16 abril, 2018

A alma que os adeptos deram à equipa do FCPorto




Victória da determinação sobre a arrogância. Ainda nada está decidido, um vigarista, é sempre um vigarista, portanto nada de euforias prematuras. Até porque, já sabemos que estamos a lidar, não com um vigarista, mas com uma organização gigantesca de vigaristas, protegida pelo regime. São factos, e quem quiser desmentir-me, seja lá quem fôr, desde o 1º ministro, até ao Presidente da República, que o faça à vontade, porque terá muitas dificuldades em provar-me o contrário.

Os próximos jogos têm de ser encarados pelos jogadores como se fosse uma final. Sem ansiedade, que só prejudica os objectivos, mas com muita determinação e inteligência. Já falta pouco, mas é preciso jogarmos muito concentrados e evitar cometer faltas que possam dar oportunidades aos árbitros cartilhados de "fazer as coisas pelo outro lado". Jogar durinho sim, não os deixar respirar, mas limpinho. Foi com a batotice de alguns árbitros que o Benfica conseguiu manter-se no grupo da frente,  e vai ser assim que vão tentar recuperar nas próximas jornadas, contra nós e a  favor dos vermelhos. 

Herrera pode não ser muito assertivo, mas é de facto um jogador que deixa tudo em campo. Tomara eu que Brahimi tivesse o mesmo espírito colectivo e soubesse aceitar as suas próprias limitações... Não me fascina nada a sua tendência egocentrica, se em vez de querer fazer tudo sozinho, soubesse endossar rapidamente o esférico aos colegas melhor posicionados. A sua teimosia, ao contrário do que alguns defendem, causa-nos mais embaraços que benefícios, porque, se contabilizarmos os prós e os contras, concluiremos que tudo acaba com a entrega da bola aos adversários, dando-lhes muitas oportunidades para contra atacarem. Já sei que não é consensual, mas às vezes fico com a impressão que o FCPorto joga com menos um jogador. Bloqueia muitas vezes a velocidade das jogadas dos colegas, em vez de a aproveitar para abordar a grande-área adversária com objectividade. Podia conquistar muitas grandes penalidades se não tivesse aquela tentação de travar, e ziguezaguear entre os adversários até cair e lhes entregar o jogo.

Fiquei surpreendido pela positiva com a boa forma de Marega, atendendo à sua ainda prematura recuperação física, o que pode significar a restauração do trio arrasador Aboubakar/Tiquinho/Marega para os tempos que se avizinham.

Cuidado, caldos de galinha, e muita concentração, são o remédio para atingirmos a meta final. A vontade está lá, e não vai mais faltar. Se os recentes desaires não foram mais do que a velha estratégia de dar um passo atrás para dar dois à frente, tudo bem, agora só contam as victórias.

Força Porto!   

11 abril, 2018

Por favor, não nos façam mal...



Por favor, não se portem mal! Vá lá, não mexam no que é nosso! Peço-lhes que não nos prejudiquem, isso é muito feio. Pelas alminhas, suplico-lhes que não nos assaltem a casa, não se faz. Não pode ser.  São uns malandros, apesar de alguns terem condições para se comportarem como bons cidadãos. 

É uma caricatura. A linguagem não foi exactamente esta, mas anda lá perto. Refiro-me naturalmente com ironia, é verdade, mas sem qualquer maldade, àquilo em que se está a transformar o discurso de Francisco J. Marques no programa Universo Porto da Bancada do Porto Canal.

Ponto primeiro: confirmo o que tenho dito anteriormente, aplaudo a coragem do F.J. Marques com a mesma coerência que censuro o isolamento a que foi remetido pela SAD portista em termos de imagem. Era o que faltava que Pinto da Costa (& CA) se recuse a dar-lhe apoio jurídico caso venha a precisar.  Mas, J. Marques, pelo menos, dá a cara, já a SAD, e o Sr. Pinto da Costa, não! Não me parece correcto, nem adequado para quem garante sentir-se em condições para liderar o FCPorto. Os dirigentes portistas colocaram-se no lugar de primas-donas, distantes e frias, como se o FCPorto fosse o palácio de Bukingham, e a SAD a corte inglesa.  Será que confundem o tipo de palcos que decidiram pisar?

Agora, o programa UPB já começa a perder força, e sobretudo pragmatismo. Aliás, como previ, isto acontece apenas porque o programa não foi complementado com uma estratégia combativa e assertiva, de acordo com a gravidade do caso. É triste, quase ridículo, vermos um painel de comentadores a esgotar argumentos, na tentativa de resolver um problema que só uma posição categórica poderia alcançar.

Vamos lá ver: faz algum sentido expectar que um rufia que anda há anos a alimentar-se dos favores do Benfica, se transforme de repente num menino de côro, só porque o envaidecemos reconhecendo-lhe qualidades para ser um bom árbitro, quando Luís Godinho está farto de dar provas que lhe falta o principal, que é  a seriedade?  Então agora, não parecer sério, passou a  sinónimo de seriedade? Desde quando é que um árbitro pode ser competente se fôr desonesto? Que importa se é honesto aos sábados e não é  aos domingos? Se actua assim com o clube A e já não actua com o clube B?  

É inútil insistir na tecla do impossível, as instituições desportivas são tão boas, ou piores  que os árbitros. Não vale a pena massacrar-lhes os ouvidos, porque eles fazem parte do problema, portanto não podem ser a solução. Ignorar isto, não só é uma ingenuidade, como é um escancarar de portas para o Benfica ser campeão.

A Polícia Judiciária não tem o caminho facilitado, por isso vai ainda demorar a meter na cadeia um ou outro responsável. O próprio Governo não dá qualquer garantia de intervir, antes pelo contrário, faz dos ouvidos mercador.  Como é? Já nos rendemos? É assim que defendemos a honra do FCPorto, e dos adeptos? Com lamentos? Com autênticos apelos piedosos, quando se trata da maior canalhice do futebol português?

Como qualquer portista, espero que no próximo domingo o FCPorto consiga ultrapassar os mafiosos de forma categórica, mas não creio que tenhamos feito tudo para que a nossa equipa tenha absorvido por quem de direito a energia necessária (refiro-me aos dirigentes). Só os adeptos, pode não bastar. Mas, vamos acreditar que sim.

09 abril, 2018

Sugestões de um portista amador

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Rosemond Gérard

A victória de ontem do FCPorto sobre o Desportivo das Aves foi justa, e de uma importância inadiável. Houve muito empenho e velocidade, mas também muita atrapalhação nos passes e na materialização de golos. Pelo que se viu, a ansiedade ainda não foi totalmente ultrapassada.

Depois do que tem acontecido ao FCPorto internamente, e nos bastidores que controlam o desporto - em particular no futebol -, torna-se injusto, e excessivo, exigir demais dos nossos atletas. Volto a realçar um dado importante, que este cenário tem afectado todas as modalidades. Só para termos uma ideia bem significativa, basta comparar as dificuldades que a nossa excelente equipa de hóquei tem, quando defronta o Benfica em jogos arbitrados por árbitros portugueses, e quando entram árbitros estrangeiros. E não estou a citar isto só porque ganhámos o último jogo com uma diferença de 7 golos (9-2), mas por outra razão, que tem a ver com o uso e abuso dos jogadores benfiquistas do jogo sujo, da simulação de faltas, que funciona como uma espécie de carta branca para os árbitros as marcarem contra o FCPorto, sem terem efectivamente acontecido.  É só isto, e já é muito... Cenas destas ocorrem praticamente em todas as modalidades, umas vezes de forma mais evidente, e outras mais "elaboradas", mas são um facto. 

Regressando ao futebol, e sem proteccionismos clubistas, os atletas são os menos culpados pelos atropelos às leis do jogo que em grande medida têm afectado tanto os resultados desportivos, como a sua condição de profissionais. As últimas exibições do FCPorto não têm sido famosas, é uma verdade, mas é verdade também que existem múltiplas causas que as explicam, mas a falta de ambição não é seguramente. Não podemos pôr nos píncaros da lua as exibições do FCPorto, e de repente desatar a "bater" no treinador e nos jogadores. É bom ter memória, por mais razões que tenhamos para estranhar  a mudança. É sempre mais sensato procurar entender a fonte das causas.

Importa agora apontar a nossa atenção para um aspecto que me parece fundamental, relativamente ao nosso principal objectivo. Há dois enfoques a trabalhar profundamente para os próximos jogos, começando pelo que se segue no estádio da Luz. Primeiro, cuidar eficientemente da condição psicológica de toda a equipa, principalmente com os jogadores que se tenham revelado animicamente mais vulneráveis. Sem querer meter a foice em seara alheia, tenho a minha própria percepção enquanto adepto. Neste naipe de jogadores incluíria no lote dos menos fortes em termos psicológicos o Brahimi, o Corona, Sérgio Oliveira, e Oliver.

Reforçaria também a confiança em Soares e Aboubakar, embora o problema destes dois tenha mais a ver com questões físicas. Por último, trataria de aprimorar a qualidade de passe começando por obrigar os jogadores a olhar muito bem para o seu círculo de acção (e não raio), antes de passarem a bola, porque é, por raramente o fazerem que acabam por perder a bola, errar passes e remates. Tudo deverá ser executado com rapidez, mas com calma, que não é o mesmo que vagarosamente. Na impossibilidade de ver como são treinados os jogadores, admito que estes pormenores possam estar demasiado rotinados, sendo razoável aplicar a fórmula indicada para cada fase concreta da competição.

Podem parecer exagerados os cuidados propostos, tratando-se de um treinador já com alguns anos de experiência, mas a ansiedade não pode dominar durante mais tempo a qualidade técnica dos jogadores, de mais a mais, quando alguns deles já deram provas sobejas das suas capacidades. Só o treinador é que tem os elementos todos para saber quais são aqueles que exigem um trabalho mais intenso. Como quer que seja, para a "garra" ser completa, é fundamental acrescentar-lhe muita concentração, chegar primeiro à bola que o adversário e rematar com a convicção plena de fazer golo. Tudo isto, é teórico, dito por mim, mas ninguém pode negar que não seja esta a maior virtude do Ronaldo, ou seja, ter vontade de fazer sempre mais, e melhor. Hoje, mais que ontem, e bem menos que amanhã, como diria a poetisa Rosemond Gérard (na foto).   




08 abril, 2018

Para que serve ser portista e deputado?

"Eles ainda não foram presos. E porque eles ainda não foram presos, Setúbal ontem pareceu Mogadíscio (capital da Somália). E porque eles ainda não foram presos, a verdade desportiva da Liga portuguesa continua a ser uma miragem. E porque eles ainda não foram presos, o FC Porto terá de entrar hoje em campo com o brio de sempre, com o orgulho de sempre, com a força de sempre, e sobretudo com o sentimento de revolta de quem sabe que é melhor e de quem tem a certeza de que terá de continuar a lutar contra tudo e contra todos por um título que, em qualquer país menos em Portugal e na Somália, já seria seu por direito há muito tempo", surge escrito na newsletter Dragões Diário.

Foram estas as palavras de FJMarques àcerca do jogo de ontem entre o V. de Setúbal e o Benfica. Palavras cheias de objectividade e revolta, que contrastaram estranhamente com o discurso de Sérgio Conceição, que preferiu citar ambiguamente a beleza do futebol, numa altura em que Portugal se tornou num autêntico casino com dados viciados com o futebol à cabeça. Podemos interpretar a disparidade de discursos do modo como quisermos, mas se é uma estratégia, não parece. Isto, assemelha-se mais a um efeito colateral próprio de um clube sem liderança e não devia acontecer.

Como disse, variadíssimas vezes, é cansativo e desesperante continuar a ver os portistas frustrados com esta incapacidade do clube para se defender. Discutem, lamentam-se, mas parece que estão à espera de mais um descalabro, para perceberem de uma vez que o problema do FCPorto está no tôpo da pirâmide. Esta fidelidade a Pinto da Costa tem tanto de louvável como de ingénua. O Presidente que eles apoiam já não existe, não é o mesmo, e isso é indiscutível. Também eu já o valorizei e apoiei, só que não seria coerente comigo mesmo nem amigo do FCPorto se continuasse a alimentar essa ilusão. A diferença entre mim, e  esses adeptos, é que eu não tenho problemas de consciência em dizer o que penso. Só isso.

Como é que se admite que eu aqui não tenha qualquer hesitação em criticar o próprio Governo, a citar os nomes dos (ir)responsáveis pelo que se está a passar no futebol português, e a SAD do FCPorto não se atreva a abrir a boca para apresentar este caso de verdadeiro gangsterismo às instâncias que lhe transmitirem confiança, uma vez que o Governo não responde? Diziam que o FCPorto tencionava apresentar queixa ao Tribunal dos Direitos Humanos, mas pelo que nos é dado saber, nada disso ainda foi feito. 

O problema toca o desporto, mas é essencialmente de regime. Assim sendo, por que é que o presidente do FCPorto não pede explicações àquele grupo de deputados (ditos) portistas que o convidaram para o homenagear num almoço na Assembleia da República? Não terá coragem para lhes perguntar se concordam com  a ideia de que o regime político nacional é de facto democrático, ou se não sendo, por que é que pactuam com uma coisa destas? Por que é que o escândalo do Benfica não é incluído na ordem de trabalhos como foi o BES e o BPN? Porque existem organismos próprios, como a Federação e a Liga? Está bem, mas se eles não funcionam, se são parte do problema, a que porta nos resta bater? Mais que não seja, que apresentem alternativas, mas a tempo e horas, e não mantendo os olhos fechados para a roubalheira a que estamos a assistir.

São suposições que não posso comprovar, mas que me parecem minimamente lógicas. Até ao momento, devo ser das raras pessoas que duvida da autenticidade democrática deste regime, mas se os senhores deputados o negam, então como explicar tantos obstáculos, tanto medo para que o FCPorto seja respeitado e possa defender o seu património? Em que país democrático é isto tolerado, além da Somália, como disse Francisco J. Marques?

É por estas razões que não me revejo na postura de outros adeptos, que parecem não querer compreender a importância na diferença entre um Líder pro-activo e um líder sombrio que, independentemente disso, nos "castigou" nos últimos 4 anos com perdas de campeonatos e troféus também por excesso de conformismo. Aliás, não é pelo lado dos adeptos que o FCPorto se tem deixado afundar. Esses, são um exemplo de tenacidade e solidariedade.  Mas, também, têm de começar a olhar com mais pragmatismo para o clube, a menos que para manter Pinto da Costa na presidência continuem dispostos a ver o FCPorto perder protagonismo. A partir daí, só podem queixar-se de si próprios.

Não quero de forma alguma gizar quadros pessimistas, já ando a falar nisto há muito tempo, e para que não subsistam dúvidas, no caso de vencermos este campeonato, os meus parabéns serão sempre dirigidos para os jogadores e treinador. Aconteça o que acontecer. Mas, temos  também de continuar a lutar contra uma seita de bandidos... Que conste, as "armas" dos jogadores são  outras, são golos nas balizas adversárias. 

Para lutar contra o crime organizado, existem outro tipo de munições e  actividades: balas e agentes de investigação.  Só temos de lhes exigir resultados.    

05 abril, 2018

Urge actualizar a História de Portugal


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O país mudou. Para melhor, para os políticos, para pior para a população que vive apenas do seu trabalho.

Procurei, sem sucesso, descobrir o número de professores de História a lecionar no país, através do site da respectiva Associação. Pensei que seria útil ter uma ideia do seu número, para melhor perceber o conformismo, ou a falta de ousadia, instalada pelos entendidos na área para ainda não terem reescrito a História, quarenta e quatro anos depois da revolução de 1974.  

Não sei se há algum tipo de formalismo, normas, ou prazos específicos para o efeito, e se qualquer professor estará habilitado para tal. Parece-me mesmo que talvez  seja um pouco tarde requalificar a História atendendo às transformações operadas no regime nos últimos 20/30 anos.  Tarde porque, descontando os exageros habituais dos historiadores - que não resistem a glorificar os seus heróis -, penso que quanto mais actualizada estiver a História, mais rigorosa se mantém.  Provavelmente, será mais ou menos assim que a coisa funciona, só que nunca nos apercebemos quando acontece. Não tenho sequer memória que ocorrências desta natureza sejam devidamente divulgadas. Seja como fôr, não pode ficar tudo inalterável.

Será um embuste, uma traição à História Nacional, conservá-la com as definições postiças inseridas na Constituição da República  de 1976, onde são garantidos os direitos fundamentais dos cidadãos e os princípios basilares da Democracia, mas apenas no plano teórico, o que significa que não é respeitada em toda a plenitude.

Consequentemente, e uma vez que a Liberdade ainda nos vai "permitindo" dizer o que pensamos, apesar de para mim ser mais um Estado de Devassidão que de Liberdade, cabe aos historiadores escreverem uma renovada História, onde conste o verdadeiro perfil do actual regime, que não sendo igual ao de uma ditadura tradicional, de repressão policial, segue muitos dos seus métodos neo-fascistas usando a comunicação social, em vez da PIDE.

É uma ditadura diferente, que progressivamente se foi adaptando aos novos tempos, procurando não dar muito nas vistas dos mais escrupulosos e democráticos países da União Europeia. Mas é uma Ditadura, apesar do direito ao voto. Porque, sem o voto, teriam mesmo de criar uma nova polícia política, para sobreviverem.


04 abril, 2018

Até tu, Ferro?

Teatro político, o pior de todos os teatros

Que espectáculo de cinismo miserável foi a conferência ontem realizada na Assembleia da República! Não é que até o presidente Ferro Rodrigues foi atrás da conversa usada pelos incendiários do futebol português - que como bem sabemos incluem os próprios órgãos desportivos -, e falou sem dizer nada?

Então, abordou a violência, e ainda não descobriu onde mora a fonte? Será F. Rodrigues tão burro, tão burro, que desconhece o Benfica, que é nada mais, nada menos, que o mestre-mor da violência no futebol, com um cadastro criminal riquíssimo, onde consta o assassinato de dois seres humanos? Ter-se-à esquecido desse drama, dessa nódoa nacional praticada pelo clube que também ele parece querer proteger?

E o garoto do secretário de estado  do desporto (com minúsculas), correspondeu airosamente apresentando percentagens de futilidades, como se estivesse a dizer as coisas mais importantes do mundo, quando não passa de um incompetente e vigarista? Isto é intolerável! Mas terá sido para parir escumalha desta natureza que os militares  de Abril lutaram contra o antigo regime? Valeu a pena?

Antes de continuar, fica já aqui exarado que não estou nada preocupado que me movam um processo, porque não há justiça no mundo que me obrigue a respeitar gente deste calibre. No tribunal, ou fora dele, nunca deixarei de pensar de acordo com a imagem que eles dão de si próprios, que é asquerosa, e indigna! 

Mas esta gentinha pensa que as pessoas são todas estúpidas, que não sabem distinguir um chico-esperto, de um homem inteligente?  São tão básicos que até o nome escolhido para a dita conferência não podia ser mais inadequado: conferência "Contra a Violência no Desporto"! Como sempre, preferiram a abstração (ou poeira para olhos) à objectividade, tal qual manda a cartilha vermelha. É assim que querem ser respeitados? Então respeitem-me a mim, e a milhões de pessoas como eu!

Já que optaram pelo tema da violência, quero refrescar-lhes a memória nessa matéria pronunciando um nome que lhes é querido, chama-se Benfica. É praticamente sinónimo de violência. Mas algo me diz que não me vão agradecer a gentileza. É que, além da violência, é um nome também associado à corrupção, e ao tráfico de droga. Que conste, é o único clube que justifica o nome escolhido para a conferência, não conheço outro.  Estão a ver como é tão simples o pragmatismo, ao contrário da abstracção de misturar todos os clubes, para baralhar, e dar de novo? Há que ser sério, porque generalizar actos desta natureza, é multiplicar a criminalidade e safar os principais autores.  No que me diz respeito, só aprecio a abstracção de artistas assumidos. A representação teatral política é a mãe dos maus Governos.

Manhosos como são os políticos, são mesmo assim incapazes de distinguir a inteligência, da banha da cobra usada pelos mercadores de feira. A inteligência é amiga da integridade intelectual, o chico-espertismo convive bem com a farsa. É extremamente difícil partilhar a honestidade com temperamentos manhosos, porque quando isso acontece não tarda que a máscara da vulgaridade caia e denuncie o portador. Os políticos estão sempre a confirmar estes factos, ainda que sem nunca o assumirem.  Reuniões como a de ontem no Parlamento, são uma perda de tempo, e contribuem perigosamente para a manutenção da violência e da corrupção. Foi apenas mais um falso processo de intenções que apenas pretendeu iludir os incautos. Os responsáveis pela balbúrdia actual vão continuar a deixar correr o marfim com a desonestidade de sempre. Mais do mesmo, portanto. 

A decisão mais sensata que tomei na minha vida, à excepção da primeira década dos anos 70, foi ter abolido das minhas obrigações democráticas o dever de votar. Os políticos não prestam, é verdade, mas não sou eu quem lhes alimenta a vigarice.

PS-Que vá para o raio que o parta Ferro Rodrigues, mais a sua intenção de legislar acerca da violência e a corrupção. A Constituição também legislou a Regionalização e de nada valeu, porque até hoje nada se cumpriu. A lei também proíbe a existência de claques ilegais e o clube que ele quer defender é o mais ilegal de todos. Vozes que nada valem, são isso mesmo: nada. 


03 abril, 2018

Poupemos os jogadores, e responsabilizemos quem governa o FCPorto sem papas na língua

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Chegados a esta fase do campeonato, podíamos estar agora a comentar os jogos do FCPorto sem beliscar o nome de Pinto da Costa e dos elementos da SAD, mas isso não seria sério. 

Podíamos apontar uma ou outra falha das opções técnico-tácticas de Sérgio Conceição, mas no contexto actual, seria muito redutor.

Podíamos discutir a gestão física do plantel, à condição de excluir o treinador dessa responsabilidade, porque andamos a época inteira a reclamar que era curto, e que continuou curto mesmo com a contratação do mercado de inverno. 

Podíamos dizer que, este ou aquele jogador, não têm perfil para integrar um clube com as ambições do FCPorto, mas o momento de orfandade presidencial não o recomenda.

Tudo isto é possível, mas tão inconsequente, quanto injusto. O que não devíamos dizer, porque é simplesmente mentira, é que os grandes problemas do FCPorto começam e terminam aí.

Na história do futebol português, o FCPorto foi sempre um clube temido e invejado pelo poder central, e pelos principais clubes de Lisboa. Nem o 25 de Abril conseguiu mudar-lhes a mentalidade. Tal como agora, são eles que têm complexos de inferioridade, e não nós em relação a eles. Sofrem do síndroma das capitais provincianas, que advém da confusão entre a ideia que se tem de uma capital  de país, e a percepção do que é o país real.

Até agora, que o Benfica está sob suspeitas gravíssimas, debaixo da alçada da PJ, continuam a apontar para nós as culpas pelos seus próprios comportamentos. Sempre foram assim, mas estão piores. O que neste momento está a acontecer é surreal e intolerável. De tal modo, que parte das vigarices de que são suspeitos continuam a ser praticadas com prejuizos directos na classificação geral do FCPorto. Portanto, não é justo nem honesto apontarmos o dedo apenas ao plantel e treinador, porque essa face mafiosa do campeonato não lhes diz respeito. Compete ao Governo e à Justiça.

Este ambiente dúbio, esta dependência isolada do que fazem, ou não fazem os árbitros, os vídeo-árbitros, o Conselho de Disciplina, a Liga e toda essa tropa fandanga que vive sob o controlo do Benfica e o ajuda, não contribui em nada para a auto-confiança do nosso treinador e jogadores. Se, juntarmos a isso a completa impassibilidade dos homens que mandam no FCPorto, a começar pelo Presidente e a acabar nos que o rodeiam, a instabilidade dos atletas não pode ser ligeira. Se estivermos atentos às modalidades, algumas delas repletas de excelentes jogadores, como é o caso do andebol e do hóquei, descobrimos que está instalada alguma insegurança, e não podemos concentrar as causas apenas neles e nos respectivos treinadores.

Faz já algumas semanas que Francisco J. Marques anunciou a intenção do FCPorto apresentar queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, e ainda não sabemos se essa exposição foi concretizada. Será que estamos à espera que o Benfica seja outra vez campeão, para depois continuarmos a carpir mágoas?

Termino lembrando que desvalorizar os aspectos psicológicos que influenciam, para o bem e para o mal, o rendimento de um grupo de trabalho, é ver o problema pela rama e negligenciar o que é fundamental. Vale para um jogador como para um estudante, a auto-estima como a confiança tem de ser sempre escrutinada e alimentada por quem superintende. No 1º. caso pelo Presidente do clube sobre o corpo técnico e este sobre os jogadores, e no 2º pelos professores com o reforço fundamental dos encarregados de educação. Sem estes suportes fragilizam-se logo à partida os alicerces de qualquer projecto de médio curso, como é patente na diferença enorme entre os resultados da gestão de um Pinto da Costa líder, e o Pinto da Costa simbólico da actualidade.

E não me venham com as histórias bisonhas dos bons e dos maus portistas, porque dos meus sentimentos bairristas e clubistas estou cansado de  dar provas. Além de que, o tribunal popular tem muitas vezes algo de populista... A análise está feita, mas ainda acredito que sejamos felizes, apesar de.   


02 abril, 2018

Que noite teremos logo em Belém?


O dia de hoje não é dos mais indicados para jogar futebol. Não sei como estará o tempo lá para as bandas da moirama. Por cá, tem chovido incessantemente, e  não é  a natureza que o determina, é a competência do Governo. Temos um Governo de sábios, espectacular. Tão competente e talentoso, que até consegue impor-se às intempéries e encher as albufeiras de água, para não ter de assistir à mortandade causada pelos incêndios do anos passado. Que artistas! Portugal é mesmo um país de top! Um dos melhores do mundo (diz o Marcelo e aplaude o Costa). Garotices à parte, coloquemos os pés na terra e voltemos à dura realidade.

O FCPorto tem um jogo decisivo esta noite, nessa Lisboa fadista, malquista e traidora. Mais uma vez, foi o último clube a jogar (sob pressão) entre os principais candidatos ao título, coisa que já não se estranha, provada que está a vocação de mártir sereno que o presidente do FCPorto tem procurado transmitir aos adeptos. 

Logo à noite, além do mau tempo, tudo se pode esperar. Pela minha parte, só queria que houvesse futebol, mas palpita-me que vamos ter mais um acto de teatro ao bom estilo dos povos das cavernas. Os jogadores do Belenenses já devem estar instruídos para simularem faltas, promoverem o contacto físico, lançarem-se brutalmente para o chão com expressões de dôr lancinantes,  e cenas do género. Estarão dispostos a trocar o bom futebol pelo mau teatro? Veremos.

Esta noite, gostava de ver futebol e só futebol, mas cheira-me que vou ver mais Shakespeare, com actores miseráveis, dentro, e fora do "palco"... Se me enganar, se fôr apenas futebol, já me contento, tão mal tratado que ele anda, neste país sem rei nem roque.

Os nossos jogadores não vão ter de jogar apenas contra uma equipa, como seria natural, vão ter também de "controlar" a vontade dos árbitros, dos vídeo-árbittros, da segurança do estádio, do impacto das denúncias anónimas, das condições do campo, da Federação, da Liga. Enfim, de tudo! Os jogadores têm de superar tudo!  Coitados! E os dirigentes? Isso, é outra conversa! Porque no te callas Rui!  

Tudo de bom para ti, Sérgio! Tudo de bom, para os nossos jogadores! Tudo de bom, para nós portistas!

Viva o PORTO! Para o inferno todos os corruptos!

PosMatch: Não foi o teatro que previa, valha-nos isso. Os jogadores do Belenenses portaram-se bem, jogaram à bola e souberam aproveitar a enorme fragilidade do FCPorto, que jogou pessimamente. Culpados? Não são os jogadores e ainda menos o treinador. O culpado só tem um nome, chama-se Pinto da Costa que nada fez de relevante para que os mafiosos do governo e do futebol respeitassem o FCPorto. O clube está orfão nessa matéria.

Sem um Líder, é difícil criticar o pessoal operário. Espero, mesmo assim que o campeonato não tenha sido perdido hoje. E espero também que vendam o Brahimi o mais depressa possível e fiquem com o "tosco" do Marega, que tanta falta faz...


30 março, 2018

O Porto precisa de jornais do Porto, e para o Porto


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Para quem estiver a pensar abrir um negócio sem ter de investir muito dinheiro, é melhor esquecer a área da comunicação social. Quem gostar verdadeiramente da cidade do Porto, e dispuser de alguns milhões de euros, e planear um negócio de retorno lento, mas de grande utilidade pública, fundar um Jornal exclusivamente portuense (virado a norte) pode ser uma aposta ganha.  

O Porto devia ser a sua sede, não para imitar Lisboa, porque isso seria matar o negócio pela raiz, mas porque o Porto é sem dúvida a cidade que mais necessidade tem de um jornal assumidamente portuense, e acima de tudo porque é a cidade mais discriminada pelo centralismo, desde o 25 de Abril. Isto, visto à luz da importância histórica da própria cidade no quadro nacional. Cada cidade conhece os seus próprios problemas, mas naturalmente que o interior nordestino é das regiões mais discriminadas do país (como outras).

A nossa cidade tornou-se a segunda mais importante do país, muito antes da "revolução", e por mérito próprio, não foi por beneficiar de ajudas externas. O Porto é competitivo, não é centralista. Não há portocentrismo, há concorrência natural. O centralismo tem sempre  responsabilidades de origem política, e se a política é exercida a partir de Lisboa, o Porto nada tem a ver com isso. E pouco interessa saber a origem dos políticos, o que me interessa é o que eles fazem. O Porto foi sempre considerado como a cidade do trabalho, e não foi por acaso. Curiosamente, até essa justa e histórica  fama, os centralistas têm procurado descredibilizar para a transformar num mito, e só isso diz tudo. Caberá aos verdadeiros nortenhos escolher se querem continuar a prejudicar a sua região natal, continuando a apoiar política e desportivamente os interesses da capital, ou se querem contribuir para o  desenvolvimento do que é seu. 

A centralização já é antiga, não nasceu agora. Muitos empresários do norte não tiveram coragem para combater este monstro, e isso tornou-os cúmplices do centralismo. Talvez seja esta permissividade que explica a ausência de um jornal no Porto devidamente identificado com a cidade. O JN já não é há muito um jornal do Porto, é um jornal de Lisboa a servir-se do Porto para estender ainda mais os tentáculos centralistas. E, como as avenças fazem milagres, chegamos ao cúmulo de ver antigos articulistas do jornal a colabor com este embuste com toda a tranquilidade do mundo.

Lamento dizê-lo, mas não foi o Porto que mudou, o que mudou para pior, foram os portuenses, sobretudo aqueles que mais deviam lutar contra a situação actual. Que raio, o "Somos Porto" não pode confinar-se ao teatro do futebol. O Porto não é só o FCPorto.


26 março, 2018

Jornalismo português é pidesco


Cheguei a um ponto tal de intolerância que me sinto incapaz de sintonizar qualquer canal que seja emitido a partir da capital.  Olho para aquela gente, seja jornalistas, actores, políticos,  homens ou mulheres, e é como se estivesse a olhar para terroristas a armar ao erudito. 

Se já tinha desenterrado o machado de guerra contra os jornais, agora é com as televisões, não lhes dou 1 minuto de audiência! Abri apenas duas excepções, ambas na SIC, com a Quadratura do Círculo e o Eixo do Mal. Não porque correspondam em rigor ao tipo de debates que eu gostaria de ver - porque tal exigiria dos participantes uma frontalidade, e uma independência que não têm -, mas porque são os que se aproximam mais disso.  Os menos maus, por assim dizer. 

Podendo parecer contraditório, é importante não os despeitarmos totalmente, porque convirá mantermo-nos sempre  alerta com as suas contrafacções. Só por isso. Mesmo assim, sem cairmos no exagero de comprar sempre  o jornal, porque isso seria contribuir para a sua sobrevivência, em bom português,  é dar pérolas a porcos.

Se há coisa que salta aos olhos, agora que o "sagrado" e "querido" Benfica está sob investigação policial, é o modo ambíguo como certos comentadores e jornalistas abordam o caso. São tão burros, e tão cínicos, que não percebem que abordar o maior escândalo de corrupção do futebol português sem citar a fonte, é assumir um benfiquismo  fanático, com uma completa ausência de seriedade. Falam do clima do futebol português, queixam-se dos emails, das denúncias anónimas, sempre no plural, para meter todos os clubes sob suspeita, e assim evitar citar a causa desses escândalos, que é o Benfica. 

O xico-espertismo pode enganar durante algum tempo, mas não engana o tempo todo.

22 março, 2018

O que é verdade hoje, é aldrabice amanhã. O PR segue o refrão do futebol

Sigamos sempre no caminho certo, continuemos certinhos, meninos bonitos, cidadãos bem comportados, operários eleitorais, amiguinhos dos políticos. Mas tenhamos a coerência de nunca mais nos queixarmos. Seja no futebol, ou na política. Cada povo tem os governantes que merece. Parece que é verdade, mas pela minha parte sinto-me defraudado.

Quando o senhor Presidente optou por se aproximar do povo, apoiei a decisão.  Transmitia sinais de humanismo que Cavaco Silva nunca foi capaz de mostrar. Seguiram-se os beijinhos, o que, não me perturbando inicialmente, mais tarde pareceu-me arriscado  pelo excesso, podendo vir a prejudicá-lo quando tivesse de se confrontar com acontecimentos dramáticos, como foram os incêndios. É certo que o escândalo do Benfica é um caso diferente no género, mas igual na amplitude e na gravidade. O Benfica está sob  investigação policial, suspeito de corrupção. Não é brincadeira nenhuma. Mas desta feita, o senhor Presidente colou-se ao regime, vulgarizou-se. 

Agora, está a faltar-lhe a coragem para desempenhar o lado mais difícil de um verdadeiro Chefe de Estado, que é saber lidar com isenção com casos desta natureza. Não há beijos, porque não é oportuno, mas agora, também não há pedalada nem respeito para agarrar o touro pelos cornos e exercer a tal magistratura de influência...

Depois, assistimos a este espectáculo de contradições. Ontem, eramos o melhor país do Mundo, hoje já está preocupado com a pobreza!!! Muito elevado, não há dúvida. Que concidência! Será que Sua Exa.o Sr.Presidente da Repúplica lê o Renovar o Porto?
  

21 março, 2018

A porca da política não consegue livrar-se da fama


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Não vale a pena criar expectativas com as boas intenções dos governantes, sejam de que partido forem, nem mesmo com a oposição parlamentar, no que se refere à Regionalização, porque nenhum partido está verdadeiramente interessado nessa importante reforma. Nenhum partido quer respeitar o que foi lavrado na Constituição nem esclarecer a população sobre o tema.

Quando  o "melhor" que a cimeira dos autarcas nortenhos trouxe, foi arrastar a data do acordo (até Junho), não é preciso mais nada para ficarmos inteirados que se trata de mais uma encenação política para tolos entreter. Enfim, outro "acordo" que vai ser continuamente interrompido, e que pouca diferença fará da actualidade. 

O espírito do 25 de Abril foi-se degradando desde o 1º. dia, e o país piorou. O povo aburguesou-se. prefere comer e calar, a lutar. As palavras patéticas do Presidente da República impressionam-me tanto, como o folclore dos seus afectos. Nós não precisamos de falso carinho, precisamos de justiça e de respeito. Esse é o melhor dos afectos, o mais pragmático que ele nos pode dar, se conseguir ser genuíno. Aproveitar uma cerimónia desportiva para declamar que somos "o melhor país do mundo", para mim, é como uma bofetada, é pior que insultar a minha inteligência. Não senhor Marcelo, infelizmente, nós somos dos países mais atrasados e pobres da União Europeia! Sabia? Aproveite e aprenda, porque não é o senhor que está a ser realista, sou eu.

É também verdade, como atrás referi, que o espírito de Abril definhou. As condições, e as garantias de trabalhado pioraram, os salários base continuam a roçar o limiar da pobreza e o centralismo rebenta pelas costuras. Custos imputados anteriormente às empresas, foram direccionados para os cidadãos, beneficiando uns, sobrecarregando outros.  A comunicação social prostituiu-se praticamente toda, já poucos acreditam no que dizem. O desporto está minado por um clube de futebol, acusado de actos corruptos, e o Presidente da República mete a viola no saco, sem saber agora a quem distribuir os beijinhos que tanta popularidade lhe deram. Ninguém, do universo político se salienta, ninguém tem coragem para repudiar esta pouca vergonha em que se tornou o país. Todos estão de mãos dadas com a bandalhice, todos perderam a dignidade, se é que alguma vez souberam o que isso significa.

As novas gerações, não ousam combater este regime e olham para ele como os mais velhos olhavam para o regime de Salazar. Com medo. Não reagem, nem ousam manifestar-se contra esta nova ditadura, não por receio da PIDE, mas com medo de serem despedidos dos seus parcos empregos. Este é o país em que vivemos. Bom, excelente mesmo, para Marcelo Rebelo de Sousa, uma vergonha para quem tem os olhos bem abertos, e não tem jeito para o teatro.


20 março, 2018

Rio Fernandes

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Decepcionante

Às vezes, pergunto-me se não sou demasiado intolerante com os políticos, e a política. No post anterior apresentei uma explicação sucinta para as causas. Ontem, casualmente, a Revista de Imprensa, pós Último Jornal do Porto Canal, tratou de dissipar qualquer dúvida sobre as razões do meu cepticismo.

A personalidade escolhida para comentar, foi o geólogo socialista Rio Fernandes, uma daquelas figuras que incluí no grupo restrito de políticos fiáveis. A jornalista Carla Ascenção, como é habitual, pediu-lhe que escolhesse um tema para comentar. Após ter comentado casos de outros jornais deu para perceber que a tendência do convidado estava focada na justiça. O Jornal de Notícias, estralhamente (porque está sediado do Porto), foi o último jornal apresentado. Rio Fernandes, um dos poucos benfiquistas que considerava, não perdeu tempo. Se já antes tinha abordado com fraca subtileza os "emails", não perdeu mais tempo e atirou-se com uma azia incontrolável à notícia do JN que dizia isto: "JUIZ ABSOLVE PINTO DA COSTA E APONTA O DEDO AO MP". Procurei, sem sucesso, linkar aqui um excerto da peça para ouvirem exactamente o que foi dito. De qualquer modo podem sempre usar a box e procurar. Virou-se contra o juiz, alegando, entre outras coisas, que ninguém os controlava e que o Ministério Pública devia ser respeitado, etc. Durante o longo e forjado processo do Apito Dourado não se ouviu uma única palavra de contestação, ou repúdio, pelo comportamento do MP de Pinto Monteiro, ou do folclore criado com o caso pelos órgãos de comunicação social. Nem da boca dele, nem da boca de qualquer benfiquista.

Sinceramente, nunca imaginei que a hipocrisia fosse tão prolífera em Portugal. Enfim, é mais um que sai da minha já muito curta lista de excepções.

PS-Sei que a locutora está ali para ouvir os convidados, mas em casos como estes, em que o Porto Canal abre as portas a alguém para falar, e o convidado só se lembra de lançar umas indirectas contra quem o convida, o que ele merecia é que lhe pedissem explicações. Mas isso, é demasiado arriscado para o Director do Porto Canal. Convém estar de bem com Deus...          

Dia D, de descentralização

Eduardo Victor Rodrigues
A descentralização do país conhece hoje um impulso decisivo, com a realização da cimeira das áreas metropolitanas do Porto e de Lisboa, onde se apresentarão as propostas conjuntas ao primeiro-ministro. Depois de dois encontros de trabalho realizados em Vila Nova de Gaia, a Área Metropolitana de Lisboa acolhe uma cimeira de todos os presidentes de Câmara metropolitanos, que marca o culminar de um diálogo profícuo e do mais ambicioso e estruturado contributo para o processo de descentralização.
É uma oportunidade histórica de reforma das áreas metropolitanas e dos municípios, uma reforma efetiva e não apenas uma lista de tarefas mínimas.Esta é a oportunidade histórica de revolucionar a mobilidade urbana e metropolitana, racionalizando a oferta, integrando novos investimentos e garantindo uma rede eficiente de transportes públicos, com um passe metropolitano de custo único para os cidadãos.
Também no domínio da habitação, sobretudo para os jovens e classes médias, importa assumir novas competências que contrariem a escalada de preços, com novas políticas (públicas) de habitação para classes médias, evitando o êxodo dos cidadãos, empurrados pelo alojamento turístico.
Ao nível local/regional definem-se melhor as prioridades de investimento e de serviço público de equipamentos como escolas ou centros de saúde. Os municípios sabem fazer isso bem, com rapidez e racionalidade financeira. Mas os cidadãos querem mais e importa ouvi-los. As pessoas querem que as suas câmaras municipais possam igualmente intervir na qualidade dos serviços públicos, adequando horários ou especialidades médicas no caso dos centros de saúde e desenvolvendo modelos locais de ação social escolar ou ocupação de tempos livres.
Estamos perante um novo tempo da gestão autárquica, uma nova geração do Poder Local, com novos desafios e ambições para Portugal, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país, para a coesão entre os municípios e para o incremento da participação dos cidadãos nas políticas públicas.
Para os municípios só faz sentido receberem novas competências se as mesmas se traduzirem em melhorias da vida das pessoas. E é da relação de proximidade entre os cidadãos e o Poder Local que resulta o aumento do nível de exigência das comunidades necessário ao aperfeiçoamento da Democracia e do reforço da credibilidade do Estado, tornando mais visível e transparente a aplicação dos recursos públicos e a boa gestão dos impostos dos contribuintes.
Será necessário que o Governo associe a esta reforma, para além da enorme vontade política do primeiro-ministro, os recursos financeiros e materiais indispensáveis (para isso apresentamos uma proposta de nova Lei das Finanças Locais) e que a descentralização mereça um forte incentivo na reprogramação do Portugal 2020 e na negociação do próximo quadro comunitário.
As áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto assumem a iniciativa, capacidade de mobilização e de diálogo construtivo. Com seriedade e com responsabilidade, pensando não apenas na nossa dimensão territorial, no nosso peso demográfico ou no contributo gerado para a economia nacional, mas também promovendo critérios de compensação para os municípios de baixa densidade e apoiando metodologias que reforcem a coesão através da discriminação positiva de base regional.
A descentralização não é alternativa à regionalização. Mas uma regionalização sem reforço das competências das áreas metropolitanas correria o risco de criar novos centralismos que devemos evitar. Uma descentralização forte é uma reforma decisiva no sentido de uma regionalização inteligente.
Os portugueses sentem que já perdemos demasiado tempo a discutir ideias e a reiterar rivalidades territoriais. Os portugueses exigem-nos - Governo e autarquias - uma nova maneira de fazer política: unidos pelo desenvolvimento sustentável, pela gestão inteligente de recursos, focados na qualidade de vida presente e futura. É o momento para esta reforma! A palavra passa para a Assembleia da República.
Nota de RoP: Eduardo Victor Rodrigues pertence ao rol muito escasso dos políticos que me inspiram alguma confiança. O maior problema destes homens é viverem no paradoxo que está entre a sua honra pessoal e a xico-espertice dos partidos políticos. Quanto à descentralização, é ver para crer.

19 março, 2018

Curiosas inquietações


O FCPorto é um grande clube, com um imenso e heterogéneo número de adeptos. Nunca beneficiou do proteccionismo nem dos favores dos clubes da capital, mas também nunca o reclamou, honra lhe seja feita... Ao longo da sua brilhante história foi sempre ostracizado e prejudicado em benefício dos mesmos. Foi assim no tempo da "outra senhora" - designativo subtil da ditadura de Salazar -, e é assim agora no actual regime, tido como democrático por alguns, e  por mim assumido como ditatorial (mascarado pelo voto livre).  

Apesar de nunca ter usufruído do apoio de ambos os regimes, o FCPorto tem, e sempre teve, muitas figuras destacadas da sociedade e da política, simpatizantes do clube. Pouco mais que isso, porque nunca constou qualquer tipo de promiscuidade entre essas figuras e o clube que levantasse suspeitas de favorecimentos ilícitos. Ainda há bem pouco tempo o presidente Pinto da Costa se deslocou à Assembleia da República a convite dos deputados portistas que atestam a consideração que têm por ele, o que não quer dizer que se tenham servido do estatuto para ajudar de qualquer forma o FCPorto. 

Porém, qualquer coisa de estranho se passa que me impede de acreditar nas convicções desses deputados, tão opostas às minhas, até que me provem o contrário.  Admitamos que sou um gajo radical, sem capacidade para entender a democracia, e que esses deputados estão cheios de razão para terem tão grande fé no regime. Como explicarão a discriminação que é feita ao FCPorto? Que vias, e soluções têm para propôr a defesa do FCPorto de forma a travar essa fraude em tempo útil? Secretaria de Estado do Desporto? Não, já sabem que não funciona, e que até se comporta como um dos braços protectores do Benfica. Órgãos Desportivos? Idem, idem, aspas, aspas. 

Sem me estender mais,  pergunto: haverá coragem para desmentir estas perguntas, e argumentação credível para as explicar? E o que terá a dizer sobre esta matéria o Dr. Fernando Gomes, ex-político e actual administrador da SAD do FCPorto? Acreditará ele assim tanto na democracia que até tem medo de dar a sua opinião? Sim, porque tanto ele como os outros administradores não se atrevem a sair do gabinete para dizer o que pensam. Talvez o digam à família, mas não é à família que o devem fazer, é aos sócios e adeptos. O FCPorto não é uma empresa privada, é uma associação desportiva, seria razoável não esquecer e agir em conformidade.

É que, não é lá por estar em curso a investigação da PJ ao Benfica que as vigaríces têm abrandado. Pelo contrário! É típico em casos desta envergadura, que os infractores optem pela política da terra queimada, que continuem a recorrer à vigarice para atingirem os seus fins. Há árbitros, provavelmente uma maioria, que continuam empenhados em ajudar quem tanto os brindou e não escondem isso. E é preciso não esquecer que isto não está a acontecer apenas no futebol. Nas modalidades é bem perceptível a mesma tendência.  E se o Benfica ganhar o tão desejado Penta, será apenas por demérito do FCPorto? Não, nunca será, porque os danos já vêm de longe. Será sim, também por permissividade dos dirigentes do FCPorto [para longe vá o agoiro!].  Teremos uma grande sorte se o Benfica fôr julgado e punido antes do campeonato terminar. Se fôr verdade que a sorte protege sempre os audazes, só os jogadores, o treinador, e os adeptos, merecerão ser coroados com a estrelinha.


Nem de propósito:

Fernando Madureira, líder da claque Super Dragões, fora multado e punido pelo IPDJ na sequência dos cânticos sobre a Chapecoense num jogo de andebol do FC Porto
O Tribunal de Pequena Instância do Porto deu razão ao recurso apresentado por Fernando Madureira, líder dos Super Dragões, castigado com uma multa de 2600 euros e a uma sanção acessória de interdição de acesso a recintos desportivos por um período de seis meses. A pena fora aplicada pelo IPDJ e teve como motivo o polémico cântico alusivo à Chapecoense durante o encontro de andebol entre FC Porto e Benfica, realizado na última temporada, no Dragão Caixa.
O tribunal considerou que Fernando Madureira não cantou, nem incentivou ao polémico cântico, não vendo por isso razão para a pena decidida pelo Instituto Português do Desporto e Juventude. Aquando da decisão do IPDJ, Fernando Madureira anunciara a decisão a apresentar o recurso que desde logo teve efeitos suspensivos.
Nota de RoP:
É uma vergonha para o Governo, uma vergonha para quem escolhe para um cargo de Estado um arrivista, como o  actual Secretário de Estado do Desporto e os membros do IPDJ. Uma bofetada bem aplicada pela Justiça. Pena é, que a decisão não tenha sido acompanhada com um pontapé no trazeiro dos cartilhados do regime. 

16 março, 2018

Revolucionar a Democracia com muita ética e rigor pode salvar o país


Começa a ser cansativo escrever o que está a acontecer em Portugal. Para os portistas, e para aqueles que não sendo portistas têm capacidade intelectual para perceber o que se está a passar na sociedade, o futebol tê-los-à decerto ajudado a olhar para o país com outro realismo. Ou seja, já não se deixam levar pelo conto do vigário que tanto os políticos como a comunicação social procuram impingir-lhes.

Estou saturado de falar da rede mafiosa do Benfica, das macabras habilidades dos árbitros e da cumplicidade que têm com quem devia avaliar o seu trabalho com isenção. Não reconheço credibilidade à Federação, ou à Liga de Futebol mais os Departamentos que lhes estão associados (Disciplina e Arbitragem). O mesmo penso da Secretaria de Estado do Desporto. O rendimento das respectivas actividades fala por si, dispensam outros exames. Se tivesse de falar neste assunto nos estúdios de uma televisão, afirmava-o categoricamente, sem qualquer consideração pelos destinatários, incluído o inapto e imberbe Secretário de Estado. O respeito e a moderação não é para todos, é para quem se faz respeitar pela honradez,  nunca pela biombo do poder. Tão pouco me espanta o envolvimento de juízes nos esquemas corruptos e pidescos do Benfica. Já nada me surpreende, mesmo que isso me deixe terrivelmente enojado com o cheiro nauseabundo que um escândalo destes deixa no ar.

Não vale a pena portanto discutir a floresta, porque já está pôdre há muitos anos. Contrariando  o sentido habitual da metáfora, neste caso concreto, o que importa discutir é a árvore-raínha, [como sucede com as abelhas], aquela que influencia para o bem e para o mal o desenvolvimento das outras. O problema real do país é semelhante ao da floresta. No nosso regime político, a árvore-raínha é representada pelos governantes, a floresta é o povo. Pelo que a experiência nos diz o livro orientador dos governos, a Constituição, foi elaborada mais para impressionar o exterior e tornar mais credível as relações com o Mundo, do que para seguir à regra o que lá está escrito. Tal como acontece com o Estatuto dos Jornalistas, a Constituição é frequentemente violada. Hoje coloca-se lá uma Lei, amanhã não dá jeito, mete-se lá outra, e assim sucessivamente. É a classe política, a primeira responsável e o tribunal Constitucional, a segunda.  E não é para levar a sério, quando os políticos atribuem as alterações à Constituição às inevitáveis adaptações aos novos tempos. A Regionalização, ou melhor, o referendo à Regionalização, foi a maior facada que os sucessivos governos deram à Constituição, tão violenta e profunda que conseguiram fazer da democracia um regime ditatorial mais cínico e hipócrita do que o do próprio Salazar.

Não precisamos de Messias, mas também não precisamos para nada de falsos democratas. Precisamos de um Líder, um condutor de bons hábitos, profundamente democrata, mas implacável com os que ferem de morte a Democracia, e com aqueles que toldados por um poder unipolar e egocêntrico, ganharam hábitos pidescos cuspindo na Liberdade de quem a merece. 

Precisamos de alguém que ponha ordem na casa, que não permita a aproximação ao poder daqueles que o corrompem. Quando sentimos esta necessidade, receamos sempre que isso possa constituir uma ameaça à Democracia, um foco de atração para qualquer Ditador sanguinário à espreita de uma oportunidade para avançar. Isto já aconteceu. Hitler, foi um deles. Mesmo assim ainda acho que vale a pena correr o risco. No fundo, é apenas uma questão de rigor. Condicionar a Liberdade às práticas públicas da intriga, da conspiração, e  do embuste, não pode ser nunca visto como um atentado. Atentado à  Liberdade e á dignidade de um povo, é o que os Governos centralistas de Lisboa andam a fazer ao resto do país. E os irresponsáveis não são outros, que não os governantes e os deputados com assento na Assembleia da República.

Nota: 
Só para acrescentar um complemento ao teor do texto, que não sendo a solução, pode vir a  dar um grande contributo para mudar o país: é fundamental que este escândalo seja levado a Tribunal e que os principais responsáveis sejam devidamente punidos. Quem quer que eles sejam. E o Benfica também. 

15 março, 2018

Pela boca morre a política



Faça as diferenças, e pese a coerência entre pares...

Declaração do 1º Ministro António Costa sobre o processo E-Toupeira: 

"Mas, a fazer fé no que vem na comunicação social, eu creio que não há forma alguma de prevenir que alguém que esteja certificado para utilizar o sistema o utilize de forma indevida", afirmou.
Declaração da Ministra da Justiça sobre  o mesmo assunto:
Na quarta-feira, a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, comentou que o que está "hipoteticamente" a suceder, em determinados processos, é a "violação de deveres funcionais" por parte de alguns funcionários, salientando que a aplicação informática Citius é "absolutamente confiável".

14 março, 2018

Dizer, e quase desdizer


Não conheço pessoalmente Francisco J. Marques, nem os vários comentadores do Universo Porto da Bancada para fazer juízos de valor das suas personalidades. Tal não impede que, como todos nós, tenha uma opinião sobre cada um, do mesmo modo como eu próprio estou sujeito ao escrutínio pessoal dos leitores que por aqui comentam. É  a vida, é o preço a pagar por quem se expõe publicamente nem que seja só para escrever. Mesmo assim, não tenho problemas em dar a minha opinião.

Sobre Francisco J. Marques, não me impressiona negativamente o seu ar carrancudo, quase antipático. Cada um é como é, e a simpatia está longe de ser a maior das virtudes. Os vigaristas são por virtude ou defeito, sorridentes. O que importa relevar, e para mim é sagrado, é o facto de FJM ser a única pessoa do FCPorto que teve a coragem de desvendar, e levar à PJ um sem número de documentos que atestam e indiciam o envolvimento do Benfica no maior escândalo nacional. Nacional é verdade! Não apenas desportivo, porque os 400 milhões oferecidos pelo BES ao Benfica nada têm a ver com o desporto. Goste-se ou desgoste-se, remunerado ou não FJMarques foi quem deu a cara pelo FCPorto, ao contrário de outros com maiores responsabilidades. Por isso, dou-lhe nota máxima.

Outro dos comentadores, é o jovem arquitecto chamado Pedro Bragança. Tem uma excelente capacidade de argumentação, nalguns casos superior à do próprio Francisco J. Marques, sem receio de colocar os pontos nos iis. Portanto, dou-lhe também nota alta.

Por último, temos o ex-jornalista da RTP José Cruz. Talvez o pior dos três comentadores. É a minha opinião. E por quê? Porque, talvez por ter trabalhado muitos anos na RTP, tem um vício muito comum nos portugueses que é falar, dando uma no cravo e outra na ferradura. Mesmo quando comenta bem, estraga tudo por ter a mania de elogiar coisas e pessoas que não merecem ser elogiadas. Não é aceitável que se critique, por exemplo, a forma de jogar do Paços de Ferreira ou o comportamento do seu guarda-redes, e que a seguir venha dizer que "fez muito bem", mesmo ironizando. Ele faz isto com frequência. Há coisas que num país como Portugal, culturalmente ainda muito atrasado, têm de ser ditas com firmeza e até repúdio, senão perdem o efeito pretendido.  

O elogio só faz sentido para o que é bom, que é digno, que é positivo. Um grande futebolista só merece esse estatuto se as suas "fintas" forem executadas dentro da lei. Dar um pontapé num opositor para o ultrapassar ou simular uma falta prejudicando o adversário é deslealdade desportiva, não é uma gracinha passível de elogio. O que o guarda-redes do Paços fez é condenável, o esquema mafioso do Benfica, é condenável, o comportamento do árbitro é condenável. Nunca por nunca devem ser louvadas atitudes que desrespeitam a seriedade dos outros. Então, é natural criticar um árbitro e não um jogador? São estes critérios onde a ambiguidade assenta que descredibilizam quem os defende. 

Não é minha intenção diabolizar o José Cruz, até porque há momentos em que gosto das suas críticas, só que ele acaba por estragar tudo com aquele vício de ironizar, elogiando, que esvazia completamente o seu efeito.

Não temos de ter medo de dizer as coisas como elas são. O momento não é para brincadeiras.