12 novembro, 2010

Pretensiosismo

Neste mês de Novembro vai realizar-se em Lisboa uma cimeira da Nato. Acontecimento de alto risco, alvo apetecido de todos os movimentos terroristas, nomeadamente os fanáticos islamitas da Al-Quaeda e aparentados, imaginem-se os recursos preventivos e de acção repressiva que forçosamente terão de estar a postos, e imagine-se também os respectivos custos. O país está na m**** , grande parte da população enfrenta difíceis condições de sobrevivência e a situação irá ainda piorar com a entrada em vigor do PEC 3, mas seguimos impassivelmente no caminho que nos conduziu ao pântano em que nos encontramos. Continuamos a fazer "vida de rico com carteira de pobre".

Por isso sou contra a realização desta cimeira em Portugal, vamos gastar milhões de euros para quê? Para satisfazer a vaidade dos governantes que nos lançaram nesta situação miserável?

Estou a imaginar os argumentos a favor da sua realização.

"Há muito que tínhamos o compromisso para a sua realização em Lisboa". Acredito, mas também há muito tempo que a crise existe, por isso o governo teve mais do que tempo para dizer, sorry boys, escolham outro local porque nós não estamos em condições de vos receber.

"A realização da cimeira em Portugal traz prestígio ao país". Atitude errónea e parola, o que nos daria prestígio era não termos chegado à miséria em que estamos, e termos diminuído o nosso atraso em relação aos nossos parceiros da União Europeia. Isso sim, seria prestigioso.

"É certo que o país vai gastar dinheiro, mas pensem nos euros que vão ficar aqui em consequência da estadia de tanta gente importante". Pois, é o costume, o país ( nós todos) pagamos a factura, mas os benefícios ficam em Lisboa. Ou alguém pensará que o resto do país verá algum dos euros deixados pelos visitantes em Lisboa, Estoril, Cascais, Sintra, Sesimbra? Além de que, feitas as contas, duvido muito que o saldo final seja positivo.

É assim que, como português e como nortenho, considero inoportuna a cimeira em Lisboa nas presentes circunstâncias, e não vejo que argumentos "patrióticos" possam justificar o pretensiosismo de querermos parecer importantes aos olhos dos nossos aliados da Nato.

HELEN SHAPIRO - Walking Back to hapiness [1970]



"Twistem", se souberem! Bom fim de semana!

O malvado RSI


Não posso garantí-lo, mas quase apostava como na Europa não existe povo tão contraditório e ao mesmo tempo tão influenciável como o português. O que é legal hoje, amanhã - por qualquer estranha conveniência -, deixa de o ser. O que é criticável para uns, em certas circunstâncias, já não o é para outros, em circunstâncias pouco diferentes.

Ao assistir à devastação do direito ao trabalho que assola o país, com fábricas e empresas a falirem à velocidade da luz, já não sei bem se hei-de lamentar ou aplaudir. Não me interpretem mal porque tenho muito respeito por quem está nessas condições, sobretudo aqueles que querem trabalhar e pouca responsabilidade têm pela desgraça que nos foi imposta fruto da absoluta incompetência de sucessivos governos. Só não se entende são as reacções de alguns cidadãos perante a tragédia de outros só porque o seu posto de trabalho ainda não passou pela provação do despedimento. E ainda entendo menos essas reacções neste momento onde a crise política e financeira não pára de fazer estragos. 

Foram os despedimentos da Groundforce no Algarve que me suscitaram algumas dúvidas sobre a solidariedade do povo. A televisão deu-lhes a devida relevância, opostamente à que tem dedicado à população do Norte, indiscutivelmente a mais flagelada pelo desemprego. Por isso, esta notícia pareceu-me mais um acto de discriminação negativa praticado contra a imensa mole de desempregados desta região. Os lamentos daquelas pessoas no Algarve, cujas vidas vão ficar seriamente afectadas, deixou-me, ao contrário do que seria normal, algo frio e distante. Tanto, como aqueles que agora estão empregados e apoiam o corte de subsídios sociais aos que estão sem trabalho.

É inadmissível que, em momentos terríveis como aquele que agora vivemos, continue a  haver gente que alinha irresponsavelmente pelo discurso de políticos fúteis e demagogos [como Paulo Portas e outros], sem perceberem que podem estar a bater em si próprios. Às tantas, muitos desses que agora choram por se encontrarem com o futuro comprometido, são os mesmo que aqui à uns dias consideravam os subsídio dependentes os grandes culpados pela crise. Com tamanha vulnerabilidade intelectual e fraco sentido cívico, quem se fica a rir e aproveita são os "empresários" sem escrúpulos que continuam a crescer como cogumelos, aproveitando a crise para despedir a torto e a direito ou então para continuarem a baixar os salários a quem os devia subir nivelando-os "estrategicamente" pelo rendimento mínimo. Que quem abusa e beneficia dessas ajudas sociais sem precisar seja devidamente penalizado só podemos concordar, agora, que se caia levianamente a meter no mesmo saco dos oportunistas aqueles que nada têm é uma atitude profundamente injusta e desumana. Tento na língua!

O próprio Governo, como aliás é sua imagem de marca, continua a atirar areia para os olhos deste povo-eternamente-criança obrigando os beneficiários a frequentarem cursos de requalificação escolar,  não lhes dando o mais importante, que é a garantia de trabalho remunerado concluída a respectiva formação. Por que é que ninguém questiona isto? E os jovens licenciados também não têm qualificação? Se têm, aonde estão os empregos? O que o Governo quer, disso não tenho a menor dúvida, é arranjar mais um pérfido pretexto para sacar dinheiro a quem já não o tem.

O Governo dita, destrói vidas, não governa. Entretanto, eles, os meninos do aparelho, continuam a gerar os jobs for the boys, sem pingo de vergonha, como aconteceu recentemente com o Secretário de Estado dos Transportes que ofereceu uns bons tachos nos CTT's aos amigos.

A corrupção está aqui, e as provas estão à vista de todos. Mas, pergunto: quem mete esta garotada na cadeia? Na cadeia, sim! Quem? Querem a resposta? Ninguém! Porque é nesta Democracia pôdre, corrupta e tremendamente destrutiva que estes bandidos melhor se acoitam! Querem provas? BPN não vos diz nada?
Dias Loureiro, também não? Querem que vos leia a lista? Não é preciso, pois não?


11 novembro, 2010

Nova nota autenticada pelo Banco Europeu

Era esta a seriedade que os portuenses procuravam?

Nova derrota de Rui Rio. Para mim não é novidade.
Corforme se previa, foram ontem absolvidos da acusação por crime de participação em negócio ruinoso, o ex-Presidente da Câmara Nuno Cardoso e os dirigentes desportivos do FCPorto, Angelino Ferreira, Adelino Caldeira e Eduardo Valente. Como se pode ler aqui, as conclusões da juíza foram demolidoras para a Inspecção Geral de Finanças e particularmente humilhantes para o actual Presidente da Câmara do Porto, Rui Rio.

Todos estamos sujeitos a fazer precipitados juízos de valor quando alguém é constituído arguido, a tendência é quase sempre essa. Na maior parte dos casos, a balança da nossa avaliação pende e depende, tanto da simpatia ou  antipatia que intimamente nutrimos pelos acusados, como do modo sensacionalista e frequentemente sectário como os media transmitem as notícias. Inevitavelmente entalados entre estas duas contradições, o mais sensato nestes casos, é acompanharmos com a máxima atenção a evolução das informações com grande  e repartido sentido crítico, quer para os suspeitos quer para as fontes de informação. É isso que procuro fazer, não garanto é que o faça sempre bem...

Apesar destas humanas imperfeições, há coisas de tal maneira intuitivas que quase tomam a forma de certezas. Uma delas, foi a que alguns portuenses sentiram depois da queda paraquedista de Rui Rio no Porto e a sua improvável eleição a Presidente da Câmara do Porto. Disse aterragem, porque até então, praticamente ninguém no Porto conhecia Rui Rio, ou mesmo sabia que era daqui, ou conhecia em rigor o seu currículo político . Isto explica, em parte, porque um homem apagado, cinzentão e inábil como Rui Rio decidiu investir a pouca audácia que possui no confronto com a instituição mais popular da cidade que é, sem dúvida, o FCPorto, com o notório fito de se guindar politicamente a vôos mais altos que de outro modo sabia jamais conseguir.  Colou-se, sem honra nem pudor (nem amor ao Porto), à campanha centralista anti-Porto e acabou por se tornar sua presa. Se antes de ser Presidente ninguém o ouvia, agora todos o ignoram, ninguém, nem o próprio partido o leva a sério.

Afinal de contas, a permuta de terrenos entre a família Ramalho e os lotes do Parque da Cidade foi um negócio bem mais transparente e vantajoso para ambos do que tantos outros similares realizados por outras autarquias [Lisboa, Estádio da Luz e Alvalade], pelos quais Rui Rio nunca teve a coragem e a coerência de se interessar e pronunciar. É que nestes casos, há grandes gatos escondidos com o rabo de fora  e com muita susbstância...

Rui Rio não é aquilo que se pinta. No meu caso e de outros portuenses, a intuição acertou na mouche. No caso dos [vencedores] eleitores de Rui Rio, admita-se, foi um redondo fracasso. Hoje, mais do que Rui Rio, o meu grande enigma é saber o que é que os seus eleitores esperam dele. Se quiserem continuar teimosamente a justificar a opção na pseudo seriedade do autarca, só negando a constatação dos factos. Este caso, torna-o algo mais do que suspeito: um oportunista.   

10 novembro, 2010

Na montra mesmo sem a Champions [Onde está Jesus?]

HUGO SOUSA [do jornal O JOGO]

Quantos adjectivos vale Hulk? Para a Marca, jornal espanhol que ontem o considerou destaque da semana, vale mais de meia dúzia: "endiabrado", "instintivo", "provocador", "sublime", "besta", "imparável", "incrível". Estão todos no mesmo texto, onde ainda houve espaço para mais alguns, com referências ao "intratável" FC Porto, ao "golaço" de Falcao e ao "magistral treinador de top" que é Villas-Boas.

A vénia aos portistas estendeu-se a outros jornais europeus, não só como eco da vitória gorda sobre o Benfica, mas também a título de espreitadela complementar a uma equipa que começa por surpreender nas estatísticas. Afinal de contas, sublinham espanhóis e italianos, este FC Porto continua sem derrotas. Ironia das ironias: à falta de Champions, e apesar da cavalgada imparável na Liga Europa, os portistas parecem ter encontrado, nas páginas de jornais por essa Europa fora, uma montra alternativa para garantir atenções. Só ontem, Hulk brilhava na Marca, como já se disse; Falcao também garantia umas linhas simpáticas à custa de uma acrobacia em forma de golo; João Moutinho estava no onze preferido da Gazzetta dello Sport, e André Villas-Boas estava em todo o lado: no banco, a comandar a equipa da semana da Marca, e num artigo de opinião capaz de lhe rebentar com o ego que aparecia generosamente espalhado nas páginas do italiano Corriere della Sera.

Aos 33 anos, dado que não é esquecido, o treinador surge como mentor inevitável da mudança, centrando atenções à imagem do molde que continua a servir para decalcar semelhanças: José Mourinho, obviamente. Por cá, essa comparação foi perdendo força, mas a Europa, que começa a descobrir Villas-Boas, ainda a usa. Mas já não abusa, porque, ainda que o Sport, de Barcelona, insista na ideia de "clone", ontem a Marca (que antes desta página 36 tinha umas dezenas dedicadas ao fenómeno Mourinho, incluindo um longuíssimo artigo de opinião que assinalava o impensável para o Real Madrid: o galáctico é o treinador, numa "mistermania" nunca antes vista por ali) lembrava que os números do FC Porto de Villas-Boas "são melhores" que os de Mourinho. O Corriere della Sera não resiste a chamar-lhe "Mourinho loiro", mas informa os leitores de que o portista detesta a comparação e sublinha haver indícios de que Villas-Boas tem tudo para "uma caminhada autónoma". Diz mais: "Portugal é um laboratório perfeito para um aprendiz." E mais ainda, na tal parte capaz de levar pelos ares, numa explosão épica, o ego de Villas-Boas. Considerem-se avisados para o que se segue: "Tacticamente, o trabalho do Mourinho loiro é mais sofisticado que o do original, não só pela preparação dos jogos (baseada num estudo obsessivo de cada um dos jogadores adversários), mas também pela disposição da equipa em campo, com um 4x3x3 sólido e muito virado para o jogo de ataque." A isso junta-lhe o "poder de comunicação". Chega, não?

"Tic-tac, o Incrível voltará"

Hulk, "o brasileiro Incrível que chegou do subsolo asiático", está estampado na página 36 da Marca. Os adjectivos que lhe são dispensados já foram assinalados no texto principal, aqui ao lado, mas há mais. O autor do artigo diz que Hulk passou por David Luiz, "o central do futuro", como se fosse "uma bala" e superou os defesas benfiquistas "como se fossem cones". Hulk fez do Benfica "um gigante com pés de barro" e, elogiando o futebol dos portistas, a Marca diz que "os adeptos contam as horas para o jogo seguinte. Tic-tac, o Incrível voltará." Deve ser já no domingo, com o Portimonense...

"Mourinho loiro"

A Marca sentou-o no banco da equipa da jornada, diz que é "magistral treinador de top", e o Corriere della Sera dedica-lhe um artigo (as citações estão no texto principal...) capaz de lhe rebentar com o ego. O "Mourinho loiro", como é apelidado, "prepara melhor os jogos" e aposta num futebol "mais atacante", dizem os italianos....

Moutinho na equipa da semana

Hulk está na equipa da Marca, que já o imagina a brilhar noutros campeonatos; João Moutinho faz parte do meio-campo escolhido pelos italianos da Gazzetta dello Sport; Falcao também garantiu uns elogios em Espanha por conta do "taconazo", ou golo de calcanhar, que marcou a Roberto.

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Nota do RoP
A procissão ainda vai no adro, André Villhas Boas começa agora a consolidar a competência que já se notava quando treinava a Académica de Coimbra, mas não há dúvida que há nele algo de "specialmente" diferente de Mourinho.
Com tantos encómios da imprensa estrangeira não sei como se sentirão os crápulas invejosos da imprensa dita nacional...

09 novembro, 2010

MP pede absolvição de todos os arguidos no caso que envolve o FCP e Nuno Cardoso

Por Patrícia Carvalho
[ do Jornal Público]

Procurador defendeu que o processo se revelou "um balão sem ar". Representante da Câmara do Porto pediu indemnização para colmatar alegado prejuízo de 2,5 milhões de euros

Amanhã, os seis arguidos do processo que envolveu uma permuta de terrenos com o FC Porto, no âmbito do Plano de Pormenor das Antas (PPA), deverão descobrir se a juíza atendeu à recomendação do procurador do Ministério Público (MP), absolvendo-os a todos. Ao ex-presidente da Câmara do Porto Nuno Cardoso, a três dirigentes do FCP e a dois antigos engenheiros da autarquia é ainda pedida, pela autarquia, uma indemnização na ordem dos 500 mil contos (2,5 milhões de euros).

Depois de ouvir diversas testemunhas nas várias sessões de julgamento, o procurador do MP concluiu que o processo se revelou "um balão sem ar" e que, em tudo o que apontava para um alegado conluio entre Nuno Cardoso, os técnicos municipais e o FCP para beneficiar este último, estava-se, em termos judiciais, perante "uma ficção". "Não posso pedir a condenação de pessoas com base em ficções, peço com base em realidades", explicou o procurador, durante a tarde de ontem, nos juízos criminais do Porto, durante as alegações finais do julgamento.

Com críticas muito duras à forma como o próprio despacho de pronúncia e a acusação estavam delineados - referindo-se a "incongruências" e, pelo menos, uma "contradição insanável" -, o procurador desmontou os argumentos que apontavam para o alegado crime de participação em negócio - com o consequente favorecimento do FCP e lesão do erário público. Desde logo, afirmando que o facto de o FCP ser "pessoa colectiva de utilidade pública administrativa impede o cometimento do crime" pelo qual os arguidos estão acusados.


Câmara insiste no prejuízo

O procurador disse não entender o porquê de terem sido pronunciados os três dirigentes do FCP sentados no banco do tribunal, quando tinham sido duas outras pessoas ligadas à instituição a participar nas negociações da permuta que esteve a ser analisada durante o julgamento. De igual modo, classificou de "libelos persecutórios sem fundamento" o modo como fora associada a participação do antigo autarca socialista no conselho consultivo do FCP ao seu alegado interesse em beneficiar o clube. "Isto é uma imputação calvinista, para não lhe chamar outra coisa. Um conselho consultivo reúne-se uma vez por ano, só tem funções consultivas, a sua opinião não é vinculativa. Como é que pertencer ao conselho consultivo já era a fonte de promiscuidade para beneficiar o FCP? Não podemos ir por aqui", disse.

O pedido de absolvição foi repetido pelos advogados de todos os arguidos, ficando a representante da autarquia sozinha, a pedir uma condenação, de âmbito cível, traduzida numa indemnização na ordem dos 2,5 milhões de euros. A causídica disse ter ficado provado que a segunda avaliação feita aos terrenos da Quinta de Salgueiros teve o "intuito claro de permitir a permuta" com os terrenos do Parque da Cidade, defendendo que "esta permuta não era necessária para executar o PPA". O objectivo, concluiu, era "beneficiar o Futebol Clube Porto à custa do património da câmara".* A sentença será lida amanhã.

Nota do RoP
* É impressionante o contraste das duas facetas de Rui Rio. Mesquinho e oportunista para com os "seus" conterrâneos, dócil e reservado com o Governo Centralista de Lisboa [e respectivos clubes]. Que desgosto para o Porto!



Procurador diz que acusação contra Cardoso é "balão sem ar"

Por vontade do procurador do Ministério Público Carlos Santos, o ex-autarca do Porto, Nuno Cardoso, e três vice-presidentes do F. C. Porto serão absolvidos da acusação de, através de uma permuta de terrenos nas Antas, terem lesado os cofres públicos em 2,5 milhões.

Nas alegações finais do julgamento em que, a par daqueles responsáveis, dois engenheiros da Câmara do Porto são também acusados de crime de participação económica em negócio, o procurador foi além de considerar não ter sido feita prova para condenar: atacou a Inspecção Geral de Finanças, cujo relatório sustentara a acusação.

"Perguntei ao perito avaliador se ele sabe que consequência tem o facto de o F. C. Porto ter utilidade pública. Ele disse que sim. Mas não sabe", acusou.

Isto para sustentar como principal argumento do magistrado para a absolvição o facto de ao clube portista ter sido atribuída, desde o Estado Novo, "utilidade pública", o que lhe afastará a qualificação de "terceiro", num crime de "participação em negócio", que visará evitar promiscuidade entre os sectores público e privado.

O procurador foi cáustico até com a própria acusação e pronúncia do Tribunal de Instrução Criminal do Porto, que se refere a um "conluio" entre Nuno Cardoso e os dirigentes do F. C. Porto, Adelino Caldeira, Angelino Ferreira e Eduardo Valente. Leu, até, trechos do documento e classificou-os como "ficções". "Não posso pedir condenações com base em ficções... É um balão sem ar".

O actual autarca do Porto, Rui Rio, também não escapou às críticas, nomeadamente por ter-se referido a um prejuízo, para o erário público, de "seis milhões" de euros, contando com os direitos de edificabilidade que viriam a ser doados ao clube, depois do negócio de permuta dos terrenos da família Ramalho com lotes da frente urbana do Parque da Cidade e já na execução do Plano de Pormenor das Antas."O F. C. Porto recebeu duas vezes, mas neste julgamento só está em causa a permuta, pois o MP arquivou. O dr. Rui Rio, de direito não sabe nada; não pode falar de cátedra!".

O autarca do Porto - que exige uma indemnização de 2,5 milhões de euros aos arguidos, o valor estimado pela Inspecção Geral de Finanças como prejuízo, resultante da diferença de valor entre os imóveis permutados - foi também alvo de Gil Moreira dos Santos, advogado de Nuno Cardoso."Rui Rio é que deu os milhões ao FC Porto. Quem está acusado, não deu nada...", argumentou.

Já Sandra Martins Pinto, defensora dos engenheiros que avaliaram os terrenos em causa, acusou Rio e a Câmara de "descaramento" e "litigância de má-fé", ao manter pedidos de indemnização contra os funcionários, que nunca quis punir em termos disciplinares. A sentença será lida amanhã, nos Juízos Criminais do Porto.

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Nota do RoP
As operadoras de televisão de Lisboa - publicas e privadas -, que emitem em canal aberto, são o espelho do governo que temos: completamente sectárias, desonestas e centralistas. Para elas, o Porto só é notícia se for para denegrir a sua gente e as suas mais populares instituições. Por isso, suspeito [para não dizer que tenho a certeza], que divulguem com a mesma atenção e visibilidade a notícia do JN acima reproduzida como divulgaram os Apitos Dourados e as Noites Brancas... Por isso, faço-o eu. 

Prós sem contras

Enquanto o Portugal profundo é cuidadosamente sedado pelos Prós e Contras do regime, o Estado [através da RTP], paga generosas avenças pecuniárias aos infractores [culpados por esta e outras crises], doutos pareceres sobre como sair dela... Por estranho que isto possa parecer,  esta é a mais pura verdade.

Por mais de uma vez escrevi aqui a minha opinião sobre programas como o Prós e Contras e o verdadeiro embuste que eles representam para cidadãos menos atentos, como tal, não vejo necessidade de me repetir. O que é curioso, é que ontem tive o prazer de saber pela RTPN, num programa apresentado pelo Provedor do Espectador, Paquete de Oliveira,  que já há quem tenha a mesma opinião do P&C na vertente económica! O Provedor não abriu propriamente a boca de espanto com a revelação, mas pelo menos, ficou agora a saber, através de um economista aparentemente não alinhado, que os responsáveis do Prós e Contras se limitam a convidar sempre as mesmas pessoas, com as mesmas ideias... Foi isto que o economista entrevistado quis dizer :  que o Prós e Contras não tem contraditório... E assim é.

Mas, será que são só os debates sobre Economia que não têm contraditório? Não, é claro! O Norte, em geral, e o Porto, que o digam! O país é já por si uma grande contradição. Só Lisboa tem tratamento próximo de um país, e mesmo assim, é uma vergonha...

O senhor economista só pecou foi por defeito! É que o viciado paradigma da política económica é apenas uma parte do todo, e o todo é a deteriorização do paradigma do proprio regime capitalista. Era por aí que a conversa devia ter começado, mas todos têm medo de abordar os assuntos pelo princípio... Por que será? Perguntem aos responsáveis editoriais pelos debates televisivos que eles devem saber a resposta. A verdade é muitas vezes perturbante...

Se esta crise pode ter alguma virtude, essa, é deixar cair completamente a máscara das falsas competências e dos falsos méritos. Resta saber se o Povão é suficientemente esperto para fechar de vez a torneira dos rega-bofes do regime. 

   

08 novembro, 2010

04 novembro, 2010

As outras "Faces Ocultas" da Democracia

Conforme ontem salientei, nem sempre é socialmente boa e justa a intervenção dos advogados. Para uma grande parte deles, desde que o cliente pague bem e muito, vale sempre a pena defender quem devia ser punido.

Há três arguidos do processo Face Oculta que fizeram o "favor" à sociedade de aceitar a suspensão do cargo de administradores da REN, uma vez que lhes continuam a ser garantidos os respectivos ordenados. Deve ser uma nova forma de mostrar solidariedade com o PEC xpto, digo eu...

Entretanto, como não existe prazo previsível para a decisão judicial e  que 34 dos outros arguidos acusados tencionam pedir a abertura de instrução, o que vai acontecer é o tradicional e muito português atraso da decisão judicial.  Ou seja , vários e longos anos a marinar ... Mais. Segundo o Público de hoje, mesmo que os 3 acusados de corrupção [Victor Baptista, Director Geral da REN, Fernando Santos, Administrador da REN Traiding, e Juan Oliveira, a Divisão Comercial], venham a ser condenados, o mais certo é continuarem a manter os seus lugares na empresa, visto que para serem despedidos com justa causa, teriam de lhes ser instaurados processos disciplinares e provadas violações graves dos deveres laborais, coisa que, ao que consta, a REN não parece muito interessada em fazer. E só tem 60 dias para decidir, depois disso, ninguém pode ser despedido! 

É a Lei, dirão alguns! Mas que estapafurdia Lei é esta que protege quem mais devia merecer condenação! Não serão estes irresponsáveis muito mais passíveis de uma dura condenação do que um pé rapado que assalta [mesmo armado] uma gasolineira ou uma máquina de Multibanco? Exceptuando os senhores advogados, por razões óbvias, creio não haver ninguèm que não saiba a resposta.

Entretanto, do processo Face Oculta só o sucateiro Manuel Godinho continua preso, por, segundo o Juíz, ser o que mais influências pode mover para boicotar as investigações... Então, e os que estão cá fora em liberdade,também não estão envolvidos nestes vergonhosos crimes? Esses cavalheiros, o Armando Vara & Companhia, não serão também parte dessas influências? Alguém acreditará que vão ficar quietinhos sem procurar "apoio" na prole amiga do aparelho? E têm amigos que são advogados, e outros até,  ministros da Justiça...

Alguém disse um dia que a Democracia é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros. Até pode ser. Só ainda não estou convencido é que os outros,  sejam todos os regimes, porque se hoje não lemos à luz da vela, foi porque alguém saiu da pasmaceira e se recusou a aceitar que já não havia nada para inventar e criou a lâmpada a electricidade.

A Democracia só não é o melhor dos regimes, sem excepção, porque o capitalismo selvagem não quer.

O conservadorismo tem destas armadilhas, quando é excessivo, torna-se esclerosado e intelectualmente pouco empreendedor...

03 novembro, 2010

Justiça, Liberdade e Dignidade, um triângulo incompatível?

Nunca estamos livres de um dia prestar contas com a Justiça. Partindo do princípio da presunção de inocência, todos temos direito a ter quem nos defenda. Para isso, existem os advogados, e é nesses momentos particulares que mais lhes reconhecemos utilidade.

Do outro lado de um problema judicial há, implicitamente, uma ou mais pessoas com quem travamos um contencioso que por sua vez também gozam do mesmo direito à defesa. Até aqui, tudo bem, em teoria, pelo menos... A grande dúvida sobre a idoneidade profissional, moral e intelectual dos advogados surge-nos quando somos espectadores passivos da Justiça que se aplica aos outros, principalmente quando se trata de gente poderosa da política, da banca ou da própria Justiça... Em alguns destes casos, suponho não exagerar, se disser que tenho a certeza que a maioria de nós já não acha muita piada ao papel dos advogados. Por quê? Talvez porque percebemos que os advogados, hábeis na manipulação dos códigos jurídicos, dos recursos e de outras ratoeiras "legais", fazem emperrar muitos processos impedindo o seu bom andamento de forma a que  prescrevam, acabando assim por livrar de maus lençóis os seus milionários clientes. 

Um desses exemplos prende-se com o famoso caso dos submarinos e contrapartidas. O Ministério Público insiste na acusação e no julgamento dos arguidos por crimes de burla qualificada e falsificação e os advogados de defesa acusam a entidade [INTELI] que procedeu às peritagens de falta de isenção por alegada colaboração com empresas envolvidas no processo e por uma relação amorosa [assumida] de uma magistrada com o presidente da entidade de peritagens. Mas que confusão! Não será a vida em democracia "naturalmente" promiscua? Pelo menos, é o que tentam fazer dela,  exaurindo a um limite extremo a Liberdade.

Sempre defendi a ideia [polémica] de que até esse bem precioso que é a Liberdade devia ter limites. Sem limites à Liberdade torna-se impossível compreender aonde é que ela começa e onde termina. Esses limites deviam cingir-se a questões de rigorosa ética e responsabilidade civil. Deviam ser simples,  claros e taxativos, de forma a que nem os advogados pudessem contorná-los com as suas leis difusas e contraditórias. 

Cada vez me convenço mais que é por andarmos a degradar a Liberdade que ninguém [a começar pelos Governantes] leva nada a sério em Portugal [e noutros países também].

Não pertenço ao clube de fãs da "democracia/paradigma" norte americana, nem acho nada edificante que um Presidente da República participe em talk-shows ou em programas de humor duvidoso, como aconteceu recentemente com Barack Obama e o deixou próximo da humilhação.

Só uma "Liberdade" importada e voyerista explica também que António Oliveira [ex-jogador do FCPorto e Seleccionador Nacional] tencione processar o filho por ofensa à honra e consideração da família, que num desses reality shows acusou os pais de serem responsáveis pela sua expulsão do programa.

Estes espectáculos televisivos, onde a coscuvelhice roça a pornografia, podem até encher os cofres das estações que os transmitem mas empobrecem miseravelmente o sentido de cidadania, a dignidade das pessoas, e a própria aplicação da Justiça.

Se Presidentes da República de grandes países como a América do Norte já se deixaram encurralar nestas modas mediáticas, pouco faltará para lá vermos também os Juízes.

02 novembro, 2010

Noruega rica, Noruega sóbria!


Dizia ontem o professor Álvaro Domingues [FAUP] ao Porto Canal  que não sabia bem o que é agora a União Europeia, depois da "sugestão" apresentada por Angela Merkel  à Grécia  para vender uma das suas ilhas como forma de resolver a crise financeira daquele país... Eu, também não sei.

Passe o exagero da medida, países como a Grécia e Portugal deviam ser severamente punidos sempre que incumprissem com os objectivos traçados pela UE, mas nunca através da alienação dos seus territórios. Bastaria inflingir atempadas e justas coimas, com supressão de regalias, acompanhadas da demissão dos respectivos governantes, para os próximos pensarem duas vezes antes de desatarem correr como tolos atrás dos tachos do Poder. Agora, vender parte do território é que não parece uma medida lá muito pedagógica... Não estou a ver a Alemanha a abdicar serenamente de um dos seus 16 Estados Federados [Landers] caso cometesse as mesmas asneiras que gregos e portugueses.

Numa União Europeia assim, com a economia de rastos e sem uma forte ideologia social  a servir-lhe de meta, não há acordos, comunidades, uniões ou engenharia financeira que resistam. E num país como Portugal, não podemos confiar demasiado no Estado nem na iniciativa privada. O liberalismo não é para nós. Os portugueses ainda não atingiram um nível de cidadania suficientemente elevado para poderem confiar uns nos outros. Se o Estado [os seus máximos representantes] não é pessoa de bem nem consegue formar-se como regulador e como exemplo, não é do empresariado que o podemos esperar. Pela mentalidade do empresariado típico português, não tardará muito, teremos regressado à escravatura.

Razão têm os noruegueses, esse povo com imensos recursos naturais* , sóbrio e sem tiques de novo rico, que soube dizer não à União Europeia depois do governo ter assinado por duas vezes a adesão ao tratado [1972 e 1994].

Nós,  não temos como eles, jazidas de petróleo, nem gás, nem minerais, nem as suas enormes florestas, mas se acaso as tivéssemos, decerto veríamos todas essas riquezas concentradas nas mãos de uma dúzia de oportunistas e o povo a continuar com salários terceiro mundistas com impostos caros e sem retorno garantido. Portugal, nem com petróleo seria capaz de se governar. Definitivamente, não acredito no futuro de Portugal, nem tão pouco nos "optimistas" que apostam em destruí-lo.

*A Noruega foi o segundo maior exportador de frutos do mar (em valor, depois da República Popular da China) em 2006. Outras principais indústrias do país incluem a de processamento de alimentos, construção naval, metais, produtos químicos, mineração, pesca e produtos de papel. A Noruega mantém o modelo social escandinavo baseado na saúde universal, no ensino superior subsidiado num regime compreensivo de previdência social. A Noruega foi classificada como o melhor país do mundo em desenvolvimento humano entre 2001 e 2007. Em 2009,o país foi novamente classificado pela ONU como o melhor país do mundo para se viver.

O ACORDO

Afirma o Sr.Ministro das Finanças que o acordo com o PSD sobre o Orçamento Estado, tem implicações, nomeadamente no que diz respeito a um custo de 500 Milhões de Euros, e que esse custo terá de ser compensado com a apresentação de mais medidas adicionais de austeridade!

Mas afinal o que é isto? Chega-se a um acordo e não se sabe onde cortar os 500 milhões? Querem aplicar mais austeridade depois de terem acordado um projecto de Orçamento, que seria suposto saber quais as despesas a eliminar!

Quer o Sr.Ministro que lhe demos algumas dicas onde pode e deve cortar nas despesas?

Cortem no supérfluo e nos "tachos" dos boys! Cortem nos Institutos e Fundações públicas e não só ( e por falar em Fundações, a de Guimarães capital da cultura, tem uma presidente que aufere mensalmente a módica quantia de 14.300 euros + viatura + telemóvel! Tem dois vogais que ganham, cada, 12.500 euros mensais e têm ainda alguns ex-politicos, como Jorge Sampaio e Freitas do Amaral, que têm direito a um prémio de presença na ordem dos 500 euros!!!). Mas o que é isto?

Pode também o senhor Ministro impôr uma taxa adicional nas reformas mais elevadas e colocar um tecto nas mesmas reformas de 4.000/5.000 euros, para que se não ultrapassem estes valores!

Diz o senhor Ministro das finanças que o déficit não pode exceder os 4,6% em 2011! E nós perguntamos quanto é esta percentagem em Euros?

O mais provável é que seja menos do que o Sr.ministro calculou... FEZ A HORRIVEL ASNEIRA DE TOMAR COMO FIXA O QUE NÃO PASSA DE UMA VARIÁVEL (Isto aprende-se no 1º ano da faculdade de economia)!

Tudo isto tem de ser encarado com muita seriedade e são necessários politicos mais competentes, mais respeitadores da coisa pública, da ética e dos princípios!

Renato Oliveira

Porto

[Carta enviada ao JN para o Correio do Leitor]

30 outubro, 2010

Valerá a pena continuar?

Atenuados os constrangimentos de natureza familiar que durante tanto tempo me afastaram deste espaço de opinião, julgo sentir-me com um mínimo de condições psicológicas para reaparecer. E no entanto... tenho dúvidas se devo fazê-lo!

Há tsunamis gigantescos que continuam a ameaçar submergir este desgraçado país onde tive o azar de nascer. O pior de todos, obviamente, é a ameaça de bancarrota. Como disse alguém na TV (não lembro quem) andamos durante anos "a fazer vida de rico mas com carteira de pobre". O resultado só podia ser este, mas o que aconteceu, aconteceu, não adianta chorar pelo leite derramado. O fundamental agora seria reverter a situação, não gastar mais do que aquilo que produzimos. No entanto, o que se verifica? Verifica-se que os nossos pífios governantes, numa clara demonstração de que a sua qualidade se tem vindo a degradar ano após ano, só encontraram uma solução ao nível do mais analfabeto dos merceeiros de esquina : aumentar os impostos, diminuir tudo o que é prestação social, confiscar parte dos salários, aumentar o custo de todos os bens, mantendo todavia a promessa de realizar as obras megalómanas que tinham parido no tempo das supostas vacas gordas, ainda por cima concentradas na capital ou no seu hinterland, aumentando assim as assimetrias regionais. Parece-me que não será necessário ser economista para antever uma enorme recessão, sacrifícios impostos às classes baixas e média, aumento do desemprego.

Permitam-me um parêntese. Nas presentes circunstâncias em que não há uma maioria absoluta na AR, as desastrosas medidas que o partido do governo propõe, serão levemente mitigadas pela indisponibilidade do maior partido da oposição em aceitá-las na totalidade. Se imaginarmos que a presente situação ocorria na altura em que existia uma maioria absoluta, estas medidas teriam sido implementadas no seu estado original. De resto, olhe-se para a actividade legislativa do PS durante os anos de maioria absoluta e veja-se a quantidade de medidas idiotas que nos enfiaram pelas goelas abaixo, materializando a existência de uma autêntica ditadura. É por isso que pessoalmente sou contra a existência de maiorias absolutas, sejam de que partido forem.

Retomo o tema de que me ocupava. Se o estado económico-financeiro do país nos suscita dúvidas sobre a sua sobrevivència como nação independente, os outros pilares de uma sociedade democrática saudável estão como sabemos. A Justiça é um caos, a Educação uma vergonha, e a Saúde que, apesar de tudo, funciona muito satisfatoriamente, está debaixo de ataque e daqui a uns anos não sei como estará.

No meio deste desastre geral, talvez o pior que o país suportou nos últimos séculos, pergunto-me se terá sentido exprimir, através da escrita, preocupações sobre assuntos que acabam por ser secundários, ainda por cima tendo a convicção da inutilidade deste esforço, na medida em que os nossos políticos são incorrigíveis? É verdade que já há muito tempo que sinto esta inutilidade, mas se apesar disso mantive uma colaboração regular neste blogue, foi (para além da amizade para com o Rui Valente) pela necessidade de " lavar a alma". Só que hoje em dia a sujeira é tanta que desconfio bem que não há água capaz de a lavar!

29 outubro, 2010

MY FUNNY VALENTINE - Chris Botti




Bom fim de semana!

D. Sebastião ou o labirinto


Não aprecio regimes opressivos como aquele que tivemos no Estado Novo durante 41 anos, nem muito menos aquele da 1ª. República, porque embora ostentasse o nome oficial de República Democrática Portuguesa, não foi por isso que em 16 anos [1910/1926] se poupou os portugueses ao pesadelo de 45 Governos [mais de 2,5 Governos ano!], 8 Presidentes da República e 7 Parlamentos... Nem mesmo assim, com este histórico tenebroso de más práticas governativas, tal  serviu para percebermos que para nos tornarmos num país democrático, não nos basta inscrever a democracia na Constituição, é preciso pô-la em prática e acessível ao Povo.

Uma década depois do século XXI, Portugal continua um país por resolver, e nem sequer está perto de descobrir o caminho da sua salvação. Refém de um grupo de cáfilas cujos principais talentos se reduzem ao teatro e ao compadrio, o povo vê-se impotente para se livrar democraticamente deste martírio.

No subconsciente dos portugueses paira ainda o medo de represálias herdado do antigamente e vai deixando correr o marfim, talvez à espera que as coisas se resolvam por si mesmo. Descrente, torce o nariz a novos movimentos de cidadania, prefere deixar tudo como está, não arriscar... Até quando? Até sentir bem na pele, de forma dolorosa os efeitos da crise que ainda agora é uma criança. Mas vai sentí-la, podemos estar certos! E depois, como irá reagir, se a Democracia que lhe é servida é lenta e ineficaz? Provavelmente, o desespero acabará por dar lugar à revolta e daí redundar para a violência. O problema nestas ocasiões não está no "mal" que se inflinge aos responsáveis - que esses quase sempre se safam -, está nas injustiças que a violência arrasta consigo...   Então o que nos resta?

A utopia do sebastianismo? Não, porque as utopias do sebastianismo não resolvem nada. E a utopia da Democracia resolverá? Pela amostra, velha de 36 anos, também não. Como sair então deste labirinto sem fazer sangue? Responda quem souber e quem não acreditar em utopias.

28 outubro, 2010

O "Jamé" das cunhas

Cunha de Lino a favor de Godinho pode dar processo


Nelson Morais, Nuno Miguel Maia
e Jesus Zing [JN]

Declarações da ex-secretária de Estado sobre uma alegada "cunha" do ministro Mário Lino para a resolução de um diferendo do sucateiro Manuel Godinho com a Refer podem originar novo processo. Ontem, foram acusados 34 arguidos no caso Face Oculta.

Ana Paula Vitorino terá relatado que foi contactada pelo então responsável pela pasta das Obras Públicas e Transportes e também pelo ex-ministro Armando Vara. O objectivo seria a satisfação dos desejos de Godinho: fazer com que Luís Pardal, presidente da Refer (empresa responsável pela rede ferroviária nacional) não provocasse problemas à firma "O2", que mantinha um diferendo em tribunal.

Aquando das detenções iniciais no processo Face Oculta, há um ano, recorde-se, a PJ de Aveiro e o Ministério Público aventavam a suspeita de que Manuel Godinho teria procurado Armando Vara para, a troco de quantias em dinheiro - numa primeira ocasião 10 mil euros em notas, mas posteriormente com 25 mil euros como contrapartida -, exercer influência junto de membros do Governo com vista à demissão do líder da Refer.

O processo ficou anteontem concluído e na acusação do Ministério Público da Comarca do Baixo-Vouga foram incluídos 34 arguidos e ainda duas empresas. Vão responder por crimes de associação criminosa, corrupção activa e passiva, tráfico de influências, burla agravada, furto qualificado, participação económica em negócio, corrupção activa e passiva no sector privado, falsificação de notação técnica e perturbação de arrematações.

Visados nesta acusação são, além de Manuel Godinho e vários elementos e funcionários das suas empresas, os socialistas Armando Vara, José Penedos e Paulo Penedos.

Também no rol dos acusados estão vários administradores de empresas de capital público que efectuaram negócios com Godinho, em que o erário público terá ficado a perder (ver caixa). Fonte ligada ao processo explicou ao JN que o julgamento pode realizar-se em Lisboa, local da sede de empresas públicas lesadas.

Colaboração com o PS

Alegadamente, em vez de promover a demissão de Luís Pardal, Mário Lino terá tentado convencer Ana Paula Vitorino - então secretária de Estado dos Transportes do Governo PS e actualmente deputada - a diligenciar pela resolução amigável do diferendo. Um argumento utilizado terá sido o facto de Manuel Godinho já ter prestado colaboração ao Partido Socialista. O que também terá sido feito por Armando Vara. No entanto, em declarações de há um ano, Ana Vitorino negou ter sofrido qualquer pressão.

Estes factos poderão, eventualmente, enquadrar-se num crime de tráfico de influências. Segundo fontes contactadas pelo JN, é provável que o Ministério Público venha a optar pela abertura de um inquérito autónomo contra Mário Lino.

Godinho ganhou milhões

O empresário de Ovar detido por suspeitas de corrupção e tráfico de influências junto de políticos é acusado de ter organizado um esquema que prejudicou empresas públicas em milhões de euros. Mas, segundo os factos apurados na investigação, até conseguiu dar a ideia de que lhes fazia um favor.

Um exemplo é o caso da Lisnave (Setúbal), em que a empresa de Godinho retirou 100 toneladas de resíduos ferrosos como se fosse lixo e teriam um valor de 100 mil euros. Nas manobras de retirada do material, os resíduos foram cobertos por lixo verdadeiro, para não levantar suspeitas. E assim o empresário terá conseguido um duplo lucro.

Recebeu dinheiro pelo "favor" que fez à Lisnave e ganhou pela venda e reciclagem de metais. Tudo isto só foi possível mediante a entrega de um suborno de 10 mil euros a um funcionário daquela empresa.

Novos tempos, piores tempos

Hélder Pacheco, esse portuense de boa génese, escrevia hoje [JN] sobre a imprensa do Liberalismo e da 1ª. República, o seguinte:

Apesar do ar taciturno de melancolia e bruma, o Porto divertia-se. Era um ferrinho em revistas, zarzuelas, circo e pantominas. Foliava pelo entrudo e perdia a compustura no S. João. Ria com riso à sua moda. Ria e gozava com políticos e governos que, sendo centralistas, independentemente da coloração política, levavam pancada de criar bicho. Gazetelheiros, humoristas e inventores de pilhérias eram exímios na blague contra os frequentadores do Terreiro do Paço e os despautérios em geral (incluindo os locais)....
houve no burgo os seguintes periódicos humorísticos:
Tira-Olhos, A Troça, O Verdilhão, O Vergalho, A Vida, O Zó Povinho, O Balão, Charivari, O Diabo, Dó-ré-mi, O Gabiru, O Garoto, O Grilo, Miau, A Moca, Não t'Importes, O Pagode, O Pardal, O Parolo, Pim-pam-pum, Os Pontos, O Porto por um canudo, A pulga, O Raio, O Rival, O Teso, e Tesouradas...
A importância desta imprensa durante o Liberalismo e a 1ª. República, em permanente confrontação com o Poder, não tinha comparação com a actualidade, tal como a estatura de alguns políticos que tiveram de governar com ela à perna.
(Que falta nos faz esta imprensa maliciosa, questionando as políticas e acicatando os leitores).

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Nota de RoP:
Hoje, o jornalismo do burgo e também de outras bandas, aplica o talento e a energia a defender quem lhe pagar mais... A sátira podia arreliar o Big boss, e a vida está tão difícil... Os seus ideais "sociais", limitam-se ao(s) €uro(s). Quanto mais, melhor.

26 outubro, 2010

O país do faz de conta

Era uma vez um País… a história podia começar desta maneira, mas a situação é demasiado grave para fábulas e contos, pelo que teremos que aguardar e verificar a que meta chegaremos, ou se o abismo está mais próximo!

Depois de diversos governos andarem anos a fio a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes portugueses, e a engordar o Estado, prepara-se o actual governo, via Orçamento Estado, para voltar a atacar o bolso de todos nós, colocando, mais uma vez, um garrote nos salários, nas pensões, nos benefícios sociais, nas scuts do Norte (o País não é todo igual?), bem como no aumento de impostos, etc.etc.

Continuarão os trabalhadores e pensionistas portugueses a ver diminuídos os seus salários e pensões, e os pobres continuarão a ficar mais pobres. Ou seja, mais uma vez, aumentam os Impostos e reduzem os salários!

É caso para perguntarmos aos portugueses, que ciclicamente se deparam com uma crise económica/financeira, embora desta vez se considere mais uma catástrofe do que crise, se não valerá a pena entregar a Administração e Gestão de Portugal à União Europeia, ao FMI, ou mesmo a outro País Europeu? Seguramente que daqui por 5 anos estaríamos bem melhor e sem os sobressaltos que periodicamente nos atormentam!

É o caos e é a crise que os mais pobres vão sofrer e pagar! Não existem metas nem horizontes planeados a médio e a longo prazo. Os Portugueses que emigrem, porque é a única solução que têm para si e para  a salvação do país que os políticos lhes proporcionam! POR MUITO MENOS, DO QUE ACONTECE EM PORTUGAL, OS FRANCESES REVOLTAM-SE, e dão uma lição de como se defende os seus benefícios sociais!

Renato Oliveira
(Porto)

 [Enviado ao Correio do Leitordo, JN]

Corrupção: Portugal na 32.ª posição entre 178 países

Portugal surge na 32.ª posição no quadro dos 178 países analisados pela Transparência Internacional (TI) quanto à percepção da corrupção, quando em 2009 aparecia em 35.º lugar, que foi o pior ranking de sempre para o país desde 2000.

No relatório anual da organização não-governamental, intitulado "Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2010", Portugal mantém-se como um dos países da Europa Ocidental em pior posição do ranking anual sobre a percepção da corrupção, embora tenha melhorado ligeiramente em relação ao ano passado.

Leis "herméticas", um aparelho de Justiça que "não funciona" e resultados "nulos" no combate à corrupção são as razões apontadas pela TI para explicar a má posição de Portugal no ranking anual sobre percepção da corrupção.

Paulo Morais, da representação portuguesa da TI, disse à Lusa que "nos últimos anos Portugal piorou muito", afirmando que "o ovo da serpente está na legislação confusa e que gera ela própria corrupção".

Leis "invariavelmente herméticas e cheias de regras que ninguém compreende e excepções por forma a obedecer muitas vezes a este ou aquele grupo" e, "o pior de tudo", leis que atribuem "um ilimitado poder arbitrário a quem as administra" são as principais razões, defendeu.

Paulo Morais acrescentou que o aparelho da Justiça "não funciona" porque "não há uma actuação sistemática de combate à corrupção". "Tem havido aqui e além alguns assomos de aparente vontade de combater" a corrupção, afirmou, salientando, no entanto, que tiveram "resultados praticamente nulos".

O responsável da TI em Portugal disse que "mesmo os organismos mais recentes têm sido praticamente nulos quando não, muitas vezes, contraproducentes".

Paulo Morais classificou o Conselho Português para a Prevenção da Corrupção como um "organismo governamentalizado" e a Comissão Parlamentar Contra a Corrupção como "uma inutilidade absoluta", com "resultados práticos praticamente nulos".

"Os próprios parlamentares mais relevantes nessa Comissão eram eles próprios muito ligados a grandes grupos empresariais, o que obviamente não ajuda no combate à corrupção", argumentou.

Segundo referiu, o relatório da Transparência International foi elaborado por "um conjunto de sábios independentes", tem diversas fontes e corresponde em 60 por cento a visões externas sobre Portugal e em 40 por cento a opiniões manifestadas em Portugal.

"Obviamente, quando a percepção da corrupção ao longo dos anos indica que os valores da corrupção estão a aumentar e a qualidade da democracia por essa via está a diminuir, isso corresponde a um aumento real da corrupção", frisou.

A Transparência Internacional é uma organização não-governamental que tem como principal objectivo a luta contra a corrupção. Foi fundada em Março de 1993 e tem sede em Berlim. É conhecida pela produção anual de um relatório no qual se analisam os índices de percepção de corrupção dos países do mundo.

[Fonte: Público]


Nota do RoP:
Como me sinto orgulhoso! O que é preciso é optimismo...

25 outubro, 2010

Portistas muito reflexivos...ou tiros na cabeça

Ai, liberdade, liberdade, que tão maltratada andas!

O que será afinal a liberdade de opinião quando se trata de falar do nosso clube, entre adeptos do  nosso clube? Será mais fácil ou mais difícil que comentar o clube e os adeptos dos adversários?

A resposta, essa, parece simples, mas não é. Falar do nosso clube com adeptos do nosso clube, é uma coisa complexa porque mexe com a maneira própria de cada indivíduo sentir, ver e reagir. Há, no entanto um aspecto que devia prevalecer sobre a idiossincrasia do indivíduo quando falámos de futebol, que é o não menos importante espírito de grupo.

O espírito de grupo, que mais não é que a forte união de um conjunto de pessoas com interesses comuns por um mesmo ideal ou motivação, é por natureza mais forte e notório no futebol do que na própria política. Não é por acaso que o futebol é considerado o desporto mais democrático do mundo, mas não estou certo que isso seja uma coisa boa... Por quê? Porque a concentração exacerbada no futebol pode mascarar muitos outros problemas bem mais decisivos para o bem estar dos cidadãos e afastá-los da intervenção cívica.

Venho notando na blogosfera portista algumas rivalidades e picardias que, como portuense e portista, me desgostam e que, de certa forma,  traduzem o que tem acontecido nestes últimos 20 anos ao Porto e à Região Norte do país, como seja a acelerada pobreza económica e a total ausência de protagonismo político e social. Pode até haver muitas outras explicações para este "fenómeno" mas é sem dúvida a total falta de espírito de grupo e o excesso de vaidades individuais que está a fazer de nós uma perfeita marioneta para diversão do centralismo. 

É por isso para mim incompreensível, que a pretexto de uma duvidosa liberdade individual de pensamento, haja portistas que não demonstrem esse espírito de que anteriormente falei e não se importem de contribuir para o rol de histórias de escárneo e maldizer em que os nossos adversários são pródigos com insinuações nada abonatórias para a direcção do FCPorto, tendo em conta a perseguição que nos tem sido  cobardemente movida pelos amigos do centralismo.

De mais a mais, tratando-se da direcção de um clube que, não sendo perfeita, é a mais competente e bem sucedida de Portugal e de muitos outros países com mais recursos. Criticar desbragadamente a direcção de um clube com o histórico vencedor do FCPorto dos últimos 30 anos, é no mínimo mesquinho e uma enorme prova de falta de gratidão. Há críticas e críticas. A contundência das críticas deve ser proporcional à mediocridade ou à excelência dos criticados. Eu próprio não poupo "encómios" à classe política, mas não há ninguém que me possa provar que não tenho motivos sólidos e legítimos para o fazer. Agora, ao FCPorto? A um clube que, no âmbito desportivo, tem dado aos adeptos aquilo que nenhum Governo em 36 anos foi capaz de dar ao povo português em qualidade de vida!? Se há quem ache que pode fazer melhor [e pelos vistos há], então que se candidate nas próximas eleições à Direcção do clube - se é isso que pretende -, e  mostre ao universo portista o que vale a tal massa cinzenta que  julgam ter, e que falta a outros...

A propósito: como entenderão - esses intelectuais da bola -, que estará o país, e os nossos governantes? Seguramente, presumo, muito melhor do que o FCPorto e respectivos dirigentes, porque nem a existência de um novo partido parece ser uma razão de peso para  o tentarem mudar. Viva o umbigo!

Uma certeza nos fica: com estes protagonistas o FCPorto vai longe...

Links e notícias [fonte: JN]

Estranhar-se-à muito [ou nem por isso...] que o Sr. Procurador Geral da República não decida outra  vez nomear uma daquelas super "equipas especiais",  que tão céleres e "eficazes" resultados conseguiram na investigação  dos crimes da noite no Porto...

De que cor serão as noites em Santo António dos Cavaleiros?


Portugal tem a segunda mais lenta justiça da Europa [JN]
Vá lá, vá lá, podia ser a primeira

Justiça “emprega” mais em Portugal do que na Europa
Justiça mais lenta e mais despesista. Faz mesmo todo o sentido...

Preços do leite básico e da carne vão aumentar
Imaginem as dificuldades alimentares dos filhinhos e netinhos dos banqueiros. Que coisa! São sempre os mesmos desgraçados a pagar a crise!


Saiba o que vai aumentar a partir de Janeiro

Leites achocolatados - Da taxa de IVA de 6% passa para a mais elevada, 23%. Em Espanha, este produto, bem como os leites enriquecidos, tem uma taxa de 8%.

Sumos e néctares - Taxados actualmente a 6% passam a ser taxados a 23%. Mais uma vez, em Espanha esse valor é de 8% de IVA.

Conservas - De carne, peixe ou produtos hortículas (como salsichas, atum ou feijão) passam a ser taxados a 23%. Em Espanha a 8%.

Gás engarrafado - Actualmente é taxado a 21%, quando o gás natural é taxado a 6%, mas que não chega a todo o território nacional.

Luz*- Acresce um aumento de 30% na taxa de audiovisual, para 2,25euros.

CTT - Os serviços universais dos CTT vão manter o mesmo preço, isento de IVA, até à actualização da tabela, que deverá acontecer em Março.

Comunicações - A Vodafone, TMN, PT e Optimus, admitem subir as tarifas e preços de equipamentos de acordo com a actualização do IVA.

Ginásios - A prática desportiva em ginásios passa a ser taxada com o valor máximo de IVA. Os bilhetes para espectáculos desportivos vão manter-se nos 6%.

Rendas - A actualização para este ano, de acordo com o valor da inflação em Setembro, aponta para mais 30 cêntimos por cada 100 euros.

Carros - Sobem 0,3%. Aumento só em impostos para a compra de carro novo.

Transportes - A Federação de Táxis continua em negociação com o Governo, para os autocarros ainda não se conhecem vaP>

Carros - Sobem 0,3%. Aumento nos impostos.

* Não era uma boa altura para o Norte fazer um manguito a mais esta roubalheira? Nós nem sequer nos sentimos representados pela RTP como organismo do Estado!