26 outubro, 2011

Puxa-saquismo ou petulância?


Este cenário, foi o que eu próprio fotografei há um ano...
Olhar para a casa dos outros, sem olhar primeiro, e bem, para a nossa, recomenda-se, antes de fazer figuras tristes.

Só quem não quer mesmo ver, é que pode ficar indiferente à negligência da Câmara Municipal do Porto com a recolha dos lixos e escandalizar-se com o que se vê lá fora. Tanto mais, quanto nessa e em muitas outras matérias, estamos longe de ser um país modelo.

Leiam aqui e tirem vocês mesmo a pinta a este portuense amiguinho de Rui Rio.

Fêcho do dossier Villas Boas


Villas Boas
Para fechar de uma vez com o dossier Villas Boas, gostaria de começar por dizer o seguinte: o direito à crítica é tão legítimo como o direito ao louvor, desde que obedeça a critérios de justiça e coerência.

Pessoalmente, sou mais vulnerável à sabedoria popular, do que à verborreia político-conservadora, que não se importa nada  de recorrer ao discurso populista quando lhe convém...

Se há coisa que me chateia solenemente, é ver alguém sentenciar categoricamente, como decidiria quem não se conhece, se estivesse no lugar de determinada pessoa. É um pressuposto, no mínimo abusivo, porque  intui e impõe a terceiros desconhecidos a sua opinião pessoal como sendo a única válida, e possível.

Vem tudo isto a propósito da forma abrupta como o ex-treinador do FCPorto, André Villas Boas entendeu deixar o clube. Até pessoas de quem tenho a melhor opinião, como é o caso do escritor Álvaro Magalhães, cometem esse lamentável erro. Senão, vejamos o seu comentário sobre a entrega do Dragão de Ouro a Villas Boas: "Foi bonito. O clube fez o que tinha que fazer: agradecer e dar o Dragão de Ouro. É uma atitude que enobrece. Foi ultrapassado o rancor. Qualquer um no lugar de Villas Boas tinha feito o mesmo, isto é mudar de cadeira, para outra mais bem paga e de maior prestígio. Ficar no Dragão seria estar a atrasar o seu destino".

Vamos lá a ver se nos entendemos. Ninguém pode censurar Villas Boas sobre o legitíssimo direito de olhar pelo seu futuro, e eu não o censuro por isso, e pelos vistos [agora], Pinto da Costa também, que mesmo assim, na altura não se coibiu de lhe chamar medroso... Critico-o sim, pelo timing, que sendo embora pertença exclusivamente sua, colidiu com o timing do clube, que ainda por cima era o do seu coração. E quando digo que colidiu com o timing do FCPorto, quero dizer com os interesses do clube, entre os quais se releva a escolha do treinador. Ainda falta saber, só o futuro esclarecerá, que consequências e preço terá de pagar o FCPorto pelo recurso ao SOS/Victor Pereira, para treinador principal. Pinto da Costa é mestre a arriscar, mas já se tem enganado...

Ainda sobre a decisão de Villas Boas, não creio que se ele tivesse optado por ficar só mais uma época, corresse o risco de hipotecar a sua carreira. Jovem, confiante, competente e com o talento que tem, não creio que, mesmo admitindo uma segunda época menos feliz ao serviço do FCPorto, faltassem as propostas. Já entenderia bem melhor a decisão se ele fosse mais idoso, se tivesse 40, 50 ou 60 anos. Podem-me dizer, que jogou pelo seguro e aceito o argumento, mas não me podem é garantir que outro não teria tomado decisão diferente, e sobretudo, repito, tratando-se de um treinador que fez questão de exaltar a sua condição de portista. Então, como é? Como ficam aqueles teóricos que dizem que: se pode trocar tudo, de mulher e automóvel, só não se troca de clube? Não faltará acrescentar ao ditado, "excepto por dinheiro?". Alguma coisa não bate certo, nesta lengalenga.

Agora pergunto: e se em vez do Chelsea, os milhões que o cegaram viessem da Luz, o discurso contemporizador seria igual, ou era outro? Que raio de portismo conformista é este como o de Álvaro Magalhães que considera a cadeira do Chelsea mais prestigiante do que a do FCPorto? Terá ele confundido o campeonato inglês com clubes? Que o Chelsea tem mais dinheiro, tem, mas... prestígio?! Além de que, salvaguardando o facto relevante de André Villas Boas ter desenvolvido um trabalho sério, vitorioso e competente ao serviço do FCPorto [uma extraordinária atenuante], não vejo uma diferença muito grande entre a sua fuga do FCPorto e a deserção de Durão Barroso para Bruxelas ou de Guterres para Comissário das Nações Unidas. Ambos foram olhar pela vida, não é assim...

É certo que a estes últimos, como altos representantes do Estado, se exigiria uma outra elevação, outra noção de ética, mas não foi o vil metal que também aqui esteve em causa? Será que Álvaro Magalhães também considerou prestigiantes estas decisões? Que no lugar deles fazia o mesmo?

É preciso pensar melhor antes de pormos a boca no trombone de outros. Porque, apesar do oportunismo ser cada vez mais global e descaracterizante, ainda há outros, e... outros.

24 outubro, 2011

Os comentadores desportivos da TVI

Valdemar Duarte
(lá banha tem ele]
Começo por dizer, que como espectador, nunca percebi a necessidade da presença de comentadores durante a transmissão de jogos televisionados, ainda por cima quando esses comentadores não têm categoria para desempenhar a função com moderação e seriedade. Já sei que falar de seriedade e moderação, num país que tem sido governado por gente pouco séria e nada moderada, é um contra-senso romântico, é quase como esperar que filhos de pais alcoólicos se tornem exímios mestres em bons costumes. Mesmo assim, acho necessário chamar a atenção para a falta de isenção deste tipo de gentinha, sobretudo agora que a Troika anda a reclamar austeridade, a torto e a direito, obrigando o Governo a asfixiar a vida a tanta gente útil e trabalhadora. Se os nossos governantes não andassem cronicamente distraídos, era por aqui que deviam começar a limpar a casa, mandando para o olho da rua estes inúteis comentadores, contribuindo assim para a redução despesista do país.  

Ora ontem, aos microfones da TVI, um tal Valdemar Duarte ao piano, acompanhado por Manuel Queiroz ao violino, foram os protagonistas de uma miserável sessão de mau jornalismo.

Um, segundo consta, benfiquista fanático,  useiro e vezeiro a denegrir tudo que cheire a FCPorto, e o outro, um presumível portista que, à imagem de outros acomodados "portistas", são incapazes de levantar a coluna vertebral sempre que estão no meio de lisbonários. Já não é a 1ª vez que dou conta da incapacidade de Manuel Queiroz contrariar a opinião quase sempre tendenciosa do parceiro benfiquista, quando há razões para o fazer. E tem-nas muitas vezes. Ontem, chegou mesmo a ser mais papista que o papa seu colega, insinuando uma grande penalidade pretensamente provocada por um jogador do FCPorto [Álvaro Pereira] sobre um jogador do Nacional, quando as imagens ainda nada garantiam. O senhor Manuel Queiroz, que escreve no semanário Grande Porto e se diz regionalista, só vai conseguir convencer os espectadores mais atentos dessa sua vocação política, quando tiver coragem para se opor sem modinhas aos centralistas, mesmo que em "casa" deles e em modo clubista-desportivo.

Os espectadores portistas sabem muito bem distinguir o bom futebol do menos bom, e também do mau e muito mau. Não precisam da opinião de fanáticos corruptos para saberem que ontem o FCPorto não fez um grande jogo, apesar de ter vencido o adversário por 5-0. Sobretudo quando esses fanáticos parasitas lançam para o ar atoardas do tipo "foram os piores segundos 45 minutos do campeonato!", numa tentativa clara de desvalorizar a victória do FCPorto. Tomara a qualquer clube jogar sempre mal, e terminar os jogos com victórias tão expressivas, não é! Mas, como esse clube [felizmente] não arrasta consigo o estigma "glorioso" do fascismo, vencer por cinco a zero só tem brilho na voz do bronco Jorge Jásus [que é a pronúncia do aldeão]. Esse energúmeno, Valdemar Duarte, esqueceu-se foi de exaltar a magnífica victória do seu Benfica, tirada a ferros e com a cunha, quiçá involuntária, do guarda-redes do Beira-Mar, que fez a obra-prima de colocar a bola direitinha nos pés de Cardozo... Foi amnésia, ou falta de seriedade? 

Foi falta de seriedade, afirmo eu! E de vergonha!

23 outubro, 2011

Glenn Miller Orchestra / Chattanooga Choo Choo

Criminilização de actos políticos. Opinar não chega

Carlos Abreu Amorim
Deputado independente do PSD,disse:

A incompetência política não é criminalizável. Mas existem instrumentos para aferir, do ponto de vista penal, o que é certo ou errado nas decisões políticas. Até porque uma decisão considerada errada agora pode revelar-se certa mais tarde e vice-versa.






António Cluny
Procurador Geral Adjunto do Tribunal de Contas, disse:

Substituir a apreciação política pela responsabilização penal é uma forma de isentar os políticos das responsabilidades a que estão obrigados politicamente. Além disso, é uma armadilha para os tribunais e uma tentativa de desviar a atenção dos cidadãos do julgamento político.




Carlos Jalali
Politólogo, disse:                                                                                

É essencial manter-se a fronteira entre o plano político e o judicial.
É por isso desejável que seja claramente identificado o campo das
opções políticas, que são julgadas no tribunal eleitoral, e os actos
praticados violando as leis.



Paulo Morais
Vice Presidente da Transparência Internacional, disse:

Não se pode penalizar um político por ter gerido mal. Mas o quadro legal existente chega e sobra para criminalizar quem actuou fora do enquadramento da lei. Por exemplo, quem efectuou ou autorizou despesas não previstas no orçamento.






João Cravinho
Ex-deputado socialista, disse:

Só  se  pode criminalizar  os actos  que  foram  cometidos  contra a lei
e   não  as opções  políticas,  mesmo  que venham  a ser  consideradas
erradas.  E para isso há leis suficientes para que essa responsabilização
criminal  avance.  A  pergunta que se deve colocar é porque razão não
se tem aplicado a lei.



Nota de RoP:

A conclusão que podemos retirar de todas estas opiniões é que a Lei existe, aquilo que tem falhado é a sua aplicação, que é a parte mais importante. Aqui chegados - e acreditando que em Democracia a Lei é mesmo para todos -,  o que é que urge fazer, realizar, cumprir, deliberar, executar, enfim, justiçar? 

Repare-se que, ao contrário de João Cravinho, na pergunta que atrás formulei [com sinónimos para todos os gostos], está implícita uma acção efectiva, uma decisão, e não, procurar descobrir a razão de coisas para as quais já conhecemos [de longe] a resposta.   

22 outubro, 2011

Hélder Pacheco e a Porto Canal [no JN]



Pinto da Costa na Porto Canal
Lamento que o JN tenha indisponível on-line as extraordinárias crónicas do professor Hélder Pacheco, porque, a par de Germano Silva, é dos poucos portuenses que ainda preservam intacta a fidelização às origens, e que escrevem, sem aqueles rodeios hoje muito em voga na comunidade portuense.  Gosto de gente assim, é nelas que me revejo e gostaria que se revissem todos os meus conterrâneos, independentemente do seu estatuto social. E lamento também por não poder publicar o  artigo de hoje, porque nele reli muito do que eu próprio já tenho escrito no Renovar o Porto, o que - perdoe-se-me a imodéstia -, me deixa orgulhoso, e muito confortável no meu sentido crítico. Talvez amanhã possa publicar o referido artigo.

Adianto contudo, a quem não teve ensejo de o ler, que a crónica gira à volta do massacre a que as televisões nos têm  submetido com a crise, talvez para nos ensandecer, e da dificuldade que temos em sair desse autêntico sufoco, sem ter de desligar o aparelho. A alternativa é, diz HPacheco: o Porto Canal.

Hélder Pacheco, aponta como referências, exactamente os mesmos programas que já aqui aconselhei a manter pela nova administração da Porto Canal. Parece que combinámos o tema, mas infelizmente nem sequer nos conhecemos pessoalmente.

Mas, o que realmente queria destacar prende-se com o receio de que, o bom senso não impere, e que a nova direcção do Porto Canal acabe com o que de bom se produzia antes, e enverede por aquele tipo de programação popularucha e imbecilizante para concorrer com os canais centralistas. Que cometa o erro de convidar para seus colaboradores pessoas de competência e idoneidade duvidosa, que nos momentos difíceis que a cidade [e o FCPorto] atravessou, nunca deram a cara para a defender, colando-se, por omissão ou puro oportunismo, às directrizes centralistas. No dia em que isso acontecer, será o princípio do fim do Porto Canal, não tenho a menor dúvida. Digo isto, porque apesar do FCPorto não ter traçado ainda toda a programação, vislumbrei sinais dessa inexplicável tentação num programa que, começava a dar mais protagonismo a figuras públicas de Lisboa, do que às do Norte e do Porto. O maior sinal de provincianismo, será esse, de querermos agradar a Lisboa como se tivéssemos que nos redimir de algum crime. Crime sim, cometeram todos os que nos [des]governaram quando decidiram desrespeitar constitucionalmente a implantação da Regionalização no país .  

O caminho a seguir pela Porto Canal, e o único que lhe poderá garantir o sucesso, é preencher o muito espaço ainda vazio, com conteúdos vários, sempre assentes na qualidade e nos interesses da região, sem esquecer nunca a vocação regionalista.

Resumindo: mesmo tratando-se de um canal propriedade de um clube de futebol [FCPorto], a Porto Canal tudo deverá fazer para não ser acusada de portocentrismo, como alguns idiotas centralistas gostam de dizer, mas sem qualquer seriedade.

21 outubro, 2011

Alexandre THARAUD - CHOPIN

Lima abandonado há 40 anos e sem solução à vista

Campo do Lima
Paredes-meias com o pavilhão e a sede do Académico, que comemora em 2011 o seu centenário, estão as ruínas daquele que foi um dos maiores símbolos desportivos do desporto nacional. O Estádio do Lima começou a ser construído em 1923 e até inícios da década de 60 foi a casa do Académico, que o cedia a uma série de outros clubes da cidade, bem como palco de vários campeonatos de atletismo e de inícios e finais da Volta a Portugal em ciclismo.

O FC Porto jogou lá nos anos 30 e 40 os seus jogos grandes, inclusivamente aquela partida frente ao Sporting que ficou imortalizada pelo filme “O Leão da Estrela” (1947). O Boavista fez dele sua casa no campeonato de 1971/72, naquela que foi a última época de utilização do estádio, que então já havia sido perdido em tribunal pelo Académico. “O Boavista fez a sua última partida a um domingo e na segunda-feira a Santa Casa da Misericórdia, que era proprietária dos terrenos, meteu lá retroescavadoras e partiu aquilo tudo, para que ninguém mais tivesse a pretensão de usar o estádio”, explica Eduardo Rego, vice-presidente do Académico, que lamenta o estado a que o Estádio do Lima chegou: “É inacreditável como está aquele terreno ali há quase quarenta anos. Tudo abandonado e à mercê das ratazanas. Em minha opinião, a Câmara podia expropriar e fazer um parque desportivo.”

Essa hipótese até chegou a ser defendida recentemente nas comemorações do centenário do clube. No entanto, a intenção nem sequer chegou a ser proposta concreta e não motivou mais do que um sorriso do presidente da Câmara, Rui Rio, como resposta.

Actualmente, o velho Lima, que é recordado pelo historiador Hélder Pacheco como o melhor estádio da Península Ibérica nos anos 20 e 30 (com duas bancadas de madeira a circundarem um relvado com pista de atletismo e de ciclismo) é apenas um terreno baldio propriedade de uma empresa de construção civil insolvente. Foi vendido pela Santa Casa da Misericórdia à Vidor, que entretanto passou a ser Habiserve, mas nunca se avançou com qualquer projecto para aquele local, que viveu tardes de glória do desporto portuense.

[Fonte: GP/Sérgio Pires]

20 outubro, 2011

O Alto Douro Vinhateiro pode vir a perder a qualificação de Património da Humanidade, atribuída pela UNESCO.


O alerta parte de Manuela Cunha, cabeça de lista da CDU pelo distrito de Bragança às próximas legislativas.

Ontem, o partido Os Verdes entregou na Assembleia da República uma pergunta dirigida aos Ministérios do Ambiente e da Cultura, no sentido de saber se o Estado já tinha informado a UNESCO da construção da barragem. Segundo os Verdes, esta albufeira vai afectar o Douro Património da Humanidade.

Manuela Cunha revela mesmo que em reuniões já mantidas entre Os Verdes e aquela organização das Nações Unidas, surgiu a ameaça.

“Na reunião que tive em Paris com a representante mais importante para a Europa e com a senhora que acompanha o processo no terreno elas confessaram que estavam chocadas com esta atitude do Governo português. Inclusive, informaram-me que não era a primeira vez que a UNESCO ameaçava de desclassificação quando uma atitude destas acontecia.”

Manuela Cunha alerta ainda para os danos que uma desclassificação causaria na imagem do Douro.

“As implicações são enormes, em termos de imagem turística”, sublinhou, adiantando que essa “não é” a pretensão dos Verdes. “O que Os Verdes pretendem é que o Estado cumpra com as obrigações que essa classificação implica. O Governo ficou perante a UNESCO como “guardião do templo”. É obrigado a preservar aquilo que levou à classificação, a paisagem, a sua humanização, mas através das vinhas e socalcos e não com barragens.”

Esta questão surge na sequência dos Verdes pela linha do Tua.

“Os Verdes estão empenhados em defender a linha do Tua e a sua submersão. Uma das questões que isso levanta é que viola o compromisso que Portugal assumiu no quadro da UNESCO. Por isso, o Estado estava obrigado, antes de iniciar a construção da barragem, em consultar a UNESCO. O que queremos saber é se hoje, já o fez.”

"Os Verdes" querem que o Governo esclareça se comunicou à UNESCO a intenção de construir a barragem nesta área e, em caso afirmativo, quando ocorreu tal comunicação e qual foi a reacção da UNESCO.

[Fonte: Rádio Brigantia]

Crise no FCPorto? Ou ainda há remédio?


Para dourar o pessimismo aos portuenses, o FCPorto parece querer fazer companhia aos maus governos, coisa a que, felizmente, nós portistas não estamos habituados.

Algo de errado se passa no reino do Dragão. Curiosamente, a atribulada fase da pré-época, com a saída extemporânea e inesperada de André Villas Boas, pela primeira vez em muitos anos, gerou em mim alguma intranquilidade.

Foi a excessiva demora com as saidas dos jogadores, gerando na cabeça de alguns falsas expectativas em relação ao futuro. Foi algum azar  nas novas contratações, com alguns atletas a chegarem tardiamente [Iturbe] e lesionados [Alex Sandro] e outros que só cá chegam em Janeiro [Danilo]. Foi a saida de Falcao, não propriamente por ter saido, mas por a partir de determinada altura tudo ter levado a crer que acabaria por ficar mais uma época. E mais recentemente também o atraso do Atlético de Madrid no pagamento de Falcao que baralhou as contas à Tesouraria do clube gerando, por efeito de dominó, o atraso no pagamento de Defour e Mangala. Se juntarmos a isto, o problema familiar de Walter, a lesão de Kléber e agora também a do jovem Iturbe, é caso para ir à bruxa.

Mas, bruxarias à parte, o azar não explica tudo. Pinto da Costa, sendo o Líder incontestado do clube devia ser o primeiro a ser responsabilizado. Contudo, à luz de tudo o que aconteceu, seria injusto fazê-lo sem levar em conta os condicionalismos/contratempos acima apontados e aquele que para mim foi o principal motivo da actual instabilidade: André Villas Boas.

A saída abrupta de Villas Boas, mesmo aceitando a tese do efeito hipnótico dos milhões de Abramovich, foi algo com que Pinto da Costa não estaria a contar e que nenhum Presidente do Mundo teria o dom de adivinhar, depois das juras do treinador de amor eterno ao clube, razão pela qual decidiu apostar na prata da casa num daqueles golpes de asa em que é mestre. Só que, os mestres acertam mais vezes do que falham, mas também falham. Tudo indica por isso, que com o decorrer do tempo e pela forma como Victor Pereira está a treinar a equipa, Pinto da Costa tenha desta vez tomado a decisão errada. Acontece. 

Sem retirar uma vírgula ao mérito desportivo de André Villas Boas e a respectiva gratidão, sou daqueles que discordam da entrega do Dragão de Ouro ao actual treinador do Chelsea, porque não consigo dissociá-lo dos prejuízos que causou ao clube. Uma coisa é escolher com tempo um treinador, outra coisa é ter de recorrer à pressa ao que está mais à mão. Se Pinto da Costa o fez, a André Villas Boas o deve. Depois, considero que uma distinção é para pessoas distintas, e nisso, pessoalmente, incluo o carácter.  

HOMENS, não há! Que tal experimentarmos canídeos?



Bulldogs ao Poder! Já!


Para além da crise, dos shows de fanfarronice economicista, das intervenções requentadas do Presidente da República, dos vilões transformados em paizinhos do povo, dos pareceres favoráveis à política de austeridade, o cúmulo do mau senso, é não ver suficientemente enfatizada a urgência de responsabilizar criminalmente os delinquentes políticos. 

Esta fuga para a frente, este constante passar por cima do que é essencial, leva-me a pensar que tão cedo, não há dirigente ou partido político que me convença a confiar-lhes o voto. Fosse eu o Povo, e os políticos teriam de mudar de vida. 

Por acaso o leitor já imaginou como estariam os manicómios deste país se víssemos a nossa casa a ser assaltada, e as economias de uma vida, completamente arrazadas, se em vez de chamarmos a Polícia para descobrir o ladrão, fosse o próprio ladrão a mandar-nos devolver o que nos roubou?  Já pensou nisso? Pois é o que nos está a acontecer agora. Apenas com uma pequena/grande diferença: os ladrões, não são ladrões comuns, são ladrões protegidos pela máscara da política! É isso! Pensa porventura que são coisas muito diferentes? Se pensa, agradeço humildemente que me explique porquê, mas peço-lhe encarecidamente que evite o recurso à demagogia, porque para isso já me bastam essas figuras .  

Perante tal cenário, não há criatura no mundo capaz de me convencer a encarar o futuro com optimismo. Não há optimismo que resista à bandalheira da Justiça. Sim, porque, por mais boa vontade que haja para compreender as contradições legais e as armadilhas jurídico-constitucionais, a verdade é que tudo se resume a isto: para os políticos - e amiguinhos de estimação -, o crime compensa mesmo. Muito mais,  do que para o comum cidadão . Rebobinem bem o filme da vossa memória, e vejam quantos daqueles muitos que estiveram perto de ser julgados, é que não escaparam à Justiça e que, pelo contrário, vivem hoje faustosamente. Demagogia diriam eles, se me lessem. Mas o que é que haviam de dizer? Que sim senhor, que é verdade? Que fariam um acto de contrição?

Só no dia em que tudo isto mudar, em que os lugares do Poder forem ocupados por Homens com nível e carácter de genuínos estadistas, é que podemos sonhar com o futuro. A crise para eles é uma brincadeira. Vejam [só] um bocadinho desses mega-programas de pseudo-preocupados, e vão apanhá-los muitas vezes a soltar autênticas gargalhadas. Pudera. Tivesse a população o mesmo conforto das suas múltiplas e grossas pensões, a boa disposição era garantida e o optimismo pagava a crise.  

18 outubro, 2011

Diálogo improvável, com factos reais

Zé Povinho
O  (Zé)Povo encontra o (P.P.C.) Governo, e dispara:                       

-Senhor Governo, o senhor é um aldrabão!

Governo
-Bem, vou fazer de conta que não ouvi. Quer tratar-me como deve de ser?

Povo
-Tá bem, Sr.Governo, então o senhor não é um aldrabão, é um doutor que falta à verdade. Está melhor assim?

Governo
-Se não retirar o aldrabão mando-o já prender, por desrespeito à autoridade!

Povo
-Autoridade? Que autoridade? A sua, ou a dos seus colegas DL's?

Governo
-DL's? Do que é que você está a falar, Povo? De Disk Jokeys?

Povo
-Dos seus amigos Duarte Lima e Dias Loureiro, ambos senhores muito doutores. Foi com eles que aprendeu a arte de exercer a Autoridade?

Governo
-Não misture as coisas nem as pessoas Povo, por favor e... modere-se. Ninguém deve acusar sem  provar.

Povo
-É verdade, Sr. Governo. Mas eu leio os jornais, procuro as fontes, desconto os excessos, avalio os factos e depois concluo. E um desses factos, é o histórico de impunidade de políticos suspeitos por fazerem coisas muito feias... O Sr.Governo terá por acaso consciência do que está a fazer ao país?

Governo
-Estou a salvá-lo da desgraça a que Sócrates e outros Sócrates antes dele, o levaram. São medidas duras, mas inevitáveis, para salvar o país da bancarrota. Agora, temos de fazer sacrifícios, a Troika está aí...

Povo
-Temos? Por que é que se está a incluir nos sacrificados se sou eu quem vou ter de apertar o cinto? Que mania essa que vocês têm de puxar ao altruísmo comunitário quando me querem gamar qualquer coisa.

Governo
-O Sr.Povo não lê os jornais? Não conhece a realidade global? Ignora as medidas draconianas que estamos a  tomar?

Povo
-Sim, sim, e muito justas! Uma delas foi taxar uns milhões à Banca e aos milionários,  que vão ter de abrir os cordões à bolsa. É de Homem! Mas, aonde é que isso está escrito? Já foi decretado?

Governo
-Está a ironizar comigo Sr.Povo, e continua a tratar-me com pouco respeito. Não abuse da sorte...

Povo
-Respeito? Por um aldrabão? Ah...perdão, queria dizer, por um inverdadeiro? Respeito?Lembra-se do que me prometeu e o que dizia do Sócrates? Ainda não lhe disseram que já está a imitá-lo? Lembra-se do que disse sobre o IVA? Sobre os impostos, sobre a tributação à Banca e do 13º mês?

Governo
-Pois, mas eu não fazia ideia da dimensão da dívida, não é...A coisa está muito pior do que imaginava.

Povo
-Se não sabia, não prometia. Quando é que vocês aprendem a ser Homenzinhos, sérios e responsáveis?

Governo
-Já percebi que consigo é impossível falar, são sempre os mesmos populistas.

Povo
-Lá vem você com a ladaínha da praxe. Oiça, você não tem vergonha da sua falta de vergonha?

Governo
-É você quem o diz, e a Polícia é já ali...

Povo
-Não aldrabão, sou eu quem acaba de lho provar. Eu sou o Povo, fui eu que o elegi. Em Democracia você está ao meu serviço. Nunca ninguém lhe disse isso? Por que não se demite?

Governo
-Lá está você outra vez a insultar-me. Diga antes, inverdadeiro, soa melhor. Olhe, não me demito porque em Portugal, isso é visto como uma fraqueza, uma palermice, coisas de burros. Além disso, você conhece algum 1º.Ministro que se tenha demitido?

Povo
-Humm! Deixe cá ver. Pensando bem, não me lembro...Faz sentido, vocês de facto são todos iguais na originalidade. Oiça Sr. Governo, quer um conselho?

Governo
-Diga.

Povo
-Não fuja da Troika.

Governo
-Por quê, Povo?

Povo
-Porque me palpita que tanta austeridade e tão mal aplicada, só pode dar em merda (desculpe-me o vernáculo).

Governo
-É a sua opinião. Mas afinal, por que é que me aconselhou a ficar perto da Troika?

Povo
- É para ver, Sr.Governo, se antes da hecatombe atingir o país, os cavalos lhe passam por cima.

17 outubro, 2011

Sem pápas na língua!

E Sócrates mentia

Diz-se que a política é a arte de fazer escolhas. Passos Coelho fez as suas: o assalto fiscal à classe média e aos mais vulneráveis da sociedade. E em breve o veremos a anunciar a capitalização da Banca com os recursos espoliados a pensionistas e trabalhadores. Tem toda a legitimidade para impor as suas escolhas aos portugueses porque os portugueses o elegeram. Só que os portugueses elegeram-no com base em pressupostos e garantias falsos, que ele repetiu à exaustão antes e durante a campanha eleitoral.

Agradecendo a Ricardo Santos Pinto, recordem-se algumas das garantias com que Passos Coelho foi eleito: "Se vier a ser primeiro-ministro, a minha garantia é que a [carga fiscal] será canalizada para os impostos sobre o consumo e não sobre o rendimento das pessoas"; "Dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês é um disparate"; "O PSD acha que não é preciso fazer mais aumentos de impostos, do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir"; "Eu não quero ser primeiro-ministro para proteger os mais ricos"; "Que quando for preciso apertar o cinto, não fiquem aqueles que têm a barriga maior a desapertá-lo e a folgá-lo"; "Tributaremos mais o capital financeiro, com certeza que sim"; "Não podem ser os mais modestos a pagar pelos que precisam menos"...

E ainda: "Nós não dizemos hoje uma coisa e amanhã outra".

[De: Manuel António Pina/Fonte JN]


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Comentário RoP:

Não sei se por medo de represálias, ou se por favorecimentos inconfessados, instalou-se na mente de muitos jornalistas e cronistas, alguma parcimónia com a gramática, nomeadamente quando se trata de qualificar atitudes menos dignas, ou mesmo desonestas, da parte dos poderosos. Palavras como, vigarista, ladrão ou larápio, deixaram de ser usadas indiscriminadamente, e apenas baseadas em factos, para serem previamente seleccionadas, consoante a classe social dos destinatários. Estivéssemos nós habituados a uma comunicação social realmente séria, e respeitadora dos seus próprios códigos deontológicos, até se compreenderia tanta parcimónia. Mas, o facto, é que não estamos. Quando a presa é graúda e parece indefesa, já sabemos que as capas da imprensa e os telejornais se unem, quase expontaneamente, para fazerem autênticos julgamentos públicos, e dessa maneira subirem as audiências. 

Melhor que ninguém, os media conhecem a força das palavras e o impacto positivo ou negativo que elas podem ter sobre os alvos. Dizer que alguém está a faltar à verdade, não tem o mesmo efeito que lhe chamar mentiroso. Acusar alguém de enganar, pode muitas vezes ser um modo subtil de esconder  uma traição. Desviar, percebemos que não choca tanto como roubar. Não será em vão que os políticos preferem usar esta linguagem, embrulhada de sofisma...

Mas, os jornalistas, que tantas vezes evocam [sem razão] a liberdade de expressão, não deviam copiar o vocábulo polítiqueiro, sob pena de poderem ser justamente acusados de lhes estar a dar algum proteccionismo.

Isto para dizer, que da crónica aqui plasmada de Manuel António Pina, em bom português [não confundam com o da RTP, que para mim não conta], só quer dizer uma coisa:

tal como Sócrates, Pedro Passos Coelho, é vigarista, mentiroso e traidor.

Assim se escreve em bom português.    

Ps1-Não acho necessário, nem razoável, pedir dos eleitores, mais prazos de tolerância para as asneiras cometidas por pessoas, a quem legitimaram o poder e deram a sua confiança. Creio já ser tarde para os cidadãos exigirem, antes das próximas eleições, garantias sobre a responsabilização imediata dos políticos, assim que se desviem do rumo prometido em campanhas eleitorais. E a criminalização, desde que haja razões óbvias para tal. Se a Lei não está bem, mude-se a Lei. Se os juízes não servem, seleccionem os bons e livrem-se dos empatas. Continuar a discutir estes assuntos sem resultados práticos, é de per si outro crime.  

Ps2-Talvez seja oportuno fazer uma breve observação (caso ainda não tenham percebido) que é o seguinte: enquanto as minhas "espingardas" apontaram para os políticos, o Renovar o Porto foi referenciado em vários jornais e mais do que uma ocasião. A partir do momento em que dirigi a mira para os jornalistas, esqueceram-no...
  

16 outubro, 2011

Bethania

Movimento global dos indignados. Para político reflectir...

20.000 euros mensais...
Louvam-se estas medidas. Mas serão suficientes?

Ver para crer, é o preceito que há muito impus a mim próprio para regressar - sem cepticismos -, ao mundo do segundo mais importante dever cívico, que é para mim, votar. O primeiro - lamento decepcionar os senhores da política -, é o da minha consciência. Modéstia à parte, acho que terei alguma razão, já que muito do que aqui venho escrevendo é seguido com alguma antecipação pelo que escrevem os jornais.

Sempre defendi a tese da inevitabilidade de uma nova ordem social para o mundo, de outros paradigmas de organização que privilegiassem a condição humana antes da economia, repensando e higienizando prioritariamente a Justiça. Infelizmente, essa hora ainda não chegou, mas começa a dar sinais de si. E são vários os sinais. Pela amplitude que está a ter em quase todo o Mundo, o  Movimento dos Indignados, é talvez o mais promissor dos sinais, porque, ao contrário do que vem acontecendo, não tem conotações de índole partidária ou sindicalista, revelando grande maturidade cívica dos cidadãos e uma desconfiança vincada para com os mercados financeiros, bem como com a passividade e a falta de ideias da classe política.  


600 euros por palrar
Se disse "ver para crer", no início deste post, foi porque a [boa] notícia da intenção do governo de reduzir os ordenados pornográficos de cargos directivos da RTP e de acabar com as avenças para intervenções de titulares de cargos públicos, não é garantia da sua execução. Portanto, há que ter cautelas, porque estamos habituados a que as promessas dos agentes políticos fiquem cronicamente pela metade, ou se anulem mesmo pouco tempo depois de serem anunciadas... Por isso, é preciso ver para crer. Mas não deixa de ser uma louvável decisão. Ontem mesmo, falei sobre o assunto aqui mais abaixo. 

Sobre a inimputabilidade que tem protegido os políticos de prestarem contas à Justiça por actos criminosos, também se vai falando com mais frequência. Manuel da Costa Andrade, professor de Direito Penal, apesar de dizer que a incompetência política não constitui ilícito penal, e que, mesmo que constituísse, só teria efeitos futuros, e não retroactivos, também lamenta que os governantes acusados de corrupção ou de gestão danosa raramente sejam condenados e que abusem das garantias de defesa. Tal como nós defendemos, Costa Andrade acredita que, se os crimes cometidos por políticos fossem devidamente punidos, seria uma vantagem para a Democracia. Agora, todas estas sensatas opiniões de gente qualificada, pouca valia terão se o Governo fizer ouvidos moucos da realidade e continuar a dar cobertura a um sistema de Justiça decrépito e disfuncional, como é o nosso.

Este devia ser despedido
Por mais competentes que sejam alguns directores da RTP [e alguns, não só não o são, como são desonestos], é inaceitável numa época de feroz crise global, que haja quem esteja a roubar ao Estado qualquer coisa como 15.000 euros mensais,  e leve 600 euros de avença por sessão [analistas políticos e comentadores].

Seria do interesse público, que isto terminasse de vez, ou então, esta gente que fala muito da crise, mas que dorme bem com ela, terá um dia de se confrontar com problemas mais graves do que o da privação de benesses imerecidas, como ter de lidar com a revolta popular que se avizinha.

D. JANUÁRIO SEM PAPAS NA LINGUA. MAIS UM "POPULISTA"...


14 outubro, 2011

Carpenters - Close to you

Os "papás" que não pedimos, nem queremos


Se me perguntassem, há trinta e sete anos, quando a Democracia em Portugal dava ainda os primeiros passos, se imaginava que ela fosse a palhaçada que é hoje, respondia logo que não, e que nesse caso, preferia que a Revolução dos cravos não tivesse acontecido. No entanto, como a grande maioria dos portugueses, rejubilei de alegria com o 25 de Abril.

Com vinte e poucos anos vividos no Estado Novo, repartidos entre Salazar e Caetano, supus que, com maior ou menor dificuldade, Portugal, exaurido com inúteis guerras coloniais [em que voluntária e ingenuamente participei], ia finalmente livrar-se do isolamento político internacional e avançar para um modelo de Democracia semelhante ao dos países escandinavos, que, tal como agora, continuam a ser mestres na matéria. Ainda era cedo para descobrir que os novos líderes políticos que então foram tomando conta do poder transportavam consigo o vírus do oportunismo e da falta de rigor dos que os antecederam. Com uma agravante: tal como agora, sem ponderar as consequências malignas que decisões apressadas normalmente trazem, entenderam [mal], que em Democracia a Liberdade dispensava a Autoridade. Ora, como sem um sistema de Justiça limpo, livre de velhos resíduos ditatoriais, a Autoridade colapsa, o resultado é o que sabemos.

É claro que, agora, a crise global vem mesmo a calhar, é o perfeito bode expiatório da irresponsabilidade de todos aqueles que até hoje participaram em sucessivas governações, sem qualquer sucesso. No entanto, como líderes incompetentes geram povos frouxos, nunca lhes é cobrada a responsabilidade que, por norma, são obrigados a jurar nas solenes tomadas de posse. Caso contrário, seria impensável assistirmos a este espectáculo aviltante e despudorado que é vê-los enxamear os estúdios de vários canais de televisão para darem pareceres sobre aquilo que já deram provas cabais de não perceber. E... são pagos por isso!  Isto, note-se, na fase mais difícil e austera da história recente portuguesa!

Que posso eu mais dizer? Que me intriga ignorar o que cada cidadão pensará, cada vez que assiste a estes espectáculos? Que conclusão extrai da verborreia de todos esses 'especialistas'? Que mais valia advirá para o país das suas opiniões? O que é que aquela gente [muito concorrida] vai fazer, dia após dia, aos estúdios de televisão, que não seja dar um péssimo exemplo daquilo que não deve ser feito?  Por que é que as televisões não optam por ouvir gente credível, em vez de continuar a ouvir quem já provou incompetência e em muitos casos até, desonestidade? Porque não ouvem o povo e incitam os políticos a ocupar o tempo a trabalhar nos seus próprios gabinetes? Será este o paradigma da tão apregoada meritocracia? Eu acho que as estações de televisão, não só estão a prestar um péssimo serviço ao pais, como estão a ser cumplíces de quem contribuiu para o levar ao estado de pré-falência a que hoje chegou.

Os "nossos" políticos e ex-políticos, antes de irem à televisão, deviam ser obrigados a ensaiar tanto a postura como o verbo. Qualquer espectador minimamente instruído tem dificuldade em conter-se face àquilo que é "obrigado" a ouvir, e ver. Além de se copiarem uns aos outros, falam para nós com preocupantes requintes de sadismo, como se fossemos criancinhas ou atrasados mentais. Só falta mesmo, é vê-los de dedo em riste, dizer que levamos tau-tau se não comermos a sopinha... Raios! Não precisavam de nos torturar todos os dias,  a toda a hora, para nos dizer que a crise ainda nem começou, que vai piorar, que em 2012 é que vai doer, etc., porque afinal de contas, foram eles que se portaram mal, foram eles que disseram que sabiam fazer, e fizeram mal. Eram eles que deviam pagar a crise. A menos que, além da miséria que se avizinha, queiram transformar o país num hospício a céu aberto. Ou estarão eles a procurar "amansar-nos"?

Pois se estão, pela parte que me toca, podem ter a certeza que os efeitos/resultados, são enganadores. É que, quanto mais falam da crise, mais vontade sinto de ir para a rua, imitar os gregos...

PS-Que fenómeno científico, cívico, ou psicológico poderá explicar a crónica amnésia que assola os cérebros dos nossos políticos para não seguirem exemplos destes?

Será por que a Suécia é um país do terceiro mundo, ou porque Portugal é do primeiro ?  

13 outubro, 2011

Código de cores para daltónicos ColorAdd chega ao metro do Porto


Miguel Neiva
O ColorAdd, um código de cores universal para daltónicos inventado pelo designer portuense Miguel Neiva, vai ser implementado pela primeira vez na rede de metro do Porto.

O código será testado na estação de Santo Ovídio, em Gaia, que será inaugurada sábado, mas a intenção é alargar a todas as linhas do metropolitano.

O projecto-piloto “é de grande importância, pois vai permitir a centenas de pessoas daltónicas identificarem mais facilmente as linhas que pretendem utilizar”, explica Miguel Neiva, em comunicado.

O que Miguel Neiva, de 42 anos, tem apresentado ao mundo desde 2008 é uma daquelas ideias “ovo de Colombo”: um código universal que identifique as cores, através de um conjunto de símbolos compreensível em Portugal ou no Japão. O P24 esteve recentemente à conversa com o designer.Segundo a Metro do Porto, o ColorAdd vai ser implantado na estação de metro de Santo Ovídio (Linha Amarela), mas as intenções são de alargar a todas as estações do metropolitano do Porto.

“No futuro, confirmando-se o alargamento a toda a rede do Metro do Porto, serão milhares aqueles que beneficiarão da aplicação do ColorAdd”, conta Miguel Neiva.

A estação de metro escolhida, a de Santo Ovídio, tem a particularidade de ser a primeira subterrânea da cidade de Vila Nova de Gaia e vai ser também a primeira a ter um mapa em formato ColorAdd ao lado do mapa habitual.

O alargamento do projecto só será executado após a Metro do Porto realizar um inquérito aos utilizadores daltónicos, com o objectivo de conhecer as mais-valias da aplicação daquele código de cores.

O daltonismo, normalmente de origem genética, é uma perturbação da percepção visual caracterizada pela incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, manifestando-se muitas vezes pela dificuldade em distinguir o verde do vermelho.

12 outubro, 2011

Contrastes

Político com provas dadas, a imagem da probidade
Jogador de futebol, o terror do centralismo


Procura-se um Procurador


Sábias reflexões para nobres decisões
É mentira afirmar que a Procuradoria Geral da República representada pelo reverendíssimo  Doutor Pinto Monteiro, não tem desempenhado um notável trabalho institucional,  no sentido de colocar atrás das grades o vigarista-falsificador, ex-Presidente do Benfica, João Vale e Azevedo. É mentira! Ele está preso e bem preso, só que ninguém sabe aonde. 

É igualmente mentira negar que o Dr. Pinto Monteiro tem revelado um inesgotável dinamismo  na investigação dos casos relacionados com "Exas" como: Duarte Lima, Dias Loureiro, João Rendeiro, Isaltino Morais, Ricardo Costa, Carlos Cruz, Paulo Pedroso , Luís Filipe Vieira=Benfica=Jorge Jesus=Agressões=Túneis=Aeroportos=Scolari... Todos estes casos, não foram bem casos,  foram assobios no espaço.

O senhor Procurador é uma pessoa muito dinâmica, muito competente, e muito honesta. Podemos estar seguros de que todos os suspeitos atrás enunciados, continuam em liberdade, pela simples razão de pautarem as suas carreiras por uma integridade à prova de míssil. Tanto na aparência como na atitude.

É mentira pois que, Hulk, Fucile, Sapunaru, Helton e Cristian Rodrigues, sejam simples jogadores de futebol. São sim, potenciais criminosos, porque jogam no FCPorto [uma organização mafiosa], e o senhor Procurador não brinca com coisas sérias. O que são Duarte Lima, Vale e Azevedo & Companhia, comparados com os gangsters do FCP?

Prisão para eles, já! E cadeira eléctrica, a seguir! 

Pinto Monteiro: é mentira.

11 outubro, 2011

Quanto mais te baixas...

É patente que a selecção portuguesa de futebol já não é " o clube de todos nós" , na frase criada pelo há muito falecido jornalista Ricardo Ornelas. Já foi , mas a sanha centralista e anti- portista de Lisboa acabou com isso.

Scolari foi o ponta de lança de que a comunicação social se serviu, sob a complacência cúmplice da FPF, Gilberto Madail à cabeça. O sargentão foi o pateta útil de serviço.

Inutil relembrar as ofensas e desconsiderações cometidas contra o Norte e contra o seu clube mais representativo, que por acaso até é o mais importante de Portugal. A actividade da selecção centra-se a sul. Lembram-se que foi "inventado" um centro de estágio em Évora para receber a selecção, quando tantos havia de Coimbra para cima? Os jogos principais sempre se disputam em Lisboa. Ao Norte, onde está a verdadeira aficcion, destinam os jogos secundários, aos quais provavelmente Lisboa viraria as costas porque estão de barriga cheia com os jogos mais importantes. Nessa altura, para safar a bilheteira, a Federação lembra-se de nós. As reacções dos nortenhos, ou melhor dizendo, a falta de reacções, encoraja essa corja centralista a cada vez abusar mais. Desta vez a selecção treinou no Algarve(!!) e deu uma breve fugida ao Porto para disputar o jogo. Imagino que terão ido embora logo após o apito final, não fosse os senhores da federação apanhar alguma doença contagiosa nestas terras bárbaras onde a civilização e a higiene pública ainda não chegaram.

É pensando nisto tudo que me pergunto quem seriam aquelas quase 40 mil pessoas que estavam no Dragão. Portuenses e outros nortenhos? Aquelas bandeirinhas e aqueles endereços a dizer Portugal, incentivavam quem? Portugal? Mas que Portugal? Não aquele que foi uma Nação com mais de oito séculos de História, porque esse já não existe, liquidado por um centralismo que tem feito mais contra a coesão nacional do que uma eventual Regionalização. Qual, então?

Seremos só meia-dúzia a pensar que as desconsiderações de que somos alvo há tantos anos, mereciam um boicote, um gesto de repúdio por simbólico que fosse? O que pensam a este respeito os 40 mil? Será que pensam mesmo alguma coisa? Provavelmente, nada, e esse é o mal. Pensem pelo menos no velho ditado que diz que " quanto mais te baixas, mais se vê o teu cu"...

Os ataques continuam, e a República dorme...


Tudo indica para que a Sede do Benfica seja aqui
Ainda ontem escrevi sobre a Justiça, e logo pela manhã sou confrontado com a sua alegre decadência.

Escondida atrás do rosto de uma suposta jornalista que se presta a exercer tarefas impróprias de uma pessoa de bem, a decadência manifestou-se - como não podia deixar de ser -, abrindo o noticiário de desporto para anunciar a aquisição de um novo jogador para o Benfica. Esta, é uma das rotinas da RTP, começar sempre, sempre, por falar do Benfica, roubando esse privilégio ao FCPorto, que é o verdadeiro campeão e o clube português com mais títulos conquistados. Outra rotina da RTP, é conceder essa primazia, excepcionalmente, apenas e quando é para anunciar algo que possa denegrir a imagem do FCPorto. Foi o que aconteceu [mais uma vez], hoje.

Logo a seguir à notícia sobre o Benfica, uma menina de vestido amarelo - espelho perfeito de uma moça de recados-, "informou" o país profundo, através do Correio da Manhã [fonte credibilíssima], que o Ministério Público quer cinco [cinco, imaginem!], jogadores do FCPorto na prisão!  

Apesar dos nortenhos, em geral, e os portistas por maioria de razão, estarem [MAL] habituados a ser discriminados, e claramente provocados, notícias destas são inadmissíveis, sobretudo agora, numa altura em que os responsáveis pela crise [a classe política] andam a pagá-la com o dinheiro dos contribuintes, com belos apelos patrióticos à austeridade. Então, é com este tipo de "notícias", mentirosas e infundamentadas que se dão exemplos de poupança? 

Onde está então a autoridade neste país? Será mesmo que, até a Presidencia da República, a Assembleia  e a Procuradoria Geral, e quem as representa, acham que em Democracia está proibido o exercício da real autoridade? Qual é, afinal, a diferença entre a autoridade oficial, e essa outra, hoje anunciada pela RTP via pasquim, Correio da Manhã?  Qual é, se não reagem a estas poucas vergonhas? Eu penso que nenhuma!

Saiba pois, senhor Cavaco, que eu vou continuar a borrifar-me para os seus apelos patrioteiros, especialmente para aqueles que convidam os portugueses a votar. Votarei sim, no dia em que puder expulsá-los do poleiro, onde nunca teriam pousado os pés, se vivessemos num país a sério e de dirigentes sérios. 




10 outubro, 2011

Lavar democraticamente a Justiça, é viável ou utópico?


Ia começar por dizer que sou um leigo em Direito, mas pensando melhor, achei desnecessário o preâmbulo, pois pareceu-me modéstia a mais face à incompetência evidenciada por todos aqueles que deviam dominar o assunto, preferindo queimar o tempo em querelas, a esgrimir argumentos sem dar sinais de se querem entender. 

Por exemplo, hoje, Marinho e Pinto fála-nos no JN de duas espécies de criminosos, segundo uma teoria de um professor de Direito Penal alemão [Gunther Jakobs],  aqui , devidamente explanada.

Como já o afirmei em várias ocasiões, nutro alguma simpatia solidária e intelectual por Marinho e Pinto, por saber quão perigosa e desigual é a luta que vem travando com os velhos [e novos] acomodados do regime, sejam eles colegas de profissão, magistrados ou juízes.

Como é de Justiça que se trata [ou da falta dela], procuro que essa simpatia não me turve a lucidez e se mantenha racional, sem nunca descurar as opiniões dos seus adversários. A verdade, é que estes últimos, por aquilo que até ao momento consegui saber através da imprensa e da televisão, não têm apresentado argumentário à altura do "incómodo" bastonário. Também, não ignoro a dificuldade que deve ser desenrolar este complicado novelo em que se tornou [ou sempre foi] a Justiça portuguesa.

Independentemente de se apreciar ou não o estilo de Marinho e Pinto, não acredito que haja alguém de boa fé, que não veja nele um homem com uma forte determinação em levar alguma ordem e eficiência ao sistema de Justiça, mesmo quando parece defender causas que os media e a opinião pública já condenaram por antecipação aos Tribunais. Outra das suas preocupações, é querer levar ao extremo o cumprimento rigoroso da Lei, mostrando-se quase sempre mais empenhado em defender do que acusar, o que, diga-se em abono da verdade, o iliba do pretenso populismo de que é acusado pelos seus adversários, pois todos sabemos que é muito mais simpático e mediático acusar, do que proteger. Depois, quando vemos juízes, como Rui Rangel, prestarem-se à humilhação pública de  "saltar" da cadeira do tribunal para a de comentador desportivo [mesmo que em regime de part time], percebemos finalmente quem é vulnerável a populismos [ou benfiquismos, é igual]...

Há, contudo, um senão. Sou eu quem o diz, e vale o que vale, mas é a minha convicção profunda. A Justiça, - tal como todo o regime político do país -, precisa urgentemente de ir à "lavandaria", desinfectar-se dos parasitas que estão a atrofiá-la. Antes porém, há que detectar os parasitas e... eliminá-los. Só que, tenho dúvidas que os pergaminhos legalistas de Marinho Pinto resistam à força corporativista dos sindicatos da Justiça, que além de prepotentes, continuam a ignorar o fundamental em benefício do acessório.

Acima dos direitos, ou dos interesses pessoais dos magistrados, impera a Justiça, e acima das corporações estão os seus bons elementos. Sem bons elementos, não há boas corporações, nem boa Justiça. Deviam portanto, tais corporações, ser necessariamente constituídas por bons juízes, purgando-se, com critério e justiça, das ovelhas tresmalhadas, sem tardança, mas com firmeza democrática... Aqui chegado, retomo o início do parágrafo anterior e os legalismos exacerbados de Marinho Pinto:  saberá a democracia portuguesa [e já agora, Marinho Pinto], que a firmeza é uma componente indissociável da autoridade?

09 outubro, 2011

"Austeridade e coerência"... Deixa-me rir


Para se ser sério, e merecer tal reputação, não bastam o estatuto, as poses estudadas, ou o discurso enfatizado de circunstância. Isso, é apenas um mero e enganador invólucro. A classe política, por aquilo que vamos sabendo,  continua a contentar-se com o invólucro.

Svetlana Zakharova