22 junho, 2008
Obstáculos à Regionalização
Foram dezenas de anos de irresponsabilidade, no sentido de que não tínhamos obrigação de pensar, de escolher entre várias soluções. Alguém pensava por nós, alguém decidia o que na sua opinião era melhor para nós (ou melhor para eles...). A nossa função era obedecer , sem questionar. E foi assim durante 50 anos. Tivemos paz social, a chamada paz dos cemitérios. Tivemos algum progresso material, com aumento do nível de vida, embora o nosso atraso para a Europa continuasse a crescer, porque ela se desenvolvia mais depressa do que nós.
Mas o preço foi altíssimo: transformamo-nos num povo castrado, num povo sem iniciativa, que se habituou a resolver as dificuldades, não através do esforço próprio, mas olhando com olhar de pedinte para o Governo, essa entidade superior que, na nossa opinião, tem obrigação de resolver todos os nossos problemas. E tanto assim é que, repare-se, não foi a sociedade civil que acabou com o Estado Novo, foram os militares e por razões que tiveram essencialmente a ver com a sua comodidade: eram militares mas estavam cansados de fazer a guerra.
Deste modo, a generalidade da população portuguesa não está hoje preparada para defender causas, para participar em movimentos cívicos, a não ser que daí resultem imediatas vantagens materiais. A nossa História mostra que nem sempre assim fomos. Algures no decurso dos séculos caimos nesta "apagada e vil tristeza" de que fala Camões.
Mas as coisas são como são e não adianta chorar. Desistir da regionalização porque o ambiente está desfavorável? Nunca! No entanto é imperioso termos a consciência que nós, os que acreditamos na regionalização, temos um trabalho ciclópico pela frente, o primeiro dos quais será pormo-nos de acordo com o respectivo mapa, não por unanimidade, que é impossível, mas por largo consenso. Não se diga que este já existe em torno das cinco regiões-plano. É falso e pessoalmente acredito que é um erro. Não podemos dar pretextos para a reedição da desculpa tão frequente em 1998: " eu sou a favor da regionalização, mas desta não, e por isso voto contra". Isto corresponderia a darmos armas adicionais a quem está contra.
Permito-me deixar ficar para um próximo post alguns comentários adicionais.
Os bárbaros e cobardes benfiquistas. Outra vez.
20 junho, 2008
Links do dia
2 MP arquiva processo contra Carolina Salgado (Nuno Miguel Maia)
3 Cavaco Silva diz que há algum atraso no processo Casa Pia
1 Elisa Ferreira inspira-me alguma confiança, mas, e se ela chega ao poder e faz o que muitos "socialistas" ( e os outros) do Porto têm feito? Ou seja, se ela depois de ganhar a Câmara, mete a viola no saco, e começa a obedecer ao "big boss" do partido, o que é que nós podemos fazer, além de esperar mais 4 anos? Meus senhores, esta democracia dá-vos garantias?
2 Nuno Miguel Maia (o "repórter" do JN ao serviço de Lisboa). à falta de melhor, repete o que já sabíamos. Isto, é o que se pode chamar, perseverança centralista.
3 Cavaco Silva está a fazer progressos, nós andávamos distraídos. Oportuníssimo, ele veio agora lembrar-nos que o Processo Casa Pia está atrasado. Sabiam?
Será desta, que a máscara vai cair?
Ponto 1Ponto 2
19 junho, 2008
Coerências de uma selecção de "pasquineiros centralistas"...
O recado, é para aqueles senhores que têm por costume transferir para terceiros culpas próprias. A derrota de Portugal, garanto, não é minha.LÉO FERRÉ
Ainda muito novo, decidi sair daqui, deste país (ainda) por cumprir, e já me arrependi muitas vezes de ter regressado. Em França, aprendi a gostar de algumas das suas figuras culturais. Uma delas, foi este senhor com ar meio-louco (já falecido,em 1993 ),mas mais lúcido que ninguém. Era um poeta e músico de grande nível e um anarquista assumido. Ainda hoje, é ele mais do que as multidões, que continua cheio de JUÍZO, embora possa não parecer...
Outros,clássicos da música francesa desse tempo, podem também ser ouvidos, como: Jean Ferrat, Serge Reggiani, Brassens, Brel (este, belga), Moustaki, etc., etc. Ouçam, porque é a melhor maneira de aprender a gostar da poesia para quem não tem paciência (como eu) para a ouvir declamada.
Os compexos que o futebol gera...
Ainda há dias - excepcionalmente - elogiei o último programa "Prós e Contras" e as diferentes opiniões apresentadas sobre o tema "Futebol, alienação ou coesão". Depois, reparei que é muito raro concordar (como foi o caso) com a argumentação de ambos os lados dos paineis e perguntei-me se haveria alguma explicação especial para o "fenómeno".18 junho, 2008
Elogios ao nosso País
Vamos ter TGV's. Não um, que é pindérico, mas três. O primeiro vai sair de Lisboa em direcção a Madrid. Parece que será "grande velocidade" (300/350 Km/h) até Badajoz, e que a seguir, até Madrid, os espanhois vão fazer a linha simplesmente para "altas prestaciones" (250Km/h). Que interessa? Mostraremos aos espanhois que temos um "plano tecnológico" melhor que o deles, há que promover o orgulho nacional.
O segundo TGV é de Lisboa ao Porto e vice-versa. Como vai ser obrigado a parar em todos os sitios - por imposição dos autarcas interessado - vamos lucrar pra aí 20 ou 30 minutos em relação ao Alfa, e pagar uma pipa de massa pela passagem. É claro que há o risco de nessa altura já haver uma política de "céu aberto" em Portugal, e portando haver low costs mais baratas. E daí ? Teremos mostrado a nossa capacidade realizadora.
O terceiro TGV, entre Porto e Vigo, assumidamente será um "alta velocidade" e não um "grande velocidade". Como somos um país de governantes inteligentes, a linha, importantíssima para o Aeroporto Sá Carneiro, não passa perto nem pára lá. Acho genial. Os 500 mil galegos que anualmente utilizam o ASC vão até Campanhã, e depois apanham o metro até ao aeroporto. Deste modo descansam das emoções da alta velociade e simultaneamente damos-lhes tempo para apreciar a nossa paisagem. Os maldizentes dirão que gastarão tanto tempo de Campanhã ao ASC, como gastaram de Vigo a Campanhã. Paciência! Não se pode ter só vantagens.
Também vamos ter um novo aeroporto, que vai ser construído no deserto da margem sul do Tejo. Há quem diga que não era necessário, mas é afirmação de má-fé. Um país tem de aplicar os seus excedentes orçamentais, e se tantas capitais europeias têm mais que um aeroporto, porque é que Lisboa não há de ter dois?
Não se pode também esquecer a TTT (Terceira Travessia do Tejo) que vai ser coisa em grande, a condizer com o facto de Lisboa ser a capital da Europa com maior rede de auto-estradas. Grande Lisboa, agora é que aqueles morcões do Norte vão ficar doentes de inveja. Ah, e o TGV vai parar no novo aeroporto, embora o ministro Jamé tenha explicado que os TGV's se fizeram para ligar cidades e nada mais, por isso é que ele não passa no ASC. Mas capital é capital, e então abre-se uma pequena excepção.
Havia mais coisas boas para citar, mas vou apenas referir uma medida que mostra a preocupação que o nosso governo tem com os pescadores. Consta que a maior comunidade piscatória do país, em Vila do Conde/Póvoa de Varzim, vai ser devidamente aconselhada a só naufragar entre as 09 e as 17 horas, que é o horário de funcionamento efectivo da estação do Instituto de Socorros a Náufragos. Também vão aconselhar a que naufraguem apenas perto de Vila do Conde e não da Póvoa, porque o patrão do salva-vidas está de baixa há três meses, e então o barco não pode sair. Quem não respeitar estas indicações, naufraga por sua conta e risco. Que querem, o dinheiro público não chega para tudo!
Remembrance of New York


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Quo vadis, "Jornal de Notícias"?
17 junho, 2008
No intervalo da crise
1 - O grande perdedor é o Benfica e o seu presidente, e não somente por não conseguirem uma entrada imerecida e fraudulenta na Champions. Acima de tudo, esta crise serviu para desmascarar a verdadeira índole de LFV. Até aqui, com alguma benevolência, poderia dizer-se que era um presidente que usava métodos de actuação, e discurso, fora das regras do verdadeiro jogo limpo, mas que pareciam respeitar alguns limites. Era o tempo da "transparência" e da "verdade desportiva". Esta crise no entanto fê-lo tirar a máscara, que ainda enganava alguns, e mostrar ao país a sua verdadeira face, a face de alguém que não obedece a princícpios morais, porque os não tem, capaz de todas as vilezas, capaz de partir para a agressão física, capaz de ameaçar e coagir. Em suma, alguém que é capaz de tudo, sem limites, para esmagar quem lhe estorvar o caminho. Por isso repito que o Benfica é um grande perdedor: um indivíduo desta índole na presidência, desqualifica o clube e deve encher de vergonha aqueles benfiquistas - que os há - para quem a palvra "honestidade" ainda tem algum significado.
2 - LFV e o Benfica prestaram um péssimo serviço ao futebol portugues. Internamente, porque transformaram rivalidade em ódio extremado, que em futuro próximo pode muito bem fazer correr sangue. Externamente, porque transmitiram a ideia de um país com ambiente futebolístico mafioso, o que só é verdade temporariamente enquanto LFV for presidente.
3 - A posição do Conselho de Justiça da FPF é , para mim, duvidosa. Não esqueçamos que foram ameaçados e coagidos (isto sim, é coacção!) por LFV, e não se sabe a repercussão interna deste acto de gangsterismo. O CJ está a atrasar a saída do seu veredicto para, em caso de sentença favorável ao FCP, ser tarde demais para que o clube pudesse usar este trunfo em Nyon? Ou pelo contrário, fez uma jogada de xadrez, pressupondo que a sua demora faria a UEFA tomar a decisão que tomou, que é favorável ao FCP?
4 - A posição da FPF tem sido no mínimo ambígua, aliás reflectindo certamente a figura do seu presidente, mestre na arte de conseguir flutuar em todas as águas. O FCP saberá tirar as devidas conclusões.
5 - O enorme prestígio do FCP e do seu presidente Pinto da Costa, não é uma ficção. Se alguém tinha dúvidas, perdeu-as agora com certeza, ao ver os grandes clubes europeus ( onde o Benfica não está incluído ) e destacados dirigentes darem o seu total apoio.
6 - Cuidado com a UEFA. São perigosos porque não marram a direito.
7 - Penso que o FCP tem de repensar a sua estratégia de Comunicação e o tipo de relacionamento com os poderes instituídos do futebol. A presente crise mostrou que algo está errado. Se há coisa que o presidente PdC é, é ser perspicaz e arguto, e não vai certamente permitir que no futuro se repita o que agora se passou: que seja dado ao inimigo todo o tempo para estudar o seu plano, dispor as suas forças e lançar o seu ataque. Não pode voltar a acontecer.
8 - Agora que o inimigo está de cabeça perdida, penso que um poderoso contra-ataque, lançado rapidamente, teria resultados favoráveis que iriam para além do imediato. Não devemos dormir sobre os louros da meia vitória alcançada.
9 - Ver os benfiquistas a espumar de raiva e a disparar em todas as direcções, deve recompensar-nos das dúvidas e incertezas vividas nas últimas semanas!
Jornalismo, isto?
A UEFA e o jornalismo português
16 junho, 2008
Petição pela exoneração de Maria José Morgado
vamos lá dar o nosso contributo para ver se nos conseguimos livrar da incompetência do sistema judicial "português".
http://www.PetitionOnline.com/morgado/
15 junho, 2008
Petição
PETIÇÃO CONTADORES LIVRES
Petição pelo cumprimento da Lei entrada em vigor a 26 de Maio, relativa à
extinção de taxa de aluguer de contadores de serviços públicos.
MUITO IMPORTANTE! Leiam, assinem e divulguem.
Vá a http://www.ipetitions.com/petition/contadoreslivres/,
Leiam, assinem e divulguem!
Contadores Livres de taxas, em respeito à Lei 12/2008, de 26 de Fevereiro.
Regresso
Já cá estou. Para além dos muitos quilómetros que caminhei e foi possível ver em tão poucos dias, houve uma notícia que me deu particular prazer conhecer (ainda em NY), que foi - como sempre acreditei - a suspensão do castigo ao nosso FCPorto, por parte da UEFA. A outra, foi a vitória de Portugal sobre a República Checa e a grande, grande exibição, do Deco & Ca...
Como diz um dos nossos comentadores, tenho a impressão que ainda nos vamos rir muito desta palhaçada "pseudo-jurídica" dos melros de costume...
Até amanhã e um abraço
13 junho, 2008
Hoje é dia de futebol
O meu problema com Scolari, é outro, está para além da sua valia futebolística. O meu problema é que nunca lhe perdoarei o facto de ter desrespeitado e insultado a minha cidade e o seu mais lídimo clube representativo, por sinal o único em Portugal que tem expressão a nível europeu. Não uma mas repetidas vezes. Foi reincidente e por isso merece a condenação de todos aqueles que têm sentido de honra e que sentem esses insultos como se a si próprio tivessem sido endereçados. Nunca ninguém lhe ouviu uma palavra de desculpa, nem sequer uma tentativa de justificação. Mais uma razão para não merecer absolvição.
Mas atenção. Scolari começou a disparar em direcção ao Norte mal tinha desembarcado na Portela, o que indica claramente que alguém lhe encomendou o recado. Tenho fortes suspeitas em relação ao Sr.Madail e a parte do seu séquito. Por isso considero que enquanto não for feita uma limpeza na Federação, de cima a baixo, o trabalho não está acabado.
2 – Acabo de ver na TV notícias da Suiça relativas ao recurso do FCP. Ainda é cedo para gritar vitória, por muito que o resultado seja muito melhor do que aquilo que eu temia. Quero dizer que detestei o modo como Adelino Caldeira se comportou frente às câmaras da TV, com aspecto arrogante, mal disposto, inacessível, respondendo de má vontade às perguntas dos repórteres. Continua o que parece ser a política da SAD em relação aos adeptos do clube: “ não chateiem, aguardem e leiam depois nos jornais aquilo que nós, gente importante e esclarecida, decidimos fazer”. Para quem, segundo é voz corrente, é responsável por toda esta trapalhada ao não querer recorrer da decisão da Comissão Disciplinar da Liga, bem poderia ter uma atitude mais afável. Quando penso que é gente desta que dirige o clube, fico preocupado.
Uma última palavra para Hermínio Loureiro. Pelos vistos, forneceu importante arma ao Benfica, atestando que a decisão do Conselho de Disciplina da Liga já transitou em julgado. A que propósito o Presidente da Liga dá o seu aval a questões judiciais que não lhe dizem respeito e das quais é ignorante? Espero que, seja qual for a sentença final, o FCP não se esqueça disto, e que finalmente parta ao ataque e torne a vida impossível àquela nulidade que, já quando era Secretário de Estado do Desporto, deu sobejas provas da sua incapacidade.
12 junho, 2008
Manda quem pode e obedece quem deve
Não sendo jurista e nem tendo especial conhecimento dos factos, obviamente que nem me atrevo a emitir uma opinião devidamente sustentada, mas não posso deixar de exprimir dois comentários.
O primeiro, é que sou levado a pensar que este caso parece ser a continuação daquele bloqueio vergonhoso que Rui Rio pretendeu colocar na construção do estádio do Dragão e no PPA. Tudo leva a crer que a ânsia de protagonismo pessoal e o ódio ao FCP foram as motivações que o levaram a tomar as atitudes que tomou e que, mais do que prejudicar o FCP, prejudicavam a cidade que desgraçadamente o elegeu para presidente da edilidade. O seu interesse pessoal foi colocado à frente dos interesses da comunidade. É a isso que se chama honestidade a toda prova? Felizmente que os seus designios puderam ser ultrapassados, e hoje aquela zona da nossa cidade começa a tomar um cariz urbanístico que, motivações clubísticas à parte, só nos pode orgulhar, por muito que possa custar ao senhor presidente da câmara.
O segundo comentário que me ocorreu, acaba por ser "mais do mesmo". Refiro-me à enorme discrepância de tratamento dado a eventuais irregularidades resultantes da construção do estádio do Dragão, quando comparadas com a roubalheira pública com que foi beneficiado o Benfica para a construção do seu estádio. O FCP, através de dirigentes seus, vai a tribunal acusado de ter sido beneficiado no tratamento que lhe foi concedido pela câmara, só porque há desacordo na valorização das parcelas que foram permutadas. No caso do Benfica, os detalhes do acordo entre o clube e a câmara de Lisboa foram cuidadosamente ocultadas do grande público, mas felizmente um dia Miguel de Sousa Tavares conseguiu uma cópia desse contrato, que a câmara sempre se tinha recusado a lhe facultar. Deu-o então a conhecer no jornal desportivo onde colabora. Isto já foi há uns anos, mas lembro-me dos atropelos cometidos, dos favores ilegais concedidos ao clube, das infracções lesivas do interesse público. Em consequência, a EPUL, empresa municipal vocacionada para criar urbanizações, e com quem foi permitido ao Benfica associar-se, foi mungida como uma vaca leiteira. Era presidente da câmara lisboeta o Dr.Santana Lopes, o tal que continua a "andar por ai". O clube da "transparência" bem devia erguer-lhe uma estátua junto à do Eusébio.
Este é o "pão nosso de cada dia". Em Lisboa fazem-se todas as manigâncias que for preciso, mas tudo continua na santa paz do Senhor. No Porto, a propósito de tudo e de nada, polícia, inquéritos e tribunal com eles poque é gente de má raça e há que metê-los na ordem.
Faz parte da actualidade de hoje mais um exemplo desta dualidade. O Tribunal de Contas detectou inúmeras irregularidades no Metrro de Lisboa, nomeadamente na construção do troço entre o Terreiro do Paço e Santa Apolónia, além de um aumento de custo de 66% em relação ao orçamentado. As irregularidades são de tal monta que o TC diz que elas podem levar à devolução a Bruxelas de fundos já recebidos. O que vai acontecer à administração da empresa? Verão que nada, e o ministro Jamé continuará tranquilamente a tratar da sua vida.
Mas no Porto... bem, no Porto foi diferente. A propósito duma ultrapassagem de custos, esse mesmo Jamé surgiu como um arcanjo exterminador e, utilizando a espada da sua prepotência, simplesmente destituiu na hora a administração da Metro do Porto.
Colonizadores senhoriais, e colonizados servos da gleba ou, como se dizia na minha juventude durante o Estado Novo, "manda quem pode e obedece quem deve". Afinal há tradições que ainda são o que eram.
09 junho, 2008
Nota informativa
Amar o Porto sem tabus
Desculpem-me-ão a ousadia, mas não confio em unanimismos. São traiçoeiros. Para reflectir: "O desamparao aprendido"
Os psicólogos Maier, Seligman e Soloman, publicaram em 1969 o resultado de uma experiência com animais. Estas hoje talvez sejam vistas como um tanto ou quanto cruéis, mas cá vão.
Nesta experiência foram usados dois grupos de cães, os animais de um grupo sofriam uma série de choques, mas podiam interromper a situação desconfortável se pressionassem um painel com o nariz. Os cães do segundo grupo sofriam um choque da mesma intensidade e duração, mas não tinham qualquer controlo sobre a extinção do choque.
Posteriormente os animais dos dois grupos foram colocados numa situação onde podiam escapar e evitar o choque saltando uma barreira entre dois compartimentos. Apesar da fuga e evitação serem agora possíveis para todos os cães, os investigadores verificaram que só os cães que antes eram capazes de interromper a situação de desconforto e tinham controlo sobre a situação conseguiram aprender a saltar a barreira e fugir aos choques. Os cães do segundo grupo, os que nunca tiveram controlo sobre a extinção do choque, saltavam, corriam, latiam quando sofriam o choque nos ensaios iniciais, mas a pouco e pouco deixaram de o fazer, permanecendo sentados ou encostados e recebendo passivamente os choques que lhes eram infligidos. Os animais passaram a agir como se qualquer resposta fosse inútil. Estava cunhado um novo conceito: o desamparo aprendido.
O desamparo aprendido também se verifica com os seres humanos. E embora a teoria se aplique fundamentalmente a indivíduos, parece-me que a sociedade portuense, no seu conjunto, se encontra neste estado psicológico: por muito que lhe batam, vilipendiem, ostracizem e discriminem, ela julga que qualquer reacção para se defender é ineficaz. Mas às vezes, inexplicavelmente, os desamparados explodem numa torrente imparável de raiva e violência.



