20 março, 2014

O que falta ao FCPorto é restaurar o passado recente



Não precisaria de dizer isto se a memória de alguns não falhasse, mas importa lembrar que se tudo estivesse bem no FCPorto não havia razões para reparos. Tão natural como o prazer de elogiar quando a onda é positiva, quando a equipa joga bem e ganha, quando jogadores, equipa técnica  e direcção estão em sintonia uns com os outros, é o desconforto de criticar com a objectividade dos factos. Como no presente não é isso que acontece, recomendo às almas mais sensíveis que aceitem as críticas com a mesma naturalidade com que aceitam os elogios (que já fiz e muitos, felizmente). Aliás, e a propósito, devo recordar também que o Renovar o Porto foi um dos blogues não temático em futebol que mais defendeu Pinto da Costa e o FCPorto, numa altura em que ambos eram atacados por todo lado, inclusivé pela própria imprensa local. 

Penso ser consensual que nos últimos anos o FCPorto tem dado sinais de algum excesso de confiança e ao mesmo tempo de alguma sobranceria ou - para ser mais simpático -, de alguma desatenção com o trabalho dos adversários mais directos, quer em termos de qualidade de jogadores contratados, quer no jogo jogado. Tal descuido, é tão raro e inabitual,  como velho  é o conhecimento da tradicional protecção que os órgãos de comunicação social, as instituições desportivas (Liga, FPF,Arbitragem)  e mesmo o próprio poder político vem promovendo com os dois clubes rivais de Lisboa. E se é legítimo ao FCPorto exigir tratamento igual, também é natural que, não lho sendo reposto, se defenda por todos os meios legais que tenha ao seu alcance, depois, mas sobretudo antes, de sofrer as respectivas consequências. Ora, ultimamente a direcção do FCP parece andar algo apática em vários domínios, a saber: lentidão/indefinição na contratação dos treinadores, e algum desleixo com as questões de âmbito disciplinar e psicológico no início de cada época por altura da renovação do plantel com a entrada de novos jogadores. 

Se a contratação de novos treinadores for atempada, como era hábito da casa, e se a escolha incluir alguém com forte perfil psicológico (para além dos táctico-técnicos), nesse caso o problema à partida estará resolvido. Mas, se por razões inesperadas a escolha do treinador for de recurso (como parece ter sido o caso esta época), sem o tal perfil de psicólogo, então o clube devia estar preparado para poder contornar o problema com alguém vocacionado especificamente para o efeito. Essa mesma pessoa, devia de preferência ser alguém da casa que, podia inclusivamente, desempenhar a dupla função de transmitir aos jogadores recém chegados não só a mística do clube perfeitamente espelhada no Museu, como aconselhamento no uso das redes sociais (Facebook, Twitter,etc.), onde não se recomendariam declarações de ordem profissional como tem acontecido nos últimos tempos. Iturbe, por exemplo foi um dos que usou essas redes para manifestar descontentamento por não jogar. Tenho a certeza que se lhes for transmitida a mensagem com a devida veemência logo nos primeiros contactos com o clube, os jogadores saberão acatar as regras e perceber que não vale tudo...

Haverá provavelmente outras explicações para a situação de desnorte que o clube atravessa, que dada a sua conhecida blindagem, serão de difícil  clarificação, mas salta à vista que a comunicação não é a principal virtude. Só que, agora, tem de passar a ser, caso contrário deixa de fazer sentido o investimento que se propôs fazer no Porto Canal. Ninguém quer réplicas do que se faz em Lisboa, o que se pretende é fazer melhor e diferente. Que o Porto Canal, no mínimo, possa servir de contraditório às contínuas campanhas anti-FCPorto que impunemente se continuam a fazer com o beneplácito desse homem vulgar que ocupa o mais alto cargo da nação, e do Estado que ele devia representar com elevação.

Além do desgaste provocado, todas as insinuações e acusações sem resposta oportuna feitas contra o clube, geram na opinião pública não portista uma impressão negativa, o nosso silêncio é interpretado como consentimento, e não - como poeticamente se possa imaginar -, como uma atitude de grande nobreza. As pessoas hoje não estão sensibilizadas para valorizar o que não é visível. Logo, não basta reagir com processos jurídicos depois do mal estar feito. A pressão sobre as arbitragens foi feita antes do jogo, o FCPorto manteve-se em silêncio, o árbitro intimidou-se, perdeu o controle, e o resultado foi uma derrota, independentemente da justiça do mesmo.

Agora, a reacção deles é simples, previsível. Alegam que só nos queixamos porque perdemos o jogo e porque estamos longe do título. O FCPorto já devia saber que eles não precisam de pretextos para acusar e insinuar, eles inventam-nos se for preciso, e a comunicação social lisboeta, ao contrário do Porto Canal, dá-lhes toda a cobertura. Nem o bem redigido Manual de Boas Maneiras para Viscondes no site do clube, tem qualquer efeito prático na opinião pública não portista, porque ele devia ser dirigido essencialmente para aqueles que andam a tentar achincalhar-nos.

É isto que está a falhar no FCPorto. Não há pro-actividade, há somente reacção, e mesmo assim, tardia e pouco eficaz. Gasta-se dinheiro com processos e tribunais, pagam-se multas avultadas, sabendo como sabemos, como é lenta a "justiça" em Portugal, e que o reconhecimento tardio da mesma poucas vantagens nos têm trazido. A eles (Benfica), com túneis, ou sem eles, já lhes valeu um campeonato. E podem crer, o país profundo continua a acreditar que foram os jogadores do FCPorto os maus da fita. 

PS-Oxalá a garra e a determinação de técnico e jogadores bastem para logo passarmos o Nápoles. Acreditemos.


17 março, 2014

Futebol/Sociedade/Televisão/Norte

Embora pareça, o post anterior não sofreu inspiração divina, foi simplesmente uma antecipação natural e previsível das consequências que comportamentos como o do treinador do Benfica podem potenciar se não forem a seu tempo exemplarmente reprimidos. Ontem, foi o actual presidente do Sporting o beneficiário da inopercionalidade da justiça e da política do vale-tudo. Chegou ao clube, experimentou, testou as reacções por dentro e do exterior,  percebeu que podia avançar, e toca a ameaçar tudo o que mexe com processos e tribunais. Resultado: o crime compensou.

Como estes comportamentos passaram a ser um hábito e os protagonistas estão há muito localizados, é uma perda de tempo - semelhante ao tema do sexo dos anjos -, promover a sua discussão. Importa sim, identificá-la com o devido rigor, porque não é exclusivamente no mundo do futebol onde ele faz escola. Começou pela política...Ora, é neste ponto que surge a grande ilusão dos defensores da descentralização/regionalização. O mal não vem só da capital, nem é apenas aí que o centralismo tem os seus soldados, os piores, os mais traiçoeiros, estão entre portas, e devidamente camuflados.

Não é por Hermínio Loureiro ter acordado agora para a realidade, por ter descoberto tardiamente a farsa que foi e ainda é, o efeito "spill over", que devemos ver nele (e noutros como ele) um grande defensor da causa descentralizadora (qualquer dia vamos vê-lo no Porto Canal...). Não, Loureiro está é secretamente interessado no factor "proximidade" dos fundos europeus, o resto é areia para os meus olhos (e para os dos leitores). E como ele, muitos dos regionalistas de ocasião. Adiante.

Contrariamente a certos adeptos de futebol portistas (eu também sou um deles), não cinjo ao futebol as barbaridades discricionárias de que o Norte e, muito particularmente, o FCPorto e a própria cidade, têm sido alvo. O problema vem também do nosso alheamento, da nossa incapacidade para estudar, avaliar, escolher, ou rejeitar, aqueles que se candidatam aos vários órgãos do poder para nos representarem. Tivéssemos nós tido no passado esses cuidados, talvez hoje houvesse mais decência na nossa sociedade.

Por essas razões, não consigo compreender as opções programáticas (extra desporto/ FCPorto) do Porto Canal. E não concordo, precisamente porque o Porto Canal parece estar cada vez mais alheado da realidade nortenha e sobretudo das suas precisões, porque comete exactamente os mesmos erros que atrás apontei. O Porto Canal "propõe-se" contribuir para a descentralização, mas continua a não saber escolher os melhores processos e parcerias para o conseguir. Ou seja, continua a chamar a si alguns intervenientes da esfera política, social, e cultural, figuras que já deram provas de incompetência e até de despeito, pelas questões regionais. É o mesmo que apelar a bandidos para acabar com o banditismo. Não faz qualquer sentido. É uma ilusão pensarmos que esses critérios, essas réplicas da comunicação social centralista possam alguma vez contribuir para uma mudança. Paralelamente, verifica-se uma atracção doentia e servil com personagens da capital de interessse duvidoso que todo o país conhece, tornando incompreensível tais opções quando  ainda há tanto por fazer com os nortenhos. 

Louvo e continuarei a louvar a presença de repórteres do Porto Canal no interior norte e centro do país, e aprovarei todos os esforços no sentido de a intensificar. Agora, isso de pouco valerá se se considerar inútil uma selecção criteriosa dos agentes políticos e sociais para promoverem o debate e as estratégias sobre as questões regionais. Não basta constatar factos, é necessário fazer mais e melhor para os alterar. É preciso ser democrático mas selectivo, e não colocar como diz o povo, os ovos no mesmo cesto. Tal como está, o Porto Canal apresenta-se ao público alvo como uma porta por onde a maioria dos nortenhos quer entrar mas que não consegue por vê-la sempre fechada. Eu próprio estou constantemente a "emigrar" do Porto Canal para outros destinos porque ninguém está lá para me atender. 

A minha curiosidade de momento é saber até que ponto Pinto da Costa está a acompanhar a evolução da estação de tv da Senhora da Hora e se tem opinião formada e sustentada sobre o seu modelo de gestão e alinhamento editorial. Sinceramente, penso que neste capítulo concreto, está ausente.

14 março, 2014

Ai Jesus, se fosses do FCPorto!

Da revolução dos cravos já pouco sobra de positivo. Sim, já sei que por enquanto ainda temos liberdade para dizer o que pensamos, mas daí a poder inferir-se que essa liberdade nos serve para travar as aberrações de uma "democracia" fora da lei como a nossa, vai uma grande distância.

A aldeia global clonemente mediatizada em que o mundo se tornou  não nos oferece grandes exemplos de civilidade, até porque na União Europeia actual a crise não é só económica nem financeira é, também, ética e cultural. Admito que a importação maciça de produtos norte americanos (séries televisivas, filmes, etc.), conjugada com o decréscimo vertiginoso da produção cultural europeia, terá tido alguma influência nessa crise. Os americanos não são propriamente um exemplo de civilidade e talvez resida aí, em parte, a explicação para a descaracterização e desunião dos europeus. Seja como for, nada justifica a discriminação regional e o completo deserto de seriedade que se instalou despudoradamente em Portugal.

Mas vamos ao que interessa. Alguns jornalistas que já por aqui passaram (calculo que não morram de amores por mim), devem pensar que os tomei de ponta por mera  embirração, mas se eles pensassem bem no trabalho faccioso de alguns (muitos) dos seus colegas, entenderiam a pertinência dessa "embirração".

O vídeo aqui abaixo mostra apenas mais um dos múltiplos miseráveis exemplos de má educação e de ordinarice do treinador do Benfica, Jorge Jesus. Ele agride árbitros, polícias, stewards, ele pega-se com outros treinadores, com os próprios jogadores, provoca os adversários, transgride as regras por onde passa, e não se vê ninguém (nem mesmo os jornalistas) a criticar com a mesma veemência e mediatização que por muito menos fariam se se tratasse do FCPorto.

Nos programas televisivos sobre futebol, as câmeras só têm lentes (e zoom) para as jogadas em que o FCPorto é supostamente beneficiado, e quando elas não existem, inventam-nas, ou sugerem-nas. Com os dois clubes da capital fecham os olhos, ou mudam pura e simplesmente de assunto. Isto, nas nossas barbas, e, o que é inimaginável, nas barbas de quem devia zelar pelas boas normas éticas e democráticas: os governantes. Mas como os governantes não existem para governar, estes jornalistas mercenários agradecem a inimputabilidade, crescem e vão até onde os deixarem ir. O problema é quando levam a leviandade ao ponto de procurarem influenciar as instituições da justiça desportivas em benefício de um desses dois clubes lisboetas como sucedeu com o "Apito Dourado".

Estes testemunhos encaixam como luva na irresponsbilidade dos nossos governantes. Eles não ousam comprometer-se nestas coisas da bola no sentido de as moralizar. Muito pelo contrário, rebaixam-se ao nível dos adeptos mais fanáticos, participam e tomam partido publicamente do clube de eleição. Nestes casos, até capricham em descer do altar das suas supremas "competências" sem se importarem de misturar com o povo para melhor poderem camuflar e desculpar a falta de elevação. Dito isto, pergunto: será possível dizer algo de positivo de toda esta gente?

Para os portistas não estou a dar nenhuma novidade, mas mesmo assim questiono: se estas imagens fossem de um treinador do FCPorto estão a imaginar o que seria?



13 março, 2014

As classes desclassificadas

Passos não fala, logo não tem palavra
Já aqui o escrevi várias vezes e volto ao mesmo, hoje em dia não há profissões de prestígio. Há medida que o tempo avança e a tecnologia aparentemente facilita a nossa vida, as pessoas perdem a noção das suas responsabilidades. Não direi a lengalenga passadista que "antigamente é que era bom", porque na realidade em Portugal o povo (Portugal, é antes de mais, povo) nunca teve a suprema alegria de gozar de um nível de vida semelhante ao dos países do norte da Europa. Realisticamente, Portugal, nunca, mas nunca mesmo, teve o privilegio da boa governabilidade. Pelo contrário, sempre estivemos na cauda dos mais pobres. Negá-lo, é ofensivo para a inteligência dos mais simples. No entanto, antigamente havia mais pudor, havia mais empenho pela honra, mais gosto em se sentir respeitado pela pessoa que se era.

Hoje, há mais diplomados em quase tudo. Só para dar dois exemplos, na Justiça e na Medicina, não faltam licenciados, mas poucos, em consciência, se podem orgulhar de ser verdadeiros  juízes e médicos na acepção social e deontológica da palavra. A maioria deles, contenta-se em absorver a componente técnica, cientifica e jurídica das suas profissões, em prejuízo do mais importante, que é a sua relação com as pessoas. Talvez por motivos de ordem prática, talvez por falta de tempo, talvez por ambicionarem enriquecer depressa, assimilaram arbitrariamente uma auto-confiança desproporcional às suas reais capacidades, e esqueceram-se que só as pessoas que julgam ou tratam estão à altura de os qualificar com isenção.  Quando na actualidade é esta a postura mais comum destas classes e paralelamente aumentam os casos de corrupção e de mau profissionalismo, não faz sentido, nem tolera, tanta soberba.

Uma das várias consequências de tudo isto é a intensificação das fragilidades auto-entendidas como forças. A hipocrisia tende a adensar-se, e a boa consciência a evaporar-se. Depois, assistimos a fenómenos e reacções curiosas, semelhantes às presenciadas em criminosos de delito comum que, mesmo perante provas factuais dos seus actos ilícitos se sentem ou dizem sentir-se ofendidos e até inocentes... É uma chatice, quando a máscara do prestígio social atraiçoa a do carácter por falta de comparência deste.

É claro que essa "história" dos médicos estarem envolvidos em esquemas enigmáticos, como dar consultas no mesmo dia em locais diferentes, é uma mentira pegada... Que eles nada fazem para empurrar os doentes dos centros de saúde para as suas clínicas privadas, que tudo não passa de má língua. Claro é, também, que na Justiça não há cordeiros maus, tudo é feito com o maior rigor e rectidão. Duarte Lima, está em prisão domiciliária apenas porque não há indícios de prova criminal suficientes para o meter numa prisão a sério. Nos processos Face Oculta e BPP/BPN, tudo "foi" resolvido exemplarmente. Jardim Gonçalves "foi julgado" celeremente (em 8 anos) mas o processo prescreveu por causa do mau tempo... A Justiça funciona, não há como negá-lo, temos de acreditar nisso.

Mas estes são apenas 2 simples exemplos de  profissões de prestígio em estado de falência "técnica". Os políticos carreiristas são ainda pior e os jornalistas não lhes ficam atrás. Catarina Martins disse na Assembleia da República, na cara de Passos Coelho, que "a sua palavra  não valia nada". Não é novidade que nenhum português não saiba. Mas Passos puxou logo dos galões da honra teatral, amuou, e deixou-a sem resposta.

É assim que eles cultivam o carácter: simulando que o têm. Eu, chamar-lhe-ia vigarista, ou hipócrita, e teria de saber pela boca de um Juiz a sério, onde é que estava o insulto, se me tinha limitado a colocar o adjectivo com comprovadíssima pertinência.

Que Mundo tão plástico!
 



10 março, 2014

Um Rui algo diferente do Rio...

Não há como negá-lo, sou bastante crítico para com a classe política. E pelo andar da carruagem vou ter que continuar nessa onda. Há quem critique por criticar, eu critico tudo o que é criticável e não merece tolerância. Em Portugal, há demasiados políticos incompetentes a enriquecer depressa demais para a qualidade dos seus desempenhos. Não tolero tal coisa, para mim é inaceitável. Num país onde se rouba e reclama austeridade ao povo e se vê descaradamente os "governantes" a deslocarem-se em carros topo de gama, isso não é populismo não senhor, é aridez de carácter, é a desonra do poder, é a imoralidade absoluta. Aquele tipo de imoralidade que fomenta as revoluções.

Apesar disso, consigo ser mais tolerante com o poder autárquico, e isso é simples de compreender. Ao contrário de quando estão nos Governos, os políticos nas autarquias precisam de ter uma relação de proximidade com as populações  (excepções como Rui Rio são pouco frequentes) e os seus problemas, o que esbate a frequente arrogância e o distanciamento habitual dos primeiros com os segundos e que, em certos casos, até consolida laços de alguma cumplicidade. É claro que há sempre Isaltinos Morais e Valentins Loureiros a borrarem a escrita dos que procuram honrar o seu trabalho em prol da comunidade. Nas Câmaras Municipais ainda conseguimos detectar casos de empenho e de razoável gestão, contrariamente aos governos centrais que em 40 anos de "mentirocracia" (esta tem direitos de autor...) pouco fizeram de relevante. E se falarmos de corrupção, do descontrolo flagrante com as contas públicas (Banco de Portugal versus BPP/BPN), dos casos com os submarinos onde os corruptores são punidos (na Alemanha) , e os corrompidos perdoados (em Portugal), então nem se fala.    

Por isso, sendo ainda prematuro fazer balanços, já é possível notar diferenças significativas na forma de lidar com os problemas da nossa cidade, entre Rui Moreira e Rui Rio. Enquanto Rio fechava as portas ao diálogo, mal deparava com obstáculos, deixando arrastar-se no tempo a solução, Moreira, contorna, propõe e dialoga. Isto, de per si não é um feito, mas já é uma forma inteligente de o conseguir. Tivemos recentemente a questão da Feira do Livro que os editores resolveram complicar exigindo contrapartidas da Câmara numa altura de "vacas magras". Rui Moreira simplificou. Chamou para si (Câmara) a organização do evento e mudou o local para o espaço do Palácio de Cristal, onde aliás já se realizou. Se juntarmos a estes detalhes outros não menos relevantes, como o da criação da Frente Atlântica em que se aliou à Câmara de Gaia e de Matosinhos no sentido de reforçar o poder da região e de resolver problemas comuns, parece-me justo dizer, sem cometermos o risco de nos enganarmos, que Rui Moreira pouco tem a ver com o seu antecessor. E ainda bem.

  

08 março, 2014

A saga dos baixos salários


Está mais que comprovado o fracasso e a injustiça da receita da austeridade e do empobrecimento. Mas este capitalismo neoliberal europeu e português que nos desgoverna não tem, nem deseja ter, qualquer outra alternativa. Insiste, propositadamente, na construção de diagnósticos viciados, para atingir os objetivos pré-definidos por que se move: quebrar anseios de progresso e desenvolvimento dos povos, fazer regredir a sociedade para aumentar a riqueza desmedida, alimentar a ganância, a vida ostensiva e o poder dos muito ricos e seus acólitos.

Há milhares e milhares de portugueses que trabalham pelo custo de ir para o trabalho ou pouco mais. E milhares de jovens, incluindo licenciados, que pagam para trabalhar, na esperança de fazer currículo, ou de um qualquer contrato no futuro. O país despovoa-se e envelhece porque são destruídas atividades económicas e estruturas de serviços, porque o desemprego e os reduzidos salários obrigam à emigração.

Entretanto, a saga dos baixos salários continua. A diretora do FMI, Christine Lagarde, disse esta semana que não se deve "cortar sempre nos salários", mas não tem outra recomendação que não seja "reduzir o custo global da mão de obra". O que significa isto? Facilitar os despedimentos, eliminar a contratação coletiva e dimensões de dignidade no trabalho, cortar nos direitos dos trabalhadores no ativo para que não sejam "mau exemplo" para os jovens totalmente desprotegidos.
Aí está o capitalismo caminhando para a ressurreição da escravatura. Agora uma escravatura escondida sob a aparência de um contrato livremente celebrado entre duas partes. Se uma delas - o trabalhador - não conseguir obter no mercado um salário que garanta a sua sobrevivência e da família, pode sempre socorrer-se das "cantinas sociais" e das obras de caridade que o capital alimenta com umas migalhas do grande banquete em que se encontra.

Até a palavra desenvolvimento está a desaparecer dos discursos oficiais. Lagarde, a troika, os nossos governantes, os dirigentes do PSD e do CDS só falam de crescimento. Crescimento para quem, se há destruição e abaixamento da qualidade do emprego, redução de salários, diminuição da proteção social e de direitos fundamentais?

Passos e Portas dizem não apostar em modelos de baixos salários mas, desde que chegaram ao Governo, lançaram uma catadupa de medidas que diminuem os salários e os rendimentos do trabalho, que agravam o desemprego. Não há melhoria de salários com relações laborais determinadas pelo poder unilateral do patrão, com elevadas taxas de desemprego, a juventude sem direito a trabalho digno, ou sem atualização obrigatória dos salários mínimos.

O calçado português - que arrancou para a sua modernização, designadamente porque há mais de 20 anos se fez uma grande campanha contra o trabalho infantil - é agora o mais caro no mercado a seguir ao italiano. Com que salários? Qual o futuro do setor, no seu conjunto, se não existe uma atualização salarial justa e regular?

Propagandeiam-se medidas de apoio à natalidade, mas não passarão de exercício de encanar a perna à rã se não houver uma significativa melhoria na retribuição do trabalho, combate ao desemprego e à precariedade laboral!

No Caderno do Observatório "Quanto é que os salários teriam de descer para tornar a economia portuguesa competitiva?" 1, de João Ramos de Almeida e José Castro Caldas, é denunciada a mentira constantemente repetida de que os salários cresceram mais que a produtividade - "entre 1996 e 2007, em termos reais, os salários cresceram 11% e a produtividade 15%" - é demonstrado que "o endividamento externo não resultou de um crescimento desmesurado dos salários, mas de 1) uma valorização cambial artificial...; 2) da expansão do setor de bens não transacionáveis...; 3) do acesso a um financiamento abundante e a baixos custos, proveniente de economias superavitárias". Pode acrescentar-se ainda: da abertura do espaço económico europeu a importações baratas vindas de Leste e do Leste distante.

Não se massacre mais quem trabalha!
(Fonte: JN)

07 março, 2014

A SRU DO PORTO “NÃO PODE ACABAR DE MORTE MACACA”, DIZ RUI MOREIRA

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defende que a Porto Vivo – Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) “não pode acabar de morte macaca”, acreditando que o Governo viabilize uma solução.

À margem da apresentação de uma pós-graduação em Reabilitação Urbana no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), esta quinta-feira, o autarca independente frisou que a reabilitação urbana feita na cidade tem sido um sucesso porque, além de a tornar mais confortável e interessante, cria emprego, riqueza, coesão e promove o turismo.
Enfatizando a importância da SRU no Porto, Rui Moreira frisou que está em negociações com o Governo e, apesar de ainda não ter respostas concretas, está “esperançado” numa solução para a empresa.
“Vamos saber coisas brevemente”, disse.
E, acrescentou: “Defendemos a manutenção do modelo atual porque é reconhecido e funciona. Por isso, gostaríamos muito que o Governo nos continuasse a acompanhar neste projecto. A nossa mão continua estendida”.
O ISEP e a SRU inauguraram esta quinta-feira uma pós-graduação em Reabilitação Urbana dada a sua crescente expressão em todo o país.
A 24 de Janeiro, a agência Lusa noticiou que a assembleia-geral da Sociedade SRU do Porto relativa a 2013 e destinada a aprovar as contas de 2012 foi “finalmente consensualizada” para dia 28 de Março.
Esta assembleia-geral é decisiva para pôr fim a cerca de 2 anos de diferendo entre a Câmara do Porto e o Estado (que detém 60% do capital, através do IHRU) e para a definição do modelo de financiamento da empresa que em 2013 o Governo anunciou querer abandonar.
No início de Janeiro, a Câmara e o Ministério do Ambiente (que tutela o IHRU) revelaram a 3 de Janeiro ter adiado a Assembleia Geral (AG) da SRU marcada para 6 de Janeiro “por acordo entre os accionistas” e manifestaram a intenção de “aprofundar contactos” para alcançar em 2014 uma “solução global” a SRU.
Uns dias depois, Rui Moreira, defendia que o Estado devia manter-se na SRU, tecia elogios ao ministro do Ambiente Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, e dizia confiar que “ainda este mês” seria possível encontrar com o Governo uma solução para a empresa.
(Fonte: Porto24)

CÂMARA QUER PROGRAMADOR PARA OS TEATROS RIVOLI E CAMPO ALEGRE POR 3 ANOS

Image de Câmara quer programador para os  teatros Rivoli e Campo Alegre por 3 anosA informação, a que a Lusa teve acesso, faz parte de uma proposta da agenda da sessão camarária na qual se define para o teatro Rivoli um projecto de “artes performativas de origem local, nacional e internacional”, integrando “projectos multidisciplinares” em áreas como o cinema, a literatura, o pensamento e a ciência.
O documento não tem valor deliberativo, pretendendo-se apenas que o executivo “conheça as opções subjacentes” ao concurso público para a aquisição de serviços que, na reunião de 18 de Fevereiro, mereceu a contestação e os votos contra da oposição e da vereadora Carla Miranda, do PS, partido que fez uma coligação pós-eleitoral com os independentes de Rui Moreira, presidente da autarquia.
De acordo com a proposta, a estratégia para o Teatro do Campo Alegre, ocupado até Outubro pela companhia Seiva Trupe, “consiste no desenvolvimento de um projecto de ocupação temporária a nível de produção, ensaio, apresentação e pós-produção”.
A Câmara pretende ainda que este espaço fique “vocacionado, ainda que não de forma exclusiva, para o apoio a projectos performativos da cidade e para residências artísticas de projectos nacionais e internacionais”.
Tudo isto integra um mais amplo “projecto para o Teatro Municipal”, cujo objectivo é estabelecer “uma comunicação programática entre os 2 pólos e o desenvolvimento de projectos educativos e de formação de novos públicos”.
Na proposta, “a aquisição de serviços de direcção de programação” é justificada com o objectivo de “detectar necessidades organizacionais e técnicas do teatro [Rivoli], assim como desenvolver o projecto do Teatro Municipal, em coordenação com o Pelouro e com os restantes serviços municipais”.
O documento alerta que, tendo em conta “o valor estimado do contrato”, a competência “para autorizar a aquisição dos serviços é do presidente da Câmara”.
Contudo, “pretende-se que o executivo municipal conheça as opções subjacentes ao procedimento de aquisição de serviços de direcção de programação do Teatro Municipal”, pelo que a proposta assinada pelo presidente da Câmara, Rui Moreira, submete “ao conhecimento dos demais membros do executivo as peças procedimentais do concurso limitado por prévia qualificação”.
“O valor estimado do contracto a celebrar para o Teatro Municipal da cidade do Porto – Rivoli e Campo Alegre é de 100,8 mil (IVA excluído), para um período máximo de 3 anos”, acrescenta o documento.
Na reunião camarária de 18 de Fevereiro, Carla Miranda, vereadora do PS, votou pela primeira vez contra uma proposta da maioria, denunciando que “o acordo de coligação não está a ser cumprido”.
Durante a sessão, a Câmara do Porto aprovou, com os votos contra do PSD, da CDU e da vereadora socialista, remunerar o futuro programador do teatro Rivoli com 100 mil euros, durante 3 anos, no âmbito de um concurso público que o vereador da Cultura anunciou pretender lançar a 3 de Março.
Num processo muito contestado, a gestão do teatro Rivoli esteve, entre 2006 e final de 2010, ao abrigo de diversos contractos de acolhimento, entregue a uma empresa do encenador Filipe La Feria.

Instalada no teatro do Campo Alegre desde 2000, a companhia de teatro Seiva Trupe foi despejada pela Câmara do Porto daquele espaço na madrugada de 17 de Outubro, com base no incumprimento do pagamento de uma dívida relacionada com contracto de cedência das instalações. 
(Fonte: Porto24)


05 março, 2014

Coordenação intermunicipal, saúda-se! É assim mesmo.

Última hora!

Luís Castro substitui Paulo Fonseca no F. C. Porto

Publicado às 12.36

(Em atualização) Paulo Fonseca já não é treinador do F. C. Porto. Luís Castro, que orientava a equipa B, é o técnico interino, anunciaram os dragões em comunicadao enviado à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários.
Paulo Fonseca ainda orientou o treino do F. C. Porto esta quarta-feira de manhã, mas já não vai estar no banco de suplentes no jogo de domingo, com o Arouca, no Estádio do Dragão.
Paulo Fonseca deixa os comandos do F. C. Porto no dia em que faz 41 anos.

(Fonte: JN)

Nota de RoP:
Era esta, creio, a opção mais previsível face às circunstâncias em que foi decidida. Como solução temporária, e depois de avaliadas outras eventuais opções menos consistentes, acho que esta foi a mais sensata. O que era fundamental, dados os condicionalismos de toda a ordem que tornaram impossível a reabilitação psicológica de Paulo Fonseca, era mudar, fazer alguma coisa para afastar o mais rapidamente possível a onda de negativismo e desencanto instalada na massa adepta, nos jogadores e no próprio clube.  Esperemos que esta insólita desorientação não tenha passada de um momento menos bom e que não seja a consequência de outros problemas dentro da estrutura directiva do FCPorto.

Provavelmente Capucho será o substituto natural de Luís Castro na equipa B, [ou então, Folha, que era seu adjunto]. Pessoalmente, e apenas pelo que tenho observado do trabalho dos vários escalões de formação, suponho que Capucho terá mais aptidão para o cargo, porque me parece mais maduro  e mais exigente com os jogadores que Folha. Mas essa é a minha opinião, que não assisto permanentemente ao trabalho de cada um. 

Quanto a Luís Castro, a única dúvida, é saber até que ponto terá perfil para lidar com um grupo de jogadores desmoralizados (e outros mimados) e desorientados tecnicamente. A prioridade passará naturalmente por lhes devolver a confiança e fazê-los acreditar (mesmo) que ainda há coisas boas para conquistar esta época. Depois, é retreiná-los, corrigir-lhes os posicionamentos em campo, aperfeiçoar-lhes a qualidade do passe e do remate, e restaurar a confiança a alguns proscritos (com talento), que não foram devidamente potenciados por Paulo Fonseca. Não vai ser fácil, mas não é nada impossível. Cabe a Luís Castro prová-lo, mesmo que com carácter provisório... Quem sabe se não nos surpreende?

03 março, 2014

Paulo Fonseca chegou ao fim da linha. Esticá-la será um erro.

"É inadmissível o que aconteceu?"
Mas, Paulo, é inadmissível para quem?
Não sou dos que gostam de malhar em alguém que já está por baixo, como é o caso de Paulo Fonseca. Contudo, será prudente lembrar que a obstinação nem sempre é amiga do sucesso, e Paulo Fonseca, não obstante ter colocado o lugar à disposição a Pinto da Costa, terá de compreender que não tem mais condições para aceitar a confiança que o dirigente portista lhe vem dando. Naturalmente, devia ser o próprio Presidente o primeiro a reconhecer que desta vez se equivocou e não forçar a continuidade de um treinador psicologicamente debilitado e que tem dado provas evidentes de não saber treinar, e ainda menos liderar, o grupo de trabalho que lhe foi confiado. O facto de haver alguns jogadores que até nutrem simpatia pelo treinador (como é o caso de Jackson Martinez), pouca expressão terá na sua capacidade de liderança. Por vezes, é preferível um maior distânciamento com os jogadores desde que compensado com uma forte liderança técnica e mental. Ora, liderar é algo que Paulo Fonseca não tem dado sinais de saber fazer, quer para o exterior, quer para os próprios jogadores que devem ver nele mais "um gajo porreiro" que o homem a quem têm de ouvir e obedecer e que os pode guindar a grandes victórias.

Antes da responsabilidade de Paulo Fonseca, há a responsabilidade maior da Direcção portista, incluindo do seu homem principal, Pinto da Costa, que não teve o esmero (ou/e a sorte) do costume na escolha do treinador. Talvez o sucesso - em cima da linha da meta - com decisões idênticas no passado recente (Victor Pereira e outros) tenha gerado em Pinto da Costa um excesso de confiança, ou talvez um atraso inusitado na resolução destes assuntos possam explicar a desorientação actual no clube. Seja como for, algo desta vez falhou, disso parece não haver dúvidas. Sendo verdade que as chamadas chicotadas psicológicas nunca foram solução para casos desta natureza, o certo é que considerando a incapacidade flagrante de Paulo Fonseca para lidar com os problemas da equipa - até porque ele próprio é parte deles -, o argumento de "ainda se poder ganhar qualquer coisa" esta época também não colhe, porque o homem, sem o assumir abertamente, já se deu por vencido em várias ocasiões e os jogadores, sem o dizerem, também já não acreditam nele. Portanto, Pinto da Costa não pode continuar a assobiar para o ar, insistindo na manutenção de um treinador mentalmente derrotado que só pode é contagiar ainda mais os jogadores e alastrar a crise a todos os sectores do clube, incluindo o Porto Canal.

Por isso, nesta situação seria tolerável investir numa solução de recurso em alguém que pudesse restaurar os índices de confiança aos jogadores e reformular todas as noções técnicas e tácticas de treino, de forma a ajudar os jogadores a sair desta desorientação e desmoralização colectiva. Não sei como poderá travar-se esta nau desgovernada se não se perceber que o piloto não sabe, ou já não quer mais navegar. Que Paulo Fonseca não pode continuar sem se correr o risco de deitar tudo a perder, isso é que não pode. 

02 março, 2014

Oh Paulo, demite-te, pá!

Quando são os jogadores que ajudam o treinador e a reciprocidade é nula, só há um caminho a seguir: a auto-demissão do treinador.

Não me lembro de ver o FCPorto sem treinador, e sobretudo sem líder. Creio mesmo que esta foi a primeira época que pude assistir na minha vida a tal fenómeno.

O sr. Pinto da Costa, desta vez jogou na carta errada, o que é pena.

01 março, 2014

Sara Sampaio, a top model tripeira que o Porto Canal não conhece...


Segundo a teoria da rentabilidade defendida pela comunicação social, estas imagens vendem. Até pode ser verdade, e nem vou discutir agora se concordo, ou não. O que sei, é que tal como os outros media, o Porto Canal segue a mesma tese, e sendo assim, em vez de recorrer à prata da casa (e que prata...), inspira-se na socialite que vem de Lisboa, limitando-se a copiar o que já é conhecido.

Ora aqui estava uma boa oportunidade para ser original e dar mais visibilidade ao canal da Senhora da Hora com gente do norte, sem precisar de se abastecer na capital... 


Já tinha prevenido que se não o fizessem depressa, seria a concorrência a fazê-lo. Foi o que aconteceu. Ontem foi a TVI que deu a melhor cobertura à notícia que dava a modelo portuense como a 28ª. mais sexy do planeta (num restrito grupo de 30) no site "Models.com".

Ah grande Hélder, já não há muitos tripeiros como tu

Clicar sobre a imagem  para ampliar

27 fevereiro, 2014

FCPorto, uma alegria para durar?

São 18H40,  poucos minutos decorridos após o 1º. golo sofrido pelo FCPorto na sua deslocação a Frankfurt.  

Posso dizer, sem risco de me enganar, que está a acontecer o que já era previsível, ou seja, os jogadores começaram a jogar como sempre, a mostrar boa vontade, a correr como loucos atrás da bola, a procurar passá-la com a ansiedade do costume, a cansar-se tentando pressionar o adversário sem saber bem como, mas a bola raramente ameaça a baliza adversária. Causa: o sistema de jogo de Paulo Fonseca [se é que aquilo é um sistema] é o mais anárquico e suicída que alguma vez vi praticar num campo de futebol (sobretudo no Dragão).  

Não sei se o FCPorto irá sofrer mais um, ou dois golos, mas se tal acontecer ficarei menos surpreendido que convencido que  conseguirá dar a volta e marcar os golos suficientes para passar esta eliminatória. Acredito mesmo assim, mais na iniciativa individual dos jogadores, que no trabalho da equipa (e não é de agora), porque esse, foi completamente aniquilado pelo treinador. No futebol, como em tudo na vida, há a sorte e o azar, mas não há milagres. O que há de mais parecido com os milagres é a competência, só que para haver competência é preciso que haja um mestre competente e não um desvirtuador de técnicas e de tácticas. Veremos como será a 2ª.parte...

E a 2ª. parte...
começou com os erros do costume, com os jogadores a procurarem autonomamente organizar o jogo que o treinador não consegue. Com mais coração que cabeça, a equipa lutou muito mas sofreu golos inacreditáveis resultantes do posicionamento anárquico da defesa e não por causa da sua qualidade individual. Lutou, correu, acertou melhor o jogo e conseguiu o empate fruto da participação de um Ghilas raçudo que o treinador tardou a descobrir e a dar mais oportunidades. Não sou bruxo, prevejo simplesmente. O FCPorto sofreu de facto mais dois golos após o primeiro, mas soube conquistar o empate por mérito exclusivo dos jogadores. Nem sempre é verdade a máxima que diz que quando se ganha ou  perde, ganham ou perdem todos. Retirarei esta ideia se futuramente o treinador me provar que estou enganado. Neste jogo de tira-teimas, eu quero enganar-me,porque o êxito de Paulo Fonseca será o êxito do FCPorto.

Claramente, duvido que Paulo Fonseca saiba explorar este sucesso para o futuro próximo, e muito menos para o remoto. Se me enganar perco eu, mas não me importo se isso levar o FCPorto ao lugar que lhe compete que é a liderança.


26 fevereiro, 2014

Os vampiros de sempre precisam de sangue ...

Um dos rostos do centralismo

... e o FCPorto põe-se a jeito para lho dar.

Lá estão eles de novo, essa escumalha humanóide avençada por RTP's, SIC's e TVI's , a fazer o que melhor sabem, que é denegrir a imagem do FCPorto na pessoa de Pinto da Costa. Ei-los cheios de euforia estérica, a tentar abanar a estrutura do FCPorto para assim poderem ditar à vontade quem deve ser campeão dentro e (sobretudo) fora dos recintos de jogo. Ei-los a mostrar ao país (acordado) o que é para eles a verdade desportiva.

Decorridos tantos anos de ataques, ciladas, boatos e acusações, custa a crer que haja alguém neste país com um pingo de seriedade e inteligência que ainda duvide da prepotência do centralismo e pense que estas coisas não passam de rivalidades clubistas. O mais piadético, é haver ainda quem se iluda com o critério "democrático" como as televisões centralistas escolhem os adeptos do FCPorto para debates que nada têm de desportivos a não ser o nome. Primeiro, porque só falam de uma modalidade, que é o futebol -apenas uma das várias modalidades desportivas -, e depois porque no caso do FCPorto, o tema tem uma única finalidade que é tentar convencer a opinião pública que o nosso clube é beneficiado pelas arbitragens e em todos os jogos. 

No programa da RTP, "Trio de Ataque", o adepto portista é o Miguel Guedes, um rapaz com boa capacidade de argumentação, mas demasiado brando para reagir à altura  às provocações dos opositores, que passam frequentemente os limites do razoável. Na SIC, temos o José Guilherme Aguiar, um  político salta-pocinhas que a troco de uma avença se presta ao papel miserável de permitir tudo e mais alguma coisa ao seu rival vermelho (Rui Gomes da Silva), a pior  escória  dos políticos portugueses. Na TVI, está um Manuel Serrão que ainda vai ridicularizando os opositores, mas que até já se permite ser insultado em directo pelo tresloucado médico Eduardo Barroso. Finalmente, e também na SIC, agora convidaram o António Oliveira, um tipo esperto, mas altamente oportunista, portanto o tipo ideal para manipular.

Não admira pois que, já andem com sugestões, dizendo o que Pinto da Costa deve ou não fazer (querem que ele se demita) e quem deve ir para o seu lugar, como se os portistas não tivessem voto na matéria... E quem haveria de ser o putativo candidato? António Oliveira, claro. Como eles são tão nossos "amigos"... Mas o vampiro da SIC não se fica por aqui e quer que Angelino Ferreira, o Director Financeiro que se demitiu (recentemente), seja readmitido. Quem melhor que um "demissionário" para reocupar o cargo? O mesmo, claro. Eles adoram os homens vulneráveis do FCPorto para melhor deles se servirem e assim o abalarem.

Pela parte que me toca, esta gente menor, portistas de ocasião e anti-portistas, é a que menos me preocupa de momento, porque está identificada e sabe-se do que é capaz. Agora, o mesmo não se pode dizer do actual FCPorto. E nem me refiro ao actual momento desportivo e à inadequação aparente de Paulo Fonseca para liderar e treinar um clube com a história e as ambições do FCPorto. O que me preocupa (e já não é de agora), é a política de comunicação que é pobre. Não me refiro tão pouco ao site, que melhorou razoavelmente mas não tem peso em termos  mediáticos. Refiro-me à apatia (não sei se consciente) que o clube vem mostrando no que toca à produção de meios que ajudem a desmascarar essa máquina de propaganda anti-portista que se faz em Lisboa e que tantos dissabores tem causado à sua imagem e ao bom nome do presidente. Não me interessa que me digam que o FCPorto tem ultrapassado com sucesso (algumas vezes em tribunal e com custos elevados) a maioria das ratoeiras que lhe montam, o que me interessa é pô-los em respeito, de forma a salvaguardar a tranquilidade necessária para tratar exclusivamente do desporto. Será que ninguém entende o desgaste provocado por esta política de silêncio?

É isto que está a falhar. Hoje o FCPorto dispõe de uma ferramenta preciosa que é o Porto Canal e não está a saber tirar partido dela. E por favor, leiam bem o que escrevo, voltem a trás se tiverem dúvidas, mas não me interpretem mal, desistam de querer manipular o que não vos agrada. Não é honesto.  Não quero, nunca quis, um canal exclusivamente ligado ao desporto. Isso seria a pior coisa que se podia fazer. O que não quero é um canal indolente, permissivo, subserviente e copista. Sim, é verdade  que já faz o que outros não fazem, que é andar pelo interior norte e centro a dar a visibilidade que aquelas regiões precisam. Mas ainda é pouco. Se sobra tempo para os "notáveis" da capital, por que carga de água não há-de haver tempo para essa gente? Se o argumento tem a ver com o facto de se tratar de notabilidade, de vendas fáceis, então mais vale mudar o canal para a capital. Um canal do Porto para ter mundo não pode, nem deve, depender de Lisboa, nem dos seus protagonistas. Isso é antítese da descentralização. Não estou a dizer para lhes fecharem radicalmente as portas, até porque também lá existe gente interessante, o que estou a dizer é que o façam lá mais para diante, só depois de bem cobertas as regiões que tão carenciadas andam de atenção. Não é só uma questão de justiça, é uma questão de prioridades e lógica.

Se os vampiros querem sangue, é o FCPorto quem lhes está a oferecer as veias. E o Porto Canal, o que faz? Consente, calando. Mas, tal como no futebol, a culpa também é do clube, seu proprietário.

PS
O maior acto de portismo e de desprendimento material que os adeptos paineleiros do FCPorto podiam assumir era renunciar à participação em programas de debate desportivo na televisão. Por várias razões: porque esses programas são anti-democráticos, insanos para a mente, e têm uma principal missão: destruir o ciclo de sucessos do FCPorto. Mas, isso sou eu a sonhar. O portismo de muitos não vai tão além... É a vidinha. Mas, será que precisam assim tanto de dinheiro? Ou, estarão na miséria?


24 fevereiro, 2014

Mantenho o que disse sobre o Porto Canal

Quem tiver dúvidas sobre o que vou dizer a seguir, poderá, se entender dar-se a esse trabalho, procurar no Renovar o Porto tudo o que disse de positivo sobre o Porto Canal e que coincide em muitos aspectos com o que o antigo Presidente da Câmara escreveu sobre o mesmo no artigo que copiei do JN e que colei mais abaixo. Portanto, eu não vejo as coisas só a preto e branco, vejo-as conforme elas se me apresentam no tempo, sem fechar os olhos ao que considero negativo.

Entretanto, o tempo foi-se passando e as cores (coisas) bonitas do Porto Canal foram sendo paulatinamente dominadas por um excesso de confiança que às vezes roça a negligência e que devia merecer outra atenção da parte dos responsáveis. Há pormenores e pormaiores que não podem ser esquecidos a quem quiser fazer uma apreciação imparcial à forma como vem sendo gerido o Porto Canal. 

Desde as notícias em rodapé, que mesmo vizualizadas num ecran de 30 polegadas são passadas numa banda extremamente estreita que tornam a leitura quase impossível, sobretudo para as pessoas mais idosas e com limitações de visão, até às gravações repetidas cinco, seis e mais vezes, em espaços de tempo muito curtos, provam que algo está mal. A acrescentar a isto, os directos, as notícias na hora, parecem não constar na agenda editorial da direcção. Se nos queixamos (e com razão) da distorção de certas notícias dos canais de Lisboa, também nada se faz para as contraditar. Portanto, nestes aspectos as coisas não andam bem. Depois, assiste-se a uma confragedora bajulação com determinadas figuras públicas da capital já conhecidas e que no percurso das suas carreiras nem sequer mostraram grande interesse pelo Norte e pelo Porto em particular. Mas, o pior, quanto a mim, é a completa indiferença pela parte de quem dirige com a péssima impressão que estas coisas deixam nos espectadores mais atentos que, involuntariamente são empurrados para os canais de Lisboa por falta de comparência do Porto Canal.

É isto que Fernando Gomes não diz no seu artigo. Compreendo-o, porque ele precisa da televisão, mas não concordo. A avaliação para ser séria, tem de ver os prós e os contras, não pode fechar os olhos a erros básicos. E eles estão a ser cometidos com alarmante frequência.  

23 fevereiro, 2014

O Canal do Porto


Antes de abordar o tema que hoje me propus tratar, devo exarar aqui, de novo, a minha declaração de interesses - sou sócio do Futebol Clube do Porto e membro dos órgãos sociais do clube. Tal circunstância não impedirá, contudo, que eu possa pronunciar-me de forma isenta e objetiva sobre o papel cada vez mais relevante que o Porto Canal tem vindo a desempenhar na valorização da cidade e da região.

Quando foi público o interesse do FCP neste canal televisivo, que estava a passar por sérias dificuldades para se afirmar num meio altamente competitivo, logo houve quem pensasse que o Porto Canal viria a ser mais um canal de desporto, igual a tantos outros que vemos quando percorremos a enorme oferta de canais afetos a clubes desportivos que a televisão nos proporciona. No fundo, seria mais um canal para ser visto exclusivamente pelos adeptos mais ferrenhos fora dos dias em que houvesse transmissão desportiva. E isso, disse-se, seria redutor para uma região que tinha cada vez menos força em matéria de órgãos de Comunicação Social que pudessem falar ao país a partir do Porto e do Norte.

Mas, felizmente, não foi assim. Os receios dos que temiam ver enfraquecida mais uma voz, independente e autónoma, na defesa dos interesses gerais da cidade e da região, rapidamente se desvaneceram. O Futebol Clube do Porto e os profissionais competentes que trabalham no Porto Canal souberam não cair na tentação do trabalho fácil e redutor que significaria transformá-lo em mais um canal desportivo monocolor. Bem pelo contrário. A entrada do FCP na programação regular da estação televisiva deu origem a uma séria reformulação dos seus conteúdos enquanto canal generalista com uma vertente desportiva centrada no Futebol Clube do Porto, quanto baste.

Há muito que pensava fazer uma referência pública de apreço por todos quantos contribuíram para o sucesso deste projeto. Mas o que agora me levou a não protelar esta referência foi o aparecimento na semana passada de um novo programa que tem como principal protagonista Luís Filipe Menezes. Interpelado por Juca Magalhães, Menezes aborda os principais acontecimentos no país, com especial incidência na atualidade política e económica e uma vez por mês tem um convidado de sua escolha que participa no programa para debater assuntos de grande relevância nacional.

Confesso que pensei que este seria mais um daqueles shows de análise e debate político que enxameiam os canais televisivos todos os dias da semana. Mas não. Assistimos a um momento televisivo de grande qualidade, em todos os seus aspetos.

Desde logo o espaço criado para o programa. Sóbrio, elegante, bem desenhado, moderno, constitui a meu ver o cenário mais bem conseguido de todos quantos podemos ver em programas semelhantes. Depois, a postura e as questões tratadas por Luís Filipe Menezes. Não deixando de abordar a sua muito expressiva derrota nas eleições autárquicas, soube assumir os seus erros e ter palavras de apreço e incentivo para Rui Moreira, o candidato que o derrotou. A referência ao seu sucessor em V. N. de Gaia é justíssima. Eduardo Vítor tem relevado a obra do seu antecessor, sem nunca procurar atirar para cima do Executivo anterior as culpas do que ainda não conseguiu realizar, comportamento que, reconheça-se, é cada vez mais raro.

Por outro lado, Menezes conseguiu trazer ao debate o ministro Poiares Maduro, figura central da polémica que opõe o Governo aos autarcas e instituições nortenhas a propósito da repartição dos fundos comunitários, confronto que nessa semana tinha atingido o seu ponto mais crítico. E foi incisivo e incómodo para o ministro, levando-o a esclarecer algumas questões que até então continuavam duvidosas. Juca Magalhães soube intervir quando era necessário, sem dar a ideia sempre desagradável para quem assiste de que as perguntas e respostas estavam meticulosamente combinadas entre ambos. E, finalmente, a duração do programa tem o tempo certo.

Esta semana, o registo foi semelhante, anunciando-se desde já a participação de Miguel Cadilhe no próximo programa. Outra boa escolha. A manter-se esta qualidade em programas futuros, o Porto Canal pode orgulhar-se de estar a competir, neste domínio, com as mais poderosas estações televisivas, apesar da brutal diferença de meios que os separa.
Com a agonia da RTP a partir do Monte da Virgem, o Porto Canal é cada vez mais quem presta no Norte o serviço público de televisão. Repete-se, uma vez mais, a história no Norte - são os privados quem resolve, sempre, aquilo de que o Estado se demite.
(do JN)
Nota de RoP:
Amanhã escreverei algo sobre o que o olhos de Fernando Gomes não quiseram ver de reprovável do Porto Canal

22 fevereiro, 2014

As infelizes declarações de Paulo Fonseca

«Agora, o F. C. Porto vira as atenções para o duelo deste domingo com o Estoril e Paulo Fonseca tem uma certeza: "Todos nós sabemos que o Estoril é uma excelente equipa e o último jogo demonstrou bem isso. São muito perigosos no contra-ataque e esperamos jogo complicado".»

Paulo Fonseca é a confusão em forma de treinador. Além de se enganar frequentemente no nome dos adversários (o que é lamentável),  trata-os a todos por igual, mas não da forma mais correcta, que seria respeitá-los sem os sobrevalorizar. Assim, ao contrário do que provavelmente pensa, não está a respeitá-los, está a vulgarizá-los por cima, o que não parece sério. A excelência com a qual cobre equipas como o Marítimo, Académica, Setúbal, Nacional, Frankfurt Eintracht, é tão inadequada como desproporcionada face ao valor real de cada equipa. E mais. Os elogios exagerados podem provocar nos seus jogadores um sentimento de medo e inferioridade, esse sim, altamente injusto para eles, sobretudo para alguns que já foram campeões e contra equipas, essas sim, poderosas. Não será isso que deixam transparecer em cada jogo, mesmo quando jogam um bocadinho melhor e têm vantagem no marcador?  Não haverá alguém no FCPorto que lhe saiba transmitir isto sem o melindrar?

Para ler o artigo do JN completo, clicar aqui




21 fevereiro, 2014

Abaixo a praxe!

ACABAR JÁ COM ESTE ERRO ANTES QUE FIQUE MUITO CARO

O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação.

É um acto político falhado na área da política externa, cujas consequências serão gravosas principalmente para Portugal e para a sua identidade como casa-mãe da língua portuguesa. Porque, o que mostra a história das vicissitudes de um acordo que ninguém deseja, fora os governantes portugueses, é que vamos ficar sozinhos a arcar com as consequências dele.
O acordo vai a par do crescimento facilitista da ignorância, da destruição da memória e da história, de que a ortografia é um elemento fundamental, a que assistimos todos os dias. E como os nossos governantes, salvo raras excepções, pensam em inglês “economês”, detestam as humanidades, e gostam de modas simples e modernices, estão bem como estão e deixam as coisas andar, sem saber nem convicção.

O mais espantoso é que muitos do que atacaram o “eduquês” imponham este português pidgin, infantil e rudimentar, mais próximo da linguagem dos sms, e que nem sequer serve para aquilo que as línguas de contacto servem, comunicar. Ninguém que saiba escrever em português o quer usar, e é por isso que quase todos os escritores de relevo da língua portuguesa, sejam nacionais, brasileiros, angolanos ou moçambicanos, e muitas das principais personalidades que têm intervenção pública por via da escrita, se recusam a usá-lo. As notas de pé de página de jornais explicando que, “por vontade do autor”, não se aplicam ao seu texto as regras da nova ortografia são um bom atestado de como a escrita “viva” se recusa a usar o acordo. E escritores, pensadores, cronistas, jornalistas e outros recusam-no com uma veemência na negação que devia obrigar a pensar e reconsiderar.

Se voltarmos ao lugar-comum em que se transformou a frase pessoana de que a “minha pátria é a língua portuguesa”, o acordo é um acto antipatriótico, de consequências nulas no melhor dos casos para as boas intenções dos seus proponentes, e de consequências negativas para a nossa cultura antiga, um dos poucos esteios a que nos podemos agarrar no meio desta rasoira do saber, do pensar, do falar e do escrever, que é o nosso quotidiano.

Aos políticos que decidiram implementá-lo à força e “obrigar” tudo e todos ao acordo, de Santana Lopes a Cavaco Silva, de Sócrates a Passos Coelho, e aos linguistas e professores que os assessoraram, comportando-se como tecnocratas – algo que também se pode ter do lado das humanidades, normalmente com uma militância mais agressiva até porque menos "técnicas" são as decisões –, há que lembrar a frase de Weber que sempre defendi como devendo ser inscrita a fogo nas cabeças de todos os políticos: a maioria das suas acções tem o resultado exactamente oposto às intenções. O acordo ortográfico é um excelente exemplo, morto pelo  “ruído” do mundo. O acordo ortográfico nas suas intenções proclamadas de servir para criar uma norma do português escrito, de Brasília a Díli, passando por Lisboa pelo caminho, acabou por se tornar irritante nas relações com a lusofonia, suscitando uma reacção ao paternalismo de querer obrigar a escrita desses países a uma norma definida por alguns linguistas e professores de Lisboa e Coimbra.

O problema é que sobra para nós, os aplicantes solitários da ortografia do acordo. O acordo, cuja validade na ordem jurídica nacional é contestável, que nenhum outro país aprovou e vários explicitamente rejeitaram, só à força vai poder ser aplicado. A notícia recente de que, nas provas – que acabaram por não se realizar – para os professores contratados, um dos elementos de avaliação era não cometerem erros de ortografia segundo a norma do acordo mostra como ele só pode ser imposto porDiktat, como suprema forma de uma engenharia política que só o facto de não se querer dar o braço a torcer explica não ser mudado.

Porém, começa a haver um outro problema: os custos de insistirem no acordo. A inércia é cara e no caso do acordo todos os dias fica mais cara. A ideia dos seus defensores é criar um facto consumado o mais depressa possível. É esta a única força que joga a favor do acordo, a inércia que mantém as coisas como estão e que implica custos para o nosso défice educativo e cultural.

É o caso dos nossos editores de livros escolares que começaram a produzir manuais conforme o acordo e que naturalmente querem ser ressarcidos dos seus gastos. Mas ainda não é um problema insuperável e, acima de tudo, não é um argumento. Passado um período de transição, pode voltar-se rapidamente à norma ortográfica vigente e colocar o acordo na gaveta das asneiras de Estado, junto com as PPP e os contratos swaps, e muita da “má despesa”. Porque será isso que o acordo será, se não se atalhar de imediato os seus estragos no domínio cultural.

O erro, insisto, foi no domínio da nossa política externa com os países de língua portuguesa, e esse erro é hoje mais do que evidente: os brasileiros, em nome de cuja norma ortográfica foram introduzidas muitas das alterações no português escrito em Portugal, nunca mostraram qualquer entusiasmo com o acordo e hoje encontram todos os pretextos para adiar a sua aplicação. No Brasil já houve vozes suficientes e autorizadas para negar qualquer validade a tal acordo e qualquer utilidade na sua aplicação. Os brasileiros que têm um português dinâmico, capaz de absorver estrangeirismos e gerar neologismos com pernas para andar muito depressa, sabem que o seu “português” será o mais falado, mas têm a sensatez de não o considerar a norma.

Nós aqui seguimos a luta perdida dos franceses para a sua língua falada e escrita, também uma antiga língua imperial hoje em decadência. Querem, usando o poder político e o Estado, manter uma norma rígida para a sua língua para lhe dar uma dimensão mundial que já teve e hoje não tem. Num combate insensato contra o facto de o inglês se ter tornado a língua franca universal, legislam tudo e mais alguma coisa, no limite do autoritarismo cultural, não só para protegerem as suas “indústrias” culturais, como para “defender” o francês do Canadá ao Taiti. Mas como duvido que alguém que queira obter resultados procure no Google por “logiciel”, em vez de “software”, ou “ordinateur”, em vez de “computer”, este é um combate perdido.

Está na hora de acabar com o acordo ortográfico de vez e voltarmos a nossa atenção e escassos recursos para outros lados onde melhor se defende o português, como por exemplo não deixar fechar cursos sobre cursos de Português nalgumas das mais prestigiadas universidades do mundo, ter disponível um corpo da literatura portuguesa em livro, incentivar a criatividade em português ou de portugueses e promover a língua pela qualidade dos seus falantes e das suas obras. Tenho dificuldade em conceber que quem escreve aspeto – o quê? – em vez de aspecto, em português de Portugal, o possa fazer.

José Pacheco Pereira

[Fonte: Blogue Abrupto]


Nota de RoP:

Pacheco Pereira tem algumas semelhanças com Miguel Sousa Tavares. Quando falam de coisas alheias ao futebol acertam muitas vezes e com distinção.

20 fevereiro, 2014

Os media gostam é de marionetes

Para os media o bom espectador tem de ser assim
Podem estar certos que não vivo obcecado com nada, nem com ninguém. Nas análises que faço neste blogue a enfase recai por ordem crescente de prioridades em três assuntos: política, comunicação social e F.C.Porto. Todos eles, girando à volta de dois : a cidade do Porto e o FCPorto.

Acontece que, contrariamente a determinados analistas avençados, não faço apreciações abstractas, e muito menos técnicas, porque isso já há gente demais a fazer. Faço-as à minha maneira, sem nunca esquecer que por detrás dessas temáticas existem organismos, instituições e pessoas. Sendo identificáveis - e como não gosto de hipocrisia -, coloco-lhes os nomes, que é a única forma de lhes transmitir uma coisa da qual procuram fugir como diabo da cruz: a responsabilidade.

Falo assim porque, quando episodicamente considero justo e oportuno louvar alguém, todos (incluindo os visados), acham bem e até aplaudem, mas quando faço o contrário, quando critico, inspirado pelas contradições e mesmo pelas faltas de carácter dos próprios visados, então aí a coisa muda de figura, e de pessoa correcta e sensata, passo num ápice a ter todos os defeitos da humanidade, e o português (que tento escrever o melhor que sei) passa de repente a ser uma língua difícil de interpretar. É normal, dir-me-ão, mas é errado.

Tal como os políticos, os jornalistas não gostam que lhes apontem o dedo. Tudo vai bem quando são eles a fazê-lo, de preferência, em regime de monopólio. Eles, podem mentir, brincar, maldizer, insultar, insinuar, ofender, conspirar, ameaçar, manipular, que tudo, tudo mesmo, é em nome da liberdade e do interesse público. Com o resto dos cidadãos já não é bem assim.

Esquecem-se, é que foram eles quem escolheu o métier e que ambos (política e jornalismo) implicam uma grande exposição pública, o que os devia obrigar a cuidados redobrados, quer com aquilo que prometem, como com o que escrevem. Mas isso, não é para os próximos tempos. Vivemos a era da estupidez global, das Casas dos Segredos e dos Big Brothers, o petróleo da comunicação social dos novos tempos. Alterar estes hábitos vai levar muitos anos, e se as escolas e os encarregados de educação não começarem a fazê-lo não são os media que o farão.

19 fevereiro, 2014

Um Porto cheio de contradições

Aeroporto Sá Carneiro de novo no pódio europeu

Pois é, o Porto está na moda, enquanto cá dentro é tratado como filho bastardo, até por alguns portuenses, lá fora o olhar sobre a nossa cidade é bem mais amigo. 

Mesmo assim, é uma realidade que não deixa de me intrigar. É que, com todas estas honrarias ainda não fomos capazes de as estender ao povo do Porto. Ainda ontem presenciei com tristeza uma mulher de cabelos brancos tentando dormir na rua, mal agasalhada, muito próxima de uma poça de água, à saida do Supermercado Froiz na Trindade, com o segurança a tentar removê-la do local... 

Deste Porto não gosto.