29 julho, 2011

Tripas à moda do Porto concorre às 7 Maravilhas da Gastronomia Nacional

Tripas à moda do Porto [antigo]
O prato mais histórico e característico do país, vai a votos, amanhã em... Gaia, conjuntamente com outros 20 finalistas.

Nem para um evento desta natureza, Rui Rio escapou da mediocridade.

Só porque Luís Filipe Menezes participou no processo, Rui Rio decidiu não prestar o contributo devido pela edilidade que, em má hora, uns tantos, quiseram que representasse. 

Que espécie de portuenses são estes, que tão mal têm feito à cidade? Nunca o Porto teve na história um Presidente de Câmara tão desprezível. É o "nim" em pessoa, a negação da vida.

Vivam as tripas! Abaixo os híbridos!

TELEVISÃO-FCPorto assume Porto Canal esta segunda-feira

O FCorto assume esta 2ª.feira a gestão e a Direcção do Porto Canal. Já no dia 1 de Agosto entram em grelha os novos conteúdos na área do desporto e, para marcar o 1º.dia, está reservada uma surpresa para o período de horário nobre, diz o canal nortenho em comunicado.

O desporto passa a ter uma representatividade reforçada na emissão, havendo blocos informativos e programas especializados. Para a segunda quinzena de Setembro está agendado o reforço da informação geral. Estas são as novidades imediatas no Porto Canal, estando a ser trabalhadas alterações mais profundas para o início de 2012. A televisão mantém as características base de canal generalista, tendo como linha condutora ser um canal de televisão da Região Porto e Norte de Portugal para o resto do país.

Domingos Andrade, até agora director adjunto da Agência Lusa e ex-chefe de Redacção do JN é o Director de Informação e de Programação dos conteúdos não desportivos, ficando a área do desporto sob a Direcção de Rui Cerqueira, ex-jornalista da RTP e actual Director de Comunicação do FCPorto. 

Obs.RoP
Que seja um "casamento" feliz, porque não é um casamento qualquer...

ColorAdd: Uma ideia que está a mudar o mundo dos daltónicos nasceu no Porto

“Devo ser a figura não pública com mais pessoas importantes no telemóvel”, diz, a sorrir, Miguel Neiva, no seu pequeno escritório de design na Foz do Porto. Hipérboles à parte, não andará muito longe da verdade: da autoridade de transportes de Londres, com quem se reuniu este mês, a algumas das maiores empresas globais, meio mundo está interessado em conhecer o que o designer propõe para facilitar a vida dos daltónicos.

O que Miguel Neiva, designer do Porto de 42 anos, tem apresentado ao mundo desde 2008 é uma daquelas ideias “ovo de Colombo”: um código universal que identifique as cores, através de um conjunto de símbolos compreensível do Portugal ao no Japão. Um código universal, portanto, para quem confunde as cores – 10% da população masculina. Chamou-lhe ColorAdd.

Perante as teses “muito técnicas” sugeridas pela Universidade do Minho na altura de escolher o objecto prático do seu mestrado em design, lembrou-se de um colega de turma que era daltónico e motivo de riso.

Constatou que, apesar do impacto do daltonismo na vida de milhões de pessoas (um exemplo entre tantos possíveis: a maior parte olha para um semáforo e confunde o vermelho com o verde), não havia muita informação sobre esta condição médica.

“Não existia rigorosamente nada”, recorda, situação que contrastava com outras limitações, como a cegueira ou a deficiência motora. “Pouco se sabe, os próprios daltónicos não se interessam muito, talvez por não haver cura”, diz. Um problema quase invisível que, talvez por isso, não merece grande preocupação do resto da sociedade – pense-se que bastaria que os semáforos não usassem vermelho e verde, precisamente as cores mais problemáticas para a maioria dos daltónicos.

Miguel Neiva lembrou-se de criar um código “universal” para aplicar às peças de roupa, mas rapidamente percebeu que a ideia deveria ser alargada a qualquer área de actividade humana em que as cores sejam importantes.

Um inquérito a quase 150 daltónicos validou o projecto: sem saberem dos planos de Miguel, os que apresentaram soluções para melhorar a vida dos daltónicos falaram de um código. Como é que ninguém se lembrara disto antes? O mesmo inquérito revelou que 90% dos daltónicos precisa de ajuda para comprar roupa, entre outras limitações.

Miguel Neiva levou 8 anos, o tempo da tese (“não tinha pressa” em acabá-la), a estudar o daltonismo e a desenvolver o código, que segue o princípio da adição de cores primárias: atribuiu um elemento gráfico a cada cor primária e, a partir daí, somando os símbolos como quem soma cores primárias, chegou a um mapa de cores, todas elas com um elemento gráfico diferente. Nem a diferença entre cores claras e escuras ficou esquecida.

De Portugal para o mundo

Concluído o código, Miguel Neiva tem-se dedicado, desde 2008, a percorrer o mundo, em conferências, para apresentar a descoberta, já patenteada. Atingido o reconhecimento (a revista brasileira Galileu elegeu o ColorAdd como uma das 40 melhores ideias para melhorar o mundo), é hora de passar à prática.

Miguel escolheu 3 grandes áreas: a educação, a saúde e os transportes. Os lápis de cor da Viarco, as Tintas Cin, a Metro do Porto, o Hospital de São João e o Centro Hospitalar de Lisboa Central estão entre os clientes com projectos já em curso ou que devem arrancar em breve.

O objectivo é testar em Portugal soluções que possam ser facilmente exportáveis para empresas ou entidades semelhantes noutras partes do mundo. Um dos projectos que mais entusiasma Miguel Neiva é a possibilidade de usar o ColorAdd em semáforos no Brasil.

A utilização do ColorAdd requer a atribuição de uma licença, cujo preço será adaptado a cada cliente. O que interessa agora é espalhar o conceito e assegurar que a sua aplicação é bem feita, mais do que gerar lucro. Até porque Miguel já tem um plano na cabeça: transformar parte do valor das licenças na criação de uma ONG que faça rastreios de daltonismo e divulgue o código.

[In Porto24]

Obs.
Para mim, esta, não é propriamente uma notícia; já tinha conhecimento dela há uns mêses. Apraz-me particularmente, por se tratar de um jovem que conheci, de criança, e a quem me ligam remotos laços familiares.
Bom rapaz, podem crer. Ah, e tem outra grande qualidade:  é portista, e falha poucos jogos no Dragão... 

28 julho, 2011

É preciso parar de construir




A CONSTRUÇÃO na periferia de estradas, escolas, hospitais e centros comerciais fez com que as duas mais importantes áreas metropolitanas do país passassem a ser aglomerados policêntricos

As 350 mil casas que estão à venda demorariam três anos a escoar se, no entretanto, as imobiliárias não continuassem a encharcar o mercado com mais oferta (a fileira da construção tem uma velocidade de travagem em tudo idêntica à dos superpetroleiros) - e se o ritmo das vendas se mantivesse igual ao de 2010, o que é altamente improvável, pois, para ressuscitar o arrendamento, a troika impôs medidas que penalizam a propriedade e a banca passou da fase em que andava atrás de nós para nos emprestar dinheiro para a de andar atrás do nosso dinheiro.

Não é preciso ser um Einstein para perceber que já terminou o tempo em que as áreas metropolitanas do Porto e Lisboa cresceram anarquicamente como manchas de azeite, fazendo a fortuna de empreiteiros habilidosos e o upgrade de patos-bravos. Agora é preciso parar de construir e passar a reabilitar.

Um país com a dívida soberana classificada como lixo não se pode dar ao luxo de ter um milhão de habitações a precisar de obras e 100 mil milhões de euros empatados em casas vazias. No coração do Porto há 15 mil edifícios a cair. Do total de 55 350 edifícios existentes em Lisboa, 4618 (8%) estão abandonados e 7700 ameaçam ruir.

Face a esta situação é impossível não achar estranho que, apesar do programa de obras no Parque Escolar promovido pelo Governo Sócrates, a reabilitação pese menos de 7% no nosso mercado construção, quando em Espanha vale 29% e a média europeia é de 36%. Requalificar, reordenar e reabilitar são as soluções para desatar o nó complexo que nos impede de progredir.

Após o 25 de Abril, as cidades portuguesas cresceram de uma forma caótica e desordenada. O congelamento das rendas, decretado no Estado Novo e mantido pela jovem democracia, teve o efeito perverso de ser o pai de uma explosão desordenada e difusa das periferias de Lisboa e Porto.

Favorecidas pelo forte aumento do poder de compra, democratização do automóvel e multiplicação de vias rápidas e auto-estradas, as periferias das grandes cidades esvaziaram os centros urbanos tradicionais, assumindo o papel de poderoso imã que atraiu dezenas de milhares de jovens casais.

A construção na periferia de estradas, escolas, hospitais e centros comerciais, para servir as populações em movimento, fez com que as duas mais importantes áreas metropolitanas portuguesas passassem a ser aglomerados urbanos policêntricos.

A desertificação dos centros cívicos e os movimentos centrífugos dos últimos 30 anos têm de ser contrariados por um esforço de ressurgimento dos centros históricos, criando condições para que eles voltem a ser habitados e tenham uma vida activa para além das horas de expediente dos serviços.

Este esforço centrípeto é essencial para manter o Porto como um destino «trendy» para os turistas estrangeiros e para que seja restabelecido o equilíbrio ecológico na malha urbana.

[No JN]

Crónica também publicada no blogue As Casas do Porto

27 julho, 2011

Quanta elevação!

E melindram-se estes meninos, com o " sr.doutor" e "sra.doutora". Eu trata-los-ia, por gajos! E estavam a ser muito bem tratados!

26 julho, 2011

Nova associação quer dinamizar o centro histórico sem recorrer a subsídios

Por Ana Isabel Pereira

A Associação Infante D. Henrique – Associação para o Desenvolvimento do Centro Histórico do Porto nasceu, no passado dia 12, com o objectivo de “dinamizar social, cultural e economicamente” uma zona da cidade que está “parada, morta, a definhar”, explicou ao P24 o padre Agostinho Jardim Moreira, presidente da comissão instaladora da nova entidade.

Os fundadores – instituições e pessoas singulares que acharam que estava “na hora de inovar e criar uma associação com parceiros que trabalhassem em conjunto” – põem, desde logo, “de parte a ideia de obter subsídios de alguém”, sublinhou o também presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza.

Consciente de que Centro Histórico do Porto (CHP) foi “objecto de algumas intervenções que não tiveram grande sucesso” no passado, “como o CRUARB” (Comissariado para a Renovação Urbana da Área de Ribeira/Barredo) e “a FDZHP – Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto, que o doutor rui rio também eliminou”, os fundadores da Associação Infante D. Henrique querem inovar.

“Não queremos participação partidária. Se é utópico. De certo modo, é. É inovador e é uma nova forma de a sociedade civil participar na construção de uma sociedade nova”, entende Jardim Moreira.

Para além do pároco, entre os sócios fundadores, estão a ADRAVE – Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave, a Cenatex II, Formação e Serviços, os centros sociais e paroquiais de São Nicolau e N.ª S.ª da Vitória, a Escola das Virtudes, Cooperativa de Ensino Polivalente e Artístico, a Fundação Eça de Queiroz, Hélder Ferreira, José Alberto Reis, Paula Rosa Dourado, Sérgio Aires e o blogger Tiago Azevedo Fernandes.


“A recuperação urbana também está nos nossos objectivos”, avançou ao P24 Jardim Moreira.

Sem subsídios, a dinamização do Centro Histórico do Porto (CHP) será feita “a partir dos parceiros que já se associaram e daqueles que se vierem a associarem”. As entidades e individualidades que entrarem para a associação neste primeiro ano de vida terão direito a ser também sócios fundadores. Os associados não têm de ser da cidade, sendo certo que a intervenção e a experiência que trouxerem a este projecto terá efeitos no CHP.

A Câmara do Porto “aceitou participar” no projecto da associação, mas “de uma forma muito peculiar”, diz Jardim Moreira: dará o seu contributo “através de um protocolo”. O presidente da comissão instaladora da nossa entidade diz que até “pode ser como [sócio] fundador, mas não de uma forma directa”.


Plano de acção

Jardim Moreira dá 2 exemplos de como as instituições podem ajudar a cumprir esta missão no centro histórico da cidade sem que isso tenha custos para as suas organizações.

À Fundação Millennium bcp, por exemplo, foi pedido “que interviesse com a sua organização e a sua estratégia no centro histórico”. E o Hospital de São Francisco, junto ao Palácio da Bolsa, “está a pensar em oferecer fazer o diagnóstico – visual, olfactivo… – às crianças” residentes nas 4 freguesias do CHP.

A comissão instaladora da Associação Infante D. Henrique tem agora um ano para “propor um plano [de acção] e as formas de o executar”, explica Jardim Moreira.

Durante esse período, “o Instituto [Superior] de Serviço Social do Porto colocará centenas de alunos estagiários no terreno a fazer o diagnóstico do centro histórico”.

[Porto24]

Francamente!

Estamos no século XXI! A ciência tem feito progressos incriveis. Ter estações tripuladas a circular no espaço sideral, com pessoas a entra e sair de outros módulos espaciais, é hoje quase uma banalidade. A medicina, a física, todos os campos do saber humano, conseguem hoje coisas que há poucos anos eram meras fantasias.

Mas há melhor! Esta abençoada cidade do Porto, mais os seus vizinhos metropolitanos, conseguem uma admirável proeza. Não foram capazes ainda de sincronizar os seus semáforos, de forma a criar aquilo que a que se chama uma " onda verde". Orgulhosamente mantêm a sua típica " onda vermelha"! Por isso somos obrigados à tortura de parar em quase todos os semáforos, pois que normalmente quando um passa a verde, o seguinte passa a vermelho, mesmo que esteja a pequeníssima distância do anterior.

Como se explica isto? Por um lado, a tradicional apatia de grande parte dos portuenses, que deve achar que esta situação é normal e portanto inibem-se de exprimir publicamente a sua indignação e inconformismo. Por outro lado, a atitude das autoridades municipais, presidente incluido, que permite que esta situação se perpetue como se de algo normal se tratasse. Será desleixo, incompetência, ou simples estupidez? É escolher...

22 julho, 2011

Europa pressiona Portugal a avançar com TGV para Madrid

... e Lisboa agradece. Mas por que é que não cortam a direito,  e colocam directamente a Troika  no Governo? Assim, poupava-se tempo e dinheiro. Afinal, quem manda são eles. Ou, não será assim?

Ler post de Daniel Rodrigues sobre o assunto, aqui.

A ditadura das Televisões "nacionais"

Às vezes, ponho-me a pensar no que seria a vida dos políticos portugueses se ela dependesse de mim. Dito de forma mais democrática: o que seria deles, se todos os nortenhos sentissem como eu sinto o desgosto de viver num país refém de tão desqualificados governantes. No preciso momento em que escrevo "governantes", tive vontade de suprimir o substantivo por outro de menor dignidade, com receio de passar uma falsa ideia de respeito, que no fundo da alma, não sinto pela actual classe política. E eu, que até nem gosto de generalizar, por saber quão injustas podem ser as generalizações!

Dito isto, e como exemplo, chega-me casualmente à memória, uma figura do anterior Governo: o ex-Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos. As referências às capacidades técnicas e intelectuais deste político antes de ir para o Governo, eram tudo menos desprezíveis. No currículo incluem-se algumas menções honrosas e prémios internacionais. Consta até, tratar-se de um bom homem, de uma pessoa com tendência para a consentaneidade. Então, o que terá falhado, para sair quase humilhado do Governo? 

Faça o que fizer, um homem não pode desligar-se da sua primeira condição, que lhe advém, precisamente, de ser pessoa. Depois, seguem-se todas as outras, inerentes aos respectivos cargos, obrigações e responsabilidades. Atalhando: por que terá sido então que Teixeira dos Santos, sendo tecnicamente competente,  não estando frequentemente de acordo com as directrizes suicidas do seu 1º. Ministro,  optou pela fuga para a frente, em vez de colocar o lugar à disposição? Por uma questão de solidariedade governativa? Não faz nenhum sentido, ser solidário com as más decisões. Ou fará? Então por que o foi? É  nestas ocasiões que entra a pessoa, o seu carácter, e sai o político, o que nos levará a concluir, olhando para outros casos similares, que é o carácter que mais tem faltado nas decisões dos nossos governantes.

E é por não haver carácter na classe política, que assistimos à discriminação negativa da nossa Região. Falta-lhe o sentido da Honra. Fomos e continuamos a ser, tratados com um desprezo maquiavélico, que raia o colonialismo e a xenofobia! O modo vexante com que os governos do país têm vindo a lidar com este problema é indigno de um regime democrático. Em Democracia deviam já estar a contas com a Justiça. Em nome de um patriotismo que nem eles sabem explicar, demitem-se de corrigir estas anomalias sem parecerem dar-se conta da sua gravidade.

Talvez seja essa indiferença, essa profunda irresponsabilidade, que explica o facto de  já nem conseguir eleger um canal de televisão nacional para me manter informado. Quando me esqueço disso, a impressão que se segue, é literalmente oposta à que busco, ou seja, sinto-me desinformado! Mais. Sinto não pertencer a um país íntegro. E não é por causa da Troika, mas antes, pela irresponsabilidade dos que a atraíram para cá ...

RTP, SIC e TVI são, cada vez mais órgãos de comunicação regionais de Lisboa, embora se proclamem nacionais! Nestes canais, todos os dias são violadas as regras mais básicas da deontologia da comunicação. Os valores da Democracia são espezinhados sucessivamente, sem qualquer respeito pela Liberdade. 

Se houver alguém com dúvidas, é apreciar os noticiários desportivos... O sectarismo é tal, que consegue transformar o defunto Oliveira Salazar num Democrata. E eu, começo seriamente a acreditar que o tempo da outra senhora, afinal, é este.

21 julho, 2011

Um quinto dos deputados são advogados!

Bem, lá vamos ter os intocáveis da praxe à perna, quando lerem as páginas "Primeiro Plano" do JN de hoje.

Paulo Morais, foi quem pôs o dedo na ferida, correndo assim o risco de passar a integrar o clube dos "populistas" onde já colocaram o bastonário Marinho Pinto. E por quê? Por uma razão muito simples: denunciam os podres dos sistema político-jurídico do país. Por isso, e apenas por isso, há quem não hesite em chamar-lhes populistas. Um povo burro, atrai políticos burros, embora chico-espertos. Se isso não fosse verdade, já há muito teriam mudado o discurso, pois cada vez que pegam na cassete do populismo levantam um mar de suspeitas sobre si próprios.

Paulo Morais, tem-me surpreendido pela positiva, desde uns tempos a esta parte. Além de ser um entusiasta da regionalização [assistiu mais de uma vez a reuniões do Movimento Pró Partido do Norte], tem-se notabilizado na luta contra a corrupção, sem parcimónia, nem medo. É vice-presidente da TIAC [Transparência e Integridade - Associação Cívica], tendo feito um levantamento sobre a simultaneidade de funções de políticos no Parlamento e em empresas detentoras de negócios com o Estado. Mais, incomparavelmente mais, do que a Rui Rio, assenta-lhe bem o estatuto de homem honesto.

Ferreira do Amaral, Jorge Coelho e Pina Moura, devem estar neste momento a roer na casaca de Paulo Morais e a lançar-lhe os impropérios usuais de quem se sente "vítima" de denúncias deste tipo. De facto, todos eles, transitaram da política para os negócios empresariais, fazendo a ponte entre estes dois mundos como se fosse a coisa mais nobre da vida, não surpreendendo por isso que hoje estejam ricos, ou em vias de o ser. Depois, há a figura do Presidente da Comissão de Ética [Mendes Bota] que de ética só tem o título, e que gere a contento das partes, os dias em que deve fechar os olhos à ética e aqueles em que os deve abrir. Em Portugal, a ética, como a Lei, tem momentos...

É por estas e por outras, que não acredito em Democracias que não estejam devidamente blindadas para se defenderem destes seres virulentos, que tanto a descredibilizam e enfraquecem.

Conheci alguém - que já cá não está há muitos anos -, por quem nutro um respeito, que mais ninguém até hoje conseguiu inspirar-me. Esse homem, estou perfeitamente convicto, punha esta gente na ordem, sem se preocupar com os anti-corpos consequentes. Fê-lo, numa época onde o manto corrupto da Democracia não existia, mas onde era preciso ter-se mesmo muita coragem para tomar decisões "impopulares", sem olhar a quem. Sucede que, para certos cargos de real responsabilidade, nem só a coragem chega, é preciso ser-se integralmente sério e não esmorecer por ter de se renunciar ao enriquecimento rápido. Esse homem, se ainda vivesse, seria logo rotulado pelos oportunistas de hoje, como autoritário e...populista. É que ele, aguentava bem essa pressão, e aos infractores, fossem eles quais fossem, não lhes servia de muito recorrerem à cunha das influências, para fugirem às malhas da Lei. Com ele não resultava, tinham mesmo de responder pelas suas acções. Não direi quem foi essa pessoa, por respeito à sua memória.

O problema, é que homens como esse, já não existem. Em seu lugar, temos agora o €uro...ou melhor, os €uros.

Nem com a Troika lá vamos

Angela Merkel e Nicolas Sarkozi [que queridos!]

Contrariando aqueles idiotas que enxameiam os estúdios das televisões para nos impingirem pareceres de credibilidade duvidosa, nunca dei importância à nomeação de Durão Barroso para Presidente da União Europeia. Se além de abandonar o país, nada fez de relevante, não era na Europa que ia fazê-lo. Ele só foi convidado para o cargo, porque tinha o perfil indicado para não criar obstáculos aos verdadeiros "patrões". Mais nada.

O drama, é que esses patrões [na foto], também não devem nada à competência, antes representam o rosto de uma Europa decadente e sem liderança.

Por cá, continuamos incapazes de desatar o nó a este monstruoso imbróglio da crise, sem deixar de sufocar a vida dos que menos têm. Nem com a Troika conseguem orientar-se.

Não seria talvez mais prático e económico, entregar à Troika o destino do país?

20 julho, 2011

Porto em acelerado processo de desertificação

Podem dizer o que quiserem, argumentar com as desculpas do costume, até fazer o pino, mas não há volta a dar-lhe:  a cidade do Porto tem sido governada estes últimos anos por autênticos kamikazes. E eu, conheço o principal... Pode confirmar por aqui.


Largo do Moínho de Vento


Táxis do Porto abrem caminho ao automóvel do futuro

No futuro, dizem os especialistas, os automóveis vão conversar uns com os outros e até serão capazes de decidir sozinhos, num cruzamento, qual avança primeiro e qual cede a prioridade. Os semáforos serão dispensáveis e, no limite, os carros poderão conduzir-se quase sem intervenção humana, como já sucede nos aviões. Ficção científica? Nem por isso.

A partir de Agosto, os táxis começarão também a ser equipados com uma antena que permitirá iniciar uma nova etapa do desenvolvimento do projecto: os táxis, que até aqui têm comunicado através da rede GPRS (a mesma que é usada pelos telemóveis) com um computador central, passarão a usar uma variante da rede Wi-Fi, com maior alcance do que a usada pelo computadores portáteis para aceder sem fios à Internet. Os táxis do Porto transformar-se-ão, assim, num verdadeiro laboratório, no qual serão testados os futuros protocolos de comunicação entre veículos, mas também as várias aplicações a que o sistema abrirá caminho.

Protocolo luso-americano

O projecto Drive-In Porto resulta de um protocolo que o Estado português assinou, em 2006, com a Carnegie Mellon University, e propõe-se desenvolver uma rede de comunicação entre automóveis, fiável e instantânea, que suporte, no futuro, novas aplicações vocacionadas para o aumento da segurança rodoviária, para a gestão e orientação do trânsito e para o entretenimento a bordo das viaturas.

Segundo Michel Ferreira, o investigador que lidera o projecto, trata-se de substituir os actuais e quase arcaicos sistemas de comunicação entre veículos (buzina, piscas, faróis e luzes de travagem) por uma rede veicular que permita transmitir informação entre automóveis, com o fito de diminuir drasticamente os acidentes de viação. "São a nona causa de morte no mundo e pensa-se que serão a quinta em 2030. Se se contabilizar o número de anos de vida perdidos, os acidentes estão no topo da tabela. Tudo o que seja possível fazer para minimizar isto deve ser feito", diz Michel Ferreira.

Assim, quando os carros forem capazes de "conversar" uns com os outros, vão poder decidir, por exemplo, qual passa primeiro num cruzamento. Evitar-se-ão colisões, poderão dispensar-se os semáforos e, quando o embate for inevitável, poderão comunicar o respectivo peso e velocidade, quanto passageiros transportam e quantos airbags têm. No limite, os airbags serão disparados alguns instantes antes da colisão.

Se um automóvel fizer uma travagem brusca, esse dado será também imediatamente comunicado a todos os veículos que vêm atrás, evitando-se um choque em cadeia. E os condutores que sigam atrás de um camião poderão ver através dele, antes de iniciarem uma eventual ultrapassagem, para terem a certeza de que não vêm veículos em sentido contrário: activam a câmara de vídeo que haverá na frente do pesado e terão uma vista do que se passa para diante projectada no seu pára-brisas. Na prática, o camião torna-se "transparente" para quem segue atrás.

"O potencial desta tecnologia é enorme", garante Michel Ferreira, segundo o qual as vantagens do sistema de comunicação entre veículos não se resumem ao aumento da segurança. Os automóveis passarão a ser informadores de trânsito, transmitindo uns aos outros dados sobre engarrafamentos e fornecendo automaticamente caminhos alternativos aos condutores, mitigando os problemas de circulação.

"As questões de segurança serão aquelas que terão um impacte mais dramático, mas as aplicações ao nível da gestão do trânsito e da sua optimização contribuirão, por exemplo, para poupar combustível e reduzir os tempos de condução", concorda Peter Steenkiste, o investigador da Carnegie Mellon University que está a acompanhar o projecto em Portugal.

[Do Público]

18 julho, 2011

A velha hipocrisia

Independentemente das posses de cada um, é natural e desejável, que o valor da mesada que  alguns  pais costumam dar aos filhos, seja variável, consoante o respectivo aproveitamento escolar. Do mesmo modo, suponho haver poucos que consideram esta medida inadequada, desde que, a possam aplicar. Conheço alguns casos de pais que usam este método com sucesso. E poucos se lembrarão de achar esta norma injusta ou populista.

Mas esta, já não é a visão que os políticos terão da coisa, desde que alguém proponha para si a aplicabilidade da norma: «cumpres, ganhas», «não cumpres, não levas nada». A par dos banqueiros, e dos gangsters, devem ser os únicos que se acham acima de qualquer moralidade. Eles merecem tudo. Até receber gordas verbas por... incompetência! 

Depois, o populista é o Marinho Pinto, coitado... Qualquer pessoa avisada percebe que aqueles que o tratam assim, lá terão as suas razões, mas seguramente, não serão as mais urbanas. Pessoalmente, habituei-me a desconfiar daqueles que o criticam  sem fundamentar factualmente essas críticas. Ao contrário, ele, Marinho Pinto, fundamenta, e bem, as acusações que faz, mas não é Procurador Geral, Director da PJ, nem Ministro da Justiça. E os que o críticam devem pensar que ele tem de fazer o trabalho de muitas pessoas e instituições, ao mesmo tempo. Demagogos e hipócritas, sei eu quem são.

O que aqui está escrito, será populismo, ou antes, uma imoralidade? Decidam os leitores. Mas com avaliação cuidadosa...

Até o Kadafi, já lhes conhece as manhas :-s...

Nota:
Sócrates, já saiu do poleiro. Pedro P. Coelho, tomou-lhe a vaga. A crise fará milagres, ou vão continuar a ser os mesmos a pagá-la?


15 julho, 2011

Crime do Estado



Uma ilegalidade desta envergadura não dá direito a prisão? Além da química, o que distingue uma inundação criminosa de um incendiário?

Será que vamos deixar cometer mais este crime?

Um Porto Canal, à FCPorto...

Se tudo correr como se espera, o Norte [e não apenas o Porto], poderá ficar a dever ao Futebol Clube do Porto, e ao seu líder carismático, Pinto da Costa, aquilo que nenhuma outra instituição ou pessoa, foi capaz de fazer até agora: dar à região, a voz e o protagonismo que ela precisa. Por mais justificações que apresentem, não serão os grandes empresários, e muito menos os políticos da região, que poderão orgulhar-se de terem sido eles a tomar a decisão de aproveitar a estrutura [já operacional] do Porto Canal, para, a partir daí, desenvolverem uma área de negócio autónoma, tão necessária ao Norte. Há, no entanto, que reconhecer o mérito de todos os que estiveram envolvidos na implantação do projecto original, quanto mais não seja por terem sido os primeiros a tomar a iniciativa. 

Julgo não me enganar, se disser que haverá muita gente a partilhar do meu optimismo,  por antever um longo e risonho futuro ao Porto Canal. É que, não sendo essa a área de negócio de Pinto da Costa, ele é exímio a rodear-se de gente competente em cada sector.  Alguém devidamente habilitado lhe terá sugerido o nome de Domingos Andrade para a Direcção de Informação e Programação, e por isso só temos é que confiar e aguardar. Porém, há algumas vicissitudes no mundo da televisão que importaria evitar. A primeira, é fugir das imitações, do déjà vu seguido pelos canais lisboetas. Esse, será o caminho mais curto para o fracasso. Se à falta de ideias [e vamos crer que não vão faltar], tiverem de copiar um ou outro programa, então que optem pela qualidade, mas que copiem bem. Depois, que haja  muita inteligência para saber associar o mais possível a criatividade à qualidade, sem descurar a rentabilidade. Caso se deixem dominar pelas audiências rápidas, a rapidez do insucesso será maior.

No Porto, e em todas as outras cidades do Norte, do interior ao litoral, não faltam temas nem pessoas potencialmente interessantes. Há que investir nelas. Que as mostrem às populações, que falem sobre elas e sem complexos, que esqueçam por uns tempos Lisboa, tanto tempo quanto Lisboa nos tem esquecido a nós. Pelo menos, até não haver um bom nortenho [ou nortenha] por descobrir. 

Do Porto, vem-me à memória um Hélder Pacheco, um Germano Silva, e tantos outros homens de valor e nobre carácter, que [pasme-se], nunca tive o prazer de ver nos canais centralistas... E que se varie o mais possível, sobretudo, que não se descarrile para a piroseira, que não façam o que o simpático Ricardo Couto tem feito ultimamente, que é entrevistar gente por demais conhecida das estações lisboetas. Não nos podemos dar, para já, a esse "luxo".

Precisamos de recuperar o tempo e o espaço que nos negaram. Não sejamos ingénuos e saibamos ultrapassar de vez esta ideia de subalternidade relativamente à capital. Nós somos Norte, somos a História nacional contada na certa direcção. E estejemos atentos à concorrência que, nos últimos tempos, anda a dar-se ares de muito "descentralizadora". Cuidado, eles não dão ponto sem nó...

Como não podia deixar de ser, o desporto terá um espaço priveligiado no Porto Canal. Muito se pode aproveitar de bom da actual grelha de programas, mas muito mais e melhor há ainda por fazer. Competência, imaginação e muito trabalho, é tudo o que se pede.

À FCPorto.

14 julho, 2011

Domingos Andrade, da Lusa para o Porto Canal


Domingos de Andrade é o novo director de Informação e Programação do Porto Canal
Domingos Andrade

                                                                    
O director-adjunto troca a agência de notícias pelo Porto Canal.

O director de informação da Lusa, Luís Miguel Viana e Domingos Andrade, director-adjunto, despediram-se hoje da agência de notícias.

Em comunicado enviado às equipas, a direcção de informação confirmou ainda que Domingos Andrade ocupará o cargo de director de Informação e conteúdos do Porto Canal, tomando posse a 1 de Agosto. Luís Miguel Viana sai da empresa através de um acordo de rescisão amigável.

David Pontes foi definido pela administração como novo director interino.

"Foi uma honra termos participado no processo de dinamização da Lusa, que tanto se modernizou nos últimos anos, sendo hoje uma agência de notícias presente em todas as plataformas. Agradecemos a todos os que nos ajudaram no nosso trabalho. E desejamos que continuem uma agência com cada vez mais país, cada vez mais lusofonia, cada vez mais multimédia", é a mensagem dirigida aos profissionais da agência.

[De/Económico]

13 julho, 2011

Será impressão minha, ou o Porto Canal já estorva?


Ou isto são sintomas de uma grave toxicidade informativa , ou algo de estranho se anda a passar, no obscuro mundo das televisões centralistas. Agora, mais do que nunca, é preciso ficarmos atentos com as suas movimentações e procurar descobrir o que têm escondido sob a manga. Passo a explicar.

Nos últimos tempos tenho observado uma inusitada presença dos 3 canais centralistas pela nossa região, coisa que habitualmente só costuma acontecer por más razões, e isso, está a deixar-me algo preocupado. 

Aqui há umas semanas, a pretexto da inauguração da nova sede da EDP no Porto, a SIC aterrou em peso na nossa cidade, proporcionando um belo espectáculo televisivo nas margens do Douro, não faltando a presença da Bárbara Guimarães e outras figuras do jet-treta lisboeta. Tempos depois, outros canais vieram para as praias do Norte mostrar ao país real que há mais praias para além do Estoril e do Algarve. Foram à Foz, a Matosinhos, à Apúlia, falaram dos sargaceiros, foram até Ponte do Lima, enfim, parecia terem descoberto finalmente que há mais Portugal, a norte de Aveiro. 

Ontem, a TVI andou por Espinho, e a história repetiu-se. Os repórteres lá se lembraram de falar com os pescadores, e de refazer a história de uma terra que já foi estância balnear de eleição, em tempos idos. Enfim, de repente, e ao fim de tantos anos, as televisões acordaram e desataram a tratar o Norte com uma atenção até aqui inexistente, e a olhar para a "província" com outro cuidado e olhos "condescendentes"... 

E é esta súbita mudança das operadoras públicas e privadas da televisão centralista que me traz desconfiado, e preocupa. Preocupa-me muito, mesmo. Suspeito que este estranhíssimo comportamento não passe de uma estratégia concertada para tentar esvaziar o impacto regional [e nacional] da futura política de comunicação do Porto Canal que, como devem saber, vai ser propriedade do FC Porto a partir de Agosto. Então, é chegada a hora de "descentralizar" um bocadinho, antes que seja tarde...

Eles são cretinos, mas não são burros. Burros serão aqueles que não quiserem perceber o que poderá estar a passar-se. É que o povo, esse povo tão facilmente influenciável, costuma ter a memória curta, e quando é assim, torna-se fácil dar-lhe a volta... 

Quase confirmado. Alex Sandro assinou pelo FCPorto




Adoro, quando leio aquelas notícias prenhes de venêno dos pasquins lisbonários, que em vez de dizerem que o FCPorto é, recorrentemente, hábil negociador na compra de jogadores que também interessam ao clube dos Goebells da 2ª circular, preferem dizer: o FCPorto roubou fulano, ou desviou beltrano do Benfica.

É impossível, tanta dor de cotovêlo!


Se não passar de falso alarme, não há azar. Até poderá servir de prova da bandalheira a que chegou a televisão do Estado. A fonte, é da RTP, aquela sobre a qual  Cavaco Silva tem o supremo dever de controlar... Leiam aqui.

Um mata, outro esfola


O dr. Jorge Fiel, meu amigo de longa data, que integra actualmente a Direcção do nosso JN, é uma das pessoas com quem há mais tempo venho discutindo a questão da Regionalização e a questão colateral da sucessiva perda de influência do Porto e da Região Norte em Portugal.

 Discussão daquelas que se travam entre pessoas que estão de acordo (sim, que discussão não obriga a contraditório, como alguns pensam) e em que os argumentos de um se somam ou reforçam os argumentos do outro.

Neste caso, como diz o povo, se um mata, o outro esfola.

Isto tudo para chamar à colação o editorial em que o Jorge (ele é licenciado, mas como o nosso novo ministro da Economia também gosta que o tratem por Jorge ou Fiel) se declara galego do Sul, lamentando a má opção do fundador da nacionalidade, Afonso Henriques. (Não sei se o nosso primeiro rei partilharia dos gostos do Jorge e do Álvaro, mas hoje fica só Afonso...).

Era possível dizer ou pensar que com este editorial o Jorge mata o assunto. Mas eu vou ainda tentar esfolá-lo.

O meu amigo Jorge, fiel aos ensinamentos da História que vários anos de frequência universitária lhe deram, começou a sua crónica em Guimarães, há mais de mil anos.
Não tendo possibilidade de apresentar tal currículo vejo-me forçado a começar a minha na actualidade e dá-me mais jeito que a casa partida seja na ilha da Madeira.

É sabido que a Região Autónoma da Madeira vive muito acima das suas possibilidades, gastando muito mais do que produz. Isso tem acontecido e continua a acontecer porque em nome da solidariedade nacional e dos custos de insularidade (seja lá o que isto quer dizer) o governo da República tem sustentado o défice crónico da Região. Será que o Estado pensa que a Madeira alguma vez pagará o que deve e que vai aumentando a cada ano que passa?

Claro que não e, "mutatis, mutandis" , era isso que a Europa devia pensar da nossa dívida, se fosse uma União Europeia tão unida como o nosso lindo Portugal.

Se o Norte fosse uma ilha de verdade e não apenas uma ilha de pobreza no meio do oceano europeu de ricos e remediados, em vez de galegos do Sul, bastar-nos-ia ser os madeirenses do continente...

Já se sabe que quando Passos Coelho aludiu à experiência a fazer com uma região piloto, não se estava a lembrar, ou melhor dizendo, não se estava a referir, nem à Região Autónoma da Madeira, nem à dos Açores. Talvez porque sendo regiões verdadeiras há muito, não são de pilotagem fácil...

Convém dizer aqui e desde já que não sou dos que dizem cobras e lagartos da maneira como a Madeira tem vivido melhor do que poderia. Bem pelo contrário, qual águia ou leão que sonha um dia ter um presidente como o dos dragões quase sempre campeões, eu jardinista me confesso, no sentido (único) de que numa Região Norte, com um Alberto João à frente, teríamos hoje melhores condições de vida.

Claro que não se trata disso quando defendemos a Regionalização, mesmo sabendo que o Norte teria muito mais razões e capacidades para agitar o espantalho da independência como gostam de fazer na Madeira sempre que as transferências de mais fundos do continente parecem ameaçadas.

Como é evidente a questão da independência do Norte só se pode colocar em termos académicos, mas num cenário (nestes dias mais remoto...) de aprofundamento federalista da União Europeia, a criação de uma grande Região do Noroeste Peninsular, independente economicamente do resto do antigo Portugal, não seria, não será pura ficção.

O que se pretende com ou sem a Madeira ou a Galiza, é que o Norte faça parte de um país equilibrado que trabalhe para esse equilíbrio e se reveja nele.

Será que não podíamos aproveitar a janela de oportunidade que a troika nos abre com a reorganização administrativa que nos é imposta?
[NO JN]

Nota de RoP

Declaração de interesses:  sendo assumida e publicamente apoiante da reforma administrativa do Estado, vulgo, um regionalista [de longa data] desavergonhado, quero acrescentar que não se trata de uma questão de fé, mas de uma convicção profunda. Tão profunda e obsessiva, como profundo e absoluto é o meu descrédito pelo centralismo actual e dos últimos 30 anos! 

11 julho, 2011

MPN: Pinto da Costa pode integrar comissão organizadora do congresso

“Ao Norte falta um grande partido, com gente credível, que não vá para Lisboa só para fazer número, só para se baixar ou levantar nas votações”. As palavras de Jorge Nuno Pinto da Costa, proferidas na semana passada durante a conferência promovida pela TSF para assinalar os 20 anos de emissões a partir do Porto, foram recebidas pelo Movimento Pró-Partido do Norte (MPN) como uma mensagem de “inequívoco apoio” ao movimento “que não é o Partido do Norte”, mas que quer sê-lo efectivamente.

Pedro Baptista, presidente da Comissão Coordenadora, lembra que o MPN é apenas “um movimento para constituir um partido do Norte” e afirma que se revê inteiramente nas palavras do presidente do FC Porto, que sempre se mostrou favorável à criação de um partido que defenda os interesses da Região. “O Norte precisa de um partido forte, que congregue as pessoas livres, que não virem as agulhas mal cheguem a Lisboa. É preciso dar um salto qualitativo na consciência politica dos nortenhos, que sejam capazes de criar uma força política autónoma que defenda a Região, independentemente de ser mais à esquerda ou à direita, independentemente de correlações ideológicas”.

Conversas
Baptista revela que foram várias as conversas com o presidente do FC Porto sobre o projecto do MPN e que ele só não esteve presente no jantar do Conselho Nortenho, ocorrido em Maio, por incompatibilidades de agenda. E adianta ainda que é intenção do movimento reunir as pessoas mais representativas dos “diversos nortes do Norte e das diversas actividades da Região e sensibilidades ideológicas” para integrarem a comissão organizadora do congresso fundador do partido, que poderá realizar-se ainda este ano. Pinto da Costa será, “obviamente”, um dos convidados. “Nós somos uma espécie de comissão instaladora. Agora, é preciso é que essas pessoas apareçam e se predisponham a tomar essa atitude, porque o que os chamados notáveis do Norte têm feito não tem sido isso – ou remetem-se ao silêncio, andam à procura da sua portinhola privada para Lisboa ou têm andado no seio ou nas bordas dos partidos do arco do poder”, defende Pedro Baptista, acrescentando que afastar-se-á “suavemente” do processo, caso seja necessário.

Nova reunião no dia 16
À margem disso, a comissão coordenadora do movimento volta a reunir-se no dia 16 de Julho, para constituir grupos de trabalho que terão como missão aproximar o MPN dos movimentos sociais e de juventude.

[Do semanário GrandePorto/João Queiroz]

Eu, galego do sul

Lisboa, no canto do cisne que nos atirou para o buraco negro em que sobrevivemos, persiste em agredir cegamente a cidade onde Portugal foi buscar o nome e a região que foi o seu berço.

Acho que todos nós, pelo menos uma vez na vida, nos interrogámos porque raio é que o bom do D. Afonso Henriques se virou para Sul, e não para o Norte, quando se tratou de dar forma e assegurar o espaço vital ao país que fundou a partir do Condado Portucalense.

Tenho boas razões para desconfiar que seríamos bem mais prósperos e felizes se o fundador e seus sucessores tivessem seguido a direcção indicada pela bússola em vez de terem ido por aí abaixo, de espada em punho, a fazer guerra aos mouros, só se detendo quando chegaram às praias algarvias.

O problema é que, apesar de imensamente sedutora, esta opção era desadequada, talvez até mesmo irrealista, à luz dos equilíbrios políticos da Península em meados do século XII.

A passividade com que o seu primo Afonso VII e a monarquia leonesa observaram a emancipação do Condado Portucalense deve-se ao facto de Afonso Henriques ter optado por combater o império almorávida, conduzindo os seus exércitos para além do Tejo.

Tivesse o fundador ousado atravessar o rio Minho, em vez de fazer guerra aos muçulmanos, e a realidade política da Península Ibérica seria hoje radicalmente diferente.

Por muito que nos custe, esse pecado original a que o nosso primeiro rei foi impelido deve-se a um pragmatismo que não lhe podemos censurar.
Hoje, quase nove séculos volvidos sobre o seu nascimento, Portugal combina uma invejável unidade linguística e as fronteiras mais estáveis e antigas da Europa com uma enorme diversidade de culturas, caracteres e paisagens.

Não é preciso ser antropólogo (basta ter olhos na cara) para constatar que um minhoto é muito parecido com um galego - e muito diferente de um alentejano ou algarvio. E não é preciso ser um geógrafo para observar, à vista desarmada, que a serra dos Candeeiros é a fronteira que cose dois países diferentes unidos há séculos pela política mas separados pela geografia e costumes.

Ignorante da história e da realidade do país que a sustenta, Lisboa, no canto do cisne do centralismo que nos atirou para o buraco negro em que sobrevivemos, persiste em agredir cegamente a cidade onde Portugal foi buscar o nome e região que foi o seu berço.

Quando se trata de portajar as Scuts, não começa pela mais antigas - mas pelas do Norte. E quando se trata de pôr em prática o criminoso plano de liquidação da rede ferroviária, começa por fechar a ligação Porto-Vigo - enquanto reabilita a linha das Vendas Novas.

É nestes momentos de revoltas, cada vez mais frequentes, que questiono a opção geográfica de Afonso Henriques - e me sinto mais um galego do sul do que um português do Norte.
[No JN]

Nota de RoP: 
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado. E agora? O que se segue? O fado seguinte?
Abram as tascas então, e chorem, chorem. Com o "nosso" fado pode bem o centralismo.  

08 julho, 2011

Portugal e Renfe rectifican e garanten a continuidade da conexión Vigo-O Porto

Os Gobernos ceden á presión social e manteñen o servizo de tren, que mañá faría a súa última viaxe

ALBERTO BLANCO Os Gobernos portugués e español dan marcha atrás e garanten agora o mantemento da conexión ferroviaria entre Vigo e O Porto desde mañá, cando estaba previsto que operase o último tren. Do mesmo xeito que ocorreu en 2005, cando se expuxo tamén a cancelación deste servizo, a presión social e política volveu a conseguir que o único tren que conecta Galicia con Portugal continúe funcionando.

Esta decisión tomouse a última hora de onte e despois de que Comboios de Portugal fose o primeiro en dar o brazo a torcer e anunciase a súa disposición de chegar co tren ata Tui e non só ata Valença do Minho. "O fin e a saída do catro trens, dous por sentido, que cubrían o traxecto O Porto-Vigo pasa a ser Tui, de forma que se posibilite un incremento na mobilidade de pasaxeiros, principalmente permitindo unha ligazón do territorio nacional por vía férrea coa rede de transportes colectivos de Galicia", anunciaron fontes oficiais de Comboios de Portugal.
Desta forma, a empresa pública lusa deixou a "pelota" no tellado de Renfe, á que ademais lle volveu a propor que se fixese cargo do déficit do tren no tramo galego para garantir a súa continuidade ata Vigo. "No caso de que Renfe reconsidere e acepte a proposta inicial de CP de asumir a totalidade da responsabilidade da ligazón entre Tui e Vigo, estaremos dispostos a continuar garantindo cos trens portugueses o transporte desde Vigo ata a fronteira", explicaron as mesmas fontes.
Renfe moveu ficha horas despois. "Dado que Comboios de Portugal reconsiderou a súa posición, manteremos o servizo ata Vigo nas mesmas condicións que ata agora", informaron fontes oficiais da operadora española.
Con todo, a empresa non quixo aclarar onte se esta decisión significa que pagará os 235.000 euros de déficit da liña que lle reclamou Portugal para poder mantela. Tampouco desvelou se a fórmula na que se manterá a ligazón continuará sendo a de que o tren portugués siga chegando ata Vigo, ou se Renfe fretará trens desde a cidade olívica a Tui para que os pasaxeiros poidan facer transbordos. "A partir de mañá [por hoxe] informarase as condicións nas que se continuará prestando o servizo", setenció un portavoz oficial da compañía.
Antes de que Renfe manifestase a súa disposición a manter a liña, Comboios de Portugal adiantou que polo menos desde Tui seguirían saíndo os dous trens que o facían ata agora. Incluso a empresa non descarta que algún dos outros convois que chegan a Valença do Minho pero que non cruzan a fronteira, poidan estenderse tamén ata a localidade pontevedresa. "Adicionalmente, estudaremos a demanda que xeren os nosos servizos en Tui e, se fose xustificable, estenderiamos outros trens que terminan en Valença ata a localidade galega", dixeron.
Aínda que esta rectifición garante que Vigo continúe estando conectada por ferrocarril con Portugal, non dá resposta aínda ás esixencias de cidadáns, empresarios e políticos de ambos os lados do Miño de modernizar o servizo para facelo máis competitivo. As máis de tres horas que emprega o tren en cubrir o traxecto entre Vigo e O Porto fan que sexa pouco atractivo e deficitario.
[Faro de Vigo]

Nota do RoP: Mais uma vez, Rui Rio revelou a sua falta de talento para liderar uma cidade com a importância do Porto. Não contribuiu em nada para resolver este problema, bem pelo contrário.