O Porto esteve sempre ligado a acontecimentos de maior relevo da História nacional. Na génese do nome do país (Portucale)foi berço do Infante D. Henrique e fiel depositário do coração de D. Pedro IV em homenagem aos tripeiros pelo contributo prestado à causa liberal. Factos históricos que, repetidamente os governos centralistas parecem desprezar. É tempo de exigirmos o respeito que nos é devido.
O Renovar o Porto está contigo com a mesma determinação irreversível que está contra todos os que te invejam, caluniam e perseguem.
O monstro é enorme, tem os tentáculos de um polvo, mas é cobarde e fraco. Tem dois nomes. Quando quer dar-se ares de importante, chama-se centralismo. Quando veste aquele equipamento desportivo de um vermelho côr de horror, chama-se Benfica.
Os portugueses lembram-se, ou talvez não, dos governos, incluindo o actual, que mandaram abater barcos de pesca para não haver mais pescado !
E lembram-se que se pagou e se deram reformas aos agricultores para não produzirem !
Mandaram arrancar vinhas, oliveiras e atribuíram subsídios chorudos para não se semear o trigo e outros cereais !
Actualmente somos muito mais dependentes dos produtos de 1ª necessidade do que éramos há 30 anos atrás e temos somente metade da área cultivada com cereais, desde que entramos na união europeia.
Os governantes portugueses preferiram dar o peixe em vez de dar a cana e aí estão os resultados.
Diz a Caritas e acreditamos que existe um grande risco de FOME em Portugal! Não só há um grande risco como para muitos portugueses já é uma realidade !
E que faz este governo para tentar ultrapassar ou minorar estes possíveis riscos ? NADA !.
Le vrai champ et sujet de l'imposture sont les choses inconnues. D'autant qu'en premier lieu l'étrangeté même donne du crédit ; et puis, n'étant point sujettes à nos discours ordinaires, elles nous ôtent le moyen de les combattre. A cette cause, dit Platon, est-il bien plus aisé de satisfaire parlant de la nature des Dieux que de la nature des hommes, parce que l'ignorance des auditeurs prête une belle et large carrière et toute liberté au maniement d'une matière cachée. Il advient de là qu'il n'est rien cru si fermement que ce qu'on sait le moins, ni gens si assurés que ceux qui nous content des fables, comme alchimistes, pronostiqueurs, judiciaires, chiromanciens, médecins, "id genus omne".
"(Michel de Montaigne)
*Bom dia!
(Fonte: Abrupto de José Pacheco Pereira)
TRADUÇÃO DE RENOVAR O PORTO
1293
O verdadeiro campo e motivo da impostura são as coisas desconhecidas. Tanto que em primeiro lugar até a estranheza confere credibilidade ; e depois, não estando sujeitas aos nossos discursos vulgares, elas tiram-nos o meio de as combater. A este propósito, diz Platão, é bem mais fácil agradar falando da natureza dos Deuses que da natureza dos homens, porque a ignorância dos auditores empresta uma bela e grande carreira e toda a liberdade para o manuseamento de uma matéria escondida. Daí sucede que nada foi descoberto tão firmemente que o que sabemos menos, nem pessoas tão seguras como aquelas que nos contam fábulas, como alquimistas, profetas, astrólogos, quiromantes, médicos, "toda essa classe".
É sabida a alergia que Pacheco Pereira tem aos populismos, só lhe falta confessar igual aversão ao que é popular . Talvez isso explique melhor textos como este, o mundo surrealista em que se move e a estranha noção do país em que vive.
Não é tanto a profundidade do texto original de Michel de Montaigne que justifica a minha decisão de fazer a sua tradução do francês arcaico para a nossa língua, mas o facto de em Portugal ainda ser o português o idioma que toda a gente entende...
Todos devem estar lembrados dos venturosos anos oitenta, aí entre 1985 / 87 e depois, entre 1987 e 1995, em que Mira Amaral foi respectivamente ministro do Trabalho e Segurança Social e Ministro da Indústria e Energia. Nesses tempos, o progresso social foi de tal forma sentido, tão extasiante, que o povo chegou a manifestar-se nas ruas, com cânticos de reconhecimento e homenagem ao senhor Engº. Mira Amaral pelo contributo prestado à melhoria da qualidade de vida. Inesquecível! Recordam-se? Não? Ó diabo, eu também não. Mas, devíamos, sabem?
Devíamos, porque todas as manhãs o senhor ex-ministro quando faz a barba e se olha ao espelho, vê um rosto e uma personagem que não é a dele. O que ele vê é o tal ministro amado e gratificado pelo povo de que ninguém se lembra, porque simplesmente não existiu. Foi mais um, entre muitos outros, que nada trouxe ao país de verdadeiramente relevante.
O lado mais desprezível de alguns políticos ou ex-políticos (afinal, eles nunca chegam a desligar-se da política) é exactamente esse: o da arrogância e do autismo. E este, não foge ao perfil.
Há dias, interpelado por um jornalista para comentar as declarações do músico Bob Geldof que tinha afirmado (aquilo que todas a gente sabe, mas cala) que Angola era governada por criminosos, o luzidio ex-ministro dedicou palavras tão desprezíveis ao músico que parecia estar a falar de um atrasado mental.
Acontece, que se Bob Geldof não é nem foi nenhum Messias da humanidade, Mira Amaral não passa de mais um irrelevante ex-político português, desconhecido para o Mundo, que no seguimento de outros colegas seus conduziu melhor a sua vidinha pessoal do que aquela outra para a qual foi eleito ministro: a do povo.
Bob Geldof é apenas um músico dos anos 70, algo polémico (haverá contestário não polémico?), que apesar da pedantice do senhor Mira Amaral fez mais pela Humanidade do que ele. E é músico. Mira Amaral foi ministro.
Bob Geldof foi (juntamente com Bono, dos U2, Paul MacCartney e Boy George), o responsável pelo recrutamento de músicos para editar um single com fins de caridade contra a fome na Etiópia. Foi promotor e organizador do concerto Live Aid para angariação de fundos, percorrendo o mundo a defender a causa contra a fome. Recebeu imensos prémios, chegando a ser nomeado para prémio Nobel da Paz. Enfim, não fez milagres, mas foi consequente e solidário.
E o senhor Mira Amaral? Fez mais e melhor pela população que lhe conferiu o poder? Sem demagogia, claro (como é confortável esta palavrinha), mas fez?
Convenhamos, seria realista vermos um ex-ministro resistir à tentação de minimizar declarações que estão mais próximas da verdade do que da mentira, sabendo que o seu principesco emprego de presidente do Banco BIC em Portugal podia ir pelo cano abaixo?
Quero acreditar que o senhor ex-Ministro Mira Amaral só não concordou com as palavras de Bob Geldof por obrigação de defesa dos altos interesses nacionais. Nunca em defesa dos seus. Só pode...
Quando há pessoas que desperdiçam o seu tempo a falar em personagens deste jaez, que não conseguem ter uma ideia governativa para o país um metro para lá da sua (de)formação economicista, que nem sequer se dão ao cuidado de pousar o olhos para outro ponto que não Lisboa, como querem não ser também responsabilizadas pelo estado a que chegamos?
Pela amostra temos uma ideia perfeita dos padrões de exigência das chamadas elites "nacionais".
Então ainda ninguém percebeu que as elites são contrárias à evolução?
1 - Suponho haver um alargado consenso sobre o lamentável estado a que chegou a justiça em Portugal. Nenhum dos parceiros intervenientes poderá lavar as mãos ou declarar-se inocente, muito menos os magistrados.
É conhecido o corporativismo que reina nesta classe profissional ( e não só...) ou seja a defesa intransigente e egoista das suas regalias, que são colocadas acima de quaisquer outras considerações, incluindo o bem público.
A recente nomeação de um polícia de carreira para Director Naciononal da Polícia Judiciária, isto é, de alguém que não pertence à panelinha, desencadeou uma violenta reacção dos senhores magistrados em serviço na PJ, com múltiplos pedidos de demissão porque, como disse um deles ( aliás o número dois da hierarquia) "por uma questão de estatuto não podia ficar na dependência hierárquica de um elemento policial." Parece confirmar-se que reformar seriamente a justiça é tarefa ciclópica só ao alcance de um Hércules que por enquanto não se vê no horizonte.
Assim continuaremos a conviver com a lamentável prescrição de processos, em número superior a um milhar por ano, e com uma situação permanente de injustiça, pois que como disse um infante real há séculos atrás ao rei de Portugal seu irmão, "justiça que chegua a horas é justiça, mas justiça que tarda é injustiça". Não garanto o rigor da transcrição mas a ideia era esta. O que também mostra que este problema da justiça é endémico no nosso país...
2 - O caso da ameaça de desaparição da Brasileira é, para mim, um caso paradigmático. Os contornos da ameaça são conhecidos, dispenso-me de os repetir.
Todo e qualquer portuense, mesmo os que, como eu, habitualmente não frequentam a Brasileira sentiriam o desaparecimento deste emblemático café como mais uma machadada na nossa sacrificada cidade. Valeu a circunstância de o banco envolvido ser o BPI, com sede na nossa cidade, e o facto de um portuense ilustre - Dr.Artur Santos Silva - ter nele a influência necessária para que a solução encontrada não originasse mais uma perda de património cultural portuense. Imaginemos que o banco envolvido era outro, daqueles que têm o poder decisório em Lisboa. O problema sentimental do Porto não seria nem compreendido nem respeitado, e não tenho qualquer dúvida que a solução encontrada seria fria e impessoal, e significaria a morte da Brasileira.
Este é um exemplo que deveria ser meditado por aqueles que não querem compreender como o centralismo em que vivemos é perverso para o resto do país, e como é importante que os centros de decisão de matérias que interessam ao dia a dia das populações, estejam na sua proximidade e nas mãos de pessoas com sensibilidade para decidir.
Tenho todo o respeito por quem - apesar do cenário real aqui exposto no post anterior -, ainda acredita nos mecanismos desta democracia e por isso o meu cepticismo não deve ser interpretado como uma crítica indirecta a quem tem essa posição.
Há quem, por fé religiosa, acredite que a fé move montanhas, que faz mesmo milagres, mas com toda a franqueza, tenho fundadas dúvidas para estender essa crença ao destino dos povos.
Acredito sim, que o destino dos povos depende da qualidade dos povos. Um povo terá grandes governantes se o seu grau de exigência em relação a si e a estes for elevado.
Custa-me a acreditar que num bordel democrático a democracia surta qualquer efeito. Não por causa da democracia nem dos seus princípios, mas pelos frequentadores do bordel.
Presos ao ferrete da democracia, os povos assistem meio resignados meio revoltados, a todas as aberrações que ela permite, sem compreenderem bem a substância do princípio que lhes garante ser ela o governo no qual, o poder e a responsabilidade cívica são exercidos pelos cidadãos, directamente ou através dos seus representantes.
A incompreensão só surge quando o povo é confrontado com demasiada frequência com comportamentos da parte dos seus representantes completamente contrários às suas perspectivas e anseios. Nessa altura, percebe finalmente que os poderes que o citado princípio democrático lhe garante pecam por demasiado teóricos e com resultados altamente duvidosos.
Deve ser esse estigma democrático que leva muita gente a predispôr-se e continuar a aceitar sucessivos incumprimentos e deslealdades por parte dos seus representantes e govêrnos. Uma vez eleitos (esta é outra vicissitude democrática), os governantes assimilam imediatamente a ideia de que lhes é permitido tudo, incluindo mentir a quem os honrou com a eleição.
Aquilo de que o Renovar o Porto mais tem falado, é do Centralismo, um perfeito tumor em qualquer regime, mas que em Democracia corre o risco de suscitar separatismos dispensáveis e até novos regimes ditatoriais. Há quem (irresponsavelmente) defenda que a adesão de Portugal à União Europeia o coloca ao abrigo de qualquer "inconveniência" anti-regimental desse tipo, esquecendo aquela sábia e sensata profecia que lembra que os acordos se fizeram para não serem cumpridos...
O cerne da nossa questão não passa apenas pelos partidos políticos, pela democracia, pelo centralismo versus regionalização, tem antes a ver se estamos ou não dispostos a permitir que a democracia seja uma espécie de desporto político onde o jogo sujo faz escola.
Os mecanismos de controle democrático (recordo para quem se esqueceu que"demos" significa povo) têm de ser aperfeiçoados nomeadamente sobre o desempenho da actividade governativa. Caso contrário, podem crer, continuaremos a discutir o sexo dos anjos e não política. E isso, acreditem, é exactamente o que pretende um número muito considerável dos políticos da nossa aldeia.
Esquadras de Polícia envelhecidas, sem condições nem segurança
Polícias que arriscam vidas, prendem criminosos perigosos, para o Juíz os libertar a seguir
Tribunais a ruir de podres e com espaços exíguos apinhados de processos
Tribunais sem equipamento informático adequado às exigências de hoje
Demissões de Procuradores G. da República
Demissões de Directores Gerais da Polícia Judiciária
Confusões (ou crises de autoridade) entre magistrados e inspectores da PJ
Ciumeira e traição no seio dos partidos do poder
Carjacking em franca expansão
Hiper-concentração do investimento público na capital
Desertificação do interior do Porto e consequente empobrecimento
Inépcia e marasmo da gestão da Câmara Municipal do Porto
Falta de liderança e elevação governativa a nível nacional
Crescente ausência de valores sociais e éticos
Direitos dos trabalhadores ameaçados
Escolas com professores sem autoridade e alunos sem educação familiar
Fosso entre pobres e ricos mais acentuado com os primeiros a aumentar
Escândalos económico-financeiros na Banca
Compadrio politico entre empresas privadas e ex-governantes
Há, mais. Mas para já, chega! Não quero provocar um enfarte em ninguém. Verdade, ou ficção? Pessimismo? Talvez. Mas, se for oportuno serão capazes de me explicar aonde é que ele está?
Tudo isto é real, tudo isto continua a acontecer e a entranhar-se nos "brandos costumes" deste país com a cumplicidade dos "optimistas" conservadores do regime.
Bem; às tantas, o problema está em mim. Talvez tenha tido um pesadêlo e cada uma das alíneas acima referenciadas não tenham correspondência com a realidade. Afinal, o nosso 1º. Ministro é quem sabe, e o seu já famoso dêdo em riste é o melhor fiel de balança do seu sucesso, que naturalmente é também o nosso. A vida é bela em Portugal.
A propósito, lembrei-me agora de um sinal da bela vida que se vive em Portugal: ontem, os telejornais deste país de "optimistas" licenciados abriram para nos informar que o novo treinador do Benfica era Sven-Goran Eriksson.
Que tal? Gostaram? Melhor do que isso, só mesmo o anúncio da prisão de Pinto da Costa.
Soares da Costa e Sonae querem gerir aeroporto Sá Carneiro As empresas vão entregar uma proposta ao Governo até ao Verão.
A Soares da Costa e a Sonae, que constituíram uma parceria para uma eventual privatização da gestão do aeroporto Sá Carneiro, no Porto, devem apresentar uma proposta ao Governo antes do Verão.
Segundo avançou ao Diário Económico Pedro Almeida Gonçalves, CEO da Soares da Costa, “antes das férias estaremos em condições de transmitir ao Governo” a proposta, cuja elaboração já implicou o dispêndio de “uma verba com algum significado”.
Pedro Gonçalves adiantou que a Soares da Costa e a Sonae estão a trabalhar com o apoio de um consultor, tendo por base “os elementos disponíveis, que não são muitos”, para determinar se “existe e qual é o potencial de negócio e crescimento do aeroporto”. Isto “não é mecenato” e, acrescentou, “se tiver potencial de negócio pode haver espaço para dar voz às autarquias”, numa referência aos estudos da Junta Metropolitana do Porto que apontam para uma gestão em parceria público-privada.
Para Pedro Gonçalves, “não é correcto que se fique à espera do Estado, é perfeitamente natural que a iniciativa privada dê os seus contributos” antes da apresentação do modelo que o Governo pretende lançar para a concessão da gestão dos aeroportos. Recorde-se que há alguns meses num encontro com empresários do Norte, o primeiro-ministro José Sócrates desafiou o sector privado a transmitir as suas ideias ao Governo.
No início deste ano, a Soares da Costa estabeleceu como prioridade regressar ao negócio das concessões de exploração de aeroportos em Portugal e nos mercados externos, actividade onde já conta com alguma experiência obtida nas Honduras. Na actividade dos aeroportos, a construtora está ainda focada na concessão com construção e aguarda pelo modelo do novo aeroporto internacional de Lisboa.
Enquanto uns se entretêem a discutir o sexo dos anjos, convencidos que estão a dar um grande contributo para mudar o país, outros limitam-se a constatar factos e a denunciá-los sem pápas na língua. É neste último grupo que o Renovar o Porto se situa. Caso contrário (e se fosse possível) já se teria constituído em partido político. Para já, não é essa a minha (e nossa, suponho) opção.
A mesquinhez, as guerrinhas partidárias com as traiçõezinhas da ordem, são episódios da telenovela real em que o Portugal político se transformou cujo único interesse consiste em ver até que nível consegue ainda descer a respectiva classe. O resto, é o resto do folclore, passe a redundância.
Houvesse honra quando de honra se fala, houvesse sentido de responsabilidade quando ele se impõe, e pouco interessaria às populações o tipo de regime ou de govêrno dos seus países. Por aqui, o que mais temos é fundamentalistas de qualquer coisa.
De republicanos a monárquicos, de ditadores a democratas, de independentistas a regionalistas, nada terá grande valia sem uma condição essencial: a seriedade. A biológica, apenas. A outra, a concebida de silicone (como as mamas para mulher) já existe de sobra e dispensa testes, porque se forem perguntar, por exemplo, a Ferreira do Amaral ou a Jorge Coelho, também eles se considerarão seguramente sérios e, com jeitinho, até me levantam um processo por "difamação".
Esta conclusão não é nova para mim e parece um tanto redutora se olharmos para o mundo e para os enormes desafios que ele levanta aos seus governantes, mas é tão pertinente quanto cresce a espiral de problemas à sua volta. O todo-poderoso George Bush (por exemplo), não é sério quando, sabendo que os EUA a que "preside" é o país que mais gazes poluentes lança para o planeta e se nega a participar em cimeiras de preservação ambiental, como aconteceu em Kyoto. Portanto, a seriedade ou - se quiserem - o respeito pela palavra, está sempre no cerne da questão dos problemas porque raramente se põe em prática. Mas, já chega, quando muito, os "optimistas" (ou parvalhões) do regime transformam-me sem saber em pintaínho e lá vem por aí o sêlo de Calimero...
Bem, mas se os Calimeros servirem para despertar consciências e denunciar as escroquerias que por cá se produzem à velocidade da luz, então seremos Bons Calimeros o que sempre é mais dignificante do que pertencer aos O.C.R.C.'s (Optimistas Cumplíces de Regimes Centralistas).
O Porto, como sugere o nome deste blogue, precisa de ser renovado, mas as nossas exigências de cidadão também. Temos palavras, mas são os actos que lhe dão (ou, não) o sentido e devemos começar por aí. Se as palavras estão fora de prazo, se pouca valia têm, porque as acções que lhes dão corpo já não valem nada, está na altura de não nos deixarmos mais adormecer ao som da sua música.
Apesar da evidência dos péssimos resultados apresentados pelos nossos governantes em termos globais, já todos os ouvimos reclamar mais condições e dinheiro como primeiro argumento para atrair para a política "os mais competentes" e por aqui já podemos avaliar o despudor a que chegaram. Justamente por isso, temos de lhes tirar o tapete e tentar pôr um ponto final nestas atitudes.
A "responsabilidade e a dignidade" dos cargos de Estado é outra das bandeiras/teclas muito usadas para justificarem as mordomias de que não querem abdicar, mas somos nós cidadãos o principal "cliente" deste mercado em que se transformou a política e por isso é a nós que compete dizer o que é digno e responsável e o que não o é.
Não é politicamente correcto já sei, mas o politicamente correcto para mim não vale nada, é hipocrisia da mais desprezível. Lixo com ela!
Correcto seria, que desde sempre os políticos fossem pagos em função da sua seriedade (avaliada à posteriori) e das suas prestações governativas. Receberiam um ordenado digno avaliado por factores de bom senso em relação ao nível de vida dos portugueses e em fim de mandato seriam generosamente gratificados (ou não) em função da qualidade do seu trabalho. Nunca, por nunca, durante. Este hábito é a nódoa mais negra da Democracia!
A sociedade, tal como está, é suficientemente aberta para permitir o sucesso económico e social a quem se considere capaz de o fazer na condição de entidade privada. Não faz nenhum sentido nem parece sério que alguém queira fazer fortuna servindo-se do poder. A isso chama-se oportunismo.
A transição compulsiva de ex-governantes para a administração de grandes empresas após o término do mandato, devia ser simplesmente abolida e punida com crime de prisão sem direito a recurso!
O referendo de 1998 sobre a regionalização, foi o fracasso que não podia deixar de ser, tratando-se, como se tratou, de um jogo com cartas marcadas. Como se está podendo verificar, o seu resultado negativo vai atrasar, em mais de dez anos, o lançamento de nova consulta popular. Julgo não estar muito enganado se disser que no caso de nova rejeição da regionalização em futuro referendo, ela sofrerá mais um atraso, mas desta vez equivalente a uma geração. Os apoiantes do presente centralismo estão certamente tão conscientes deste facto, que é minha convicção que a sua estratégia será baseada no lançamento do referendo o mais inopinadamente possível, para que não haja tempo para longo debate com a consequente divulgação das vantagens e benefícios que advirão da criação de Regiões.
É por isso indispensável que antes do referendo se realizar, tenha havido um prévio trabalho de informação e doutrinação que permita aos cidadãos terem uma visão o mais completa possível daquilo que realmente está em jogo e da influência que terá nas suas vidas. Só assim poderão votar conscientemente.
Penso assim porquê? Por várias razões.
Primeiro porque não se pode esquecer que o resultado dum referendo só é vinculativo se a participação for superior a 50%, e elas têm sido bem inferiores, incluindo a de 98. Imperioso se tornará a implementação duma estratégia que "mexa" com o eleitorado e o motive a ir as urnas. Isto é possível de ser feito, há especialistas que o podem fazer, só que custa tempo e dinheiro ( e o governo não paga, é obvio!).
Em segundo lugar há muita gente que acredita em slogans como estes:
- " Isto é uma luta entre partidos. Eu não quero saber de política." - " O país é pequeno de mais para ser dividido." - " O que os políticos querem é mais tachos para se governarem." - " Agora somos governados e prejudicados por Lisboa. E depois? Pasamos a ser espoliados pelo Porto (ou Coimbra, ou Braga, ou Évora, etc). Então mais vale deixar tudo na mesma" - " Com a regionalização o país vai gastar mais dinheiro e a burocracia vai aumentar. Vamos ter a nossa vida mais complicada." - " A corrupção vai aumentar."
Sentimentos como estes são reais. Para verificar a sua existência, basta falar com as pessoas, sobretudo as menos politizadas, ou então percorrer a blogosfera e ler muitos dos comentários sobre o tema. Torna-se assim imprescindível esclarecer atempadamente uma significativa fatia do eleitorado. Se isto não for feito, e não vejo quem o queira fazer, receio bem que o próximo referendo constitua o requiem da regionalização. Pessimismo? Chamar-lhe-ia antes realismo.
Para além dos obstáculos proveniente daqueles a quem o tema regionalização não interessa, ou que têm uma opinião negativa, há ainda a considerar eventuais resistências oriundas de apoiantes da causa. Abordarei esta particularidade em próximo post.
já dei muitas vezes comigo a perguntar-me por que raio é que, quando vejo alguém a torcer o nariz à Regionalização, ou a "bater no ceguinho da historinha do Calimero, cujo objectivo não vai muito mais além do que procurar responsabilizar todos os portuenses pela crise do Porto, me deixo logo invadir por um enorme sentimento de desconfiança em relação a essas mesmas pessoas e não consigo levá-las a sério.
Afinal, não terão o direito de entenderem as razões da nossa decadência de modo diferente do meu? Estará o meu espírito democrático a precisar de uma revisão técnica? Acreditem ou não, penso amiúde nessa hipótese.
O que é significativo, é que, à medida que os anos passam, essa desconfiança não só se acentua como se fortalece, o que contribui seriamente para credibilizar os meus fundamentos.
Vejamos. Continua a haver por aí quem, numa primeira impressão, nos transmita do seu discurso opinativo - como é o caso do autor do artigo linkado - a ideia de estar do nosso lado da barricada, de repudiar como nós, a situação pungente vivida no Porto, mas imediatamente a seguir parecem ficar bloqueados perante a palavra Regionalização. Se em vez de pessoas falássemos de ouriços, seria muito provável notarmos-lhes os picos eriçados, tal é a aparente aversão ao tema.
Honestamente, não gosto de fazer juízos de valor instantâneos, mas ainda não consegui compreender profundamente este fenómeno. Em abono da verdade, há que dizê-lo, estas pessoas também não ajudam muito. A coesão nacional, o caciquismo local e a suposta presunção alienatória dos adeptos da regionalização, são os únicos argumentos que conseguem apresentar para justificar este reaccionarismo, mas nenhum deles faz qualquer sentido.
Vamos por partes.
Coesão nacional: sabendo como sabem, que o país está (ao contrário da prometida, mas sempre rejeitada, descentralização), mais e mais concentrado na capital, e com isso, a gerar fenómenos promotores de divisionismos e fragmentadores da unidade nacional, como podem simultaneamente os anti-regionalistas, defender essa coesão, continuando a credibilizar quem e o que, a promove, sem sequer darem sinais de querer mudar de política? Será justo, razoável, continuar-se à espera que Suas Exas., os nossos desgovernantes, numa espécie de iluminação súbita, se decidam finalmente a descentralizar o país? Quem nos garante que o farão alguma vez? A não ser que os anti-regionalistas estejam dispostos a esperar mais 34 anos, o que, diga-se, chega a ser sádico. E os portuenses, o povo, esse, não o merece.
Caciquismo local: é um risco em qualquer sistema político,que não difere muito do risco consumado das oligarquias centralistas actuais, mas que sempre se poderá controlar melhor dentro de portas (no governo regional) do que a 300 kms de distância com um governo de costas viradas para o Norte do país. Por que não se inquietam os anti-regionalistas com factos concretos, protagonizados pelo caciquismo central? Mais grave: por que não o repudiam ao ponto de o quererem ver rapidamente dizimado do país?
Suposta alienação dos adeptos da Regionalização: quem aliena quem? Os protestantes anti-calimeros, tão vulneráveis a promessas de banhas da cobra, há 34 anos por cumprir, ou aqueles que procuram outro caminho para que elas possam ser mais facilmente cumpridas? E o que explica a rejeição absurda dos anti-regionalistas/anti-calimeros pelo sucesso governativo de países pequenos como o nosso, regionalizados como é o caso da Dinamarca e Holanda, só para dar dois exemplos? Receiam perder porventura algumas mordomias secretas? O emprego? A chefia na redacção de um jornal? O quê? Mas por quê tanto receio infundado?
Agora, debruçando-me mais directamente no artigo em questão e nos exemplos apresentados pelo seu autor, volto ao mesmo ponto de incompreensão entre as suas causas e respectivos efeitos.
Jorge Vilas, o autor do referido texto, aponta-nos Rui Reininho, Pedro Abrunhosa, Mário Cláudio, Agostina Bessa Luís, Manoel de Oliveira, Júlio Cardoso, José Rodrigues e Pinto da Costa como casos pessoais de sucesso e projecção profissional em que foi possível ultrapassar as " benesses" (a expressão é dele) do centralismo deixando pairar no ar a ideia optimista de que: " se eles conseguiram por que não conseguimos nós?"...
Eu podia responder-lhe com optimismo maior, e perguntar-lhe porque é que ainda não fundou o seu próprio jornal ou (com um pouco mais de exagero), por que é que não conseguiu criar uma estação de Televisão autónoma para o Porto. Se quisesse ser mauzinho, poderia ir um pouco mais longe e estender o optimismo do racicínio à população e perguntar por que é que não há um Belmiro de Azevedo em cada cidadão, mas fico-me por aqui, quando muito atinjo o estado perfeito da autonomia humana: a anarquia, no seu estado mais puro. Mas não irei por aí, gosto de ter os pés na terra.
Quero, é de uma vez para sempre (se possível) saber quem são os Calimeros deste Porto, porque devem (e convém sabê-lo) ter nome. Ora, é isso que o senhor Jorge Vilas não diz, ou não quer dizer, mas devia dizer se quisesse emprestar objectividade ao seu artigo. Todos ou quase todos os personagens de sucesso por ele exemplificados já se queixaram do centralismo. O próprio Pinto da Costa já começa a usar o termo como arma de combate nos seus discursos, como aconteceu recentemente em Vila Real, daí que não percebo onde quer chegar verdadeiramente o respeitável jornalista.
Mas eu posso ajudar. Já aqui citei nomes como António Amorim e Belmiro Azevedo,como exemplos de pessoas que podiam ter dado uma ajudinha (se quisessem) à vertente autónoma da região caso tivessem concorrido com a SIC de Pinto Balsemão e outros. Mas, admitindo que também não se lhes pode exgir sucesso mais polivalente do que aquele que já têm, afinei a pontaria e dirigi baterias para alvo mais objectivo, como é Joaquim Oliveira, um homem do Norte (não Calimero, suponho) dono de vários jornais e estações de radio e TV que até hoje não ousou deslocar ou criar para o Porto um canal autónomo de televisão.
Este é, objectivamente, apenas um caso concreto e paradigmático da culpa de um homem do Norte devidamente identificado (não o único) pela degradação económica e social portuense. Não forçosamente, de todos os homens do Norte, como gostam de dizer.
Como pode constatar-se, os jornalistas nem sempre escrevem com objectividade. Às vezes confundem (mais do que esclarecem) a parte com o todo.
Como é o caso, os Calimeros do Porto talvez sejam eles e os Oliveiras lisboetizados. Os Joaquins, sobretudo...
Continuo a pensar que não é na blogosfera que se decidirá seja o que fôr sobre o futuro da nossa cidade e região. Se é um facto, que pode contribuir para uma participação mais livre e partidariamente descomprometida dos cidadãos, também é ilusório pensar-se que será através dos blogues que se regenerão os comportamentos políticos.
A maior vantagem da bolgoesfera, a seguir à da liberdade de opinião, é a de influir e suscitar na opinião pública uma forma diferente da avaliar as coisas.
Nós podemos constituir - ainda que com menor impacto - uma contra-corrente à opinião publicada que não raras ocasiões se casa com o politicamente correcto dos homens do regime.
Seguindo aquele princípio, algo exagerado, mas não despiciendo, que atribuía aos media (sobretudo a televisão) poderes para eleger ou destronar 1ºs Ministros e Presidentes da República, a blogoesfera também pode gerar movimentos semelhantes e funcionar como uma espécie de contraditório independente.
É tão óbvia a desonestidade de processos do centralismo que a vemos entrar todos os dias pela nossa casa através da televisão na forma de publicidade inocente. Não é a primeira vez , nem será por certo a última, que nos são impingidos na publicidade critérios de valor altamente sectários e duvidosos. Quando muito, estão fora de prazo.
Está actualmente no ar um anúncio (cujo nome me abstenho de repetir), relacionado com o futebol que nos mostra a figura do vetusto Eusébio, do Futre, do Chalana, do Rui Costa e do mediático Ronaldo. Excluindo este último, todos os demais são figuras do futebol já desactualizadas ou em fase de pré-reforma, e no entanto, havendo outras mais contemporâneas e com estatuto de campeões nem sequer aparecem. Curiosamente (ou nem por isso), todos eles foram ou estão ligados ao Benfica...
Num outro spot publicitário a uma marca de gasolina, surge a imagem de Simão Sabrosa, outro jogador já fora do futebol nacional e que nem sequer se tem revelado primeira figura no futebol espanhol onde agora joga. Nuno Gomes, outro que já anda há mêses a arrastar-se pelo campo é outro. O Petit vai pelo mesmo caminho, etc.
Resumindo e concluindo: o centralismo é também isto, isto é, uma máquina poderososa de gerar falsos valores, de reabilitar antigos e de evaporar os modernos que não pertençam à clã centralista.
Mais um facto a comprovar a profunda falta de seriedade do regime centralista.
Em países respeitáveis, as cadeias são para as pessoas desonestas, em Portugal é o Governo quem promove a desonestidade e lá devia estar.
Para estar actualizado e procurar outras opiniões, costumo, sempre que posso, dar uma espreitadela à blogoesfera da "concorrência" que se dedica também às coisas do Porto. É um hábito bom, que me faz sair da rotina e por vezes me coloca perante ideias diferentes e novos desafios.
Só que, os desafios trazem sempre consigo uma pontinha de provocação, um convite à nossa capacidade criativa. Mas, como em quase tudo na vida, convém não abusar. E não falta quem faça do abuso uma forma de vida.
A corrente desafiadora em que alguns se deixam exageradamente arrastar, leva-os a transformar a provocação estimulante em autênticos insultos ao senso comum e isso é inadmissível. É pois, quase impossível levar a sério aqueles que não respeitam minimamente as regras básicas da comunicação humana. Aquelas regras que nos permitem diferenciar coisas tão simples como uma manhã soalheira e brilhante, de uma noite escura e chuvosa. Confundir realidades tão contrastantes como estas, já não é uma provocação nem um desafio, é um sinal claro de senilidade mental.
Próximo da senilidade são podem estar aqueles ridículos "resistentes" que, após tanta informação, crónica, estatístisca, estudo, e debate, insistem em fazer de conta que o centralismo é uma espécie de fantasma parido por noites de insónea e pesadelos de alguns provincianos como eu. Para reforçar esta tese senil, nada melhor do que especular factos e evidências para inventar argumentos.
É do centralismo e dos centralistas locais que estou a falar. Por incrível que pareça ainda há quem continue a insinuar que o centralismo é uma invenção nossa, um mito gerado pelas suas vítimas. "O Porto está em decadência, porque todos nós, assim o quisemos", teimam em dizer. Argumento mais covarde e oportunista não pode haver, mas já satura.
Mas, vou-lhes dar uma derradeira oportunidade para se tornarem espertos, falar-lhes como se fossem muito burros. Vou fazer-lhes um "desenho redactorial" para ver se percebem apenas o lado moral/humano do centralismo. Os outros efeitos colaterais ficam para outra ocasião, porque os miolos são fracos e não suportam grandes raciocínios.
O desenho é o seguinte: imaginem uma família, uma família como a vossa. Não precisa ser muito grande. Bastam três filhos e os respectivos progenitores. Agora imaginem (se forem capazes, claro) que os malandros dos paizinhos desta história decidiam alimentar, educar, vestir e calçar, em vez dos três filhos, apenas um deles e se esqueciam dos outros dois. O que fariam?
A avaliar pelas amostras, depreendo que desatavam à bofetada. Não aos vossos pais, porque isso seria muito feio, mas a vós próprios, claro. Provavelmente, o 2º. Acto desta edificante peça teatral levaria os dois irmãos "mal-amados" a um choro constante, com acusações recíprocas e assim passariam a vida... Entre a pieguice das queixas e gritos de auto-censura, diriam: a culpa é nossa, a culpa é nossa, os papás não têm culpa, tadinhos! Os papás são pequeninos, nós é que os devíamos educar e sustentar, embora ainda não tenhámos idade sequer para trabalhar!
Pois bem, senhores centralistas, a caricatura pode não ser a mais feliz, mas anda lá perto. O país, não é bem a vossa casa, as populações não são precisamente os dois irmãozinhos bastardos da história, nem o govêrno os vossos papás, mas a responsabilidade hierárquica e o comando são comparáveis.
Mas digam lá se o sadismo e a imoralidade do paralelismo da história não comporta crimes da mesma envergadura? Ainda não perceberam? Se for preciso, para a próxima faço mesmo um desenho. Enorme!
Certamente todos tivemos a possibilidade de ler os comentários preciosos, humanos e técnicos do bastonário dos médicos que, por acaso, até é oftalmologista e, naturalmente, não é parte interessada no processo...
Já entenderam bem, porque é que existem listas de espera?
Em 6 dias um médico espanhol operou tanto como 5 (cinco) médicos num ano e por metade do preço cobrado na privada.
Em 6 (seis) dias, um oftalmologista espanhol realizou 234 cirurgias a doentes com cataratas no Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, num processo que está a "indignar" a Ordem dos Médicos.
Os preços praticados são altamente concorrenciais, tendo sido esta a solução encontrada pelo hospital para combater a lista de espera. O paciente mais antigo já aguardava desde Janeiro de 2007, tendo ultrapassado o prazo limite de espera de uma cirurgia.
No ano passado chegaram a existir 616 novas propostas cirúrgicas em espera naquela unidade de saúde. Os sete especialistas do serviço realizaram apenas 359 operações em 2007 (cerca de 50 por médico num ano). No final do ano passado, a lista de espera era de 384, e foi entretanto reduzida a 50 com a intervenção do médico espanhol.
A passagem pelo Barreiro durante o mês de Março - onde garante regressar nos próximos dois anos, embora o hospital não confirme - foi a segunda experiência em Portugal do oftalmologista José Antonio Lillo Bravo, detentor de duas clínicas na Extremadura espanhola - em Dom Benito (Badajoz) e Mérida. Entre 2000 e 2003 já havia realizado 1500 operações no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses. "Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de 2.000 euros", diz ao DN o oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, que cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro.
As 234 cirurgias realizadas no Barreiro, por um total de 210 mil euros, foi o limite possível sem haver necessidade de abrir concurso público internacional, sendo que o médico fez deslocar a sua equipa e ainda o microscópio e o facoemulsificador. O hospital disponibilizou somente um enfermeiro para prestar apoio.
Com algum atraso, é certo, mas recomendo - a quem ainda não o fez -, a leitura deste artigo do muito tripeiro e ilustre professor Helder Pacheco por quem sinto uma grande admiração e profundas afinidades.
A repetição do vídeo em anexo parece-me justificar-se plenamente em homenagem a todos os centralistas deste meio país. É curto, preciso e conciso. Uma luva não lhes assentaria melhor.
Penso não errar muito se disser que o post anterior do nosso amigo Rui Farinas, lançado em forma de repto ao Dr. Rui Moreira, corresponde às expectativas de muitos portuenses que vêem nele um potencial candidato à liderança de um hipotético movimento político regional. O potencial existe, falta é conhecer a disponibilidade do respectivo portador.
Faço minhas as palavras de Rui Farinas, mas gostaria de acrescentar um pequeno apontamento.
O Dr. Rui Moreira é já uma figura pública da cidade, de prestígio, e tem o privilégio de recolher a simpatia (e a empatia) de um grande número de portuenses, o que, diga-se, não é trunfo a desprezar caso esteja nos seus horizontes avançar para outros "vôos" para além da Presidência da Associação Comercial do Porto.
Ainda ontem, na entrevista de Pinto da Costa à revista "VISÂO" (esgotada em muitas livrarias), este dizia que gostaria de apoiar um candidato independente da esfera partidária à Câmara Municipal do Porto ou a qualquer outro organismo que viesse a ser criado para defender os interesses da cidade. Acrescentou também que tinha prefêrencia por alguém, mas não chegou a mencionar o nome (até podia ser Rui Moreira, não sei).
Creio que o momento é o indicado e a oportunidade está criada, falta apenas saber se Rui Moreira quer. Se quiser, talvez esteja na altura para avançar. Mas claro, a decisão cabe-lhe só a ele.
Peço desculpa por voltar a um assunto que já aqui foi tratado, mas por circunstâncias várias só hoje tive oportunidade de ler o texto completo do discurso do Dr.Rui Moreira na cerimónia da ACP, discurso este que em boa hora foi colocado pelo Dragão Vila Pouca neste Renovar o Porto, com a anuência do caro Rui Valente.
Não resisto a fazer um ou dois comentários, com a esperança de que não tenham perdido a actualidade.
Em primeiro lugar quero dizer que se trata de um discurso notável, e por várias razões. É um discurso claro, bem articulado, objectivo, chamando os bois pelo nome à boa maneira nortenha. Mencionou claramente algumas das questões que nos preocupam ( TGV, aeroporto, regionalização, reabilitação urbana) e não se furtou a estabelecer comparações com o que se passa para os lados de Lisboa. E tudo isto sem abandonar a sua proverbial atitude de grande elevação moral.
Ao desafio de Rui Moreira a José Sócrates ( "É sobre tudo isto que agora o queremos ouvir") optou o primeiro ministro por responder aquelas banalidades rançosas que já estão esfarrapadas de tanto uso. Em relação aos problemas enunciados que requeriam, se não uma resposta concreta, pelo menos um comentário adequado, nada. Pode utilizar-se neste caso aquele jargão de Tribunal que diz "e aos costumes disse nada". Realmente o senhor primeiro ministro de Portugal, aos costumes disse nada. Este silêncio, para além de uma falta de consideração pelos anfitriões do evento, por todos que estavam presente, e por todos os nortenhos, é uma péssima indicação. Nada a que não estejamos habituados, pois há muito que somos vítimas de um tipo de relacionamento colonizador/colonizado ( esta é a enésima vez que insisto nesta figura de retórica, mas não me cansarei de insistir e insistir).
A luta que Rui Moreira trava contra o "sistema" é uma luta inglória, porque é uma luta solitária. Acaba por ser uma atitude quase quixotesca, só que os inimigos não são moinhos de vento, são inimigos bem reais de carne e osso, para além de bem organizados e combativos.
Longe de mim pretender dar conselhos ao Dr.Rui Moreira, mas continuo a ter esperança de que, pelo menos, um dia se resolva a exercer um papel de catalizador, aquelas substâncias que fazem iniciar uma reacção química, mas na realidade não tomam parte intrínseca nela. Compreendo que, por razões pessoais e por falta da atractividade dos actual partidos políticos, eventualmente Rui Moreira não queira ser um actor político de longa permanência na primeira linha. Mas acho que é uma pena não aproveitarmos o seu prestígio, qualidades pessoais, posição social e profissional para pelo menos iniciar a congregação de vontades que pusesse em marcha a reacção à situação abúlica, de "apagada e vil tristeza", em que nós, portuenses e nortenhos, vivemos. Seria um contributo inestimável que a região lhe ficaria a dever.
Mas, quem pensa que é esta senhora para fazer de nós parvos?
Que é de uma seriedade indiscutível? Pois, pela minha parte, não só a discuto como a contesto.
Contesto a seriedade de quem, a troco do apoio de um clube desportivo (o Benfica) para as eleições legislativas de 2002 aceitou as acções da SAD desse clube como garantia à impugnação de uma dívida fiscal do mesmo.
Contesto esta e todos os outros putativos candidatos à "mudança" com perfume nauseabundo a naftalina que já nem para as traças tem serventia.
Então como é, meus senhores, corrupção intelectual desta envergadura não dá direito a abertura de processos? É só para o futebol? Ou não acham que esta é uma das formas mais hediondas de corrupção?
O regime centralista/divisionista é cismático e obcecado por processos em forma de apito, já percebemos, mas nós, talvez estejamos mais interessados em dar um toque de originalidade às investigações. E que tal, por acaso, abrir um processo com o nome: "O Ministério Encarnado"?
Já aqui se falou da Liberdade e das suas presumidas propriedades "terapêuticas" na vida dos cidadãos, mas nunca é demais voltar ao tema. Do 25 de Abril de 1974 que tanto nos prometia, já só resta mesmo a Liberdade.
Não vou falar agora das pontes ou das auto-estradas construídas desde então, e muito menos, das obras faraónicas de Lisboa, nem da sua pertinência, porque me recuso a reconhecer nelas sinais paradigmáticos de progresso. Pior seria, se depois de tantos financiamentos provindos de fundos comunitários nada se tivesse feito entretanto.
Mais importante, era sabermos, com rigôr e transparência, aonde, e em quê, é que esses fundos foram aplicados, mas isso ficará para outra ocasião. Outra coisa importante, é vincar bem a noção de que esses fundos não foram fruto do nosso desenvolvimento económico, mas apenas o resultado da nossa adesão à União Europeia.
Retomando a Liberdade, o tema dilecto da Comunicação Social no 25 de Abril, mas tão ferido de orfandade e compreensão, talvez seja tempo de nos questionarmos se há só um tipo de Liberdade ou se, decididamente, ele tem ou não uma relação directa com o nível sócio-económico das populações. A resposta, é obviamente, afirmativa, mas o facto de termos de o lembrar já é, de per si, um sinal de que se anda há muito anos a fazer jogo sujo.
Quem, porventura, me ler de má fé, e quiser fazer de conta que não percebe onde pretendo chegar, dirá que estou a defender o regresso à censura de regimes totalitários. Nada mais errado. Com todo o respeito, duvido que exista alguém que ame mais a Liberdade do que eu, porque ela já nasceu comigo, está-me na massa do sangue. Se assim não fosse, não dizia o que digo e como digo, preocupar-me-ia (como muitos) mais em ser aceite pelos apoiantes do regime que não se resumem apenas aos que estão no poder, mas também aos que vivem dele. E não são poucos.
Recordo-me bem, das muitas noites sem sono nem cama, em que ficava na rua com os amigos, em animada cavaqueira até ser dia, a discutir sobre a vida e a política do país. Francamente, não me apercebi nunca de ver "pides" atrás de nós quando essas reuniões espontâneas aconteciam. Ou tivemos sorte, ou a PIDE/DGSE não era tão eficiente quanto isso, mas que ela existia, disso não há dúvidas.
Verdadeiramente, só tive noção da existência da PIDE, poucos dias depois do 25 de Abril, em Lisboa, em pleno Rossio, quando, na companhia de uma namorada, me apercebi de um ambiente invulgarmente sinistro entre os cidadãos, a PSP, e uns tipos vestidos à civil que depois soube serem agentes da PIDE. Com os meus vinte e poucos anos, era tal a minha imaturidade política que, quando vi aqueles "gorilas" a dispersar e agredir indistintamente quem circulava em paz, dirigi-me furioso a um chefe da PSP a perguntar-lhe o que se estava a passar e porque não fazia nada para o impedir. Lembro-me só do homem, um pouco atrapalhado, me ter aconselhado a seguir o meu caminho e de ter sentido uma indignação profunda.
Bem, mas a narração deste episódio pré-revolucionário não quer ter carácter histórico ou ser auto-biográfico, mas fundamentalmente salientar que apesar da Ditadura, do Estado Novo, eu(como outros), já tinha a minha liberdade pessoal, ninguém ma ofereceu. Cada qual tinha a liberdade que o seu temperamento permitia. Eu tinha a minha. A liberdade de regime é outra coisa, e essa, foram os capitães de Abril quem a corporizou e restituiu ao país. Sem eles, não sei se os partidos políticos clandestinos mais expressivos (PCP, PS e PSD) bastariam por si só para destronar a Ditadura.
Por conseguinte, acabemos de uma vez com esta veneração à Liberdade utópica e passemos a construir a Liberdade concreta que se alicerça na qualidade de vida do povo. É dessa que é importante falar.
A blogosfera, não obstante ser ainda muito pouco difundida, vai acabar por se transformar num veículo de comunicação e de debate público mais credível do que os restantes mídia, da imprensa, rádio e televisão, e pode vir mesmo a constituir-se a principal responsável pela sua renovação. Precisamente, porque é mais livre do que elas todas juntas.
Os jornalistas não passam de meros funcionários ao serviço dos critérios editoriais das suas chefias que só usufruem verdadeiramente da sua liberdade de opinião quando saem das empresas onde trabalham. A seriedade do seu trabalho é sempre condicionada pela da própria entidade patronal, que pode ser mais ou menos credível mas, ainda assim será sempre condicionada.
Daí a importância de procurarmos sempre "filtrar" muito bem tudo o que lemos, para o melhor e para o pior. As audiências e os números de jornais vendidos só são importantes para a área comercial das respectivas empresas, não para o consumidor. Nós consumidores, é que teremos de ter sempre a última palavra. E pensar pela nossa cabeça é a primeira das últimas.
JEAN PAUL SARTRE
Para Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser humano. O homem é, antes de tudo, livre. O homem é livre mesmo de uma essência particular, como não o são os objetos do mundo, as coisas. Livre a um ponto tal que pode ser considerado a brecha por onde o Nada encontra seu espaço na ontologia. O homem é nada antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo.
A liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. O homem só não é livre para não ser livre, está condenado a fazer escolhas e a responsabilidade de suas escolhas é tão opressiva, que surgem escapatórias através das atitudes e paradigmas de má-fé, onde o homem aliena-se de sua própria liberdade, mentindo para si mesmo através de condutas e ideologias que o isentem da responsabilidade sobre as próprias decisões.
Confesso não entender porque razão é preciso pedir autorização ao Instituto da Água(INAG) em Lisboa ( claro!) para antecipar a data do início da época balnear. E muito menos entendo os condicionalismos que o senhor presidente do INAG exprime para que essa antecipação seja autorizada. Uma das condições é que a antecipação se faça sem interrupções. "Não podemos estar a abrir e fechar praias de acordo com as conveniências comerciais ou com o estado do tempo". Realmente isso deve dar muito trabalho, implicando com o merecido descanso ao longo do dia dos zelosos burocratas que se ocupam dessa importantíssima missão.
O senhor presidente diz também que tem de haver uma dimensão geográfica "coerente e expressiva", seja o que for que "expressiva" signifique. Dá ideia que o que o INAG pretende é dificultar as licenças excepcionais para que não andem a incomodá-los.
Para mim, trata-se da burocracia inútil em todo o seu explendor. Eu, decerto porque sou um espirito símples, até mesmo simplório, desconhecedor das subtilezas da alta governação, vejo esta questão de outro modo. Acho que esta autorização deveria ser uma inerência das câmaras municipais, subentendendo-se que teriam de ser satisfeitos os condicionalismos vários, sobretudo de segurança, que estão estabelecidos em regras com validade nacional. Se todas as regras aplicáveis forem respeitadas, porque raio os concessionário de qualquer praia do Minho ao Algarve, há de ter que pedir uma autorização ao senhor presidente do INAG, e não ao presidente do seu município?
Na verdade esta incongruência até nem me espanta. A partir do momento em que ouvi o Dr.Paulo Mendo declarar publicamente num programa televisivo que uma vez, era ele Ministro da Saúde, tinha sido obrigado a assinar uma autorização de compra de um par de botas de borracha para um porteiro de hospital, já nada me surpreende. Sinto-me vacinado contra todas as barbaridades deste centralismo em que ditosamente vivemos.
Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido.
Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje.
Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder. Nada de ilegal, mas tudo despudorado.
O Conselho de Administração da Mota-Engil será uma constante reunião de Bloco Central, com dois antigos ministros das tutelas das construções do Estado em governos PS e PSD a desenhar estratégias para ganhar concursos públicos que vão ser decididospor funcionários que foramseus subordinados ou a conseguir de autarcas correligionários interpretações de PDM mais favoráveis a isto ou aquilo que se queira cobrir de vigas pré-esforçadas, argamassa ou asfalto. E se os antigos ministros não chegarem a nenhuma conclusão ainda há lá um antigo secretário de Estado entendedor dessas complexidades das obras públicas para afastar empecilhos do lucro.
O colosso a que Jorge Coelho agora preside opera sobretudo na área do domínio do que é público em Portugal.Tudo adjudicado por governos em que os seus quadros participaram. Claro que a Mota-Engil tem hoje interesses no estrangeiro, mas não me parece que Jorge Coelho tenha sido contratado para dar o seu parecer sobre a estrada entre Perote e Banderilla, que está agora a construir no México. A vantagem de ter um presidente executivo como Jorge Coelho é local. Só pode ter sido a sua agenda de contactos que a Mota-Engil adquiriu porque essa é a sua grande mais-valia. É nesta capacidade única de fazer rede entre o Estado, interesses privados, políticos e público-privados que reside o nexo de causalidade da escolha de um operador político para um lugar de gestão.
Este acto, conjuntamente com o caso BCP, assinala uma capitulação a uma realidade insofismável.A maior parte do sector privado lusitano só quer e, se calhar, só pode subsistir associado à tutela estatal e não tem pejo em subordinar-se aos operadores puramente políticos, abandonando a evolução de culturas de empresas inovadoras desenvolvidas por gestores profissionais que pusessem, finalmente, o mercado a funcionar em Portugal. No curto prazo, este hesitante sector privado nascido dos cravos de Abril parece ver mais ganhos incorporando governos em si próprio do que emancipando-se de tutelas constrangedoras.
Claro que daqui para a frente não haverá concurso que a Mota-Engil ganhe (ou perca) onde não se detecte a impressão digital de Jorge Coelho e não se fique com a sensação de que o mercado não está a funcionar. Numa altura de novas pontes, ferrovias e aeroportos vai ser interessante observar o relacionamento entre a Mota-Engil de Jorge Coelho e a Lusoponte de Ferreira do Amaral, também ele em tempos ministro de Cavaco Silva com responsabilidades tutelares passadas no sector público-privado que agora administra.
A participação da Mota-Engil no capital da Lusoponte é, segundo o seu relatório de contas, o maior investimento financeiro disponível para venda do grupo. Vão concorrer um contra o outro? Provavelmente, vão. Mas ninguém vai perder! Surpreendente? Não! Afinal foi assim que o Bloco Central se formou e se mantém. À custa dos milagres do método de Hondt, onde a partir de um certo número de votos nunca ninguém perdeu um lugar lá porque perdeu uma eleição. Só que Victor d'Hondt, provavelmente, nunca imaginou ver o seu método aplicado à economia de mercado.
Mário Crespo, no JN
NOTA DE RENOVAR O PORTO:
Se estes são os melhores exemplos que a classe política consegue dar ao povo, bem podem estar descansados (e estão, claro) que não é tão cedo que se livram da má fama que vão alegremente desfrutando.
A putativa candidata a 1ª. Ministra, Manuela Ferreira Leite queixou-se exactamente desta (má)fama há poucos dias. Francamente, alguém acredita que ela não perceba as causas? É que se alguém acreditar, então aconselho essa(s) pessoa(s) a não pensar(em) sequer nesta política para o que quer que seja, porque é demasiado óbvio que também dará carta branca a esta bandalheira.
'RENOVAR O PORTO', é um espaço de intervenção e de cidadania, dedicado aos portuenses da área metropolitana do Porto e a todos aqueles que, não sendo do Porto, escolheram esta cidade para viver e a sentem como se fosse sua. Naturalmente, dispensa a participação dos seus inimigos (que os tem, dentro e fora de portas), porque, afinal, é a sua existência que está na génese inspiradora deste blogue e que tanto tem prejudicado a nossa cidade e a nossa gente. Há alguns «colaboracionistas» do regime centralista que acham que não é bem assim. Nós, contrapomos que é!
"RENOVAR O PORTO", não quer ser temático, porque pretende conservar toda a Liberdade para debater o maior número possível de assuntos, sejam eles de cariz político, económico ou social, por forma a torná-lo abrangente e acessível a todos.
Não teme a irreverência e aplaude o diálogo vivo, mas rejeita o comentário torpe e insultuoso.
NOVAS REGRAS DESTA CASA
Isto não é um jornal, daqueles jornais que publicam todo o tipo de lixo para se sentirem mais democráticos. Aqui, a democracia tem regras e o respeito incluso por quem sabe fazer respeitar-se, com particular tolerância à irreverência destinada aos irresponsáveis que destruiram e ainda destroem o país.
Como tal, só serão publicados comentários de quem gosta de ser tratado pelo próprio nome, ou de anónimos bem educados...
A corrupção é pior do que a prostituição. Esta pode colocar em risco a moral de um indivíduo, a primeira coloca em risco a moral de todo o país.
Karl Kraus [1874/1936] escritor austríaco
HIPOCRISIA
Se não queres passar por cíniconão digas que amas o Porto, se odiares o Futebol Clube do Porto
Rui Valente portuense/portista
Em José Falcão
Foto de Rui Valente
Da sé para o Porto
Foto de Rui Valente
Natureza morta
Óleo de Rui Valente
Kandinski
Óleo (cópia) de Rui Valente
La blonde aux seins nus (Manet)
Cópia a óleo de Rui Valente
Ponte Romana (Chaves)
Óleo de Rui Valente
Dragão
Futebol Clube do Porto
BANDEIRA DE PORTUCALE
História de Portucale
O nome do condado vem do topónimo Portucale, com o qual desde o século IX se designava uma cidade situada perto da foz do Douro, designada de PORTVS CALE - Porto de Cale, que se julga ser um nome híbrido formado por um termo latino (PORTVS, Porto) e outro grego (καλός [kalós], ou seja, belo), donde qualquer coisa como Porto Belo; A explicação mais comum é no entanto, a de que o nome deriva dos povos de cultura castreja que habitariam a área de Cale nos tempos pré-romanos - os Callaeci. Uma explicação alternativa é a de que o nome deriva da deusa venerada pela tribo e que poderia históricamente relacionar-se com a palavra Cailleach (definida como deusa ancestral) na Irlanda, numa invasão Celta proveniente da Galécia. Uma outra teoria afirma que a palavra cale ou cala, seria celta e significava 'porto', uma 'enseada ' ou 'abrigo,' e implicava a existência de um porto celta mais antigo. Ainda outra teoria propõe que Cale deriva de Caladunum. Data assim desse período a expressão terra portucalense ou província portucalense para designar um território distinto que era limitado ao norte pela terra bracarense, e ao sul pelo rio Vouga, e tinha por centro e cabeça a povoação de Portucale. No século I a.c. as “Histórias de Salustio” referem uma “Cales civitas” localizada na Gallaecia; Cale teria também sido conquistada por Perpena; no século IV, no “Itinerário de Antonino” , fala-se de uma povoação chamada de Cale ou Calem ; no século V, Idácio de Chaves escreve sobre um “Portucale castrum.