto rapidamente provaria a sua eficácia em relação ao que hoje existe, dar-se-ia um passo importante para referendar a regionalização.

De modo que tudo não passa de conversa fiada. O que o PS verdadeiramente não quer é correr o risco de sofrer, a meio de uma legislatura tão complicada, uma derrota nas urnas, caso a regionalização fosse de novo rejeitada. O que o PS verdadeiramente não quer é alinhar com o PSD para, de uma vez por todas, desembaraçar o nó que os dois partidos criaram, quando pateticamente instituíram o duplo referendo (ao modelo concreto, por um lado, e ao mapa das regiões, por outro). Essas são as razões para o novo posicionamento táctico dos socialistas. Os mesmos que desejam defender Portugal e construir o futuro.

[Paulo Ferreira/JN]

01 março, 2011

Burocratas, fora da capital!

O que as pessoas realmente querem não é conhecimento mas certeza e, certamente por isso, comentadores ilustres, seguindo, literalmente, o pensamento de Bertrand Russell e imaginando-se como ele matemáticos geniais, divertem-se (e divertem-nos) a dar opiniões com a firmeza de axiomas. Não precisam de apresentar premissas nem sequer de estabelecer uma argumentação básica. Como Medina Carreira no i de ontem, ao proclamar (afirmar é pouco) que "a regionalização é uma forma de gastar dinheiro". O antigo ministro das Finanças assume, neste como noutros assuntos, uma posição dogmática, filiada no facto de, segundo ele, em Portugal haver "uma cambada de burocratas a quem a regionalização serviria muito bem". Mas, na sua fúria fundamentalista, o notável observador acaba por indicar o caminho: tirar os burocratas da capital, por ser aí que a esmagadora maioria está sedeada, graças a um centralismo que sangra e mirra o país.

Gostaria de ver brilhantes analistas a fazer proclamações, de Bragança ou Portalegre, Melgaço ou Lagos, contra as duas faces da mesma moeda que são o PS e o PSD, os quais, desde Francisco Sá-Carneiro, têm andado a desenterrar e enterrar a regionalização e outras coisas, ciosos de uma prioridade: manter o poder segurando bem a gamela. Não importa que, conforme dá jeito, se distorçam os PIDDAC e os QREN, se consolide a desertificação, se opte por um TGV para a Europa que conta. Este Portugal cada vez conta menos e os portugueses que o sentem já não precisam de ir a salto como antigamente. Nem necessitam de um comboio de alta velocidade. Vão, e deixam os centralistas a acabar de destruir a terra lusitana.


Alfredo Barbosa
Docente da
Universidade Fernando Pessoa
[Fonte: Jornal i]

27 fevereiro, 2011

Povo burro

Custa-me afirmá-lo, porque também nasci em Portugal, mas o povo deste país sofre mesmo de um baixíssimo quociente de inteligência. Este povo ainda não percebeu que não lhe vale de muito imitar a chico-espertice da classe política porque nunca poderá contar com o mesmo protectorado do Estado, nem tão pouco com a defesa de advogados caros. Este é um povo burro e com a dignidade dos vermes, caso contrário nunca Sócrates teria na vida sido 1º. Ministro, nem Cavaco, Presidente da República.

Temos o que merecemos?  Talvez alguns tenham, não todos. Eu, pelo menos - desculpem-me descartar-me das multidões -, não tenho, porque nunca dei [nem darei] o meu voto de confiança a este tipo de protagonistas. E orgulho-me muito disso, ainda que pouco possa fazer com esse orgulho para alterar o rumo da realidade, que é o que mais me deixa frustrado.

Sócrates, um mentiroso compulsivo, não se cansa de espalhar as provas da aversão que tem pelo rigor, e pela honra e, contudo, mantem-se no Poder, "cheio" de optimismo... Ontem, deu mais uma cambalhota de 180º às promessas que fez no passado remoto e recente para impingir ao povo do Norte mais uma desculpa básica para renunciar à reforma administrativa do Estado, que é como quem diz, à Regionalização, alegando a sempre "utilitária" crise. É uma peta antiga, infantil, mas para um povo sem brio nem orgulho como o nosso, a peta ainda pega. Isto explica de per si o total descaramento, a completa falta de respeito que os políticos demonstram pelos eleitores e Sócrates não será seguramente o último. Outros se lhe seguirão, vão ver. No horizonte político não se vislumbra ninguém com capacidade para inverter esta tendência, com a agravante de o "exemplo" ser copiado por uma classe empresarial arcaica e oportunista.

Como eu gostava de viver num Norte Unido, que fosse capaz de se organizar e de lançar ao mais profundo desprezo os próximos actos eleitorais, deixando completamente  vazias as urnas de voto.  É isso mesmo. Sou um sonhador, eu sei, mas pela minha parte garanto-vos que farei desse sonho realidade.

Ah, pois...há o Movimento Pró Partido do Norte. A esse irei acompanhá-lo e apoiá-lo até ao fim. Depois, veremos se tenho ou não razão...

26 fevereiro, 2011

PARA QUÊ REGIONALIZAR O QUE JÁ ESTÁ “REGIONALIZADO”?

Mário Dorminsky

Ainda pensei que, por ser Inverno, tivesse sido assaltado por uma febre súbita. Mas voltei a ler a notícia e não: estava lá. Houve mesmo quem propusesse que a região-piloto (a eventual rampa do processo de Regionalização) fosse em Lisboa(!) e há um mês falou-se no Algarve…em tempos de Fantas, valerá a pena dizer que tais ideias são “fantásticas”!

Como é que se pode “gozar” com um tema tão sério e importante como este? Se fosse o Minho e Grande Porto, áreas que integram a região “mais pobre da Europa”, aí sim, notar-se-ia coragem e vontade dos nossos governantes de levar para a frente este, que para mim é um desígnio nacional mas…este Norte continua (e continuará infelizmente por alguns anos mais…) a ser qualquer “coisa” residual para este país minúsculo a que se chama “Lisboa”.

Ironia e sarcasmo de parte, esta introdução serve-me apenas para ponderar muito seriamente sobre a existência de uma corrente ideologicamente bem preparada, que não consegue vislumbrar soluções politicas e orgânicas para o Pais que não aquelas que centralizam, como disse, todo o Poder na capital.

E pergunto-me se ainda vale a pena continuar a explicar, tal como se explica a uma criança de cinco anos, que o Centralismo coloca toda a máquina do Estado num único local, que o Poder faz convergir para esse local todos os centros de decisão, sejam eles públicos ou privados e que isso é desastroso para o País.

Basta ver que mais de metade dos fundos comunitários continuam a convergir para Lisboa e que o rendimento per capita de um cidadão da Grande Lisboa é, na maioria dos casos, quase mais um terço que no resto do Pais.

Três décadas depois de implantada a Democracia, custa-me que o velho jargão do antigo e caduco regime ainda esteja na ponta da língua dos que desabafam as agruras no Porto, Bragança, Castelo Branco, Beja ou Faro: Lisboa é cidade e o resto é a tal “paisagem”.

O problema é que ainda por cima é uma “paisagem” que definha continuamente. Enquanto se perora sobre as virtualidade do TGV (tê-las-á, mas falta-nos dinheiro e estratégia séria para também ter palavra sobre o tema), fechou mais uma fundamental estrutura de saúde pública em zona deprimida: Celorico de Basto. O Serviço de Atendimento Permanente (SAP) agora encerrado não servia apenas aquele concelho, será importante referir.

Os critérios meramente economicistas de hoje (que poupam uns euritos para se enganar os critérios públicos das Finanças) vão ser caríssimos para a sociedade no futuro próximo. Na realidade, aqui pelo Norte e por outras regiões já o estamos a pagar...

Não fazer a Regionalização é continuar a pôr mais de metade dos Portugueses a pagar as facturas dos restantes. É travar o desenvolvimento e acentuar assimetrias. Não regionalizar é continuar a permitir o envelhecimento das comunidades e a desertificação interior e até do Norte em geral.

Por isso, dizer que Portugal não pode gastar agora dinheiro a reciclar o regime é enganar as pessoas, é mentir aos cidadãos. O País – este regime – tem é de ser reciclado. A Democracia tem que melhorar as suas ferramentas ao nível da cidadania. E uma delas é, indubitavelmente, a Regionalização.

25 fevereiro, 2011

Help me / Joni Mitchell

A sem vergonhice supera todos os records

Juiz Carlos Alexandre perde processos, ler aqui: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/carlos-alexandre-juiz-freeport-corrupcao-governo-tvi24/1235462-4071.html

O desperdício nacional

Queixamo-nos de falta de recursos, mas mal damos conta do nosso grau de desperdício. Por exemplo, o país tem escassas fontes próprias de energia, mas a eficácia energética de Portugal é das mais baixas da Europa.

A maioria dos estádios construídos para o campeonato europeu de futebol em 2004 não consegue hoje sequer pagar a sua manutenção. E boa parte dos fundos europeus é gasta por privados e entidades públicas apenas para aproveitar o dinheiro em empreendimentos sem viabilidade.

É o caso de muitas auto-estradas. Hoje temos uma densidade de auto-estradas 25 % superior à média europeia, sem tráfego que justifique boa parte da rede. Uma desastrada aplicação de recursos escassos.

É a pressão dos empreiteiros e a obsessão nacional pelo automóvel, símbolo de estatuto social. 20% dos portugueses com menos de 30 anos compram carros novos, contra apenas 11% na UE, onde a preferência dos jovens vai para os usados. Somos o terceiro país europeu com mais carros por cem habitantes e Portugal é o membro da UE onde se compra um automóvel novo mais cedo: aos 43 anos, contra os 50 da média europeia.

Entretanto, o caminho-de-ferro foi desprezado, apesar das críticas que os socialistas dantes faziam à política do betão . Entre 1988 e 2009 os comboios portugueses perderam 43% dos passageiros, enquanto em todos os outros países da Europa ocidental o tráfego de passageiros no caminho-de-ferro subiu consideravelmente. Agora o Governo insiste no TGV, que promete ser um sorvedouro de dinheiro na construção e na exploração. Isto, quando o Porto de Sines ainda não dispõe de uma ligação ferroviária a Espanha digna da sua importância estratégica.

E tem sido criminoso o desperdício no sector da habitação. Salazar congelou as rendas em Lisboa e Porto. Em 1974, após o 25 de Abril, o congelamento foi estendido a todo o país. Seguiram-se anos de inflação alta, mas as rendas não mexeram. E, quando finalmente começaram a ser actualizadas, partia-se de uma base tão baixa que inúmeros senhorios continuam hoje a não ter hipótese de financiar obras nos prédios, que assim vão apodrecendo.

Compreensivelmente, o mercado de arrendamento quase desapareceu. E como, com a entrada no euro, as taxas de juro baixaram muito, a solução (para quem podia!) foi comprar casa com empréstimo bancário. Ora, para uma sociedade com o poder de compra médio da portuguesa, a opção predominante, porque mais racional, deveria ser alugar e não comprar casa. Mas nenhum governo se atreveu a mudar a sério a lei das rendas (com excepção do executivo de Santana Lopes, que não teve tempo para pôr em vigor uma lei que o governo de Durão Barroso receou publicar).

O resultado foi a desertificação do centro das cidades como Lisboa e Porto e o afastamento dos moradores para as periferias. É brutal o que isso significa em matéria de custos privados (no carro, na gasolina, no título de transporte, no stresse dos congestionamentos de trânsito) e custos públicos, nas rodovias e no urbanismo selvagem.

Agora, com o crédito caro e difícil, mais gente quer alugar casa. Mas a oferta é escassa, ficando aquém da procura. Por falta de casas? Pelo contrário, temos cerca de três casas por cada duas famílias (outro absurdo, havendo gente ainda a viver em barracas ou quase). E há mais de meio milhão de habitações devolutas.

O retraimento dos potenciais senhorios tem a ver com a actual e ineficaz lei do arrendamento, com um tratamento fiscal desfavorável e com o estado calamitoso da Justiça portuguesa. Parece que está a tornar-se hábito alugar casa, deixar de pagar a renda ao fim de um ou dois meses e esperar, continuando a habitar a casa, que o senhorio consiga um efectivo despejo, o que demora largos anos.

A irracionalidade destes enormes desperdícios sai cara ao país, embora alguns lucrem com ela. Mas quem se importa?

[Francisco Sarsfield Cabral, in Sol] 

24 fevereiro, 2011

Humanismo da treta

Tenho para mim que o ponto onde a hipocrisia atinge o seu auge é quando a intelligentia desata a falar sobre direitos humanos a reboque de um acontecimento mediático de previsível condenação pública. Estes factos são recorrentes, e têm como protagonistas os tradicionais experts   mais a classe política e os governantes. Será das poucas situações em que todos estarão de acordo ainda que prefiram dar a entender que não. 

Cá o rapaz entende que o respeito pelos direitos humanos devia começar pela base, isto é, pela salvarguarda de condições de vida dignas e equilibradas para todos os cidadãos, sem qualquer discriminação. Ora, não é isso que acontece. Nem mesmo as diferenças académicas e as competências ou os méritos profissionais entre humanos justifica minimamente as remunerações  aberrantes que os separa. Os direitos humanos violam-se desde logo, aqui, com este tipo de concepções, e todos parecem aceitá-los. Então, por que é que os governantes fecham os olhos? Porque, na realidade, estão-se a borrifar para os direitos humanos!  

É por isso, que me provoca um profundo nojo todo o "humanismo" de circunstância, como aquele que levou a comunidade politicamente correcta a criticar o GISP [Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais] por terem usado uma pistola de Taser - que emite corrente eléctrica - para neutralizar um preso altamente perigoso e indisciplinado. Agora, até o Ministro da Justiça vem a terreiro condenar a actuação da guarda para ficar "bem na fotografia" perante a sociedade. O que ele merecia, é que a Polícia o mandasse para a cadeia demonstrar na prática como é que se lida "humanamente" com estas situações, mas duvido que haja coragem para tanto.

À medida que esta Democracia passa e se destrói, vou-me convencendo que estas preocupações excessivas para com criminosos de delito comum não são mais do que uma forma cínica do Poder se proteger dos seus próprios crimes. Talvez resida aqui a explicação para que Processos como o Face Oculta e outros onde estão envolvidos alguns tubarões acabem invariavelmente por prescrever.

A propósito, alguém sabe o que o Sr. Ministro da Justiça está a fazer para apanhar o foragido Vale e Azevedo?  

22 fevereiro, 2011

Doce violência

Sobre as imagens terceiro-mundistas do post anterior queria acrescentar o seguinte:
  1. Já tomámos consciência de que as operadoras de televisão centralistas não pugnam pela seriedade. Como não são absolutamente estúpidas,  transmitiram as imagens das cenas de violência entre a Polícia e adeptos do Sporting. Não são absolutamente estúpidas, porque sabem que hoje em dia, com a tecnologia nas mãos de qualquer espectador [telemóveis com máquinas fotográficas, máquinas de fotografar e de filmar], seria algo complicado abafar ou ignorar ocorrências como as que aconteceram ontem em Alvalade sem serem denunciados. 
  2. O que torna execráveis tais padrões informativos, é a pestilenta moralidade de alguns dos seus comentadores quando situações semelhantes e de menor gravidade ocorrem com adeptos do FCPorto. Aí ninguém os pode aturar com cínicos apelos  à paz e ao civismo, acompanhados de "sugestivos" convites às autoridades para actuarem sobre os infractores. Depois seguem-se semanas, mêses, anos mesmo, de propaganda anti-FCPorto do tipo neo-nazi, procurando colocar o clube nortenho ou os seus dirigentes ao nível dos chefes da Camorra napolitana. Se acrescentarmos ao folclore os pareceres dos filhinhos freita-amarelistas [que desonra, se fossem meus filhos!], está montado o cenário perfeito de um país governado por gente desqualificada. Não peco por exagero, podem crer, porque se tivéssemos uma única autoridade superior com intrínseco estatuto para a função, toda esta promiscuidade terminava. Assim, com Cavacos, Sócrates e Monteiros, temos um Portugal ao nível do seu real valor. O país não presta, porque esta gente não presta. Ponto.

Violência lisbonária e o "silêncio" dos media



Não foi no Porto, foi na província, em Lisboa...


21 fevereiro, 2011

As cidades também se abatem

Desde que Rui Rio está à frente da Câmara, o Porto não tem parado de perder habitantes. A cegueira política da autarquia é uma desgraça. Ler aqui.

O Elogio da Loucura

Comunicado MCLT*

Com as supressões de circulações marcadas para 2011, a CP vai poupar, em termos das taxas que deve à REFER pela utilização da via e estações, algo como 1,7 milhões de euros; em termos análogos, a REFER deixará de encaixar este valor nas suas receitas de 2011. Afirmava-se na notícia de onde esta informação emanou que tal é uma gota de água nos 58 milhões de euros de receitas anuais da REFER nestas duas rubricas, e que como o que uma deixa de receber é o mesmo que outra deixa de pagar, tal é indiferente para o contribuinte português. De facto, aos utentes das inúmeras vias-férreas nacionais que vão ficar sem comboios nem autocarros, onde estará a diferença?...

O que nos leva a outra notícia recente: em 20 anos, Portugal perdeu 43% de passageiros na ferrovia, o que em termos absolutos significa menos 99 milhões de passageiros, quase 5 milhões por ano em média. Estes 20 anos incluem a matança de mais de 800Km de caminhos-de-ferro entre 1987 e 1992, perpetrada por Cavaco Silva, e a actual hecatombe promovida por Sócrates, com menos 282Km de serviços ferroviários. O número de passageiros por quilómetro percorrido era de 6 milhões em 1988, baixou para 5,6 em 1991 e é agora de 3,7 milhões. Se a incongruência óbvia da política que afirma que o caminho-de-ferro não é rentável e que no fechar e abandalhar é que está o ganho não é bastante, a comparação com os números da União Europeia é então absolutamente chocante. Portugal, o país com mais quilómetros de auto-estrada por habitante e por Km2 e onde se pagam as portagens mais caras na UE, e que pelo contrário é o país com menos caminho-de-ferro por Km2, é também o único da Europa Ocidental que perdeu passageiros na ferrovia nos últimos 20 anos. Em Espanha, onde se reabrem vias encerradas, mesmo sendo de bitola métrica (como a do Tua), o número de passageiros neste período de tempo aumentou 157%. Recordamos: Portugal perdeu 43%, e o défice da CP e da REFER não pára de aumentar.

E depois temos a EDP, também em rota de colisão, que em 2010 registou menos de metade do consumo eléctrico liberalizado, o valor mais baixo de sempre. Entre 2008 e 2009, a dívida de médio e longo prazo agravou-se em 25%, enquanto a dívida total de 2009 superava 3 vezes o valor do capital próprio; em termos de solvabilidade, a relação entre a dívida de longo prazo e os capitais próprios agravou-se entre estes dois anos de 1,27 para 1,35, e o Passivo já representa 76% do Balanço, e está a crescer a um ritmo mais acelerado que o dos Capitais Próprios. Trocado por miúdos, uma dívida líquida de 16 mil milhões de euros, e uma estrutura de médio e longo prazo desequilibrada e a agravar-se, demonstrando mais uma empresa portuguesa a viver acima das suas capacidades, a encapotar o seu mau desempenho, e a endividar-se de forma desgovernada, fazendo lembrar outros elefantes brancos que têm engolido o dinheiro dos contribuintes com a conivência do Governo. No entanto, o seu Presidente recebe em remunerações fixas e variáveis o equivalente a 6391 vezes o salário mínimo, afirmando inclusivamente que tal se deve ao bom desempenho da empresa, e que se estivesse noutro país receberia mais do que isto, sendo que é necessário este tipo de montantes para manter os cargos públicos atractivos em Portugal. Enquanto isso, contrai-se um empréstimo de 300 milhões de euros a 15 anos junto do BEI, para além de emissões de obrigações no valor de mil milhões de euros para refinanciar… a sua dívida.

Indo mais além, Mexia, referindo-se à Linha do Tua numa entrevista como “aquilo”, continua a alimentar a sua propaganda com mentiras descaradas. Não, a barragem do Tua não vai ajudar a diminuir a dependência energética do estrangeiro – petróleo para combustíveis na rodovia não é o mesmo que electricidade; não, a barragem do Tua não vai trazer emprego duradouro – uma coisa é a fase de construção, outra a da exploração; não, a barragem do Tua não vai “salvaguardar os interesses globais do país e da EDP e também os interesses locais”, como afirma – a produção de menos de 0,3% do actual consumo de electricidade, a destruição do vale e da Linha do Tua, o perigo de desclassificação do Douro Vinhateiro como Património da Humanidade e da interrupção da navegabilidade do Douro a montante do Tua, não se enquadram de forma alguma com a salvaguarda dos interesses nacionais e locais, apenas com os da EDP; não, a EDP não está a pensar no empreendedorismo na região – um projecto premiado a nível nacional num concurso de empreendedorismo para turismo ferroviário foi barrado, a qualidade de duas termas fica comprometida, um hotel construído a pensar na proximidade da via-férrea perde o seu principal atractivo.

Ainda sobre a gula dos promotores de barragens, sabendo-se que a implantação destas destrói completamente os ecossistemas dos rios e áreas limítrofes onde são construídas, criando lagos artificiais de águas paradas de pobre valor ambiental, propõe-se, para vendar os olhos do público menos atento, criar "parques naturais" em redor dos crimes ambientais que tencionam cometer. Esta conduta tem bom acolhimento no Governo, demonstrando que se pode cometer qualquer crime ambiental desde que seguido da entrega de um cheque à ordem de alguma entidade governamental mais ou menos relacionada com o ambiente.

É sobretudo lamentável que os autarcas da região acreditem por um segundo sequer na viabilidade do plano de (i)mobilidade que a EDP propõe. Não nos importamos de repetir, embora já canse ter de o fazer: quem no seu perfeito juízo vai viajar em barcos numa albufeira de águas eutrofizadas, de cheiro nauseabundo e margens totalmente destruídas pelo movimento constante da cota, sujeitando-se a entre 5 a 7 transbordos, um dos quais de 500 metros a pé, para ir da Linha do Douro à Linha do Tua? Em que medida é que estas condições são melhores que as que existiam originalmente (1 transbordo na mesma plataforma na estação do Tua) é o que perguntamos a Mexia, a respeito da sua mais recente entrevista. Sem esquecer que a alternativa rodoviária está também ela condenada ao mais clamoroso fracasso, algo corroborado já pelo Estudo de Impacte Ambiental da barragem. Obviamente Sócrates e Mexia nunca fizeram esta viagem, nem conhecem os números dos 2 a 5 anos de substituição do comboio por autocarros nos inúmeros casos em que isso aconteceu em Portugal de 1987 até hoje.

Quem paga a factura: os consumidores. Aqueles a quem é atribuído um desconto na factura de electricidade de 50 cêntimos em carta da Segurança Social, ou a quem se prometem 4 lâmpadas economizadoras, ou ainda a quem se inunda o percurso de casa ao local de trabalho, jornais, rádios e televisões com publicidade enganosa, na qual uma barragem traz desenvolvimento e não só: traz também, ignomínia despudorada, biodiversidade; aqueles a quem se mente descaradamente sobre o aumento da tarifa eléctrica, ou mesmo sobre os fundamentos das rubricas que a compõem.

Mas há mais. Em 2018, Portugal deverá ter, em conjunto com o plano nacional de barragens de grande potencial embusteiro, uma produção anual bruta de 17,9TWh/ano, 13,3 TWh/ano dos quais livres de bombagem. Em suma, 525MW de potência serão obtidos pela turbinagem de água bombeada, operação a qual (bombagem) necessitará de 700MW para se concretizar, perdendo-se no processo 175MW de potência. Calculando a potência a obter das 9 barragens do programa nacional, mais a da barragem do Baixo Sabor, mais a dos reforços de potência em 6 barragens, chegamos à soma de… 175MW. Conclusão: 5 mil milhões de euros de custos para suportar apenas a perda de potência eléctrica advinda da bombagem para produção de energia hidroeléctrica. Claro que alguém entendido dirá que estes 175MW virão da produção de energia eléctrica dos parques eólicos durante o período nocturno; tal só justificará ainda mais que se está a colmatar uma asneira (proliferação e respectiva subsidiação de parques eólicos) com outra ainda pior (proliferação e financiamento de novas barragens injustificáveis).

Soubemos entretanto que o Museu do Côa já registou, em 4 meses, 20.000 visitantes, ou seja, tantos quantos os que visitaram a Linha do Tua em 2006, mas sendo que esta última nunca foi publicitada. Curiosamente, este museu, o qual o Governo Português protelou a sua conclusão por 11 anos e no qual não gastou um cêntimo, faz recordar o caso do Fluviário de Mora, no qual o Estado entrou com outros tantos cêntimos, e o qual já trouxe ao concelho de Mora 500.000 visitantes. Se cada um destes pagasse 5 euros de entrada, e 7 euros de almoço, temos que este concelho do Alto Alentejo já terá amealhado em receitas algo como 6 milhões de euros, quase tanto quanto custou a sua construção há 5 anos atrás.

É admirável no entanto ver na mesma foto, tirada da margem Norte do Douro, o Museu do Côa no alto da montanha, e a estação do Côa, Linha do Douro, lá em baixo junto ao rio. Em 2007, com 25 milhões de euros se reabriria o troço Pocinho – Barca d’Alva, com uma previsão de procura entre 150 mil a 200 mil passageiros logo no primeiro ano. Do Pocinho ao apeadeiro do Côa, comparativamente, a reabertura custaria 8 milhões de euros, levando os passageiros a uns meros 2Km do museu. Acréscimo de visitantes? É só fazer as contas.

Agora surge Sócrates, no seu concelho natal, a colocar a primeira pedra de uma obra manchada de ilegalidades, e com acções contra a sua construção a decorrer em tribunal, em nome de um desenvolvimento que já está provado uma e outra vez que não vai surgir a partir desta, bem pelo contrário. Mas como o país já sabe, Sócrates e Mexia têm um dom especial para venderem banha de uma cobra venenosa e insaciável.

O nosso país está afundado num pântano de loucura, imoralidade e irresponsabilidade. No Egipto, o Povo derrubou um Ditador pela força da Democracia; em Portugal, a Democracia serve para derrubar o Povo.

* Movimento Cívico pela Linha do Tua 

Nota de RoP:
"Um pântano de loucura, imoralidade e irresponsabilidade"... que devia fazer crescer dentro de nós a revolta que tarda a eclodir.
Por amor de Deus, não haverá no país ninguém capaz  de  o arrumar, sem ter de roubar tudo o que encontra pelo caminho?
Salazar, estás-te a rir de nós, não estás?  Ao  menos tu, não te fazias passar por democrata, nem enriqueceste à custa dessa farsa. Desculpa lá Salazar!