Deste artigo de opinião da autoria de Luís Costa, um dos jornalistas nortenhos que mais têm remado contra a maré centralista, sobre o debate realizado pela UC e jornal 'Público' e cujo tema visava a "Comunicação Social do Porto", destaco estes parágrafos por me parecerem bastante elucidativos:16 fevereiro, 2008
Continuamos paroquianos, apesar da Bial...
Deste artigo de opinião da autoria de Luís Costa, um dos jornalistas nortenhos que mais têm remado contra a maré centralista, sobre o debate realizado pela UC e jornal 'Público' e cujo tema visava a "Comunicação Social do Porto", destaco estes parágrafos por me parecerem bastante elucidativos:1º.EXEMPLO DE "SERIEDADE"


Ontem fiz aqui um comentário ao Centralismo e aos "atalhos" da vida entre Sul e Norte. Estes casos do futebol, podem servir de paradigma ambivalente para melhor apreciar os sucessos de Pinto da Costa e do F.Clube do Porto. Se por um lado prova que apesar do Centralismo é possível ao Norte ultrapassar barreiras e vencer, por outro lado retrata que as dificuldades para o conseguir são infinitamente maiores e que isso, é fazer batota.
Ontem também, o F. Clube do Porto foi a única a equipa a jogar na 1ª. Liga. Um jogo importante, dadas as habituais dificuldades que o Marítimo da Madeira costuma colocar ao clube da nossa cidade.
Observem-se bem as primeiras páginas dos 3 diários desportivos. Só o jornal "O JOGO" (o menos mau dos três) é que dá à vitória do Futebol Clube do Porto o destaque merecido.
Os outros dois de Lisboa, da capital da 'coesão nacional', da 'seriedade', da 'isenção', do 'respeito pelas práticas democráticas', votam ao F. C. do Porto o desprezo habitual. Como se vê.
Presumo que no desporto, serão estes os exemplos a seguir para dissuadir eventuais guerrras do tipo "Norte-Sul", que para nosso espanto e como a própria definição sugere, devem ter sido despoletadas pelos energúmenos do Norte.
PS
Apesar desta desonestidade deontológica e cívica, será curioso atentar a um pormenor de refinado cinismo: a espaços (muito espaçados mesmo) estes exemplos de 'fair play' patente nas capas dos referidos jornais mudam de tom, apresentando as camisolas listadas de azul-e-branco, que é para servirem de "prova", para a eventualidade de terem de nos contradizer...
15 fevereiro, 2008
A sociedade civil e o Estado
Em teoria, o princípio até contém algum realismo porque, na verdade, é um pouco assim que deveríamos todos pensar para ultrapassarmos os múltiplos problemas que a vida sempre nos reserva, para atalhar caminhos, e estabelecermos objectivos, sem desperdício de energias.
Mas, afinal de contas não será isso, que cada um a seu jeito, procura fazer? Como noutras situações, há uns que descobrem esses atalhos mais depressa e melhor que outros, e outros há que, por variadíssimas razões, levam mais tempo ou até nunca chegam a encontrá-los. É a vida.
Mas muita calma, não confundamos a história do pai apadastrado com a história de um país orfão de quem o governe, porque isso é o mesmo que passarmos um salvo-conduto de irresponsabilidade a quem tem a obrigação de o administrar a contento de todos. Não é tarefa simples, sabemos, mas também ninguém é forçado a desempenhá-la. Só para lá vai quem quer. A partir do momento que alguém se disponibiliza para o fazer, deve estar ciente da enorme responsabilidade que a decisão acarreta porque é apenas para isso e só para isso que lhe entregamos o Poder. Para o bem e para o mal.
Numa época em que a corrupção invadiu todas as áreas da sociedade, incluindo a política e judicial, não faz muito sentido deixarmos o país entregue a si mesmo, sem uma permanente exigência de optimização das instituições públicas, sem reclamarmos igualdade de tratamento e de oportunidades.
Num país moderno e democrático, não é recomendável nem justo que a Sul os atalhos pareçam auto-estradas e que a Norte se assemelhem a caminhos de cabras e que tenhamos de fazer muito mais esforço para ter muito menos. Desistir de reclamar seriedade à governação nacional, é sermos co-responsáveis pela proliferação da mediocridade.
Os governantes têm de uma vez por todas de estar à altura do cargo que assumem. Se não estão (como é o caso em Portugal), devemos arranjar forma de os afastar do Poder. O que não podemos, é continuar a aceitar nos govêrnos, reguilas e miúdos com tantas (ir)responsabilidades. É uma insconsciência suícida!
Duas notícias positivas para o Porto
E pronto. Apesar de estar de costas voltadas para o Porto e para as dificuldades da região, concentrando poderes e compadrios em Lisboa, lá vem o oportunismo do costume: imediata colagem a quem pode projectar a imagem do Govêrno e do 1º . Ministro, com palavras de circunstância onde a bajulação supera o apoio sincero.
F. Clube do Porto lidera ranking de desempenho desportivo
Neste caso, não se pode dizer que seja uma novidade. É por demais inquestionável que Pinto da Costa é o grande obreiro deste palmarés de êxitos, sobretudo quanto tem todas as garras do centralismo em cima dele.
14 fevereiro, 2008
Os jornais desportivos e as vendas...

Ontem houve competições europeias, por isso aceita-se perfeitamente o tom "esverdeado" dos três díarios desportivos mais conhecidos, embora o Braga também tenha jogado...e nada. Cem anos depois
Isto foi escrito há 100 anos por Guerra Junqueiro, estrebuchava a Monarquia (que, a pretexto do regicídio, alguns patuscos de "blaser" e emblema da Causa Monárquica na lapela nos têm recentemente tentado vender como um eldorado perdido) nos últimos estertores.
Porque o chapéu assenta singularmente no clima social e político finissecular que de novo vivemos, "Pátria" deve ser hoje o livro mais citado na blogosfera portuguesa, onde, expulsa dos media tradicionais, se exila grande parte da massa crítica que, entre nós, ainda mexe. É um sinal, o sintoma de uma doença. Até generais já andam por aí a assumir-se publicamente como "reservas morais" da nação.
Quando a "reserva moral" já está na tropa, há boas razões de sobressalto cívico.
Manuel António Pina
(do JN)
13 fevereiro, 2008
A Democracia no futebol é um embuste

A IMPERIAL
ÁGUIA
DO
IMPERIAL
CENTRALISMO
Tenham paciência, hoje é inevitável, sou mesmo obrigado a falar de "futebol".
Contrariamente ao que pensam os avessos às baixezas do mundo futebol - que se obstinam a branquear outros mundos, bem mais obscuros - sempre aprenderiam alguma coisa se estivessem atentos ao trabalho sujo de autêntica promoção clubística, levado a cabo pelas televisões do centralismo, pouco antes da última eliminatória da Taça de Portugal.
A esses intelectuais do regime, que do alto da sua sapiência anódina garantem nada ter a aprender com o futebol, far-lhes-ia bem observarem algumas cenas ligadas a esse mundo para, pelo menos, não fazerem figura de patetas quando desatam a dissertar sobre a ordem cívica e a democracia.
A SIC (e não só), que em matéria de futebol anda, nas barbas do país, anos a fio a borrifar-se para os valores da democracia , quase transformou um simples jogo da Taça de Portugal, entre o Benfica e o Paços de Ferreira, numa final da Liga dos Campeões...
Embora possamos compreender a ansiedade dos apaniguados do clube símbolo do Centralismo que não consegue traduzir os mitos de que se alimenta em realidades, é inadmissível que se deixe passar impune a pressão a que os jornalistas da SIC sujeitaram o árbitro da partida, de mais a mais, por se tratar de alguém que está envolvido no processo Apito Dourado, acusado de ter prejudicado o Benfica.
O resultado foi o que se viu, porque a televisão mostrou, o árbitro favoreceu descaradamente a equipa de Lisboa e deu-lhe de bandeja, a passagem à próxima eliminatória!
Então, e os senhores procuradores, não vêem estas coisas? De que estão à espera para abrir um processo? Se é de uma queixa, eu próprio a faço, estejam à vontade, é só dizê-lo.
E então o que anda a Dra. Maria José Morgado a fazer que ainda não decidiu abrir um processo a Luís Filipe Vieira, a quem tivemos oportunidade de ouvir negociar um árbitro com Valentim Loureiro? Mas, andam a fazer de nós parvos, procurando convencer-nos que toda esta roda-viva à volta de Pinto da Costa é apenas uma questão de Justiça? Querem mesmo que acreditemos nisso?
E então, que dizer da tão badalada promiscuidade entre política e futebol, quando ainda ontem as televisões não tiveram qualquer tipo de pudor em filmar uma homenagem em Bruxelas os comovidos políticos da família benfiquista (como se isso fosse uma honra) se deleitavam a tecer loas ao Benfica com lágrimas, suspiros e abraços como se estivessem a praticar o acto mais inocente do Mundo?
Imaginam por um momento, se esta propaganda nojenta fosse feita ao F.Clube do Porto? Imaginam mesmo? Apesar de a merecer muito mais, seria um escândalo nacional e às tantas, razão suficiente para abrir um outro processo.
E o doutor Rui Rio, não se pronuncia em relação a esta promiscuidade? Ó pronuncias, isso, só se fosse com o F. Clube do Porto. Que rico líder. Votem outra vez nele meus senhores, e chamem-lhe honesto...
12 fevereiro, 2008
A Democracia e os homens
Confesso, que não consigo ser muito tolerante para com os empatas. Não é pelo gosto mesquinho de estar (como alguns), sistematicamente no contra, mas prefiro as pessoas que não temem fazer a diferença, que assumem a coragem de passar pela "tesoura" dos compadres da paz pôdre e do laissez faire , laissez passer.
Por isso, admiro António Marinho Pinto, pela forma desassombrada e despretensiosa como assumiu o cargo de bastonário da Ordem dos Advogados. Posso estar enganado, mas este homem inspira-me confiança. Fala simples e com a persuasão que só a sinceridade empresta às palavras. Depois, é realmente honesto. Não há nada que diga que nos faça desconfiar, tal é o desprendimento que revela para com os interesses e as tradicionais cumplicidades corporativas da classe profissional a que pertence.
Como não é um homem comum, e como estamos num país que tem por mau costume premiar os medíocres, não sei se terá grandes hipóteses de sobrevivência. O poder económico não se compadece com questões de carácter e quando incomodado, não perde muito tempo até demolir quem ousa fazê-lo. Depois, lá se encarrega de contratar sem dificuldade os videirinhos da ordem devidamente treinados na arte de simular respeitabilidade para "provarem" à população que o "outro" é que não prestava. Era populista e demagogo...Eles, não.
Começo a ter sérias reservas em relação a qualquer mudança política. Sem gente séria e intelectualmente qualificada, não dou grande interesse ao género de regime.
A democracia para valer como ideal, tem de arranjar sistemas capazes de se auto-purgar com eficácia dos oportunistas e parasitas. Sem isso, os regimes podem mudar, mas as môscas continuarão a gravitar sempre à volta do seu habitat natural.
11 fevereiro, 2008
Timor e as lágrimas de crocodilo
Entrevistas, debates, fóruns de todos os tipos feitios, fazem as caixas registadoras das audiências subir para patamares invejáveis. Vamos ter de aturar outra vez as opiniões dos estrategas do regime.
Nos próximos tempos não vamos ouvir falar de outra coisa. Os nossos governantes, que na nossa cara, têm desprezado os interesses regionais e engordado com desprezível egoísmo a região do vale do Tejo, vão mais uma vez começar a dar chow com a hipocrisia do costume para com o povo de Timor. O useiro fado da falsidade.
"Simetrias"económicas e sociais...
Comparadas todas as benesses de que gozam os nossos deputados (vencimentos incluídos), com os resultados práticos da sua actividade na vida dos cidadãos, compreende-se melhor o por quê da nossa estagnação.
Para funcionarem como todos desejaríamos, os deputados precisavam de sentir na pele algumas das muitas dificuldades que a população atravessa. Não é com estas mordomias sem retorno para o povo que as coisas vão mudar. Demagogia - dirão os atingidos. Pudera. Que razões objectivas têm eles para se queixarem, se não as de contrariarem quem já lhes viu o ......?
Não resisto a dizê-lo, mas perante estas 'aberrações-escândaleiras-provocações' morais e económicas, sempre que um destes meninos abrisse a boca para nos acusar de demagogos ou populistas - como agora gostam de argumentar - Nossa Senhora de Fátima (ou outra santa qualquer) devia mostrar aos crentes que afinal existe, que de facto sabe fazer milagres. Milagres com sabor a Justiça, capazes de fazer recair sobre estes pardais e respectivas famílias, a realidade vivida por reformados e sobreviventes do Rendimento Social de Inserção, para aprenderem a ser gente. Por fora, mas sobretudo, por dentro.
Assim, parecem-se mais com aquela pequena mistura de café com leite a que em Lisboa chamam estupidamente "garôtos", mas que neste caso concreto encaixa na perfeição...
08 fevereiro, 2008
Para alguns barões, isto é demagogia
Que bom seria, se zarpassem da cidade e fossem pregar para outras freguesias.
Porto, esse covil de malfeitores...
A senhora procuradora Maria José Morgado, responsável pela investigação do processo "Apito Dourado", considerou vergonhoso o trabalho do DIAP/Porto e acusou a equipa da Polícia Judiciária local, de não ter tomado as medidas adequadas para a descoberta de provas, relativamente à agressão do ex-vereador da Câmara de Gondomar, Ricardo Bexiga.Estas afirmações, não seriam tão preocupantes, se a mediática magistrada não tivesse por hábito enfatizar as supostas incompetências, tanto da procuradoria como da PJ do Porto, que lhe antecederam nas investigações, de forma a levar-nos a deduzir que se o processo tivesse sido orientado de início pela sua equipa, não teria sido arquivado.
Modéstia e contenção - tão reclamadas nestas situações - é coisa com a qual a senhora procuradora convive mal, o que lhe confere exagerada presunção quanto às suas próprias capacidades. Nem a recente "escorregadela" do actual Director Nacional da Polícia Judiciária (também ele do Porto) por ter admitido alguma precipitação no caso "Maddie" bastou para a senhora procuradora se conter e resistir à tentação de se pronunciar sobre um processo, do qual, ao que parece, esperaria um outro desfecho.
Agora, vamos lá ver se neste caso as donzelas do costume saem a terreiro a exigir a demissão desta idolatrada (pelas famílias de cores garridas) "dama de ferro", porque estas declarações, na minha opinião, são bem mais insinuantes do que as de Alípio Ribeiro.
O que começa a tornar-se grave, nas declarações públicas de M. José Morgado, é a imagem de menoridade que implicitamente vem dando da Instituições do Porto (Procuradoria e PJ), o que não deixa de se estranhar, tanto mais que em matéria de celeridade e eficácia de investigação criminal as equipas que acompanharam os processos "Casa Pia" e "Maddie" não foram propriamente um exemplo e, que conste, não são do Porto...
Senhora Procuradora: nós queremos que se faça Justiça, mas fale-nos um pouco mais dos casos "Casa Pia" e "Maddie". Ambos continuam em branco. Ambos, contribuiram para a destruição da vida de crianças e ainda não há julgamento, nem castigo.
07 fevereiro, 2008
Mas que Júdic(e)oso...
Esta crítica do antigo bastonário da OA, José Miguel Júdice, ao actual, A. Marinho Pinto, apesar de politica e corporativamente (in)correcta, tem duas grandes virtudes:1º. mostra-nos um dos (muitos) rostos de quem odeia a mudança, e de quem quer - à custa de lugares comuns, opacos e bolorentos - manter tudo como está (e está péssimo).
2º. indentifica-nos com mais clareza, um dos "alvos" da nossa desconfiança...
A falta de vergonha
O general que dirige o Observatório de Segurança alerta para a chegada de uma explosão social e para a ocorrência de movimentos de cidadãos insatisfeitos
O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.
É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).
Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.
O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.
Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor.
Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.
Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em D.R.
Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.
Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.
Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.
É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.
Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.
É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!
Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos.
Garcia LeandroCom estes portuenses o Porto é Porto, o resto, é "espionagem"
O meio ministério da Inovação (a outra metade é da Economia), inventor desse incomparável provincianismo consubstanciado no Allgarve, brindou-nos com nova campanha de promoção turística.Segundo li, o objectivo é "vender Portugal como a Costa Oeste da Europa". Ou, traduzindo "The West Coast of Europe". A ideia, produzida pelas mentalidades típicas da capital que há um século e meio nos coloca na cauda da Europa, é sofisticada o país da modernidade e da mudança até é capaz de alterar a geografia. Redesenhar os mapas. Basta de sermos um país do Sul. Daí são a Espanha, a Itália e o Chipre (e por que não a Croácia, Malta, a Albânia?).
Sendo maus alunos de Geografia, estão obviamente confundidos: querendo, porventura, significar mediterrânico, esqueceram-se do Sul de França. Abaixo, pois, o Sul! Os países do Sul são atrasados, digo eu. "Temos de sair do Sul", escrevia o responsável pela Campanha, acrescentando que o Oeste, onde o país foi geoestratégica e turisticamente reposicionado, é o "símbolo do desenvolvimento e da democracia". Além de mudarem a geografia, os transformadores da realidade alteraram a História.
O símbolo da Democracia de que falam não é a civilização grega, porque do Sul, e o desenvolvimento não são os países do Norte da Europa, o Canadá ou os States. Nada disso. A Oeste. Reformule-se, portanto, tudo quanto pensávamos.
Mas o mais espampanante é a escolha dos novos símbolos da portugalidade. Os nossos ícones. As imagens de marca que nos representam Cristiano Ronaldo, Mourinho, Mariza, acompanhados de et ceteras que, salvo a Vanessa Fernandes, ninguém conhece. Nem de vista nem de ouvido - gente certamente escolhida pela proximidade da capital.
Para aumentar o pendão internacionalista, as fotografias - como nesta Costa Oeste não há fotógrafos - são de um estrangeiro (by Nick Night, dizem os enormes painéis ou outdoors com que o Terreiro do Paço inundou as capitais europeias, levando-lhes a luz da sua Civilização - novo farol do Ocidente, perdão, da West Coast).Como temos de sair do Sul, custe o que custar, nem que seja desmantelando o espírito do país, alteraram também as cores que o representavam. Portugal já não é verde, vermelho, ocre, rosa (havia um chamado "rosa Portugal", para esta gente parolo e reaccionário), amarelo, castanho. Já não é sol, nem luz, nem Sul. Agora é azul (desmaiado) e branco. É nórdico. Além da Califórnia (The West Coast, mas com dois milhões de pobres), os transformadores querem-nos da Finlândia, dos gelos e neves. Desmaiados.
Somos portanto nórdicos, mas sem a Nokia ou a Ikea e apenas com os despojos de um país que substitui Camões, Garrett, António Vieira, Verney, Gama, Cabral, Ribeiro Sanches, Magalhães, Eça, Pessoa, Vieira da Silva, Saramago e muitas mais inutilidades. Um país que está a ser transformado em sucedâneo de si próprio, representado por futebolistas, fadistas e etc..
À cultura e à História sucede o pontapé, a corrida, a estratégia da bola e o gorgeio plangente. Decididamente, a capital do centralismo só nos dá anedotas depois de, através do mais monumental tiro no pé da incompetência mediática, ter feito eleger como o grande, o maior português, um ditador que compôs as finanças, mas nos fez atrasar décadas em relação ao Mundo, lança agora, como estratégia de afirmação, um país virtual, estranho a tudo quanto somos.
O pior é que, além de utilizar os outdoors para poluir a paisagem e a Imprensa lá de fora, dando de nós a imagem de um Sul parolo a fingir que não é, esta campanha cobriu, de alto a baixo, um dos mais belos edifícios do Porto o Paço Episcopal. A nobreza barroca, a elegância talvez nasoniana daquele magnífico monumento, viu-se travestida com os retratos do Cristiano Ronaldo e da Mariza (sem menosprezo por eles, que não têm culpa destas mirabolâncias de quem tem posses para comer sardinha e quer passar por comer lagosta).
Lá do céu, onde paira, o notável bispo D. João Rafael de Mendonça, cujo amor à arte impulsionou a construção do Paço, a estas horas, deve estar a comentar aturdido para os anjos que o rodeiam: "Meu Deus! No que este país está a transformar-se!"
Quanto ao resto, por mim, que sou nortenho e, para o que vejo, conservador e nunca me senti inferiorizado no Atlântico Sul, prefiro Camões e um outro Portugal a este que nos tentam impingir.
PROCURADORIA CENTRALISTA
Hoje, é isto que "anima" o JN, sem preocupações aparentes com acontecimentos bem mais graves, ocorridos com adeptos de clubes de Lisboa, como foi o caso da navalhada benfiquista a um adepto do Vitória de Guimarães, ou com os incidentes no estádio da Luz provocados pelas claques benfiquistas que atiraram novamente tochas para o relvado onde permaneciam crianças.
Parece que a procuradoria descobriu no Porto um tónico para se recompor das suas próprias asneirolas, ciente que está do lado onde está a força (e o poder), que continua a ser a capital. Mas, se for assim, não está a mostrar a imparcialidade exigível às suas funções, acabando por ser cumplíce pelo estado pré-caótico que o país atravessa.
06 fevereiro, 2008
Será para aumentar o ordenado de Constâncio?
Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta .. Este "imposto" (é mesmo uma imposição,e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.
Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.
Já vai para cima de 100 000 !!!
http://www.PetitionOnline.com/bancatms/
04 fevereiro, 2008
"Porto Cidade Região”. E a informação?
Teremos naturalmente que esperar pela redacção das suas conclusões para uma percepção clara do peso que algumas extracções entretanto feitas pelos órgãos de comunicação social terão no relatório final, desde logo o relatado consenso à volta da necessidade da Regionalização que, com a completa conversão de sectores anteriormente renitentes, como é o exemplo de Rui Rio, daqui só pode sair reforçada.
O que motiva este meu impulso para intervir no espaço público é a ausência deste encontro de um tema que penso incontornável, quer pensando no desenvolvimento económico e social strictu sensus da região quer na Regionalização: o da informação/comunicação social.
Tenho a certeza de que é um sector absolutamente estratégico, custa-me perceber que ele não tenha estado no centro das reflexões deste considerável conjunto de “massa crítica” reunido para debater o futuro regional, o nosso futuro.
Dois vectores, entre outros, possíveis de avocar para perceber a importância da informação/comunicação para o desenvolvimento regional.
A identidade. A comunhão de interesses, a proximidade social e uma definição cultural mínima são pontos centrais para se ganhar a opinião pública para um projecto tão estrutural e ao mesmo tempo polémico como é a Regionalização. Explicar as vantagens económicas e sociais da constituição em Região, relevar o conjunto de características e de costumes que unem as populações e aprofundar a cultura que faz a diferença com outras regiões não podem deixar de ser objectivos dos defensores do processo político que levará até à Regionalização (com ou sem referendo).
A propriedade e os conteúdos: Em que terreno se fará esta autêntica batalha ideológica em prol da Região Norte? Claramente na comunicação social. E quem domina a comunicação social, na sua propriedade na opinião publicada? Não são claramente adeptos da Regionalização ou sequer de uma descentralização políticio-administrativa minimamente séria.
Este tem sido um terreno (a par do sector bancário) em que o centralismo nunca facilitou.
Desde a atribuição das rádios regionais, com a derrota da Rádio Nova em favor de uma Rádio Press que não passou de um instrumento para chegar ao que é hoje a cadeia TSF, que nunca cumpriu o espírito de uma Lei que na sua origem apontava para a existência de uma emissora regional (onde está ela?); passando pela privatização do “Jornal de Notícias”, primeiro negado ao comendador Gonçalves Gomes que quis comprá-lo e de pois literalmente “roubado” à cooperativa dos seus jornalistas que tinha o apoio do Grupo Amorim; pela atribuição das licenças de TV privadas, com a Sonae a ser preterida em favor da Igreja, que depois, como era previsível, não aguentou o projecto e passou-o a terceiros; o fecho da NTV, em que a opção política se sobrepôs claramente ao interesse regional; com a recente venda do conjunto de publicações do grupo Lusomundo em que uma vez mais a Sonae ficou para trás…
E se formos aos conteúdos, onde está a expressão regionalista nas colunas ou nos espaços opinativos das rádios e das televisões? Contam-se pelos dedos os colunistas claramente comprometidos com opções regionalistas e a muitas vezes acantonados em edições locais… Passemos mentalmente em revista jornais, rádios e televisões nacionais (é claro que o conceito “nacional” se confunde com sede em Lisboa) e é fácil concluir que o Porto e Norte estão esmagadoramente arredados desses espaços e as poucas excepções a este 3º Encontro Porto Cidade Região,ostracismo estão confinadas ao futebol ou a programas de entretenimento fora dos horários nobres.
E lembremos o que foi acontecendo com as em tempos poderosas delegações do “Expresso” ou do “DN”, ou das hoje inexistentes representações institucionais do “Semanário” ou do “Sol”; da não surpreendente falta de peso nos noticiários nacionais das delegações da SIC ou da TVI e mesmo da incerteza do que será a produção informativa da RTP (seja para a “N” ou para os jornais nacionais)… O “Público” é um jornal com natural vocação nacional com espaço reduzido para a informação local ou regional e o “JN”, com o respeito devido ao seu êxito comercial, perde-se entre o seu mercado natural (regional) e uma ambição nacional que o próprio mercado se vai encarregando de negar todos os dias (já agora, será natural que o actual paradigma do jornal do Norte esteja em simultâneo desavindo com o presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto e tenha tão “má consciência” em relação ao FC Porto?).
E a questão que fica para os intervenientes no 3º Encontro Porto Cidade Região é simples: em que meios vão ter espaço para explanar e expor consistentemente as suas ideias? Não foi o Norte pujante quando tinha o “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” interventivos, sem complexos e claramente ao serviço da população do Porto e da Região? No preâmbulo da República, durante o Estado Novo ou no “Verão Quente” foi nas suas páginas que as principais figuras portuenses encontraram espaço para a sua opinião e para as sementes da mudança ou da resistência.
Em que jornal, rádio ou televisão não é preciso mendigar espaço para defender a Regionalização ou ser “politicamente incorrecto” para com o centralismo? E as autarquias? As suas iniciativas, o seu dia a dia, que é o do cidadão comum, não merecem espaço digno, mais do que as parcas colunas das “Regiões” ou da “Província” onde sai arrumadas para não parecer mal?
O exemplo da comunicação social regional por toda a Espanha devia ser um exemplo e uma prova da vitalidade de projectos absolutamente viáveis e, repito, indispensáveis à afirmação regionalista.
Rogério Gomes
(texto publicado no Local/Porto do "PÚBLICO" de 01.02.2008
NOTA:
considero este tema da "Comunicação Social/Informação" sempre actual e pertinente. É, um dos principais responsáveis pela perda de protagonismo do Norte do país e do Porto, a nível nacional e internacional.
Em todos os espaços de debate público em que participei, nunca deixei de enfatizar este problema, por ter estado sempre seguro do pêso e da influência que teve na decadência social e económica da região.
Por isso, não me entusiasmo por aí além, com as benfeitorias empresariais dos Belmiros e dos Amorins, que descuraram completamente este "furo" na economia local e não lhe souberam dar o "combustível" (capital /autonomia) e o apoio exigíveis...
Joaquim Oliveira, um "homem do Norte", fê-lo, mas para seu próprio proveito na direcção errada, com a maioria das sedes e dos centros de decisão das suas empresas de comunicação reforçados em Lisboa. Por aqui se comprova, que a iniciativa privada não é de todo remédio garantido, quando o Estado é doente.
Ontem, como hoje, o carácter dos homens é a melhor garantia de sucesso para as grandes causas , a única que realmente conta. Nem a iniciativa privada, nem o Estado contam para grande coisa se despojados de ideais.
Rui Valente
02 fevereiro, 2008
Se o Porto seguisse Gaia...
Vem isto a propósito da decisão da CM de Gaia de demolir as casas e casebres na encosta do mosteiro da Serra do Pilar. Pessoalmente esta medida enche-me de satisfação. Faço parte das pessoas que adoram bairros ou cidades antigas, desde que apresentem dignidade, beleza estética, limpeza e, se possível, um ambiente histórico. Tenho feito milhares de quilometros unicamente com essa finalidade. Quem negará a beleza indescritível que se respira nas ruelas de Compostela, Salamanca, Toledo, Córdoba ou Guimarães, ou em pueblos pouco conhecidos como Pedraza de la Sierra, La Alberca, Baeza, Covarrubias, Santillana del Mar, nomes a que se poderá acrescentar as portuguesas Sortelha, Monsanto, Linhares da Beira, e tantos outros?
O estado actual das escarpas sobre o Douro, no Porto e em Gaia é, em minha opinião, uma vergonha. Geológicamente impróprias para construções incipientes, esteticamente um desastre, e socialmente uma chaga.
Sonho em ver requalificadas as duas marginais do Douro, oferecendo um "estojo" adequado a um rio fantástico como esse. Fico com a esperança que esta demolição seja o "pontapé de saída" para a concretização desse sonho. Se arquitectos, paisagistas, autarcas (dos dois lados do rio), instituições, sociedade civil de um modo geral, focassem a sua atenção nessa área, reconhecendo a necessidade de mudança, alvitrando soluções, discutindo alternativas, talvez daqui a uma dúzia de anos nos pudéssemos sentir orgulhosos da nossa marginal.
01 fevereiro, 2008
As víboras do "compadrio" já começaram o cerco!
Esta irritante agitação, à volta das declarações do actual Bastonário da Ordem dos Advogados, com a (previsível) vinda a terreiro das primas-donas da corporação, manifestando-se "ofendidas" com o seu teor, sem que nada o justifique, tem apesar disso, uma serventia: a de, eventualmente, mostrar o verdadeiro rosto de quem teme a revelação pública dos seus próprios "rabos de palha". Estranhamente, há demasiada gente incomodada quando, afinal, devia manter-se tranquila, se não mesmo animada com alguém que finalmente põe o dedo na ferida e revela vontade de acabar com esta paz podre em que tem vivido a justiça portuguesa.31 janeiro, 2008
PACHECO PEREIRA
Não viu, não ouviu e não quer saber.
As barbaridades (crimes) praticadas por alguns marginais, só o acordam e incomodam quando acontecem no Porto. Ontem, na "Quadratura do Círculo",não tossiu nem mugiu. Nada.
O costume. Aprendam a conhecê-lo, meus senhores.
Litério Marques

Homem simples, frontal e lutador, deu uma lição a muitos dos seus petulantes pares, que confundem a cadeira da Câmara com poleiros para soberanias mais pomposas...
Mostrou, sem complexos ou clichés intelectualóides, como se deve representar e lutar pelas populações que lhe deram o mandato da Presidência da Câmara de Anadia, e protestou ao seu lado, mesmo submetendo-se ao ferrete do labéu "demagógico" dos "politicamente correctos". E venceu.
Não é, mas se a sua actuação fosse realmente populista" (adjectivo
muito útil), seria caso para dizermos: "bendito populismo"
Litério Marques









