08 fevereiro, 2008

Para alguns barões, isto é demagogia

Há certos melros portuenses, muito soft, muito optimistas, muito pacientes, muito muito, que ainda assim têm lata para dizer que isto, é demagogia...

Que bom seria, se zarpassem da cidade e fossem pregar para outras freguesias.

QUANDO MAOMÉ NÃO VAI À MONTANHA...

...HÁ QUE RECORRER A TODOS OS EXPEDIENTES. A BEM DA NAÇÃO...

Porto, esse covil de malfeitores...

A senhora procuradora Maria José Morgado, responsável pela investigação do processo "Apito Dourado", considerou vergonhoso o trabalho do DIAP/Porto e acusou a equipa da Polícia Judiciária local, de não ter tomado as medidas adequadas para a descoberta de provas, relativamente à agressão do ex-vereador da Câmara de Gondomar, Ricardo Bexiga.

Estas afirmações, não seriam tão preocupantes, se a mediática magistrada não tivesse por hábito enfatizar as supostas incompetências, tanto da procuradoria como da PJ do Porto, que lhe antecederam nas investigações, de forma a levar-nos a deduzir que se o processo tivesse sido orientado de início pela sua equipa, não teria sido arquivado.

Modéstia e contenção - tão reclamadas nestas situações - é coisa com a qual a senhora procuradora convive mal, o que lhe confere exagerada presunção quanto às suas próprias capacidades. Nem a recente "escorregadela" do actual Director Nacional da Polícia Judiciária (também ele do Porto) por ter admitido alguma precipitação no caso "Maddie" bastou para a senhora procuradora se conter e resistir à tentação de se pronunciar sobre um processo, do qual, ao que parece, esperaria um outro desfecho.

Agora, vamos lá ver se neste caso as donzelas do costume saem a terreiro a exigir a demissão desta idolatrada (pelas famílias de cores garridas) "dama de ferro", porque estas declarações, na minha opinião, são bem mais insinuantes do que as de Alípio Ribeiro.

O que começa a tornar-se grave, nas declarações públicas de M. José Morgado, é a imagem de menoridade que implicitamente vem dando da Instituições do Porto (Procuradoria e PJ), o que não deixa de se estranhar, tanto mais que em matéria de celeridade e eficácia de investigação criminal as equipas que acompanharam os processos "Casa Pia" e "Maddie" não foram propriamente um exemplo e, que conste, não são do Porto...

Senhora Procuradora: nós queremos que se faça Justiça, mas fale-nos um pouco mais dos casos "Casa Pia" e "Maddie". Ambos continuam em branco. Ambos, contribuiram para a destruição da vida de crianças e ainda não há julgamento, nem castigo.

07 fevereiro, 2008

Mas que Júdic(e)oso...

Esta crítica do antigo bastonário da OA, José Miguel Júdice, ao actual, A. Marinho Pinto, apesar de politica e corporativamente (in)correcta, tem duas grandes virtudes:

1º. mostra-nos um dos (muitos) rostos de quem odeia a mudança, e de quem quer - à custa de lugares comuns, opacos e bolorentos - manter tudo como está (e está péssimo).

2º. indentifica-nos com mais clareza, um dos "alvos" da nossa desconfiança...

A falta de vergonha


O general que dirige o Observatório de Segurança alerta para a chegada de uma explosão social e para a ocorrência de movimentos de cidadãos insatisfeitos

O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.

É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).

Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.

O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.

Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor.

Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.

Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em D.R.

Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.

Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.

Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.

É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões. Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta.

Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.

É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!

Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos.

Garcia Leandro

Com estes portuenses o Porto é Porto, o resto, é "espionagem"

O meio ministério da Inovação (a outra metade é da Economia), inventor desse incomparável provincianismo consubstanciado no Allgarve, brindou-nos com nova campanha de promoção turística.
Segundo li, o objectivo é "vender Portugal como a Costa Oeste da Europa". Ou, traduzindo "The West Coast of Europe". A ideia, produzida pelas mentalidades típicas da capital que há um século e meio nos coloca na cauda da Europa, é sofisticada o país da modernidade e da mudança até é capaz de alterar a geografia. Redesenhar os mapas. Basta de sermos um país do Sul. Daí são a Espanha, a Itália e o Chipre (e por que não a Croácia, Malta, a Albânia?).

Sendo maus alunos de Geografia, estão obviamente confundidos: querendo, porventura, significar mediterrânico, esqueceram-se do Sul de França. Abaixo, pois, o Sul! Os países do Sul são atrasados, digo eu. "Temos de sair do Sul", escrevia o responsável pela Campanha, acrescentando que o Oeste, onde o país foi geoestratégica e turisticamente reposicionado, é o "símbolo do desenvolvimento e da democracia". Além de mudarem a geografia, os transformadores da realidade alteraram a História.

O símbolo da Democracia de que falam não é a civilização grega, porque do Sul, e o desenvolvimento não são os países do Norte da Europa, o Canadá ou os States. Nada disso. A Oeste. Reformule-se, portanto, tudo quanto pensávamos.

Mas o mais espampanante é a escolha dos novos símbolos da portugalidade. Os nossos ícones. As imagens de marca que nos representam Cristiano Ronaldo, Mourinho, Mariza, acompanhados de et ceteras que, salvo a Vanessa Fernandes, ninguém conhece. Nem de vista nem de ouvido - gente certamente escolhida pela proximidade da capital.

Para aumentar o pendão internacionalista, as fotografias - como nesta Costa Oeste não há fotógrafos - são de um estrangeiro (by Nick Night, dizem os enormes painéis ou outdoors com que o Terreiro do Paço inundou as capitais europeias, levando-lhes a luz da sua Civilização - novo farol do Ocidente, perdão, da West Coast).Como temos de sair do Sul, custe o que custar, nem que seja desmantelando o espírito do país, alteraram também as cores que o representavam. Portugal já não é verde, vermelho, ocre, rosa (havia um chamado "rosa Portugal", para esta gente parolo e reaccionário), amarelo, castanho. Já não é sol, nem luz, nem Sul. Agora é azul (desmaiado) e branco. É nórdico. Além da Califórnia (The West Coast, mas com dois milhões de pobres), os transformadores querem-nos da Finlândia, dos gelos e neves. Desmaiados.

Somos portanto nórdicos, mas sem a Nokia ou a Ikea e apenas com os despojos de um país que substitui Camões, Garrett, António Vieira, Verney, Gama, Cabral, Ribeiro Sanches, Magalhães, Eça, Pessoa, Vieira da Silva, Saramago e muitas mais inutilidades. Um país que está a ser transformado em sucedâneo de si próprio, representado por futebolistas, fadistas e etc..

À cultura e à História sucede o pontapé, a corrida, a estratégia da bola e o gorgeio plangente. Decididamente, a capital do centralismo só nos dá anedotas depois de, através do mais monumental tiro no pé da incompetência mediática, ter feito eleger como o grande, o maior português, um ditador que compôs as finanças, mas nos fez atrasar décadas em relação ao Mundo, lança agora, como estratégia de afirmação, um país virtual, estranho a tudo quanto somos.

O pior é que, além de utilizar os outdoors para poluir a paisagem e a Imprensa lá de fora, dando de nós a imagem de um Sul parolo a fingir que não é, esta campanha cobriu, de alto a baixo, um dos mais belos edifícios do Porto o Paço Episcopal. A nobreza barroca, a elegância talvez nasoniana daquele magnífico monumento, viu-se travestida com os retratos do Cristiano Ronaldo e da Mariza (sem menosprezo por eles, que não têm culpa destas mirabolâncias de quem tem posses para comer sardinha e quer passar por comer lagosta).

Lá do céu, onde paira, o notável bispo D. João Rafael de Mendonça, cujo amor à arte impulsionou a construção do Paço, a estas horas, deve estar a comentar aturdido para os anjos que o rodeiam: "Meu Deus! No que este país está a transformar-se!"

Quanto ao resto, por mim, que sou nortenho e, para o que vejo, conservador e nunca me senti inferiorizado no Atlântico Sul, prefiro Camões e um outro Portugal a este que nos tentam impingir.

PROCURADORIA CENTRALISTA

Pinto da Costa, foi ontem primeira página do JN (cuja informação vem revelando perigosos sintomas centralistas) com o anúncio "folcolórico" de mais 3 anos de "animada" investigação.

Hoje, é isto que "anima" o JN, sem preocupações aparentes com acontecimentos bem mais graves, ocorridos com adeptos de clubes de Lisboa, como foi o caso da navalhada benfiquista a um adepto do Vitória de Guimarães, ou com os incidentes no estádio da Luz provocados pelas claques benfiquistas que atiraram novamente tochas para o relvado onde permaneciam crianças.

Parece que a procuradoria descobriu no Porto um tónico para se recompor das suas próprias asneirolas, ciente que está do lado onde está a força (e o poder), que continua a ser a capital. Mas, se for assim, não está a mostrar a imparcialidade exigível às suas funções, acabando por ser cumplíce pelo estado pré-caótico que o país atravessa.

06 fevereiro, 2008

Será para aumentar o ordenado de Constâncio?

Os bancos preparam-se para nos cobrarem 1,50 Eur por cada levantamento nas caixas ATM .

Isto é, de cada vez que levantar o seu dinheiro com o seu cartão, o banco vai almoçar à sua conta .. Este "imposto" (é mesmo uma imposição,e unilateral) aumenta exponencialmente os lucros dos bancos, que continuam a subir na razão directa da perda de poder de compra dos Portugueses.

Quem não estiver de acordo e quiser protestar, assine a petição e reencaminhe a mensagem para o maior número de pessoas conhecidas.

Já vai para cima de 100 000 !!!

http://www.PetitionOnline.com/bancatms/

04 fevereiro, 2008

"Porto Cidade Região”. E a informação?

Segui com natural interesse e razoável expectativa o 3º Encontro Porto Cidade Região, uma muito louvável iniciativa da Universidade do Porto que assim assume o seu insubstituível papel de catalizador de reflexão e de procura de novos caminhos para o desenvolvimento regional.

Teremos naturalmente que esperar pela redacção das suas conclusões para uma percepção clara do peso que algumas extracções entretanto feitas pelos órgãos de comunicação social terão no relatório final, desde logo o relatado consenso à volta da necessidade da Regionalização que, com a completa conversão de sectores anteriormente renitentes, como é o exemplo de Rui Rio, daqui só pode sair reforçada.

O que motiva este meu impulso para intervir no espaço público é a ausência deste encontro de um tema que penso incontornável, quer pensando no desenvolvimento económico e social strictu sensus da região quer na Regionalização: o da informação/comunicação social.

Tenho a certeza de que é um sector absolutamente estratégico, custa-me perceber que ele não tenha estado no centro das reflexões deste considerável conjunto de “massa crítica” reunido para debater o futuro regional, o nosso futuro.

Dois vectores, entre outros, possíveis de avocar para perceber a importância da informação/comunicação para o desenvolvimento regional.
A identidade. A comunhão de interesses, a proximidade social e uma definição cultural mínima são pontos centrais para se ganhar a opinião pública para um projecto tão estrutural e ao mesmo tempo polémico como é a Regionalização. Explicar as vantagens económicas e sociais da constituição em Região, relevar o conjunto de características e de costumes que unem as populações e aprofundar a cultura que faz a diferença com outras regiões não podem deixar de ser objectivos dos defensores do processo político que levará até à Regionalização (com ou sem referendo).

A propriedade e os conteúdos: Em que terreno se fará esta autêntica batalha ideológica em prol da Região Norte? Claramente na comunicação social. E quem domina a comunicação social, na sua propriedade na opinião publicada? Não são claramente adeptos da Regionalização ou sequer de uma descentralização políticio-administrativa minimamente séria.

Este tem sido um terreno (a par do sector bancário) em que o centralismo nunca facilitou.

Desde a atribuição das rádios regionais, com a derrota da Rádio Nova em favor de uma Rádio Press que não passou de um instrumento para chegar ao que é hoje a cadeia TSF, que nunca cumpriu o espírito de uma Lei que na sua origem apontava para a existência de uma emissora regional (onde está ela?); passando pela privatização do “Jornal de Notícias”, primeiro negado ao comendador Gonçalves Gomes que quis comprá-lo e de pois literalmente “roubado” à cooperativa dos seus jornalistas que tinha o apoio do Grupo Amorim; pela atribuição das licenças de TV privadas, com a Sonae a ser preterida em favor da Igreja, que depois, como era previsível, não aguentou o projecto e passou-o a terceiros; o fecho da NTV, em que a opção política se sobrepôs claramente ao interesse regional; com a recente venda do conjunto de publicações do grupo Lusomundo em que uma vez mais a Sonae ficou para trás…

E se formos aos conteúdos, onde está a expressão regionalista nas colunas ou nos espaços opinativos das rádios e das televisões? Contam-se pelos dedos os colunistas claramente comprometidos com opções regionalistas e a muitas vezes acantonados em edições locais… Passemos mentalmente em revista jornais, rádios e televisões nacionais (é claro que o conceito “nacional” se confunde com sede em Lisboa) e é fácil concluir que o Porto e Norte estão esmagadoramente arredados desses espaços e as poucas excepções a este 3º Encontro Porto Cidade Região,ostracismo estão confinadas ao futebol ou a programas de entretenimento fora dos horários nobres.

E lembremos o que foi acontecendo com as em tempos poderosas delegações do “Expresso” ou do “DN”, ou das hoje inexistentes representações institucionais do “Semanário” ou do “Sol”; da não surpreendente falta de peso nos noticiários nacionais das delegações da SIC ou da TVI e mesmo da incerteza do que será a produção informativa da RTP (seja para a “N” ou para os jornais nacionais)… O “Público” é um jornal com natural vocação nacional com espaço reduzido para a informação local ou regional e o “JN”, com o respeito devido ao seu êxito comercial, perde-se entre o seu mercado natural (regional) e uma ambição nacional que o próprio mercado se vai encarregando de negar todos os dias (já agora, será natural que o actual paradigma do jornal do Norte esteja em simultâneo desavindo com o presidente da Câmara e da Área Metropolitana do Porto e tenha tão “má consciência” em relação ao FC Porto?).

E a questão que fica para os intervenientes no 3º Encontro Porto Cidade Região é simples: em que meios vão ter espaço para explanar e expor consistentemente as suas ideias? Não foi o Norte pujante quando tinha o “Jornal de Notícias”, “O Comércio do Porto” e “O Primeiro de Janeiro” interventivos, sem complexos e claramente ao serviço da população do Porto e da Região? No preâmbulo da República, durante o Estado Novo ou no “Verão Quente” foi nas suas páginas que as principais figuras portuenses encontraram espaço para a sua opinião e para as sementes da mudança ou da resistência.

Em que jornal, rádio ou televisão não é preciso mendigar espaço para defender a Regionalização ou ser “politicamente incorrecto” para com o centralismo? E as autarquias? As suas iniciativas, o seu dia a dia, que é o do cidadão comum, não merecem espaço digno, mais do que as parcas colunas das “Regiões” ou da “Província” onde sai arrumadas para não parecer mal?
O exemplo da comunicação social regional por toda a Espanha devia ser um exemplo e uma prova da vitalidade de projectos absolutamente viáveis e, repito, indispensáveis à afirmação regionalista.
Rogério Gomes
(texto publicado no Local/Porto do "PÚBLICO" de 01.02.2008

NOTA:
considero este tema da "Comunicação Social/Informação" sempre actual e pertinente. É, um dos principais responsáveis pela perda de protagonismo do Norte do país e do Porto, a nível nacional e internacional.

Em todos os espaços de debate público em que participei, nunca deixei de enfatizar este problema, por ter estado sempre seguro do pêso e da influência que teve na decadência social e económica da região.

Por isso, não me entusiasmo por aí além, com as benfeitorias empresariais dos Belmiros e dos Amorins, que descuraram completamente este "furo" na economia local e não lhe souberam dar o "combustível" (capital /autonomia) e o apoio exigíveis...

Joaquim Oliveira, um "homem do Norte", fê-lo, mas para seu próprio proveito na direcção errada, com a maioria das sedes e dos centros de decisão das suas empresas de comunicação reforçados em Lisboa. Por aqui se comprova, que a iniciativa privada não é de todo remédio garantido, quando o Estado é doente.

Ontem, como hoje, o carácter dos homens é a melhor garantia de sucesso para as grandes causas , a única que realmente conta. Nem a iniciativa privada, nem o Estado contam para grande coisa se despojados de ideais.

Rui Valente

02 fevereiro, 2008

Se o Porto seguisse Gaia...

A atitude relativamente ao destino a dar a velhos imóveis ou quarteirões, consubstanciada na alternativa "conservar beneficiando", ou pelo contrário "demolir", tem tido oscilações pendulares nos últimos decénios. Houve a fase "deita abaixo porque é velho" a que se seguiu a actual fase "se é velho é para conservar", sem que haja um criterioso exame prévio que defina os motivos ( históricos, estéticos, ou outros) que justifiquem a decisão de recuperar. Dado que já ouvi um ilustre arquitecto portuense exprimir este mesmo queixume, sinto-me bem acompanhado.

Vem isto a propósito da decisão da CM de Gaia de demolir as casas e casebres na encosta do mosteiro da Serra do Pilar. Pessoalmente esta medida enche-me de satisfação. Faço parte das pessoas que adoram bairros ou cidades antigas, desde que apresentem dignidade, beleza estética, limpeza e, se possível, um ambiente histórico. Tenho feito milhares de quilometros unicamente com essa finalidade. Quem negará a beleza indescritível que se respira nas ruelas de Compostela, Salamanca, Toledo, Córdoba ou Guimarães, ou em pueblos pouco conhecidos como Pedraza de la Sierra, La Alberca, Baeza, Covarrubias, Santillana del Mar, nomes a que se poderá acrescentar as portuguesas Sortelha, Monsanto, Linhares da Beira, e tantos outros?

O estado actual das escarpas sobre o Douro, no Porto e em Gaia é, em minha opinião, uma vergonha. Geológicamente impróprias para construções incipientes, esteticamente um desastre, e socialmente uma chaga.

Sonho em ver requalificadas as duas marginais do Douro, oferecendo um "estojo" adequado a um rio fantástico como esse. Fico com a esperança que esta demolição seja o "pontapé de saída" para a concretização desse sonho. Se arquitectos, paisagistas, autarcas (dos dois lados do rio), instituições, sociedade civil de um modo geral, focassem a sua atenção nessa área, reconhecendo a necessidade de mudança, alvitrando soluções, discutindo alternativas, talvez daqui a uma dúzia de anos nos pudéssemos sentir orgulhosos da nossa marginal.

01 fevereiro, 2008

As víboras do "compadrio" já começaram o cerco!

Esta irritante agitação, à volta das declarações do actual Bastonário da Ordem dos Advogados, com a (previsível) vinda a terreiro das primas-donas da corporação, manifestando-se "ofendidas" com o seu teor, sem que nada o justifique, tem apesar disso, uma serventia: a de, eventualmente, mostrar o verdadeiro rosto de quem teme a revelação pública dos seus próprios "rabos de palha". Estranhamente, há demasiada gente incomodada quando, afinal, devia manter-se tranquila, se não mesmo animada com alguém que finalmente põe o dedo na ferida e revela vontade de acabar com esta paz podre em que tem vivido a justiça portuguesa.

Quantos de nós, terão já pensado como a vida da maioria dos portugueses seria muito mais rica, justa e equilibrada, se todos, em todas as áreas da sociedade, tivessem um pouco mais de cuidado com a forma como se relacionam com os outros? Por que raio exigimos o respeito de terceiros, sem muitas vezes nos empenharmos em manter sempre uma conduta correcta, de maneira a afastar a mínima suspeita sobre a nossa idoneidade aos olhos da sociedade? E quem mais do que os magistrados, polícias, procuradores, juristas, políticos e advogados, têm o dever de colocar em prática esses princípios? Será de páraquedas avulsos que vai cair no Mundo dos grandes negócios (mem sempre claros) gente da política?


Ora, sendo público e factual, que no nosso país, os raros julgamentos envolvendo 'grandes' figuras da finança e da política, nunca chegam propriamente a sê-lo, acabando invariavelmente por prescrever, como é que ainda assim, há quem tenha o despudor de vir para os jornais e televisões armar-se em virgem ofendida quando, realmente os ofendidos são os cidadãos que assistem impotentes a esta pouca vergonha? Só falta dizer também, que a culpa (como agora gostam de dizer), é de todos nós! Uma ova!


Neste Estado de Direito torto, de "respeitáveis" répteis bem falantes, Marinho Pinto é uma rara excepção de carácter, e só espero é que não arranjem forma de o remeter ao silêncio, porque com ele, talvez possamos ter esperança de que alguma coisa mude, na forma e no conteúdo da Justiça, em Portugal. Os seus poderes são limitados, mas pode ser que, pelo menos, possa dar um bom contributo à nova geração de advogados. O que, no estado a que chegamos, já não seria mau.

31 janeiro, 2008

PACHECO PEREIRA

Como aqui previ (ah, se fosse tão fácil acertar no euromilhões), Pacheco Pereira, cegou.

Não viu, não ouviu e não quer saber.

As barbaridades (crimes) praticadas por alguns marginais, só o acordam e incomodam quando acontecem no Porto. Ontem, na "Quadratura do Círculo",não tossiu nem mugiu. Nada.

O costume. Aprendam a conhecê-lo, meus senhores.

Litério Marques


Homem simples, frontal e lutador, deu uma lição a muitos dos seus petulantes pares, que confundem a cadeira da Câmara com poleiros para soberanias mais pomposas...
Mostrou, sem complexos ou clichés intelectualóides, como se deve representar e lutar pelas populações que lhe deram o mandato da Presidência da Câmara de Anadia, e protestou ao seu lado, mesmo submetendo-se ao ferrete do labéu "demagógico" dos "politicamente correctos". E venceu.
Não é, mas se a sua actuação fosse realmente populista" (adjectivo
muito útil), seria caso para dizermos: "bendito populismo"


Litério Marques

Cuidado com as metamorfoses...








DOIS EXEMPLARES DE POLÍTICOS DE 'GRANDE VISÃO'...
SEMPRE FORAM ANTI-REGIONALISTAS, ENQUANTO ESTIVERAM EM LISBOA.
PORÉM, A MUDANÇA DE ARES PARA O PORTO FAZ DESTES MILAGRES:
AGORA, "SÃO" DOIS IMINENTES REGIONALISTAS.
ADIVINHA: POR QUE SERÁ?

30 janeiro, 2008

Corrupção!

Embora o título nos possa levar ao engano, não se trata do filme que retrata um suposto desenlace litigioso de duas conhecidas personagens.

Os protagonistas aqui são outros. Doutra estirpe. Uma estirpe muito mais "elevada", “uma criminalidade do mais nocivo para o Estado e para a sociedade” que “é praticada por intocáveis no poder”

Com estas palavras Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, embora não citando nomes ( parece-me que também não era necessário ) denunciou um conjunto de pessoas e situações que todos sabemos serem verdadeiras. Muitas virgens mostraram-se ofendidas.

O jornal 24 horas hoje fez-nos o favor de nos mostrar as (mais do que conhecidas) caras de alguns senhores que, segundo a interpretação do citado jornal, são os acusados por Marinho Pinto. Eu cá acho que o jornal é capaz de ter acertado.

Mas há mais, muitos mais dos que aqui aparecem. Estranhíssimo é que não apareçam caras de autarcas do Norte. Não é que não haja corruptos entre eles, porque os há, mas pela fama que têm eu estava à espera de pelo menos um entre os tubarões.

Hoje, novamente, Marinho Pinto voltou a fazer acusações claras. Só não as entende quem não quer.

António Alves

A "ABRUPTURA" DO PACHECO PEREIRA

Este intelectual/político/ex-político-quando-quer, reputado e bem remunerado, costuma ter os holofotes das suas preocupações apontados para uma cidade especial que, por mero acidente da natureza, foi a que o viu nascer: o Porto.

É contra a Regionalização, o que faz dele o portuense mais paciente e ingénuo que se conhece. Paciente, pela capacidade intemporal de esperar que a descentralização caia do céu. Ingénuo, por não se importar de passar por estúpido e por nos querer convencer que acreditamos na sua ingenuidade.

Por hábito (ou cisma), as suas preocupações com o Porto e suas instituições mais populares (ó, palavrão horrível) estão direccionadas para a crítica fácil. Detesta o futebol, mas com especial azedume um clube, que por acaso e para vergonha da classe política a que pertence, tem sido a única fonte de alegria e orgulho dos portuenses nos últimos 30 anos.

Pelos seus olhos de falcão, não escapa o menor acto de vandalismo que ocorra no Porto ou, de preferência no Futebol Clube do Porto. Quando tal acontece, já sabemos que os seus pregões moralistas vão ocupar uma boa parte do tempo de antena na "Quadratura do Círculo".

Estejamos portanto atentos, logo à noite, às 23h, na SICNotícias, para testarmos o estado de saúde dos seus olhos rapinantes e para ficarmos a saber se são indiferentes à presa, ou se cegam conforme a côr da dita...

Num recente jogo de futebol entre o Guimarães e o Benfica, depois de várias acções de violência provocadas por benfiquistas, um adepto do Guimarães foi apunhalado por um outro do Benfica.

Também na capital, um jovem assassinou a tiro outros dois. Vejamos, se o senhor Pacheco, vai abordar o assunto ou se, no mínimo, irá reclamar um sugestivo nome de baptismo para o processo em causa. Por exemplo: "Noites Encarnadas".

Aqui fica a sugestão.

29 janeiro, 2008

O paradoxo da prostituta

Na caixa de comentários do Avenida Central, a propósito deste post, e também do comentário do intitulado "Degolador", que é um bom exemplo duma espécie de pensamento que, a meu ver, é recorrente nestas questões da Regionalização, escrevi, por minha vez, o comentário que aqui reproduzo.

15:47Degolador disse...Pois pois...estes gajos do Porto nunca me enganaram!A falar de regionalização nuns encontros denominados "Porto: Cidade Região" ... o que eles querem sei eu.Cada vez menos me sinto inclinado a deixar cair a bandeira das 2 ou 3 regiões a norte do Douro ... é que o Porto não me está a inspirar nenhuma confiança. Para ser dependente (e explorado) por alguém, sempre prefiro ser chulado directamente por Lisboa, que já sei com funciona.

16:21António Alves disse...Rui Rio nunca foi regionalista e nunca o será. Rui Rio é apenas um oportunista profissional que vê as coisas a andar para trás (Eleição de Menezes a líder do PSD) e agora quer ser reeleito para a Câmara, pois não tem para onde ir. Como no Porto já começam a descortinar a fraude que ele é convém agora mostrar-se regionalista. Com o tempo, se for necessário, até será capaz de ir ao Dragão assistir a uns jogos.
Agora quanto ao "degolador": continue com esse pensamento e o melhor que poderá acontecer ao seu Minho será o caminho da extinção tal como está a acontecer a Trás-Os-Montes. A sua declaração de amor ao "chulo" é eloquente. É esse o paradoxo da prostituta: o chulo bate-lhe e explora-a, mas ela não o deixa porque pelo menos esse ela já conhece. Como paradigma de pobreza intelectual não podia ser melhor.17:22

Douro, Maravilha da Natureza

Tive o privilégio de conhecer de muito novo, os encantos do Douro vinhateiro. O meu avô materno tinha uma quinta perto do Pinhão e desfrutei de gloriosas jornadas de caça nos socalcos bravios da Quinta dos Canais, junto à Senhora da Ribeira, em Carrazeda de Ansiães.

Acho que nenhum nortenho ou português se deveria sentir dispensado de ver, como tantas vezes vi, o nascer do Sol no alto dos fraguedos transmontanos, adoçados por um luxuriante tapete de socalcos que nos alonga o olhar até aos tranquilos meandros do Douro.

Esta verdadeira impressão digital duriense que nos é dada pelos socalcos torneantes do Douro, é tanto mais impressiva quanto nos apercebemos da rudeza daquele solo agreste e seco, sem acessos que permitam o benefício da tecnologia.

Não conheço melhor demonstração do carácter dos nortenhos – o labor, o engenho, o sacrifício, a generosidade, do que estas incríveis marcas do Douro, arrancadas de forma tão profunda às entranhas de uma natureza indomável e arrebatadora.

Na próxima terça-feira é apresentada pela AETUR a campanha da candidatura do Douro a “Maravilha da Natureza” que coloca o Vale do Douro entre os 150 nomeados àquele titulo junto da “New Seven Wonders Foundation”.

Depois da distinção ditada em 2001 pela Unesco de consideração do Douro Vinhateiro como Património Mundial da Humanidade, julgo ser obrigação dos nortenhos e dos portugueses amplificarem os efeitos de divulgação desta campanha e desta candidatura.

O Jornal Público que hoje dá à estampa esta notícia, publica curiosamente na página seguinte uma entrevista com o Presidente da CCDRN, Carlos Lage em que este reconhece que aquela instituição (que tantas vezes, por critérios próprios, condiciona ou prejudica investimentos privados de qualidade) não foi sequer ouvida acerca da construção na região da nova barragem do Tua.

Antes que o assunto ganhe os patéticos contornos de Foz Côa, vale a pena que nos assegurem que a preservação do Douro e a qualificação do seu património, serão sempre um pressuposto desta ou de qualquer outra intervenção.

Ou será preciso pedir a Rui Moreira e a Francisco Vanzeller que façam eles o trabalho de casa?

António de Souza-Cardoso


Nota de "Renovar o Porto":


Para alguém que, como António de Souza Cardoso, descreve de modo tão sentido os encantos da magnética região duriense, é quase um crime de "lesa-região" divorciar-se dela noutros contextos... Parabéns, assim mesmo.

Graves crimes, branda justiça

"uma sociedade 'off shore' comprou, em 7 de Dezembro passado (quando já eram conhecidas por alguns "happy few" bem colocados, as conclusões do LNEC sobre Alcochete), uma herdade na zona onde vai ser construído o novo aeroporto por 250 milhões de euros - 6,52 € o m2 -..."

Tenho de voltar à carga. Afinal, para onde querem levar este país?

Se o receio das entidades ligadas à Justiça, é o da generalização das suspeitas, então, só têm é de arrepiar caminho e tratar do mal à nascença, com uma actuação mais célere e competente face à criminalidade. Se não sabem, ou não lhes são facultadas as condições necessárias para o fazer, protestem, ou então, demitam-se! A lei do silêncio não resolve nada, apenas paraliza a prática eficaz da Justiça e estimula a criminalidade.

Andámos nós, a discutir a Regionalização, a centralização abusiva do Estado, convencidos que se trata apenas de uma questão de autismo político, mas a realidade é que o problema é muito mais grave e profundo do que se imagina.

As declarações do bastonário da Ordem dos Advogados, apesar de nada terem de insólitas, relativamente ao que é do conhecimento público, continuam a agitar de forma estranha as águas mansas em que, preferencialmente, gostam de nadar as elites do sistema judicial. Por que será?

Marinho Pinto terá, subitamente, inventado a "pólvora" da corrupção, ou a magistratura portuguesa andará convencida que o mundo do crime no nosso país se resume aos processos do "Apito Dourado" e da "Noite Branca" confinado a um clube e a uma cidade específicos? Ontem mesmo, houve dois crimes mortais na região de Lisboa e, até ver, não consta que a Procuradoria tenha atribuído um nome de "baptismo" à infracção com o aparato que dedicou a casos similares ocorridos no Porto.

Num regime, tido como democrático, ninguém pode ser ameaçado por denunciar situações desta gravidade, de mais a mais, quando somos diariamente confrontados com escândalos envolvendo gente ligada ao poder, cujo comportamento dúbio nada de honesto prenuncia.

Este artigo de Manuel António Pina, à luz do últimos acontecimentos, pode muito bem vir a merecer-lhe (e a nós também) um processo crime ou intimação para se remeter prudentemente ao silêncio, porque o seu conteúdo - mais do que estas peneirices corporativistas da justiça - devia, esse sim, merecer uma investigação empenhada da Procuradoria Geral da República, de forma célere e com nobre desfecho.

Na Justiça, subsiste uma estranha e comprometedora parcimónia, quanto se põem em causa figuras ou instituições de relêvo, o mesmo não sucedendo quando os visados são gente comum ou pequenas associações, deixando desde logo, a ideia de juízos diferentes para estatutos diferentes, o que, vem ferindo de morte a confiança que devia merecer a todos os cidadãos.

PS-Depois disto, ainda há quem tenha a "lata" de dizer (e vender a ideia), que passamos a vida com lamúrias. Estes seres bem pensantes só podem (também eles) estar cheios de rabos de palha...

28 janeiro, 2008

As 'sábias' declarações de Augusto Mateus

A propósito deste artigo do Jorge Fiel publicado no "Bússola", não posso deixar de fazer uma observação às declarações de Augusto Mateus.

"O Porto?Esqueça o Porto! O Porto não vai a lado nenhum. Quer ser igual a Lisboa. As pessoas do Porto não se entendem umas com as outras e só sabem estar a lamentar-se. Esqueça o Porto!"

Independentemente da pouca razoabilidade evidenciada nestes comentários, o estilo de discurso deste deputado socialista, não deixa de alinhar pelo mesmo diapasão, armadilhado de verdades absolutas, típicas do discurso centralista.

Vamos lá a ver: o Porto foi sempre assim? Foi? Nunca teve vida própria? Esteve sempre dependente da mamã (madrasta) Lisboa?

Nunca teve comércio, serviços, nem indústria próprios ? E Bancos, também não? E as pessoas do Porto? Sofreram de alguma súbita e profunda alteração genética para agora não conseguirem entender-se entre elas? Mas que mistério é esse do Porto querer ser igual a Lisboa? O que se passa afinal? Agora, também já nos querem transformar em invejosos de mau gosto?

Admitindo que sim, o que terá provocado tal mudança? Talvez o Centralismo "Democrático", não? Que me diz senhor Augusto Mateus, será isso que nos quer dizer, mas não tem coragem para o assumir com palavras simples? Quererá Vossa Senhoria comprometer as valências da democracia contemporânea em prol das do Estado Novo, caduco e repressivo? Compreende-se que não queira, porque isso levar-nos-ia a somar mais dúvidas ao oásis político actual (igual ao que já 'vivemos' na dinastia Guterres), não é?

Por que será, que em mim não pega esta lenga-lenga masoquista com que pretendem etiquetar os portuenses para explicar uma crise, da qual, nunca foram os primeiros e principais responsáveis?

Que os políticos do regime, usem e abusem desta autêntica pomada milagreira como argumento, é repulsivo, mas dada a sua subida qualidade, até podemos compreender. Agora, o que já custa compreender, é que muitos cidadãos do Porto se deixem confortar por estes "agasalhos" moídos de traça e dancem ao som da mesma melodia.

Declarações deste tipo, são autênticos atestados de menoridade que nos deviam indignar e revoltar, por isso, as rejeito com toda a veemência. A elas e aos seus autores.

ANTÓNIO MARINHO PINTO (O BASTONÁRIO)

Longe de mim, pôr em causa ou sequer insinuar, a utilidade daqueles, que pelos meios mais variados, procuram apresentar soluções melhor ou pior sustentadas, para os imensos problemas que atravessam o país de Norte a Sul, com gravidade acrescida e comprovada no Porto/Norte Interior.

Nos jornais, rádios, televisões e blogues, não falta quem dê o seu melhor, para tentar mudar o país. Como num fastidioso jogo de xadrês, movem-se pessoas como se de pedras de tabuleiro se tratasse, sugerem-se novas lideranças, criticam-se e duvida-se de muitas outras. Em vão?

Frequentemente, o excesso de voluntarismo leva-nos a eleger para certas "missões", personalidades que nos parecem credíveis, mas depressa nos vemos compelidos a moderar os ímpetos, por efeito das suspeitas que sobre elas, de repente, se abatem. É incontornánel.

Se na justiça, na saúde, na educação, na economia e na própria actividade política, pouco ou nada funciona, como poderemos nós alterar a situação, dentro da chamada legalidade democrática? Será justo para as populações, condicionar a sua acção interventiva na vida política aos mecamismos "legais" e constitucionais vigentes e obrigá-las a tolerar intemporalmente o desgaste provocado nas suas vidas por actuações desastrosas de políticos irresponsáveis?

Os últimos acontecimentos que rodeiam a classe política situada nas esferas do poder (PS e PSD), torna-lhes cada vez mais difícil esconder o "rabo", e os exemplos de seriedade que têm dado ao país não são propriamente recomendáveis, tanto na aparência, como na substância. O que nos resta então fazer em relação a estas realidades? Suportá-las? Em nome de quê? De uma liberdade de bolso rôto, que nos vai "deixando" desabafar, mas que impede os nossos filhos ou netos de arranjar emprego e planificar o futuro, mesmo que tenham formação técnica e académica?

Em vez de andarmos para aqui, em blogues temáticos, entretidos a discutir o sexo dos anjos, obrigados a mudar de opinião à velocidade da luz, não seria mais inteligente procurarmos e exigirmos novas regras para o fortalecimento do regime democrático? Falando em sentido figurado, será própria de uma sociedade democraticamente evoluída, a nossa permissividade face aos sinais evidentes de corrupção e de tráfico de influências patenteados por aqueles que, por mandato nosso, detêm e abusam do Poder?

A coragem (que, indignada e categoricamente me recuso a rotular como "populista"), revelada pelo bastionário da Ordem dos Advogados, é a todos os títulos louvável, tanto mais, quanto é publicamente conhecida a hipocrisia corporativista deste tipo de instituições, que mais do que para servir os interesses dos seus membros, servem os interesses inconfessáveis dos mais poderosos e comprometidos com os vícios do regime.

Não será por acaso, que são os partidos do poder que mais se melindram com as declarações de Marinho Pinto. O que vai ser interessante saber, é como será conduzida a investigação delas decorrentes e, sobretudo, como irão acabar. Se a tradição continuar a ser o que é, o destino deste processo será a sua prescrição temporal ou então (o que não seria surpresa) o afastamento compulsivo do actual bastonário dos advogados. Estejamos atentos, e vamos lá a ver, se não iremos, mais uma vez, ter uma nova versão do significado da palavra "populismo" - muito útil na velha argumentação política -, que em puro e bom português quer dizer: "falar de mais", ser "inconveniente", falar verdade".

Por isso, Marinho Pinto, não tem que provar coisa nenhuma. Disse (seguramente com conhecimento de causa), apenas o que todos já sabem mas não têm seriedade para o admitir. Investigar, é a função das polícias e das procuradorias competentes.

Se há por aí, quem considere populista, denunciar estas desprezíveis ocorrências, seria bom que percebessem que a tentativa de as silenciar pode ser considerada ou interpretada como manifesta cumplicidade criminal, o que, saliente-se, é muito mais grave.

Do que precisamos, antes de tudo, é de gente comprovadamente digna, para os cargos públicos, mas para tal, será imprescindível que o cidadão disponha de outros mecanismos legais, capazes de acompanhar e examinar o seu desempenho de modo mais interventivo e eficaz, em tempo útil.

25 janeiro, 2008

O NORTE NÃO PODE CONTINUAR A DORMIR DESCANSADO

À procura de soluções para a região

A Universidade do Porto (UP) vai
organizar um encontro de trabalho
entre reconhecidos académicos e
actores políticos e económicos do
Porto que visa encontrar novas
soluções para o desenvolvimento
sustentável da região.


Mais de uma centena de especialistas vão reunir no Palácio da Bolsa durante a próxima segunda e terça-feira para elaborar uma série de medidas concretas que permitam tornar o Grande Porto num pólo de competitividade nacional no seio de uma economia europeia baseada no conhecimento.
Sob o lema "Para uma Região do Conhecimento", a terceira edição do encontro "Porto Cidade Região" pretende identificar problemas e discutir soluções que permitam concretizar a estratégia de desenvolvimento da região apresentada no documento "Norte 2015".
Personalidades como Artur Santos Silva (BPI), Manuel Guilherme Costa (RTP), Luís Portela (Bial), Rui Moreira (Associação Comercial do Porto), António Granado (Público), Sobrinho Simões (Ipatimup), Alexandre Quintanilha (IBMC), Daniel Bessa (EGP), Alberto Castro (Universidade Católica do Porto) ou Emídio Gomes (Junta Metropolitana Porto), divididas por cinco painéis temáticos - Ambiente, Energia e Sustentabilidade; Saúde; Educação/Fomação; Mar; Conteúdos; Manufacturing -, vão discutir formas de transformar aquelas áreas em áreas de vantagem competitiva do Porto, cidade e região.
Propostas que serão depois trabalhadas em conjunto para, no final do encontro, serem apresentadas as primeiras linhas de orientação do documento de conclusões que será, posteriormente, elaborado e entregue aos responsáveis políticos da região e do país.
Apesar de grande parte dos trabalhos decorrer à porta fechada, o encontro arranca às 9.30 horas de segunda-feira com uma sessão pública para exposição de objectivos do encontro pelo reitor da UP, José Marques dos Santos.
Pelas 13 horas, começam as intervenções de Rui Rio, presidente da Junta Metropolitana do Porto, Carlos Lage, presidente da CCDR-N, e João Ferrão, secretário de Estado do Ordenamento do Território e das Cidades.

24 janeiro, 2008

Legalidades em câmara lenta

Ameaça de derrocada obriga a realojamentos na Escarpa de Gaia

A Câmara de Gaia já iniciou o processo de realojamento das famílias que habitam na Escarpa da Serra Pilar, com o objectivo de demolir as construções clandestinas e iniciar o processo de consolidação da arriba. As 58 famílias começaram ontem a ser notificadas. Segunda-feira, o vice-presidente da Câmara de Gaia, Marco António Costa, notificou pessoalmente o Ministério das Finanças, pois os terrenos são propriedade do Estado.


Sendo o Ministério das Finanças, o proprietário dos terrenos desta escarpa, como é possível ter permitido erguer toda aquela construção clandestina durante tantos anos? Como é possível condenar os primeiros infractores - seguramente pessoas de baixos recursos económicos - sem antes o fazer com os segundos, o Estado, que em devido tempo, devia ter tomado uma decisão categórica e não deixar proliferar na serra aquela favela à portuguesa?


Vamos lá a ver, como é que agora vão descalçar esta bota.

23 janeiro, 2008

Rui Rio regionalista

Rui Rio comemorou seis anos de mandato à frente da Câmara Municipal do Porto.

Significativo, mas não suficientemente referido pela comunicação social, na minha opinião, foi o tom nacional que Rui Rio deu ao seu discurso da ocasião, depois de durante a mesma semana terem saído notícias de uma sua possível propensão para discutir a liderança do PSD com Luís Filipe Menezes.

As referências ao funcionamento da Justiça (com passagem pela violência na noite portuense), à polémica que mantém com o Governo por causa do “Porto Feliz” e, especialmente, ao favorecimento do Governo à gestão do seu colega de Lisboa, António Costa, no caso da construção do futuro Hospital de Todos os Santos merecem realce.

Nesse último tema lembrou a compra pelo Estado do terreno destinado ao equipamento de Saúde como uma ajuda às dificuldades financeiras do município da capital, podendo ainda acrescentar-se que a pretexto já foi anunciada uma requalificação de toda a zona, uma “mini Expo” à custa dos contribuintes.

Com esta cada vez mais frequente tendência de chamar a atenção para os privilégios da capital, tendo-se já declarado convertido à Regionalização, um dia destes ainda vamos ver Rui Rio a festejar uma vitória do FC Porto.
Publicado no "Correio da Manhã" no dia 09.01.2008

Rogério Gomes
(Bússola)

21 janeiro, 2008

Vida Política/Vida Militar

Agora, lançada que está a participação pública em sites e blogues (ainda que insuficientemente generalizada) sobre os mais variados assuntos, a profusão de ideias e soluções para os problemas que nos assolam é de tal ordem rica, que ficamos sem ter bem a ideia como é que, com tanta sabedoria dispersa, chegamos a este patamar de pré anarquia política e social.

Ainda assim, não falta quem - a despeito da opinião pública constituir o barómetro mais fiável sobre o estado da Nação - venha apontar, com precisão pretensamente cirúrgica, o dedo da "culpa" das crises (que são permanentes) a todos nós, numa petulante atitude paternalista sustentada em (pre)conceitos e teorias com efeitos mais do que duvidosos.

Segundo as suas teses, quando há fome, a culpa é do faminto. Se o desemprego acontece, a responsabilidade é também do desempregado. Em síntese, a ideia é esta: na vida, há uma solução para tudo (menos para a morte), descobri-la, só depende de nós.

É uma teoria supostamente animadora, muito em voga agora, mas assim mesmo, acéfala e superficial. Contudo - há que reconhecê-lo - tal visão super-optimista do Mundo, serve como luva, ao sistema vigente, para explicar as desgraças humanas, apostado em transformar as vítimas em carrascos e vice-versa. Paralelamente, atinge um outro alvo: dilui as responsabilidades do poder e das elites.

É também para isso, por exemplo, que existem programas como o "Prós e Contras", com audiência garantida e que poucos ousam contestar. Não resolvem nada, nem tão pouco esclarecem, mas "permite" que cada um diga de sua "justiça", sacuda a água do capote, deixando contudo no ar a ideia de um exemplo acabado de prática "democrática".

A conclusão que podemos tirar de tanta genialidade perdida, é que, mais vale sermos nós próprios a "inventar" o regime que queremos, porque o "Menu" que o actual regime nos oferece é pobre, vulnerável, velho e comprovadamente duvidoso.

Solidariamente apoiados pelo povo, um arrojado grupo de militares consumou o 25 de Abril, em 1974, aparentemente para corrigir defeitos ditatoriais com virtudes democráticas. Corrigidos alguns exageros, próprios de um processo revolucionário, os militares regressaram aos quartéis, como lhes competia, dando lugar ao poder civil. Como é consensual a sociedade civil não esteve à altura (e ainda não está) de agarrar o desafio.

Entretanto, o tempo, bom conselheiro que é, a par de alguma experiência pessoal e de alguns laços familiares ligados à vida militar, acentuou-me a convicção de que o Exército nada ficar a dever à sociedade civil e política em exemplos e valores. Pelo contrário.

Involuntariamente, pelos anos vividos em regime teoricamente democrático, vejo-me forçado a concluir que são mesmo os militares a parte mais pacífica e respeitável da sociedade, porque por experiência compreendem os custos de uma guerra e preferem quase sempre evitá-la. Nunca a provocam, apenas a cumprem, quando lhes é imposta.

E se existe excelência moral na esfera militar de que a sociedade civil anda carecida, é a da disciplina e dos valores. Um deles, quiçá o mais importante, é o hábito do respeito pelas regras, que raramente faz escola na classe política, com consequências negativas na sociedade civil.